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9.1.12

Sporting - Porto: opinião

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- Ficou a zeros e, não sendo um jogo mal jogado, foi um jogo que ficou um pouco aquém das expectativas. Pelo menos para as minhas. O equilíbrio foi a nota dominante, tanto no empate, como na proximidade no número de oportunidades, como em termos de domínio e presença territorial. O Sporting mais em organização, o Porto mais em transição, mas sempre com pouca diferença.

- Alguma estranheza, sobretudo do lado do Porto. Optou por uma abordagem pouco pressionante sobre a primeira fase de construção, permitindo que o Sporting, sobretudo por Polga, chegasse facilmente até à linha média antes de ter de definir o primeiro passe. Ora, é certo que Polga não é um jogador que se sinta muito confortável na condução em posse, mas é também certo que é um jogador forte na definição do passe, e o Sporting tirou partido disso na primeira parte, ligando facilmente o seu jogo pelo corredor esquerdo. Há aqui outro pormenor que me parece importante: permitir que Polga progredisse tanto espaço sem oposição obrigou o bloco portista a ir baixando no terreno, o que dificultou depois a presença pressionante no destinatário do primeiro passe do central.


- Outro detalhe sobre o jogo portista tem a ver com alguma tendência excessiva para verticalizar no momento da recuperação e, sobretudo, com a dificuldade de encontrar qualquer ligação útil à excepção de Hulk. Vitor Pereira reajustou o meio campo, dando outra característica à segunda parte, mas voltei a ficar com a sensação da maior utilidade de Defour no meio campo, sobretudo pela simplicidade do seu jogo e pela utilidade dos seus movimentos sem bola. Isto, claro, sem retirar daqui uma dose excessiva de conclusões, porque por muito tentador que seja fazê-lo, raramente o que vemos como resultado de substituições ou alterações dentro de um jogo tem um grande nível de relevância conclusiva.

- 3 notas individuais do lado do Porto: (1) Hulk no meio continua a dar sinais notáveis no que respeita à mobilidade e utilidade do seu jogo. Muito mais útil e consequente do que nas alas, onde tem muito mais tendência para para forçar o drible, e incomparavelmente mais útil do que qualquer 9 do nosso futebol. Por exemplo, comparando Hulk com Wolfswinkel, neste jogo, Hulk completou 28 passes contra apenas 9 do holandês, foi o terceiro mais interveniente em termos de posse ofensiva na sua equipa, enquanto Wolfswinkel foi o que menos interveio entre os titulares do Sporting (para contextualizar, é normal que o ponta de lança seja o menos interventivo, o que não é normal é a utilidade que Hulk acrescenta a partir dessa posição). Que não haja grande complementaridade com os seus movimentos, estou de acordo, mas isso não tem nada que ver com qualquer desajuste ou subrendimento do 12 nesta posição, pelo contrário. (2) Djalma, um pouco na continuação do que escrevi sobre Hulk, não parece poder fazer muita falta ao Porto. Aliás, será uma oportunidade para tentar integrar outro jogador que ofereça mais à equipa em termos ofensivos. É um jogador capaz tecnicamente, muito forte fisicamente e com excelente capacidade de trabalho (até se pode imaginar uma tentativa de adaptação a lateral), mas a sua produtividade neste período em que foi titular foi manifestamente insuficiente para as exigências do Porto. (3) Otamendi... impressionante a sua capacidade de antecipar e intervir no espaço. O Sporting sentiu-se tentado a forçar o duelo entre Wolfswinkel e o argentino, mas Otamendi dominou completamente o avançado do Sporting. Continuo a ver como um erro enorme que se forcem duelos com Otamendi em vez de Rolando, seja no ar ou pelo chão. O problema do central argentino, por outro lado, é que continua a revelar uma enorme propensão para o erro, constituindo-se assim como a perfeita antítese do seu colega de sector.

