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29.3.12

Golos fora ou factor casa?

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O 0-0 numa primeira mão, é melhor para quem joga em casa ou para quem joga fora? A pergunta, no fundo, compara a vantagem entre o factor casa e a regra dos golos fora. Enfim, é uma dúvida que tem resolução simples, bastando ver o que aconteceu nas eliminatórias que terminaram com 0-0 ao fim dos primeiros 90 minutos. Não tenho a resposta, mas imagino que, como nenhum outro resultado, deixe tudo igual para a segunda mão.

Qualquer eliminatória que envolva o Barça, nos dias que correm, tem como principal ponto de interesse perceber que tipo de dificuldades poderá o seu adversário causar e, no limite, se haverá hipótese de surpresa. A questão da comparação qualitativa não se põe, pura e simplesmente. O Milan não é excepção, e nesse sentido não estranhará que, mesmo em San Siro, fosse sempre o Barça a estar mais perto da vitória, ainda que, em qualidade, as oportunidades tenham surgido para os dois lados.

Já me referi ao interesse desta competição, para além da qualidade, pela possibilidade de vermos em confronto culturas de jogo muito diferentes. E esta eliminatória, permite-nos isso mesmo, ver um choque de culturas em termos tácticos. Em especial, no Milan, sobressai a forma como corta a profundidade e junta à linha de quatro uma outra, de três. Não é uma estrutura muito comum, mas é altamente característica desta formação, sendo apresentada há já vários anos. O futebol italiano tem esta característica, de não arriscar muito na altura do seu posicionamento mas, por outro lado, de não trazer muita gente para trás da linha da bola. A linha de 3 do Milan pretende precisamente fazer o que a maioria das equipas faz com 4 ou 5 jogadores, reservando com isso mais gente para o golpe mortal da transição.

Se o jogo da fase de grupos for uma antecipação fiel daquilo que vamos ver na segunda mão, então não restam muitas esperanças ao Milan. É que apesar do empate final, o Barcelona foi avassalador nesse jogo. Em particular, nesse decisivo momento da transição defesa-ataque, o Milan foi incapaz de tirar partido dos homens que deixava à frente da bola, sendo encurralado por um Barcelona que se adaptou estruturalmente na reacção à perda, nomeadamente em relação à sua última linha, onde se mantiveram quase sempre 3 unidades, em vez de 2 como acontece na generalidade dos jogos da Liga espanhola. Depois, em relação à linha de 3 médios do Milan, as dificuldades de controlo da largura também emergiram, sendo o movimento de superioridade de Dani Alves aquele que naturalmente mais parece fragilizar esta estrutura dos italianos.

A decisão da eliminatória passará muito pela resposta das equipas a estas nuances, que não deverão manter as orientações base, ainda que me pareçam prováveis algumas diferenças...

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8.3.12

Dois mundos e uma sentença

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A propósito do Bayer-Barcelona da primeira mão, tive a oportunidade de ler uma antevisão de alguém que havia, alguns dias antes, antecipado dificuldades para os catalães na visita a Pamplona (contextualizando, o Barça perdera o jogo frente ao Osasuna no fim de semana anterior à primeira mão). Escrevia que apesar do mau momento do Barça ser evidente, tal não deveria ser suficiente para que uma vitória confortável estivesse em causa na Alemanha, que o potencial das duas equipas era demasiado dispar, que eram duas equipas de dois mundos completamente diferentes.

Ora, não é pela goleada numa segunda mão de uma eliminatória já resolvida, mas a diferença de valor entre Barça e Leverkusen será mais ou menos a mesma que a diferença entre um "grande" e uma equipa da II Divisao, em Portugal (sublinho que estou a comparar diferenças de valor e não o valor das equipas em si mesmo). São dois mundos completamente diferentes.

Não faltam exemplos que corroborem a ideia de que o sucesso de uma caminhada europeia pode depender muito de sorteios e eliminações surpreendentes. É o mesmo para as aspirações de equipas menos conceituadas (ou sobretudo destas) em taças domésticas, por exemplo. Neste sentido, e em relação ao sonho europeu que se vai reavivando no Benfica, a aleatoriedade do sorteio pode tornar inútil qualquer discussão sobre o assunto, mas não coloca, seguramente, em causa a relevância das sortes que serão tiradas antes dos quartos de final. Aliás, se nos centrarmos nos apurados de hoje, Barcelona e Apoel, o sorteio parecerá mais mesmo uma sentença.

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19.1.12

Real Madrid - Barcelona: O mais desequilibrado desde o 5-0?

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O resultado permite sempre exacerbar méritos de vencedores e deméritos de vencidos, e quase sempre isso que acontece, mas na minha opinião há uma diferença significativa de caso para caso. Desde logo, por exemplo, do recente 1-3 para este. Desta vez, realmente, creio que houve uma diferença contínua de qualidade na afirmação das respectivas propostas de jogo. O mais desequilibrado desde o 5-0? Para mim, e se tivermos em conta a globalidade dos 90 minutos, sim.

Sem me querer alongar muito, o que penso que prejudicou o Real, neste mais do que em outros casos, foi a incapacidade de conseguir extrair qualidade nos momentos em que teve bola. Não quantidade porque essa não se discute, mas qualidade. Se a tentasse ganhar mais à frente, como fez em alguns jogos da série do ano passado, faria sentido a verticalização como regra. E, olhando à composição do onze, Mourinho preparou mesmo a equipa para verticalizar. Assim, recuperando mais baixo, era importante ter mais critério e capacidade para oscilar entre a verticalização e a opção de levar o jogo até ao meio campo contrário, sem risco constante de perda. Podia não criar sempre perigo, mas obrigaria o Barça a baixar mais vezes, podendo depois defender a partir da reacção à perda, entrando mais vezes naquele que é, afinal, o seu jogo habitual. Mas, continua a dúvida, não sobre a qualidade do Barça com bola, mas sobre o porquê das outras equipas conseguirem jogar tão pouco. Particularmente, estranha ver uma equipa com a qualidade do Real Madrid (não me sobram dúvidas de que se o Barça de Guardiola é o melhor de sempre, o Real de Mourinho não fica muito atrás na hierarquia da História) tremer tanto com a bola nos pés. O mérito do Barça é enorme, mas explicará tudo? Ou haverá um constrangimento emocional? Seja como for, não estou convencido de que não seja possível fazer mais...

Do lado do Barça, a grande novidade para estes clássicos, reside em Alexis. No ano anterior também vimos Pedro ou Villa por dentro, mas com o chileno há um baile constante com os centrais no limite do fora de jogo. Sempre que a construção liberta um jogador de frente para ele, Alexis ameaça, e muitas vezes vai mesmo. É, no fundo, a resposta estratégica de Guardiola ao previsível sufoco "entrelinhas" e à obsessão com Messi.

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29.8.11

Barcelona - Porto: opinião

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- Começo pelo enquadramento. Este não era um jogo "normal", nem, tão pouco, um jogo conclusivo, em relação àquelas que são as prioridades de evolução imediata da equipa, ou, mesmo, em relação àquilo que são as suas realidades térreas. Não é correcto, a meu ver, partir deste jogo para extrapolar conclusões para aquele que é o contexto competitivo português. Não, porque há uma barreira enorme, em termos de dimensão competitiva. Mas, podemos, isso sim, fazer uma comparação simples, por exemplo, com aquilo que havia feito o Man Utd, na final da Champions...

Indicador: Man Utd/Porto
Passes Completados: 276/152
Passes Completados Barça: 704/631
% acerto em posse: 74%/61%
% acerto em posse Barça: 88%/85%
Oportunidades: 1/1
Oportunidades Barça: 8/5
Finalizações: 4/8
Finalizações Barça: 20/13

Ou seja, e tendo 1 jogo a validade que tem, não foi mau.


