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4.3.12

Negro!

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Mais pistas faltassem, a conferência de imprensa de Mota oferecê-las-ia. Recordando o jogo em que o agora treinador do Setúbal defrontou o Sporting, não seria difícil antever que estratégia teríamos para este jogo. E assim foi. Tivesse o Sporting segurança na sua construção e a estratégia faria o Setúbal aspirar, no máximo, ao zero zero. Sem segurança, tornou-se numa estratégia com outras potencialidades.

A expectativa que tinha de um bom inicio de Sá Pinto já se havia esfumado, como escrevi após o jogo com o Paços de Ferreira. O calendário sugeria-o, de facto, mas o meu optimismo ignorou o obstáculo que representaria mudar alguns comportamentos em pleno climax competitivo. Comportamentos que exigem outro contexto para poder evoluir. Poderia lá chegar por outra via, ganhando tempo através de vitórias alicerçadas no controlo e estabilidade defensivas, como sugeriram os 2 jogos anteriores, mas bastou o primeiro sobressalto para se perceber que a confiança neste momento tem a consistência de um castelo de cartas. Polga será o maior exemplo desta relação entre a falta de confiança e o descontrolo. Fez um inicio de época relativamente estável, com as suas virtudes e defeitos, mas desde que a equipa perdeu contacto com o seu principal objectivo, que acumula erros individuais, jogo após jogo. Mas não é apenas Polga, como bem se vê...

A meu ver, o Sporting teve fases bem diferentes, como de resto parece corroborar o gráfico que acompanha o texto. Um inicio de boa produção mas com grande ineficácia, que custou pontos relevantes, um segundo período de maior eficácia, onde manteve um rendimento bastante elevado, e uma queda abrupta após o jogo com a Académica, quando perdeu contacto com o objectivo de liderança. Actualmente, temos a fase mais preocupante, porque a produção de jogo da equipa está nos níveis mais baixos da época e sem um contexto de dificuldade que o justifique.

Tenho abordado aqui o tema da fragilidade do futebol, e essa ideia aplicada ao caso do Sporting atribui uma enorme incerteza sobre os limites negativos a que a equipa poderá chegar. Um cenário negro, mas que poderá não ser irreal se não for rapidamente invertido.

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21.12.11

Académica - Sporting: opinião e estatística

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- O futebol traz-nos bastantes curiosidades, e a época do Sporting tem sido interessante de analisar também a esse nível. Uma semana antes, o Sporting havia conseguido os três pontos essencialmente graças à diferença de eficácia que havia tido em relação ao Nacional. Desta vez, fogem dois pontos por um défice de aproveitamento precisamente nesse aspecto. Este, aliás, foi o problema essencial do mau arranque de campeonato, e se recuperarmos esses jogos facilmente concluímos que a eficácia (especialmente nesses 3 primeiros jogos) foi o factor que mais contribuiu para o menor rendimento ofensivo do Sporting em relação a Benfica e Porto. Defensivamente, por outro lado, o cenário é outro. Seja como for, já se suspeitava desde a terceira jornada que seria muito difícil o objectivo da luta pelo título, não apenas pelos pontos perdidos, mas sobretudo pela evidência de que o campeonato português não permite neste momento muita margem de erro a quem quer ser campeão. Depois da paragem de Natal, o Sporting joga a última réstia de realismo da sua candidatura ao título, mas 2011 pode até acabar com uma perspectiva bem real de um título para conquistar, assim o Sporting bata o Marítimo. Bem vistas as coisas, com ou sem candidatura ao título, pode haver ainda muito para jogar para o Sporting. Em especial se tivermos memória sobre o que foram os últimos dois anos...

- No que respeita ao jogo, voltamos a ver uma equipa a convidar os centrais do Sporting para sair a jogar. Desta vez, e ao contrário de outras equipas, não creio que a Académica tenha tirado grande partido disso. Primeiro, porque permitiu que fosse Polga a fazê-lo, e há uma diferença significativa na qualidade de passe, entre Polga e Onyewu. Depois, porque apesar de não permitir uma boa ligação no primeiro passe, acabou por não controlar bem a segunda bola, e o Sporting, seja de uma forma mais ou menos ligada, teve sempre uma presença constante no último terço ofensivo. Assim, o Sporting foi sempre a equipa com maior domínio no jogo, tendo também um bom controlo do adversário. Há apenas uma excepção: as aberturas largas que a Académica fazia para os seus extremos. É uma opção recorrente e estratégica dos 'estudantes' e é muito improvável até que não estivesse identificada pelo Sporting, mas o facto é que esse movimento nunca foi bem controlado, quer porque frequentemente faltou presença pressionante na linha média, quer porque, depois, não se utilizou o fora de jogo para neutralizar estas solicitações. E estas duas componentes, a presença pressionante sobre o portador da bola, e o comportamento da linha defensiva, estão obviamente ligadas. Teve algumas ameaças a esse nível antes, mas foi no golo que essa dificuldade ficou mais exposta. A verdade, porém, é que mesmo depois da bola ter entrado em Diogo Valente, o lance estava longe de estar fora de controlo. E aqui, entra a acção de Polga...

- Polga é um caso especial. Trata-se de um central que não é rápido, alto, nem tão pouco ágil. E, no entanto, apesar de todas estas limitações físicas, é o central que, entre os grandes, mais intercepções consegue, tanto na temporada anterior, como nesta. Ou seja, a sua capacidade posicional e de antecipação são tremendas, e se Polga tivesse outras condições no plano físico provavelmente não se teria ficado pelo campeonato português, ou pela dezena de internacionalizações pelo seu país. Tem isto a ver com o lance, porque na minha leitura a má abordagem de Polga resulta do receio de fazer auto golo, uma vez que estava em recuperação e já relativamente próximo da baliza. A sua intervenção teria de ser subtil, e creio que foi isso que tentou fazer. Porém, porque não conseguiu colocar o corpo a tempo, perdeu o controlo sobre o seu próprio movimento e a tentativa de fazer bem, acabou por resultar no pior.

