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4.1.12
19.12.11
Benfica - Rio Ave: opinião e estatística
- Todos os jogos começam 0-0, mas, diz-se e eu concordo, nenhum parte totalmente desligado do que ficou para trás. Este, particularmente, terá começado em grande medida na mudança táctica que Jesus introduziu a meio da primeira parte do jogo na Madeira. Witsel passou a jogar na ala, Aimar ao meio e Rodrigo como avançado. O Benfica não impressionou, mas os efeitos foram suficientemente positivos para que Jesus mantivesse a ideia até este jogo, alterando alguns protagonistas, sim, mas repetindo a ideia base. Os cinco golos voltam a dar nova força a uma opção que, em boa verdade, recupera a especificidade da filosofia que marcou as duas épocas anteriores do Benfica, tanto no que de bom traz, como nos riscos que pode acarretar. Sobretudo, é interessante observar as diferenças...
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- A grande alteração, a meu ver, está na especificidade do 10. Com Aimar mais recuado, o Benfica ganha maior mobilidade na solução de saída pelo corredor central, mais facilmente explode e desequilibra por essa via, mas também se expõe muito mais ao erro e ao risco de transição. A oportunidade dos méritos ofensivos teve reflexo principal na primeira época de Jesus, a ameaça da perda em fase de construção, por outro lado, ficou bem patente no inicio da temporada passada. Não tem tudo a ver com Aimar, é claro, a própria mentalidade de Jesus o potencia, mas é quando puxa o argentino para zonas de construção que o radicalismo deste futebol de "vertigem e velocidade" (recuperando os termos de Villas Boas) mais se proporciona. Não é difícil percepcionar os méritos de Aimar, e a ameaça que representa quando o jogo se aproxima do último terço, e por isso é um jogador tão elogiado e acarinhado por todos. O seu futebol de toques curtos e repentinos é raro e pode ser devastador quando jogo chega "entrelinhas", mas esse perfil de progressão implica também alguns riscos quando é iniciado mais atrás. É que se o Benfica tem uma reacção muito forte à perda quando a bola chega ao último terço, nem o Benfica nem nenhuma equipa se prepara tacticamente para perder a bola em construção, e esse é o risco que passou a correr, quer na Madeira, quer agora frente ao Rio Ave, com o número de perdas de risco a aumentar em paralelo com o número de oportunidades que a equipa construiu.
- Mas não passa apenas pela alteração no meio campo, a explicação da boa capacidade de desequilíbrio da equipa neste jogo. Há dois nomes que importa referir: Saviola e Nolito. O argentino vem fazendo um campeonato muito bom em termos de capacidade de desequilíbrio (já o ano passado o fez, pelo menos na primeira metade), justificando, a meu ver, mais tempo do que aquele que vem tendo. Nolito, é um caso ainda mais radical. O seu futebol não tem perfume algum, como bem atestam os dois golos que marcou. O primeiro, quase que atropelando a defesa e guarda redes adversários até que a bola entrasse na baliza, numa jogada tão pouco ortodoxa que nem o próprio a deve ter imaginado. O segundo, após dominar menos bem, faz uma abordagem em queda que tanto podia servir de remate como de desarme, mas que acaba por surpreender tudo e todos mais uma vez por ser tudo menos esperada. Nolito não acrescenta grande qualidade às dinâmicas de saída em construção, pelo menos quando se compara com outras soluções, e estou convencido de que é por isso que Jesus não lhe tem dado mais minutos, mas o facto é que nenhum jogador é tão eficaz como o espanhol no que respeita à criação de golos e lances de perigo. E não há nada mais valioso do que um jogador que tem a capacidade de aproximar a equipa do golo. Quando observei os jogos de Nolito no Barcelona B deparei-me esta mesma dificuldade: O jogador criava muitos lances, mas num estilo que era difícil de acreditar poder manter-se com o tempo. Talvez Jesus tenha pensado o mesmo, mas a verdade é que Nolito tem prolongado essa capacidade no tempo e isso deveria justificar-lhe mais tempo de jogo do que aquele que teve até agora. Seja como for, quer Saviola quer Nolito têm concorrência de grande qualidade, e a decisão não é fácil para Jesus.
- É impossível não gostar deste futebol de risco, que potencia momentos de fulgor e êxtase nos adeptos e que é capaz de fazer repetir várias goleadas. Mesmo Witsel, penso ficar mais bem enquadrado na ala. Com esta resposta, Jesus dificilmente deixará de repetir a fórmula na segunda metade da época, mas também estou bastante seguro de que regressará à fórmula anterior, com Witsel no meio e Aimar mais à frente, assim se aproximem os jogos perante adversários de maior calibre.
- Uma palavra para o Rio Ave, que teve boas condições para causar uma surpresa na Luz. Estrategicamente abdicou de um jogo de construção e apostou tudo em fazer chegar o jogo de forma directa à frente da defesa do Benfica. A verdade é que o conseguiu, quer pela boa resposta nessa abordagem mais directa, quer pela qualidade de grande parte dos seus jogadores (Yazalde, provavelmente o mais inspirado). As aspirações da equipa de Carlos Brito, porém, ficaram repentinamente reduzidas a pó, com o final avassalador de primeira parte do Benfica. A grande parte da justificação, é claro, vai para o mérito do jogo do Benfica, mas há também que referir que os de Vila do Conde não tiveram grande felicidade nesse período, sendo a desvantagem de 2 golos provavelmente excessiva ao intervalo...
- Mas não passa apenas pela alteração no meio campo, a explicação da boa capacidade de desequilíbrio da equipa neste jogo. Há dois nomes que importa referir: Saviola e Nolito. O argentino vem fazendo um campeonato muito bom em termos de capacidade de desequilíbrio (já o ano passado o fez, pelo menos na primeira metade), justificando, a meu ver, mais tempo do que aquele que vem tendo. Nolito, é um caso ainda mais radical. O seu futebol não tem perfume algum, como bem atestam os dois golos que marcou. O primeiro, quase que atropelando a defesa e guarda redes adversários até que a bola entrasse na baliza, numa jogada tão pouco ortodoxa que nem o próprio a deve ter imaginado. O segundo, após dominar menos bem, faz uma abordagem em queda que tanto podia servir de remate como de desarme, mas que acaba por surpreender tudo e todos mais uma vez por ser tudo menos esperada. Nolito não acrescenta grande qualidade às dinâmicas de saída em construção, pelo menos quando se compara com outras soluções, e estou convencido de que é por isso que Jesus não lhe tem dado mais minutos, mas o facto é que nenhum jogador é tão eficaz como o espanhol no que respeita à criação de golos e lances de perigo. E não há nada mais valioso do que um jogador que tem a capacidade de aproximar a equipa do golo. Quando observei os jogos de Nolito no Barcelona B deparei-me esta mesma dificuldade: O jogador criava muitos lances, mas num estilo que era difícil de acreditar poder manter-se com o tempo. Talvez Jesus tenha pensado o mesmo, mas a verdade é que Nolito tem prolongado essa capacidade no tempo e isso deveria justificar-lhe mais tempo de jogo do que aquele que teve até agora. Seja como for, quer Saviola quer Nolito têm concorrência de grande qualidade, e a decisão não é fácil para Jesus.
- É impossível não gostar deste futebol de risco, que potencia momentos de fulgor e êxtase nos adeptos e que é capaz de fazer repetir várias goleadas. Mesmo Witsel, penso ficar mais bem enquadrado na ala. Com esta resposta, Jesus dificilmente deixará de repetir a fórmula na segunda metade da época, mas também estou bastante seguro de que regressará à fórmula anterior, com Witsel no meio e Aimar mais à frente, assim se aproximem os jogos perante adversários de maior calibre.
- Uma palavra para o Rio Ave, que teve boas condições para causar uma surpresa na Luz. Estrategicamente abdicou de um jogo de construção e apostou tudo em fazer chegar o jogo de forma directa à frente da defesa do Benfica. A verdade é que o conseguiu, quer pela boa resposta nessa abordagem mais directa, quer pela qualidade de grande parte dos seus jogadores (Yazalde, provavelmente o mais inspirado). As aspirações da equipa de Carlos Brito, porém, ficaram repentinamente reduzidas a pó, com o final avassalador de primeira parte do Benfica. A grande parte da justificação, é claro, vai para o mérito do jogo do Benfica, mas há também que referir que os de Vila do Conde não tiveram grande felicidade nesse período, sendo a desvantagem de 2 golos provavelmente excessiva ao intervalo...
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3.10.11
Benfica - Paços Ferreira: opinião
- Vou começar por comentar a natureza do jogo. Parece-me evidente o conforto com que o Benfica encarou o jogo, sem necessidade de grandes rasgos, mas com a percepção sempre presente de que uma exibição "normal" bastaria para uma vitória folgada. E assim foi. Há, nesta observação, uma grande dose de mérito do Benfica, que é uma equipa realmente forte, mas o que quero destacar é a diferença de potencial entre as equipas. Repete-se muitas vezes que o campeonato português é muito competitivo, mas eu tenho alguma dificuldade em concordar com a ideia. Não está em causa a capacidade de trabalho nas equipas mais pequenas, mas sim uma diferença de condições que, na minha leitura, se tem dilatado progressivamente com o tempo...
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- Relativamente ao jogo, creio que importa contextualizar a estratégia do Paços. Pareceu haver uma intencionalidade de criar problemas desde a zona de construção e, em particular, limitar as saídas do Benfica pelos corredores laterais. Isso foi de alguma forma conseguido. Houve poucas saídas iniciadas por qualquer dos laterais (especialmente Maxi, que é um protagonista normalmente mais activo) e criaram-se situações de grande densidade na zona média, o que dificultou a vida ao Benfica. O que tornou o jogo tremendamente fácil para o Benfica, porém, foi o que acontecia a seguir. Ou seja, se a equipa tinha algumas dificuldades em passar dessa tal zona de maior densidade, quando o fazia, aproximava-se com enorme probabilidade do golo. E isso - a proximidade com o golo - é o que mais liga as equipas ao sucesso. Nota, aqui, para dois factores. Primeiro, os movimentos de lateralização do jogo numa segunda fase ofensiva e, segundo, a óbvia dificuldade do Paços em controlar os espaços na linha mais recuada.
- Sem haver muitas notas a fazer, queria explorar dois temas, começando pela influência das bolas paradas. Foi um dos "abre latas" do Benfica no jogo, conseguindo 4 dos 10 desequilíbrios por essa via. A curiosidade no campeonato encarnado tem a ver com as diferenças de aproveitamento destas situações entre os jogos disputados em casa e fora. Em casa, o Benfica criou 11 desequilíbrios e marcou 4 golos, comparando com apenas 2 desequilíbrios e nenhum golo, nos jogos fora. É certo que jogou mais vezes em casa e que um dos jogos fora foi no Dragão, mas é, ainda assim, um dado curioso e que será interessante acompanhar.
- O outro tema, tem a ver com o papel dos extremos nos movimentos de construção. Há uma intenção de trazer os alas para o corredor central, como solução para o primeiro passe, num movimento também identificado em muitas outras equipas. Aqui, parece-me haver uma diferença grande entre as soluções, com Bruno César a revelar-se mais consistente do que Nolito e Gaitan. Nolito, claramente, não tem qualquer apetência para esses movimentos, sendo um avançado de formação, não tem grande facilidade de desempenho nessa zona, nem, tão pouco, se aventura na procura desses movimentos (creio que esse é o principal motivo pelo qual não é um titular indiscutível para Jesus). Gaitan, por outro lado, aventura-se muito mais por essas zonas, porque gosta de ter a bola seja onde for. O problema de Gaitan é o perfil de decisão, demasiado orientado para o risco e pouco ajustado àquilo que se exige nessas zonas. Joga o tudo ou nada numa zona em que tal ainda não se justifica. Bruno César, por outro lado, parece-me revelar-se bem mais consistente na interpretação destes movimentos específicos. Aliás, em jogo corrido é enorme a diferença de certeza em posse de Bruno César para os outros dois, sendo a do brasileiro na ordem dos 74% e a dos outros dois a rondar os 60%.
- Finalmente, uma referência ao Paços. É impossível exigir-se muito a uma equipa que visita a Luz no momento em que o Paços o fez. Um desafio emocional desta ordem requereria sempre outro enquadramento para poder aspirar de forma minimamente realista ao sucesso. De todo o modo, e como referi, creio que o Paços conseguiu um bom condicionamento do jogo numa primeira fase, sendo esse o grande dado positivo a reter. O problema, defensivamente, é que isso não foi suficiente para garantir o essencial: o controlo objectivo sobre o adversário e a respectiva proximidade com o golo. Depois, no lado ofensivo, o Paços não teve realmente qualquer capacidade de se manter ameaçador ao longo do jogo. A sua zona de bloqueio nunca desencadeou recuperações que originassem transições que pusessem em causa o equilíbrio do Benfica e, em organização, a equipa privilegiou saídas mais longas e menos arriscadas(o que é razoável dado o contexto, diga-se). O que mais se estranhará é que num jogo destas características, Michel não tenha feito parte da equação principal...
- Sem haver muitas notas a fazer, queria explorar dois temas, começando pela influência das bolas paradas. Foi um dos "abre latas" do Benfica no jogo, conseguindo 4 dos 10 desequilíbrios por essa via. A curiosidade no campeonato encarnado tem a ver com as diferenças de aproveitamento destas situações entre os jogos disputados em casa e fora. Em casa, o Benfica criou 11 desequilíbrios e marcou 4 golos, comparando com apenas 2 desequilíbrios e nenhum golo, nos jogos fora. É certo que jogou mais vezes em casa e que um dos jogos fora foi no Dragão, mas é, ainda assim, um dado curioso e que será interessante acompanhar.
- O outro tema, tem a ver com o papel dos extremos nos movimentos de construção. Há uma intenção de trazer os alas para o corredor central, como solução para o primeiro passe, num movimento também identificado em muitas outras equipas. Aqui, parece-me haver uma diferença grande entre as soluções, com Bruno César a revelar-se mais consistente do que Nolito e Gaitan. Nolito, claramente, não tem qualquer apetência para esses movimentos, sendo um avançado de formação, não tem grande facilidade de desempenho nessa zona, nem, tão pouco, se aventura na procura desses movimentos (creio que esse é o principal motivo pelo qual não é um titular indiscutível para Jesus). Gaitan, por outro lado, aventura-se muito mais por essas zonas, porque gosta de ter a bola seja onde for. O problema de Gaitan é o perfil de decisão, demasiado orientado para o risco e pouco ajustado àquilo que se exige nessas zonas. Joga o tudo ou nada numa zona em que tal ainda não se justifica. Bruno César, por outro lado, parece-me revelar-se bem mais consistente na interpretação destes movimentos específicos. Aliás, em jogo corrido é enorme a diferença de certeza em posse de Bruno César para os outros dois, sendo a do brasileiro na ordem dos 74% e a dos outros dois a rondar os 60%.
- Finalmente, uma referência ao Paços. É impossível exigir-se muito a uma equipa que visita a Luz no momento em que o Paços o fez. Um desafio emocional desta ordem requereria sempre outro enquadramento para poder aspirar de forma minimamente realista ao sucesso. De todo o modo, e como referi, creio que o Paços conseguiu um bom condicionamento do jogo numa primeira fase, sendo esse o grande dado positivo a reter. O problema, defensivamente, é que isso não foi suficiente para garantir o essencial: o controlo objectivo sobre o adversário e a respectiva proximidade com o golo. Depois, no lado ofensivo, o Paços não teve realmente qualquer capacidade de se manter ameaçador ao longo do jogo. A sua zona de bloqueio nunca desencadeou recuperações que originassem transições que pusessem em causa o equilíbrio do Benfica e, em organização, a equipa privilegiou saídas mais longas e menos arriscadas(o que é razoável dado o contexto, diga-se). O que mais se estranhará é que num jogo destas características, Michel não tenha feito parte da equação principal...
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26.9.11
Porto - Benfica: opinião
- Escrevi sobre o assunto aqui, e não é tema novo nestes clássicos. Parece-me, de facto, que o jogo teve um percurso mais equilibrado do que as reacções finais sugeriram, que não houve grandes mudanças do ponto de vista daquilo que as substituições acrescentaram ou retiram à tendência do jogo, e que, apesar do jogo não ter sido de facto sempre igual, são os golos, e os resultados parciais das duas metades do jogo, que mais induzem tais conclusões finais.
- O Porto foi realmente mais forte na primeira parte. Teve mais bola e mais domínio territorial, mas, para além do golo de bola parada, apenas por 1 vez conseguiu traduzir esse ascendente em proximidade real com o golo, pelo que a primeira ressalva a fazer em relação aos primeiros 45 minutos, é que, apesar do domínio territorial, nunca houve uma ameaça constante ao controlo defensivo do Benfica.
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- O Porto foi realmente mais forte na primeira parte. Teve mais bola e mais domínio territorial, mas, para além do golo de bola parada, apenas por 1 vez conseguiu traduzir esse ascendente em proximidade real com o golo, pelo que a primeira ressalva a fazer em relação aos primeiros 45 minutos, é que, apesar do domínio territorial, nunca houve uma ameaça constante ao controlo defensivo do Benfica.
