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18.11.11

Movimentos dos avançados: Complementaridade?

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Primeiro ponto, para referir que não há nesta análise uma intenção de centrar a critica na componente individual. Ou seja, tenho bastantes criticas e reticências em relação à performance de Postiga em variados items de rendimento, mas neste caso a ideia é discutir a dinâmica colectiva a partir dos movimentos do avançado, não havendo elementos que nos possam dizer que os problemas existentes a esse nível estejam relacionados com a utilização de um jogador em relação a outros.

A segunda nota serve para sublinhar que não é igualmente minha pretensão definir exactamente que movimentos devem ou não ser feitos. Aliás, sou até bastante contrário à ideia de que existe um predefinição do que é "certo" e "errado" na forma de jogar. A constatação que faço, porém, tem a ver com a aparente ausência de complementaridade nos movimentos ofensivos da Selecção, especialmente do avançado, que é o jogador que mais possibilidades tem de se relacionar em termos de dinâmica com os mais variados jogadores. O que vemos, apesar disso, é uma movimentação aparentemente sem qualquer preocupação colectiva no aproveitamento ou criação de espaços gerados por, ou para, outros jogadores. O resultado são movimentações que se tornam várias vezes redundantes ou mesmo prejudiciais à restante dinâmica, e, sobretudo, a constatação de um sub aproveitamento deste elemento em termos ofensivos.

Há vários bons exemplos a reter a este nível. Começando pela recente exibição de Klose frente à Holanda, assistindo por duas vezes companheiros, coisa que na Selecção portuguesa raramente vemos acontecer (em toda a fase de qualificação, não houve uma única assistência dos avançados). Outro exemplo, vem do Real Madrid, de Cristiano Ronaldo, onde a movimentação dos avançados segue sempre um padrão de complementaridade com a dinâmica, quer de Ozil, quer dos extremos. Ou, num exemplo mais recente, vimos também como a própria Bósnia se movimentava na última linha, conseguindo uma boa complementaridade de movimentos entre avançados e médios.

Independentemente da opinião que resulte sobre as causas do problema, o que me parece claro que não pode ser negado é a existência do problema em si mesmo. Ou seja, não me sobram grandes dúvidas quanto ao défice de aproveitamento do papel do avançado na Selecção. Por exemplo, e só tendo em conta os 5 jogos desde o Verão (Chipre, Islândia, Dinamarca e dois frente à Bósnia), Portugal criou 26 desequilíbrios em jogo corrido (exceptuando bolas paradas), dos quais apenas 4 foram finalizados por avançados. Sendo este registo já invulgarmente baixo (cerca de metade do que acontece nos "grandes", por exemplo), o facto é que ele não é compensado por qualquer mais valia criativa, já que apenas 1 destes desequilíbrios teve a participação de um avançado (no caso, Hugo Almeida) para efeitos que não fosse o de finalizar. Ou seja, e tal como escrevi ontem, a utilidade dos avançados tem-se resumido a nada mais do que a finalização, sendo que mesmo a esse nível os resultados não são brilhantes...
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14.11.11

Bósnia - Portugal: opinião e estatística

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- 0-0, é um bom ou um mau resultado? A resposta, parece-me, é... não. Este era o desfecho que menos afectava teoricamente o favoritismo atribuído à partida. Portugal continua a ser favorito, mas não é significativamente mais do que era. Se 0-0 é melhor para Portugal ou para a Bósnia? A isso já não sou capaz de responder. A dúvida passa por saber se o peso do misterioso mas irrefutável factor casa é suficiente para desfazer a desvantagem de não se poder empatar para garantir o apuramento. Independentemente da opinião de cada um, o mais interessante seria ter resultados concretos sobre o que o passado nos diz a respeito disto. Infelizmente, para já não os tenho...

- Outra pergunta: Portugal merecia ganhar? O lado português tende a afirmar que sim, que jogou melhor e que merecia algo mais. É verdade que Portugal levou a melhor no domínio de grande parte do jogo, mas também me parece inegável que do ponto de vista ofensivo isso se traduziu em pouco. Ou seja, do mesmo modo que Portugal se pode lamentar de não ter marcado numa ou noutra ocasião, também os bósnios poderão reclamar para si essa possibilidade, porque a tiveram. Copo meio cheio ou meio vazio? Cada um verá como quer. O que me parece claro é que, com o 0-0 e como o próprio jogo da primeira mão bem o demonstra, Portugal está cada vez mais vulnerável do detalhe para definir um apuramento que se devia exigir com muito mais conforto. Agora, tudo pode depender de uma inspiração, de um erro, ou mesmo da sorte.

- Indo mais concretamente ao jogo, convém realçar que o relvado teve mesmo uma importância assinalável no jogo, e mesmo na abordagem das equipas. Pouca capacidade de ligar o jogo, muitas ligações directas e grande importância para os duelos físicos e para o jogo de antecipação. Portugal esteve muito bem durante boa parte do tempo. Pressionou a primeira linha, não facilitou a construção, potenciou o erro, e depois, lá atrás, contou com a presença de Bruno Alves e Pepe, muito fortes no controlo do jogo directo. Menos bem, na ligação do seu jogo ofensivo, porém, e isso terá sido o factor que impediu Portugal de chegar à vitória.

- Defensivamente, Pepe, claro, é o grande destaque. Reconheça-se algumas abordagens menos cuidadas, mas a qualidade de Pepe, a sua capacidade para antecipar dentro ou recuperar nas costas, isso é inquestionável e não tem a ver com estilo ou gostos pessoais. É um fora de série e Portugal, obviamente, ganhou imenso com a sua presença. Ao seu lado, Bruno Alves esteve também muito bem, sobretudo no jogo aéreo, mas Bruno Alves tem limitações que Pepe não tem, quer na recuperação, quer no acompanhamento da marcação até zonas mais interiores. Amanhã tentarei trazer algumas jogadas da Bósnia, que retratam alguns cuidados a ter, mas este é um primeiro ponto de vulnerabilidade que me parece claro: a possibilidade de Bruno Alves ser atraído para fora da sua zona. Nas laterais, ambos tiveram nos momentos de maior dificuldade, mas João Pereira conseguiu ter uma presença muito mais positiva e regular durante o jogo. Coentrão, desta vez, ficou aquém do muito que pode. Quem sabe se venha a refazer no segundo jogo...

- A grande novidade de Paulo Bento, veio da composição do meio campo. Porquê a aposta em Veloso? A meu ver, estará primeiramente relacionada com Meireles e a sua menor disponibilidade para fazer um jogo nos limites da agressividade, devido ao cartão amarelo que não poderia ver. E, de facto, Meireles esteve abaixo do que normalmente rende, parecendo sempre condicionado nas suas abordagens. Mas Veloso tinha também duas outras virtudes. Está habituado a jogar naquela posição, mais defensiva, e gosta da construir de forma mais longa, algo que iria fazer parte da estratégia. Houve algumas dificuldades no ajustamento posicional dos médios (voltarei a este tema...), mas creio que Veloso cumpriu bem o seu papel a esse nível. No entanto, tenho algumas dúvidas sobre a sua resposta em termos de intensidade e agressividade defensivas, algo que me parece ser muito importante para a posição específica. É, ainda assim, um forte candidato como melhor complemento para Moutinho e Meireles...

- Na frente, o talento de Nani e Ronaldo, apesar do esforço, não foi suficiente. Aquilo que me parece mais discutível, porém, é a presença de Postiga. Muito discutível, mesmo. Não por não ter marcado, nem por ter uma capacidade concretizadora baixa (apesar de tudo, parece atravessar um bom momento a esse nível), mas... o que realmente esperava Paulo Bento de Postiga neste jogo?! Iria ser um jogo de grande exigência física, e Postiga tem um registo péssimo a esse nível. O jogo frente à Dinamarca, aliás, deveria ter servido de exemplo conclusivo para esta questão. É impossível saber o que seria o jogo com Hugo Almeida de inicio, mas é também evidente que a presença de Postiga foi tudo menos um valor acrescentado. A principal critica não tem a ver com a baixa utilidade do avançado, mas com a facto de isso ser altamente previsível, à priori...
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20.10.11

Selecção: Estatística individual da qualificação

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Deixo os dados dos 8 jogos do apuramento, acrescentando apenas uma nota que tem a ver com o modelo estatístico. Durante a qualificação houve uma actualização do modelo estatístico, pelo que estes dados partem essencialmente da primeira versão, mais simplificada e que não contém, por exemplo, a avaliação dos guarda redes ou uma divisão por momentos tácticos...

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14.10.11

Dinamarca - Portugal: opinião e estatística

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- Os últimos jogos haviam deixado alguns sinais, mas longe de mim supor que os piores indícios se iriam agigantar no momento mais importante. Uma grande surpresa e uma grande desilusão, não tanto pela derrota, mas muito mais pela forma como ela aconteceu. Não esperava uma equipa super organizada, nem tão pouco super inspirada, mas esperava que mantivesse os índices de intensidade, agressividade e atitude que marcaram a mudança de "era", de Queiroz para Bento. Não foi assim, e antes de partir para uma opinião segmentada por momentos tácticos, reforço esta opinião, de que foi na atitude, na agressividade e intensidade que mais se terá ditado o descalabro de Copenhaga...

