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9.11.11

Sporting - Leiria: opinião e estatística

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- À partida não se diria, mas parece-me que, por uma conjugação de factores, este passou a ser um jogo importante para o Sporting. Pela própria jornada, onde os rivais perderam pontos, pela necessidade de anular rapidamente o efeito da derrota no jogo anterior, recuperando o sentimento de um momento positivo, mas também pela fase da própria equipa, recentemente abalada por uma perda relevante e por uma série de indisponibilidades mais circunstanciais. A tudo isto, há que assinalar, juntava-se um Leiria que não é hoje o adversário simpático do inicio de época. A resposta podia ter sido percepcionada de forma bem mais positiva, como aconteceu noutros casos, mas, apesar disso, parece-me ter deixado muito boas indicações...

- O jogo teve fases distintas, mudando as suas características depois do segundo golo e das alterações do Leiria na segunda parte. Na primeira, porém, tivemos um domínio muito grande do Sporting, que foi estrategicamente consentido pelos leirienses, mas do qual o Sporting deveria ter extraído mais vantagens do que o empate que levou para o intervalo. Neste primeiro período, há que assinalar o bloco baixo do Leiria, sem grande preocupação de ter presença pressionante sobre a construção dos centrais, mas com um forte bloqueamento nos corredores, particularmente nas acções dos laterais, normalmente um ponto forte do jogo do Sporting. Aqui, parto para o primeiro destaque individual, que penso justificar Carriço. Com os laterais bloqueados, é importante que os centrais tenham a capacidade de serem eles a tomar a iniciativa de criar desequilíbrios com bola e com o espaço que lhes é permitido pela estratégia contrária. Capacidade e qualidade, claro. Carriço tem-na, assim como tem também grande capacidade para jogar em antecipação nos espaços interiores e na reacção à perda (ver origem do 2ºgolo). É um jogador que tem de facto problemas na resposta em lances aéreos dentro da área, mas essa, sendo uma lacuna potencialmente decisiva, não deve ofuscar o valor do jogador noutros capítulos do jogo, que é evidente. Já agora, e apesar do mau jogo frente ao Marítimo (novamente, pela resposta aérea), Carriço tem feito um campeonato muito bom.

- Depois, no curso do jogo, é interessante verificar o efeito marcante de alguns lances. A eficácia do Sporting, que voltou a ser muito elevada e que foi reflectida, desta vez, nos golos de Matias. E, do outro lado, quer o golo do Leiria, que resulta de um erro individual descontextualizado do curso do jogo, e que impediu, possivelmente, outro conforto do Sporting no jogo, e, mais tarde, o lance que poderia ter resultado em novo empate e que surgiu como complemento perfeito para a mudança que Cajuda estava a tentar encetar no jogo, após o 2-1. Lances que tiveram efeitos quer na resposta emocional dos jogadores, quer na percepção com que todos ficamos das exibições das equipas. Aliás, sobre a reacção do Leiria e encolhimento do Sporting, parece-me que há muito de emocional nessa reacção, isto mesmo contando com o bom posicionamento do Leiria na reacção à perda e com a ineficácia das alterações no meio campo do Sporting, no que diz respeito à qualidade do jogo ao nível do passe, quer em organização, circulando menos, quer em transição, sendo incapaz de ficar com bola mais tempo após cada recuperação de bola. Daí, o avanço territorial do Leiria e consequente "aperto" do Sporting em grande parte do segundo tempo.

- No Sporting, o dado mais importante tem a ver com a resposta do meio campo, que foi excelente. Com o duplo pivot, o Sporting teve, a meu ver, o melhor Schaars da temporada. Não ao nível do impacto ofensivo, porque não marcou nem assistiu, mas a nível defensivo, onde esteve muito forte (já tinha estado frente ao Feirense, em boa verdade) e sobretudo ao nível do passe, sendo finalmente um jogador consistente a esse nível, quer em termos de presença, quer no que respeita ao nível da eficácia, que como assinalei vinha sendo muito baixo. Não surpreende esta diferença, já que Schaars é marcadamente um jogador de primeira fase de construção e muito menos vocacionado para uma segunda fase ofensiva. Ao seu lado, Elias, com erros pontuais ao nível do passe, mas sem que isso possa afectar uma boa presença também a esse nível, que complementa com a sua extraordinária capacidade reactiva aos momentos do jogo, quer na recuperação, quer no acompanhamento ofensivo. Teoricamente, teve mais responsabilidades defensivas, mas 3 dos 6 desequilíbrios têm a sua participação directa. Finalmente, Matias que actuou na posição que me pareceu estar-lhe destinada com a chegada de Domingos. Não tenho como certo que o seu rendimento possa vir a ser consistente, por causa das lesões, mas também porque é preciso que a equipa o consiga potenciar no último terço, perto da zona de finalização, onde tem uma capacidade de definição e decisão que é terrível para as oposições. Mas, uma coisa é certa, se o Sporting conseguir potenciar este trio e se o tiver sempre disponível (porque não tem alternativas da mesma ordem qualitativa), esquecer Rinaudo não será um problema...

