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3.1.12
19.12.11
Benfica - Rio Ave: opinião e estatística
- Todos os jogos começam 0-0, mas, diz-se e eu concordo, nenhum parte totalmente desligado do que ficou para trás. Este, particularmente, terá começado em grande medida na mudança táctica que Jesus introduziu a meio da primeira parte do jogo na Madeira. Witsel passou a jogar na ala, Aimar ao meio e Rodrigo como avançado. O Benfica não impressionou, mas os efeitos foram suficientemente positivos para que Jesus mantivesse a ideia até este jogo, alterando alguns protagonistas, sim, mas repetindo a ideia base. Os cinco golos voltam a dar nova força a uma opção que, em boa verdade, recupera a especificidade da filosofia que marcou as duas épocas anteriores do Benfica, tanto no que de bom traz, como nos riscos que pode acarretar. Sobretudo, é interessante observar as diferenças...
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- A grande alteração, a meu ver, está na especificidade do 10. Com Aimar mais recuado, o Benfica ganha maior mobilidade na solução de saída pelo corredor central, mais facilmente explode e desequilibra por essa via, mas também se expõe muito mais ao erro e ao risco de transição. A oportunidade dos méritos ofensivos teve reflexo principal na primeira época de Jesus, a ameaça da perda em fase de construção, por outro lado, ficou bem patente no inicio da temporada passada. Não tem tudo a ver com Aimar, é claro, a própria mentalidade de Jesus o potencia, mas é quando puxa o argentino para zonas de construção que o radicalismo deste futebol de "vertigem e velocidade" (recuperando os termos de Villas Boas) mais se proporciona. Não é difícil percepcionar os méritos de Aimar, e a ameaça que representa quando o jogo se aproxima do último terço, e por isso é um jogador tão elogiado e acarinhado por todos. O seu futebol de toques curtos e repentinos é raro e pode ser devastador quando jogo chega "entrelinhas", mas esse perfil de progressão implica também alguns riscos quando é iniciado mais atrás. É que se o Benfica tem uma reacção muito forte à perda quando a bola chega ao último terço, nem o Benfica nem nenhuma equipa se prepara tacticamente para perder a bola em construção, e esse é o risco que passou a correr, quer na Madeira, quer agora frente ao Rio Ave, com o número de perdas de risco a aumentar em paralelo com o número de oportunidades que a equipa construiu.
- Mas não passa apenas pela alteração no meio campo, a explicação da boa capacidade de desequilíbrio da equipa neste jogo. Há dois nomes que importa referir: Saviola e Nolito. O argentino vem fazendo um campeonato muito bom em termos de capacidade de desequilíbrio (já o ano passado o fez, pelo menos na primeira metade), justificando, a meu ver, mais tempo do que aquele que vem tendo. Nolito, é um caso ainda mais radical. O seu futebol não tem perfume algum, como bem atestam os dois golos que marcou. O primeiro, quase que atropelando a defesa e guarda redes adversários até que a bola entrasse na baliza, numa jogada tão pouco ortodoxa que nem o próprio a deve ter imaginado. O segundo, após dominar menos bem, faz uma abordagem em queda que tanto podia servir de remate como de desarme, mas que acaba por surpreender tudo e todos mais uma vez por ser tudo menos esperada. Nolito não acrescenta grande qualidade às dinâmicas de saída em construção, pelo menos quando se compara com outras soluções, e estou convencido de que é por isso que Jesus não lhe tem dado mais minutos, mas o facto é que nenhum jogador é tão eficaz como o espanhol no que respeita à criação de golos e lances de perigo. E não há nada mais valioso do que um jogador que tem a capacidade de aproximar a equipa do golo. Quando observei os jogos de Nolito no Barcelona B deparei-me esta mesma dificuldade: O jogador criava muitos lances, mas num estilo que era difícil de acreditar poder manter-se com o tempo. Talvez Jesus tenha pensado o mesmo, mas a verdade é que Nolito tem prolongado essa capacidade no tempo e isso deveria justificar-lhe mais tempo de jogo do que aquele que teve até agora. Seja como for, quer Saviola quer Nolito têm concorrência de grande qualidade, e a decisão não é fácil para Jesus.
- É impossível não gostar deste futebol de risco, que potencia momentos de fulgor e êxtase nos adeptos e que é capaz de fazer repetir várias goleadas. Mesmo Witsel, penso ficar mais bem enquadrado na ala. Com esta resposta, Jesus dificilmente deixará de repetir a fórmula na segunda metade da época, mas também estou bastante seguro de que regressará à fórmula anterior, com Witsel no meio e Aimar mais à frente, assim se aproximem os jogos perante adversários de maior calibre.
- Uma palavra para o Rio Ave, que teve boas condições para causar uma surpresa na Luz. Estrategicamente abdicou de um jogo de construção e apostou tudo em fazer chegar o jogo de forma directa à frente da defesa do Benfica. A verdade é que o conseguiu, quer pela boa resposta nessa abordagem mais directa, quer pela qualidade de grande parte dos seus jogadores (Yazalde, provavelmente o mais inspirado). As aspirações da equipa de Carlos Brito, porém, ficaram repentinamente reduzidas a pó, com o final avassalador de primeira parte do Benfica. A grande parte da justificação, é claro, vai para o mérito do jogo do Benfica, mas há também que referir que os de Vila do Conde não tiveram grande felicidade nesse período, sendo a desvantagem de 2 golos provavelmente excessiva ao intervalo...
- Mas não passa apenas pela alteração no meio campo, a explicação da boa capacidade de desequilíbrio da equipa neste jogo. Há dois nomes que importa referir: Saviola e Nolito. O argentino vem fazendo um campeonato muito bom em termos de capacidade de desequilíbrio (já o ano passado o fez, pelo menos na primeira metade), justificando, a meu ver, mais tempo do que aquele que vem tendo. Nolito, é um caso ainda mais radical. O seu futebol não tem perfume algum, como bem atestam os dois golos que marcou. O primeiro, quase que atropelando a defesa e guarda redes adversários até que a bola entrasse na baliza, numa jogada tão pouco ortodoxa que nem o próprio a deve ter imaginado. O segundo, após dominar menos bem, faz uma abordagem em queda que tanto podia servir de remate como de desarme, mas que acaba por surpreender tudo e todos mais uma vez por ser tudo menos esperada. Nolito não acrescenta grande qualidade às dinâmicas de saída em construção, pelo menos quando se compara com outras soluções, e estou convencido de que é por isso que Jesus não lhe tem dado mais minutos, mas o facto é que nenhum jogador é tão eficaz como o espanhol no que respeita à criação de golos e lances de perigo. E não há nada mais valioso do que um jogador que tem a capacidade de aproximar a equipa do golo. Quando observei os jogos de Nolito no Barcelona B deparei-me esta mesma dificuldade: O jogador criava muitos lances, mas num estilo que era difícil de acreditar poder manter-se com o tempo. Talvez Jesus tenha pensado o mesmo, mas a verdade é que Nolito tem prolongado essa capacidade no tempo e isso deveria justificar-lhe mais tempo de jogo do que aquele que teve até agora. Seja como for, quer Saviola quer Nolito têm concorrência de grande qualidade, e a decisão não é fácil para Jesus.
- É impossível não gostar deste futebol de risco, que potencia momentos de fulgor e êxtase nos adeptos e que é capaz de fazer repetir várias goleadas. Mesmo Witsel, penso ficar mais bem enquadrado na ala. Com esta resposta, Jesus dificilmente deixará de repetir a fórmula na segunda metade da época, mas também estou bastante seguro de que regressará à fórmula anterior, com Witsel no meio e Aimar mais à frente, assim se aproximem os jogos perante adversários de maior calibre.
- Uma palavra para o Rio Ave, que teve boas condições para causar uma surpresa na Luz. Estrategicamente abdicou de um jogo de construção e apostou tudo em fazer chegar o jogo de forma directa à frente da defesa do Benfica. A verdade é que o conseguiu, quer pela boa resposta nessa abordagem mais directa, quer pela qualidade de grande parte dos seus jogadores (Yazalde, provavelmente o mais inspirado). As aspirações da equipa de Carlos Brito, porém, ficaram repentinamente reduzidas a pó, com o final avassalador de primeira parte do Benfica. A grande parte da justificação, é claro, vai para o mérito do jogo do Benfica, mas há também que referir que os de Vila do Conde não tiveram grande felicidade nesse período, sendo a desvantagem de 2 golos provavelmente excessiva ao intervalo...
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3.10.11
Benfica - Paços Ferreira: opinião
- Vou começar por comentar a natureza do jogo. Parece-me evidente o conforto com que o Benfica encarou o jogo, sem necessidade de grandes rasgos, mas com a percepção sempre presente de que uma exibição "normal" bastaria para uma vitória folgada. E assim foi. Há, nesta observação, uma grande dose de mérito do Benfica, que é uma equipa realmente forte, mas o que quero destacar é a diferença de potencial entre as equipas. Repete-se muitas vezes que o campeonato português é muito competitivo, mas eu tenho alguma dificuldade em concordar com a ideia. Não está em causa a capacidade de trabalho nas equipas mais pequenas, mas sim uma diferença de condições que, na minha leitura, se tem dilatado progressivamente com o tempo...
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- Relativamente ao jogo, creio que importa contextualizar a estratégia do Paços. Pareceu haver uma intencionalidade de criar problemas desde a zona de construção e, em particular, limitar as saídas do Benfica pelos corredores laterais. Isso foi de alguma forma conseguido. Houve poucas saídas iniciadas por qualquer dos laterais (especialmente Maxi, que é um protagonista normalmente mais activo) e criaram-se situações de grande densidade na zona média, o que dificultou a vida ao Benfica. O que tornou o jogo tremendamente fácil para o Benfica, porém, foi o que acontecia a seguir. Ou seja, se a equipa tinha algumas dificuldades em passar dessa tal zona de maior densidade, quando o fazia, aproximava-se com enorme probabilidade do golo. E isso - a proximidade com o golo - é o que mais liga as equipas ao sucesso. Nota, aqui, para dois factores. Primeiro, os movimentos de lateralização do jogo numa segunda fase ofensiva e, segundo, a óbvia dificuldade do Paços em controlar os espaços na linha mais recuada.