- Organização defensiva: Muita coisa a dizer sobre este momento, que foi aquele que começou por condicionar as aspirações de Portugal. A equipa não se apresentou muito agressiva em termos de primeira linha, definindo um bloco médio e tentando fazer com Postiga uma pressão lateral sobre o central que saía com bola. Resultou bem com a Islândia, mas não resultou bem com a Dinamarca. Essencialmente, porque os dinamarqueses revelaram grande carácter, não se atemorizaram perante o pressing e fizeram a bola rodar pelo "pivot" (Kvist ou Zimling), alterando o lado de saída e obrigando Portugal a voltar a reorganizar-se defensivamente. Depois, mesmo dentro do bloco, houve vários problemas... A Dinamarca apelava muito à mobilidade das suas unidades, criando muita presença do lado da bola. Portugal nunca lidou bem com isto, houve uma indefinição no papel dos médios (de novo, fico com a sensação de que Martins tem menor familiaridade com os comportamentos defensivos do modelo, relativamente a Micael), houve uma falta de atitude de Ronaldo e uma incapacidade da linha defensiva se manter alta e encurtar os espaços dentro do bloco. O lance do primeiro golo é, de resto, elucidativo de muitos destes problemas, mas possivelmente voltarei a ele no inicio da próxima semana...

- Transição defensiva: Paulo Bento justificou os problemas de controlo das acções a partir deste momento pelo risco que a equipa assumiu depois do 2-0. Pessoalmente, entendo que não é justificação suficiente para o tipo de problemas que se viram. Grande parte das acções desencadeadas a partir do momento de transição não tiveram na verticalização uma iniciativa imediata. Ou seja, na maioria dos casos, houve tempo para uma reorganização e melhor controlo, o que não aconteceu. Aqui, há dois aspectos a salientar. Tacticamente, o papel da última linha, que teve pouca capacidade para ser agressiva na resposta, não fechando os espaços à sua frente e permitindo que o destinatário do primeiro passe se virasse e encarasse de frente a linha defensiva. Muito claramente, Pepe faz muita falta, pela sua capacidade de pressionar dentro do bloco, seja em organização, seja neste tipo de movimentos, em transição. Depois, em termos de atitude, não houve também a entrega que se justificava a este nível. De novo, o lance do 2-0 é sintomático da incapacidade de resposta e falta de atitude que houve (Ronaldo, no caso). Porque nem tudo é mau, destacar o papel de 2 jogadores na resposta que deram neste momento, Moutinho e Meireles, se Portugal não caiu mais cedo e de forma mais acentuada foi muito pela sua reactividade.

- Organização ofensiva: Com bola, em organização, Portugal já havia demonstrado algumas dificuldades frente à Islândia, onde acumulou vários erros. Não errou tanto desta vez, mas nunca teve, nem a fluidez, nem a inspiração para retirar algo das suas iniciativas ofensivas. Paulo Bento corrigiu a tal questão das primeiras bolas, que eram inconsequentes para Postiga, fazendo Patrício bater a bola preferencialmente para a direita (será por isso que Ronaldo começou por aí o jogo?), mas não foi na construção longa que houve mais dificuldades. Em posse, os dinamarqueses bloquearam completamente as iniciativas lusas, sendo-lhes devido grande mérito, mesmo reconhecendo um jogo aquém das expectativas por parte de Portugal. Meireles, nunca entrou na construção, bloqueado pela acção de Eriksen. A acção dos laterais, por onde Portugal tentou sair várias vezes, foi sempre condicionada e a progressão pelos corredores raramente conseguida. Finalmente, o papel da última linha dinamarquesa, muito mais agressiva em altura do que a portuguesa, fechando os espaços dentro do bloco e como que convidando Portugal a explorar o espaço nas costas. Poderia até ser uma alternativa, mas nem Portugal mostrou engenho para o fazer, utilizando o papel dos laterais na profundidade, por exemplo, nem tão pouco era provável que, com Postiga, Portugal conseguisse muito mais do que aumentar a sua estatística de fora de jogo, sempre que tentasse fazer do seu avançado uma solução para estes movimentos de rotura. De resto, continua a ser muito difícil vislumbrar qualquer mais valia consistente do avançado que justifique a sua escolha durante tanto tempo. Mas há outras dúvidas mais interessantes e difíceis de responder, que me sobram da última fase do jogo: Vemos invariavelmente os treinadores a mexer estruturalmente e a esgotar substituições, sempre que o resultado lhes é desfavorável. É ideia generalizada, que o deve fazer, que deve introduzir mais gente na frente, e "refrescar" as suas primeiras escolhas. Talvez por ser ideia generalizada, e por gerar critica pela certa, os treinadores fazem-no também sem grandes hesitações. A questão é que não creio que ninguém tenha alguma vez estudado realmente, e de forma objectiva esta questão, se mudar estrutura e jogadores acrescenta ou não possibilidades de rectificar coisas? Pessoalmente, tenho dúvidas que normalmente seja útil (talvez um dia procure uma resposta mais fundamentada...), e, neste caso, mais ainda porque não me parece que trazer Ronaldo para o meio seja uma boa ideia. Ou seja, parece-me que se deve conseguir que "apareça" no meio, mas não tanto que "esteja" no meio. A diferença pode ser, tão simplesmente, ter Ronaldo de frente ou de costas para a baliza...

- Transição ofensiva: Portugal tinha tudo para fazer deste momento a génese dos seus desequilíbrios. Não foi assim. Primeiro, porque a vantagem dos dinamarqueses implicou sempre um extremo equilíbrio no momento da perda, depois porque Portugal conseguiu potenciar poucos erros que fizessem deste momento uma oportunidade real e, depois, porque quando os conseguiu "arrancar" (fundamentalmente depois do 1-0), nunca teve engenho nem inspiração (outra vez!) para lhes dar a melhor consequência.

- Bolas Paradas: Era o capítulo mais temido, mas não foi por aí que Portugal caiu. Podia ter sido, porque cometeu vários erros, mas podia ter sido também por aí o seu relançamento no jogo, já que Portugal não foi menos perigoso do que a Dinamarca em matéria de bolas paradas...

- Por fim, duas notas. Uma para Rui Patrício, que tem tido um mau inicio de época, mas que fez uma excelente exibição, poupando a Selecção do embaraço a que se sujeitou. Depois, para o embate com a Bósnia, onde Portugal parte como favorito claro mas onde terá de ter outra abordagem, começando pela atitude já que os aspectos de ordem táctica e organizacional continuarão a não ter tempo suficiente para ser muito desenvolvidos.

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5.9.11

Chipre - Portugal: opinião

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- Começo pelo cenário que se vai definir após o Dinamarca-Noruega. É um jogo que vai marcar, forçosamente, um desempate no aproveitamento pontos/jogos, nas 3 selecções que lideram o grupo de Portugal. Entre todos os resultados possíveis, diria que o melhor para as nossas cores será a vitória da Dinamarca. Dando força ao provável (não certo) cenário de que as 3 equipas vencem os seus jogos frente às restantes equipas do grupo, esse seria o enquadramento que permitiria a Portugal, salvo uma impensável catástrofe, garantir pelo menos 1 lugar no play-off. O empate será o resultado mais perigoso, porque põe Portugal com risco de ficar de fora dos 2 primeiros, em caso de derrota na Dinamarca. Se a Noruega vencer, por outro lado, Portugal mantém o risco de perder 1 dos 2 primeiros lugares, caso perca na Dinamarca por 2-0, por exemplo, e pode ver-se obrigado a vencer em Copenhaga para garantir o primeiro lugar. O meu palpite vai para a vitória da Dinamarca, no jogo com os noruegueses, com um último jogo onde se discutirá a utilidade do empate para as 2 equipas, já que há uma forte hipótese deste grupo vir a ser o “premiado” com o acesso directo do melhor segundo. Veremos...

- Entrando no jogo, começo por falar na oposição, e no grau de dificuldade que Portugal teve pela frente. Esta selecção do Chipre não me parece tão fraca tecnicamente quanto os seus resultados sugerem. Aliás, pelo que se viu, pode considerar-se a expulsão como muito importante, já que o Chipre acabou por se ver sem forças, num período em que Portugal deu boas condições para ser surpreendido. Mas, o que me parece que facilitou realmente o jogo português, foi a má organização defensiva dos cipriotas, particularmente na sua incapacidade para manter um bloco mais agressivo sobre a primeira linha de construção portuguesa, permitindo que Portugal entrasse facilmente, com bola, no meio campo contrário, assim que mudava o ponto de saída. Isto não garantiu a Portugal uma grande proximidade com o golo, mas permitiu-lhe diminuir o risco da perda, e instalar-se confortavelmente no meio campo contrário.

- Parece-me haver, na fase de construção, algum trabalho a fazer. Sobretudo, e porque neste jogo o Chipre facilitou o primeiro passe, a ligação com o último terço. Parece-me ter havido, da parte de Portugal uma tentativa de utilizar duas abordagens distintas. Enquanto que na primeira parte, os médios tiveram uma presença mais próxima mais constante na segunda fase, deixando o inicio de construção mais a cargo de centrais e laterais, na segunda, pareceu-me haver uma tentativa de trazer os médios deliberadamente para a construção, lançando os laterais para posições mais profundas e pedindo deles uma influência maior numa segunda fase. Esta tentativa (que, repito, é uma interpretação pessoal), associada a uma falta de capacidade para introduzir movimentos que ligassem o jogo, acabou por ser prejudicial. Ao baixar os médios, a selecção atraiu também o bloco cipriota para zonas um pouco mais altas. Se tivesse sido bem sucedida nos tais movimentos de ligação, isto poderia ter sido benéfico para encontrar espaços. Assim, como não houve, acabou apenas por dificultar ainda mais a progressão da equipa nacional. O que valeu, a certa altura, foi o facto do Chipre se ter, entretanto, acumulado em zonas demasiado baixas para que pudesse representar qualquer ameaça em transição. Mas, noutro cenário, o risco poderia ter sido outro.