- Quanto ao Sporting, fica difícil exigir-se muito mais. Quem vê o talento de Matias e Izmailov a emergir do banco e para um pivot remendado terá de pensar que esta não é nem pode ser a equipa que o Sporting idealizou para a sua época. Ainda assim, o Sporting, tal como na Luz, voltou a dividir o jogo por completo, estando até mais perto de o ganhar, se contarmos as oportunidades claras de golo. Como expliquei acima, creio que o Porto não teve a melhor abordagem ao jogo e que o Sporting acabou por beneficiar disso, mas, ainda assim, ficou a sensação de que poderia ter feito mais...

- Há um nome que me parece incontornável neste jogo, que é Wolfswinkel. Não tanto pelas oportunidades claras que não converteu (pode acontecer a todos), mas pelas jogadas que não foi capaz de dar melhor sequência e que poderiam ter terminado em mais oportunidades. Não posso deixar de pensar que há uma ligação entre a falta de golos e os restantes capítulos do jogo do holandês, que já viram melhores dias. É que um avançado vive de golos e, regra geral, o seu momento a esse nível transfere-se também para a confiança com que interpreta as restantes situações de jogo. O que escrevi sobre Wolfswinkel e Bojinov quando chegaram ao Sporting, escreveria hoje de novo, praticamente sem qualquer alteração. Ou seja, não creio que as suas características foram muito bem percepcionadas aquando das respectivas aquisições. Nomeadamente, Wolfswinkel não é um jogador forte nos duelos dentro da área (muito longe disso) e Bojinov não é um jogador móvel ou versátil como se disse que era (naturalmente, desconheço se internamente era esta a ideia que se tinha, mas para cá para fora foi a ideia que passou). Talvez venha a partilhar mais ideias sobre as movimentações dos avançados em situação de cruzamento, porque me parece um tema interessante de analisar, tal a diversidade de casos que existem...

- Sobre as lesões, que tanto afectam a qualidade e estabilidade deste Sporting, há que referir que se devem distinguir situações. Uma coisa, são casos como o de Rinaudo, outra são as situações de Rodriguez, Matias, Izmailov e Jeffren. Todos estes jogadores tinham um histórico de lesões que não garantia qualquer confiança em relação à fiabilidade da sua disponibilidade ao longo da época. Para ser campeão em Portugal, nos dias que correm, é preciso fazer uma prova praticamente imaculada e, nesse sentido, é fundamental que não se cometam alguns erros de planeamento como os que foram cometidos. Se o Sporting tem motivos para estar esperançado com a evolução da sua equipa, o próximo passo só poderá ser dado se não se repetirem certos lapsos perfeitamente previsíveis na formulação do plantel (e escrevo "previsíveis", porque os enunciei a todos na pré época, tanto a aposta em Postiga como referência concretizadora, como a volatilidade da disponibilidade física de alguns elementos nucleares).

- Um último ponto sobre Renato Neto e a opção para pivot. Não foi um jogo mau, mas também não foi suficiente para que se possa imaginar estar ali uma grande solução para o lugar. Excelente capacidade física e boa presença posicional garantiram um bom jogo do ponto de vista defensivo, mas em posse nem se apresentou como solução, nem revelou a consistência exigível para o lugar. Foi uma estreia, porém. Não deixa de ser difícil de compreender para quem está de fora que André Santos tenha baixado tanto na consideração de Domingos, isto se nos lembrarmos que chegou a tirar o lugar a Rinaudo no inicio de temporada. Isto, para quem vê de fora, repito...
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27.9.11

Sporting - Setúbal: opinião

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- Foi, acima de tudo, bom para o ego. Ganhar confortavelmente, resolvendo cedo, criou as condições para um clima desanuviado, longe dos dramas que vinham caracterizando quase todos os jogos em Alvalade. Isso e, claro, o entusiasmo que a própria equipa transmitiu de dentro para fora do campo, contagiando de forma constante as bancadas. Não é um aspecto que desvalorize, aliás, pelo contrário e como já escrevi diversas vezes, a confiança parece-me decisiva para o potenciar do crescimento das equipas. Do ponto de vista da análise, porém, este cenário não conduziu a um jogo muito útil. De todo o modo, e sintetizando, não dá para concluir que teremos um Sporting permanentemente entusiasmante, da mesma forma, de resto, que os primeiros resultados da época não tinham como base indícios para o pessimismo que foi gerado. O futebol é mesmo assim, orientado por emoções e resultados...