- Sem haver muitas notas a fazer, queria explorar dois temas, começando pela influência das bolas paradas. Foi um dos "abre latas" do Benfica no jogo, conseguindo 4 dos 10 desequilíbrios por essa via. A curiosidade no campeonato encarnado tem a ver com as diferenças de aproveitamento destas situações entre os jogos disputados em casa e fora. Em casa, o Benfica criou 11 desequilíbrios e marcou 4 golos, comparando com apenas 2 desequilíbrios e nenhum golo, nos jogos fora. É certo que jogou mais vezes em casa e que um dos jogos fora foi no Dragão, mas é, ainda assim, um dado curioso e que será interessante acompanhar.
- O outro tema, tem a ver com o papel dos extremos nos movimentos de construção. Há uma intenção de trazer os alas para o corredor central, como solução para o primeiro passe, num movimento também identificado em muitas outras equipas. Aqui, parece-me haver uma diferença grande entre as soluções, com Bruno César a revelar-se mais consistente do que Nolito e Gaitan. Nolito, claramente, não tem qualquer apetência para esses movimentos, sendo um avançado de formação, não tem grande facilidade de desempenho nessa zona, nem, tão pouco, se aventura na procura desses movimentos (creio que esse é o principal motivo pelo qual não é um titular indiscutível para Jesus). Gaitan, por outro lado, aventura-se muito mais por essas zonas, porque gosta de ter a bola seja onde for. O problema de Gaitan é o perfil de decisão, demasiado orientado para o risco e pouco ajustado àquilo que se exige nessas zonas. Joga o tudo ou nada numa zona em que tal ainda não se justifica. Bruno César, por outro lado, parece-me revelar-se bem mais consistente na interpretação destes movimentos específicos. Aliás, em jogo corrido é enorme a diferença de certeza em posse de Bruno César para os outros dois, sendo a do brasileiro na ordem dos 74% e a dos outros dois a rondar os 60%.
- Finalmente, uma referência ao Paços. É impossível exigir-se muito a uma equipa que visita a Luz no momento em que o Paços o fez. Um desafio emocional desta ordem requereria sempre outro enquadramento para poder aspirar de forma minimamente realista ao sucesso. De todo o modo, e como referi, creio que o Paços conseguiu um bom condicionamento do jogo numa primeira fase, sendo esse o grande dado positivo a reter. O problema, defensivamente, é que isso não foi suficiente para garantir o essencial: o controlo objectivo sobre o adversário e a respectiva proximidade com o golo. Depois, no lado ofensivo, o Paços não teve realmente qualquer capacidade de se manter ameaçador ao longo do jogo. A sua zona de bloqueio nunca desencadeou recuperações que originassem transições que pusessem em causa o equilíbrio do Benfica e, em organização, a equipa privilegiou saídas mais longas e menos arriscadas(o que é razoável dado o contexto, diga-se). O que mais se estranhará é que num jogo destas características, Michel não tenha feito parte da equação principal...
- Sem haver muitas notas a fazer, queria explorar dois temas, começando pela influência das bolas paradas. Foi um dos "abre latas" do Benfica no jogo, conseguindo 4 dos 10 desequilíbrios por essa via. A curiosidade no campeonato encarnado tem a ver com as diferenças de aproveitamento destas situações entre os jogos disputados em casa e fora. Em casa, o Benfica criou 11 desequilíbrios e marcou 4 golos, comparando com apenas 2 desequilíbrios e nenhum golo, nos jogos fora. É certo que jogou mais vezes em casa e que um dos jogos fora foi no Dragão, mas é, ainda assim, um dado curioso e que será interessante acompanhar.
- O outro tema, tem a ver com o papel dos extremos nos movimentos de construção. Há uma intenção de trazer os alas para o corredor central, como solução para o primeiro passe, num movimento também identificado em muitas outras equipas. Aqui, parece-me haver uma diferença grande entre as soluções, com Bruno César a revelar-se mais consistente do que Nolito e Gaitan. Nolito, claramente, não tem qualquer apetência para esses movimentos, sendo um avançado de formação, não tem grande facilidade de desempenho nessa zona, nem, tão pouco, se aventura na procura desses movimentos (creio que esse é o principal motivo pelo qual não é um titular indiscutível para Jesus). Gaitan, por outro lado, aventura-se muito mais por essas zonas, porque gosta de ter a bola seja onde for. O problema de Gaitan é o perfil de decisão, demasiado orientado para o risco e pouco ajustado àquilo que se exige nessas zonas. Joga o tudo ou nada numa zona em que tal ainda não se justifica. Bruno César, por outro lado, parece-me revelar-se bem mais consistente na interpretação destes movimentos específicos. Aliás, em jogo corrido é enorme a diferença de certeza em posse de Bruno César para os outros dois, sendo a do brasileiro na ordem dos 74% e a dos outros dois a rondar os 60%.
- Finalmente, uma referência ao Paços. É impossível exigir-se muito a uma equipa que visita a Luz no momento em que o Paços o fez. Um desafio emocional desta ordem requereria sempre outro enquadramento para poder aspirar de forma minimamente realista ao sucesso. De todo o modo, e como referi, creio que o Paços conseguiu um bom condicionamento do jogo numa primeira fase, sendo esse o grande dado positivo a reter. O problema, defensivamente, é que isso não foi suficiente para garantir o essencial: o controlo objectivo sobre o adversário e a respectiva proximidade com o golo. Depois, no lado ofensivo, o Paços não teve realmente qualquer capacidade de se manter ameaçador ao longo do jogo. A sua zona de bloqueio nunca desencadeou recuperações que originassem transições que pusessem em causa o equilíbrio do Benfica e, em organização, a equipa privilegiou saídas mais longas e menos arriscadas(o que é razoável dado o contexto, diga-se). O que mais se estranhará é que num jogo destas características, Michel não tenha feito parte da equação principal...
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20.9.11
Benfica - Académica: opinião
- Vou começar pelo fim, e pelo jogo de Sexta Feira. Desta vez, será mais claro o que irá fazer Jesus em termos de estrutura, mas restam algumas dúvidas no que respeita à estratégia. Irá assumir um jogo de construção, ou usar Cardozo, para diminuir o risco de perda perante o pressing contrário? Do mesmo modo, questiono-me sobre se da parte do Porto haverá uma estratégia especifica, se tentará condicionar o lado de saída da bola do adversário, por exemplo? Enfim, alguns pontos de interesse para um clássico que já não tarda. Mais uma vez, uma nota importante para o lado mental. Recuperar dois pontos em "cima" do jogo pode ser benéfico para o Benfica, mas o grande obstáculo mental está longe de ter a ver com a época em curso. É muito mais profundo do que isso...
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- Sobre o jogo, começo por falar da característica algo invulgar a que o jogo foi forçado. Menos passes, menos certeza em posse, menos circulação, do que é habitual. Porquê? Tem a ver com aquilo que a Académica se propõe fazer. É uma equipa que tenta condicionar o jogo adversário pelo encurtamento de espaços através de uma postura agressiva (subida) da sua linha mais recuada. Neste cenário, o jogo definir-se-ia em dois sentidos possíveis: ou com muito risco para o Benfica, caso a entrada no bloco 'estudante' não fosse bem conseguida, ou grandes dificuldades de controlo nas costas da defesa, caso o Benfica conseguisse sair em boas condições do primeiro passe vertical. Claramente, foi o segundo caso que se constatou. O porquê, a divisão entre mérito e demérito, é que será mais discutível...
- Primeiro, há obviamente grande mérito na circulação do Benfica, com Garay a ganhar grande protagonismo, e pela positiva, no papel que teve no primeiro passe. Mas, também Bruno César protagonizou movimentos muito bem conseguidos, que permitiram combinar bem com Emerson, ao longo do corredor esquerdo. E foi assim, fundamentalmente, que o Benfica se aproximou do golo na primeira parte, surgindo o invulgar dado de não termos qualquer ocasião encarnada através dos lances de bola parada. Uma raridade, especialmente nos jogos da Luz.
- Mas, do lado da Académica, também há lugar a alguns reparos, ressalvando-se obviamente o contexto e grau de dificuldade que tinha pela frente. Nomeadamente, parece-me que não houve capacidade para ser pressionante sobre o primeiro jogador que recebia o passe de penetração, permitindo que este pudesse enquadrar e controlar o tempo sobre o segundo passe. Ora, com uma defesa tão alta, isto iria implicar uma dificuldade de controlo sobre o espaço que estrategicamente era oferecido nas costas. Aqui, parece-me importante a reactividade e capacidade de antecipação que os jogadores dentro do bloco não tiveram, mas também o descontrolo sobre o ponto de saída de construção do Benfica. Isto, porque se a bola circula lateralmente antes do primeiro passe, será sempre mais difícil estar perto do receptor, quando não foi ainda feito o ajuste posicional à largura. Nomeadamente, à esquerda Emerson pareceu receber sempre com bastante liberdade e com condições para ameaçar a profundidade. Na segunda parte, a Académica melhorou neste plano, conseguiu controlar muito melhor o Benfica neste momento, acabando no entanto por ter de se expor progressivamente, em função do resultado.
- Ainda na Académica, é uma equipa interessante, que apresenta, provavelmente, a postura posicional com mais exposição da Liga (novamente, altura da linha defensiva). Interessante foi o movimento do golo, com o extremo a vir para dentro e a encontrar o médio oposto, no espaço "entrelinhas". Parece-me muito claro que é um movimento intencional da equipa, o que não espanta tendo em conta a proveniência do seu treinador.
- Relativamente ao Benfica, uma nota para o papel dos seus extremos. De facto, uma grande variedade de soluções, todas com boa capacidade de trabalho e uma enorme facilidade para decidir, seja finalizando (Nolito e Bruno César), seja assistindo (Gaitan). Não é por acaso que "ter golo" se paga no mercado, é que vale mesmo muito. Resta Perez, que também tem muita qualidade, mas que tem uma característica algo diferente destes, sendo fundamentalmente mais consistente em zonas interiores e distantes da baliza.