- Finalmente, falar dos extremos, porque há alguns casos curiosos. Pereirinha foi o jogador mais conseguente no jogo, e apenas não terá dado sequência a 1 posse de bola que por si passou. É notável este registo, o problema, porém, é que isso não é minimamente suficiente. O jogo faz-se de golos, e os jogadores mais ofensivos têm como principal missão ajudar a aproximar a sua equipa do golo, o que no caso dele não sucedeu, nem de perto. Pessoalmente, penso que a equipa poderia ganhar mais se os papeis de Pereirinha e João Pereira fossem invertidos, quando a equipa recorre aos dois em simultâneo, mas é algo que teríamos de ver para ter mais certezas. Depois, Capel. Recuperando a questão dos jogadores discretos, Capel é o inverso, tudo menos discreto. A energia que emprega a cada posse de bola faz com que entusiasme as bancadas antes mesmo de chegar a produzir algo de realmente concreto, e isto vale-lhe, a meu ver, alguma sobrevalorização mediática. É uma mais valia que seja capaz de transportar a bola como o faz, mas é muito duvidoso que esteja a gerir da melhor forma as suas aparições no jogo, por mais aplausos que arranque. Desgasta-se em demasia, não é capaz depois de oferecer uma boa resposta defensiva, e do ponto de vista da produção ofensiva também não tem um valor acrescentado que justifique qualquer euforia. Se compararmos com os extremos do plantel (exceptuando Pereirinha), aliás, é aquele que menos desequilíbrios provoca em face do tempo de utilização, perdendo inclusive para Elias ou Schaars (ainda que este conte com os lances de bola parada) nesta comparação. Finalmente, Carrillo. É um jogador que pode, realmente, ter um futuro tremendo. A sua capacidade técnica e, sobretudo, a sua potência física determinam essa oportunidade, porque muito facilmente ganha vantagem sobre a oposição sem fazer grande esforço, e ele já percebeu isso. Falta-lhe mais qualidade na definição no último terço, para ser mais decisivo, e mais calibragem na decisão para poder ser um jogador consistente. Ainda não é, nem uma coisa nem outra, mas pode vir a ser, porque as suas outras características permitem-lhe lá chegar, caso tenha uma boa evolução.
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2.5.11

Sporting - Portimonense: estatística e opinião

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1- A novidade chamou-se Izmailov e, de facto, a entrada do russo trouxe modificações importantes ao jogo do Sporting. Não apenas pela qualidade que acrescenta, mas também porque a sua introdução trouxe alterações à dinâmica que se vinha vendo, sobretudo em ataque posicional. Alterações que aumentaram a qualidade da equipa em alguns aspectos, mas que estão longe de ter garantido à equipa um "bom jogo". Isto é, um jogo que aproximasse significativamente a vitória. O Sporting venceu, sim, mas não controlou nunca o jogo e o adversário que, dentro da sua proposta, dividiu as oportunidades em todos os períodos do jogo. Aliás, é importante assinalar que foi depois do 2-1, e em superioridade numérica, que o Portimonense foi menos ameaçador.

2- Começando pela dinâmica do Sporting, Izmailov trouxe, para além da qualidade, uma maior presença na zona construtiva/criativa, juntando-se a Matias como elemento dinamizador do ataque e relegando Djalo para uma presença mais próxima de Postiga. O corredor central ganhou preponderância com esta alteração, e os flancos ficaram mais dependentes da profundidade dos laterais. O Sporting ganhou qualidade de circulação (note-se que a primeira fase lhe foi sempre "oferecida"), e recorreu sucessivamente aos apoios frontais no espaço à frente da defesa do Portimonense como principal solução de progressão.


3- Importa ir à proposta de jogo do Portimonense, para perceber a origem das sistemáticas dificuldades de controlo do Sporting. Tudo o que o Portimonense fez foi intencional, insistindo numa série de movimentos que, apesar da repetição, nunca foram controlados pelo Sporting. Dois, em destaque: o primeiro, as reposições rápidas de Ventura nos extremos, causando várias situações de 1x1 que por pouco não deram golo. O segundo, a forma como repetidamente atacou, com uma circulação em largura e que tinha como objectivo criar instabilidade no centro da defesa, antes do cruzamento, sempre largo, e sempre à procura das costas do 2ºcentral. Se viesse da direita, dos pés de Candeias, para a zona entre Torsiglieri e Evaldo, melhor.

4- Completando o comentário ao Portimonense, ainda que seja improvável, não me parece impossível a sua fuga à despromoção. Azenha monta uma equipa com notórias limitações de recursos, mas que tem o momento de transição defesa-ataque bem trabalhado, usufruindo de várias oportunidades em quase todos os jogos. O que se vê é intencional e especifico e isso, só por si, já merece algum destaque. Falta a esta equipa maior qualidade defensiva, nomeadamente no espaço que concede entre sectores, e também maior aproveitamento em termos de eficácia ofensiva. Não é deste jogo, mas uma equipa tão carente de pontos, não pode falhar tantos golos.

5- O Sporting falhou redondamente no seu momento de transição ataque-defesa. A dupla Zapater-André Santos não conseguiu controlar o primeiro passe de saída e daí resultaram muitas das dificuldades da equipa. Frente à Académica, a equipa havia dado melhores sinais neste plano, tendo ficado, desta vez, a ideia de alguma desorganização acrescida no momento da perda, eventualmente pelo acréscimo de mobilidade em ataque posicional. Isto, para além de uma menos desculpável falta de atenção perante as sistemáticas reposições de Ventura nos flancos. Este momento (de transição) é importante porque impede o Sporting de um domínio mais continuado e pode explicar, em boa parte, as dificuldades da equipa em ter maior expressão em termos de oportunidades, tendo em conta a posse de bola que teve. Nota positiva, e de novo, para um golo de bola parada.

6- Notas individuais:
Evaldo - Voltou a fazer uma exibição medíocre, onde se destaca a sua falta de intensidade/agressividade. Essa lacuna foi aproveitada pelo Portimonense com cruzamentos para a sua zona. Se o Sporting se quer reforçar, tem de passar por rever esta posição.

Centrais - Mais exposto Torsiglieri pelos cruzamentos. Não entendo que o argentino tenha sido o responsável no lance do golo, mas creio que errou noutro tipo de abordagens. Carriço esteve mais regular, e menos exposto também. Só por critérios extra rendimento em campo, se justifica que Polga tenha perdido o lugar.

Zapater - Começou por não oferecer muito à equipa, mas acabou como peça preponderante na fase final. Excelente capacidade posicional, embora o Sporting precise de maior reactividade naquele sector do que aquela que o espanhol oferece.

Izmailov e Matias - Com eles, o Sporting tem grande qualidade criativa. Izmailov mais completo e presente em todos os momentos, é certo. Falta, depois, "rasgo" no último terço.
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19.4.11

Porto - Sporting: Estatística e notas do jogo

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- Tinha antecipado a alta probabilidade do Sporting não ser capaz de discutir o jogo em termos territoriais com o Porto. Não se trata de opção estratégica, mas simplesmente de incapacidade para o fazer. Isso, sem qualquer surpresa, verificou-se, ficando depois por perceber até que ponto o preço dessa diferença de supremacia podia ser custosa para o Sporting. Não foi muito, em boa verdade.

