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20.3.12

A rever, porque não há muito mais a fazer....

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À primeira vista, as dificuldades do Sporting podem não fazer sentido algum, e em qualquer caso não eram seguramente provável, mas talvez não fosse também difícil antecipar as diferenças entre este jogo e aqueles que, recentemente, catapultaram o a equipa para novo estado de optimismo. De resto, já não é a primeira vez que me refiro a este aspecto. O tipo de oposição que colocou o Gil, estrategicamente mais baixo e expectante, não foi surpresa e recuperou um cenário em que o Sporting do passado recente teve sempre muitas dificuldades em ultrapassar.

O resultado não será o mais importante para a análise, até porque o resultado, num só jogo, está sempre refém de uma série variáveis pouco ou nada controláveis. Ainda assim, o resultado não pode também ser dissociado da imposição qualitativa de uma intenção de jogo. E precisamente por ser indissociável, talvez seja correcto referir o peso da eficácia na definição das condições do jogo. É que se o Sporting pouco se conseguiu aproximar do golo em 90 minutos, o Gil não teve de fazer muito para construir a sua vantagem.

Num plano mais táctico, creio que a circulação baixa do Sporting foi o aspecto que mais revisão justifica. A equipa traz muita gente para zonas baixas, aproximando dois médios dos centrais, recuando unidades móveis mais adiantadas e mantendo, inclusivamente, os laterais quase sempre em posição baixa. Várias vezes o Sporting manteve vários jogadores na mesma linha, e sobretudo não conseguiu criar boas condições para iniciar a progressão, na minha perspectiva por não fazer um bom uso da largura do campo. O Gil, mesmo não tendo muita gente na primeira linha de pressão, conseguia um condicionamento que facilitava a tarefa da segunda linha de pressão, de onde não passou grande parte do jogo do Sporting. Enfim, motivos para Sá Pinto reflectir...

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Entretanto, quem também jogou foi o Metalist, que teve melhor sorte do que o Sporting muito graças a um jogador a que tinha feito referência, Cristaldo. Que grande golo!

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17.3.12

Expectativas

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Não houve surpresas, mas não se pode dizer que tenha sido uma mera formalidade. Pelo menos, para o Porto, que teve um jogo de grande incerteza e muito pouco controlo. Mais um sinal de que o momento não faz antever um grande conforto na recta final, ao contrário do que aconteceu em boa parte da prova. Cumpre-se este fim de semana a 10ª jornada em 2012 e, mesmo descontando o jogo entre ambos, foram mais as jornadas em que pelo menos 1 dos dois perdeu pontos do que aquelas em que, como nesta semana, ambos conseguiram vencer. Veremos o que acontece à medida que a pressão aumenta...

Nem 20 dias passados, jogar-se-á outro Benfica-Porto. O lado mais interessante deste segundo jogo, pelo menos para mim, tem a ver com a diferença de contexto para o primeiro. Ou seja, no jogo para o campeonato, os 90 minutos eram encarados quase que como uma final do campeonato. E o campeonato, quer para um lado, quer para o outro, pode significar muito mais do que uma mera organização das festas de Maio. Pode ter implicações nas carreiras de muitos dos protagonistas, sobretudo dos treinadores. Agora, por outro lado, Benfica e Porto trocariam um resultado na meia final da Taça da Liga por 2 pontos ganhos em mais uma importante jornada (ambos jogam fora) que terá lugar alguns dias depois do reencontro na Luz. É claro que quando a bola começar a rolar, e estando vermelho e azul frente a frente, muito de tudo isto passa para segundo plano. Muito, mas não tudo...

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Já havia comentado sobre a importância do sorteio para as aspirações do Benfica no sonho da Champions. E a sorte não quis muito com o Benfica. Deixa espreitar para a meia final, mas por essa curta brecha mostra o Barcelona. As probabilidades de vitória do Benfica na prova são nesta altura estimadas em 1,5%. Pode parecer pouco, mas quantas vezes, desde que a Champions permite mais do que um clube por país, é que um clube português atingiu as meias finais?

Na Liga Europa, o Sporting teve melhor sorte (não que sejam comparáveis as hipóteses de um "bom sorteio"). O Metalist mantém o mesmo problema de 2008, quando calhou em sorte ao Benfica. É sempre subestimado. Trata-se da 3ª potência do futebol ucraniano, onde perde sobretudo por não ter tanta capacidade no mercado interno, e por isso não chega à Champions, onde entram equipas com bem menos qualidade. Mas na Liga Europa, está farto de surpreender quem deles duvida, inclusivamente o próprio Benfica nessa experiência de 2008. Entre os sul americanos, que conheço quase todos bem, destaco os argentinos Sebastian Blanco e Cristaldo, que aprecio bastante e gostaria de ter visto no futebol português. Há um outro pormenor a ter em conta no Metalist, é que ao contrário do que pode sugerir a proveniência longínqua, esta equipa tem um registo europeu estranhamente positivo nos jogos fora. E não é deste ano. Os espanhóis lideram o ranking das expectativas (eu acredito que a mentalidade do Bilbao pode fazer deles o principal candidato, nesta altura). Ao Sporting, é creditada uma probabilidade de 8% de erguer a Taça. É pouco, mas para o Sporting as baixas expectativas também não têm sido um problema...

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16.3.12

História

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A última meia hora retira algum brilho e a possibilidade de uma vitória que, a acontecer, teria sido uma das mais improváveis (aqui, probabilidade não é minha) da História do clube. Mas não retira o essencial, uma qualificação que será também ela histórica e certamente relembrada (há muito que o Sporting não eliminava um adversário deste calibre). Muito mérito durante 150 minutos e um súbito desnorte, que quase deitou tudo a perder, durante 30 minutos. Interessante o contraste, e a forma como durante tanto tempo o Sporting manteve o City relativamente longe do golo e, de repente, pareceu ser incapaz de passar 5 minutos sem um sobressalto. A importância que um golo teve na atitude dos jogadores! Sobre os minutos finais, em destaque a "oferta" de dois golos, o primeiro numa má abordagem no desarme, e o segundo num pontapé de canto onde o Sporting repetiu o erro algo básico de não sair para a linha da bola na sequência do canto. Já em Alvalade sofrera dois sobressaltos por lapsos semelhantes. E são lapsos, porque o posicionamento sugere exactamente esse comportamento. Recupero a dúvida hipotética, na sequência do que já deixara para o Benfica: o que precisa exactamente de fazer o Sporting nas restantes competições para "salvar" um eventual 4º ou 5º lugar na liga?

A hipótese que avançara no inicio desta fase a eliminar confirmou-se, e não foi preciso esperar muito. De novo, os favoritos mais mediáticos caem na Liga Europa. Por muito que Mancini o contrarie, e mesmo que o pense (deverá ter pensado mesmo, pela gestão que fez dos recursos), é muito difícil manter níveis de motivação quando os jogadores quereriam era estar na Champions, e por isso mesmo é que este "fenómeno" se continua a repetir. O único dos oito qualificados que mantém aspirações a um título interno é o AZ, e isso talvez seja mais contributo para que possa ser o mais desejado dos adversários.

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12.3.12

Ao sétimo dia...