- Primeiro, há obviamente grande mérito na circulação do Benfica, com Garay a ganhar grande protagonismo, e pela positiva, no papel que teve no primeiro passe. Mas, também Bruno César protagonizou movimentos muito bem conseguidos, que permitiram combinar bem com Emerson, ao longo do corredor esquerdo. E foi assim, fundamentalmente, que o Benfica se aproximou do golo na primeira parte, surgindo o invulgar dado de não termos qualquer ocasião encarnada através dos lances de bola parada. Uma raridade, especialmente nos jogos da Luz.
- Mas, do lado da Académica, também há lugar a alguns reparos, ressalvando-se obviamente o contexto e grau de dificuldade que tinha pela frente. Nomeadamente, parece-me que não houve capacidade para ser pressionante sobre o primeiro jogador que recebia o passe de penetração, permitindo que este pudesse enquadrar e controlar o tempo sobre o segundo passe. Ora, com uma defesa tão alta, isto iria implicar uma dificuldade de controlo sobre o espaço que estrategicamente era oferecido nas costas. Aqui, parece-me importante a reactividade e capacidade de antecipação que os jogadores dentro do bloco não tiveram, mas também o descontrolo sobre o ponto de saída de construção do Benfica. Isto, porque se a bola circula lateralmente antes do primeiro passe, será sempre mais difícil estar perto do receptor, quando não foi ainda feito o ajuste posicional à largura. Nomeadamente, à esquerda Emerson pareceu receber sempre com bastante liberdade e com condições para ameaçar a profundidade. Na segunda parte, a Académica melhorou neste plano, conseguiu controlar muito melhor o Benfica neste momento, acabando no entanto por ter de se expor progressivamente, em função do resultado.
- Ainda na Académica, é uma equipa interessante, que apresenta, provavelmente, a postura posicional com mais exposição da Liga (novamente, altura da linha defensiva). Interessante foi o movimento do golo, com o extremo a vir para dentro e a encontrar o médio oposto, no espaço "entrelinhas". Parece-me muito claro que é um movimento intencional da equipa, o que não espanta tendo em conta a proveniência do seu treinador.
- Relativamente ao Benfica, uma nota para o papel dos seus extremos. De facto, uma grande variedade de soluções, todas com boa capacidade de trabalho e uma enorme facilidade para decidir, seja finalizando (Nolito e Bruno César), seja assistindo (Gaitan). Não é por acaso que "ter golo" se paga no mercado, é que vale mesmo muito. Resta Perez, que também tem muita qualidade, mas que tem uma característica algo diferente destes, sendo fundamentalmente mais consistente em zonas interiores e distantes da baliza.
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23.8.11
Benfica - Feirense: opinião
- "Vitória sofrida". A adjectivação, desde já, não é questionável. O "sofrimento" é uma emoção, e as emoções sentem-se, não se discutem. Esse é o primeiro ponto de reflexão que gostaria de deixar. Ou seja, a importância da emoção, e a sua sobreposição sobre razão, na definição da percepção que temos sobre o jogo, e os seus protagonistas. Fica, realmente, a sensação de que o Benfica poderia ter deixado escapar os 3 pontos em cima da meta, mas isso não quer dizer que tenha feito pouco para ganhar. Pelo contrário, somadas todas as incidências do jogo, os 2 golos de vantagens dão, até, maior justiça ao marcador. Recuperando a breve introdução filosófica, e como qualquer especialista em inteligência emocional seguramente concordaria, é importante manter-se uma capacidade critica e de auto reflexão, em relação à influência da componente emocional na percepção que temos sobre o jogo.
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- Entrando no jogo, propriamente dito, a primeira parte deu-nos um Benfica dominador e consequente, em termos de proximidade com o golo. Tipicamente, diria, o Benfica tem um objectivo primordial neste tipo de jogos: chegar ao último terço. Se o fizer, tem, depois, tudo para ganhar vantagem no jogo. Não só pelo talento, mas, sobretudo, pela forte reacção à perda, e, também, pela força que tem nas bolas paradas. É essa a história da primeira parte: foi superada a fase de construção e, com maior ou menor brilhantismo, chegaram as oportunidades e as condições para ter acabado, logo aí, com o jogo.
- Apesar de ter sido bem sucedido nessa primeira parte, não creio que haja grandes motivos para euforias no que respeita à construção do Benfica. O Feirense mostrou-se estrategicamente preocupado com Javi, mas como Javi não é um ponto de saída primordial, facilmente o Benfica ultrapassou o condicionalismo na primeira linha, inclusive tirando partido do tradicional recuo do pivot, para alargar os espaços no bloco contrário. Não só o Benfica chegou com facilidade ao último terço, como não teve problemas de controlo de segurança em posse, nessa zona. De resto, há, na construção, um ponto a reflectir, e que recupero de algo que já havia escrito há pouco tempo. Tem a ver com a assimetria provocada pela saída de Coentrão. O Benfica mantém a sua filosofia de progressão, diria, em "atropelo". Ou seja, seja qual for o corredor escolhido para a saída, não há uma grande preocupação em trabalhar o espaço, e os jogadores forçam a entrada. É assim à direita, com Maxi, ao meio, com Aimar e Saviola mas, agora, não tanto à esquerda, com Capdevilla ou Emerson. Isto, porque nem um nem outro têm esse perfil. Particularmente, Capdevilla é um jogador mais criterioso e menos agressivo, ao contrário de Maxi ou Coentrão. Se, à direita, a bola circula, na maioria das vezes, de Luisão para Maxi e deste para o extremo, forçando a entrada mesmo que o lado esteja fechado, à esquerda esta sequência necessita sempre de um ponto de apoio interior. Se juntarmos aqui Garay, outra novidade em 2011/12, temos uma situação que será curioso acompanhar, em termos de evolução.
- E a segunda parte? Bom, em primeiro lugar, recupero a ideia do primeiro ponto. Isto, porque o Feirense marcou na sua primeira oportunidade, sendo esse um lance de enorme impacto emocional, mas que não reflectiu uma tendência acentuada no jogo. Depois, não é possível esperar que as equipas mantenham uma intensidade constante e tão elevada ao longo de 90 minutos. Ou melhor, é possível, mas não é provável. Por isso, a importância de se ser eficaz quando a oportunidade surge. De resto, o Feirense fez-se sentir junto de Artur, quase sempre em situações de transição rápida, sobretudo após lances de bola parada, do lado contrário. Onde, talvez, mais motivos existam para preocupações, é na dificuldade que o Benfica voltou a demonstrar para gerir o jogo, e se colocar a salvo do sobressalto. Repare-se na melhor ocasião do Feirense, já com 2-1: o Benfica sai pela direita, com Maxi a dar em Perez e, de imediato a fazer o "overlap", retirando apoio ao argentino, que recebeu pressionado, e de costas. É o tal futebol de "atropelo". Não há nada a apontar em termos técnicos, mas o ponto é mesmo esse. A equipa preferiu o risco da progressão impulsiva (em que é muito forte, não confundir), e expôs-se ao mérito que o adversário pudesse ter em transição, caso a iniciativa encarnada não fosse bem sucedida. Valeu que, no caso, o mérito do Feirense só durou até à finalização, mas fica mais um exemplo da forma como o Benfica cria condições para a transição adversária, ao não trabalhar o critério em construção.
- Uma nota final para duas situações. A primeira, tem a ver com a substituição de Witsel por Gaitan. Não parece, de facto, fazer muito sentido a alteração com 1-1 no marcador. Witsel, creio que é praticamente consensual, é uma mais valia que deve fazer parte da solução principal da equipa. O ponto aqui é que Jesus não parece saber muito bem o que fazer com as suas soluções. Não inclui o belga nas opções iniciais e, depois, sente-se obrigado a lança-lo, fazendo-o numa altura em que a equipa precisava mais de criatividade e não tanto de consistência e equilíbrio. A segunda, tem a ver com a importância que tem a eficácia e a presença de elementos que possam materializar o ascendente naquilo que, realmente, é o objectivo do jogo: o golo. Refiro-me, claro, a Cardozo e Nolito.
- Apesar de ter sido bem sucedido nessa primeira parte, não creio que haja grandes motivos para euforias no que respeita à construção do Benfica. O Feirense mostrou-se estrategicamente preocupado com Javi, mas como Javi não é um ponto de saída primordial, facilmente o Benfica ultrapassou o condicionalismo na primeira linha, inclusive tirando partido do tradicional recuo do pivot, para alargar os espaços no bloco contrário. Não só o Benfica chegou com facilidade ao último terço, como não teve problemas de controlo de segurança em posse, nessa zona. De resto, há, na construção, um ponto a reflectir, e que recupero de algo que já havia escrito há pouco tempo. Tem a ver com a assimetria provocada pela saída de Coentrão. O Benfica mantém a sua filosofia de progressão, diria, em "atropelo". Ou seja, seja qual for o corredor escolhido para a saída, não há uma grande preocupação em trabalhar o espaço, e os jogadores forçam a entrada. É assim à direita, com Maxi, ao meio, com Aimar e Saviola mas, agora, não tanto à esquerda, com Capdevilla ou Emerson. Isto, porque nem um nem outro têm esse perfil. Particularmente, Capdevilla é um jogador mais criterioso e menos agressivo, ao contrário de Maxi ou Coentrão. Se, à direita, a bola circula, na maioria das vezes, de Luisão para Maxi e deste para o extremo, forçando a entrada mesmo que o lado esteja fechado, à esquerda esta sequência necessita sempre de um ponto de apoio interior. Se juntarmos aqui Garay, outra novidade em 2011/12, temos uma situação que será curioso acompanhar, em termos de evolução.