- No Sporting, volto a abordar a questão da utilização de Daniel Carriço, que de facto não parece beneficiar a equipa. Primeiro, pelo tal problema da saída em construção, da limitação dos centrais e da inexistência de uma dinâmica que faça de Carriço parte da solução e não parte do problema. Depois, porque Elias e Schaars têm tudo para assumir funções mais amplas no meio campo. Qualquer um dos dois poderia funcionar como primeiro pivot, mas ambos compõem uma dupla que me parece potencialmente muito forte, como duplo pivot. Aliás, creio que qualquer um dos dois rende mais nessa função do que tão próximo do avançado, como actualmente actuam. Há, claro, dois problemas para Domingos: o primeiro é que Rinaudo vai regressar e uma alteração estrutural poderia quebrar a dinâmica colectiva. O segundo, e mais importante, é que com a lesão de Matias não há uma solução óbvia para actuar à frente desde duplo pivot.
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2.5.11

Sporting - Portimonense: estatística e opinião

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1- A novidade chamou-se Izmailov e, de facto, a entrada do russo trouxe modificações importantes ao jogo do Sporting. Não apenas pela qualidade que acrescenta, mas também porque a sua introdução trouxe alterações à dinâmica que se vinha vendo, sobretudo em ataque posicional. Alterações que aumentaram a qualidade da equipa em alguns aspectos, mas que estão longe de ter garantido à equipa um "bom jogo". Isto é, um jogo que aproximasse significativamente a vitória. O Sporting venceu, sim, mas não controlou nunca o jogo e o adversário que, dentro da sua proposta, dividiu as oportunidades em todos os períodos do jogo. Aliás, é importante assinalar que foi depois do 2-1, e em superioridade numérica, que o Portimonense foi menos ameaçador.

2- Começando pela dinâmica do Sporting, Izmailov trouxe, para além da qualidade, uma maior presença na zona construtiva/criativa, juntando-se a Matias como elemento dinamizador do ataque e relegando Djalo para uma presença mais próxima de Postiga. O corredor central ganhou preponderância com esta alteração, e os flancos ficaram mais dependentes da profundidade dos laterais. O Sporting ganhou qualidade de circulação (note-se que a primeira fase lhe foi sempre "oferecida"), e recorreu sucessivamente aos apoios frontais no espaço à frente da defesa do Portimonense como principal solução de progressão.


3- Importa ir à proposta de jogo do Portimonense, para perceber a origem das sistemáticas dificuldades de controlo do Sporting. Tudo o que o Portimonense fez foi intencional, insistindo numa série de movimentos que, apesar da repetição, nunca foram controlados pelo Sporting. Dois, em destaque: o primeiro, as reposições rápidas de Ventura nos extremos, causando várias situações de 1x1 que por pouco não deram golo. O segundo, a forma como repetidamente atacou, com uma circulação em largura e que tinha como objectivo criar instabilidade no centro da defesa, antes do cruzamento, sempre largo, e sempre à procura das costas do 2ºcentral. Se viesse da direita, dos pés de Candeias, para a zona entre Torsiglieri e Evaldo, melhor.

4- Completando o comentário ao Portimonense, ainda que seja improvável, não me parece impossível a sua fuga à despromoção. Azenha monta uma equipa com notórias limitações de recursos, mas que tem o momento de transição defesa-ataque bem trabalhado, usufruindo de várias oportunidades em quase todos os jogos. O que se vê é intencional e especifico e isso, só por si, já merece algum destaque. Falta a esta equipa maior qualidade defensiva, nomeadamente no espaço que concede entre sectores, e também maior aproveitamento em termos de eficácia ofensiva. Não é deste jogo, mas uma equipa tão carente de pontos, não pode falhar tantos golos.

5- O Sporting falhou redondamente no seu momento de transição ataque-defesa. A dupla Zapater-André Santos não conseguiu controlar o primeiro passe de saída e daí resultaram muitas das dificuldades da equipa. Frente à Académica, a equipa havia dado melhores sinais neste plano, tendo ficado, desta vez, a ideia de alguma desorganização acrescida no momento da perda, eventualmente pelo acréscimo de mobilidade em ataque posicional. Isto, para além de uma menos desculpável falta de atenção perante as sistemáticas reposições de Ventura nos flancos. Este momento (de transição) é importante porque impede o Sporting de um domínio mais continuado e pode explicar, em boa parte, as dificuldades da equipa em ter maior expressão em termos de oportunidades, tendo em conta a posse de bola que teve. Nota positiva, e de novo, para um golo de bola parada.

6- Notas individuais:
Evaldo - Voltou a fazer uma exibição medíocre, onde se destaca a sua falta de intensidade/agressividade. Essa lacuna foi aproveitada pelo Portimonense com cruzamentos para a sua zona. Se o Sporting se quer reforçar, tem de passar por rever esta posição.

Centrais - Mais exposto Torsiglieri pelos cruzamentos. Não entendo que o argentino tenha sido o responsável no lance do golo, mas creio que errou noutro tipo de abordagens. Carriço esteve mais regular, e menos exposto também. Só por critérios extra rendimento em campo, se justifica que Polga tenha perdido o lugar.

Zapater - Começou por não oferecer muito à equipa, mas acabou como peça preponderante na fase final. Excelente capacidade posicional, embora o Sporting precise de maior reactividade naquele sector do que aquela que o espanhol oferece.

Izmailov e Matias - Com eles, o Sporting tem grande qualidade criativa. Izmailov mais completo e presente em todos os momentos, é certo. Falta, depois, "rasgo" no último terço.
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19.4.11

Porto - Sporting: Estatística e notas do jogo

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- Tinha antecipado a alta probabilidade do Sporting não ser capaz de discutir o jogo em termos territoriais com o Porto. Não se trata de opção estratégica, mas simplesmente de incapacidade para o fazer. Isso, sem qualquer surpresa, verificou-se, ficando depois por perceber até que ponto o preço dessa diferença de supremacia podia ser custosa para o Sporting. Não foi muito, em boa verdade.

- Começando pela incapacidade do Sporting em discutir o jogo, ela explica-se (e recapitulando a ideia já explicada noutros jogos) em dois eixos: 1) pelo contraste entre as soluções que ambas as equipas criam para a sua posse, e 2) pela diferença de capacidade pressionante precisamente sobre a posse contrária.

- Em termos defensivos, o Sporting voltou igualmente a mostrar as suas fragilidades em vários aspectos. Primeiro, o pressing, embora tenha vindo a melhorar, está longe de ser uma barreira difícil de ultrapassar. Depois, quando é obrigado a jogar em zonas mais baixas, a equipa fundamenta a sua capacidade defensiva sobretudo pela presença e equilíbrio numéricos, e isso foi perfeitamente notório na facilidade com que se permitiram cruzamentos e finalizações em zona circundante da área.

