Mostrar mensagens com a etiqueta Oscar Cardozo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oscar Cardozo. Mostrar todas as mensagens

3.3.12

Montanha russa

ver comentários...
- O jogo foi assim como o próprio momento do campeonato, uma montanha russa. Não posso dizer que não estivesse avisado - afinal, já escrevi sobre isso há muito - mas ainda assim, fui apanhado de surpresa por esta descida a pique do Benfica de Jesus. No jogo, como no campeonato. Está tudo em aberto? Pois está, mas para uns está menos do que para outros, e é bom não dar os primeiros 2 lugares como entregues. Enfim, o jogo ainda está demasiado fresco para se avançar a esse ponto, mas para o Benfica este pode ser um momento de viragem importante, mesmo para além desta época. Aguardemos os próximos capítulos. Agora, já se sabe, no futebol a emoção é dominante sobre a razão...

Precisamente, é o predomínio da emoção que faz deste um fenómeno em que o vencedor fica com tudo ("the winner takes it all", é a expressão que estou a adaptar). Neste momento, é o Porto que voltou a ter tudo na mão. O título, os sorrisos e a cabeça levantada. Sim, porque se durante meses Vitor Pereira foi quase que forçado a baixar os olhos perante o peso mediático de tantas criticas (é curioso, mas agora que penso nisso, acho que nunca ouvi ninguém dizer que gostava dele desde que se tornou treinador do Porto), hoje e enquanto estiver na frente, serão os outros que baixarão os olhos perante o treinador. Não há qualquer racionalidade nestes volte faces, mas esse é precisamente o ponto do fenómeno futebolístico, a emoção sobre a razão.

Não prometo voltar com mais pormenores sobre o jogo (não digo que não o farei, mas já uma vez prometi e não pude cumprir em tempo útil...), mas ficam algumas perguntas: O primeiro golo resultou de um remate sensacional, mas pode entrar por ali, naquele ângulo e àquela distância? E o último (independentemente da legalidade do lance), devia Artur ter chegado primeiro a uma bola que é disputada ainda na pequena área? Depois, a importância das bolas paradas, não apenas pelos golos directamente resultantes, mas por outros 2, que têm génese na transição após a cobrança de cantos. Não será o instante após os lances de bola parada o momento de maior desorganização e instabilidade táctica nos jogos? Face ao equilíbrio e dificuldade em desequilibrar nos outros 4 momentos, serão as bolas paradas o momento que actualmente mais define diferenças entre as equipas?

Finalmente, duas notas sobre o comportamento do Benfica. O primeiro para o risco em posse, que Jesus tanto pareceu querer controlar mas que o voltou a trair na hora da verdade. O Benfica sofre 2 golos após perdas (mérito de Fernando) em que a conservação da posse é fundamental para a manutenção do controlo. Principalmente o 2-2, pela situação de vantagem, que aconselhava risco mínimo, e pela própria ausência de necessidade da equipa se expor na situação concreta, já que acabara de concluir uma transição que terminou na área adversária, não exigindo perda de equilíbrio colectivo. É o outro lado da entusiasmante vertigem do futebol de Jesus, por vezes há um preço a pagar e não parece haver mesmo nada a fazer. A outra nota é sobre Cardozo. Com a derrota ninguém vai reparar muito, claro, mas marcou mais 2 em jogos "grandes". Ao fim de tantos anos, mantém melhor aproveitamento em jogos difíceis do que em jogos fáceis, o que não é apenas interessante, mas um perfeito contra senso. Lá está, o futebol não se explica, constata-se.

ler tudo >>

30.1.12

Feirense - Benfica: opinião e estatística

ver comentários...
- Antes de ir ao jogo propriamente dito, acho interessante comentar a situação da tabela classificativa. O Benfica tinha duas vantagens, que garantiu na primeira metade do campeonato: 2 pontos de avanço e a perspectiva de disputar em casa o jogo que se adivinha com maior potencial decisivo. Quanto à segunda vantagem, não há muito a acrescentar para além do óbvio, mas parece haver mais importância na liderança do que a mera diferença pontual. Ano após ano e de país para país parece verificar-se uma tendência para que as equipas que vão atrás tenham mais dificuldade em reagir às adversidades. Um problema de confiança, seguramente, mas todos sabemos como a confiança pode ser tudo no futebol (e o Benfica de Jesus que o diga!). Não é uma verdade absoluta, obviamente, mas será uma tendência geral, que explica, por exemplo, porque é que 24 dos últimos 30 campeões já lideravam ao fim de apenas 1/3 do campeonato, quando esse não parece ser um período suficientemente longo para que o factor aleatório tenha sido isolado. Seja como for, esta jornada tivemos um passo potencialmente decisivo para a definição do campeonato, onde a reacção à adversidade dos dois primeiros foi totalmente distinta. Neste mesmo sentido, o Feirense poderá vir a ser uma equipa chave na corrida ao título, não tanto por este jogo, mas pelo facto de ter sido inesperadamente frente a este adversário que o Porto perdeu a sua vantagem na fase inicial da prova.

- A perspectiva de um jogo algo diferente do habitual, confirmou-se. O Feirense forçou o Benfica a disputar um jogo de futebol muito verticalizado e pouco tempo para pensar. A resposta do Benfica foi sempre boa, mas demorou até que a equipa conseguisse realmente dominar o jogo. Acabou por fazê-lo com a evolução do tempo, havendo também a coincidência de isso ter acontecido após a passagem de Rodrigo para uma zona mais central, com Witsel a ocupar uma posição mais descaída para a direita, sobretudo em situação defensiva. Esta organização criou alguns problemas de controlo a Maxi (frequentemente o ajustamento posicional de Witsel não chegava a tempo de bloquear o corredor), mas a verdade é que o Benfica pareceu ganhar com a mudança, sobretudo pela maior presença de Rodrigo em zona central e pela amplitude de acção de Witsel, que libertou Aimar. Já contra o Marítimo, o Benfica se dera bem com a alteração, e embora não seja liquido que tal tenha sempre um efeito positivo (nomeadamente, porque aumenta o risco de perda em posse), a verdade é que tem tido precisamente esse efeito.

- Recentemente, destaquei o papel importante da abordagem do Benfica ao mercado, com muito investimento, mas com apostas muito certeiras. Hoje, e neste jogo em particular, quero realçar outro ponto importante na construção do plantel e nas opções do treinador. É que, provavelmente como poucos, Jesus sabe bem que jogadores quer para a sua equipa. Por exemplo, a estatura é essencial em pelo menos 4 unidades da sua equipa. O guarda redes, os centrais e o pivot são sempre altos nas equipas de Jesus, e quando não são passam a ser (no caso da dispensa de Quim, por exemplo, parece ter sido decisivo). Do mesmo modo, um dos avançados tem tendencialmente essa característica, sendo que para esta posição o treinador confia naquilo que o faz ganhar, os golos. Por isso, Cardozo é discutível para quase todos, mas não para Jesus. Estas prioridades do treinador conferem ao Benfica uma grande adaptabilidade, nomeadamente sendo capaz de responder de forma muito forte num jogo com estas características. Obviamente, não quer isto dizer que todos os treinadores e todas as equipas devam repetir a fórmula (mais uma vez a importância da especificidade...), mas parece-me indiscutível a utilidade de se saber o que se quer, fazendo convergir as características individuais para os objectivos colectivos. Ainda no capítulo individual, destaque para Rodrigo, Cardozo (grande jogo, de utilidade cirúrgica para aquilo que foi o jogo) e Artur. O guarda redes merece aqui uma referência especial, porque não foi pelo que Artur defendeu que foi importante, mas pelas suas reposições, nomeadamente com os pés. Esse é outro ponto onde o Benfica evoluiu nesta época, e duvido que de agora em diante Jesus passe também a não dispensar um bom jogo de pés nos seus guarda redes...

- Nota, finalmente, para algumas dinâmicas colectivas do Benfica. Na saída em construção, o Feirense tentou forçar o pontapé longo de Artur, mas o guarda redes forçou até ao limite a saída em posse, normalmente por Garay, e muitas vezes com um passe praticamente paralelo à linha final. A opção pelo argentino é intencional, porque é o jogador com maior qualidade de passe nos elementos mais recuados, e mesmo que a saída curta do guarda redes não tenha tido como consequência constante a progressão em apoio (várias vezes não teve), sempre que o Benfica tentou a construção longa conseguiu criar muitas dificuldades de controlo ao Feirense, tendo Cardozo um papel essencial como referência para o jogo directo. Outra dinâmica em evidência e que causou dificuldades ao Feirense, aconteceu em situações de progressão mais apoiada, com a bola a ter como destino quase constante o corredor oposto àquele onde a jogada havia começado. Aqui, o Benfica aproveita a mobilidade de Aimar e a boa abertura da sua estrutura para provocar dificuldades de controlo ao bloco adversário.
Ler tudo»

ler tudo >>

28.11.11

Benfica - Sporting: opinião e estatística

ver comentários...
- Começo pelas implicações do resultado para as aspirações de ambas as equipas no campeonato. Ganhando, o Benfica coloca-se numa posição muito favorável, mantendo a liderança mas já tendo disputado os principais jogos nesta primeira volta. Pode, por exemplo, contar com a oportunidade de ganhar pontos a pelo menos um dos rivais quando estes se defrontarem. Longe de ser decisivo, obviamente, mas uma boa situação, sem dúvida. Quanto ao Sporting, a situação é precisamente a inversa. Ou seja, o Sporting acumula ainda o peso de um inicio de época mal conseguido e, num campeonato onde os primeiros perdem poucos pontos, isso implicaria uma superação nos jogos entre candidatos. Por isso esta derrota é problemática, colocando o Sporting a 4 pontos dos líderes mas ainda tendo de defrontar Braga e Porto até ao final da primeira volta. A diferença ser matematicamente parecer escassa, mas se o campeonato se mantiver nesta toada de poucos pontos perdidos, o Sporting só poderá aspirar a disputar o primeiro lugar até ao final se tiver uma prestação praticamente perfeita nos jogos com os rivais.

- Relativamente ao jogo, começo pelo aspecto mais previsível. Não é nada que tenha a ver com o que se passou dentro de campo - isso é sempre demasiado imprevisível - mas antes com as conversas depois do jogo. Ou seja, se o Sporting perdesse, como perdeu, era certo que as criticas iriam cair sobre a opção de Domingos eleger Carriço para a posição de pivot. É tão recorrente e previsível, que o próprio treinador deverá ser o primeiro a sabe-lo. Domingos explicou o porquê da opção por Carriço, e não era difícil de a deduzir do próprio jogo, nomeadamente pelo posicionamento alto de Schaars e Elias. Mais difícil, a meu ver, é supor, como quase sempre se faz, que um treinador toma esta opção para "perder capacidade de passe" ou "para defender mais".