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O nível de detalhe da minha informação não vai tão longe, mas duvido que o Benfica tenha tido na Liga um período tão difícil como os primeiros 10 minutos da segunda parte. O jogo teve tudo para ficar, se não resolvido, pelo menos a bom caminho desse destino. Terá havido um efeito de deslumbramento do Paços, perdendo o foco naquela que seria a sua prioridade para a segunda parte? Certezas nunca as teremos, mas a brevidade com que todo o cenário se inverteu, dá pelo menos para especular sobre essa hipótese. De todo o modo, excelente período de jogo, especialmente pela velocidade e oscilação que atingiu. Mérito para o Paços (algumas exibições individuais muito boas), demérito para o Benfica (transição defensiva e concentração com bola). Não deixa de ser interessante que Jesus tenha abdicado de Saviola e Nolito numa altura em que precisava de dar a volta ao resultado. Escrevo "interessante", porque é um luxo fazê-lo sem ter necessariamente de perder capacidade de desequilíbrio. Enfim, uma coisa parece-me clara: se o Benfica chegar ao título, este vertiginoso inicio de segunda parte merecerá um lugar de destaque entre os momentos mais decisivos...

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Números uso muito, mas sobre numerologia não sei praticamente nada. Sei, no entanto, que 7 é um número especial para muita gente e que provavelmente Sá Pinto será uma dessas pessoas. Ora bem, ao sétimo jogo, Sá Pinto viu o seu Sporting, finalmente, atingir os patamares que o próprio certamente idealizou. Não chegou aos 7 golos, mas nem precisava de chegar tão perto, porque toda a exibição denotou desde cedo um nível qualitativo muito superior ao que até aqui se vira (e desconsidero aqui a exibição com o City, que teve um contexto diferente das outras). Ora, a não ser que haja mesmo alguém com fé na numerologia, não me parece fácil arranjar-se explicações para este súbito acréscimo de rendimento, especialmente no culminar de uma semana de grande sobrecarga competitiva e que começou como começou. Sem querer estar eu próprio a entrar em dimensões explicativas que considero absurdas, devo sublinhar a importância da qualidade individual de que o Sporting dispôs. E aqui faço uma distinção dos jogadores que decidem, dos que aproximam a equipa do golo. De forma clara e sem sofismas. O Sporting, na minha opinião, tem dois que seriam, com Matias, as suas principais mais valias a esse nível tão relevante para o sucesso: Izmailov e Jeffren. Julgo que a diferença que qualquer um dois faz nesta equipa está à vista de todos, mas a pergunta que eu penso que se deve fazer não tem a ver com o potencial, mas com a fiabilidade. Será que têm condições para competir de forma contínua ao longo de uma época? Talvez seja esta, de novo, uma pergunta essencial no planeamento da próxima época.

Já agora, em relação ao jogo, fica a nota para a utilização de Elias e Schaars no inicio de construção. Não sei se Sá Pinto o equacionou estrategicamente, mas este Vitória teria uma postura previsivelmente diferente do outro, de Setúbal, com que o Sporting se deu mal. Este iria tomar a iniciativa de subir para pressionar e não apenas de esperar para o fazer. Fá-lo em qualquer parte, e fá-lo-ia com enorme probabilidade também em Alvalade. Ou seja, para o Sporting era decisivo sair de forma útil da primeira linha de pressão, não apenas pela óbvia questão da segurança, mas porque depois seria muito mais fácil encontrar espaços. Elias e Schaars parecem-me ter sido importantes neste detalhe, Izmailov e Matias agradeceram.

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9.3.12

A vantagem de não ter que dominar

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- A nível interno, não há muito para escolher em termos de opções estratégicas. Para os "grandes", o empate é uma derrota e por isso nada mais resta do que dominar, ou seja, tomar de assalto a bola e o espaço. Na Europa e nesta fase da competição, não é assim. Sabendo-se que realisticamente não poderia ter os dois, Sá Pinto podia escolher entre a bola e o espaço. É claro, todos estaremos conscientes do que se diria de Sá Pinto se as coisas tivessem corrido mal na sequência de uma estratégia especulativa, como aquela que escolheu (ou das substituições que fez, de resto). Não seria um argumento original. Mas o treinador está onde está para ganhar jogos, e não para preparar desculpas para as derrotas, e por isso a sua opção foi a mais acertada, quer tivesse ganho ou não. No campeonato, voltará a ter de atacar as vitórias pelo domínio total, pela bola e pelo espaço, e aí veremos como a equipa vai evoluir. Terei menosprezado as dificuldades que acabou por encontrar na imposição do futebol que idealiza, mas a atitude do treinador e a sua consciência do que é preciso para ganhar, tem correspondido à minha expectativa.

O City, creio, não esperava o Sporting fechado que lhe apareceu pela frente. Nem foi esse o Porto que teve (aliás, foi o City quem jogou no erro na eliminatória anterior), nem as suas observações do Sporting lhe terão dado essa indicação (a última vez que me lembro de algo semelhante, em Alvalade, foi frente ao Porto na época anterior). Por outro lado, parece-me que foi um cenário que trocou as voltas ao treinador italiano em termos de gestão do actual ciclo de jogos. Havia poupado Silva e Aguero para este jogo, e percebe-se pelo calendário que quereria resolver já a eliminatória, uma vez que a segunda mão está entre uma deslocação a Swansea e a recepção ao Chelsea, e a Premier League será sem dúvida a prioridade. São mais boas notícias para o Sporting!

Finalmente, uma nota para os centrais do Sporting, ultimamente muito em foco pela negativa mas que, de repente, aparecem em bom nível num jogo de maior grau de dificuldade. Parece contraditório, mas quando se joga mais baixo, mais protegido e sem trabalhos forçados em construção, é mais fácil não errar.

- No duelo mais interessante da ronda, logicamente que não se pode dizer que se esperava uma derrota do United, mas também nunca esperaria outra coisa que não fosse uma séria relativização do favoritismo dos ingleses. Há dois pontos que quero focar a este respeito. Uma, para o mérito do Bilbao de Bielsa. Trata-se, provavelmente, da grande novidade em termos tácticos das principais ligas deste ano. Uma equipa que consegue o sucesso através de uma abordagem comportamental profundamente atípica. Uma fuga ao paradigma actual, que mostra que no futebol a qualidade não tem de ser monótona. Entre todos, talvez o comportamento que mais espanto crie seja o uso de referências individuais como ponto de partida para o pressing em zonas mais afastadas da sua baliza.

O outro ponto tem a ver com algo que escrevi há algumas semanas, à cerca da Liga Europa e da forma como várias equipas abordam esta competição. Para o Bilbao será um feito eliminar o United, mas para os ingleses não vem grande mal ao mundo se saírem eliminados da prova. Quem sabe, com a ajuda do Sporting, não ficam já pelo caminho os dois gigantes da cidade?

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4.3.12

Negro!

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Mais pistas faltassem, a conferência de imprensa de Mota oferecê-las-ia. Recordando o jogo em que o agora treinador do Setúbal defrontou o Sporting, não seria difícil antever que estratégia teríamos para este jogo. E assim foi. Tivesse o Sporting segurança na sua construção e a estratégia faria o Setúbal aspirar, no máximo, ao zero zero. Sem segurança, tornou-se numa estratégia com outras potencialidades.

A expectativa que tinha de um bom inicio de Sá Pinto já se havia esfumado, como escrevi após o jogo com o Paços de Ferreira. O calendário sugeria-o, de facto, mas o meu optimismo ignorou o obstáculo que representaria mudar alguns comportamentos em pleno climax competitivo. Comportamentos que exigem outro contexto para poder evoluir. Poderia lá chegar por outra via, ganhando tempo através de vitórias alicerçadas no controlo e estabilidade defensivas, como sugeriram os 2 jogos anteriores, mas bastou o primeiro sobressalto para se perceber que a confiança neste momento tem a consistência de um castelo de cartas. Polga será o maior exemplo desta relação entre a falta de confiança e o descontrolo. Fez um inicio de época relativamente estável, com as suas virtudes e defeitos, mas desde que a equipa perdeu contacto com o seu principal objectivo, que acumula erros individuais, jogo após jogo. Mas não é apenas Polga, como bem se vê...