- Começando pela incapacidade do Sporting em discutir o jogo, ela explica-se (e recapitulando a ideia já explicada noutros jogos) em dois eixos: 1) pelo contraste entre as soluções que ambas as equipas criam para a sua posse, e 2) pela diferença de capacidade pressionante precisamente sobre a posse contrária.

- Em termos defensivos, o Sporting voltou igualmente a mostrar as suas fragilidades em vários aspectos. Primeiro, o pressing, embora tenha vindo a melhorar, está longe de ser uma barreira difícil de ultrapassar. Depois, quando é obrigado a jogar em zonas mais baixas, a equipa fundamenta a sua capacidade defensiva sobretudo pela presença e equilíbrio numéricos, e isso foi perfeitamente notório na facilidade com que se permitiram cruzamentos e finalizações em zona circundante da área.

- Se houve algo que equilibrou o jogo foi o jogo menos concentrado do Porto em posse, tendo em conta aquilo que lhe é hábito. Cometeram-se vários erros evitáveis e que acabaram por permitir ao Sporting uma proximidade com o golo indesejável do ponto de vista portista. Há também mérito do Sporting, mas, como referi, face ao rendimento que o Porto costuma apresentar, a prestação foi bem abaixo do que se pode exigir.


- Em termos de dados estatísticos, sem surpresa mais e melhor posse por parte do Porto, e maior incidência do Sporting nos momentos de transição. Embora, a equipa portista tenha tirado também partido de alguns ataques rápidos, conseguindo 3 dos seus 8 desequilíbrios por essa via. Já agora, em termos de desequilíbrios, 4 dos 8 desequilíbrios portistas resultaram de cruzamentos, e 3 deles foram “salvos” por Rui Patrício.

- Em relação ao Sporting, Couceiro voltou a registar um novo mínimo de passes completados num jogo, bem como a percentagem de passe. Um “recorde” que havia sido batido em Guimarães, mas que, sem surpresa, volta a ser piorado no Dragão. Como já expliquei, são tendências que têm a ver com a matriz de jogo que o Sporting passou a apresentar desde a entrada de Couceiro.

Notas individuais (Porto)
Álvaro Pereira – Foi, a grande distância, o jogador mais interventivo no jogo. Acabou, também por isso, por ser um dos melhores em campo, sobressaindo pelos cruzamentos que tirou, sobretudo de primeira, num movimento característico da equipa do Porto.

Guarin – Confirma que a sua mais valia é mesmo em termos ofensivos. Como “pivot” fez um jogo regular, mas longe dos níveis que Fernando pode dar à equipa nessa função.

Moutinho – É curioso como fez um jogo em contra-ciclo com o que lhe é hábito. Ou seja, desta vez Moutinho não foi o relógio habitual no meio campo. Falhou vários passes, e ficou intimamente ligado à origem do lance do primeiro golo. Porém, Moutinho compensou com uma participação ofensiva que teve uma importância acima do que lhe é hábito, estando directamente ligado a alguns desequilíbrios, nomeadamente o que resultou na assistência para o segundo golo. Em termos defensivos terá estado ao seu nível e acima dos restantes elementos do meio campo.

R. Micael - Grande jogo do madeirense. Por vezes discreto, mas quase sempre presente. Foi o jogador com mais influência em termos de posse - a grande distância - sobretudo por ter sido aquele que garantiu mais consistência na entrega. Complementou essa presença com aparições importantes em termos ofensivos, sobretudo nas jogadas mais perigosas em ataque rápido.

Falcao - Não há muito a dizer quando um jogador faz uma exibição destas. Sozinho, pulverizou a defensiva do Sporting em situações de finalização. Mesmo se houve lances em que a defesa deixou a desejar, Falcao é um fora de série na resposta a cruzamentos, e é essa característica que o torna verdadeiramente especial.

Walter - Uma nota para ele. Reapareceu muito tempo depois e voltou a mostrar que tem qualidade de sobra para ser uma aposta de futuro. E não apenas pelo golo. Enfim, posso-me enganar, mas acho realmente estranho se Walter tiver sido preterido apenas por critérios técnicos.

Notas individuais (Sporting)
Evaldo - Na realidade, não fez um mau jogo em vários aspectos. Esteve mais interventivo do que é habitual, conseguiu algumas antecipações que lhe são raras e dar alguma dinâmica ao corredor. Só que a sua exibição não pode deixar de considerar (outra vez!) a passividade com que aborda alguns lances. Nomeadamente, no primeiro golo de Falcao, onde pelo menos deveria ter saltado com o atacante, e numa ou outra jogada em que a sua falta de agressividade no espaço condicionou a equipa em termos defensivos.

Polga - Foi batido no terceiro golo e tem responsabilidades na forma como se "perdeu" posicionalmente, mal Moutinho saiu do drible após o canto. Seja como for, está longe de ser o principal responsável no lance. De resto, voltou a revelar-se como o jogador com mais intervenções defensivas (o que é um hábito). Com bola, teve a responsabilidade de tentar sucessivas saídas longas em face da pouca preparação colectiva para a saída em apoio.

André Santos - Fez um bom jogo em quase todos os planos. Apenas "borrou" a pintura já numa fase adiantada do jogo em que perdeu segurança em posse, acabando por estar na origem de alguns ataques rápidos contrários. Confirma-se, porém, que é muito melhor como "pivot" do que como médio.

Matias - Não foi um jogo fácil para quem gosta de ter bola. Matias soube esperar pelos seus momentos para desequilibrar.

Valdes - Jogo muito fraco no Dragão. A nota vai para a sua influência negativa para a equipa no inicio da segunda parte. Não teve a intensidade exigível no lance do segundo golo, e, poucos minutos depois, a frieza suficiente para não se deixar atemorizar pela "locomotiva" Sereno, quando tinha tudo para pelo menos finalizar melhor.