- De facto, no meu ponto de vista, este foi um jogo de enorme interesse, e foi-o, porque o Porto se manteve fiel à sua identidade. Entendo que esta possa não ser a ideia globalmente difundida, mas eu identifiquei os mesmos comportamentos, as mesmas intenções, e a mesma coerência estratégica de jogos, ditos, "normais". O produto final, obviamente, não foi o mesmo, mas isso tem sobretudo a ver com o condicionalismo imposto pelo adversário.

- Numa partição da opinião, começo pelo Porto e pelos seus comportamentos defensivos. Já me havia referido ao pressing do Porto e à sua "inteligência", comparativamente com o que habitualmente vemos, no sentido de ter uma intenção orientadora, antes da pressão activa, e, também, uma orientação estratégica identificável jogo-a-jogo. Porque pressionou alto o Porto, frente ao Barcelona? Porque era importante condicionar a construção, sim, mas porque sabia, também, que o Barça não iria responder com uma abordagem mais directa e forçar segundas bolas dentro do seu bloco. O resultado do condicionamento, começou por ser excelente. O Barça era empurrado para um lado do campo e dele dificilmente saía. Os problemas, porém, acabariam por surgir. O Barça passou a baixar de forma extrema a sua construção, usando Valdés (faz até lembrar a utilização do guarda redes, que é comum no futsal) e colocando Mascherano praticamente na linha de fundo. Esta solução acabou por resolver o problema do Barcelona. O Porto ficou desconfortável ao ter de pressionar numa área tão grande, deixou de identificar as suas referências normais para pressionar, e deixou de controlar os espaços dentro do seu bloco. Apareceram, finalmente, Xavi e Iniesta. Na segunda parte, ficou a ideia de que houve uma intenção de não forçar um inicio de pressão em zonas tão altas, provavelmente pelos problemas que o Barça vinha causando ao extremar a abertura do campo. O que se viu, porém, foi que o Porto deixou de fazer o condicionalismo do lado de saída, deixou de empurrar o Barça para um flanco, e passou a permitir, aí sim, que o Barça gerisse o jogo como lhe convinha. Construindo pelo corredor central, encontrando soluções no espaço "entrelinhas" e controlando muito melhor o momento (e zona) da perda. São compreensíveis as dificuldades de manutenção do rendimento, porque, a todos os níveis (colectivo e individual), não estamos a falar de uma equipa que se possa considerar "normal".

- Comentando o lado ofensivo, não posso deixar de começar por fazer a ponte com o ponto anterior. Ou seja, o que o Porto faz com bola depende sempre de como, e quando, a ganha. Foi melhor na primeira parte, onde criou problemas reais ao Barça, porque, nesse período, recuperou alto. Na segunda, passou a recuperar apenas em zonas baixas e isso, seja para quem for, frente ao Barça, é condição quase suficiente para se ser impotente em transição. Onde, talvez, a equipa fique mais a dever a si própria, é no momento de organização. Já me alongarei mais sobre este tema, e sobre um aspecto específico...

- Parto de um indicador estatístico, a %acerto em posse, no momento de organização (não transição ou bolas paradas):

Porto campeonato: 79%
Man Utd vs Barça: 79%
Porto vs Barça: 70%

Ora, é estranho que uma equipa que pretende ser (e normalmente, é) forte em organização tenha tido esta discrepância. De facto, o que os valores reflectem é apenas a má resposta que a equipa deu dentro do campo a este nível. A equipa não trabalhou o ponto de saída da bola, quando teve oportunidade de construir, nem, tão pouco, colocou em campo as rotinas que habitualmente se identificam. Neste ponto, gostaria de destacar um aspecto, muito importante, que tem a ver com a parte mental. O facto de se jogar com o Barcelona condicionou, claramente, a abordagem de certos jogadores, na hora de ter a bola. Vários. O lado mental é um aspecto que importa trabalhar em qualquer equipa. Decisivo, sem ponta de dúvida. O Porto 2010/11 foi muito forte nesse plano, mas este ano, que ainda vai curto, já assistimos a algumas coisas, menos positivas, que não se havia vislumbrado no anterior.

- Termino com a seguinte interrogação: Porque reage tão bem à perda, o Barça? Tem jogadores fortíssimos na reacção, e uma boa organização. Certo, e isso dar-lhes-ia, desde logo, enorme competência. É um aspecto que irei observar e comparar com outros casos, nos próximos tempos, mas diria que o Barça, pelo facto de não utilizar referências frontais em várias situações, tem sempre mais jogadores em condições de reagir do que a generalidade das equipas, mantendo, normalmente, poucos jogadores à frente da linha da bola. Enquanto que as equipas normais "prevêem" a perda com 2 linhas de 2+2, ou 2+3, o Barça tem frequentemente 2+4, ou 3+4. A confirmar...
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18.8.11

Os imbatíveis sub 20 e o privilégio da 'SuperCopa' (breves)

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Em primeiro lugar, claro, a Final inesperada!

Grande resultado para o futebol português! Enfim, talvez ajudasse alguma identificação maior dos adeptos com os jogadores, e com a equipa. Não é possível comparar o sentimento com o de 89 ou 91. Mas, nem eles têm culpa, nem estão menos de parabéns por isso. É confuso, ainda assim, este resultado não combinar com a perspectiva clara de um "craque" a emergir. Um único, que fosse, por exemplo, aposta forte de um dos principais clubes nacionais (e, nem me restrinjo aos 3 "grandes"...). Como eram João Vieira Pinto, Peixe, Figo, Rui Costa, ou outros, que não singraram, mas, pelo menos, iludiram.

Mas, para chegarem até aqui, tem de haver algum mérito, quer individual, quer colectivo. Pelo menos, à escala de nível onde jogam. É quase impossível que não haja...

Por fim, fica a minha nota sobre este exercício de projectar jovens. Não domino, claramente, essa "arte". Nunca me dediquei afincadamente, mas já percebi que há algo que me escapa para poder ser consistente. O ponto é que esse "algo" parece escapar também à maioria das pessoas. É a minha percepção. Nunca dei com alguém que denotasse grande acerto nos seus prognósticos a este nível. E não são poucos os que tentam. Tanto dá certo, como dá um espectacular fiasco. Ou seja, tem pouco valor. Talvez um dia perca mais tempo com este desafio, porque parece ser interessante...


Um pouco antes, um grande aperitivo, para a época. O Barça mereceu, foi melhor, mas não tanto se tivermos em conta as duas mãos. Enfim... que interessa quem mereceu? O que interessa é que foi mais um espectáculo fantástico, recheado de tudo (mas tudo!) o que um grande jogo precisa de ter. Como adeptos, somos uns privilegiados!

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30.6.11

Reforços 2011/12: Nolito (Benfica) (Parte II - vídeo)

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Tal como com Bruno César, complemento a análise com o vídeo detalhado de uma exibição de Nolito. Alerto para o número de vezes em que o jogador recebe a bola nas mesmas circunstâncias, e com possibilidade de partir para o 1x1. Algo que, como muitos outros detalhes, ilustra bem a qualidade/intencionalidade por trás do jogo colectivo...

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29.6.11

Reforços 2011/12: Nolito (Benfica) (Parte I)

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Perfil evolutivo- O ponto mais importante a realçar vai para o facto de Nolito ser, de raiz, um avançado. Foi contratado há 3 anos pelo Barcelona, jogando como extremo. É, portanto, a outro nível, um caso semelhante a David Villa, na equipa principal. Este dado é importante para contextualizar o papel futuro de Nolito. De resto, claramente a sua possibilidade de afirmação em Camp Nou ficou esgotada com o passar do tempo, e o Benfica será a sua primeira oportunidade pós-Barça.

