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13.12.11

Sporting - Nacional: opinião e estatística

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- Fraca. Não há outra forma de classificar a exibição do Sporting. O mais importante, os três pontos, foram conseguidos, mas sobretudo graças ao melhor aproveitamento das poucas ocasiões criadas em todo o jogo. E, já agora, graças também à importância das bolas paradas. Torna-se difícil fazer grandes comentários ao jogo colectivo, porque olhando para a composição da equipa se percebe a instabilidade na sua composição. Não é possível que o Sporting se possa exigir grandes níveis de qualidade colectiva quando tantas das suas principais unidades estão permanentemente a entrar e sair da lista de disponíveis. Má fortuna, certamente, mas também há que olhar para trás e para a composição do plantel, porque há vários casos cujo histórico já fazia prever este cenário. Ou seja, esta não é uma situação que possa ser considerada como totalmente imprevisível. Seja como for, parece claro que o Sporting joga boa parte da manutenção da sua candidatura nas próximas jornadas, e será decisivo que consiga elevar rapidamente os níveis qualitativos do seu jogo.

- Centrando a análise num comentário mais individualizado, começo por Carriço. A sua adaptação não está a ser propriamente um sucesso, por muito que se queira encorajar o jogador neste novo desafio. Defensivamente, o Sporting não é a equipa mais fácil para um "pivot", e Carriço sofre com isso. Isto é, por ter tantas vezes os dois médios adiantados, o espaço de intervenção do "pivot" é frequentemente muito difícil de controlar por um só jogador, e nem sempre é possível manter uma presença pressionante sobre o portador da bola sem assumir o risco de perder o espaço "entrelinhas". Mas será nos momentos com bola que Carriço e a equipa mais tem sofrido. Não acrescenta valor à posse, mas a meu ver não faz sentido centrar as criticas nessa limitação, porque ela está implícita na decisão de adaptar o jogador ao lugar. Ou seja, a resposta teria de ser colectiva, criando dinâmicas que não exijam muito do jogador, mas que o protejam, a ele e à equipa, dessa vulnerabilidade. Uma sugestão seria fazer Carriço baixar para a linha dos centrais, criando mais espaço no meio e oferecendo mais protagonismo aos centrais. O problema é que a dupla de centrais do Sporting, neste momento, não tem propriamente grande vocação para essa tarefa.

- De Onyewu, o herói do jogo, sobra nova reflexão sobre a importância das bolas paradas. O Sporting perdeu o jogo da Luz nesse capítulo, e agora resgata três pontos por esta via. Curiosamente, no ano passado e contra este mesmo adversário, havia permitido o empate na sequência de um pontapé de canto. Ou seja, este pode não ser o aspecto mais interessante de abordar, mas é incontornável o peso decisivo que pode ter no sucesso das equipas ao longo de uma prova de regularidade, como é um campeonato. Pode, e seguramente tem. Eu próprio negligenciei este aspecto na avaliação que fiz no inicio de época sobre Onyewu, mas a verdade é que a estatura do central americano, e pese embora ser seguramente o mais fraco do plantel em todos os outros momentos do jogo, se pode revelar importante e difícil de preterir para uma equipa com tantas fragilidades a esse nível. Isto não quer dizer, porém, que o Sporting não se deva exigir mais do que isto...

- No meio campo, a novidade é André Martins. Não é um grande momento para se mostrar, num jogo em que a equipa está tão instável ao nível da qualidade do seu jogo. Ainda assim, para quem está a fazer a estreia no campeonato, foi uma prestação impressionante do jovem médio. Enquanto esteve em campo foi jogador mais interveniente da equipa, nem sempre muito certo ao nível do passe, é verdade, mas inesperadamente útil na reactividade e agressividade defensivas. Se confirmar a característica - o que é provável - estará muito próximo de poder ser uma opção com importância crescente nas prioridades de Domingos. Mas é ainda muito pouco para que possa fazer uma apreciação conclusiva...

- Finalmente, uma nota sobre Elias. Pessoalmente, discordo da sua utilização por vezes demasiado ofensiva e centralizada. Percebe-se que Domingos veja nele um jogador de grande potencial para a transição, dada a capacidade que tem em progredir rapidamente. Mas Elias não é naturalmente um jogador tão ofensivo. Não o era no Corinthians, por exemplo, e não me parece que seja necessário mantê-lo tão adiantado para que se aproveite a sua capacidade de desdobramento em transição, porque tem capacidade de o fazer de trás para a frente, e partindo de posições mais recuadas. Neste aspecto, é um jogador semelhante a Ramires, e se pensarmos no agora médio do Chelsea, este nunca teve de ser um médio ofensivo para ser temível em transição. Por outro lado, em organização, Elias é um jogador com grande eficácia no jogo mais apoiado, tendo uma das percentagens de certeza em posse mais elevadas entre os médios da equipa (na verdade, é a mais elevada entre os habituais titulares). Quando se aproxima da direita, a equipa parece ganhar qualidade na dinâmica do corredor, mas nem sempre essa é a prioridade para o seu posicionamento.
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25.10.11

Porto - Nacional: opinião e estatística

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- Começo com uma questão: se o Porto tem basicamente a mesma equipa (saiu apenas Falcao), se tem o mesmo modelo táctico (apenas se introduziram alguns comportamentos ao que já existia), porque é que tem tido mais problemas do que no ano anterior? E, aqui, importa distinguir o que é normal, dentro do expectável, do que será um pouco menos fácil de explicar. Ou seja, era de esperar que a época não fosse tão conseguida como a anterior, mesmo que Villas Boas se tivesse mantido, primeiro porque foi uma época excepcionalmente boa e, depois, porque há alguns factores que costumam contribuir para o acréscimo de dificuldades. Factores como a motivação, própria e dos adversários, a nível interno, que seria este ano sempre menos favorável ao Porto, ou como a presença na Liga dos Campeões, que traz sempre mais desgaste emocional do que a Liga Europa, especialmente nesta fase de grupos. Mas, mesmo descontando tudo isto, há claramente um momento menos conseguido do que aquilo que seria de esperar, como o comprova o jogo com o Apoel, por exemplo. Porquê? Não tenho a resposta exacta, mas uma coisa me parece certa, nem ela estar muito centrada do campo individual, nem do plano táctico. Há aqui algo que acredito possa ter influência, que tem a ver com a rotatividade implementada no inicio deste ano, ao contrário do ano anterior, onde a base da equipa se manteve sempre muito estável. É o meu palpite...

- Noutro âmbito, comento algumas situações individuais. Primeiro, Moutinho. Esta situação do seu menor rendimento faz-me lembrar a radical alteração na reputação do jogador após a sua mudança para o Dragão. De repente, passou de não convocado para a Selecção a grande médio do futebol nacional. Num Verão e pouco mais. Na minha leitura, se há característica que Moutinho possui é a sua consistência. Não é melhor no Porto do que era no Sporting, nem me parece que hoje seja pior do que era no ano anterior. Do mesmo modo, não me parece que se possa passar por cima das suas lacunas, que as tem, ou, num pólo completamente oposto, passar a reparar em tudo o que faz menos bem. Há, claro, uma coincidência em cada um destes pontos altos e baixos: o momento da própria equipa. A pergunta é, será que as equipas mudam tanto só por causa do momento de Moutinho? Ou, por outro lado, será que é a percepção geral sobre o jogador que muda quando a sua equipa não está tão bem? Eu, claramente, sou partidário desta segunda hipótese, e nesse sentido acho todo esta discussão sobre a sua quebra de rendimento (que o próprio alimentou) sem qualquer sentido.

- Depois, e mantendo-me no campo dos médios, falar de Defour, que se tem revelado mais uma excelente opção para aquela posição. Não me parece um jogador tão consistente em posse como Moutinho, por exemplo, mas, e mantendo o paralelismo com o português, tem-se revelado bem mais útil nos movimentos que exigem maior profundidade. Já conhecia o jogador, mas nunca o analisei com grande detalhe, mas fico cada vez mais com a sensação de que pode ser uma das soluções com mais consistência para a posição. Seja como for, tem muita e boa concorrência.

- Finalmente, Walter. Desconheço os motivos da sua repetida ausência dos eleitos, e esta não é uma opção que vem desta época, já que também não foi opção quando Falcao se lesionou no inicio da segunda metade da época anterior. Simplesmente, hoje, e devido ao momento da equipa, o tema ganha outros ecos. Francamente, sempre assumi que os motivos da sua ausência não eram técnicos, porque o seu rendimento, nas poucas oportunidades que teve, nunca justificou essa apreciação negativa. Pelo menos, na minha avaliação. Hoje, porém, tenho mais dúvidas de que não tenha sido esse o motivo. Se assim foi, realmente, foi um desperdício...