- Porquê que o Porto foi melhor na primeira parte? A minha opinião centra-se fundamentalmente na diferença de resposta das equipas na primeira fase de construção. Primeiro, o Benfica nunca jogou, e essa será, talvez, a principal parte da resposta. Em construção, o Porto condicionou sempre bem o lado de saída da bola (normalmente a esquerda, com Garay), e a ligação do primeiro passe foi sempre muito difícil, retirando possibilidade de chegar sustentadamente ao último terço, com bola. O recurso às saídas directas para Cardozo, acabaram por ser as melhores soluções para este momento, nesta fase do jogo, mas mesmo essas não tiveram grande sucesso. Depois, e ainda no Benfica, parece-me importante a falta de capacidade da equipa na resposta em transição defesa-ataque. Pareceu-me haver uma exagerada tentativa de verticalizar, o que não permitiu à equipa ter o melhor critério, acabando por não sair da teia territorial montada pelo Porto. Há, aqui, um jogador que poderia ter sido melhor aproveitado, que é Witsel. Teve uma percentagem de sequência em posse que rondou os 90%, o que é extraordinário num jogo destes e para um jogador que actua em zonas interiores. A sua “imunidade” ao pressing poderia ter dado mais critério à posse do Benfica, ajudando a equipa a sair da tal teia territorial em que se viu metida. O belga tem também alguma culpa na sua menor presença, porque não é um jogador que trabalhe especialmente bem a criação de soluções de apoio.
- Relativamente ao Porto, e à sua construção, há também aspectos muito interessantes a explorar. A equipa preferiu sempre o corredor esquerdo para sair. Seria estratégico? É possível. O facto é que era pelo lado esquerdo que existia uma "nuance" a explorar, porque, mesmo com Witsel mais próximo de Javi, o Benfica tinha uma diferença numérica na zona central, uma vez que Aimar pressionava na mesma linha de Cardozo. Ou seja, com a presença de Aimar na primeira linha, Witsel e Javi ficavam com Moutinho, Guarin e Fernando na sua zona. O que sucedeu? Witsel foi o protagonista da aproximação à zona de Fernando, havendo a possibilidade de explorar o espaço que ficava nas suas costas. A verdade, é que apesar do Porto ter saído pelo lado esquerdo, de ter atraído esse movimento do médio belga, nunca conseguiu tirar partido dessa vantagem. Em particular, há que destacar o papel de Álvaro Pereira e a sua baixíssima percentagem de sucesso na ligação em construção (perdeu 22 das 49 tentativas, em organização ofensiva), destacando-se aqui, claro, a tentativa falhada de potenciar Hulk através de ligações mais directas. O camisola 12 revelou-se até bem inspirado, se pensarmos, por exemplo, que das poucas ligações bem feitas que lhe chegaram resultou a melhor ocasião de golo da equipa, posteriormente desperdiçada por Fucile. Nunca saberemos o que sucederia se Hulk tivesse sido solicitado de outra forma, mas sabemos que, assim, Emerson se tornou no elemento defensivamente mais dominador no jogo, ganhando 24 duelos em organização.
- E a segunda parte? Bom, é verdade que houve uma perda de qualidade do Porto, sobretudo, a meu ver, em organização defensiva, onde deixou de condicionar tão bem a saída de bola do Benfica, facilitando depois a sequência após o primeiro passe. Mas, aqui, há também que considerar o impacto emocional do inicio louco, com 2 golos num espaço de tempo muito curto. De todo o modo, tal como o Porto não fora especialmente ameaçador na primeira parte, apesar do domínio territorial, também na segunda o Benfica não o foi, desperdiçando apenas uma oportunidade de golo, num lance que resulta de uma saída rápida, após canto no lado oposto do campo. Conseguiu, sim, dividir o domínio territorial e a posse, mas não muito mais do que isso. Do lado do Porto, e para além da tal oscilação na resposta em organização defensiva, houve também uma perda de lucidez na saída de bola, contribuindo assim também para a maior capacidade do Benfica em dividir o jogo (apesar de não o ter referido, há um mérito óbvio da qualidade do jogo do Benfica).
- Sobre as substituições, de facto, não creio que tenham sido a chave do jogo (do ponto de vista do balanceamento, porque há o evidente impacto do momento de inspiração de Saviola). Do lado do Porto, talvez se justificasse uma saída de Varela mais cedo, mas vejo como normal a opção de Belluschi por Guarin, até porque não a entendo minimamente como uma substituição de risco, ou, como se sabe, que Belluschi ofereça pior resposta defensiva. Para refrescar o trio de meio campo, teria de ser seguramente por Guarin. Do mesmo modo, do lado do Benfica não entendo ter havido grande impacto nas trocas realizadas. Bruno César teve o mérito de oferecer mais soluções de saída ao primeiro passe de construção, coisa que Nolito não faz com qualidade, e se é possível dizer que isso acrescentou alguns problemas de controlo à linha média do Porto, não creio que tenha sido suficiente para ser considerado decisivo. Decisivos, foram, isso sim, os detalhes...
- Finalmente, sobre os pormenores nos lances decisivos. No primeiro golo, o desencontro de estatura entre Maxi e Kléber, numa tentativa que me parece intencional de potenciar esse desequilíbrio na zona defensiva. No segundo golo portista, a minha nota vai para o facto de Emerson não ter saído para deixar Varela em fora de jogo. É um comportamento previsto na zona defensiva encarnada e, parece-me, poderia ter sido fácil conseguir, uma vez que a linha defensiva tinha o controlo visual completo sobre o posicionamento de Varela. Algo que, com alguma probabilidade, Jesus não terá gostado de ver. Finalmente, nos golos do Benfica, por 2 vezes os laterais aparecem demasiado distantes do central mais próximo. Também o Porto costuma dar grande ênfase a este espaço, pelo que se torna menos tolerável o erro num contexto tão decisivo e, em ambos os casos, em situações de vantagem, onde qualquer risco não se justificava. Os jogos grandes são, pelo equilíbrio que normalmente implicam, muito dependentes destes detalhes, e esta não foi uma excepção.
- Relativamente ao Porto, e à sua construção, há também aspectos muito interessantes a explorar. A equipa preferiu sempre o corredor esquerdo para sair. Seria estratégico? É possível. O facto é que era pelo lado esquerdo que existia uma "nuance" a explorar, porque, mesmo com Witsel mais próximo de Javi, o Benfica tinha uma diferença numérica na zona central, uma vez que Aimar pressionava na mesma linha de Cardozo. Ou seja, com a presença de Aimar na primeira linha, Witsel e Javi ficavam com Moutinho, Guarin e Fernando na sua zona. O que sucedeu? Witsel foi o protagonista da aproximação à zona de Fernando, havendo a possibilidade de explorar o espaço que ficava nas suas costas. A verdade, é que apesar do Porto ter saído pelo lado esquerdo, de ter atraído esse movimento do médio belga, nunca conseguiu tirar partido dessa vantagem. Em particular, há que destacar o papel de Álvaro Pereira e a sua baixíssima percentagem de sucesso na ligação em construção (perdeu 22 das 49 tentativas, em organização ofensiva), destacando-se aqui, claro, a tentativa falhada de potenciar Hulk através de ligações mais directas. O camisola 12 revelou-se até bem inspirado, se pensarmos, por exemplo, que das poucas ligações bem feitas que lhe chegaram resultou a melhor ocasião de golo da equipa, posteriormente desperdiçada por Fucile. Nunca saberemos o que sucederia se Hulk tivesse sido solicitado de outra forma, mas sabemos que, assim, Emerson se tornou no elemento defensivamente mais dominador no jogo, ganhando 24 duelos em organização.
- E a segunda parte? Bom, é verdade que houve uma perda de qualidade do Porto, sobretudo, a meu ver, em organização defensiva, onde deixou de condicionar tão bem a saída de bola do Benfica, facilitando depois a sequência após o primeiro passe. Mas, aqui, há também que considerar o impacto emocional do inicio louco, com 2 golos num espaço de tempo muito curto. De todo o modo, tal como o Porto não fora especialmente ameaçador na primeira parte, apesar do domínio territorial, também na segunda o Benfica não o foi, desperdiçando apenas uma oportunidade de golo, num lance que resulta de uma saída rápida, após canto no lado oposto do campo. Conseguiu, sim, dividir o domínio territorial e a posse, mas não muito mais do que isso. Do lado do Porto, e para além da tal oscilação na resposta em organização defensiva, houve também uma perda de lucidez na saída de bola, contribuindo assim também para a maior capacidade do Benfica em dividir o jogo (apesar de não o ter referido, há um mérito óbvio da qualidade do jogo do Benfica).
- Sobre as substituições, de facto, não creio que tenham sido a chave do jogo (do ponto de vista do balanceamento, porque há o evidente impacto do momento de inspiração de Saviola). Do lado do Porto, talvez se justificasse uma saída de Varela mais cedo, mas vejo como normal a opção de Belluschi por Guarin, até porque não a entendo minimamente como uma substituição de risco, ou, como se sabe, que Belluschi ofereça pior resposta defensiva. Para refrescar o trio de meio campo, teria de ser seguramente por Guarin. Do mesmo modo, do lado do Benfica não entendo ter havido grande impacto nas trocas realizadas. Bruno César teve o mérito de oferecer mais soluções de saída ao primeiro passe de construção, coisa que Nolito não faz com qualidade, e se é possível dizer que isso acrescentou alguns problemas de controlo à linha média do Porto, não creio que tenha sido suficiente para ser considerado decisivo. Decisivos, foram, isso sim, os detalhes...
- Finalmente, sobre os pormenores nos lances decisivos. No primeiro golo, o desencontro de estatura entre Maxi e Kléber, numa tentativa que me parece intencional de potenciar esse desequilíbrio na zona defensiva. No segundo golo portista, a minha nota vai para o facto de Emerson não ter saído para deixar Varela em fora de jogo. É um comportamento previsto na zona defensiva encarnada e, parece-me, poderia ter sido fácil conseguir, uma vez que a linha defensiva tinha o controlo visual completo sobre o posicionamento de Varela. Algo que, com alguma probabilidade, Jesus não terá gostado de ver. Finalmente, nos golos do Benfica, por 2 vezes os laterais aparecem demasiado distantes do central mais próximo. Também o Porto costuma dar grande ênfase a este espaço, pelo que se torna menos tolerável o erro num contexto tão decisivo e, em ambos os casos, em situações de vantagem, onde qualquer risco não se justificava. Os jogos grandes são, pelo equilíbrio que normalmente implicam, muito dependentes destes detalhes, e esta não foi uma excepção.
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15.8.11
Gil Vicente - Benfica: opinião
- O caminho que o jogo tomou até ao empate final talvez não tenha sido o mais provável, mas, combinadas todas as incidências, o resultado não pode ser considerado uma surpresa. Porque o Benfica começou por tirar partido da eficácia, numa primeira parte onde não conseguiu, em boa verdade, uma superioridade condizente com as expectativas. E porque, depois, acabou por ser traído, precisamente, por um golpe de eficácia, numa segunda parte onde, finalmente, havia sido capaz de garantir, pelo menos, um forte domínio territorial.
- Na revisão que havia feito da pré temporada, destaquei o aspecto emocional e dificuldade que a equipa vem sentindo em ser consistente, mantendo-se à margem de sobressaltos inesperados. Ora, logo na primeira jornada, se constata a perda de 2 pontos quando já poucos esperariam. Talvez seja o lado ofensivo que mais mereça correcção no jogo, mas, se o Benfica sofreu 2 golos, eles surgiram de erros individuais evitáveis (Ruben no primeiro e, menos grave, Javi no segundo). Mais do que jogadores ou investimentos, seria fundamental que o Benfica corrigisse o problema da concentração competitiva e da consistência emocional, porque, sem isso, dificilmente atingirá os objectivos a que se propõe.
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- Na revisão que havia feito da pré temporada, destaquei o aspecto emocional e dificuldade que a equipa vem sentindo em ser consistente, mantendo-se à margem de sobressaltos inesperados. Ora, logo na primeira jornada, se constata a perda de 2 pontos quando já poucos esperariam. Talvez seja o lado ofensivo que mais mereça correcção no jogo, mas, se o Benfica sofreu 2 golos, eles surgiram de erros individuais evitáveis (Ruben no primeiro e, menos grave, Javi no segundo). Mais do que jogadores ou investimentos, seria fundamental que o Benfica corrigisse o problema da concentração competitiva e da consistência emocional, porque, sem isso, dificilmente atingirá os objectivos a que se propõe.
- No que respeita à história do jogo, houve, de facto, duas partes de tendências distintas. Na primeira, o jogo foi mais repartido, com o Benfica a ter muitas dificuldades em instalar-se no último terço. Para uma equipa como o Benfica, é fundamental conseguir que o adversário "encoste", porque a equipa pode, depois, exercer um domínio continuado, através da boa reacção à perda, que tem. Quantos golos vimos durante a "era Jesus" a partir de recuperações imediatas, no último terço? Como não conseguiu levar a melhor na luta das primeiras bolas, nem conseguiu uma boa resposta em construção, o Benfica teve de dividir o jogo, na primeira parte. A vantagem ao intervalo, ainda que por 1 golo, era já um excelente resultado face ao que se tinha passado até aí.
- Na segunda parte, foi diferente. Houve a troca de Aimar por Witsel, e a alteração de sistema, mas não creio que tenha sido esse o principal motivo da mudança. Parece-me que o Gil passou a ter mais problemas posicionais, baixando demasiado, ou tornando-se pouco compacto quando tentava subir a sua primeira linha de pressão. Resultado? O Benfica chegou com facilidade ao último terço, passou a dominar o jogo pela resposta em transição ataque-defesa, e o Gil deixou de chegar à frente, durante longos períodos, mesmo do meio campo. Ainda que essa superioridade fosse pouco efectiva em termos ofensivos, deve ser reforçado que, na fase em que aconteceu, o golo do Gil foi um acidente.
- Entrando nos aspectos tácticos, há apenas que realçar os problemas ofensivos, já que o Gil não conseguiu potenciar, de forma continuada, eventuais lacunas na resposta defensiva do Benfica. As suas 3 ocasiões resultam, 2 de erros individuais, e 1 de pontapé longo do guarda redes. No que respeita ao capítulo ofensivo, de facto, a produção do Benfica foi demasiado escassa para o que a equipa se deve exigir. Não em termos de posse e domínio territorial, mas em termos de proximidade real com o golo. Em particular, espanta a incapacidade da equipa no último quarto de hora, já depois do empate. Com pleno domínio, e perante um adversário claramente mais frágil, o Benfica não criou 1 única ocasião para regressar à vantagem. Aqui, nota para o facto de Jesus não ter alterado nada a partir do banco, quando lhe faltava 1 substituição. Irónico, se considerarmos o enfoque dado ao "maior número de soluções", no discurso do treinador.
- No que respeita à construção, voltou a notar-se, em especial na primeira parte, uma tendência para baixar Javi e organizar a partir dos centrais. De novo, e tal como venho salientando, a saída pelos corredores, através dos laterais foi a solução dominante, e previsível. Aqui, o principal ponto a notar vai para as características do flanco esquerdo. Emerson é um jogador claramente defensivo (e tem dado boa resposta, aí), havendo, por outro lado, um aproveitamento muito inferior das potencialidades de Nolito quando solicitado a partir do seu flanco, e não em diagonal (quer no espaço, quer no pé). Ora, isto facilita, por exemplo, a estratégia de qualquer equipa, sabendo que se condicionar a saída de jogo pela esquerda, poderá reduzir drasticamente o potencial ofensivo do Benfica. Cabe a Jesus trabalhar as alternativas de saída, através dos movimentos interiores dos alas e dos avançados, e não fazer depender tanto a saída, dos laterais.
- Individualmente, nota positiva para Saviola. Vinha alertando para a sua quebra de rendimento, mas em Barcelos voltou a estar influente ofensivamente, sendo mesmo o protagonista que mais problemas trouxe ao adversário, com a sua movimentação no espaço "entrelinhas". Relativamente ao ponto anterior, Saviola, pela sua qualidade de movimentos, pode ser uma parte importante da solução. Basta que todos queiram. De resto, destacaria aqueles que foram os "vilões" do jogo, Ruben e Javi. Estiveram negativamente ligados aos golos sofridos, mas tiveram um desempenho de muito bom nível, em praticamente todo o jogo.
- Na segunda parte, foi diferente. Houve a troca de Aimar por Witsel, e a alteração de sistema, mas não creio que tenha sido esse o principal motivo da mudança. Parece-me que o Gil passou a ter mais problemas posicionais, baixando demasiado, ou tornando-se pouco compacto quando tentava subir a sua primeira linha de pressão. Resultado? O Benfica chegou com facilidade ao último terço, passou a dominar o jogo pela resposta em transição ataque-defesa, e o Gil deixou de chegar à frente, durante longos períodos, mesmo do meio campo. Ainda que essa superioridade fosse pouco efectiva em termos ofensivos, deve ser reforçado que, na fase em que aconteceu, o golo do Gil foi um acidente.
- Entrando nos aspectos tácticos, há apenas que realçar os problemas ofensivos, já que o Gil não conseguiu potenciar, de forma continuada, eventuais lacunas na resposta defensiva do Benfica. As suas 3 ocasiões resultam, 2 de erros individuais, e 1 de pontapé longo do guarda redes. No que respeita ao capítulo ofensivo, de facto, a produção do Benfica foi demasiado escassa para o que a equipa se deve exigir. Não em termos de posse e domínio territorial, mas em termos de proximidade real com o golo. Em particular, espanta a incapacidade da equipa no último quarto de hora, já depois do empate. Com pleno domínio, e perante um adversário claramente mais frágil, o Benfica não criou 1 única ocasião para regressar à vantagem. Aqui, nota para o facto de Jesus não ter alterado nada a partir do banco, quando lhe faltava 1 substituição. Irónico, se considerarmos o enfoque dado ao "maior número de soluções", no discurso do treinador.