- E a segunda parte? Bom, em primeiro lugar, recupero a ideia do primeiro ponto. Isto, porque o Feirense marcou na sua primeira oportunidade, sendo esse um lance de enorme impacto emocional, mas que não reflectiu uma tendência acentuada no jogo. Depois, não é possível esperar que as equipas mantenham uma intensidade constante e tão elevada ao longo de 90 minutos. Ou melhor, é possível, mas não é provável. Por isso, a importância de se ser eficaz quando a oportunidade surge. De resto, o Feirense fez-se sentir junto de Artur, quase sempre em situações de transição rápida, sobretudo após lances de bola parada, do lado contrário. Onde, talvez, mais motivos existam para preocupações, é na dificuldade que o Benfica voltou a demonstrar para gerir o jogo, e se colocar a salvo do sobressalto. Repare-se na melhor ocasião do Feirense, já com 2-1: o Benfica sai pela direita, com Maxi a dar em Perez e, de imediato a fazer o "overlap", retirando apoio ao argentino, que recebeu pressionado, e de costas. É o tal futebol de "atropelo". Não há nada a apontar em termos técnicos, mas o ponto é mesmo esse. A equipa preferiu o risco da progressão impulsiva (em que é muito forte, não confundir), e expôs-se ao mérito que o adversário pudesse ter em transição, caso a iniciativa encarnada não fosse bem sucedida. Valeu que, no caso, o mérito do Feirense só durou até à finalização, mas fica mais um exemplo da forma como o Benfica cria condições para a transição adversária, ao não trabalhar o critério em construção.
- Uma nota final para duas situações. A primeira, tem a ver com a substituição de Witsel por Gaitan. Não parece, de facto, fazer muito sentido a alteração com 1-1 no marcador. Witsel, creio que é praticamente consensual, é uma mais valia que deve fazer parte da solução principal da equipa. O ponto aqui é que Jesus não parece saber muito bem o que fazer com as suas soluções. Não inclui o belga nas opções iniciais e, depois, sente-se obrigado a lança-lo, fazendo-o numa altura em que a equipa precisava mais de criatividade e não tanto de consistência e equilíbrio. A segunda, tem a ver com a importância que tem a eficácia e a presença de elementos que possam materializar o ascendente naquilo que, realmente, é o objectivo do jogo: o golo. Refiro-me, claro, a Cardozo e Nolito.
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17.8.11
Twente - Benfica, a minha visão sobre 3 golos...
Não irei fazer uma análise ao jogo, mas ficam aqui alguns apontamentos, partindo de 3 dos golos do jogo de ontem. Curioso como se recuperam tantos temas que aqui tenho abordado recentemente...
Golo 1 - O espaço entre sectores! Não só entre as linhas média e defensiva, o caso mais evidente e grave, mas também entre a primeira e segundas linhas de pressão. Recupero, sucintamente 2 ideias: 1) O Benfica defende pior em 442, do que em 4132, e isso continuará seguramente a ter consequências. 2) O problema principal não é o número de jogadores, mas a coerência de comportamentos, de sector para sector. Daí o "espaço entre sectores"...
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Golo 1 - O espaço entre sectores! Não só entre as linhas média e defensiva, o caso mais evidente e grave, mas também entre a primeira e segundas linhas de pressão. Recupero, sucintamente 2 ideias: 1) O Benfica defende pior em 442, do que em 4132, e isso continuará seguramente a ter consequências. 2) O problema principal não é o número de jogadores, mas a coerência de comportamentos, de sector para sector. Daí o "espaço entre sectores"...
Golo 2 - A importância da presença de Aimar, na primeira linha do pressing! Não é um pormenor, é decisivo. Sei que não é tão divertido falar disto como poetizar sobre o que os jogadores fazem, ou não, com a bola nos pés, mas, lamento, o futebol define-se em aspectos objectivos, e não em prosas criativas. Encarando Cardozo e Saviola como as alternativas em equação, não há como não pensar que a presença de Aimar na primeira linha de pressão é fundamental. Não apenas por estes exemplos mais flagrantes, mas por muitos outros, que determinam o constrangimento da saída de bola contrária. Outro plano para que havia alertado tem a ver com a importância de Cardozo, como elemento decisivo, pela capacidade goleadora que tem, e que não encontra paralelo no plantel encarnado. Cardozo deve ser potenciado, sim, e pode-se-lhe exigir muito mais, mas enquanto não houver quem garanta a sua capacidade concretizadora, é muito complicado tirá-lo. Felizmente, para o Benfica, que Jesus percebe bem o valor de ter quem "tem golo".
Golo 3 - Lançamentos laterais! Um tema recorrente nos últimos tempos, porque, de facto, têm acontecido muitos desequilíbrios a partir deste tipo de situações. Criando-se uma zona de atractividade junto à lateral, é fundamental, para quem defende, não deixar sair a bola dessa zona de controlo. Particularmente, se vier para dentro, para o espaço "entrelinhas", o preço pode ser enorme. No Twente, destaque, primeiro, para a pouca preocupação que o jogador, que divide o inicio do lance com Witsel, tem para controlar o espaço interior. Roda no sentido contrário, da linha, e isso determina que fique fora do rota da jogada, que o centro como destino. Depois, várias incongruências no comportamento da linha defensiva, que são típicas do futebol holandês, muito débil neste particular. Um central fecha dentro, o outro baixa na profundidade, sem respeitar a linha colectiva para recorrer a uma tentativa de fora de jogo que, neste caso, devia ser trivial. O lateral mais distante demasiado aberto, e, aparentemente, pouco importado com a coerência colectiva do seu posicionamento.
Outro pormenor, claro, é a qualidade de Witsel. Satisfaz-me, confesso, que se tenha confirmado o valor que previra. Finalmente, nota para Nolito. É um caso diferente, obviamente, mas, tal como Cardozo, enquanto se mostrar sustentadamente decisivo, não há como questionar a sua utilidade. Gostava de o ver testado na frente, em determinadas situações. Tenho curiosidade (e incerteza, também...) sobre a sua capacidade de resposta, desde que o analisei no Barcelona.
Golo 3 - Lançamentos laterais! Um tema recorrente nos últimos tempos, porque, de facto, têm acontecido muitos desequilíbrios a partir deste tipo de situações. Criando-se uma zona de atractividade junto à lateral, é fundamental, para quem defende, não deixar sair a bola dessa zona de controlo. Particularmente, se vier para dentro, para o espaço "entrelinhas", o preço pode ser enorme. No Twente, destaque, primeiro, para a pouca preocupação que o jogador, que divide o inicio do lance com Witsel, tem para controlar o espaço interior. Roda no sentido contrário, da linha, e isso determina que fique fora do rota da jogada, que o centro como destino. Depois, várias incongruências no comportamento da linha defensiva, que são típicas do futebol holandês, muito débil neste particular. Um central fecha dentro, o outro baixa na profundidade, sem respeitar a linha colectiva para recorrer a uma tentativa de fora de jogo que, neste caso, devia ser trivial. O lateral mais distante demasiado aberto, e, aparentemente, pouco importado com a coerência colectiva do seu posicionamento.
Outro pormenor, claro, é a qualidade de Witsel. Satisfaz-me, confesso, que se tenha confirmado o valor que previra. Finalmente, nota para Nolito. É um caso diferente, obviamente, mas, tal como Cardozo, enquanto se mostrar sustentadamente decisivo, não há como questionar a sua utilidade. Gostava de o ver testado na frente, em determinadas situações. Tenho curiosidade (e incerteza, também...) sobre a sua capacidade de resposta, desde que o analisei no Barcelona.
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12.8.11
Benfica 2011/12: balanço de pré época
Chamo-lhe "balanço de pré época", mas, na verdade, a análise é centrada nos últimos 3 jogos, 2 deles já oficiais. O que pretendo, e tal como fiz para o Sporting, é fazer uma análise dos sinais que são dados nesta altura, e a poucas horas (mesmo poucas!) de se iniciar a prova mais importante do calendário competitivo.
Melhor ou pior? - Raramente vemos algum responsável dizer que a "equipa está mais fraca", assim de forma directa. Por aqui argumento que o "este ano estamos mais fortes" que, invariavelmente, ouvimos antes do arranque oficial de cada temporada, tem, na prática, um valor muito reduzido, para não dizer mesmo nulo. A pergunta é: está o Benfica realmente mais forte? Que tem "mais soluções", como tanto salienta Jesus, é inequívoco, mas, no futebol, só jogam 11 de cada vez, e também é verdade que, quando olhamos para o melhor 11 da época anterior, perdeu 3 unidades de que não abdicaria por motivos estritamente técnicos: Coentrão, David Luiz e Salvio. Mas, e porque o futebol não se resume a um simples contar de espingardas, há, a vários níveis, uma série de incógnitas sobre aspectos decisivos e que não têm a ver, apenas, com o potencial individual. De todo o modo, e basta recordar o sentimento global de há 1 ano (o Benfica era campeão e favorito à revalidação do título), para perceber que a expectativa de hoje, não é de uma época mais fácil do que a anterior. Ou seja, para ser mais bem sucedido, o Benfica terá de ser substancialmente mais competente, seja com que jogadores for.
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Melhor ou pior? - Raramente vemos algum responsável dizer que a "equipa está mais fraca", assim de forma directa. Por aqui argumento que o "este ano estamos mais fortes" que, invariavelmente, ouvimos antes do arranque oficial de cada temporada, tem, na prática, um valor muito reduzido, para não dizer mesmo nulo. A pergunta é: está o Benfica realmente mais forte? Que tem "mais soluções", como tanto salienta Jesus, é inequívoco, mas, no futebol, só jogam 11 de cada vez, e também é verdade que, quando olhamos para o melhor 11 da época anterior, perdeu 3 unidades de que não abdicaria por motivos estritamente técnicos: Coentrão, David Luiz e Salvio. Mas, e porque o futebol não se resume a um simples contar de espingardas, há, a vários níveis, uma série de incógnitas sobre aspectos decisivos e que não têm a ver, apenas, com o potencial individual. De todo o modo, e basta recordar o sentimento global de há 1 ano (o Benfica era campeão e favorito à revalidação do título), para perceber que a expectativa de hoje, não é de uma época mais fácil do que a anterior. Ou seja, para ser mais bem sucedido, o Benfica terá de ser substancialmente mais competente, seja com que jogadores for.