A meu ver, o Sporting teve fases bem diferentes, como de resto parece corroborar o gráfico que acompanha o texto. Um inicio de boa produção mas com grande ineficácia, que custou pontos relevantes, um segundo período de maior eficácia, onde manteve um rendimento bastante elevado, e uma queda abrupta após o jogo com a Académica, quando perdeu contacto com o objectivo de liderança. Actualmente, temos a fase mais preocupante, porque a produção de jogo da equipa está nos níveis mais baixos da época e sem um contexto de dificuldade que o justifique.

Tenho abordado aqui o tema da fragilidade do futebol, e essa ideia aplicada ao caso do Sporting atribui uma enorme incerteza sobre os limites negativos a que a equipa poderá chegar. Um cenário negro, mas que poderá não ser irreal se não for rapidamente invertido.

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27.2.12

James...

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- Há um bom tempo que não o imaginava possível, mas o clássico chega mesmo com tudo empatado. E, com um sorriso do destino, o Porto materializa a recuperação do atraso precisamente frente ao mesmo adversário contra quem começara a defini-lo. Do jogo emerge, mais uma vez, James. Realmente, não percebo muito bem que fique fora dos principais eleitos (por critério meramente técnico, isto é), se tivermos em conta o rendimento do colombiano. James é o jogador com maior influência directa nos golos marcados na liga, se considerarmos golos e assistências, descontando penaltis. A sua utilização foi um ponto de interesse das variações tácticas da equipa durante o ano, e não me parecendo que essa seja uma discussão fechada, também não vejo que a dimensão do seu talento e influência seja suficiente para que fique de fora. O que faltará a James, talvez, é mesmo uma exibição de grande nível num grande jogo. Ficaremos à espera para ver o que vai acontecer na Sexta...

Para curiosidade, deixo a lista dos 10 jogadores com mais golos e assistências na liga, excluindo penaltis:
James 15
Lima 14
Nolito 13
Danilo Dias 12
Hulk 12
Baba 12
Cardozo 11
Rodrigo 10
Toscano 9
Edgar 9


- Sobre o jogo do Sporting, posso aproveitar o caso de James para introduzir o de Izmailov, reflectindo sobre a falta que faz ao Sporting ter com regularidade talento do nível do russo. Isto é, ter regularmente jogadores que marquem realmente a diferença. Em relação ao jogo, e na sequência do que havia escrito, veio mais uma vitória alicerçada no controlo e por 1-0. É claro que para Sá Pinto o caminho é ainda muito longo e incerto. Desde a ameaça das lesões até à incerteza de como a equipa poderá reagir a um primeiro resultado negativo, passando pela sobrecarga competitiva (o que não o contexto ideal para quem quer desenvolver alguns conceitos novos). Escrevi, aquando da sua entrada, que não tinha grandes dúvidas de que Sá Pinto saberia bem o que era mais importante para criar uma dinâmica positiva e o treinador tem correspondido plenamente a essa expectativa, reforçando a importância de ganhar e de elevar os níveis de confiança, como motor de arranque para esse objectivo. Aliás, este tipo de sensibilidade é bastante comum em ex-jogadores, e não me parece um acaso. Enfim, apenas mais uma nota sobre o jogo do Sporting: uma das grandes carências da equipa do Sporting é a qualidade da sua circulação baixa, que me parece indiscutivelmente fraca. A equipa revelou nos últimos 2 jogos um crescimento ao nível da segurança no primeiro passe, o que é fundamental e parte da explicação para o maior controlo sobre o adversário (basta ver, por exemplo, como surgiram os principais lances do Paços). Agora, se quiser ser capaz de chamar o adversário sem ter invariavelmente de perder a bola, terá de ser também capaz de a circular muito melhor em zonas baixas, nomeadamente com um melhor uso do guarda redes.

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24.2.12

Controlo

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- "Prefiro jogar para ganhar 5-4, do que para ganhar 1-0!". A frase é comum e certamente sedutora numa primeira análise, mas como tantas coisas na opinião que se generaliza, não se vislumbra qualquer enquadramento prático no que à realidade do jogo diz respeito. Não há equipas que ganhem 5-4, 4-3 ou 3-2 por sistema. Mas há equipas - várias - que sustentam séries longas vitoriosas em resultados como 1-0 ou 2-1. Tudo isto para falar do controlo, a grande novidade no jogo do Sporting, frente ao Legia. Dificilmente alguém pode ter achado que a equipa alguma vez esteve próximo do golo, o que não constitui novidade face à trajectória recente, mas também não creio que alguma vez se tenha justificado o sentimento de ameaça perante a derrota. E, isto sim, é uma novidade nas exibições do Sporting. Tenho sublinhado (o próprio Sá Pinto o tem feito) a opinião de que é importante crescer nos planos emocionais, nomeadamente no que respeita à confiança. Ora, há uma discussão interessante sobre isto: quanto à necessidade de ganhar, estamos conversados, parece-me inequívoca. Agora, numa hipótese em que (ainda) não seja possível juntar as duas, o que pode beneficiar mais uma equipa? Sentir que não sofre, ou sentir que pode marcar? (repito, na hipótese de não se poder juntar as duas...). Recordo-me de Mourinho dizer a Maradona num documentário recente: "Uma coisa é teres uma equipa que sabes que se marcas ganhas. Outra coisa, é marcares um golo e mesmo assim não saberes o que te pode acontecer". Poderá ser discutível, mas tendo a concordar com esta última ideia, ou seja, de que o controlo é um alicerce fundamental para conseguir um crescimento colectivo sustentado.

- Nos outros jogos, não houve grandes surpresas. Aliás, para mim o que é surpresa, é precisamente não ter havido surpresas, mas a consequência é que teremos uns oitavos de final extremamente interessantes. Uma nota para um dos jogos com mais golos da noite: já se esperava que PSV e Trabzonspor pudessem oferecer um jogo farto em remates certeiros, porque é hábito em ambos os casos. O PSV fez uma série de boas aquisições no Verão, mas quem justifica esta minha referência é um jogador do Trabzonspor, Burak Yilmaz. É impressionante a época que está a realizar na Liga turca, não tanto pelos números absolutos, mas pelo enquadramento relativo dos mesmos. Ou seja, o Trabzonspor tem o melhor ataque da prova, mas só Yilmaz é responsável por mais de 55% dos golos da equipa (contabilidade sem penaltis). Sem entrar em paralelismos, mas tentando fazer perceber a dimensão relativa do feito, seria o equivalente, por exemplo, a Benfica ou Porto terem nesta altura um jogador com 23-24 golos, ou, noutro caso, Real Madrid ou Barcelona terem um jogador com 37-38 golos já concretizados, ambos sem penaltis.

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20.2.12

Dúvidas sobre cabeceadores...

