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17.1.12

Lances do Braga-Sporting

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Aqui ficam alguns lances do jogo de Domingo, com a minha leitura em relação a eles. Apenas acrescentar os seguintes comentários...

- É interessante o papel desestabilizador de Salino. Não directamente, mas aquilo que as suas acções acabaram por provocar em termos de dificuldades de controlo do espaço "entrelinhas" por parte do duplo pivot. Mérito do Braga, porque não é evidente que se criem este tipo de desequilíbrios a partir de uma vantagem criada pelo lateral. Demérito, a meu ver, especialmente de Insua, que não pareceu ter a devida intensidade na reacção a alguns lances na sua zona...

- No primeiro golo, tudo se parece resumir a um problema de comunicação no final da jogada, mas há muito mais para contar. Começando no pontapé de Patrício, mais do que provavelmente um equívoco do guarda redes, já que tudo indicava que a bola fosse lançada para a esquerda, onde já se concentrava a generalidade dos jogadores, e em especial Ribas, que era a referência do Sporting para este tipo de bolas (já agora, Patrício esteve bastante irregular neste tipo de reposições ao longo do jogo). Depois, o excesso de distanciamento de Rodriguez, que baixa demasiado perante a ameaça de Lima no ataque à profundidade. Esta distância acaba por dificultar a recuperação dos restantes defensores, em particular Onyewu, que parte de uma posição mais atrasada. Depois, finalmente, alguma estranheza no que acontece à resposta ao cruzamento: há uma troca posicional correcta de João Pereira, perante a dificuldade de Onyewu em recuperar a tempo de se posicionar na frente do lance. O que devia acontecer era que os dois jogadores não terminassem na mesma linha, não sendo perceptível o porquê de Onyewu não ter ajustado o seu movimento para uma zona um pouco mais atrasada do que João Pereira. O posicionamento final dos dois jogadores não é o desejável, mas o que aconteceu entre os dois, só eles poderão saber...

- Finalmente, o segundo golo bracarense tem a génese num erro em posse de Rodriguez, que expõe a linha defensiva do Sporting. Não há qualquer possibilidade de inviabilizar Lima no fora de jogo, pelo que depois se torna uma aparente questão de velocidade entre Lima e João Pereira. No entanto, perante um passe que é feito na linha divisória do campo e com esta exposição nas costas da defesa, o lance seria muito facilmente evitado por Rui Patrício. Aliás, a bola só é tocada por Lima já dentro da área do Sporting, o que diz bem da oportunidade que Patrício perdeu para inviabilizar o lance. Assim, e como o "sprint" se pode prolongar durante tantos metros, ficamos a saber que Lima é mais veloz do que João Pereira...

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13.12.11

Sporting - Nacional: opinião e estatística

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- Fraca. Não há outra forma de classificar a exibição do Sporting. O mais importante, os três pontos, foram conseguidos, mas sobretudo graças ao melhor aproveitamento das poucas ocasiões criadas em todo o jogo. E, já agora, graças também à importância das bolas paradas. Torna-se difícil fazer grandes comentários ao jogo colectivo, porque olhando para a composição da equipa se percebe a instabilidade na sua composição. Não é possível que o Sporting se possa exigir grandes níveis de qualidade colectiva quando tantas das suas principais unidades estão permanentemente a entrar e sair da lista de disponíveis. Má fortuna, certamente, mas também há que olhar para trás e para a composição do plantel, porque há vários casos cujo histórico já fazia prever este cenário. Ou seja, esta não é uma situação que possa ser considerada como totalmente imprevisível. Seja como for, parece claro que o Sporting joga boa parte da manutenção da sua candidatura nas próximas jornadas, e será decisivo que consiga elevar rapidamente os níveis qualitativos do seu jogo.

- Centrando a análise num comentário mais individualizado, começo por Carriço. A sua adaptação não está a ser propriamente um sucesso, por muito que se queira encorajar o jogador neste novo desafio. Defensivamente, o Sporting não é a equipa mais fácil para um "pivot", e Carriço sofre com isso. Isto é, por ter tantas vezes os dois médios adiantados, o espaço de intervenção do "pivot" é frequentemente muito difícil de controlar por um só jogador, e nem sempre é possível manter uma presença pressionante sobre o portador da bola sem assumir o risco de perder o espaço "entrelinhas". Mas será nos momentos com bola que Carriço e a equipa mais tem sofrido. Não acrescenta valor à posse, mas a meu ver não faz sentido centrar as criticas nessa limitação, porque ela está implícita na decisão de adaptar o jogador ao lugar. Ou seja, a resposta teria de ser colectiva, criando dinâmicas que não exijam muito do jogador, mas que o protejam, a ele e à equipa, dessa vulnerabilidade. Uma sugestão seria fazer Carriço baixar para a linha dos centrais, criando mais espaço no meio e oferecendo mais protagonismo aos centrais. O problema é que a dupla de centrais do Sporting, neste momento, não tem propriamente grande vocação para essa tarefa.

