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28.11.11

Benfica - Sporting: opinião e estatística

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- Começo pelas implicações do resultado para as aspirações de ambas as equipas no campeonato. Ganhando, o Benfica coloca-se numa posição muito favorável, mantendo a liderança mas já tendo disputado os principais jogos nesta primeira volta. Pode, por exemplo, contar com a oportunidade de ganhar pontos a pelo menos um dos rivais quando estes se defrontarem. Longe de ser decisivo, obviamente, mas uma boa situação, sem dúvida. Quanto ao Sporting, a situação é precisamente a inversa. Ou seja, o Sporting acumula ainda o peso de um inicio de época mal conseguido e, num campeonato onde os primeiros perdem poucos pontos, isso implicaria uma superação nos jogos entre candidatos. Por isso esta derrota é problemática, colocando o Sporting a 4 pontos dos líderes mas ainda tendo de defrontar Braga e Porto até ao final da primeira volta. A diferença ser matematicamente parecer escassa, mas se o campeonato se mantiver nesta toada de poucos pontos perdidos, o Sporting só poderá aspirar a disputar o primeiro lugar até ao final se tiver uma prestação praticamente perfeita nos jogos com os rivais.

- Relativamente ao jogo, começo pelo aspecto mais previsível. Não é nada que tenha a ver com o que se passou dentro de campo - isso é sempre demasiado imprevisível - mas antes com as conversas depois do jogo. Ou seja, se o Sporting perdesse, como perdeu, era certo que as criticas iriam cair sobre a opção de Domingos eleger Carriço para a posição de pivot. É tão recorrente e previsível, que o próprio treinador deverá ser o primeiro a sabe-lo. Domingos explicou o porquê da opção por Carriço, e não era difícil de a deduzir do próprio jogo, nomeadamente pelo posicionamento alto de Schaars e Elias. Mais difícil, a meu ver, é supor, como quase sempre se faz, que um treinador toma esta opção para "perder capacidade de passe" ou "para defender mais".

- A opção de Domingos, de ser agressivo sobre a saída de bola do Benfica, obrigando a uma construção mais longa, é já uma reedição do que fazia quer na Académica, quer no Braga, recolhendo na altura grandes proveitos desse condicionamento que fazia sobre os seus adversários, especialmente em jogos mais de maior grau de dificuldade. Aliás, o próprio Benfica o faz, pressionando rapidamente e com bastante gente a primeira linha contrária. A presença de um jogador mais forte no jogo aéreo como pivot é imprescindível para Jesus, precisamente pelos mesmos motivos que levaram Domingos a colocar Carriço em campo. Ora, a consequência de tudo este condicionamento sobre a construção, foi um jogo pouco ligado e fortemente dependente da disputa da segunda bola para a definição do ascendente no jogo. Este é, por isso, um detalhe decisivo. O Sporting preparou as suas próprias reposições, escolhendo Wolfswinkel como referência para a primeira bola e o lado direito como destino. O porquê desse lado? Talvez pela tentativa de explorar a rapidez de Elias nas costas do holandês, talvez para tentar ficar com a bola do lado mais forte (digo eu...) da equipa, mas não tenho uma resposta exacta. O certo é que o Benfica, não tendo de fazer uma abordagem tão estratégica, tem uma natural apetência para responder de forma mais forte a este aspecto específico. Mesmo sem Luisão, defensivamente, tem Javi Garcia sobre a esquerda, protegendo bem quer Emerson, quer Garay, e o próprio Witsel, também bastante forte neste capítulo, sobre a direita. O belga, aliás, apresenta-se igualmente como alternativa para as reposições longas de Artur. Domingos temeu Cardozo, mas o Benfica teve sempre outras alternativas, nomeadamente Witsel, mais sobre a direita. E, assim, o efeito Carriço no jogo aéreo acabou por não se fazer sentir, ainda que também me pareça igualmente um equívoco afirmar que o Sporting perdeu capacidade de construção com a sua presença, face a um jogo com estas características.

