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13.12.11

Sporting - Nacional: opinião e estatística

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- Fraca. Não há outra forma de classificar a exibição do Sporting. O mais importante, os três pontos, foram conseguidos, mas sobretudo graças ao melhor aproveitamento das poucas ocasiões criadas em todo o jogo. E, já agora, graças também à importância das bolas paradas. Torna-se difícil fazer grandes comentários ao jogo colectivo, porque olhando para a composição da equipa se percebe a instabilidade na sua composição. Não é possível que o Sporting se possa exigir grandes níveis de qualidade colectiva quando tantas das suas principais unidades estão permanentemente a entrar e sair da lista de disponíveis. Má fortuna, certamente, mas também há que olhar para trás e para a composição do plantel, porque há vários casos cujo histórico já fazia prever este cenário. Ou seja, esta não é uma situação que possa ser considerada como totalmente imprevisível. Seja como for, parece claro que o Sporting joga boa parte da manutenção da sua candidatura nas próximas jornadas, e será decisivo que consiga elevar rapidamente os níveis qualitativos do seu jogo.

- Centrando a análise num comentário mais individualizado, começo por Carriço. A sua adaptação não está a ser propriamente um sucesso, por muito que se queira encorajar o jogador neste novo desafio. Defensivamente, o Sporting não é a equipa mais fácil para um "pivot", e Carriço sofre com isso. Isto é, por ter tantas vezes os dois médios adiantados, o espaço de intervenção do "pivot" é frequentemente muito difícil de controlar por um só jogador, e nem sempre é possível manter uma presença pressionante sobre o portador da bola sem assumir o risco de perder o espaço "entrelinhas". Mas será nos momentos com bola que Carriço e a equipa mais tem sofrido. Não acrescenta valor à posse, mas a meu ver não faz sentido centrar as criticas nessa limitação, porque ela está implícita na decisão de adaptar o jogador ao lugar. Ou seja, a resposta teria de ser colectiva, criando dinâmicas que não exijam muito do jogador, mas que o protejam, a ele e à equipa, dessa vulnerabilidade. Uma sugestão seria fazer Carriço baixar para a linha dos centrais, criando mais espaço no meio e oferecendo mais protagonismo aos centrais. O problema é que a dupla de centrais do Sporting, neste momento, não tem propriamente grande vocação para essa tarefa.

- De Onyewu, o herói do jogo, sobra nova reflexão sobre a importância das bolas paradas. O Sporting perdeu o jogo da Luz nesse capítulo, e agora resgata três pontos por esta via. Curiosamente, no ano passado e contra este mesmo adversário, havia permitido o empate na sequência de um pontapé de canto. Ou seja, este pode não ser o aspecto mais interessante de abordar, mas é incontornável o peso decisivo que pode ter no sucesso das equipas ao longo de uma prova de regularidade, como é um campeonato. Pode, e seguramente tem. Eu próprio negligenciei este aspecto na avaliação que fiz no inicio de época sobre Onyewu, mas a verdade é que a estatura do central americano, e pese embora ser seguramente o mais fraco do plantel em todos os outros momentos do jogo, se pode revelar importante e difícil de preterir para uma equipa com tantas fragilidades a esse nível. Isto não quer dizer, porém, que o Sporting não se deva exigir mais do que isto...

- No meio campo, a novidade é André Martins. Não é um grande momento para se mostrar, num jogo em que a equipa está tão instável ao nível da qualidade do seu jogo. Ainda assim, para quem está a fazer a estreia no campeonato, foi uma prestação impressionante do jovem médio. Enquanto esteve em campo foi jogador mais interveniente da equipa, nem sempre muito certo ao nível do passe, é verdade, mas inesperadamente útil na reactividade e agressividade defensivas. Se confirmar a característica - o que é provável - estará muito próximo de poder ser uma opção com importância crescente nas prioridades de Domingos. Mas é ainda muito pouco para que possa fazer uma apreciação conclusiva...

- Finalmente, uma nota sobre Elias. Pessoalmente, discordo da sua utilização por vezes demasiado ofensiva e centralizada. Percebe-se que Domingos veja nele um jogador de grande potencial para a transição, dada a capacidade que tem em progredir rapidamente. Mas Elias não é naturalmente um jogador tão ofensivo. Não o era no Corinthians, por exemplo, e não me parece que seja necessário mantê-lo tão adiantado para que se aproveite a sua capacidade de desdobramento em transição, porque tem capacidade de o fazer de trás para a frente, e partindo de posições mais recuadas. Neste aspecto, é um jogador semelhante a Ramires, e se pensarmos no agora médio do Chelsea, este nunca teve de ser um médio ofensivo para ser temível em transição. Por outro lado, em organização, Elias é um jogador com grande eficácia no jogo mais apoiado, tendo uma das percentagens de certeza em posse mais elevadas entre os médios da equipa (na verdade, é a mais elevada entre os habituais titulares). Quando se aproxima da direita, a equipa parece ganhar qualidade na dinâmica do corredor, mas nem sempre essa é a prioridade para o seu posicionamento.
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28.11.11

Benfica - Sporting: opinião e estatística

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- Começo pelas implicações do resultado para as aspirações de ambas as equipas no campeonato. Ganhando, o Benfica coloca-se numa posição muito favorável, mantendo a liderança mas já tendo disputado os principais jogos nesta primeira volta. Pode, por exemplo, contar com a oportunidade de ganhar pontos a pelo menos um dos rivais quando estes se defrontarem. Longe de ser decisivo, obviamente, mas uma boa situação, sem dúvida. Quanto ao Sporting, a situação é precisamente a inversa. Ou seja, o Sporting acumula ainda o peso de um inicio de época mal conseguido e, num campeonato onde os primeiros perdem poucos pontos, isso implicaria uma superação nos jogos entre candidatos. Por isso esta derrota é problemática, colocando o Sporting a 4 pontos dos líderes mas ainda tendo de defrontar Braga e Porto até ao final da primeira volta. A diferença ser matematicamente parecer escassa, mas se o campeonato se mantiver nesta toada de poucos pontos perdidos, o Sporting só poderá aspirar a disputar o primeiro lugar até ao final se tiver uma prestação praticamente perfeita nos jogos com os rivais.