- Se houve algo que equilibrou o jogo foi o jogo menos concentrado do Porto em posse, tendo em conta aquilo que lhe é hábito. Cometeram-se vários erros evitáveis e que acabaram por permitir ao Sporting uma proximidade com o golo indesejável do ponto de vista portista. Há também mérito do Sporting, mas, como referi, face ao rendimento que o Porto costuma apresentar, a prestação foi bem abaixo do que se pode exigir.


- Em termos de dados estatísticos, sem surpresa mais e melhor posse por parte do Porto, e maior incidência do Sporting nos momentos de transição. Embora, a equipa portista tenha tirado também partido de alguns ataques rápidos, conseguindo 3 dos seus 8 desequilíbrios por essa via. Já agora, em termos de desequilíbrios, 4 dos 8 desequilíbrios portistas resultaram de cruzamentos, e 3 deles foram “salvos” por Rui Patrício.

- Em relação ao Sporting, Couceiro voltou a registar um novo mínimo de passes completados num jogo, bem como a percentagem de passe. Um “recorde” que havia sido batido em Guimarães, mas que, sem surpresa, volta a ser piorado no Dragão. Como já expliquei, são tendências que têm a ver com a matriz de jogo que o Sporting passou a apresentar desde a entrada de Couceiro.

Notas individuais (Porto)
Álvaro Pereira – Foi, a grande distância, o jogador mais interventivo no jogo. Acabou, também por isso, por ser um dos melhores em campo, sobressaindo pelos cruzamentos que tirou, sobretudo de primeira, num movimento característico da equipa do Porto.

Guarin – Confirma que a sua mais valia é mesmo em termos ofensivos. Como “pivot” fez um jogo regular, mas longe dos níveis que Fernando pode dar à equipa nessa função.

Moutinho – É curioso como fez um jogo em contra-ciclo com o que lhe é hábito. Ou seja, desta vez Moutinho não foi o relógio habitual no meio campo. Falhou vários passes, e ficou intimamente ligado à origem do lance do primeiro golo. Porém, Moutinho compensou com uma participação ofensiva que teve uma importância acima do que lhe é hábito, estando directamente ligado a alguns desequilíbrios, nomeadamente o que resultou na assistência para o segundo golo. Em termos defensivos terá estado ao seu nível e acima dos restantes elementos do meio campo.

R. Micael - Grande jogo do madeirense. Por vezes discreto, mas quase sempre presente. Foi o jogador com mais influência em termos de posse - a grande distância - sobretudo por ter sido aquele que garantiu mais consistência na entrega. Complementou essa presença com aparições importantes em termos ofensivos, sobretudo nas jogadas mais perigosas em ataque rápido.

Falcao - Não há muito a dizer quando um jogador faz uma exibição destas. Sozinho, pulverizou a defensiva do Sporting em situações de finalização. Mesmo se houve lances em que a defesa deixou a desejar, Falcao é um fora de série na resposta a cruzamentos, e é essa característica que o torna verdadeiramente especial.

Walter - Uma nota para ele. Reapareceu muito tempo depois e voltou a mostrar que tem qualidade de sobra para ser uma aposta de futuro. E não apenas pelo golo. Enfim, posso-me enganar, mas acho realmente estranho se Walter tiver sido preterido apenas por critérios técnicos.

Notas individuais (Sporting)
Evaldo - Na realidade, não fez um mau jogo em vários aspectos. Esteve mais interventivo do que é habitual, conseguiu algumas antecipações que lhe são raras e dar alguma dinâmica ao corredor. Só que a sua exibição não pode deixar de considerar (outra vez!) a passividade com que aborda alguns lances. Nomeadamente, no primeiro golo de Falcao, onde pelo menos deveria ter saltado com o atacante, e numa ou outra jogada em que a sua falta de agressividade no espaço condicionou a equipa em termos defensivos.

Polga - Foi batido no terceiro golo e tem responsabilidades na forma como se "perdeu" posicionalmente, mal Moutinho saiu do drible após o canto. Seja como for, está longe de ser o principal responsável no lance. De resto, voltou a revelar-se como o jogador com mais intervenções defensivas (o que é um hábito). Com bola, teve a responsabilidade de tentar sucessivas saídas longas em face da pouca preparação colectiva para a saída em apoio.

André Santos - Fez um bom jogo em quase todos os planos. Apenas "borrou" a pintura já numa fase adiantada do jogo em que perdeu segurança em posse, acabando por estar na origem de alguns ataques rápidos contrários. Confirma-se, porém, que é muito melhor como "pivot" do que como médio.

Matias - Não foi um jogo fácil para quem gosta de ter bola. Matias soube esperar pelos seus momentos para desequilibrar.

Valdes - Jogo muito fraco no Dragão. A nota vai para a sua influência negativa para a equipa no inicio da segunda parte. Não teve a intensidade exigível no lance do segundo golo, e, poucos minutos depois, a frieza suficiente para não se deixar atemorizar pela "locomotiva" Sereno, quando tinha tudo para pelo menos finalizar melhor.

Djalo - Está num bom momento, voltou a ser desequilibrador e útil em termos defensivos. Tem lacunas evidentes e pode não ter o estilo mais simpático para a generalidade dos adeptos, mas é um jogador que o Sporting deve obviamente ter em conta para o futuro.

Izmailov - Uma boa notícia o seu regresso e um bom sinal o seu rendimento, entrando tanto tempo depois e a meio de um jogo tão intenso. Ainda assim, podia e devia ter feito melhor no terceiro golo.

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7.4.11

Guimarães - Sporting: Estatística e algumas notas

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- O jogo foi fraco. Nenhuma das equipas esteve à altura do que se lhe deve ser exigido, revelando estados de ânimo e confiança muito débeis nesta fase final da temporada. Dá ideia de que, para ambos, o campeonato estaria melhor se já tivesse terminado.

- O resultado, parece-me, foi justo, apesar de também entender que o Sporting esteve ligeiramente melhor. A constatação mais desapontante vai para o facto de os melhores períodos de ambas as equipas resultarem muito mais do aproveitamento do demérito alheio do que da imposição do seu próprio mérito.

