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19.12.11

Benfica - Rio Ave: opinião e estatística

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- Todos os jogos começam 0-0, mas, diz-se e eu concordo, nenhum parte totalmente desligado do que ficou para trás. Este, particularmente, terá começado em grande medida na mudança táctica que Jesus introduziu a meio da primeira parte do jogo na Madeira. Witsel passou a jogar na ala, Aimar ao meio e Rodrigo como avançado. O Benfica não impressionou, mas os efeitos foram suficientemente positivos para que Jesus mantivesse a ideia até este jogo, alterando alguns protagonistas, sim, mas repetindo a ideia base. Os cinco golos voltam a dar nova força a uma opção que, em boa verdade, recupera a especificidade da filosofia que marcou as duas épocas anteriores do Benfica, tanto no que de bom traz, como nos riscos que pode acarretar. Sobretudo, é interessante observar as diferenças...

- A grande alteração, a meu ver, está na especificidade do 10. Com Aimar mais recuado, o Benfica ganha maior mobilidade na solução de saída pelo corredor central, mais facilmente explode e desequilibra por essa via, mas também se expõe muito mais ao erro e ao risco de transição. A oportunidade dos méritos ofensivos teve reflexo principal na primeira época de Jesus, a ameaça da perda em fase de construção, por outro lado, ficou bem patente no inicio da temporada passada. Não tem tudo a ver com Aimar, é claro, a própria mentalidade de Jesus o potencia, mas é quando puxa o argentino para zonas de construção que o radicalismo deste futebol de "vertigem e velocidade" (recuperando os termos de Villas Boas) mais se proporciona. Não é difícil percepcionar os méritos de Aimar, e a ameaça que representa quando o jogo se aproxima do último terço, e por isso é um jogador tão elogiado e acarinhado por todos. O seu futebol de toques curtos e repentinos é raro e pode ser devastador quando jogo chega "entrelinhas", mas esse perfil de progressão implica também alguns riscos quando é iniciado mais atrás. É que se o Benfica tem uma reacção muito forte à perda quando a bola chega ao último terço, nem o Benfica nem nenhuma equipa se prepara tacticamente para perder a bola em construção, e esse é o risco que passou a correr, quer na Madeira, quer agora frente ao Rio Ave, com o número de perdas de risco a aumentar em paralelo com o número de oportunidades que a equipa construiu.

- Mas não passa apenas pela alteração no meio campo, a explicação da boa capacidade de desequilíbrio da equipa neste jogo. Há dois nomes que importa referir: Saviola e Nolito. O argentino vem fazendo um campeonato muito bom em termos de capacidade de desequilíbrio (já o ano passado o fez, pelo menos na primeira metade), justificando, a meu ver, mais tempo do que aquele que vem tendo. Nolito, é um caso ainda mais radical. O seu futebol não tem perfume algum, como bem atestam os dois golos que marcou. O primeiro, quase que atropelando a defesa e guarda redes adversários até que a bola entrasse na baliza, numa jogada tão pouco ortodoxa que nem o próprio a deve ter imaginado. O segundo, após dominar menos bem, faz uma abordagem em queda que tanto podia servir de remate como de desarme, mas que acaba por surpreender tudo e todos mais uma vez por ser tudo menos esperada. Nolito não acrescenta grande qualidade às dinâmicas de saída em construção, pelo menos quando se compara com outras soluções, e estou convencido de que é por isso que Jesus não lhe tem dado mais minutos, mas o facto é que nenhum jogador é tão eficaz como o espanhol no que respeita à criação de golos e lances de perigo. E não há nada mais valioso do que um jogador que tem a capacidade de aproximar a equipa do golo. Quando observei os jogos de Nolito no Barcelona B deparei-me esta mesma dificuldade: O jogador criava muitos lances, mas num estilo que era difícil de acreditar poder manter-se com o tempo. Talvez Jesus tenha pensado o mesmo, mas a verdade é que Nolito tem prolongado essa capacidade no tempo e isso deveria justificar-lhe mais tempo de jogo do que aquele que teve até agora. Seja como for, quer Saviola quer Nolito têm concorrência de grande qualidade, e a decisão não é fácil para Jesus.

- É impossível não gostar deste futebol de risco, que potencia momentos de fulgor e êxtase nos adeptos e que é capaz de fazer repetir várias goleadas. Mesmo Witsel, penso ficar mais bem enquadrado na ala. Com esta resposta, Jesus dificilmente deixará de repetir a fórmula na segunda metade da época, mas também estou bastante seguro de que regressará à fórmula anterior, com Witsel no meio e Aimar mais à frente, assim se aproximem os jogos perante adversários de maior calibre.

- Uma palavra para o Rio Ave, que teve boas condições para causar uma surpresa na Luz. Estrategicamente abdicou de um jogo de construção e apostou tudo em fazer chegar o jogo de forma directa à frente da defesa do Benfica. A verdade é que o conseguiu, quer pela boa resposta nessa abordagem mais directa, quer pela qualidade de grande parte dos seus jogadores (Yazalde, provavelmente o mais inspirado). As aspirações da equipa de Carlos Brito, porém, ficaram repentinamente reduzidas a pó, com o final avassalador de primeira parte do Benfica. A grande parte da justificação, é claro, vai para o mérito do jogo do Benfica, mas há também que referir que os de Vila do Conde não tiveram grande felicidade nesse período, sendo a desvantagem de 2 golos provavelmente excessiva ao intervalo...
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21.9.11

Rio Ave - Sporting: opinião

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- E, de novo, permanece a curiosidade em torno do trajecto do Sporting no campeonato. Particularmente, o contraste dos níveis de eficácia ofensiva, das primeiras 2 jornadas para as 2 mais recentes, é quase radical. Tudo somado, temos um registo de eficácia ofensiva acumulada já dentro dos parâmetros normais e superior ao da própria equipa na época anterior, por exemplo. O problema, ao nível dos indicadores de performance, centra-se agora a 2 níveis. Primeiro, e talvez mais importante, deve preocupar a perda de capacidade para criar um maior número de desequilíbrios e, do outro lado do campo, a enorme percentagem de eficácia das equipas contrárias, que se encontra em níveis insustentáveis (O Sporting sofreu 1 golo a cada 1,75 oportunidades dos seus adversários, contra 1 em 2,2 do Benfica - também elevado - e 1 em 3,7 do Porto).

- Relativamente ao jogo, há vários aspectos a abordar, mas vou começar pelos mais positivos, a dinâmica nos corredores e a transição defesa-ataque. Relativamente aos corredores, o problema destacado após o jogo de Paços de Ferreira, das dinâmicas restritas a 2 jogadores, foi claramente corrigido, com Schaars a aproximar-se mais de Insua e Capel, e, do outro lado, Elias a fazer o mesmo. Aliás, o corredor direito promete muito com este papel do brasileiro. A direita foi, outra vez mas melhor, o "motor" da equipa, e falta-lhe apenas alguma melhor definição e acréscimo de criatividade quando chega próximo da área. Não tenho dúvidas de que vai surgir em breve. O outro ponto, a transição defesa-ataque, foi novidade até porque anteriormente o tipo de jogos não havia permitido a exploração desse momento. De novo, Elias teve um impacto muito positivo neste plano. São dois pontos relevantes.

- Agora, os problemas. Em organização defensiva, parece-me haver alguma indefinição no papel dos médios, na pressão sobre a construção contrária. A equipa aproxima o médio interior direito (Elias e, depois, André Santos) do avançado, num comportamento próximo do que é característico no 4-2-3-1. Mas é Schaars quem sai sobre a bola do lado esquerdo, ficando Rinaudo "entrelinhas". Ou seja, quando, Schaars faz este movimento e a bola volta ao central do lado oposto, Elias fica longe da jogada (por estar próximo de Wolswinkel) e é Rinaudo quem tem de se aproximar, abrindo o espaço nas suas costas. Este não foi um problema com consequências no jogo, até porque esta variação do ponto de saída de bola, por parte do Rio Ave, raramente existiu. É apenas um pormenor de observação, faltando-me perceber a sua origem, se é intencional ou se foi apenas pontual. De todo o modo, parece-me claro que há a necessidade de clarificar os papeis dos médios neste momento (organização defensiva), e em várias fases. Por exemplo, vemos pontualmente jogadores (Rinaudo e Schaars) a fazer acções de pressão instintivas, que acabam por conduzir o adversário no sentido contrário ao interesse colectivo. Não creio que seja essa a intenção. Outra questão é o porquê do Sporting ter deixado de definir zonas de pressão mais altas? Não estou a discutir se o deve ou não fazer, apenas a questionar-me sobre a relação entre o bloco médio-baixo que vemos e a tal indefinição que ainda me parece existir no papel dos médios perante a construção contrária. É que para pressionar mais alto, é preciso ter claro quais os jogadores que se juntam avançado na primeira linha. Enfim, também pode ser estratégico...

