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4.3.12

Negro!

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Mais pistas faltassem, a conferência de imprensa de Mota oferecê-las-ia. Recordando o jogo em que o agora treinador do Setúbal defrontou o Sporting, não seria difícil antever que estratégia teríamos para este jogo. E assim foi. Tivesse o Sporting segurança na sua construção e a estratégia faria o Setúbal aspirar, no máximo, ao zero zero. Sem segurança, tornou-se numa estratégia com outras potencialidades.

A expectativa que tinha de um bom inicio de Sá Pinto já se havia esfumado, como escrevi após o jogo com o Paços de Ferreira. O calendário sugeria-o, de facto, mas o meu optimismo ignorou o obstáculo que representaria mudar alguns comportamentos em pleno climax competitivo. Comportamentos que exigem outro contexto para poder evoluir. Poderia lá chegar por outra via, ganhando tempo através de vitórias alicerçadas no controlo e estabilidade defensivas, como sugeriram os 2 jogos anteriores, mas bastou o primeiro sobressalto para se perceber que a confiança neste momento tem a consistência de um castelo de cartas. Polga será o maior exemplo desta relação entre a falta de confiança e o descontrolo. Fez um inicio de época relativamente estável, com as suas virtudes e defeitos, mas desde que a equipa perdeu contacto com o seu principal objectivo, que acumula erros individuais, jogo após jogo. Mas não é apenas Polga, como bem se vê...

A meu ver, o Sporting teve fases bem diferentes, como de resto parece corroborar o gráfico que acompanha o texto. Um inicio de boa produção mas com grande ineficácia, que custou pontos relevantes, um segundo período de maior eficácia, onde manteve um rendimento bastante elevado, e uma queda abrupta após o jogo com a Académica, quando perdeu contacto com o objectivo de liderança. Actualmente, temos a fase mais preocupante, porque a produção de jogo da equipa está nos níveis mais baixos da época e sem um contexto de dificuldade que o justifique.

Tenho abordado aqui o tema da fragilidade do futebol, e essa ideia aplicada ao caso do Sporting atribui uma enorme incerteza sobre os limites negativos a que a equipa poderá chegar. Um cenário negro, mas que poderá não ser irreal se não for rapidamente invertido.

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13.2.12

A circulação baixa do Marítimo

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Terá sido, aos meus olhos, o aspecto mais marcante do ponto de vista táctico, no jogo. O que define o resultado é uma discussão menos trivial, sendo impossível de rivalizar, por exemplo, com o peso fatídico de lapsos pontuais, como o erro de Patrício, ou a escorregadela de Xandão, mas no que respeita à definição do balanceamento do jogo, ao que marcou o ascendente do Marítimo e as dificuldades de imposição do Sporting, nenhuma fase do jogo terá contribuído tanto como a circulação baixa dos insulares.

Foi uma situação que se repetiu sucessivamente no inicio do jogo e que estaria, inclusivamente, na origem do lance do segundo golo, mesmo numa altura em que a resposta das equipas era já bastante diferente daquilo que acontecera na primeira parte. Há, aqui, algum contraste com aquilo que tem acontecido na generalidade dos jogos do Sporting, nomeadamente na abordagem que é feita pelos seus adversários. O Marítimo, desta vez, assumiu o risco de promover uma circulação baixa, tentando chamar e envolver o Sporting, antes de explorar os espaços mais adiantados. Foi uma situação de risco, sobretudo porque confrontou a intencionalidade do Sporting de subir o bloco e potenciar o erro no meio campo contrário. Por mérito de uns e demérito de outros, foi o Marítimo quem saiu repetidamente por cima deste confronto e, por isso, quem ficou desde logo mais próximo das zonas que definiu como essenciais para criar vantagem.

Aqui ficam alguns pontos de opinião sobre esta situação:

- intencionalidade/mérito do Marítimo: Nada foi um acaso. Centrais abertos, laterais profundos, uso do guarda redes e apoio dos médios, como solução de passe no corredor central. Não creio que haja a intenção de fazer uma ligação muito apoiada entre as diferentes fases, mas há pelo menos o objectivo de criar a dúvida no posicionamento do bloco contrário, atraindo as linhas mais adiantadas para depois explorar alguma abertura do bloco, quer através de uma circulação mais larga, quer através de um jogo mais directo. Para além da intencionalidade e de alguma qualidade, penso que se deve destacar, porque não é muito comum a este nível, a tranquilidade e confiança com que os jogadores do Marítimo o fizeram.

- presença pressionante do Sporting: Domingos juntou Matias a Van Wolfswinkel, o que não é uma surpresa. O pressing do Sporting pretende ter um impacto vertical imediato e não tanto uma acção orientadora da sua primeira linha, e para isso é quase inevitável a utilização de dois jogadores no inicio de pressão. Mas as dificuldades surgiram, a meu ver, por dois factores. O primeiro tem a ver com o controlo da acção dos médios (Roberto Sousa/Rafael Miranda) no corredor central, que nunca foi bem conseguida pelos elementos da segunda linha, sempre algo distantes dos dois elementos mais adiantados. Depois, mesmo quando conseguiu criar dificuldades, o Sporting não as materializou, devido a uma aparente incapacidade ao nível da agressividade. Finalmente, nem sempre se verificou uma boa prioridade na acção pressionante dos elementos da primeira linha, sendo um excelente exemplo o lance do segundo golo, quando o Sporting consegue fechar o Marítimo num lado do campo, mas depois Van Wolfswinkel é batido numa tentativa de desarme, quando a prioridade deveria ser não deixar a bola sair do corredor. O Sporting fica assim exposto, porque a sua equipa está balanceada para um lado do campo e a bola circula rapidamente par o lado oposto, aumentando a abertura lateral da equipa (basta reparar na distância de Arias para os centrais na fase terminal do lance).

- última linha: quase sempre a última linha é a mais visada, porque são sempre estes os protagonistas da fotografia final. Mas, como bem retrata o lance do segundo golo, raramente a questão se pode resumir de uma forma assim tão simples. Neste jogo, por exemplo, não sou da opinião que a última linha do Sporting tenha feito um mau jogo, apesar de ter sido muito exposta pela perda de presença pressionante sobre o portador da bola. Aqui, na reacção da última linha a este tipo de situação, reside uma das questões mais difíceis de responder pela generalidade das principais equipas do futebol actual. O que fazer quando há perda de presença pressionante sobre o portador da bola? Bom, cada equipa/treinador definirá o que pretende, mas o que se vê é que a generalidade das linhas defensivas mantém o posicionamento nestas situações, aumentando ainda que instantaneamente o risco de exposição do espaço nas suas costas. Pessoalmente, penso que o ideal é que se corte a profundidade, mesmo que se aumente o espaço entre sectores. Parece-me preferível baixar, aguentar e reorganizar do que correr o risco.

- guarda redes: não é novidade que o guarda redes ganha importância com a postura pressionante das equipas. De um lado, quando em posse de bola, porque tem de ser parte da circulação. Do outro, em situação defensiva, porque tem de estar preparado para cortar o espaço nas costas da sua linha defensiva. Neste jogo, Peçanha foi fundamental na circulação e Patrício no auxilio ao controlo da profundidade. O caso de Patrício, porém, não merece grandes elogios apesar do bom desempenho neste jogo (a este nível). Para além do seu já conhecido jogo de pés, muito aquém do que se exige nos dias de hoje, tem revelado dificuldades comprometedoras na decisão de sair da baliza. Já havia sido decisivo em Braga, valendo um golo aos bracarenses, e voltou a sê-lo a meio da semana, quando não reagiu a cruzamento feito na linha média e que acabou com uma finalização de cabeça perto da marca de penalti, perante a imobilidade do guarda redes. Preocupante!
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1.2.12

Gil Vicente - Porto: opinião e estatística

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- A introdução não varia muito daquilo que tantas vezes refiro: depois de vista, a derrota pode parecer uma fatalidade óbvia, mas essa conclusão terá mais a ver com a perspectiva do observador do que com o objecto de observação em si mesmo. O aspecto que me parece mais importante realçar, do ponto de vista do jogo portista, é o mesmo de jogos anteriores, e tem a ver com a dificuldade da equipa em criar situações de maior proximidade com o golo, independentemente do domínio territorial que consegue (ou lhe é concedido, como foi o caso). Isso já acontecera em jogos anteriores, mas desta vez houve dois factores que me parecem ter contribuído especialmente para que tudo se complicasse do ponto de vista do resultado. O primeiro tem a ver com a eficácia, com o Gil a ser perfeito no aproveitamento das situações ofensivas que criou (Helton não fez uma defesa, apesar dos 3 golos sofridos), e o segundo com a reacção da própria equipa, que revelou uma desinspiração generalizada nos seus jogadores (Belluschi e Varela serão as excepções). Creio que a relação entre dois pontos existe e que é de natureza não linear, o que agrava os seus efeitos. A ideia que me fica é que há uma forte potenciação do segundo (a desinspiração) através do primeiro (a eficácia do adversário), sendo que aqui volto ao ponto que realcei sobre o jogo do Benfica, relativamente à tendência de quem vai na frente ser capaz de reagir melhor às adversidades. E se houve desafio em que o Porto falhou em Barcelos, foi na reacção à adversidade (ao contrário do Benfica, na Vila da Feira, coincidentemente).

- Em relação à primeira parte, que é o período que me parece mais interessante de analisar, foi curioso ver como o Porto teve tantas dificuldades em ligar as suas fases ofensivas, sendo que nunca teve dificuldades numa primeira fase do seu jogo ofensivo, mas também praticamente nunca chegou a concluir qualquer das iniciativas iniciadas. Aqui, o papel dos médios ala do Gil revelou-se, surpreendentemente, avassalador para as investidas portistas. Em particular, a tendência do Porto para libertar Álvaro Pereira no corredor foi completamente anulada pela presença de Rodrigo Gallo, no apoio ao lateral. Álvaro Pereira, aliás, é um caso especial. Tem uma acção muito interventiva no jogo ofensivo da equipa e todos reconhecem o potencial das suas características, mas se a sua progressão ao longo do corredor for condicionada, muitas vezes acaba por não ter o contributo mais útil para a equipa. Em situações mais próximas da área, opta várias vezes por forçar o cruzamento em situações desfavoráveis, mas também em fases anteriores do jogo ofensivo se verifica uma tentativa frequente de ligar o jogo de forma mais directa, que poucas vezes tem uma sequência útil. Face a esta disposição do Gil, seria útil ao Porto especular as entradas pelos corredores laterais, aproveitando depois o espaço interior. No entanto, isso raramente aconteceu...

- Este caso do Porto, do contraste entre a sua facilidade em construir e posterior dificuldade em entrar, depois, de forma mais útil no último terço, parece-me realçar de forma evidente a importância de não fazer dos "meios", "fins". E o futebol, enquanto jogo, só tem um fim, que é o golo. Ou seja, podemos identificar certas zonas como zonas de elevado potencial, traçando cada equipa o objectivo de que o seu processo ofensivo possa fazer chegar a bola a essas zonas, e de forma útil - a zona "entrelinhas" ou as zonas próximas do vértice da área, por exemplo. No entanto, mesmo chegando repetidamente a essas zonas, o sucesso do processo ofensivo não fica garantido. É importante a última fase, conseguir criar roturas quando a bola chega "entrelinhas", ou ter uma solução de cruzamento que possa criar, com boa probabilidade, problemas de controlo ao adversário. Esta tem sido, na minha opinião, a principal lacuna do Porto após a alteração de estrutura promovida por Vitor Pereira.