- Relativamente ao jogo, começo pelo aspecto mais previsível. Não é nada que tenha a ver com o que se passou dentro de campo - isso é sempre demasiado imprevisível - mas antes com as conversas depois do jogo. Ou seja, se o Sporting perdesse, como perdeu, era certo que as criticas iriam cair sobre a opção de Domingos eleger Carriço para a posição de pivot. É tão recorrente e previsível, que o próprio treinador deverá ser o primeiro a sabe-lo. Domingos explicou o porquê da opção por Carriço, e não era difícil de a deduzir do próprio jogo, nomeadamente pelo posicionamento alto de Schaars e Elias. Mais difícil, a meu ver, é supor, como quase sempre se faz, que um treinador toma esta opção para "perder capacidade de passe" ou "para defender mais".

- A opção de Domingos, de ser agressivo sobre a saída de bola do Benfica, obrigando a uma construção mais longa, é já uma reedição do que fazia quer na Académica, quer no Braga, recolhendo na altura grandes proveitos desse condicionamento que fazia sobre os seus adversários, especialmente em jogos mais de maior grau de dificuldade. Aliás, o próprio Benfica o faz, pressionando rapidamente e com bastante gente a primeira linha contrária. A presença de um jogador mais forte no jogo aéreo como pivot é imprescindível para Jesus, precisamente pelos mesmos motivos que levaram Domingos a colocar Carriço em campo. Ora, a consequência de tudo este condicionamento sobre a construção, foi um jogo pouco ligado e fortemente dependente da disputa da segunda bola para a definição do ascendente no jogo. Este é, por isso, um detalhe decisivo. O Sporting preparou as suas próprias reposições, escolhendo Wolfswinkel como referência para a primeira bola e o lado direito como destino. O porquê desse lado? Talvez pela tentativa de explorar a rapidez de Elias nas costas do holandês, talvez para tentar ficar com a bola do lado mais forte (digo eu...) da equipa, mas não tenho uma resposta exacta. O certo é que o Benfica, não tendo de fazer uma abordagem tão estratégica, tem uma natural apetência para responder de forma mais forte a este aspecto específico. Mesmo sem Luisão, defensivamente, tem Javi Garcia sobre a esquerda, protegendo bem quer Emerson, quer Garay, e o próprio Witsel, também bastante forte neste capítulo, sobre a direita. O belga, aliás, apresenta-se igualmente como alternativa para as reposições longas de Artur. Domingos temeu Cardozo, mas o Benfica teve sempre outras alternativas, nomeadamente Witsel, mais sobre a direita. E, assim, o efeito Carriço no jogo aéreo acabou por não se fazer sentir, ainda que também me pareça igualmente um equívoco afirmar que o Sporting perdeu capacidade de construção com a sua presença, face a um jogo com estas características.

- Entre a estratégia de uns, e a maior capacidade natural de outros, não me parece que algum dos lados se possa declarar como vencedor deste jogo de muita luta pelo privilégio de poder sair a jogar a partir de segundas bolas. O jogo repartiu-se quase sempre, o Benfica beneficiou mais da noite inspirada de Aimar (as dificuldades de Carriço são em grande medida o mérito do 10 encarnado), e da maior propensão para o erro em posse do Sporting. Em destaque no Benfica, a boa ligação do jogo, desde a direita para a esquerda, com muita largura sobre a última linha do Sporting (provavelmente voltarei a este detalhe). Porém, tudo isto, sem nunca se verificar qualquer ascendente continuado, porque o Sporting dividiu sempre o jogo, tanto em termos de domínio, como de proximidade com o golo.

- De tudo isto sobram, claro, as bolas paradas. Num jogo assumidamente de muita luta e pouco risco em construção, é fundamental ser-se forte nos detalhes e as bolas paradas são frequentemente um dos principais meios para que se marquem diferenças. Foi assim, mais uma vez. Domingos saberá bem a importância desta componente para o sucesso, porque já ganhou vários jogos assim. Jesus, como se sabe, privilegia também muito a capacidade das suas equipas a este nível. Tal como nas primeiras bolas na reposição de jogo, o Benfica é naturalmente mais forte neste plano, e o Sporting está mais dependente do trabalho específico. O jogo acabou por se definir numa zona em que a equipa leonina parecia insuperável com a presença de Onyewu. Foi por ali que o Marítimo criou grande parte dos seus lances, na vitória em Alvalade, mas com o americano esse problema parecia resolvido. Ora, foi precisamente no pior momento que Onyewu se mostrou vulnerável no controlo desse espaço.

- O equilíbrio, claro, terminou com a expulsão de Cardozo. Aí o Sporting passou a ter um domínio claro e consentido também. É verdade que o Benfica controlou sempre bem o jogo, é verdade que o Sporting não revelou grande lucidez na circulação, nomeadamente centralizando muito os médios e criando poucas situações de apoio nos corredores laterais. Mas também é verdade, apesar disto tudo, que criou oportunidades suficientes nesse período para ter chegado ao empate. Se não o conseguiu não foi por qualquer fatalidade do destino, mas sim porque o futebol é mesmo assim, tanto pode dar umas coisas coisas, como outras.

- Individualmente, no Benfica o destaque principal tem de ser Javi Garcia, pelo golo decisivo e pela capacidade de intervenção num jogo que cedo ficou a seu gosto, exigindo-lhe muitos duelos aéreos e muito menos gestão da posse, onde é vulnerável. Mas também Aimar, que foi fantástico nos seus movimentos "entrelinhas" (ainda que nenhum chegasse a ter grande consequência objectiva), e Gaitan, quer pela capacidade de execução em dois momentos, quer pela notável capacidade de trabalho que revelou (sem surpresa, sempre revelou nos jogos que puxam por ele). No Sporting, Wolfswinkel trabalhou bem na frente, mas faltou-lhe aquilo que é mais importante para alguém da sua posição, ser decisivo na finalização. Elias, esteve estrategicamente mais próximo do holandês e justificou esse papel pelo sentido de oportunidade na área, faltando-lhe apenas a eficácia. Outra nota para Carrillo, que volta a dar sinais de ser um caso sério em potência, assim consiga evoluir na decisão, claro.
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9.11.11

Sporting - Leiria: opinião e estatística

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- À partida não se diria, mas parece-me que, por uma conjugação de factores, este passou a ser um jogo importante para o Sporting. Pela própria jornada, onde os rivais perderam pontos, pela necessidade de anular rapidamente o efeito da derrota no jogo anterior, recuperando o sentimento de um momento positivo, mas também pela fase da própria equipa, recentemente abalada por uma perda relevante e por uma série de indisponibilidades mais circunstanciais. A tudo isto, há que assinalar, juntava-se um Leiria que não é hoje o adversário simpático do inicio de época. A resposta podia ter sido percepcionada de forma bem mais positiva, como aconteceu noutros casos, mas, apesar disso, parece-me ter deixado muito boas indicações...