- Mantenho-me na fase de construção, e nesta questão das dinâmicas para iniciar algumas reflexões. Portugal tem todas as condições para ter uma presença forte em posse. Tem a capacidade de passe de Bruno Alves, a atractividade com bola que Pepe não tem receio de fazer, a dinâmica notável dos 2 laterais, a ameaça dos extremos na segunda linha, e as característica do critério, forte em quase todos os médios. Dentro de tantas soluções, a única coisa que é preciso, é escolher uma via, porque não se pode ter todas ao mesmo tempo. Parece-me claro que Moutinho, sendo um jogador mais forte em construção do que numa segunda fase, pode perfeitamente baixar para receber, como faz actualmente no Porto. Do mesmo modo, quer João Pereira, quer Coentrão são armas fortíssimas, mas sobretudo numa segunda fase da construção. Ou seja, parece-me fazer sentido lança-los mais na profundidade, aproveitando movimentos internos dos extremos. Mas é preciso que estes movimentos saiam melhor do que têm saído.

- Passo para a questão dos médios. Sou da opinião de que Micael será a melhor alternativa dentro das soluções apresentadas. Mas, ainda assim, gostaria de ver Meireles noutra linha. Porque o seu jogo tem maior amplitude, sendo muito forte nos movimentos sem bola que consegue no último terço. Muito mais forte do que Micael ou Moutinho, jogadores de “bola no pé”. O problema é que Veloso como “pivot” retira uma capacidade de recuperação enorme, nomeadamente em transição, como, a meu ver, se notou a partir da sua entrada. O ideal seria ter 2 Meireles, como não há, Paulo Bento terá de encontrar, ou outras soluções individuais, ou (e este é o caminho mais inteligente) uma melhor definição colectiva, que potencie as características de cada um.

- Há, no jogo de Portugal, um espaço que me pareceu desprezado em relação à intencionalidade de aproveitamento. O espaço “entrelinhas”. Dir-se-á, e é óbvio, que não simples explorar esse espaço, normalmente “super povoado” pelas defesas contrárias. O ponto é que não me pareceu haver sequer intencionalidade de fazer esse aproveitamento, sendo, até, algo contra producente os movimentos de Postiga pelo corredor central, acabando por atrair gente para essa zona, em vez de a libertar. E passo, precisamente, para a questão do avançado...

- Paulo Bento insiste em Postiga, e percebeu-se a sua intenção em procurar que este jogador fosse parte da solução para a construção, através de movimentos de aproximação ao longo do corredor central. É algo que tenho discutido e reparado nos últimos tempos, e parece-me que este tipo de movimento pode não trazer grande benefício à equipa, se não tiver o enquadramento correcto. Primeiro, porque exige muito do avançado, e Postiga não apresenta um grande aproveitamento nessa tarefa. Depois, porque sem movimentos complementares nas costas, acabam por ser movimentos que promovem densidade no espaço entrelinhas. Ou seja, no final de contas, não se vislumbra grande proveito prático. Depois, e em relação a Postiga, sou da opinião que a sua utilidade é muito escassa no corredor central, seja baixando, seja na frente de área. Onde os seus movimentos me parecem, de facto, fortes, é nos corredores laterais, criando apoios que ajudam a equipa a vir para dentro e não ficar presa à solução do cruzamento largo. O problema, é que Paulo Bento não lhe pede esses movimentos, por ser o único avançado do modelo, perdendo assim aquela que me parece ser a característica mais forte do jogador. Se não é para potenciar esta característica de Postiga, a meu ver, não se justifica a sua presença. Sou da opinião que mais valia, ou restrigir a acção do ponta de lança a zonas mais curtas e de maior contacto, usando Almeida, ou dar-lhe largura, criando um falso “9”, usando Danny, por exemplo. A solução de Almeida é, claro, aquela que é mais fácil de implementar.
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18.8.11

Que falta fazem os goleadores?

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Na verdade, o título é ambicioso. Assumidamente, esclareço já, para não haver confusões. As razões, deixo-as a seguir...

"Desses, qualquer um marca!", ou, "Não marca, mas contribui para o colectivo". São algumas das expressões ouvidas, nas várias discussões sobre avançados. O tema é actual, porque se fala da eminente saída de Falcao, de Cardozo e, até, de Postiga. Quanto marcam, todos sabem. Mas, quanto marcam as suas equipas quando eles jogam? Ou, quanto marcam quando eles não jogam? Melhor... qual é a diferença entre quando jogam, e não jogam?

E é isso que trago, quanto marcaram as equipas (não eles, mas as equipas, reforço), quando eles estiveram em campo, e quando não estiveram. E a diferença. Para os 3 casos do momento, e para mais 2, os últimos grandes goleadores a sair do campeonato.

E, agora, explico porque o título é ambicioso. Porque a análise precisa de consistência e coerência. Consistência, no número de observações, coerência, no enquadramento das mesmas. Coerência, tento garantir pela observação, apenas, de jogos da Liga Portuguesa, onde a tipologia de jogos é mais estável. Coerência, ainda, porque todos os jogadores analisados foram utilizados com frequência. O problema maior vem da consistência. São precisos muitos jogos para diluir efeitos de casos pontuais. Os 10 jogos que Falcao não jogou, são muito pouco consistentes. Os 38 de Liedson, muito mais conclusivos. Ainda assim, o ponto mais importante é que as regras são simples e iguais para todos, pelo que não há favorecimentos à priori. Quanto ao resto, ajustem, a gosto, as margem de erro.

Conclusões? Cada um tirará as suas. Eu tenho as minhas, mas não faço questão de as partilhar. Apresento apenas os dados, que são factuais, e espero que eles possam contribuir para alguma coisa. Porque deviam. Apenas uma ressalva: o grau de impacto pela ausência dos jogadores tem a ver com a qualidade de quem os substitui. Ou seja, não é por um jogador ter tido um grande impacto, no tempo em que jogou num clube, que fará falta no futuro. Depende de quem o venha a substituir. O caso de Lisandro (substituído por Falcao), é um bom exemplo.

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9.8.11

Sporting 2011/12: balanço de pré época

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Ponto prévio, incerteza: Qualquer projecção futura tem, por definição, uma incerteza inerente. Chegar a graus de probabilidade mais elevados é um desafio bem mais árduo do que a maioria das pessoas supõe, mas é esse o desafio que me interessa e aquele que justifica toda a dedicação que destino ao "tema futebol". O caso do Sporting 2011/12, e neste timing concreto, é especialmente interessante, porque pode-se fazer a análise de 2 perspectivas. Uma, mais pessimista, centrada em elementos de pré época e noutros problemas que, a meu ver, são evidentes. Outra, mais optimista, centrada essencialmente nas projecções que se podem fazer a partir dos trabalhos passados de Domingos. Por motivos que adiante explicarei, estou mais inclinado para a segunda, a mais optimista, arriscando numa melhoria substancial de rendimento face aos 2 anos anteriores. O grau de sucesso, não quero aqui precisar porque, em competição, nunca se depende apenas de si próprio. Ainda assim, e sem deixar de assumir as minhas leituras para critica futura, faço questão de começar por confessar alguma insegurança nos elementos que estou a utilizar.

Que sistema? - 4-1-3-2, 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3... já se falou de tudo um pouco. A diferença, bem vistas as coisas, não é muita. Os princípios são os mesmos, e os comportamentos mudam, essencialmente, num jogador, aquele que joga mais próximo do avançado, podendo ser "mais avançado", ou "mais médio". Em relação ao 4-2-3-1 que se viu em Braga, há uma alteração comportamental no meio campo, perdendo-se a simetria e com um médio (Rinaudo) a assumir uma postura mais posicional. Depois, se o elemento de ligação com o avançado for assumidamente mais próximo deste (como frente à Juventus ou ao Valência), há uma distinção entre o seu papel e o do outro médio, que necessita de fazer a aproximação entre os avançados e o médio mais posicional. Este papel foi interpretado por Schaars. A partir da segunda parte do jogo com o Málaga, houve uma aposta numa estrutura comportamental mais próxima do 4-3-3, com o papel entre os 2 elementos ligação a ser mais simétrico, e com a presença junto do avançado, no pressing, a alternar em função do lado da bola. O papel dos alas no equilíbrio ao centro também fica afectado, já que há, por norma, mais presença, mas o comportamento global da equipa não se altera em nenhum momento. Ainda assim, creio que seria benéfico Domingos encontrar um sistema base, bem como os seus principais protagonistas. Aliás, creio ser essa a intenção do próprio. Arriscaria que, com Matias, o 4-3-3 ganhará maior probabilidade, mas sem o chileno (e sem Aguiar e Izmailov), essa hipótese pode estar mais condicionada.