- O Porto, tudo indica, partirá agora para uma nova fase. O peso da derrota, aliada às chegadas de Lucho e Janko deverá implicar algumas mudanças nos rostos que marcarão a próxima fase da equipa. Vitor Pereira começou por optar pela continuidade, mantendo praticamente todas as linhas do modelo do ano anterior. Depois, e particularmente depois da eliminação da taça, tivemos uma outra versão do Porto 2011/12. Não creio que possa haver uma inflexão dessa mudança, até porque Lucho e Janko parecem encaixar nas necessidades da equipa, nesta forma de jogar. Lucho porque é um jogador muito forte na movimentação sem bola e a aparecer nas zonas de finalização, sendo previsível que venha a fazer o papel que Defour ou Belluschi vinham desempenhando. Janko, porque é um jogador especialmente forte no jogo aéreo, algo que parece faltar como complemento aos inúmeros cruzamentos de Álvaro Pereira (ainda que não me pareça que seja apenas um problema de resposta individual no centro da área). Sobram ainda Maicon/Otamendi, outros candidatos previsíveis a sair da equipa base. Seja como for, o campeonato está realisticamente muito complicado para o Porto. Os 5 pontos não são muito se tivermos em conta que há um jogo decisivo, onde o Porto tem a oportunidade de recuperar 3. O problema é que, agora como antes deste jogo, não parece claro que seja mais provável ser o Porto a vencer esse jogo, ou o Benfica a perder mais pontos nos restantes jogos que ainda há por jogar. Pelo contrário, arrisco eu...
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30.1.12

Feirense - Benfica: opinião e estatística

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- Antes de ir ao jogo propriamente dito, acho interessante comentar a situação da tabela classificativa. O Benfica tinha duas vantagens, que garantiu na primeira metade do campeonato: 2 pontos de avanço e a perspectiva de disputar em casa o jogo que se adivinha com maior potencial decisivo. Quanto à segunda vantagem, não há muito a acrescentar para além do óbvio, mas parece haver mais importância na liderança do que a mera diferença pontual. Ano após ano e de país para país parece verificar-se uma tendência para que as equipas que vão atrás tenham mais dificuldade em reagir às adversidades. Um problema de confiança, seguramente, mas todos sabemos como a confiança pode ser tudo no futebol (e o Benfica de Jesus que o diga!). Não é uma verdade absoluta, obviamente, mas será uma tendência geral, que explica, por exemplo, porque é que 24 dos últimos 30 campeões já lideravam ao fim de apenas 1/3 do campeonato, quando esse não parece ser um período suficientemente longo para que o factor aleatório tenha sido isolado. Seja como for, esta jornada tivemos um passo potencialmente decisivo para a definição do campeonato, onde a reacção à adversidade dos dois primeiros foi totalmente distinta. Neste mesmo sentido, o Feirense poderá vir a ser uma equipa chave na corrida ao título, não tanto por este jogo, mas pelo facto de ter sido inesperadamente frente a este adversário que o Porto perdeu a sua vantagem na fase inicial da prova.

- A perspectiva de um jogo algo diferente do habitual, confirmou-se. O Feirense forçou o Benfica a disputar um jogo de futebol muito verticalizado e pouco tempo para pensar. A resposta do Benfica foi sempre boa, mas demorou até que a equipa conseguisse realmente dominar o jogo. Acabou por fazê-lo com a evolução do tempo, havendo também a coincidência de isso ter acontecido após a passagem de Rodrigo para uma zona mais central, com Witsel a ocupar uma posição mais descaída para a direita, sobretudo em situação defensiva. Esta organização criou alguns problemas de controlo a Maxi (frequentemente o ajustamento posicional de Witsel não chegava a tempo de bloquear o corredor), mas a verdade é que o Benfica pareceu ganhar com a mudança, sobretudo pela maior presença de Rodrigo em zona central e pela amplitude de acção de Witsel, que libertou Aimar. Já contra o Marítimo, o Benfica se dera bem com a alteração, e embora não seja liquido que tal tenha sempre um efeito positivo (nomeadamente, porque aumenta o risco de perda em posse), a verdade é que tem tido precisamente esse efeito.

- Recentemente, destaquei o papel importante da abordagem do Benfica ao mercado, com muito investimento, mas com apostas muito certeiras. Hoje, e neste jogo em particular, quero realçar outro ponto importante na construção do plantel e nas opções do treinador. É que, provavelmente como poucos, Jesus sabe bem que jogadores quer para a sua equipa. Por exemplo, a estatura é essencial em pelo menos 4 unidades da sua equipa. O guarda redes, os centrais e o pivot são sempre altos nas equipas de Jesus, e quando não são passam a ser (no caso da dispensa de Quim, por exemplo, parece ter sido decisivo). Do mesmo modo, um dos avançados tem tendencialmente essa característica, sendo que para esta posição o treinador confia naquilo que o faz ganhar, os golos. Por isso, Cardozo é discutível para quase todos, mas não para Jesus. Estas prioridades do treinador conferem ao Benfica uma grande adaptabilidade, nomeadamente sendo capaz de responder de forma muito forte num jogo com estas características. Obviamente, não quer isto dizer que todos os treinadores e todas as equipas devam repetir a fórmula (mais uma vez a importância da especificidade...), mas parece-me indiscutível a utilidade de se saber o que se quer, fazendo convergir as características individuais para os objectivos colectivos. Ainda no capítulo individual, destaque para Rodrigo, Cardozo (grande jogo, de utilidade cirúrgica para aquilo que foi o jogo) e Artur. O guarda redes merece aqui uma referência especial, porque não foi pelo que Artur defendeu que foi importante, mas pelas suas reposições, nomeadamente com os pés. Esse é outro ponto onde o Benfica evoluiu nesta época, e duvido que de agora em diante Jesus passe também a não dispensar um bom jogo de pés nos seus guarda redes...

- Nota, finalmente, para algumas dinâmicas colectivas do Benfica. Na saída em construção, o Feirense tentou forçar o pontapé longo de Artur, mas o guarda redes forçou até ao limite a saída em posse, normalmente por Garay, e muitas vezes com um passe praticamente paralelo à linha final. A opção pelo argentino é intencional, porque é o jogador com maior qualidade de passe nos elementos mais recuados, e mesmo que a saída curta do guarda redes não tenha tido como consequência constante a progressão em apoio (várias vezes não teve), sempre que o Benfica tentou a construção longa conseguiu criar muitas dificuldades de controlo ao Feirense, tendo Cardozo um papel essencial como referência para o jogo directo. Outra dinâmica em evidência e que causou dificuldades ao Feirense, aconteceu em situações de progressão mais apoiada, com a bola a ter como destino quase constante o corredor oposto àquele onde a jogada havia começado. Aqui, o Benfica aproveita a mobilidade de Aimar e a boa abertura da sua estrutura para provocar dificuldades de controlo ao bloco adversário.
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23.1.12

Porto - Guimarães: Estatística e opinião

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- Permanecem as dúvidas sobre o aproveitamento do jogo portista no último terço. Comecei por levantar a questão nos primeiros jogos em que Vitor Pereira alterou algumas dinâmicas do seu meio campo, e, confesso, ainda não tenho uma resposta convicta para o problema. Em particular, porque é que o Porto consegue chegar tantas vezes em boas condições ao último terço, mas não consegue traduzir essa capacidade numa proximidade mais clara com o golo? Neste jogo, onde tal voltou a suceder, fica a ideia de que há uma excessiva tendência para tentar cruzamentos largos ou finalizar de zonas exteriores. O facto é que se não dá para colocar em causa a justiça da vitória portista, é também importante ressalvar o papel da eficácia na obtenção dos 3 pontos, até porque não houve muito mais oportunidades do que aquelas que foram convertidas...

- As facilidades de progressão do Porto viram-se praticamente desde o inicio do jogo e estão ligadas à forma como as equipas se apresentaram perante o inicio de construção portista. Por um lado, sem surpresa, o Vitória não abdicou de subir a sua equipa e tentar condicionar o adversário em todo o campo. Por outro, o Porto não abdicou de sair a jogar, apesar da presença do adversário. Como o Porto o fez sempre bem e o Vitória não teve capacidade para contrariar essa virtude, o jogo correu rapidamente até ao último terço ofensivo azul e branco. Em destaque aqui, a rapidez de reposição de Helton, a boa circulação lateral, invertendo o lado de saída antes de progredir, e a presença dos médios (frequentemente, Defour e Moutinho em simultâneo) junto do corredor eleito para a progressão. A maior critica terá talvez a ver com a quase absoluta preferência pelo corredor esquerdo. E talvez aqui, na escolha do corredor esquerdo e na propensão de Álvaro Pereira para cruzar, esteja parte da explicação em relação às dificuldades de objectividade no último terço.

- De resto, e ainda no Porto, confirma-se a importância da especificidade de certos elementos nas características que o jogo assume. Em particular, sem Hulk a referência ofensiva volta a ter um papel muito discreto em termos de envolvência no jogo ofensivo (repito que não é um critica a Kléber...). Depois, com Defour não há tantas finalizações, mas uma presença muito mais assertiva e dinâmica do que quando apareceu Belluschi no seu lugar (é também certo que, apesar disto, Defour não foi a solução para uma maior capacidade de desequilíbrio no último terço). James, com grande liberdade para não se fixar num flanco e intervir em fases mais precoces do jogo (apesar de ter sido decisivo, não me pareceu especialmente inspirado). Finalmente, o caso mais óbvio, que reside no contraste entre Álvaro Pereira e Maicon. O ponto talvez mais interessante desta sucessão de características individuais tem a ver com a importância da componente individual na dinâmica colectiva, ganhando o jogo da equipa características muito diferentes em função de quem interpreta cada uma das funções...

- Em relação ao Vitória, creio que o principal problema esteve na tal dificuldade em manter o jogo adversário mais longe da baliza e em potenciar mais recuperações em zonas adiantadas do terreno. Não era fácil, claro. De resto, e um pouco na sequência daquilo que escrevi no ponto anterior, é curioso verificar como algumas especificidades do jogo vimaranense se mantêm desde Manuel Machado, apesar das diferenças que se esperavam na abordagem de Rui Vitória. A equipa mantém um grande foco em Edgar, que é uma referência muito forte para as primeiras bolas, e mantém também uma grande tendência para procurar colocar rapidamente a bola nas zonas de finalização, o que muitas vezes resulta em previsibilidade, mas que pode também resultar em dificuldades de controlo na zona mais essencial, para o adversário. E foi isso que aconteceu nas principais situações ofensivas do Vitória, com vários elementos a juntarem-se rapidamente à zona de finalização, provocando superioridade sobre Rolando e Otamendi. Seja como for, e por vários motivos, a expectativa é que o Vitória faça uma segunda volta em crescendo, acabando com uma pontuação semelhante à dos 2 anos anteriores. Veremos...
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19.1.12

Real Madrid - Barcelona: O mais desequilibrado desde o 5-0?

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O resultado permite sempre exacerbar méritos de vencedores e deméritos de vencidos, e quase sempre isso que acontece, mas na minha opinião há uma diferença significativa de caso para caso. Desde logo, por exemplo, do recente 1-3 para este. Desta vez, realmente, creio que houve uma diferença contínua de qualidade na afirmação das respectivas propostas de jogo. O mais desequilibrado desde o 5-0? Para mim, e se tivermos em conta a globalidade dos 90 minutos, sim.