- Com tudo isto, não abordei o jogo propriamente dito. Na verdade, não teve muito interesse. Duas notas. Uma para o Porto, que sem James voltou a ter comportamentos mais simétricos entre os extremos. Aliás, a sua assimetria neste inicio de época parece-me o aspecto mais questionável do ponto de vista da intencionalidade táctica, sobretudo quando isso implica que a equipa perca presença à largura na sua última linha ofensiva. Já agora, fica a nota de curiosidade, porque no Chelsea, Villas Boas promove um tipo de acção interior semelhante com Mata. A outra nota, tem a ver com o Nacional e com a exposição da equipa, especialmente na segunda parte. A tentativa de jogar alto parece-me um equívoco tremendo nesta equipa, não pela ideia em si mesmo, mas porque a equipa não revela qualidade suficiente para o fazer de forma consistente. Esse é outro ponto de discussão possível, o que as equipas escolhem fazer deve ser definido em função das suas ideologias ou das suas capacidades reais?
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31.8.11

Nacional - Benfica: opinião

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- Começo pelo sistema. Jesus diz que é igual, que Witsel só vem dar outra característica, outra capacidade de recuperação. Jesus saberá, seguramente, melhor do que eu, mas vou, ainda assim, deixar a minha leitura, parcialmente discordante, porque, mesmo podendo estar errado, só posso concluir o que constato. O Benfica mantém, de facto, a sua dinâmica, com bola. Hoje, mais do que no passado, há uma aproximação grande de Javi à primeira linha de organização, e 3 dinâmicas preparadas, uma para cada corredor. E, para além das características, nada muda. Witsel faz de Aimar, e Aimar de Saviola. Já sem bola, é diferente. Em organização, isto é. O Benfica defende em 3 linhas. A primeira, com Aimar e Cardozo (pressionam a primeira linha de organização, em simultâneo), a segunda com Witsel numa função simétrica a Javi, e a terceira, a linha defensiva. No 4132 anterior, Aimar pressionava à frente de Javi, nas costas dos avançados. Não havia simetria, Aimar fechava tanto à esquerda como à direita. E Javi, nas suas costas. Sobre a primeira parte, da organização ofensiva, sou favorável. Já o escrevi. Witsel é fantástico e acrescenta maior critério à progressão, o que pode fazer perder alguma vertigem e, talvez, alguns desequilíbrios, mas mantém grande qualidade e, sobretudo, muito maior segurança em posse (um problema crónico do Benfica). Já sem bola, continuo com as minhas reticências. Vejo o Benfica pressionar numa área que me parece muito ampla para 3 linhas, e vejo muito espaço entre estas. Um teste interessante vai ser com o Man Utd, que está habituado a lidar com "fórmulas" para ultrapassar esta disposição defensiva.

- O jogo tornou-se fácil, fundamentalmente, por causa da eficácia, porque, até ao golo de Cardozo, o Benfica tinha sentido muitas dificuldades (e só voltou a criar perigo depois da expulsão). E posso começar por aqui. Se o Benfica tem o melhor ataque do campeonato, deve-o muito à sua eficácia. Em relação ao número de oportunidades (17), a equipa conseguiu concretizar mais de 40%, alicerçando este seu bom aproveitamento, sobretudo, nas situações de origem em cruzamento (4 golos e 50% de eficácia, em relação às oportunidades). Precisamente, a forma como chegou ao golo na Madeira. Também pelos dados fornecidos pela Liga, se confirma este bom registo, com o Benfica a ser 3ª equipa mais eficaz, face às oportunidades que cria. Apenas Gil Vicente e Beira Mar superam o registo encarnado. Só os golos dão tranquilidade, e este jogo prova-o bem, e sem eficácia dificilmente essa tranquilidade existirá de forma consistente. Aqui, neste inicio de época, os méritos principais dividem-se entre Cardozo e Nolito.

- De volta às incidências do jogo, de facto, o Benfica sentiu muitas dificuldades nos primeiros minutos. Isto, porque a estratégia do Nacional forçava o Benfica a jogar em organização, e conseguia condicionar a construção. O Benfica fez golo praticamente na primeira vez que ligou o seu jogo, porque, até aí, nada se vira (e não me refiro ao nevoeiro). Ou melhor, viram-se dificuldades. Há um ponto de viragem, aqui, que, entendo, possa ter sido detectado por Jesus por volta dos 15-20 minutos. E explico... O Nacional não condicionou o tempo de passe sobre a primeira linha. "Entregou-o" aos centrais. O que fez, foi cortar a linha de passe entre os centrais, colocando aí Rondon, e criando depois um bloco denso na zona intermédia. Não alto, mas médio. Talvez, sugere-se-me, algo inspirado no que faz o Porto, mas sem a mesma qualidade. O que aconteceu, nos primeiros minutos, foi que Javi baixou, como normalmente faz, para a linha dos centrais. Ora, isto implicou que a presença de Rondon, apesar de meramente posicional, inviabilizasse 2 apoios (Javi e o central do lado oposto à bola). Com isto, não só o Benfica não mudava o ponto de saída, facilitando a concentração do bloco do Nacional num dos lados do campo, como se via obrigado a construir pelas alas, já que Witsel e Aimar, ficavam em inferioridade numérica e com muitas dificuldades para receber. O que fez Jesus? Adiantou Javi. Os efeitos, estão espelhados na jogada do golo, mas, na realidade, alastraram-se ao resto da partida. Com a subida de Javi, Rondon passava a inviabilizar apenas 1 apoio (o central do lado oposto), mas não inviabilizava Javi, que passava a estar noutra linha. Não só o Benfica passou a poder mudar o ponto de saída da bola, ligando corredores, através de Javi, como, e mais importante, passou a poder construir pelo corredor central, e tirar partido dos movimentos de Witsel e Aimar. Isto, porque Javi passava a ser mais um ponto de controlo para os médios do Nacional, que passavam a defender numa área mais ampla, e com mais um apoio por controlar. O golo, e a eficácia, trouxe tranquilidade para gerir, sem sentir a necessidade de forçar. Mas foi este detalhe que ditou, em definitivo, o arranque do Benfica para o domínio da partida.
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14.7.11

Reforços 2011/12: Djalma (Porto) (Parte II - vídeo)

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Todas as acções de Djalma no último Marítimo - Nacional (1-1).

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28.1.11

Porto (ataque posicional): dos corredores para o meio

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Se há momento de jogo em que é fácil encontrar elogios para o que o Porto nos tem apresentado, é na sua organização ofensiva. São vários os pontos por onde poderia pegar e, possivelmente, no futuro outros serão igualmente abordados. Para já, porém, trago 4 lances protagonizados nos últimos 2 jogos: frente a Beira Mar e Nacional. Lances que ilustram movimentos intencionais de recurso aos corredores como forma de abrir espaços em zonas centrais.

O denominador comum mais relevante é o facto de, no final das combinações que acontecem nos flancos, o portador da bola se encontrar de frente para o corredor central, mas sem qualquer pressão e com total liberdade para definir o tempo e direcção de passe. O “tempo”, aqui, é muito importante porque uma defensa só pode controlar posicionalmente o espaço se houver um condicionamento do tempo de passe. Por isso é que se constata a importância decisiva de uma presença permanente em termos de “pressing”.

Não creio que estas combinações tenham um objectivo único, limitado à exploração do espaço central por arrastamento do médio. Isso seria obviamente redutor, devendo uma equipa ter a capacidade de explorar a melhor das soluções encontrada ao longo de um lance e não focalizar-se apenas numa. Por melhor que ela possa ser, essa obsessão conduzirá sempre a uma previsibilidade para quem defende. Tudo dependerá sempre do espaço que a defensiva contrária libertar. No entanto, é claro que conseguir o arrastamento do “pivot” e libertar o espaço central, será sempre o desfecho ideal para estas acções.

De assinalar que no último lance coloquei propositadamente no vídeo toda a construção do lance e não apenas a parte relevante para o ponto deste texto. Propositadamente, porque na construção se revela a paciência e o critério, característicos da forma como o Porto gere a sua posse de bola. Aqui reside uma das mais interessantes diferenças entre o que fazem Benfica e Porto. Mas esse será um tema que guardo para outras ocasiões.

Nacional e Beira Mar
Uma nota sobre o papel defensivo de Beira Mar e Nacional. Muito melhores os aveirenses. Já tinha referido a vulnerabilidade do desposicionamento de Djamal e isso é evidente nestes lances. Quando o “pivot” sai para pressionar, abre um espaço nas suas costas, que não colmatado. Outro problema do Beira Mar, foi o espaço entre centrais e laterais, abrindo-se frequentemente uma área demasiado dilatado e com os laterais a não terem a preocupação de dar a prioridade à zona central. De elogiar, porém, o posicionamento relativo entre centrais (Kanu e Hugo), sempre preocupados em manter proximidade, assim como da consistência da linha defensiva.

Já o Nacional, sendo mais ambicioso em termos de “pressing” alto, nem por isso foi mais organizado. Pelo contrário, aliás. Como é visível no vídeo, alguns ajustes posicionais não parecem muito úteis à manutenção do equilíbrio colectivo, acabando por perder o controlo sobre lances e zonas em que dispunha de uma superioridade numérica clara. Notou-se também alguma dificuldade na sintonia do posicionamento defensivo, nomeadamente da sua última linha.
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26.1.11

Vitória do Porto e clássico à vista (Breves)

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- O jogo já se esperava, quase por natureza, desequilibrado. Marcando praticamente a abrir, mais desequilibrado ficou. O Nacional visitou Luz e Dragão em poucos dias e, embora não se possam retirar conclusões lineares do que mostram as partidas, é interessante comparar o tipo de jogo que tivemos. Em ambos os casos, o jogo ficou resolvido com a ajuda de um eficácia madrugadora, e tanto Benfica como Porto mostraram grande superioridade, encontrando com regularidade o caminho do golo. A diferença maior está no controlo que o Porto sempre manteve e que o Benfica não foi capaz de garantir, apesar de ter todas condições para tal. Não é, a meu ver, uma questão de qualidade, mas muito mais de estratégia e critério. Noutro âmbito, tinha realçado o tipo de movimentos que Hulk havia protagonizado em Aveiro, mais próprios de um 9, e eis que, dias mais tarde, essa evolução se confirma.

- Entretanto, na Taça, mais anormal do que um jogo ter 4 penaltis, é 3 serem falhados! De resto, sem surpresa, dado o momento, passou o Benfica. Pessoalmente, saúdo a meia final a 2 mãos entre Porto e Benfica. Por várias vezes - e há muito tempo - tenho defendido que o futebol português precisa de ajustar o seu modelo à sua dimensão e que só assim garantirá o acréscimo de competitividade e interesse de que precisa para fidelizar adeptos cada vez mais tentados por outras ofertas. Para já, é bom perspectivar 2 jogos tão cativantes como os que se avizinham.

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25.1.11

Benfica - Nacional: Análise e números

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A nova era de goleadas mantém-se na Luz. Desta vez, porém, com um sabor mais agridoce do que noutras ocasiões. É que, ao contrário de outros jogos, em teoria até mais difíceis, o Benfica consentiu demasiado ao adversário, acabando por ter de passar por uma ansiedade de todo inesperada para quem vencia por tão confortável margem. Jesus tentou desdramatizar, atirando a justificação para a natureza competitiva do jogo e o arrojo das equipas que defrontam o Benfica. Ficou dito e escrito, mas todos sabemos que, nem os adeptos, nem o próprio treinador ficarão convencidos com a explicação. O Benfica fez um bom jogo, mas a sua instabilidade na retaguarda – que tem motivos não novos e já aqui abordados – deve, de facto, preocupar.