Djalo - Está num bom momento, voltou a ser desequilibrador e útil em termos defensivos. Tem lacunas evidentes e pode não ter o estilo mais simpático para a generalidade dos adeptos, mas é um jogador que o Sporting deve obviamente ter em conta para o futuro.

Izmailov - Uma boa notícia o seu regresso e um bom sinal o seu rendimento, entrando tanto tempo depois e a meio de um jogo tão intenso. Ainda assim, podia e devia ter feito melhor no terceiro golo.

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7.4.11

Guimarães - Sporting: Estatística e algumas notas

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- O jogo foi fraco. Nenhuma das equipas esteve à altura do que se lhe deve ser exigido, revelando estados de ânimo e confiança muito débeis nesta fase final da temporada. Dá ideia de que, para ambos, o campeonato estaria melhor se já tivesse terminado.

- O resultado, parece-me, foi justo, apesar de também entender que o Sporting esteve ligeiramente melhor. A constatação mais desapontante vai para o facto de os melhores períodos de ambas as equipas resultarem muito mais do aproveitamento do demérito alheio do que da imposição do seu próprio mérito.

- No Sporting, a “era Couceiro” revelou-se como uma espécie de plano de austeridade futebolístico. O discurso foi sempre de auto vitimização e de permanente desculpabilização antecipada, e o futebol, no campo, acompanha a mensagem. A equipa joga pouco para errar menos. Arrisca pouco, tanto com bola, como em termos posicionais, e espera para ver o que o jogo lhe oferece. Há dados claros que o confirmam este menor arrojo e contenção colectiva: os 188 passes completados representam um mínimo da equipa em jogos da Liga, assim como a própria percentagem de sequência em posse. Ainda assim, talvez a evidência que mais reflicta a “austeridade” de Couceiro, seja a forma quase confrangedora como a equipa “afundou” no campo na segunda parte, abdicando de tentar um 1º passe de transição útil, em favor de sucessivos alívios sem destino.

- O Vitória não foi melhor. Na primeira parte, “entregou-se” ao Sporting com uma posse pouco esclarecida, ora demasiado directa, ora mal ligada. A ideia é sempre a ligação de corredores, onde o apoio dos laterais está sempre preparado para criar boas situações de cruzamento (e quantos cruzamentos se viram na 2ªparte!). Na segunda parte percebeu que o Sporting facilmente seria encurralado com uma atitude mais forte. Mas, e de novo, as soluções foram sempre repetitivas no último terço. De notar, também, a vulnerabilidade da equipa sempre que o Sporting ultrapassava a linha média com a bola nos pés. Desorganização, desequilíbrio táctico e algumas opções de desarme menos próprias e que comprometeram a equipa.

- Duas notas individuais. A primeira para Matias, que se encontra numa das melhores fases desde que chegou ao Sporting. Não conseguiu ser determinante e na 2ª parte bem podia ter estado lá outro qualquer, dado o tipo de jogo a que a equipa se submeteu, mas a sua influência ficou clara na 1ªparte. Pena que Couceiro não encontre também uma maneira de potenciar o melhor que já se viu de Valdes. A segunda nota vai para Polga. É, com alguma distância, o melhor central da equipa. Não é perfeito, todos lhe conhecemos erros e é também evidente que não se sente confortável jogando mais alto. Mas tem uma capacidade posicional como não há no futebol português. Numa altura em que tanto se fala da “revolução”, é paradigmático que à cabeça da lista de dispensas surjam Polga e Maniche, provavelmente (e com João Pereira) os 2 jogadores que mais consistência ofereceram à equipa.

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14.3.11

Rio Ave - Sporting: Análise e números

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Os indícios negativos que, ainda que brevemente, comentara a propósito da exibição frente ao Beira Mar, confirmaram-se em Vila do Conde. Juntou-se-lhes a maior qualidade do adversário e o Sporting deve ter feito, muito provavelmente, a exibição mais incapaz deste campeonato. Será discutível, mas considerando todos os elementos de análise, eu arriscaria o "prémio": a pior exibição! Há que considerar, obviamente, o bom jogo do Rio Ave – uma das melhores equipas da liga, neste momento. Mas nem isso, nem a situação presente do Sporting, são suficientes para que se perca alcance critico ao que vai sendo feito com esta equipa do Sporting. E, nesse plano, há alguns pontos merecedores de atenção...

Notas colectivas
Começando por um aspecto que me parece importante: o discurso e atitude de Couceiro. As “chicotadas psicológicas”, como já tentei demonstrar no passado, podem ter um efeito prático útil. A explicação não está num “milagre táctico”, mas numa inversão do estado de espírito de equipas emocionalmente arrasadas. Ora, no caso do Sporting, esse efeito arrisca-se a ser particularmente reduzido. É que para que o “chicote” seja útil convém que a nova liderança tenha, pelo menos (já nem falo da capacidade!), determinação e energia para renovar esperanças e atitudes. Couceiro parece não ver nesta sua tarefa uma oportunidade, mas uma espécie de obrigação que cumprirá apenas por não lhe restar alternativa. Talvez Couceiro se ache com muita falta de sorte, mas, vistas bem as coisas, fica a pergunta: quantos serão os treinadores portugueses que não trocariam épocas inteiras por este final de época no Sporting?

A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.

Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.

Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.

Notas individuais
Evaldo – De novo, incrível a forma como está na zona dos lances mas não tem capacidade para se impor.

Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa

André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.

Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.

Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.

Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.

Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.

Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.

Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.

Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).

Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.

Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.


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3.3.11

Sporting: notas individuais do derbi

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Postiga – Esteve bastante esforçado, sem dúvida, e igualmente influente nos poucos lances de golo criados pela equipa. Mas há também que realçar alguns aspectos negativos na sua prestação. Ontem, já referi a sua aparente tentativa de ficar sempre com a bola dominada nos duelos aéreos, acabando por perder a maioria deles, fazendo demasiadas vezes falta neste tipo de abordagens. Depois, há sobre Postiga a ideia de que é um jogador “forte” a segurar a bola. Postiga é um jogador dotado tecnicamente e normalmente inteligente nas suas opções. Mas é também um jogador mais vulnerável do que outros no confronto fisico e isso faz com que não tenha um aproveitamento tão bom como muitas vezes é sugerido, na missão de “pivot”.