- Começo pelos aspectos defensivos, particularmente pelo comportamento em organização defensiva. No jogo com o Rio Ave tinha notado alguma indefinição nos comportamentos na primeira linha de pressão, nomeadamente na relação de simetria entre Schaars e Elias. Desta vez, não vislumbrei o mesmo dilema, mas continuam a ver-se problemas de controlo de espaços e equilíbrio posicional, dentro do bloco. Nota-se uma intenção de agressividade pressionante dos médios, mas ainda com pouco critério ao nível desse comportamento. A agressividade é essencial, mas é-o também que existam prioridades na cobertura de zonas e uma noção colectiva dos comportamentos. Nomeadamente, em algumas circunstâncias notou-se um desguarnecimento da zona à frente da defesa, que culminou, por exemplo, nas acções de finalização de Zé Pedro, na segunda parte. Aqui, parece-me existir também uma perda de agressividade da linha defensiva, mais propensa a proteger-se da profundidade e aparentemente menos disponível para encurtar espaços, jogando alto e sendo pressionante dentro do bloco. Esta, aliás, parece-me ser a grande diferença entre aquilo que vemos hoje e que aconteceu na pré época, onde o posicionamento e atitude da linha defensiva parecia ser mais agressivo e pressionante.

- Depois, em transição ataque-defesa, nota igualmente para a importância da definição das prioridades do equilíbrio posicional na primeira linha de reacção à perda. Já havia escrito sobre isto no último jogo e é um aspecto a continuar a acompanhar, no entanto, queria abordar um aspecto especifico, que são as acções de rotura de Rinaudo. É excelente que o pivot possa ter essa capacidade (desde que decida bem, claro), fundamentalmente porque gera incerteza em quem defende. O ponto aqui vai para a necessidade deste comportamento ter uma correspondência ao nível do tal equilíbrio na primeira linha de reacção. Divagando um pouco, uma ideia poderia passar por ter menos gente à frente da linha da bola, atraindo a marcação para fora e dando mais liberdade a quem decide. De todo o modo, o que quero salientar é a importância de se englobar todas as acções num contexto colectivo, e que quem toma a decisão o faça não só em função do que pode extrair ofensivamente, mas que considere também o risco defensivo.

- Ofensivamente, a equipa combina já bem duas intenções do seu jogo, circular à largura num segundo momento ofensivo, ligando corredores, e promover boas situações de apoio na dinâmica das alas. O grande problema estará, continuo a acreditar, na primeira fase de construção, o que, a confirmar-se, poderá implicar duas coisas: a primeira, é uma maior dependência de um inicio de construção longa, usando o avançado como referência (escrevo mais sobre isto, a baixo...). A segunda, é a necessidade da equipa fazer do seu pressing um elemento decisivo para conseguir impor-se em certos jogos, não tendo de começar sucessivamente na construção. Este jogo foi um bom exemplo disso, com várias bolas a serem recuperadas.