- No Sporting, a “era Couceiro” revelou-se como uma espécie de plano de austeridade futebolístico. O discurso foi sempre de auto vitimização e de permanente desculpabilização antecipada, e o futebol, no campo, acompanha a mensagem. A equipa joga pouco para errar menos. Arrisca pouco, tanto com bola, como em termos posicionais, e espera para ver o que o jogo lhe oferece. Há dados claros que o confirmam este menor arrojo e contenção colectiva: os 188 passes completados representam um mínimo da equipa em jogos da Liga, assim como a própria percentagem de sequência em posse. Ainda assim, talvez a evidência que mais reflicta a “austeridade” de Couceiro, seja a forma quase confrangedora como a equipa “afundou” no campo na segunda parte, abdicando de tentar um 1º passe de transição útil, em favor de sucessivos alívios sem destino.

- O Vitória não foi melhor. Na primeira parte, “entregou-se” ao Sporting com uma posse pouco esclarecida, ora demasiado directa, ora mal ligada. A ideia é sempre a ligação de corredores, onde o apoio dos laterais está sempre preparado para criar boas situações de cruzamento (e quantos cruzamentos se viram na 2ªparte!). Na segunda parte percebeu que o Sporting facilmente seria encurralado com uma atitude mais forte. Mas, e de novo, as soluções foram sempre repetitivas no último terço. De notar, também, a vulnerabilidade da equipa sempre que o Sporting ultrapassava a linha média com a bola nos pés. Desorganização, desequilíbrio táctico e algumas opções de desarme menos próprias e que comprometeram a equipa.

- Duas notas individuais. A primeira para Matias, que se encontra numa das melhores fases desde que chegou ao Sporting. Não conseguiu ser determinante e na 2ª parte bem podia ter estado lá outro qualquer, dado o tipo de jogo a que a equipa se submeteu, mas a sua influência ficou clara na 1ªparte. Pena que Couceiro não encontre também uma maneira de potenciar o melhor que já se viu de Valdes. A segunda nota vai para Polga. É, com alguma distância, o melhor central da equipa. Não é perfeito, todos lhe conhecemos erros e é também evidente que não se sente confortável jogando mais alto. Mas tem uma capacidade posicional como não há no futebol português. Numa altura em que tanto se fala da “revolução”, é paradigmático que à cabeça da lista de dispensas surjam Polga e Maniche, provavelmente (e com João Pereira) os 2 jogadores que mais consistência ofereceram à equipa.

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14.3.11

Rio Ave - Sporting: Análise e números

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Os indícios negativos que, ainda que brevemente, comentara a propósito da exibição frente ao Beira Mar, confirmaram-se em Vila do Conde. Juntou-se-lhes a maior qualidade do adversário e o Sporting deve ter feito, muito provavelmente, a exibição mais incapaz deste campeonato. Será discutível, mas considerando todos os elementos de análise, eu arriscaria o "prémio": a pior exibição! Há que considerar, obviamente, o bom jogo do Rio Ave – uma das melhores equipas da liga, neste momento. Mas nem isso, nem a situação presente do Sporting, são suficientes para que se perca alcance critico ao que vai sendo feito com esta equipa do Sporting. E, nesse plano, há alguns pontos merecedores de atenção...

Notas colectivas
Começando por um aspecto que me parece importante: o discurso e atitude de Couceiro. As “chicotadas psicológicas”, como já tentei demonstrar no passado, podem ter um efeito prático útil. A explicação não está num “milagre táctico”, mas numa inversão do estado de espírito de equipas emocionalmente arrasadas. Ora, no caso do Sporting, esse efeito arrisca-se a ser particularmente reduzido. É que para que o “chicote” seja útil convém que a nova liderança tenha, pelo menos (já nem falo da capacidade!), determinação e energia para renovar esperanças e atitudes. Couceiro parece não ver nesta sua tarefa uma oportunidade, mas uma espécie de obrigação que cumprirá apenas por não lhe restar alternativa. Talvez Couceiro se ache com muita falta de sorte, mas, vistas bem as coisas, fica a pergunta: quantos serão os treinadores portugueses que não trocariam épocas inteiras por este final de época no Sporting?

A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.

Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.

Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.

Notas individuais
Evaldo – De novo, incrível a forma como está na zona dos lances mas não tem capacidade para se impor.

Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa

André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.

Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.

Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.

Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.

Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.

Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.

Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.

Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).

Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.

Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.


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3.3.11

Sporting: notas individuais do derbi

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Postiga – Esteve bastante esforçado, sem dúvida, e igualmente influente nos poucos lances de golo criados pela equipa. Mas há também que realçar alguns aspectos negativos na sua prestação. Ontem, já referi a sua aparente tentativa de ficar sempre com a bola dominada nos duelos aéreos, acabando por perder a maioria deles, fazendo demasiadas vezes falta neste tipo de abordagens. Depois, há sobre Postiga a ideia de que é um jogador “forte” a segurar a bola. Postiga é um jogador dotado tecnicamente e normalmente inteligente nas suas opções. Mas é também um jogador mais vulnerável do que outros no confronto fisico e isso faz com que não tenha um aproveitamento tão bom como muitas vezes é sugerido, na missão de “pivot”.

Matias – Esteve bem. Sem uma influência enorme – que não pode ter – mas sempre com capacidade de trabalho e critério com bola. Era um jogo em que lhe era permitido jogar entre linhas, como gosta, e tivesse a equipa mais capacidade e lucidez para jogar, poderia ter tido um impacto ainda maior.

João Pereira – Missão difícil, travando sucessivos duelos, quer com Gaitan, quer com Coentrão. É um jogador muitas vezes com dificuldades no 1x1, pela abordagem excessivamente agressiva que faz em muitas ocasiões. Desta vez, porém, deu-se bastante bem.

Vukcevic e Djalo – Melhor o montenegrino em todos os aspectos, até porque foi bem mais solicitado. Talvez Couceiro esperasse algo mais de Djalo, mas se Vukcevic foi substituido não foi por estar pior do que Djalo.

Zapater e André Santos – Tinham um papel fundamental, mas, no meu entendimento, não tiveram uma perstação suficiente para o que a equipa precisava deles. Prestáveis, sim, mas tantas vezes com qualidade manifestamente insuficiente. Não dominaram a sua zona, nem pelo posicionamento nas primeiras e segundas bolas (na recta final, foi por este aspecto que o Sporting caiu) e não tiveram também capacidade de dar à equipa, nem grande qualidade e critério à posse (raramente jogaram), nem profundidade pela capacidade de passe (nenhum passe de rotura). Couceiro pode lamentar-se das lesões que o impediram de refrescar o sector, mas não se pode queixar por ter deixado aquele que é – de muito longe! – o seu melhor médio no banco.