Aspectos defensivos - Talvez possa ser estranho, mas sou da opinião que um dos aspectos positivos desta pré época, vai para o que se viu da linha defensiva. E, aqui, distingo aquilo que é o posicionamento em altura de 4 jogadores, do produto do sistema defensivo, como um todo. Houve coerência na posicionamento, com poucos exemplos de jogadores a ceder à tentação de desfazer a coerência da linha com acompanhamentos individuais, e com muitos fora de jogo a serem tirados, ao contrário do que aconteceu no ano passado, onde, perante o mesmo tipo de intenção, muito mais erros aconteciam.
Por outro lado, também não vi demasiado espaço entre centrais e laterais, ou mesmo entre sectores, como foi denunciado em diversas opiniões. Vi, isso sim, dificuldade da linha média em controlar o tempo de passe e em controlar zonas de pressão, de onde a bola não deve sair, uma vez entrada. Vi erros individuais em posse, que potenciaram transições muito complicadas de controlar. Vi jogadas estrategicamente trabalhadas para colocar a bola nas costas do lateral (mas raramente não entre este e o central). Vi, por fim, erros individuais em situações de bola parada, e más saídas pontuais dos médios (Rinaudo), na ânsia de corrigir o que a primeira linha do pressing não conseguiu neutralizar (mas não espaçamento estrutural entre sectores).
Várias coisas, portanto, mas não tudo, nem tudo o que se disse. Aqui, e para finalizar, reforço um problema que me parece essencial e que tem a ver com a agressividade da linha média e avançada no trabalho defensivo. Algo que me parece ter convergido para o reforço da linha média a partir da segunda parte do jogo com o Málaga.

Aspectos ofensivos - O que mais surpreende será, talvez, a pouca capacidade da equipa em situações de transição defesa-ataque. Não nas transições curtas, produto de recuperações altas do pressing, mas nas recuperações mais profundas, de onde a equipa raramente se desdobrou com qualidade. A surpresa tem a ver com aquilo que o Braga era capaz de fazer neste momento, e com a valorização estratégica que o próprio Domingos lhe dava.
Ao nível da organização e ataque posicional, também a maior presença de médios (4-3-3) pareceu fazer evoluir a equipa. Particularmente, no jogo com o Valência e primeira parte com o Málaga, a equipa teve muitas dificuldades em construir. O contra-exemplo mais representativo é mesmo a segunda parte frente ao Málaga, já que, quer Udinese, quer Juventus, não apostaram num condicionamento tão forte sobre a fase de construção.
A questão individual torna-se decisiva na melhoria da equipa em toda a sua vertente ofensiva. Os aspectos ofensivos devem ser potenciados em especificidade, partindo das características dos jogadores para as dinâmicas previstas. Aqui, em termos de potencial, parece-me que há um maior condicionalismo na saída em construção. Por um lado, porque se prevê um decréscimo de qualidade na capacidade dos centrais neste plano (será o ponto fraco de Rodriguez, e Onyewu é o mais limitado dos 4). Por outro, não se vê ainda uma grande capacidade na resposta às primeiras bolas aéreas, uma alternativa que o Braga explorava muito em jogos de maior grau de dificuldade.
Tal como referido acima,torna-se importante que Domingos encontre rapidamente a sua estrutura base, para poder evoluir em especificidade.

Competição, precisa-se! - Há um aspecto que não foi avaliado - nem podia - na pré época. Dois, na verdade, mas ambos têm a ver com a competição onde "ganhar" é o objectivo. O lado estratégico do jogo, e a resposta mental da equipa. Estas 2 vertentes foram, indiscutivelmente a grande força das equipas de Domingos, e a grande justificação para os resultados extraordinários que continuadamente o treinador vem conseguindo. Por exemplo - e isto não serve para extrapolações lineares - o Braga havia perdido os seus jogos de apresentação nas 2 épocas sob o comando de Domingos, tendo feito, depois, um arranque fulgurante na época oficial. Este é, já agora, o capítulo que justifica alguma perspectiva de uma época acima das expectativas, por parte dos Sportinguistas. Aliás, com Domingos, e até agora, foi sempre assim, "acima das expectativas"...

Lesões, uma preocupação - Se projectarmos um onze ideal, dentro das actuais soluções, dificilmente alguém excluirá Rodriguez, Matias e Izmailov. Ora, também dificilmente projectará uma época imaculada em termos de lesões para qualquer dos 3. Dito isto, e acrescentando o risco de outras unidades padecerem desse mesmo mal, é bastante provável que o Sporting 2011/12 seja (ou continue a ser) uma equipa com um departamento médico atarefado. Que consequências terá?

Opções individuais - Já várias vezes me expressei sobre algumas unidades, pelo que não quero cair na redundância, neste texto. Exploro, ainda assim, alguns casos.
Primeiro, os centrais. Especula-se sobre a hipótese de o Sporting procurar outro jogador para esta posição. Sendo ou não verdade, entendo que será prudente fazê-lo. Porque Rodriguez, um titular previsível, tem o tal problema do histórico de lesões, e porque Onyewu também o tem, não sendo, por outro lado, uma opção muito credível, a meu ver. E fundamento-me em 2 aspectos principais para a critica ao americano: capacidade em posse (não o critério, mas a falta de capacidade de arrojo mínimo, que se tornará um "alvo" óbvio para qualquer adversário), e capacidade de resposta em zonas onde é necessário antecipar e reagir (jogando alto e de forma mais pressionante). Ou seja, seria, a meu ver, mesmo aconselhável ter outra solução...
No meio campo, o tal problema da falta de reactividade, onde se exclui o caso do incrível Rinaudo. Aqui, destaco as dificuldades, mais previsíveis, de Schaars e André Martins, e mais surpreendente (ainda que reincidente), de André Santos. Creio que nestas contas pode entrar Izmailov, um acréscimo de valor e bom complemento para Rinaudo. Melhor do que Schaars, parece-me, ainda que holandês seja também um bom valor.
Mais à frente, creio que, seja qual for o sistema, Domingos apostará entre Matias, André Martins , Aguiar ou Postiga, sendo Izmailov outra possibilidade eventual. Com Postiga, dificilmente a opção passará por um 4-3-3, ficando, nessa hipótese, a solução muito dependente da disponibilidade de Matias ou Izmailov, já que não entendo haver grande mais valia em Aguiar ou (para já) André Martins.
Nas alas, a boa notícia é a capacidade de trabalho de todas as opções, algo fundamental para quem quer manter-se alto e agressivo no jogo. Djalo é o caso mais forte neste plano, e aquele que garante um estilo diferente dos outros. Mais incisivo e forte em zonas de finalização, e menos fiável em posse. Dos outros, o tempo para opiniões muito vincadas ainda é curto. Jeffren parece poder acrescentar algo em termos de 1x1, algo em que o plantel se encontrava carente. Ele, e Carrillo, uma das surpresas da pré época. Carrillo será, até, o que mais mostrou dos novos extremos, mas fica-me a dúvida sobre a sua resposta no último terço, em termos de definição. Um extremo não pode precisar de 2 "toques" entre si e o golo. Falta ver mais, para estes e para Capel.
Finalmente, na frente. Sobre Postiga, estamos conversados. Podia trazer mais análises de desempenho passado, mas parece-me tão trivial o ponto sobre a improbabilidade do seu rendimento como principal finalizador, que me vou dispensar desse trabalho. Wolfswinkel é a aposta óbvia. Afinal, quem dá 5 milhões não abdica da aposta por 1 pré época. Compreendo a coerência dessa medida, mas, na leitura que já havia deixado, o holandês dificilmente será um finalizador muito eficaz (ainda que valha mais do que o que mostrou). Tinha tudo para ser um problema, não fosse... Rubio. A sensação da pré época pode ser uma das melhores aquisições dos últimos anos. Tem óptima abordagem à zona de finalização, mas foi também o que melhor resposta deu em termos de agressividade defensiva e jogo aéreo (primeiras bolas), não ficando a perder em termos de jogo de apoio, pelo menos face ao que os outros mostraram. Já havia deixado as minhas suspeitas, e, tudo somado, dificilmente a pré época terá sido um engano. A idade e o estatuto? Pois claro, esses serão os seus obstáculos para uma aposta séria e no imediato. Porque mais nada o justifica. Resta Bojinov, que deu muito boa resposta frente à Juventus, jogando de costas para a baliza. Na minha leitura, será entre Rubio e o búlgaro...
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3.8.11

Lançamentos laterais...

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Não é normal. Em 2 jogos, 5 golos com origem em lançamentos laterais. Aconteceu, e como tal, é também uma boa oportunidade para rever este tipo de situação, nomeadamente no que respeita a Sporting e Porto. O meu destaque mais geral vai para o posicionamento base de ambas as equipas, mas há pormenores que dão um interesse especial a cada uma das situações.

Sporting - Valência (golo 1) - Não é claro que seja intencional, mas é provável que o seja. O Valência atrai 3 jogadores para a zona lateral à área e depois opta por um lançamento longo, onde, obviamente, há mais espaço e, particularmente, um 2x2 na frente de Patrício. O pormenor que define o lance, a meu ver, tem a ver com a abordagem de Carriço. Consegue controlar o adversário, mas perde noção da trajectória da bola, fazendo-se a ela, ainda assim. É perfeitamente notório o movimento de João Pereira, que inicialmente tenta controlar o espaço entre ele e o central, mas, de repente, abre deliberadamente, como que antevendo a acção deste. O mesmo se passa com Patrício, que demora a sair, precisamente porque espera pela acção de Carriço. Ainda que se possa considerar um excesso de confiança (nomeadamente de João Pereira), tem lógica o comportamento destes jogadores, porque, antevendo a iniciativa do colega, o ressalto seguinte nunca cairia imediatamente nas suas costas, mas em zonas mais afastadas. Neste cenário, definido em fracções de segundo, houve apenas um jogador que apostou no falhanço de Carriço. O problema, para o Sporting, é que não vestia de verde e branco.