- No que respeita à construção, voltou a notar-se, em especial na primeira parte, uma tendência para baixar Javi e organizar a partir dos centrais. De novo, e tal como venho salientando, a saída pelos corredores, através dos laterais foi a solução dominante, e previsível. Aqui, o principal ponto a notar vai para as características do flanco esquerdo. Emerson é um jogador claramente defensivo (e tem dado boa resposta, aí), havendo, por outro lado, um aproveitamento muito inferior das potencialidades de Nolito quando solicitado a partir do seu flanco, e não em diagonal (quer no espaço, quer no pé). Ora, isto facilita, por exemplo, a estratégia de qualquer equipa, sabendo que se condicionar a saída de jogo pela esquerda, poderá reduzir drasticamente o potencial ofensivo do Benfica. Cabe a Jesus trabalhar as alternativas de saída, através dos movimentos interiores dos alas e dos avançados, e não fazer depender tanto a saída, dos laterais.
- Individualmente, nota positiva para Saviola. Vinha alertando para a sua quebra de rendimento, mas em Barcelos voltou a estar influente ofensivamente, sendo mesmo o protagonista que mais problemas trouxe ao adversário, com a sua movimentação no espaço "entrelinhas". Relativamente ao ponto anterior, Saviola, pela sua qualidade de movimentos, pode ser uma parte importante da solução. Basta que todos queiram. De resto, destacaria aqueles que foram os "vilões" do jogo, Ruben e Javi. Estiveram negativamente ligados aos golos sofridos, mas tiveram um desempenho de muito bom nível, em praticamente todo o jogo.
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4.8.11
Notas do Trabzonspor - Benfica
1- Começo pela parte final do jogo. O Benfica tinha tudo para vencer, e realmente devia ter vencido. É grave? Talvez não. Talvez... Não é fácil de ser-se muito objectivo sobre a relevância deste pormenor, mas, há alguns indicadores que o sugerem, e eu acredito na tese de que a exigência colectiva, em termos de intensidade de jogo, pode ser crucial na criação de uma dinâmica vencedora. Nomeadamente, pela potenciação de níveis de confiança intra e inter relacionais (ou seja, confiança do jogador no seu próprio desempenho, e na sua relação com o modelo e restantes jogadores), um aspecto que várias vezes mencionei no passado. Por exemplo? O Porto 2010/11, que começou de forma pouco entusiasmante, mas que manteve sempre níveis de concentração elevados nos primeiros jogos, repetindo protagonistas base e exigindo sempre muito deles, mesmo em jogos sem grande relevância competitiva. Quando se deu por isso, estava montada uma máquina vencedora, que fez da concentração competitiva, precisamente, uma chave do seu extraordinário sucesso. E, aqui, mais do que ganhar, refiro-me a exigir concentração e intensidade competitiva. O Benfica podia não ter ganho o jogo, mas creio que é um erro de abordagem permitir-se que a equipa, ou alguns jogadores, voltem a cara ao jogo, simplesmente porque podem.
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2- Aproveito a introdução para uma primeira referência individual: Gaitan. Se há jogador que merece reparo, no que respeita ao que escrevi anteriormente, é Gaitan. Falhou no golo sofrido, num mau ajustamento posicional nas costas de Maxi, mas essa não é critica que mais lhe cabe. Aliás, revelou, até, boa capacidade de trabalho defensivo ao longo do jogo. Normalmente, tem-na. O problema, como facilmente se percebe, é a atitude. Gaitan tem talento e tem, até, capacidade de trabalho defensivo que pode fazer um jogador de grande intensidade e utilidade em todos os momentos do jogo. Diz-se que pode ser um grande jogador (ainda mais), e pode. Mas não o será, nunca, pelo mero aprimorar da arte dos seus números. Isso dar-lhe-á mais prémios "jogador youtube da semana", mas nunca potenciará a capacidade para jogar em patamares de exigência mais elevados. Se o objectivo é potenciar Gaitan, há que trabalhar a sua intensidade, a sua concentração e o seu critério. Porque, a menos que me tenha escapado alguma coisa sobre este assunto, o futebol ainda não contempla notas artísticas no apuramento do resultado final.
3- Voltando ao inicio do jogo, devo dizer que, apesar do conforto sempre presente no jogo e na eliminatória, estou longe de ter achado ideal a exibição protagonizada. Começando pelo relevante detalhe da organização defensiva, o Benfica apresentou-se, sem supresa, em 4-4-2, com Aimar e Saviola a pressionar numa primeira linha, e um bloco mais baixo do que é habitual. O que se viu, porém, revelou uma organização ainda débil e vulnerável a uma circulação mais capaz que, para fortuna do Benfica, nunca existiu no Trabzonspor. Pela modéstia da posse e circulação adversária se justifica o controlo do jogo por parte do Benfica. Porque, ver jogadores a fazer movimentos de pressão activa enquanto olham, sucessivamente, para trás e gesticulam, não é um bom indício de qualidade organizativa e, sobretudo, de uma assimilação ideal de tudo o que, colectivamente, devem fazer. Há, de facto, trabalho a fazer em termos de organização colectiva, e parece-me claro que Jesus o sabe bem (também ele gesticulou muito sobre este aspecto).
4- Sobre a utilização de uma estrutura mais protegida na zona central, devo dizer que acho prudente que assim aconteça. Aliás, entendo que o Benfica não deveria fazê-lo de forma alternativa, e apenas em jogos de maior grau de dificuldade, mas que pudesse trabalhar uma estrutura em que se apresentasse em todos os jogos, variando apenas na vertente estratégica. O que se passa, é que o 4-1-3-2 actual expõe demasiado o pivot, havendo frequentemente uma grande distância para os outros elementos da linha média. Este não foi o principal (e decisivo, na minha opinião) problema do Benfica da época anterior, esse foi a segurança em posse, mas entende-se a preocupação de Jesus. O ponto que quero vincar é que a equipa ganharia em termos de consistência de processos se encontrasse uma estrutura que fosse omnipresente (mesmo que fosse o 4-1-3-2, mas com outras dinâmicas).
5- Partindo para o capítulo individual, começo por trás. Emerson e Garay foram as novidades, e ambos estiveram bem, ainda que apenas razoavelmente. Abaixo de Maxi e Luisão, por exemplo. Emerson (que já conhecia do Lille) revela-se um jogador mais forte defensivamente. Esteve bem na transição ataque-defesa e apresentou boa capacidade nos duelos e no posicionamento interior. O problema poderá ser a qualidade que dará em termos de dinâmica ofensiva. Era a ideia que tinha sobre ele no Lille, e, se se confirmar essa percepção, haverá uma grande diferença de perfil em relação a Coentrão. Quanto a Garay, compara-lo com Luisão é injusto, porque o central brasileiro foi, outra vez, fantástico defensivamente. Para mim é, de longe, o melhor central do futebol português, e, sem querer entrar em hierarquizações discutíveis, diria apenas que o imagino a jogar sem problemas em qualquer clube do mundo.
6- No meio campo, Javi e Witsel estiveram muito bem, à parte dos tais problemas de rotinas colectivas. Javi, esteve concentrado e com boa presença defensiva, não tendo sido testado no seu ponto mais débil, a segurança em posse. Witsel foi a novidade e, sem surpresa face ao que tinha antevisto, revelou-se um jogador de utilidade plena, como muito poucos jogadores conseguem ser. Não teve um papel absolutamente simétrico a Javi, revelando-se até importante face à ausência de Cardozo, já que foi várias vezes referência para as saídas longas de Artur. Foi utilizado em posições mais avançadas, tal como acontece frequentemente na Selecção, mas, pessoalmente, entendo que pode ser mais útil em zonas mais atrasadas. Isto, porque apesar da sua capacidade de envolvimento ofensivo, tem um perfil de decisão muito mais próprio da fase de construção. Veremos como continua a evoluir, mas, o que tinha projectado sobre ele parece, para já, confirmar-se na plenitude.
7- Nas alas, e já tendo abordado Gaitan, falta falar sobre Nolito. Merecerá, a meu ver, o estatuto de melhor em campo porque, mesmo não se tendo revelado tão consistente como Aimar ou Witsel, foi, claramente, o jogador mais decisivo neste jogo em concreto. Marcou o golo, viu outro ser-lhe negado e isolou Gaitan, noutra ocasião soberana. Nolito é um pouco o inverso do argentino que jogou no outro flanco do terreno. Não tem a sua habilidade, mas quando parte para uma jogada, parte com tudo, capaz de passar por cima dos adversários, se tal for preciso. Não precisa do "souplesse" de Gaitan (porque também não o conseguiria). É essa intensidade e essa agressividade ofensiva que mais o distinguem, porque, e apesar de confirmar o bom critério de decisão no último terço, não tem uma grande variedade de recursos ou movimentos. Diagonais interiores e condução agressiva com o pé direito, são as suas armas. Enquanto for decisivo, deverá manter a titularidade, mas não penso que se possa manter muito tempo nas principais preferências sem essa tal influência decisiva. Enzo Perez, por exemplo, é um jogador bem mais completo.
8- Finalmente, Aimar e Saviola. Costumam ser referidos em conjunto, e essa ligação justifica-se por motivos óbvios. Há, porém, grandes diferenças no que ambos fazem no presente. Particularmente, em termos de intensidade, bem que podiam ser de extremos opostos do planeta. Enquanto Aimar empresta uma disponibilidade e agressividade plenas em todos os momentos do jogo, Saviola parece à margem do que se está a passar em seu redor. Recepções perdidas, maus desempenhos técnicos e, sobretudo, uma passividade tremenda a nível defensivo. Jogou ao lado de Aimar, pressionou nas mesmas zonas, mas o que produziu não tem absolutamente nada a ver. Vale-lhe a sua fantástica capacidade de movimentação, tendo um invulgar instinto para aproveitar os espaços livres no último terço. Vale-lhe, mas, se continuar neste nível de intensidade, poder-lhe-á não ser suficiente para durar muito mais tempo no onze. Digo eu. Quanto a Aimar, é um grande jogador e isso não passará com a idade, mas apenas quando perder rendimento, o que ainda não aconteceu. Pessoalmente, parece-me que se justificaria uma adaptação mais especifica a zonas mais ofensivas. Porque Aimar, e ao contrário do que escrevi sobre Witsel, é um jogador de fase criativa e não tanto de construção, e porque a sua reactividade pode dotar a primeira linha de pressão de um rendimento que Cardozo e Saviola não garantem. Por outro lado, se maior especificidade implicasse maior doseamento de esforço, talvez pudesse durar mais do que os actuais 60 minutos que Jesus lhe dá. É que restringir uma mais valia a 2/3 do jogo é uma perda significativa...
3- Voltando ao inicio do jogo, devo dizer que, apesar do conforto sempre presente no jogo e na eliminatória, estou longe de ter achado ideal a exibição protagonizada. Começando pelo relevante detalhe da organização defensiva, o Benfica apresentou-se, sem supresa, em 4-4-2, com Aimar e Saviola a pressionar numa primeira linha, e um bloco mais baixo do que é habitual. O que se viu, porém, revelou uma organização ainda débil e vulnerável a uma circulação mais capaz que, para fortuna do Benfica, nunca existiu no Trabzonspor. Pela modéstia da posse e circulação adversária se justifica o controlo do jogo por parte do Benfica. Porque, ver jogadores a fazer movimentos de pressão activa enquanto olham, sucessivamente, para trás e gesticulam, não é um bom indício de qualidade organizativa e, sobretudo, de uma assimilação ideal de tudo o que, colectivamente, devem fazer. Há, de facto, trabalho a fazer em termos de organização colectiva, e parece-me claro que Jesus o sabe bem (também ele gesticulou muito sobre este aspecto).
4- Sobre a utilização de uma estrutura mais protegida na zona central, devo dizer que acho prudente que assim aconteça. Aliás, entendo que o Benfica não deveria fazê-lo de forma alternativa, e apenas em jogos de maior grau de dificuldade, mas que pudesse trabalhar uma estrutura em que se apresentasse em todos os jogos, variando apenas na vertente estratégica. O que se passa, é que o 4-1-3-2 actual expõe demasiado o pivot, havendo frequentemente uma grande distância para os outros elementos da linha média. Este não foi o principal (e decisivo, na minha opinião) problema do Benfica da época anterior, esse foi a segurança em posse, mas entende-se a preocupação de Jesus. O ponto que quero vincar é que a equipa ganharia em termos de consistência de processos se encontrasse uma estrutura que fosse omnipresente (mesmo que fosse o 4-1-3-2, mas com outras dinâmicas).
5- Partindo para o capítulo individual, começo por trás. Emerson e Garay foram as novidades, e ambos estiveram bem, ainda que apenas razoavelmente. Abaixo de Maxi e Luisão, por exemplo. Emerson (que já conhecia do Lille) revela-se um jogador mais forte defensivamente. Esteve bem na transição ataque-defesa e apresentou boa capacidade nos duelos e no posicionamento interior. O problema poderá ser a qualidade que dará em termos de dinâmica ofensiva. Era a ideia que tinha sobre ele no Lille, e, se se confirmar essa percepção, haverá uma grande diferença de perfil em relação a Coentrão. Quanto a Garay, compara-lo com Luisão é injusto, porque o central brasileiro foi, outra vez, fantástico defensivamente. Para mim é, de longe, o melhor central do futebol português, e, sem querer entrar em hierarquizações discutíveis, diria apenas que o imagino a jogar sem problemas em qualquer clube do mundo.
6- No meio campo, Javi e Witsel estiveram muito bem, à parte dos tais problemas de rotinas colectivas. Javi, esteve concentrado e com boa presença defensiva, não tendo sido testado no seu ponto mais débil, a segurança em posse. Witsel foi a novidade e, sem surpresa face ao que tinha antevisto, revelou-se um jogador de utilidade plena, como muito poucos jogadores conseguem ser. Não teve um papel absolutamente simétrico a Javi, revelando-se até importante face à ausência de Cardozo, já que foi várias vezes referência para as saídas longas de Artur. Foi utilizado em posições mais avançadas, tal como acontece frequentemente na Selecção, mas, pessoalmente, entendo que pode ser mais útil em zonas mais atrasadas. Isto, porque apesar da sua capacidade de envolvimento ofensivo, tem um perfil de decisão muito mais próprio da fase de construção. Veremos como continua a evoluir, mas, o que tinha projectado sobre ele parece, para já, confirmar-se na plenitude.
7- Nas alas, e já tendo abordado Gaitan, falta falar sobre Nolito. Merecerá, a meu ver, o estatuto de melhor em campo porque, mesmo não se tendo revelado tão consistente como Aimar ou Witsel, foi, claramente, o jogador mais decisivo neste jogo em concreto. Marcou o golo, viu outro ser-lhe negado e isolou Gaitan, noutra ocasião soberana. Nolito é um pouco o inverso do argentino que jogou no outro flanco do terreno. Não tem a sua habilidade, mas quando parte para uma jogada, parte com tudo, capaz de passar por cima dos adversários, se tal for preciso. Não precisa do "souplesse" de Gaitan (porque também não o conseguiria). É essa intensidade e essa agressividade ofensiva que mais o distinguem, porque, e apesar de confirmar o bom critério de decisão no último terço, não tem uma grande variedade de recursos ou movimentos. Diagonais interiores e condução agressiva com o pé direito, são as suas armas. Enquanto for decisivo, deverá manter a titularidade, mas não penso que se possa manter muito tempo nas principais preferências sem essa tal influência decisiva. Enzo Perez, por exemplo, é um jogador bem mais completo.
8- Finalmente, Aimar e Saviola. Costumam ser referidos em conjunto, e essa ligação justifica-se por motivos óbvios. Há, porém, grandes diferenças no que ambos fazem no presente. Particularmente, em termos de intensidade, bem que podiam ser de extremos opostos do planeta. Enquanto Aimar empresta uma disponibilidade e agressividade plenas em todos os momentos do jogo, Saviola parece à margem do que se está a passar em seu redor. Recepções perdidas, maus desempenhos técnicos e, sobretudo, uma passividade tremenda a nível defensivo. Jogou ao lado de Aimar, pressionou nas mesmas zonas, mas o que produziu não tem absolutamente nada a ver. Vale-lhe a sua fantástica capacidade de movimentação, tendo um invulgar instinto para aproveitar os espaços livres no último terço. Vale-lhe, mas, se continuar neste nível de intensidade, poder-lhe-á não ser suficiente para durar muito mais tempo no onze. Digo eu. Quanto a Aimar, é um grande jogador e isso não passará com a idade, mas apenas quando perder rendimento, o que ainda não aconteceu. Pessoalmente, parece-me que se justificaria uma adaptação mais especifica a zonas mais ofensivas. Porque Aimar, e ao contrário do que escrevi sobre Witsel, é um jogador de fase criativa e não tanto de construção, e porque a sua reactividade pode dotar a primeira linha de pressão de um rendimento que Cardozo e Saviola não garantem. Por outro lado, se maior especificidade implicasse maior doseamento de esforço, talvez pudesse durar mais do que os actuais 60 minutos que Jesus lhe dá. É que restringir uma mais valia a 2/3 do jogo é uma perda significativa...
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25.4.11
Final da Taça da Liga: Estatística e análise
- Os primeiros minutos indiciavam um jogo muito mais desnivelado do que aquilo que acabou por acontecer. A tentativa de pressing alto - recorrente na sua proposta de jogo - do Paços foi completamente ultrapassada pela circulação do Benfica, que em ataque posicional conseguia facilmente encontrar espaços para chegar até às proximidades da área de Cássio. O outro problema do Paços - e talvez o maior - teve a ver com o momento de transição. Ou seja, o Benfica conseguia fazer da sua reacção à perda uma parede que impedia o Paços de se desdobrar ofensivamente. É verdade que o conseguiu episodicamente, mas essas foram as excepções daquela que foi a regra dos momentos iniciais.