Polga e Torsiglieri – Polga errou mais – nomeadamente na forma como abordou a marcação na grande penalidade – mas também foi melhor na leitura e antecipação dos lances – como normalmente é. Mas ambos estiveram regulares em termos defensivos. De assinalar a péssima percentagem de passe, o que indica a pouca disponibilidade para sair a jogar.

Evaldo – A nota estatística é francamente elogiosa. É incrível como está em campo, como a bola passa tantas vezes na sua zona e intervém tão pouco. Não se trata, muitas vezes, de estar mal posicionado, mas de ter uma leitura terrível dos lances, parecendo reagir sempre tarde e sem intensidade para poder ser útil. Foi batido por Cardozo no primeiro golo, por Salvio numa bola que acaba na barra e no segundo golo também estava na zona em que a jogada se definiu.

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25.2.11

Polga, a "incompetência", e a "qualidade táctica"

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Tenho deixado aqui várias criticas à forma como algumas opiniões injustas se generalizam sobre o rendimento de jogadores. O caso dos argentinos do Benfica no início de época. O caso de muitos jogadores do Sporting em toda a época. Alguns, absolutamente gritantes. Fala-se de "incompetência", mas, nestes casos, a incompetência está na forma como as opiniões são formuladas, muito mais do que na performance individual dos visados.

Um exemplo vem do jogo frente ao Rangers e da forma como Polga é - e continuará a ser em muitas conversas de café - responsabilizado pelo primeiro golo. Não é um filme novo. Na verdade, é apenas mais uma sequela daquilo que tantas vezes se viu ao longo da época (e que pontualmente foi aqui abordado): a exposição individual pelos erros colectivos.

A jogada não é rápida e acontece em situação de organização. Ou seja, não há motivos para desequilíbrios posicionais. Não há, mas eles acontecem. A primeira linha de pressão não é inexistente mas inútil, a proximidade e agressividade sobre os jogadores que recebem a bola é ausente, e o ajuste posicional é lento e incorrecto. Uma simples combinação e a bola chega ao espaço entre linhas, sem pressão sobre o portador da bola e expondo os centrais. O lateral oposto (Abel) está afastado e o central mais próximo (Torsiglieri) é obrigado a fazer contenção. Restam Polga, Diouf e toda a área para proteger. O avançado faz o movimento nas costas, Polga tem de manter o contacto visual com a bola e com a posição de Torsiglieri (linha defensiva). Ou seja, quando a bola sai, e saindo bem, resta-lhe pouco mais do que... rezar. Só que, neste caso, rezar, não chegou.

Há um pormenor neste jogada que se repete no segundo golo e em muitas outras jogadas em que o Sporting, incompreensivelmente, abre espaços entre as suas linhas: A mudança de flanco. A equipa sente uma dificuldade enorme a ajustes posicionais perante uma circulação em largura, normalmente sobrando para os seus centrais a resolução desses problemas.

"Qualidade táctica" - e esta é a minha versão da definição - é a velocidade e organização com que as equipas se ajustam às diversas alterações e circunstâncias do jogo. O Sporting não tem problemas de incompetência individual, tem problemas de "qualidade táctica".

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26.1.11

Marítimo - Sporting: Análise e números

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Haverá, na minha perspectiva, poucos jogos tão fracos como este em termos de dinâmica e estratégia colectiva. Acabou por levar a melhor o Sporting, graças a uma assinalável diferença de eficácia, mas também porque durante toda a primeira parte, e apesar de tudo, acabou por ser a única equipa com algum esboço de intenção de perturbar o jogo do seu adversário. Tem, por isso, muita culpa própria o Marítimo no destino que lhe calhou. O facto é que jogavam duas das equipas tecnicamente mais fortes do campeonato e o que se viu foi um desperdício mútuo, onde, no final, sorriu o Sporting.

Notas colectivas
Não quero escrever muito sobre o jogo, porque me parece desinteressante e pouco merecedor de grande atenção. Ainda assim, destacar a opção estratégica do Sporting em jogar numa estrutura mais densa em termos de presença de meio campo, mas onde a dinâmica com bola era tão escassa que a equipa parecia estar sempre em organização defensiva, mesmo quando tinha a bola. Isso não impediu, porém, que fosse o Sporting quem mais tentasse pressionar e condicionar o jogo do adversário. Quanto ao Marítimo, de facto, fica difícil perceber o que quis fazer. Manteve um jogo demasiado posicional e pouco agressivo sem bola, permitindo que o Sporting jogasse facilmente em zonas baixas e não potenciando os problemas da má dinâmica da equipa de Paulo Sérgio, com bola. Quando tinha a oportunidade de jogar, não demonstrou qualquer arrojo na circulação, acabando por ser condicionada por uma pressão do Sporting, que nem sequer era muito agressiva. Exigia-se mais também do Marítimo, que teve a infelicidade de sofrer um golo numa primeira parte nula de ambas as partes, é verdade, mas que – e como se viu na segunda parte – se tivesse mais agressividade e arrojo, poderia facilmente ter submetido o Sporting a vários problemas.

Sobre o Sporting, e numa observação menos centrada neste jogo, é curioso observar como a equipa se desvia, hoje, tanto das ideias que o seu treinador pareceu querer implementar no inicio de época. Começou por tentar uma linha defensiva agressiva, mas não conseguiu, acabando por apelar de novo à dupla Carriço-Polga e a um comportamento menos agressivo da sua linha mais recuada. Em termos defensivos, aliás, não é difícil perceber o porquê de tanta dificuldade de potenciar os centrais que tem ao seu dispor. Basta ver a facilidade com que são atraídos para fora da sua zona.

Mas também em termos de ideia ofensiva, a equipa é cada vez mais um improviso. No inicio de época, havia a intenção clara de fixar o ponta de lança em zonas centrais e fazer uma circulação à largura, que ligasse corredores à procura de cruzamentos. Hoje, a circulação depende de quem está e da estrutura, que também oscila. Liedson voltou a ser móvel e os rasgos não vêm dos cruzamentos, mas daquilo que a mobilidade e qualidade de Valdés vai conseguindo.

A coisa menos inteligente que Paulo Sérgio tem para fazer em relação à sua carreira é achar que esta oportunidade falhou por culpa de factores que não têm a ver com ele. Essa é a via certa de quem não quer evoluir.