- Entre a estratégia de uns, e a maior capacidade natural de outros, não me parece que algum dos lados se possa declarar como vencedor deste jogo de muita luta pelo privilégio de poder sair a jogar a partir de segundas bolas. O jogo repartiu-se quase sempre, o Benfica beneficiou mais da noite inspirada de Aimar (as dificuldades de Carriço são em grande medida o mérito do 10 encarnado), e da maior propensão para o erro em posse do Sporting. Em destaque no Benfica, a boa ligação do jogo, desde a direita para a esquerda, com muita largura sobre a última linha do Sporting (provavelmente voltarei a este detalhe). Porém, tudo isto, sem nunca se verificar qualquer ascendente continuado, porque o Sporting dividiu sempre o jogo, tanto em termos de domínio, como de proximidade com o golo.

- De tudo isto sobram, claro, as bolas paradas. Num jogo assumidamente de muita luta e pouco risco em construção, é fundamental ser-se forte nos detalhes e as bolas paradas são frequentemente um dos principais meios para que se marquem diferenças. Foi assim, mais uma vez. Domingos saberá bem a importância desta componente para o sucesso, porque já ganhou vários jogos assim. Jesus, como se sabe, privilegia também muito a capacidade das suas equipas a este nível. Tal como nas primeiras bolas na reposição de jogo, o Benfica é naturalmente mais forte neste plano, e o Sporting está mais dependente do trabalho específico. O jogo acabou por se definir numa zona em que a equipa leonina parecia insuperável com a presença de Onyewu. Foi por ali que o Marítimo criou grande parte dos seus lances, na vitória em Alvalade, mas com o americano esse problema parecia resolvido. Ora, foi precisamente no pior momento que Onyewu se mostrou vulnerável no controlo desse espaço.

- O equilíbrio, claro, terminou com a expulsão de Cardozo. Aí o Sporting passou a ter um domínio claro e consentido também. É verdade que o Benfica controlou sempre bem o jogo, é verdade que o Sporting não revelou grande lucidez na circulação, nomeadamente centralizando muito os médios e criando poucas situações de apoio nos corredores laterais. Mas também é verdade, apesar disto tudo, que criou oportunidades suficientes nesse período para ter chegado ao empate. Se não o conseguiu não foi por qualquer fatalidade do destino, mas sim porque o futebol é mesmo assim, tanto pode dar umas coisas coisas, como outras.

- Individualmente, no Benfica o destaque principal tem de ser Javi Garcia, pelo golo decisivo e pela capacidade de intervenção num jogo que cedo ficou a seu gosto, exigindo-lhe muitos duelos aéreos e muito menos gestão da posse, onde é vulnerável. Mas também Aimar, que foi fantástico nos seus movimentos "entrelinhas" (ainda que nenhum chegasse a ter grande consequência objectiva), e Gaitan, quer pela capacidade de execução em dois momentos, quer pela notável capacidade de trabalho que revelou (sem surpresa, sempre revelou nos jogos que puxam por ele). No Sporting, Wolfswinkel trabalhou bem na frente, mas faltou-lhe aquilo que é mais importante para alguém da sua posição, ser decisivo na finalização. Elias, esteve estrategicamente mais próximo do holandês e justificou esse papel pelo sentido de oportunidade na área, faltando-lhe apenas a eficácia. Outra nota para Carrillo, que volta a dar sinais de ser um caso sério em potência, assim consiga evoluir na decisão, claro.
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9.11.11

Sporting - Leiria: opinião e estatística

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- À partida não se diria, mas parece-me que, por uma conjugação de factores, este passou a ser um jogo importante para o Sporting. Pela própria jornada, onde os rivais perderam pontos, pela necessidade de anular rapidamente o efeito da derrota no jogo anterior, recuperando o sentimento de um momento positivo, mas também pela fase da própria equipa, recentemente abalada por uma perda relevante e por uma série de indisponibilidades mais circunstanciais. A tudo isto, há que assinalar, juntava-se um Leiria que não é hoje o adversário simpático do inicio de época. A resposta podia ter sido percepcionada de forma bem mais positiva, como aconteceu noutros casos, mas, apesar disso, parece-me ter deixado muito boas indicações...