- A opção de Domingos, de ser agressivo sobre a saída de bola do Benfica, obrigando a uma construção mais longa, é já uma reedição do que fazia quer na Académica, quer no Braga, recolhendo na altura grandes proveitos desse condicionamento que fazia sobre os seus adversários, especialmente em jogos mais de maior grau de dificuldade. Aliás, o próprio Benfica o faz, pressionando rapidamente e com bastante gente a primeira linha contrária. A presença de um jogador mais forte no jogo aéreo como pivot é imprescindível para Jesus, precisamente pelos mesmos motivos que levaram Domingos a colocar Carriço em campo. Ora, a consequência de tudo este condicionamento sobre a construção, foi um jogo pouco ligado e fortemente dependente da disputa da segunda bola para a definição do ascendente no jogo. Este é, por isso, um detalhe decisivo. O Sporting preparou as suas próprias reposições, escolhendo Wolfswinkel como referência para a primeira bola e o lado direito como destino. O porquê desse lado? Talvez pela tentativa de explorar a rapidez de Elias nas costas do holandês, talvez para tentar ficar com a bola do lado mais forte (digo eu...) da equipa, mas não tenho uma resposta exacta. O certo é que o Benfica, não tendo de fazer uma abordagem tão estratégica, tem uma natural apetência para responder de forma mais forte a este aspecto específico. Mesmo sem Luisão, defensivamente, tem Javi Garcia sobre a esquerda, protegendo bem quer Emerson, quer Garay, e o próprio Witsel, também bastante forte neste capítulo, sobre a direita. O belga, aliás, apresenta-se igualmente como alternativa para as reposições longas de Artur. Domingos temeu Cardozo, mas o Benfica teve sempre outras alternativas, nomeadamente Witsel, mais sobre a direita. E, assim, o efeito Carriço no jogo aéreo acabou por não se fazer sentir, ainda que também me pareça igualmente um equívoco afirmar que o Sporting perdeu capacidade de construção com a sua presença, face a um jogo com estas características.

- Entre a estratégia de uns, e a maior capacidade natural de outros, não me parece que algum dos lados se possa declarar como vencedor deste jogo de muita luta pelo privilégio de poder sair a jogar a partir de segundas bolas. O jogo repartiu-se quase sempre, o Benfica beneficiou mais da noite inspirada de Aimar (as dificuldades de Carriço são em grande medida o mérito do 10 encarnado), e da maior propensão para o erro em posse do Sporting. Em destaque no Benfica, a boa ligação do jogo, desde a direita para a esquerda, com muita largura sobre a última linha do Sporting (provavelmente voltarei a este detalhe). Porém, tudo isto, sem nunca se verificar qualquer ascendente continuado, porque o Sporting dividiu sempre o jogo, tanto em termos de domínio, como de proximidade com o golo.

- De tudo isto sobram, claro, as bolas paradas. Num jogo assumidamente de muita luta e pouco risco em construção, é fundamental ser-se forte nos detalhes e as bolas paradas são frequentemente um dos principais meios para que se marquem diferenças. Foi assim, mais uma vez. Domingos saberá bem a importância desta componente para o sucesso, porque já ganhou vários jogos assim. Jesus, como se sabe, privilegia também muito a capacidade das suas equipas a este nível. Tal como nas primeiras bolas na reposição de jogo, o Benfica é naturalmente mais forte neste plano, e o Sporting está mais dependente do trabalho específico. O jogo acabou por se definir numa zona em que a equipa leonina parecia insuperável com a presença de Onyewu. Foi por ali que o Marítimo criou grande parte dos seus lances, na vitória em Alvalade, mas com o americano esse problema parecia resolvido. Ora, foi precisamente no pior momento que Onyewu se mostrou vulnerável no controlo desse espaço.

- O equilíbrio, claro, terminou com a expulsão de Cardozo. Aí o Sporting passou a ter um domínio claro e consentido também. É verdade que o Benfica controlou sempre bem o jogo, é verdade que o Sporting não revelou grande lucidez na circulação, nomeadamente centralizando muito os médios e criando poucas situações de apoio nos corredores laterais. Mas também é verdade, apesar disto tudo, que criou oportunidades suficientes nesse período para ter chegado ao empate. Se não o conseguiu não foi por qualquer fatalidade do destino, mas sim porque o futebol é mesmo assim, tanto pode dar umas coisas coisas, como outras.

- Individualmente, no Benfica o destaque principal tem de ser Javi Garcia, pelo golo decisivo e pela capacidade de intervenção num jogo que cedo ficou a seu gosto, exigindo-lhe muitos duelos aéreos e muito menos gestão da posse, onde é vulnerável. Mas também Aimar, que foi fantástico nos seus movimentos "entrelinhas" (ainda que nenhum chegasse a ter grande consequência objectiva), e Gaitan, quer pela capacidade de execução em dois momentos, quer pela notável capacidade de trabalho que revelou (sem surpresa, sempre revelou nos jogos que puxam por ele). No Sporting, Wolfswinkel trabalhou bem na frente, mas faltou-lhe aquilo que é mais importante para alguém da sua posição, ser decisivo na finalização. Elias, esteve estrategicamente mais próximo do holandês e justificou esse papel pelo sentido de oportunidade na área, faltando-lhe apenas a eficácia. Outra nota para Carrillo, que volta a dar sinais de ser um caso sério em potência, assim consiga evoluir na decisão, claro.
Ler tudo»

ler tudo >>

12.9.11

Benfica - Guimarães: opinião

ver comentários...
- Talvez o ponto mais interessante do jogo, do ponto de vista do Benfica, tenha sido a troca de Aimar por Saviola. Não porque seja "interessante" ver Aimar no banco, mas porque permitiu estabelecer diferenças. Em primeiro lugar, do ponto de vista dos comportamentos, pareceu-me haver uma diferença entre o posicionamento em organização defensiva. Witsel, que vinha pressionando na mesma linha de Javi, desta vez defendeu mais à frente, num posicionamento semelhante ao de Aimar, no 4-2-3-1 que marcou grande parte da "era Jesus". Essa foi a primeira diferença, embora tenha sido pouco relevante, porque o Vitória, estrategicamente, raramente construiu a partir de zonas baixas, preferindo iniciar os lances de forma directa

- Aproveitando a deixa, passo para aquilo que o Vitória fez. Ou tentou fazer, para ser mais correcto. A ideia passou, parece-me, por forçar que todas as jogadas, começassem elas do seu lado, ou do lado do Benfica, se iniciassem com um pontapé longo. Não surpreende a tentativa, já que com o Paços sempre foi essa a estratégia de Rui Vitória, trazer ruído ao inicio das jogadas. Faz todo o sentido, diga-se, frente a equipas tecnicamente mais fortes. Mas, ao Vitória, e ao porquê de entender que as suas intenções não foram bem sucedidas, voltarei mais à frente...

- Regressando ao Benfica, e passando agora ao momento de organização ofensiva. Jesus criticou o desempenho da equipa, apontando responsabilidades para Witsel, mas creio que foi injusto na sua apreciação. O Benfica trabalhou bem o ponto de saída e conseguiu, apesar dos esforços do Vitória para o evitar, criar boas condições para um primeiro passe de entrada no bloco contrário. De novo, e tal como o fiz em análises a jogos recentes, passo a estabelecer diferenças entre corredores. Do lado esquerdo, mais dificuldades. As dificuldades já identificadas, no fundo, que têm a ver com as diferenças de perfil dos diversos jogadores, para mais quase todos novos do lado esquerdo. Do lado direito, uma importância crescente dada à capacidade de rompimento de Maxi ao longo do corredor, notando-se também uma importância crescente dos movimentos interiores de Gaitan, reflectida uma maior frequência da ligação entre Luisão e o argentino, no primeiro passe. Finalmente - e aqui vem a grande diferença, a meu ver - o corredor central. Witsel não é um jogador de movimentos bruscos, que permitam abrir repentinamente metros para receber a bola, em construção. Nem, tão pouco, é um jogador com apetência para esse trabalho. A sua boa capacidade vem da aptidão para jogar sob pressão e para oferecer apoios com qualidade ao longo do processo ofensivo, e seja em que zona for. Ora, com Aimar, há uma movimentação mais ampla, com o 10 a procurar zonas mais recuadas e a conseguir complementaridade com Witsel, retirando o melhor do belga, e soltando-o para as acções sem bola, onde também é muito forte. Com Saviola, os movimentos tiveram uma amplitude mais curta, e restrita ao último terço, não havendo complementaridade com Witsel. Ou seja, o Benfica encontrou situações para ter um bom primeiro passe de construção (já volto a isto...), mas a única solução de ligação que encontrou foram as acções de Maxi e Gaitan, no corredor direito, levando a equipa para zonas demasiado laterais, e acabando dependente das situações de bola parada que conseguisse conquistar...

- Voltando mais atrás na construção, à criação de condições para o primeiro passe. Pareceu-me que o Vitória tentou o que entendo poder vir a ser uma estratégia óbvia: fechar o Benfica no seu corredor esquerdo. Não o conseguiu, porque a sua pressão lateral nunca foi capaz de controlar, em simultâneo as linhas de passe para Javi e Luisão. Aqui, parece-me que Javi pode ser um bom isco para quem pressiona o Benfica de forma lateral. O espanhol tem bastante dificuldade neste momento do jogo, e facilmente é levado a fechar os apoios, impedindo que a bola saia do corredor. Com uma presença especulativa na sua zona, é possível que Javi se sinta constrangido a fechar o jogo e não seja uma solução para inverter o ponto de saída do jogo. Interessante, quer sobre isto, quer sobre a forma como a equipa pressiona, será o teste frente ao Manchester. Se o Benfica pressionar em 3 linhas, poderá ter dificuldades com os movimentos de Anderson, na saída, e Rooney, "entrelinhas", porque os ingleses estão mais do que habituados a criar anticorpos para esse tipo de atitude pressionante. A verificar...

- Antes do Vitória, 2 notas individuais. A primeira para Cardozo. Participa pouco e normalmente de forma inconsequente, é verdade. Esta questão dos avançados, e da sua utilidade para além da finalização, tem sido algo a que venho prestando grande atenção. No caso de Cardozo, há algo que o torna extremamente útil, por serem acções potencialmente decisivas: a presença que tem na área, nos vários lançamentos laterais que a equipa conquistou. Depois, e de novo, Witsel, mas agora para falar do seu desempenho em termos de controlo das primeiras bolas. É mais uma mais valia que o belga acrescenta, porque o Vitória tentou, penso que intencionalmente, tirar a bola da zona de Javi/Luisão... Witsel, se não as ganhou todas, foi porque me escapou alguma. Já agora, neste plano, há que realçar as dificuldades de Garay, muito mal batido (ele e Artur, claro) no lance do golo.