- Outro ponto, e aqui entro naqueles que me pareceram os motivos para o menor domínio do Sporting em boa parte do jogo, tem a ver com a construção. É muito difícil o Sporting ter uma boa circulação baixa com os centrais que tem. Por exemplo, com Polga a bola raramente entrava directamente no lateral, com Onyewu, entra quase sempre. Qual é o problema? Com esta dependência, facilmente o adversário anula as soluções de passe na primeira linha (4 jogadores), com apenas 2 unidades, podendo depois fechar o campo no corredor. Ao Sporting, valeu o bom jogo de posse dos jogadores desse lado (direito), mas foi ainda assim limitativo. Não só a equipa foi incapaz de usar a circulação como forma de gerir o jogo, como esse factor condicionou outro momento, o da transição ataque-defesa, quando a bola não entrava no último terço...

- Sobre a transição ataque-defesa, volto aos médios, e a um em particular, Schaars. A amplitude de acção que é exigida à sua posição é enorme. Tem de dar apoio ao corredor, de oferecer soluções de passe ao centro, de fazer movimentos de profundidade e de aparecer ao lado do avançado para finalizar. Mas tem, também, de defender. Mais difícil do que saber o que fazer, é ser-se capaz de fazer tanta coisa, e Schaars tem problemas evidentes ao nível da resposta defensiva, e o seu papel não pode ser o mesmo de Elias, por exemplo. Não estou, obviamente, a colocar todas as responsabilidades nos ombros do holandês, mas parece-me um caso que deve ser melhor considerado, nomeadamente a gestão das acções ofensivas dos médios e o consequente equilíbrio em transição. O facto é que o Sporting teve alguns problemas para controlar este momento, quando a perda acontecia à entrada do último terço, em zonas onde são os médios/extremos a fazer a primeira reacção. Claro, também contribuiu o amarelo a Rinaudo, que impediu o argentino de manter a mesma agressividade na contenção, a partir desse momento. Ainda assim, e como sempre, o argentino voltou a estar fantástico na resposta dada a este nível.

- Finalmente, comentar dois casos individuais, Rui Patrício e Onyewu. O guarda redes teve um jogo horrível e grande parte da reacção do Rio Ave deve-se a ele. Porque foi de um erro seu que saiu o primeiro motivo de crença para os vilacondenses, numa saída aérea desastrada, e porque o 1-2 é decisivo para o crescimento motivacional do Rio Ave, sendo um golo absolutamente proibitivo de sofrer. Os problemas a outros níveis não têm a ver com ele, obviamente, mas o guarda redes é decisivo na definição dos resultados e a tal diferença de eficácia defensiva para os rivais não pode ser dissociada da má fase de Patrício neste inicio de temporada. Sobre Onyewu, é um caso interessante... Estamos perante um jogador que, a meu ver claramente, não tem qualidade para jogar a este nível, nos 4 momentos tácticos do jogo, sendo uma condicionante óbvia tê-lo em campo. Mas... e as bolas paradas? O Sporting tem um histórico terrível neste detalhe, quer no plano ofensivo, quer no plano defensivo, e o americano tem-se revelado uma mais valia clara a esse nível. 5 das 12 intervenções defensivas em lances desse género, foram dele, e em 2 jogos igualou o registo acumulado de golos na Liga de Polga e Carriço. Juntos e em mais de 250 jogos! Se fosse Andebol, tinha solução, assim, é mais difícil...
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22.3.11

Triunfos de Benfica e Braga (Breves)

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- Foi à custa de uma eficácia assinalável, é certo, mas não se estranha muito o atropelo do Paços. A carreira dos "castores" é notável, mas, para quem acompanha com atenção o trajecto da equipa, é fácil constatar que a equipa sente muito a falta de algumas unidades base. Com as ausências que tinha - e mesmo contra um Benfica sem muito pelo que jogar - o previsível era que sentisse muitas dificuldades. Assim foi. Uma nota para a equipa do Paços, para assinalar que, antes do treinador, é melhor olhar para algumas individualidades. Outra nota para Nuno Gomes: sem que isso lhe retire mérito, é conveniente não confundir veia goleadora nas fases terminais de jogos, com alto rendimento...

- Um nota sobre o jogo e o festim de golos: diz-se frequentemente que "se o futebol fosse sempre assim os estádios estariam sempre cheios". Será mesmo? Não há algo de estranho aqui? É que, se o futebol é o desporto mais popular do mundo, conquistou esse estatuto sendo sempre, e precisamente, aquele que menor pontuação (menos "golos") tinha para oferecer. Os adeptos podem dizer que gostam muito de golos, mas as evidências não mostram que, neste aspecto, quantidade é tudo menos qualidade...

- Um pouco antes, em Braga, um jogo muito interessante, envolvendo 2 das melhores equipas do momento, no futebol português. E provaram-no. Venceu o Braga, com dificuldade, mas também com alguma justiça. Pena que o Rio Ave tenha tido tão mau arranque de temporada, porque estaria, nesta altura, ao nível da competição pela Europa. Quanto ao Braga, e se não tiver nova ronda de lesões e adversidades, vai acabar por confirmar o meu prognóstico inicial: ou seja, não é - nem nunca poderia ser - um candidato ao título, mas seria sempre um candidato a ter em conta para o 3ºlugar...

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14.3.11

Rio Ave - Sporting: Análise e números

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Os indícios negativos que, ainda que brevemente, comentara a propósito da exibição frente ao Beira Mar, confirmaram-se em Vila do Conde. Juntou-se-lhes a maior qualidade do adversário e o Sporting deve ter feito, muito provavelmente, a exibição mais incapaz deste campeonato. Será discutível, mas considerando todos os elementos de análise, eu arriscaria o "prémio": a pior exibição! Há que considerar, obviamente, o bom jogo do Rio Ave – uma das melhores equipas da liga, neste momento. Mas nem isso, nem a situação presente do Sporting, são suficientes para que se perca alcance critico ao que vai sendo feito com esta equipa do Sporting. E, nesse plano, há alguns pontos merecedores de atenção...

Notas colectivas
Começando por um aspecto que me parece importante: o discurso e atitude de Couceiro. As “chicotadas psicológicas”, como já tentei demonstrar no passado, podem ter um efeito prático útil. A explicação não está num “milagre táctico”, mas numa inversão do estado de espírito de equipas emocionalmente arrasadas. Ora, no caso do Sporting, esse efeito arrisca-se a ser particularmente reduzido. É que para que o “chicote” seja útil convém que a nova liderança tenha, pelo menos (já nem falo da capacidade!), determinação e energia para renovar esperanças e atitudes. Couceiro parece não ver nesta sua tarefa uma oportunidade, mas uma espécie de obrigação que cumprirá apenas por não lhe restar alternativa. Talvez Couceiro se ache com muita falta de sorte, mas, vistas bem as coisas, fica a pergunta: quantos serão os treinadores portugueses que não trocariam épocas inteiras por este final de época no Sporting?

A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.

Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.

Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.

Notas individuais
Evaldo – De novo, incrível a forma como está na zona dos lances mas não tem capacidade para se impor.

Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa

André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.

Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.

Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.

Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.

Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.

Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.

Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.

Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).

Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.

Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.


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28.2.11

Benfica, Sporting e a jornada (Breves)

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- O sofrimento levado ao extremo! Domínio habitual, mas desta vez sem eficácia. O Benfica mereceu, obviamente, e acabou mesmo por ganhar. Há, porém, algumas reflexões que valerão a pena sobre a dificuldade como a vitória acabou por ser conseguida. A primeira, tem a ver com a importância dos detalhes no sucesso de uma época discutida entre competidores equilibrados: O Benfica fez mais do que suficiente para ter resolvido mais cedo o jogo, mas não o fez. 2 pontos nesta altura fariam toda a diferença para a manutenção da esperança. 2 pontos hoje, como 3 pontos no inicio da época. O Benfica, com um pouquinho mais de felicidade, poderia ter conseguido um desses 3 pontos que perdeu na fase inicial. Hoje o cenário seria diferente, mas a competência e valor da equipa, esses, seriam os mesmos. A segunda tem a ver com o pensamento indutivo e com algumas conclusões discutíveis que nos são tantas vezes "vendidas" como verdades absolutas: O Benfica sofreu o golo no último quarto de hora e, uma reviravolta em tão curto espaço de tempo depende sempre de algo mais do que o mérito. O que aconteceria se a reviravolta não tivesse sucedido? Lá teríamos de ouvir o discurso do desgaste físico e do efeito inevitável do jogo de quinta feira. O desgaste físico existe, sim, mas é, antes de qualquer outra coisa, uma boa desculpa mental.

- Na Choupana, o último capítulo antes da "era Couceiro". O Sporting, pela qualidade que tem, não se pode queixar muito da sorte. Perdeu e até podia ter sofrido mais, mesmo com 10. Ainda assim, é um facto que perdoou de mais. Há muito que projectei uma eventual luta pela garantia do terceiro lugar. É verdade que o cenário não é exactamente aquele que previra - há bem mais candidatos - mas a projecção confirma-se e trará algum interesse para a recta final do campeonato.

