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23.1.12

Porto - Guimarães: Estatística e opinião

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- Permanecem as dúvidas sobre o aproveitamento do jogo portista no último terço. Comecei por levantar a questão nos primeiros jogos em que Vitor Pereira alterou algumas dinâmicas do seu meio campo, e, confesso, ainda não tenho uma resposta convicta para o problema. Em particular, porque é que o Porto consegue chegar tantas vezes em boas condições ao último terço, mas não consegue traduzir essa capacidade numa proximidade mais clara com o golo? Neste jogo, onde tal voltou a suceder, fica a ideia de que há uma excessiva tendência para tentar cruzamentos largos ou finalizar de zonas exteriores. O facto é que se não dá para colocar em causa a justiça da vitória portista, é também importante ressalvar o papel da eficácia na obtenção dos 3 pontos, até porque não houve muito mais oportunidades do que aquelas que foram convertidas...

- As facilidades de progressão do Porto viram-se praticamente desde o inicio do jogo e estão ligadas à forma como as equipas se apresentaram perante o inicio de construção portista. Por um lado, sem surpresa, o Vitória não abdicou de subir a sua equipa e tentar condicionar o adversário em todo o campo. Por outro, o Porto não abdicou de sair a jogar, apesar da presença do adversário. Como o Porto o fez sempre bem e o Vitória não teve capacidade para contrariar essa virtude, o jogo correu rapidamente até ao último terço ofensivo azul e branco. Em destaque aqui, a rapidez de reposição de Helton, a boa circulação lateral, invertendo o lado de saída antes de progredir, e a presença dos médios (frequentemente, Defour e Moutinho em simultâneo) junto do corredor eleito para a progressão. A maior critica terá talvez a ver com a quase absoluta preferência pelo corredor esquerdo. E talvez aqui, na escolha do corredor esquerdo e na propensão de Álvaro Pereira para cruzar, esteja parte da explicação em relação às dificuldades de objectividade no último terço.

- De resto, e ainda no Porto, confirma-se a importância da especificidade de certos elementos nas características que o jogo assume. Em particular, sem Hulk a referência ofensiva volta a ter um papel muito discreto em termos de envolvência no jogo ofensivo (repito que não é um critica a Kléber...). Depois, com Defour não há tantas finalizações, mas uma presença muito mais assertiva e dinâmica do que quando apareceu Belluschi no seu lugar (é também certo que, apesar disto, Defour não foi a solução para uma maior capacidade de desequilíbrio no último terço). James, com grande liberdade para não se fixar num flanco e intervir em fases mais precoces do jogo (apesar de ter sido decisivo, não me pareceu especialmente inspirado). Finalmente, o caso mais óbvio, que reside no contraste entre Álvaro Pereira e Maicon. O ponto talvez mais interessante desta sucessão de características individuais tem a ver com a importância da componente individual na dinâmica colectiva, ganhando o jogo da equipa características muito diferentes em função de quem interpreta cada uma das funções...

- Em relação ao Vitória, creio que o principal problema esteve na tal dificuldade em manter o jogo adversário mais longe da baliza e em potenciar mais recuperações em zonas adiantadas do terreno. Não era fácil, claro. De resto, e um pouco na sequência daquilo que escrevi no ponto anterior, é curioso verificar como algumas especificidades do jogo vimaranense se mantêm desde Manuel Machado, apesar das diferenças que se esperavam na abordagem de Rui Vitória. A equipa mantém um grande foco em Edgar, que é uma referência muito forte para as primeiras bolas, e mantém também uma grande tendência para procurar colocar rapidamente a bola nas zonas de finalização, o que muitas vezes resulta em previsibilidade, mas que pode também resultar em dificuldades de controlo na zona mais essencial, para o adversário. E foi isso que aconteceu nas principais situações ofensivas do Vitória, com vários elementos a juntarem-se rapidamente à zona de finalização, provocando superioridade sobre Rolando e Otamendi. Seja como for, e por vários motivos, a expectativa é que o Vitória faça uma segunda volta em crescendo, acabando com uma pontuação semelhante à dos 2 anos anteriores. Veremos...
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5.12.11