Perfil táctico/técnico - A dificuldade sobre a projecção que se pode fazer sobre Nolito, vem da especificidade do seu papel no Barcelona B. Nolito jogou sempre "amarrado" ao corredor esquerdo, tendo como principal objectivo poder potenciar as situações de 1x1 que o colectivo lhe proporcionava. O seu movimento característico, e repetido inúmeras vezes, passou por receber aberto e no pé, mas na sequência de uma circulação larga, rápida e lateral, que expusesse o defensor do seu lado. Depois, Nolito partia decididamente "para cima" do opositor, forçando o 1x1, sempre com o seu pé direito, e sempre na direcção do corredor central. Em situações de inferioridade numérica, a sua opção foi sempre pelo privilégio da manutenção da posse, completando o rigoroso cumprimento de um perfil especifico que lhe estava destinado.


Como características, Nolito tem no 1x1 e na qualidade do seu pé direito, sobretudo na recepção e condução, as mais valias. Depois, em termos de definição de outras acções, fica claro que não se sente confortável em cruzamentos mais largos e que tem grande dificuldade em recorrer ao seu pé esquerdo. O critério foi muito bem trabalhado e percebido, para as exigências da equipa, mas ficou por testar a sua aplicabilidade em zonas mais baixas ou centrais, como naturalmente encontrará no Benfica.

Futuro no Benfica - Pelo perfil revelado, o mais provável é que Nolito venha a lutar por um lugar entre os avançados, particularmente como alternativa a Saviola. É possível que venha a ser testado como ala, mas parece ter de haver um caminho mais longo a percorrer para que essa adaptação corra pelo melhor.

Ou seja, e pensando na hipótese de jogar como avançado, Nolito poderá não ter tarefa fácil. O seu critério parece estar bem trabalhado, mas a sua capacidade de movimentos sem bola numa zona mais ampla, bem como a sua capacidade de resposta em zonas centrais, está longe de ter sido testada no papel especifico que desempenhava em Barcelona. A sua possibilidade de sucesso dependerá da resposta que for capaz de dar nesses aspectos, mas também da própria concorrência. É que se Saviola estiver em bom plano, dificilmente Nolito poderá ter grandes possibilidades de assumir um papel principal, no futuro mais imediato...

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31.5.11

Análise Barcelona - Man Utd (II): A estratégia de Ferguson

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Ao recordar a sua primeira vitória europeia ao serviço do United, em 1991 e precisamente sobre o Barcelona de Cruyff, Ferguson não hesita em apontar a importância dos detalhes tácticos. Em particular, da neutralização do papel de Koeman, que normalmente integrava, vindo de trás, as acções ofensivas da equipa, criando uma situação de superioridade no meio campo. Aliás, Ferguson sempre reconheceu a importância destes "jogos tácticos", e frequentemente se usou deles para ganhar vantagem sobre a concorrência interna. Por exemplo, pelo uso de falsos avançados (McClair, Cantona), que baixavam e criavam situações de superioridade no corredor central, dentro de uma realidade britânica onde o 4-4-2 clássico era confundido com uma regra do jogo.

Ora, Ferguson abordou esta final como sempre fez. Verificou a influência de Piqué na construção, e anulou-o com a atenção especial de Hernandez. Constatou a superioridade que o apoio recuado de Busquets poderia criar, e, qual McClair em 1991, baixou Rooney para sua zona. Na sua cabeça, estava anulada a superioridade em construção e a batalha do meio campo reduzida a um 2x2 de Xavi e Iniesta vs Carrick e Giggs. Mas Ferguson foi mais longe. Colocou os alas em posições mais interiores, reconhecendo a qualidade e dinâmica do jogo blaugrana no corredor central e, ainda, deu liberdade a um dos seus centrais para sair bem longe da sua zona e pressionar os movimentos interiores de Messi. O jogo táctico de Ferguson estava montado, mas o seu efeito estava longe de estar bem calculado...

Há vários problemas na aplicação prática das intenções de Ferguson:

1- Primeiro, e mais grave, a presunção de que dinâmica deste Barcelona é igual, ou sequer comparável, com outras equipas (como o Barça de Cruyff, por exemplo).

2- Os papeis de Hernandez e Rooney foram, de facto, suficientes para limitar significativamente a acção de Piqué e Busquets, que tiveram uma influência muito mais reduzida do que é hábito. Mas, foram também uma forma de desfocalizar atenções naquelas que são as zonas essenciais. A dinâmica do Barça foi mais do que suficiente para contornar as "ausências" de Busquets, utilizando Mascherano e Abidal, por exemplo.

3- O papel interior dos alas, foi permanentemente contrariado pelas acções dos laterais, especialmente Alves, que surgiu sempre como ameaça à direita, forçando o ala a abrir.

4- Toda a estratégia foi alicerçada em equilíbrios individuais e não na redução de zonas de jogo. Por exemplo, a profundidade da linha defensiva foi contra producente para que se conseguisse parar o meio campo do Barça, nomeadamente pelo espaço que ofereceu a quem aí pretendia receber a bola.

5- Houve dificuldades óbvias na interpretação da missão por parte de alguns jogadores. Rooney é um caso claro, pela falta de intensidade que teve em vários momentos ("perdeu" Busquets demasiadas e decisivas vezes), mas igualmente Giggs teve vários problemas, quer na primeira parte na zona central, quer na segunda, quando Ferguson o trocou com Park e o colocou na esquerda.

6- O condicionamento de Messi nunca foi feito no momento da recepção, como deveria ter acontecido, mas sempre após esse instante.

7- O corolário de tudo isto foi que a construção baixa do Barça ficou realmente condicionada, mas o seu condicionamento teve como implicação maior liberdade para o trio mais importante de anular no jogo do Barça: Xavi-Iniesta-Messi. Este foi o efeito secundário que Ferguson não antecipou.
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30.5.11

Análise Barcelona - Man Utd (I): Estatística e opinião

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1- Na antevisão, havia confessado a minha dificuldade em antecipar qual a solução de Ferguson para conseguir conciliar 1)a necessidade de manter o jogo longe da sua área e 2) a sua aversão a correr riscos no posicionamento da última linha. A resposta não foi a que esperava, mas, devo dizer, foi ao encontro das minhas piores expectativas. A estratégia de Ferguson para o condicionamento da posse do Barça foi, a meu ver, e com larga distância, o factor que mais condicionou as possibilidades do United.

2- Voltarei ao tema com imagens, mas, para já, digo apenas que, apesar de Piqué e Busquets serem elementos importantes na construção blaugrana, estão longe de poder ser considerados "prioritários", face a outras unidades. Creio que a origem do pensamento de Ferguson e tentarei enquadrar a solução com um episódio passado, mas, para já, fica apenas a opinião de que ao tentar "prender" Piqué e Busquets, Ferguson deu também mais liberdade ao trio Xavi, Iniesta e Messi, e complicou ainda mais as possibilidades da sua equipa controlar o espaço entre linhas. O aproveitamento que o Barcelona fez desse espaço - de onde resultou a maioria das suas ocasiões, note-se - foi, e repito a opinião, o que mais desequilibrou a balança do jogo.


3- Para além do descontrolo no espaço entre linhas, o United denotou também grande incapacidade em provocar o erro e, como consequência, aproveitar o momento de transição para ser perigoso. É curioso, aliás, verificar que o United teve até uma quantidade razoável de posse de bola, com boa percentagem de sequência em posse e sem grandes problemas em termos de perdas de risco. Não são dados que se esperem frente ao Barcelona, mas esta constatação serve também para verificar como estes indicadores podem ser absolutamente irrelevantes num jogo de futebol. E são-no porque, por si só, não garantem, nem controlo defensivo, nem capacidade de desequilíbrio ofensiva. Em suma, o United comprometeu todas as suas possibilidades por aquilo que aconteceu no seu momento de organização defensiva.