- Falta ainda o Naval-Braga, relevante para 2 patamares da tabela. A jornada começou com a estreia feliz de Ulisses Morais. Uma felicidade que foi mesmo isso, dado o caudal do jogo. Seja como for, isolados alguns de sorte e azar, o Vitória de Machado está dentro dos parâmetros do de Paulo Sérgio, na época anterior. A todos os níveis. O agora ex-treinador do Sporting pode ter mostrado carências para a missão que lhe foi proposta, mas devem contar com ele para ser novamente bem sucedido perante outras realidades e outros objectivos. Outras equipas que começam a reflectir melhor a realidade do seu valor em termos classificativos, são Leiria e Rio Ave. Finalmente, em pólos opostos estão Setúbal - que volta a arriscar a descida - e Paços de Ferreira - que continua a beneficiar muito do "momento" para impressionar toda a gente.

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8.2.11

Porto - Rio Ave: Análise e números

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Tenho para mim que estes são os momentos mais difíceis de entender no futebol e, por isso também, os mais interessantes. Momentos de quebra ou superação das equipas. O Porto está a viver um desses momentos, que não é ainda suficiente para que lhe chamemos de “crise”, mas que urge ser invertido sob pena de justificar esse rótulo. A única coisa que podemos garantir é o efeito, já que a causa, essa, é bem mais difícil de identificar. Normalmente assistimos a um desdobramento de explicações que tentam estabelecer uma relação linear entre uma causa e um efeito. Não acredito nesse tipo de visão redutora para um problema que julgo ter na complexidade uma das poucas certezas em relação à sua origem. Ainda assim, acredito na importância de uma palavra em toda esta equação: confiança.


Notas colectivas
Podemos começar pela leitura do que se viu. O Porto foi sempre dominador, sim. Teve até uma % de sequência em posse bastante elevada. Tudo elementos normais e expectáveis num jogo desta natureza, e que normalmente redundam num volume bastante grande de oportunidades. Não foi o caso, e aqui começam os indicadores atípicos em relação ao jogo: poucos desequilíbrios junto da baliza contrária (2, que é um novo mínimo em jogos para o campeonato), e muitas perdas de bola em posse (10, que é um novo máximo da equipa).

Ou seja, o Porto dominou como é costume, apresentou até alguns bons momentos de fluidez na sua posse, mas não teve a mesma capacidade e rendimento em 2 áreas fundamentais do seu jogo. Primeiro, a segurança, com vários erros a serem cometidos em zona de construção, e, depois, no último terço, não encontrando a inspiração e arrojo para ultrapassar a última barreira do adversário, até onde chegou com bastante frequência.

Perante tudo isto, é muito redutor explicar a situação pelas ausências de Álvaro Pereira e Falcao. É verdade que ao Porto faz falta um lateral mais incisivo, que consiga ser uma solução de profundidade no corredor. Também é evidente que a ausência de Falcao, não só retira qualidade, como altera a dinâmica do trio da frente. Também se pode dizer que Belluschi tem uma objectividade no último terço que teria sido uma mais valia neste jogo. Mas, nada disso explica apenas 2 desequilíbrios e 10 perdas de bola num jogo destes.

Importa também falar sobre Hulk. Não é verdade que Hulk jogue estritamente na posição de Falcao. Ou seja, com Hulk nesse papel, há muito mais trocas posicionais com os 2 extremos, pelo que Hulk, e ao contrário do que acontece com Falcao, aparece frequentemente em zonas laterais. O ponto é que, se a sua influência decisiva caiu nos últimos 2 jogos, tal não terá estritamente a ver com o seu posicionamento base, como muitas análises tentam sugerir. Aliás, as primeiras adaptações de Hulk a esta dinâmica não o impediram de continuar a decidir.

Sobre o Rio Ave, também é interessante referir o tema “confiança”. É uma das equipas mais bem organizadas do campeonato e tem bons jogadores em várias posições – lança muitos portugueses! Na minha leitura, muitas das suas dificuldades no campeonato têm a ver com o impacto emocional dos maus resultados iniciais. Ou seja, perdendo a abrir a prova, a equipa teve dificuldade em estabilizar os níveis emocionais e isso ter-lhe-á custado erros e pontos. Caso contrário, não espantaria que esta mesma equipa estivesse no mesmo plano de Leiria ou Olhanense.

Notas individuais
Sapunaru e Sereno – Continuo a pensar que os laterais beneficiam da qualidade do modelo colectivo, que lhes esconde lacunas e potencia virtudes. Mas continuo a pensar, também, que o modelo colectivo beneficiaria com laterais de outra qualidade e características. Tanto vale para um como para outro.

Otamendi – Regressou, mas não teve um jogo ao nível do que se lhe pode exigir. Não tanto defensivamente, mas pelos erros que cometeu com bola.

Fernando – Foi um dos mais criticados no jogo com o Benfica, e de facto errou nessa partida. Neste jogo, porém, esteve muito mais errático do que a meio da semana. Tem uma capacidade física notável e é uma enorme mais valia em termos de recuperação, mas não pode cometer tantos erros em posse na sua zona.

Ruben Micael – Foi o primeiro a oferecer um ataque rápido ao Rio Ave e voltou a repetir o mesmo tipo de erro mais tarde. No entanto, Micael foi, durante boa parte do jogo, o jogador mais influente do meio campo, notando-se a sua disponibilidade para ter a bola e a sua boa capacidade de decisão. É pena não ter outra agressividade e explosão, porque é um jogador com uma noção excepcional do jogo, notando-se na rapidez com que define o destino que deve dar às bolas que por si passam.

Moutinho – Desta vez foi decisivo. De resto, não fez um jogo excepcional, também errou, mas manteve-se dentro do seu registo altamente fiável de rendimento. Tudo somado, parece-me justo que seja o “melhor em campo”.

Varela – Marcou, é verdade, mas foi pouco o que fez depois.

James – Desta vez não teve a clarividência que o tem caracterizado e não deu a melhor sequência a muito do jogo que por si passou. Por outro lado, continua a perceber-se que ainda não é nele que o Porto pode confiar para ser um “abre latas”.

Hulk – Um dado curioso sobre a sua exibição: muitas vezes Hulk decide mas não dá sequência a muito do jogo que por si passa. Desta vez foi ao contrário. A maioria das bolas que passaram por ele tiveram sequência colectiva, o problema é que não foi decisivo. Há dúvidas sobre o que é mais importante?
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20.12.10

Benfica - Rio Ave: Análise e números

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“A melhor exibição da época”. Jesus não hesitou, a maioria concordou, e eu partilho em parte da ideia. Em parte, sublinho. Não há dúvidas que o Benfica termina o ano num pico de confiança e que, sendo essa a origem fundamental do problema, também este se evaporou em grande medida com o melhor desempenho individual de cada um dos seus jogadores. Mas, como referi, há um lado avesso na avaliação que tenho a fazer. É que, do outro lado da goleada, está também uma exibição plena de erros perfeitamente evitáveis e que explicam a réplica do Rio Ave, com 2 golos e um número incomum de oportunidades.

Notas colectivas
Comecemos então pelo que há de bom: o crescimento de confiança. Não posso assegurar que não seja um acaso, mas é um facto que o discurso voltado para este factor coincide com uma melhoria global da equipa nesse plano. Ter confiança implica que se decida e execute melhor individualmente e, assim, se projecte também o colectivo para níveis de performance mais elevados. É por isso que a confiança é o bem mais precioso de uma equipa, sendo possível dizer que, no limite, um treinador não é mais do que um gestor dos níveis de confiança da sua equipa. Os seus recursos – táctica, treino e liderança – servem para transmitir confiança à equipa e é quando esta é maximizada que o seu rendimento é óptimo. Isso, e vice versa, claro.

Sendo o modelo táctico bom – como é – e os jogadores capazes – como são – não há porque duvidar das próprias capacidades. É por isso que é importante que se interiorize a mensagem de que o rumo é bom e que se os jogadores confiarem nele encontrarão, de novo, o sucesso. Reforçar a série de vitórias e não a diferença pontual é o único caminho que pode devolver esperança à época encarnada.

Dito isto, convém também dizer que quem lidera o processo deve manter uma atitude permanentemente critica e, nesse sentido, há bastantes coisas a melhorar. Primeiro, o número de erros em fase de construção é – e continua a ser – demasiado elevado. Em particular, Sidnei e Javi Garcia estiveram desastrados neste plano. Outra vez, aliás. Depois, há que saber gerir os ritmos e momentos do jogo. Neste ponto, a critica maior vai para as iniciativas de David Luiz que, podendo ser pontualmente úteis ofensivamente, são, defensivamente, quase sempre um risco. Um risco que, em vantagem e com o jogo controlado, deve ser evitado. Finalmente, o “pressing”. Foi o primeiro pilar do Benfica 09/10, e era aí que começavam as dificuldades tremendas dos adversários. Hoje, a realidade não é a mesma e as equipas dividem muito mais o jogo no campo todo, quer em organização, quer em transição. Responsabilidade colectiva ou individual? Não tenho a certeza, mas convinha rever.