- De Onyewu, o herói do jogo, sobra nova reflexão sobre a importância das bolas paradas. O Sporting perdeu o jogo da Luz nesse capítulo, e agora resgata três pontos por esta via. Curiosamente, no ano passado e contra este mesmo adversário, havia permitido o empate na sequência de um pontapé de canto. Ou seja, este pode não ser o aspecto mais interessante de abordar, mas é incontornável o peso decisivo que pode ter no sucesso das equipas ao longo de uma prova de regularidade, como é um campeonato. Pode, e seguramente tem. Eu próprio negligenciei este aspecto na avaliação que fiz no inicio de época sobre Onyewu, mas a verdade é que a estatura do central americano, e pese embora ser seguramente o mais fraco do plantel em todos os outros momentos do jogo, se pode revelar importante e difícil de preterir para uma equipa com tantas fragilidades a esse nível. Isto não quer dizer, porém, que o Sporting não se deva exigir mais do que isto...

- No meio campo, a novidade é André Martins. Não é um grande momento para se mostrar, num jogo em que a equipa está tão instável ao nível da qualidade do seu jogo. Ainda assim, para quem está a fazer a estreia no campeonato, foi uma prestação impressionante do jovem médio. Enquanto esteve em campo foi jogador mais interveniente da equipa, nem sempre muito certo ao nível do passe, é verdade, mas inesperadamente útil na reactividade e agressividade defensivas. Se confirmar a característica - o que é provável - estará muito próximo de poder ser uma opção com importância crescente nas prioridades de Domingos. Mas é ainda muito pouco para que possa fazer uma apreciação conclusiva...

- Finalmente, uma nota sobre Elias. Pessoalmente, discordo da sua utilização por vezes demasiado ofensiva e centralizada. Percebe-se que Domingos veja nele um jogador de grande potencial para a transição, dada a capacidade que tem em progredir rapidamente. Mas Elias não é naturalmente um jogador tão ofensivo. Não o era no Corinthians, por exemplo, e não me parece que seja necessário mantê-lo tão adiantado para que se aproveite a sua capacidade de desdobramento em transição, porque tem capacidade de o fazer de trás para a frente, e partindo de posições mais recuadas. Neste aspecto, é um jogador semelhante a Ramires, e se pensarmos no agora médio do Chelsea, este nunca teve de ser um médio ofensivo para ser temível em transição. Por outro lado, em organização, Elias é um jogador com grande eficácia no jogo mais apoiado, tendo uma das percentagens de certeza em posse mais elevadas entre os médios da equipa (na verdade, é a mais elevada entre os habituais titulares). Quando se aproxima da direita, a equipa parece ganhar qualidade na dinâmica do corredor, mas nem sempre essa é a prioridade para o seu posicionamento.
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21.9.11

Rio Ave - Sporting: opinião

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- E, de novo, permanece a curiosidade em torno do trajecto do Sporting no campeonato. Particularmente, o contraste dos níveis de eficácia ofensiva, das primeiras 2 jornadas para as 2 mais recentes, é quase radical. Tudo somado, temos um registo de eficácia ofensiva acumulada já dentro dos parâmetros normais e superior ao da própria equipa na época anterior, por exemplo. O problema, ao nível dos indicadores de performance, centra-se agora a 2 níveis. Primeiro, e talvez mais importante, deve preocupar a perda de capacidade para criar um maior número de desequilíbrios e, do outro lado do campo, a enorme percentagem de eficácia das equipas contrárias, que se encontra em níveis insustentáveis (O Sporting sofreu 1 golo a cada 1,75 oportunidades dos seus adversários, contra 1 em 2,2 do Benfica - também elevado - e 1 em 3,7 do Porto).

- Relativamente ao jogo, há vários aspectos a abordar, mas vou começar pelos mais positivos, a dinâmica nos corredores e a transição defesa-ataque. Relativamente aos corredores, o problema destacado após o jogo de Paços de Ferreira, das dinâmicas restritas a 2 jogadores, foi claramente corrigido, com Schaars a aproximar-se mais de Insua e Capel, e, do outro lado, Elias a fazer o mesmo. Aliás, o corredor direito promete muito com este papel do brasileiro. A direita foi, outra vez mas melhor, o "motor" da equipa, e falta-lhe apenas alguma melhor definição e acréscimo de criatividade quando chega próximo da área. Não tenho dúvidas de que vai surgir em breve. O outro ponto, a transição defesa-ataque, foi novidade até porque anteriormente o tipo de jogos não havia permitido a exploração desse momento. De novo, Elias teve um impacto muito positivo neste plano. São dois pontos relevantes.

- Agora, os problemas. Em organização defensiva, parece-me haver alguma indefinição no papel dos médios, na pressão sobre a construção contrária. A equipa aproxima o médio interior direito (Elias e, depois, André Santos) do avançado, num comportamento próximo do que é característico no 4-2-3-1. Mas é Schaars quem sai sobre a bola do lado esquerdo, ficando Rinaudo "entrelinhas". Ou seja, quando, Schaars faz este movimento e a bola volta ao central do lado oposto, Elias fica longe da jogada (por estar próximo de Wolswinkel) e é Rinaudo quem tem de se aproximar, abrindo o espaço nas suas costas. Este não foi um problema com consequências no jogo, até porque esta variação do ponto de saída de bola, por parte do Rio Ave, raramente existiu. É apenas um pormenor de observação, faltando-me perceber a sua origem, se é intencional ou se foi apenas pontual. De todo o modo, parece-me claro que há a necessidade de clarificar os papeis dos médios neste momento (organização defensiva), e em várias fases. Por exemplo, vemos pontualmente jogadores (Rinaudo e Schaars) a fazer acções de pressão instintivas, que acabam por conduzir o adversário no sentido contrário ao interesse colectivo. Não creio que seja essa a intenção. Outra questão é o porquê do Sporting ter deixado de definir zonas de pressão mais altas? Não estou a discutir se o deve ou não fazer, apenas a questionar-me sobre a relação entre o bloco médio-baixo que vemos e a tal indefinição que ainda me parece existir no papel dos médios perante a construção contrária. É que para pressionar mais alto, é preciso ter claro quais os jogadores que se juntam avançado na primeira linha. Enfim, também pode ser estratégico...