- Antes de duas notas individuais, queria dizer algo sobre o Setúbal. É uma equipa que se destaca pela qualidade técnica do seu meio campo. Na verdade, não estou certo de que isso seja uma virtude. Pelo menos, na redundância de características dos seus médios. Defensivamente, é óbvio que a equipa tem vários problemas, quer ao nível da agressividade dentro do bloco, quer no próprio comportamento da linha defensiva, que baixa facilmente (no segundo golo, por exemplo, Wolfswinkel poderia ter sido colocado em fora de jogo, sem grande dificuldade). Mas, muitos dos problemas da equipa vêm do seu comportamento com bola. Quer em organização, quer em transição se verificam demasiadas perdas, que conduzem a desequilíbrios junto da própria baliza - neste jogo não faltam exemplos. Não escrevi sobre a visita ao Dragão, mas houve situações onde a equipa tinha possibilidade de potenciar situações de igualdade numérica sobre a última linha portista, na saída em transição, mas em que optou por voltar para trás, facilitando, não só a reorganização defensiva do adversário, como a própria recuperação de bola nos instantes subsequentes. No fundo, de que serve ter qualidade e maturidade para sair de zonas de pressão, se depois se permite que o adversário as volte a regenerar sucessivamente? De novo, a minha convicção de que deve ser sempre a bola, o meio, e o espaço, o objectivo, e não o contrário...

- Individualmente, primeiro Van Wolswinkel. A sua fase de concretização é muito boa, sem dúvida. Pessoalmente mantenho a avaliação que fiz no inicio de temporada, neste, como em todos os aspectos. Ou seja, no que respeita à capacidade de finalização, a sua qualidade técnica é forte, e com os dois pés, não é isso que está em causa. O problema que antecipei tem a ver com a sua necessidade em fugir de situações de maior contacto, o que nem sempre será possível. De todo o modo, neste aspecto (eficácia na finalização) não há muito a discutir e o tempo falará por si, quer confirmando os indícios que deixou no Utrecht (na minha leitura), quer confirmando o bom momento que indiscutivelmente atravessa. Para mim, neste plano, não há lugar a sofismas, no médio-longo prazo são os números que ditam lei. O que me motiva mais falar sobre Wolfswinkel, porém, tem a ver com outros aspectos, extra finalização. E, aqui, penso que realmente se revela uma mais valia. Quer pela mobilidade que tem, quer pela capacidade de trabalho defensivo e, sobretudo, pela enorme mais valia que vem oferecer em relação a Postiga ao nível da presença como referência para as primeiras bolas. Frequentemente é um aspecto subvalorizado, mas que tem, a meu ver, grande relevância, para as equipas que utilizam, nem que pontualmente, a saída longa como solução. Já agora, em relação às soluções do plantel para a posição (Bojinov e Rubio), e pelo que conheço, parece-me que Wolfswinkel é quem tem maior capacidade de dar amplitude ao seu jogo, seja na mobilidade que oferece em zonas exteriores, seja na intensidade defensiva. Neste ponto, Bojinov será o caso mais limitado, por não ter grande intensidade nas acções defensivas e necessitar, a meu ver, de estar confinado a acções em zonas mais centrais. Isto, apesar da ser talvez o melhor executante, entre os três.

- Finalmente, falar do jogo de pés de Rui Patrício. O seu momento de menor confiança passará inevitavelmente com o tempo, e a experiência ajudará igualmente o guarda redes a lidar cada vez melhor com estas fases. A questão é que o jogo de pés é mesmo indispensável para que possa atingir outros patamares. Hoje e, estou convicto, cada vez mais no futuro, os guarda redes têm de ser capazes de ser também uma solução para o jogo de posse da equipa. O Barcelona será o caso mais evidente, mas também o Manchester United e muitas outras equipas de topo utilizam esse recurso como parte integrante e importante do seu jogo. Em Portugal, o Porto também o faz com grande intenção e qualidade, com Helton, e o próprio Benfica tem tentado evoluir a esse nível. É normal e desejável que também o Sporting o faça (parece-me que tem tentado trabalhar esse aspecto, e daí, talvez, a maior pressão sobre Patrício), mas, sobretudo para a carreira do próprio guarda redes, é decisivo que consiga evoluir a esse nível.