- O jogo conheceu uma viragem progressiva no seu equilíbrio de forças. Se na primeira parte, o Paços se foi soltando progressivamente da "teia" em que se viu apanhado no inicio, na segunda passou a ser a equipa com maior capacidade dominadora. Um "fenómeno" que, do ponto de vista do Benfica, não tem motivo justificável. Ou seja, pode-se admitir que a equipa tivesse ciclos de maior ou menor capacidade dominadora no jogo, mas também se exigia mais qualidade continuada ao longo do tempo. De repente, a sua posse passou a ser altamente condicionada pelo pressing do Paços (nunca mais usando o lado direito, tão activo na primeira meia hora), o seu momento de transição ataque-defesa deixou de ser autoritário, permitindo alguns desdobramentos ofensivos ameaçadores, e, talvez o ponto mais criticável, o desempenho em ataque rápido foi sempre muito fraco, mesmo em alturas em que havia todas as condições para tirar partido dos espaços. No jogo, voltou a percepcionar-se uma vulnerabilidade emocional às adversidades, especialmente na forma como a equipa vacilou após o golo do Paços.
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- O jogo conheceu uma viragem progressiva no seu equilíbrio de forças. Se na primeira parte, o Paços se foi soltando progressivamente da "teia" em que se viu apanhado no inicio, na segunda passou a ser a equipa com maior capacidade dominadora. Um "fenómeno" que, do ponto de vista do Benfica, não tem motivo justificável. Ou seja, pode-se admitir que a equipa tivesse ciclos de maior ou menor capacidade dominadora no jogo, mas também se exigia mais qualidade continuada ao longo do tempo. De repente, a sua posse passou a ser altamente condicionada pelo pressing do Paços (nunca mais usando o lado direito, tão activo na primeira meia hora), o seu momento de transição ataque-defesa deixou de ser autoritário, permitindo alguns desdobramentos ofensivos ameaçadores, e, talvez o ponto mais criticável, o desempenho em ataque rápido foi sempre muito fraco, mesmo em alturas em que havia todas as condições para tirar partido dos espaços. No jogo, voltou a percepcionar-se uma vulnerabilidade emocional às adversidades, especialmente na forma como a equipa vacilou após o golo do Paços.
- Para a inversão desta tendência de supremacia pacense, foram muito importantes as mexidas do banco, em particular a entrada de Airton. A partir dessa alteração, o Paços como que "congelou" a sua reacção. Encontro dois motivos para esta situação. Primeiro, e mais importante, o retomar do controlo total sobre o momento de transição ataque-defesa, com a presença de Airton a complementar a acção de Javi na reacção à perda. Depois, o tipo de circulação, que voltou a ser mais lateralizada numa primeira fase (tal como nos minutos iniciais), envolvendo o "pressing" do Paços antes de tentar entrar no seu bloco. Do outro lado, Rui Vitória também não foi feliz. Tentou colocar Nelson Oliveira como elemento de ligação meio campo-ataque, e libertar Rondon para acções mais exclusivamente de finalização, mas retirou unidades que estavam a ter um bom desempenho e acabou por (mais uma vez) revelar uma equipa menos forte quando sai do seu figurino base. Assim, e depois de uma boa reacção, o Paços limitou-se a esbarrar no "duplo-pivot" que Jesus introduzira, e as suas hipóteses de discutir o troféu goraram-se.
- Como balanço, o Benfica conseguiu o mais importante no momento, mas voltou a deixar indicadores perigosos para uma eliminatória decisiva e em que será importante ter, não só qualidade, mas também estabilidade emocional. A equipa conseguiu o mais difícil no jogo, ganhando uma vantagem segura e encontrando formas de se superiorizar a um adversário que lhe era francamente inferior, mas, mesmo assim, voltou a perder o controlo da situação. Não houve um grande número de erros em posse (problema recorrente), mas houve outro tipo de lapsos que condicionaram a equipa. Como nota positiva, e de novo, as bolas paradas. Continua a ser impressionante o aproveitamento desta equipa neste tipo de situações, sendo que, desta vez, quatro dos seis desequilíbrios surgiram por essa via.
- Individualmente, algumas notas. Luisão terá feito o seu pior jogo defensivo da época, compensando em termos ofensivos. Martins revelou-se uma boa alternativa para a ala, sendo um dos principais dinamizadores do melhor período da equipa (Estará apto?). Jara repetiu o grande problema já detectado frente ao Porto. Ou seja, a sua participação nos momentos de transição é constantemente ineficiente, tendo um aproveitamento baixíssimo nesse momento do jogo, e retirando potencial à equipa no aproveitamento dessas situações. Saviola e Cardozo, por outro lado, revelam-se em fases preocupantes. O paraguaio parece desmotivado, não revelando uma intensidade aceitável, como facilmente se constatou. O argentino, embora tenha procurado movimentar-se, teve um desempenho técnico medíocre e muito aquém do que dele se pode esperar. Durante muito tempo, as criticas a Saviola pela sua "seca" de golos eram injustas, pelo que criava e desequilibrava. Neste momento, porém, há poucos argumentos que valham ao 30.
- Sobre o Paços, guardo mais notas para uma análise que farei amanhã...
- Como balanço, o Benfica conseguiu o mais importante no momento, mas voltou a deixar indicadores perigosos para uma eliminatória decisiva e em que será importante ter, não só qualidade, mas também estabilidade emocional. A equipa conseguiu o mais difícil no jogo, ganhando uma vantagem segura e encontrando formas de se superiorizar a um adversário que lhe era francamente inferior, mas, mesmo assim, voltou a perder o controlo da situação. Não houve um grande número de erros em posse (problema recorrente), mas houve outro tipo de lapsos que condicionaram a equipa. Como nota positiva, e de novo, as bolas paradas. Continua a ser impressionante o aproveitamento desta equipa neste tipo de situações, sendo que, desta vez, quatro dos seis desequilíbrios surgiram por essa via.
- Individualmente, algumas notas. Luisão terá feito o seu pior jogo defensivo da época, compensando em termos ofensivos. Martins revelou-se uma boa alternativa para a ala, sendo um dos principais dinamizadores do melhor período da equipa (Estará apto?). Jara repetiu o grande problema já detectado frente ao Porto. Ou seja, a sua participação nos momentos de transição é constantemente ineficiente, tendo um aproveitamento baixíssimo nesse momento do jogo, e retirando potencial à equipa no aproveitamento dessas situações. Saviola e Cardozo, por outro lado, revelam-se em fases preocupantes. O paraguaio parece desmotivado, não revelando uma intensidade aceitável, como facilmente se constatou. O argentino, embora tenha procurado movimentar-se, teve um desempenho técnico medíocre e muito aquém do que dele se pode esperar. Durante muito tempo, as criticas a Saviola pela sua "seca" de golos eram injustas, pelo que criava e desequilibrava. Neste momento, porém, há poucos argumentos que valham ao 30.
- Sobre o Paços, guardo mais notas para uma análise que farei amanhã...
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5.4.11
Benfica - Porto: estatística e notas individuais (Benfica)
Luisão – Voltou a ser o melhor e mais consistente jogador da sua equipa. Numa defesa que erra com uma frequência tão vertiginosa como a velocidade que tenta imprimir, é tão somente brilhante que Luisão consiga os níveis de consistência que tem revelado ao longo de toda a época.
Coentrão – Voltou a mostrar porque é um dos melhores laterais esquerdos da actualidade. A sua intensidade é o reflexo da própria filosofia da equipa. Aliás, nessa personificação de uma identidade colectiva, Coentrão partilhou também os defeitos da equipa. Faltou-lhe critério em certas situações e isso valeu-lhe alguns erros que poderia evitar.
Saviola – Não foi uma exibição soberba, mas voltou a ser um elemento influente nos desequilíbrios da equipa e também com uma participação mais inspirada do que em jogos recentes.
Peixoto – Entrou bem no jogo, com grande atitude e intensidade. Tem-se revelado bem mais consistente em posições interiores, embora a sua irregularidade não dê para que se retirem grandes conclusões de tão curta amostra.
Sidnei – Quase se tornou o salvador, já no final do jogo. Aliás, quer como lateral, quer em situações ofensivas, foi quando a sua produtividade subiu. Sidnei pode ter ganho pontos em relação a Airton como alternativa aos laterais, mas, realmente, tem de se questionar o seu rendimento na posição em que se pretende afirmar. Como sempre alertei, não é um jogador que erre ou arrisque menos do que David Luiz, mas não tem comparação com o actual central do Chelsea em muitas características. Enfim, nesta altura, e embora Jardel tenha pouco tempo de utilização, não se veem grandes motivos para que possa ser considerado como o “dono” do lugar.
Airton – Muito fraca a sua prestação como lateral. Pareceu particularmente nervoso sempre que a bola passou por ele, dando pouca sequência aos lances que por si passaram. De facto, apenas no choque e jogo aéreo se conseguiu impor. Provavelmente, uma experiência para não repetir...
Javi Garcia – Venho alertando para a sua vulnerabilidade em posse desde os primórdios da temporada. Nem sempre o preço foi tão elevado, mas a frequência dos seus erros é enorme, sendo que provavelmente não teria aguentado o lugar se tivesse este tipo de rendimento com bola numa liga mais competitiva. Javi tem aspectos onde é uma mais valia, sem dúvida, mas as suas vulnerabilidades são também incontornáveis...
Coentrão – Voltou a mostrar porque é um dos melhores laterais esquerdos da actualidade. A sua intensidade é o reflexo da própria filosofia da equipa. Aliás, nessa personificação de uma identidade colectiva, Coentrão partilhou também os defeitos da equipa. Faltou-lhe critério em certas situações e isso valeu-lhe alguns erros que poderia evitar.
Saviola – Não foi uma exibição soberba, mas voltou a ser um elemento influente nos desequilíbrios da equipa e também com uma participação mais inspirada do que em jogos recentes.
Peixoto – Entrou bem no jogo, com grande atitude e intensidade. Tem-se revelado bem mais consistente em posições interiores, embora a sua irregularidade não dê para que se retirem grandes conclusões de tão curta amostra.
Sidnei – Quase se tornou o salvador, já no final do jogo. Aliás, quer como lateral, quer em situações ofensivas, foi quando a sua produtividade subiu. Sidnei pode ter ganho pontos em relação a Airton como alternativa aos laterais, mas, realmente, tem de se questionar o seu rendimento na posição em que se pretende afirmar. Como sempre alertei, não é um jogador que erre ou arrisque menos do que David Luiz, mas não tem comparação com o actual central do Chelsea em muitas características. Enfim, nesta altura, e embora Jardel tenha pouco tempo de utilização, não se veem grandes motivos para que possa ser considerado como o “dono” do lugar.
Airton – Muito fraca a sua prestação como lateral. Pareceu particularmente nervoso sempre que a bola passou por ele, dando pouca sequência aos lances que por si passaram. De facto, apenas no choque e jogo aéreo se conseguiu impor. Provavelmente, uma experiência para não repetir...
Javi Garcia – Venho alertando para a sua vulnerabilidade em posse desde os primórdios da temporada. Nem sempre o preço foi tão elevado, mas a frequência dos seus erros é enorme, sendo que provavelmente não teria aguentado o lugar se tivesse este tipo de rendimento com bola numa liga mais competitiva. Javi tem aspectos onde é uma mais valia, sem dúvida, mas as suas vulnerabilidades são também incontornáveis...
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3.3.11
Benfica: notas individuais do derbi
Javi Garcia – Claramente a “chave” do jogo, em termos individuais. Não só pelo golo – que não é de bola parada, note-se – mas sobretudo pelo domínio avassalador que exerceu no jogo aéreo na sua zona. Foi o jogador que mais lances ganhou e foi o mais importante no jogo de primeiras e segundas bolas que, como ontem escrevi, foi absolutamente crucial no jogo.
Cardozo – Elogiei o seu momento frente ao Marítimo, apesar de não ter marcado. Desta vez, de novo, destacou-se por ter falhado uma penalidade. Mas voltou a ter uma grande presença e influência, quer fora da área, quer fora dela. Repito, que nem sempre foi assim ao longo da época.
Luisão – Foi mais exposto do que Sidnei e respondeu quase sempre bem. “Quase”, note-se, porque não foi um jogo imaculado. Mas, sem dúvida, foi com Javi uma das grandes forças da equipa.
Coentrão – Voltou a estar eléctrico. Não foi soberbo, mas foi muito bom. Dentro do seu nível, que é elevadíssimo.
Salvio e Gaitan – Trabalharam bem, mas estiveram pouco inspirados ofensivamente, tanto um como outro, mas sobretudo Salvio.
Saviola – Havia referido que está longe da influência de alguns meses e voltou a demonstrar isso mesmo. A constante procura dos corredores laterais limita as suas acções, mas também é verdade que pode ter maior influência.
Cardozo – Elogiei o seu momento frente ao Marítimo, apesar de não ter marcado. Desta vez, de novo, destacou-se por ter falhado uma penalidade. Mas voltou a ter uma grande presença e influência, quer fora da área, quer fora dela. Repito, que nem sempre foi assim ao longo da época.
Luisão – Foi mais exposto do que Sidnei e respondeu quase sempre bem. “Quase”, note-se, porque não foi um jogo imaculado. Mas, sem dúvida, foi com Javi uma das grandes forças da equipa.
Coentrão – Voltou a estar eléctrico. Não foi soberbo, mas foi muito bom. Dentro do seu nível, que é elevadíssimo.
Salvio e Gaitan – Trabalharam bem, mas estiveram pouco inspirados ofensivamente, tanto um como outro, mas sobretudo Salvio.
Saviola – Havia referido que está longe da influência de alguns meses e voltou a demonstrar isso mesmo. A constante procura dos corredores laterais limita as suas acções, mas também é verdade que pode ter maior influência.
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25.1.11
Benfica - Nacional: Análise e números
A nova era de goleadas mantém-se na Luz. Desta vez, porém, com um sabor mais agridoce do que noutras ocasiões. É que, ao contrário de outros jogos, em teoria até mais difíceis, o Benfica consentiu demasiado ao adversário, acabando por ter de passar por uma ansiedade de todo inesperada para quem vencia por tão confortável margem. Jesus tentou desdramatizar, atirando a justificação para a natureza competitiva do jogo e o arrojo das equipas que defrontam o Benfica. Ficou dito e escrito, mas todos sabemos que, nem os adeptos, nem o próprio treinador ficarão convencidos com a explicação. O Benfica fez um bom jogo, mas a sua instabilidade na retaguarda – que tem motivos não novos e já aqui abordados – deve, de facto, preocupar.
Essa é a primeira nota sobre o Benfica: a sua confiança, que acrescida à qualidade dos intérpretes e à óptima dinâmica colectiva do modelo do seu treinador, leva sempre a uma grande facilidade para criar problemas sérios às defensivas contrárias. Aliás, e já que falo disso, é interessante notar como os intérpretes sempre lá estiveram e o modelo táctico também é o mesmo. Isto para assinalar que algumas infundadas criticas, tanto à falta de qualidade do plantel encarnado, como à previsibilidade do modelo de Jesus, parecem hoje esquecidas quando foram motivo para tanta tinta no inicio de época. É pena se assim for, porque quem não tem memória, também não aprende.
Mais interessante, porém, é falar do outro lado, do porquê de um jogo tão esticado, veloz e, sobretudo, o porquê de tantos embaraços junto da baliza encarnada? Aqui, volto a reforçar algumas ideias que vêm de trás, simplesmente porque continuo a ver nelas o principal motivo para esta situação. O Benfica recupera bem em transição e posiciona-se melhor em organização. O problema continua a ser o tipo de situações a que a equipa se submete. Continua a perder vários passes em zonas perigosas, potenciadores de ataques rápidos difíceis de controlar, e continua, também, a não ter grande noção estratégica em função das diversas fases do jogo. Nomeadamente, em vantagem e com o adversário a tentar reagir, convém não potenciar um jogo partido e privilegiar mais um ataque equilibrado e racional. Lá está, o problema é defensivo, mas tudo começa com o critério da equipa quando tem a bola em sua posse.
Luisão – Na minha opinião, é o melhor central do campeonato até ao momento. Forte posicionalmente, certo com bola (embora neste jogo tenha cometido alguns erros), interventivo quase sempre na medida certa e, como complemento, ainda capaz de ser um terror sempre que se adianta nas bolas paradas. Perder David Luiz será mau, mas continua a ser bom ter Luisão.
Javi Garcia – A nota vai, sobretudo, para a sua titularidade. Na minha opinião, Airton justificava a continuidade da aposta, porque se apresenta muito mais útil em certos aspectos, como o papel de apoio em posse. Mas Javi regressou e cumpriu, dentro do que dele se espera.
Aimar – Outro regresso, este sim, bastante feliz. Não tem sido sempre assim ao longo da época, mas Aimar foi, na primeira parte, o 10 que o Benfica tantas vezes não teve. Sempre dinâmico com bola, e reactivo sem ela. O problema é que a época de Aimar tem sido demasiado inconstante, tanto em termos de presença, como em termos de consistência exibicional. Acabou por sair numa fase em que não estava já tão bem.