- Outro ponto, e aqui entro naqueles que me pareceram os motivos para o menor domínio do Sporting em boa parte do jogo, tem a ver com a construção. É muito difícil o Sporting ter uma boa circulação baixa com os centrais que tem. Por exemplo, com Polga a bola raramente entrava directamente no lateral, com Onyewu, entra quase sempre. Qual é o problema? Com esta dependência, facilmente o adversário anula as soluções de passe na primeira linha (4 jogadores), com apenas 2 unidades, podendo depois fechar o campo no corredor. Ao Sporting, valeu o bom jogo de posse dos jogadores desse lado (direito), mas foi ainda assim limitativo. Não só a equipa foi incapaz de usar a circulação como forma de gerir o jogo, como esse factor condicionou outro momento, o da transição ataque-defesa, quando a bola não entrava no último terço...

- Sobre a transição ataque-defesa, volto aos médios, e a um em particular, Schaars. A amplitude de acção que é exigida à sua posição é enorme. Tem de dar apoio ao corredor, de oferecer soluções de passe ao centro, de fazer movimentos de profundidade e de aparecer ao lado do avançado para finalizar. Mas tem, também, de defender. Mais difícil do que saber o que fazer, é ser-se capaz de fazer tanta coisa, e Schaars tem problemas evidentes ao nível da resposta defensiva, e o seu papel não pode ser o mesmo de Elias, por exemplo. Não estou, obviamente, a colocar todas as responsabilidades nos ombros do holandês, mas parece-me um caso que deve ser melhor considerado, nomeadamente a gestão das acções ofensivas dos médios e o consequente equilíbrio em transição. O facto é que o Sporting teve alguns problemas para controlar este momento, quando a perda acontecia à entrada do último terço, em zonas onde são os médios/extremos a fazer a primeira reacção. Claro, também contribuiu o amarelo a Rinaudo, que impediu o argentino de manter a mesma agressividade na contenção, a partir desse momento. Ainda assim, e como sempre, o argentino voltou a estar fantástico na resposta dada a este nível.

- Finalmente, comentar dois casos individuais, Rui Patrício e Onyewu. O guarda redes teve um jogo horrível e grande parte da reacção do Rio Ave deve-se a ele. Porque foi de um erro seu que saiu o primeiro motivo de crença para os vilacondenses, numa saída aérea desastrada, e porque o 1-2 é decisivo para o crescimento motivacional do Rio Ave, sendo um golo absolutamente proibitivo de sofrer. Os problemas a outros níveis não têm a ver com ele, obviamente, mas o guarda redes é decisivo na definição dos resultados e a tal diferença de eficácia defensiva para os rivais não pode ser dissociada da má fase de Patrício neste inicio de temporada. Sobre Onyewu, é um caso interessante... Estamos perante um jogador que, a meu ver claramente, não tem qualidade para jogar a este nível, nos 4 momentos tácticos do jogo, sendo uma condicionante óbvia tê-lo em campo. Mas... e as bolas paradas? O Sporting tem um histórico terrível neste detalhe, quer no plano ofensivo, quer no plano defensivo, e o americano tem-se revelado uma mais valia clara a esse nível. 5 das 12 intervenções defensivas em lances desse género, foram dele, e em 2 jogos igualou o registo acumulado de golos na Liga de Polga e Carriço. Juntos e em mais de 250 jogos! Se fosse Andebol, tinha solução, assim, é mais difícil...
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13.9.11

Paços - Sporting: opinião

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- Começo pela ironia do futebol... Este foi o jogo, para o campeonato, em que o Sporting menos se aproximou do golo, mas aquele em que mais marcou. A questão da eficácia, já o tinha escrito, vinha sendo excepcionalmente baixa. Do mesmo modo, desta vez foi mais alta do que é normal. Ou seja, da mesma forma que, conseguindo o ascendente e as oportunidades que conseguiu nos 2 primeiros jogos, o Sporting iria (e irá, se o repetir) inevitavelmente ganhar, se voltar a repetir as dificuldades que sentiu na Mata Real para ser objectivo, dificilmente o fará. Para já, a vitória, mesmo com vários pontos a reflectir, traz uma novidade importante: alguma confiança.

- Relativamente ao jogo, passo primeiro pelos aspectos defensivos. É outra tendência negativa, mas que, ao contrário da eficácia, se vem acentuando com o decorrer da época. Estou a falar da propensão para o desastre. Vejamos bem este jogo... Foi o jogo com maior domínio de posse de bola que qualquer equipa teve na liga, o Paços praticamente não atacou em organização, e pouquíssimas vezes foi capaz de estender no campo, em transição. Ainda assim, conseguiu... 2 golos e 5 ocasiões. Tantas como o Sporting. Entre estas, só 1 não nasce de um "tiro no pé" do Sporting, a finalização de Michel depois de tirar Rodriguez, já depois do 2-0. De resto, para além dos 2 golos, o Paços teve mais 2 ocasiões, sempre por Michel, ambas resultantes de maus alívios de defensores, em situações que poderiam e deveriam ter sido facilmente evitadas.