Sporting - Valência (golo 2) - Diria, o golo mais interessante de todos. Desde logo, distingue-se pela zona onde nasce, completamente diferente dos outros casos. Se alguém duvidava da preparação do Valência para o aproveitamento do espaço nas costas, está aqui um belo exemplo. Delicioso o pormenor do jogador do Valência antes do lançamento, como que anunciando de forma não verbal o que se iria passar. Mais à frente, quem percebeu tudo muito bem e de forma telepática, foi Soldado. Repare-se como parte muito antes de um passe que não era evidente. Evidentemente preparado, foi o que foi. É natural que o Sporting não tenha feito um estudo muito especifico do jogo, dada a sua natureza pré competitiva. Ainda assim, ficam 2 notas gerais sobre aspectos importantes para quem quer defender com tanto espaço nas costas. Na frente, e embora os jogadores avançados estejam habitados a "folgas" no que respeita a defender, não há margem para perdas de intensidade. O lance devia, fundamentalmente, ter sido controlado na pressão sobre o jogador que recebe o lançamento. Não foi, porque Postiga não teve intensidade suficiente no lance. Depois, a colocação dos apoios de Onyewu. Nota-se que há um antecipação do passe nas costas, brevíssimos instantes antes dele sair. No entanto, a forma como o central americano parte para o lance compromete qualquer possibilidade de reacção face a Soldado. É muito importante que os jogadores ajustem correctamente o ângulo dos pés, precavendo uma eventual necessidade de corrigir rapidamente o espaço nas costas. Se Onyewu ficou a milhas de Soldado, foi porque partiu tarde, e não por questões de velocidade. Bem melhor esteve Carriço, que conseguiu, pelo menos, importunar Soldado. Como o mérito do avançado prevaleceu, e foi Carriço a ficar no "foto-finish", é provável que, para muitos, tenha sido ele o culpado...

Sporting - Valência (golo 3) - A nota principal do lance vai para a falta de preparação dos jogadores para o detalhe do fora de jogo. O posicionamento defensivo é estabelecido como se a lei do fora de jogo vigorasse neste tipo de situações, o que é normal, dado que a equipa quer estar assim posicionada no momento seguinte ao lançamento. Mas, porque, de facto, não há fora de jogo no acto do lançamento, é preciso uma atenção extra, porém, completamente ausente do lance. Sobretudo de João Pereira, que é quem está mais próximo do lançamento, não pode "apertar" a marcação quando tem espaço nas costas. Esse é o lapso mais importante para o desenvolvimento do lance, mas não se pode dizer que o lateral fique herdeiro solitário de toda a responsabilidade. Há uma perda de intensidade geral, que continua em Rinaudo, visivelmente pouco prevenido para a possibilidade de ter de dobrar junto à linha, e se estende até à área, onde Onyewu volta a perder o controlo de uma marcação, que devia ser facilmente anulável, dada a escassa presença de jogadores espanhóis na área.

Porto - Lyon (golo 1) - Tal como na generalidade dos lances do Valência, nada parece ser um acaso no golo do Lyon. Foco em Gomis, bola em Lisandro. O Porto é notoriamente surpreendido, notando-se a proximidade de Souza ao avançado francês. No entanto, há aqui um pormenor, que me parece fundamental no desenvolvimento do lance. Há alguma diferença entre o posicionamento base da equipa, em jogo corrido, e neste tipo de situações. Em particular, no posicionamento estratégico dos médios e na "folga" que é dada no espaço à frente dos centrais. Por ser concedido esse espaço, é importante que exista um encurtamento rápido da linha defensiva, assim a bola comece a progredir paralelamente à linha frontal da área. O problema, diria decisivo, é que Otamendi fica preso com Gomis, impedindo-o de recuperar a sua posição, para pressionar na frente de área. Isso e, claro, a qualidade de Lisandro.

Porto - Lyon (golo 2) - Tudo muito semelhante ao primeiro golo, mas com desenvolvimento completamente oposto. Aqui, fica mais claro o posicionamento dos médios, e o porquê do mesmo. Em situações de jogo corrido, é, muitas vezes, o médio que fecha na ala, ficando o extremo mais livre para a transição. Aqui, ficam os 2 médios preparados para o momento de transição, como que tendo a certeza do mesmo. E assim foi, golo em transição com os médios como protagonistas. Tudo previsto, portanto.
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14.3.11

Rio Ave - Sporting: Análise e números

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Os indícios negativos que, ainda que brevemente, comentara a propósito da exibição frente ao Beira Mar, confirmaram-se em Vila do Conde. Juntou-se-lhes a maior qualidade do adversário e o Sporting deve ter feito, muito provavelmente, a exibição mais incapaz deste campeonato. Será discutível, mas considerando todos os elementos de análise, eu arriscaria o "prémio": a pior exibição! Há que considerar, obviamente, o bom jogo do Rio Ave – uma das melhores equipas da liga, neste momento. Mas nem isso, nem a situação presente do Sporting, são suficientes para que se perca alcance critico ao que vai sendo feito com esta equipa do Sporting. E, nesse plano, há alguns pontos merecedores de atenção...

Notas colectivas
Começando por um aspecto que me parece importante: o discurso e atitude de Couceiro. As “chicotadas psicológicas”, como já tentei demonstrar no passado, podem ter um efeito prático útil. A explicação não está num “milagre táctico”, mas numa inversão do estado de espírito de equipas emocionalmente arrasadas. Ora, no caso do Sporting, esse efeito arrisca-se a ser particularmente reduzido. É que para que o “chicote” seja útil convém que a nova liderança tenha, pelo menos (já nem falo da capacidade!), determinação e energia para renovar esperanças e atitudes. Couceiro parece não ver nesta sua tarefa uma oportunidade, mas uma espécie de obrigação que cumprirá apenas por não lhe restar alternativa. Talvez Couceiro se ache com muita falta de sorte, mas, vistas bem as coisas, fica a pergunta: quantos serão os treinadores portugueses que não trocariam épocas inteiras por este final de época no Sporting?

A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.

Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.

Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.

Notas individuais
Evaldo – De novo, incrível a forma como está na zona dos lances mas não tem capacidade para se impor.

Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa

André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.

Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.

Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.

Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.

Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.

Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.

Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.

Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).

Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.

Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.


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3.3.11

Sporting: notas individuais do derbi

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Postiga – Esteve bastante esforçado, sem dúvida, e igualmente influente nos poucos lances de golo criados pela equipa. Mas há também que realçar alguns aspectos negativos na sua prestação. Ontem, já referi a sua aparente tentativa de ficar sempre com a bola dominada nos duelos aéreos, acabando por perder a maioria deles, fazendo demasiadas vezes falta neste tipo de abordagens. Depois, há sobre Postiga a ideia de que é um jogador “forte” a segurar a bola. Postiga é um jogador dotado tecnicamente e normalmente inteligente nas suas opções. Mas é também um jogador mais vulnerável do que outros no confronto fisico e isso faz com que não tenha um aproveitamento tão bom como muitas vezes é sugerido, na missão de “pivot”.

Matias – Esteve bem. Sem uma influência enorme – que não pode ter – mas sempre com capacidade de trabalho e critério com bola. Era um jogo em que lhe era permitido jogar entre linhas, como gosta, e tivesse a equipa mais capacidade e lucidez para jogar, poderia ter tido um impacto ainda maior.

João Pereira – Missão difícil, travando sucessivos duelos, quer com Gaitan, quer com Coentrão. É um jogador muitas vezes com dificuldades no 1x1, pela abordagem excessivamente agressiva que faz em muitas ocasiões. Desta vez, porém, deu-se bastante bem.

Vukcevic e Djalo – Melhor o montenegrino em todos os aspectos, até porque foi bem mais solicitado. Talvez Couceiro esperasse algo mais de Djalo, mas se Vukcevic foi substituido não foi por estar pior do que Djalo.

Zapater e André Santos – Tinham um papel fundamental, mas, no meu entendimento, não tiveram uma perstação suficiente para o que a equipa precisava deles. Prestáveis, sim, mas tantas vezes com qualidade manifestamente insuficiente. Não dominaram a sua zona, nem pelo posicionamento nas primeiras e segundas bolas (na recta final, foi por este aspecto que o Sporting caiu) e não tiveram também capacidade de dar à equipa, nem grande qualidade e critério à posse (raramente jogaram), nem profundidade pela capacidade de passe (nenhum passe de rotura). Couceiro pode lamentar-se das lesões que o impediram de refrescar o sector, mas não se pode queixar por ter deixado aquele que é – de muito longe! – o seu melhor médio no banco.

Polga e Torsiglieri – Polga errou mais – nomeadamente na forma como abordou a marcação na grande penalidade – mas também foi melhor na leitura e antecipação dos lances – como normalmente é. Mas ambos estiveram regulares em termos defensivos. De assinalar a péssima percentagem de passe, o que indica a pouca disponibilidade para sair a jogar.

Evaldo – A nota estatística é francamente elogiosa. É incrível como está em campo, como a bola passa tantas vezes na sua zona e intervém tão pouco. Não se trata, muitas vezes, de estar mal posicionado, mas de ter uma leitura terrível dos lances, parecendo reagir sempre tarde e sem intensidade para poder ser útil. Foi batido por Cardozo no primeiro golo, por Salvio numa bola que acaba na barra e no segundo golo também estava na zona em que a jogada se definiu.

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16.2.11

Olhanense - Sporting: Análise e números

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Na alegoria do “boxeur”, utilizada pelo treinador recentemente, Paulo Sérgio continua em ringue e, segundo o próprio, disposto a “levar porrada”. O que se constata, porém, é que Paulo Sérgio já só está mesmo em ringue para “levar porrada”. O próprio deixou de acreditar na sua capacidade de inverter o sentido do combate, e limita-se agora a esbracejar e resistir sem sentido ou estratégia. Ficar de pé e esperar por um milagre é tudo o que lhe resta.