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- Sem competitividade, é mais difícil ter interesse. E quando uma equipa tão superior dobra a vantagem aos 25 minutos, dissolve-se toda a competitividade que um jogo poderia ter. O Porto e Vitor Pereira é que não devem ter sentido falta do interesse ou da competitividade. Aliás, até os devem ter temido quando Meyong reduziu. Enfim, a minha principal nota do jogo vai para mais um golo de Janko. Para aqueles que, como eu, viveram os anos do seu domínio no futebol português, qualquer golo de cabeça marcado com uma facilidade inverosímil nas costas dos centrais, traz imediatamente à memória a figura de Mario Jardel. Acho que da mesma maneira que gerações anteriores ficaram marcadas pelos "golos à Eusébio", a minha tem os "golos à Jardel" sempre prontos a saltar da memória. Ou então sou só eu. Enfim, a questão que tenho é: que grandes cabeceadores há (ou houve) que actuassem exclusivamente com movimentos ao 1ºposte? Muitas equipas, especialmente as que utilizam apenas 1 avançado mais fixo, pedem quase sempre um movimento ao primeiro poste, para abrir espaço para as entradas dos médios e do extremo do lado oposto. Aquilo que me parece é que este tipo de movimentos, por regra, "queima" o avançado, que normalmente é também o jogador mais forte na reacção ao cruzamento. Por exemplo, Falcao, que é fortíssimo ao primeiro poste, tem também a capacidade de atacar outras zonas em situações de maior densidade. Janko também ataca muitas vezes o primeiro poste, mas tenho dúvidas se não será mais forte quando lhe é dada liberdade para jogar com o lado cego dos centrais. Uma questão para continuar a reflectir...

- Em Alvalade, Sá Pinto não trocaria os pontos por uma melhor exibição, mas mais do que boa ou má, acho que foi uma performance decepcionante. Pelo menos para mim, que esperava outra capacidade com o regresso a casa e, sobretudo, com o regresso de várias unidades importantes e que raramente jogaram juntas nos últimos meses. Evidente que não é minimamente honesto ligar as dificuldades ao novo treinador e às suas novas intenções, mas as coisas são o que são e se é verdade que ganhar é importante para potenciar a confiança (como o próprio Sá Pinto não se cansa de referir), tenho dúvidas que essa mesma confiança aumente muito quando a situação no campeonato se manteve (por mérito da concorrência) e ainda por cima se absorve a insatisfação vinda das bancadas. Sá Pinto já deu alguma ideia de algumas alterações que pretende introduzir, nomeadamente baixando os médios que tinham uma postura assumidamente mais profunda com Domingos. Tinha a convicção de que o Sporting iria crescer nos próximos tempos, com a série de jogos caseiros e os regressos de alguns jogadores. A primeira sensação que me fica com este jogo, e perante o caminho que ainda parece existir em relação à adaptação às novas dinâmicas, é que esse crescimento poderá não ser tão evidente. Mas frente ao Légia teremos outra ideia, até porque o jogo não será tão fechado como este. Aliás, sobre o Paços notar o conservadorismo da sua proposta que, apesar disso, pode perfeitamente lamentar a eficácia como factor decisivo na definição do resultado. Não lhe sobra um calendário fácil, mas a verdade é que Calisto (que regresso mais improvável!) já fez o mais difícil.

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17.2.12

É outro campeonato...

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- Muito semelhante o jogo do Sporting, em relação ao do Benfica, 24 horas antes. A diferença maior será mesmo o golo que o Benfica ofereceu quando parecia ter já extraído empate tão generoso como o que o Sporting agarrou. É claro que o Zenit não é o Legia, e as dificuldades do Sporting parecem ter como explicação uma abordagem menos ajustada da equipa, em relação à do próprio Benfica. Afinal, que tempo teve a nova equipa técnica para preparar este jogo? Ver um Sporting a parecer fazer uma aprendizagem "on the job", com todos os riscos que isso tem, voltou a fazer-me coçar a cabeça sobre o timing desta mudança técnica: Na situação do Sporting, foi quase como mudar de equipa técnica a 3 dias de uma final: foi mesmo só por questões técnicas?! A irracionalidade pode chegar a este ponto?! Sobre o futuro imediato do Sporting, o resultado acaba por importar bem mais do que a exibição. Sobre Sá Pinto e o seu futuro imediato, mantenho o mesmo prognóstico, que não é muito diferente daquele que faria caso Domingos tivesse permanecido. Ou seja, adivinha-se um contexto favorável à evolução da equipa, com o regresso de alguns jogadores e uma série de jogos caseiros onde a probabilidade de vitória é grande. Eu penso que as melhorias virão rapidamente, já quanto aos pormenores, ainda vamos ter de esperar mais um pouco para saber, porque ainda não houve tempo para nada...

- No Dragão, o Porto perdeu quando parecia ter feito o mais difícil para ganhar. O que salta à vista para quem está habituado a ver o Porto jogar semana após semana para o campeonato, é a diferença de resposta a cada duelo individual. Uma diferença que marcou, em grande parte, o destino do jogo. No primeiro caso, Álvaro Pereira faz tudo bem, antecipa a diagonal de Balotelli nas costas dos centrais, ganha-lhe a frente e impede-o de chegar à bola. O problema é que quando se encostou ao italiano para o afastar definitivamente... foi ele quem voltou para trás. Quantos avançados da nossa liga teriam a mesma capacidade física? Se calhar, nenhum. Depois, uma, duas, três, ..., inúmeras vezes vemos o Porto forçar a saída em posse a partir de zonas baixas. Com Moutinho, então, parece sempre infalível. Desta vez, não foi. O problema é que quando se tem Aguero, Nasri e Touré nas costas, uma vez pode ser tudo o que é preciso. São outros campeonatos...

- Quando me pedem projecções sobre a Liga Europa, quase sempre a conversa encerra na volatilidade dos favoritos. Para a maioria das equipas das 5 principais ligas, esta prova é assim como que uma espécie de Taça da Liga Europeia, e por isso é que raramente os favoritos a ganham, ao contrário do que acontece, por exemplo, na Champions. Este ano a Europa tem os olhos colocados nos gigantes de Manchester, mas não daria como definitivo que seja assim tão simples. Para já, não houve grandes surpresas (os 2 ingleses não jogam no fim de semana), mas vamos ter de esperar pelas eliminatórias em que os jogos sejam intercalados com a fase decisiva das principais ligas, onde todos os pontos contam para definir campeões ou apuramentos para a Champions League. É capaz de ser um frete para muitas destas equipas... Redknapp e os franceses que o digam!

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14.2.12

Domingos por Sá Pinto

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A decisão...
O divórcio não era um cenário que colocasse de parte, mas com a iniciativa a partir sempre do lado de Domingos, que era, a meu ver, quem mais perdia com o actual estado da ligação. Estranho que parta da direcção do Sporting a decisão, por um lado porque na divisão de responsabilidades é uma decisão que expõe mais quem dirige do que o próprio treinador, e, por outro, porque não faz qualquer sentido alguém escolher um treinador para meia época depois colocar em causa a sua competência. Percebe-se que a emotividade dos adeptos leve à volatilidade de opiniões, em que o mesmo treinador passa de competente a incompetente em função da onda de resultados ou empatias, já não se pode dizer o mesmo de quem tem a responsabilidade de ver o futebol em bases minimamente racionais. É que não há treinador cuja competência se faça ou desfaça num tão curto espaço de tempo. E é precisamente por isso que se torna difícil que a decisão tenha sido tomada puramente em bases técnicas. Seria como que um duplo auto atestado de incompetência.


O balanço
Já escrevi alguma coisa sobre isto, e não me quero alongar muito mais. De facto, a experiência de Domingos no Sporting ficou obviamente aquém das minhas expectativas, mas o que se passou não é minimamente suficiente para que seja o treinador o principal responsável ou, como escrevi acima, para que a competência mais ou menos inquestionada aquando da sua chegada possa agora ser posta em causa. Como pecados principais, aponto algumas opções técnicas anunciadamente erradas e que custaram pontos fundamentais no inicio de época, e a forma como substituiu Rinaudo (ainda que a questão de André Santos possa não estar totalmente contada). De resto, parece-me claro que houve bastantes erros na formulação do plantel, bem atestados pela necessidade constante do clube em voltar ao mercado e pela absurda falta de fiabilidade física de alguns jogadores nucleares. Na verdade, as lesões não foram sempre um factor impeditivo para que o Sporting pudesse manter uma qualidade de jogo dentro do exigível, mas quando esse factor combinou com a quebra anímica de ver frustrada a tentativa de recuperação no campeonato (após o jogo da Luz), tudo se complicou. Não é novidade, o futebol é fértil neste tipo de situações em que o lado anímico se torna avassalador sobre equipas até bem mais competentes do que este Sporting. Como exemplos recentes temos o Benfica do ano anterior, o Chelsea de Villas Boas ou, num caso ainda breve, a inesperada crise interna do Super-Barcelona. Embora o continue a ver sempre tratado como tal, estou cada vez mais convencido de que o futebol não é um fenómeno de consequências lineares...