- Já agora, aproveito o ponto anterior para abordar o Paços: dificilmente o Sporting terá um adversário tão débil no que resta da época. Quem tem Michel na última linha e tanto espaço para o lançar, arrisca-se sempre a marcar, mas, fora o seu avançado e as ofertas do Sporting, o Paços foi inexistente, limitando-se a defender muito baixo e aproveitar a incapacidade do Sporting no último terço. Por exemplo, não é uma expulsão que pode justificar tão rápido descalabro a partir de um resultado de 2-0...

- Voltando ao Sporting, a grande reflexão deste jogo vem, claramente, do que a equipa fez (ou não fez) no último terço. Construir foi fácil, a equipa ligou bem corredores, mas limitou-se a tentar entrar pelas alas e com dinâmicas restritas a 2 jogadores. Não é a primeira vez que escrevo sobre isto, mas o Sporting parece precisar de ser capaz de incluir pelo menos mais um jogador nestas acções, sob pena de estar permanentemente a convergir para cruzamentos largos, fáceis de defender, e sem qualquer ajuste às características dos seus jogadores. Foi isso que se viu repetidamente durante grande parte do jogo, e daí tão pouca produtividade para tanto domínio. Embora não tenha sido o caso, dada a pouca capacidade do Paços em construir fosse o que fosse, a verdade é que estas situações de apenas 2 jogadores na zona da bola são também um problema potencial para o controlo da transição ataque-defesa, em caso de perda, já que há pouca presença na zona da bola. Um exemplo do que pode ganhar o Sporting com a inclusão de pelo menos 1 jogador nestas dinâmicas, vem do lance que deu origem à expulsão, com Rubio a juntar-se a João Pereira e Izmailov. Na primeira parte, nunca aconteceu...

- Não havendo muito mais para tratar, num jogo quase absolutamente monocórdico, parto para algumas características individuais. Sobre Bojinov, dizer que é no corredor central e nas acções perto da área que melhor se sente. Não é, nem rápido, nem forte nos duelos aéreos para ser solução perante o tipo de jogo que lhe foi proporcionado, mas é muito inteligente e bom executante em zona frontal. Um exemplo? O lance em que isola Elias na primeira parte, numa das pouquíssimas vezes em que o Sporting entrou pelo meio. Sobre Elias, referir que, sem surpresa, o Sporting ganha muito com este jogador. É, finalmente, um médio à medida do que o Sporting precisa para aquele sector, seguro em posse, agressivo defensivamente, e com grande capacidade de movimentos verticais. Se Domingos encontrar equilíbrio entre ele e Rinaudo, poderá bem jogar apenas com os 2. Sobre o argentino, é difícil adjectivar sobre a dimensão e o impacto da sua presença (continuo a não perceber como passou 2 jogos no banco!!). Pereirinha esteve bem, não creio que excepcionalmente bem, mas bem, dentro do valor real que tem. Acabou por ser vitima da tal pouca presença no seu corredor, e do estatuto, porque não estava a dar menos do que Capel. Aliás, o espanhol é um problema para Domingos, que deverá encontrar formas de potenciar melhor o seu futebol e evitar tanta tendência para o transporte de bola, sem que isso tenha uma consequência prevista. De resto, não concordo com a dimensão das criticas a Rodriguez nos aspectos defensivos, e parece-me óbvio que o Sporting terá de repensar a sua construção se insistir nesta dupla, porque é muito fraca a sair a jogar. O Paços ignorou isso, mas outros seguramente que não o farão...
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9.8.11

Sporting 2011/12: balanço de pré época

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Ponto prévio, incerteza: Qualquer projecção futura tem, por definição, uma incerteza inerente. Chegar a graus de probabilidade mais elevados é um desafio bem mais árduo do que a maioria das pessoas supõe, mas é esse o desafio que me interessa e aquele que justifica toda a dedicação que destino ao "tema futebol". O caso do Sporting 2011/12, e neste timing concreto, é especialmente interessante, porque pode-se fazer a análise de 2 perspectivas. Uma, mais pessimista, centrada em elementos de pré época e noutros problemas que, a meu ver, são evidentes. Outra, mais optimista, centrada essencialmente nas projecções que se podem fazer a partir dos trabalhos passados de Domingos. Por motivos que adiante explicarei, estou mais inclinado para a segunda, a mais optimista, arriscando numa melhoria substancial de rendimento face aos 2 anos anteriores. O grau de sucesso, não quero aqui precisar porque, em competição, nunca se depende apenas de si próprio. Ainda assim, e sem deixar de assumir as minhas leituras para critica futura, faço questão de começar por confessar alguma insegurança nos elementos que estou a utilizar.