Baliza, uma evolução valiosa - Escrevi-o na antevisão à sua contratação, e mantenho a ideia de que os problemas na baliza serão resolvidos com Artur. Mesmo com Eduardo, regressar-se-á, pelo menos, a um rendimento de mínima estabilidade. Este pormenor pode não ser irrelevante, se atentarmos ao impacto negativo que tiveram os desempenhos dos guarda redes encarnados na época anterior.
Sistema, haverá novidades? - Há, nesta altura, fortes indícios de uma tentativa de mudança de sistema base. Porque Jesus reconhece a necessidade de oferecer mais apoio posicional à zona do pivot, e porque, talvez mais relevante ainda, Witsel se revela como uma mais valia incontornável, tendo sido como médio que o treinador projectou a sua integração na equipa.
Já escrevi que o Benfica faria bem em ter um modelo base em que se sentisse seguro para todos os jogos e não, apenas, para os considerados mais acessíveis. Pode ser o 4-4-2, que Jesus tem ameaçado, pode ser uma variante mais próxima do 4-1-4-1, como pareceu tentar na recta final frente ao Arsenal, ou pode ser, mesmo, o 4-1-3-2, garantindo outro tipo de resposta em termos defensivos. Mas, e este é o ponto principal, não basta mudar, ou pensar que, mudando apenas a estrutura, se garante mais qualidade. Por exemplo, o 4-4-2 que Jesus vem tentando parece ter muitos mais problemas de resposta defensiva do que o 4-1-3-2 habitual. Mais sobre a minha visão sobre isto, adiante...
Problemas defensivos - Começando pelo 4-1-3-2 actual. Existe um problema base, que tem a ver com estrutura aberta dos alas, a liberdade do 10 e, consequentemente, a exposição do pivot. Este problema é, supostamente, contornado pela agressividade do pressing. Se a equipa for agressiva e reactiva a pressionar, seja em organização, seja em transição, o pivot não tem de ser exposto. Porque, se o adversário for condicionado na sua construção, a linha defensiva tem condições para subir, fechar o espaço e adoptar, ela própria, uma postura pressionante. O problema do Benfica é que a equipa tem perdido, progressivamente, reactividade e agressividade defensivas. Primeiro, pela saída de Di Maria e Ramires, e, depois, pela passividade crescente de Saviola e Cardozo, na primeira linha.
O 4-4-2, por outro lado, revela-se, a meu ver, ainda mais problemático, nesta altura. Os problemas já foram realçados no vídeo sobre o jogo com o Arsenal, e têm a ver com o comportamento do corredor central. A equipa pressiona em 3 linhas, não parecendo haver a melhor prioridade na acção de pressão, partindo cada linha para a pressão activa, sem cuidar, primeiro, da coerência posicional em relação ao sector que actua nas suas costas. O resultado, tem sido o espaço entre sectores que ditou, não apenas as jogadas já revistas contra o Arsenal, mas a construção da melhor ocasião que o Trabzonspor teve na Luz. Há, aqui, um jogador que ajuda a corrigir este problema, Aimar. Revela, não só uma agressividade e efectividade muito maior do que Saviola e Cardozo, mas revela, também, uma permanente preocupação com o espaço nas suas costas.
Outro problema defensivo, vem da época anterior, e tem origem no critério da equipa em posse. O Benfica acumulou muito mais perdas de risco do que Porto e Sporting na liga passada, e, embora não me pareça (sublinho, "pareça"!) que tenha sido, este devia ser um tema prioritário para esta época.
Comportamentos ofensivos - O primeiro ponto a explorar, é a tendência actual da equipa para colocar 3 jogadores na primeira linha de construção, com Javi a baixar para a zona dos centrais. Esta solução é identificada, por exemplo, no Barcelona e no Porto, mas tem, no Benfica, uma consequência completamente diferente. Enquanto que, nos exemplos referidos, a ideia passa por colocar os laterais em profundidade, fazendo os restantes jogadores criar linhas de passe interiores, no Benfica verifica-se, uma predominância da ligação central-lateral, para primeiro passe se saída. Não é exclusivo, já que se vê, também, movimentos interiores dos extremos (Gaitan e Perez, sobretudo), mas é normalmente o que sucede. Por exemplo, a influência de Aimar e Saviola tem sido menor em situações de ataque posicional.
A consequência, é uma convergência para espaços mais fechados e uma dependência da capacidade dos protagonistas para "forçar" a penetração. Aqui, surge a mais grave consequência da saída de Coentrão, para a efectividade das saídas pelo corredor esquerdo.
Pessoalmente, diria que o Benfica pode trabalhar melhor o papel dos centrais, tanto mais que Garay se tem revelado num reforço significativo para a capacidade de construção. Assim, poderia também potenciar os movimentos de Aimar e Saviola no corredor central. Mas, qualquer evolução depende, primeiro, da definição da estrutura base da equipa.
Instabilidade emocional - Se, para Domingos, destaquei a resposta das suas equipas em termos de estabilidade e resposta emocional, no caso de Jesus, esse será, provavelmente, o detalhe que mais condicionará o sucesso das suas equipas. Basta pensar que, numa época, protagonizou a pior entrada na Liga de que há memória, sofreu uma goleada histórica no Dragão e perdeu de forma impensável em Israel, ou comprometeu uma final de Taça, sofrendo 3 golos em 11 minutos, sendo que, ao mesmo tempo e na mesma época, esteve às portas de uma final europeia, e protagonizou a maior série de vitórias da história do clube. Tudo isto, podia até ser um atípico caso acidental, mas não depois de todos os indícios do passado (eu próprio já tinha escrito sobre esta característica, na época anterior).
Opções individuais - Começando por uma referência aos reforços, sou da opinião de que o Benfica deve estar satisfeito em termos e qualidade, sendo que investiu muito, quer em valor, quer em quantidade. A questão da quantidade, porém, pode trazer 2 tipos de problemas. O sub aproveitamento de algum potencial por explorar (não pode haver revelações, sem oportunidades), e uma eventual dificuldade de gerir expectativas do grupo, ao longo da época (já escrevi sobre isto, no "Letra1").
Nas laterais, Emerson tem revelado uma excelente resposta a nível defensivo, denotando, porém, o tal problema já referenciado da dificuldade em corresponder às exigências da equipa, em termos ofensivos. Do outro lado, Maxi volta a rivalizar com Amorim, sendo que o português revelou alguns problemas neste seu regresso.
No centro, se Garay confirmar o rendimento e solidez reveladas (não analisei previamente), será uma grande notícia, sendo que lhe falta maior identificação com o comportamento posicional da linha defensiva, relativamente ao fora de jogo. Por outro lado, Jardel parece-me uma alternativa aos titulares mais consistente do que era Sidnei, há um ano.
No meio campo, Witsel tem confirmado em absoluto a minha análise prévia, sendo apenas indefinido o seu papel na equipa, já que seria um desperdício não o aproveitar (acabou o jogo com o Arsenal a lateral direito?!). Entre as novidades há, ainda, Matic. Foi um jogador muito elogiado no inicio da pré época e que, com franqueza, não conheço ainda o suficiente para considerações muito convictas. Do que vi, parece-me um jogador com mais potencial do que Javi em todos os aspectos do jogo, mas que não tem, ainda, o critério correcto para a posição onde joga. Se o adquirir (e se confirmar o meu prognóstico), poderá, realmente, ser uma ameaça para o espanhol.
Nas alas, muitas soluções. Gaitan, parece ser um indiscutível, face à sua confiança crescente e, claro, ao seu potencial. De Gaitan, porém, já escrevi suficiente. Entre as restantes opções, Perez parece-me a mais consistente (reparem na quantidade de faltas que consegue ganhar, assemelhando-se muito a Figo, na forma como protege a bola dos adversários). Mais "consistente", mas não necessariamente a melhor. Nolito tem revelado uma enorme capacidade para ser decisivo e, se a continuar a confirmar, não há forma de o riscar das melhores soluções. Sobre o espanhol, de notar o desenvolvimento de um movimento, aproveitando o ângulo do seu pé preferencial (direito), para fazer passes de rotura, que tem criado problemas aos adversários. Se incluirmos, ainda, a possibilidade de Jesus utilizar apenas 1 destes jogadores, parece sobrar muito pouco espaço para projectar Bruno César, ou quem quer que seja.
Na frente, a dúvida sobre o papel de Aimar. Reafirmo que, defensivamente, deve estar na primeira linha e que não deve ser o elemento mais próximo do pivot. Pelo menos com que isso, actualmente, implica. Noutro sentido, e tal como já escrevi, entendo estar Saviola. Não precisa de marcar para ser determinante, porque tem a capacidade de criar imenso, talvez mais do que qualquer outro. Foi isso que se passou, por exemplo, em grande parte da época anterior. A partir de certa altura, porém, essa capacidade desequilibradora evaporou-se, assim como a sua agressividade sem bola. Será pelo facto da equipa incidir cada vez mais nos corredores laterais? Talvez. O que é certo, é que, e na minha avaliação, o seu rendimento actual está muito longe de fazer dele o indiscutível e a mais valia que já foi.
Finalmente, Cardozo. Vou contrariar o que escrevi durante algum tempo, no inicio da época passada, porque, realmente, tendo a ver as coisas de outra forma. Cardozo tem uma relação com o golo que mais nenhum jogador do plantel garante (nem é fácil ir ao mercado encontrar). Se essa característica potencia, a prazo, a efectividade da equipa, que contra argumentos se podem utilizar? O facto, ainda assim, é que Cardozo tem oscilações de rendimento enormes, parecendo ser vulnerável à motivação de cada jogo, e cada momento. Diria que, em vez de tentar arranjar uma alternativa a Cardozo, o mais importante mesmo seria potenciar Cardozo, motivando-o.