Notas colectivas
Não há dúvida de que a confiança pode representar muito - quase tudo - para uma equipa. Repare-se na entrada do jogo e compare-se com outros casos, de outras fases, desta mesma equipa: o Nacional parecia ter entrado melhor, mas, à primeira aproximação que fez à baliza contrária, o Benfica marcou, acabando por “matar” praticamente o jogo, pouco depois.

Essa é a primeira nota sobre o Benfica: a sua confiança, que acrescida à qualidade dos intérpretes e à óptima dinâmica colectiva do modelo do seu treinador, leva sempre a uma grande facilidade para criar problemas sérios às defensivas contrárias. Aliás, e já que falo disso, é interessante notar como os intérpretes sempre lá estiveram e o modelo táctico também é o mesmo. Isto para assinalar que algumas infundadas criticas, tanto à falta de qualidade do plantel encarnado, como à previsibilidade do modelo de Jesus, parecem hoje esquecidas quando foram motivo para tanta tinta no inicio de época. É pena se assim for, porque quem não tem memória, também não aprende.

Mais interessante, porém, é falar do outro lado, do porquê de um jogo tão esticado, veloz e, sobretudo, o porquê de tantos embaraços junto da baliza encarnada? Aqui, volto a reforçar algumas ideias que vêm de trás, simplesmente porque continuo a ver nelas o principal motivo para esta situação. O Benfica recupera bem em transição e posiciona-se melhor em organização. O problema continua a ser o tipo de situações a que a equipa se submete. Continua a perder vários passes em zonas perigosas, potenciadores de ataques rápidos difíceis de controlar, e continua, também, a não ter grande noção estratégica em função das diversas fases do jogo. Nomeadamente, em vantagem e com o adversário a tentar reagir, convém não potenciar um jogo partido e privilegiar mais um ataque equilibrado e racional. Lá está, o problema é defensivo, mas tudo começa com o critério da equipa quando tem a bola em sua posse.

Notas individuais
Sidnei – Marcou 1 golo e teve intervenções importantes. Acho que é um jogador com potencial, mas também tenho a forte convicção que, se David Luiz sair, o Benfica poderá pagar um preço desportivo por isso. É que Sidnei, actualmente, não erra menos do que o David Luiz e tem a agravante de não ter, nem a capacidade física, nem o entrosamento posicional do ainda titular da posição. Jesus terá de puxar por ele, porque a zona central da sua defesa é fundamental, podendo abrir-se aqui um novo problema para a fase terminal da temporada.

Luisão – Na minha opinião, é o melhor central do campeonato até ao momento. Forte posicionalmente, certo com bola (embora neste jogo tenha cometido alguns erros), interventivo quase sempre na medida certa e, como complemento, ainda capaz de ser um terror sempre que se adianta nas bolas paradas. Perder David Luiz será mau, mas continua a ser bom ter Luisão.

Javi Garcia – A nota vai, sobretudo, para a sua titularidade. Na minha opinião, Airton justificava a continuidade da aposta, porque se apresenta muito mais útil em certos aspectos, como o papel de apoio em posse. Mas Javi regressou e cumpriu, dentro do que dele se espera.

Aimar – Outro regresso, este sim, bastante feliz. Não tem sido sempre assim ao longo da época, mas Aimar foi, na primeira parte, o 10 que o Benfica tantas vezes não teve. Sempre dinâmico com bola, e reactivo sem ela. O problema é que a época de Aimar tem sido demasiado inconstante, tanto em termos de presença, como em termos de consistência exibicional. Acabou por sair numa fase em que não estava já tão bem.

Gaitan – Joga com o ar de quem está no aquecimento e isso não lhe traz muitos amigos. É verdade que Gaitan não tem a melhor intensidade com bola e isso parece sobretudo um desperdício para o potencial que tem. O facto é que o argentino tem melhorado claramente em termos de entrosamento e consistência com o desenrolar da época. Cumpre muito bem o seu papel posicional – nomeadamente a relação com Coentrão – e é útil em todos os momentos do jogo. Para mais, e mesmo com a tal falta de intensidade, o seu talento é suficiente para desequilibre, marque e assista com uma regularidade assinalável. Goste-se ou não do estilo, está ser uma primeira época bastante boa.

Salvio – Ao contrário de Gaitan, a energia que coloca em cada jogada é suficiente para empolgar as bancadas, mesmo quando ainda nada aconteceu. O facto é que Salvio, sem fazer um jogo excepcional em termos de impacto decisivo, esteve muito bem ao nível da decisão, acabando por dar sequência à grande maioria das posses de bola que por si passaram. E esse é sempre um indicador positivo para quem, como ele, sente a pressão de trazer algo de novo em cada vez que tem a bola. Entre outras coisas, um indicador de confiança.

Saviola e Cardozo – Não vou falar do que fizeram com bola, até porque, quer num caso quer noutro, não se desvia muito do que é hábito. A nota vai para a pouca utilidade dos 2 – especialmente Cardozo – nos momentos defensivos. Uma equipa que quer ser dominadora tem de começar a sê-lo na capacidade de pressionar, quer em transição, quer em organização. Saviola e Cardozo dão muito pouco à equipa nesse aspecto e isso tem mais implicações do que possa parecer.

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3.1.11

Taça da Liga e as primeiras notas de 2011 (Breves)

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- Bom, não foi preciso esperar muito para haver novidades em 2011. No primeiro jogo da segunda metade da temporada, apareceu a primeira derrota portista. Começo pela principal consequência desta surpresa: abre-se um muito provável lugar para um "outsider" na final. Sabendo-se do apetite por títulos - na realidade, presenças em finais já seria novidade - que têm Braga, Guimarães e Nacional, está bom de ver que esta será uma competição ainda mais prioritária para estes 3 emblemas. Está lançada a pimenta sobre o derbi minhoto de amanhã...

- Sobre o jogo, é verdade que foi uma surpresa, que o Porto dominou muito mais, que o jogo parecia encaminhado para o destino mais provável e que tudo se iniciou num erro, tão imperdoável como imprevisível, do guarda redes azul. Não menos verdadeira é a constatação de que o Porto pouquíssimos vezes esteve realmente perto do golo. O seu domínio foi grande, mas a sua fase criativa não proporcionou as melhores situações de finalização, desta vez até nos lances de bola parada. Porquê? Talvez seja correcto considerar uma inevitável falta de pressão positiva pela pouca importância que os grandes gostam de dar a esta prova. Talvez seja inevitável verificar a diferença que fazem algumas unidades individuais, tanto no plano ofensivo como defensivo. Enfim, não há derrotas boas, mas há umas que são mais fáceis de conseguir esquecer do que outras. Com os 4 jogos seguintes em casa, dificilmente se poderia pedir melhor cenário para a recuperação. É que só há 1 maneira de esquecer as derrotas: ganhando.

- Na Luz, à primeira vista, dir-se-ia que o ano começou como o anterior havia terminado. Com a inspiração de Salvio e a influência decisiva de Gaitan e Saviola. A verdade não é bem essa, como o próprio Jesus facilmente reconheceu. O Benfica não fez um grande jogo, acabando por contar com uma boa dose de inspiração e eficácia que lhe permitiram resolver a questão sem ter de fazer muito por isso. A diferença mínima seria, aliás, um desfecho bem mais adequado ao que se passou. Enfim, de resto, não houve grandes notícias para Jesus neste jogo. Muito pelo contrário. Talvez a única seja a sequência que Salvio voltou a dar à sua afirmação. Sobre isso - e termino aqui - tenho um comentário: serão seguramente muito menos os que, agora, reconhecerão um juízo precipitado sobre este jogador, do que aqueles que, sem fundamento, não perderam tempo em questionar o seu valor. Tomem nota.

- Termino pelo inicio: Bom ano para todos!

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23.8.10

Nacional - Benfica: Análise, número e vídeo

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Começou por ser uma pequena chuva de Verão, mas agora já ninguém sabe bem que consequências terá esta tempestade na época encarnada. Na Madeira o Benfica tentou reagir, e esteve em vários parâmetros melhor do que frente a Académica – o que também não era difícil – mas acabou por sucumbir ao primeiro revés. Aliás, o que aconteceu a seguir ao primeiro golo, com uma quebra notória de rendimento e estabilidade emocional, pode ser perfeitamente encarado como um sinal da ameaça que representa esta herança de 6 pontos perdidos. A pressão. Se já identificara o problema psicológico como o busílis desta inesperada questão, pois bem, o melhor mesmo é Jesus esquecer as suas reflexões sobre tácticas e sistemas para se debruçar sobre o problema mental que a sua equipa tem pela frente. É que boas equipas, sem confiança... não conheço nenhuma!

Notas colectivas
Aquilo que marcou o pós-jogo foram os lances dos golos. Posso começar por aí. Sobre o segundo, não tenho nada a acrescentar ao óbvio, mas sobre o primeiro, há algum mistério. Mais do que discutir o peso da responsabilidade de cada um, é para mim relevante perguntar porque é que o Benfica defendeu homem a homem naquela situação? Posso estar enganado, mas não me lembro de alguma vez essa ter sido a opção. Aliás, poucos minutos depois há um livre idêntico e a zona foi de novo opção. Um mistério, portanto.

Os golos tiveram uma influência importante no jogo. Antes deles, nada fazia prever que fosse o Nacional a marcar e, depois deles, até podiam ter acontecido mais. Coisas normais no futebol, onde o golo é o centro do jogo e das emoções dos intervenientes. Sobretudo, para uma equipa num momento de baixa confiança.

