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20.12.11

Porto - Marítimo: opinião e estatística

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- O último jogo do ano no Dragão não trouxe grandes motivos de interesse, muito pela monotonia do domínio portista, ainda mais potenciada após a expulsão. Ainda assim, o jogo pareceu confirmar algumas tendências do passado recente, nomeadamente no que respeita ao contraste entre a facilidade com que a equipa domina e controla o adversário e a dificuldade que mantém em conseguir uma tradução fiel desse domínio em jogadas de real proximidade com o golo. Não se trata de volume, pois remates não faltaram, mas de qualidade no desfecho das inúmeras acções ofensivas. De todo o modo, abre-se uma interrogação para o futuro próximo, que passa por perceber até que ponto Vitor Pereira está disposto a abdicar deste onze que tão fielmente vem repetindo, para rever algumas opções que não parecem oferecer o máximo potencial à equipa.

- Em termos colectivos, apenas uma nota em relação ao que referi nos últimos jogos. Desta vez, e particularmente na primeira parte, a ligação de jogo no último terço não me pareceu tão eficaz, nomeadamente na ligação com Álvaro Pereira. Aqui, pareceu haver uma assimetria com influência no rendimento. Com James muitas vezes próximo de Hulk e com ambos a descair para a direita, quando as jogadas se iniciavam pelo flanco direito, a equipa tinha dificuldade em fazer uma boa entrada na zona de finalização, essencialmente porque não parecia capaz de ligar o jogo com o flanco oposto, acabando mais dependente de cruzamentos ou tentativas de penetração em zonas bastante densas. Por outro lado, quando iniciou pelo corredor esquerdo, a sua capacidade de aproveitar o espaço no flanco oposto pareceu muito maior e muito boa, com Hulk ou James como destino dessas acções ofensivas. É a tal questão da largura na última linha, que me parece ser importante para conseguir criar mais dificuldades a quem defende.

- Individualmente, quero deixar algumas notas de opinião, e começo por Hulk. Este foi o jogo interessante, porque Hulk actuou na primeira parte como referência mais central e na segunda mais preso à linha. Pessoalmente, não tenho quaisquer dúvidas sobre o seu maior rendimento na primeira parte. Hulk é um jogador excepcional, que pode desequilibrar a qualquer momento, jogue onde jogar. O que se nota é que partindo de posições mais centrais, Hulk é solicitado em zonas mais ofensivas, e com muito menor tendência para cair na tentação do drible forçado e repetitivo. Com alguma surpresa, a sua prestação como elemento de apoio frontal é muito boa, mais influente e certo nesse papel do que Kleber ou Walter, ou do que qualquer dos avançados dos outros dois grandes. Veremos como evolui, mas pessoalmente sou da opinião de que o seu rendimento pode ser de facto mais potenciado partindo dessas posições, desde que complementado por outros jogadores que ocupem os espaços que abre com a sua mobilidade. Uma ideia ainda não explorada, seria tentar uma relação de maior mobilidade entre Hulk e Kleber, já que sempre que actuam juntos fazendo em posições muito fixas. Kleber tinha um papel deste tipo no Marítimo, pelo que pode não ser assim tão estranho. É uma ideia, embora me pareça improvável que seja tentada...

- Outro caso é Djalma, que continua a não conseguir um grande entrosamento com os restantes elementos mais ofensivos e, também, sem protagonizar muitos desequilíbrios. Continuo a pensar que se esta relação for melhorada, o Porto poderá potenciar significativamente o número de ocasiões que consegue, mas teremos de esperar para ver o que acontece. Deste jogo, sobram mais duas ideias: Cristian Rodriguez e Iturbe. Cristian Rodriguez, particularmente, é um jogador de boa dinâmica e com capacidade para aparecer em zonas interiores, o que pode ser importante num ataque que se pretende móvel. A melhor época de Rodriguez no Porto, aliás, foi num ataque com essas características. Mais incerto, mas muito promissor é Iturbe. Será um jogador de características diferentes, mas cujo potencial torna imprevisível o impacto que possa vir a ter.