- Finalmente, sobre o Vitória, referir que não me parece ter feito um bom jogo, e que acabou por ser feliz em discutir o resultado até final. Não é difícil projectar um crescimento grande desta equipa, que terá boas condições para fazer um campeonato melhor do que na época anterior. Porque Rui Vitória deverá fazer evoluir a equipa para outros desempenhos ao nível do pressing e transição (relativamente ao que se viu neste jogo), e porque tem Nuno Assis, Urreta, Pedro Mendes e Soudani(?) ainda na porta de entrada da equipa. É curioso o perfil de alguns jogadores desta equipa, que reflectem o tipo de abordagem ao mercado que foi escolhida. Faouzi, Barrientos e N'Diaye são, todos, jogadores de excelentes características brutas, mas sem o 'pedigree' que serem mais valias a este nível. Se haverá margem para lhes dar essa evolução, não sei, mas sei que, assim, tê-los em campo é sempre um acréscimo de descontrolo e imprevisibilidade, em todos os sentidos...
Ler tudo»

ler tudo >>

31.8.11

Nacional - Benfica: opinião

ver comentários...
- Começo pelo sistema. Jesus diz que é igual, que Witsel só vem dar outra característica, outra capacidade de recuperação. Jesus saberá, seguramente, melhor do que eu, mas vou, ainda assim, deixar a minha leitura, parcialmente discordante, porque, mesmo podendo estar errado, só posso concluir o que constato. O Benfica mantém, de facto, a sua dinâmica, com bola. Hoje, mais do que no passado, há uma aproximação grande de Javi à primeira linha de organização, e 3 dinâmicas preparadas, uma para cada corredor. E, para além das características, nada muda. Witsel faz de Aimar, e Aimar de Saviola. Já sem bola, é diferente. Em organização, isto é. O Benfica defende em 3 linhas. A primeira, com Aimar e Cardozo (pressionam a primeira linha de organização, em simultâneo), a segunda com Witsel numa função simétrica a Javi, e a terceira, a linha defensiva. No 4132 anterior, Aimar pressionava à frente de Javi, nas costas dos avançados. Não havia simetria, Aimar fechava tanto à esquerda como à direita. E Javi, nas suas costas. Sobre a primeira parte, da organização ofensiva, sou favorável. Já o escrevi. Witsel é fantástico e acrescenta maior critério à progressão, o que pode fazer perder alguma vertigem e, talvez, alguns desequilíbrios, mas mantém grande qualidade e, sobretudo, muito maior segurança em posse (um problema crónico do Benfica). Já sem bola, continuo com as minhas reticências. Vejo o Benfica pressionar numa área que me parece muito ampla para 3 linhas, e vejo muito espaço entre estas. Um teste interessante vai ser com o Man Utd, que está habituado a lidar com "fórmulas" para ultrapassar esta disposição defensiva.

- O jogo tornou-se fácil, fundamentalmente, por causa da eficácia, porque, até ao golo de Cardozo, o Benfica tinha sentido muitas dificuldades (e só voltou a criar perigo depois da expulsão). E posso começar por aqui. Se o Benfica tem o melhor ataque do campeonato, deve-o muito à sua eficácia. Em relação ao número de oportunidades (17), a equipa conseguiu concretizar mais de 40%, alicerçando este seu bom aproveitamento, sobretudo, nas situações de origem em cruzamento (4 golos e 50% de eficácia, em relação às oportunidades). Precisamente, a forma como chegou ao golo na Madeira. Também pelos dados fornecidos pela Liga, se confirma este bom registo, com o Benfica a ser 3ª equipa mais eficaz, face às oportunidades que cria. Apenas Gil Vicente e Beira Mar superam o registo encarnado. Só os golos dão tranquilidade, e este jogo prova-o bem, e sem eficácia dificilmente essa tranquilidade existirá de forma consistente. Aqui, neste inicio de época, os méritos principais dividem-se entre Cardozo e Nolito.

- De volta às incidências do jogo, de facto, o Benfica sentiu muitas dificuldades nos primeiros minutos. Isto, porque a estratégia do Nacional forçava o Benfica a jogar em organização, e conseguia condicionar a construção. O Benfica fez golo praticamente na primeira vez que ligou o seu jogo, porque, até aí, nada se vira (e não me refiro ao nevoeiro). Ou melhor, viram-se dificuldades. Há um ponto de viragem, aqui, que, entendo, possa ter sido detectado por Jesus por volta dos 15-20 minutos. E explico... O Nacional não condicionou o tempo de passe sobre a primeira linha. "Entregou-o" aos centrais. O que fez, foi cortar a linha de passe entre os centrais, colocando aí Rondon, e criando depois um bloco denso na zona intermédia. Não alto, mas médio. Talvez, sugere-se-me, algo inspirado no que faz o Porto, mas sem a mesma qualidade. O que aconteceu, nos primeiros minutos, foi que Javi baixou, como normalmente faz, para a linha dos centrais. Ora, isto implicou que a presença de Rondon, apesar de meramente posicional, inviabilizasse 2 apoios (Javi e o central do lado oposto à bola). Com isto, não só o Benfica não mudava o ponto de saída, facilitando a concentração do bloco do Nacional num dos lados do campo, como se via obrigado a construir pelas alas, já que Witsel e Aimar, ficavam em inferioridade numérica e com muitas dificuldades para receber. O que fez Jesus? Adiantou Javi. Os efeitos, estão espelhados na jogada do golo, mas, na realidade, alastraram-se ao resto da partida. Com a subida de Javi, Rondon passava a inviabilizar apenas 1 apoio (o central do lado oposto), mas não inviabilizava Javi, que passava a estar noutra linha. Não só o Benfica passou a poder mudar o ponto de saída da bola, ligando corredores, através de Javi, como, e mais importante, passou a poder construir pelo corredor central, e tirar partido dos movimentos de Witsel e Aimar. Isto, porque Javi passava a ser mais um ponto de controlo para os médios do Nacional, que passavam a defender numa área mais ampla, e com mais um apoio por controlar. O golo, e a eficácia, trouxe tranquilidade para gerir, sem sentir a necessidade de forçar. Mas foi este detalhe que ditou, em definitivo, o arranque do Benfica para o domínio da partida.
Ler tudo»

ler tudo >>

23.8.11

Benfica - Feirense: opinião

ver comentários...
- "Vitória sofrida". A adjectivação, desde já, não é questionável. O "sofrimento" é uma emoção, e as emoções sentem-se, não se discutem. Esse é o primeiro ponto de reflexão que gostaria de deixar. Ou seja, a importância da emoção, e a sua sobreposição sobre razão, na definição da percepção que temos sobre o jogo, e os seus protagonistas. Fica, realmente, a sensação de que o Benfica poderia ter deixado escapar os 3 pontos em cima da meta, mas isso não quer dizer que tenha feito pouco para ganhar. Pelo contrário, somadas todas as incidências do jogo, os 2 golos de vantagens dão, até, maior justiça ao marcador. Recuperando a breve introdução filosófica, e como qualquer especialista em inteligência emocional seguramente concordaria, é importante manter-se uma capacidade critica e de auto reflexão, em relação à influência da componente emocional na percepção que temos sobre o jogo.

- Entrando no jogo, propriamente dito, a primeira parte deu-nos um Benfica dominador e consequente, em termos de proximidade com o golo. Tipicamente, diria, o Benfica tem um objectivo primordial neste tipo de jogos: chegar ao último terço. Se o fizer, tem, depois, tudo para ganhar vantagem no jogo. Não só pelo talento, mas, sobretudo, pela forte reacção à perda, e, também, pela força que tem nas bolas paradas. É essa a história da primeira parte: foi superada a fase de construção e, com maior ou menor brilhantismo, chegaram as oportunidades e as condições para ter acabado, logo aí, com o jogo.

- Apesar de ter sido bem sucedido nessa primeira parte, não creio que haja grandes motivos para euforias no que respeita à construção do Benfica. O Feirense mostrou-se estrategicamente preocupado com Javi, mas como Javi não é um ponto de saída primordial, facilmente o Benfica ultrapassou o condicionalismo na primeira linha, inclusive tirando partido do tradicional recuo do pivot, para alargar os espaços no bloco contrário. Não só o Benfica chegou com facilidade ao último terço, como não teve problemas de controlo de segurança em posse, nessa zona. De resto, há, na construção, um ponto a reflectir, e que recupero de algo que já havia escrito há pouco tempo. Tem a ver com a assimetria provocada pela saída de Coentrão. O Benfica mantém a sua filosofia de progressão, diria, em "atropelo". Ou seja, seja qual for o corredor escolhido para a saída, não há uma grande preocupação em trabalhar o espaço, e os jogadores forçam a entrada. É assim à direita, com Maxi, ao meio, com Aimar e Saviola mas, agora, não tanto à esquerda, com Capdevilla ou Emerson. Isto, porque nem um nem outro têm esse perfil. Particularmente, Capdevilla é um jogador mais criterioso e menos agressivo, ao contrário de Maxi ou Coentrão. Se, à direita, a bola circula, na maioria das vezes, de Luisão para Maxi e deste para o extremo, forçando a entrada mesmo que o lado esteja fechado, à esquerda esta sequência necessita sempre de um ponto de apoio interior. Se juntarmos aqui Garay, outra novidade em 2011/12, temos uma situação que será curioso acompanhar, em termos de evolução.

- E a segunda parte? Bom, em primeiro lugar, recupero a ideia do primeiro ponto. Isto, porque o Feirense marcou na sua primeira oportunidade, sendo esse um lance de enorme impacto emocional, mas que não reflectiu uma tendência acentuada no jogo. Depois, não é possível esperar que as equipas mantenham uma intensidade constante e tão elevada ao longo de 90 minutos. Ou melhor, é possível, mas não é provável. Por isso, a importância de se ser eficaz quando a oportunidade surge. De resto, o Feirense fez-se sentir junto de Artur, quase sempre em situações de transição rápida, sobretudo após lances de bola parada, do lado contrário. Onde, talvez, mais motivos existam para preocupações, é na dificuldade que o Benfica voltou a demonstrar para gerir o jogo, e se colocar a salvo do sobressalto. Repare-se na melhor ocasião do Feirense, já com 2-1: o Benfica sai pela direita, com Maxi a dar em Perez e, de imediato a fazer o "overlap", retirando apoio ao argentino, que recebeu pressionado, e de costas. É o tal futebol de "atropelo". Não há nada a apontar em termos técnicos, mas o ponto é mesmo esse. A equipa preferiu o risco da progressão impulsiva (em que é muito forte, não confundir), e expôs-se ao mérito que o adversário pudesse ter em transição, caso a iniciativa encarnada não fosse bem sucedida. Valeu que, no caso, o mérito do Feirense só durou até à finalização, mas fica mais um exemplo da forma como o Benfica cria condições para a transição adversária, ao não trabalhar o critério em construção.

- Uma nota final para duas situações. A primeira, tem a ver com a substituição de Witsel por Gaitan. Não parece, de facto, fazer muito sentido a alteração com 1-1 no marcador. Witsel, creio que é praticamente consensual, é uma mais valia que deve fazer parte da solução principal da equipa. O ponto aqui é que Jesus não parece saber muito bem o que fazer com as suas soluções. Não inclui o belga nas opções iniciais e, depois, sente-se obrigado a lança-lo, fazendo-o numa altura em que a equipa precisava mais de criatividade e não tanto de consistência e equilíbrio. A segunda, tem a ver com a importância que tem a eficácia e a presença de elementos que possam materializar o ascendente naquilo que, realmente, é o objectivo do jogo: o golo. Refiro-me, claro, a Cardozo e Nolito.
Ler tudo»

ler tudo >>

18.8.11

Que falta fazem os goleadores?

ver comentários...
Na verdade, o título é ambicioso. Assumidamente, esclareço já, para não haver confusões. As razões, deixo-as a seguir...

"Desses, qualquer um marca!", ou, "Não marca, mas contribui para o colectivo". São algumas das expressões ouvidas, nas várias discussões sobre avançados. O tema é actual, porque se fala da eminente saída de Falcao, de Cardozo e, até, de Postiga. Quanto marcam, todos sabem. Mas, quanto marcam as suas equipas quando eles jogam? Ou, quanto marcam quando eles não jogam? Melhor... qual é a diferença entre quando jogam, e não jogam?

E é isso que trago, quanto marcaram as equipas (não eles, mas as equipas, reforço), quando eles estiveram em campo, e quando não estiveram. E a diferença. Para os 3 casos do momento, e para mais 2, os últimos grandes goleadores a sair do campeonato.