Que sistema? - 4-1-3-2, 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3... já se falou de tudo um pouco. A diferença, bem vistas as coisas, não é muita. Os princípios são os mesmos, e os comportamentos mudam, essencialmente, num jogador, aquele que joga mais próximo do avançado, podendo ser "mais avançado", ou "mais médio". Em relação ao 4-2-3-1 que se viu em Braga, há uma alteração comportamental no meio campo, perdendo-se a simetria e com um médio (Rinaudo) a assumir uma postura mais posicional. Depois, se o elemento de ligação com o avançado for assumidamente mais próximo deste (como frente à Juventus ou ao Valência), há uma distinção entre o seu papel e o do outro médio, que necessita de fazer a aproximação entre os avançados e o médio mais posicional. Este papel foi interpretado por Schaars. A partir da segunda parte do jogo com o Málaga, houve uma aposta numa estrutura comportamental mais próxima do 4-3-3, com o papel entre os 2 elementos ligação a ser mais simétrico, e com a presença junto do avançado, no pressing, a alternar em função do lado da bola. O papel dos alas no equilíbrio ao centro também fica afectado, já que há, por norma, mais presença, mas o comportamento global da equipa não se altera em nenhum momento. Ainda assim, creio que seria benéfico Domingos encontrar um sistema base, bem como os seus principais protagonistas. Aliás, creio ser essa a intenção do próprio. Arriscaria que, com Matias, o 4-3-3 ganhará maior probabilidade, mas sem o chileno (e sem Aguiar e Izmailov), essa hipótese pode estar mais condicionada.

Aspectos defensivos - Talvez possa ser estranho, mas sou da opinião que um dos aspectos positivos desta pré época, vai para o que se viu da linha defensiva. E, aqui, distingo aquilo que é o posicionamento em altura de 4 jogadores, do produto do sistema defensivo, como um todo. Houve coerência na posicionamento, com poucos exemplos de jogadores a ceder à tentação de desfazer a coerência da linha com acompanhamentos individuais, e com muitos fora de jogo a serem tirados, ao contrário do que aconteceu no ano passado, onde, perante o mesmo tipo de intenção, muito mais erros aconteciam.
Por outro lado, também não vi demasiado espaço entre centrais e laterais, ou mesmo entre sectores, como foi denunciado em diversas opiniões. Vi, isso sim, dificuldade da linha média em controlar o tempo de passe e em controlar zonas de pressão, de onde a bola não deve sair, uma vez entrada. Vi erros individuais em posse, que potenciaram transições muito complicadas de controlar. Vi jogadas estrategicamente trabalhadas para colocar a bola nas costas do lateral (mas raramente não entre este e o central). Vi, por fim, erros individuais em situações de bola parada, e más saídas pontuais dos médios (Rinaudo), na ânsia de corrigir o que a primeira linha do pressing não conseguiu neutralizar (mas não espaçamento estrutural entre sectores).
Várias coisas, portanto, mas não tudo, nem tudo o que se disse. Aqui, e para finalizar, reforço um problema que me parece essencial e que tem a ver com a agressividade da linha média e avançada no trabalho defensivo. Algo que me parece ter convergido para o reforço da linha média a partir da segunda parte do jogo com o Málaga.

Aspectos ofensivos - O que mais surpreende será, talvez, a pouca capacidade da equipa em situações de transição defesa-ataque. Não nas transições curtas, produto de recuperações altas do pressing, mas nas recuperações mais profundas, de onde a equipa raramente se desdobrou com qualidade. A surpresa tem a ver com aquilo que o Braga era capaz de fazer neste momento, e com a valorização estratégica que o próprio Domingos lhe dava.
Ao nível da organização e ataque posicional, também a maior presença de médios (4-3-3) pareceu fazer evoluir a equipa. Particularmente, no jogo com o Valência e primeira parte com o Málaga, a equipa teve muitas dificuldades em construir. O contra-exemplo mais representativo é mesmo a segunda parte frente ao Málaga, já que, quer Udinese, quer Juventus, não apostaram num condicionamento tão forte sobre a fase de construção.
A questão individual torna-se decisiva na melhoria da equipa em toda a sua vertente ofensiva. Os aspectos ofensivos devem ser potenciados em especificidade, partindo das características dos jogadores para as dinâmicas previstas. Aqui, em termos de potencial, parece-me que há um maior condicionalismo na saída em construção. Por um lado, porque se prevê um decréscimo de qualidade na capacidade dos centrais neste plano (será o ponto fraco de Rodriguez, e Onyewu é o mais limitado dos 4). Por outro, não se vê ainda uma grande capacidade na resposta às primeiras bolas aéreas, uma alternativa que o Braga explorava muito em jogos de maior grau de dificuldade.
Tal como referido acima,torna-se importante que Domingos encontre rapidamente a sua estrutura base, para poder evoluir em especificidade.

Competição, precisa-se! - Há um aspecto que não foi avaliado - nem podia - na pré época. Dois, na verdade, mas ambos têm a ver com a competição onde "ganhar" é o objectivo. O lado estratégico do jogo, e a resposta mental da equipa. Estas 2 vertentes foram, indiscutivelmente a grande força das equipas de Domingos, e a grande justificação para os resultados extraordinários que continuadamente o treinador vem conseguindo. Por exemplo - e isto não serve para extrapolações lineares - o Braga havia perdido os seus jogos de apresentação nas 2 épocas sob o comando de Domingos, tendo feito, depois, um arranque fulgurante na época oficial. Este é, já agora, o capítulo que justifica alguma perspectiva de uma época acima das expectativas, por parte dos Sportinguistas. Aliás, com Domingos, e até agora, foi sempre assim, "acima das expectativas"...