- O jogo teve fases distintas, mudando as suas características depois do segundo golo e das alterações do Leiria na segunda parte. Na primeira, porém, tivemos um domínio muito grande do Sporting, que foi estrategicamente consentido pelos leirienses, mas do qual o Sporting deveria ter extraído mais vantagens do que o empate que levou para o intervalo. Neste primeiro período, há que assinalar o bloco baixo do Leiria, sem grande preocupação de ter presença pressionante sobre a construção dos centrais, mas com um forte bloqueamento nos corredores, particularmente nas acções dos laterais, normalmente um ponto forte do jogo do Sporting. Aqui, parto para o primeiro destaque individual, que penso justificar Carriço. Com os laterais bloqueados, é importante que os centrais tenham a capacidade de serem eles a tomar a iniciativa de criar desequilíbrios com bola e com o espaço que lhes é permitido pela estratégia contrária. Capacidade e qualidade, claro. Carriço tem-na, assim como tem também grande capacidade para jogar em antecipação nos espaços interiores e na reacção à perda (ver origem do 2ºgolo). É um jogador que tem de facto problemas na resposta em lances aéreos dentro da área, mas essa, sendo uma lacuna potencialmente decisiva, não deve ofuscar o valor do jogador noutros capítulos do jogo, que é evidente. Já agora, e apesar do mau jogo frente ao Marítimo (novamente, pela resposta aérea), Carriço tem feito um campeonato muito bom.

- Depois, no curso do jogo, é interessante verificar o efeito marcante de alguns lances. A eficácia do Sporting, que voltou a ser muito elevada e que foi reflectida, desta vez, nos golos de Matias. E, do outro lado, quer o golo do Leiria, que resulta de um erro individual descontextualizado do curso do jogo, e que impediu, possivelmente, outro conforto do Sporting no jogo, e, mais tarde, o lance que poderia ter resultado em novo empate e que surgiu como complemento perfeito para a mudança que Cajuda estava a tentar encetar no jogo, após o 2-1. Lances que tiveram efeitos quer na resposta emocional dos jogadores, quer na percepção com que todos ficamos das exibições das equipas. Aliás, sobre a reacção do Leiria e encolhimento do Sporting, parece-me que há muito de emocional nessa reacção, isto mesmo contando com o bom posicionamento do Leiria na reacção à perda e com a ineficácia das alterações no meio campo do Sporting, no que diz respeito à qualidade do jogo ao nível do passe, quer em organização, circulando menos, quer em transição, sendo incapaz de ficar com bola mais tempo após cada recuperação de bola. Daí, o avanço territorial do Leiria e consequente "aperto" do Sporting em grande parte do segundo tempo.

- No Sporting, o dado mais importante tem a ver com a resposta do meio campo, que foi excelente. Com o duplo pivot, o Sporting teve, a meu ver, o melhor Schaars da temporada. Não ao nível do impacto ofensivo, porque não marcou nem assistiu, mas a nível defensivo, onde esteve muito forte (já tinha estado frente ao Feirense, em boa verdade) e sobretudo ao nível do passe, sendo finalmente um jogador consistente a esse nível, quer em termos de presença, quer no que respeita ao nível da eficácia, que como assinalei vinha sendo muito baixo. Não surpreende esta diferença, já que Schaars é marcadamente um jogador de primeira fase de construção e muito menos vocacionado para uma segunda fase ofensiva. Ao seu lado, Elias, com erros pontuais ao nível do passe, mas sem que isso possa afectar uma boa presença também a esse nível, que complementa com a sua extraordinária capacidade reactiva aos momentos do jogo, quer na recuperação, quer no acompanhamento ofensivo. Teoricamente, teve mais responsabilidades defensivas, mas 3 dos 6 desequilíbrios têm a sua participação directa. Finalmente, Matias que actuou na posição que me pareceu estar-lhe destinada com a chegada de Domingos. Não tenho como certo que o seu rendimento possa vir a ser consistente, por causa das lesões, mas também porque é preciso que a equipa o consiga potenciar no último terço, perto da zona de finalização, onde tem uma capacidade de definição e decisão que é terrível para as oposições. Mas, uma coisa é certa, se o Sporting conseguir potenciar este trio e se o tiver sempre disponível (porque não tem alternativas da mesma ordem qualitativa), esquecer Rinaudo não será um problema...

- Finalmente, falar dos extremos, porque há alguns casos curiosos. Pereirinha foi o jogador mais conseguente no jogo, e apenas não terá dado sequência a 1 posse de bola que por si passou. É notável este registo, o problema, porém, é que isso não é minimamente suficiente. O jogo faz-se de golos, e os jogadores mais ofensivos têm como principal missão ajudar a aproximar a sua equipa do golo, o que no caso dele não sucedeu, nem de perto. Pessoalmente, penso que a equipa poderia ganhar mais se os papeis de Pereirinha e João Pereira fossem invertidos, quando a equipa recorre aos dois em simultâneo, mas é algo que teríamos de ver para ter mais certezas. Depois, Capel. Recuperando a questão dos jogadores discretos, Capel é o inverso, tudo menos discreto. A energia que emprega a cada posse de bola faz com que entusiasme as bancadas antes mesmo de chegar a produzir algo de realmente concreto, e isto vale-lhe, a meu ver, alguma sobrevalorização mediática. É uma mais valia que seja capaz de transportar a bola como o faz, mas é muito duvidoso que esteja a gerir da melhor forma as suas aparições no jogo, por mais aplausos que arranque. Desgasta-se em demasia, não é capaz depois de oferecer uma boa resposta defensiva, e do ponto de vista da produção ofensiva também não tem um valor acrescentado que justifique qualquer euforia. Se compararmos com os extremos do plantel (exceptuando Pereirinha), aliás, é aquele que menos desequilíbrios provoca em face do tempo de utilização, perdendo inclusive para Elias ou Schaars (ainda que este conte com os lances de bola parada) nesta comparação. Finalmente, Carrillo. É um jogador que pode, realmente, ter um futuro tremendo. A sua capacidade técnica e, sobretudo, a sua potência física determinam essa oportunidade, porque muito facilmente ganha vantagem sobre a oposição sem fazer grande esforço, e ele já percebeu isso. Falta-lhe mais qualidade na definição no último terço, para ser mais decisivo, e mais calibragem na decisão para poder ser um jogador consistente. Ainda não é, nem uma coisa nem outra, mas pode vir a ser, porque as suas outras características permitem-lhe lá chegar, caso tenha uma boa evolução.
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3.11.11