Sem me querer alongar muito, o que penso que prejudicou o Real, neste mais do que em outros casos, foi a incapacidade de conseguir extrair qualidade nos momentos em que teve bola. Não quantidade porque essa não se discute, mas qualidade. Se a tentasse ganhar mais à frente, como fez em alguns jogos da série do ano passado, faria sentido a verticalização como regra. E, olhando à composição do onze, Mourinho preparou mesmo a equipa para verticalizar. Assim, recuperando mais baixo, era importante ter mais critério e capacidade para oscilar entre a verticalização e a opção de levar o jogo até ao meio campo contrário, sem risco constante de perda. Podia não criar sempre perigo, mas obrigaria o Barça a baixar mais vezes, podendo depois defender a partir da reacção à perda, entrando mais vezes naquele que é, afinal, o seu jogo habitual. Mas, continua a dúvida, não sobre a qualidade do Barça com bola, mas sobre o porquê das outras equipas conseguirem jogar tão pouco. Particularmente, estranha ver uma equipa com a qualidade do Real Madrid (não me sobram dúvidas de que se o Barça de Guardiola é o melhor de sempre, o Real de Mourinho não fica muito atrás na hierarquia da História) tremer tanto com a bola nos pés. O mérito do Barça é enorme, mas explicará tudo? Ou haverá um constrangimento emocional? Seja como for, não estou convencido de que não seja possível fazer mais...

Do lado do Barça, a grande novidade para estes clássicos, reside em Alexis. No ano anterior também vimos Pedro ou Villa por dentro, mas com o chileno há um baile constante com os centrais no limite do fora de jogo. Sempre que a construção liberta um jogador de frente para ele, Alexis ameaça, e muitas vezes vai mesmo. É, no fundo, a resposta estratégica de Guardiola ao previsível sufoco "entrelinhas" e à obsessão com Messi.

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16.1.12

Benfica - Setúbal: opinião e estatística

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- Talvez mais importante do que a liderança - que não é um pormenor num campeonato onde se perdem tão poucos pontos - seja mesmo a naturalidade com que o Benfica chega a esta posição no virar do campeonato. Não é novo que o Benfica de Jesus se apresente especialmente forte nesta altura do ano, mas esse dado aliado à liderança oferece bons motivos para que os seus adeptos estejam optimistas em relação à situação em que se encontram. Não parece fácil, pelo menos para já, que o momento se inverta. Enquanto esperamos pelos próximos capítulos, convém fazer justiça ao planeamento da época encarnada. A mim próprio me surgiram reticências com o volume de contratações, mas a verdade é que o Benfica se reforçou muito bem em praticamente todos os sectores, retirando muito melhor partido do mercado do que qualquer dos seus rivais. Aliás, salvo raras excepções e apesar da excessiva volumetria, o Benfica tem evoluído muito positivamente nas abordagens que faz ao mercado...

- Ao nível dos aspectos colectivos de jogo, quero realçar dois aspectos: transição ataque-defesa e organização ofensiva. Começando pelo último, o Benfica parece ter estrategicamente tentado evoluir na sua construção no último ano. Privilegia uma circulação baixa mais larga, pelo afastamento dos centrais e recuo do pivot, e trabalha também de forma muito mais intencional a utilização do guarda redes como apoio. Artur é também reforço neste plano do jogo. A sua construção baixa, larga, permite-lhe normalmente ganhar enquadramento para entrar pelos corredores laterais, que é por onde consegue melhores resultados. Aqui, é curioso notar que os alas, e apesar do adiantamento dos laterais, nem sempre flectem para dentro, sendo os avançados quem oferecem soluções de apoio sobre um corredor central que, com o recuo do pivot, fica carente de soluções oferecidas pela dinâmica dos restantes jogadores. Isto tem alguns riscos, nomeadamente relacionados com o perfil de decisão de alguns jogadores, mas para o campeonato português, o Benfica tem-se mostrado com uma qualidade demolidora e muito dificilmente contrariável para a generalidade das equipas (diria que a excepcção são mesmo os "grandes" e o Braga).

- Sobre a transição ataque-defesa, há por definição uma ligação com o momento anterior, ou seja com o que a equipa faz com bola, em organização. E este momento foi muitas vezes posto em causa no anterior, mas, como escrevi na altura, o Benfica sempre foi uma equipa muito forte na resposta em transição, nomeadamente porque Jesus define muito bem a estrutura de equilíbrio quando a equipa entra no último terço. O problema esteve - e pontualmente ainda está - na zona onde a equipa perde a bola. Esse continua a ser, a meu ver, a principal vulnerabilidade desta equipa e se ela melhorou tem sobretudo a ver com o que escrevi no ponto anterior, ou seja, com a crescente preocupação que a equipa denota no seu momento de organização ofensiva, nomeadamente na construção baixa. Mas quando perde a bola onde pretende perder, o Benfica é realmente muitíssimo competente, e essa é outra das forças do seu jogo...

- Individualmente, nota de destaque para Witsel. Fez, a meu ver, uma primeira parte praticamente perfeita, com grande presença no jogo da equipa, com enorme certeza nas suas acções, e com a ligação directa com um golo da equipa para o campeonato. Já aqui me referi ao facto de Witsel não estar a ser completamente potenciado do ponto de vista individual, nomeadamente pelo excessiva exigência no momento de construção e pelo afastamento permanente de zonas mais ofensivas. Este ponto, porém, merece um enquadramento colectivo, porque se o Benfica melhorou muito em termos de segurança em posse, ganhando sobriedade e consistência, muito o deve a Witsel. A sua capacidade para ter bola é excepcional, é óbvio e não é preciso escrever muito sobre isso, mas é sobretudo contrastante com o perfil da generalidade dos restantes elementos da equipa, fortemente propensos à verticalização e aceleração constantes do jogo. É interessante este balanço entre potencialização do rendimento individual e minimização dos riscos colectivos. Provavelmente a melhor solução depende do contexto e não é generalizável a todas as situações...

- Finalmente, sobre o Vitória de Setúbal, que não conheço com enorme pormenor, há algumas unidades de qualidade nesta equipa, mas eu discordo das virtudes oferecidas por alguns elementos, tantas vezes elogiadas. Penso que Pitbull tem, de facto, uma capacidade de desequilíbrio acima da média da liga, ainda que seja um jogador especial. Que João Silva é um jogador que merece acompanhamento, não se devendo contabilizar o seu número de golos de forma absoluta, mas sim tendo em conta a capacidade ofensiva da equipa onde está (se não jogar, ou jogar pouco, porém, ficaremos na mesma...). Que Jorge Gonçalves está a fazer uma época notável e, apesar de não ser extremo para altos voos, é um dos casos interessantes desta liga, pela sua competitividade e intensidade (sabiam que é o jogador que mais faltas sofre no campeonato? Não é por acaso...)
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9.1.12

Sporting - Porto: opinião

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- Ficou a zeros e, não sendo um jogo mal jogado, foi um jogo que ficou um pouco aquém das expectativas. Pelo menos para as minhas. O equilíbrio foi a nota dominante, tanto no empate, como na proximidade no número de oportunidades, como em termos de domínio e presença territorial. O Sporting mais em organização, o Porto mais em transição, mas sempre com pouca diferença.

- Alguma estranheza, sobretudo do lado do Porto. Optou por uma abordagem pouco pressionante sobre a primeira fase de construção, permitindo que o Sporting, sobretudo por Polga, chegasse facilmente até à linha média antes de ter de definir o primeiro passe. Ora, é certo que Polga não é um jogador que se sinta muito confortável na condução em posse, mas é também certo que é um jogador forte na definição do passe, e o Sporting tirou partido disso na primeira parte, ligando facilmente o seu jogo pelo corredor esquerdo. Há aqui outro pormenor que me parece importante: permitir que Polga progredisse tanto espaço sem oposição obrigou o bloco portista a ir baixando no terreno, o que dificultou depois a presença pressionante no destinatário do primeiro passe do central.


- Outro detalhe sobre o jogo portista tem a ver com alguma tendência excessiva para verticalizar no momento da recuperação e, sobretudo, com a dificuldade de encontrar qualquer ligação útil à excepção de Hulk. Vitor Pereira reajustou o meio campo, dando outra característica à segunda parte, mas voltei a ficar com a sensação da maior utilidade de Defour no meio campo, sobretudo pela simplicidade do seu jogo e pela utilidade dos seus movimentos sem bola. Isto, claro, sem retirar daqui uma dose excessiva de conclusões, porque por muito tentador que seja fazê-lo, raramente o que vemos como resultado de substituições ou alterações dentro de um jogo tem um grande nível de relevância conclusiva.

- 3 notas individuais do lado do Porto: (1) Hulk no meio continua a dar sinais notáveis no que respeita à mobilidade e utilidade do seu jogo. Muito mais útil e consequente do que nas alas, onde tem muito mais tendência para para forçar o drible, e incomparavelmente mais útil do que qualquer 9 do nosso futebol. Por exemplo, comparando Hulk com Wolfswinkel, neste jogo, Hulk completou 28 passes contra apenas 9 do holandês, foi o terceiro mais interveniente em termos de posse ofensiva na sua equipa, enquanto Wolfswinkel foi o que menos interveio entre os titulares do Sporting (para contextualizar, é normal que o ponta de lança seja o menos interventivo, o que não é normal é a utilidade que Hulk acrescenta a partir dessa posição). Que não haja grande complementaridade com os seus movimentos, estou de acordo, mas isso não tem nada que ver com qualquer desajuste ou subrendimento do 12 nesta posição, pelo contrário. (2) Djalma, um pouco na continuação do que escrevi sobre Hulk, não parece poder fazer muita falta ao Porto. Aliás, será uma oportunidade para tentar integrar outro jogador que ofereça mais à equipa em termos ofensivos. É um jogador capaz tecnicamente, muito forte fisicamente e com excelente capacidade de trabalho (até se pode imaginar uma tentativa de adaptação a lateral), mas a sua produtividade neste período em que foi titular foi manifestamente insuficiente para as exigências do Porto. (3) Otamendi... impressionante a sua capacidade de antecipar e intervir no espaço. O Sporting sentiu-se tentado a forçar o duelo entre Wolfswinkel e o argentino, mas Otamendi dominou completamente o avançado do Sporting. Continuo a ver como um erro enorme que se forcem duelos com Otamendi em vez de Rolando, seja no ar ou pelo chão. O problema do central argentino, por outro lado, é que continua a revelar uma enorme propensão para o erro, constituindo-se assim como a perfeita antítese do seu colega de sector.

- Quanto ao Sporting, fica difícil exigir-se muito mais. Quem vê o talento de Matias e Izmailov a emergir do banco e para um pivot remendado terá de pensar que esta não é nem pode ser a equipa que o Sporting idealizou para a sua época. Ainda assim, o Sporting, tal como na Luz, voltou a dividir o jogo por completo, estando até mais perto de o ganhar, se contarmos as oportunidades claras de golo. Como expliquei acima, creio que o Porto não teve a melhor abordagem ao jogo e que o Sporting acabou por beneficiar disso, mas, ainda assim, ficou a sensação de que poderia ter feito mais...