Sobre o Rio Ave, assinalar que também o “agridoce” da sua exibição foi condimento essencial para o tipo de jogo que pudemos ver. Mal, esteve apenas defensivamente e muito em particular na primeira parte. Começou por lidar de forma péssima com as movimentações do ataque posicional encarnado, confundindo-se e perdendo harmonia na ocupação dos espaços defensivos sempre que um movimento inesperado acontecia. Depois, e um pouco à imagem da época que está a fazer, reagiu bem e mostrou-se capaz de discutir o jogo no campo todo, ameaçando sucessivamente em transições muito bem preparadas que tinham no cruzamento, e em João Tomás, o objectivo final. Marcou 2 e não foi surpresa nenhuma.

Notas individuais
Coentrão – A nota estatística penaliza-o pelo penalti e expulsão, mas é bom de assinalar que Coentrão voltou a ser ele próprio. Ou seja, foi um jogador cheio de intensidade, agressividade e qualidade em todos os momentos do jogo. Aliás, a sua capacidade de recuperação foi mesmo determinante na fase mais errática da equipa.

David Luiz – O único reparo que lhe faço está escrito acima e diz respeito à frequência com que tenta sair a jogar. O problema não é a sua posição, porque a equipa protege-a com o recuo de Javi Garcia. O problema é o próprio Javi Garcia, que deixa de estar onde está, tornando a transição muito mais difícil de controlar.

Sidnei – Está desacreditado mas penso que tem mais potencial do que lhe é reconhecido nesta altura. O problema é que Sidnei precisa de jogar. E precisa de o fazer por 2 motivos: o primeiro é porque claramente precisa de ritmo e entrosamento colectivo. O segundo é porque só jogando erra, e só errando – como erra quando joga – pode perceber onde tem de melhorar. Até pode ser que nunca o faça, mas só jogando poderá lá chegar.

Javi Garcia
– Teve um dos jogos mais participativos em termos de posse. Não determinante, mas participativo. Javi Garcia, porém, continua a ser a fonte de demasiadas perdas em construção, e um potencial trunfo para os adversários. Não é o número de passes que falha, é o tipo de passes que falha. E todos os jogos é assim...

Aimar – Num jogo em que a equipa conseguiu um mar de desequilíbrios, Aimar esteve apenas em 1, por sinal, para finalizar. Em termos de “pressing”, algo em que se notabilizava no ano anterior pelo número de recuperações que conseguia no meio campo adversário, também continua inexistente. Aimar é sempre Aimar, e tem sempre qualidade, quer com bola, quer sem ela, mas a camisola que trás e aquilo que ela simboliza para o modelo de jogo requer dele mais influência do que a que tem tido. Perante este rendimento, Carlos Martins vale mais.

Gaitan – Jesus facilita-lhe a vida com a definição de que é ao segundo poste que a bola tem de entrar, mas continuo a chamar a atenção para a sua capacidade de cruzamento – para mim, a melhor do campeonato. O recurso valeu-lhe mais 2 assistências e, tudo somado, é um dos 5 jogadores que mais desequilibra na liga (entre os 3 “grandes”), valendo mais de meio golo por jogo completo, somando golos e assistências. Já muito escrevi sobre ele e provavelmente voltarei a fazê-lo, mas não evito o desabafo: meio ano a vê-lo jogar e ainda se repete que é um jogador de corredor central (vá lá que já ninguém diz que é avançado)?!

Salvio – Provavelmente, e em termos estatísticos, a melhor exibição de um jogador no campeonato, até agora. A qualidade de Salvio nunca esteve em dúvida – pelo menos para mim! – mas o seu perfil continua a não ser o ideal para este modelo. Ou, de outro modo, o modelo não é ideal para o seu perfil. Não tem nada a ver com as aspectos defensivos, como quase sempre se confunde (passa-se o mesmo com Gaitan). Tem, isso sim, a ver com aquilo que acontece com bola. Mas deixo mais detalhes sobre esta opinião para outro dia...

Saviola – Está ali na barra lateral: Saviola é o jogador que participa em mais desequilíbrios na liga. E, outra vez, foi assim: só Salvio esteve em tantos como ele. Porque é que isto acontece? Normalmente lê-se e ouve-se falar da sua qualidade técnica... poesias, digo eu! Saviola é um jogador forte tecnicamente, claro, mas só é excepcional por aquilo que faz sem bola. Dentro e fora da área percebe sempre onde deve estar e isso, com esta qualidade, é tão raro que me atrevo a dizer que será quase impossível o Benfica encontrar – acessível, isto é – uma alternativa fiel àquilo que o “Conejo” representa.

João Tomás – Para separar as águas: uma coisa é a sua sapiência de área, realmente invulgar. Outra, é confundir esse atributo com uma envolvência extraordinária no jogo da equipa. João Tomás marcou 2 golos e teve um aproveitamento fantástico na zona de finalização, mas terá sido provavelmente o jogador menos participativo da sua equipa. E isto não é sequer uma critica.

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31.10.10

Vitória do Porto, derrota do Braga e muita chuva (Breves)

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- À partida, esperar-se-ia que fosse ao contrário. Ou seja, faria mais sentido o Porto materializar a sua vantagem na segunda parte, onde o terreno esteve mais "jogável". Não foi, mas apenas por uma questão de eficácia, porque foi mesmo esse o período onde os portistas mais fizeram valer a sua superioridade. Aliás, da mesma forma que se pode dizer que o Porto foi feliz pela eficácia que conseguiu na primeira parte, pode também afirmar-se que foi a mesma eficácia que lhe custou, na segunda parte, o sofrimento final. Duas notas. A primeira para referir que, por muito excepcionais que possam parecer estes jogos, a verdade é que todos os anos os há. Ou seja, fazem parte do "programa" do campeonato e quem quer ser campeão tem de estar preparado para os disputar. A boa parte é que são estas vitórias - sofridas e perante situações inesperadas - que mais motivação geram. A outra nota vai para o penalti. Não sei exactamente qual é o critério para a escolha do marcador, mas imagino que passe muito por jogar com a motivação que marcar um golo sempre dá. Dentro desta ideia, calculo que o facto de Moutinho não ter ainda marcado pesou na escolha. Não quero fazer "prognósticos de segunda feira" e não me vou referir ao aspecto técnico. Apenas me parece que, se a motivação é realmente um critério, talvez não seja Moutinho quem mais precisa de golos para manter os seus níveis de confiança...

- Um pouco antes, também com chuva, o Braga perdeu em Vila do Conde. Pesou muito o detalhe de alguns lances. As bolas nas costas marcaram o inicio, com ambas as defesas a sentir dificuldade em controlar esse espaço, quando a bola os ultrapassava e perdia velocidade. O Braga criou mais ocasiões, mas falhou. O Rio Ave não marcou, mas ganhou o lance que condicionou o jogo. O maior mérito do Rio Ave, em meu ver, vem depois. Soube esperar pelo seu momento no jogo e não sobrevalorizou a vantagem numérica. Ou seja, não se desposicionou, permitindo que o Braga tirasse partido do espaço em transição. É um erro comum em quem joga 11 contra 10. Depois, e já com 1-0, novo momento feliz para os vilacondenses. Bola ao poste de um lado, golo do outro. Acontece. É justo para o Rio Ave, que tem mais qualidade do que indica a tabela, mas precisa urgentemente de confiança. É penalizador para o Braga, que agora provavelmente lidará com objectivos mais realistas. Sempre me pareceu um disparate colocar o Braga ao lado de Porto e Benfica na candidatura ao título, mas também continuo a afirmar que é um sério candidato a um lugar entre os 3 primeiros.

Fica mais um excelente vídeo, com relato, do VascoNapoleão

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26.10.10

Sporting - Rio Ave: Análise e números

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É curioso como as dificuldades de vitória acabaram por se tornar gratificantes para a plateia leonina. Primeiro, claro, porque uma vitória conseguida no limite sabe sempre melhor. Mas também porque o drama dos últimos 10 minutos serviu para reforçar a reconfortante ideia de que o problema do futebol do Sporting está centrado numa estranha empatia com os postes. O tema dos indicadores estatísticos tem sido muito abordado neste blogue, e quem o lê com atenção deverá ser capaz de desmontar rapidamente o sofisma da maior % de posse de bola ou quantidade de remates. É que nenhum destes indicadores é realmente representativo da qualidade de jogo da equipa. Aquilo que noutras área se chama de “Key Performance Indicator” (KPI). O facto é que o Sporting cria, estatisticamente, menos oportunidades que os rivais e, esse sim, será o KPI que os sportinguistas deverão olhar. Mas vamos ao jogo...

Notas colectivas
A dança de cadeiras continua. Paulo Sérgio continua à procura das melhores soluções individuais para os seus problemas colectivos e é por essa via que agora se regressou a uma dupla de ataque. Ou seja, pelo rendimento recente de Liedson e Postiga e não por uma opção sustentada num modelo colectivo.

