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14.11.11

Bósnia - Portugal: opinião e estatística

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- 0-0, é um bom ou um mau resultado? A resposta, parece-me, é... não. Este era o desfecho que menos afectava teoricamente o favoritismo atribuído à partida. Portugal continua a ser favorito, mas não é significativamente mais do que era. Se 0-0 é melhor para Portugal ou para a Bósnia? A isso já não sou capaz de responder. A dúvida passa por saber se o peso do misterioso mas irrefutável factor casa é suficiente para desfazer a desvantagem de não se poder empatar para garantir o apuramento. Independentemente da opinião de cada um, o mais interessante seria ter resultados concretos sobre o que o passado nos diz a respeito disto. Infelizmente, para já não os tenho...

- Outra pergunta: Portugal merecia ganhar? O lado português tende a afirmar que sim, que jogou melhor e que merecia algo mais. É verdade que Portugal levou a melhor no domínio de grande parte do jogo, mas também me parece inegável que do ponto de vista ofensivo isso se traduziu em pouco. Ou seja, do mesmo modo que Portugal se pode lamentar de não ter marcado numa ou noutra ocasião, também os bósnios poderão reclamar para si essa possibilidade, porque a tiveram. Copo meio cheio ou meio vazio? Cada um verá como quer. O que me parece claro é que, com o 0-0 e como o próprio jogo da primeira mão bem o demonstra, Portugal está cada vez mais vulnerável do detalhe para definir um apuramento que se devia exigir com muito mais conforto. Agora, tudo pode depender de uma inspiração, de um erro, ou mesmo da sorte.

- Indo mais concretamente ao jogo, convém realçar que o relvado teve mesmo uma importância assinalável no jogo, e mesmo na abordagem das equipas. Pouca capacidade de ligar o jogo, muitas ligações directas e grande importância para os duelos físicos e para o jogo de antecipação. Portugal esteve muito bem durante boa parte do tempo. Pressionou a primeira linha, não facilitou a construção, potenciou o erro, e depois, lá atrás, contou com a presença de Bruno Alves e Pepe, muito fortes no controlo do jogo directo. Menos bem, na ligação do seu jogo ofensivo, porém, e isso terá sido o factor que impediu Portugal de chegar à vitória.

- Defensivamente, Pepe, claro, é o grande destaque. Reconheça-se algumas abordagens menos cuidadas, mas a qualidade de Pepe, a sua capacidade para antecipar dentro ou recuperar nas costas, isso é inquestionável e não tem a ver com estilo ou gostos pessoais. É um fora de série e Portugal, obviamente, ganhou imenso com a sua presença. Ao seu lado, Bruno Alves esteve também muito bem, sobretudo no jogo aéreo, mas Bruno Alves tem limitações que Pepe não tem, quer na recuperação, quer no acompanhamento da marcação até zonas mais interiores. Amanhã tentarei trazer algumas jogadas da Bósnia, que retratam alguns cuidados a ter, mas este é um primeiro ponto de vulnerabilidade que me parece claro: a possibilidade de Bruno Alves ser atraído para fora da sua zona. Nas laterais, ambos tiveram nos momentos de maior dificuldade, mas João Pereira conseguiu ter uma presença muito mais positiva e regular durante o jogo. Coentrão, desta vez, ficou aquém do muito que pode. Quem sabe se venha a refazer no segundo jogo...

- A grande novidade de Paulo Bento, veio da composição do meio campo. Porquê a aposta em Veloso? A meu ver, estará primeiramente relacionada com Meireles e a sua menor disponibilidade para fazer um jogo nos limites da agressividade, devido ao cartão amarelo que não poderia ver. E, de facto, Meireles esteve abaixo do que normalmente rende, parecendo sempre condicionado nas suas abordagens. Mas Veloso tinha também duas outras virtudes. Está habituado a jogar naquela posição, mais defensiva, e gosta da construir de forma mais longa, algo que iria fazer parte da estratégia. Houve algumas dificuldades no ajustamento posicional dos médios (voltarei a este tema...), mas creio que Veloso cumpriu bem o seu papel a esse nível. No entanto, tenho algumas dúvidas sobre a sua resposta em termos de intensidade e agressividade defensivas, algo que me parece ser muito importante para a posição específica. É, ainda assim, um forte candidato como melhor complemento para Moutinho e Meireles...