- O jogo teve fases distintas, mudando as suas características depois do segundo golo e das alterações do Leiria na segunda parte. Na primeira, porém, tivemos um domínio muito grande do Sporting, que foi estrategicamente consentido pelos leirienses, mas do qual o Sporting deveria ter extraído mais vantagens do que o empate que levou para o intervalo. Neste primeiro período, há que assinalar o bloco baixo do Leiria, sem grande preocupação de ter presença pressionante sobre a construção dos centrais, mas com um forte bloqueamento nos corredores, particularmente nas acções dos laterais, normalmente um ponto forte do jogo do Sporting. Aqui, parto para o primeiro destaque individual, que penso justificar Carriço. Com os laterais bloqueados, é importante que os centrais tenham a capacidade de serem eles a tomar a iniciativa de criar desequilíbrios com bola e com o espaço que lhes é permitido pela estratégia contrária. Capacidade e qualidade, claro. Carriço tem-na, assim como tem também grande capacidade para jogar em antecipação nos espaços interiores e na reacção à perda (ver origem do 2ºgolo). É um jogador que tem de facto problemas na resposta em lances aéreos dentro da área, mas essa, sendo uma lacuna potencialmente decisiva, não deve ofuscar o valor do jogador noutros capítulos do jogo, que é evidente. Já agora, e apesar do mau jogo frente ao Marítimo (novamente, pela resposta aérea), Carriço tem feito um campeonato muito bom.

- Depois, no curso do jogo, é interessante verificar o efeito marcante de alguns lances. A eficácia do Sporting, que voltou a ser muito elevada e que foi reflectida, desta vez, nos golos de Matias. E, do outro lado, quer o golo do Leiria, que resulta de um erro individual descontextualizado do curso do jogo, e que impediu, possivelmente, outro conforto do Sporting no jogo, e, mais tarde, o lance que poderia ter resultado em novo empate e que surgiu como complemento perfeito para a mudança que Cajuda estava a tentar encetar no jogo, após o 2-1. Lances que tiveram efeitos quer na resposta emocional dos jogadores, quer na percepção com que todos ficamos das exibições das equipas. Aliás, sobre a reacção do Leiria e encolhimento do Sporting, parece-me que há muito de emocional nessa reacção, isto mesmo contando com o bom posicionamento do Leiria na reacção à perda e com a ineficácia das alterações no meio campo do Sporting, no que diz respeito à qualidade do jogo ao nível do passe, quer em organização, circulando menos, quer em transição, sendo incapaz de ficar com bola mais tempo após cada recuperação de bola. Daí, o avanço territorial do Leiria e consequente "aperto" do Sporting em grande parte do segundo tempo.

- No Sporting, o dado mais importante tem a ver com a resposta do meio campo, que foi excelente. Com o duplo pivot, o Sporting teve, a meu ver, o melhor Schaars da temporada. Não ao nível do impacto ofensivo, porque não marcou nem assistiu, mas a nível defensivo, onde esteve muito forte (já tinha estado frente ao Feirense, em boa verdade) e sobretudo ao nível do passe, sendo finalmente um jogador consistente a esse nível, quer em termos de presença, quer no que respeita ao nível da eficácia, que como assinalei vinha sendo muito baixo. Não surpreende esta diferença, já que Schaars é marcadamente um jogador de primeira fase de construção e muito menos vocacionado para uma segunda fase ofensiva. Ao seu lado, Elias, com erros pontuais ao nível do passe, mas sem que isso possa afectar uma boa presença também a esse nível, que complementa com a sua extraordinária capacidade reactiva aos momentos do jogo, quer na recuperação, quer no acompanhamento ofensivo. Teoricamente, teve mais responsabilidades defensivas, mas 3 dos 6 desequilíbrios têm a sua participação directa. Finalmente, Matias que actuou na posição que me pareceu estar-lhe destinada com a chegada de Domingos. Não tenho como certo que o seu rendimento possa vir a ser consistente, por causa das lesões, mas também porque é preciso que a equipa o consiga potenciar no último terço, perto da zona de finalização, onde tem uma capacidade de definição e decisão que é terrível para as oposições. Mas, uma coisa é certa, se o Sporting conseguir potenciar este trio e se o tiver sempre disponível (porque não tem alternativas da mesma ordem qualitativa), esquecer Rinaudo não será um problema...