Sistema, haverá novidades? - Há, nesta altura, fortes indícios de uma tentativa de mudança de sistema base. Porque Jesus reconhece a necessidade de oferecer mais apoio posicional à zona do pivot, e porque, talvez mais relevante ainda, Witsel se revela como uma mais valia incontornável, tendo sido como médio que o treinador projectou a sua integração na equipa.
Já escrevi que o Benfica faria bem em ter um modelo base em que se sentisse seguro para todos os jogos e não, apenas, para os considerados mais acessíveis. Pode ser o 4-4-2, que Jesus tem ameaçado, pode ser uma variante mais próxima do 4-1-4-1, como pareceu tentar na recta final frente ao Arsenal, ou pode ser, mesmo, o 4-1-3-2, garantindo outro tipo de resposta em termos defensivos. Mas, e este é o ponto principal, não basta mudar, ou pensar que, mudando apenas a estrutura, se garante mais qualidade. Por exemplo, o 4-4-2 que Jesus vem tentando parece ter muitos mais problemas de resposta defensiva do que o 4-1-3-2 habitual. Mais sobre a minha visão sobre isto, adiante...
Problemas defensivos - Começando pelo 4-1-3-2 actual. Existe um problema base, que tem a ver com estrutura aberta dos alas, a liberdade do 10 e, consequentemente, a exposição do pivot. Este problema é, supostamente, contornado pela agressividade do pressing. Se a equipa for agressiva e reactiva a pressionar, seja em organização, seja em transição, o pivot não tem de ser exposto. Porque, se o adversário for condicionado na sua construção, a linha defensiva tem condições para subir, fechar o espaço e adoptar, ela própria, uma postura pressionante. O problema do Benfica é que a equipa tem perdido, progressivamente, reactividade e agressividade defensivas. Primeiro, pela saída de Di Maria e Ramires, e, depois, pela passividade crescente de Saviola e Cardozo, na primeira linha.
O 4-4-2, por outro lado, revela-se, a meu ver, ainda mais problemático, nesta altura. Os problemas já foram realçados no vídeo sobre o jogo com o Arsenal, e têm a ver com o comportamento do corredor central. A equipa pressiona em 3 linhas, não parecendo haver a melhor prioridade na acção de pressão, partindo cada linha para a pressão activa, sem cuidar, primeiro, da coerência posicional em relação ao sector que actua nas suas costas. O resultado, tem sido o espaço entre sectores que ditou, não apenas as jogadas já revistas contra o Arsenal, mas a construção da melhor ocasião que o Trabzonspor teve na Luz. Há, aqui, um jogador que ajuda a corrigir este problema, Aimar. Revela, não só uma agressividade e efectividade muito maior do que Saviola e Cardozo, mas revela, também, uma permanente preocupação com o espaço nas suas costas.
Outro problema defensivo, vem da época anterior, e tem origem no critério da equipa em posse. O Benfica acumulou muito mais perdas de risco do que Porto e Sporting na liga passada, e, embora não me pareça (sublinho, "pareça"!) que tenha sido, este devia ser um tema prioritário para esta época.
Comportamentos ofensivos - O primeiro ponto a explorar, é a tendência actual da equipa para colocar 3 jogadores na primeira linha de construção, com Javi a baixar para a zona dos centrais. Esta solução é identificada, por exemplo, no Barcelona e no Porto, mas tem, no Benfica, uma consequência completamente diferente. Enquanto que, nos exemplos referidos, a ideia passa por colocar os laterais em profundidade, fazendo os restantes jogadores criar linhas de passe interiores, no Benfica verifica-se, uma predominância da ligação central-lateral, para primeiro passe se saída. Não é exclusivo, já que se vê, também, movimentos interiores dos extremos (Gaitan e Perez, sobretudo), mas é normalmente o que sucede. Por exemplo, a influência de Aimar e Saviola tem sido menor em situações de ataque posicional.
A consequência, é uma convergência para espaços mais fechados e uma dependência da capacidade dos protagonistas para "forçar" a penetração. Aqui, surge a mais grave consequência da saída de Coentrão, para a efectividade das saídas pelo corredor esquerdo.
Pessoalmente, diria que o Benfica pode trabalhar melhor o papel dos centrais, tanto mais que Garay se tem revelado num reforço significativo para a capacidade de construção. Assim, poderia também potenciar os movimentos de Aimar e Saviola no corredor central. Mas, qualquer evolução depende, primeiro, da definição da estrutura base da equipa.
Instabilidade emocional - Se, para Domingos, destaquei a resposta das suas equipas em termos de estabilidade e resposta emocional, no caso de Jesus, esse será, provavelmente, o detalhe que mais condicionará o sucesso das suas equipas. Basta pensar que, numa época, protagonizou a pior entrada na Liga de que há memória, sofreu uma goleada histórica no Dragão e perdeu de forma impensável em Israel, ou comprometeu uma final de Taça, sofrendo 3 golos em 11 minutos, sendo que, ao mesmo tempo e na mesma época, esteve às portas de uma final europeia, e protagonizou a maior série de vitórias da história do clube. Tudo isto, podia até ser um atípico caso acidental, mas não depois de todos os indícios do passado (eu próprio já tinha escrito sobre esta característica, na época anterior).
Opções individuais - Começando por uma referência aos reforços, sou da opinião de que o Benfica deve estar satisfeito em termos e qualidade, sendo que investiu muito, quer em valor, quer em quantidade. A questão da quantidade, porém, pode trazer 2 tipos de problemas. O sub aproveitamento de algum potencial por explorar (não pode haver revelações, sem oportunidades), e uma eventual dificuldade de gerir expectativas do grupo, ao longo da época (já escrevi sobre isto, no "Letra1").
Nas laterais, Emerson tem revelado uma excelente resposta a nível defensivo, denotando, porém, o tal problema já referenciado da dificuldade em corresponder às exigências da equipa, em termos ofensivos. Do outro lado, Maxi volta a rivalizar com Amorim, sendo que o português revelou alguns problemas neste seu regresso.
No centro, se Garay confirmar o rendimento e solidez reveladas (não analisei previamente), será uma grande notícia, sendo que lhe falta maior identificação com o comportamento posicional da linha defensiva, relativamente ao fora de jogo. Por outro lado, Jardel parece-me uma alternativa aos titulares mais consistente do que era Sidnei, há um ano.
No meio campo, Witsel tem confirmado em absoluto a minha análise prévia, sendo apenas indefinido o seu papel na equipa, já que seria um desperdício não o aproveitar (acabou o jogo com o Arsenal a lateral direito?!). Entre as novidades há, ainda, Matic. Foi um jogador muito elogiado no inicio da pré época e que, com franqueza, não conheço ainda o suficiente para considerações muito convictas. Do que vi, parece-me um jogador com mais potencial do que Javi em todos os aspectos do jogo, mas que não tem, ainda, o critério correcto para a posição onde joga. Se o adquirir (e se confirmar o meu prognóstico), poderá, realmente, ser uma ameaça para o espanhol.
Nas alas, muitas soluções. Gaitan, parece ser um indiscutível, face à sua confiança crescente e, claro, ao seu potencial. De Gaitan, porém, já escrevi suficiente. Entre as restantes opções, Perez parece-me a mais consistente (reparem na quantidade de faltas que consegue ganhar, assemelhando-se muito a Figo, na forma como protege a bola dos adversários). Mais "consistente", mas não necessariamente a melhor. Nolito tem revelado uma enorme capacidade para ser decisivo e, se a continuar a confirmar, não há forma de o riscar das melhores soluções. Sobre o espanhol, de notar o desenvolvimento de um movimento, aproveitando o ângulo do seu pé preferencial (direito), para fazer passes de rotura, que tem criado problemas aos adversários. Se incluirmos, ainda, a possibilidade de Jesus utilizar apenas 1 destes jogadores, parece sobrar muito pouco espaço para projectar Bruno César, ou quem quer que seja.
Na frente, a dúvida sobre o papel de Aimar. Reafirmo que, defensivamente, deve estar na primeira linha e que não deve ser o elemento mais próximo do pivot. Pelo menos com que isso, actualmente, implica. Noutro sentido, e tal como já escrevi, entendo estar Saviola. Não precisa de marcar para ser determinante, porque tem a capacidade de criar imenso, talvez mais do que qualquer outro. Foi isso que se passou, por exemplo, em grande parte da época anterior. A partir de certa altura, porém, essa capacidade desequilibradora evaporou-se, assim como a sua agressividade sem bola. Será pelo facto da equipa incidir cada vez mais nos corredores laterais? Talvez. O que é certo, é que, e na minha avaliação, o seu rendimento actual está muito longe de fazer dele o indiscutível e a mais valia que já foi.
Finalmente, Cardozo. Vou contrariar o que escrevi durante algum tempo, no inicio da época passada, porque, realmente, tendo a ver as coisas de outra forma. Cardozo tem uma relação com o golo que mais nenhum jogador do plantel garante (nem é fácil ir ao mercado encontrar). Se essa característica potencia, a prazo, a efectividade da equipa, que contra argumentos se podem utilizar? O facto, ainda assim, é que Cardozo tem oscilações de rendimento enormes, parecendo ser vulnerável à motivação de cada jogo, e cada momento. Diria que, em vez de tentar arranjar uma alternativa a Cardozo, o mais importante mesmo seria potenciar Cardozo, motivando-o.