E, agora, explico porque o título é ambicioso. Porque a análise precisa de consistência e coerência. Consistência, no número de observações, coerência, no enquadramento das mesmas. Coerência, tento garantir pela observação, apenas, de jogos da Liga Portuguesa, onde a tipologia de jogos é mais estável. Coerência, ainda, porque todos os jogadores analisados foram utilizados com frequência. O problema maior vem da consistência. São precisos muitos jogos para diluir efeitos de casos pontuais. Os 10 jogos que Falcao não jogou, são muito pouco consistentes. Os 38 de Liedson, muito mais conclusivos. Ainda assim, o ponto mais importante é que as regras são simples e iguais para todos, pelo que não há favorecimentos à priori. Quanto ao resto, ajustem, a gosto, as margem de erro.

Conclusões? Cada um tirará as suas. Eu tenho as minhas, mas não faço questão de as partilhar. Apresento apenas os dados, que são factuais, e espero que eles possam contribuir para alguma coisa. Porque deviam. Apenas uma ressalva: o grau de impacto pela ausência dos jogadores tem a ver com a qualidade de quem os substitui. Ou seja, não é por um jogador ter tido um grande impacto, no tempo em que jogou num clube, que fará falta no futuro. Depende de quem o venha a substituir. O caso de Lisandro (substituído por Falcao), é um bom exemplo.

ler tudo >>

17.8.11

Twente - Benfica, a minha visão sobre 3 golos...

ver comentários...
Não irei fazer uma análise ao jogo, mas ficam aqui alguns apontamentos, partindo de 3 dos golos do jogo de ontem. Curioso como se recuperam tantos temas que aqui tenho abordado recentemente...

Golo 1 - O espaço entre sectores! Não só entre as linhas média e defensiva, o caso mais evidente e grave, mas também entre a primeira e segundas linhas de pressão. Recupero, sucintamente 2 ideias: 1) O Benfica defende pior em 442, do que em 4132, e isso continuará seguramente a ter consequências. 2) O problema principal não é o número de jogadores, mas a coerência de comportamentos, de sector para sector. Daí o "espaço entre sectores"...


Golo 2 - A importância da presença de Aimar, na primeira linha do pressing! Não é um pormenor, é decisivo. Sei que não é tão divertido falar disto como poetizar sobre o que os jogadores fazem, ou não, com a bola nos pés, mas, lamento, o futebol define-se em aspectos objectivos, e não em prosas criativas. Encarando Cardozo e Saviola como as alternativas em equação, não há como não pensar que a presença de Aimar na primeira linha de pressão é fundamental. Não apenas por estes exemplos mais flagrantes, mas por muitos outros, que determinam o constrangimento da saída de bola contrária. Outro plano para que havia alertado tem a ver com a importância de Cardozo, como elemento decisivo, pela capacidade goleadora que tem, e que não encontra paralelo no plantel encarnado. Cardozo deve ser potenciado, sim, e pode-se-lhe exigir muito mais, mas enquanto não houver quem garanta a sua capacidade concretizadora, é muito complicado tirá-lo. Felizmente, para o Benfica, que Jesus percebe bem o valor de ter quem "tem golo".

Golo 3 - Lançamentos laterais! Um tema recorrente nos últimos tempos, porque, de facto, têm acontecido muitos desequilíbrios a partir deste tipo de situações. Criando-se uma zona de atractividade junto à lateral, é fundamental, para quem defende, não deixar sair a bola dessa zona de controlo. Particularmente, se vier para dentro, para o espaço "entrelinhas", o preço pode ser enorme. No Twente, destaque, primeiro, para a pouca preocupação que o jogador, que divide o inicio do lance com Witsel, tem para controlar o espaço interior. Roda no sentido contrário, da linha, e isso determina que fique fora do rota da jogada, que o centro como destino. Depois, várias incongruências no comportamento da linha defensiva, que são típicas do futebol holandês, muito débil neste particular. Um central fecha dentro, o outro baixa na profundidade, sem respeitar a linha colectiva para recorrer a uma tentativa de fora de jogo que, neste caso, devia ser trivial. O lateral mais distante demasiado aberto, e, aparentemente, pouco importado com a coerência colectiva do seu posicionamento.
Outro pormenor, claro, é a qualidade de Witsel. Satisfaz-me, confesso, que se tenha confirmado o valor que previra. Finalmente, nota para Nolito. É um caso diferente, obviamente, mas, tal como Cardozo, enquanto se mostrar sustentadamente decisivo, não há como questionar a sua utilidade. Gostava de o ver testado na frente, em determinadas situações. Tenho curiosidade (e incerteza, também...) sobre a sua capacidade de resposta, desde que o analisei no Barcelona.

Ler tudo»

ler tudo >>

12.8.11

Benfica 2011/12: balanço de pré época

ver comentários...
Chamo-lhe "balanço de pré época", mas, na verdade, a análise é centrada nos últimos 3 jogos, 2 deles já oficiais. O que pretendo, e tal como fiz para o Sporting, é fazer uma análise dos sinais que são dados nesta altura, e a poucas horas (mesmo poucas!) de se iniciar a prova mais importante do calendário competitivo.

Melhor ou pior? - Raramente vemos algum responsável dizer que a "equipa está mais fraca", assim de forma directa. Por aqui argumento que o "este ano estamos mais fortes" que, invariavelmente, ouvimos antes do arranque oficial de cada temporada, tem, na prática, um valor muito reduzido, para não dizer mesmo nulo. A pergunta é: está o Benfica realmente mais forte? Que tem "mais soluções", como tanto salienta Jesus, é inequívoco, mas, no futebol, só jogam 11 de cada vez, e também é verdade que, quando olhamos para o melhor 11 da época anterior, perdeu 3 unidades de que não abdicaria por motivos estritamente técnicos: Coentrão, David Luiz e Salvio. Mas, e porque o futebol não se resume a um simples contar de espingardas, há, a vários níveis, uma série de incógnitas sobre aspectos decisivos e que não têm a ver, apenas, com o potencial individual. De todo o modo, e basta recordar o sentimento global de há 1 ano (o Benfica era campeão e favorito à revalidação do título), para perceber que a expectativa de hoje, não é de uma época mais fácil do que a anterior. Ou seja, para ser mais bem sucedido, o Benfica terá de ser substancialmente mais competente, seja com que jogadores for.


Baliza, uma evolução valiosa - Escrevi-o na antevisão à sua contratação, e mantenho a ideia de que os problemas na baliza serão resolvidos com Artur. Mesmo com Eduardo, regressar-se-á, pelo menos, a um rendimento de mínima estabilidade. Este pormenor pode não ser irrelevante, se atentarmos ao impacto negativo que tiveram os desempenhos dos guarda redes encarnados na época anterior.

Sistema, haverá novidades? - Há, nesta altura, fortes indícios de uma tentativa de mudança de sistema base. Porque Jesus reconhece a necessidade de oferecer mais apoio posicional à zona do pivot, e porque, talvez mais relevante ainda, Witsel se revela como uma mais valia incontornável, tendo sido como médio que o treinador projectou a sua integração na equipa.
Já escrevi que o Benfica faria bem em ter um modelo base em que se sentisse seguro para todos os jogos e não, apenas, para os considerados mais acessíveis. Pode ser o 4-4-2, que Jesus tem ameaçado, pode ser uma variante mais próxima do 4-1-4-1, como pareceu tentar na recta final frente ao Arsenal, ou pode ser, mesmo, o 4-1-3-2, garantindo outro tipo de resposta em termos defensivos. Mas, e este é o ponto principal, não basta mudar, ou pensar que, mudando apenas a estrutura, se garante mais qualidade. Por exemplo, o 4-4-2 que Jesus vem tentando parece ter muitos mais problemas de resposta defensiva do que o 4-1-3-2 habitual. Mais sobre a minha visão sobre isto, adiante...

Problemas defensivos - Começando pelo 4-1-3-2 actual. Existe um problema base, que tem a ver com estrutura aberta dos alas, a liberdade do 10 e, consequentemente, a exposição do pivot. Este problema é, supostamente, contornado pela agressividade do pressing. Se a equipa for agressiva e reactiva a pressionar, seja em organização, seja em transição, o pivot não tem de ser exposto. Porque, se o adversário for condicionado na sua construção, a linha defensiva tem condições para subir, fechar o espaço e adoptar, ela própria, uma postura pressionante. O problema do Benfica é que a equipa tem perdido, progressivamente, reactividade e agressividade defensivas. Primeiro, pela saída de Di Maria e Ramires, e, depois, pela passividade crescente de Saviola e Cardozo, na primeira linha.
O 4-4-2, por outro lado, revela-se, a meu ver, ainda mais problemático, nesta altura. Os problemas já foram realçados no vídeo sobre o jogo com o Arsenal, e têm a ver com o comportamento do corredor central. A equipa pressiona em 3 linhas, não parecendo haver a melhor prioridade na acção de pressão, partindo cada linha para a pressão activa, sem cuidar, primeiro, da coerência posicional em relação ao sector que actua nas suas costas. O resultado, tem sido o espaço entre sectores que ditou, não apenas as jogadas já revistas contra o Arsenal, mas a construção da melhor ocasião que o Trabzonspor teve na Luz. Há, aqui, um jogador que ajuda a corrigir este problema, Aimar. Revela, não só uma agressividade e efectividade muito maior do que Saviola e Cardozo, mas revela, também, uma permanente preocupação com o espaço nas suas costas.
Outro problema defensivo, vem da época anterior, e tem origem no critério da equipa em posse. O Benfica acumulou muito mais perdas de risco do que Porto e Sporting na liga passada, e, embora não me pareça (sublinho, "pareça"!) que tenha sido, este devia ser um tema prioritário para esta época.

Comportamentos ofensivos - O primeiro ponto a explorar, é a tendência actual da equipa para colocar 3 jogadores na primeira linha de construção, com Javi a baixar para a zona dos centrais. Esta solução é identificada, por exemplo, no Barcelona e no Porto, mas tem, no Benfica, uma consequência completamente diferente. Enquanto que, nos exemplos referidos, a ideia passa por colocar os laterais em profundidade, fazendo os restantes jogadores criar linhas de passe interiores, no Benfica verifica-se, uma predominância da ligação central-lateral, para primeiro passe se saída. Não é exclusivo, já que se vê, também, movimentos interiores dos extremos (Gaitan e Perez, sobretudo), mas é normalmente o que sucede. Por exemplo, a influência de Aimar e Saviola tem sido menor em situações de ataque posicional.
A consequência, é uma convergência para espaços mais fechados e uma dependência da capacidade dos protagonistas para "forçar" a penetração. Aqui, surge a mais grave consequência da saída de Coentrão, para a efectividade das saídas pelo corredor esquerdo.
Pessoalmente, diria que o Benfica pode trabalhar melhor o papel dos centrais, tanto mais que Garay se tem revelado num reforço significativo para a capacidade de construção. Assim, poderia também potenciar os movimentos de Aimar e Saviola no corredor central. Mas, qualquer evolução depende, primeiro, da definição da estrutura base da equipa.

Instabilidade emocional - Se, para Domingos, destaquei a resposta das suas equipas em termos de estabilidade e resposta emocional, no caso de Jesus, esse será, provavelmente, o detalhe que mais condicionará o sucesso das suas equipas. Basta pensar que, numa época, protagonizou a pior entrada na Liga de que há memória, sofreu uma goleada histórica no Dragão e perdeu de forma impensável em Israel, ou comprometeu uma final de Taça, sofrendo 3 golos em 11 minutos, sendo que, ao mesmo tempo e na mesma época, esteve às portas de uma final europeia, e protagonizou a maior série de vitórias da história do clube. Tudo isto, podia até ser um atípico caso acidental, mas não depois de todos os indícios do passado (eu próprio já tinha escrito sobre esta característica, na época anterior).