- Finalmente, falar dos extremos, porque há alguns casos curiosos. Pereirinha foi o jogador mais conseguente no jogo, e apenas não terá dado sequência a 1 posse de bola que por si passou. É notável este registo, o problema, porém, é que isso não é minimamente suficiente. O jogo faz-se de golos, e os jogadores mais ofensivos têm como principal missão ajudar a aproximar a sua equipa do golo, o que no caso dele não sucedeu, nem de perto. Pessoalmente, penso que a equipa poderia ganhar mais se os papeis de Pereirinha e João Pereira fossem invertidos, quando a equipa recorre aos dois em simultâneo, mas é algo que teríamos de ver para ter mais certezas. Depois, Capel. Recuperando a questão dos jogadores discretos, Capel é o inverso, tudo menos discreto. A energia que emprega a cada posse de bola faz com que entusiasme as bancadas antes mesmo de chegar a produzir algo de realmente concreto, e isto vale-lhe, a meu ver, alguma sobrevalorização mediática. É uma mais valia que seja capaz de transportar a bola como o faz, mas é muito duvidoso que esteja a gerir da melhor forma as suas aparições no jogo, por mais aplausos que arranque. Desgasta-se em demasia, não é capaz depois de oferecer uma boa resposta defensiva, e do ponto de vista da produção ofensiva também não tem um valor acrescentado que justifique qualquer euforia. Se compararmos com os extremos do plantel (exceptuando Pereirinha), aliás, é aquele que menos desequilíbrios provoca em face do tempo de utilização, perdendo inclusive para Elias ou Schaars (ainda que este conte com os lances de bola parada) nesta comparação. Finalmente, Carrillo. É um jogador que pode, realmente, ter um futuro tremendo. A sua capacidade técnica e, sobretudo, a sua potência física determinam essa oportunidade, porque muito facilmente ganha vantagem sobre a oposição sem fazer grande esforço, e ele já percebeu isso. Falta-lhe mais qualidade na definição no último terço, para ser mais decisivo, e mais calibragem na decisão para poder ser um jogador consistente. Ainda não é, nem uma coisa nem outra, mas pode vir a ser, porque as suas outras características permitem-lhe lá chegar, caso tenha uma boa evolução.
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27.10.11

Sporting - Gil Vicente: opinião e estatística

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- Começo por abordar um tema, partindo do que havia escrito sobre o Porto. É interessante verificar a diferente abordagem, entre Domingos e Vitor Pereira (e, ainda que a um nível mais moderado, mesmo Jesus). Enquanto que o treinador portista tem gerido o seu plantel, alterando muito de jogo para jogo, em Alvalade, Domingos orienta o seu discurso para a necessidade de capitalizar os momentos altos, mantendo o essencial da equipa, mesmo em jogos de menor responsabilidade. São formas diferentes de gerir e cada um terá os seus motivos, mas o facto é que Domingos conseguiu, seja por essa ou outra razão, encontrar o trilho da confiança. Das vitórias alicerçadas nas boas exibições, ou... vice versa. À cerca disto, de resto, importa ter alguma memória e relembrar os primeiros jogos para o campeonato, onde os indícios de capacidade ofensiva já existiam, mas a falta de eficácia acabou por penalizar muito a equipa em termos de resultados, percepção geral e consequente confiança. Porque falei disso na altura, da importância decisiva que estava a ter a eficácia, parece-me interessante ver hoje as coisas do outro lado, de quando se marca o que se cria. É que, ganhando, tudo fica mais fácil também para o jogo seguinte...