Defour, novidade "entrelinhas"

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Já me tinha referido à simplicidade do seu jogo, demasiado breve nas suas aparições para que se torne fácil reparar nele. Talvez por isso, e por vir com o rótulo de jogador mais posicional, já tenhamos ouvido ou lido que não pode jogar com Moutinho, que é demasiado parecido, demasiado defensivo. Pessoalmente, discordo. Defour não é um jogador excepcionalmente criativo, é certo, mas é um jogador extremamente dinâmico, interventivo e fiável nas suas intervenções. Em particular, destacou-se pela boa capacidade de movimentação sem bola, e é essa aptidão que parece ter motivado a recente alteração de Vitor Pereira, na composição do meio campo portista.

Ao contrário do que foi quase sempre regra, Defour apareceu a jogar numa linha mais adiantada, na recepção ao Braga. Com Moutinho mais posicional, descaído para o lado esquerdo de Fernando, Defour manteve um posicionamento mais ofensivo, ainda que tendencialmente descaído sobre a direita. Em organização, aproximou-se muitas vezes do corredor direito, mas rapidamente se juntou também às zonas mais centrais, seja no aproveitamento do espaço "entrelinhas", seja no complemento dos movimentos de Hulk, sobre a última linha contrária. Em transição, o seu posicionamento defensivo mais alto, permitiu-lhe aparecer mais rapidamente nas costas da linha média do Braga, e a este comportamento se deve, pelo menos a meu ver, a maior e melhor reactividade da equipa neste momento do jogo.

Enfim, Defour confirma assim que o seu futebol não se limita a tarefas mais defensivas, e que tem uma amplitude de valências que fazem dele uma solução útil para várias funções. Mas, talvez o grande ponto de interesse esteja na alteração táctica em si mesmo. Será que passará a ser esta a composição do meio campo portista a partir de agora? Ou será apenas uma tentativa de conseguir maior complementaridade para a identidade de Hulk, mais móvel do que um "9" tradicional? E, já agora, que alternativas poderão existir a Defour se esta opção estrutural se mantiver? James e Belluschi serão seguramente candidatos...
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31.10.11

Porto - Paços: opinião e estatística

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- Vou começar por Vitor Pereira. O Porto leva uma impressionante série de 11-0 na Liga, desde que empatou em casa com o Benfica, um registo que deixaria qualquer outro treinador seguramente em estado de graça, mas que, no Porto e para Vitor Pereira, não chega sequer para arrancar tímidos sorrisos da bancada. Cada um vê primeiro aquilo que decidiu ver, e só depois o que o jogo realmente lhe mostra. É assim, sempre foi assim, e este é um fardo que o treinador portista muito dificilmente conseguirá retirar das suas costas. Nem Jesualdo, que ganhou 3 campeonatos, 2 taças e 4 apuramentos para os oitavos da Champions, fazendo e refazendo equipas, se conseguiu livrar da ideia pré concebida que havia dele na hora da chegada. Que hipóteses tem Vitor Pereira de cair verdadeiramente na graça dos adeptos? Nenhuma. Pode ter sucesso, pode ser levado em ombros quando for o momento dos festejos, mas quando correr mal, quando sofrer um golo depois de fazer uma substituição, seja ela qual for, nessa hora é quase certo que voltará a ser ele o culpado. É a vida de treinador...

- Relativamente ao jogo, teve realmente duas partes com características distintas. Na primeira, mais ansiedade e mais insegurança, na segunda, mais confiança e mais intensidade. Já vou à diferença de abordagem após o intervalo, mas antes falar um pouco da primeira parte. Parece-me que, em termos ofensivos, o Porto teve sobretudo problemas pela sua instabilidade ao nível da decisão. Frequentemente, e com alguma facilidade chegava ao último terço em boas condições, desde que promovesse uma circulação larga na primeira fase, causando problemas de ajustamento ao bloco pacense, ou conseguisse encontrar Walter entrelinhas, que sempre teve espaço para rodar e encarar a linha defensiva de frente. Apesar do sentimento de desconfiança, a verdade é que foram mais do que suficientes as oportunidades que o Porto teve na primeira parte para chegar ao golo. No entanto, houve obviamente problemas no desempenho técnico que penalizaram a equipa ofensivamente e que, pior ainda, a expuseram ao momento de transição do Paços. Hulk, por exemplo, mas também Belluschi, pouco criterioso e frequentemente precipitado na verticalização do jogo. Isso pode ajudar a justificar alguma dificuldade de controlo no momento de transição ataque-defesa, mas não tudo aquilo que se viu. Aliás, será por aí que o Porto mais terá de se lamentar, porque se fez por merecer o golo que marcou na primeira parte, facilmente poderia ter também sofrido outro, e os efeitos que essa eventual penalização pudesse ter são impossíveis de estimar.