Murros e combates à parte, a desistência de Paulo Sérgio vê-se na forma como a equipa deixou de tentar interpretar a filosofia que o próprio treinador havia definido no inicio de época. E o jogo de Olhão foi apenas mais um exemplo.


Notas colectivas
É sempre triste para um clube com a vivacidade do Sporting ter uma equipa mais crente na sua impotência do que na sua capacidade. Mais triste se torna quando isso acontece com 2 troféus e tantos jogos ainda por disputar. O maior problema desta fase do Sporting é que não está a ser feito um diagnóstico correcto da situação. Há uma focalização excessiva na componente individual, uma incapacidade de reconhecer as mais valias e de identificar potencial nas soluções existentes.

Pede-se e prepara-se, quase seguramente, uma revolução no plantel. Quase sempre, esse tipo de revoluções acontecem quando não há noção do que está mal. Opta-se por uma espécie de exercício de fé: muda-se tudo e reza-se para que se acerte.

Sobre o jogo, volto a salientar alguns aspectos que denunciam a má preparação colectiva da equipa do Sporting:

Primeiro, a filosofia. Conformista com uma posição submissa, quando no inicio de época o Sporting tinha como objectivo, declarado e anunciado, o domínio permanente do jogo. Nada pode denunciar mais a falência de crença do que esta constatação.

Depois, a incapacidade da equipa construir de forma planeada e organizada. Não é uma equipa que tenta jogar directo por opção, mas que acaba frequentemente por ser obrigada a tal. Isto porque quem tem a bola em zona de construção fica frequentemente sem opções seguras de passe, expondo-se ao pressing. Para além disso, a movimentação na zona criativa continua a ser apenas intuitiva. Dentro disto tudo, pode o Sporting congratular-se por ter feito golo praticamente na única jogada que conseguiu fazer em apoio, na primeira parte.

Finalmente, e em termos defensivos, jogar Torsiglieri ou Polga faz toda a diferença. Com Torsiglieri, a equipa tenta com mais frequência o fora de jogo, com Polga muito menos. Porquê? Porque não há uma orientação colectiva clara e bem definida. De resto, vários erros, quer em posse (João Pereira), quer em termos posicionais (Carriço), numa equipa que foi especialmente fustigada à esquerda (intencional?) e que continua a fazer da presença numérica o factor mais decisivo para o sua eficácia defensiva.

Ainda sobre o Sporting, será curioso ver os próximos jogos. Não é liquido que tenham desfechos negativos, apesar do momento e de algumas ausências relevantes. Há qualidade individual, experiência e haverá também mais motivação por parte dos jogadores. Também para o treinador poderá ser um “alívio” poder montar estratégias mais conservadoras e com jogadores mais motivados a interpreta-las. Para ver...

Notas individuais
João Pereira – Foi talvez o jogo mais desastrado da temporada. Desconcentrado com bola, tomou algumas decisões incompreensivelmente más, nomeadamente uma, que desencadeia o desequilíbrio no segundo golo.

Evaldo – Foi invulgarmente participativo, muito porque foi “obrigado” a isso pelo Olhanense. Não se saiu especialmente bem, mas também não especialmente mal. Como quase sempre, aliás. Desde que Grimi não recupere para o jogo do Benfica, pode até nem ser uma má notícia a sua ausência...

Carriço – Não é pelo auto golo que mais merece criticas. E se as merece! Esteve ligado à reacção e recuperação do Olhanense, com posicionamentos estranhos e que abriram por 2 vezes caminho a finalizações na cara de Patrício. Nesses lances pareceu demasiado agarrado a referências individuais e perdeu completamente a noção do seu enquadramento posicional. É estranho nele, mas nesta equipa, com esta organização, já nada se estranha...

Torsiglieri – O Sporting tem aqui um bom valor, sem dúvida. Tranquilo e seguro com bola e muito forte no choque. Precisa de um treinador e de uma organização diferente, que o ajude a evoluir posicionalmente e que, por exemplo, não o obrigue a olhar para trás para perceber se estão todos a respeitar uma linha de fora de jogo que ele está a definir. Precisa ele e muitos outros...

Pedro Mendes – Fez um jogo em crescendo, acabando por ser dos melhores da equipa, como, aliás, não podia deixar de ser. Com Maniche, pode fazer um meio campo de grande qualidade e critério.

Maniche – O melhor exemplo do absoluto desnorte nos diagnósticos que são feitos a esta equipa? Maniche. Haverá poucos jogadores com a qualidade e regularidade do seu rendimento, mas Maniche é sempre apontado como um “problema”. Enfim, outra vez o mais influente com bola, um pouco aquém do que é hábito em termos de eficiência defensiva e interveniente também em termos de acções de desequilíbrio.

Postiga – Foi o destaque do jogo e de facto esteve inspirado nas suas acções ofensivas. A apontar-lhe apenas a completa ausência em termos defensivos. Um problema que é sobretudo colectivo e que com Liedson ficava mais disfarçado.

Cristiano – Jogou pela primeira vez mais tempo e, não se podendo dizer que foi uma estreia auspiciosa, foi pelo menos uma exibição com boa entrega e sem qualquer excesso de individualismo – critica que lhe é normalmente feita. Aliás, se há coisa que lhe faltou foi individualismo numa jogada em que devia ter sido mais expedito a finalizar e que acabou por se perder numa tentativa de assistência.


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7.2.11

Sporting - Naval: Análise e números

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Era suposto ser apenas o último jogo do goleador, mas o curso da partida teve o condão de transformar um aparentemente natural fim de ciclo, numa sensação de perda irreparável. Não que Liedson – este Liedson – não seja, de facto, uma perda para o Sporting – qualquer Sporting. Mas é também uma evidência que a prestação de Liedson só se tornou heróica porque a mediocridade do futebol da equipa assim o permitiu. Tivesse o Sporting uma equipa mais bem preparada e nenhum heroísmo seria necessário, fosse ele de Liedson ou de outro qualquer. Seja como for, o efeito até acabou por ser positivo para um clube em crise não só desportiva: afinal os clubes vivem da emoção que geram, e se há coisa que se viu no final, foi emoção.

Notas colectivas
O jogo não teve nenhuma abordagem estranha por parte das equipas. O Sporting, repetindo a fórmula que lhe deu a última vitória, na Madeira. A Naval, repetindo a abordagem que já tivera em todas as outras partidas sob o comando de Mozer. O mais curioso desta constatação é assistir ao que aconteceu com pouco menos de 30 minutos de jogo: a substituição de Salomão por Zapater, alterando o figurino táctico do Sporting.

Ora, a minha leitura perante a reacção de Paulo Sérgio é simples: nos primeiros minutos o Sporting protagonizou algumas aberturas largas para o corredor direito, onde conseguiu “quebrar” a ratoeira do fora de jogo e libertar Vukcevic. Paulo Sérgio, numa atitude aparentemente lógica, quis ter a mesma presença à esquerda, colocou Salomão e indicou, ali, que o caminho para a vitória passaria por repetir o mesmo tipo de passes para as costas dos laterais contrários.

O que é que isto tem de errado? Primeiro, e sobretudo, o facto desta reacção acontecer num jogo em que, como referi em cima, a estratégia da Naval – nomeadamente no adiantamento da sua última linha – foi exactamente a mesma de jogos anteriores. Ou seja, se era para explorar um movimento específico, Paulo Sérgio deveria tê-lo preparado antecipadamente. O resultado não foi muito diferente do que se poderia prever. Depois, o Sporting deu todas as indicações de que o que estava a fazer não tinha o mínimo de preparo, tal a forma como a Naval se adaptou e conseguiu responder com sucesso às sucessivas tentativas de exploração do espaço nas suas costas (basta ver o número de foras de jogo). Finalmente, o facto do Sporting tentar sempre esta abordagem, não só tornou o seu jogo mais previsível como foi de encontro à própria estratégia do adversário, que subia a sua linha mais recuada para não ser encurralado na sua área.

Resultado de tudo isto? Não só o Sporting não foi capaz de exercer um domínio continuado, como se sujeitou muito mais às consequências do momento de transição. É que, ganhando a bola na linha média, a Naval estava a 2 passes da área contrária.

É importante notar que nem sempre foi assim a “era Paulo Sérgio”. O treinador começou por ter uma ideia clara do que pretendia fazer em termos de ideia de jogo. Disse-o em várias oportunidades: o “seu” Sporting queria ser dominador e superiorizar-se pela por aquilo que fazia em posse. O facto é que nem as suas ideias para a implementação desse objectivo foram as melhores, nem a equipa foi capaz de evoluir na assimilação das várias rotinas. Problemas que são identificáveis desde a pré temporada, mas que o próprio treinador não parece ser capaz de reconhecer ainda hoje. E esse será o seu maior problema, porque sem consciência dos próprios erros, nunca se pode melhorar.

Sobre a Naval, muito da sua estratégia está descrita acima. Não tem grande qualidade no que faz, mas tem muita determinação e, quando a sua estratégia do fora de jogo resulta, a equipa fica imediatamente mais próxima do golo. É que subindo a linha defensiva, sobe também a sua zona de recuperação, evitando ter de trabalhar muito os seus ataques. Mozer conseguiu inverter o momento psicológico e isso é capaz de ser mesmo o mais importante para qualquer tentativa de salvação.

Notas individuais
Rui Patrício – Há 1 semana escrevia que não eram as grandes exibições que distinguiam os grandes guarda redes. É, antes sim, a regularidade e escassez de erros. Ora, Rui Patrício continua a ser uma aposta ganha do Sporting, mas é também necessário que mantenha os pés na terra.