O futuro
Não é difícil olhar para este caso e lembrar outros, que marcaram negativamente a história do Sporting (Robson, Mourinho ou mesmo Villas Boas). Estaremos perante mais um desses casos? Honestamente, não o catalogaria do mesmo modo, mesmo que Domingos venha a ter sucesso num rival nos próximos anos. O motivo é simples: se em casos como o de Robson ou de Mourinho, o treinador poderia ter sido suficiente para marcar diferenças de domínio em determinadas eras do futebol português, hoje parece-me que o Sporting tem já um diferencial de condições para os rivais que é demasiado acentuado para que um treinador, por muito determinante que seja, possa marcar tanta diferença. Não que pense que a diferença seja inultrapassável, mas creio que só com uma equipa invulgarmente estável (ao nível das primeiras linhas) e potenciada do ponto de vista colectivo é que o Sporting pode manter um ritmo como o que Porto e Benfica têm mantido nos últimos anos. As más notícias para o Sporting podem não ficar por aqui, porque se este ano foram investidos 30 milhões (sem mais valias de vendas), nem é provável que esse valor seja mantido, nem se sabe ainda com certeza que implicações do ponto de vista financeiro poderão existir para um clube que dá prejuízos elevados em tempos em que o crédito não é de fácil acesso. A direcção do clube parece tranquila, mas só o futuro dirá se o esforço recente terá, ou não, consequências...

Do ponto de vista de Domingos, a sua passagem pelo Sporting deixar-lhe-á muito poucas marcas negativas na reputação (especialmente no estrangeiro, onde a percepção da decepção da campanha interna será praticamente nula). Resta saber onde dará continuidade à sua carreira, mas esta continuará a ser um ponto de interesse seja qual for o destino...

Resta Sá Pinto. É-me impossível fazer qualquer projecção de expectativas com bases seguras, mas à excepção dos descontrolos temperamentais que todos conhecem, tenho boa impressão do ex-jogador do Sporting. Não tenho dúvidas que saberá o que uma equipa precisa nesta situação, que procurará criar uma base estável para que a sua ideia de jogo possa ser potenciada e bem sucedida (mais uma vez, é importante ter presente a relação de reciproca dependência entre vitórias e bom futebol). A conjuntura pode ser-lhe favorável, porque o calendário imediato ajudará no arranque e porque as expectativas serão automaticamente revistas com esta mudança no comando técnico. Haverá outras condicionantes, claro, mas não me surpreenderá se tiver uns bons meses até final da temporada. O seu grande desafio, porém, está apenas reservado para a próxima época...
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13.2.12

A circulação baixa do Marítimo

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Terá sido, aos meus olhos, o aspecto mais marcante do ponto de vista táctico, no jogo. O que define o resultado é uma discussão menos trivial, sendo impossível de rivalizar, por exemplo, com o peso fatídico de lapsos pontuais, como o erro de Patrício, ou a escorregadela de Xandão, mas no que respeita à definição do balanceamento do jogo, ao que marcou o ascendente do Marítimo e as dificuldades de imposição do Sporting, nenhuma fase do jogo terá contribuído tanto como a circulação baixa dos insulares.

Foi uma situação que se repetiu sucessivamente no inicio do jogo e que estaria, inclusivamente, na origem do lance do segundo golo, mesmo numa altura em que a resposta das equipas era já bastante diferente daquilo que acontecera na primeira parte. Há, aqui, algum contraste com aquilo que tem acontecido na generalidade dos jogos do Sporting, nomeadamente na abordagem que é feita pelos seus adversários. O Marítimo, desta vez, assumiu o risco de promover uma circulação baixa, tentando chamar e envolver o Sporting, antes de explorar os espaços mais adiantados. Foi uma situação de risco, sobretudo porque confrontou a intencionalidade do Sporting de subir o bloco e potenciar o erro no meio campo contrário. Por mérito de uns e demérito de outros, foi o Marítimo quem saiu repetidamente por cima deste confronto e, por isso, quem ficou desde logo mais próximo das zonas que definiu como essenciais para criar vantagem.

Aqui ficam alguns pontos de opinião sobre esta situação:

- intencionalidade/mérito do Marítimo: Nada foi um acaso. Centrais abertos, laterais profundos, uso do guarda redes e apoio dos médios, como solução de passe no corredor central. Não creio que haja a intenção de fazer uma ligação muito apoiada entre as diferentes fases, mas há pelo menos o objectivo de criar a dúvida no posicionamento do bloco contrário, atraindo as linhas mais adiantadas para depois explorar alguma abertura do bloco, quer através de uma circulação mais larga, quer através de um jogo mais directo. Para além da intencionalidade e de alguma qualidade, penso que se deve destacar, porque não é muito comum a este nível, a tranquilidade e confiança com que os jogadores do Marítimo o fizeram.

- presença pressionante do Sporting: Domingos juntou Matias a Van Wolfswinkel, o que não é uma surpresa. O pressing do Sporting pretende ter um impacto vertical imediato e não tanto uma acção orientadora da sua primeira linha, e para isso é quase inevitável a utilização de dois jogadores no inicio de pressão. Mas as dificuldades surgiram, a meu ver, por dois factores. O primeiro tem a ver com o controlo da acção dos médios (Roberto Sousa/Rafael Miranda) no corredor central, que nunca foi bem conseguida pelos elementos da segunda linha, sempre algo distantes dos dois elementos mais adiantados. Depois, mesmo quando conseguiu criar dificuldades, o Sporting não as materializou, devido a uma aparente incapacidade ao nível da agressividade. Finalmente, nem sempre se verificou uma boa prioridade na acção pressionante dos elementos da primeira linha, sendo um excelente exemplo o lance do segundo golo, quando o Sporting consegue fechar o Marítimo num lado do campo, mas depois Van Wolfswinkel é batido numa tentativa de desarme, quando a prioridade deveria ser não deixar a bola sair do corredor. O Sporting fica assim exposto, porque a sua equipa está balanceada para um lado do campo e a bola circula rapidamente par o lado oposto, aumentando a abertura lateral da equipa (basta reparar na distância de Arias para os centrais na fase terminal do lance).

- última linha: quase sempre a última linha é a mais visada, porque são sempre estes os protagonistas da fotografia final. Mas, como bem retrata o lance do segundo golo, raramente a questão se pode resumir de uma forma assim tão simples. Neste jogo, por exemplo, não sou da opinião que a última linha do Sporting tenha feito um mau jogo, apesar de ter sido muito exposta pela perda de presença pressionante sobre o portador da bola. Aqui, na reacção da última linha a este tipo de situação, reside uma das questões mais difíceis de responder pela generalidade das principais equipas do futebol actual. O que fazer quando há perda de presença pressionante sobre o portador da bola? Bom, cada equipa/treinador definirá o que pretende, mas o que se vê é que a generalidade das linhas defensivas mantém o posicionamento nestas situações, aumentando ainda que instantaneamente o risco de exposição do espaço nas suas costas. Pessoalmente, penso que o ideal é que se corte a profundidade, mesmo que se aumente o espaço entre sectores. Parece-me preferível baixar, aguentar e reorganizar do que correr o risco.