Ora, dentro desta filosofia, jogar torna-se um pouco como a aprendizagem confessada pelo próprio Presidente sportinguista. Ou seja, faz-se “on the job”. É por isso normal que o Sporting tenha sentido mais dificuldades do que é costume em circular e ter posse na primeira parte. Porque o Rio Ave cria uma zona de pressão um pouco mais alta do que adversários como Olhanense, Nacional ou Marítimo, e porque o próprio Sporting falhou na missão de criar apoios em zona de construção na primeira parte. Um problema ultrapassado com o evoluir do jogo, quando Maniche se aproximou mais de André Santos e tomou finalmente as rédeas do jogo.

Tudo isto se passou, diga-se, sem grandes problemas para o Rio Ave que foi fazendo correr o cronómetro com algum à vontade. É que o Sporting voltou a revelar os mesmos problemas em termos ofensivos. Por um lado, não existiu novamente em transição. Por outro, em construção, voltou a revelar as mesmas dificuldades. Quer pelos poucos apoios criados nos corredores, quer pela inutilidade da generalidade das jogadas que recorreram ao apoio frontal solicitado por Postiga.

Continuando a recorrer a expressões do Universo leonino, o “clique” ter-se-á dado numa jogada muito atabalhoada mas que acabou com um belo pontapé de João Pereira ao poste. Foi a metáfora do caminho para a vitória. Com mais crença e insistência, o Sporting lá chegaria, e assim foi. Acreditou, forçou e em 10 minutos criou tanto como nos restantes 80, acabando, por essa via, a justificar o destino do pontapé de Abel.

Nota final para o Rio Ave. A disposição e organização da equipa foi boa e deve recolher o mérito das dificuldades que o Sporting sentiu na primeira parte. Mas, como já tinha antecipado, o momento negativo teve as suas consequências. Não há ainda confiança para levar o jogo mais longe e manter o Sporting sob ameaça através da saída em transição. O que não houve também foi capacidade mental para reagir melhor no momento da decisão. Se o Sporting acreditou nos últimos 10 minutos, também é verdade que o Rio Ave desconfiou totalmente das suas capacidades. E isso foi decisivo.

Notas individuais
Abel – Foi o herói do jogo, mas devo dizer que a sua utilização suscita muitas reticências. O problema ofensivo do Sporting é essencialmente colectivo, mas não tem nesta opção uma boa forma de individualmente o conseguir contornar. É que, não só o Sporting perde um lateral direito mais desequilibrador, como deixa de contar com um extremo que o aproxime mais facilmente do golo. Pelo rendimento recente, por exemplo Vukcevic. Outro dado a salientar é o facto de, de repente, aparecer a marcar tudo o que é bola parada indirecta. Não sendo especialmente criticável, é especialmente estranho.

Centrais – Nuno André Coelho estava muito bem no jogo, mas Torsiglieri merece também grande destaque. É um jogador mais sóbrio do que Coelho ou Carriço, mas a sua eficácia é enorme. Notável o facto de ter jogado apenas 49 minutos e ter sido um dos jogadores com mais intercepções no jogo. Não me espanta, porque já o conhecia, mas talvez agora se perceba melhor porque digo que o Sporting tem 4 centrais de rara qualidade. Há ainda que falar de Carriço. É indiscutivelmente um excelente jogador, mas não me parece num grande momento. Perdeu alguns duelos individuais, especialmente em jogadas de confronto físico, e isso justifica um nível de eficiência muito mais baixo do que Torsiglieri. Tem um estatuto importante, mas o facto é que não tem sido mais competente do que os seus parceiros de lugar e, por isso, não me parece que nesta altura mereça ser intocável na luta por 1 dos 2 lugares no centro da defesa.

Maniche – Volto a dizer, porque ele volta a merecer: É o melhor jogador do Sporting e provavelmente o melhor médio do campeonato. Impressionante como, jogo após jogo, se impõe no meio campo. Quer ao nível da frequência e qualidade do passe, quer ao nível do trabalho defensivo. Joga sempre a 1-2 toques, e antecipa sempre o destino do primeiro passe de transição. Talvez seja essa velocidade de pensamento e execução que faça com que as pessoas não o notem tanto como mereceria. É que vem sendo assim todos os jogos! Desta vez, e em cima desta capacidade de trabalho, ainda teve tempo para meter 2 bolas fantásticas, colocando Liedson e Postiga na cara do golo.

Salomão – Não é, pelo menos ainda, um jogador capaz de ser determinante no 1x1. Mas Salomão promete mesmo, porque tem noutros aspectos níveis de rendimento muito elevados e que não escapam desde a pré época. Tem uma boa capacidade de decisão, não comprometendo a posse, tem boa atitude defensiva, e – muito importante – uma boa noção do tempo de abordagem à zona de finalização. Pelo que lhe vi, parece-me que se poderá tornar também num jogador muito forte ao nível do cruzamento. O seu futuro está nas suas mãos.

Avançados – O nível de participação de Liedson e Postiga, somados, é elucidativo da forma como o Sporting não sabe, colectivamente, usar os seus avançados. E, diga-se, quer um quer outro estiveram inspirados ao ponto de terem criado várias situações de golo. Liedson dentro de área e Postiga fora dela. O ponto é que o tipo de futebol do Sporting pede aos avançados que sejam pouco móveis e, sobretudo, que esperem na zona central por aquilo que a equipa possa produzir. Daí o tema do “pinheiro”. É pena, porque com um futebol que apelasse mais e melhor à mobilidade dos seus avançados, o Sporting poderia ter outra capacidade...


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31.8.10

Rio Ave - Porto: Análise e números

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Sem descarrilar. O Porto segue o seu caminho dentro dos mesmos eixos, mantendo a sua orientação em bases tão objectivas quanto possível. Não troca o controlo por uma ambição mais dominadora, e privilegia a precaução nos riscos assumidos enquanto espera pacientemente pelo seu momento ofensivo. Afinal, a diferença individual é sempre suficiente para acreditar que, em 90 minutos, haverá pelo menos 1 lance em que essa diferença possa ser espelhada. Para o nível do campeonato pode perfeitamente chegar, mas não podemos ser hipócritas ao ponto de dizer que o Porto deste ano “está melhor”. Pelo menos para já, não está. Continuo à espera desse indicador que marque a diferença em relação ao passado recente e pode até ser que ele chegue na situação em que falta testar a equipa: o teste de “stress”.

Notas colectivas
Carlos Brito queixou-se da sua equipa e tem razões para isso. O Rio Ave permitiu demasiada liberdade à construção portista durante boa parte do primeiro tempo. Deu-lhe tempo e espaço para pensar e isso começou por condicionar as aspirações do Rio Ave no jogo. A facilidade com que Fernando se tornou no elemento mais influente do jogo é o espelho dessa imprudência.

Ainda assim, nunca o Porto encurralou o Rio Ave e nunca teve um período em que conseguisse grande ascendente junto da baliza contrária. O jogo acabou por se decidir naquilo em que, pelo menos para já, o Porto de Villas Boas parece apostar tudo: na concentração e no talento individual. Foi assim no primeiro golo, em que a bola podia ter sido aliviada e acabou perdida na lateral da área. E foi assim também no segundo, em que uma perda de bola se transformou num ataque rápido e bem conduzido pelos jogadores portistas. Fora isso, e em boa verdade, poucos mais motivos houve para justificar a vantagem portista. Mas também não era preciso.

Para já – e repito a ideia – este Porto sabe o que quer dos jogos e esse é o seu grande mérito. Mas, para já também, não é uma equipa que mereça grandes elogios. A importância da componente individual é enorme e talvez seja aí onde o trabalho de Villas Boas mais deva ser destacado. No rendimento que tem tirado de unidades fundamentais como Hulk e Belluschi. É verdade que com esse “poder de fogo” o que existe pode chegar para o objectivo interno, mas também é verdade que não se vê uma equipa particularmente entusiasmante em nenhum aspecto. Sem bola, prefere isolar Falcao e fazer dele o “leme” do pressing, em vez de arriscar mais em termos de agressividade sobre a saída de bola contrária. Em organização, há uma boa circulação, mas nada que mereça, para já, particular adjectivação.

Este Porto está a ganhar e pode até continuar a fazê-lo, mas, pessoalmente, continuo à espera de mais...

Notas individuais
Começo por Falcao. Na verdade este seria um assunto mais próprio para a análise colectiva porque o “apagão” da Falcao tem muito mais a ver com o isolamento a que é sujeito, do que com a uma responsabilidade do próprio. Sem bola, tem uma missão importante, que é de orientar o pressing, mas a sua agressividade não serve de muito em organização defensiva porque está demasiado isolado para poder ambicionar recuperações. Talvez seja um desperdício mas é, ainda assim, uma opção colectiva legítima. A maior critica que tenho a fazer – e outra vez! – é para o pouco uso do jogador nas acções ofensivas. Falcao não serve de referência para as primeiras bolas e é pouco solicitado em apoios frontais. A sua função é esperar pelo momento da finalização que, como foi o caso do jogo dos “Arcos”, pode nem chegar. É pena porque é um grande jogador e um jogador para muito mais do que isto.