Opções individuais - Começando por uma referência aos reforços, sou da opinião de que o Benfica deve estar satisfeito em termos e qualidade, sendo que investiu muito, quer em valor, quer em quantidade. A questão da quantidade, porém, pode trazer 2 tipos de problemas. O sub aproveitamento de algum potencial por explorar (não pode haver revelações, sem oportunidades), e uma eventual dificuldade de gerir expectativas do grupo, ao longo da época (já escrevi sobre isto, no "Letra1").
Nas laterais, Emerson tem revelado uma excelente resposta a nível defensivo, denotando, porém, o tal problema já referenciado da dificuldade em corresponder às exigências da equipa, em termos ofensivos. Do outro lado, Maxi volta a rivalizar com Amorim, sendo que o português revelou alguns problemas neste seu regresso.
No centro, se Garay confirmar o rendimento e solidez reveladas (não analisei previamente), será uma grande notícia, sendo que lhe falta maior identificação com o comportamento posicional da linha defensiva, relativamente ao fora de jogo. Por outro lado, Jardel parece-me uma alternativa aos titulares mais consistente do que era Sidnei, há um ano.
No meio campo, Witsel tem confirmado em absoluto a minha análise prévia, sendo apenas indefinido o seu papel na equipa, já que seria um desperdício não o aproveitar (acabou o jogo com o Arsenal a lateral direito?!). Entre as novidades há, ainda, Matic. Foi um jogador muito elogiado no inicio da pré época e que, com franqueza, não conheço ainda o suficiente para considerações muito convictas. Do que vi, parece-me um jogador com mais potencial do que Javi em todos os aspectos do jogo, mas que não tem, ainda, o critério correcto para a posição onde joga. Se o adquirir (e se confirmar o meu prognóstico), poderá, realmente, ser uma ameaça para o espanhol.
Nas alas, muitas soluções. Gaitan, parece ser um indiscutível, face à sua confiança crescente e, claro, ao seu potencial. De Gaitan, porém, já escrevi suficiente. Entre as restantes opções, Perez parece-me a mais consistente (reparem na quantidade de faltas que consegue ganhar, assemelhando-se muito a Figo, na forma como protege a bola dos adversários). Mais "consistente", mas não necessariamente a melhor. Nolito tem revelado uma enorme capacidade para ser decisivo e, se a continuar a confirmar, não há forma de o riscar das melhores soluções. Sobre o espanhol, de notar o desenvolvimento de um movimento, aproveitando o ângulo do seu pé preferencial (direito), para fazer passes de rotura, que tem criado problemas aos adversários. Se incluirmos, ainda, a possibilidade de Jesus utilizar apenas 1 destes jogadores, parece sobrar muito pouco espaço para projectar Bruno César, ou quem quer que seja.
Na frente, a dúvida sobre o papel de Aimar. Reafirmo que, defensivamente, deve estar na primeira linha e que não deve ser o elemento mais próximo do pivot. Pelo menos com que isso, actualmente, implica. Noutro sentido, e tal como já escrevi, entendo estar Saviola. Não precisa de marcar para ser determinante, porque tem a capacidade de criar imenso, talvez mais do que qualquer outro. Foi isso que se passou, por exemplo, em grande parte da época anterior. A partir de certa altura, porém, essa capacidade desequilibradora evaporou-se, assim como a sua agressividade sem bola. Será pelo facto da equipa incidir cada vez mais nos corredores laterais? Talvez. O que é certo, é que, e na minha avaliação, o seu rendimento actual está muito longe de fazer dele o indiscutível e a mais valia que já foi.
Finalmente, Cardozo. Vou contrariar o que escrevi durante algum tempo, no inicio da época passada, porque, realmente, tendo a ver as coisas de outra forma. Cardozo tem uma relação com o golo que mais nenhum jogador do plantel garante (nem é fácil ir ao mercado encontrar). Se essa característica potencia, a prazo, a efectividade da equipa, que contra argumentos se podem utilizar? O facto, ainda assim, é que Cardozo tem oscilações de rendimento enormes, parecendo ser vulnerável à motivação de cada jogo, e cada momento. Diria que, em vez de tentar arranjar uma alternativa a Cardozo, o mais importante mesmo seria potenciar Cardozo, motivando-o.
Ler tudo»

ler tudo >>

25.4.11

Final da Taça da Liga: Estatística e análise

ver comentários...
- Os primeiros minutos indiciavam um jogo muito mais desnivelado do que aquilo que acabou por acontecer. A tentativa de pressing alto - recorrente na sua proposta de jogo - do Paços foi completamente ultrapassada pela circulação do Benfica, que em ataque posicional conseguia facilmente encontrar espaços para chegar até às proximidades da área de Cássio. O outro problema do Paços - e talvez o maior - teve a ver com o momento de transição. Ou seja, o Benfica conseguia fazer da sua reacção à perda uma parede que impedia o Paços de se desdobrar ofensivamente. É verdade que o conseguiu episodicamente, mas essas foram as excepções daquela que foi a regra dos momentos iniciais.

- O jogo conheceu uma viragem progressiva no seu equilíbrio de forças. Se na primeira parte, o Paços se foi soltando progressivamente da "teia" em que se viu apanhado no inicio, na segunda passou a ser a equipa com maior capacidade dominadora. Um "fenómeno" que, do ponto de vista do Benfica, não tem motivo justificável. Ou seja, pode-se admitir que a equipa tivesse ciclos de maior ou menor capacidade dominadora no jogo, mas também se exigia mais qualidade continuada ao longo do tempo. De repente, a sua posse passou a ser altamente condicionada pelo pressing do Paços (nunca mais usando o lado direito, tão activo na primeira meia hora), o seu momento de transição ataque-defesa deixou de ser autoritário, permitindo alguns desdobramentos ofensivos ameaçadores, e, talvez o ponto mais criticável, o desempenho em ataque rápido foi sempre muito fraco, mesmo em alturas em que havia todas as condições para tirar partido dos espaços. No jogo, voltou a percepcionar-se uma vulnerabilidade emocional às adversidades, especialmente na forma como a equipa vacilou após o golo do Paços.


- Para a inversão desta tendência de supremacia pacense, foram muito importantes as mexidas do banco, em particular a entrada de Airton. A partir dessa alteração, o Paços como que "congelou" a sua reacção. Encontro dois motivos para esta situação. Primeiro, e mais importante, o retomar do controlo total sobre o momento de transição ataque-defesa, com a presença de Airton a complementar a acção de Javi na reacção à perda. Depois, o tipo de circulação, que voltou a ser mais lateralizada numa primeira fase (tal como nos minutos iniciais), envolvendo o "pressing" do Paços antes de tentar entrar no seu bloco. Do outro lado, Rui Vitória também não foi feliz. Tentou colocar Nelson Oliveira como elemento de ligação meio campo-ataque, e libertar Rondon para acções mais exclusivamente de finalização, mas retirou unidades que estavam a ter um bom desempenho e acabou por (mais uma vez) revelar uma equipa menos forte quando sai do seu figurino base. Assim, e depois de uma boa reacção, o Paços limitou-se a esbarrar no "duplo-pivot" que Jesus introduzira, e as suas hipóteses de discutir o troféu goraram-se.

- Como balanço, o Benfica conseguiu o mais importante no momento, mas voltou a deixar indicadores perigosos para uma eliminatória decisiva e em que será importante ter, não só qualidade, mas também estabilidade emocional. A equipa conseguiu o mais difícil no jogo, ganhando uma vantagem segura e encontrando formas de se superiorizar a um adversário que lhe era francamente inferior, mas, mesmo assim, voltou a perder o controlo da situação. Não houve um grande número de erros em posse (problema recorrente), mas houve outro tipo de lapsos que condicionaram a equipa. Como nota positiva, e de novo, as bolas paradas. Continua a ser impressionante o aproveitamento desta equipa neste tipo de situações, sendo que, desta vez, quatro dos seis desequilíbrios surgiram por essa via.

- Individualmente, algumas notas. Luisão terá feito o seu pior jogo defensivo da época, compensando em termos ofensivos. Martins revelou-se uma boa alternativa para a ala, sendo um dos principais dinamizadores do melhor período da equipa (Estará apto?). Jara repetiu o grande problema já detectado frente ao Porto. Ou seja, a sua participação nos momentos de transição é constantemente ineficiente, tendo um aproveitamento baixíssimo nesse momento do jogo, e retirando potencial à equipa no aproveitamento dessas situações. Saviola e Cardozo, por outro lado, revelam-se em fases preocupantes. O paraguaio parece desmotivado, não revelando uma intensidade aceitável, como facilmente se constatou. O argentino, embora tenha procurado movimentar-se, teve um desempenho técnico medíocre e muito aquém do que dele se pode esperar. Durante muito tempo, as criticas a Saviola pela sua "seca" de golos eram injustas, pelo que criava e desequilibrava. Neste momento, porém, há poucos argumentos que valham ao 30.

- Sobre o Paços, guardo mais notas para uma análise que farei amanhã...
Ler tudo»

ler tudo >>

3.3.11

Benfica: notas individuais do derbi

ver comentários...
Javi Garcia – Claramente a “chave” do jogo, em termos individuais. Não só pelo golo – que não é de bola parada, note-se – mas sobretudo pelo domínio avassalador que exerceu no jogo aéreo na sua zona. Foi o jogador que mais lances ganhou e foi o mais importante no jogo de primeiras e segundas bolas que, como ontem escrevi, foi absolutamente crucial no jogo.

Cardozo – Elogiei o seu momento frente ao Marítimo, apesar de não ter marcado. Desta vez, de novo, destacou-se por ter falhado uma penalidade. Mas voltou a ter uma grande presença e influência, quer fora da área, quer fora dela. Repito, que nem sempre foi assim ao longo da época.

Luisão – Foi mais exposto do que Sidnei e respondeu quase sempre bem. “Quase”, note-se, porque não foi um jogo imaculado. Mas, sem dúvida, foi com Javi uma das grandes forças da equipa.

Coentrão – Voltou a estar eléctrico. Não foi soberbo, mas foi muito bom. Dentro do seu nível, que é elevadíssimo.

Salvio e Gaitan – Trabalharam bem, mas estiveram pouco inspirados ofensivamente, tanto um como outro, mas sobretudo Salvio.

Saviola – Havia referido que está longe da influência de alguns meses e voltou a demonstrar isso mesmo. A constante procura dos corredores laterais limita as suas acções, mas também é verdade que pode ter maior influência.

ler tudo >>

22.2.11

Sporting - Benfica: Análise e números (Benfica)

ver comentários...
Notas colectivas
Um pouco à imagem do que escrevi sobre o Sporting, creio que o resultado e a natureza do jogo conduzem a mais elogios do que aqueles que a equipa realmente merece. Isto, note-se, numa perspectiva relativa, ou seja, tendo em conta as expectativas e aquilo que já conhecíamos das equipas.