- Há um nome que me parece incontornável neste jogo, que é Wolfswinkel. Não tanto pelas oportunidades claras que não converteu (pode acontecer a todos), mas pelas jogadas que não foi capaz de dar melhor sequência e que poderiam ter terminado em mais oportunidades. Não posso deixar de pensar que há uma ligação entre a falta de golos e os restantes capítulos do jogo do holandês, que já viram melhores dias. É que um avançado vive de golos e, regra geral, o seu momento a esse nível transfere-se também para a confiança com que interpreta as restantes situações de jogo. O que escrevi sobre Wolfswinkel e Bojinov quando chegaram ao Sporting, escreveria hoje de novo, praticamente sem qualquer alteração. Ou seja, não creio que as suas características foram muito bem percepcionadas aquando das respectivas aquisições. Nomeadamente, Wolfswinkel não é um jogador forte nos duelos dentro da área (muito longe disso) e Bojinov não é um jogador móvel ou versátil como se disse que era (naturalmente, desconheço se internamente era esta a ideia que se tinha, mas para cá para fora foi a ideia que passou). Talvez venha a partilhar mais ideias sobre as movimentações dos avançados em situação de cruzamento, porque me parece um tema interessante de analisar, tal a diversidade de casos que existem...

- Sobre as lesões, que tanto afectam a qualidade e estabilidade deste Sporting, há que referir que se devem distinguir situações. Uma coisa, são casos como o de Rinaudo, outra são as situações de Rodriguez, Matias, Izmailov e Jeffren. Todos estes jogadores tinham um histórico de lesões que não garantia qualquer confiança em relação à fiabilidade da sua disponibilidade ao longo da época. Para ser campeão em Portugal, nos dias que correm, é preciso fazer uma prova praticamente imaculada e, nesse sentido, é fundamental que não se cometam alguns erros de planeamento como os que foram cometidos. Se o Sporting tem motivos para estar esperançado com a evolução da sua equipa, o próximo passo só poderá ser dado se não se repetirem certos lapsos perfeitamente previsíveis na formulação do plantel (e escrevo "previsíveis", porque os enunciei a todos na pré época, tanto a aposta em Postiga como referência concretizadora, como a volatilidade da disponibilidade física de alguns elementos nucleares).

- Um último ponto sobre Renato Neto e a opção para pivot. Não foi um jogo mau, mas também não foi suficiente para que se possa imaginar estar ali uma grande solução para o lugar. Excelente capacidade física e boa presença posicional garantiram um bom jogo do ponto de vista defensivo, mas em posse nem se apresentou como solução, nem revelou a consistência exigível para o lugar. Foi uma estreia, porém. Não deixa de ser difícil de compreender para quem está de fora que André Santos tenha baixado tanto na consideração de Domingos, isto se nos lembrarmos que chegou a tirar o lugar a Rinaudo no inicio de temporada. Isto, para quem vê de fora, repito...
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21.12.11

Académica - Sporting: opinião e estatística

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- O futebol traz-nos bastantes curiosidades, e a época do Sporting tem sido interessante de analisar também a esse nível. Uma semana antes, o Sporting havia conseguido os três pontos essencialmente graças à diferença de eficácia que havia tido em relação ao Nacional. Desta vez, fogem dois pontos por um défice de aproveitamento precisamente nesse aspecto. Este, aliás, foi o problema essencial do mau arranque de campeonato, e se recuperarmos esses jogos facilmente concluímos que a eficácia (especialmente nesses 3 primeiros jogos) foi o factor que mais contribuiu para o menor rendimento ofensivo do Sporting em relação a Benfica e Porto. Defensivamente, por outro lado, o cenário é outro. Seja como for, já se suspeitava desde a terceira jornada que seria muito difícil o objectivo da luta pelo título, não apenas pelos pontos perdidos, mas sobretudo pela evidência de que o campeonato português não permite neste momento muita margem de erro a quem quer ser campeão. Depois da paragem de Natal, o Sporting joga a última réstia de realismo da sua candidatura ao título, mas 2011 pode até acabar com uma perspectiva bem real de um título para conquistar, assim o Sporting bata o Marítimo. Bem vistas as coisas, com ou sem candidatura ao título, pode haver ainda muito para jogar para o Sporting. Em especial se tivermos memória sobre o que foram os últimos dois anos...

- No que respeita ao jogo, voltamos a ver uma equipa a convidar os centrais do Sporting para sair a jogar. Desta vez, e ao contrário de outras equipas, não creio que a Académica tenha tirado grande partido disso. Primeiro, porque permitiu que fosse Polga a fazê-lo, e há uma diferença significativa na qualidade de passe, entre Polga e Onyewu. Depois, porque apesar de não permitir uma boa ligação no primeiro passe, acabou por não controlar bem a segunda bola, e o Sporting, seja de uma forma mais ou menos ligada, teve sempre uma presença constante no último terço ofensivo. Assim, o Sporting foi sempre a equipa com maior domínio no jogo, tendo também um bom controlo do adversário. Há apenas uma excepção: as aberturas largas que a Académica fazia para os seus extremos. É uma opção recorrente e estratégica dos 'estudantes' e é muito improvável até que não estivesse identificada pelo Sporting, mas o facto é que esse movimento nunca foi bem controlado, quer porque frequentemente faltou presença pressionante na linha média, quer porque, depois, não se utilizou o fora de jogo para neutralizar estas solicitações. E estas duas componentes, a presença pressionante sobre o portador da bola, e o comportamento da linha defensiva, estão obviamente ligadas. Teve algumas ameaças a esse nível antes, mas foi no golo que essa dificuldade ficou mais exposta. A verdade, porém, é que mesmo depois da bola ter entrado em Diogo Valente, o lance estava longe de estar fora de controlo. E aqui, entra a acção de Polga...

- Polga é um caso especial. Trata-se de um central que não é rápido, alto, nem tão pouco ágil. E, no entanto, apesar de todas estas limitações físicas, é o central que, entre os grandes, mais intercepções consegue, tanto na temporada anterior, como nesta. Ou seja, a sua capacidade posicional e de antecipação são tremendas, e se Polga tivesse outras condições no plano físico provavelmente não se teria ficado pelo campeonato português, ou pela dezena de internacionalizações pelo seu país. Tem isto a ver com o lance, porque na minha leitura a má abordagem de Polga resulta do receio de fazer auto golo, uma vez que estava em recuperação e já relativamente próximo da baliza. A sua intervenção teria de ser subtil, e creio que foi isso que tentou fazer. Porém, porque não conseguiu colocar o corpo a tempo, perdeu o controlo sobre o seu próprio movimento e a tentativa de fazer bem, acabou por resultar no pior.

- No Sporting, volto a abordar a questão da utilização de Daniel Carriço, que de facto não parece beneficiar a equipa. Primeiro, pelo tal problema da saída em construção, da limitação dos centrais e da inexistência de uma dinâmica que faça de Carriço parte da solução e não parte do problema. Depois, porque Elias e Schaars têm tudo para assumir funções mais amplas no meio campo. Qualquer um dos dois poderia funcionar como primeiro pivot, mas ambos compõem uma dupla que me parece potencialmente muito forte, como duplo pivot. Aliás, creio que qualquer um dos dois rende mais nessa função do que tão próximo do avançado, como actualmente actuam. Há, claro, dois problemas para Domingos: o primeiro é que Rinaudo vai regressar e uma alteração estrutural poderia quebrar a dinâmica colectiva. O segundo, e mais importante, é que com a lesão de Matias não há uma solução óbvia para actuar à frente desde duplo pivot.
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20.12.11

Porto - Marítimo: opinião e estatística

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- O último jogo do ano no Dragão não trouxe grandes motivos de interesse, muito pela monotonia do domínio portista, ainda mais potenciada após a expulsão. Ainda assim, o jogo pareceu confirmar algumas tendências do passado recente, nomeadamente no que respeita ao contraste entre a facilidade com que a equipa domina e controla o adversário e a dificuldade que mantém em conseguir uma tradução fiel desse domínio em jogadas de real proximidade com o golo. Não se trata de volume, pois remates não faltaram, mas de qualidade no desfecho das inúmeras acções ofensivas. De todo o modo, abre-se uma interrogação para o futuro próximo, que passa por perceber até que ponto Vitor Pereira está disposto a abdicar deste onze que tão fielmente vem repetindo, para rever algumas opções que não parecem oferecer o máximo potencial à equipa.

- Em termos colectivos, apenas uma nota em relação ao que referi nos últimos jogos. Desta vez, e particularmente na primeira parte, a ligação de jogo no último terço não me pareceu tão eficaz, nomeadamente na ligação com Álvaro Pereira. Aqui, pareceu haver uma assimetria com influência no rendimento. Com James muitas vezes próximo de Hulk e com ambos a descair para a direita, quando as jogadas se iniciavam pelo flanco direito, a equipa tinha dificuldade em fazer uma boa entrada na zona de finalização, essencialmente porque não parecia capaz de ligar o jogo com o flanco oposto, acabando mais dependente de cruzamentos ou tentativas de penetração em zonas bastante densas. Por outro lado, quando iniciou pelo corredor esquerdo, a sua capacidade de aproveitar o espaço no flanco oposto pareceu muito maior e muito boa, com Hulk ou James como destino dessas acções ofensivas. É a tal questão da largura na última linha, que me parece ser importante para conseguir criar mais dificuldades a quem defende.

- Individualmente, quero deixar algumas notas de opinião, e começo por Hulk. Este foi o jogo interessante, porque Hulk actuou na primeira parte como referência mais central e na segunda mais preso à linha. Pessoalmente, não tenho quaisquer dúvidas sobre o seu maior rendimento na primeira parte. Hulk é um jogador excepcional, que pode desequilibrar a qualquer momento, jogue onde jogar. O que se nota é que partindo de posições mais centrais, Hulk é solicitado em zonas mais ofensivas, e com muito menor tendência para cair na tentação do drible forçado e repetitivo. Com alguma surpresa, a sua prestação como elemento de apoio frontal é muito boa, mais influente e certo nesse papel do que Kleber ou Walter, ou do que qualquer dos avançados dos outros dois grandes. Veremos como evolui, mas pessoalmente sou da opinião de que o seu rendimento pode ser de facto mais potenciado partindo dessas posições, desde que complementado por outros jogadores que ocupem os espaços que abre com a sua mobilidade. Uma ideia ainda não explorada, seria tentar uma relação de maior mobilidade entre Hulk e Kleber, já que sempre que actuam juntos fazendo em posições muito fixas. Kleber tinha um papel deste tipo no Marítimo, pelo que pode não ser assim tão estranho. É uma ideia, embora me pareça improvável que seja tentada...

- Outro caso é Djalma, que continua a não conseguir um grande entrosamento com os restantes elementos mais ofensivos e, também, sem protagonizar muitos desequilíbrios. Continuo a pensar que se esta relação for melhorada, o Porto poderá potenciar significativamente o número de ocasiões que consegue, mas teremos de esperar para ver o que acontece. Deste jogo, sobram mais duas ideias: Cristian Rodriguez e Iturbe. Cristian Rodriguez, particularmente, é um jogador de boa dinâmica e com capacidade para aparecer em zonas interiores, o que pode ser importante num ataque que se pretende móvel. A melhor época de Rodriguez no Porto, aliás, foi num ataque com essas características. Mais incerto, mas muito promissor é Iturbe. Será um jogador de características diferentes, mas cujo potencial torna imprevisível o impacto que possa vir a ter.