- Na frente, o talento de Nani e Ronaldo, apesar do esforço, não foi suficiente. Aquilo que me parece mais discutível, porém, é a presença de Postiga. Muito discutível, mesmo. Não por não ter marcado, nem por ter uma capacidade concretizadora baixa (apesar de tudo, parece atravessar um bom momento a esse nível), mas... o que realmente esperava Paulo Bento de Postiga neste jogo?! Iria ser um jogo de grande exigência física, e Postiga tem um registo péssimo a esse nível. O jogo frente à Dinamarca, aliás, deveria ter servido de exemplo conclusivo para esta questão. É impossível saber o que seria o jogo com Hugo Almeida de inicio, mas é também evidente que a presença de Postiga foi tudo menos um valor acrescentado. A principal critica não tem a ver com a baixa utilidade do avançado, mas com a facto de isso ser altamente previsível, à priori...
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17.2.09

Erros defensivos recorrentes

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Afinal o que é prioritário?
É um problema recorrente do Benfica e, desta vez, nem foi preciso alongar o bloco para que ele se notasse. Na situação em concreto percebe-se claramente que o comportamento instituido para o posicionamento zonal da linha média dá prioridade à manutenção da linha de jogadores e não à protecção de espaços essenciais, como é o caso do espaço entre linhas. Este é, na minha perspectiva, um comportamento zonal errado porque a sua orientação não tem em conta os espaços mais importantes mas sim a manutenção de uma relação posicional entre os jogadores que, como se vê, não traz qualquer utilidade defensiva em muitos lances.
Esta foi uma situação que poderia muito facilmente ter ditado outro destino ao jogo, mas que surgiu de uma forma mais espontânea do que propositada. Isto porque, na realidade, a maioria das equipas falha redondamente em fazer um melhor aproveitamento deste deficiente preenchimento do espaço à frente dos centrais. Frequentemente vemos equipas a tentar explorar os corredores para tentar bater a defesa encarnada quando, claramente, o uso de um ponto de apoio à frente dos centrais pode ser muito mais útil nesse propósito.

O golo do Belenenses
Ontem falei nos problemas defensivos dos laterais que Paulo Bento escolheu para o jogo do Restelo. A superioridade do Sporting foi de tal forma evidente durante grande parte do jogo que essas lacunas tinham tudo para não ter grande impacto na partida. A verdade, porém, é que o lance que resultou no primeiro golo da partida encontra muita responsabilidade na acção de Miguel Veloso, tendo Pedro Silva tido também um lapso que, no entanto, acabou por não ter consequências no lance.
A primeira nota tem a ver com a forma como a jogada é construída. Ou seja, com um ataque rápido que começa no guarda redes do Belenenses após uma jogada de ataque do Sporting. O que se torna pouco compreensível é como é que o Sporting é apanhado numa situação de 2x2 momentânea após a abertura de Zé Pedro para Saulo , quando nenhum defensor tinha participado no ataque anterior. Aqui, mais uma vez Miguel Veloso é pouco lesto a perceber a importância do seu espaço defensivo, obrigando Polga a uma situação de 1 contra 1 com Saulo. A responsabilidade de Veloso ganha nova relevância quando, depois de recuperar, não consegue auxiliar Polga no duelo com o extremo azul. O seu posicionamento não fecha a zona central, permitindo que Saulo ameace atacar esse espaço antes de cortar para a linha. De resto, não consigo ser muito penalizador para a acção de Polga que tem uma situação difícil em que o adversário tem muito espaço e, para mais, dentro da área, o que impede qualquer tentativa de desarme mais arriscado. Nota ainda no lance para a forma como Pedro Silva perde o controlo sobre o movimento de Silas, permitindo que este criasse uma linha de passe na zona central da área, e para a importância da recuperação de Adrien que troca correctamente a marcação com Carriço, permitindo que este ficasse livre para uma dobra a Polga no caso de Saulo fugir para a baliza. A utilidade dos 2 jovens no lance acabou por ser nula, mas a sua acção foi totalmente correcta.