O Benfica venceu e confirmou, desde o primeiro minuto, a sua maior qualidade. Mas não foi um jogo especialmente bem conseguido ou de grande inspiração. Pelo contrário. Colectivamente, e sendo melhor como é, o Benfica permitiu que o Sporting encontrasse o caminho para recuperar alguma esperança, mesmo já estando em vantagem. Individualmente, e no plano ofensivo, poucos foram os jogadores realmente inspirados na equipa de Jorge Jesus. Salvou-se Gaitan e pouco mais.


A vitória foi construída um pouco à semelhança do que acontecera no Dragão. Ou seja, o pressing alto provocou dificuldades ao adversário e permitiu ao Benfica jogar a partir de recuperações rápidas na linha média. O domínio inicial garantiu-se assim, e o primeiro golo também.

Confesso, porém, que esperava mais do Benfica a partir do 0-1. Não imediatamente, porque a equipa começou por manter a mesma toada, mas, mais perto do intervalo, quando a equipa permitiu ao Sporting um jogo de mais espaços e de maior dependência da inspiração individual. Se uma equipa é mais forte colectivamente e está em vantagem, tem tudo a ganhar com relegar o jogo (e o adversário) para os momentos de organização, evitando os de transição. Porque é nos momentos de transição que há menos organização e, por consequência, mais incerteza no destino das jogadas. O Benfica permitiu-o e colocou-se a jeito de um volte face no jogo. Sem necessidade.

Importa também comentar a situação de inferioridade numérica. Em relação à substituição e à opção por Saviola, nada de surpresas. Parece-me lógico que se abdique de um avançado, mas discutível que seja Saviola em vez de Cardozo. Essa é, porém, sempre a opção de Jesus. Resta saber exactamente porquê: Cardozo não garante maior capacidade defensiva, nem melhor aproveitamento da profundidade. Pelo contrário, a equipa perde nessas 2 componentes. Garante, sim, maior capacidade de choque perante a marcação e maior presença nas bolas paradas, mas entre as duas hipóteses parece-me discutível que se privilegia esta última.

De resto, o Benfica beneficiou – do mal o menos – de ter tido a expulsão à beira do intervalo. O descanso serviu para evitar o risco de um descontrolo emocional e a equipa regressou consciente do seu papel em termos tácticos. Regressou, até, mais lúcida do que quando jogou com 11. Não é uma surpresa, porque se há coisa onde este Benfica é forte é na sua capacidade posicional. É, porém, importante salientar também a relevância da eficácia ofensiva para o controlo do jogo. O Benfica controlou sempre bem o adversário, mas poderia ter sofrido bem mais não fosse o golo de Gaitan (na única oportunidade clara da equipa depois do 0-1, diga-se). Uma coisa seria encarar a recta final com 1 golo de desvantagem, outra foi, como aconteceu, fazê-lo tendo pela frente um adversário emocionalmente derrotado. Assim, tudo pareceu muito mais fácil.

Notas individuais
Maxi – Continua a confirmar a sua subida de forma. É, aliás, um dos jogadores em melhor momento.

Luisão – Outro que continua num rendimento elevadíssimo. Impecável.

Javi Garcia – Um dos melhores jogos da temporada. Muita presença sem bola, quer no meio campo, quer no apoio aos centrais. Não foi forçado a construir com muita frequência e isso é um alívio porque costuma ser nesse capítulo que mais compromete.

Carlos Martins – Um exemplo de como, apesar da vitória, o Benfica não esteve especialmente inspirado.

Salvio – Marcou e foi útil defensivamente. Mas esteve longe de fazer um grande jogo.

Gaitan – O melhor em campo, sem qualquer dúvida. Cumprindo defensivamente, como é hábito, e sendo a grande fonte de inspiração da equipa em termos ofensivos. Quer nas combinações e iniciativas sobre o seu flanco, quer nos cruzamentos que foi tirando.

Cardozo – Teve poucas ou nenhumas oportunidades, mas trabalhou sempre bem sem bola, confirmando a tendência de ser mais útil nos grandes jogos.



Ler tudo»

ler tudo >>

15.2.11

Benfica - Guimarães: Análise e números

ver comentários...
Avassalador! Haverá certamente outros adjectivos para classificar a exibição encarnada, mas não é adjectivação que me parece mais importante no balanço, quer do jogo, como do momento da equipa. Tem sido um ano realmente interessante do ponto de vista da análise: uma equipa que era – como agora volta a ser – demolidora, quebra subitamente os seus níveis de performance, voltando depois a recuperar os níveis mais altos, com uma série de vitórias. Salvo novas evidências – e continuarei obviamente a acompanhar – o “caso Benfica” está para mim encerrado. O seu problema nunca foi táctico ou individual – os motivos que, como tanto tentei explicar, erradamente foram mais apontados. O seu problema foi sempre emocional. É que este Benfica de Jesus, tacticamente forte e tecnicamente rico, é “confiançodependente”!

Notas colectivas
A importância da confiança no jogo do Benfica explica-se pela forma como a equipa privilegia a velocidade sobre o critério nas suas acções. Ou seja, os jogadores tentam sempre imprimir um ritmo muito elevado no jogo, verticalizando o mais rapidamente possível, mesmo que esse nem sempre seja o caminho mais seguro para avançar. A importância da confiança está nos índices de sucesso de cada acção: isto é, quando a equipa está bem, torna-se muito difícil de parar porque é muito forte em termos técnicos e tácticos. Quando está mal, porém, os riscos que assume tornam-se uma ameaça tremenda para o seu equilíbrio e recuperação defensivas.

Em relação ao jogo propriamente dito, há 3 aspectos que quero destacar na forma como o Benfica conseguiu a sua superioridade.

O primeiro tem a ver com a agressividade e capacidade reactiva à perda de bola. Muito agressiva toda a equipa, mas especialmente o corredor central. Javi e Aimar estiveram – como poucas vezes esta época – muito fortes na reactividade à perda, ganhando quase todos os duelos e dominando um corredor onde nem sempre estiveram em superioridade numérica. Este aspecto foi muito importante, obviamente, para manter a bola no meio campo ofensivo e não deixar o Vitória jogar.

O segundo aspecto tem a ver com a opção de utilizar quase exclusivamente os corredores laterais em ataque posicional. Javi baixou para a zona dos centrais, dando maior largura à circulação nessa linha, e Aimar apareceu poucas vezes a construir e muito mais a jogar a partir de posicionamentos mais adiantados (caso do 2ºgolo). A bola entrava quase sempre nos corredores laterais e nos extremos. Foi fundamental para o Benfica a produtividade destas combinações, quase sempre bem sucedidas. Há muito mérito da movimentação colectiva, algum demérito da falta de agressividade do Vitória, mas um também notável desempenho técnico dos jogadores, que conseguiram, muitas vezes, sair com bola de situações pouco favoráveis – mais uma vez, está aqui bem presente a importância da confiança.

O terceiro aspecto tem a ver com as bolas paradas. O Benfica é uma equipa com uma qualidade extraordinária neste plano. Extraordinária! A importância deste aspecto não está apenas circunscrito aos golos que consegue, mas estende-se também ao impacto emocional que os lances de perigo podem ter no jogo. Por serem situações emocionalmente intensas (de golo eminente) podem afectar os jogadores, positiva e negativamente, fazendo-os sentir mais confiantes ou inseguros, consoante o caso. Neste caso, isso pareceu-me importante. O Benfica, mesmo antes do golo (por sinal, conseguido de canto), fora ameaçador de bola parada e isso terá contribuído para o entusiasmo dos adeptos, para a confiança dos seus jogadores e para a insegurança do adversário. Isso reflectiu-se na grande diferença no desempenho técnico dos jogadores.

Sobre o Vitória, finalmente, importa dizer apenas que a equipa não esteve à altura das adversidades que lhe foram colocadas e sucumbiu à pressão a que foi submetida. Em termos tácticos, Machado optou por um 4-3-3 largo e pouco profundo, mas não foi por isso que o Vitória perdeu. Quando os jogadores não são capazes de controlar zonas em que têm superioridade, de dividir duelos directos e de manter um desempenho técnico que garanta, no mínimo, a segurança em posse, não há táctica ou estratégia que lhes possa valer...

Notas individuais
Maxi – Está num óptimo momento, crescendo com a equipa e, também, com o entendimento com Salvio. Já em Setúbal tinha sido dos melhores.

Sidnei – A influência decisiva é óbvia e suficiente para ofuscar, quase por completo, qualquer outro aspecto. Ainda assim, foi também um jogador importante a jogar em antecipação na fase em que a equipa exerceu maior domínio. Foi bom para ele entrar neste momento positivo, dá-lhe - a ele e à equipa - maior margem na integração.

Javi Garcia – Esteve mais junto dos centrais em posse, o que lhe valeu maior presença e também mais segurança com bola. Sem bola, esteve também bem e sobretudo melhor do que é hábito, contribuindo de forma relevante para o "sufoco" da primeira parte.

Aimar – Indiscutivelmente o melhor em campo, combinando influência decisiva com um desempenho táctico bem acima do que lhe vem sendo hábito. Porém, convém não confundir grandes exibições com grande rendimento continuado. Aimar vai oscilando o óptimo com o insuficiente e esse é o seu problema desta temporada. Por exemplo, em Setúbal, tinha tido uma prestação bastante fraca, com muita insegurança em zona de construção.

Gaitan – Marcou em Setúbal e vem assumindo maior protagonismo mediático. Digo, porém, que o seu rendimento nos últimos 2 jogos foi inferior ao que era hábito. Particularmente, quando o jogo fica fácil, Gaitan torna-se displicente. É giro, porque torna-se uma espécie de “show” individual, com calcanhares e pormenores deliciosos. A equipa é que não ganha muito com a atitude.

Salvio – Um rendimento global fantástico. Desequilibra, trabalha e ainda consegue manter níveis de concentração muito elevados a cada posse de bola. Dificilmente o Benfica arranjará outro jogador com este rendimento e com a sua idade.

Cardozo – Uma nota para ele, porque, apesar de não ter marcado e de ter desperdiçado um penalti, apareceu mais solicito no jogo colectivo. Algo que acontece muito raramente. É que, apesar de algumas considerações em sentido contrário, Cardozo trabalha normalmente muito pouco para a equipa, para além dos golos que marca. Acredito que muito menos do que aquilo que pode e deve fazer.



Ler tudo»

ler tudo >>

3.2.11

Porto - Benfica: Análise e números (Benfica)

ver comentários...
Notas colectivas
É mais engraçado falar-se de “vitórias tácticas” e outras coisas que tal. O facto é que os alicerces da vitória encarnada são, a meu ver, três: atitude, eficácia e qualidade. Sendo que a qualidade sempre esteve lá, só que quase sempre, e quase todos, só a vêm depois de saberem o resultado.

Quanto ao lado táctico, na verdade, não há assim tanta novidade. A equipa jogou em 4-4-2 clássico como já fizera em tantas outras ocasiões, nomeadamente nos jogos da Liga dos campeões. Mesmo frente ao Porto, no “pesadelo” do Dragão, havia apresentado uma linha de 4 no meio campo. Mas houve uma diferença, de facto.


No jogo para o campeonato, e apesar da tal aproximação de Martins a Garcia, não existiu qualquer preocupação em relação aos movimentos de Belluschi em largura. O argentino libertou-se algumas vezes e nessas ocasiões teve um impacto decisivo. Desta vez, Jesus foi precavido como já devia ter ido para o primeiro jogo. É que esse tipo de movimentos são comuns no Porto. Muito mais do que o nome do jogador, houve a preocupação de o alertar para o que teria de ser feito. O facto de ter jogado Peixoto, o que não é normal, ajuda a realçar a preocupação do treinador, mas ela podia ter existido mesmo mantendo Aimar ou Martins no meio campo.