- Sobre o jogo, importa explorar sobretudo o que aconteceu antes da loucura final. Ou seja, é mais importante perceber a vitória do que a goleada. Aqui, vou abordar dois momentos, organização ofensiva e bolas paradas (as situações de transição, para o Sporting, foram apenas episódicas). O Sporting começou o jogo com grande facilidade em conseguir domínio territorial, colocando a primeira linha a construir alto, praticamente em cima da linha do meio campo. Este ponto, a altura da primeira linha de construção parece-me bastante relevante. O motivo tem a ver com o receio que o extremo reduto adversário passa a ter da sua exposição nas costas, colando-se instintivamente à sua área. Assim, torna-se mais fácil entrar no bloco, e mais fácil reagir à perda. Foi isso que o Sporting conseguiu. Porque o conseguiu? A meu ver, por mérito próprio, porque procura fazer uma circulação intensa e larga na primeira linha de construção, dificultando a organização contrária ao exigir-lhe constantes ajustamentos laterais, mas também por demérito do próprio Gil, que nunca conseguiu evitar essa intenção. Mas, para ganhar é preciso marcar e não apenas dominar. Fica fácil jogar-se bem quando, como tem sido o caso do Sporting, se é eficaz tão cedo. Neste jogo, a vantagem através de um lance de bola parada, e é importante notar o bom trabalho que tem sido conseguido a este nível, com vários situações a serem trabalhadas e a produzir efeitos práticos. O Sporting é, entre os "grandes", a equipa que mais ocasiões de golo criou neste tipo de lances, não sendo, porém, a que mais concretizou (Porto). Já agora, no campo defensivo, é também aquela que mais ocasiões concedeu junto da sua baliza, mas aí entra o efeito do jogo com o Marítimo.

- Ainda no Sporting, destaque para as combinações nos corredores laterais, para onde o Sporting canaliza preferencialmente o seu jogo. Confirma-se a cada jogo a influência e acréscimo de qualidade que traz Elias. Em tudo, mas neste caso também no que respeita à dinâmica do lado direito. Junta-se a João Pereira, numa dupla que oferece excelente dinâmica todas condições à integração de seja quem for (desta vez foi Matias, já foi Carrillo, e falta ainda ver Jeffren nesta dinâmica). Do lado esquerdo, um triângulo diferente, menos ligado, menos dinâmico por natureza e mais dependente de Capel. À partida, aliás, parece ser mesmo só Capel, mas não é. Insua, não tendo a mesma energia e disponibilidade de João Pereira, tem um notável sentido de "timing", o que lhe tem valido uma grande eficácia e propósito nas suas investidas ofensivas. Schaars, por outro lado, não se aproxima tanto do corredor permanece mais interior, aparecendo, em contraponto, mais vezes na área do que Elias. Neste jogo, há um pormenor que me parece decisivo nas dificuldades que teve o Gil Vicente no corredor esquerdo. É que raramente houve uma boa presença junto do extremo no momento da recepção, permitindo ao Sporting progredir facilmente assim que fazia a bola entrar no seu flanqueador. Um ajuste posicional que não foi corrigido durante o jogo, que começou por dar vantagem a Capel mas que continuou com Carrillo. Aliás, acaba por ser um pormenor decisivo nas principais jogadas do peruano pelo flanco esquerdo.

- Finalmente, falar sobre Schaars, que me parece ser o jogador menos adaptado às suas funções, neste Sporting. É, na minha leitura, um jogador de primeira fase de construção, e que tem dificuldades em integrar-se de forma tão útil como os demais no jogo da equipa. Isto reflecte-se em vários indicadores, onde, quer em termos de influência, quer em termos de eficácia fica muito aquém do que faz, por exemplo, Elias, o seu espelho do outro lado do campo. A sua utilidade é alavancada pela importância que assume nas bolas paradas, mas parece-me que, por exemplo, Matias tem condições para ser testado no mesmo papel do holandês, já que em termos de resposta defensiva não me parecem ser jogadores de capacidade muito diferente. No entanto, suspeito que Domingos não tenha o mesmo entendimento...