- Finalmente, falar de Belluschi que foi o jogador que mais desequilíbrios protagonizou no jogo, quase sempre sem sorte nas situações em que finalizou, mas com influência decisiva no primeiro golo. Belluschi mantém, para já, um rendimento inferior ao de Defour nesta posição, sendo menos irregular na certeza das suas abordagens e integrando menos vezes a zona de finalização, dentro da área. Por outro lado, e tal como frente ao Beira Mar, apareceu sucessivamente a finalizar à entrada da área. A questão passa por saber se Belluschi consegue ser verdadeiramente eficaz dessa posição, ou se o azar por que aparenta passar é mais do que apenas isso. É outra questão para a qual só o tempo poderá dar resposta...
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19.12.11

Benfica - Rio Ave: opinião e estatística

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- Todos os jogos começam 0-0, mas, diz-se e eu concordo, nenhum parte totalmente desligado do que ficou para trás. Este, particularmente, terá começado em grande medida na mudança táctica que Jesus introduziu a meio da primeira parte do jogo na Madeira. Witsel passou a jogar na ala, Aimar ao meio e Rodrigo como avançado. O Benfica não impressionou, mas os efeitos foram suficientemente positivos para que Jesus mantivesse a ideia até este jogo, alterando alguns protagonistas, sim, mas repetindo a ideia base. Os cinco golos voltam a dar nova força a uma opção que, em boa verdade, recupera a especificidade da filosofia que marcou as duas épocas anteriores do Benfica, tanto no que de bom traz, como nos riscos que pode acarretar. Sobretudo, é interessante observar as diferenças...

- A grande alteração, a meu ver, está na especificidade do 10. Com Aimar mais recuado, o Benfica ganha maior mobilidade na solução de saída pelo corredor central, mais facilmente explode e desequilibra por essa via, mas também se expõe muito mais ao erro e ao risco de transição. A oportunidade dos méritos ofensivos teve reflexo principal na primeira época de Jesus, a ameaça da perda em fase de construção, por outro lado, ficou bem patente no inicio da temporada passada. Não tem tudo a ver com Aimar, é claro, a própria mentalidade de Jesus o potencia, mas é quando puxa o argentino para zonas de construção que o radicalismo deste futebol de "vertigem e velocidade" (recuperando os termos de Villas Boas) mais se proporciona. Não é difícil percepcionar os méritos de Aimar, e a ameaça que representa quando o jogo se aproxima do último terço, e por isso é um jogador tão elogiado e acarinhado por todos. O seu futebol de toques curtos e repentinos é raro e pode ser devastador quando jogo chega "entrelinhas", mas esse perfil de progressão implica também alguns riscos quando é iniciado mais atrás. É que se o Benfica tem uma reacção muito forte à perda quando a bola chega ao último terço, nem o Benfica nem nenhuma equipa se prepara tacticamente para perder a bola em construção, e esse é o risco que passou a correr, quer na Madeira, quer agora frente ao Rio Ave, com o número de perdas de risco a aumentar em paralelo com o número de oportunidades que a equipa construiu.

- Mas não passa apenas pela alteração no meio campo, a explicação da boa capacidade de desequilíbrio da equipa neste jogo. Há dois nomes que importa referir: Saviola e Nolito. O argentino vem fazendo um campeonato muito bom em termos de capacidade de desequilíbrio (já o ano passado o fez, pelo menos na primeira metade), justificando, a meu ver, mais tempo do que aquele que vem tendo. Nolito, é um caso ainda mais radical. O seu futebol não tem perfume algum, como bem atestam os dois golos que marcou. O primeiro, quase que atropelando a defesa e guarda redes adversários até que a bola entrasse na baliza, numa jogada tão pouco ortodoxa que nem o próprio a deve ter imaginado. O segundo, após dominar menos bem, faz uma abordagem em queda que tanto podia servir de remate como de desarme, mas que acaba por surpreender tudo e todos mais uma vez por ser tudo menos esperada. Nolito não acrescenta grande qualidade às dinâmicas de saída em construção, pelo menos quando se compara com outras soluções, e estou convencido de que é por isso que Jesus não lhe tem dado mais minutos, mas o facto é que nenhum jogador é tão eficaz como o espanhol no que respeita à criação de golos e lances de perigo. E não há nada mais valioso do que um jogador que tem a capacidade de aproximar a equipa do golo. Quando observei os jogos de Nolito no Barcelona B deparei-me esta mesma dificuldade: O jogador criava muitos lances, mas num estilo que era difícil de acreditar poder manter-se com o tempo. Talvez Jesus tenha pensado o mesmo, mas a verdade é que Nolito tem prolongado essa capacidade no tempo e isso deveria justificar-lhe mais tempo de jogo do que aquele que teve até agora. Seja como for, quer Saviola quer Nolito têm concorrência de grande qualidade, e a decisão não é fácil para Jesus.

- É impossível não gostar deste futebol de risco, que potencia momentos de fulgor e êxtase nos adeptos e que é capaz de fazer repetir várias goleadas. Mesmo Witsel, penso ficar mais bem enquadrado na ala. Com esta resposta, Jesus dificilmente deixará de repetir a fórmula na segunda metade da época, mas também estou bastante seguro de que regressará à fórmula anterior, com Witsel no meio e Aimar mais à frente, assim se aproximem os jogos perante adversários de maior calibre.

- Uma palavra para o Rio Ave, que teve boas condições para causar uma surpresa na Luz. Estrategicamente abdicou de um jogo de construção e apostou tudo em fazer chegar o jogo de forma directa à frente da defesa do Benfica. A verdade é que o conseguiu, quer pela boa resposta nessa abordagem mais directa, quer pela qualidade de grande parte dos seus jogadores (Yazalde, provavelmente o mais inspirado). As aspirações da equipa de Carlos Brito, porém, ficaram repentinamente reduzidas a pó, com o final avassalador de primeira parte do Benfica. A grande parte da justificação, é claro, vai para o mérito do jogo do Benfica, mas há também que referir que os de Vila do Conde não tiveram grande felicidade nesse período, sendo a desvantagem de 2 golos provavelmente excessiva ao intervalo...
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13.12.11

Sporting - Nacional: opinião e estatística

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- Fraca. Não há outra forma de classificar a exibição do Sporting. O mais importante, os três pontos, foram conseguidos, mas sobretudo graças ao melhor aproveitamento das poucas ocasiões criadas em todo o jogo. E, já agora, graças também à importância das bolas paradas. Torna-se difícil fazer grandes comentários ao jogo colectivo, porque olhando para a composição da equipa se percebe a instabilidade na sua composição. Não é possível que o Sporting se possa exigir grandes níveis de qualidade colectiva quando tantas das suas principais unidades estão permanentemente a entrar e sair da lista de disponíveis. Má fortuna, certamente, mas também há que olhar para trás e para a composição do plantel, porque há vários casos cujo histórico já fazia prever este cenário. Ou seja, esta não é uma situação que possa ser considerada como totalmente imprevisível. Seja como for, parece claro que o Sporting joga boa parte da manutenção da sua candidatura nas próximas jornadas, e será decisivo que consiga elevar rapidamente os níveis qualitativos do seu jogo.

- Centrando a análise num comentário mais individualizado, começo por Carriço. A sua adaptação não está a ser propriamente um sucesso, por muito que se queira encorajar o jogador neste novo desafio. Defensivamente, o Sporting não é a equipa mais fácil para um "pivot", e Carriço sofre com isso. Isto é, por ter tantas vezes os dois médios adiantados, o espaço de intervenção do "pivot" é frequentemente muito difícil de controlar por um só jogador, e nem sempre é possível manter uma presença pressionante sobre o portador da bola sem assumir o risco de perder o espaço "entrelinhas". Mas será nos momentos com bola que Carriço e a equipa mais tem sofrido. Não acrescenta valor à posse, mas a meu ver não faz sentido centrar as criticas nessa limitação, porque ela está implícita na decisão de adaptar o jogador ao lugar. Ou seja, a resposta teria de ser colectiva, criando dinâmicas que não exijam muito do jogador, mas que o protejam, a ele e à equipa, dessa vulnerabilidade. Uma sugestão seria fazer Carriço baixar para a linha dos centrais, criando mais espaço no meio e oferecendo mais protagonismo aos centrais. O problema é que a dupla de centrais do Sporting, neste momento, não tem propriamente grande vocação para essa tarefa.

- De Onyewu, o herói do jogo, sobra nova reflexão sobre a importância das bolas paradas. O Sporting perdeu o jogo da Luz nesse capítulo, e agora resgata três pontos por esta via. Curiosamente, no ano passado e contra este mesmo adversário, havia permitido o empate na sequência de um pontapé de canto. Ou seja, este pode não ser o aspecto mais interessante de abordar, mas é incontornável o peso decisivo que pode ter no sucesso das equipas ao longo de uma prova de regularidade, como é um campeonato. Pode, e seguramente tem. Eu próprio negligenciei este aspecto na avaliação que fiz no inicio de época sobre Onyewu, mas a verdade é que a estatura do central americano, e pese embora ser seguramente o mais fraco do plantel em todos os outros momentos do jogo, se pode revelar importante e difícil de preterir para uma equipa com tantas fragilidades a esse nível. Isto não quer dizer, porém, que o Sporting não se deva exigir mais do que isto...

- No meio campo, a novidade é André Martins. Não é um grande momento para se mostrar, num jogo em que a equipa está tão instável ao nível da qualidade do seu jogo. Ainda assim, para quem está a fazer a estreia no campeonato, foi uma prestação impressionante do jovem médio. Enquanto esteve em campo foi jogador mais interveniente da equipa, nem sempre muito certo ao nível do passe, é verdade, mas inesperadamente útil na reactividade e agressividade defensivas. Se confirmar a característica - o que é provável - estará muito próximo de poder ser uma opção com importância crescente nas prioridades de Domingos. Mas é ainda muito pouco para que possa fazer uma apreciação conclusiva...

- Finalmente, uma nota sobre Elias. Pessoalmente, discordo da sua utilização por vezes demasiado ofensiva e centralizada. Percebe-se que Domingos veja nele um jogador de grande potencial para a transição, dada a capacidade que tem em progredir rapidamente. Mas Elias não é naturalmente um jogador tão ofensivo. Não o era no Corinthians, por exemplo, e não me parece que seja necessário mantê-lo tão adiantado para que se aproveite a sua capacidade de desdobramento em transição, porque tem capacidade de o fazer de trás para a frente, e partindo de posições mais recuadas. Neste aspecto, é um jogador semelhante a Ramires, e se pensarmos no agora médio do Chelsea, este nunca teve de ser um médio ofensivo para ser temível em transição. Por outro lado, em organização, Elias é um jogador com grande eficácia no jogo mais apoiado, tendo uma das percentagens de certeza em posse mais elevadas entre os médios da equipa (na verdade, é a mais elevada entre os habituais titulares). Quando se aproxima da direita, a equipa parece ganhar qualidade na dinâmica do corredor, mas nem sempre essa é a prioridade para o seu posicionamento.
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12.12.11

Beira Mar - Porto: opinião e estatística

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- Creio que se pode afirmar agora com mais segurança: há, tacticamente, um novo Porto. Não que a equipa que iniciou a época não fosse diferente da anterior. É-o sempre. Mas era uma equipa que jogava em bases de quase absoluta continuidade com o modelo anterior, com algumas 'nuances' corrigidas ou alteradas, mas sem nenhuma verdadeira rotura. Agora, e ao que tudo indica, há mesmo roturas que vieram para ficar. A inversão do triângulo de meio campo não é apenas uma manobra de xadrez, e a presença de Hulk como elemento central do ataque também não constitui uma mera opção técnica, como aconteceu no ano anterior aquando das ausências de Falcao. Há implicações na dinâmica cujo saldo entre perdas e ganhos se medirá a prazo e em função da própria evolução da equipa. Para já, pelo menos para mim, a novidade constitui-se, em si mesmo, um interesse acrescido...