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9.8.11

Sporting 2011/12: balanço de pré época

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Ponto prévio, incerteza: Qualquer projecção futura tem, por definição, uma incerteza inerente. Chegar a graus de probabilidade mais elevados é um desafio bem mais árduo do que a maioria das pessoas supõe, mas é esse o desafio que me interessa e aquele que justifica toda a dedicação que destino ao "tema futebol". O caso do Sporting 2011/12, e neste timing concreto, é especialmente interessante, porque pode-se fazer a análise de 2 perspectivas. Uma, mais pessimista, centrada em elementos de pré época e noutros problemas que, a meu ver, são evidentes. Outra, mais optimista, centrada essencialmente nas projecções que se podem fazer a partir dos trabalhos passados de Domingos. Por motivos que adiante explicarei, estou mais inclinado para a segunda, a mais optimista, arriscando numa melhoria substancial de rendimento face aos 2 anos anteriores. O grau de sucesso, não quero aqui precisar porque, em competição, nunca se depende apenas de si próprio. Ainda assim, e sem deixar de assumir as minhas leituras para critica futura, faço questão de começar por confessar alguma insegurança nos elementos que estou a utilizar.

Que sistema? - 4-1-3-2, 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3... já se falou de tudo um pouco. A diferença, bem vistas as coisas, não é muita. Os princípios são os mesmos, e os comportamentos mudam, essencialmente, num jogador, aquele que joga mais próximo do avançado, podendo ser "mais avançado", ou "mais médio". Em relação ao 4-2-3-1 que se viu em Braga, há uma alteração comportamental no meio campo, perdendo-se a simetria e com um médio (Rinaudo) a assumir uma postura mais posicional. Depois, se o elemento de ligação com o avançado for assumidamente mais próximo deste (como frente à Juventus ou ao Valência), há uma distinção entre o seu papel e o do outro médio, que necessita de fazer a aproximação entre os avançados e o médio mais posicional. Este papel foi interpretado por Schaars. A partir da segunda parte do jogo com o Málaga, houve uma aposta numa estrutura comportamental mais próxima do 4-3-3, com o papel entre os 2 elementos ligação a ser mais simétrico, e com a presença junto do avançado, no pressing, a alternar em função do lado da bola. O papel dos alas no equilíbrio ao centro também fica afectado, já que há, por norma, mais presença, mas o comportamento global da equipa não se altera em nenhum momento. Ainda assim, creio que seria benéfico Domingos encontrar um sistema base, bem como os seus principais protagonistas. Aliás, creio ser essa a intenção do próprio. Arriscaria que, com Matias, o 4-3-3 ganhará maior probabilidade, mas sem o chileno (e sem Aguiar e Izmailov), essa hipótese pode estar mais condicionada.

Aspectos defensivos - Talvez possa ser estranho, mas sou da opinião que um dos aspectos positivos desta pré época, vai para o que se viu da linha defensiva. E, aqui, distingo aquilo que é o posicionamento em altura de 4 jogadores, do produto do sistema defensivo, como um todo. Houve coerência na posicionamento, com poucos exemplos de jogadores a ceder à tentação de desfazer a coerência da linha com acompanhamentos individuais, e com muitos fora de jogo a serem tirados, ao contrário do que aconteceu no ano passado, onde, perante o mesmo tipo de intenção, muito mais erros aconteciam.
Por outro lado, também não vi demasiado espaço entre centrais e laterais, ou mesmo entre sectores, como foi denunciado em diversas opiniões. Vi, isso sim, dificuldade da linha média em controlar o tempo de passe e em controlar zonas de pressão, de onde a bola não deve sair, uma vez entrada. Vi erros individuais em posse, que potenciaram transições muito complicadas de controlar. Vi jogadas estrategicamente trabalhadas para colocar a bola nas costas do lateral (mas raramente não entre este e o central). Vi, por fim, erros individuais em situações de bola parada, e más saídas pontuais dos médios (Rinaudo), na ânsia de corrigir o que a primeira linha do pressing não conseguiu neutralizar (mas não espaçamento estrutural entre sectores).
Várias coisas, portanto, mas não tudo, nem tudo o que se disse. Aqui, e para finalizar, reforço um problema que me parece essencial e que tem a ver com a agressividade da linha média e avançada no trabalho defensivo. Algo que me parece ter convergido para o reforço da linha média a partir da segunda parte do jogo com o Málaga.