Onde melhorou o Benfica? Bom, sobretudo na influência de Aimar e Saviola. Quer um, quer outro aproximaram-se bem mais daquilo que podem e devem render, e o Benfica subiu com eles. Tão simples quanto isto. Mais solícitos e bem mais assertivos do que frente a Porto e Académica. Se o Benfica pensa numa recuperação a sério, esta terá de passar por uma subida destes 2. Isso parece-me estar mais do que visto.

Mas, se a equipa esteve melhor e mais dinâmica com bola, não teve uma grande capacidade noutras áreas do jogo, onde poderia ter ganho maior domínio. O seu pressing voltou a não ter o impacto que tantas vezes se lhe pede e o Benfica teve dificuldades em provocar perdas ao adversário para encontrar momentos de transição que facilitassem o desequilíbrio. Conseguiu alguns, como os que terminaram nas ocasiões de Gaitan e Cardozo, mas não foram muitos.

Outros aspectos que contribuíram para o menor peso do domínio em certos períodos foram a dificuldade de controlar o jogo de primeiras e segundas bolas que o Nacional forçou e, também, alguma incapacidade para manter o jogo mais constantemente no meio campo contrário, através de uma melhor reacção à perda de bola. Permitindo que o Nacional saísse, permitiu igualmente que o jogo se dividisse em muitos períodos. O Benfica foi melhor e traído pela eficácia, não nos equivoquemos, mas não ainda dentro dos patamares da época anterior...

Uma palavra para o Nacional, que fez um óptimo jogo. Poucas vezes se desequilibrou, acumulou poucas perdas, e foi muito forte no jogo de primeiras e segundas bolas que estrategicamente escolheu para abordar a partida. Depois, parece haver, de novo, uma boa fornada de qualidade a aparecer na Choupana. Diz muito o facto de ter no banco Mateus e João Aurélio...

Notas individuais
Antes dos números, uma nota sobre a importância do capítulo individual e de se conhecer bem o perfil psicológico dos jogadores. Nos momentos bons, tudo é fácil, e é nos maus que as personalidades se radicalizam. Jesus deve, nesta altura, esquecer um pouco o lado técnico e olhar mais para o lado psicológico dos seus jogadores, na hora de escolher. E isso pode ser decisivo para o futuro da temporada.

Mais uma vez, os números reflectem bem o que se passou. A influência de Saviola e Aimar e a importância dos laterais, no lado positivo. Aliás, creio que tirar Maxi se justificou pouco, face ao rendimento que vinha tendo. Afinal, que garantias dá Ruben Amorim de ser melhor naquela posição?!

Nos mais fracos, há que falar de Javi Garcia. Muito do que faltou ao Benfica em termos de domínio, passou pela incapacidade que o espanhol teve para se impor na sua zona. Os seus números não são maus, mas face à exposição que teve era importante que tivesse tido outra preponderância no jogo. Quer no espaço aéreo, quer no bloqueio do primeiro passe de transição do adversário.

Depois, Gaitan. Esteve nos desequilíbrios da equipa e isso é importante, mas numa fase de crescimento seria importante que acertasse mais, assumisse menos riscos e crescesse progressivamente com a confiança. Não é isso que está a acontecer e o aproveitamento do seu talento permanece sob ameaça, especialmente quando a sua integração coincide com uma fase negativa da equipa.

Estes reparos nada têm que ver com aquilo que há para dizer sobre Cardozo. É o terceiro jogo consecutivo em que tem uma prestação difícil de qualificar. Tenho vindo a solidificar a minha opinião sobre a sua fraqueza em termos mentais, pelo pouco carácter que vem denotando. Um jogador com o seu estatuto teria de aparecer muito mais e sobretudo nos momentos maus. Não é isso que acontece, Cardozo esconde-se e quando aparece tem uma eficácia lamentável nas suas acções.

Finalmente, falar sobre Carlos Martins. Ao contrário de Cardozo parece não temer o momento. Pega no jogo e assume a responsabilidade, mesmo que possa errar. Não é pelo golo, já o havia escrito antes, mas... o que faz Martins no banco num momento como este?!


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15.3.10

Nacional - Benfica: Ganhar bem, investindo... tudo

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Foi tratado e vivido pelo Benfica como uma final, como um jogo decisivo. Parece-me exagerado, especialmente em vésperas de 2 outros jogos, esses sim decisivos. Ainda assim, não há dúvida, da Madeira o Benfica trouxe 3 pontos que lhe garantem uma vantagem importante nesta altura do campeonato. Foi uma vitória justa, à custa de uma superioridade que ficou sempre patente, e de uma excelente atitude, devidamente destacada por Jesus no final do jogo. Ainda assim, e esta é a parte que pode preocupar os adeptos, esteve longe de ser um jogo ao nível dos melhores que o Benfica realizou. E este poderá não ser um bom indicio para o que se jogará no imediato...


Superioridade natural
Não foi um jogo fácil para o Benfica. A estratégia do Nacional colocava grande ênfase na limitação das hipóteses do Benfica poder jogar em transição. A forma de o fazer foi não arriscar a perda e jogar longo para poder encarar, defensivamente, sempre os encarnados com um bloco denso e organizado. O outro lado desta opção, claro, foi a cedência quase total do domínio do jogo. É que o jogo directo dos madeirenses esbarrou sistematicamente em situações de vantagem para os defensores do Benfica.

Face a este cenário, o Benfica não enjeitou a oportunidade de mandar em absoluto no jogo. O problema, no entanto, foi que a sua qualidade em organização não esteve nos níveis já vistos. Isto pode ser comprovado pelo número reduzido de oportunidades para tanta iniciativa. O risco, neste contexto, era de ver a ansiedade e frustração afectar a equipa e o jogo noutros aspectos, acabando por dar mais oportunidades ao Nacional para ganhar outra expressão ofensiva.

É por isso que ganha importância o timing do golo de Cardozo e é por isso, também, que é justo realçar a atitude da equipa, que se manteve dentro do jogo em termos de intensidade e agressividade. Já agora, sobre o golo, realçar o papel de Ruben Amorim. Curiosamente acabou por ser decisivo, depois de ter tido uma participação ofensiva que havia pecado pela escassez, ao longo do jogo. É que para uma equipa que defende tanto com base nos encaixes individuais, como é o caso do Nacional, torna-se especialmente complicado quando um lateral aparece em termos ofensivos, e isso nem sempre aconteceu.


A linha defensiva
Talvez seja estranho fazer este destaque, mas a mim parece importante no decurso do jogo. O Benfica teve grande domínio e o Nacional teve poucas oportunidades para sair em transição. Mas teve-as. A questão é que quando as teve – e não eram preciso muitas para conseguir impacto – a defesa do Benfica resolveu sempre bem. Não “afundar”, obrigar a lateralizar e esperar pelo apoio dos restantes elementos. Um desempenho fundamental para realmente “secar” o adversário, dando tempo e estabilidade para o ataque encontrar o seu momento.


Aimar e... o planeamento
No Benfica, para explicar um nível aquém de outros jogos, podemos encontrar vários motivos. Desde logo, a questão da fadiga central, motivada pelo pouco tempo entre jogos. Há, no entanto, um elemento que parece ter peso especial. Claro... Aimar. Já defendi a sua especial importância para equipa pela qualidade que dá em todos os momentos. A verdade é que o argentino, mantendo a sua importância em vários desses momentos, aparece agora anormalmente frágil com bola. Acumulou um número elevadíssimo de erros técnicos e perdas, influenciando negativamente a equipa.

A questão é: se Aimar já havia revelado problemas na Quinta Feira, se o Benfica tem agora mais 2 jogos decisivos, porquê a sua utilização? Sobre este tema da prioridade em relação às competições, levanto novamente a questão: Será que o futebol que o Benfica apresentou em toda esta época não merece arriscar um lugar de realce na História do clube? O ponto é que isso, num clube com o passado do Benfica, nunca será conseguido apenas com um campeonato...



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1.2.10

Nacional - Porto: Se era para ser difícil...

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A Hulk, juntar Bruno Alves, Meireles e ainda perder Rodriguez com 0-0. Tudo numa deslocação à Madeira. O que parecia ser o cenário de mais um possível naufrágio no Atlântico, acabou como um treino ao largo da costa africana. Porquê? Bem, o que resultou do penalti que definiu o primeiro golo explica seguramente em boa parte as enormes facilidades sentidas, mas a superioridade portista, a bem da verdade, já vinha sendo bem clara antes desse acontecimento, e mesmo depois de um inicio menos conseguido. A conclusão, realmente, não surpreende. Porque este Porto nunca deixou de ser uma equipa forte e organizada e porque, por outro lado, com a perda de individualidades relevantes, o mais provável é mesmo que o que é Nacional deixe de ser bom.

Porto: um problema relativo
Não quero aqui defender que o Porto esteja num patamar de rendimento ao nível de anos anteriores. Não está, e já expliquei porque o penso. Sem prejuízo desta análise, porém, está longe de merecer algumas criticas que lhe são feitas. Tem um modelo competente e sistematizado que lhe permite ser dominador em quase todos os duelos internos, mesmo quando abundam ausências individuais. Tem, neste contexto, vindo a conseguir evoluções positivas de alguns jogadores. Álvaro Pereira é, para mim, um excelente reforço, com uma qualidade nada fácil de encontrar por aí. Mesmo se tem de evoluir em termos defensivos, na Choupana foi fantástico. Belluschi está na sua melhor fase, mais adaptado ao modelo colectivo e, sobretudo, a Varela (mesmo se, como também já referi, este modelo não serve as suas melhores potencialidades). Para o meio campo surge agora um Ruben Micael mais influente do que qualquer dos argentinos e a confirmar tudo aquilo que havia projectado. Ou seja, é um jogador que entende de forma fantástica o jogo, e que se continuar a progredir a nível técnico e físico será, seguramente, um jogador de Selecção. Na frente, Kléber é um revés importante, tal como Hulk, mas é impossível não destacar o “super-Falcao” da actualidade. Excelente e incansável como apoio à construção e estupendo nas movimentações dentro de área. A equipa parece tão confiante nas suas potencialidades que passou a fazer dele o centro de praticamente todo o seu jogo.