De resto, e aproveitando a vantagem que conseguiu, o Benfica esteve sempre muito bem e ao seu nível. Conseguiu potenciar o erro do adversário e levar a melhor através da pressão e agressividade que introduziu. Depois, e com o passar do tempo, acabou por ter de assumir uma postura mais posicional, sobretudo após a expulsão. Durante muito tempo conseguiu evitar uma exposição dos centrais e quando o Porto os forçou a abrir mais pelos movimentos de Hulk, eles responderam bem, contando também com uma cobertura solidária da equipa.

É importante, finalmente, destacar o papel fundamental de Sálvio e Gaitan no desempenho táctico da equipa. Há algum tempo que venho escrevendo que os argentinos estão perfeitamente ao nível das exigências defensivas do modelo e que há uma visão tão generalizada como mal fundamentada sobre a sua utilidade táctica. Isso foi mais claro neste jogo, mas não foi novidade nenhuma.

Notas individuais
Coentrão – Espectacular actuação! De tal modo que, mesmo expulso, acho que merece o estatuto de melhor em campo. Discute-se se deve ser defesa ou médio, mas há jogos onde Coentrão parece ser defesa e médio ao mesmo tempo, tal a intensidade que coloca nas suas acções.

Luisão e Sidnei – Estiveram ambos bem. Melhor Luisão, sobretudo porque não cometeu alguns erros do seu parceiro, mas ambos estiveram bem. É certo que protegidos pela equipa, mas corresponderam bem quando foram forçados a sair da sua zona.

Javi Garcia – Marcou um golo importante e esteve bem na sua missão posicional. O facto da equipa não ter assumido um jogo com mais posse, ajuda-o porque claramente não se sente muito confortável nesse momento. Tudo somado, esteve praticamente perfeito em tudo o que fez.

Peixoto – Fez de facto um bom jogo. Cumpriu a missão específica sobre a esquerda e com bola também esteve bem.

Gaitan – As estatísticas indicam-no há muito e aquilo que aqui venho escrevendo deve começar a ser mais evidente com o passar do tempo. Mantém-se sem a intensidade (com e sem bola) que o poderia catapultar para outro rendimento, mas é um jogador de grande qualidade técnica e muito útil tacticamente, porque, simplesmente, se posiciona bem, no local certo e no tempo certo. Recuperou um número muito elevado de bolas apenas e só porque entende a sua missão táctica.

Salvio – Não teve o protagonismo de Gaitan no trabalho defensivo, mas é bom notar que também Salvio se relaciona muito bem com Maxi no corredor. Muito rápido a compensar o lateral e, mesmo que não tenha tido grande impacto no jogo, esteve bem na generalidade das oportunidades que teve para jogar.

Cardozo – A meu ver, não se justificava a sua permanência em campo depois da expulsão de Coentrão. Ainda assim, é de notar o esforço que fez na sua missão, conseguindo muitas vezes ser útil em situações muito complicadas, e quase construindo um golo praticamente sozinho. O ponto sobre Cardozo é que a sua capacidade de trabalho parece aumentar em jogos de maior grau de dificuldade. O que indicia que se lhe pode exigir noutras ocasiões onde até lhe é mais fácil fazer mais.



Ler tudo»

ler tudo >>

25.1.11

Benfica - Nacional: Análise e números

ver comentários...
A nova era de goleadas mantém-se na Luz. Desta vez, porém, com um sabor mais agridoce do que noutras ocasiões. É que, ao contrário de outros jogos, em teoria até mais difíceis, o Benfica consentiu demasiado ao adversário, acabando por ter de passar por uma ansiedade de todo inesperada para quem vencia por tão confortável margem. Jesus tentou desdramatizar, atirando a justificação para a natureza competitiva do jogo e o arrojo das equipas que defrontam o Benfica. Ficou dito e escrito, mas todos sabemos que, nem os adeptos, nem o próprio treinador ficarão convencidos com a explicação. O Benfica fez um bom jogo, mas a sua instabilidade na retaguarda – que tem motivos não novos e já aqui abordados – deve, de facto, preocupar.

Notas colectivas
Não há dúvida de que a confiança pode representar muito - quase tudo - para uma equipa. Repare-se na entrada do jogo e compare-se com outros casos, de outras fases, desta mesma equipa: o Nacional parecia ter entrado melhor, mas, à primeira aproximação que fez à baliza contrária, o Benfica marcou, acabando por “matar” praticamente o jogo, pouco depois.

Essa é a primeira nota sobre o Benfica: a sua confiança, que acrescida à qualidade dos intérpretes e à óptima dinâmica colectiva do modelo do seu treinador, leva sempre a uma grande facilidade para criar problemas sérios às defensivas contrárias. Aliás, e já que falo disso, é interessante notar como os intérpretes sempre lá estiveram e o modelo táctico também é o mesmo. Isto para assinalar que algumas infundadas criticas, tanto à falta de qualidade do plantel encarnado, como à previsibilidade do modelo de Jesus, parecem hoje esquecidas quando foram motivo para tanta tinta no inicio de época. É pena se assim for, porque quem não tem memória, também não aprende.

Mais interessante, porém, é falar do outro lado, do porquê de um jogo tão esticado, veloz e, sobretudo, o porquê de tantos embaraços junto da baliza encarnada? Aqui, volto a reforçar algumas ideias que vêm de trás, simplesmente porque continuo a ver nelas o principal motivo para esta situação. O Benfica recupera bem em transição e posiciona-se melhor em organização. O problema continua a ser o tipo de situações a que a equipa se submete. Continua a perder vários passes em zonas perigosas, potenciadores de ataques rápidos difíceis de controlar, e continua, também, a não ter grande noção estratégica em função das diversas fases do jogo. Nomeadamente, em vantagem e com o adversário a tentar reagir, convém não potenciar um jogo partido e privilegiar mais um ataque equilibrado e racional. Lá está, o problema é defensivo, mas tudo começa com o critério da equipa quando tem a bola em sua posse.

Notas individuais
Sidnei – Marcou 1 golo e teve intervenções importantes. Acho que é um jogador com potencial, mas também tenho a forte convicção que, se David Luiz sair, o Benfica poderá pagar um preço desportivo por isso. É que Sidnei, actualmente, não erra menos do que o David Luiz e tem a agravante de não ter, nem a capacidade física, nem o entrosamento posicional do ainda titular da posição. Jesus terá de puxar por ele, porque a zona central da sua defesa é fundamental, podendo abrir-se aqui um novo problema para a fase terminal da temporada.

Luisão – Na minha opinião, é o melhor central do campeonato até ao momento. Forte posicionalmente, certo com bola (embora neste jogo tenha cometido alguns erros), interventivo quase sempre na medida certa e, como complemento, ainda capaz de ser um terror sempre que se adianta nas bolas paradas. Perder David Luiz será mau, mas continua a ser bom ter Luisão.

Javi Garcia – A nota vai, sobretudo, para a sua titularidade. Na minha opinião, Airton justificava a continuidade da aposta, porque se apresenta muito mais útil em certos aspectos, como o papel de apoio em posse. Mas Javi regressou e cumpriu, dentro do que dele se espera.

Aimar – Outro regresso, este sim, bastante feliz. Não tem sido sempre assim ao longo da época, mas Aimar foi, na primeira parte, o 10 que o Benfica tantas vezes não teve. Sempre dinâmico com bola, e reactivo sem ela. O problema é que a época de Aimar tem sido demasiado inconstante, tanto em termos de presença, como em termos de consistência exibicional. Acabou por sair numa fase em que não estava já tão bem.

Gaitan – Joga com o ar de quem está no aquecimento e isso não lhe traz muitos amigos. É verdade que Gaitan não tem a melhor intensidade com bola e isso parece sobretudo um desperdício para o potencial que tem. O facto é que o argentino tem melhorado claramente em termos de entrosamento e consistência com o desenrolar da época. Cumpre muito bem o seu papel posicional – nomeadamente a relação com Coentrão – e é útil em todos os momentos do jogo. Para mais, e mesmo com a tal falta de intensidade, o seu talento é suficiente para desequilibre, marque e assista com uma regularidade assinalável. Goste-se ou não do estilo, está ser uma primeira época bastante boa.

Salvio – Ao contrário de Gaitan, a energia que coloca em cada jogada é suficiente para empolgar as bancadas, mesmo quando ainda nada aconteceu. O facto é que Salvio, sem fazer um jogo excepcional em termos de impacto decisivo, esteve muito bem ao nível da decisão, acabando por dar sequência à grande maioria das posses de bola que por si passaram. E esse é sempre um indicador positivo para quem, como ele, sente a pressão de trazer algo de novo em cada vez que tem a bola. Entre outras coisas, um indicador de confiança.

Saviola e Cardozo – Não vou falar do que fizeram com bola, até porque, quer num caso quer noutro, não se desvia muito do que é hábito. A nota vai para a pouca utilidade dos 2 – especialmente Cardozo – nos momentos defensivos. Uma equipa que quer ser dominadora tem de começar a sê-lo na capacidade de pressionar, quer em transição, quer em organização. Saviola e Cardozo dão muito pouco à equipa nesse aspecto e isso tem mais implicações do que possa parecer.

Ler tudo»

ler tudo >>

12.1.11

Leiria - Benfica: Análise e números

ver comentários...
Dizer que foi um jogo muito confortável é sempre um exagero para uma partida que passou a maior parte do seu tempo num resultado tangencial. A verdade, porém, é que entre Benfica e Leiria houve sempre um grande diferença no que respeita à proximidade com o golo. E esse, a meu ver, é sempre o indicador mais importante em qualquer jogo de futebol: a proximidade com o golo. Tudo somado, é Jesus quem tem motivos para sorrir.

Notas colectivas
Na verdade, a superioridade do Benfica, facilmente observável, não resultou de um domínio territorial avassalador, nem, tão pouco, de uma exibição soberba em termos técnicos. Resultou, isso sim, de uma mais competente ocupação dos espaços, para além, claro, das evidentes mais valias individuais que a equipa possui. Ou seja, a União conseguiu dividir o jogo territorialmente em diversos momentos, mas teve muita dificuldade em controlar todos os espaços do campo, especialmente quando a bola viajava rapidamente de uma zona para a outra.

De notar, por exemplo, que várias das mais perigosas jogadas encarnadas resultam do mesmo tipo de lance. Com a bola a ser colocada rapidamente nas costas do meio campo leiriense e a causar muitos problemas de equilíbrio no extremo reduto contrário. Isto, porque o Leiria ficava com pouca gente atrás da linha da bola e incapaz de controlar a largura do campo. Por isso vimos tantas vezes Gaitan aparecer solto na esquerda a partir de jogadas deste tipo.

Ainda assim, nem sempre o jogo foi igual. Na segunda parte, por exemplo, observou-se uma reacção positiva do Leiria, com maior agressividade e maior proximidade entre os jogadores nas zonas de pressão. O Benfica teve mais dificuldades em dominar o jogo – essencialmente porque foi ineficaz no momento em que ganhava a bola – mas é curioso observar-se que não foi nesse período que o Leiria foi mais perigoso. Aliás, à parte de um pontapé de canto, não teve qualquer chegada sequer ameaçadora à área encarnada, ao contrário do primeiro tempo.
Porquê, então, ter o Leiria chegado com mais condições à área contrária no período em que menos conseguiu dividir o jogo? A resposta é óbvia e recorrente no Benfica 10/11: porque na primeira parte o Benfica perdeu 6 bolas em zonas recuadas e na segunda não perdeu nenhuma. O problema da transição defensiva do Benfica não é, nem nunca foi, a recuperação em si mesmo. Foi, isso sim, a zona de perda de bola. Foi, e é.