- Vitor Pereira não o escondeu, foi pedido à equipa que circulasse mais rápido na segunda parte, e a verdade é que essa exigência de intensidade, provavelmente aliada à confiança que a vantagem também garantia, trouxe um Porto bastante melhor após o intervalo. Aqui, quero abordar o tema, juntando à "intensidade" outra palavra ouvida recentemente, a "paciência". Intensidade, no sentido que se pretende aqui dar ao termo, é sempre positiva. Implica concentração, e reactividade de pensamento. Paciência, não. Paciência é um condimento, e não o prato principal, pode ser positiva, se for colocada em cima de qualidade e intensidade, mas pode ser negativa, se não o for. Pessoalmente, prefiro a expressão "critério", que é menos dogmática e mais aberta à especificidade do jogo. "intensidade" e "critério".

- Entrando no capítulo individual, quero falar de Defour e Moutinho. Começando pelo belga, para falar da discrição. Há jogadores que são discretos porque são, de facto, pouco presentes no jogo. Há outros, pelo contrário, que são discretos porque as suas intervenções são demasiado breves para que se repare neles. A discrição não é seguramente uma virtude, mas também não é necessariamente um defeito, só por si. Defour, encaixa-se no segundo tipo de discrição que defini. Por exemplo? A primeira parte deste jogo. Foi o mais influente do meio campo portista e o mais criterioso também. E com alguma distância. No entanto, e talvez por ter sido demasiado breve, ter passado mais e transportado menos, foi ele o sacrificado. Não quer dizer que tenha feito um jogo extraordinário, ou que a entrada de Moutinho não tenha acrescentado qualidade ao que vinha fazendo (que acrescentou...), mas é uma nota, mais uma, de como a percepção que se tem dos jogadores pode ser, pelo menos a meu ver, tão equivocada.

- Sobre Moutinho, os seus números na liga 2010/11:

Minutos: 2185
Passes completados (média p/jogo): 47
% sequência em posse (média p/jogo): 82%
Perdas de risco (média p/jogo): 0,5
Intercepções (média p/jogo): 18
Desequilíbrios ofensivos (total): 20
Assistências + golos (total): 3


Agora, em 2011/12, até agora:

Minutos: 609
Passes completados (média p/jogo): 52
% sequência em posse (média p/jogo): 79%
Perdas de risco (média p/jogo): 0,7
Intercepções (média p/jogo): 20
Desequilíbrios ofensivos (total): 11
Assistências + golos (total): 4


Há duas hipóteses sobre a "crise" de Moutinho. A primeira, é que ela realmente existiu e que o banco, miraculosamente, lhe fez maravilhas, em apenas 4 dias. A outra, é que não passou de uma avaliação individual mal feita, confundindo-se confiança colectiva com rendimento individual.

- Finalmente, duas notas. Uma sobre o Paços, que fez por merecer um golo mas que se mostrou demasiado vulnerável, uma vez ultrapassada a sua primeira fase de pressão (nomeadamente nos corredores laterais, mas voltarei a falar das estratégias das equipas pequenas quando escrever sobre o Olhanense). Outra, sobre a entrada de James, que voltou a protagonizar movimentos de liberdade posicional que o levaram até ao flanco oposto. Parece agora claro que são movimentos especificamente destinados a este jogador, já que com Varela e Hulk, eles não existem. Veremos se a sua utilidade aumenta, porque no passado eles trouxeram muito pouco de positivo.
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25.10.11