- guarda redes: não é novidade que o guarda redes ganha importância com a postura pressionante das equipas. De um lado, quando em posse de bola, porque tem de ser parte da circulação. Do outro, em situação defensiva, porque tem de estar preparado para cortar o espaço nas costas da sua linha defensiva. Neste jogo, Peçanha foi fundamental na circulação e Patrício no auxilio ao controlo da profundidade. O caso de Patrício, porém, não merece grandes elogios apesar do bom desempenho neste jogo (a este nível). Para além do seu já conhecido jogo de pés, muito aquém do que se exige nos dias de hoje, tem revelado dificuldades comprometedoras na decisão de sair da baliza. Já havia sido decisivo em Braga, valendo um golo aos bracarenses, e voltou a sê-lo a meio da semana, quando não reagiu a cruzamento feito na linha média e que acabou com uma finalização de cabeça perto da marca de penalti, perante a imobilidade do guarda redes. Preocupante!
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24.1.12

O que valem os treinadores? (e o caso de Domingos no Sporting)

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A utilidade do treinador para o adepto...
Provavelmente, não haverá figura mais interessante de analisar do que a do treinador, particularmente no papel que representa para os adeptos. Diria que é uma figura especialmente útil para a relação que os adeptos mantêm com o jogo, ajudando-os a conseguir extrair alguma recompensa emocional de um fenómeno a que se entregam apaixonadamente mas que tantas vezes não os recompensa de forma correspondente. O adepto "clubista", que precisa de acreditar no potencial infinito das suas cores, tem no treinador a oportunidade de manter essa crença: afinal, pode ser sempre apenas por culpa daquele personagem que melhor patamar não foi atingido pelo seu clube. O adepto "especialista", por seu lado, pode manter a sua crença na sua própria sabedoria: julgar as decisões do treinador depois do jogo, oferece-nos sempre a possibilidade de pensar que se fossemos nós a decidir, teríamos feito diferente, e forçosamente melhor.

Esta descrição, tal e qual está feita, pode parecer pouco abonatória para todos nós, mas entendo-a como sendo tão normal como útil para a própria dinâmica do fenómeno. Afinal, os adeptos precisam de se sentir bem consigo próprios e com as suas crenças, e o futebol precisa, mais do que tudo, dos seus adeptos. No meio de tudo isto, não creio que os treinadores (pelo menos os dos principais escalões) fiquem a perder, porque todo este frenesim em seu redor dá-lhes importância e isso reflecte-se também nas recompensas, materiais e não só, que acabam por receber...


Que efeito podemos, realmente, esperar de um treinador?
Na sombra de todo este misticismo que existe em torno da figura do treinador, sobra a pergunta: Afinal, qual a real importância da figura para o sucesso das equipas? Não é uma questão propriamente fácil de responder, e eu próprio tenho vindo a alterar a minha visão à medida que vou constatando certas situações e reflectindo continuadamente sobre ela. Aqui fica um pouco do que hoje é a minha visão...

A questão sobre o treinador e a sua importância é levantada no livro "Soccernomics" (que li na sequência da discussão de há alguns dias), embora centrada no contexto britânico, onde a problemática é bem mais suave do que nos países latinos. O que o argumento desse livro advoga e que eu tenho de corroborar, é que a influência do treinador, podendo ser decisiva, está longe o ser, como regra.

Podemos precisar? Felizmente, creio que sim. Há cerca de 1 ano analisei o desempenho dos diferentes treinadores na liga portuguesa ao longo de 10 anos, comparando os pontos conseguidos em relação à expectativa pontual que realisticamente existia em cada jogo. Entre os treinadores com mais de 100 jogos, apenas 4 tiveram um aproveitamento superior a +10% do que a expectativa global. Sendo este um nível que já se pode considerar muito acima da média, +10% pode fazer a diferença numa determinada zona da tabela, mas não é, seguramente, suficiente para que se considere expectável que um treinador possa fazer milagres por si só. A isto há que acrescentar ainda a possibilidade do efeito inverso, ou seja, o efeito que um clube pode ter na potenciação do desempenho de um treinador. O caso do Porto, por exemplo, é elucidativo, porque se tem sido decisivo para o clube saber escolher os respectivos treinadores, também terá seguramente sido favorável para os próprios as condições que encontraram no clube. Os exemplos de Robson, Mourinho, Fernando Santos ou Jesualdo Ferreira são claros a este nível, porque todos eles trabalharam noutros "grandes", mas só no Porto tiveram sucesso. Ou seja, podemos estimar +10% como expectativa de um desempenho acima da média de um treinador (na verdade, bastante acima da média, se considerarmos que em 10 anos apenas 4 treinadores o conseguiram ao fim de 100 jogos), mas não podemos nunca dissociar o papel das condições do próprio clube para que este patamar seja atingido.

O que pode diferenciar os treinadores?
Talvez o ponto mais marcante da conclusão anterior seja a escassez de treinadores que efectivamente conseguem superar as expectativas de forma continuada. São raros em Portugal, mas não tenho evidência de que o sejam menos noutros locais, tendo em conta análises semelhantes que já fiz sobre outros países. A pergunta seguinte, é: o que pode diferenciar os treinadores?

A primeira conclusão que me parece simples de retirar, é que ao contrário do que denunciam quase sempre os debates entre adeptos, a diferença não se faz pela concepção de jogo ou pelas metodologias utilizadas. Ou seja, pode fazer-se, mas é improvável que essa vantagem possa perdurar muito no tempo. O raciocínio é simples: num tempo onde a informação circula a grande velocidade e em que podemos ver continuadamente qualquer equipa em qualquer parte do mundo, se aparecer um treinador com imenso sucesso pelo simples facto de ter introduzido ideias melhores do que as dos seus pares, facilmente essas ideias serão identificadas, copiadas e, logo, anulada a diferenciação. O mesmo se aplica, embora com maior dificuldade de réplica, às metodologias já que métodos inovadores tendem a ser abordados e debatidos no meio, sendo, no limite, um segredo identificável por aqueles que em determinado momento trabalharam com um treinador de sucesso, e que depois passam a liderar eles próprios equipas técnicas, podendo reproduzir as mesmas metodologias e, logo, reduzindo ou anulando a diferenciação.

Três casos que considero ser paradigmáticos de como este tipo de factores não podem ser diferenciadores durante muito tempo num contexto tão competitivo como o futebol actual:
(1) Mourinho. Foi estudado intensivamente no universo do futebol português, primeiro, e mundial, depois. Falou-se de métodos de treino, de ideias e estratégias de jogo, de perfil de comunicação, etc etc. No entanto, e apesar de tudo isto, o sucesso do treinador continua com o tempo e nunca foi reproduzido por ninguém. Porquê? Provavelmente, porque o sucesso do treinador tem a ver com a natureza do próprio e esse será o factor verdadeiramente diferenciador, por não ser replicável.
(2) Barcelona. As ideias de jogo do Barça, o "tiki-taka", são adorados em todo mundo. Todos os adeptos admiram e estudam a forma como jogam, mas nenhum foi capaz de a reproduzir em parte nenhuma do mundo. Porquê? Provavelmente, porque o sucesso do seu modelo de jogo tem uma contextualização especifica e foi potenciada por uma formação de excelência e orientada para essa mesma ideia de jogo. Ou seja, o Barça, no seu estilo e qualidade, não será irreplicável, mas para consegui-lo provavelmente é preciso bem mais do que a simples implementação de uma ideia de jogo. Por isso, o Barça permanece uma equipa fortíssima e diferenciada de todas as outras, apesar de todos desejarem jogar da mesma forma.
(3) Oakland Athletics. Volto ao caso do filme/livro "Moneyball", onde uma abordagem de avaliação de jogadores distinta do convencional marcou a diferença num contexto de enorme exigência e competitividade. O ponto sobre os Oakland A's difere dos dois anteriores, porque o sucesso desta equipa apenas pôde perdurar enquanto as restantes equipas não adoptaram, elas próprias, a mesma metodologia. Ou seja, o método apenas foi diferenciador temporariamente.