Feirense - Sporting: opinião e estatística

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- A vitória é importante porque esta era a última deslocação antes do primeiro clássico da "era Domingos". Esse, aliás, pode ser visto como um ponto potencialmente a favor do Sporting. É impossível fazer projecções muito apertadas para um tão curto número de jogos, mas é também inquestionável que as equipas de Domingos tiveram, no passado, uma capacidade de superação tremenda nos grandes momentos e nos grandes jogos. Este promete ser um campeonato de muito poucos pontos perdidos fora dos clássicos - sem surpresa, note-se - e, se assim for, o Sporting torna-se a meu ver um candidato não menos forte do que qualquer outro se as suas hipóteses do título forem discutidas no confronto directo.

- A vitória acabou por sorrir ao Sporting mas, tal como foi reconhecido por todos, não foi fácil. Desde logo, não foi fácil porque o Sporting não marcou tão cedo como vem sendo hábito e isso confere logo outra dificuldade ao jogo. Mas não foi só por isso. A meu ver, há dois factores que contribuíram para a menor capacidade do Sporting em se aproximar com o golo, sem que isso, no entanto, tenha implicado qualquer défice de controlo junto da sua baliza. O primeiro tem a ver com a postura do Feirense perante a organização do Sporting. Tal como noutros jogos, o Feirense apresentou dois jogadores a tentar condicionar o lado de saída na primeira fase de construção do adversário. Um, na linha entre os centrais, e outro, na zona do "pivot". Depois, condicionou também a ligação entre centrais e laterais, forçando uma ligação do central em posse com os elementos mais adiantados. Não entendo que tenha sido um condicionamento muito forte, e já vimos, por exemplo, o Benfica a passar facilmente "por cima" dele, conseguindo circular lateralmente na primeira fase. O Sporting não o fez, e isso penalizou o seu jogo, que gosta de circular lateralmente antes de entrar. Quando a bola saía por Onyewu, raramente teve qualquer sequência, com o central americano a jogar directo, mas sem qualquer propósito prático em praticamente todas as suas intervenções. Com Carriço há mais capacidade, mas o problema surge à frente, já que nem Capel nem Schaars oferecem uma dinâmica que permita grande qualidade na entrada do jogo por aquele corredor. Capel, recebe quase sempre de costas e transporta depois, Schaars raramente abre uma linha de passe útil dentro do bloco. Não é de hoje, é assim desde o inicio de época. A isto juntou-se um outro factor, que foi o facto do Feirense escolher a zona de Carriço para a sua construção longa. A consequência foi termos um jogo completamente centrado no lado esquerdo do Sporting, e isso representa logo um défice de qualidade no Sporting porque é à direita que está o seu maior potencial. Já agora, por isso é que vimos mais Insua e menos João Pereira, mais Schaars e menos Elias, mais Capel e menos Matias, mais Carriço e menos Onyewu. Destes, porém, apenas Carriço teve uma prestação verdadeiramente positiva nas acções ao longo do corredor, sobretudo as defensivas.

- Ainda assim, e apesar deste jogo emperrado à esquerda, o Sporting haveria de levar a melhor, essencialmente porque tem mais qualidade e porque foi sempre a equipa que, ainda que de forma descontinuada, se aproximou do golo. Aqui, na qualidade, parto para as minhas notas individuais, particularmente nas diferenças entre Elias e Schaars. É um caso curioso, de novo, a forma como estes jogadores são percepcionados. No comentário ao jogo do Porto escrevia sobre jogadores discretos, não por serem pouco participativos, mas porque têm uma aparição tão breve e eficaz que não damos por eles. Elias é um desses casos. Schaars é o contrário. Não neste jogo, porque houve o tal factor de "esquerdismo" no jogo, mas na média das prestações dos dois jogadores no campeonato, Elias tem +30% dos passes que Schaars completa a cada jogo, e uma percentagem de acerto quase 15% superior. Neste jogo, em concreto, Schaars interveio mais, mas foi um dos responsáveis pelo emperrar do jogo naquele corredor, já que o seu acerto no passe foi extremamente medíocre, numa tendência que se repete de outros jogos, e que não tem paralelo em qualquer médio, nem no Sporting, nem nos outros "grandes". Domingos, como já suspeitava, não percepciona ou não valoriza esta diferença (pode ser pela importância das bolas paradas), para mim abismal, de qualidade entre os dois, e abdica quase sempre do brasileiro quando tem de mexer no meio campo. Dito tudo isto, e porque o futebol é assim mesmo, a aposta em Schaars revelou-se acertadíssima porque haveria de ser o holandês a estar envolvido nos dois golos que ditaram a vitória leonina. Já agora, e porque não quero ser injusto na minha apreciação a Schaars, o seu aproveitamento em lances decisivos é até ao momento muito bom e se o mantiver seguramente que isso compensará o défice de consistência ao nível do passe, e, por outro lado, o seu envolvimento defensivo neste jogo foi também muito bom.