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3.2.09

O mercado, Veloso, Quaresma e Arshavin...

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Não que tivesse sido uma projecção visionária, mas a primeira abertura de mercado em era de crise confirma o que aqui escrevi no último dia de 2008. A escassez de capacidade de investimento parece afectar todos mas, no imediato, noto particularmente o abrandamento dos clubes de leste. Algo que também era previsível devido à dependência destes emblemas das fortunas dos magnatas, tão afectadas com o colapso bolsista. Sobre este tema mantenho alguma reticência sobre o futuro. Se a retoma tardar poderemos assistir, na minha perspectiva, a 2 cenários possíveis. O primeiro foi aquele que se assistiu agora, mas com um impacto muito maior caso aconteça no Verão. Ou seja, a redução drástica do número de aquisições de passes. A segunda poderá passar pela queda dos valores pedidos pelos jogadores. Este último cenário poderá beneficiar em particular os menos afectados pela crise e prejudicar desportivamente os clubes que acusem mais problemas de liquidez financeira (nomeadamente aqueles que estão mais habituados a viver das vendas).
3 casos merecem nota:


Veloso: Terá sido seguramente uma decisão difícil para o Sporting. Pelo que referi anteriormente, a situação é instável e o Sporting terá esse risco de ver os valores de mercado caírem no futuro, congelando a hipótese de fazer um encaixe significativo com Miguel Veloso. A isto juntam-se 2 factores. O primeiro tem a ver com o aspecto humano e com a própria vontade de Veloso rumar a uma liga mais competitiva (embora me pareça que no seu caso a Premier e o Bolton podem não ser a melhor solução). O segundo tem a ver com a própria equipa. É que Veloso ocupa uma posição que, apesar de algumas criticas que considero completamente infundadas, tem muitas alternativas de qualidade no plantel. Um encaixe financeiro agora, permitiria ao Sporting antecipar de forma mais segura o próximo mercado, não pondo muito em causa a sua qualidade colectiva. Neste caso, parece-me, pesou mais o “escaldão” de vendas passadas, hoje vistas como precipitadas pelo Universo sportinguista. O futuro dirá sobre a correcção da decisão.

Quaresma: O Inter tornou-se depressa num pesadelo. Mourinho não resolveu os problemas que se conheciam em Quaresma que, claramente, falhou na adaptação rápida a um futebol extremamente exigente e a uma equipa que não gravita em seu redor. O Chelsea também não fará de Quaresma a sua unidade mais importante, mas em Inglaterra, apesar da velocidade do jogo, há mais espaço e menos rigor defensivo dos opositores. A sua evolução no plano decisional começa a parecer cada vez mais improvável, mas talvez se torne numa daquelas lendas que não decidiram campeonatos mas ainda hoje permanecem nos álbuns de ouro da Premier League pela beleza que conseguiam colocar em algumas das suas jogadas.

Arshavin: O caso de sucesso do mercado. O Zenit vende finalmente a sua estrela à elite do futebol europeu e, para sorte dos adeptos e do próprio Arshavin permite que o destino seja o Arsenal. É um destino lógico pelas características, mas igualmente invulgar pelo mediatismo que não costumam ter os reforços de Wenger. Para que se perceba porque é que o Arsenal não compra nos grandes portugueses, apesar da qualidade técnica dos seus jogadores, basta olhar para o valor da transferência. Tal como acontecera com Nasri no Verão, não passa dos 15 milhões. Ficamos à espera!