Depois Belluschi. Está visto que Belluschi é muito mais do que um criativo. A sua capacidade de trabalho nunca foi elogiada, mas uma análise rigorosa e contínua dos jogos mostra-nos que é neste aspecto um dos elementos mais valiosos da equipa. Espantoso! Assim fica fácil ser sempre um dos melhores. Como já disse, arriscar-se seriamente a ser uma das grandes figuras da liga. Só lhe falta trabalhar um pouco o critério de passe em determinadas situações, porque de resto está um jogador enorme.

Quero também abordar o caso de Moutinho. Um pouco ao contrário de Belluschi, tem sido com alguma desilusão que tenho assistido às suas primeiras exibições. Não tenho uma análise comparativa com os seus tempos de Sporting, mas para já Moutinho é um jogador útil e certo, mas... apenas isso. Não desequilibra e sobretudo não tem uma grande participação em termos de eficácia no trabalho colectivo. Não dá para dizer que está a jogar mal – nunca dá! – mas esperava mais dele em termos de influência.



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25.3.10

Túneis e Taça

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Túneis – Para não fugir completamente ao tema, apenas um breve comentário sobre mais esta rábula do futebol português. Que a evolução dos acontecimentos e consequentes reacções espelham, de novo, que não há ninguém interessado na evolução real do futebol português, não é novidade. O que gostaria de acrescentar, como nota pessoal, é que considero isto tudo um enorme insulto à capacidade intelectual de quem assiste. Como há muito que perdi a esperança que algo mudasse, e como não gosto de me sentir insultado, vou continuar a concentrar-me na única coisa que é intelectualmente séria no futebol português: a bola.

Rio Ave – Porto – Sem extremos, uma interessante experiência para Jesualdo. Merecedora, mesmo, de continuidade. Um futebol muito apoiado, com grande proximidade entre os jogadores e a pedir a estes desdobramentos sucessivos. Com alguma qualidade nos processos, tudo isto resultou em grandes dificuldades para o pressing do Rio Ave e, por consequência, em vários desequilíbrios mais atrás. Nota especial para o lado esquerdo e para o excelente entendimento entre Meireles e Micael, os grandes dinamizadores do futebol colectivo e, provavelmente, os 2 melhores em campo.

Do lado do Rio Ave, nota para as dificuldades da equipa em controlar o futebol rendilhado do adversário, mas também para uma boa percentagem de aproveitamento ofensivo, conseguindo chegar rapidamente à área do Porto. O golo resultou, aliás, do movimento que mais dificuldades criou ao Porto: o aproveitamento das segundas bolas na frente da área. Apesar desse mérito, foi uma oposição que ficou curta para o Porto que apareceu em Vila do Conde. O resultado acabou por ser um espelho fiel disso mesmo.

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25.1.10

Rio Ave - Benfica: Superior, mas não tanto

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Decidir o apuramento nos ‘Arcos’, obrigado a ganhar, não é o ideal. A verdade é que o Benfica fez por merecer o sucesso, mesmo sem o brilhantismo de outros tempos, e mesmo tendo andado bastante perto de outro desfecho. Importante, contas feitas, é o apuramento para um final de competição interessantíssimo (pelo menos, mais uma vez, tem tudo para o ser), mas também o indício deixado por uma exibição que, sendo boa, esteve novamente longe de índices qualitativos já apresentados.

Se houve período menos conseguido no jogo pelo Benfica, ele aconteceu nos primeiros 25 minutos. Para o explicar, há que dividir responsabilidades.

Primeiro, falando de um Rio Ave que, conhecedor das especificidades encarnadas, se apresentou bastante bem no arranque do jogo, sabendo perfeitamente o que queria fazer. Não dar oportunidade para o pressing encarnado funcionar e orientar o jogo para o lado onde estava Bruno Gama – preferencialmente, diga-se, o esquerdo, direito do Benfica, onde a presença de Carlos Martins pareceu ser sempre um ponto a explorar de forma intencional. O Rio Ave tem, depois, outros atributos que lhe têm valido a boa época, nomeadamente a forma como encurta espaços no meio, pelo adiantamento da sua linha defensiva. O outro, claro, não estava presente e dá pelo nome de João Tomás.

Mas, se o Rio Ave definiu bem o que queria fazer, é de si próprio que o Benfica mais se tem de queixar na tal entrada menos boa. Aliás, os males que justificaram esse período menos bom – reforço “menos bom” porque não foi menos do que isso – foram também a base do que impediu sempre o Benfica de se aproximar dos níveis de outros jogos. A origem está, essencialmente, numa quebra de performance em diversas individualidades, que impediu uma maior qualidade de circulação e um domínio mais acentuado, assente no característico pressing asfixiante encarnado. Di Maria começou por dar o mote com uma entrada desastrada e vários erros. O argentino, porém, cresceu no jogo e com ele também a equipa. Do outro lado, Martins também acumulou erros de passe em excesso, parecendo longe do jogo e dos companheiros. No meio, Aimar não teve um bom jogo, é verdade, mas é de Javi Garcia que Jesus mais razões de queixa terá, com uma exibição pouco consistente e com mais erros do que a sua responsabilidade posicional prevê.

Com o tempo, e com o crescimento de algumas individualidades, o Benfica foi ganhando uma superioridade mais pronunciada e desenhou alguns lances que, ainda na primeira parte, poderiam ter perfeitamente justificado a vantagem. Aconteceu mais tarde, e se com o 0-1 o mais difícil parecia estar ultrapassado, a tal maior propensão errática de algumas individualidades – mais uma vez, destaco Garcia – aproximou o Benfica de um risco que acabou por se agigantar com o empate.

O minuto 75, numa fase em que o Rio Ave já desistira de discutir territorialmente o jogo, foi o exemplo máximo de como o limite entre o sucesso e insucesso se tornou, de repente, tão estreito. É que se o Benfica acabou com o jogo, num excelente aproveitamento da profundidade por parte de um Di Maria em fase ascendente, instantes antes havia sido Chidi a ter a oportunidade na cara de Moreira. E, embora não fosse justo, a verdade é que o nigeriano poderia perfeitamente ter “chutado” com o Benfica para fora da competição.
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11.1.10

Rio Ave - Benfica: Suficiente e importante

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Não ganhar fora para o campeonato há 3 meses é tempo de mais para quem procura assumir-se como o mais sério candidato ao título. Pela urgência de matar esse “pequeno borrego”, e pela necessidade de dar também sentido à vitória frente ao Porto, era especialmente importante vencer em Vila do Conde. O objectivo foi conseguido, e justamente, diga-se. O Benfica não foi, de forma nenhuma, brilhante, mas também foi sempre dominador no jogo. Por isso, também, ficou rapidamente claro que seria fundamental o capítulo da eficácia para as aspirações encarnadas. E aí, de novo, surgiu o “Conejo”...

O Rio Ave, e começo por aqui, esteve bastante bem. Apresentou-se compacto, agressivo e, sobretudo, lúcido. A necessidade de não correr demasiados riscos, de conduzir o Benfica à frustração de ter muita bola mas pouca presença nos últimos 30 metros, pareceu sempre presente na mente dos vilacondenses. E a verdade é que esse objectivo não esteve assim tão longe de dar frutos...

O Benfica foi, como seria sempre pela sua qualidade, autoritário. Circulando, procurando espaços para entrar e com um pressing que limitava muito as hipóteses do Rio Ave poder ter bola. O problema foi que, apesar do laborioso desempenho de Saviola e Cardozo, o jogo raramente chegou à frente com possibilidades de ter seguimento. A responsabilidade, aqui, tem de ser dividida entre o mérito da tal postura do Rio Ave e, por outro lado, de um jogo “abaixo do par” do meio campo encarnado. Aliás, reforço a ideia de que se o Benfica é e será sempre uma equipa forte em termos tácticos e colectivos, a sua excelência qualitativa (sua e de qualquer equipa, esclareça-se) depende de quem está em campo. Sem David Luiz e, sobretudo, Aimar, não dá para esperar a mais forte das performances. E com isto reforço a ideia que deixei, primeiro no jogo com o Porto e mais recente após a recepção ao Nacional.

Algo distante do golo, o Benfica acabou por, aos poucos, perder também grande parte do controlo sobre o adversário, errando mais, e chegando mesmo ao ponto de oferecer o “ouro ao bandido”. Tudo isto num final da primeira parte errático, que podia ter condicionado as aspirações do Benfica e que deixava também uma perspectiva de dificuldades crescentes para a segunda parte. É por isso que aquele golo madrugador no reatamento foi tão importante. Porque, para além de dar vantagem, cortou uma tendência que começava a favorecer a estratégia do Rio Ave. E cortou mesmo...
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9.11.09

Rio Ave - Sporting: A psicologia do chicote

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Se novidades poderia haver, estavam apenas e exclusivamente no lado mental. A psicologia do “chicote”. E até pareceu funcionar. Não por um grande crescimento qualitativo, mas pelo notório alívio de pressão que se viu na primeira parte, em grande parte motivado pelo golo que não tardou a surgir. O efeito do “sacrifício” do treinador pareceu ser positivo mas depressa se sentiu, afinal, a sua falta. Um alerta para o que vem e, claro, para quem fica.