- Em relação ao jogo, faço um balanço de impressões contrastantes. Por um lado, o Porto esteve muito bem na afirmação do seu domínio no jogo. Não um domínio consentido, como aquele que se verificou em Olhão, por exemplo, mas um domínio autoritário e com condições para garantir outro tipo de tranquilidade na obtenção da vitória. Essencialmente, isso aconteceu pelas virtudes desta nova variante do 4-3-3 portista. A equipa é capaz de verticalizar com mais propósito e frequência, tem maior mobilidade nos elementos da frente, envolve melhor Álvaro Pereira, e reage muito bem à perda, com Moutinho e Fernando a manter a bola continuadamente no meio campo ofensivo. Mas, e apesar de tudo isto, surge o contraste: é que o Porto não teve uma grande proximidade com o golo, no sentido em que não criou um grande número de oportunidades claras para o conseguiu. Por outro lado, e apesar do controlo em grande parte do jogo, o Beira Mar fez um golo e permitiu-se ainda algumas aproximações perigosas nas escassíssimas chegadas que conseguiu ao último terço. Fica a dúvida, por isto, em relação à segurança defensiva da equipa, sobretudo em alguns problemas no controlo da profundidade.

- Há outra mudança na gestão de Vitor Pereira, em relação ao período inicial da temporada, e esta ainda mais radical: a rotatividade. Depois de um inicio de época em que todos jogavam e deixavam de jogar, eis que Vitor Pereira fixa um onze e só muda quem é mesmo obrigado a mudar. Desta opção sobram algumas dúvidas e, como sempre, várias criticas, relativamente a certas opções. Pessoalmente, creio ser evidente o desajuste de casos como o da colocação de Maicon à direita, mas não acho que se possa ser demasiado critico em relação a um treinador que opta por tentar estabilizar uma dinâmica colectiva vencedora, mesmo que para isso tenha de assumir alguns elos mais fracos. Não entendo que tenha de haver um 8 ou 80 nesta matéria, mas acho que é, ainda assim, preferível este tipo de gestão do que aquele que marcou o inicio de temporada.

- Relativamente a alguns casos individuais, destacar sobretudo Hulk. Não sei o que o futuro nos vai mostrar, mas para já Hulk tem dado uma resposta tremenda na nova posição. É, até, um jogador mais consequente do que na ala, porque não se depara tantas vezes com a tentação de ir para o 1x1. Com a sua mobilidade e havendo complementaridade para os movimentos que faz, o Porto ganha porque não tem um jogador tão escondido do jogo como acontece com os 9 habituais, porque mantém como referência mais adiantada um jogador fortíssimo para o momento de transição, e porque se o tal entrosamento colectivo for bom, há maior imprevisibilidade de movimentos nos jogadores da frente. Resta saber se continuará a decidir onde é importante ter gente que saiba decidir, na área, mas para já não pode haver ponta de critica a levantar. Depois, referência para Belluschi, que foi novidade no tal espaço "entrelinhas", trazendo uma característica diferente de Defour. O argentino não surge tão bem como Defour nos espaços, mas tem a particularidade de ser temível na frente da área. Não lhe saiu bem neste jogo, mas pode vir a fazer estragos dali. Sobre Álvaro Pereira, fazer referência para o seu muito maior propósito nos envolvimentos ofensivos, sendo solicitado em zonas mais próximas da área e com maior possibilidade de sucesso para os seus famosos cruzamentos. Finalmente, Otamendi, que acrescenta muito em termos de zona de intervenção dos centrais, quer em relação a Rolando, quer em relação a Mangala. As suas instabilidades mantêm-se, mas ninguém é mais forte no jogo de antecipação do que ele, e por isso é que tem uma capacidade de intervenção defensiva superior a todos os outros.
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6.12.11

A primeira parte do Sporting - Belenenses

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Interessante a primeira parte do jogo. Sendo de uma divisão inferior, o Belenenses terá sido a equipa que, nesse período, mais dificuldades criou esta época ao Sporting, em Alvalade, ao nível da ligação do seu jogo ofensivo (Marítimo e Lazio criaram dificuldades, mas de outro tipo). Por demérito do Sporting, seguramente, que não terá abordado o jogo com a intensidade adequada e se deixou surpreender pela estratégia contrária. Mas é interessante (pelo menos para mim...) atentar a outros detalhes do que sucedeu. Aqui ficam 3 pontos que distingo na estratégia do Belém:

1- Convidar os centrais a sair a jogar: É a segunda vez que uma equipa chega a Alvalade com a esta intencionalidade estratégica. Na verdade, era previsível que isso viesse acontecer, assim como é previsível que se volte a repetir com mais frequência. No caso do Leiria, a outra equipa que o fez, o Sporting respondeu um pouco melhor do que desta vez, em parte porque teve nesse dia Carriço, que é um jogador mais forte a contrariar este tipo de estratégia. Polga será até mais capaz no passe, mas não aparenta sentir-se especialmente vocacionado para entrar no bloco contrário em condução. Onyewu, por outro lado, não é forte em nenhum aspecto da construção, e terá sido essa uma das armas da estratégia do Belenenses, já que foi sobre o americano que recaiu o principal protagonista neste movimento. Se o Sporting tivesse conseguido maior qualidade a criar superioridade com o central, provavelmente teria mais rapidamente desfeito a teia que lhe foi montada, mas esta é uma debilidade óbvia da equipa de Domingos e daí a tendência a ser progressivamente explorada pelos adversários.

2- Definição de uma área reduzida para pressionar: Se ao atrair um central a progredir sobre um dos lados do campo, o Belenenses condicionava a circulação lateral, também previu o encurtamento do espaço na profundidade, pela definição que fez da zona onde se propôs pressionar. Com a linha defensiva alguns metros acima do limite da área e com o meio campo bem à frente do bloco. Ou seja, uma área de pressão que era limitada tanto na profundidade como na largura.

3- Referências individuais: Goste-se ou não do meio, a verdade é que este tipo de marcação produziu bons efeitos na primeira parte. Porque, condicionando lateralmente ao convidar a penetração do central, o Belenenses ficou com uma área curta para pressionar, tornando mais fácil manter uma proximidade individual em cada emparelhamento que definiu. A marcação individual pressionante, como foi feita, tem como consequência um condicionamento directo dos pontos de apoio. Não orienta o jogo, não distingue espaços fundamentais a privilegiar, mas bloqueia directamente os pontos de apoio. Encurtando a área onde tinha de pressionar, através da penetração do central até à zona prevista, o Belenenses conseguia ter sempre uma grande proximidade pressionante sobre os apoios, tornando qualquer circulação apoiada muito difícil e arriscada a partir desse ponto. Por isso, vimos sempre os jogadores a receber de costas e muito apertados. Perante este tipo de marcação, o Sporting provavelmente deveria ter potenciado movimentos especulativos, que atraíssem a marcação e libertassem espaços essenciais, mas não foi isso que fez...

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No final, o Sporting levou a melhor, mas não creio que tenha sido uma inevitabilidade face ao que ao jogo nos mostrou. Nomeadamente, porque na primeira parte o preço a pagar poderia ter sido outro e é impossível prever o que se poderia seguir. Quanto ao Belenenses, a sua estratégia esteve longe de revelar uma grande consistência global, já que incidiu sobre um condicionamento estratégico e muito específico. No entanto, foram os resultados temporários da sua estratégia que acrescentaram alguma dúvida ao desfecho do jogo e da eliminatória.
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28.11.11

Benfica - Sporting: opinião e estatística

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- Começo pelas implicações do resultado para as aspirações de ambas as equipas no campeonato. Ganhando, o Benfica coloca-se numa posição muito favorável, mantendo a liderança mas já tendo disputado os principais jogos nesta primeira volta. Pode, por exemplo, contar com a oportunidade de ganhar pontos a pelo menos um dos rivais quando estes se defrontarem. Longe de ser decisivo, obviamente, mas uma boa situação, sem dúvida. Quanto ao Sporting, a situação é precisamente a inversa. Ou seja, o Sporting acumula ainda o peso de um inicio de época mal conseguido e, num campeonato onde os primeiros perdem poucos pontos, isso implicaria uma superação nos jogos entre candidatos. Por isso esta derrota é problemática, colocando o Sporting a 4 pontos dos líderes mas ainda tendo de defrontar Braga e Porto até ao final da primeira volta. A diferença ser matematicamente parecer escassa, mas se o campeonato se mantiver nesta toada de poucos pontos perdidos, o Sporting só poderá aspirar a disputar o primeiro lugar até ao final se tiver uma prestação praticamente perfeita nos jogos com os rivais.

- Relativamente ao jogo, começo pelo aspecto mais previsível. Não é nada que tenha a ver com o que se passou dentro de campo - isso é sempre demasiado imprevisível - mas antes com as conversas depois do jogo. Ou seja, se o Sporting perdesse, como perdeu, era certo que as criticas iriam cair sobre a opção de Domingos eleger Carriço para a posição de pivot. É tão recorrente e previsível, que o próprio treinador deverá ser o primeiro a sabe-lo. Domingos explicou o porquê da opção por Carriço, e não era difícil de a deduzir do próprio jogo, nomeadamente pelo posicionamento alto de Schaars e Elias. Mais difícil, a meu ver, é supor, como quase sempre se faz, que um treinador toma esta opção para "perder capacidade de passe" ou "para defender mais".

- A opção de Domingos, de ser agressivo sobre a saída de bola do Benfica, obrigando a uma construção mais longa, é já uma reedição do que fazia quer na Académica, quer no Braga, recolhendo na altura grandes proveitos desse condicionamento que fazia sobre os seus adversários, especialmente em jogos mais de maior grau de dificuldade. Aliás, o próprio Benfica o faz, pressionando rapidamente e com bastante gente a primeira linha contrária. A presença de um jogador mais forte no jogo aéreo como pivot é imprescindível para Jesus, precisamente pelos mesmos motivos que levaram Domingos a colocar Carriço em campo. Ora, a consequência de tudo este condicionamento sobre a construção, foi um jogo pouco ligado e fortemente dependente da disputa da segunda bola para a definição do ascendente no jogo. Este é, por isso, um detalhe decisivo. O Sporting preparou as suas próprias reposições, escolhendo Wolfswinkel como referência para a primeira bola e o lado direito como destino. O porquê desse lado? Talvez pela tentativa de explorar a rapidez de Elias nas costas do holandês, talvez para tentar ficar com a bola do lado mais forte (digo eu...) da equipa, mas não tenho uma resposta exacta. O certo é que o Benfica, não tendo de fazer uma abordagem tão estratégica, tem uma natural apetência para responder de forma mais forte a este aspecto específico. Mesmo sem Luisão, defensivamente, tem Javi Garcia sobre a esquerda, protegendo bem quer Emerson, quer Garay, e o próprio Witsel, também bastante forte neste capítulo, sobre a direita. O belga, aliás, apresenta-se igualmente como alternativa para as reposições longas de Artur. Domingos temeu Cardozo, mas o Benfica teve sempre outras alternativas, nomeadamente Witsel, mais sobre a direita. E, assim, o efeito Carriço no jogo aéreo acabou por não se fazer sentir, ainda que também me pareça igualmente um equívoco afirmar que o Sporting perdeu capacidade de construção com a sua presença, face a um jogo com estas características.