- Finalmente, falar de Belluschi que foi o jogador que mais desequilíbrios protagonizou no jogo, quase sempre sem sorte nas situações em que finalizou, mas com influência decisiva no primeiro golo. Belluschi mantém, para já, um rendimento inferior ao de Defour nesta posição, sendo menos irregular na certeza das suas abordagens e integrando menos vezes a zona de finalização, dentro da área. Por outro lado, e tal como frente ao Beira Mar, apareceu sucessivamente a finalizar à entrada da área. A questão passa por saber se Belluschi consegue ser verdadeiramente eficaz dessa posição, ou se o azar por que aparenta passar é mais do que apenas isso. É outra questão para a qual só o tempo poderá dar resposta...
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25.7.11

Reforços 2011/12: Iturbe (Porto)

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Iturbe acusa o habitual conflito da euforia anónima, e prudência assumida. Ou seja, um dia alguém, não se sabe nunca exactamente "quem", lhe colocou o pesado fardo de "novo Messi". Todos o comparam com Messi, mas sempre que alguém com mais responsabilidade é confrontado publicamente com a comparação, rejeita-a imediatamente. Um contra senso ou, simplesmente, o receio público de alguém se "atravessar" com certo tipo de considerações.

Não há que ter medo de o dizer: o rótulo "novo Messi" cabe-lhe, e cabe-lhe muito bem. Não quer isto dizer que Iturbe vá contar com duas bolas de ouro aos 23 anos, mas quer dizer que tem, realmente, um perfil semelhante ao astro do Barcelona. Repare-se: é baixo, mesmo pequeno, e tem na condução em velocidade a sua principal arma, progredindo com rápidos e sucessivos toques curtos, quase sempre com o seu pé esquerdo, que tornam a sua direcção continuamente imprevisível para quem defende. A esta capacidade de drible, junta uma boa definição, sempre com o pé esquerdo, seja para finalizar ou cruzar.

Ora digam, se este não pode ser apelidado de "novo Messi", quem poderá?


Se, em termos morfológicos, Iturbe "é" Messi, arriscaria que, em termos de desenvolvimento, Iturbe seria mais fielmente catalogado de "Neymar argentino". Porque partilha com o prodígio brasileiro o estatuto de maior promessa do seu país e porque, tal como Neymar, tem ainda um percurso a percorrer. Neymar talvez tenha algumas vantagens sobre Iturbe, mas o paraguaio-argentino tem, pelo menos, duas mais valias para quem o acabou de contratar: não lhe puseram o "rei na barriga", fazendo-o crer que é, já, um dos melhores do mundo, e não custou a exorbitância que custará Neymar a quem o conseguir levar.

Realmente, Iturbe tem mais valias raras que poderão ser transformadas em vantagens enormes para a equipa que o incluir. Para já, e assim que chegar ao Porto, é fundamental que percorra um caminho de adaptação futebolística que tem sobretudo a ver com a forma deve encarar o jogo e o seu papel no mesmo. Fundamentalmente, um novo paradigma. Até aqui, a poesia do futebol sul americano tinha como única expectativa os seus desequilíbrios, exigindo-os a cada posse de bola. Agora, na Europa, os desequilíbrios serão apenas uma parte do todo, um truque que todos sabem que tem na manga, mas que lhe passam a exigir que o saiba utilizar apenas nos momentos certos e não a toda a hora.

Iturbe, tudo indica, passará por um processo de integração semelhante ao de James na última época. Porém, e mesmo se a velocidade de afirmação de James será difícil de repetir, o potencial de Iturbe é, se considerarmos os cenários mais optimistas, substancialmente superior. A concorrência dificilmente poderia ser mais apertada e há alguns riscos neste processo, mas não é de todo improvável que Iturbe possa começar a deixar a sua marca já este ano. É essa a minha aposta...

(Destoando das análises que anteriormente elaborei, não posso sustentar a minha opinião sobre Iturbe numa base que considere minimamente sólida para avançar com projecções muito exactas. Seja como for, foi-me possível observar Iturbe em mais de uma centena de minutos, que serviram de base para estas projecções e considerações pessoais...)
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