A era Paulo Bento mostrou vários primeiros tempos inferiores àquele que o Sporting realizou em Vila do Conde, muitos deles recentes. Atrevo-me, no entanto, a afirmar que nunca, durante os 4 anos, se viu uma entrada tão “frouxa” no reatamento. O intervalo, aliás, sempre pareceu ser um ponto forte de Paulo Bento e é preciso recuar até aos primórdios da sua “era” para encontrar o único desperdício de uma vantagem de 2 golos. Não é por acaso.

A lição é tão simples como óbvia. Ao Sporting, nos últimos anos, pode ter faltado muita coisa mas atitude foi algo que raramente escasseou. E, podem estar certos, é muito mais fácil perder por falta de atitude do que por falta de estética.

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16.3.09

Sporting – Rio Ave – Vencer e pouco mais

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Resolveu-se – Os jogos não se resolvem por si só. Há, obviamente, sempre mérito de uns e demérito de outros para que tal aconteça, mas no caso deste jogo pode dizer-se que o Sporting não teve de fazer muito para que os 3 pontos fossem garantidos. Esta é, aliás, uma dádiva que nem sempre aparece mas que para o caso terá surgido no tempo certo para as aspirações sportinguistas. Isto, como é óbvio, pela pressão existente em torno da equipa após a derrocada de Munique. Dificilmente o Sporting poderia fazer um jogo de grande inspiração e criatividade sob um clima de tamanha tensão e, por isso, era fundamental que a eficácia invertesse o efeito do cronómetro, tornando-o num aliado, em vez de inimigo.

Pouco a dizer – A ideia de um jogo pouco interessante, não muito bem jogado e resolvido em 45 minutos foi partilhada pelos 2 treinadores. Estas características, naturalmente, implicam algum desinteresse na análise ao jogo mas, ainda assim, há algumas coisas para referir. O primeiro ponto tem a ver com a forma como o Sporting conseguiu fazer um jogo praticamente livre de sustos, apesar de um começo difícil e de um jogo em que raramente conseguiu impor um grande domínio. Destaque ainda para a tendência “direitista” do jogo leonino, influenciado sobretudo pelas diferenças entre os laterais. Individualmente, a nota de realce vai para a estrutura central do meio campo, com Moutinho e Rochemback a serem mais valias que foram bem para além dos golos marcados.

Situação – O efeito psicológico da goleada de Munique é ainda uma incógnita. No que diz respeito aos objectivos de temporada, esta é uma situação curiosa visto resultar da única (exceptuando a Supertaça) competição onde o Sporting tem a certeza que chegou à meta inicialmente estabelecida. Para o Sporting segue-se uma fase tranquila no que respeita à frequência de jogos, exigindo-se uma subida de forma e rendimento na Liga que, na minha opinião, até é provável que aconteça. O campeonato, porém, não é um contra relógio individual e, nesta altura, pode até imaginar-se que não chegue uma hipotética caminhada perfeita no que falta jogar.


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16.2.09

Porto - Rio Ave: Saiu barato o preço da arrogância

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Não se pode dizer que o Porto não tenha merecido vencer, mas eu diria seguramente que a sua atitude perante o jogo e a sua própria capacidade acabou por colocar em causa um triunfo, conseguido numa fase em que, realmente, apresentou muito pouca qualidade para justificar novo golo.

Primeira parte com atitude – Apesar dos reforços de Inverno, o Rio Ave permanece como uma das mais acessíveis equipas da Liga. O Porto pareceu reconhecer isso mesmo ao deixar Lisandro e Rodriguez de fora e a verdade é que a entrada portista revelou que, de facto, não era preciso jogar com todos para garantir grande superioridade. Os primeiros minutos mostraram um Porto com grande facilidade em fazer a bola chegar às imediações da área do Rio Ave (fruto de uma saída rápida em posse e de algumas boas combinações sobre os flancos), mantendo depois ali o jogo, através de segundas bolas que foram recorrentemente ganhas pelo bom posicionamento da segunda linha portista. Apesar do golo não ter surgido de um desses lances, a verdade é que houve ocasiões em quantidade e qualidade suficiente para justificar a vantagem ao intervalo.

Segunda parte arrogante – A segunda parte foi completamente diferente. Muito se tem falado das diferenças deste Porto dos anteriores e há uma que parece que foi ignorada na abordagem ao segundo tempo. É que este Porto não controla defensivamente os adversários, sendo incapaz de os manter longe da sua área. Se no passado o Porto baixava o ritmo do jogo, mantendo o adversário sob controlo e fazendo do tempo um aliado para esperar por um erro alheio, hoje a equipa pode ser explosiva em transição, mas enquanto não duplica a vantagem está sob permanente ameaça. Essa sua limitação foi, eu diria arrogantemente, ignorada pela equipa na segunda parte e Fábio Coentrão acabou por alarmar o Dragão com um golo (golão!) que, no final, não passou de um susto. O Porto tentou reagir, mas nunca voltou ao ritmo do primeiro tempo e pode, em boa verdade, agradecer ao destino a sorte o facto de ter feito um golo numa altura em que a qualidade já não correspondia à vontade.

Algumas notas individuais – Cissokho. Jogar contra um adversário que tenha como solução driblar para dentro parece ser um problema para o qual Cissokho não tem resposta. Mais uma vez acabou batido quando Coentrão não tentou a linha, dando-lhe espaço para aquele inspiradíssimo pontapé. Farias. Um paradoxo o facto de ter sido tão decisivo e, no resto, ter produzido tão pouco. Farias é um jogador de área a quem os golos surgem facilmente. Mas não é só. Miguel Lopes. Se vier para o Dragão é provável que acabe rapidamente como titular. Coentrão. O Dragão inspira-o e tem de se ter isso em conta. Mesmo assim, o seu talento merece um crescimento mais estável do que aquele que tem acontecido.


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2.2.09

Benfica - Rio Ave: Futebol aquático

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Não vou fazer muitas considerações sobre este jogo porque, simplesmente, as condições tornaram-no muito atípico e enquadrado num contexto que não tem a ver com o passado, nem com o futuro (exceptuando os pontos resultantes, claro). Ainda assim não deixo de realçar algumas notas.
Primeiro, dizer que este era um jogo de risco muito maior para o Benfica. Se o Benfica ganha vantagem pela qualidade dos seus intérpretes, essa mais valia ficou claramente condicionada pelo estado do terreno. Diria, no entanto, que na infelicidade de ter de disputar um jogo nestas circunstâncias, o Rio Ave terá sido um bom adversário. Digo-o porque se a atitude e o factor mental eram evidentemente fulcrais, os vila condenses serão a equipa da liga que mais frágil estará em termos psicológicos neste momento, tentando reencontrar a crença e confiança nas suas potencialidades. De resto foi claro o tempo que o Benfica demorou para encontrar a melhor forma de abordar o jogo e, embora tenha feito mais do que suficiente para justificar o golo, também poderia muito facilmente ter sido penalizado, quer antes, quer depois do seu melhor período. Quique poderá, afinal, congratular-se pelo facto de não ter tido Suazo disponível. Cardozo, o seu substituto directo, confirmou a sua maior apetência para um jogo que teria forçosamente disputado na área e foi o elemento que mais problemas criou (já o disse que se compreende o perfil pretendido por Quique, mas também que me parece um desperdício não aproveitar melhor um avançado com tanta qualidade em certos aspectos). Depois, à falta de alternativas, teve de recorrer a Mantorras que, num jogo em que era preciso atitude, tinha tudo para ser um elemento potencialmente decisivo. Sobre Mantorras, o destaque óbvio do jogo, não há muito a dizer. Lamento apenas que a sua carreira tenha ficado reduzida a estes pequenos milagres que, apesar de tudo, ainda vai fazendo.

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3.11.08

Rio Ave - Sporting: Consistência

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Solidez – Não se explica apenas pelos aspectos defensivos, obviamente, esta vitória do Sporting, mas parece-me ser o aspecto em que a equipa se encontra mais consolidada nesta altura. Em todo o jogo, creio que apenas no inicio da segunda parte não esteve tão bem como seria desejável, devido a alguns erros na saída em transição que resultavam em perdas e numa posse de bola contínua do Rio Ave. De resto, o Sporting nunca foi apanhado em contra ataque – bem na transição defensiva – e foi capaz de gerir o jogo pela posse de bola, sendo em alguns momento, mesmo, muito forte neste ponto.
Na história de Paulo Bento no Sporting, os melhores momentos foram sempre caracterizados por uma grande solidez defensiva. Se ofensivamente ainda há aspectos por melhorar, 4 jogos sem sofrer são, sem dúvida, um excelente indicio.