- A goleada espanta, não tanto pelo Sporting, mas pelo Gil. Tem sido uma das boas equipas deste campeonato e não se esperaria (pelo menos eu) tamanha derrocada. Como escrevi, creio que houve alguns lapsos, quer no condicionamento da primeira linha, quer nos ajustamentos laterais, sobretudo à esquerda do ataque do Sporting. Com a entrada de Guilherme houve uma melhor presença em termos de condicionamento da primeira linha, com o Sporting a passar a construir um pouco mais atrás. Depois dessa alteração, aliás, o jogo não parecia poder vir a ter o destino que teve, mas a equipa acabou por ser penalizada, após o segundo golo, pela eficácia e tremenda energia que o Sporting manteve até final. Falar ainda de Hugo Vieira, que me parece ter sido uma ausência importante e muito pela capacidade que tem precisamente no condicionamento defensivo da primeira fase de construção.
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9.8.11

Sporting 2011/12: balanço de pré época

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Ponto prévio, incerteza: Qualquer projecção futura tem, por definição, uma incerteza inerente. Chegar a graus de probabilidade mais elevados é um desafio bem mais árduo do que a maioria das pessoas supõe, mas é esse o desafio que me interessa e aquele que justifica toda a dedicação que destino ao "tema futebol". O caso do Sporting 2011/12, e neste timing concreto, é especialmente interessante, porque pode-se fazer a análise de 2 perspectivas. Uma, mais pessimista, centrada em elementos de pré época e noutros problemas que, a meu ver, são evidentes. Outra, mais optimista, centrada essencialmente nas projecções que se podem fazer a partir dos trabalhos passados de Domingos. Por motivos que adiante explicarei, estou mais inclinado para a segunda, a mais optimista, arriscando numa melhoria substancial de rendimento face aos 2 anos anteriores. O grau de sucesso, não quero aqui precisar porque, em competição, nunca se depende apenas de si próprio. Ainda assim, e sem deixar de assumir as minhas leituras para critica futura, faço questão de começar por confessar alguma insegurança nos elementos que estou a utilizar.

Que sistema? - 4-1-3-2, 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3... já se falou de tudo um pouco. A diferença, bem vistas as coisas, não é muita. Os princípios são os mesmos, e os comportamentos mudam, essencialmente, num jogador, aquele que joga mais próximo do avançado, podendo ser "mais avançado", ou "mais médio". Em relação ao 4-2-3-1 que se viu em Braga, há uma alteração comportamental no meio campo, perdendo-se a simetria e com um médio (Rinaudo) a assumir uma postura mais posicional. Depois, se o elemento de ligação com o avançado for assumidamente mais próximo deste (como frente à Juventus ou ao Valência), há uma distinção entre o seu papel e o do outro médio, que necessita de fazer a aproximação entre os avançados e o médio mais posicional. Este papel foi interpretado por Schaars. A partir da segunda parte do jogo com o Málaga, houve uma aposta numa estrutura comportamental mais próxima do 4-3-3, com o papel entre os 2 elementos ligação a ser mais simétrico, e com a presença junto do avançado, no pressing, a alternar em função do lado da bola. O papel dos alas no equilíbrio ao centro também fica afectado, já que há, por norma, mais presença, mas o comportamento global da equipa não se altera em nenhum momento. Ainda assim, creio que seria benéfico Domingos encontrar um sistema base, bem como os seus principais protagonistas. Aliás, creio ser essa a intenção do próprio. Arriscaria que, com Matias, o 4-3-3 ganhará maior probabilidade, mas sem o chileno (e sem Aguiar e Izmailov), essa hipótese pode estar mais condicionada.