- Há ainda algumas notas individuais que não vou aprofundar, mas que deixo, ainda assim, uma breve consideração sobre cada uma. Sobre Onyewu mantém-se a dicotomia entre a mais valia da sua presença nas bolas paradas e a incapacidade no que resta do jogo. Rinaudo, que apesar de poder evoluir nas suas abordagens, continua a revelar uma presença extraordinária, tanto em posse como na reactividade defensiva. Que consequências terá a sua ausência? Matias, que revela um crescimento em termos de envolvimento e uma boa resposta no trabalho defensivo, sobretudo quando veio para o meio. Wolfswinkel, que me parece repetir em demasia o ataque ao primeiro poste nos cruzamentos, uma opção que em situações de maior densidade torna muito difícil o sucesso das suas acções nesta situação especifica (será propositado para abrir espaço atrás?). Carrillo, que mantém a inconsistência mas também os sinais francamente positivos em relação ao seu potencial como elemento desequilibrador.
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27.10.11

Sporting - Gil Vicente: opinião e estatística

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- Começo por abordar um tema, partindo do que havia escrito sobre o Porto. É interessante verificar a diferente abordagem, entre Domingos e Vitor Pereira (e, ainda que a um nível mais moderado, mesmo Jesus). Enquanto que o treinador portista tem gerido o seu plantel, alterando muito de jogo para jogo, em Alvalade, Domingos orienta o seu discurso para a necessidade de capitalizar os momentos altos, mantendo o essencial da equipa, mesmo em jogos de menor responsabilidade. São formas diferentes de gerir e cada um terá os seus motivos, mas o facto é que Domingos conseguiu, seja por essa ou outra razão, encontrar o trilho da confiança. Das vitórias alicerçadas nas boas exibições, ou... vice versa. À cerca disto, de resto, importa ter alguma memória e relembrar os primeiros jogos para o campeonato, onde os indícios de capacidade ofensiva já existiam, mas a falta de eficácia acabou por penalizar muito a equipa em termos de resultados, percepção geral e consequente confiança. Porque falei disso na altura, da importância decisiva que estava a ter a eficácia, parece-me interessante ver hoje as coisas do outro lado, de quando se marca o que se cria. É que, ganhando, tudo fica mais fácil também para o jogo seguinte...

- Sobre o jogo, importa explorar sobretudo o que aconteceu antes da loucura final. Ou seja, é mais importante perceber a vitória do que a goleada. Aqui, vou abordar dois momentos, organização ofensiva e bolas paradas (as situações de transição, para o Sporting, foram apenas episódicas). O Sporting começou o jogo com grande facilidade em conseguir domínio territorial, colocando a primeira linha a construir alto, praticamente em cima da linha do meio campo. Este ponto, a altura da primeira linha de construção parece-me bastante relevante. O motivo tem a ver com o receio que o extremo reduto adversário passa a ter da sua exposição nas costas, colando-se instintivamente à sua área. Assim, torna-se mais fácil entrar no bloco, e mais fácil reagir à perda. Foi isso que o Sporting conseguiu. Porque o conseguiu? A meu ver, por mérito próprio, porque procura fazer uma circulação intensa e larga na primeira linha de construção, dificultando a organização contrária ao exigir-lhe constantes ajustamentos laterais, mas também por demérito do próprio Gil, que nunca conseguiu evitar essa intenção. Mas, para ganhar é preciso marcar e não apenas dominar. Fica fácil jogar-se bem quando, como tem sido o caso do Sporting, se é eficaz tão cedo. Neste jogo, a vantagem através de um lance de bola parada, e é importante notar o bom trabalho que tem sido conseguido a este nível, com vários situações a serem trabalhadas e a produzir efeitos práticos. O Sporting é, entre os "grandes", a equipa que mais ocasiões de golo criou neste tipo de lances, não sendo, porém, a que mais concretizou (Porto). Já agora, no campo defensivo, é também aquela que mais ocasiões concedeu junto da sua baliza, mas aí entra o efeito do jogo com o Marítimo.

- Ainda no Sporting, destaque para as combinações nos corredores laterais, para onde o Sporting canaliza preferencialmente o seu jogo. Confirma-se a cada jogo a influência e acréscimo de qualidade que traz Elias. Em tudo, mas neste caso também no que respeita à dinâmica do lado direito. Junta-se a João Pereira, numa dupla que oferece excelente dinâmica todas condições à integração de seja quem for (desta vez foi Matias, já foi Carrillo, e falta ainda ver Jeffren nesta dinâmica). Do lado esquerdo, um triângulo diferente, menos ligado, menos dinâmico por natureza e mais dependente de Capel. À partida, aliás, parece ser mesmo só Capel, mas não é. Insua, não tendo a mesma energia e disponibilidade de João Pereira, tem um notável sentido de "timing", o que lhe tem valido uma grande eficácia e propósito nas suas investidas ofensivas. Schaars, por outro lado, não se aproxima tanto do corredor permanece mais interior, aparecendo, em contraponto, mais vezes na área do que Elias. Neste jogo, há um pormenor que me parece decisivo nas dificuldades que teve o Gil Vicente no corredor esquerdo. É que raramente houve uma boa presença junto do extremo no momento da recepção, permitindo ao Sporting progredir facilmente assim que fazia a bola entrar no seu flanqueador. Um ajuste posicional que não foi corrigido durante o jogo, que começou por dar vantagem a Capel mas que continuou com Carrillo. Aliás, acaba por ser um pormenor decisivo nas principais jogadas do peruano pelo flanco esquerdo.

- Finalmente, falar sobre Schaars, que me parece ser o jogador menos adaptado às suas funções, neste Sporting. É, na minha leitura, um jogador de primeira fase de construção, e que tem dificuldades em integrar-se de forma tão útil como os demais no jogo da equipa. Isto reflecte-se em vários indicadores, onde, quer em termos de influência, quer em termos de eficácia fica muito aquém do que faz, por exemplo, Elias, o seu espelho do outro lado do campo. A sua utilidade é alavancada pela importância que assume nas bolas paradas, mas parece-me que, por exemplo, Matias tem condições para ser testado no mesmo papel do holandês, já que em termos de resposta defensiva não me parecem ser jogadores de capacidade muito diferente. No entanto, suspeito que Domingos não tenha o mesmo entendimento...