4- Não é a primeira vez que o escrevo, mas parece-me que o Barça de hoje é o mais difícil de neutralizar. Mesmo, considerando a qualidade que Eto'o lhe trazia antes do erro que foi a sua troca por Ibrahimovic. E tudo tem a ver com o papel de Messi. A sua posição como falso avançado cria um dilema táctico, até agora sem resolução: nenhuma equipa arrisca perder presença na última linha defensiva, mas, ao manter essa prioridade, os adversários do Barça estão também a tornar impossível garantir superioridade nas zonas mais interiores, onde o Barcelona é mais forte. O ideal seria poder jogar com 12!

5- Volto, de novo ao tema dos 4 duelos com o Real Madrid. Não há paralelo possível entre aquilo que fez Mourinho nos primeiros 3 jogos - onde dividiu por completo as possibilidades de vitória - e aquilo que o United fez nesta final. A diferença, basicamente, está na noção de quais os espaços que são importantes condicionar. Mas há uma coincidência entre ambos os casos: depois da derrota, os dois treinadores serão acusados de terem sido demasiado "defensivos". O ponto, e outra vez, é que ninguém escolhe "atacar" ou "defender". Ataca-se quando se consegue e, para o conseguir, é preciso ser-se bom a defender. Essa foi a diferença entre Real e United: ambos jogaram "pouco" (até menos o Real) mas, ao contrário de Ferguson, Mourinho foi capaz de colocar a sua equipa a jogar "pouco", mas "bem". E, se o objectivo do futebol ainda é marcar mais e sofrer menos, então... é só isso que é preciso.

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28.5.11

Mais um título para o Super Barcelona (breves)

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- Os primeiros minutos ainda deram outra ideia: muita vontade do United de pressionar alto e retirar proveitos das recuperações que pudesse na zona de construção do adversário. Sem pressa, no seu ritmo, porém, o Barça foi-se impondo, acabando depressa por revelar o problema que abordara na antevisão. Ou seja, pressionar alto sem subir a linha defensiva, mais do que provavelmente, iria implicar a abertura espaços no bloco defensivo. Um regalo para o futebol de Xavi, Iniesta e Messi, que mais não parecem procurar do que os espaços entre linhas. Apenas o golo do empate adiou o inevitável, e a segunda parte foi de domínio avassalador. Domínio e descontrolo do United, é preciso notar. O Barça parou no 3-1, quando quis.

- O triunfo blaugrana faz justiça ao futebol que a equipa pratica. Não se pode querer ficar na História sem vitórias, mas, com elas, este Barça terá certamente um lugar bem vincado na memória de todos. Quanto tempo durará? Têm a palavra, parece-me, dois homens: Guardiola e Mourinho. Guardiola, porque quando decidir abandonar Camp Nou, nada garante que não teremos um retrocesso ao tempo de Rijkaard. Mourinho, porque, goste-se ou não, é o único que consegue tornar incerta uma série de duelos com esta fenomenal equipa. Guardiola perdeu três títulos, dois pelas mãos de Mourinho e, como hoje se viu, o que fez o Real não está ao alcance de qualquer um...

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27.5.11

Final da Champions: O derradeiro(?) desafio de Ferguson

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É curiosa a relação de Alex Ferguson com Barcelona. Não foram muitos os duelos - aliás, foram estranhamente poucos nos últimos anos, dada a performance europeia dos dois emblemas - nem, tão pouco, o treinador escocês se pode gabar de não ter passado por dissabores (as dores de cabeça que Romário deu em 1994!). Mas, sem dúvida, poucas palavras terão suscitado tão boas memórias como "Barcelona", durante muito tempo. Foi frente aos catalães que Ferguson conquistou o seu primeiro troféu europeu pelo United (1991), e foi em Camp Nau que ganhou a sensacional final de 1999. Mas "Barcelona" deve, hoje, soar de forma diferente nos ouvidos de Ferguson...

Tudo parecia correr de feição em 2008. Antes de vencer o Chelsea em Moscovo, teve de se deparar com o Barcelona de Xavi, Messi e Henry. Era uma equipa difícil de conter pela qualidade e capacidade que tinha para se impor pela posse, mas Ferguson passou bem pelo teste. Controlou sempre o adversário, quer em Camp Nau, quer em Manchester, manteve, sem grande surpresa, as suas redes invioláveis e esperou pelo momento certo para capitalizar um erro que o adversário haveria de cometer em posse. Foi Scholes, em Manchester, mas até já podia ter sido Ronaldo em Barcelona. O que ficou, para lá do bilhete para a final, foi a sensação de que o Barcelona, sendo difícil, estava longe de ser insuperável ou, sequer, merecedor de figurar entre os desafios mais complicados da carreira do escocês.


Um ano mais tarde, porém, tudo mudou. Em Maio de 2009, já ninguém se surpreendia com o poderio do novo Barça de Guardiola. Porém, uma coisa é ver, outra coisa será sentir. Poderia ser tão diferente, de um ano para o outro, e sem grandes novidades no elenco, aquela equipa que havia sido tão seguramente controlada apenas 1 ano antes? A resposta dada pela final de Roma foi um gigantesco "sim". O Barcelona não ganhou apenas a final, mas dominou-a por completo. O United começou por não conseguir defender, e, quando tentou reagir tacticamente, não só se viu neutralizado ofensivamente, como exposto na rectaguarda. A boa notícia para Ferguson, no final desse embate, foi que aquele Barcelona seria apenas um problema hipotético no futuro. Pois bem, dois anos volvidos, ele aí está de novo...

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Ter bola ou atacar, não é uma mera questão de vontade. É preciso conseguir fazê-lo e isso, frente ao Barcelona, será para além de difícil. Ou seja, e voltando a discordar por completo de algumas teorias avançadas aquando dos duelos entre Barça e Real, não há outra alternativa, para quem quer vencer o Barça, se não começar a pensar a estratégia pelo que se vai fazer sem bola. Afinal, é sem bola que se vai passar a maior parte do tempo, quer se queira, ou não.

Não é a primeira vez que o escrevo e, como continuo a acreditar na ideia, volto a repeti-la. É fundamental - senão decisivo - ter a capacidade para manter a posse do Barça longe da sua área. Se o Barça for capaz de ter bola junto da área contrária, torna-se uma tarefa hérculea sobreviver a 90 minutos de jogo. Não só pela qualidade que tem nas suas soluções e movimentações no último terço, mas, talvez até mais, por aquilo que o Barça faz depois de perder a bola. A sua reacção, sendo no meio campo contrário, é de tal forma forte que normalmente o momento de transição do adversário se torna numa ameaça maior para o próprio (pelo o instinto de "abrir" posições), do que para o Barcelona. Foi assim, por exemplo, no "massacre" frente ao Arsenal.

Um dos grandes problemas de Ferguson para este duelo pode ter a ver com a sua pouca propensão para subir a linha defensiva. Ou seja, se quiser defender alto e não arriscar na exposição que oferece nas costas, abrirá a zona entre linhas, onde cada palmo de terreno é capitalizado por Messi, Xavi e Iniesta. Se, por outro lado, se quiser manter compacto, poderá ter de fazê-lo em zonas demasiado baixas, submetendo-se à situação que especifiquei anteriormente.