Aspectos ofensivos - O que mais surpreende será, talvez, a pouca capacidade da equipa em situações de transição defesa-ataque. Não nas transições curtas, produto de recuperações altas do pressing, mas nas recuperações mais profundas, de onde a equipa raramente se desdobrou com qualidade. A surpresa tem a ver com aquilo que o Braga era capaz de fazer neste momento, e com a valorização estratégica que o próprio Domingos lhe dava.
Ao nível da organização e ataque posicional, também a maior presença de médios (4-3-3) pareceu fazer evoluir a equipa. Particularmente, no jogo com o Valência e primeira parte com o Málaga, a equipa teve muitas dificuldades em construir. O contra-exemplo mais representativo é mesmo a segunda parte frente ao Málaga, já que, quer Udinese, quer Juventus, não apostaram num condicionamento tão forte sobre a fase de construção.
A questão individual torna-se decisiva na melhoria da equipa em toda a sua vertente ofensiva. Os aspectos ofensivos devem ser potenciados em especificidade, partindo das características dos jogadores para as dinâmicas previstas. Aqui, em termos de potencial, parece-me que há um maior condicionalismo na saída em construção. Por um lado, porque se prevê um decréscimo de qualidade na capacidade dos centrais neste plano (será o ponto fraco de Rodriguez, e Onyewu é o mais limitado dos 4). Por outro, não se vê ainda uma grande capacidade na resposta às primeiras bolas aéreas, uma alternativa que o Braga explorava muito em jogos de maior grau de dificuldade.
Tal como referido acima,torna-se importante que Domingos encontre rapidamente a sua estrutura base, para poder evoluir em especificidade.

Competição, precisa-se! - Há um aspecto que não foi avaliado - nem podia - na pré época. Dois, na verdade, mas ambos têm a ver com a competição onde "ganhar" é o objectivo. O lado estratégico do jogo, e a resposta mental da equipa. Estas 2 vertentes foram, indiscutivelmente a grande força das equipas de Domingos, e a grande justificação para os resultados extraordinários que continuadamente o treinador vem conseguindo. Por exemplo - e isto não serve para extrapolações lineares - o Braga havia perdido os seus jogos de apresentação nas 2 épocas sob o comando de Domingos, tendo feito, depois, um arranque fulgurante na época oficial. Este é, já agora, o capítulo que justifica alguma perspectiva de uma época acima das expectativas, por parte dos Sportinguistas. Aliás, com Domingos, e até agora, foi sempre assim, "acima das expectativas"...

Lesões, uma preocupação - Se projectarmos um onze ideal, dentro das actuais soluções, dificilmente alguém excluirá Rodriguez, Matias e Izmailov. Ora, também dificilmente projectará uma época imaculada em termos de lesões para qualquer dos 3. Dito isto, e acrescentando o risco de outras unidades padecerem desse mesmo mal, é bastante provável que o Sporting 2011/12 seja (ou continue a ser) uma equipa com um departamento médico atarefado. Que consequências terá?