Aspectos defensivos - Talvez possa ser estranho, mas sou da opinião que um dos aspectos positivos desta pré época, vai para o que se viu da linha defensiva. E, aqui, distingo aquilo que é o posicionamento em altura de 4 jogadores, do produto do sistema defensivo, como um todo. Houve coerência na posicionamento, com poucos exemplos de jogadores a ceder à tentação de desfazer a coerência da linha com acompanhamentos individuais, e com muitos fora de jogo a serem tirados, ao contrário do que aconteceu no ano passado, onde, perante o mesmo tipo de intenção, muito mais erros aconteciam.
Por outro lado, também não vi demasiado espaço entre centrais e laterais, ou mesmo entre sectores, como foi denunciado em diversas opiniões. Vi, isso sim, dificuldade da linha média em controlar o tempo de passe e em controlar zonas de pressão, de onde a bola não deve sair, uma vez entrada. Vi erros individuais em posse, que potenciaram transições muito complicadas de controlar. Vi jogadas estrategicamente trabalhadas para colocar a bola nas costas do lateral (mas raramente não entre este e o central). Vi, por fim, erros individuais em situações de bola parada, e más saídas pontuais dos médios (Rinaudo), na ânsia de corrigir o que a primeira linha do pressing não conseguiu neutralizar (mas não espaçamento estrutural entre sectores).
Várias coisas, portanto, mas não tudo, nem tudo o que se disse. Aqui, e para finalizar, reforço um problema que me parece essencial e que tem a ver com a agressividade da linha média e avançada no trabalho defensivo. Algo que me parece ter convergido para o reforço da linha média a partir da segunda parte do jogo com o Málaga.

Aspectos ofensivos - O que mais surpreende será, talvez, a pouca capacidade da equipa em situações de transição defesa-ataque. Não nas transições curtas, produto de recuperações altas do pressing, mas nas recuperações mais profundas, de onde a equipa raramente se desdobrou com qualidade. A surpresa tem a ver com aquilo que o Braga era capaz de fazer neste momento, e com a valorização estratégica que o próprio Domingos lhe dava.
Ao nível da organização e ataque posicional, também a maior presença de médios (4-3-3) pareceu fazer evoluir a equipa. Particularmente, no jogo com o Valência e primeira parte com o Málaga, a equipa teve muitas dificuldades em construir. O contra-exemplo mais representativo é mesmo a segunda parte frente ao Málaga, já que, quer Udinese, quer Juventus, não apostaram num condicionamento tão forte sobre a fase de construção.
A questão individual torna-se decisiva na melhoria da equipa em toda a sua vertente ofensiva. Os aspectos ofensivos devem ser potenciados em especificidade, partindo das características dos jogadores para as dinâmicas previstas. Aqui, em termos de potencial, parece-me que há um maior condicionalismo na saída em construção. Por um lado, porque se prevê um decréscimo de qualidade na capacidade dos centrais neste plano (será o ponto fraco de Rodriguez, e Onyewu é o mais limitado dos 4). Por outro, não se vê ainda uma grande capacidade na resposta às primeiras bolas aéreas, uma alternativa que o Braga explorava muito em jogos de maior grau de dificuldade.
Tal como referido acima,torna-se importante que Domingos encontre rapidamente a sua estrutura base, para poder evoluir em especificidade.

Competição, precisa-se! - Há um aspecto que não foi avaliado - nem podia - na pré época. Dois, na verdade, mas ambos têm a ver com a competição onde "ganhar" é o objectivo. O lado estratégico do jogo, e a resposta mental da equipa. Estas 2 vertentes foram, indiscutivelmente a grande força das equipas de Domingos, e a grande justificação para os resultados extraordinários que continuadamente o treinador vem conseguindo. Por exemplo - e isto não serve para extrapolações lineares - o Braga havia perdido os seus jogos de apresentação nas 2 épocas sob o comando de Domingos, tendo feito, depois, um arranque fulgurante na época oficial. Este é, já agora, o capítulo que justifica alguma perspectiva de uma época acima das expectativas, por parte dos Sportinguistas. Aliás, com Domingos, e até agora, foi sempre assim, "acima das expectativas"...

Lesões, uma preocupação - Se projectarmos um onze ideal, dentro das actuais soluções, dificilmente alguém excluirá Rodriguez, Matias e Izmailov. Ora, também dificilmente projectará uma época imaculada em termos de lesões para qualquer dos 3. Dito isto, e acrescentando o risco de outras unidades padecerem desse mesmo mal, é bastante provável que o Sporting 2011/12 seja (ou continue a ser) uma equipa com um departamento médico atarefado. Que consequências terá?