Notas individuais
Rui Patrício – Foi, talvez até mais do que Zapatar, o herói do jogo. Patrício é já um bom valor e uma aposta que merece continuidade. Como já referi noutras ocasiões, seria um disparate, depois de todo este esforço, não dar seguimento ao seu desenvolvimento. Não me tenho procurado especializar muito na avaliação de guarda redes, mas sei que há sempre um exagero nas apreciações que lhes são feitas. Um grande guarda redes vê-se mais na ausência de erros do que em exibições brilhantes. O mesmo é dizer que Patrício precisa de continuar a evoluir.

João Pereira – Mesmo jogando à direita, tem uma enorme influência no jogo da equipa, pela facilidade com que se integra com bola nas acções ofensivas. Não está bem aproveitado – basta contar as poucas vezes em que a equipa o utiliza no último terço – e tem algumas debilidades em termos defensivos. Mas é o melhor lateral direito deste campeonato e uma mais valia clara para a equipa.

Evaldo – Dado o histórico de laterais esquerdos nos últimos anos, Evaldo e a sua regularidade são até uma boa novidade para o Sporting. Mas, de facto, continua a ser quase ridícula a forma como não se consegue impor nas suas acções. Não compromete, mas, para se ter uma ideia, Torsiglieri jogou cerca de 1/3 do tempo e conseguiu praticamente o mesmo número de intercepções.

Polga – O Marítimo facilitou-lhe a vida porque permitiu jogar facilmente em várias ocasiões. Mas sempre que tentou o passe longo, foi um desastre. É um jogador experiente e tem, como já realcei, qualidades raras, mas precisa de ter um jogo, quer ofensivamente, quer defensivamente, mais calibrado. Algo que, como já se percebeu, não acontecerá com Paulo Sérgio.

Pedro Mendes – Regressou e, jogando na posição em que jogou, foi de novo a placa giratória do meio campo. Isso, e a falta de pressão dos madeirenses, explica o elevado número de passes que conseguiu. Mas Mendes não está ainda no nível que dele se espera. Falhou demasiadas vezes quando tentou passes mais difíceis e também não teve uma presença muito dominadora em termos de recuperação. Seria bom que jogasse com mais regularidade.

André Santos – Não está, de facto, numa boa fase e a aposta nele só se explica pela juventude e necessidade de o fazer jogar. Comparativamente com Zapater, teve uma utilidade muito baixa, notando-se muito a diferença de percepção posicional em relação ao espanhol (não tem a ver com os golos). Para evoluir é importante jogar, mas não menos importante é ganhar cultura posicional e capacidade de integração ofensiva sem bola.

Zapater – Não é apenas a eficácia ofensiva que faz dele o melhor em campo. Bem posicionalmente e beneficiando do ritmo lento do jogo, antecipou sempre correctamente onde devia estar – o que lhe valeu, também, os golos conseguidos – e o tempo das suas acções. Não merecia ter sido ele a sair do onze depois do jogo frente ao Braga, e confirma agora o seu bom momento.

Liedson – No inicio de época aparecia preso na área, o que o impedia de ser ele próprio. Jogando mais livre, torna-se um jogador verdadeiramente difícil de parar. Quer sem bola, onde mantém uma utilidade invulgar para um avançado, quer com ela. É certo que não é jogador forte e constante em termos de decisão em zonas mais longe da baliza - muitas vezes parece mesmo contra producente. Mas é um jogador sempre muito imprevisível e que ganha muito por abordar as zonas de finalização vindo de fora, não dando possibilidade aos defensores de definir a marcação. O rendimento de Liedson depois da saída de Paulo Bento caiu, não porque estivesse "acabado", mas porque a exploração das suas características deixou de ser a mesma.

Djalma – Pode ter explosão e qualidade de definição. Pode até ser um jogador com capacidade de trabalho. Com o tipo de decisões que tem em espaços mais densos, porém, dificilmente triunfará numa patamar mais elevado.
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17.1.11

Sporting - Paços: Análise e números

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O jogo abriu com uma ocasião, logo na primeira jogada, e esse acabou por revelar-se um pronuncio do entretenimento que a partida viria a oferecer. Os efeitos da estratégia do Paços já haviam sido explicados no jogo que fizera na Luz, onde conseguiu um elevado número de remates. Desta vez, porém, os “castores” foram mais longe e acabaram por juntar a sua própria eficácia com a complacência do adversário. É que se a estratégia do Paços estava anunciada, o Sporting nunca se mostrou preparado para ela, agravando a situação com a péssima reacção que foi tendo ao longo do jogo. Ao intervalo ainda dava para reconhecer que a desvantagem era penalizadora para o Sporting, mas o mesmo não se pode dizer do segundo tempo. Tudo somado: sem desculpas!

Notas colectivas
A intenção do Paços era óbvia: quando o Sporting tinha a bola, provocar o erro e, se possível, impedir a saída em futebol apoiado, através de uma primeira linha de pressão mais alta. Quando conseguia ganhar a bola, utilizar sempre um futebol rectilíneo, seja através de saídas verticais em ataque rápido ou, caso tal não fosse possível, uma abordagem mais directa em ataque posicional.

Perante este cenário, o Sporting tinha um papel muito fácil de entender. O segredo estaria na qualidade em organização e em ataque posicional. Ter a inteligência para perceber o perigo de errar em zonas baixas, e a audácia para ultrapassar, com bola, a primeira linha de pressing do Paços. Se isso fosse conseguido, o Sporting poderia aproveitar o maior espaço dentro do bloco pacense e empurrar o adversário para um posicionamento mais baixo, que não lhe permitiria impor as características do seu jogo.

O problema é que, não só o Sporting fez um dos jogos mais erráticos da temporada (também por mérito do Paços), como a sua circulação nunca foi capaz de fazer a bola chegar com eficácia à zona de criação. O problema, aqui, está nas dinâmicas que a equipa não tem para o que sobra da primeira fase de construção. Com Maniche (e Pedro Mendes, quando está disponível), a bola circula sempre bem, com segurança e velocidade, mas o que vem depois é um enorme deserto de ideias. Os extremos não fazem movimentos interiores, e quando aparecem é sempre para resolver individualmente nos corredores. Os laterais, só aparecem ofensivamente em situações pontuais e circunstanciais do jogo. O avançado parece ter como única função esperar por uma situação de finalização na área. Sobra o improviso do 10, e – repito a ideia – Paulo Sérgio bem pode agradecer à sorte a lesão de Matías Fernandez.

