- De resto, os dois golos inaugurais acabaram por aligeirar o peso de um jogo que, a meu ver, mostrou ter tudo para ser muitíssimo complicado. A Bósnia não precisou de sofrer o primeiro golo para se mostrar altamente pressionante sobre a primeira linha portuguesa, fê-lo desde o inicio, dificultando um jogo mais apoiado e forçando uma série de ligações directas mal sucedidas nos primeiros minutos. Do mesmo modo, Portugal também pressionou a primeira linha bósnia, mas a reacção do adversário, de novo, voltou a ser muito boa. Não cedeu à tentação de bater longo, não acumulou muitas perdas de risco (pelo menos na primeira parte), e conseguiu sair várias vezes das zonas de pressão criadas, levando o jogo de forma apoiada até ao meio campo ofensivo português. E aqui, lá está, os dois golos conseguidos neutralizaram qualquer sentimento de ansiedade que se pudesse transmitir para as bancadas, mas este não era o perfil de jogo mais confortável que Portugal poderia esperar...
- Do lado português, é importante assinalar a reactividade da equipa, que foi muito forte. Pressionando a construção contrária, a linha média foi depois muito rápida a ajustar posicionamentos, impedindo a tal exposição da última linha, que havia discutido no rescaldo do primeiro jogo. Há uma série de aspectos que me pareceram intencionais: A assimetria, com Ronaldo mais livre de acções defensivas e preparado para a transição (foi assim que se deu o terceiro golo). Moutinho, com mais preocupações de ajustar à esquerda, e Nani sem a mesma liberdade, auxiliando mais João Pereira ao longo do corredor. Mas, Meireles também pareceu mais alertado para a necessidade de fechar rapidamente o espaço nas suas costas, particularmente quando Veloso se aproximava do corredor esquerdo. Este, recorde-se, foi o espaço exposto pelos bósnios em alguns momentos do primeiro jogo. O aspecto da reactividade parece-me fundamental, porque para quem pretende pressionar a partir de zonas mais altas, é decisivo ser capaz de ajustar rapidamente não dando oportunidade para que o adversário capitalize as situações em que consegue sair das zonas de pressão que são criadas. Quanto mais forte for adversário, obviamente, mais decisivo este aspecto pode ser, e se Portugal já havia feito desta capacidade um alicerce do brilharete frente à Espanha, desta vez voltou a estar muito forte a esse nível. É importante que o continue a repetir no futuro, até porque também é verdade que foi quando não o fez que mais sofreu...
- Individualmente, e para além de Ronaldo e Nani, o principal destaque vai para Moutinho e Veloso. Sobretudo Moutinho, que voltou a estar tremendo, tal como na primeira mão. O caso do sub rendimento de Moutinho no Porto é mais ou menos o mesmo que o sub rendimento de Ronaldo na Selecção. Tem sobretudo a ver com a expectativa ilusória, de comparar a estabilidade de rendimentos individuais em contextos de performance colectiva completamente diferentes. Já Veloso, também muito bem, parece ter ganho definitivamente vantagem para constituir com Moutinho e Meireles o trio de médios.
- Na frente será onde, a meu ver, há mais questões a levantar. Já escrevi sobre as limitações de Postiga na resposta que dá em variadíssimas situações especificas, independentemente da questão da finalização. Para além disso, há algo a rever nas movimentações do 9 nas dinâmicas colectivas(não tem necessariamente a ver com Postiga). Tentarei voltar a este tema com imagens, mas para já deixo estes dados de reflexão: Os avançados são quem tem menor participação no jogo colectivo, o que é normal, mas na Selecção a sua acção não tem conduzido, nem a qualquer ocasião criada, nem tão pouco a um acréscimo positivo na fluidez de jogo. Ou seja, o contributo positivo do ponta de lança, na Selecção, tem-se resumido à finalização, e apenas à finalização. Se este marcasse 30% dos golos da equipa, como aconteceu neste jogo, isso seria suficiente, mas essa está muito longe de ser a marca, quer de Postiga, quer de Hugo Almeida. E isto, goste-se ou não, é um problema...
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