Porto - Nacional: opinião e estatística

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- Começo com uma questão: se o Porto tem basicamente a mesma equipa (saiu apenas Falcao), se tem o mesmo modelo táctico (apenas se introduziram alguns comportamentos ao que já existia), porque é que tem tido mais problemas do que no ano anterior? E, aqui, importa distinguir o que é normal, dentro do expectável, do que será um pouco menos fácil de explicar. Ou seja, era de esperar que a época não fosse tão conseguida como a anterior, mesmo que Villas Boas se tivesse mantido, primeiro porque foi uma época excepcionalmente boa e, depois, porque há alguns factores que costumam contribuir para o acréscimo de dificuldades. Factores como a motivação, própria e dos adversários, a nível interno, que seria este ano sempre menos favorável ao Porto, ou como a presença na Liga dos Campeões, que traz sempre mais desgaste emocional do que a Liga Europa, especialmente nesta fase de grupos. Mas, mesmo descontando tudo isto, há claramente um momento menos conseguido do que aquilo que seria de esperar, como o comprova o jogo com o Apoel, por exemplo. Porquê? Não tenho a resposta exacta, mas uma coisa me parece certa, nem ela estar muito centrada do campo individual, nem do plano táctico. Há aqui algo que acredito possa ter influência, que tem a ver com a rotatividade implementada no inicio deste ano, ao contrário do ano anterior, onde a base da equipa se manteve sempre muito estável. É o meu palpite...

- Noutro âmbito, comento algumas situações individuais. Primeiro, Moutinho. Esta situação do seu menor rendimento faz-me lembrar a radical alteração na reputação do jogador após a sua mudança para o Dragão. De repente, passou de não convocado para a Selecção a grande médio do futebol nacional. Num Verão e pouco mais. Na minha leitura, se há característica que Moutinho possui é a sua consistência. Não é melhor no Porto do que era no Sporting, nem me parece que hoje seja pior do que era no ano anterior. Do mesmo modo, não me parece que se possa passar por cima das suas lacunas, que as tem, ou, num pólo completamente oposto, passar a reparar em tudo o que faz menos bem. Há, claro, uma coincidência em cada um destes pontos altos e baixos: o momento da própria equipa. A pergunta é, será que as equipas mudam tanto só por causa do momento de Moutinho? Ou, por outro lado, será que é a percepção geral sobre o jogador que muda quando a sua equipa não está tão bem? Eu, claramente, sou partidário desta segunda hipótese, e nesse sentido acho todo esta discussão sobre a sua quebra de rendimento (que o próprio alimentou) sem qualquer sentido.

- Depois, e mantendo-me no campo dos médios, falar de Defour, que se tem revelado mais uma excelente opção para aquela posição. Não me parece um jogador tão consistente em posse como Moutinho, por exemplo, mas, e mantendo o paralelismo com o português, tem-se revelado bem mais útil nos movimentos que exigem maior profundidade. Já conhecia o jogador, mas nunca o analisei com grande detalhe, mas fico cada vez mais com a sensação de que pode ser uma das soluções com mais consistência para a posição. Seja como for, tem muita e boa concorrência.

- Finalmente, Walter. Desconheço os motivos da sua repetida ausência dos eleitos, e esta não é uma opção que vem desta época, já que também não foi opção quando Falcao se lesionou no inicio da segunda metade da época anterior. Simplesmente, hoje, e devido ao momento da equipa, o tema ganha outros ecos. Francamente, sempre assumi que os motivos da sua ausência não eram técnicos, porque o seu rendimento, nas poucas oportunidades que teve, nunca justificou essa apreciação negativa. Pelo menos, na minha avaliação. Hoje, porém, tenho mais dúvidas de que não tenha sido esse o motivo. Se assim foi, realmente, foi um desperdício...