Matias – Esteve bem. Sem uma influência enorme – que não pode ter – mas sempre com capacidade de trabalho e critério com bola. Era um jogo em que lhe era permitido jogar entre linhas, como gosta, e tivesse a equipa mais capacidade e lucidez para jogar, poderia ter tido um impacto ainda maior.

João Pereira – Missão difícil, travando sucessivos duelos, quer com Gaitan, quer com Coentrão. É um jogador muitas vezes com dificuldades no 1x1, pela abordagem excessivamente agressiva que faz em muitas ocasiões. Desta vez, porém, deu-se bastante bem.

Vukcevic e Djalo – Melhor o montenegrino em todos os aspectos, até porque foi bem mais solicitado. Talvez Couceiro esperasse algo mais de Djalo, mas se Vukcevic foi substituido não foi por estar pior do que Djalo.

Zapater e André Santos – Tinham um papel fundamental, mas, no meu entendimento, não tiveram uma perstação suficiente para o que a equipa precisava deles. Prestáveis, sim, mas tantas vezes com qualidade manifestamente insuficiente. Não dominaram a sua zona, nem pelo posicionamento nas primeiras e segundas bolas (na recta final, foi por este aspecto que o Sporting caiu) e não tiveram também capacidade de dar à equipa, nem grande qualidade e critério à posse (raramente jogaram), nem profundidade pela capacidade de passe (nenhum passe de rotura). Couceiro pode lamentar-se das lesões que o impediram de refrescar o sector, mas não se pode queixar por ter deixado aquele que é – de muito longe! – o seu melhor médio no banco.

Polga e Torsiglieri – Polga errou mais – nomeadamente na forma como abordou a marcação na grande penalidade – mas também foi melhor na leitura e antecipação dos lances – como normalmente é. Mas ambos estiveram regulares em termos defensivos. De assinalar a péssima percentagem de passe, o que indica a pouca disponibilidade para sair a jogar.

Evaldo – A nota estatística é francamente elogiosa. É incrível como está em campo, como a bola passa tantas vezes na sua zona e intervém tão pouco. Não se trata, muitas vezes, de estar mal posicionado, mas de ter uma leitura terrível dos lances, parecendo reagir sempre tarde e sem intensidade para poder ser útil. Foi batido por Cardozo no primeiro golo, por Salvio numa bola que acaba na barra e no segundo golo também estava na zona em que a jogada se definiu.

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22.2.11

Sporting - Benfica: Análise e números (Sporting)

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Notas colectivas
As marcas emocionais de um derbi levam sempre a que se retirem grandes conclusões dos 90 minutos. Ou melhor, mais do que dos 90 minutos, do resultado desses 90 minutos. Porque é em cima do resultado que se constroem a generalidade das análises. A verdade é que nem este foi um jogo especialmente mau para o que a equipa vem fazendo, nem – muito menos! – é preciso esperar pelo resultado do jogo para concluir sobre os defeitos de uma equipa que já vai em dezenas de jogos disputados. Bem vistas as coisas, aliás, este foi um jogo que facilmente poderia ter tido outro destino.


Importa, a meu ver, comentar a abordagem estratégica do jogo e fazer uma comparação com a opção tomada por Paulo Sérgio frente ao Porto. Na altura, o treinador surpreendeu o seu adversário com definição de uma estratégia que tirava partido do facto do Porto ir, seguramente, tentar o domínio do jogo. Uma estratégia de maior controlo espacial e menor risco. Desta vez, não o fez. Mesmo sabendo que era o adversário quem – muito mais do que o Porto na outra ocasião – tinha de arriscar. Porque não o fez? Paulo Sérgio terá a resposta, mas, a meu ver, é mais uma prova da “desistência” do treinador.

Dirão os adeptos do Sporting que a equipa tem de se impor pelo domínio, especialmente dentro de casa. Pois é, mas pior do que a incapacidade é a inconsciência da mesma. E foi isso que começou a ditar a derrota do Sporting. Ao assumir um jogo em posse desde a construção, o Sporting propôs-se fazer algo que não faz bem e pagou por isso. Não que tenha cometido muitos erros, mas porque não tem qualidade colectiva para contornar um pressing alto de forma apoiada. Foi assim que o Benfica garantiu uma melhor entrada e foi assim que iniciou a jogada do seu primeiro golo.

Em boa verdade, e dentro das competências que a equipa tem demonstrado, o Sporting até deu uma boa resposta. Nunca conseguiu dominar ou levar a melhor em situações de organização, mas encontrou momentos em que conseguiu esticar o jogo, quer em situações de ataque rápido, quer no aproveitamento de algum espaço entre linhas que o Benfica pontualmente ofereceu. Em situações de organização seria impossível retirar algo do jogo, mas com algum caos, foi o Sporting quem se mostrou mais inspirado – Matias! – e determinado. Não lhe valeu um golo, mas valeu-lhe um homem a mais e alguma esperança num volte face.

É claro que os problemas da equipa não passaram minimamente em claro. Para além da construção, houve também a dificuldade de parar as combinações entre Gaitan e Coentrão, à esquerda, e, já na segunda parte, uma evidente falta de qualidade colectiva na abordagem ao último terço do campo. Incrível como o Sporting não promove quaisquer situações de combinação no flanco, isolando o portador da bola, mesmo em superioridade numérica. Nada de novo, porém.

Notas individuais
João Pereira – Solícito e participativo, mas ainda desinspirado, tal como acontecera em Olhão. Voltou a perder uma bola decisiva, que deu origem ao livre do segundo golo. Mas, pese a desinspiração, não lhe falta qualidade, falta-lhe é mais apoio colectivo.