- A goleada espanta, não tanto pelo Sporting, mas pelo Gil. Tem sido uma das boas equipas deste campeonato e não se esperaria (pelo menos eu) tamanha derrocada. Como escrevi, creio que houve alguns lapsos, quer no condicionamento da primeira linha, quer nos ajustamentos laterais, sobretudo à esquerda do ataque do Sporting. Com a entrada de Guilherme houve uma melhor presença em termos de condicionamento da primeira linha, com o Sporting a passar a construir um pouco mais atrás. Depois dessa alteração, aliás, o jogo não parecia poder vir a ter o destino que teve, mas a equipa acabou por ser penalizada, após o segundo golo, pela eficácia e tremenda energia que o Sporting manteve até final. Falar ainda de Hugo Vieira, que me parece ter sido uma ausência importante e muito pela capacidade que tem precisamente no condicionamento defensivo da primeira fase de construção.
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21.9.11

Rio Ave - Sporting: opinião

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- E, de novo, permanece a curiosidade em torno do trajecto do Sporting no campeonato. Particularmente, o contraste dos níveis de eficácia ofensiva, das primeiras 2 jornadas para as 2 mais recentes, é quase radical. Tudo somado, temos um registo de eficácia ofensiva acumulada já dentro dos parâmetros normais e superior ao da própria equipa na época anterior, por exemplo. O problema, ao nível dos indicadores de performance, centra-se agora a 2 níveis. Primeiro, e talvez mais importante, deve preocupar a perda de capacidade para criar um maior número de desequilíbrios e, do outro lado do campo, a enorme percentagem de eficácia das equipas contrárias, que se encontra em níveis insustentáveis (O Sporting sofreu 1 golo a cada 1,75 oportunidades dos seus adversários, contra 1 em 2,2 do Benfica - também elevado - e 1 em 3,7 do Porto).

- Relativamente ao jogo, há vários aspectos a abordar, mas vou começar pelos mais positivos, a dinâmica nos corredores e a transição defesa-ataque. Relativamente aos corredores, o problema destacado após o jogo de Paços de Ferreira, das dinâmicas restritas a 2 jogadores, foi claramente corrigido, com Schaars a aproximar-se mais de Insua e Capel, e, do outro lado, Elias a fazer o mesmo. Aliás, o corredor direito promete muito com este papel do brasileiro. A direita foi, outra vez mas melhor, o "motor" da equipa, e falta-lhe apenas alguma melhor definição e acréscimo de criatividade quando chega próximo da área. Não tenho dúvidas de que vai surgir em breve. O outro ponto, a transição defesa-ataque, foi novidade até porque anteriormente o tipo de jogos não havia permitido a exploração desse momento. De novo, Elias teve um impacto muito positivo neste plano. São dois pontos relevantes.

- Agora, os problemas. Em organização defensiva, parece-me haver alguma indefinição no papel dos médios, na pressão sobre a construção contrária. A equipa aproxima o médio interior direito (Elias e, depois, André Santos) do avançado, num comportamento próximo do que é característico no 4-2-3-1. Mas é Schaars quem sai sobre a bola do lado esquerdo, ficando Rinaudo "entrelinhas". Ou seja, quando, Schaars faz este movimento e a bola volta ao central do lado oposto, Elias fica longe da jogada (por estar próximo de Wolswinkel) e é Rinaudo quem tem de se aproximar, abrindo o espaço nas suas costas. Este não foi um problema com consequências no jogo, até porque esta variação do ponto de saída de bola, por parte do Rio Ave, raramente existiu. É apenas um pormenor de observação, faltando-me perceber a sua origem, se é intencional ou se foi apenas pontual. De todo o modo, parece-me claro que há a necessidade de clarificar os papeis dos médios neste momento (organização defensiva), e em várias fases. Por exemplo, vemos pontualmente jogadores (Rinaudo e Schaars) a fazer acções de pressão instintivas, que acabam por conduzir o adversário no sentido contrário ao interesse colectivo. Não creio que seja essa a intenção. Outra questão é o porquê do Sporting ter deixado de definir zonas de pressão mais altas? Não estou a discutir se o deve ou não fazer, apenas a questionar-me sobre a relação entre o bloco médio-baixo que vemos e a tal indefinição que ainda me parece existir no papel dos médios perante a construção contrária. É que para pressionar mais alto, é preciso ter claro quais os jogadores que se juntam avançado na primeira linha. Enfim, também pode ser estratégico...

- Outro ponto, e aqui entro naqueles que me pareceram os motivos para o menor domínio do Sporting em boa parte do jogo, tem a ver com a construção. É muito difícil o Sporting ter uma boa circulação baixa com os centrais que tem. Por exemplo, com Polga a bola raramente entrava directamente no lateral, com Onyewu, entra quase sempre. Qual é o problema? Com esta dependência, facilmente o adversário anula as soluções de passe na primeira linha (4 jogadores), com apenas 2 unidades, podendo depois fechar o campo no corredor. Ao Sporting, valeu o bom jogo de posse dos jogadores desse lado (direito), mas foi ainda assim limitativo. Não só a equipa foi incapaz de usar a circulação como forma de gerir o jogo, como esse factor condicionou outro momento, o da transição ataque-defesa, quando a bola não entrava no último terço...

- Sobre a transição ataque-defesa, volto aos médios, e a um em particular, Schaars. A amplitude de acção que é exigida à sua posição é enorme. Tem de dar apoio ao corredor, de oferecer soluções de passe ao centro, de fazer movimentos de profundidade e de aparecer ao lado do avançado para finalizar. Mas tem, também, de defender. Mais difícil do que saber o que fazer, é ser-se capaz de fazer tanta coisa, e Schaars tem problemas evidentes ao nível da resposta defensiva, e o seu papel não pode ser o mesmo de Elias, por exemplo. Não estou, obviamente, a colocar todas as responsabilidades nos ombros do holandês, mas parece-me um caso que deve ser melhor considerado, nomeadamente a gestão das acções ofensivas dos médios e o consequente equilíbrio em transição. O facto é que o Sporting teve alguns problemas para controlar este momento, quando a perda acontecia à entrada do último terço, em zonas onde são os médios/extremos a fazer a primeira reacção. Claro, também contribuiu o amarelo a Rinaudo, que impediu o argentino de manter a mesma agressividade na contenção, a partir desse momento. Ainda assim, e como sempre, o argentino voltou a estar fantástico na resposta dada a este nível.