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16.12.08

O método individual, Veloso na Lua e as conquistas de Reyes

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Aproveitar o método individual
Não é preciso sequer ver os jogos com muita atenção para perceber as dificuldades que o Marítimo para defender as bolas paradas contrárias. Em Alvalade a derrota começou a desenhar-se precisamente num lance desse tipo onde, para além da evidente falta de agressividade defensiva, se notou o trabalho colectivo do Sporting para tirar partido do método de marcação individual.
Com marcações individuais a serem movidas pelos jogadores do Marítimo, o Sporting cobrou o livre para o segundo poste, procurando um desvio que desfizesse esses emparelhamentos. Para o fazer houve ainda um outro pormenor trabalhado. Todos os jogadores se afastam do segundo poste, colocando-se em posição para abordar uma segunda bola e permitindo que se criasse uma situação de 1x1 com Polga como protagonista. O resultado, no caso, não podia ser melhor.
Sobre esta questão dos métodos defensivos nas bolas paradas, já tenho defendido que, nos cantos, a opção deve ser sobretudo dependente do perfil da equipa. Já nos livres defensivos tenho uma visão mais radical. Creio que a zona será o método mais aconselhado por um motivo muito simples: muitos livres defensivos são feitos com a definição de uma linha de fora de jogo. É um contra senso e uma vantagem para quem ataca se os defensores estiverem simultaneamente concentrados em marcar um opositor e controlar a linha do fora de jogo.

Veloso na Lua
Já com um resultado duplamente favorável ao Sporting, o Marítimo usufruiu da sua melhor ocasião, num lance que surge pouco depois de uma bola parada na área contrária e favorável ao Sporting. Este facto fez com que a defesa leonina partisse de um posicionamento diferente do que é comum para a abordagem do lance. Particularmente, Polga disputa uma bola numa zona mais adiantada, mantendo-se fora da sua posição. Neste tipo de situações é fundamental que o lateral feche no espaço interior, independentemente da presença ou não de um jogador naquela zona. Esse é o grande erro no lance, com Veloso completamente desconcentrado perante as suas responsabilidades tácticas, mantendo-se preso a uma marcação individual que não faz qualquer sentido, até, pelo facto da bola estar a ser disputada do outro lado do campo.
Num outro plano, há um aspecto que também sobressai e que ontem aqui abordei. Perante uma solicitação directa, Carriço não se conseguiu impor apesar de abordar de frente o lance. Os duelos mais físicos são claramente o ponto onde o jovem central precisa de melhorar para se tornar num fora de série na sua posição.

As pequenas conquistas de Reyes
São 6 lances que têm, para além do intérprete, muito em comum. Todos eles se passam no meio campo ofensivo e quase todos resultaram em livres cobrados para a área de Beto – dois deles dão origem nas melhores ocasiões encarnadas no jogo. O mais importante, no entanto, é perceber que todas as faltas “arrancadas” são conseguidas com a defesa contrária perfeitamente organizada e na sequência de lances que não ameaçavam qualquer perigo (excepto, talvez, o último). Ou seja, as faltas são uma vantagem para quem as sofre e não beneficiam em nada quem as comete.
É apenas uma das “artes” de Reyes que muito inteligentemente convida os adversários ao desarme provocando muitas faltas que resultam em livres que, em muitos casos, permitem colocar a bola na área contrária. Normalmente a bola nos pés do espanhol tem sempre bom destino, nem sempre é vistoso, nem sempre aparecem nos resumos, mas quase sempre adiantam algo para a jogada em causa. Uma mais valia individual de excelência num campeonato como o Português.


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21.7.08

Sporting: o desafio táctico de integrar Rochemback

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No primeiro jogo televisionado o Sporting fez-se apresentar com um número invulgar de caras novas (entre os 18 que jogaram apenas Daniel Carriço nunca fez de um plantel principal leonino). Este aspecto poderia fazer supor uma total ausência de necessidade ao nível dos ajustamentos tácticos para a nova temporada. A partida, no entanto, confirmou que a chegada de Rochemback deverá ter um importante peso no jogo leonino, implicando a sua integração algumas alterações nas dinâmicas ofensivas da equipa.

Olhando para o meio campo que vem de 07/08, parece claro que a integração de Rochemback deverá passar essencialmente pela posição 10 (embora possa desempenhar qualquer função do sector), muito pela dificuldade que Romagnoli revelou nos últimos anos em manter um nível exibicional constante, sobretudo em fases de maior densidade de jogos.