Lesões, uma preocupação - Se projectarmos um onze ideal, dentro das actuais soluções, dificilmente alguém excluirá Rodriguez, Matias e Izmailov. Ora, também dificilmente projectará uma época imaculada em termos de lesões para qualquer dos 3. Dito isto, e acrescentando o risco de outras unidades padecerem desse mesmo mal, é bastante provável que o Sporting 2011/12 seja (ou continue a ser) uma equipa com um departamento médico atarefado. Que consequências terá?

Opções individuais - Já várias vezes me expressei sobre algumas unidades, pelo que não quero cair na redundância, neste texto. Exploro, ainda assim, alguns casos.
Primeiro, os centrais. Especula-se sobre a hipótese de o Sporting procurar outro jogador para esta posição. Sendo ou não verdade, entendo que será prudente fazê-lo. Porque Rodriguez, um titular previsível, tem o tal problema do histórico de lesões, e porque Onyewu também o tem, não sendo, por outro lado, uma opção muito credível, a meu ver. E fundamento-me em 2 aspectos principais para a critica ao americano: capacidade em posse (não o critério, mas a falta de capacidade de arrojo mínimo, que se tornará um "alvo" óbvio para qualquer adversário), e capacidade de resposta em zonas onde é necessário antecipar e reagir (jogando alto e de forma mais pressionante). Ou seja, seria, a meu ver, mesmo aconselhável ter outra solução...
No meio campo, o tal problema da falta de reactividade, onde se exclui o caso do incrível Rinaudo. Aqui, destaco as dificuldades, mais previsíveis, de Schaars e André Martins, e mais surpreendente (ainda que reincidente), de André Santos. Creio que nestas contas pode entrar Izmailov, um acréscimo de valor e bom complemento para Rinaudo. Melhor do que Schaars, parece-me, ainda que holandês seja também um bom valor.
Mais à frente, creio que, seja qual for o sistema, Domingos apostará entre Matias, André Martins , Aguiar ou Postiga, sendo Izmailov outra possibilidade eventual. Com Postiga, dificilmente a opção passará por um 4-3-3, ficando, nessa hipótese, a solução muito dependente da disponibilidade de Matias ou Izmailov, já que não entendo haver grande mais valia em Aguiar ou (para já) André Martins.
Nas alas, a boa notícia é a capacidade de trabalho de todas as opções, algo fundamental para quem quer manter-se alto e agressivo no jogo. Djalo é o caso mais forte neste plano, e aquele que garante um estilo diferente dos outros. Mais incisivo e forte em zonas de finalização, e menos fiável em posse. Dos outros, o tempo para opiniões muito vincadas ainda é curto. Jeffren parece poder acrescentar algo em termos de 1x1, algo em que o plantel se encontrava carente. Ele, e Carrillo, uma das surpresas da pré época. Carrillo será, até, o que mais mostrou dos novos extremos, mas fica-me a dúvida sobre a sua resposta no último terço, em termos de definição. Um extremo não pode precisar de 2 "toques" entre si e o golo. Falta ver mais, para estes e para Capel.
Finalmente, na frente. Sobre Postiga, estamos conversados. Podia trazer mais análises de desempenho passado, mas parece-me tão trivial o ponto sobre a improbabilidade do seu rendimento como principal finalizador, que me vou dispensar desse trabalho. Wolfswinkel é a aposta óbvia. Afinal, quem dá 5 milhões não abdica da aposta por 1 pré época. Compreendo a coerência dessa medida, mas, na leitura que já havia deixado, o holandês dificilmente será um finalizador muito eficaz (ainda que valha mais do que o que mostrou). Tinha tudo para ser um problema, não fosse... Rubio. A sensação da pré época pode ser uma das melhores aquisições dos últimos anos. Tem óptima abordagem à zona de finalização, mas foi também o que melhor resposta deu em termos de agressividade defensiva e jogo aéreo (primeiras bolas), não ficando a perder em termos de jogo de apoio, pelo menos face ao que os outros mostraram. Já havia deixado as minhas suspeitas, e, tudo somado, dificilmente a pré época terá sido um engano. A idade e o estatuto? Pois claro, esses serão os seus obstáculos para uma aposta séria e no imediato. Porque mais nada o justifica. Resta Bojinov, que deu muito boa resposta frente à Juventus, jogando de costas para a baliza. Na minha leitura, será entre Rubio e o búlgaro...
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3.8.11

Lançamentos laterais...

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Não é normal. Em 2 jogos, 5 golos com origem em lançamentos laterais. Aconteceu, e como tal, é também uma boa oportunidade para rever este tipo de situação, nomeadamente no que respeita a Sporting e Porto. O meu destaque mais geral vai para o posicionamento base de ambas as equipas, mas há pormenores que dão um interesse especial a cada uma das situações.