- Finalmente, comentar dois casos individuais, Rui Patrício e Onyewu. O guarda redes teve um jogo horrível e grande parte da reacção do Rio Ave deve-se a ele. Porque foi de um erro seu que saiu o primeiro motivo de crença para os vilacondenses, numa saída aérea desastrada, e porque o 1-2 é decisivo para o crescimento motivacional do Rio Ave, sendo um golo absolutamente proibitivo de sofrer. Os problemas a outros níveis não têm a ver com ele, obviamente, mas o guarda redes é decisivo na definição dos resultados e a tal diferença de eficácia defensiva para os rivais não pode ser dissociada da má fase de Patrício neste inicio de temporada. Sobre Onyewu, é um caso interessante... Estamos perante um jogador que, a meu ver claramente, não tem qualidade para jogar a este nível, nos 4 momentos tácticos do jogo, sendo uma condicionante óbvia tê-lo em campo. Mas... e as bolas paradas? O Sporting tem um histórico terrível neste detalhe, quer no plano ofensivo, quer no plano defensivo, e o americano tem-se revelado uma mais valia clara a esse nível. 5 das 12 intervenções defensivas em lances desse género, foram dele, e em 2 jogos igualou o registo acumulado de golos na Liga de Polga e Carriço. Juntos e em mais de 250 jogos! Se fosse Andebol, tinha solução, assim, é mais difícil...
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13.9.11

Paços - Sporting: opinião

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- Começo pela ironia do futebol... Este foi o jogo, para o campeonato, em que o Sporting menos se aproximou do golo, mas aquele em que mais marcou. A questão da eficácia, já o tinha escrito, vinha sendo excepcionalmente baixa. Do mesmo modo, desta vez foi mais alta do que é normal. Ou seja, da mesma forma que, conseguindo o ascendente e as oportunidades que conseguiu nos 2 primeiros jogos, o Sporting iria (e irá, se o repetir) inevitavelmente ganhar, se voltar a repetir as dificuldades que sentiu na Mata Real para ser objectivo, dificilmente o fará. Para já, a vitória, mesmo com vários pontos a reflectir, traz uma novidade importante: alguma confiança.

- Relativamente ao jogo, passo primeiro pelos aspectos defensivos. É outra tendência negativa, mas que, ao contrário da eficácia, se vem acentuando com o decorrer da época. Estou a falar da propensão para o desastre. Vejamos bem este jogo... Foi o jogo com maior domínio de posse de bola que qualquer equipa teve na liga, o Paços praticamente não atacou em organização, e pouquíssimas vezes foi capaz de estender no campo, em transição. Ainda assim, conseguiu... 2 golos e 5 ocasiões. Tantas como o Sporting. Entre estas, só 1 não nasce de um "tiro no pé" do Sporting, a finalização de Michel depois de tirar Rodriguez, já depois do 2-0. De resto, para além dos 2 golos, o Paços teve mais 2 ocasiões, sempre por Michel, ambas resultantes de maus alívios de defensores, em situações que poderiam e deveriam ter sido facilmente evitadas.

- Já agora, aproveito o ponto anterior para abordar o Paços: dificilmente o Sporting terá um adversário tão débil no que resta da época. Quem tem Michel na última linha e tanto espaço para o lançar, arrisca-se sempre a marcar, mas, fora o seu avançado e as ofertas do Sporting, o Paços foi inexistente, limitando-se a defender muito baixo e aproveitar a incapacidade do Sporting no último terço. Por exemplo, não é uma expulsão que pode justificar tão rápido descalabro a partir de um resultado de 2-0...

- Voltando ao Sporting, a grande reflexão deste jogo vem, claramente, do que a equipa fez (ou não fez) no último terço. Construir foi fácil, a equipa ligou bem corredores, mas limitou-se a tentar entrar pelas alas e com dinâmicas restritas a 2 jogadores. Não é a primeira vez que escrevo sobre isto, mas o Sporting parece precisar de ser capaz de incluir pelo menos mais um jogador nestas acções, sob pena de estar permanentemente a convergir para cruzamentos largos, fáceis de defender, e sem qualquer ajuste às características dos seus jogadores. Foi isso que se viu repetidamente durante grande parte do jogo, e daí tão pouca produtividade para tanto domínio. Embora não tenha sido o caso, dada a pouca capacidade do Paços em construir fosse o que fosse, a verdade é que estas situações de apenas 2 jogadores na zona da bola são também um problema potencial para o controlo da transição ataque-defesa, em caso de perda, já que há pouca presença na zona da bola. Um exemplo do que pode ganhar o Sporting com a inclusão de pelo menos 1 jogador nestas dinâmicas, vem do lance que deu origem à expulsão, com Rubio a juntar-se a João Pereira e Izmailov. Na primeira parte, nunca aconteceu...

- Não havendo muito mais para tratar, num jogo quase absolutamente monocórdico, parto para algumas características individuais. Sobre Bojinov, dizer que é no corredor central e nas acções perto da área que melhor se sente. Não é, nem rápido, nem forte nos duelos aéreos para ser solução perante o tipo de jogo que lhe foi proporcionado, mas é muito inteligente e bom executante em zona frontal. Um exemplo? O lance em que isola Elias na primeira parte, numa das pouquíssimas vezes em que o Sporting entrou pelo meio. Sobre Elias, referir que, sem surpresa, o Sporting ganha muito com este jogador. É, finalmente, um médio à medida do que o Sporting precisa para aquele sector, seguro em posse, agressivo defensivamente, e com grande capacidade de movimentos verticais. Se Domingos encontrar equilíbrio entre ele e Rinaudo, poderá bem jogar apenas com os 2. Sobre o argentino, é difícil adjectivar sobre a dimensão e o impacto da sua presença (continuo a não perceber como passou 2 jogos no banco!!). Pereirinha esteve bem, não creio que excepcionalmente bem, mas bem, dentro do valor real que tem. Acabou por ser vitima da tal pouca presença no seu corredor, e do estatuto, porque não estava a dar menos do que Capel. Aliás, o espanhol é um problema para Domingos, que deverá encontrar formas de potenciar melhor o seu futebol e evitar tanta tendência para o transporte de bola, sem que isso tenha uma consequência prevista. De resto, não concordo com a dimensão das criticas a Rodriguez nos aspectos defensivos, e parece-me óbvio que o Sporting terá de repensar a sua construção se insistir nesta dupla, porque é muito fraca a sair a jogar. O Paços ignorou isso, mas outros seguramente que não o farão...
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9.12.10

5 Sul Americanos ligados ao Benfica

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Não costumo falar muito de reforços potenciais, daqueles que aparecem e desaparecem nas páginas dos jornais, mas vou abrir aqui um parêntesis sobre alguns nomes sul americanos que apareceram ligados ao Benfica. Entendo que a prospecção internacional dos grandes clubes tem dado sinais de maior arrojo nos últimos anos, mas, ainda assim, há coisas que me continuam a fazer alguma confusão. Alguns perfis e muitos "timings". Ainda assim, volto a fazer notar, que a solução de uma ida brusca mercado dificilmente resolverá verdadeiramente o problema do Benfica 10/11.