Mas há aqui um problema, aliás, bem à vista de todos. O Porto tem mais um ponto do que no ano anterior, quando comandava a prova. A diferença principal não está, por isso, no Porto mas na concorrência. Um problema relativo e não tanto absoluto. Mas um problema que, parecendo extrínseco pode, como aliás já se viu, afectar o lado mental da equipa.

Nacional: O fim de um ciclo?
Têm sido muitas as perdas na Choupana, com vários jogadores relevantes a sair. É verdade que outros ficam que garantem à equipa um potencial acima da média da Liga. Perder Micael depois Alonso, Micael e Maicon, no entanto, pode ser demasiado para uma equipa que nunca deslumbrou em termos colectivos. Se quem fica não reagir bem em termos anímicos é bem possível que tenhamos o inicio de uma invulgar queda desde o alto da Choupana...
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20.1.10

O próximo nível de Ruben Micael

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Não é uma surpresa e até me parece tardia a aposta no jogador, cujas qualidades já haviam ficado bem claras durante a época anterior. Havia a dúvida sobre o seu destino mas, também aqui, o desfecho acabou por ser o mais previsível. Pelo tradicional domínio portista no mercado interno e, também, por ser, entre os grandes, aquele que mais pode ganhar com a introdução de Micael. Tudo pelo trauma em que se transformou a saída de Lucho. Se vai ser a solução? A minha opinião não difere muito daquela que aqui deixei há uns meses...

Inteligência...
Afinal em que é que Micael pode ser uma melhor opção do que Belluschi ou Valeri? Tecnicamente, com a bola nos pés, não representa forçosamente uma mais valia em relação a algum dos 2. Há quem fale, também, da sua capacidade defensiva, mas esse é precisamente um dos pontos em que entendo ter mais a provar. A mais valia e o porquê do maior ajuste da aposta em relação a outras mais recentes, tem a ver com aquele que é o seu maior atributo, aquele que lhe permitiu uma afirmação ao longo do corredor central, de área a área. A inteligência e percepção dos espaços. Ruben é muito mais forte do que qualquer dos actuais médios do plantel portista (Meireles à parte) na criação de linhas de passe e nos movimentos verticais, denotando uma aptidão rara para antecipar o destino das jogadas e se mover ao longo dos sucessivos espaços que se vão criando ao longo das mesmas. O que mais pode entusiasmar a plateia portista é que esta era, também, a principal qualidade de Lucho Gonzalez.

Carácter...
Fugindo um pouco da vertente técnico-táctica, não posso deixar de referir outro aspecto fundamental: o carácter. Pode parecer estranho, mas a verdade é que Micael apenas chegou ao primeiro escalão do futebol nacional há ano e meio. Quem o vê hoje em campo, no entanto, percebe a importância que tem como líder. Não é apenas um miúdo com talento, é um jogador que não receia o jogo, que o assume com grande, e mesmo espantosa, naturalidade. Numa viragem radical de contexto, este pode ser um ponto essencial.

O caminho até ao topo...
O meu entusiasmo pela evolução de Micael justifica-se por ver nele competências que, quando combinadas, raramente deixam de garantir um grande rendimento. São, aliás, os mesmo alicerces de médios como Fabregas ou Lampard, ainda que, obviamente, o madeirense esteja ainda longe desses patamares. Facilmente arriscaria na sua afirmação, sendo uma surpresa para mim se tal não vier a acontecer. O seu limite, porém, é-me mais difícil de definir, estando dependente da evolução e resposta a alguns níveis. Primeiro, em termos físicos. Convém que possa crescer neste aspecto que foi, diga-se, a principal fragilidade na Choupana e que é, também, a grande ameaça nesta sua caminhada. Depois, outro aspecto que importa quantificar melhor é a sua capacidade defensiva. Seguramente que terá maior intensidade de trabalho do que Belluschi ou Valeri, mas a inteligência que manifesta ofensivamente não foi ainda provada em termos defensivos. Algo que decorre das diferenças entre os modelos de Nacional e Porto e que definirá, também, o seu verdadeiro impacto na equipa. Basta recordar a falta que vem fazendo Lucho neste plano. Finalmente, para atingir outro patamar terá de continuar a evoluir também em termos técnicos.

O negócio...
Para finalizar o balanço desta mudança que considero justificar o entusiasmo, falta falar do negócio em si. Primeiro, notar que o “timing” desportivo – depois de uma visita a Alvalade e de uma recepção ao próprio Porto – não deverá ter nada de inocente e que esse deve ter sido o verdadeiro motivo do arrastar da “novela”. Depois, referir que o Porto terá investido com 6 meses de atraso e que isso poderá ter significado uma inflacção considerável no preço da operação. Estimo que o dobro. Ainda assim, o valor parece-me justo e apenas me admira não haver, pelo menos aparentemente, maior concorrência externa (diz muito, também do que “vale” a nossa liga). Para o Porto, note-se, este é um negócio com muito melhor relação preço/risco do que a generalidade dos que tem feito no Continente Sul Americano (e note-se que considero ser esta o melhor destino para procurar reforços).


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18.1.10

Sporting - Nacional: Sorrisos e outras indicações

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Estava longe de se constituir como um grande teste – esse terá lugar em Braga – para a nova fase do leão, mas frente ao Nacional o Sporting deu mais um passo na afirmação do seu renovado modelo. Pela capacidade de dar continuidade, mais do que em melhorar. O Sporting venceu, sem surpresa e com algum sofrimento excessivo para aquilo que produziu. O jogo, esse, para além da tal confirmação da subida qualitativa do Sporting, ajudou também a dar e renovar algumas ideias sobre esta nova fase...

Aquilo que o Sporting consegue, hoje, fazer com bola é de uma qualidade enorme. A velocidade e amplitude da sua circulação cria dificuldades a qualquer equipa e deverá ser suficiente para dar inicio a uma era muito mais concretizadora em Alvalade. E começo por aqui, pelo ataque, para reforçar a ideia em que já venho batendo há algum tempo. Ou seja, na necessidade de ter outra capacidade no último terço. Não se trata apenas de eficácia, embora essa seja uma componente obviamente importante, mas também da qualidade de movimentos que antecedem a finalização e sucedem a toda a boa construção que é feita. Nesse sentido, o impacto de Liedson foi ilustrativo desta mesma ideia. O “levezinho”, creio, poderá mesmo ser um dos grandes beneficiados desta nova fase, com muito mais jogo a ser produzido e com menos pressão sobre os seus ombros para decidir.

Para além da necessidade de ter soluções diferentes na frente (que as tem no plantel), o Sporting denota também uma grande diferença de produção entre os 2 flancos. A introdução de João Pereira como que expôs a mais valia que pode representar um lateral para um modelo que quer fazer da bola a sua arma e, nesse sentido, não há minima comparação entre o rendimento ofensivo dos 2 laterais. Se há ponto onde o Sporting deveria procurar uma melhor solução no mercado, é na lateral esquerda.

Mas, se o jogo com o Nacional reforçou os bons indícios ofensivos, também despertou algumas reticências defensivas. Primeiro, em termos colectivos, continuo a insistir na importância de se conseguir um melhor uso da linha de fora de jogo. Isto, tanto para permitir inviabilizar lances pontuais, como para conseguir que a equipa reduza um espaço entre linhas que é hoje maior do que no passado na hora da transição. Algo que decorre, até, da maior mobilidade que a equipa assume quando em posse de bola. Depois, e ainda neste aspecto da transição defensiva, a importância da função do “pivot” defensivo. Carvalhal tem insistido em Adrien, provavelmente pela margem de progressão que vê no jogador. A verdade, porém, é que Adrien está longe de ser uma opção segura. A sua missão não é fácil, é certo, mas também tem de ser dito que várias vezes perde o controlo da sua zona e, mais importante ainda, várias vezes compromete a equipa com perdas de bola proibitivas para a responsabilidade que está implícita à sua função.

E aproveito propositadamente Adrien para passar a Patrício. Em tempos referi que era um risco tê-lo como opção única para a baliza e que errava com demasiada frequência. A verdade é que o tempo deu razão a quem nele tão declaradamente apostou. Patrício cresceu imenso, é hoje bem mais fiável e não sei quantos guarda redes haverá no mundo que, com a sua idade, se apresentam ao seu nível. Talvez Carvalhal veja o mesmo em Adrien que Paulo Bento viu em Patrício: futuro.
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4.1.10

Benfica - Nacional - Entre dominar e conquistar

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A euforia do resultado do clássico arrastou também algum deslumbramento nas análises feitas ao rendimento encarnado. Algumas semanas depois, o Nacional serviu como contra-teste quase perfeito. Porque, tal como frente ao Porto, o Benfica se fez valer pelo domínio que a sua mais valia colectiva lhe garantiu. E porque, tal como nessa noite chuvosa, ficou bem claro que há certas individualidades que marcam a diferença qualitativa no futebol encarnado. Por isso, contra o Porto o domínio não fora espelhado em igual proporção de ocasiões e, por isso de novo, o mesmo aconteceu na recepção aos insulares.

Quem viu o jogo pode constatar 2 coisas pouco concorrentes. Que a vitória só cairia bem de encarnado, e, que com um pouquinho de felicidade, o Nacional até poderia ter vencido na Luz.

Quanto à primeira, ela explica-se facilmente. Avassalador domínio do Benfica, fruto de uma enorme diferença de qualidade nos processos colectivos. Enquanto que o Benfica protagonizou – ainda que nunca dentro de patamares já vistos – um jogo esclarecido e bem preparado em todos os seus momentos, do outro lado, o Nacional, raramente conseguiu atacar, compondo um jogo muitas vezes de um só sentido. O Benfica e a qualidade da sua transição ataque-defesa, explicam boa parte do sucedido, mas uma outra, bem relevante, esteve nas limitações colectivas do próprio Nacional. O facto do seu bloco ser constantemente “afundado” no campo pela circulação de bola do Benfica, fez com que as recuperações fossem muito baixas e, por isso, também muito menos capazes de ter seguimento.