Ofensivamente – Se defensivamente o Sporting esteve muito bem, ofensivamente sentiu mais dificuldades. Aqui destaco alguma incapacidade para criar as jogadas de envolvimento no segundo momento ofensivo que, no passado, foram característica do jogo leonino e que tinham Romagnoli como referência principal. Alguns explicam esta carência com um hipotético mau momento do argentino que se eclipsa no jogo. Eu penso o contrário. Ou seja, Romagnoli eclipsa-se porque a equipa não procura esses movimentos e não o oposto. Curiosamente o Sporting, no primeiro tempo, acabou por fazer do seu pressing e capacidade de recuperação a sua principal arma, que teve no lance do golo um efeito decisivo, com trabalho conjunto de Derlei (é também por isto porque joga em vez de Postiga) e Liedson a provocar o erro e a resultar no isolamento do 31.

Meio campo – É impossível não falar do que aconteceu após a entrada de Veloso. O Sporting partiu para um período de grande qualidade onde não só geriu o resultado como passou a estar muito próximo de o dilatar. Aqui destaco o papel de Rochemback que, a partir daí, fez uma grande exibição, na posição onde estou convicto que rende mais. Está por provar o rendimento de Veloso e Rochemback em simultâneo perante adversários mais fechados mas, para já, no meio campo do Sporting só há uma condição que me parece obrigatória: numa das alas tem de jogar um jogador que dê profundidade (Izmailov, Pereirinha ou... Vukcevic). De resto, o problema da melhoria do capítulo ofensivo (em organização ofensiva) deve ser resolvido em paralelo com estas questões sobre a composição do meio campo. Este é um aspecto essencial (e o que falta) para que o nível de jogo do Sporting atinja o seu potencial e tenho algumas dúvidas se a rotatividade do meio campo (inevitável nesta fase) não pode ser prejudicial à consolidação de processos.

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23.9.08

Rio Ave - Porto: 60 minutos fazem falta

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Enganei-me! – Quando o Benfica empatou em Vila do Conde na primeira jornada pensei que ali teriam ficado 2 pontos para cada rival. Essa conclusão surgiu-me essencialmente pelas limitações que se reconhecem ao plantel do Rio Ave – claramente um dos mais débeis da prova. Pois bem, ao segundo jogo em casa o Rio Ave voltou a retirar pontos a um grande e, desta vez, confesso, gostei bem mais da exibição dos da casa – ainda que mantenha essa opinião de que nos Arcos mora um dos mais modestos planteis da prova. O Rio Ave tirou o melhor partido do adormecimento portista que durou cerca de 60 minutos no jogo, soube ocupar muito bem os espaços defensivamente e encontrou quase sempre as soluções certas quando teve a bola. No final, é verdade, foi encurralado pelo Porto mas nessa fase, pelo desgaste físico e pelo momento emocional do jogo é perfeitamente razoável que tal tenha acontecido. Para já dois espantosos empates frente a dois grandes e, quem sabe, não repetirá o feito frente ao Sporting...

Sem pressing... – Repetidamente tenho falado aqui dessa que considero ser a grande virtude do jogo portista. A qualidade do pressing. Se para todos é claro que a atitude dos primeiros, eu diria, 60 minutos portistas complicou a chegada à vitória, eu aponto à incapacidade de pressionar bem o grande condicionalismo para a criação de desequilíbrios nessa fase. O Porto não foi agressivo nem reactivo a pressionar, não causando perdas de bola à organização contrária nem neutralizando à partida as suas transições. O resultado foi a obrigação de jogar permanentemente em ataque organizado, perante um bloco bem posicionado e denso e que respirava a cada jogada, precisamente porque conseguia ter bola. Este não é o habitat do Porto mais forte que gosta de jogar em transição onde tira o melhor partido das roturas de Lisandro e inteligência de Lucho. Essa foi a grande diferença no final do jogo, com uma reacção mais forte à perda de bola, o Porto impediu o Rio Ave de jogar e manteve o jogo em permanência junto da baliza contrária. Nessa fase, no entanto, fez falta o tempo perdido.

Alas – Foi um problema que cheguei a levantar na pré época. Independentemente da qualidade que se lhe reconhece, Rodriguez ainda revela uma grande independência exibicional, fazendo-se notar quase sempre por acções individuais e não tanto colectivas. Quando, como em Vila do Conde, a equipa tem dificuldade em soltar Lucho no espaço entre linhas ou recorrer às roturas de Lisandro, o papel dos extremos torna-se mais necessário e, neste caso, demasiado dependente das suas inspirações individuais. Rodriguez e Mariano, neste aspecto estiveram muito abaixo do potencial que se lhes reconhece e penso mesmo que o Porto sentirá falta (não vou falar dos que não estão) de Tarik.

Fernando e a posição 6 – Num jogo em que o problema esteve sobretudo na atitude colectiva pode parecer um pouco cruel apontar o dedo a exibições individuais, mas torna-se incontornável não abordar a performance de Fernando. Já tinha referido que Fernando é o jogador que mais se encaixa no perfil da função mas que, ao mesmo tempo, está por provar a qualidade com que a desempenha. Domingo à noite isso ficou muito claro. Pouca capacidade de ser dominador na sua zona e uma exagerada contenção posicional não ajudaram em nada o papel do meio campo, particularmente nessa intenção de subir para pressionar. O fantasma de Paulo Assunção continua bem vivo e parece ser motivo para pensar numa ida ao mercado em Janeiro. Já agora, não percebi porque ficou os 90 minutos em campo...

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25.8.08

Rio Ave - Benfica: Preocupante!

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- Dos jogos dos 3 grandes era o que mais curiosidade me gerava. A razão prende-se, não só com o facto de ser a única deslocação de um grande na estreia, mas sobretudo pelo facto do Benfica não ter tido ainda nenhum jogo oficial, sobrando esse importante teste para o trabalho de pré temporada. O resultado, esse, é mais negativo do que o 0-0 de Vila do Conde.

- Como ponto prévio importa abordar o Rio Ave. João Eusébio apresentou uma proposta de jogo simples e modesta. Sem bola, bloco baixo, com 2 jogadores nos espaços entre linhas e um outro na frente, isolado entre os centrais do Benfica. Com bola, uma abordagem muito directa, à espera de, numa segunda bola, poder começar a construir já perto da baliza do Benfica. Não foi brilhante mas, em boa verdade, não se podia pedir muito mais. É que este elenco do Rio Ave não é mais forte do que muitos que compõem a Liga Vitalis.

- Perante esta proposta de jogo do Rio Ave, o Benfica foi obrigado a ter bola, tornando a organização ofensiva como o único momento em que era possível desequilíbrar (exceptuando, claro, as bolas paradas). O que se viu foi a continuidade das dificuldades que já havia apontado na pré época à construção encarnada. Sem ideias colectivas que possam embaraçar realmente o adversário, o Benfica foi trocando bola, de flanco para flanco, mas nunca mostrando capacidade para entrar na área e criando perigo, de bola corrida, apenas de meia distância. Nesses primeiros 45 minutos as ocasiões que se viram resultaram do mau controlo que a zona (mais uma!) do Rio Ave conseguia garantir na defesa dos seus pontapés de canto. Carlos Martins, Luisão e Yebda criaram perigo na sequência desse tipo de lances em que o Benfica se mostrou realmente perigoso.

- No segundo tempo uma substituição que deixou claro que a alternativa para Aimar é jogar... à esquerda. 10 minutos sem grandes novidades até ao golo do Rio Ave. Este terá sido, por paradoxal que pareça, até um bom momento para o Benfica. A equipa de Vila do Conde pareceu ficar desconcentrada com a, talvez inesperada, vantagem. Uma desconcentração deu, de imediato, oportunidade a Nuno Gomes para empatar e, a partir daí, o jogo tornou-se mais aberto com o Benfica a ter ascendente. Viu-se um jogo mais flanqueado com muitos cruzamentos e uma equipa mais capaz de chegar com maior facilidade à área contrária, mas faltaram-lhe sempre ideias que, realmente, pudessem provocar um assalto mais sério à vitória. A excepção foi a ocasião de Aimar ao cair do pano.

- A conclusão é, de facto, preocupante. Os campeonatos não se ganham nem perdem na primeira jornada mas o que se viu não é suficiente para se poder sonhar sequer com o título. Colectivamente o Benfica tem muito por onde melhorar e não será, simplesmente, a introdução de 2 ou 3 individualidades que irá solucionar o problema. Nesta equipa do Benfica ficam-me há 2 coisas que me causam alguma impressão. A primeira tem a ver com o meio campo. Com tanto investimento, como é que não se procura uma solução de mais qualidade para o exigente e importante lugar de Yebda? Depois de ter insistido num investimento tão importante em Aimar, o Benfica não tem no seu modelo de jogo a menor preocupação de potenciar as características do jogador (apesar de tudo à esquerda é muito melhor do que avançado). Aliás, esta parece ser (para já) uma característica deste modelo, sem movimentos que tirem o melhor dos seus jogadores.

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