Opções individuais - Já várias vezes me expressei sobre algumas unidades, pelo que não quero cair na redundância, neste texto. Exploro, ainda assim, alguns casos.
Primeiro, os centrais. Especula-se sobre a hipótese de o Sporting procurar outro jogador para esta posição. Sendo ou não verdade, entendo que será prudente fazê-lo. Porque Rodriguez, um titular previsível, tem o tal problema do histórico de lesões, e porque Onyewu também o tem, não sendo, por outro lado, uma opção muito credível, a meu ver. E fundamento-me em 2 aspectos principais para a critica ao americano: capacidade em posse (não o critério, mas a falta de capacidade de arrojo mínimo, que se tornará um "alvo" óbvio para qualquer adversário), e capacidade de resposta em zonas onde é necessário antecipar e reagir (jogando alto e de forma mais pressionante). Ou seja, seria, a meu ver, mesmo aconselhável ter outra solução...
No meio campo, o tal problema da falta de reactividade, onde se exclui o caso do incrível Rinaudo. Aqui, destaco as dificuldades, mais previsíveis, de Schaars e André Martins, e mais surpreendente (ainda que reincidente), de André Santos. Creio que nestas contas pode entrar Izmailov, um acréscimo de valor e bom complemento para Rinaudo. Melhor do que Schaars, parece-me, ainda que holandês seja também um bom valor.
Mais à frente, creio que, seja qual for o sistema, Domingos apostará entre Matias, André Martins , Aguiar ou Postiga, sendo Izmailov outra possibilidade eventual. Com Postiga, dificilmente a opção passará por um 4-3-3, ficando, nessa hipótese, a solução muito dependente da disponibilidade de Matias ou Izmailov, já que não entendo haver grande mais valia em Aguiar ou (para já) André Martins.
Nas alas, a boa notícia é a capacidade de trabalho de todas as opções, algo fundamental para quem quer manter-se alto e agressivo no jogo. Djalo é o caso mais forte neste plano, e aquele que garante um estilo diferente dos outros. Mais incisivo e forte em zonas de finalização, e menos fiável em posse. Dos outros, o tempo para opiniões muito vincadas ainda é curto. Jeffren parece poder acrescentar algo em termos de 1x1, algo em que o plantel se encontrava carente. Ele, e Carrillo, uma das surpresas da pré época. Carrillo será, até, o que mais mostrou dos novos extremos, mas fica-me a dúvida sobre a sua resposta no último terço, em termos de definição. Um extremo não pode precisar de 2 "toques" entre si e o golo. Falta ver mais, para estes e para Capel.
Finalmente, na frente. Sobre Postiga, estamos conversados. Podia trazer mais análises de desempenho passado, mas parece-me tão trivial o ponto sobre a improbabilidade do seu rendimento como principal finalizador, que me vou dispensar desse trabalho. Wolfswinkel é a aposta óbvia. Afinal, quem dá 5 milhões não abdica da aposta por 1 pré época. Compreendo a coerência dessa medida, mas, na leitura que já havia deixado, o holandês dificilmente será um finalizador muito eficaz (ainda que valha mais do que o que mostrou). Tinha tudo para ser um problema, não fosse... Rubio. A sensação da pré época pode ser uma das melhores aquisições dos últimos anos. Tem óptima abordagem à zona de finalização, mas foi também o que melhor resposta deu em termos de agressividade defensiva e jogo aéreo (primeiras bolas), não ficando a perder em termos de jogo de apoio, pelo menos face ao que os outros mostraram. Já havia deixado as minhas suspeitas, e, tudo somado, dificilmente a pré época terá sido um engano. A idade e o estatuto? Pois claro, esses serão os seus obstáculos para uma aposta séria e no imediato. Porque mais nada o justifica. Resta Bojinov, que deu muito boa resposta frente à Juventus, jogando de costas para a baliza. Na minha leitura, será entre Rubio e o búlgaro...
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