No entanto, e apesar deste domínio, o Benfica tardou em estar verdadeiramente perto do golo, acabando por estar demasiado dependente de um capricho do jogo. Os motivos desta distância do objectivo têm a ver com a qualidade de interpretação dos processos, que passa muito pela capacidade individual de quem tem essa responsabilidade – os jogadores. Um problema que não tem só a ver com as ausências dos desequilíbrios de jogadores como Aimar e Di Maria mas que se estende a outros capítulos do jogo. É que se era importante ser mais forte no último terço em organização, era também fundamental potenciar mais momentos de transição. E eles, sem outros intérpretes, aconteceram em número muito escasso.

É um pouco isto que se pode esperar do Benfica. Uma enorme capacidade colectiva que lhe permite ser dominador, mas, também, uma dependência de algumas figuras para que esse domínio se traduza, realmente, numa capacidade conquistadora. Um problema que, afinal, é comum qualquer grande equipa.
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23.9.09

Análise vídeo: lances da jornada

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Foi um jogo marcado pelo equilíbrio, é certo, mas isso não significa que não tivessem acontecido oportunidades dignas de destaque. E, no caso dos portistas, com alguns denominadores comuns. Na primeira parte, em organização ofensiva, pelo lado direito e aproveitando o espaço entre linhas e alguma falta de capacidade defensiva do lado esquerdo do meio campo contrário. Isto, claro, só possível porque existe do lado portista uma saída a jogar organizada sobre as alas, com qualidade e rotina. Tudo isto, claro, não chegou para ganhar nem mesmo para evitar a derrota. É que para além disto, houve pouco mais e, para além disto ainda, sobrou uma exibição essencialmente desinspirada e com pouco intensidade. Em especial no inicio do segundo tempo.


Hulk & Guarin – A primeira nota vai para o papel de Meyong, quem melhor pressiona no Braga. A sua acção obriga o Porto a organizar pela direita, dando uma vantagem ao Braga que deveria ter encurralado os portistas. Não foi isso que aconteceu. Não houve agressividade dos restantes jogadores e abriu-se uma linha de passe para Hulk, a quem também foi permitido rodar e sair da zona de pressão. Depois percebe-se a pouca reactividade de Viana que perde totalmente o controlo sobre o espaço nas suas costas, explorado por Guarin. Como o Braga joga com 2 linhas de 4 e não tem nenhum jogador posicional entre elas, o colombiano ficou completamente livre para atacar a zona mais recuada dos minhotos.

Meireles & Hulk – De novo a distância entre linhas. Desta vez, notória entre os avançados e a linha média. Este factor aliado à pouca agressividade de Mossoró sobre Meireles permitiu que o médio azul ganhasse tempo e espaço para libertar Hulk no flanco oposto. Um 1x1 muito perigoso e que apenas não teve outras consequências porque Evaldo conseguiu evitar o pé esquerdo de Hulk.

Guarin & Varela – De novo o lado direito portista. O primeiro ponto a realçar é a boa dinâmica entre o extremo e o médio, com troca de posições entre eles. Um rotina bem assimilada e que é solução comum na saída de bola portista, seja à esquerda, seja à direita. O ponto aqui tem a ver com a forma como Varela consegue rodar, não havendo a pressão exigível para a situação em que se encontrava. Aliás, este lance tinha tudo para dar uma recuperação e originar transição do Braga. Mas não deu. E tudo por Viana e Paulo César voltaram a denotar grande insuficiência defensiva e porque, claro, houve qualidade do lado contrário. Aliás, esta dupla não só permite que Varela rode como depois perde controlo sobre o extremo portista, não compensando, nenhum deles, o espaço de Evaldo que vem pressionar Guarin. Só por muito pouco este lance não termina em golo.

Desacerto azul – Se há lance que espelha a desinspiração portista é aquele que culmina numa finalização de Vandinho. Uma das mais perigosas do Braga. É que a jogada só acontece porque há uma série de deslizes individuais na sua origem. Primeiro o mau pontapé de Hélton, depois o não domínio de Guarin e, finalmente, uma trapalhada de Fernando finalizada com uma "assistência" em zona central. Ainda assim, saiu barato...

Pateiro – O Benfica ganhou em Leiria, mas muito facilmente poderia ter... perdido. Tudo isto por causa de um lance de inspiração de Pateiro que só não terminou em golo porque dos pés de Kalaba não houve a qualidade correspondente. Muito mérito, obviamente, para a acção de Pateiro, mas é também curioso analisar porque é que tudo foi possível. A última arma da transição defensiva encarnada é o fora de jogo, executado ao limite e, diga-se, com excelentes resultados até ao momento. Ora, quando todos esperavam o passe de Pateiro, este bateu, ele próprio, o fora de jogo. Ainda assim não parece uma fórmula copiável para casos futuros.

Rabiola – O primeiro golo do Olhanense em Alvalade tem os holofotes sobre Carriço e Abel. Podemos começar por aí e por dizer que, na minha opinião, não há nada de errado com o comportamento dos 2 defesas. Existe um 2x2 nessa zona, o que torna tudo muito complicado caso, como aconteceu, o cruzamento saia bem. Aliás, Carriço está bem posicionado e reage bem à trajectória da bola. Simplesmente não chegou e fica muito claro que o principal motivo é a falta de... centímetros. O grande erro está, por isso, na origem do lance. Ou seja, do lado esquerdo e na falta de agressividade sobre a posse de Ukra. Quando se cria uma zona de 1x3 tem de haver maior agressividade e aqui é Vukcevic quem deveria ter impedido o jovem extremo de ter uma solução de recuo. Isso não aconteceu, Ukra teve muito mérito e Miguel Garcia apareceu para dar a solução que o Sporting permitiu.

Edgar – O Marítimo começa a ameaçar ser uma desilusão séria desta liga. Pela segunda semana consecutiva com tudo para vencer e, de novo, incapaz de o fazer. Desta vez 1 lance compôs o cenário improvável no derby madeirense e perante um Nacional com 10 jogadores. Edgar foi o protagonista e trabalhou muito bem a jogada, mas... o que dizer de Olberdam?! Permitir que o avançado cortasse para dentro quando tinha já um ângulo tão fechado... e tão facilmente ele o fez! Assim, torna-se difícil...

Xavi & Messi – Há alguém que não conheça esta jogada? Há alguém que nunca tenha visto Xavi a receber da esquerda, virar-se e solicitar a diagonal de Messi nas costas do lateral?! Não me parece. Jogadores e treinadores sabem todos disto e, no entanto, tudo se repete com sucesso. E pensar que tantas vezes ouvimos gente a falar de previsibilidade pelo conhecimento que se tem das equipas. Hoje em dia nada é imprevisível, tudo é conhecido, tudo é previsível. A diferença está na qualidade. É por isso que Messi há-de marcar mais golos tão “previsíveis” quanto este...

Eto’o & Milito – Eto’o não marcou, não assistiu, mas que impacto teve! O Inter perdia e foi muito pelo camaronês que a situação se inverteu. Sempre ligado, sempre reactivo, pressionou e provocou a perda que isolou o mortal Milito. É uma característica que não dá nas vistas, mas vale muito mais do que se pensa.

Foster & Ferdinand – Um derby que ganhou outra dimensão e que teve uma emoção invulgar. O United ganhou, mas bem se esforçou para que isso não tivesse acontecido. O erro de Foster é primário, mas o que faz Ferdinand no último minuto é difícil de classificar. Valeu-lhes o “Mickey”.

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24.8.09

Porto - Nacional: Só demorou a resolver

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Na maioria dos jogos, os primeiros minutos são uma espécie de adolescência, com um carácter ainda por definir e distinto daquilo que será a sua fase de maturidade. Neste não. Quem viu os primeiros minutos, viu praticamente tudo. Ou pelo menos tudo o que havia para ver antes do jogo estar perfeitamente definido, ou seja, antes do lance que definiu a vantagem portista. Isto porque o ímpeto inicial portista teve um seguimento contínuo, num jogo bastante aberto mas onde apenas 1 equipa teve capacidade para desequilibrar ofensivamente. E, no caso, com bastante frequência. Foi, por isso, uma vitória mais do que certa de um Porto ainda em crescimento, perante um Nacional que voltou a confirmar que está muito longe da valia do ano anterior.


Nacional mas não muito bom
O Nacional foi, apesar de alguma qualidade individual, um adversário simpático. Defensivamente deu demasiados espaços entre os seus jogadores e nunca conseguiu pressionar convenientemente. Aliás, defender bem nunca foi uma arte que o Nacional de Manuel Machado dominasse bem. Ofensivamente, conseguiu esticar-se frequentemente no campo, mas notoriamente falta-lhe capacidade para dar algum seguimento. Quando sai em posse, não consegue ter qualidade nas laterais. Quando vai para a profundidade, não tem Nené ou Mateus para dar outro andamento às iniciativas. E, assim, tal como frente ao Sporting, notou-se no Nacional um adversário bem mais débil do que no passado.

Superioridade mas... com pouco pressing
O resultado da qualidade da oposição determinou um Porto com facilidade em ser dinâmico e criativo nas suas ofensivas. Os seus médios conseguiram sempre receber e jogar de frente e, no último terço, houve sempre mobilidade como complemento. Também não faltaram oportunidades e, em boa verdade, o Porto justificou a vantagem bem mais cedo. Num Porto em crescimento, nota-se no pressing o ponto mais atrasado do modelo. Raras foram as recuperações altas e há, ainda, uma notória falta de agressividade e reactividade nesta acção. Repito a ideia que este pode ser bem o aspecto onde Lisandro e Lucho serão mais difíceis de substituir...

Varela, Belluschi e Falcao
Varela terá feito, provavelmente, a sua melhor exibição de dragão ao peito. Procurou criar linhas de passe em zonas mais interiores, diagonais nas costas dos centrais e dar mobilidade permanente. Tudo isto é novo num jogador que passou grande parte dos últimos anos a jogar agarrado à linha. Varela não estaria a jogar se Hulk e Rodriguez estivessem disponíveis. A sua oportunidade é esta e é bom que a aproveite...