Ou seja, "porque é que alguns treinadores se diferenciam positivamente dos outros?" é uma pergunta tão difícil de responder como o "porque é que Mourinho tem um sucesso tão continuado e os outros não?". Constata-se, mas não se saberá materializar exactamente a razão...

Estes factores que, por serem transmissíveis, podem não ser "positivamente diferenciadores" num meio de informação quase perfeita como é o futebol de mais alto nível, mas serão seguramente "negativamente diferenciadores", sendo esse o motivo pelo qual alguns treinadores se vêem ultrapassados após vários anos de sucesso. Recorrendo de novo a um exemplo positivo, temos o caso de Alex Ferguson, que conseguiu manter-se no topo do futebol graças a uma constante adaptação a métodos e ideias conforme foram surgindo no jogo. Assim, mantendo-se actualizado, aquilo que o diferenciou positivamente nos anos 80 continuou a fazê-lo 20 anos mais tarde. A este nível, já agora, parece-me importante o papel da equipa técnica como um todo, devendo esta ser heterogénea na sua composição e possivelmente pouco estática ao longo dos anos, para permitir diferentes visões e abordagens aos mais variados aspectos. Por exemplo, parece-me favorável que um treinador que seja ex-jogador seja suportado por uma equipa com uma componente de formação mais académica, e vice versa...

Finalizando, a minha conclusão é que, os factores que classifiquei de "não positivamente diferenciadores" são necessários mas não suficientes para um sucesso diferenciador no tempo, sendo que a característica complementar que garante a diferenciação de um treinador será provavelmente a sua capacidade de liderança, que tem muito a ver com a natureza do próprio e não é replicável de pessoa para pessoa.

Domingos e o Sporting
Não fosse o futebol tão emocional e o treinador um personagem com a receptividade que descrevi inicialmente, e penso que o volume das recentes criticas ao treinador não faria sequer sentido discutir, assim como a inclusão deste capítulo no texto. Não que pense que Domingos não tenha cometido erros, ou que não discorde de algumas das suas opções. Aliás, discordei bem cedo na temporada. O que me parece descabido é a relação de causalidade entre essas discordâncias e as dificuldades que sente nesta altura o Sporting.

Domingos faz parte dos 4 treinadores que abordei anteriormente e o seu trajecto até ao Sporting não é apenas bom, mas excepcional, encontrando pouco paralelo aonde quer que seja, e não precisando sequer da final da Liga Europa para chegar a esta conclusão. 6 meses difíceis não seriam em qualquer circunstância suficientes para colocar 5 anos de sucesso em causa mas, logicamente, só haveria uma conclusão possível a retirar quando a junção de um treinador de sucesso a um clube com dificuldades não resulta: é que as dificuldades do clube são muitas e não que o treinador, afinal, não presta. Mais uma vez, só a irracionalidade tão própria do futebol pode sugerir que a lógica contrária surja como primeira hipótese para o problema.

De todo o modo, e apesar da irracionalidade "per se" do raciocínio anterior, o mais interessante é ir à especificidade do caso. Em particular, há dois pontos que são, para mim, avassaladores na relativização das responsabilidades de Domingos no momento actual da equipa. O primeiro é a composição heterogénia da sua equipa técnica: muito mais provável do que os problemas diagnosticados (a meu ver, muitas vezes correctamente) pelos adeptos não serem percepcionados por quem está dentro, é que os pormenores dos problemas não sejam percepcionados por quem está de fora.
O segundo ponto é mais relevante, e tem a ver com as condições que o próprio teve nestes primeiros meses. A equipa sentiu dificuldades iniciais, mas assim que conseguiu estabilizar apresentou um rendimento bastante elevado e praticamente nivelado com o dos rivais. A regressão que aconteceu nos últimos dois meses tem uma explicação fundamental, que para mim é óbvia, e que está relacionada com as lesões a que o plantel tem vindo a ser sujeito, em jogadores que inicialmente se pensavam ser nucleares. Uma equipa, mesmo que individualmente medíocre, pode ser colectivamente potenciada se tiver fiabilidade, mas se não a tiver, o seu total será inevitavelmente muito próximo da soma das suas partes (se as partes estão sempre a mudar, que hipóteses há para a evolução do todo?!)...
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Olhanense - Sporting: estatística

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Dada a descaracterização da equipa do Sporting devido às inúmeras mexidas, a análise ao jogo, sendo centrada precisamente no Sporting, seria sempre pouco relevante em termos de continuidade e sempre demasiado centrado num contexto circunstancial. Assim sendo, proponho outra reflexão mais abrangente (que escreverei no post seguinte), em relação à importância dos treinadores, partindo do actual caso do Sporting e de Domingos. Sobre o jogo, e para quem tiver curiosidade, fica o relatório estatístico...

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17.1.12

Lances do Braga-Sporting

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Aqui ficam alguns lances do jogo de Domingo, com a minha leitura em relação a eles. Apenas acrescentar os seguintes comentários...

- É interessante o papel desestabilizador de Salino. Não directamente, mas aquilo que as suas acções acabaram por provocar em termos de dificuldades de controlo do espaço "entrelinhas" por parte do duplo pivot. Mérito do Braga, porque não é evidente que se criem este tipo de desequilíbrios a partir de uma vantagem criada pelo lateral. Demérito, a meu ver, especialmente de Insua, que não pareceu ter a devida intensidade na reacção a alguns lances na sua zona...

- No primeiro golo, tudo se parece resumir a um problema de comunicação no final da jogada, mas há muito mais para contar. Começando no pontapé de Patrício, mais do que provavelmente um equívoco do guarda redes, já que tudo indicava que a bola fosse lançada para a esquerda, onde já se concentrava a generalidade dos jogadores, e em especial Ribas, que era a referência do Sporting para este tipo de bolas (já agora, Patrício esteve bastante irregular neste tipo de reposições ao longo do jogo). Depois, o excesso de distanciamento de Rodriguez, que baixa demasiado perante a ameaça de Lima no ataque à profundidade. Esta distância acaba por dificultar a recuperação dos restantes defensores, em particular Onyewu, que parte de uma posição mais atrasada. Depois, finalmente, alguma estranheza no que acontece à resposta ao cruzamento: há uma troca posicional correcta de João Pereira, perante a dificuldade de Onyewu em recuperar a tempo de se posicionar na frente do lance. O que devia acontecer era que os dois jogadores não terminassem na mesma linha, não sendo perceptível o porquê de Onyewu não ter ajustado o seu movimento para uma zona um pouco mais atrasada do que João Pereira. O posicionamento final dos dois jogadores não é o desejável, mas o que aconteceu entre os dois, só eles poderão saber...

- Finalmente, o segundo golo bracarense tem a génese num erro em posse de Rodriguez, que expõe a linha defensiva do Sporting. Não há qualquer possibilidade de inviabilizar Lima no fora de jogo, pelo que depois se torna uma aparente questão de velocidade entre Lima e João Pereira. No entanto, perante um passe que é feito na linha divisória do campo e com esta exposição nas costas da defesa, o lance seria muito facilmente evitado por Rui Patrício. Aliás, a bola só é tocada por Lima já dentro da área do Sporting, o que diz bem da oportunidade que Patrício perdeu para inviabilizar o lance. Assim, e como o "sprint" se pode prolongar durante tantos metros, ficamos a saber que Lima é mais veloz do que João Pereira...