Abel – A Naval forçou várias vezes o jogo directo para a sua zona e Abel esteve muito bem. Ganhou quase todos os duelos, quer no chão, quer no ar. No entanto, a qualquer avaliação da sua exibição não poderá esquecer os lapsos que teve em alguns momentos. 2 deles na primeira parte e, finalmente, no terceiro golo, foi inadmissível que de uma falta resultasse um cruzamento sem oposição. Embora, aqui, não seja certo que a responsabilidade fosse inteiramente sua.

Evaldo – Até estava a fazer uma das actuações mais participativas da época, mas borrou completamente a pintura no primeiro golo, dando inicio ao descalabro que se seguiu antes do intervalo. Depois, na segunda parte, voltou ao registo habitual. Tudo somado: muito mau!

Carriço – Tal como Abel, teve bastante trabalho pela tendência da Naval em investir pelo seu flanco. Tal como Abel esteve bastante bem na resposta que deu. Tal como Abel, porém, manchou a sua exibição com alguns erros, nomeadamente na forma pouco decidida como abordou uma bola dividida no segundo golo.

Pedro Mendes – Não fez um jogo fantástico – longe disso – mas à semelhança de Maniche sabe bem que terrenos pisa e tem de pisar. Não tem a mesma capacidade de passe e influência ofensiva do outro veterano, mas formaria com ele uma dupla fantástica no meio campo da equipa.

André Santos – Fez um jogo sofrível a confirmar que está em franca perda nesta fase da época. Jogou no meio campo mas, tal como na Madeira, o jogo passou-lhe à frente dos olhos. É preciso perceber que não se pode esperar de André Santos o rendimento de Maniche ou Pedro Mendes. A capacidade posicional e a qualidade de decisão crescem com a experiência e André Santos evoluirá seguramente ao longo do trajecto que tem pela frente. O que não se pode confundir – e repito a ideia – é potencial com rendimento presente.

Vukcevic – A sua reputação entre os adeptos é cada vez menor, mas eu creio que Vukcevic tem mostrado uma disponibilidade muito maior para o jogo do que em fases anteriores. Individualismo? Talvez, mas não se pode queixar de individualismo quem o fomenta, como é o caso de Paulo Sérgio e o seu "modelo de jogo". Admito poder estar errado, mas diria que a resposta de Vukcevic, face às condicionantes, é um bom indício sobre a disponibilidade do jogador para evoluir.

Postiga – Diz-se muito que trabalha bem fora da área, mas essa não é uma verdade indiscutível. Aliás, muitas vezes é mesmo mentira. Neste caso, porém, Postiga fez jus a essa reputação e ao seu potencial técnico: jogou bem e foi influente em termos ofensivos. Um bom jogo, só ofuscado pelo brilho de Liedson.

Liedson – Exceptuando os lances decisivos, não foi sequer um grande jogo para os seus parâmetros. Sem bola, trabalho acima da média, mas normal nele. Com bola, poucas oportunidades para jogar, menos do que o normal. No entanto, esteve em 4 dos 5 desequilíbrios da equipa e isso chegaria para deixar uma óptima última impressão.

João Real – Curioso voltar a acompanhar este jogador depois da exibição do Dragão. Voltou a fazer um jogo na mesma linha, confirmando que tem uma capacidade atlética notável e que, nesse plano, não haverá muitos como ele. Pena o resto.
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7.12.10

Portimonense - Sporting: Análise e números

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Não foi – em nenhum momento – um grande jogo por parte do Sporting. Não foi, nem teve de ser, porque o que estava em disputa ficou decidido algo repentinamente, curiosamente num período em que as coisas pareciam começar a complicar-se. Como explicar isso? Bem, abusando da simplificação, diria que boa parte se explica pelo momento de confiança que o Portimonense atravessa. Isto, claro, sem colocar em causa a enorme superioridade do Sporting em termos técnicos. Superioridade que, aliás, foi perfeitamente reconhecida por Litos na abordagem que escolheu para o jogo.

Notas colectivas
À semelhança do que aconteceu frente ao Benfica, o Portimonense escolheu oferecer a bola ao Sporting. Manteve um bloco baixo e sem pressão sobre a zona de construção. O resultado? Uma primeira parte avassaladora em termos de posse por parte do Sporting. Uma posse que, no entanto, nem sempre foi bem conseguida em termos de consequência ofensiva. Se olharmos para os números e para a baixa participação dos laterais, poderemos começar a perceber porquê...

O Sporting usou Pedro Mendes como referência de apoio à circulação, juntando-lhe os 2 médios como principais dinamizadores da fase de construção. Depois, retirou Postiga e Vukcevic das alas, utilizando repetidamente o apoio frontal que ofereciam. Na prática, a equipa concentrou-se apenas no corredor central e acabou por conseguir as suas acções mais perigosas através de solicitações mais largas para a zona dos centrais algarvios. Uma coisa é certa: na primeira parte, bola não faltou ao Sporting!

O jogo conheceu 4 golos na primeira parte. Um exagero para o que as equipas fizeram. Os 2 primeiros de bola parada, os 2 últimos no aproveitamento que o Sporting, com mérito, tirou de um período de pouca lucidez do adversário. O destino do jogo ficou aí sentenciado, mas não sem que o Portimonense alterasse a sua postura na segunda parte. Mais agressivo, menos permissivo em termos de concepção do domínio, mas também incapaz de mudar o rumo das coisas. Não que o Sporting tivesse feito muito por isso, já que a prestação na segunda parte foi meramente reactiva, mas porque, ainda assim, esta estrutura – e estes jogadores – garante outro equilíbrio posicional.

No Sporting, importa dizer que a equipa, apesar de pouco dinâmica em termos ofensivos, manteve sempre uma grande segurança em posse e cometeu poucos erros. O alicerce qualitativo desta equipa está, claramente, no tridente de meio campo, que oferece qualidade posicional, mas sobretudo uma enorme segurança em posse. Basta olhar para as percentagens de passe dos 3 médios. Falta-lhe, porém, tudo o resto. Ou seja, trabalhar melhor todos os momentos tácticos e fazer os jogadores evoluírem em termos de confiança nesses processos. Algo que não está feito, e nem podia estar, dada a volatilidade táctica desta equipa ao longo da época.

Já agora, depois de Abel nos cantos e livres indirectos, já vimos Carriço, Postiga e Polga marcar livres. Seguramente que Paulo Sérgio recolherá outras indicações dos treinos,mas a resposta prática destas apostas é... muito fraca.

Notas individuais
João Pereira – Apenas para salientar que a sua baixa produção não tem a ver com uma noite desinspirada, mas com o tal “afunilamento” do jogo, que fez com que participasse pouco.

Carriço – Teve uma fase em que não creio que tenha estado ao seu melhor, mas parece-me regressado a um melhor momento. No Algarve fez um jogo bastante bom.

Pedro Mendes – A “placa giratória” do meio campo. Segurança e equilíbrio são as palavras chave. Fez uma excelente exibição – a que mais gostei – e é, com Maniche, outro médio de eleição que o Sporting tem ao seu dispor. Pena é que se lesione tanto.

Maniche – O meio campo a 3 faz com que seja Pedro Mendes a referência para os apoios em construção e retira-lhe presença nessa fase. Maniche não deverá ser tantas vezes o médio com mais passes e mais intercepções, como foi até aqui. O que é notável é que a sua utilidade não se esgota aí, e tem a capacidade de ser também um médio de maior presença ofensiva, fruto da inteligência e antecipação com que lê todos os lances. Disso e da capacidade de finalização, claro. Marcou e é provável que repita. Ainda assim, devo dizer, não creio que esteja numa grande fase ou que tenha feito um grande jogo. Isto, comparando com o que já fez...

Postiga – Voltou a jogar como ala, mas vindo muito para posições interiores. Torna-se um destaque óbvio pela influência que teve no resultado, e isso justificará até o estatuto de melhor em campo. Ainda assim, continuo a registar que Postiga, ao contrário do que indica a sua elegância e qualidade técnica, não é um jogador muito eficaz em posse. Pelo 2º jogo consecutivo foi, entre todos os que começaram o jogo, aquele que menor % deu às jogadas que por si passaram.

Liedson – Esteve longe da excelência da sua exibição frente ao Porto. Ainda assim, tendo em conta que foi o elemento mais adiantado e menos solicitado, apresenta números muito bons. Liedson, a meu ver, está tudo menos acabado ou velho. O que vejo em Liedson é um momento de alguma desmotivação individual e uma fase em que, como nunca, a equipa deixou de perceber a forma de potenciar algumas das qualidades raras que tem e que, ao longo dos anos, tantos frutos deram.



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29.11.10

Porto - Sporting (Análise e números)

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Como balanço, dá para dizer que foi um jogo deveras interessante. Teve uma envolvente própria destes jogos, teve fases distintas que pareceram fazer o jogo pender para ambos os lados, e teve, também, variantes que obrigaram os dois treinadores a reagir. Não teve espectacularidade, muitas ocasiões de golo, nem, tão pouco, a carga de um jogo decisivo em termos pontuais. Mas teve, parece-me, o bastante para estar à altura de um jogo com estatuto de “clássico”. No final, quer Sporting, quer Porto, ficarão a pensar que poderiam ter ganho o jogo, mas também não vejo que algum dos lados guarde a sensação de que o empate foi curto ou imerecido para o balanceamento do jogo. E não foi, foi justo.

Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.

Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.

Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.

Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.

Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.

Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.

Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.

Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.

O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.

Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.

Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.

Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.

André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.

Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.

Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.

Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.

Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.

Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.

Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.

Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...

Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.

Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...

Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.