Opções individuais - Já várias vezes me expressei sobre algumas unidades, pelo que não quero cair na redundância, neste texto. Exploro, ainda assim, alguns casos.
Primeiro, os centrais. Especula-se sobre a hipótese de o Sporting procurar outro jogador para esta posição. Sendo ou não verdade, entendo que será prudente fazê-lo. Porque Rodriguez, um titular previsível, tem o tal problema do histórico de lesões, e porque Onyewu também o tem, não sendo, por outro lado, uma opção muito credível, a meu ver. E fundamento-me em 2 aspectos principais para a critica ao americano: capacidade em posse (não o critério, mas a falta de capacidade de arrojo mínimo, que se tornará um "alvo" óbvio para qualquer adversário), e capacidade de resposta em zonas onde é necessário antecipar e reagir (jogando alto e de forma mais pressionante). Ou seja, seria, a meu ver, mesmo aconselhável ter outra solução...
No meio campo, o tal problema da falta de reactividade, onde se exclui o caso do incrível Rinaudo. Aqui, destaco as dificuldades, mais previsíveis, de Schaars e André Martins, e mais surpreendente (ainda que reincidente), de André Santos. Creio que nestas contas pode entrar Izmailov, um acréscimo de valor e bom complemento para Rinaudo. Melhor do que Schaars, parece-me, ainda que holandês seja também um bom valor.
Mais à frente, creio que, seja qual for o sistema, Domingos apostará entre Matias, André Martins , Aguiar ou Postiga, sendo Izmailov outra possibilidade eventual. Com Postiga, dificilmente a opção passará por um 4-3-3, ficando, nessa hipótese, a solução muito dependente da disponibilidade de Matias ou Izmailov, já que não entendo haver grande mais valia em Aguiar ou (para já) André Martins.
Nas alas, a boa notícia é a capacidade de trabalho de todas as opções, algo fundamental para quem quer manter-se alto e agressivo no jogo. Djalo é o caso mais forte neste plano, e aquele que garante um estilo diferente dos outros. Mais incisivo e forte em zonas de finalização, e menos fiável em posse. Dos outros, o tempo para opiniões muito vincadas ainda é curto. Jeffren parece poder acrescentar algo em termos de 1x1, algo em que o plantel se encontrava carente. Ele, e Carrillo, uma das surpresas da pré época. Carrillo será, até, o que mais mostrou dos novos extremos, mas fica-me a dúvida sobre a sua resposta no último terço, em termos de definição. Um extremo não pode precisar de 2 "toques" entre si e o golo. Falta ver mais, para estes e para Capel.
Finalmente, na frente. Sobre Postiga, estamos conversados. Podia trazer mais análises de desempenho passado, mas parece-me tão trivial o ponto sobre a improbabilidade do seu rendimento como principal finalizador, que me vou dispensar desse trabalho. Wolfswinkel é a aposta óbvia. Afinal, quem dá 5 milhões não abdica da aposta por 1 pré época. Compreendo a coerência dessa medida, mas, na leitura que já havia deixado, o holandês dificilmente será um finalizador muito eficaz (ainda que valha mais do que o que mostrou). Tinha tudo para ser um problema, não fosse... Rubio. A sensação da pré época pode ser uma das melhores aquisições dos últimos anos. Tem óptima abordagem à zona de finalização, mas foi também o que melhor resposta deu em termos de agressividade defensiva e jogo aéreo (primeiras bolas), não ficando a perder em termos de jogo de apoio, pelo menos face ao que os outros mostraram. Já havia deixado as minhas suspeitas, e, tudo somado, dificilmente a pré época terá sido um engano. A idade e o estatuto? Pois claro, esses serão os seus obstáculos para uma aposta séria e no imediato. Porque mais nada o justifica. Resta Bojinov, que deu muito boa resposta frente à Juventus, jogando de costas para a baliza. Na minha leitura, será entre Rubio e o búlgaro...
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8.7.11

Reforços 2011/12: Van Wolfswinkel (Sporting) (Parte II - Vídeo)

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O vídeo tem a mesma intenção dos que foram apresentados em análises anteriores. Neste caso, está retratada a exibição de Van Wolfswinkel num jogo para o campeonato, fora, frente ao Heerenveen. Não foi um jogo fácil para toda a equipa do Utrecht, porque o jogo cedo ficou fora do controlo. No entanto, essa desvantagem forçou um cenário de mais posse de bola e domínio territorial para a equipa do novo avançado do Sporting, potenciando um cenário de maior participação.

A generalidade do conteúdo do vídeo, parece-me, dá para perceber o perfil descrito e, em particular, o equívoco que entendo ser encarar este jogador como um avançado mais fixo e com grande apetência para esperar pelo aproveitamento na zona de finalização. Ainda assim, essa mobilidade é especialmente potenciada na segunda parte, já que nesse período Van Wolfswinkel jogou deliberadamente como unidade mais móvel, nas costas de um avançado mais fixo.