Com todos estes problemas, o Sporting não estava a fazer um bom jogo, mas também é facto que foi criando oportunidades em bom número através das inspirações de Valdés. A agravante surge depois, ironicamente entre os 2 golos da segunda parte. Aos 61’ o Sporting empatou, mas essa foi a sua derradeira ocasião clara no jogo. Culpa principal do seu treinador que forçou uma alteração, de todo, absurda. Não só alterou a estrutura, perdendo presença num meio campo já de si mal ligado, como retirou a sua unidade de maior influência no jogo. É óbvio que existe um preconceito geral em relação a Maniche e que isso impede adeptos e muita comunicação social de lhe fazer uma análise justa do seu óptimo rendimento. O que não é aceitável é que o próprio treinador não seja capaz de ir além deste registo. Não é aceitável, e isso paga-se.

Por fim, nota sobre o Paços. Já elogiei a prestação dos “castores”, pelo arrojo da sua estratégia que dá aos jogos uma característica pouco comum neste tipo de confrontos. Se é a melhor maneira? Parece-me discutível, mas o Paços tem-se dado bem. Há também alguns jogadores interessantes nesta equipa. Os laterais, digo eu, merecem uma revisão por parte de clubes de maior dimensão. São ofensivos e agressivos, ficando por averiguar a sua consistência e fiabilidade defensiva (coisa que ainda não fiz). Numa altura em que se procuram tantos laterais, se calhar vale a pena dar uma olhada. Depois, destaque para os centrais e para a dinâmica do meio campo ofensivo, com Pizzi e David Simão em destaque também pela sua juventude.

Notas individuais
Evaldo – O mesmo problema já realçado noutras ocasiões. Está lá sempre, mas sempre em níveis mínimos. Raramente compromete, mas não tem capacidade interventiva que se permita afirmar ser uma mais valia, ou sequer que lá chegue perto. Obviamente que esta constatação não justifica a sua troca por Grimi na altura em que aconteceu...

Polga – Erra com alguma – por vezes demasiada! – frequência, mas volto a fazer um elogio à sua capacidade de ler o jogo e de antecipação. Por isso, e mesmo não sendo forte fisicamente, é o jogador que mais intercepções faz entre os 3 “grandes". É uma característica que não lhe é muito reconhecida, mas com a qual a equipa ganha muito. Não foi por ele que o Sporting perdeu, seguramente.

Carriço – Carriço distingue-se, entre os subaproveitados centrais do Sporting, por ser aquele que menos erros comete. Desta vez foi mais humano e esteve, por culpa própria, bem na origem da derrota.

André Santos – Continuo a fazer notar que, sendo um bom jogador, se está a exagerar sobre as suas capacidades actuais e que isso pode não ser benéfico na sua evolução. Em relação a Zapater, ainda é discutível a sua mais valia, mas com o regresso de Maniche voltou a ser apenas uma sombra do seu parceiro de sector. Claro, quando lhe tiraram Maniche, a coisa complicou-se.

Maniche – É espantoso o que joga e o que dele se diz. Grande primeira parte, sendo, outra vez, a unidade mais influente, quer em termos de circulação, quer em termos de trabalho defensivo. É certo que estava a aparecer menos na segunda parte, mas nada justifica a sua saída, quando, por exemplo, o seu rendimento era, a anos luz, superior ao de André Santos. A incompetência da decisão pagou-se com aquilo que se viu depois do 2-2.

Salomão – É curioso porque apareceu melhor na pior fase da equipa. É possível que seja um jogador mais forte se não estiver tão isolado na linha. Tem boa capacidade de decisão, mas muitas vezes faltam-lhe apoios. Tem boa capacidade de trabalho, mas está muitas vezes muito longe das jogadas. Tudo somado, fez um bom jogo, mas esse é o principal destaque que lhe vi nesta partida, quando jogou mais por dentro: talvez ainda exista um melhor Salomão do que aquele que já vimos. Mas, para ter a certeza, teremos de esperar por outro Sporting.

Vukcevic – Voltou a ser pouco produtivo em termos de trabalho e uma espécie de ilha amarrada à direita. É claro que pode sempre decidir com o seu talento, mas quando, como foi o caso, isso não acontece, fica difícil de perceber para serviu no jogo...

Valdes – Voltou a fazer um jogo espantoso em termos de proximidade com o golo. A sua liberdade em zona criativa é uma enorme fonte de problemas para os adversários, mas convém não confundir as zonas em que deve ser potenciado. Se o objectivo é potenciar Valdes, é preciso dar-lhe mais jogo na zona criativa e não fazer baixar o jogador para a construção, onde o seu perfil de decisão é inadequado. A sua não planeada adaptação a 10 tornou-o num dos melhores reforços do Sporting nos últimos anos. Isto, ao mesmo tempo que se continua a dizer que a equipa não luta pelo título porque não tem jogadores para isso.

David Simão – Já observara este médio emprestado pelo Benfica na Selecção de esperanças e fiquei com melhor impressão do que o crédito que lhe foi dado na altura. É um jogador com grande qualidade técnica, que dá boa sequência a grande parte das bolas que por si passam e que tem, também, uma boa capacidade de trabalho. No entanto, não lhe vejo, para já, nenhuma característica extraordinária, sendo que joga numa posição muito exigente e de difícil afirmação. Fez um grande jogo, mas preciso de ver mais...



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29.11.10

Porto - Sporting (Análise e números)

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Como balanço, dá para dizer que foi um jogo deveras interessante. Teve uma envolvente própria destes jogos, teve fases distintas que pareceram fazer o jogo pender para ambos os lados, e teve, também, variantes que obrigaram os dois treinadores a reagir. Não teve espectacularidade, muitas ocasiões de golo, nem, tão pouco, a carga de um jogo decisivo em termos pontuais. Mas teve, parece-me, o bastante para estar à altura de um jogo com estatuto de “clássico”. No final, quer Sporting, quer Porto, ficarão a pensar que poderiam ter ganho o jogo, mas também não vejo que algum dos lados guarde a sensação de que o empate foi curto ou imerecido para o balanceamento do jogo. E não foi, foi justo.

Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.

Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.

Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.

Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.

Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.

Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.

Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.

Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.

O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.

Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.

Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.

Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.

André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.

Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.

Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.

Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.

Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.

Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.

Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.

Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...

Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.

Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...

Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.



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28.11.10

Sporting - Porto: análise de jogadas (Vídeo)

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Começo por um vídeo com as principais jogadas, um pouco ao contrário do que é norma. Mais tarde trarei a análise e a estatística, assim como, possivelmente um outro vídeo sobre um aspecto táctico que julgo interessante.