O que acontece, porém, é que as características e zonas preferenciais de acção de Rochemback e Romagnoli são bastante diferentes. O argentino aparece numa segunda fase ofensiva, sendo particularmente forte pela imprevisibilidade com que aparece a desequilibrar nas alas. Rochemback, por seu lado, prefere ser mais participativo numa primeira fase do jogo, chamando a si a coordenação do jogo ofensivo. A verdade é que o modelo de jogo do Sporting estava adaptado para as características de Romagnoli e com a integração de Rochemback no seu lugar, há um conjunto de dinâmicas que terão de ser alteradas, sob pena da equipa se tornar redundante na sua primeira fase de construção (com 2 jogadores a desempenhar a mesma função de coordenação) e sem a mesma capacidade de desequilíbrio no seu segundo momento ofensivo.

Que segundo momento para o 4-4-2 quase clássico?
Esta característica de Rochemback parece já ter sido antecipada por Paulo Bento, quando, à partida para férias, anunciou uma possível opção por uma outra variante do modelo, que recaísse sobre um sistema mais próximo do 4-4-2 clássico (ainda que não se possa afirmar que há uma linha de 4 clara no meio campo). Para já, percebe-se que Rochemback a 10 ditará esta mudança posicional, não se percebendo ainda quais as compensações para a segunda fase ofensiva. Uma possibilidade parece-me óbvia. Com um 10 mais próximo do 6, a equipa poderá manter-se mais larga na sua fase defensiva, sendo este aspecto importante para o momento da transição porque, ao contrário do que acontece com o losango, pode haver uma mudança de flanco mais rápida no momento da conquista da bola. O problema é que essa opção obrigaria a equipa também a defender mais baixo, sendo por isso pouco viável para jogos em que se busca maior iniciativa ofensiva. É por isso que para que este modelo seja uma opção mais realista é necessário haver alterações nas rotinas dadas ao segundo momento ofensivo leonino agora sem os desequilíbrios do 10 sobre as alas.

Veloso + Rochemback: oportunidade ou ameaça?
Um dos mais curiosos aspectos a verificar será a integração de Veloso e Moutinho (caso, de facto, venham a permanecer) em paralelo com Rochemback. Moutinho tem um perfil mais versátil, mas Veloso, tal como Rochemback, gosta também ele de ser o patrão da primeira fase ofensiva do Sporting. Aqui reside o desafio de Paulo Bento. Se conseguir criar rotinas que tirem partido desta excepcional capacidade de passe dos seus jogadores, pode tornar o Sporting numa equipa muito difícil de segurar, nomeadamente na sua circulação de bola. A ameaça está numa possível redundância de funções na primeira fase de construção, com prejuízo para o que acontece, depois, em zonas mais adiantadas. Uma coisa é certa, qualidade não falta a Paulo Bento.

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16.6.08

Portugal - Suíça: Resultado irrelevante, algumas ilações

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Ao terceiro jogo a primeira derrota. Já se sabia da ausência total de importância da partida para o que resta da competição. Mesmo assim parece inevitável que os jogadores sejam bombardeados com a pergunta: “de que forma esta derrota poderá afectar a prestação nos quartos de final?”. Em termos racionais esta é uma ligação sem sentido, mas como o futebol é um jogo mais emocional do que racional, eu diria que o efeito do jogo da Suíça será aquele que a equipa portuguesa quiser...

A partida começou com uma evidente superioridade lusa, quer pela maior qualidade individual, quer pela forma como, tacticamente, a Suíça não encontrava linhas de passe para a sua construção. O jogo foi-se equilibrando progressivamente mas neste período começou a vir ao de cima aquela que será, talvez, a principal justificação para a derrota: a ineficácia na concretização. Ainda assim, foi também ainda no primeiro tempo que ficou igualmente patente, e mais uma vez, as dificuldades de Portugal nos pontapés de canto, com Ricardo a não ser dominador nas bolas que atravessavam a sua zona de baliza. Parece-me que a estatura menos imponente do guarda redes português faz alguma diferença neste aspecto, quando comparamos com outras figuras deste Europeu.