O argentino apareceu em zonas mais baixas, algumas vezes mesmo ao lado de Fernando. Pode ser a alternativa de Jesualdo para um jogador de enorme qualidade de passe e definição, mas que tem dificuldade em entrar no jogo. De resto, Belluschi pode mesmo ser um problema para o pressing.

Finalmente, o colombiano. Voltou a mostrar-se decisivo na área, e combativo fora dela. A Falcao falta ainda crescer dentro do modelo portista. Falta combinar com Hulk e Rodriguez, falta mais mobilidade e falta mais capacidade para pressionar. Mas a confiança já a tem. E essa é, para um avançado, uma característica muitíssimo preciosa.


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18.8.09

9 lances da jornada...

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Ruben Amorim (Benfica, 88m) – Uma das últimas jogadas do jogo e, seguramente, das melhores.Do lado do Benfica destacar a forma como a equipa consegue progredir de forma vertical e com grande mobilidade dos jogadores, destacando-se a inteligência de Nuno Gomes sempre que sai da zona de finalização e, claro, o movimento vertical de Ruben Amorim. Mais uma vez, no entanto, tem de ser destacada alguma permissividade do Marítimo. Primeiro, o bloco demasiado baixo, permitindo que o Benfica comece a jogada já dentro do meio campo ofensivo e estendendo a marcação até zonas demasiado baixas, retirando densidade ao posicionamento. Apesar do mérito encarnado, não é muito aceitável que se construa tão facilmente a jogada, permitindo, por exemplo, que Nuno Gomes receba e rode sem pressão.


Di Maria (Benfica, 57m) – A jogada é construída praticamente toda pelo ‘slalom’ de Aimar. O 10 baixa para participar na primeira fase de construção e acaba por protagonizar uma jogada rara no futebol moderno de progressão individual pela zona central, e perante um bloco baixo. Aimar tem o mérito de tirar partido da situação, mas neste caso, e fosse qual fosse o jogador, a responsabilidade primária é da defesa. Pouca agressividade e um demasiado espaço entre os jogadores permitem que “El Mago” fure o bloco madeirense. No final do lance, outro aspecto a salientar. O facto de Di Maria atacar tardiamente a zona de finalização faz com que os defensores não o tenham como referência, acabando por ser surpreendidos...

João Aurélio (Nacional, 26m) – O golo do Nacional é apenas mais um exemplo das dificuldades do Sporting nos lances de bola parada defensivos. Aliás, podia facilmente encontrar-se outros lances como exemplo. O canto é, como é característica do Nacional, marcado para fora da zona do guarda redes (normalmente são, até, mais largos) e o problema não é o marcador do golo João Aurélio. O problema é a recorrente incapacidade leonina para resolver a primeira bola aérea. A partir do momento em que esta não é tirada da área, tudo pode acontecer...

Matias Fernandez (Sporting, 82m) – A primeira, e importante, nota no lance vai para o espaço que é dado a Pereirinha na direita. É um problema que tem a ver com a organização defensiva do Nacional (orientada por referências individuais) e que já vem de trás. Os metros de terreno que lhe são dados são fatais e o perigo fica à distância de um duelo individual, que Djalo ganha. A finalização, apesar de não ter eficácia também não merece cirticas, já que era um lance de resolução para Matias Fernandez. O lance não termina em golo mas acaba por ser o espelho da forma como o Sporting acabou o jogo, criando muitas dificuldades ao Nacional.

Matheus (Braga, 18m) – A imagem inicial é clara, quer quanto ao posicionamento defensivo da Académica – e de Rogério Gonçalves – quer quanto ao problema principal do lance. Linhas juntas, com a mais recuada a usar o fora de jogo como arma. A vulnerabilidade está, sobretudo, nas costas. O erro (maior) está na ausência de pressão sobre o portador da bola. Só faz sentido jogar alto se houver pressão constante, caso contrário o portador da bola pode pensar e escolher o timing ideal para solicitar uma desmarcação. Tudo isto é mais grave se o portador da bola for tecnicamente dotado. No caso, era Hugo Viana...

Meyong (Braga, 87m) – O golo que valeu os únicos 3 pontos da jornada. Mais uma vez, a dependência da defensiva da Académica da cortina do fora de jogo. Quando a bola entra nas costas do lateral e se criam condições para o cruzamento, acontece o que já muitas vezes sublinhei. Por estar em recuperação, a zona central da defesa falha, quer no posicionamento, quer na definição de referências. Isso é evidente na forma desastrada como o defensor aborda a bola e quem aproveita é Meyong que ataca, também, muito bem o lance. De resto, nota apenas para a já conhecida capacidade de Alan em cortar para dentro sobre a direita, apesar de ser destro. Um quebra cabeças para os marcadores.

Baiano (Paços Ferreira, 5m) – Tal como na Supertaça a oportunidade foi dele. Flagrante e de cabeça. O Porto tem o posicionamento defensivo bem definido no centro. O problema é, primeiro, alguma permissividade sobre Cristiano, conseguindo este o cruzamento. E, segundo, a abordagem de Fucile. A sua leitura da trajetória da bola é errada e é por isso que faz com perda a frente do lance, que tinha ganha à partida. Baiano acaba por cabecear em zona frontal, apenas por se antecipar.

Fucile (Porto, 64m) – O Porto é quem ganha a segunda bola e, de imediato, vira o flanco encontrando espaço para Fucile progredir e rematar. 2 notas sobre o lance. A primeira tem a ver com a origem do lance, uma disputa aérea após pontapé longo. Na Mata Real, mais do que em qualquer campo desta liga, estes lances são marcantes. Ganhar a segunda bola permite, muito rapidamente, chegar a uma situação de cruzamento ou remate. Tudo por causa das dimensões do campo. A segunda tem a ver com o principio de tirar a bola da zona de pressão. O Porto não conseguiu por em prática esse principio com muita frequência, particularmente em transição, e isso explica em boa parte as dificuldades sentidas.

Falcao (Porto, 77m) – No golo portista, de novo, a importância de, na origem do lance, fazer a bola circular lateralmente, buscando o espaço para Fucile progredir. Isto é conseguido com alguma facilidade, apesar da inferioridade numérica. Depois, há um misto de mérito de Falcao e de demérito, muito, do Paços. A bola é cruzada para a zona central, o Paços tem 4 jogadores na área, contra apenas 2 portistas, mas o seu posicionamento é demasiado incidente sobre o primeiro poste. Depois aparece a forma como Falcao domina o duelo. O segredo está em ler e reagir mais rapidamente à trajetória da bola. Falcao ganha de forma avassaladora o lance, cabeceando sem que o defensor tenha, sequer, saltado. Esta é, a meu ver, a característica que melhor define os bons cabeceadores, sejam eles altos ou baixos..


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17.8.09

Liga 09/10: Notas do 1ª jornada

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Para mim é um arranque a “meio gás”. O período de férias não me permite um acompanhamento dos jogos com o detalhe habitual e, por isso, não posso comentar com o detalhe habitual. Fica para mais tarde. Ainda assim, deu para ver praticamente tudo dos jogos de Porto e Sporting e uma boa fase da segunda parte da partida da Luz. Aqui ficam algumas notas...


Empates e poucos golos
Não é propriamente novidade numa liga com uma das médias de golos mais baixas do mundo e, logicamente também, com um elevado número de empates. Mesmo tendo em conta esta tendência de há muito, e faltando ainda um jogo para terminar a ronda, porém, dá para dizer que esta primeira amostra de 09/10 foi tudo menos promissora. 6 empates em 7 jogos, com uma média inferior a 1,3 golos/jogo (nenhum teve mais do que 2). Tenho uma explicação que entendo ser lógica para esta situação. Talvez mais tarde a debata com maior detalhe, mas para já fica a nota que, mesmo em Portugal, vai ser difícil de bater este registo da jornada inaugural.

Nacional – Sporting: desilusão... mutua
Na Choupana confirmou-se a fase de mutação táctica leonina, evidenciada na primeira parte do jogo frente ao Twente. Tenho dificuldade em perceber esta mudança, nesta altura, e não tenho dúvidas que isso está a retirar qualidade a este Sporting que, afinal, não é tão estável como parecia. Mas falarei deste particular mais tarde.
Sobre o jogo, e mais concretamente, importa destacar a desilusão que representaram as prestações de ambos os conjuntos. Qualquer 1 sentirá que a equipa do ano anterior teria vencido o jogo sem problemas.

Começando pelo Sporting. No 4-3-3 (mais precisamente 4-2-3-1) já referido a equipa assumiu um domínio que lhe foi, em boa parte, consentido. É verdade que muito raramente sentiu dificuldades em controlar o espaço nas suas costas, mas denotou uma dificuldade aflitiva nos lances de bola parada. É verdade que não foi uma equipa incisiva no último terço – de novo – mas dificilmente não teria vencido o jogo com outra capacidade neste aspecto defensivo. De positivo, fica a reacção da segunda parte, onde, em boa verdade, facilmente poderia ter chegado ao 1-2 na recta final da partida.

Se o Sporting está uns bons furos abaixo do que se viu no passado, o que dizer do Nacional? A estratégia do costume, os mesmo métodos, com referências homem e ajustes tácticos ao adversário (notório nas substituições reactivas de M.Machado). O Nacional tinha tudo para vencer o jogo, uma vez conseguida a vantagem. O Sporting estava mal e expunha-se. Mas não. A equipa nunca foi capaz de explorar a profundidade e, à margem dos tais lances de bola parada, apenas conseguiu aproveitar um lapso de Polga/André Marques. Defensivamente, o problema de sempre. Bloco muito baixo, mas com dificuldade em ter eficácia quando o adversário se movimenta e faz aparecer elementos surpresa no ataque. O problema de quem joga demasiado centrado num “encaixe” individual. Os madeirenses estão ainda longe do que fizeram no ano anterior e, para já, fazem muita falta Alonso, Nené e, também, Mateus.