O que vai fazer Ferguson? Honestamente, não sei, nem tão pouco desejo adivinhar. Mas há duas notas que quero deixar no final desta antevisão:

1) Não há treinador no mundo, e provavelmente na História do jogo, que mereça mais crédito do que Ferguson. Nascer na Escócia no inicio dos anos 40 e ser hoje um treinador no topo da pirâmide do futebol europeu é um feito absolutamente impensável. Para chegar onde chegou, Ferguson teve de se "dobrar" muitas vezes. Teve de superar o problema interno do United, ainda nos anos 80. Teve de superar a cratera filosófica e qualitativa que se abriu entre o "kick 'n rush" britânico e o "Continenental football", nos anos 90. Teve de superar a ascensão do meteórico Chelsea de Mourinho, ou mesmo o "fancy football" de Wenger, na primeira década deste milénio. Todos estes foram desafios dados antecipadamente como perdidos, que todos perderam, mas que ele venceu. Ele e só ele. Ninguém é eterno, nem infalível, mas há que ter respeito por quem, ao longo destes anos, foi sempre capaz de ter a humildade e inteligência para não ficar preso a dogmas, reconhecer as suas limitações e, assim, superá-las. Como a História testemunha... é perigoso substimá-lo.

2) O Barcelona é, a meu ver, amplamente favorito. A verdade, porém, é que o futebol não se compadece com quem facilita. Não há lugar a notas artísticas ou a aplausos antecipados. Ganha-se apenas no final dos jogos e a vitória mede-se por critérios absolutamente objectivos. O principal trabalho de Guardiola, agora e no futuro, passa pela sua capacidade de gerir a "temperatura" motivacional dos seus jogadores, porque não basta ser-se bom e ter-se um grande modelo, é preciso interpretá-lo nos limites, outra e outra vez. Guardiola tem-no feito muito bem e é pouco provável que o problema surja agora, mas é também bom de lembrar que a natureza humana aponta precisamente para que a percepção de sucesso redunde em facilitismo na etapa imediatamente seguinte. Ou seja, esta é uma ameaça está e estará sempre presente...

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4.5.11

Barça na final, no encerramento dos duelos (Breves)

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- Importa, primeiro, realçar a justiça da qualificação do Barcelona. Não que o Real Madrid não o pudesse ter merecido também. Bastaria, por exemplo, que tivesse repetido o rendimento da final da Taça do Rei. O ponto principal do ajuste deste apuramento para a final (e, antecipo, provável vitória), está na qualidade do futebol do Barça, que é - e seria sempre, fosse qual fosse o desfecho da eliminatória, incomparável a toda a concorrência. Estamos a falar, a meu ver inquestionavelmente, da melhor equipa da História do jogo. O mérito de Mourinho e do seu Real Madrid, foi (é, e continuará a ser) levantar a dúvida se isso seria suficiente para ganhar. Estamos perante o mérito da excelência e o mérito da capacidade de superação. Qual deles o mais valioso? É uma discussão possível, mas que me parece ter pouco relevo.

- Termina, para além da eliminatória, uma fantástica série de quatro jogos entre os dois maiores colossos do futebol mundial. O saldo, apesar de empatado em termos de resultados jogo-a-jogo, é favorável ao Barcelona, sobretudo pela importância maior da Champions sobre a Taça do Rei. Voltarei com mais análises a este jogo e balanços desta série de confrontos, mas posso avançar com uma pequena opinião sobre este jogo: apesar de ter terminado com um empate, este foi, sem dúvida, o jogo mais controlado e confortável para o Barcelona. Pela folga no resultado, sem dúvida, mas também porque o Real, e ao contrário do que foi por muitos defendido, trocou o cérebro e a inteligência organizacional estratégica, pelo impulso e pela correria. Mais suor, menos organização, e tudo mais fácil para o Barça. Obviamente.

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3.5.11

Mourinho: Nem ele mudou, nem quem o critica

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Está fácil "malhar" nele. Não é surpresa, era previsível que assim fosse. Pela natureza do ser, e porque, em boa verdade, os elogios de ontem, como as criticas de hoje, sempre tiveram, e salvo raríssimas excepções, a mesma base fundamental: os resultados.

Ainda assim, é sempre triste constatar esta superficialidade, expressa, mais do que noutra qualquer coisa, na confluência do "timing" com o volume das criticas.

O alibi é o "estilo". Que ele o mudou, que não era assim. Fácil perguntar onde estavam quando, há um ano, com o mesmo "estilo", era o "Rei" do mundo do futebol? Fácil perguntar porque é que um "estilo" só perde valor ao fim de 300' de duelos, quando, ao fim de 210', ainda parecia genial? Mas, mais interessante ainda será recordar o seu primeiro duelo frente ao mesmo adversário, em 2005 (que jogo!): Qual foi o "estilo"? Controlo do espaço e transição.

Ganhar, a sua prioridade. Os resultados, a única métrica deles. Não nos enganemos, ninguém mudou. Nem ele, nem quem o critica.

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28.4.11

R.Madrid - Barcelona: Estatística e algumas notas

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1- Como já referira ontem, este foi, na minha opinião, o pior dos três duelos já disputados entre as equipas. O pior, de parte a parte. Do lado do Barcelona, justifica-se a perda de qualidade pelas ausências de Iniesta e Adriano (ou mesmo Maxwell). Esse, aliás, era um ponto a explorar pelo Real Madrid, que não pode ter nas baixas de Khedira e Carvalho explicação suficiente para o jogo menos conseguido em relação aos anteriores. Particularmente, a primeira parte. Como constatação fundamental fica a convergência do jogo em que o Barcelona menos erros cometeu (ou foi forçado a cometer) em posse, e aquele onde o Real menos perigo criou. Sublinho "convergência", para que não se confunda com "coincidência".

2- Começando por essa "nuance", das ausências de Iniesta e Adriano, e num detalhe que gostaria de aprofundar com imagens (mas não sei se haverá oportunidade), creio que Mourinho terá perdido uma oportunidade de ouro para condicionar, melhor e de outra forma, a posse do Barça. Sobretudo, a presença de Puyol à esquerda, e tendo em conta a qualidade dos restantes pontos de saída de bola, devia ter sido explorada, possivelmente libertando o lateral e forçando deliberadamente que a bola entrasse por esse corredor. A ausência de Iniesta era o complemento ideal, porque Keita não é, nem de perto, uma solução tão ameaçadora como o habitual camisola 8. Nada disto foi feito, porém. Puyol foi aquele que menos jogou dos elementos de construção, e teve uma actuação isenta de erros comprometedores, com uma % de sequência em posse próxima dos 90%. Keita, por seu lado, teve cerca de metade da influência em posse de Iniesta na primeira partida, mas sem que isso representasse um problema de segurança em posse para o Barcelona.


3- Na análise ao último jogo, trouxe aqui a importância do aprisionamento dos laterais aos corredores para o sucesso da posse do Barça. Pois bem, Guardiola terá reparado também nisso e, desta vez, abriu claramente Pedro e Villa, impedindo Arbeloa e Marcelo de auxiliar os médios em zonas mais interiores. Este pormenor é importantíssimo para o desconforto do Real no pressing do primeiro tempo. Sobretudo à esquerda, Ozil revelou-se pouco agressivo e útil (também já tinha escrito sobre esta condicionante na utilização criativo alemão), e Lass andou perdido entre a decisão de pressionar a zona de Busquets ou manter a posição na zona de Keita. O resultado foi um notório desconforto do Real no pressing, e um número muito menor de erros em posse do Barcelona. Uma das soluções poderia passar por aproximar mais claramente um dos centrais no espaço entre linhas, ou, como expliquei, "desprezar" deliberadamente a protecção zonal a Puyol.