- Com tudo isto, não abordei o jogo propriamente dito. Na verdade, não teve muito interesse. Duas notas. Uma para o Porto, que sem James voltou a ter comportamentos mais simétricos entre os extremos. Aliás, a sua assimetria neste inicio de época parece-me o aspecto mais questionável do ponto de vista da intencionalidade táctica, sobretudo quando isso implica que a equipa perca presença à largura na sua última linha ofensiva. Já agora, fica a nota de curiosidade, porque no Chelsea, Villas Boas promove um tipo de acção interior semelhante com Mata. A outra nota, tem a ver com o Nacional e com a exposição da equipa, especialmente na segunda parte. A tentativa de jogar alto parece-me um equívoco tremendo nesta equipa, não pela ideia em si mesmo, mas porque a equipa não revela qualidade suficiente para o fazer de forma consistente. Esse é outro ponto de discussão possível, o que as equipas escolhem fazer deve ser definido em função das suas ideologias ou das suas capacidades reais?
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14.2.09

Standard Liége: Talento emergente

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Quando o sorteio ditou o Standard Liége como opositor do Sporting de Braga, muitos devem ter pensado que se tratou de uma benesse, pela falta de campanhas relevantes deste clube nos últimos anos do futebol europeu e pela própria mediocridade em que mergulhou o futebol belga após o Mundial de 94. Esta ideia não só é enganosa, como é perigosa.

É enganosa, porque a equipa de Lazlo Boloni tem uma enorme qualidade e, se mais dúvidas houvesse, bastaria recordar o actual trajecto europeu. Prolongamento e um grande susto provocado ao Liverpool na pré eliminatória da Champions. Eliminação do Everton na primeira eliminatória da Taça Uefa e primeiro lugar num grupo com Sevilha, Sampdoria, Estugarda e Partizan. É perigosa, porque subvalorizar a qualidade desta equipa e dos seus jogadores será seguramente o primeiro passo para se ser surpreendido. Essa é, aliás, a primeira tarefa da equipa técnica do Braga. Passar a ideia de um confronto mais difícil do que, por exemplo, aquele que tiveram com o Portsmouth, estimulando a concentração e empenho totais durante a eliminatória. Este é um risco que correm também os belgas, já que depois dos adversários que tiveram pela frente, o Braga não será propriamente um nome assustador para os jogadores. Neste aspecto, claramente, é uma desvantagem a ligação da equipa técnica do Standard ao futebol português, já que serão muito mais capazes de se aperceberem da qualidade que tem esta equipa bracarense.


Sobre a equipa de Liége, deixo a nota para a juventude da equipa (média a rondar os 24 anos e nenhum jogador, sequer, às portas dos 30) e para a qualidade individual de alguns destes jogadores. Tenho, aliás, a convicção de que alguns nomes que hoje são uma incógnita para a generalidade dos adeptos, serão, em breve, figuras dos principais campeonatos europeus. O motor da equipa é, claramente, o duplo pivot formado pelos talentos Witsel e Defour (ambos de 20 anos!!). São 2 jogadores diferentes mas com um cultura táctica enorme e que garantem tanto o equilíbrio defensivo como a organização ofensiva. Depois há Milan Jovanovic. Um sérvio de enorme qualidade que serve normalmente de referência ofensiva às transições da equipa. O seu perfil é diferente do ala oposto – normalmente Dalmat – e isso dita também alguma assimetria comportamental. O brasileiro Camozzato é muito ofensivo (aliás desposiciona-se algumas vezes), ao contrário do lateral esquerdo que é mais fixo e defensivo. Na frente, o naturalizado De Camargo joga atrás do jovem ponta de lança congolês Mbokani. São 2 jogadores fisicamente interessantes, esguios e altos, capazes de ser uma ameaça, quer pela velocidade, quer pelo jogo aéreo. Neste aspecto, nota para o papel importante de De Camargo, baixando sempre em acções defensivas mas surgindo depois como elemento desequillibrador nas chegadas ofensivas, numa movimentação que dificulta muito as marcações pela mobilidade. Em termos comportamentais, esta é uma equipa que se refugia muito num bloco baixo, o que dá vantagem à robustez física dos seus defensores, e é particularmente perigosa em transições ou ataques rápidos. Aqui a opção pode ser através de uma circulação rápida ou recorrendo a um jogo mais directo, tendo Mbokani como referência. Um dos pontos fracos da equipa poderá ser a fraca qualidade técnica dos centrais. Se houver uma pressão alta que impeça Defour de receber facilmente, o Standard poderá ter algumas dificuldades. Nota final para o ambiente caseiro em Liége. É muito intenso e chega a ser impressionante.