Sporting - Valência (golo 1) - Não é claro que seja intencional, mas é provável que o seja. O Valência atrai 3 jogadores para a zona lateral à área e depois opta por um lançamento longo, onde, obviamente, há mais espaço e, particularmente, um 2x2 na frente de Patrício. O pormenor que define o lance, a meu ver, tem a ver com a abordagem de Carriço. Consegue controlar o adversário, mas perde noção da trajectória da bola, fazendo-se a ela, ainda assim. É perfeitamente notório o movimento de João Pereira, que inicialmente tenta controlar o espaço entre ele e o central, mas, de repente, abre deliberadamente, como que antevendo a acção deste. O mesmo se passa com Patrício, que demora a sair, precisamente porque espera pela acção de Carriço. Ainda que se possa considerar um excesso de confiança (nomeadamente de João Pereira), tem lógica o comportamento destes jogadores, porque, antevendo a iniciativa do colega, o ressalto seguinte nunca cairia imediatamente nas suas costas, mas em zonas mais afastadas. Neste cenário, definido em fracções de segundo, houve apenas um jogador que apostou no falhanço de Carriço. O problema, para o Sporting, é que não vestia de verde e branco.


Sporting - Valência (golo 2) - Diria, o golo mais interessante de todos. Desde logo, distingue-se pela zona onde nasce, completamente diferente dos outros casos. Se alguém duvidava da preparação do Valência para o aproveitamento do espaço nas costas, está aqui um belo exemplo. Delicioso o pormenor do jogador do Valência antes do lançamento, como que anunciando de forma não verbal o que se iria passar. Mais à frente, quem percebeu tudo muito bem e de forma telepática, foi Soldado. Repare-se como parte muito antes de um passe que não era evidente. Evidentemente preparado, foi o que foi. É natural que o Sporting não tenha feito um estudo muito especifico do jogo, dada a sua natureza pré competitiva. Ainda assim, ficam 2 notas gerais sobre aspectos importantes para quem quer defender com tanto espaço nas costas. Na frente, e embora os jogadores avançados estejam habitados a "folgas" no que respeita a defender, não há margem para perdas de intensidade. O lance devia, fundamentalmente, ter sido controlado na pressão sobre o jogador que recebe o lançamento. Não foi, porque Postiga não teve intensidade suficiente no lance. Depois, a colocação dos apoios de Onyewu. Nota-se que há um antecipação do passe nas costas, brevíssimos instantes antes dele sair. No entanto, a forma como o central americano parte para o lance compromete qualquer possibilidade de reacção face a Soldado. É muito importante que os jogadores ajustem correctamente o ângulo dos pés, precavendo uma eventual necessidade de corrigir rapidamente o espaço nas costas. Se Onyewu ficou a milhas de Soldado, foi porque partiu tarde, e não por questões de velocidade. Bem melhor esteve Carriço, que conseguiu, pelo menos, importunar Soldado. Como o mérito do avançado prevaleceu, e foi Carriço a ficar no "foto-finish", é provável que, para muitos, tenha sido ele o culpado...

Sporting - Valência (golo 3) - A nota principal do lance vai para a falta de preparação dos jogadores para o detalhe do fora de jogo. O posicionamento defensivo é estabelecido como se a lei do fora de jogo vigorasse neste tipo de situações, o que é normal, dado que a equipa quer estar assim posicionada no momento seguinte ao lançamento. Mas, porque, de facto, não há fora de jogo no acto do lançamento, é preciso uma atenção extra, porém, completamente ausente do lance. Sobretudo de João Pereira, que é quem está mais próximo do lançamento, não pode "apertar" a marcação quando tem espaço nas costas. Esse é o lapso mais importante para o desenvolvimento do lance, mas não se pode dizer que o lateral fique herdeiro solitário de toda a responsabilidade. Há uma perda de intensidade geral, que continua em Rinaudo, visivelmente pouco prevenido para a possibilidade de ter de dobrar junto à linha, e se estende até à área, onde Onyewu volta a perder o controlo de uma marcação, que devia ser facilmente anulável, dada a escassa presença de jogadores espanhóis na área.

Porto - Lyon (golo 1) - Tal como na generalidade dos lances do Valência, nada parece ser um acaso no golo do Lyon. Foco em Gomis, bola em Lisandro. O Porto é notoriamente surpreendido, notando-se a proximidade de Souza ao avançado francês. No entanto, há aqui um pormenor, que me parece fundamental no desenvolvimento do lance. Há alguma diferença entre o posicionamento base da equipa, em jogo corrido, e neste tipo de situações. Em particular, no posicionamento estratégico dos médios e na "folga" que é dada no espaço à frente dos centrais. Por ser concedido esse espaço, é importante que exista um encurtamento rápido da linha defensiva, assim a bola comece a progredir paralelamente à linha frontal da área. O problema, diria decisivo, é que Otamendi fica preso com Gomis, impedindo-o de recuperar a sua posição, para pressionar na frente de área. Isso e, claro, a qualidade de Lisandro.

Porto - Lyon (golo 2) - Tudo muito semelhante ao primeiro golo, mas com desenvolvimento completamente oposto. Aqui, fica mais claro o posicionamento dos médios, e o porquê do mesmo. Em situações de jogo corrido, é, muitas vezes, o médio que fecha na ala, ficando o extremo mais livre para a transição. Aqui, ficam os 2 médios preparados para o momento de transição, como que tendo a certeza do mesmo. E assim foi, golo em transição com os médios como protagonistas. Tudo previsto, portanto.
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14.2.09

Standard Liége: Talento emergente

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Quando o sorteio ditou o Standard Liége como opositor do Sporting de Braga, muitos devem ter pensado que se tratou de uma benesse, pela falta de campanhas relevantes deste clube nos últimos anos do futebol europeu e pela própria mediocridade em que mergulhou o futebol belga após o Mundial de 94. Esta ideia não só é enganosa, como é perigosa.