Outra constatação que foi tirada no final do jogo teve a ver com associação da entrada de Ruben Amorim com um melhor período do Benfica. É verdade que coincidiram, é verdade que Ruben entrou bem e que era uma aposta que se justificava, mas, até pelo que escrevi antes, não entendo que o problema do Benfica na segunda parte tivesse a ver com o que fazia sem bola. Aliás, se o Leiria nunca se aproximou com perigo da área do Benfica, acho difícil sustentar essa tese. Teve, isso sim, muito mais a ver com aquilo que o Benfica não conseguira fazer com bola depois do intervalo. E, aí, não se pode dissociar as oportunidades na recta final do jogo com o risco táctico assumido por Caixinha. Tal como a entrada de Amorim, coincide com o melhor período do Benfica no final do jogo, só que, parece-me, tem um correlação muito maior com a alteração de tendência observada.

Em relação ao Leiria, é uma equipa que vejo cometer muitos erros posicionais nos jogos com os grandes. Está a fazer um excelente campeonato e continua a ter bons jogadores, mesmo depois da saída de Carlão e Silas, mas não tenho a certeza de que terá o mesmo andamento depois destas perdas. Falando de Carlão, aliás, é uma perda importante para o futebol português. Estava a ser um dos melhores avançados do campeonato e, não tenho grandes dúvidas, tinha condições para merecer a aposta de um “grande”. Apesar de ter ido para muito longe, tem ainda tempo para que possamos ouvir falar dele...

Notas individuais
Coentrão – Voltou a fazer um grande jogo, sendo apenas de se lamentar 2 más entregas no primeiro tempo que colocaram em risco a equipa. De resto, muito bom, quer a defender quer a atacar. É um dos melhores defesas esquerdos do mundo.

Javi Garcia – É como um relógio, tanto em relação à sua compreensão dos equilíbrios tácticos, como em relação às perdas de bola que acumula em todos os jogos. Francamente, custa-me a entender como continua a ser dono inquestionável do lugar quando revela tantas dificuldades com bola.

Carlos Martins – Não conseguiu ser um jogador determinante em termos ofensivos – frequentemente é – mas foi, com alguma distância, o mais participativo em termos de posse. Fez, em termos de eficácia em posse, um jogo ao nível da equipa, perdendo 1 bola comprometedora na primeira parte. Defensivamente, é o habitual: não tem grande capacidade de trabalho mas mantém, tal como todos, um posicionamento base correcto.

Gaitan – Foi fácil este jogo. Devagar, sem grande agressividade nem grande inspiração e, mesmo assim, cumpriu posicionalmente e foi determinante ofensivamente. Porquê? Porque Gaitan compreende bem onde tem de estar, quer com bola, quer sem ela, e porque tem um pé esquerdo que cruza como poucos (provavelmente o melhor da liga como já venho alertando há algum tempo). Apareceu no espaço certo, a bola ia-lhe sendo colocada e ele cruzava. O resto, todos viram...

Salvio – Não foi uma exibição eufórica como frente ao Rio Ave, mas Salvio vem confirmando a característica que lhe venho descrevendo: ou seja que é um extremo forte em zonas de finalização e que por isso se encontra facilmente com o golo. Fez uma assistência, criou a jogada do segundo golo e ainda perdeu mais 2. Não dá para pedir mais...

Saviola – Começou por ser o grande destaque do jogo pela frequência com que apareceu a desequilibrar. A sua invulgar qualidade de movimentos sem bola continua a fazer mossa com uma regularidade incrível e se Saviola tivesse outro nível de aproveitamento seria um destaque ainda maior. Na segunda parte não apareceu tanto e decidiu pior, com a equipa a ressentir-se. Nota para a pouca eficiência em termos defensivos.

Cardozo – Foi, durante muito tempo, muito discreto e, pessoalmente, gosto pouco de ver jogadores a passar tanto tempo longe do jogo. No entanto, e ao contrário do que muitas vezes acontece, manteve sempre uma participação positiva a cada intervenção, acabando por emergir em grande plano na recta final do jogo.

Ruben Amorim – Como escrevi atrás, a sua entrada justificava-se e justificou-se. Ruben é um jogador muito completo e que dava, em relação a Gaitan, maior agressividade e presença ao jogo. Mesmo, se não tem o mesmo talento. Numa altura em que se aguarda para ver José Luis Fernandez, arrisco que Ruben será o único jogador com capacidade para discutir, realmente, um lugar no meio campo com Gaitan, Salvio e Martins, até porque tem mais valias diferentes.



Ler tudo»

ler tudo >>

6.12.10

Benfica - Olhanense: Análise e números

ver comentários...
A pouca exuberância da exibição encarnada é tão indiscutível como a justiça da vitória. Ou seja, se é evidente para todos que furar o bloco algarvio não foi tarefa fácil, também fica bastante claro que foi sempre o Benfica quem teve o domínio do jogo. Aliás, de forma crescente no jogo. Neste contexto, haverá alguns dados quantitativos que deverão surpreender quem viu o jogo. Dados que evidenciam o tal domínio encarnado, mas que, bem vistas as coisas, faziam já parte do “filme” que estava preparado para este jogo.

Notas colectivas
Começando então pelos números: o Benfica conseguiu seu o maior número de passes completados num jogo, nesta liga. Conseguiu também a maior % de sucesso ao nível do passe, aqui com uma distância substancial em relação ao anterior máximo colectivo (76%, frente ao Paços). Tudo isto se torna um pouco mais normal se analisarmos o que o Olhanense havia feito, tanto no Dragão, como em Alvalade. Ou seja, também nesses jogos havia permitido uma enorme quantidade de passes aos adversários (mais de 400), mas havia também limitado a sua capacidade de desequilíbrio no último terço. Aliás, é de assinalar que Porto e Sporting conseguiram menos ocasiões frente à equipa de Olhão do que o Benfica.

Fica fácil de perceber, por estes números, que a proposta de jogo do Olhanense dificilmente causaria problemas à circulação baixa do Benfica – nunca causou. Mas é também fácil perceber que as dificuldades do Benfica no último terço não são apenas consequência de demérito próprio, mas o destino natural de quem defronta uma equipa tão confortável a jogar “em cima” da sua área, como é o caso do Olhanense.

O jogo só não teve uma toada mais monótona, logo desde o inicio, porque na primeira parte o Olhanense permitiu-se dar profundidade a algumas transições, colocando em sentido a defensiva encarnada. Situações que tiveram sempre origem em recuperações baixas, mas que, ou por displicência em posse, ou por desequilíbrio posicional do Benfica, acabaram do outro lado do campo, perto da baliza de Roberto. Algo que o Benfica corrigiu com o tempo, particularmente na segunda parte, controlando melhor o momento de transição do Olhanense e tornando-se mais seguro em construção – aqui, com a contribuição da maior segurança dada por Carlos Martins.

Corrigido esse problema, controlado o Olhanense e encontrado o caminho do golo – desvendado por Moretto – o jogo ficou realmente monótono. O Benfica continuou a tentar, Jesus experimentou algumas variantes ofensivas, mas a toada nunca fugiu da repetição de ataques posicionais perante um bloco baixo mas pouco permeável. Perante este cenário, o segundo golo explica-se pela aplicação do ditado da “água mole em pedra dura”, terminando assim com o jogo e com quase todo o interesse que o mesmo poderia ter.

Notas individuais
Maxi – Chegou tarde e não começou bem. Mas Maxi é um bom lateral, capaz de valer muito mais do que tem valido. Frente ao Olhanense fez, finalmente, um grande jogo. Estatisticamente foi o jogador mais participativo e teve, na segunda parte, um papel importante no controlo do primeiro passe de transição do Olhanense.

Coentrão – Continua a ser um excelente lateral, mas perdeu grande parte da sua confiança no jogo do Dragão. De lá para cá – e já vamos com 3 jogos – não foi protagonista de 1 só desequilíbrio ofensivo. Desta vez, Jesus até tentou abrir-lhe caminho, colocando Amorim muito tempo do seu lado, mas não foi desta que Coentrão voltou a explodir. Tem tempo...

David Luiz – Outro que, como Maxi, fez a sua melhor exibição em termos globais, na liga. Tem sido muito criticado e, de facto, não tem sido uma época condizente com o seu potencial. Estou de acordo até certo ponto, mas há muito exagero nas apreciações que lhe têm sido feitas. Muito, mesmo!

Javi Garcia – Continuo a pensar que não dá as melhores garantias para o lugar. É culto em termos posicionais e forte nas primeiras bolas. Mas não é, nem dominador na sua zona, nem seguro em posse – todos os jogos acumula perdas de bola em zona de construção. Numa equipa que procura tantas vezes verticalizar e que perde, por isso, noção da segurança em zona de construção, não era mal pensado se Jesus procurasse uma solução que oferecesse à equipa mais segurança e presença na construção.

Aimar – Permanece longe do rendimento da época passada e parece-me discutível se deve ser titular, tendo em conta o rendimento que vem apresentando. Fala-se muito nas alas do Benfica, mas parece-me que é no eixo Garcia-Aimar que o Benfica mais tem a perder em relação ao ano passado. Muito mais, aliás!

Gaitan – O mito de que é um jogador de corredor central, desfaz-se em 2 constatações. A primeira é que um jogador de corredor central não pode construir em transporte de bola, como faz Gaitan. As suas investidas em zona central podem desequilibrar, mas têm de ser controladas porque continua a perder algumas bolas de forma proibitiva quando aparece em construção (creio que foi por isso que saiu). A segunda constatação tem a ver com a sua capacidade de cruzamento: é o jogador que, para mim, melhor cruza no futebol português e isso é suficiente para lhe valer uma capacidade de desequilíbrio acima da média.

Ruben Amorim – Diz-se que a equipa ganha equilibro com a sua chegada. Concordo, sim, mas faço uma nota idêntica à que utilizo sempre com Moutinho. Ou seja, Amorim não é um jogador excepcional em nenhum aspecto específico. É, isso sim, um jogador útil em tudo. Tem uma óptima percepção táctica e posicional, quer ofensivamente, quer defensivamente, é seguro em posse e tem boa capacidade de trabalho. Neste momento, ninguém combina tudo isto no meio campo do Benfica.

Cardozo – Duvido que haja algum avançado no mundo que não jogue melhor quando marca golos. Desde que regressou, Cardozo está mais participativo (embora ainda não muito) e, sobretudo, bem mais inspirado e eficaz (não falo de golos, mas de todas as acções).

Paulo Sérgio – O Olhanense tem outros jogadores a observar, mas este mereceu-me especial atenção. Foi muito importante na melhor fase colectiva, aparecendo bem em transição e transportando a equipa para alguns ataques rápidos. Jogou muitas vezes solto e revelou boa capacidade de movimentação, boa intensidade sem bola e um notável critério com ela. Não lhe faço com isto uma avaliação definitiva, mas creio que nesta altura da sua carreira merece uma análise cuidada de clubes maiores...



Ler tudo»

ler tudo >>

AddThis