Notas individuais:
Oguchi Onyewu – Central norte americano, é o patrão da defesa. A sua principal característica é a capacidade física. Alto e forte é um jogador muito eficaz nas marcação e perigoso quando se adianta nas bolas paradas. Beneficia claramente quando o Standard baixa o bloco.

Steven Defour – É o capitão e já foi considerado o melhor jogador da liga belga. Tudo isto, com 20 anos. Defour é o comandante em campo, com um excelente sentido posicional e uma grande qualidade e certeza no passe em organização ofensiva. O que custa a perceber é como se consegue ser tão adulto com apenas 20 anos.

Axel Witsel – Forma um duplo pivot com Defour, jogando normalmente sobre a meia esquerda. Witsel não é menos talentoso, mas é diferente. Podia ser um médio ofensivo ou mesmo um ala. Jogador leve e ágil, está talhado para criar desequilíbrios a partir de trás, destacando-se, por exemplo, pela sua capacidade no 1x1.

Milan Jovanovic – Já se falou deste jogador como hipótese para o Porto e só posso dizer que desportivamente seria hoje uma enorme valia. É um jogador elegante e irreverente, tanto na personalidade como no futebol que apresenta. Defende-lo é muito difícil porque Jovanovic é forte tanto no 1x1, como nas assistências, ou mesmo nas diagonais com que ataca as zonas de finalização. Aliás, Jovanovic é por natureza um goleador. Ao vê-lo pergunto-me o que faz na Bélgica aos 27 anos?!

Dieumerci Mbokani – A veia goleadora que apresenta desde a sua chegada à Bélgica faz deste avançado de 23 anos um caso interessante de seguir. Mbokani é rápido, tecnicamente forte e bom no jogo aéreo. Tem, no entanto, algumas lacunas sobretudo ao nível da decisão, revelando-se por vezes demasiado egocêntrico.

Alguns jogos:
Standard 2-1 Anderlecht
Everton 2-2 Standard
Standard 2-1 Everton
Standard 1-0 Sevilha
Standard 3-0 Sampdoria


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4.6.07

Os talentos de Liége

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A Selecção Belga que, Sábado à noite, defrontou Portugal pode não ser a mais forte da sua história e é mesmo impossível esconder as suas fragilidades. O futebol belga atravessa, no entanto, uma fase em que se procura regenerar com uma aposta firme na formação. Para os clubes portugueses este poderá ser um mercado de oportunidade rara na Europa central, dados os preços ali praticados. Na Holanda, por exemplo, o Ajax tem feito da Bélgica um dos locais preferenciais da sua prospecção dos últimos anos.

O destaque que faço centra-se nos jovens do Standard Liége.
Defour é um médio ofensivo de 19 anos que se revelou aos 17 no Genk. O seu talento despertou o interesse de vários clubes europeus, chegando a ter tudo acertado com o Ajax. A transferência, no entanto, acabou por gorar-se e, um ano mais tarde, Defour mudou-se para Liége por 1,5 milhões de euros. Confessa ter em Sérgio Conceição um mestre e 06/07 foi a época da sua afirmação no campeonato, chegando a titular da Selecção.

Fellaini – que marcou o golo frente a Portugal – tem, aos 18 anos, um trajecto invulgar. A sua estatura e bom jogo aéreo fazem dele um jogador especial, capaz de evoluir em várias posições do corredor central. Normalmente é médio defensivo, mas pode actuar como central ou como médio mais ofensivo, aparecendo com muito aproposito na zona de finalização. Aqui fica um aspecto importante sobre esta promessa: rescindiu com o Standard e está livre para assinar por qualquer clube.
Witsel completou 18 anos este ano e é a última das revelações do Standard – clube onde se formou. É visto como uma das grandes promessas do futebol belga, aliando aos dotes técnicos, uma bom porte físico (1,83m, 73kg).

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