Elias - Já está garantido para o Atlético de Madrid. Na verdade, não posso dizer que o conhecia quando era um desconhecido, mas há muito que lhe reconheço qualidades técnicas e tácticas muito acima da média e não era preciso ter esperado pela Selecção para que fosse gerado tanto entusiasmo em seu redor. Em Julho de 2009, referi-me às suas qualidades numa análise que fiz à final da Copa do Brasil desse ano. Não seria, na altura, um alvo fácil, mas estaria, seguramente, muito menos inflacionado do que hoje...

Jucilei - Vi-o num jogo pelo J.Malucelli, pelo campeonato paranaense. Fez um jogo tremendo e marcou um grande golo. Estávamos em Março de 2009, tinha 20 anos, e fiz essa referência aqui. Agora, que joga no Corinthians e até já foi à Selecção, é capaz de ser um pouco difícil fazer um bom negócio...

José L. Fernandez - Este ala do Racing é um bom jogador, não me entendam mal, mas parece-me tão questionável que o seu nível chegue para o Benfica, que até nem acredito muito que estivesse mesmo na agenda dos encarnados. Enfim, tudo é possível, porque também já ouvi/li comentários favoráveis à sua contratação. A gente logo vê...

Enzo Perez - À parte dos brasileiros, é o jogador mais interessante. Não deve ser acessível porque é, há muito, um dos destaques da melhor equipa argentina nos últimos anos. É um ala, que pode jogar em zonas interiores ou mais aberto. É forte tecnicamente, criativo e tem também boa capacidade de trabalho. Não é um talento para ser estrela mundial, mas tem o perfil adequado para jogar como ala no modelo de Jesus.

Funes Mori
- Inclui-o na lista de 20 (na verdade foram 30) talentos do campeonato argentino, faz agora 1 ano - 6 deles vieram para Portugal meio ano depois! Na altura não era óbvio, porque tinha apenas alguns minutos na equipa principal do River. Entretanto, começou a jogar regularmente e hoje é, provavelmente, o jovem mais mediatizado do campeonato. Ou seja, não é fácil contrata-lo. É um jogador realmente interessante, um ponta de lança típico, como normalmente se imagina. Alto, boa presença aérea, bom a jogar de costas e forte nos movimentos em zona frontal. Também não admira que Jesus aprecie este jogador, porque é jovem e tem todas as características a que dá primazia para o seu '9'.

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3.7.09

Os desequilíbrios tácticos que deram a Copa ao 'Timão'

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Depois dos campeonatos estaduais, o futebol brasileiro viu agora terminar a sua primeira competição nacional. A Copa do Brasil é uma competição longa, dura e de vencedor completamente incerto, tal o equilíbrio entre as diversas equipas envolvidas. À final, no entanto, terão chegado aquelas que são, talvez, as 2 melhores equipas do momento no futebol brasileiro, Inter e Corinthians, um facto que tornou a final (disputada a 2 mãos) ainda mais interessante. O factor casa acabou por ser determinante, com o Timão a saber tirar partido da vantagem de 2 golos conquistada em São Paulo para depois colher os frutos da enorme pressão que o Inter tinha sobre si na segunda mão em Porto Alegre. Na minha perspectiva, no entanto, os aspectos tácticos foram o principal motivo que para o agregado final de 4-2, que acabou por dar ao ‘Timão’ a 3ª Copa da sua história. Aqui fica uma pequena dos 4 golos do Corinthians que têm explicam muito das nuances tácticas que fizeram a diferença na final.


1º golo primeira mão, Jorge Henrique – Jogando num 4-2-3-1, o Corinthians apresenta um movimento típico que baralhou muito as contas à defesa do Inter. O extremo esquerdo Jorge Henrique repetidamente vem ao meio para abrir espaço à entrada do lateral (normalmente André Santos) e aparecendo igualmente como elemento extra na zona central, ora para oferecer linhas de passe, ora para finalizar. Neste lance isso é perfeitamente claro, primeiro vindo ao meio e servindo de pivô para o ataque do Timão e depois libertando o lateral no espaço aberto pelo seu movimento, antes de, ele próprio, finalizar.

2º golo primeira mão, Ronaldo
– O pormenor e qualidade de definição de Ronaldo são tudo menos novidade. A nota vai antes para o outro jogador que fez, na minha opinião, mais diferença em termos tácticos neste Corinthians, o médio Elias. Trata-se de um médio muito útil, mas útil no verdadeiro significado do termo. Ou seja, não é apenas um médio que corre muito, é, antes sim, um médio que corre muito e bem. Elias está sempre em jogo, lendo muito bem os espaços, o que lhe permite, não só estar muito bem colocado defensivamente, como também aparecer bem ofensivamente. Esta concentração permanente é bem notória neste golo com Elias a ler de imediato o lance e a lançar Ronaldo nas costas de uma defesa que ficou surpreendida com a rapidez (talvez até excessiva!) do lance.

1º golo segunda mão, Jorge Henrique – Não há muito a dizer depois do que escrevi no primeiro lance. De novo o movimento interior de Jorge Henrique a ter um duplo efeito. Primeiro libertar o lateral e depois criar um efeito surpresa na área.

2º golo segunda mão, André Santos
– De novo o movimento do lateral esquerdo a fazer a diferença. Num momento de algum desnorte da defesa do Inter, o Corinthians tira partido para construir uma bela jogada, agora com um movimento um pouco diferente, ainda que com o mesmo efeito. Desta vez é Ronaldo quem serve de pivô e o movimento interior de Jorge Henrique surge para uma zona mais avançada, dado o recuo de Ronaldo. Nota para a excelência da acção de Ronaldo, jogando sempre simples e de primeira, e de André Santos, um lateral de grande qualidade ofensiva e que é outro motivo para que este movimento interior de Jorge Henrique seja eficaz...


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