Na segunda parte, demorou 10 segundos a haver um remate dos suíços, dando o tónico para uma diferença de atitude e determinação perante o jogo que se compreende e que acabou por ser fundamental para o desfecho do jogo. Mas a verdade esta reacção não tem só mérito suíço... No segundo tempo, e para além da maior vivacidade imposta ao jogo, a Suíça passou a pressionar não só mais agressivamente, mas também mais alto. Portugal tem aqui bastante demérito pela forma ineficiente como explorou essa situação, não sendo suficientemente paciente nem criando movimentações que possibilitassem sair da pressão adversária. Aqui, e porque a formação suíça tem uma disposição táctica muito parecida com a Alemanha, nota para a importância dos movimentos no espaço entre linhas perante um meio campo de apenas 2 médios centro. Portugal, sem ter um jogador declaradamente a actuar nessa zona, tem de fazer os seus extremos surgir a criar os desequilíbrios. Isso não aconteceu nesse período com Nani e Quaresma a permanecerem muito junto à linha, facilitando a tarefa da pressão suíça. Nota na fase final para o recurso a Hugo Almeida. Espero que Portugal nunca venha a recorrer a um jogo directo iludindo-se com a estatura do jogador. É que a característica física de uma individualidade não é suficiente para que o colectivo seja minimamente eficaz na utilização desse recurso.

A opção Meira
Tal como havia antecipado, Scolari utilizou Meira a pivot defensivo. Visto o jogo, parece-me que o comportamento do jogador do Estugarda foi positivo, com um posicionamento que se aconselha para o jogo com a Alemanha. Aqui, não está em causa a estatura do jogador (a Alemanha não recorre ao jogo directo como opção primária do seu jogo) mas sim o seu perfil posicional, no entanto, parece-me que Meira pode mesmo vir a ser titular frente aos alemães, com a manutenção de Petit no onze a não ser uma possibilidade a excluir.

Individualidades
Não quero fazer demasiadas apreciações a este nível, mas ainda assim não deixo de fazer dois destaques, um positivo, o outro negativo. Pela positiva, Veloso. Tinha referido antes do Europeu que a sua qualidade de jogo ficaria evidente se Scolari recorre-se a ele durante o Euro e assim foi. Não lhe reconheço grandes qualidades nem no posicionamento nem na agressividade sem bola, mas quando o jogo lhe chega aos pés é um fora de série. Se souber evoluir e se tiver quem tire partido desse seu atributo pode tornar-se num dos melhores jogadores do seu tempo na primeira fase de organização. Menos crónica é apreciação negativa que faço ao jogo de Miguel. Todos conhecemos o potencial, o momento é que parece não ser o melhor, tanto no aspecto físico como no decisional....

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13.5.08

Os 23 de Scolari: Sem Maniche!

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Não se pode dizer que fosse um anúncio que tenha gerado muitas expectativas. Comparativamente com 2004 e 2006, então, esta terá sido uma convocatória pacífica para a generalidade do público e imprensa, sobretudo se tivermos em conta os casos de Baía (2004) e Quaresma (2006) que tinham a particularidade de envolver jogadores de um dos grandes o que gera, inevitavelmente, muito mais polémica e discussão.
Ainda assim, parece-me que esta convocatória está longe de poder estar livre de discussão. Se há alguns casos que, sinceramente, têm interesse de pormenor, já que visam decisões entre jogadores que dificilmente farão muitos minutos, há um que merece maior importância: Maniche. Mas vamos aos destaques, individualmente:

Rui Patrício – É o caso que menos interessará, mas acho que Scolari comete aqui uma injustiça. Para terceiro guarda redes convém dar um prémio e não criar uma expectativa. Nesse aspecto, Patrício preenche o requisito. Acho no entanto prematuro fazer deste jovem guarda redes um talento seguro ao ponto de merecer tamanha distinção após uma época em que termina como principal ponto fraco da equipa. Creio que Beto ou Eduardo teriam sido melhores escolhas, até porque Patrício, se confirmar o potencial que se apregoa, facilmente terá mais e melhores oportunidades. Aqui, o factor “clube grande” tem o seu peso.