Grimi - Foi mau. Muito. Mas prometeu pior e poderia ter sido, de facto, muito pior.

Pedro Mendes – Não sei por onde começar, se pela sua exibição, se pela sua substituição. Foi, enquanto esteve em campo, o jogador mais participativo do jogo, especialmente em termos defensivos, recuperando um número enorme de bolas. Não tem a qualidade de passe de Maniche, mas tem uma presença fantástica em termos posicionais no meio campo. Vendo bem as coisas, é já uma sorte para o Sporting que Pedro Mendes não tenha a aparência “redonda” de Maniche. Em vez de substituído, ainda acabaríamos por vê-lo junto a Maniche no banco. Se os tirarem todos do campo, é normal que, de facto, as soluções sejam fracas...

Matias – Se o Sporting encontrou os seus momentos no jogo, é a ele que os deve. Esteve disponível e inspirado, ficando muito perto de virar o rumo do jogo. Matias não sido um caso de sucesso e a responsabilidade não é apenas dos outros. É um jogador com enorme talento, mas que não encontrou ainda o enquadramento certo para o aplicar, ressentindo-se especialmente quando os espaços entre linhas se reduzem, mas também não sendo capaz de se tornar mais útil nesses momentos. É outro que precisa urgentemente de um novo ciclo.

Cristiano – As suas primeiras exibições têm mostrado mais vontade e dedicação do que talento. É certo que não ajuda os poucos apoios que são criados...

Djalo e Postiga – Esforçados? Sim. Mas a nível de produtividade, conseguiram muito pouco.



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20.9.10

Benfica - Sporting: análise e números

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4 minutos não chegaram para dar vantagem ao Benfica, mas foram mais do que suficientes para que se percebesse que seria muito difícil não serem os encarnados a vencer. De facto, uma boa análise desses escassos momentos seria provavelmente mais útil do que muitas que vi feitas à totalidade da partida. É que esse período de tempo, que terminou com a bola ao poste de Cardozo, foi o que bastou para perceber que o domínio a que o Sporting se propunha não passava de um mero “bluff” impossível de sustentar. Impossível pela incapacidade – que é tudo menos nova – de controlar espaços defensivos, sobretudo em transição. Que mais poderia pedir o Benfica? Finalmente poderia jogar em transição, manter equilíbrios posicionais e numéricos e não se expor tanto ao trauma das perdas de bola. Ficou-se pelos 2, mas este era daqueles jogos com condições para um saldo dilatado.

Notas Colectivas: Benfica
Qualidade táctica. Se há coisa em que o Benfica de Jesus foi, é e sempre será, é na sua qualidade táctica. Não é a primeira vez que o defino, mas vou repeti-lo porque quando se fala neste termo, raramente se percebe exactamente o que se quer dizer: qualidade táctica – para mim – é eficácia com que a equipa reage colectivamente à dinâmica do jogo. E, aqui, não muitas equipas no mundo tão fortes como o Benfica. Seguramente, não há nenhuma em Portugal.

Ora bem, se o Sporting foi o adversário ideal, quer pela estimulo motivacional, quer pela postura “naive” que assumiu, só o foi porque o Benfica tem de facto muita qualidade no seu jogo. Não fez um jogo brilhante – diria que apenas “bom” para as suas possibilidades – e demorou algum tempo a conseguir também dificultar um pouco mais o domínio territorial que o Sporting tentou exercer, mas manteve sempre uma óptima organização defensiva e conseguiu com bastante frequência aproveitar erros alheios para potenciar o espaço que era concedido. E isso foi mais do que suficiente para meter o jogo e o adversário “no bolso”.

Esta será uma vitória naturalmente importante para o Benfica. Importante para o restabelecimento dos níveis de confiança colectivos, que a grande missão que Jesus tem pela frente no futuro imediato. Mas, naturalmente, está também longe de ser suficiente para corrigir todo o mal que foi feito. O Benfica terá novamente desafios complicados, perante outro tipo de adversários, menos estimulantes e mais fechados, e onde, novamente, o erro não poderá ser banalizado. Entre tudo o que de bom houve para o Benfica no jogo podemos lembrar dois aspectos que deverão manter o alerta bem presente nas hostes encarnadas: o facto da única jogada de golo do Sporting ter vindo de um erro individual e as defesas para a frente de Roberto.

Notas colectivas: Sporting
Quem acompanha o que escrevo neste blogue deve perceber que se torna algo cansativo escrever tantas vezes a mesma coisa. De facto, desde os primeiros jogos que analisei na pré época que venho alertando para aqueles que são os reais problemas do modelo de Paulo Sérgio. Debateram-se sistemas, se deveria ou não jogar um “10”, se deveria ou não jogar um “pivot”, e fizeram-se longas dissertações sobre essas matérias. Compreendo que talvez sejam mais interessantes e intuitivos esse tipo de debates, mas raramente os problemas crónicos de uma equipa passam por aí e o Sporting não é excepção.

A definição de “qualidade táctica” que relembrei atrás serve também para este caso, mas num sentido inverso. O Sporting não tem “qualidade táctica” suficiente para assumir estratégias mais altas e dominadoras frente a equipas com a qualidade do Benfica. Isso vê-se em vários aspectos aqui já denunciados. Aspectos com e sem bola, mas nenhum se compara à forma como o seu sector recuado está (mal) operacionalizado. Foi por aí – sobretudo – que o Sporting perdeu, e reforço, para ser claro, outro ponto de opinião que também não é novo: isto nada tem a ver com a qualidade individual dos seus defensores que, assinale-se, é muito elevada. É importante não confundir o que é colectivo com o que é individual.