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4.8.11
Notas do Trabzonspor - Benfica
1- Começo pela parte final do jogo. O Benfica tinha tudo para vencer, e realmente devia ter vencido. É grave? Talvez não. Talvez... Não é fácil de ser-se muito objectivo sobre a relevância deste pormenor, mas, há alguns indicadores que o sugerem, e eu acredito na tese de que a exigência colectiva, em termos de intensidade de jogo, pode ser crucial na criação de uma dinâmica vencedora. Nomeadamente, pela potenciação de níveis de confiança intra e inter relacionais (ou seja, confiança do jogador no seu próprio desempenho, e na sua relação com o modelo e restantes jogadores), um aspecto que várias vezes mencionei no passado. Por exemplo? O Porto 2010/11, que começou de forma pouco entusiasmante, mas que manteve sempre níveis de concentração elevados nos primeiros jogos, repetindo protagonistas base e exigindo sempre muito deles, mesmo em jogos sem grande relevância competitiva. Quando se deu por isso, estava montada uma máquina vencedora, que fez da concentração competitiva, precisamente, uma chave do seu extraordinário sucesso. E, aqui, mais do que ganhar, refiro-me a exigir concentração e intensidade competitiva. O Benfica podia não ter ganho o jogo, mas creio que é um erro de abordagem permitir-se que a equipa, ou alguns jogadores, voltem a cara ao jogo, simplesmente porque podem.
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2- Aproveito a introdução para uma primeira referência individual: Gaitan. Se há jogador que merece reparo, no que respeita ao que escrevi anteriormente, é Gaitan. Falhou no golo sofrido, num mau ajustamento posicional nas costas de Maxi, mas essa não é critica que mais lhe cabe. Aliás, revelou, até, boa capacidade de trabalho defensivo ao longo do jogo. Normalmente, tem-na. O problema, como facilmente se percebe, é a atitude. Gaitan tem talento e tem, até, capacidade de trabalho defensivo que pode fazer um jogador de grande intensidade e utilidade em todos os momentos do jogo. Diz-se que pode ser um grande jogador (ainda mais), e pode. Mas não o será, nunca, pelo mero aprimorar da arte dos seus números. Isso dar-lhe-á mais prémios "jogador youtube da semana", mas nunca potenciará a capacidade para jogar em patamares de exigência mais elevados. Se o objectivo é potenciar Gaitan, há que trabalhar a sua intensidade, a sua concentração e o seu critério. Porque, a menos que me tenha escapado alguma coisa sobre este assunto, o futebol ainda não contempla notas artísticas no apuramento do resultado final.
3- Voltando ao inicio do jogo, devo dizer que, apesar do conforto sempre presente no jogo e na eliminatória, estou longe de ter achado ideal a exibição protagonizada. Começando pelo relevante detalhe da organização defensiva, o Benfica apresentou-se, sem supresa, em 4-4-2, com Aimar e Saviola a pressionar numa primeira linha, e um bloco mais baixo do que é habitual. O que se viu, porém, revelou uma organização ainda débil e vulnerável a uma circulação mais capaz que, para fortuna do Benfica, nunca existiu no Trabzonspor. Pela modéstia da posse e circulação adversária se justifica o controlo do jogo por parte do Benfica. Porque, ver jogadores a fazer movimentos de pressão activa enquanto olham, sucessivamente, para trás e gesticulam, não é um bom indício de qualidade organizativa e, sobretudo, de uma assimilação ideal de tudo o que, colectivamente, devem fazer. Há, de facto, trabalho a fazer em termos de organização colectiva, e parece-me claro que Jesus o sabe bem (também ele gesticulou muito sobre este aspecto).
4- Sobre a utilização de uma estrutura mais protegida na zona central, devo dizer que acho prudente que assim aconteça. Aliás, entendo que o Benfica não deveria fazê-lo de forma alternativa, e apenas em jogos de maior grau de dificuldade, mas que pudesse trabalhar uma estrutura em que se apresentasse em todos os jogos, variando apenas na vertente estratégica. O que se passa, é que o 4-1-3-2 actual expõe demasiado o pivot, havendo frequentemente uma grande distância para os outros elementos da linha média. Este não foi o principal (e decisivo, na minha opinião) problema do Benfica da época anterior, esse foi a segurança em posse, mas entende-se a preocupação de Jesus. O ponto que quero vincar é que a equipa ganharia em termos de consistência de processos se encontrasse uma estrutura que fosse omnipresente (mesmo que fosse o 4-1-3-2, mas com outras dinâmicas).
5- Partindo para o capítulo individual, começo por trás. Emerson e Garay foram as novidades, e ambos estiveram bem, ainda que apenas razoavelmente. Abaixo de Maxi e Luisão, por exemplo. Emerson (que já conhecia do Lille) revela-se um jogador mais forte defensivamente. Esteve bem na transição ataque-defesa e apresentou boa capacidade nos duelos e no posicionamento interior. O problema poderá ser a qualidade que dará em termos de dinâmica ofensiva. Era a ideia que tinha sobre ele no Lille, e, se se confirmar essa percepção, haverá uma grande diferença de perfil em relação a Coentrão. Quanto a Garay, compara-lo com Luisão é injusto, porque o central brasileiro foi, outra vez, fantástico defensivamente. Para mim é, de longe, o melhor central do futebol português, e, sem querer entrar em hierarquizações discutíveis, diria apenas que o imagino a jogar sem problemas em qualquer clube do mundo.
6- No meio campo, Javi e Witsel estiveram muito bem, à parte dos tais problemas de rotinas colectivas. Javi, esteve concentrado e com boa presença defensiva, não tendo sido testado no seu ponto mais débil, a segurança em posse. Witsel foi a novidade e, sem surpresa face ao que tinha antevisto, revelou-se um jogador de utilidade plena, como muito poucos jogadores conseguem ser. Não teve um papel absolutamente simétrico a Javi, revelando-se até importante face à ausência de Cardozo, já que foi várias vezes referência para as saídas longas de Artur. Foi utilizado em posições mais avançadas, tal como acontece frequentemente na Selecção, mas, pessoalmente, entendo que pode ser mais útil em zonas mais atrasadas. Isto, porque apesar da sua capacidade de envolvimento ofensivo, tem um perfil de decisão muito mais próprio da fase de construção. Veremos como continua a evoluir, mas, o que tinha projectado sobre ele parece, para já, confirmar-se na plenitude.
7- Nas alas, e já tendo abordado Gaitan, falta falar sobre Nolito. Merecerá, a meu ver, o estatuto de melhor em campo porque, mesmo não se tendo revelado tão consistente como Aimar ou Witsel, foi, claramente, o jogador mais decisivo neste jogo em concreto. Marcou o golo, viu outro ser-lhe negado e isolou Gaitan, noutra ocasião soberana. Nolito é um pouco o inverso do argentino que jogou no outro flanco do terreno. Não tem a sua habilidade, mas quando parte para uma jogada, parte com tudo, capaz de passar por cima dos adversários, se tal for preciso. Não precisa do "souplesse" de Gaitan (porque também não o conseguiria). É essa intensidade e essa agressividade ofensiva que mais o distinguem, porque, e apesar de confirmar o bom critério de decisão no último terço, não tem uma grande variedade de recursos ou movimentos. Diagonais interiores e condução agressiva com o pé direito, são as suas armas. Enquanto for decisivo, deverá manter a titularidade, mas não penso que se possa manter muito tempo nas principais preferências sem essa tal influência decisiva. Enzo Perez, por exemplo, é um jogador bem mais completo.
8- Finalmente, Aimar e Saviola. Costumam ser referidos em conjunto, e essa ligação justifica-se por motivos óbvios. Há, porém, grandes diferenças no que ambos fazem no presente. Particularmente, em termos de intensidade, bem que podiam ser de extremos opostos do planeta. Enquanto Aimar empresta uma disponibilidade e agressividade plenas em todos os momentos do jogo, Saviola parece à margem do que se está a passar em seu redor. Recepções perdidas, maus desempenhos técnicos e, sobretudo, uma passividade tremenda a nível defensivo. Jogou ao lado de Aimar, pressionou nas mesmas zonas, mas o que produziu não tem absolutamente nada a ver. Vale-lhe a sua fantástica capacidade de movimentação, tendo um invulgar instinto para aproveitar os espaços livres no último terço. Vale-lhe, mas, se continuar neste nível de intensidade, poder-lhe-á não ser suficiente para durar muito mais tempo no onze. Digo eu. Quanto a Aimar, é um grande jogador e isso não passará com a idade, mas apenas quando perder rendimento, o que ainda não aconteceu. Pessoalmente, parece-me que se justificaria uma adaptação mais especifica a zonas mais ofensivas. Porque Aimar, e ao contrário do que escrevi sobre Witsel, é um jogador de fase criativa e não tanto de construção, e porque a sua reactividade pode dotar a primeira linha de pressão de um rendimento que Cardozo e Saviola não garantem. Por outro lado, se maior especificidade implicasse maior doseamento de esforço, talvez pudesse durar mais do que os actuais 60 minutos que Jesus lhe dá. É que restringir uma mais valia a 2/3 do jogo é uma perda significativa...
3- Voltando ao inicio do jogo, devo dizer que, apesar do conforto sempre presente no jogo e na eliminatória, estou longe de ter achado ideal a exibição protagonizada. Começando pelo relevante detalhe da organização defensiva, o Benfica apresentou-se, sem supresa, em 4-4-2, com Aimar e Saviola a pressionar numa primeira linha, e um bloco mais baixo do que é habitual. O que se viu, porém, revelou uma organização ainda débil e vulnerável a uma circulação mais capaz que, para fortuna do Benfica, nunca existiu no Trabzonspor. Pela modéstia da posse e circulação adversária se justifica o controlo do jogo por parte do Benfica. Porque, ver jogadores a fazer movimentos de pressão activa enquanto olham, sucessivamente, para trás e gesticulam, não é um bom indício de qualidade organizativa e, sobretudo, de uma assimilação ideal de tudo o que, colectivamente, devem fazer. Há, de facto, trabalho a fazer em termos de organização colectiva, e parece-me claro que Jesus o sabe bem (também ele gesticulou muito sobre este aspecto).
4- Sobre a utilização de uma estrutura mais protegida na zona central, devo dizer que acho prudente que assim aconteça. Aliás, entendo que o Benfica não deveria fazê-lo de forma alternativa, e apenas em jogos de maior grau de dificuldade, mas que pudesse trabalhar uma estrutura em que se apresentasse em todos os jogos, variando apenas na vertente estratégica. O que se passa, é que o 4-1-3-2 actual expõe demasiado o pivot, havendo frequentemente uma grande distância para os outros elementos da linha média. Este não foi o principal (e decisivo, na minha opinião) problema do Benfica da época anterior, esse foi a segurança em posse, mas entende-se a preocupação de Jesus. O ponto que quero vincar é que a equipa ganharia em termos de consistência de processos se encontrasse uma estrutura que fosse omnipresente (mesmo que fosse o 4-1-3-2, mas com outras dinâmicas).