Gaitan – Joga com o ar de quem está no aquecimento e isso não lhe traz muitos amigos. É verdade que Gaitan não tem a melhor intensidade com bola e isso parece sobretudo um desperdício para o potencial que tem. O facto é que o argentino tem melhorado claramente em termos de entrosamento e consistência com o desenrolar da época. Cumpre muito bem o seu papel posicional – nomeadamente a relação com Coentrão – e é útil em todos os momentos do jogo. Para mais, e mesmo com a tal falta de intensidade, o seu talento é suficiente para desequilibre, marque e assista com uma regularidade assinalável. Goste-se ou não do estilo, está ser uma primeira época bastante boa.
Salvio – Ao contrário de Gaitan, a energia que coloca em cada jogada é suficiente para empolgar as bancadas, mesmo quando ainda nada aconteceu. O facto é que Salvio, sem fazer um jogo excepcional em termos de impacto decisivo, esteve muito bem ao nível da decisão, acabando por dar sequência à grande maioria das posses de bola que por si passaram. E esse é sempre um indicador positivo para quem, como ele, sente a pressão de trazer algo de novo em cada vez que tem a bola. Entre outras coisas, um indicador de confiança.
Saviola e Cardozo – Não vou falar do que fizeram com bola, até porque, quer num caso quer noutro, não se desvia muito do que é hábito. A nota vai para a pouca utilidade dos 2 – especialmente Cardozo – nos momentos defensivos. Uma equipa que quer ser dominadora tem de começar a sê-lo na capacidade de pressionar, quer em transição, quer em organização. Saviola e Cardozo dão muito pouco à equipa nesse aspecto e isso tem mais implicações do que possa parecer.
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Notas colectivas
Não há dúvida de que a confiança pode representar muito - quase tudo - para uma equipa. Repare-se na entrada do jogo e compare-se com outros casos, de outras fases, desta mesma equipa: o Nacional parecia ter entrado melhor, mas, à primeira aproximação que fez à baliza contrária, o Benfica marcou, acabando por “matar” praticamente o jogo, pouco depois.Essa é a primeira nota sobre o Benfica: a sua confiança, que acrescida à qualidade dos intérpretes e à óptima dinâmica colectiva do modelo do seu treinador, leva sempre a uma grande facilidade para criar problemas sérios às defensivas contrárias. Aliás, e já que falo disso, é interessante notar como os intérpretes sempre lá estiveram e o modelo táctico também é o mesmo. Isto para assinalar que algumas infundadas criticas, tanto à falta de qualidade do plantel encarnado, como à previsibilidade do modelo de Jesus, parecem hoje esquecidas quando foram motivo para tanta tinta no inicio de época. É pena se assim for, porque quem não tem memória, também não aprende.
Mais interessante, porém, é falar do outro lado, do porquê de um jogo tão esticado, veloz e, sobretudo, o porquê de tantos embaraços junto da baliza encarnada? Aqui, volto a reforçar algumas ideias que vêm de trás, simplesmente porque continuo a ver nelas o principal motivo para esta situação. O Benfica recupera bem em transição e posiciona-se melhor em organização. O problema continua a ser o tipo de situações a que a equipa se submete. Continua a perder vários passes em zonas perigosas, potenciadores de ataques rápidos difíceis de controlar, e continua, também, a não ter grande noção estratégica em função das diversas fases do jogo. Nomeadamente, em vantagem e com o adversário a tentar reagir, convém não potenciar um jogo partido e privilegiar mais um ataque equilibrado e racional. Lá está, o problema é defensivo, mas tudo começa com o critério da equipa quando tem a bola em sua posse.
Notas individuais
Sidnei – Marcou 1 golo e teve intervenções importantes. Acho que é um jogador com potencial, mas também tenho a forte convicção que, se David Luiz sair, o Benfica poderá pagar um preço desportivo por isso. É que Sidnei, actualmente, não erra menos do que o David Luiz e tem a agravante de não ter, nem a capacidade física, nem o entrosamento posicional do ainda titular da posição. Jesus terá de puxar por ele, porque a zona central da sua defesa é fundamental, podendo abrir-se aqui um novo problema para a fase terminal da temporada.Luisão – Na minha opinião, é o melhor central do campeonato até ao momento. Forte posicionalmente, certo com bola (embora neste jogo tenha cometido alguns erros), interventivo quase sempre na medida certa e, como complemento, ainda capaz de ser um terror sempre que se adianta nas bolas paradas. Perder David Luiz será mau, mas continua a ser bom ter Luisão.
Javi Garcia – A nota vai, sobretudo, para a sua titularidade. Na minha opinião, Airton justificava a continuidade da aposta, porque se apresenta muito mais útil em certos aspectos, como o papel de apoio em posse. Mas Javi regressou e cumpriu, dentro do que dele se espera.
Aimar – Outro regresso, este sim, bastante feliz. Não tem sido sempre assim ao longo da época, mas Aimar foi, na primeira parte, o 10 que o Benfica tantas vezes não teve. Sempre dinâmico com bola, e reactivo sem ela. O problema é que a época de Aimar tem sido demasiado inconstante, tanto em termos de presença, como em termos de consistência exibicional. Acabou por sair numa fase em que não estava já tão bem.
Gaitan – Joga com o ar de quem está no aquecimento e isso não lhe traz muitos amigos. É verdade que Gaitan não tem a melhor intensidade com bola e isso parece sobretudo um desperdício para o potencial que tem. O facto é que o argentino tem melhorado claramente em termos de entrosamento e consistência com o desenrolar da época. Cumpre muito bem o seu papel posicional – nomeadamente a relação com Coentrão – e é útil em todos os momentos do jogo. Para mais, e mesmo com a tal falta de intensidade, o seu talento é suficiente para desequilibre, marque e assista com uma regularidade assinalável. Goste-se ou não do estilo, está ser uma primeira época bastante boa.
Salvio – Ao contrário de Gaitan, a energia que coloca em cada jogada é suficiente para empolgar as bancadas, mesmo quando ainda nada aconteceu. O facto é que Salvio, sem fazer um jogo excepcional em termos de impacto decisivo, esteve muito bem ao nível da decisão, acabando por dar sequência à grande maioria das posses de bola que por si passaram. E esse é sempre um indicador positivo para quem, como ele, sente a pressão de trazer algo de novo em cada vez que tem a bola. Entre outras coisas, um indicador de confiança.
Saviola e Cardozo – Não vou falar do que fizeram com bola, até porque, quer num caso quer noutro, não se desvia muito do que é hábito. A nota vai para a pouca utilidade dos 2 – especialmente Cardozo – nos momentos defensivos. Uma equipa que quer ser dominadora tem de começar a sê-lo na capacidade de pressionar, quer em transição, quer em organização. Saviola e Cardozo dão muito pouco à equipa nesse aspecto e isso tem mais implicações do que possa parecer.
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19.1.11
Académica - Benfica: Análise e números
Foi, começo por dizer, um jogo algo atípico em termos de eficácia. Atípico e pela negativa, porque foram criadas muitas oportunidades para o magro golo concretizado. A consequência desta situação é que para ambas as equipas terá ficado a sensação de um jogo mal aproveitado. A verdade, porém, é que a vitória assenta bem ao Benfica, justificando-se, a meu ver, tanto os 3 pontos como a margem mínima. Uma opinião que não invalida uma outra, mais critica em relação a alguns aspectos da exibição benfiquista.
Perante isto – e aqui surge a primeira critica ao Benfica – a equipa da Luz não teve grande capacidade de resposta. Não conseguiu encontrar Saviola, não conseguiu descobrir algumas das suas habituais combinações nas alas e faltou-lhe muitas vezes o arrojo para inventar algo de novo, em ataque posicional.
Só que, e apesar disto, o Benfica foi beneficiando do amplo domínio que ia tendo e, em situações circunstanciais mas frequentes, foi-se aproximando de forma assinalável do golo, acabando por justificar a vantagem que conseguiu ao intervalo. Por exemplo, algumas das melhores jogadas encarnadas resultaram de combinações após lançamentos laterais à esquerda, uma situação que normalmente dá vantagem a quem defende e que, como é óbvio, merece revisão por parte da Académica.
A outra critica que há a fazer ao Benfica é mais óbvia e tem a ver com a segunda parte. Jesus falou do desgaste físico provocado pela sobrecarga de jogos, mas acho difícil que a parte física seja realmente o problema de uma equipa que jogou em superioridade numérica e que não teve de travar grandes duelos em termos físicos. Na verdade, acho possível que se recorra ao desgaste como justificação, mas terá sempre de ser um desgaste mental, responsável por uma menor capacidade de decisão e criatividade no último terço, e que explique, assim, tanto domínio e tão poucas situações de finalização. Seja como for, não me parece que se deva aceitar o desgaste como desculpa, seja ele mental ou físico, parecendo-me que houve – isso sim – algum relaxamento imprudente para um jogo que, parecendo resolvido, não o estava.
Nota sobre a Académica para assinalar que a equipa deve estar contente com muito do que fez. Não discutiu nunca o jogo em termos de domínio, mas também nunca o pareceu querer fazer. Tinha, isso sim, uma estratégia centrada no controlo dos espaços considerados mais importantes e numa transição que conseguisse aproveitar a característica e largura do seu trio ofensivo. Isso foi, em alguns casos, muito bem conseguido, mas faltaram detalhes que acabaram por dar ao Benfica as brechas que precisava. Seja como for, a expulsão penalizou muito a equipa e é possível pensar que em igualdade numérica pudesse ter causado mais dificuldades na segunda parte.
Coentrão – Grande jogo, outra vez. Está de volta às grandes exibições, recuperando do mau período iniciado na traumática derrocada do Dragão. Agora, ainda por cima, parece ter um entendimento muito maior com Gaitan, o que ainda o beneficia mais. Apenas realçar que Coentrão não é um dos melhores do mundo apenas pelo que faz ofensivamente. Defensivamente também é, invariavelmente, o dono do seu corredor.
Airton – Tinha falado, durante a semana, da falta de presença de Javi Garcia em posse. Pois bem, Airton fez 77 passes completados no jogo! É certo que o jogo permitiu-lhe aparecer mais, é certo, também, que não é um jogador forte na capacidade de passe, mas é também um dado adquirido que é um jogador que privilegia a segurança e que tem muito mais presença do que Javi Garcia nessa função (Javi nunca chegou sequer perto destes números em qualquer jogo). Em termos de domínio da sua zona também ganha em relação ao espanhol, ficando apenas a dúvida em alguns pormenores posicionais que podem ser importantes e onde Garcia é mais forte. Aspectos que podem ser corrigidos e que não impedem que se justifique uma aposta mais séria neste brasileiro.
Gaitan – Posicionalmente voltou a cumprir o seu papel, talvez até melhor do que noutras ocasiões, sendo um jogador útil nos momentos defensivos e entendendo-se cada vez melhor em termos posicionais com Coentrão. O problema foi no capítulo técnico. Vários pormenores que revelam o seu enorme talento, várias aparições, mas poucas consequências práticas. Denota sempre alguma displicência quando os jogos estão resolvidos e este pareceu-lhe resolvido cedo de mais.
Carlos Martins – Em parte foi um dos responsáveis pelas dificuldades da equipa em ataque posicional. Mas, por outro lado, foi dos elementos mais presentes nas principais jogadas da equipa, o que compensa claramente a primeira critica. Compensa, mas não a apaga.
Saviola – Foi a grande vitima do bom jogo posicional da Académica e, já agora, da incapacidade da própria equipa em alguns aspectos. A sua preponderância não foi a habitual e, por isso, não tenho desta vez quaisquer elogios a fazer-lhe. Aliás, reavivo uma critica: Saviola, com Cardozo, produz muito pouco para uma pressão defensiva que se pretende agressiva e potenciadora de erros na posse adversária.
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Notas colectivas
Com a expulsão, a coisa acentuou-se ainda mais, mas foi sempre um jogo muito confortável para o Benfica em termos de primeira fase de organização. Isto, porque a Académica teve como estratégia dar alguma liberdade ao papel do trio formado pelos centrais e Airton na saída de bola, mas bloqueando sempre a saída pelos corredores e – mais importante ainda – muito bem os espaços em zonas próximas da área, onde habitualmente surge a solução Saviola. A neutralização do papel do “Conejo”, aliás, parece-me ter sido a grande virtude de uma estratégia estudante, que, parcialmente, obteve bons resultados. Parcialmente, reforço.Perante isto – e aqui surge a primeira critica ao Benfica – a equipa da Luz não teve grande capacidade de resposta. Não conseguiu encontrar Saviola, não conseguiu descobrir algumas das suas habituais combinações nas alas e faltou-lhe muitas vezes o arrojo para inventar algo de novo, em ataque posicional.
Só que, e apesar disto, o Benfica foi beneficiando do amplo domínio que ia tendo e, em situações circunstanciais mas frequentes, foi-se aproximando de forma assinalável do golo, acabando por justificar a vantagem que conseguiu ao intervalo. Por exemplo, algumas das melhores jogadas encarnadas resultaram de combinações após lançamentos laterais à esquerda, uma situação que normalmente dá vantagem a quem defende e que, como é óbvio, merece revisão por parte da Académica.
A outra critica que há a fazer ao Benfica é mais óbvia e tem a ver com a segunda parte. Jesus falou do desgaste físico provocado pela sobrecarga de jogos, mas acho difícil que a parte física seja realmente o problema de uma equipa que jogou em superioridade numérica e que não teve de travar grandes duelos em termos físicos. Na verdade, acho possível que se recorra ao desgaste como justificação, mas terá sempre de ser um desgaste mental, responsável por uma menor capacidade de decisão e criatividade no último terço, e que explique, assim, tanto domínio e tão poucas situações de finalização. Seja como for, não me parece que se deva aceitar o desgaste como desculpa, seja ele mental ou físico, parecendo-me que houve – isso sim – algum relaxamento imprudente para um jogo que, parecendo resolvido, não o estava.
Nota sobre a Académica para assinalar que a equipa deve estar contente com muito do que fez. Não discutiu nunca o jogo em termos de domínio, mas também nunca o pareceu querer fazer. Tinha, isso sim, uma estratégia centrada no controlo dos espaços considerados mais importantes e numa transição que conseguisse aproveitar a característica e largura do seu trio ofensivo. Isso foi, em alguns casos, muito bem conseguido, mas faltaram detalhes que acabaram por dar ao Benfica as brechas que precisava. Seja como for, a expulsão penalizou muito a equipa e é possível pensar que em igualdade numérica pudesse ter causado mais dificuldades na segunda parte.
Notas individuais
Ruben Amorim – A lateral era outra alternativa para ele, conseguindo um nível idêntico – em alguns aspectos superior – ao de Maxi. É pena, para ele e para o Benfica, que se tenha lesionado. Coentrão – Grande jogo, outra vez. Está de volta às grandes exibições, recuperando do mau período iniciado na traumática derrocada do Dragão. Agora, ainda por cima, parece ter um entendimento muito maior com Gaitan, o que ainda o beneficia mais. Apenas realçar que Coentrão não é um dos melhores do mundo apenas pelo que faz ofensivamente. Defensivamente também é, invariavelmente, o dono do seu corredor.
Airton – Tinha falado, durante a semana, da falta de presença de Javi Garcia em posse. Pois bem, Airton fez 77 passes completados no jogo! É certo que o jogo permitiu-lhe aparecer mais, é certo, também, que não é um jogador forte na capacidade de passe, mas é também um dado adquirido que é um jogador que privilegia a segurança e que tem muito mais presença do que Javi Garcia nessa função (Javi nunca chegou sequer perto destes números em qualquer jogo). Em termos de domínio da sua zona também ganha em relação ao espanhol, ficando apenas a dúvida em alguns pormenores posicionais que podem ser importantes e onde Garcia é mais forte. Aspectos que podem ser corrigidos e que não impedem que se justifique uma aposta mais séria neste brasileiro.
Gaitan – Posicionalmente voltou a cumprir o seu papel, talvez até melhor do que noutras ocasiões, sendo um jogador útil nos momentos defensivos e entendendo-se cada vez melhor em termos posicionais com Coentrão. O problema foi no capítulo técnico. Vários pormenores que revelam o seu enorme talento, várias aparições, mas poucas consequências práticas. Denota sempre alguma displicência quando os jogos estão resolvidos e este pareceu-lhe resolvido cedo de mais.
Carlos Martins – Em parte foi um dos responsáveis pelas dificuldades da equipa em ataque posicional. Mas, por outro lado, foi dos elementos mais presentes nas principais jogadas da equipa, o que compensa claramente a primeira critica. Compensa, mas não a apaga.
Saviola – Foi a grande vitima do bom jogo posicional da Académica e, já agora, da incapacidade da própria equipa em alguns aspectos. A sua preponderância não foi a habitual e, por isso, não tenho desta vez quaisquer elogios a fazer-lhe. Aliás, reavivo uma critica: Saviola, com Cardozo, produz muito pouco para uma pressão defensiva que se pretende agressiva e potenciadora de erros na posse adversária.
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20.12.10
Benfica - Rio Ave: Análise e números
“A melhor exibição da época”. Jesus não hesitou, a maioria concordou, e eu partilho em parte da ideia. Em parte, sublinho. Não há dúvidas que o Benfica termina o ano num pico de confiança e que, sendo essa a origem fundamental do problema, também este se evaporou em grande medida com o melhor desempenho individual de cada um dos seus jogadores. Mas, como referi, há um lado avesso na avaliação que tenho a fazer. É que, do outro lado da goleada, está também uma exibição plena de erros perfeitamente evitáveis e que explicam a réplica do Rio Ave, com 2 golos e um número incomum de oportunidades.