Dito o mais importante, quero também realçar alguns pontos. O primeiro é que, apesar de insuficiente, o Sporting hoje é bem melhor do que há 3 ou 4 semanas. O segundo é que me parece correcto que Paulo Sérgio tente estabilizar um onze base, só discordando da sua flutuação em termos de variações no modelo. Neste caso, o principal problema terá sido o lado estratégico da proposta de jogo, assumindo uma postura que, como já longamente defendi, não tinha capacidade para sustentar, mas há também em algumas opções tácticas alguma discordância da minha parte. A fixação de Liedson numa zona central parece-me um lapso e não é por acaso que o seu melhor jogo foi na Figueira, onde esteve mais móvel. O mesmo vale para Yannick, que claramente não é um ala para ser fixado à direita. Com este “aprisionamento” dos avançados, o Sporting perde mobilidade e soluções de passe no último terço e isso foi relevante, não só neste jogo, mas também frente ao Olhanense. Com tudo isto, ficou fácil para Jesus realçar a sua mestria táctica para “parar” João Pereira. Na realidade, não vejo grande genialidade na opção, já que Valdés foi uma surpresa sobre a esquerda e o flanco do Benfica também foi suficiente para tapar as investidas do Sporting.

Notas individuais: Benfica
Indo directo ao assunto, o nome do jogo é Cardozo. O mesmo Cardozo que havia sido uma nulidade em 3 dos 4 jogos anteriores e que ainda a meio da semana tinha problemas fisicos que o impediam de ser mais participativo. Ora, parece estranho que o desgaste de uma semana de 3 jogos termine com a melhor exibição até agora registada na Liga, entre todos os jogos dos 3 “grandes”. Um feito que não se justifica apenas pelos golos, mas também por uma muito relevante participação colectiva – algo que tinha sido assumido como um problema crónico. Para mim, esta exibição só vem confirmar uma coisa: o problema de Cardozo não tem nada a ver com debilidades fisicas. Tem, isso sim, a ver com um problema de atitude e motivação em jogos mais e menos importantes. E está bom de ver a diferença que isso pode fazer!

Ainda no Benfica, mais uma prova de capacidade da sua dupla mais recuada, que tem uma enorme qualidade. Sempre reforcei que esse nunca foi um problema, mas é nestes jogos que isso talvez fique mais claro. Outro nome a ter em conta é Coentrão. Acredito que só poderá ser um jogador para outros patamares se for lateral, mas mesmo mais à frente voltou a mostrar a sua capacidade participativa. É uma característica importante e que lhe está no ADN.

Notas individuais: Sporting
Posso começar pelo melhor: Maniche. Foi o jogador que conseguiu mais passes, mais % de passe e mais intercepções. Foi e não é surpresa. Maniche tem um rendimento extraordinário no Sporting e é, a par de Belluschi, o melhor médio da competição até ao momento. Aliás, o que Maniche faz é raro mesmo em termos internacionais e, na minha opinião, merece regressar rapidamente à Selecção. A questão sobre Maniche é se a frustração de ter uma equipa que não acompanha a sua qualidade e intensidade, não acabará por fazer regressar o pior da sua personalidade, mas isso é algo que só o tempo irá responder.

De resto, gostaria também de falar de Nuno André Coelho, que cometeu alguns erros e acaba como o “vilão” no lance do segundo golo. Importa sublinhar, à imagem do que escrevi atrás, que Nuno André Coelho ganhou muitos lances como aquele que perdeu nessa jogada e que o seu erro não explica o golo sofrido nem o espaço criado. Mal está uma equipa se a distância entre um pontapé longo e uma ocasião de golo está dependente do central ganhar a primeira bola.

Finalmente, nota para a pouca intensidade de Valdés e Matias. São jogadores tecnicamente evoluídos, mas a quem falta muito em termos de presença sem bola. Particularmente, Matias, a jogar numa posição nuclear, precisa de estar muito mais próximo dos lances em todos os momentos. Algo que o separa e separará sempre de um rendimento superior e que tem de lhe ser passado por quem lidera o processo de treino.



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13.7.09

Moutinho, Fernandez e a posição 10

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Da primeira amostra da pré temporada leonina sobra também a primeira e talvez mais importante dúvida táctica em relação à dinâmica da equipa base a apresentar no arranque de época. Como no passado, a posição 10 surge como ponto fundamental desta definição mas agora é Matías Fernandez que surge como a individualidade em foco. O chileno demonstrou pouca adaptação áquilo que deverá fazer o 10 do “losango” leonino, mas a questão que me parece mais pertinente é perceber se Fernandez será, ou não, realmente a melhor solução para a função?

O perfil de Matías Fernandez e a posição 10
O chileno é conhecido pela sua capacidade de desequilíbrio, pela criatividade, mas também pela capacidade de explosão no 1 contra 1
. Jogar no corredor central, preso em espaços apertados, será sempre um erro para um jogador deste tipo, perdendo ele e a equipa. Isto, no entanto, não quer dizer que Matias Fernandez não possa ser o 10 do Sporting. O que terá de acontecer é fazer com que os seus movimentos tenham as alas como destino, e não o corredor central. Isso não aconteceu frente ao Nottingham Forest, mas é apenas normal que isso tenha acontecido, dado o curto tempo de trabalho do chileno e o seu passado, já que vinha jogando num modelo com um sistema clássico e muito mais centrado em movimentos verticais do que horizontais.

A opção Moutinho
No passado, o Sporting apresentou diferenças relevantes com Romagnoli e Moutinho na posição 10. Com o argentino o Sporting contou com um elemento mais livre tacticamente, com movimentos desconcertantes mas também com menor ligação à linha média, obrigando a uma maior proximidade dos restantes médios. Por outro lado, Moutinho, sem a mesma mobilidade e capacidade criativa no último terço, dá outra capacidade à zona central e reactividade ao momento de transição defensiva, permitindo, ao contrário do que acontecia com Romagnoli, que os alas tivessem mais liberdade ofensiva. Isto, por exemplo é benéfico para um jogador como Vukcevic.
A meu ver Moutinho poderá ser mesmo a melhor solução para 10. A sua presença nessa função poderá dar outra capacidade à pressão do Sporting e permitir que jogadores como Vukcevic e Matias Fernandez, actuando como alas, encontrem outro tipo de liberdade para surgir em zonas mais abertas onde podem fazer uso da sua capacidade de desequilíbrio.