Uma nota final, para referir que, apesar de ter esta apetência natural para sair da zona dos centrais, Van Wolfswinkel tem também formação marcadamente de avançado e não de extremo ou médio ofensivo. Isto nota-se nos movimentos e soluções que instintivamente procura, e poderá ser o grande obstáculo a uma eventual adaptação a outras funções, que não a de avançado (Postiga, curiosamente, revela a mesma especificidade).

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7.7.11

Reforços 2011/12: Van Wolfswinkel (Sporting) (Parte I)

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Perfil competitivo - Van Wolfswinkel encaixa num perfil que, em termos mediáticos, lhe credita um protagonismo instantâneo: número 9 holandês, elegante e tecnicamente forte. Nomes como Van Basten, Bergkamp, Nistelrooy ou Huntelaar emergem rapidamente, e Van Wolfswinkel, correspondendo a este perfil morfológico e jogando nas selecções jovens da Holanda, rapidamente atraiu muitas atracções. De uma perspectiva mais objectiva, porém, o trajecto do jogador está ainda longe de poder aproximar-se dos nomes com quem foi comparado. 3 épocas, 1 no Vitesse e 2 no Utrecht. O ponto principal a reter neste trajecto é alguma modéstia concretizadora. Se nos abstrairmos das grandes penalidades, Van Wolfswinkel não foi sequer o melhor marcador da sua equipa nas últimas 2 temporada. Este dado puramente estatístico, quando enquadrado com o contexto de utilização e tipo de competição, é, na minha leitura, muito relevante.

Perfil táctico/técnico - Começo por sublinhar que não encontrei ainda qualquer descrição do jogador que concorra para as conclusões das minhas observações, e, parece-me, há uma ideia errada sobre as características do jogador. Para além de não ter feito muitos golos (penaltis, à parte), como quase sempre é referido, Van Wolfswinkel não é, também, um jogador muito fixo ou que tenha uma apetência especial para jogar na área, no duelo com os centrais. Para sintetizar, o seu perfil é muito próximo ao de Postiga. Aliás, é um jogador que apela ainda mais à mobilidade, parecendo até impaciente perante o habitual jogo posicional desempenhado pelos jogadores da "posição 9". Esta característica foi, até, aproveitada para utilizar pontualmente o jogador em posições mais recuadas, nas costas de um jogador mais fixo. Tecnicamente, Van Wolfswinkel é muito dotado, destacando-se a facilidade com que executa com ambos os pés, o que é uma virtude relevante. Tem boa atitude nos momentos defensivos, e é, fisicamente, um jogador mais veloz do que forte. Aliás, tem algumas dificuldades em situações de maior confronto físico. Em termos de finalização, não tem no seu historial muitos golos como resposta a cruzamentos ou de cabeça. Faz um bom aproveitamento da linha do fora de jogo, aproveitando a sua constante movimentação para perder referências de marcação e solicitar o passe entre os centrais, no limite da linha defensiva. A sua eficácia é, apesar de boa técnica de remate com os dois pés, inconstante.

Futuro no Sporting - De facto, diria que é muito improvável que Van Wolfswinkel venha a conseguir grande eficácia na relação golos/utilização (mais uma vez, grandes penalidades à parte). O Sporting acaba por garantir um jogador de características muito próximas às de Postiga, não parecendo para mim certo que venha a garantir a titularidade se a discussão entre os dois for pela posição 9. Van Wolfswinkel tem a seu favor o facto de ter uma boa perspectiva inicial e uma intenção do clube em justificar o investimento, e poderá capitalizar esses aspectos se conseguir uma boa entrada de temporada, nomeadamente que o ajude em termos de confiança. Outra possibilidade, é dar-se uma adaptação do jogador a outras posições, dado que é jovem e parece ter apetência para uma postura de maior presença no jogo da equipa. Vistas bem as coisas, este último cenário pode até ser bem provável...
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