4- Estes duelos ficam marcados, em termos tácticos, pela adaptação defensiva de Mourinho à fantástica capacidade de posse e circulação do Barça. O que é igualmente importante notar, é que a adaptação faz-se também em relação à capacidade defensiva do Barça. Ou seja, o Real, quando tem a bola, não joga da mesma forma que faz durante toda a época. Tenta soluções mais directas, e os seus jogadores sentem-se muito pouco confiantes com a bola nos pés, como que aterrorizados com a possibilidade da perda. Pode (e deve, a meu ver) discutir-se até que ponto é justificado tamanho respeito, mas o ponto nesta altura mais importante a relevar (e não me canso de o repetir) é que a "revolução Guardiola" dá-se muito pela qualidade transversal que o treinador introduziu na equipa, e que anteriormente não existia. Isto é, o Barcelona não é a melhor equipa do mundo apenas pela sua capacidade em posse, ou pela genialidade de Messi. É, também (e na minha opinião), a equipa que melhor defende no mundo.

5- Importante notar que, apesar da justiça inequívoca da vitória, pouco indiciava que esta fosse tão fácil para o Barça como acabou por acontecer. Ou seja, até à expulsão o jogo distinguiu-se sobretudo pela ausência de oportunidades, tendo havido apenas uma para o Barça, em 60 minutos. Aliás, o Real teve o seu melhor momento precisamente no primeiro quarto de hora do segundo tempo, com a entrada de Adebayor a produzir notórios efeitos, seja pela maior agressividade do togolês, seja pelo acréscimo de clarividência colectiva do Real com essa alteração. Ninguém sabe o que daria o jogo em igualdade numérica, mas sabe-se que, e ao contrário do que acontecera no jogo para o campeonato, foi apenas perante a situação de superioridade numérica que o Barcelona acabou por justificar verdadeiramente o triunfo.

6- Em termos individuais, quero acrescentar algumas notas. Para Piqué, porque quando se fala do "melhor central do mundo", não se pode nunca deixá-lo de fora. Para Pepe, porque a sua utilização à frente do "pivot" voltou a não ser tão produtiva como havia sido no primeiro jogo, onde jogou como elemento mais recuado do meio campo. Para Ronaldo, que tendo feito o jogo mais desinspirado da série, deu um exemplo de entrega, sendo o jogador que mais intercepções conseguiu na sua equipa (notável, para um avançado!), e apenas superado por Piqué, no jogo. Para Messi, que não teve, a meu ver, uma exibição tão boa como noutros jogos, mas que acabou por emergir nos momentos certos, ficando na "fotografia" uma exibição histórica. Para Afellay, sobre quem escrevi algum tempo antes de se transferir para a Catalunha. A sua versatilidade e qualidade permite-lhe jogar em várias posições, mas continuo a pensar que é em zonas de construção que está o seu potencial.

7- Duas notas sobre as peripécias destes duelos (e não só, já agora). Primeiro, para realçar que, ao contrário do que em certos momentos se quis fazer passar, não há equipas mais "nobres" do que outras. Ou, pelo menos, não a este nível. O jogo teatral e de pressão sobre os árbitros em contexto de jogo (e estou a referir-me apenas aos jogadores), é uma "arte" de especialidade latina, mas que acontece em todos os lados e em todos os desportos. O motivo resume-se ao simples facto de os jogadores quererem ganhar e estarem dispostos a fazer tudo o que está ao seu alcance para tal. O ponto deste meu comentário, é que o Barcelona, tal como qualquer equipa, joga essencialmente para ganhar. A sua realização/frustração depende do resultado e não de outras métricas. Não perceber isso, é não perceber boa parte da natureza e mentalidade desta fantástica equipa. Segunda nota, para referir que se adeptos e público não se revêem nos jogos de simulações e pressões sucessivas dos jogadores, então devem censurar quem define as regras do jogo, muito mais do que os jogadores. Os jogadores, como qualquer um de nós, só querem o melhor para eles. E o melhor para eles, hipocrisias à parte, resume-se numa simples palavra: ganhar.

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"Superclásico III", a vez do Barça (breves)

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- É uma semana sobrecarregada pelo "portuguesismo" das meias finais da Liga Europa, mas, ainda assim, tentarei voltar a este jogo mais do que 1 vez. O interesse enriquece-se pela sequência de duelos e pelas "nuances" que vamos observando de um para outro, e este foi mais um que trouxe novos elementos em relação ao jogo anterior. Desta vez, foi o Barcelona a levar a melhor, naquele terá sido o jogo menos conseguido, de parte a parte, nesta sequência. Mais motivos para estar decepcionado consigo próprio tem o Real Madrid, que tinha, nas ausências de Iniesta e Adriano, uma oportunidade para fazer melhor. Acabou por funcionar ao contrário, e, com alguma falta de lógica, foi quando mais condições tinha para ser bem sucedido, que o Real sucumbiu à maior força do adversário. É pena, porque este era precisamente o único embate desta série que poderia "estragar" o interesse do seguinte. Sobre os detalhes, como disse, escreverei mais tarde. Para já, fica apenas a nota de que Messi terá, mais do que provavelmente, garantido mais uma bola de ouro na sua carreira, com esta exibição.

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22.4.11

Final da Taça do Rei (II): Estatística e algumas notas de análise

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1- Começando pelo Real Madrid... Antes de mais, a estratégia foi, senão a mesma, extremamente próxima daquela apresentada no jogo para o campeonato. O que variou foi o resultado da sua aplicação, sendo muito mais produtivo na primeira parte do que no restante deste jogo, ou mesmo na totalidade do embate anterior. Não se confunda, por isso, intenção com concretização. Não é por ter conseguido melhores períodos no jogo que o Real foi intencionalmente "mais ofensivo" desta vez. Apenas o conseguiu ser, a intenção a mesma.

2- Importa, porém, notar algumas diferenças (ligeiras) na abordagem de Mourinho, ainda que elas estejam sobretudo relacionadas com aspectos individuais. A principal alteração tem a ver com Ronaldo. No jogo de Madrid, Ronaldo foi ala, teve de baixar no corredor e frequentemente partiu para a transição de posições demasiado baixas. Mourinho terá pretendido potenciar Ronaldo, colocou-o na frente, parecendo-me, inclusive, com menores restrições defensivas do que Benzema no jogo anterior. Depois, sem Ronaldo na ala, houve os únicos ajustamentos posicionais que diferenciaram desde o último jogo. Ou seja, Mourinho baixou mais os alas, para adiantar Pepe e Khedira para uma pressão ligeiramente mais alta no corredor central. A ideia parecia ser forçar a saída pelos corredores, embora isso raramente tenha acontecido.

3- A primeira parte foi, como ficou fácil de ver, controlada pelo Real Madrid. Conseguiu manter o Barcelona sempre longe da sua área (praticamente não lá entrou) e potenciou, depois, erros pontuais que deram origem às transições pretendidas. Os motivos desta situação têm a ver com a convergência repetida da posse do Barça para zonas superpovoadas de jogadores do Real Madrid. Particularmente na meia-esquerda do ataque catalão onde, como já expliquei no post anterior, Arbeloa estava quase sempre livre para fazer a diferença em zonas interiores. O Barça nunca conseguiu ter posse útil no espaço à frente da linha defensiva e, assim, nunca ameaçou o golo.


4- Sobre as alterações radicais na tendência de jogo, já destaquei o efeito Pedro, pelo que não vou abordar esse relevante factor. Depois, e tal como referiu Guardiola, o Barça foi mais lesto nas segundas bolas, mais rápido a reagir e a sua viragem no jogo passou também pela capacidade que teve acrescentar os momentos de transição à sua ameaça, algo que havia sido restrito ao Real Madrid, na primeira parte.