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29.6.09

As contratações de Saviola & Matias Fernandez

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O inicio do fim de semana futebolístico português foi marcado pela confirmação de duas contratações importantes para a época que se aproxima. Primeiro o menos esperado Saviola foi anunciado pelo Benfica, depois os rumores que davam conta do ingresso de Matias Fernandez no Sporting foram também confirmados. São 2 contratações importantes para os dois clubes e para o defeso português e que partilham ainda a garantia de um acréscimo de qualidade para os planteis dos respectivos clubes. Ainda assim, há muito que as distingue...

Saviola – Investimento financeiro, para rendimento desportivo
Há 2 vertentes a ter em conta nesta operação encarnada. O primeiro e para agora mais relevante é o aspecto desportivo. Aí a qualidade de Saviola está para além da suspeita. As suas características são por demais conhecidas e encaixam perfeitamente naquilo que se conhece do modelo de Jesus. A ameaça para o Benfica e para Saviola é a mesma de outros tantos casos idênticos ao seu. A falta de motivação pelo momento da carreira e a própria característica do futebol português, nem sempre tão fácil como de fora parece, serão os pontos que Saviola deverá ser capaz de ultrapassar para poder, do ponto de vista individual, corresponder com o rendimento que muitos dele esperam...
O outro lado da contratação de Saviola tem a ver com uma perspectiva de investimento. Aí, o Benfica reproduziu, um ano mais tarde, aquilo que julgo ter sido uma aposta errada quando pagou caro para ter Aimar. É que Saviola, para além dos 5 milhões que custou será um “peso pesado” na ficha salarial encarnada. O total dos custos com o argentino, ao fim de 3 anos, deverá superar os 10 milhões e isto apenas pode ser um problema se considerarmos que no fim deste ciclo, o valor de mercado do jogador deverá ser praticamente nulo. Tudo o que se pode esperar por isso, é que o rendimento desportivo possa compensar um investimento que, mais do que provavelmente, não terá outro tipo de retorno.
Outras 2 notas sobre a contratação de Saviola. A primeira tem a ver com a contínua capacidade de investimento do Benfica, não batendo esta conduta com o enorme desequilíbrio das suas contas anuais. Confesso a curiosidade por saber durante quanto tempo durará esta capacidade de investimento encarnada. O outro tem a ver com a composição do plantel. A Saviola deverá juntar-se outra contratação de peso para o ataque. Há ainda Nuno Gomes e Cardozo. A tudo isto junta-se uma ideia que de há muito tenho e que tem a ver com o facto de Cardozo, não desfazendo a sua inegável qualidade, voltar a ter um perfil que não se enquadra com o modelo do treinador. A venda do paraguaio poderá, como se percebe, fazer o puzzle encaixar muito mais logicamente.

Matias Fernandez – Uma injecção de entusiasmo
Quando chegou em 2006 à Europa, havia quem projectasse para ele um futuro entre os melhores dos melhores. A adaptação não foi fácil e Matias Fernandez não se impôs no Villareal. O Sporting aparece agora como uma nova oportunidade para um jogador de grande talento e que vai ainda muito a tempo de se afirmar na Europa.
Por tudo isto, digo que Matias Fernandez, pelos valores que se dizem estar envolvidos, podia bem ter entrado numa das “sugestões de mercado” que aqui fui deixando. O Sporting consegue um jogador que tem muito do que lhe falta no seu plantel. Capacidade de explosão, irreverência e, também, uma assinalável eficácia de bola parada. Matias Fernandez é também uma fonte de entusiasmo para os adeptos leoninos que há muito não tinham uma contratação que gerasse tanta expectativa.
O Sporting, para Matias Fernandez, será uma etapa decisiva. Talvez a concorrência de peso, o 4-4-2 clássico desajustado às suas características e a própria dimensão interna do Villareal fossem um choque demasiado grande para um jogador que se afirmou num contexto e num clube de outras características. O Sporting será, nesse aspecto, um clube muito mais de acordo com o perfil de Fernandez, mas isso não é, só por si, garante de sucesso...

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2.5.07

Tem que ter Parabólica!

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Os habituais melhores golos da actualidade. Ribery, Manuel Fernandes, Afonso Alves, Recoba e outros numa compilação a que se poderiam juntar outros marcados em Espanha como o de Matías Fernandez (notem que este programa é espanhol sobre futebol internacional, daí não constarem os golos marcados no país vizinho).


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26.12.06

Matias Fernandez a pérola Chilena

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Há poucos dias o gigante Chileno Colo-Colo sagrou-se mais uma vez campeão do seu país. Entre os adeptos do clube vivia-se porém um sentimento misto, colando-se à natural exultação de vitória uma invulgar sensação de nostalgia. É que o final da prova representa simultaneamente a perda de uma das mais talentosas pérolas que o clube seguramente jamais possuiu. Matias Fernandez parte para o futebol espanhol, ingressando em Janeiro de 2007 no Villareal e nem os cerca de 9 milhões de euros envolventes na troca fazem esquecer a magia com que o jovem encheu os relvados Chilenos.
"Matigol", como é apelidado, nasceu a 15 de Maio de 1986 (20 anos) em Buenos Aires (a sua mãe é Argentina). Foi, no entanto, no Chile que cresceu e se desenvolveu como jogador. No Colo-Colo a partir dos 12 anos, Matias é desde 2004 - ano da sua estreia como profissional - visto como a mais promissora figura do futebol Chileno, tendo apontado 9 golos em 6 jogos na Copa Sudamericana onde o Colo-Colo foi o mais recente finalista vencido.
O futebol de Matias Fernandez é marcado pelo talento, velocidade e qualidade técnica. Actua preferencialmente nas costas do 9, mas é provável que da sua adaptação ao futebol europeu nasça igualmente uma definição mais clara do seu posicionamento no terreno. Para já este jovem que até já foi elogiado por Pélé tem como responsabilidade substituir o lesionado Robert Pires na "zona criativa" do ataque do Villareal. Não o percam de vista a partir de Janeiro, até porque o vídeo promete...

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