- Entre a estratégia de uns, e a maior capacidade natural de outros, não me parece que algum dos lados se possa declarar como vencedor deste jogo de muita luta pelo privilégio de poder sair a jogar a partir de segundas bolas. O jogo repartiu-se quase sempre, o Benfica beneficiou mais da noite inspirada de Aimar (as dificuldades de Carriço são em grande medida o mérito do 10 encarnado), e da maior propensão para o erro em posse do Sporting. Em destaque no Benfica, a boa ligação do jogo, desde a direita para a esquerda, com muita largura sobre a última linha do Sporting (provavelmente voltarei a este detalhe). Porém, tudo isto, sem nunca se verificar qualquer ascendente continuado, porque o Sporting dividiu sempre o jogo, tanto em termos de domínio, como de proximidade com o golo.

- De tudo isto sobram, claro, as bolas paradas. Num jogo assumidamente de muita luta e pouco risco em construção, é fundamental ser-se forte nos detalhes e as bolas paradas são frequentemente um dos principais meios para que se marquem diferenças. Foi assim, mais uma vez. Domingos saberá bem a importância desta componente para o sucesso, porque já ganhou vários jogos assim. Jesus, como se sabe, privilegia também muito a capacidade das suas equipas a este nível. Tal como nas primeiras bolas na reposição de jogo, o Benfica é naturalmente mais forte neste plano, e o Sporting está mais dependente do trabalho específico. O jogo acabou por se definir numa zona em que a equipa leonina parecia insuperável com a presença de Onyewu. Foi por ali que o Marítimo criou grande parte dos seus lances, na vitória em Alvalade, mas com o americano esse problema parecia resolvido. Ora, foi precisamente no pior momento que Onyewu se mostrou vulnerável no controlo desse espaço.

- O equilíbrio, claro, terminou com a expulsão de Cardozo. Aí o Sporting passou a ter um domínio claro e consentido também. É verdade que o Benfica controlou sempre bem o jogo, é verdade que o Sporting não revelou grande lucidez na circulação, nomeadamente centralizando muito os médios e criando poucas situações de apoio nos corredores laterais. Mas também é verdade, apesar disto tudo, que criou oportunidades suficientes nesse período para ter chegado ao empate. Se não o conseguiu não foi por qualquer fatalidade do destino, mas sim porque o futebol é mesmo assim, tanto pode dar umas coisas coisas, como outras.

- Individualmente, no Benfica o destaque principal tem de ser Javi Garcia, pelo golo decisivo e pela capacidade de intervenção num jogo que cedo ficou a seu gosto, exigindo-lhe muitos duelos aéreos e muito menos gestão da posse, onde é vulnerável. Mas também Aimar, que foi fantástico nos seus movimentos "entrelinhas" (ainda que nenhum chegasse a ter grande consequência objectiva), e Gaitan, quer pela capacidade de execução em dois momentos, quer pela notável capacidade de trabalho que revelou (sem surpresa, sempre revelou nos jogos que puxam por ele). No Sporting, Wolfswinkel trabalhou bem na frente, mas faltou-lhe aquilo que é mais importante para alguém da sua posição, ser decisivo na finalização. Elias, esteve estrategicamente mais próximo do holandês e justificou esse papel pelo sentido de oportunidade na área, faltando-lhe apenas a eficácia. Outra nota para Carrillo, que volta a dar sinais de ser um caso sério em potência, assim consiga evoluir na decisão, claro.
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17.11.11

Portugal - Bósnia: opinião e estatística

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- Foi ao último suspiro, mas foi! É justo, nesta altura e depois de confirmado o apuramento, destacar o impacto positivo de Paulo Bento. O apuramento tornou-se especialmente difícil, não só pelos dois jogos iniciais, mas porque Noruega e Dinamarca não voltaram a perder pontos, a não ser entre elas ou frente Portugal. Surpreende-me mais esse dado, da óptima campanha dos adversários, do que o próprio rendimento português, praticamente perfeito à margem do mau jogo de Copenhaga. Aliás, escrevi-o na altura da nomeação de Paulo Bento, que ao contrário do sentimento dominante, não pensava que viesse a ser uma solução transitória e que acabaria por qualificar Portugal. Resta saber se irá mesmo ver renovado o seu contrato e ter a oportunidade de liderar a qualificação para o Mundial 2014. De todo o modo, Portugal é hoje uma selecção mais forte do que foi nos últimos anos e um "osso" muito mais difícil de roer para os candidatos tradicionais. O único condicionalismo que afasta Portugal de um maior favoritismo, na minha opinião, é a dependência que tem na presença de certas unidades preponderantes, um problema sobretudo relacionado com a dimensão da base de jogadores e, obviamente, do próprio país. Mas, se todos estiverem disponíveis...

- Em relação ao jogo, na minha leitura qualquer análise tem de começar pelos minutos 8 e 24, e pelo que fizeram Ronaldo e Nani. O apuramento estaria preso por detalhes, como escrevi na sequência do jogo da primeira mão, mas graças ao extraordinário contributo destes dois jogadores, deixou de estar. Portugal passou a ter uma margem de erro, uma almofada emocional que, em boa verdade, lhe viria a ser muito útil. É que a Bósnia acabou por ser extraordinariamente eficaz e se o jogo teve 8 golos, Portugal só precisou de marcar mais 1 para que a sua vantagem emocional tivesse consequências decisivas no desfecho da eliminatória. Depois do 3-1, explodiu o descontrolo emocional dos bósnios, ditando a inferioridade numérica para quase 40 minutos. Agora, imagine-se o que teria sido o jogo depois do 3-2, se ainda estivessem 11 bósnios em jogo! O mérito, repito, vai para os jogadores. Os grandes jogos ganham-se sobretudo nos detalhes, e, acredito mais do que em qualquer outra coisa, na transcendência. Uma coisa é ser super eficaz na conversão de livres, ou em remates de longa distância, mas em fases em que os jogos já estão decididos. Outra, completamente diferente, é estar num jogo decisivo e ao primeiro livre, ou à primeira oportunidade de finalizar de 25 metros, fazê-lo de forma insuperável, como fizeram Ronaldo e Nani. Numa palavra: Fantástico!

- De resto, os dois golos inaugurais acabaram por aligeirar o peso de um jogo que, a meu ver, mostrou ter tudo para ser muitíssimo complicado. A Bósnia não precisou de sofrer o primeiro golo para se mostrar altamente pressionante sobre a primeira linha portuguesa, fê-lo desde o inicio, dificultando um jogo mais apoiado e forçando uma série de ligações directas mal sucedidas nos primeiros minutos. Do mesmo modo, Portugal também pressionou a primeira linha bósnia, mas a reacção do adversário, de novo, voltou a ser muito boa. Não cedeu à tentação de bater longo, não acumulou muitas perdas de risco (pelo menos na primeira parte), e conseguiu sair várias vezes das zonas de pressão criadas, levando o jogo de forma apoiada até ao meio campo ofensivo português. E aqui, lá está, os dois golos conseguidos neutralizaram qualquer sentimento de ansiedade que se pudesse transmitir para as bancadas, mas este não era o perfil de jogo mais confortável que Portugal poderia esperar...

- Do lado português, é importante assinalar a reactividade da equipa, que foi muito forte. Pressionando a construção contrária, a linha média foi depois muito rápida a ajustar posicionamentos, impedindo a tal exposição da última linha, que havia discutido no rescaldo do primeiro jogo. Há uma série de aspectos que me pareceram intencionais: A assimetria, com Ronaldo mais livre de acções defensivas e preparado para a transição (foi assim que se deu o terceiro golo). Moutinho, com mais preocupações de ajustar à esquerda, e Nani sem a mesma liberdade, auxiliando mais João Pereira ao longo do corredor. Mas, Meireles também pareceu mais alertado para a necessidade de fechar rapidamente o espaço nas suas costas, particularmente quando Veloso se aproximava do corredor esquerdo. Este, recorde-se, foi o espaço exposto pelos bósnios em alguns momentos do primeiro jogo. O aspecto da reactividade parece-me fundamental, porque para quem pretende pressionar a partir de zonas mais altas, é decisivo ser capaz de ajustar rapidamente não dando oportunidade para que o adversário capitalize as situações em que consegue sair das zonas de pressão que são criadas. Quanto mais forte for adversário, obviamente, mais decisivo este aspecto pode ser, e se Portugal já havia feito desta capacidade um alicerce do brilharete frente à Espanha, desta vez voltou a estar muito forte a esse nível. É importante que o continue a repetir no futuro, até porque também é verdade que foi quando não o fez que mais sofreu...

- Individualmente, e para além de Ronaldo e Nani, o principal destaque vai para Moutinho e Veloso. Sobretudo Moutinho, que voltou a estar tremendo, tal como na primeira mão. O caso do sub rendimento de Moutinho no Porto é mais ou menos o mesmo que o sub rendimento de Ronaldo na Selecção. Tem sobretudo a ver com a expectativa ilusória, de comparar a estabilidade de rendimentos individuais em contextos de performance colectiva completamente diferentes. Já Veloso, também muito bem, parece ter ganho definitivamente vantagem para constituir com Moutinho e Meireles o trio de médios.

- Na frente será onde, a meu ver, há mais questões a levantar. Já escrevi sobre as limitações de Postiga na resposta que dá em variadíssimas situações especificas, independentemente da questão da finalização. Para além disso, há algo a rever nas movimentações do 9 nas dinâmicas colectivas(não tem necessariamente a ver com Postiga). Tentarei voltar a este tema com imagens, mas para já deixo estes dados de reflexão: Os avançados são quem tem menor participação no jogo colectivo, o que é normal, mas na Selecção a sua acção não tem conduzido, nem a qualquer ocasião criada, nem tão pouco a um acréscimo positivo na fluidez de jogo. Ou seja, o contributo positivo do ponta de lança, na Selecção, tem-se resumido à finalização, e apenas à finalização. Se este marcasse 30% dos golos da equipa, como aconteceu neste jogo, isso seria suficiente, mas essa está muito longe de ser a marca, quer de Postiga, quer de Hugo Almeida. E isto, goste-se ou não, é um problema...
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14.11.11

Bósnia - Portugal: opinião e estatística

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- 0-0, é um bom ou um mau resultado? A resposta, parece-me, é... não. Este era o desfecho que menos afectava teoricamente o favoritismo atribuído à partida. Portugal continua a ser favorito, mas não é significativamente mais do que era. Se 0-0 é melhor para Portugal ou para a Bósnia? A isso já não sou capaz de responder. A dúvida passa por saber se o peso do misterioso mas irrefutável factor casa é suficiente para desfazer a desvantagem de não se poder empatar para garantir o apuramento. Independentemente da opinião de cada um, o mais interessante seria ter resultados concretos sobre o que o passado nos diz a respeito disto. Infelizmente, para já não os tenho...