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Notas colectivas
Comecemos então pelo que há de bom: o crescimento de confiança. Não posso assegurar que não seja um acaso, mas é um facto que o discurso voltado para este factor coincide com uma melhoria global da equipa nesse plano. Ter confiança implica que se decida e execute melhor individualmente e, assim, se projecte também o colectivo para níveis de performance mais elevados. É por isso que a confiança é o bem mais precioso de uma equipa, sendo possível dizer que, no limite, um treinador não é mais do que um gestor dos níveis de confiança da sua equipa. Os seus recursos – táctica, treino e liderança – servem para transmitir confiança à equipa e é quando esta é maximizada que o seu rendimento é óptimo. Isso, e vice versa, claro.
Sendo o modelo táctico bom – como é – e os jogadores capazes – como são – não há porque duvidar das próprias capacidades. É por isso que é importante que se interiorize a mensagem de que o rumo é bom e que se os jogadores confiarem nele encontrarão, de novo, o sucesso. Reforçar a série de vitórias e não a diferença pontual é o único caminho que pode devolver esperança à época encarnada.
Dito isto, convém também dizer que quem lidera o processo deve manter uma atitude permanentemente critica e, nesse sentido, há bastantes coisas a melhorar. Primeiro, o número de erros em fase de construção é – e continua a ser – demasiado elevado. Em particular, Sidnei e Javi Garcia estiveram desastrados neste plano. Outra vez, aliás. Depois, há que saber gerir os ritmos e momentos do jogo. Neste ponto, a critica maior vai para as iniciativas de David Luiz que, podendo ser pontualmente úteis ofensivamente, são, defensivamente, quase sempre um risco. Um risco que, em vantagem e com o jogo controlado, deve ser evitado. Finalmente, o “pressing”. Foi o primeiro pilar do Benfica 09/10, e era aí que começavam as dificuldades tremendas dos adversários. Hoje, a realidade não é a mesma e as equipas dividem muito mais o jogo no campo todo, quer em organização, quer em transição. Responsabilidade colectiva ou individual? Não tenho a certeza, mas convinha rever.
Sobre o Rio Ave, assinalar que também o “agridoce” da sua exibição foi condimento essencial para o tipo de jogo que pudemos ver. Mal, esteve apenas defensivamente e muito em particular na primeira parte. Começou por lidar de forma péssima com as movimentações do ataque posicional encarnado, confundindo-se e perdendo harmonia na ocupação dos espaços defensivos sempre que um movimento inesperado acontecia. Depois, e um pouco à imagem da época que está a fazer, reagiu bem e mostrou-se capaz de discutir o jogo no campo todo, ameaçando sucessivamente em transições muito bem preparadas que tinham no cruzamento, e em João Tomás, o objectivo final. Marcou 2 e não foi surpresa nenhuma.
Notas individuais
Coentrão – A nota estatística penaliza-o pelo penalti e expulsão, mas é bom de assinalar que Coentrão voltou a ser ele próprio. Ou seja, foi um jogador cheio de intensidade, agressividade e qualidade em todos os momentos do jogo. Aliás, a sua capacidade de recuperação foi mesmo determinante na fase mais errática da equipa.
David Luiz – O único reparo que lhe faço está escrito acima e diz respeito à frequência com que tenta sair a jogar. O problema não é a sua posição, porque a equipa protege-a com o recuo de Javi Garcia. O problema é o próprio Javi Garcia, que deixa de estar onde está, tornando a transição muito mais difícil de controlar.
Sidnei – Está desacreditado mas penso que tem mais potencial do que lhe é reconhecido nesta altura. O problema é que Sidnei precisa de jogar. E precisa de o fazer por 2 motivos: o primeiro é porque claramente precisa de ritmo e entrosamento colectivo. O segundo é porque só jogando erra, e só errando – como erra quando joga – pode perceber onde tem de melhorar. Até pode ser que nunca o faça, mas só jogando poderá lá chegar.
Javi Garcia – Teve um dos jogos mais participativos em termos de posse. Não determinante, mas participativo. Javi Garcia, porém, continua a ser a fonte de demasiadas perdas em construção, e um potencial trunfo para os adversários. Não é o número de passes que falha, é o tipo de passes que falha. E todos os jogos é assim...
Aimar – Num jogo em que a equipa conseguiu um mar de desequilíbrios, Aimar esteve apenas em 1, por sinal, para finalizar. Em termos de “pressing”, algo em que se notabilizava no ano anterior pelo número de recuperações que conseguia no meio campo adversário, também continua inexistente. Aimar é sempre Aimar, e tem sempre qualidade, quer com bola, quer sem ela, mas a camisola que trás e aquilo que ela simboliza para o modelo de jogo requer dele mais influência do que a que tem tido. Perante este rendimento, Carlos Martins vale mais.
Gaitan – Jesus facilita-lhe a vida com a definição de que é ao segundo poste que a bola tem de entrar, mas continuo a chamar a atenção para a sua capacidade de cruzamento – para mim, a melhor do campeonato. O recurso valeu-lhe mais 2 assistências e, tudo somado, é um dos 5 jogadores que mais desequilibra na liga (entre os 3 “grandes”), valendo mais de meio golo por jogo completo, somando golos e assistências. Já muito escrevi sobre ele e provavelmente voltarei a fazê-lo, mas não evito o desabafo: meio ano a vê-lo jogar e ainda se repete que é um jogador de corredor central (vá lá que já ninguém diz que é avançado)?!
Salvio – Provavelmente, e em termos estatísticos, a melhor exibição de um jogador no campeonato, até agora. A qualidade de Salvio nunca esteve em dúvida – pelo menos para mim! – mas o seu perfil continua a não ser o ideal para este modelo. Ou, de outro modo, o modelo não é ideal para o seu perfil. Não tem nada a ver com as aspectos defensivos, como quase sempre se confunde (passa-se o mesmo com Gaitan). Tem, isso sim, a ver com aquilo que acontece com bola. Mas deixo mais detalhes sobre esta opinião para outro dia...
Saviola – Está ali na barra lateral: Saviola é o jogador que participa em mais desequilíbrios na liga. E, outra vez, foi assim: só Salvio esteve em tantos como ele. Porque é que isto acontece? Normalmente lê-se e ouve-se falar da sua qualidade técnica... poesias, digo eu! Saviola é um jogador forte tecnicamente, claro, mas só é excepcional por aquilo que faz sem bola. Dentro e fora da área percebe sempre onde deve estar e isso, com esta qualidade, é tão raro que me atrevo a dizer que será quase impossível o Benfica encontrar – acessível, isto é – uma alternativa fiel àquilo que o “Conejo” representa.
João Tomás – Para separar as águas: uma coisa é a sua sapiência de área, realmente invulgar. Outra, é confundir esse atributo com uma envolvência extraordinária no jogo da equipa. João Tomás marcou 2 golos e teve um aproveitamento fantástico na zona de finalização, mas terá sido provavelmente o jogador menos participativo da sua equipa. E isto não é sequer uma critica.
Comecemos então pelo que há de bom: o crescimento de confiança. Não posso assegurar que não seja um acaso, mas é um facto que o discurso voltado para este factor coincide com uma melhoria global da equipa nesse plano. Ter confiança implica que se decida e execute melhor individualmente e, assim, se projecte também o colectivo para níveis de performance mais elevados. É por isso que a confiança é o bem mais precioso de uma equipa, sendo possível dizer que, no limite, um treinador não é mais do que um gestor dos níveis de confiança da sua equipa. Os seus recursos – táctica, treino e liderança – servem para transmitir confiança à equipa e é quando esta é maximizada que o seu rendimento é óptimo. Isso, e vice versa, claro.
Sendo o modelo táctico bom – como é – e os jogadores capazes – como são – não há porque duvidar das próprias capacidades. É por isso que é importante que se interiorize a mensagem de que o rumo é bom e que se os jogadores confiarem nele encontrarão, de novo, o sucesso. Reforçar a série de vitórias e não a diferença pontual é o único caminho que pode devolver esperança à época encarnada.
Dito isto, convém também dizer que quem lidera o processo deve manter uma atitude permanentemente critica e, nesse sentido, há bastantes coisas a melhorar. Primeiro, o número de erros em fase de construção é – e continua a ser – demasiado elevado. Em particular, Sidnei e Javi Garcia estiveram desastrados neste plano. Outra vez, aliás. Depois, há que saber gerir os ritmos e momentos do jogo. Neste ponto, a critica maior vai para as iniciativas de David Luiz que, podendo ser pontualmente úteis ofensivamente, são, defensivamente, quase sempre um risco. Um risco que, em vantagem e com o jogo controlado, deve ser evitado. Finalmente, o “pressing”. Foi o primeiro pilar do Benfica 09/10, e era aí que começavam as dificuldades tremendas dos adversários. Hoje, a realidade não é a mesma e as equipas dividem muito mais o jogo no campo todo, quer em organização, quer em transição. Responsabilidade colectiva ou individual? Não tenho a certeza, mas convinha rever.
Sobre o Rio Ave, assinalar que também o “agridoce” da sua exibição foi condimento essencial para o tipo de jogo que pudemos ver. Mal, esteve apenas defensivamente e muito em particular na primeira parte. Começou por lidar de forma péssima com as movimentações do ataque posicional encarnado, confundindo-se e perdendo harmonia na ocupação dos espaços defensivos sempre que um movimento inesperado acontecia. Depois, e um pouco à imagem da época que está a fazer, reagiu bem e mostrou-se capaz de discutir o jogo no campo todo, ameaçando sucessivamente em transições muito bem preparadas que tinham no cruzamento, e em João Tomás, o objectivo final. Marcou 2 e não foi surpresa nenhuma.
Notas individuais
Coentrão – A nota estatística penaliza-o pelo penalti e expulsão, mas é bom de assinalar que Coentrão voltou a ser ele próprio. Ou seja, foi um jogador cheio de intensidade, agressividade e qualidade em todos os momentos do jogo. Aliás, a sua capacidade de recuperação foi mesmo determinante na fase mais errática da equipa.
David Luiz – O único reparo que lhe faço está escrito acima e diz respeito à frequência com que tenta sair a jogar. O problema não é a sua posição, porque a equipa protege-a com o recuo de Javi Garcia. O problema é o próprio Javi Garcia, que deixa de estar onde está, tornando a transição muito mais difícil de controlar.
Sidnei – Está desacreditado mas penso que tem mais potencial do que lhe é reconhecido nesta altura. O problema é que Sidnei precisa de jogar. E precisa de o fazer por 2 motivos: o primeiro é porque claramente precisa de ritmo e entrosamento colectivo. O segundo é porque só jogando erra, e só errando – como erra quando joga – pode perceber onde tem de melhorar. Até pode ser que nunca o faça, mas só jogando poderá lá chegar.
Javi Garcia – Teve um dos jogos mais participativos em termos de posse. Não determinante, mas participativo. Javi Garcia, porém, continua a ser a fonte de demasiadas perdas em construção, e um potencial trunfo para os adversários. Não é o número de passes que falha, é o tipo de passes que falha. E todos os jogos é assim...
Aimar – Num jogo em que a equipa conseguiu um mar de desequilíbrios, Aimar esteve apenas em 1, por sinal, para finalizar. Em termos de “pressing”, algo em que se notabilizava no ano anterior pelo número de recuperações que conseguia no meio campo adversário, também continua inexistente. Aimar é sempre Aimar, e tem sempre qualidade, quer com bola, quer sem ela, mas a camisola que trás e aquilo que ela simboliza para o modelo de jogo requer dele mais influência do que a que tem tido. Perante este rendimento, Carlos Martins vale mais.
Gaitan – Jesus facilita-lhe a vida com a definição de que é ao segundo poste que a bola tem de entrar, mas continuo a chamar a atenção para a sua capacidade de cruzamento – para mim, a melhor do campeonato. O recurso valeu-lhe mais 2 assistências e, tudo somado, é um dos 5 jogadores que mais desequilibra na liga (entre os 3 “grandes”), valendo mais de meio golo por jogo completo, somando golos e assistências. Já muito escrevi sobre ele e provavelmente voltarei a fazê-lo, mas não evito o desabafo: meio ano a vê-lo jogar e ainda se repete que é um jogador de corredor central (vá lá que já ninguém diz que é avançado)?!
Salvio – Provavelmente, e em termos estatísticos, a melhor exibição de um jogador no campeonato, até agora. A qualidade de Salvio nunca esteve em dúvida – pelo menos para mim! – mas o seu perfil continua a não ser o ideal para este modelo. Ou, de outro modo, o modelo não é ideal para o seu perfil. Não tem nada a ver com as aspectos defensivos, como quase sempre se confunde (passa-se o mesmo com Gaitan). Tem, isso sim, a ver com aquilo que acontece com bola. Mas deixo mais detalhes sobre esta opinião para outro dia...
Saviola – Está ali na barra lateral: Saviola é o jogador que participa em mais desequilíbrios na liga. E, outra vez, foi assim: só Salvio esteve em tantos como ele. Porque é que isto acontece? Normalmente lê-se e ouve-se falar da sua qualidade técnica... poesias, digo eu! Saviola é um jogador forte tecnicamente, claro, mas só é excepcional por aquilo que faz sem bola. Dentro e fora da área percebe sempre onde deve estar e isso, com esta qualidade, é tão raro que me atrevo a dizer que será quase impossível o Benfica encontrar – acessível, isto é – uma alternativa fiel àquilo que o “Conejo” representa.
João Tomás – Para separar as águas: uma coisa é a sua sapiência de área, realmente invulgar. Outra, é confundir esse atributo com uma envolvência extraordinária no jogo da equipa. João Tomás marcou 2 golos e teve um aproveitamento fantástico na zona de finalização, mas terá sido provavelmente o jogador menos participativo da sua equipa. E isto não é sequer uma critica.
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27.10.10
Portimonense - Benfica: Análise e números

Notas colectivas
O domínio concedido era algo que já se esperava. Numa fase inicial – 2 ou 3 jogadas – o Portimonense deu a ideia de que poderia ser capaz de explorar a velocidade dos seus extremos e aproveitar o mau momento dos 2 laterais encarnados. O que o jogo revelou, porém, foi uma transição muito pouco consequente, partindo de uma zona de recuperação demasiado baixa e não tendo capacidade para evitar o isolamento repetido das unidades mais adiantadas. Ou seja, após a ilusão inicial, percebeu-se que o domínio não seria apenas concedido, mas total.
Talvez Litos tenha pensado em bloquear Aimar e a saída pelos flancos, como forma de limitar a construção encarnada. Intencional ou não, a verdade é que o Portimonense ofereceu ao Benfica o corredor central na primeira fase de construção, e isso, perante o Benfica de Luisão e David Luiz, não é propriamente aconselhável. É verdade que os corredores e Aimar apareceram pouco, mas os centrais encarregaram-se de arrastar sucessivamente o jogo para zonas já próximas da área contrária, sobretudo pelo recurso aos movimentos de Saviola, sobre a meia-esquerda.
Normalmente este cenário seria suficiente para tornar o golo numa questão de minutos, mas, desta vez, não foi. A inspiração foi, de facto, muito pouca, e raras vezes as jogadas terminaram em situações de finalização. O melhor que foi conseguido foram cantos e livres. Ora, se isso muitas vezes é insuficiente, desta vez depressa se percebeu que só com muita felicidade o Portimonense não pagaria a sua incapacidade de controlar o espaço aéreo neste tipo de lances. E assim foi. O Benfica acabou por marcar e o domínio tornou-se ainda mais intenso. Na parte final do jogo, aliás, o Benfica terá ficado a dever alguns golos para um maior ajuste do marcador à diferença revelada entre as equipas.
Sobre o capítulo essencial na decisão do jogo – as bolas paradas – é de notar que também frente ao Arouca o cenário fora idêntico. Ou seja, vale a pena renovar o elogio à capacidade encarnada, que não é nova, neste plano. Também vale a pena, ainda que possa não ser mais do que mera coincidência, referir que quer Arouca, quer Portimonense optaram pelo método individual de marcações.
Notas individuais
Maxi – Está hoje francamente desvalorizado aos olhos dos adeptos e este jogo pode serve bem para provar o seu momento menos bom. Maxi sempre teve as suas limitações, mas convém não exagerar. Trata-se de um bom jogador e de uma boa solução para o lugar, não vendo, pessoalmente, em Ruben Amorim uma opção necessariamente mais válida. Dependerá sobretudo do momento de ambos.
Centrais – Como expliquei acima - e os números comprovam - passou pelos centrais grande parte da responsabilidade do jogo. Ora bem, a sua qualidade voltou a ser perfeitamente evidenciada. Têm surgido criticas, mas a verdade é que se há coisa que se mantém com enorme qualidade é o papel da zona central mais recuada da equipa. Qualidade excepcional, mesmo. Aqui, e em termos individuais, convém fazer uma separação. Luisão está a fazer uma época irrepreensível, quase perfeita. David Luiz, mantendo-se num nível muito elevado, não está tão bem como o seu companheiro de sector, sendo certo também que assume mais riscos e responsabilidades em construção. Mas, neste jogo, por exemplo, falhou também algumas tentativas de antecipação que só não tiveram consequências pela própria natureza do jogo.
Javi Garcia – Porque foi decisivo e fez um bom jogo, talvez seja a hora ideal para relembrar o que dele foi dito há 1 ano. Foi apontado como um dos responsáveis pela melhoria do Benfica em 09/10, mas, como sempre referi, esses elogios eram exagerados. Javi é um jogador tacticamente inteligente e que compreende muito bem as responsabilidades de uma posição fulcral para o funcionamento do colectivo. Mas não é um jogador que individualmente corrija ou atenue problemas colectivos. Apesar de beneficiar da boa definição táctica da sua posição, não tem nesta liga, por exemplo, um rendimento superior a Fernando no Porto, ou mesmo André Santos no Sporting.