Caneira – Foi o preterido. Não creio que seja muito relevante – espera-se! – mas a opção por Caneira também não seria mal vista, sobretudo tendo em conta a sua polivalência – é o único que faz os 3 lugares da defesa. O facto de não ser primeira escolha para a esquerda terá sido decisivo.

Jorge Ribeiro – Tenho dito aqui que se justificaria testar a opção Jorge Ribeiro como lateral esquerdo. Motivo simples: é o único “de raiz” que podia merecer esta chamada. A minha estranheza prende-se com a pouca utilização de Jorge Ribeiro a lateral por parte de Scolari... É que se for para ser opção para o meio campo, então, não me parece mesmo nada boa escolha.

Fernando Meira – Não me parece que seja um nome controverso mas, ainda assim, aplaudo a chamada. A sua polivalência permite que Scolari pense na utilização de um pivot defensivo mais fixo e próximo dos centrais, ganhando força nas primeiras bolas aéreas (onde Costinha era muito forte). Não sei se não será mesmo essa a primeira escolha de Scolari...

Maniche – Aí está o grande risco de Scolari. Ter de substituir Figo, Pauleta e, ainda que menos, Costinha, já é um desafio. Sem Maniche, a tarefa torna-se ainda mais difícil. Maniche pode não ter um percurso ao nível de clubes – pós Porto – na dimensão esperada, mas foi, só, eleito para o melhor onze do último Europeu e Mundial, onde apontou 4 golos ao todo. Maniche seria para mim um titular de caras (a não ser que se revelasse em muito mau momento, claro). Entende muito bem Deco, e é o médio com mais tempo de chegada à zona de finalização (algo raro na Selecção), meia distância e leitura dos espaços. Penso que a questão disciplinar pode ter sido relevante, mas não penso que possa ter sido só por esse motivo. Espero não me lembrar dele a meio de alguns jogos!

Petit – Se acho que Maniche faz muita falta, Petit seria o meu preterido. A sua forma física não auspicia uma intensidade competitiva em que se possa confiar para uma fase final do Euro. Quando penso na má forma de Tiago ou Maniche, pergunto-me se estes dois tivessem o seu mau momento, tal como Petit, num grande português também não fariam parte dos 23 finais?

Veloso – Houve quem o questionasse, mas eu mantenho que tem uma qualidade fora de série no primeiro momento ofensivo (ainda que defensivamente possa ter os seus pontos a melhorar). Se for chamado a titular – e é possível que isso aconteça – tenho a convicção que se pode tornar num dos destaques da Selecção.

Postiga – Outra escolha menos previsível que aplaudo. Scolari disse-o, tem características que os outros não têm. Neste aspecto até penso que poderá fazer parte dos planos iniciais de Scolari. É fundamental que, utilizando um ponta de lança, ele tenha mobilidade para abrir espaços para o aparecimento de Ronaldo e Postiga pode ser essa solução.


Em suma, à excepção de Maniche – que tem muito peso, como expliquei – não vejo problemas de maior nas escolhas. O trabalho de Scolari, de resto, está ainda por começar verdadeiramente. Muito mais importante do que escolher 23 é conseguir criar uma ideia de jogo com estes jogadores e, sobretudo, superar um modelo que vinha de trás e estava adaptado às características de outros jogadores, revelando-se esgotado durante a qualificação. Portugal não será tão forte em posse de bola como em 2000, mas pode ser mais letal em transição; o trio do meio campo de 2004 e 2006 está desfeito e importa criar outras rotinas; Ronaldo tem um perfil próprio e merece que o colectivo adopte princípios que o favoreçam... Tudo isto são questões que me causam alguma apreensão, confundindo-se este sentimento com o habitual entusiasmo com que encaro a presença da Selecção nestes eventos. Mas delas falarei aqui mais vezes...

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1.4.08

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