- Outra pergunta: Portugal merecia ganhar? O lado português tende a afirmar que sim, que jogou melhor e que merecia algo mais. É verdade que Portugal levou a melhor no domínio de grande parte do jogo, mas também me parece inegável que do ponto de vista ofensivo isso se traduziu em pouco. Ou seja, do mesmo modo que Portugal se pode lamentar de não ter marcado numa ou noutra ocasião, também os bósnios poderão reclamar para si essa possibilidade, porque a tiveram. Copo meio cheio ou meio vazio? Cada um verá como quer. O que me parece claro é que, com o 0-0 e como o próprio jogo da primeira mão bem o demonstra, Portugal está cada vez mais vulnerável do detalhe para definir um apuramento que se devia exigir com muito mais conforto. Agora, tudo pode depender de uma inspiração, de um erro, ou mesmo da sorte.

- Indo mais concretamente ao jogo, convém realçar que o relvado teve mesmo uma importância assinalável no jogo, e mesmo na abordagem das equipas. Pouca capacidade de ligar o jogo, muitas ligações directas e grande importância para os duelos físicos e para o jogo de antecipação. Portugal esteve muito bem durante boa parte do tempo. Pressionou a primeira linha, não facilitou a construção, potenciou o erro, e depois, lá atrás, contou com a presença de Bruno Alves e Pepe, muito fortes no controlo do jogo directo. Menos bem, na ligação do seu jogo ofensivo, porém, e isso terá sido o factor que impediu Portugal de chegar à vitória.

- Defensivamente, Pepe, claro, é o grande destaque. Reconheça-se algumas abordagens menos cuidadas, mas a qualidade de Pepe, a sua capacidade para antecipar dentro ou recuperar nas costas, isso é inquestionável e não tem a ver com estilo ou gostos pessoais. É um fora de série e Portugal, obviamente, ganhou imenso com a sua presença. Ao seu lado, Bruno Alves esteve também muito bem, sobretudo no jogo aéreo, mas Bruno Alves tem limitações que Pepe não tem, quer na recuperação, quer no acompanhamento da marcação até zonas mais interiores. Amanhã tentarei trazer algumas jogadas da Bósnia, que retratam alguns cuidados a ter, mas este é um primeiro ponto de vulnerabilidade que me parece claro: a possibilidade de Bruno Alves ser atraído para fora da sua zona. Nas laterais, ambos tiveram nos momentos de maior dificuldade, mas João Pereira conseguiu ter uma presença muito mais positiva e regular durante o jogo. Coentrão, desta vez, ficou aquém do muito que pode. Quem sabe se venha a refazer no segundo jogo...

- A grande novidade de Paulo Bento, veio da composição do meio campo. Porquê a aposta em Veloso? A meu ver, estará primeiramente relacionada com Meireles e a sua menor disponibilidade para fazer um jogo nos limites da agressividade, devido ao cartão amarelo que não poderia ver. E, de facto, Meireles esteve abaixo do que normalmente rende, parecendo sempre condicionado nas suas abordagens. Mas Veloso tinha também duas outras virtudes. Está habituado a jogar naquela posição, mais defensiva, e gosta da construir de forma mais longa, algo que iria fazer parte da estratégia. Houve algumas dificuldades no ajustamento posicional dos médios (voltarei a este tema...), mas creio que Veloso cumpriu bem o seu papel a esse nível. No entanto, tenho algumas dúvidas sobre a sua resposta em termos de intensidade e agressividade defensivas, algo que me parece ser muito importante para a posição específica. É, ainda assim, um forte candidato como melhor complemento para Moutinho e Meireles...

- Na frente, o talento de Nani e Ronaldo, apesar do esforço, não foi suficiente. Aquilo que me parece mais discutível, porém, é a presença de Postiga. Muito discutível, mesmo. Não por não ter marcado, nem por ter uma capacidade concretizadora baixa (apesar de tudo, parece atravessar um bom momento a esse nível), mas... o que realmente esperava Paulo Bento de Postiga neste jogo?! Iria ser um jogo de grande exigência física, e Postiga tem um registo péssimo a esse nível. O jogo frente à Dinamarca, aliás, deveria ter servido de exemplo conclusivo para esta questão. É impossível saber o que seria o jogo com Hugo Almeida de inicio, mas é também evidente que a presença de Postiga foi tudo menos um valor acrescentado. A principal critica não tem a ver com a baixa utilidade do avançado, mas com a facto de isso ser altamente previsível, à priori...
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9.11.11

Sporting - Leiria: opinião e estatística

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- À partida não se diria, mas parece-me que, por uma conjugação de factores, este passou a ser um jogo importante para o Sporting. Pela própria jornada, onde os rivais perderam pontos, pela necessidade de anular rapidamente o efeito da derrota no jogo anterior, recuperando o sentimento de um momento positivo, mas também pela fase da própria equipa, recentemente abalada por uma perda relevante e por uma série de indisponibilidades mais circunstanciais. A tudo isto, há que assinalar, juntava-se um Leiria que não é hoje o adversário simpático do inicio de época. A resposta podia ter sido percepcionada de forma bem mais positiva, como aconteceu noutros casos, mas, apesar disso, parece-me ter deixado muito boas indicações...

- O jogo teve fases distintas, mudando as suas características depois do segundo golo e das alterações do Leiria na segunda parte. Na primeira, porém, tivemos um domínio muito grande do Sporting, que foi estrategicamente consentido pelos leirienses, mas do qual o Sporting deveria ter extraído mais vantagens do que o empate que levou para o intervalo. Neste primeiro período, há que assinalar o bloco baixo do Leiria, sem grande preocupação de ter presença pressionante sobre a construção dos centrais, mas com um forte bloqueamento nos corredores, particularmente nas acções dos laterais, normalmente um ponto forte do jogo do Sporting. Aqui, parto para o primeiro destaque individual, que penso justificar Carriço. Com os laterais bloqueados, é importante que os centrais tenham a capacidade de serem eles a tomar a iniciativa de criar desequilíbrios com bola e com o espaço que lhes é permitido pela estratégia contrária. Capacidade e qualidade, claro. Carriço tem-na, assim como tem também grande capacidade para jogar em antecipação nos espaços interiores e na reacção à perda (ver origem do 2ºgolo). É um jogador que tem de facto problemas na resposta em lances aéreos dentro da área, mas essa, sendo uma lacuna potencialmente decisiva, não deve ofuscar o valor do jogador noutros capítulos do jogo, que é evidente. Já agora, e apesar do mau jogo frente ao Marítimo (novamente, pela resposta aérea), Carriço tem feito um campeonato muito bom.

- Depois, no curso do jogo, é interessante verificar o efeito marcante de alguns lances. A eficácia do Sporting, que voltou a ser muito elevada e que foi reflectida, desta vez, nos golos de Matias. E, do outro lado, quer o golo do Leiria, que resulta de um erro individual descontextualizado do curso do jogo, e que impediu, possivelmente, outro conforto do Sporting no jogo, e, mais tarde, o lance que poderia ter resultado em novo empate e que surgiu como complemento perfeito para a mudança que Cajuda estava a tentar encetar no jogo, após o 2-1. Lances que tiveram efeitos quer na resposta emocional dos jogadores, quer na percepção com que todos ficamos das exibições das equipas. Aliás, sobre a reacção do Leiria e encolhimento do Sporting, parece-me que há muito de emocional nessa reacção, isto mesmo contando com o bom posicionamento do Leiria na reacção à perda e com a ineficácia das alterações no meio campo do Sporting, no que diz respeito à qualidade do jogo ao nível do passe, quer em organização, circulando menos, quer em transição, sendo incapaz de ficar com bola mais tempo após cada recuperação de bola. Daí, o avanço territorial do Leiria e consequente "aperto" do Sporting em grande parte do segundo tempo.

- No Sporting, o dado mais importante tem a ver com a resposta do meio campo, que foi excelente. Com o duplo pivot, o Sporting teve, a meu ver, o melhor Schaars da temporada. Não ao nível do impacto ofensivo, porque não marcou nem assistiu, mas a nível defensivo, onde esteve muito forte (já tinha estado frente ao Feirense, em boa verdade) e sobretudo ao nível do passe, sendo finalmente um jogador consistente a esse nível, quer em termos de presença, quer no que respeita ao nível da eficácia, que como assinalei vinha sendo muito baixo. Não surpreende esta diferença, já que Schaars é marcadamente um jogador de primeira fase de construção e muito menos vocacionado para uma segunda fase ofensiva. Ao seu lado, Elias, com erros pontuais ao nível do passe, mas sem que isso possa afectar uma boa presença também a esse nível, que complementa com a sua extraordinária capacidade reactiva aos momentos do jogo, quer na recuperação, quer no acompanhamento ofensivo. Teoricamente, teve mais responsabilidades defensivas, mas 3 dos 6 desequilíbrios têm a sua participação directa. Finalmente, Matias que actuou na posição que me pareceu estar-lhe destinada com a chegada de Domingos. Não tenho como certo que o seu rendimento possa vir a ser consistente, por causa das lesões, mas também porque é preciso que a equipa o consiga potenciar no último terço, perto da zona de finalização, onde tem uma capacidade de definição e decisão que é terrível para as oposições. Mas, uma coisa é certa, se o Sporting conseguir potenciar este trio e se o tiver sempre disponível (porque não tem alternativas da mesma ordem qualitativa), esquecer Rinaudo não será um problema...

- Finalmente, falar dos extremos, porque há alguns casos curiosos. Pereirinha foi o jogador mais conseguente no jogo, e apenas não terá dado sequência a 1 posse de bola que por si passou. É notável este registo, o problema, porém, é que isso não é minimamente suficiente. O jogo faz-se de golos, e os jogadores mais ofensivos têm como principal missão ajudar a aproximar a sua equipa do golo, o que no caso dele não sucedeu, nem de perto. Pessoalmente, penso que a equipa poderia ganhar mais se os papeis de Pereirinha e João Pereira fossem invertidos, quando a equipa recorre aos dois em simultâneo, mas é algo que teríamos de ver para ter mais certezas. Depois, Capel. Recuperando a questão dos jogadores discretos, Capel é o inverso, tudo menos discreto. A energia que emprega a cada posse de bola faz com que entusiasme as bancadas antes mesmo de chegar a produzir algo de realmente concreto, e isto vale-lhe, a meu ver, alguma sobrevalorização mediática. É uma mais valia que seja capaz de transportar a bola como o faz, mas é muito duvidoso que esteja a gerir da melhor forma as suas aparições no jogo, por mais aplausos que arranque. Desgasta-se em demasia, não é capaz depois de oferecer uma boa resposta defensiva, e do ponto de vista da produção ofensiva também não tem um valor acrescentado que justifique qualquer euforia. Se compararmos com os extremos do plantel (exceptuando Pereirinha), aliás, é aquele que menos desequilíbrios provoca em face do tempo de utilização, perdendo inclusive para Elias ou Schaars (ainda que este conte com os lances de bola parada) nesta comparação. Finalmente, Carrillo. É um jogador que pode, realmente, ter um futuro tremendo. A sua capacidade técnica e, sobretudo, a sua potência física determinam essa oportunidade, porque muito facilmente ganha vantagem sobre a oposição sem fazer grande esforço, e ele já percebeu isso. Falta-lhe mais qualidade na definição no último terço, para ser mais decisivo, e mais calibragem na decisão para poder ser um jogador consistente. Ainda não é, nem uma coisa nem outra, mas pode vir a ser, porque as suas outras características permitem-lhe lá chegar, caso tenha uma boa evolução.
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