5- Sobra um aspecto que é importante abordar e que ajudará, igualmente, a explicar as oscilações no jogo, nomeadamente o prolongamento, onde, e contra todas as expectativas, foi o Real quem se voltou a superiorizar de forma clara, em termos de proximidade com o golo. Falo do aspecto emocional e dos momentos das equipas. Durante o jogo foi se falando do cansaço e da possibilidade do Barça usufruir do facto de jogar com bola para se desgastar menos e estar melhor com o desenrolar do jogo. A verdade é que muito daquilo que nos parece meramente físico é também psicológico. Se o Real esteve pior na segunda parte e o Barça melhor, foi também porque os níveis de confiança mudaram com as primeiras jogadas após o intervalo. O Barcelona sentiu que poderia conquistar o espaço e o Real sentiu-se ameaçado. Os jogadores do Barça foram crescendo em termos de desempenho e os do Real perdendo lucidez no posicionamento defensivo e na clarividência do primeiro passe de transição - diria, o momento fulcral para a definição de um jogo com estas características. Do mesmo modo, o estado de crença e confiança dos jogadores terá começado a mudar nos instantes finais da segunda parte, quando o Real voltou a aproximar-se do golo, e terá definitivamente mudado no inicio do prolongamento quando, antes do golo, foi o Real que conseguiu primeiro criar perigo, aproveitando uma perda de Xavi.

6- No Barcelona, Guardiola não parece muito interessado em discutir estratégias ou abordagens. O Barça é muito mais forte dentro do seu estilo e acredita que para aumentar as suas possibilidades de vitória, é suficiente que se preocupe consigo próprio. É uma constatação objectiva que o Barça é melhor e que o Real é que tem de se adaptar. Mas é-o também que a vida não tem ficado mais fácil para o Barça. Pelo contrário, tem perdido jogadores (agora Adriano, que pode vir a fazer falta), e visto aumentar o estado de confiança do rival. Mesmo sendo melhor, convém que o Barça vá procurando também as suas formas de crescer em qualidade. Por exemplo, seria uma equipa ainda mais forte se apresentasse outra valia nos lances de bola parada. Dado o volume de jogo que apresenta, seria um complemento importante para a sua proposta de jogo.

7- No Real, a evolução desta série de jogos é mais interessante de seguir. Mourinho tem de fugir do seu estilo e encontrar um "contra-estilo" para vencer o Barça. Para já, está a correr-lhe de feição. Já tinha abordado o lado positivo do empate anterior e, em termos mentais, esta vitória pode ainda catapultar mais a equipa. Mas, Mourinho ganha também em soluções individuais. Ronaldo representou uma mais valia em transição, Arbeloa-Ramos um duo muito mais forte do que Ramos-Albiol anteriormente. A dúvida pode passar por Ozil, que é um jogador fantástico em termos criativos, mas que tem muito que crescer em termos de agressividade defensiva (a meu ver, um dos motivos principais pelo descalabro dos 5-0, sendo utilizado numa posição central e sem qualquer capacidade de pressão). Finalmente Pepe, utilizado desta vez mais à frente, talvez para ter um médio de maior capacidade de desdobramento em transição, e relegar em Xabi Alonso a qualidade do primeiro passe. É certo que na primeira parte o controlo da zona entre linhas foi completo, mas na segunda parte isso não aconteceu, sendo, talvez, de reflectir os prós e contras de ter um jogador com uma reactividade e agressividade no espaço que, nem Xabi Alonso, nem (sobretudo!) Khedira podem dar.

8- Venha o próximo!
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Final da Taça do Rei (I): Pedro, Arbeloa e a diferença entre as 2 partes do jogo

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Voltarei ao jogo com outras notas, mas quero começar com este destaque...

De forma quase unânime, reconheceu-se que o chavão "jogo de duas partes distintas" servia na plenitude para retratar a partida. Ou melhor, os primeiros 90 minutos da partida. É sobre essa diferença que quero falar, abordando um pormenor táctico que, não sendo a obviamente a única explicação (raramente há apenas "uma" explicação), parece-me que é aquela que mais contribuiu para o súbito acréscimo de dificuldades do Real Madrid, na segunda parte...


Convém, primeiro, constatar que o jogo do Barcelona não é simétrico. Aliás, é deliberadamente assimétrico. Nesta assimetria, o lado esquerdo é aquele que mais qualidade atrai, quer a bola saia pela direita, quer pela esquerda. Porque é o lado para onde cai o médio que maior profundidade oferece, Iniesta, porque é o lado por onde entra Piqué, sempre que tenta criar superioridade com bola, e porque é esse o destino dos movimentos mais fortes de Messi, vindo da direita, em diagonal, e escondendo a bola com o seu pé esquerdo das sucessivas tentativas de desarme.

Perante esta situação, revelou-se completamente diferente a utilidade do posicionamento de Pedro. Na primeira parte, colando-se à esquerda, raramente jogou ou criou algum tipo de problemas ao Real Madrid. Pelo contrário, com Villa permanentemente a cair no espaço dos centrais e Messi a baixar para dar apoio à construção, Arbeloa tornou-se um elemento preponderante no encurtamento dos espaços interiores, posicionando-se muito perto de Ramos e mesmo dos próprios médios.

Na segunda parte, Pedro apareceu do outro lado, precisamente nas costas de Arbeloa. A diferença foi enorme, como se pode constatar nas imagens. Quando o jogo entrava directamente na esquerda, Arbeloa era "arrastado" para a ala, abrindo espaços de penetração de que Iniesta não tinha usufruído na primeira parte. Quando, por outro lado, a bola entrava na direita e se protagonizavam as habituais diagonais em direcção ao corredor contrário, Pedro surgia como uma alternativa extra para o passe. Algo que, mais uma vez, na primeira parte não tinha acontecido.

Foi um pormenor que, como é fácil perceber, terá sido determinante, mas que não vi abordado nas análises dos treinadores. Será, por isso, um dado interessante de acompanhar nos próximos capítulos desta empolgante série de duelos.

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18.4.11

Real Madrid - Barcelona: Estatística e algumas notas

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Real Madrid: A “ceder da posse” ou “racionalizar a recuperação”
Na realidade, creio que a “cedência da posse” nunca é uma boa estratégia. O que pode acontecer é um reconhecimento das dificuldades de recuperação da bola e, por consequência, uma racionalização da acção defensiva. Quando se confunde “ceder a posse” com “racionalizar a recuperação”, e mesmo se os dois conceitos possam muitas vezes parecer a mesma coisa, está-se normalmente a dar um passo gigante na direcção da derrota. O que o Real fez foi, precisamente, racionalizar a sua recuperação de bola, assumindo e reconhecendo a força extraordinária que tem a posse e circulação do Barça, mas não abdicando de a tentar condicionar. Sobre as diferenças entre estes dois conceitos, “ceder a posse” e “racionalizar a recuperação”, importa notar que o objectivo do Real não era, nem nunca foi (mesmo com 10), jogar num bloco baixo ou aglomerar-se junto da sua área. Era, isso sim, tentar condicionar a circulação contrária e, se possível, provocar a perda em zona de construção. O ponto é este: perante equipas fortes na posse e reacção à perda, recuperar em cima da área torna praticamente impossível a transição.


Barcelona: o dilema do efeito Messi
Há, a meu ver, um acréscimo de qualidade e dificuldade para os adversários no Barcelona “pós-Ibrahimovic”. Com a passagem de Messi para a zona central, a equipa torna-se ainda mais forte na construção, criando uma dilema terrível para as defensivas contrárias. Ou seja, por um lado, o avançado (Messi) baixa criando superioridade numérica na zona de construção/criação. Por outro, a zona central da linha defensiva é sempre aquela que é mais importante proteger, pelo que retirar-lhe presença em qualquer instante é assumir uma vulnerabilidade extrema em termos de segurança defensiva. Isto, claro, para além da qualidade absurda do próprio Messi.