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19.11.10

Portugal - Espanha: Análise e números

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Um pouco às avessas com aquilo que é normal, a análise do jogo ficou relegada para o fecho do “capítulo Selecção”. Já fui amplamente elogioso em relação à exibição e, por isso, talvez seja melhor começar por salientar outro aspecto. É que, se o jogo descambou para um goleada, nada o fazia supor nos primeiros 35 minutos. Ao contrário do que é muitas vezes sugerido, não me parece que tivesse havido especial demérito da Espanha na primeira parte. A equipa foi igual a si própria, lidando bem com uma pressão fortíssima do meio campo português, quer em termos de circulação, quer em termos de reacção à perda da bola. Na segunda parte, sim, a história é um pouco diferente. Quanto à primeira, o mérito vai 100% para Portugal que acabou por vencer um autêntico duelo de nervos entre a posse espanhola e o pressing português. Aliás, sendo um exercício obviamente especulativo, parece-me improvável que, em Lisboa ou na África do Sul, a resposta dos espanhóis pudesse ser muito diferente daquela que foi dada na primeira parte.

Notas colectivas
A estratégia portuguesa foi completamente diferente daquela que a maioria das equipas optam por escolher frente ao “tiki taka” e, seguramente, muito diferente daquela utilizada por Queiroz no mundial. Um "pressing" colectivo muito forte e feito em toda a área do campo – comprimento e largura. O segredo, e única via para o sucesso, estava em estar sempre junto e em ter uma grande capacidade de reacção ao movimento da bola. Sim, porque a Espanha não iria perder a bola facilmente. Um desafio enorme em termos de concentração e união colectiva e que, repetindo a ideia, forçou um jogo de nervos entre a posse espanhola e o "pressing" luso. Quem iria fraquejar primeiro? A qualidade de circulação espanhola, perante o pressing permanente? Ou a qualidade de ajuste posicional do pressing, perante a óptima e constante circulação?

Não há suspense, todos sabemos qual o resultado, mas importa também dizer que não foi a pouco custo que Portugal o conseguiu. Os espanhóis tentaram de tudo, circulação apoiada, bolas na profundidade (ainda que poucas) e variações de flanco. Portugal foi notável na reacção, conseguindo manter quase sempre uma grande concentração na zona da bola, mesmo quando esta mudava rapidamente a sua posição. “Quase”! É que a Espanha também encontrou os seus buracos, especialmente quando conseguiu levar o jogo até às alas, com a subida dos laterais, encontrou espaços e por pouco não chegou ao golo.

Entendo, por tudo isto, que o demérito espanhol é muito pouco e seguramente muito menor do que aquilo que agora se quer fazer crer. Pelo menos na definição do jogo. A Espanha jogou com o seu melhor 11 e as suas individualidades não estão propriamente num momento de descompressão ou precoce em termos de preparação. É uma equipa que joga junta há anos, muitos deles todos os dias, e que está numa altura de alto rendimento em termos de temporada. A sua resposta, aliás, foi boa, e duvido que qualquer outra equipa tivesse durado tanto tempo perante a qualidade do "pressing" da Selecção portuguesa. A critica que pode ser feita é em termos de reacção à adversidade, quando esta apareceu. Na segunda parte, de facto, houve uma perda de qualidade no jogo colectivo espanhol, sobretudo na qualidade de circulação e reacção à perda, a que não são alheias as substituições. Uma coisa é ter Xavi e Iniesta, outra é não ter. Mas também do lado português houve uma perda de qualidade. Perda de qualidade pelas alterações individuais, e também porque seria impossível manter a intensidade que a equipa revelou nos primeiros 45 minutos.

Como balanço, importa voltar a sublinhar o impacto da entrada de Paulo Bento. Impacto nos níveis de confiança da equipa, que são explicados pelo habitual efeito da “chicotada”, e que foram depois catapultados pelos primeiros resultados positivos. Porque uma coisa é os jogadores acreditarem nas ideias de uma nova liderança, outra é sentirem realmente que essas ideias têm reflexo prático nos seus resultados. E impacto, também, ao nível da qualidade táctica da equipa, porque aquilo que se vê hoje a Selecção fazer está bem a cima do nível geral das Selecções mundiais, não tem nada a ver com a banalidade das estratégias (muitas vezes auto destrutivas) de Queiroz, ou sequer com a “era Scolari”, onde simplesmente não existia estratégia a este nível. O que não dá para afirmar é que Portugal está hoje mais motivado do que no mundial, ou que são os jogadores que estão a marcar a diferença entre Queiroz e Bento. É simplesmente absurdo supor que um jogador se sente mais motivado num particular do que numa fase final de uma campeonato do mundo, apenas por questões de simpatia com o seleccionador. Pelos para mim, é absurdo.

Um potencial problema que pode emergir reside no facto de Portugal ter atingido um pico demasiado cedo. Isto é, o nível que Portugal atingiu frente à Espanha não é superável. Não há adversários mais fortes do que a Espanha e não é possível realisticamente obter melhores resultados do que aquele que tivemos. Ou seja, com tudo ainda por jogar, convém não deixar que este resultado sirva para desactivar níveis de intensidade e ambição.

Notas individuais
João Pereira – Fez um jogo fantástico em termos de intensidade e qualidade. Seria, à partida um dos casos que mais problemáticos, dada a movimentação típica de Villa, mas a forma como a equipa jogou e a sua própria concentração e intensidade fizeram dele um dos jogadores mais assertivos no terreno. Só lhe faltou a parte ofensiva.

Bosingwa – Jogou adaptado e não se pode dizer que se tenha dado mal. Afinal, a Bosingwa não lhe falta experiência no que respeita a adaptações. Ainda assim, é um jogador que oscila entre uma excepcional capacidade física e técnica, com alguns momentos menos prudentes em termos de opção. Nesse aspecto, jogando com o pé direito, à esquerda, pode potenciar alguns passes interiores menos aconselháveis. E isso chegou a acontecer. É uma nota a tirar.

Centrais – O destaque vai para os números de Bruno Alves. Jogou os 90 minutos mas teve um nível de participação baixíssimo. Neste caso, porém, não lhe é devida uma critica especial. Em relação a Pepe e, sobretudo, Carvalho, foi um jogador mais posicional e menos agressivo a jogar em antecipação. Essa característica, combinada com o mérito colectivo que impediu a Espanha de accionar muito poucas vezes a zona dos centrais, fez com que estivesse muito tempo fora do jogo. De resto, cada um ao seu estilo e cada um no seu tempo, Carvalho e Pepe, estiveram esplêndidos (destacando ainda assim o papel de Carvalho na primeira parte, importante no papel táctico de cortar o espaço entre linhas).

Meireles – Um jogo fantástico do “pivot”. Teve uma missão especialmente próxima dos médios, formando um bloco intermédio que bloqueava a zona central. Muitas vezes formou mesmo uma linha com Moutinho e Martins, mas pôde também ler o jogo de trás, ajustar posicionamentos, antecipar, preparar o momento da perda... Enfim, um jogo tacticamente excelente, com a particularidade de ter dado, com bola, uma certeza fundamental na sua zona.

Moutinho – Será um dos maiores destaques do jogo, pelo papel táctico que teve, e por ter sido, desta vez, determinante ofensivamente. Já muito se falou dele e da sua cultura táctica e, de facto, não há muito a acrescentar a cada exbição que faz. O rigor é sempre o mesmo, a fiabilidade também, o que varia é a inspiração - e a oportunidade para tal - ofensiva.

Martins – Este era um bom teste para ele. Isto porque é um jogador que tem alguma dificuldade em termos defensivos. Não parece gostar muito de defender e, sobretudo, não tem uma grande percepção táctica em termos defensivos, o que faz com que a sua reacção posicional nem sempre seja tão rápida como devia. Neste desafio, de correr mais sem bola do que com ela, esteve muito bem e acabou por ser o protagonista de algumas intercepções decisivas.

Nani – Fica marcado pelo lance de Ronaldo e é óbvio que deve ser censurado pela opção que tomou. A questão é que a reacção não é tão anormal quanto isso em ambiente de jogo, e talvez o próprio Ronaldo fizesse o mesmo. De resto, e à parte de outro chapéu displicente que tentou, fez um grande jogo, provando de novo que é um dos melhores extremos do futebol mundial.

Ronaldo – A sua utilidade táctica e técnica combinam agora para que seja, quase sempre e enquanto está em campo, o maior dos destaques. Porque é que Ronaldo não chuta agora de 40 metros? Porque é que parece um jogador muito mais útil em todos os momentos? Porque é que não está tão ansioso em fazer tudo sozinho? O que mudou não foi Ronaldo, o que mudou foi a Selecção. Afinal, aquilo que sempre foi óbvio e que sempre fui escrevendo. O problema nunca foi Ronaldo, mas sim a envolvente...

Postiga – Fez um jogo importante em termos tácticos, orientando o “pressing”. Não é um jogador muito agressivo nessa tarefa, mas quando a equipa tem um propósito colectivo, torna-se também ele um jogador integrado e útil sem bola. De resto, os golos fazem-lhe bem. A ele, como a qualquer avançado, mas ele especialmente.

Manuel Fernandes – Acho-o um jogador de tremendo potencial e havia feito bons jogos no ciclo terrível que terminou com a saída de Queiroz. O problema de Manuel Fernandes é o risco que assume no meio campo e alguma displicência em que cai com facilidade. Sempre foi e provavelmente sempre será o seu pecado. Por alguma coisa perdeu um passe que deu transição para ataque rápido, na fase dos “olés”. Gostaria de o ver numa fase de outra organização e intensidade colectiva como aquela a que assistimos na primeira parte.



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