Saviola – Voltou a ser importante na criação de apoios e, face ao “eclipse” de Aimar em relação ao ano anterior, é a grande solução para a equipa em termos ofensivos. Frente ao Portimonense, porém, as coisas não lhe saíram bem e não foi capaz de dar boa sequência à maioria das jogadas que passaram pelos seus pés. Terá feito, provavelmente e em termos técnicos, o seu pior jogo na liga, mas é curioso como as criticas são bem mais duras quando, apesar de criar muito mais, falha alguns golos.
Kardec – Demorou 20 minutos a tocar na bola! Critiquei muitas vezes a pouca participação de Cardozo e, mesmo se não esteve nem perto das piores exibições do paraguaio nesta liga, Kardec começa a ilibar o seu concorrente pelo tempo que também passa fora do jogo. Kardec esforça-se mais, mas também dificilmente será capaz de protagonizar exibições ao nível do melhor Cardozo. Ou seja, se quiser complicar as contas a Jesus, o melhor mesmo será manter-se mais tempo dentro do jogo.
O domínio concedido era algo que já se esperava. Numa fase inicial – 2 ou 3 jogadas – o Portimonense deu a ideia de que poderia ser capaz de explorar a velocidade dos seus extremos e aproveitar o mau momento dos 2 laterais encarnados. O que o jogo revelou, porém, foi uma transição muito pouco consequente, partindo de uma zona de recuperação demasiado baixa e não tendo capacidade para evitar o isolamento repetido das unidades mais adiantadas. Ou seja, após a ilusão inicial, percebeu-se que o domínio não seria apenas concedido, mas total.
Talvez Litos tenha pensado em bloquear Aimar e a saída pelos flancos, como forma de limitar a construção encarnada. Intencional ou não, a verdade é que o Portimonense ofereceu ao Benfica o corredor central na primeira fase de construção, e isso, perante o Benfica de Luisão e David Luiz, não é propriamente aconselhável. É verdade que os corredores e Aimar apareceram pouco, mas os centrais encarregaram-se de arrastar sucessivamente o jogo para zonas já próximas da área contrária, sobretudo pelo recurso aos movimentos de Saviola, sobre a meia-esquerda.
Normalmente este cenário seria suficiente para tornar o golo numa questão de minutos, mas, desta vez, não foi. A inspiração foi, de facto, muito pouca, e raras vezes as jogadas terminaram em situações de finalização. O melhor que foi conseguido foram cantos e livres. Ora, se isso muitas vezes é insuficiente, desta vez depressa se percebeu que só com muita felicidade o Portimonense não pagaria a sua incapacidade de controlar o espaço aéreo neste tipo de lances. E assim foi. O Benfica acabou por marcar e o domínio tornou-se ainda mais intenso. Na parte final do jogo, aliás, o Benfica terá ficado a dever alguns golos para um maior ajuste do marcador à diferença revelada entre as equipas.
Sobre o capítulo essencial na decisão do jogo – as bolas paradas – é de notar que também frente ao Arouca o cenário fora idêntico. Ou seja, vale a pena renovar o elogio à capacidade encarnada, que não é nova, neste plano. Também vale a pena, ainda que possa não ser mais do que mera coincidência, referir que quer Arouca, quer Portimonense optaram pelo método individual de marcações.
Notas individuais
Maxi – Está hoje francamente desvalorizado aos olhos dos adeptos e este jogo pode serve bem para provar o seu momento menos bom. Maxi sempre teve as suas limitações, mas convém não exagerar. Trata-se de um bom jogador e de uma boa solução para o lugar, não vendo, pessoalmente, em Ruben Amorim uma opção necessariamente mais válida. Dependerá sobretudo do momento de ambos.
Centrais – Como expliquei acima - e os números comprovam - passou pelos centrais grande parte da responsabilidade do jogo. Ora bem, a sua qualidade voltou a ser perfeitamente evidenciada. Têm surgido criticas, mas a verdade é que se há coisa que se mantém com enorme qualidade é o papel da zona central mais recuada da equipa. Qualidade excepcional, mesmo. Aqui, e em termos individuais, convém fazer uma separação. Luisão está a fazer uma época irrepreensível, quase perfeita. David Luiz, mantendo-se num nível muito elevado, não está tão bem como o seu companheiro de sector, sendo certo também que assume mais riscos e responsabilidades em construção. Mas, neste jogo, por exemplo, falhou também algumas tentativas de antecipação que só não tiveram consequências pela própria natureza do jogo.
Javi Garcia – Porque foi decisivo e fez um bom jogo, talvez seja a hora ideal para relembrar o que dele foi dito há 1 ano. Foi apontado como um dos responsáveis pela melhoria do Benfica em 09/10, mas, como sempre referi, esses elogios eram exagerados. Javi é um jogador tacticamente inteligente e que compreende muito bem as responsabilidades de uma posição fulcral para o funcionamento do colectivo. Mas não é um jogador que individualmente corrija ou atenue problemas colectivos. Apesar de beneficiar da boa definição táctica da sua posição, não tem nesta liga, por exemplo, um rendimento superior a Fernando no Porto, ou mesmo André Santos no Sporting.
Saviola – Voltou a ser importante na criação de apoios e, face ao “eclipse” de Aimar em relação ao ano anterior, é a grande solução para a equipa em termos ofensivos. Frente ao Portimonense, porém, as coisas não lhe saíram bem e não foi capaz de dar boa sequência à maioria das jogadas que passaram pelos seus pés. Terá feito, provavelmente e em termos técnicos, o seu pior jogo na liga, mas é curioso como as criticas são bem mais duras quando, apesar de criar muito mais, falha alguns golos.
Kardec – Demorou 20 minutos a tocar na bola! Critiquei muitas vezes a pouca participação de Cardozo e, mesmo se não esteve nem perto das piores exibições do paraguaio nesta liga, Kardec começa a ilibar o seu concorrente pelo tempo que também passa fora do jogo. Kardec esforça-se mais, mas também dificilmente será capaz de protagonizar exibições ao nível do melhor Cardozo. Ou seja, se quiser complicar as contas a Jesus, o melhor mesmo será manter-se mais tempo dentro do jogo.
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4.10.10
Benfica - Braga: Análise e números

Notas colectivas: Benfica
O arranque do jogo foi muito bom. Boa atitude, pressionante e autoritária, impediu o Braga de jogar e manteve o jogo no meio campo contrário durante largos minutos. Para isso, contribuiu a boa postura e competência em ambos os momentos defensivos da equipa – organização e transição. Também a organização ofensiva merece nota. Coentrão recuou para lateral e mereceu uma estratégia especial de Domingos, com Salino a descair para a direita. O Benfica começou por se dar bem com o plano adversário. Circulou com fluidez em zonas baixas, obrigando o Braga a ajustar constantemente o posicionamento do seu bloco ao longo da largura do campo. Depois, o lado esquerdo – e apesar da tal colocação de Salino – foi quase sempre o flanco escolhido para o primeiro passe vertical. Primeiro, porque Lima tinha uma espécie de dupla missão no pressing mais alto e sentia dificuldades no tal ajustamento lateral à circulação que o Benfica fazia na sua linha mais recuada. Depois, porque Gaitan foi um elemento importante na criação de linhas de passe, acrescentando um problema ao Braga que esperaria apenas ter de controlar Aimar e Saviola no primeiro passe interior.Mas o Benfica não foi, apesar dessa boa entrada, perigoso. Não foi porque, se na construção – com Gaitan, Martins e Coentrão em destaque – a equipa estava bem, mais à frente houve alguma desinspiração de Saviola e Kardec nos minutos iniciais. Com isto, perdeu-se o momento e abriu-se uma oportunidade para que fosse o Braga a crescer e a ameaçar. O jogo tornou-se mais dividido, menos dominado e, sobretudo, menos controlado por parte do Benfica. Nunca por causa de erros individuais, e mais pelo mérito que o Braga também teve em fazer valer os seus pontos fortes.
Acabou por ser feliz o Benfica, num lance que realça o mérito e capacidade dos seus elementos. Primeiro, a velocidade de transporte de Coentrão, a tirar tempo de organização à defesa do Braga. Depois, o papel vital desempenhado por Saviola, criando uma linha de passe que desfaz o 3x3 que o Braga criara no flanco. Finalmente, e já com o desequilíbrio numérico criado, Martins na inspiração final.
Um lance que decidiu o jogo, numa altura em que o seu destino era tudo menos óbvio.
Notas colectivas: Braga
Domingos arriscou uma estratégia compreensível, mas que não lhe saiu muito bem. Fechar a direita, abdicando de um extremo e introduzindo um ala interior – Salino – e “abrir” a esquerda, com o principal desequilibrador – Alan – e um lateral ofensivo – Elderson. Uma das virtudes desta opção seria não sobrecarregar demasiado o duplo pivot com necessidades de basculação, retirando-lhe a responsabilidade de vir à direita. E todos sabemos os problemas que o duplo pivot tem sentido em controlar o espaço entre linhas.É sempre arriscado, e normalmente corre mal, mexer na estrutura de um momento para o outro. O problema que Domingos provavelmente não considerou foi a dificuldade de Lima “filtrar” a entrada de jogo pelo flanco direito, e foi por aí que o Braga começou por sentir dificuldades.
Outro problema evidente de Domingos, são as soluções para o meio campo. Percebe-se a preocupação do treinador em ter ao lado de Vandinho um jogador forte no passe, que possa dar qualidade, quer à construção, quer à saída em transição. Por isso opta, ora por Viana, ora por Aguiar ao lado de Vandinho, em vez do eléctrico Salino. Aguiar, e à parte do seu pontapé, é uma opção muito difícil de justificar em qualquer das posições onde vem jogando. Viana, e apesar de ter um sentido posicional muito mais apurado do que o uruguaio, também não tem a intensidade que muitas vezes se pede para a posição. Um problema, e isso viu-se pela paupérrima primeira parte que fez Aguiar, muito raramente em jogo. Melhorou com a troca com Viana, mostrando-se mais útil em zonas mais baixas, mas é para mim um mistério o porquê de sair Viana (a condição fisica não me parece suficiente) quando tinha um rendimento muito superior a Aguiar. Para este Braga, a perda de Mossoró criou um problema irreparável na dinâmica ofensiva.
Ainda assim, e apesar destes problemas, é importante notar a forma como o Braga sobreviveu à má entrada, evitando maiores situações de perigo junto da sua baliza. Aliás, e repito a ideia de ontem, num outro momento de confiança seria provável que o Braga conseguisse outro aproveitamento das oportunidades que criou e, nessa hipótese, dificilmente teria perdido este jogo.
Notas individuais: Benfica
Carlos Martins: não fez um jogo excepcional, mas apenas normal dentro daquele que vem sendo o seu rendimento. Realmente, só espanta o porquê de não ter tido mais minutos nos primeiros jogos. Martins não é hoje um jogador diferente do passado. Tem características excepcionais – como se viu no golo – mas faltam-lhe também outras. Está num bom momento e o seu desafio, como sempre, será a reacção mental a um momento mais adverso.Gaitan: Foi um jogador muito importante na primeira parte, espalhando algum do seu "perfume" e protagonizando jogadas que, se fossem de outros mais consagrados, teriam sido fortemente empoladas. O problema é que Gaitan continua a arricar demasiado em zonas que podem ser muito perigosas num dia de menor inspiração, e isso, embora não tenha sido o caso, poderá custar caro. Ainda assim, a sua confiança está claramente a crescer e com ela fica bem mais claro o potencial que obviamente tem.
Saviola: A sua entrada no jogo foi, de facto, muito desastrada, perdendo quase todas as bolas que passaram pelos seus pés. Mas o acerto no passe não é a mais valia de Saviola. O que o distingue é a movimentação e foi isso que, de novo, fez a diferença. Esteve em todos os 3 desequilíbrios que a equipa conseguiu enquanto esteve em campo e fica-me a dúvida se o último e decisivo não terá vindo “just in time”. É que se preparava uma dupla substituição e se calhar Saviola iria sair. O seu momento técnico pode não deslumbrar, mas continua a ser a grande fonte de desequilíbrios da equipa.
Kardec: Importa falar dele porque, afinal, foi o substituto da grande ausência: Cardozo. É difícil dizer se o Benfica ficou a ganhar ou a perder, porque, face à sua irregularidade, não se sabe que Cardozo teríamos. Começou por ter muitas dificuldades em entrar no jogo, mas foi ganhando espaço e confiança e acabou por se fazer sentir no jogo aéreo. Seria bom para ele ter outra oportunidade...
Notas individuais: Braga
Paulão: Para mim foi a surpresa positiva do jogo. Dominou completamente a sua zona e não confirmou dúvidas que sobre ele se levantaram nos últimos jogos.Silvio: Percebe-se bem que é o lateral mais fiável do Braga, quer à direita, quer à esquerda. De longe! A Selecção é outra conversa...
Luis Aguiar: Já falei dele atrás e também no Dragão havia tido uma prestação muito negativa, para além do golo. O seu pontapé é uma arma rara, mas tem de estar muito inspirado para compensar a nulidade de rendimento que teve. Domingos estará melhor quanto mais depressa encontrar alternativas para o uruguaio no modelo base. Pela amostra que tenho, é a única opinião que posso ter.
Salino: A sua energia dá nas vistas e muitas vezes acaba por parecer fazer mais do que aquilo que realmente faz. Ainda assim, é um jogador interessantíssimo, com grande intensidade e boa qualidade técnica. Só falta perceber qual é, realmente, a sua posição no modelo. Os elogios são, por isso, justificados (ainda que sem exageros), mas há que notar também que Salino representa um pouco da quebra de confiança e eficácia do Braga pós-Emirates. Frente ao Shakhtar teve 2 clamorosas ocasiões e, agora, mais um “penalti em movimento”. Como seria diferente a história - sua e da equipa - se tivesse tido um bom aproveitamento destas ocasiões...
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27.9.10
Marítimo - Benfica: Análise e números

Notas colectivas
Criou várias oportunidades de golo, mas não dá para dizer sequer que o Benfica tenha feito uma exibição fulgurante em termos de uma superação própria. Um pouco à imagem do que acontecera com o Sporting – embora com evidentes diferenças de qualidade e abordagem ao jogo – o Marítimo foi uma equipa demasiado inocente e permissiva em termos defensivos. Assim, e face a este Benfica, não só não podia disputar a posse – algo que estrategicamente não se propôs fazer – como não podia controlar defensivamente o adversário.Mais do que os níveis de organização em cada um dos momentos, deve-se questionar a fraca intensidade dos insulares no desempenho da sua proposta de jogo. Baixar o bloco para depois jogar com o espaço era a estratégia, mas o Marítimo acabou a permitir que o Benfica fosse perigoso pela exploração do espaço a partir de momentos de transição e, até, a partir de situações simples como lançamentos laterais no meio campo contrário. Ora, se o objectivo é tirar o espaço ao adversário, como se pode querer ganhar se durante o jogo se permite tantas vezes que este explore a profundidade na transição?
E, assim, sempre dentro da qualidade do seu modelo, com a influência de Carlos Martins e a capacidade desequilibradora de Gaitan, Coentrão e Saviola, o Benfica foi criando e criando até chegar, finalmente, ao seu golo. O alerta escrevi-o no inicio: é preciso mais eficácia e tranquilidade em vários pormenores. A finalização é um capítulo óbvio, mas houve também 2 ou 3 perdas de bola em posse que ofereceram situações de golo que o Marítimo usufruiu e pouco fez por criar.
Notas individuais
Vou optar por comentar alguns jogadores individualmente:Luisão – Está ser um inicio de época muito bom em termos individuais e na Madeira terá feito, talvez, a sua melhor exibição. Impressionante o domínio que consegue sobre a sua zona, a eficácia com que se move tacticamente fora dela e a lucidez que revela. Houve um tempo em que era muito criticado. Hoje, com organização e estabilidade no seu sector, percebe-se o grande jogador que é. Um alerta para que se distinga sempre o que é colectivo, do que é individual.
Javi Garcia – Continuo a achar que Airton tem mais capacidade para o lugar. Talvez não tenha a personalidade do espanhol, mas é tecnicamente muito mais fiável. Javi Garcia sabe de cor o que tem de fazer. Restabelece equilíbrios, pressiona no momento da saída em transição do adversário e é tacticamente quase perfeito. O problema é que em posse compromete em quase todos os jogos e dessas situações resulta, quase sempre, uma oportunidade de perigo para o adversário. Deve corrigir isso rapidamente.
Carlos Martins – Fez um bom jogo, muito influente e com a intensidade que se lhe conhece. Neste momento, e face ao rendimento do argentino, o Benfica não fica a perder com ele em relação a Aimar. Fica a perder, isso sim, em relação ao Aimar do ano anterior, mas isso é outro assunto. Apenas a apontar-lhe alguma necessidade de ser mais criterioso no passe.
Coentrão e Peixoto – Coentrão é o melhor extremo do Benfica. Mas também é o seu melhor lateral, e é melhor lateral do que extremo, digo eu. Peixoto fez um jogo muito bom, mas não tenho grandes ilusões. Se for solução, o Benfica acabará por pagar por isso. Tem técnica e capacidade, mas não tem intensidade para jogar numa função defensiva. Intensidade em termos de agressividade defensiva e, sobretudo, intensidade ao nível da concentração em posse. São várias as perdas de Peixoto ao longo dos jogos que analisei – não neste – e essa é uma tendência que não desaparece subitamente.