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10.1.12

Sporting - Porto: estatística

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9.1.12

Sporting - Porto: opinião

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- Ficou a zeros e, não sendo um jogo mal jogado, foi um jogo que ficou um pouco aquém das expectativas. Pelo menos para as minhas. O equilíbrio foi a nota dominante, tanto no empate, como na proximidade no número de oportunidades, como em termos de domínio e presença territorial. O Sporting mais em organização, o Porto mais em transição, mas sempre com pouca diferença.

- Alguma estranheza, sobretudo do lado do Porto. Optou por uma abordagem pouco pressionante sobre a primeira fase de construção, permitindo que o Sporting, sobretudo por Polga, chegasse facilmente até à linha média antes de ter de definir o primeiro passe. Ora, é certo que Polga não é um jogador que se sinta muito confortável na condução em posse, mas é também certo que é um jogador forte na definição do passe, e o Sporting tirou partido disso na primeira parte, ligando facilmente o seu jogo pelo corredor esquerdo. Há aqui outro pormenor que me parece importante: permitir que Polga progredisse tanto espaço sem oposição obrigou o bloco portista a ir baixando no terreno, o que dificultou depois a presença pressionante no destinatário do primeiro passe do central.


- Outro detalhe sobre o jogo portista tem a ver com alguma tendência excessiva para verticalizar no momento da recuperação e, sobretudo, com a dificuldade de encontrar qualquer ligação útil à excepção de Hulk. Vitor Pereira reajustou o meio campo, dando outra característica à segunda parte, mas voltei a ficar com a sensação da maior utilidade de Defour no meio campo, sobretudo pela simplicidade do seu jogo e pela utilidade dos seus movimentos sem bola. Isto, claro, sem retirar daqui uma dose excessiva de conclusões, porque por muito tentador que seja fazê-lo, raramente o que vemos como resultado de substituições ou alterações dentro de um jogo tem um grande nível de relevância conclusiva.

- 3 notas individuais do lado do Porto: (1) Hulk no meio continua a dar sinais notáveis no que respeita à mobilidade e utilidade do seu jogo. Muito mais útil e consequente do que nas alas, onde tem muito mais tendência para para forçar o drible, e incomparavelmente mais útil do que qualquer 9 do nosso futebol. Por exemplo, comparando Hulk com Wolfswinkel, neste jogo, Hulk completou 28 passes contra apenas 9 do holandês, foi o terceiro mais interveniente em termos de posse ofensiva na sua equipa, enquanto Wolfswinkel foi o que menos interveio entre os titulares do Sporting (para contextualizar, é normal que o ponta de lança seja o menos interventivo, o que não é normal é a utilidade que Hulk acrescenta a partir dessa posição). Que não haja grande complementaridade com os seus movimentos, estou de acordo, mas isso não tem nada que ver com qualquer desajuste ou subrendimento do 12 nesta posição, pelo contrário. (2) Djalma, um pouco na continuação do que escrevi sobre Hulk, não parece poder fazer muita falta ao Porto. Aliás, será uma oportunidade para tentar integrar outro jogador que ofereça mais à equipa em termos ofensivos. É um jogador capaz tecnicamente, muito forte fisicamente e com excelente capacidade de trabalho (até se pode imaginar uma tentativa de adaptação a lateral), mas a sua produtividade neste período em que foi titular foi manifestamente insuficiente para as exigências do Porto. (3) Otamendi... impressionante a sua capacidade de antecipar e intervir no espaço. O Sporting sentiu-se tentado a forçar o duelo entre Wolfswinkel e o argentino, mas Otamendi dominou completamente o avançado do Sporting. Continuo a ver como um erro enorme que se forcem duelos com Otamendi em vez de Rolando, seja no ar ou pelo chão. O problema do central argentino, por outro lado, é que continua a revelar uma enorme propensão para o erro, constituindo-se assim como a perfeita antítese do seu colega de sector.

- Quanto ao Sporting, fica difícil exigir-se muito mais. Quem vê o talento de Matias e Izmailov a emergir do banco e para um pivot remendado terá de pensar que esta não é nem pode ser a equipa que o Sporting idealizou para a sua época. Ainda assim, o Sporting, tal como na Luz, voltou a dividir o jogo por completo, estando até mais perto de o ganhar, se contarmos as oportunidades claras de golo. Como expliquei acima, creio que o Porto não teve a melhor abordagem ao jogo e que o Sporting acabou por beneficiar disso, mas, ainda assim, ficou a sensação de que poderia ter feito mais...

- Há um nome que me parece incontornável neste jogo, que é Wolfswinkel. Não tanto pelas oportunidades claras que não converteu (pode acontecer a todos), mas pelas jogadas que não foi capaz de dar melhor sequência e que poderiam ter terminado em mais oportunidades. Não posso deixar de pensar que há uma ligação entre a falta de golos e os restantes capítulos do jogo do holandês, que já viram melhores dias. É que um avançado vive de golos e, regra geral, o seu momento a esse nível transfere-se também para a confiança com que interpreta as restantes situações de jogo. O que escrevi sobre Wolfswinkel e Bojinov quando chegaram ao Sporting, escreveria hoje de novo, praticamente sem qualquer alteração. Ou seja, não creio que as suas características foram muito bem percepcionadas aquando das respectivas aquisições. Nomeadamente, Wolfswinkel não é um jogador forte nos duelos dentro da área (muito longe disso) e Bojinov não é um jogador móvel ou versátil como se disse que era (naturalmente, desconheço se internamente era esta a ideia que se tinha, mas para cá para fora foi a ideia que passou). Talvez venha a partilhar mais ideias sobre as movimentações dos avançados em situação de cruzamento, porque me parece um tema interessante de analisar, tal a diversidade de casos que existem...

- Sobre as lesões, que tanto afectam a qualidade e estabilidade deste Sporting, há que referir que se devem distinguir situações. Uma coisa, são casos como o de Rinaudo, outra são as situações de Rodriguez, Matias, Izmailov e Jeffren. Todos estes jogadores tinham um histórico de lesões que não garantia qualquer confiança em relação à fiabilidade da sua disponibilidade ao longo da época. Para ser campeão em Portugal, nos dias que correm, é preciso fazer uma prova praticamente imaculada e, nesse sentido, é fundamental que não se cometam alguns erros de planeamento como os que foram cometidos. Se o Sporting tem motivos para estar esperançado com a evolução da sua equipa, o próximo passo só poderá ser dado se não se repetirem certos lapsos perfeitamente previsíveis na formulação do plantel (e escrevo "previsíveis", porque os enunciei a todos na pré época, tanto a aposta em Postiga como referência concretizadora, como a volatilidade da disponibilidade física de alguns elementos nucleares).

- Um último ponto sobre Renato Neto e a opção para pivot. Não foi um jogo mau, mas também não foi suficiente para que se possa imaginar estar ali uma grande solução para o lugar. Excelente capacidade física e boa presença posicional garantiram um bom jogo do ponto de vista defensivo, mas em posse nem se apresentou como solução, nem revelou a consistência exigível para o lugar. Foi uma estreia, porém. Não deixa de ser difícil de compreender para quem está de fora que André Santos tenha baixado tanto na consideração de Domingos, isto se nos lembrarmos que chegou a tirar o lugar a Rinaudo no inicio de temporada. Isto, para quem vê de fora, repito...
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