Paços – Porto: dificuldades esperadas e...potenciadas
Depois da Supertaça ficava fácil prever um jogo muito complicado para o Porto na Mata Real. O Paços seria o mesmo, sim, mas o problema em controlar o espaço seria agora muito menor. Tudo se confirmou e, pior para os portistas, ficou ainda mais difícil com as incidências do jogo. A eficácia nas bolas paradas neste campo é, mais do que em qualquer outro da liga, fundamental e foi o Paços quem dela beneficiou. Mais tarde, a expulsão de Hulk. No fim, tudo junto, pode dizer-se que o empate foi, de facto um mal menor para o Porto.

Sobre os campeões nacionais, é até escusado reforçar o que já venho dizendo desde o primeiro jogo. Esta é uma equipa em formação, que tem ainda vários aspectos que a distanciam do rendimento ideal. Consequências do defeso. Dificilmente os ‘dragões’ terão jogos potencialmente tão complicados como o da Mata Real (será uma dos campos mais difíceis este ano), mas têm no tempo um risco evidente. Quanto mais demorar a afinação, mais pontos estarão em causa na maratona da Liga. Nota para Falcao. O golo que marcou, revelando grande capacidade no jogo aéreo, é uma imagem de marca do colombiano. Esperem por mais deste tipo...

Benfica – Marítimo: a diferença da competição
Tenho pouco a dizer sobre um jogo do qual vi pouco. Já o disse, espero muito deste Marítimo, onde Carvalhal tem tudo para triunfar. Por isso, e apesar do Benfica 09/10 não me oferecer quaisquer dúvidas, este era um jogo particularmente interessante e potencialmente complicado para os encarnados – não haverá visitantes muito mais dificeis neste campeonato.

Sobre os 25 minutos finais, único período que acompanhei, posso apenas referir o que foi óbvio para todos. Domínio avassalador do Benfica, muito dinâmico e imaginativo, tendo feito muito e bem, se tivermos em conta que jogava perante um bloco muito denso e fechado. Não deu para vencer mas, por esse período, foi apenas por falta de felicidade.

Não sei se foi por estar ainda pouco afinado, faltando ainda ver a equipa com peças que se pensam ser preponderantes, mas foi para mim evidente que o Marítimo se encolheu em demasia neste período, permitindo que o Benfica fizesse o primeiro passe sem pressão, e numa zona demasiado alta. Diria que jogou uns 20 metros atrás do que deveria ter acontecido.

Para o Benfica, nada de particularmente preocupante por um primeiro resultado menos conseguido. Ainda assim, para quem tinha dúvidas, fica bem claro. Mesmo sendo os adversários menos fortes, em competição, há outra resistência e, logicamente, outra dificuldade.



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26.5.09

O efeito madrugador de Derlei e outros lances em análise

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Era um jogo mais importante para o Nacional, mas em poucos minutos os madeirenses viram as suas possibilidades de sucesso condicionadas com 2 golos madrugadores de Derlei. Esta dupla vantagem leonina ficou definida por situações semelhantes, com cruzamentos largos e superiorização ofensiva na zona de finalização. Se tivermos em conta que Manuel Machado revê o seu sistema táctico de forma a ter superioridade na zona central da sua defesa, frente a uma equipa que utiliza 2 avançados, então fica mais fácil perceber que esse não é o ajuste essencial. Jogando com 2 ou 3 defesas, o que é fundamental é a inteligência e qualidade com que a equipa reage às diversas situações de jogo.

No que respeita ao primeiro golo, note-se que quando a jogada está a ser construída do lado esquerdo, o Nacional tem clara superioridade na área, com o Sporting a ter mais unidades fora dela. Rapidamente, no entanto, a situação inverte-se com o Sporting a colocar vários jogadores a atacar a zona à frente da baliza. A diferença está precisamente no facto de Derlei atacar o espaço enquanto que do outro lado, os jogadores permanecem estáticos e, como se não bastasse, sem ajustar devidamente o seu posicionamento.

Sporting – Nacional (Nené, 11min): A nota para o livre de Nené vai para o pormenor do balanço que o avançado toma para bater aquela bola. Dar apenas 2 passos antes de pontapear é próprio de quem pretende cruzar a bola para a área, mas não de quem vai disparar um foguete a 30 metros da baliza. Impressionante!

Sporting – Nacional (Derlei, 29min): Um dos melhores lances no jogo. Primeiro o tal papel de Liedson, a fugir da sua zona e atrair a marcação. Depois, o movimento de Romagnoli que atrai o outro central. Quando a bola entra no argentino é possível ver o espaço enorme criado na zona central pelo “arrastamento” dos centrais. Djaló é quem tira partido da situação, libertando depois em Derlei.


Benfica – Belenenses (Silas, 3 min): O golo que fez sonhar o Belenenses revela a lacuna táctica que tem vindo a acompanhar o Benfica desde a chegada de Quique. O espaço entre linhas. A linha defensiva não tem qualquer apoio do meio campo e, se é verdade que a jogada se passa em velocidade e em transição, também é um facto que os médios encarnados demoram uma eternidade a recuperar. Ao ponto de Silas poder passar, parar, receber e rematar, sem que ninguém tivesse conseguido recuperar.

Benfica – Belenenses (Cardozo, 13 min): É um lance que termina com um ressalto e que por pouco não dá golo, mas que merece destaque, na linha de continuidade com outras análises já feitas ao Benfica nos tempos mais recentes. Mais uma vez, aqui, nota-se a grande vocação ofensiva do Benfica, colocando vários elementos em acção atacante e terminando com 4 jogadores na área, o que dificulta muito a tarefa de marcação à defesa azul, em igualdade numérica.

Porto – Braga (Hulk, 67 min): Não tem grandes comentários. Podia falar do princípio portista de procurar rapidamente o seu extremo mais explosivo em transição, mas o motivo de destaque é mesmo Hulk. Fantástico momento do jogador a partir para cima de uma defesa que está equilibrada mas que não consegue evitar uma finalização poderosa do talento portista.


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12.5.09

O ataque do Benfica e outros detalhes do fim de semana

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A época não teve sempre estes intervenientes como principais protagonistas, mas o jogo com o Trofense, podendo não ter sido o mais bem conseguido noutras vertentes, mostrou um pouco da forma como algumas unidades ofensivas do Benfica podem ter maior rendimento. Cardozo é um ponta de lança de área e mais útil como referência única na frente de ataque. Foi nesse papel e ganhando directamente os duelos com os centrais que o paraguaio não só marcou os seus 2 golos, mas também apareceu a responder a outros lances. O carácter mais fixo de Cardozo pode libertar Aimar para um papel de maior mobilidade, nomeadamente para aparecer como elemento de desequilíbrio junto às alas. O argentino apareceu muito pouco nestas posições mais laterais durante a época mas neste jogo, mostrou como pode ser útil nessa rotina, fugindo também de zonas mais centrais onde recebe invulgarmente mais apertado. Às características destes 2 jogadores acresce a importância do papel dos extremos, responsáveis por criar situações de cruzamento que têm normalmente Cardozo como destino. Estas poderão, desde já, ser as coordenadas ofensivas do Benfica 09/10, dependendo, claro, de quem estiver na liderança da equipa...

outros lances:
Finalização Cardozo (25min)

Golo Cardozo (38 min)
Finalização Di Maria (45 min)

Golo de Bruno Alves – O golo da festa, surge de um lance de bola parada em que Bruno Alves surge solto para finalizar. Normalmente este tipo de cobranças a solicitar um cabeceamento em devolução ao segundo poste acontece mais como forma de desfazer a zona de marcação. Não é o caso porque o Nacional defende homem-a-homem, havendo por isso um erro individual. No caso o jogador que ignora Bruno Alves de uma forma proibitiva é Luis Alberto. Um erro óbvio e evidente, mas o ponto que me faz destacar este lance é a displicência do Nacional em relação a Bruno Alves, o jogador mais temível entre os portistas neste tipo de lances. Para além da forma desleixada como o médio do Nacional encarou a sua tarefa, há ainda o pormenor de Luiz Alberto ser um jogador quase 10 cm mais baixo, sendo muito duvidoso que pudesse discutir lances aéreos com o central portista, para mais sem qualquer tipo de agressividade na marcação.

Golo do Setúbal – Não é a primeira vez que tal acontece, mas desta vez acabou mesmo por ter consequências. O golo do Setúbal nasce de um contra ataque, não imediatamente, mas pouco depois de um canto favorável aos leões. Foi muito elogiado o desenho ofensivo dos sadinos, mas a verdade é que há um grande demérito leonino na jogada, que vai para além do erro inicial de Romagnoli. É que quando Polga sai para pressionar Regula, a zona central deveria ter sido fechada por Tonel, havendo uma aproximação dos defesas para colmatar o espaço liberto pelo seu colega. Isso não acontece porque Tonel não recuperou devidamente a posição depois do canto. Repare-se como é Abel que está por dentro, com Tonel mais à direita. Uma lentidão de reorganização defensiva que não é nova e que colocou em causa um jogo aparentemente controlado.

O golo de Liedson – 2 pormenores que destaco no segundo e decisivo golo de Liedson. Primeiro a sua característica de mobilidade, partindo de trás para abordar a zona de finalização. Esta característica impede que haja uma referência de marcação na jogada e faz com que o brasileiro não esteja pressionado quando recebe. Depois, o outro pormenor que tantas vezes destaco. O primeiro toque. Um toque rápido e orientado serve para dificultar a tarefa a quem tenta estabelecer posição para impedir o remate. 2 pormenores que condicionam a oposição a Liedson que, no final, acaba até por ajudar o “levezinho”, fazendo a bola ressaltar para fora do alcance de Pawel.

Golo de Tevez – Não há muito a dizer. Apenas um destaque para realçar a diferença que pode fazer a qualidade individual dos jogadores. Uma transição que é quase um alívio em condições difíceis de recepção é transformada de forma aparentemente simples em golo. Notável a recepção de Berbatov (sobretudo por virar as costas à bola, esperando que ela caia por cima de si) e, depois, o repentismo e precisão de Tevez.


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