É enganosa, porque a equipa de Lazlo Boloni tem uma enorme qualidade e, se mais dúvidas houvesse, bastaria recordar o actual trajecto europeu. Prolongamento e um grande susto provocado ao Liverpool na pré eliminatória da Champions. Eliminação do Everton na primeira eliminatória da Taça Uefa e primeiro lugar num grupo com Sevilha, Sampdoria, Estugarda e Partizan. É perigosa, porque subvalorizar a qualidade desta equipa e dos seus jogadores será seguramente o primeiro passo para se ser surpreendido. Essa é, aliás, a primeira tarefa da equipa técnica do Braga. Passar a ideia de um confronto mais difícil do que, por exemplo, aquele que tiveram com o Portsmouth, estimulando a concentração e empenho totais durante a eliminatória. Este é um risco que correm também os belgas, já que depois dos adversários que tiveram pela frente, o Braga não será propriamente um nome assustador para os jogadores. Neste aspecto, claramente, é uma desvantagem a ligação da equipa técnica do Standard ao futebol português, já que serão muito mais capazes de se aperceberem da qualidade que tem esta equipa bracarense.


Sobre a equipa de Liége, deixo a nota para a juventude da equipa (média a rondar os 24 anos e nenhum jogador, sequer, às portas dos 30) e para a qualidade individual de alguns destes jogadores. Tenho, aliás, a convicção de que alguns nomes que hoje são uma incógnita para a generalidade dos adeptos, serão, em breve, figuras dos principais campeonatos europeus. O motor da equipa é, claramente, o duplo pivot formado pelos talentos Witsel e Defour (ambos de 20 anos!!). São 2 jogadores diferentes mas com um cultura táctica enorme e que garantem tanto o equilíbrio defensivo como a organização ofensiva. Depois há Milan Jovanovic. Um sérvio de enorme qualidade que serve normalmente de referência ofensiva às transições da equipa. O seu perfil é diferente do ala oposto – normalmente Dalmat – e isso dita também alguma assimetria comportamental. O brasileiro Camozzato é muito ofensivo (aliás desposiciona-se algumas vezes), ao contrário do lateral esquerdo que é mais fixo e defensivo. Na frente, o naturalizado De Camargo joga atrás do jovem ponta de lança congolês Mbokani. São 2 jogadores fisicamente interessantes, esguios e altos, capazes de ser uma ameaça, quer pela velocidade, quer pelo jogo aéreo. Neste aspecto, nota para o papel importante de De Camargo, baixando sempre em acções defensivas mas surgindo depois como elemento desequillibrador nas chegadas ofensivas, numa movimentação que dificulta muito as marcações pela mobilidade. Em termos comportamentais, esta é uma equipa que se refugia muito num bloco baixo, o que dá vantagem à robustez física dos seus defensores, e é particularmente perigosa em transições ou ataques rápidos. Aqui a opção pode ser através de uma circulação rápida ou recorrendo a um jogo mais directo, tendo Mbokani como referência. Um dos pontos fracos da equipa poderá ser a fraca qualidade técnica dos centrais. Se houver uma pressão alta que impeça Defour de receber facilmente, o Standard poderá ter algumas dificuldades. Nota final para o ambiente caseiro em Liége. É muito intenso e chega a ser impressionante.


Notas individuais:
Oguchi Onyewu – Central norte americano, é o patrão da defesa. A sua principal característica é a capacidade física. Alto e forte é um jogador muito eficaz nas marcação e perigoso quando se adianta nas bolas paradas. Beneficia claramente quando o Standard baixa o bloco.

Steven Defour – É o capitão e já foi considerado o melhor jogador da liga belga. Tudo isto, com 20 anos. Defour é o comandante em campo, com um excelente sentido posicional e uma grande qualidade e certeza no passe em organização ofensiva. O que custa a perceber é como se consegue ser tão adulto com apenas 20 anos.

Axel Witsel – Forma um duplo pivot com Defour, jogando normalmente sobre a meia esquerda. Witsel não é menos talentoso, mas é diferente. Podia ser um médio ofensivo ou mesmo um ala. Jogador leve e ágil, está talhado para criar desequilíbrios a partir de trás, destacando-se, por exemplo, pela sua capacidade no 1x1.

Milan Jovanovic – Já se falou deste jogador como hipótese para o Porto e só posso dizer que desportivamente seria hoje uma enorme valia. É um jogador elegante e irreverente, tanto na personalidade como no futebol que apresenta. Defende-lo é muito difícil porque Jovanovic é forte tanto no 1x1, como nas assistências, ou mesmo nas diagonais com que ataca as zonas de finalização. Aliás, Jovanovic é por natureza um goleador. Ao vê-lo pergunto-me o que faz na Bélgica aos 27 anos?!

Dieumerci Mbokani – A veia goleadora que apresenta desde a sua chegada à Bélgica faz deste avançado de 23 anos um caso interessante de seguir. Mbokani é rápido, tecnicamente forte e bom no jogo aéreo. Tem, no entanto, algumas lacunas sobretudo ao nível da decisão, revelando-se por vezes demasiado egocêntrico.

Alguns jogos:
Standard 2-1 Anderlecht
Everton 2-2 Standard
Standard 2-1 Everton
Standard 1-0 Sevilha
Standard 3-0 Sampdoria


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