A grande dificuldade de controlo do bloco do Real teve a ver com esta particularidade. Normalmente, haveria uma situação de 3x3 no corredor central, mas com o efeito Messi, o Barça tinha sempre uma unidade a mais. O Real estava obviamente preparado e manteve Benzema mais contido e próximo de Busquets, para que nenhum dos outros médios tivesse de sair ao primeiro apoio e fragilizasse, depois, o controlo no espaço entre linhas. Nem sempre foi conseguido, muito pela acção de Piquet, mas foi pelo menos relativizado.

Pepe: a arma defensiva de Mourinho
A resposta de Mourinho ao efeito Messi passou muito pela utilização das características extraordinárias de Pepe. Ou seja, a sua reactividade no espaço é enorme e, prevendo a tal dificuldade do Real em manter equilíbrios numéricos no corredor central, Pepe garantia maior capacidade de reagir e recuperar rapidamente. Assim foi. O outro lado da sua utilização teve a ver com as primeiras bolas aéreas. Ou seja, em situações de falta em zona recuada, Pepe subia para próximo de Benzema, para disputar a primeira bola e dar, nesse particular, boas possibilidades ao Real para sair a jogar a partir da segunda bola. Tanto num como noutro plano, Pepe correspondeu.

É habitual ouvir-se e ler-se criticas a Pepe. Haverá várias criticas justificadas, sem dúvida, mas a generalidade resulta de uma repetitiva dificuldade em perceber que no futebol não existem decisões ou abordagens certas ou erradas, por definição ou convenção. Que a complexidade (termo muito em voga, mas raramente percebido) do jogador implica precisamente que qualquer componente é relevante e influencia todas as outras, inclusive a decisional. Ou seja, que se Pepe tem mais valias extraordinárias em termos físicos, isso lhe permite ter formas de jogar diferentes de jogadores mais limitados em certas características e que isso não representa um defeito, mas, no mínimo, uma mais valia potencial.

Há que constatar, já agora, que durante épocas o Real investiu sucessivamente em centrais de potencial, mas que o único que se afirmou nessa condição foi precisamente Pepe, e não apenas com um treinador. Mais inteligente do que negar a realidade, é tentar percebe-la. Para já, e não tendo dois Pepe disponíveis, é mais do que provável que Mourinho continue a fazer do central uma opção estratégica no controlo de meio campo.

Balanço do jogo
Começando pelos aspectos estatísticos, de notar alguns dados absolutamente invulgares, para além da já esperada avalanche de posse de bola e passes do Barcelona. Esta característica do jogo do Barça quase que absorve tudo o resto. Ou seja, houve muito menos intercepções, finalizações ou passes da outra equipa do que é habitual. Jogadores como Carvalho e Albiol (enquanto esteve em campo) raramente tocaram na bola, fosse para defender ou atacar.

De resto, o resultado parece-me justo, embora não se estranhasse se qualquer das equipas pudesse ter vencido o jogo, com o Barcelona ligeiramente mais próximo desse objectivo. O Barcelona, como é seu hábito, focalizou-se em absoluto nas situações de organização, chegando através dessa via a todos os seus desequilíbrios, destacando-se a forma como conseguiu, nesses momentos, chegar a situações de finalização através do corredor central. Já o Real, embora tivesse apostado tudo no momento de transição, conseguiu aproximar-se do golo sobretudo de bola parada, com Ronaldo, Di Maria e Sérgio Ramos em destaque.

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17.4.11

'El Clásico', take #1 (breves)

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Voltarei ao jogo mais tarde, e com mais detalhe. Será uma série de 4 jogos que, a meu ver, dificilmente encontra paralelo na História do futebol. Por tudo. Este, por não decidir quase nada, era uma espécie de aperitivo. Na minha leitura, o Real sai reforçado em termos psicológicos. Porquê? É certo que voltou a não conseguir vencer o rival, é certo que perdeu qualquer réstia de esperança (a existir, nesta altura, seria apenas ilusória) em recuperar o título. No entanto, consegue recuperar um empate em circunstâncias dificílimas e dá a oportunidade para que Mourinho possa ter elementos de motivação provenientes da performance dos próprios jogadores e não de outros. É que, face à sua evidente valia (superior a qualquer outra equipa do planeta), o "obstáculo Barcelona" começa nas dificuldades que há em fazer-se alguém realmente acreditar que é possível bate-los - especialmente um Real Madrid traumatizado pelos recentes duelos.

Não há histórias iguais, nem na vida, nem no futebol, mas seguramente que Mourinho procurará usar este jogo da mesma forma que usou o primeiro embate com o Barça na época anterior (0-0). Ou seja, tentando servir-se das próprias exibições dos seus jogadores para lhes fazer perceber que é possível derrotar o maior "papão" do futebol mundial. Para saber o resultado, teremos de esperar...

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9.3.11

Notas do Barcelona-Arsenal

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- O resultado demorou a traduzi-lo, mas para quem viu não ficam mínimas dúvidas de que a estratégia do Arsenal falhou por completo. Ou, melhor dito, foi completamente insuficiente.

- Para ter bola, o Arsenal tinha de a recuperar em zona mais alta, porque perdendo-a à saída da sua área, é quase impossível evitar o pressing do Barcelona sem assumir riscos extremos. Foi assim, aliás, que nasceu o primeiro golo. Por muito mais interessante e divertido que seja olharmos para a posse do Barça, o seu sucesso e extrema qualidade nunca pode ser explicado sem a qualidade dos seus momentos defensivos, nomeadamente a reacção à perda. Um sufoco... fantástico!

- Não querendo fazer parecer fácil a tarefa Hercúlea que representa jogar em Camp Nou, era preciso muito maior agressividade sobre o portador da bola na estratégia defensiva do Arsenal. Uma zona expectante serve apenas para adiar os estragos que jogadores como Xavi e Iniesta inevitavelmente causarão. Para além do espaço, é preciso condicionar o tempo de decisão. Óptimo exemplo disso? O Portugal-Espanha.

- Vulnerabilidade do Barça? O jogo aéreo, com presença menos forte do que é hábito. Com Bendtner no banco, Wenger hipotecou a possibilidade de iniciar as suas jogadas com uma referência forte nas primeiras bolas. Seria uma possibilidade para fazer aquilo que raramente conseguiu: ganhar a bola no meio campo adversário. Estranha-se, porque o Arsenal tem essa solução prevista no seu modelo.

- Um pormenor interessante esteve na forma como ambas as equipas lideram com a linha defensiva e a armadilha do fora de jogo. Muito mais forte o Barcelona, que tem previstas várias situações para tirar partido desse risco. Muito menos preparado o Arsenal, tanto no capítulo ofensivo como defensivo. A cultura táctica dos próprios países não inocente, neste detalhe. É que em Espanha, e ao contrário de Inglaterra, a generalidade das equipas recorrem muito à última linha e ao fora de jogo como arma defensiva.

- Outra curiosidade tem a ver com a reacção do Barcelona após o 3-1. A equipa estava completamente "por cima" e aproximava-se do golo literalmente a cada minuto. Com a vantagem na eliminatória, e apesar dessa superioridade, a pressão para marcar evaporou-se, e o Barça pareceu privilegiar a gestão do jogo, quando tinha tudo para "matar" o adversário. Consciente ou inconscientemente, as equipas jogam para o resultado que precisam...

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