Gaitan – Fez o seu melhor jogo e prova que vem em crescimento. Jogou bem, movimentou-se bem, criou vários desequilíbrios e – importante! – teve também uma grande utilidade colectiva em termos defensivos. Como reparo fica o trauma da finalização e, ainda, alguma falta de preocupação com a certeza do passe em certas zonas – uma reincidência que deriva da tal diferença com a forma como decidia na Argentina.
Saviola – Voltou a jogar ao mesmo nível. Movimentando-se e criando apoios em todas as situações ofensivas, é o garante da fluidez do jogo do Benfica no último terço. O que o torna especial, é que faz isto todos os jogos.
Cardozo – Acabou muito criticado e não fez o jogo que conseguiu frente ao Sporting. Não fez porque não marcou, e não fez porque voltou a não ter – nem de perto! – o mesmo nível de influência e participação. Ainda assim, esteve em vários lances ofensivos e teve também períodos onde se moveu e apareceu mais. Só joga quando lhe apetece e esse continua a ser o problema.
Salvio – É um jogador em formação e duvido que o Benfica seja, nesta altura, o melhor para si. Mas talvez ainda dê para perceber o potencial enorme que este jogador tem.
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20.8.10
Benfica - Académica: Análise, vídeo e números
O caso do jogador de ténis que chega ao topo e depressa cai nos meses seguintes. Ou, pior ainda, ganha um set por 6-0 e perde o seguinte. No ténis é mais fácil. Não há tantas variáveis e é mais simples isolá-las – ninguém vai dizer que é das sapatilhas ou da raquete que mudou. Já no futebol, a coisa é diferente. O factor psicológico não se isola tão facilmente e é difícil encontrar alguém que o distinga como a causa principal. É mais fácil falar da táctica – do sistema, claro – ou fazer raciocínios lineares, que distinguem como causa principal as individualidades que estavam antes e não estão depois. Regra geral, tudo sofismas. O caso do Benfica é um pouco este, o do jogador de ténis que estava em ascendente e, de repente, não consegue reagir a uma crise de confiança onde mergulhou sem saber muito bem como nem porquê. Pelo menos, é isso que me dizem os “sintomas”.
É verdade que a derrota foi um acaso, dificilmente repetível em idênticas circunstâncias, mas também é um facto que a produção foi demasiado medíocre para ser considerável dentro dos parâmetros do que é aceitável. Apenas por 3 vezes, e sempre pelo mesmo protagonista, o Benfica colocou realmente em perigo a baliza "estudante". Muito, muito pouco.
Na verdade, o Benfica que Jesus propõe nem precisa de ser altamente eficaz em posse. Precisa apenas de fazer a bola chegar jogável ao último terço. Depois de lá chegar, o perigo pode vir directamente da jogada inicial, ou indirectamente da capacidade de reacção à perda, que é fortíssima. Aliás, esta capacidade é uma das grandes explicações para o sucesso do Benfica no ano anterior. O problema – como ilustra o vídeo – é que o momento actual não permite sequer que a bola chegue útil e com frequência ao último terço.
A minha explicação passa um pouco por aquilo que acontece com o tal jogador de ténis que utilizei como analogia. A confiança em excesso transforma-se em sobranceria que, em competição, resulta numa perda de intensidade e concentração que propicia o erro. De repente, os níveis de confiança caem a pique sem que esta evolução seja percepcionada. É por isto que, em competição, a exigência e seriedade são sempre um requisito para o sucesso contínuo. Sempre.
O caminho passa, agora, por tentar fazer a equipa sair deste buraco psicológico, porque quando o fizer terá de novo qualidade técnica e táctica para regressar ao nível elevado onde já esteve. Apostar em novos jogadores poderá ser a maneira aparentemente mais fácil, mas dificilmente será aquela que renderá mais resultados. Para já, uma coisa é certa: vitórias precisam-se!
De resto, Jesus pareceu concordar com o popularizado tema das “alas” e juntou a 2 laterais ofensivos, 2 médios com tendência para abrir. Mas o problema deste Benfica não são as “alas” - ou “asas” - que enchem as manchetes. Seria simples, e o futebol raramente o é. Abdicar de um jogador criativo como Carlos Martins, especialmente no momento actual de Aimar parece-me, isso sim, ter sido um erro para as opções que dispunha o técnico.

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Notas colectivas
É de facto difícil de entender este fenómeno e poucos são aqueles que minimamente se aproximam da sua razão. O Benfica não é tacticamente mais fraco – o modelo é o mesmo – e as individualidades em falta não podem ser a explicação, porque o rendimento presente é demasiado inferior a um passado onde, embora bem mais desfalcada, a equipa fez bem melhor. Mais do que o efeito da perda dos que não estão, o problema passa muito mais pela diferença de rendimento dos que ficaram.É verdade que a derrota foi um acaso, dificilmente repetível em idênticas circunstâncias, mas também é um facto que a produção foi demasiado medíocre para ser considerável dentro dos parâmetros do que é aceitável. Apenas por 3 vezes, e sempre pelo mesmo protagonista, o Benfica colocou realmente em perigo a baliza "estudante". Muito, muito pouco.
Na verdade, o Benfica que Jesus propõe nem precisa de ser altamente eficaz em posse. Precisa apenas de fazer a bola chegar jogável ao último terço. Depois de lá chegar, o perigo pode vir directamente da jogada inicial, ou indirectamente da capacidade de reacção à perda, que é fortíssima. Aliás, esta capacidade é uma das grandes explicações para o sucesso do Benfica no ano anterior. O problema – como ilustra o vídeo – é que o momento actual não permite sequer que a bola chegue útil e com frequência ao último terço.
A minha explicação passa um pouco por aquilo que acontece com o tal jogador de ténis que utilizei como analogia. A confiança em excesso transforma-se em sobranceria que, em competição, resulta numa perda de intensidade e concentração que propicia o erro. De repente, os níveis de confiança caem a pique sem que esta evolução seja percepcionada. É por isto que, em competição, a exigência e seriedade são sempre um requisito para o sucesso contínuo. Sempre.
O caminho passa, agora, por tentar fazer a equipa sair deste buraco psicológico, porque quando o fizer terá de novo qualidade técnica e táctica para regressar ao nível elevado onde já esteve. Apostar em novos jogadores poderá ser a maneira aparentemente mais fácil, mas dificilmente será aquela que renderá mais resultados. Para já, uma coisa é certa: vitórias precisam-se!
Notas individuais
A estatística pode enganar em muitos casos, mas não neste. A tal quebra psicológica é percebida pelo contraste entre Coentrão e os outros. Entre estes “outros”, é importante notar a presença de Aimar e Saviola. Já o tinha revelado na pré época – eu e as estatísticas – e os primeiros jogos a sério confirmaram-no. Se estes foram os grandes pilares da época passada, acho também justo destacá-los como aqueles que mais contribuem para a quebra actual. Não que o seu rendimento seja inferior à generalidade, mas porque a diferença é maior e mais significativa para a própria equipa.De resto, Jesus pareceu concordar com o popularizado tema das “alas” e juntou a 2 laterais ofensivos, 2 médios com tendência para abrir. Mas o problema deste Benfica não são as “alas” - ou “asas” - que enchem as manchetes. Seria simples, e o futebol raramente o é. Abdicar de um jogador criativo como Carlos Martins, especialmente no momento actual de Aimar parece-me, isso sim, ter sido um erro para as opções que dispunha o técnico.

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15.9.09
Análise vídeo: lances da jornada
Perto da perfeição – Em organização ofensiva é mais difícil. Ou melhor, normalmente, porque de quando em vez surgem estes exemplos de jogadas que fazem parecer tudo muito fácil. Foi o caso do primeiro golo portista. A velocidade é fantástica, mas o que realmente destrói a estrutura defensiva é a coordenação entre os movimentos de cada um dos jogadores.
Várias notas. A começar por Hulk que, sem tocar na bola, tem provavelmente o papel mais determinante. Depois Alvaro Pereira, que se começa a tornar num caso sério pela forma como capitaliza os bons movimentos que acontecem no seu flanco, atacando a profundidade. Raul Meireles, como sempre impecável sem bola. A sua acção é preponderante para a resposta ao cruzamento no centro da área, e é-o porque, mais uma vez, Raul chega a tempo de importunar na zona de finalização. Finalmente, Varela. O seu movimento é corretíssimos, confirmando o seu crescimento em termos de movimentações sem bola, tornando-o em mais do que um extremo agarrado à linha. O facto de vir de trás dá-lhe vantagem sobre os defesas e ele aproveita isso para os surpreender. O único reparo vai para a menor sincronia entre o seu movimento e o de Falcao. O ideal seria serem complementares e não coincidentes.
Aproveitar o momento... com qualidade – Um central marcar não é comum. Numa jogada que acontece em ataque organizado, então, é mesmo uma raridade. Fê-lo Rolando em mais uma jogada que evidencia o bom movimento ofensivo portista, mas que revela também os problemas por que passou o Leixões, em particular depois do segundo golo.
Começo por destacar algo que também esteve na origem do primeiro golo, a falta de pressão sobre os centrais quando são estes quem organiza. Penso ser fundamental para conseguir uma boa pressão colectiva, mas várias vezes ela é inexistente em equipas que se procuram defender demasiado atrás. Depois, e quando Rolando se decide pela progressão, é visível a total ineficácia dos 3 jogadores que se aproximam. Não condicionam a decisão nem o momento de passe e, mais importante ainda, não limitam linhas de passe. E, ali bem perto, Hulk estava livre. Aliás, sobre Hulk, mais uma vez o destaque para o seu papel na criação de um lance ofensivo, inteligentemente encontrando mais um ataque de Alvaro Pereira à profundidade. Nota nesse passe para a forma como a bola atravessa a largura do campo no meio do bloco matosinhense. Isto acontece porque o Leixões definiu poucas linhas defensivas, o que aliás é bem visível na segunda imagem realçada no lance. Outro problema da criação de poucas linhas defensivas (no caso duas) é a distância que se cria entre elas. E isso foi fundamental para que a linha média chegasse sempre tarde à área na resposta aos cruzamentos.
Saviola, fura defesas – É fácil apontar o dedo à defesa azul no “solo” de Saviola. E as criticas são justificadas porque bem mais deveria ter sido feito. Mas o destaque que faço justifica-se pela capacidade de progressão de Saviola em velocidade, com toques muito curtos o que dificulta muito a vida a quem tenta definir um momento para tentar o desarme. Realmente, esta jogada não tem nada de estranho na carreira do jogador. É tudo muito característico. Quer essa capacidade de conduzir em velocidade, quer, depois, a forma como não tem receio de forçar alguns ressaltos dentro da área.
Ramires, em transição – A carreira de Ramires está a corresponder em absoluto às expectativas que dele tinha. Um jogador com uma notável capacidade física, de processos simples e práticos, mas também sem grande criatividade em organização ofensiva. O seu protagonismo ganha outra dimensão em transição, onde é muito veloz, com e sem bola, e tem sempre a zona de finalização como destino. Já era assim no Cruzeiro e é por isso que a segunda parte do jogo com o Belenenses foi o período onde mais se evidenciou de águia ao peito.
O cruzamento... decide – Liedson foi de novo o herói mas não é sobre ele que quero falar. É, antes, sobre o cruzamento de Moutinho. O facto de ter sido efectuado de primeira é decisivo. O passe atrasado faz com que a defesa inicie um movimento de subida e isso torna-a menos apta a responder à trajectória da bola. É um tipo de execução que, por exemplo, rendia muitas assistências a Rodrigo Tello e que potencia avançados que, como Liedson, se distinguem pela reactividade e não pelo poder físico entre os centrais. Se, como acontece frequentemente, Moutinho tivesse preparado a bola para cruzar, provavelmente o golo nunca teria acontecido.
Lampard avisa – Fantástico o trabalho de Lampard. Primeiro, abre linha de passe, depois recebe com grande qualidade e, finalmente, faz a assistência visionária para Drogba. Um aviso claro para o Porto em vésperas da visita a Londres. No lance, ainda, uma outra nota que vai para o papel do jogador que defende Drogba. Não só o deixa rodar, como ignora em absoluto a possibilidade de colocar o marfinense em fora de jogo.
Catalisador da crise – Talvez tenha sido o golo com maiores consequências na jornada. É verdade que a seguir o Leiria marcou mais 3, mas para quem quer reagir psicologicamente, o primeiro golo é particularmente importante. Não vou comentar o jogo, obviamente, nem sequer a carreira do Setúbal porque só vi a derrocada da Luz. Assim, porém, é impossível.
Lançamento & remate – Os 2 últimos lances falam por si. Um lançamento tão suicida que se torna caricato. E uma jogada que, não fosse a trave, era candidata a bater qualquer golo de Eusébio. Fica para a próxima, Alan!
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Várias notas. A começar por Hulk que, sem tocar na bola, tem provavelmente o papel mais determinante. Depois Alvaro Pereira, que se começa a tornar num caso sério pela forma como capitaliza os bons movimentos que acontecem no seu flanco, atacando a profundidade. Raul Meireles, como sempre impecável sem bola. A sua acção é preponderante para a resposta ao cruzamento no centro da área, e é-o porque, mais uma vez, Raul chega a tempo de importunar na zona de finalização. Finalmente, Varela. O seu movimento é corretíssimos, confirmando o seu crescimento em termos de movimentações sem bola, tornando-o em mais do que um extremo agarrado à linha. O facto de vir de trás dá-lhe vantagem sobre os defesas e ele aproveita isso para os surpreender. O único reparo vai para a menor sincronia entre o seu movimento e o de Falcao. O ideal seria serem complementares e não coincidentes.
Aproveitar o momento... com qualidade – Um central marcar não é comum. Numa jogada que acontece em ataque organizado, então, é mesmo uma raridade. Fê-lo Rolando em mais uma jogada que evidencia o bom movimento ofensivo portista, mas que revela também os problemas por que passou o Leixões, em particular depois do segundo golo.
Começo por destacar algo que também esteve na origem do primeiro golo, a falta de pressão sobre os centrais quando são estes quem organiza. Penso ser fundamental para conseguir uma boa pressão colectiva, mas várias vezes ela é inexistente em equipas que se procuram defender demasiado atrás. Depois, e quando Rolando se decide pela progressão, é visível a total ineficácia dos 3 jogadores que se aproximam. Não condicionam a decisão nem o momento de passe e, mais importante ainda, não limitam linhas de passe. E, ali bem perto, Hulk estava livre. Aliás, sobre Hulk, mais uma vez o destaque para o seu papel na criação de um lance ofensivo, inteligentemente encontrando mais um ataque de Alvaro Pereira à profundidade. Nota nesse passe para a forma como a bola atravessa a largura do campo no meio do bloco matosinhense. Isto acontece porque o Leixões definiu poucas linhas defensivas, o que aliás é bem visível na segunda imagem realçada no lance. Outro problema da criação de poucas linhas defensivas (no caso duas) é a distância que se cria entre elas. E isso foi fundamental para que a linha média chegasse sempre tarde à área na resposta aos cruzamentos.
Saviola, fura defesas – É fácil apontar o dedo à defesa azul no “solo” de Saviola. E as criticas são justificadas porque bem mais deveria ter sido feito. Mas o destaque que faço justifica-se pela capacidade de progressão de Saviola em velocidade, com toques muito curtos o que dificulta muito a vida a quem tenta definir um momento para tentar o desarme. Realmente, esta jogada não tem nada de estranho na carreira do jogador. É tudo muito característico. Quer essa capacidade de conduzir em velocidade, quer, depois, a forma como não tem receio de forçar alguns ressaltos dentro da área.
Ramires, em transição – A carreira de Ramires está a corresponder em absoluto às expectativas que dele tinha. Um jogador com uma notável capacidade física, de processos simples e práticos, mas também sem grande criatividade em organização ofensiva. O seu protagonismo ganha outra dimensão em transição, onde é muito veloz, com e sem bola, e tem sempre a zona de finalização como destino. Já era assim no Cruzeiro e é por isso que a segunda parte do jogo com o Belenenses foi o período onde mais se evidenciou de águia ao peito.
O cruzamento... decide – Liedson foi de novo o herói mas não é sobre ele que quero falar. É, antes, sobre o cruzamento de Moutinho. O facto de ter sido efectuado de primeira é decisivo. O passe atrasado faz com que a defesa inicie um movimento de subida e isso torna-a menos apta a responder à trajectória da bola. É um tipo de execução que, por exemplo, rendia muitas assistências a Rodrigo Tello e que potencia avançados que, como Liedson, se distinguem pela reactividade e não pelo poder físico entre os centrais. Se, como acontece frequentemente, Moutinho tivesse preparado a bola para cruzar, provavelmente o golo nunca teria acontecido.
Lampard avisa – Fantástico o trabalho de Lampard. Primeiro, abre linha de passe, depois recebe com grande qualidade e, finalmente, faz a assistência visionária para Drogba. Um aviso claro para o Porto em vésperas da visita a Londres. No lance, ainda, uma outra nota que vai para o papel do jogador que defende Drogba. Não só o deixa rodar, como ignora em absoluto a possibilidade de colocar o marfinense em fora de jogo.
Catalisador da crise – Talvez tenha sido o golo com maiores consequências na jornada. É verdade que a seguir o Leiria marcou mais 3, mas para quem quer reagir psicologicamente, o primeiro golo é particularmente importante. Não vou comentar o jogo, obviamente, nem sequer a carreira do Setúbal porque só vi a derrocada da Luz. Assim, porém, é impossível.
Lançamento & remate – Os 2 últimos lances falam por si. Um lançamento tão suicida que se torna caricato. E uma jogada que, não fosse a trave, era candidata a bater qualquer golo de Eusébio. Fica para a próxima, Alan!
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