5- Partindo para o capítulo individual, começo por trás. Emerson e Garay foram as novidades, e ambos estiveram bem, ainda que apenas razoavelmente. Abaixo de Maxi e Luisão, por exemplo. Emerson (que já conhecia do Lille) revela-se um jogador mais forte defensivamente. Esteve bem na transição ataque-defesa e apresentou boa capacidade nos duelos e no posicionamento interior. O problema poderá ser a qualidade que dará em termos de dinâmica ofensiva. Era a ideia que tinha sobre ele no Lille, e, se se confirmar essa percepção, haverá uma grande diferença de perfil em relação a Coentrão. Quanto a Garay, compara-lo com Luisão é injusto, porque o central brasileiro foi, outra vez, fantástico defensivamente. Para mim é, de longe, o melhor central do futebol português, e, sem querer entrar em hierarquizações discutíveis, diria apenas que o imagino a jogar sem problemas em qualquer clube do mundo.
6- No meio campo, Javi e Witsel estiveram muito bem, à parte dos tais problemas de rotinas colectivas. Javi, esteve concentrado e com boa presença defensiva, não tendo sido testado no seu ponto mais débil, a segurança em posse. Witsel foi a novidade e, sem surpresa face ao que tinha antevisto, revelou-se um jogador de utilidade plena, como muito poucos jogadores conseguem ser. Não teve um papel absolutamente simétrico a Javi, revelando-se até importante face à ausência de Cardozo, já que foi várias vezes referência para as saídas longas de Artur. Foi utilizado em posições mais avançadas, tal como acontece frequentemente na Selecção, mas, pessoalmente, entendo que pode ser mais útil em zonas mais atrasadas. Isto, porque apesar da sua capacidade de envolvimento ofensivo, tem um perfil de decisão muito mais próprio da fase de construção. Veremos como continua a evoluir, mas, o que tinha projectado sobre ele parece, para já, confirmar-se na plenitude.
7- Nas alas, e já tendo abordado Gaitan, falta falar sobre Nolito. Merecerá, a meu ver, o estatuto de melhor em campo porque, mesmo não se tendo revelado tão consistente como Aimar ou Witsel, foi, claramente, o jogador mais decisivo neste jogo em concreto. Marcou o golo, viu outro ser-lhe negado e isolou Gaitan, noutra ocasião soberana. Nolito é um pouco o inverso do argentino que jogou no outro flanco do terreno. Não tem a sua habilidade, mas quando parte para uma jogada, parte com tudo, capaz de passar por cima dos adversários, se tal for preciso. Não precisa do "souplesse" de Gaitan (porque também não o conseguiria). É essa intensidade e essa agressividade ofensiva que mais o distinguem, porque, e apesar de confirmar o bom critério de decisão no último terço, não tem uma grande variedade de recursos ou movimentos. Diagonais interiores e condução agressiva com o pé direito, são as suas armas. Enquanto for decisivo, deverá manter a titularidade, mas não penso que se possa manter muito tempo nas principais preferências sem essa tal influência decisiva. Enzo Perez, por exemplo, é um jogador bem mais completo.
8- Finalmente, Aimar e Saviola. Costumam ser referidos em conjunto, e essa ligação justifica-se por motivos óbvios. Há, porém, grandes diferenças no que ambos fazem no presente. Particularmente, em termos de intensidade, bem que podiam ser de extremos opostos do planeta. Enquanto Aimar empresta uma disponibilidade e agressividade plenas em todos os momentos do jogo, Saviola parece à margem do que se está a passar em seu redor. Recepções perdidas, maus desempenhos técnicos e, sobretudo, uma passividade tremenda a nível defensivo. Jogou ao lado de Aimar, pressionou nas mesmas zonas, mas o que produziu não tem absolutamente nada a ver. Vale-lhe a sua fantástica capacidade de movimentação, tendo um invulgar instinto para aproveitar os espaços livres no último terço. Vale-lhe, mas, se continuar neste nível de intensidade, poder-lhe-á não ser suficiente para durar muito mais tempo no onze. Digo eu. Quanto a Aimar, é um grande jogador e isso não passará com a idade, mas apenas quando perder rendimento, o que ainda não aconteceu. Pessoalmente, parece-me que se justificaria uma adaptação mais especifica a zonas mais ofensivas. Porque Aimar, e ao contrário do que escrevi sobre Witsel, é um jogador de fase criativa e não tanto de construção, e porque a sua reactividade pode dotar a primeira linha de pressão de um rendimento que Cardozo e Saviola não garantem. Por outro lado, se maior especificidade implicasse maior doseamento de esforço, talvez pudesse durar mais do que os actuais 60 minutos que Jesus lhe dá. É que restringir uma mais valia a 2/3 do jogo é uma perda significativa...
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30.6.11
Reforços 2011/12: Nolito (Benfica) (Parte II - vídeo)
Tal como com Bruno César, complemento a análise com o vídeo detalhado de uma exibição de Nolito. Alerto para o número de vezes em que o jogador recebe a bola nas mesmas circunstâncias, e com possibilidade de partir para o 1x1. Algo que, como muitos outros detalhes, ilustra bem a qualidade/intencionalidade por trás do jogo colectivo...
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29.6.11
Reforços 2011/12: Nolito (Benfica) (Parte I)
Perfil evolutivo- O ponto mais importante a realçar vai para o facto de Nolito ser, de raiz, um avançado. Foi contratado há 3 anos pelo Barcelona, jogando como extremo. É, portanto, a outro nível, um caso semelhante a David Villa, na equipa principal. Este dado é importante para contextualizar o papel futuro de Nolito. De resto, claramente a sua possibilidade de afirmação em Camp Nou ficou esgotada com o passar do tempo, e o Benfica será a sua primeira oportunidade pós-Barça.
Perfil táctico/técnico - A dificuldade sobre a projecção que se pode fazer sobre Nolito, vem da especificidade do seu papel no Barcelona B. Nolito jogou sempre "amarrado" ao corredor esquerdo, tendo como principal objectivo poder potenciar as situações de 1x1 que o colectivo lhe proporcionava. O seu movimento característico, e repetido inúmeras vezes, passou por receber aberto e no pé, mas na sequência de uma circulação larga, rápida e lateral, que expusesse o defensor do seu lado. Depois, Nolito partia decididamente "para cima" do opositor, forçando o 1x1, sempre com o seu pé direito, e sempre na direcção do corredor central. Em situações de inferioridade numérica, a sua opção foi sempre pelo privilégio da manutenção da posse, completando o rigoroso cumprimento de um perfil especifico que lhe estava destinado.
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Perfil táctico/técnico - A dificuldade sobre a projecção que se pode fazer sobre Nolito, vem da especificidade do seu papel no Barcelona B. Nolito jogou sempre "amarrado" ao corredor esquerdo, tendo como principal objectivo poder potenciar as situações de 1x1 que o colectivo lhe proporcionava. O seu movimento característico, e repetido inúmeras vezes, passou por receber aberto e no pé, mas na sequência de uma circulação larga, rápida e lateral, que expusesse o defensor do seu lado. Depois, Nolito partia decididamente "para cima" do opositor, forçando o 1x1, sempre com o seu pé direito, e sempre na direcção do corredor central. Em situações de inferioridade numérica, a sua opção foi sempre pelo privilégio da manutenção da posse, completando o rigoroso cumprimento de um perfil especifico que lhe estava destinado.
Como características, Nolito tem no 1x1 e na qualidade do seu pé direito, sobretudo na recepção e condução, as mais valias. Depois, em termos de definição de outras acções, fica claro que não se sente confortável em cruzamentos mais largos e que tem grande dificuldade em recorrer ao seu pé esquerdo. O critério foi muito bem trabalhado e percebido, para as exigências da equipa, mas ficou por testar a sua aplicabilidade em zonas mais baixas ou centrais, como naturalmente encontrará no Benfica.
Futuro no Benfica - Pelo perfil revelado, o mais provável é que Nolito venha a lutar por um lugar entre os avançados, particularmente como alternativa a Saviola. É possível que venha a ser testado como ala, mas parece ter de haver um caminho mais longo a percorrer para que essa adaptação corra pelo melhor.
Ou seja, e pensando na hipótese de jogar como avançado, Nolito poderá não ter tarefa fácil. O seu critério parece estar bem trabalhado, mas a sua capacidade de movimentos sem bola numa zona mais ampla, bem como a sua capacidade de resposta em zonas centrais, está longe de ter sido testada no papel especifico que desempenhava em Barcelona. A sua possibilidade de sucesso dependerá da resposta que for capaz de dar nesses aspectos, mas também da própria concorrência. É que se Saviola estiver em bom plano, dificilmente Nolito poderá ter grandes possibilidades de assumir um papel principal, no futuro mais imediato...
Futuro no Benfica - Pelo perfil revelado, o mais provável é que Nolito venha a lutar por um lugar entre os avançados, particularmente como alternativa a Saviola. É possível que venha a ser testado como ala, mas parece ter de haver um caminho mais longo a percorrer para que essa adaptação corra pelo melhor.
Ou seja, e pensando na hipótese de jogar como avançado, Nolito poderá não ter tarefa fácil. O seu critério parece estar bem trabalhado, mas a sua capacidade de movimentos sem bola numa zona mais ampla, bem como a sua capacidade de resposta em zonas centrais, está longe de ter sido testada no papel especifico que desempenhava em Barcelona. A sua possibilidade de sucesso dependerá da resposta que for capaz de dar nesses aspectos, mas também da própria concorrência. É que se Saviola estiver em bom plano, dificilmente Nolito poderá ter grandes possibilidades de assumir um papel principal, no futuro mais imediato...
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