- O primeiro lance de perigo do jogo acontece quase por acaso. Ou seja, num lance em que o Porto começa por ter as linhas de passe cortadas e com a perda eminente. Ao contrário do que acontece mais tarde, no golo, não creio haver particular demérito de Polga na forma como é batido por Belluschi. A sua saída para fazer contenção justifica-se, não tendo conseguido ganhar o lance, apesar de ter pressionado correctamente.

- No lance do golo do Sporting, o descrédito foi atribuído a Maicon, mas julgo não lhe ser devida uma responsabilidade única. A primeira bola, entrando na zona dos centrais, não pode nunca bater e cabe à dupla resolver o lance. Rolando é cai sai para abordar o lance e cabia a Maicon ajustar o posicionamento nas suas costas. Maicon é surpreendido porque tarda em perceber que a bola vai passar sem ser abordada e porque, parece-me, não se apercebe da presença de Valdés. No entanto, Rolando tem de atacar a bola e não encostar-se a Liedson. Se fosse ao contrário - Maicon a atacar a bola, duvido que o lance tivesse tido a mesma sequência.

- O lance do golo do Porto surge após uma longa sequência de bolas disputadas na zona central. O Sporting tem responsabilidade colectiva porque, por várias vezes, deveria ter sido capaz de tirar a bola da zona de pressão e dar sequência à transição (falarei mais disso). Ainda assim, nada faria antecipar o que sucedeu depois. A equipa está equilibrada, com a linha de 4 e ainda André Santos em zona central. Não se percebe a decisão de Polga sair da sua zona nesta situação. Não era o jogador mais próximo da bola, não era possivel pressionar imediatamente a decisão de Moutinho, dada a distância e, talvez mais importante, a sua posição é fulcral em termos de controlo zonal, merecendo muito maior cautela numa decisão deste tipo. Ficam 3 jogadores na frente de Moutinho, mas sem capacidade para cortar a linha de passe para Hulk que, depois, tem várias opções na área.

- Finalmente, nota para mais um exemplo da excepcional capacidade de trabalho de Liedson. O demérito de Maicon é óbvio e nenhuma circunstância ou perante algum jogador se justifica perder a bola, mas, ainda assim é recorrente vermos Liedson conseguir lances destes (a última terá sido em Goodison Park), pelo que é inegável o seu mérito, quer na atitude, quer na forma como aborda o desarme. Desta vez, para mais, o seu isolamento é total. Não vale tanto, mas é mais difícil de conseguir do que um golo.

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15.11.10

Académica - Sporting: análise e números

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Porque ganhou o Sporting em Coimbra? Será seguramente uma análise redutora, mas escolheria 3 tópicos para a resposta. Porque a sua maior qualidade individual marcou a diferença. Porque teve espírito de sacrifício para se bater pela vantagem. Porque, finalmente, não lhe faltou a ponta de sorte que é sempre essencial em jogos equilibrados como este. Enfim, foi uma vitória que considero “normal”, mas nem altamente provável, nem propriamente justa. Digo-o sobretudo pela Académica que me parece ter feito um excelente jogo.

Notas colectivas
Emocionalmente, o jogo teve períodos obviamente dispares. Na primeira parte, o Sporting conseguiu vantagem e foi sempre a equipa mais confiante e que esteve mais perto do golo. Na segunda, o contrário. Há, no entanto, um denominador que esteve sempre em bases comuns durante os 90 minutos. Nunca, em nenhum momento, o Sporting foi uma equipa dominadora. Ou seja, nunca – como fez em tantos outros jogos – conseguiu ter posse continuada, relegando a Académica para um jogo de expectativa. Nunca, por incapacidade própria, mas também por mérito da Briosa.

É-me difícil quantificar o peso de certos factores na explicação desta inesperada tendência – como a ausência de Maniche, por exemplo – mas há outros que ficaram bem claros durante o jogo. Primeiro, o “pressing” sobre a primeira fase de construção. Não é de hoje que o digo, mas o Sporting tem este aspecto muito mal trabalhado em termos colectivos e em Coimbra isso foi bastante claro. A Académica conseguiu quase sempre sair a jogar em apoio, e a recuperação alta do Sporting produziu efeitos quase nulos. É curioso observar que, do outro lado, o mesmo não se passou. Ou seja, Carriço e Polga tiveram de bater mais vezes a bola por falta de apoios do que os centrais da Académica (Orlando e Berger fizeram mais passes e com muito maior % de sucesso do que Polga e Carriço). Portanto, nem o Sporting pressionou com qualidade suficiente, nem conseguiu uma circulação na primeira fase que lhe permitisse sair com mais qualidade a jogar. E isto desde o 1º minuto de jogo.

Houve no jogo uma 'nuance' curiosa, introduzida por Paulo Sérgio. Numa semana em que se falou muito da marcação individualizada movida a Hulk pelo Benfica, houve uma intenção estratégica de colocar 1 dos médios defensivos – normalmente Zapater – a jogar muito próximo de Evaldo, criando situações de 2x1 sobre Sougou, a grande ameaça em termos individuais na Académica. Ora, mesmo nem sempre revelando um posicionamento colectivo muito correcto, esta preocupação acabou por se revelar muito importante durante boa parte do jogo. Isto, porque a Académica insistiu quase sempre nesse flanco para atacar. Seria, mais tarde, quando apostou também no flanco esquerdo que os “estudantes” encontrariam situações de maior perigo para a baliza do Sporting. Aliás, exacerbando alguns detalhes decisivos do jogo, pode até dizer-se que o Sporting ganhou o jogo no corredor esquerdo.

Nota também sobre a Académica. É impressionante como as equipas espelham tão fielmente a mentalidade dos seus líderes e, nesse aspecto, há poucas lideranças tão características como a de Jorge Costa. As suas equipas nunca dão os jogos por perdidos, mas, por vezes, também os perdem quando os pareciam ter ganho. 2-2 é um empate característico de Jorge Costa e por pouco não acontecia de novo. Fora esta peculiaridade, importa dizer que a Académica fez um excelente jogo, impressionando especialmente (e surpreendendo-me, confesso) pela qualidade que revelou na sua circulação.

Notas individuais
Patrício – Fez uma defesa fantástica, esteticamente deliciosa. Não costumo comentar muito os guarda redes, porque há sempre grandes exageros na avaliação que é geralmente feita, ou pela positiva, ou pela negativa. Ou seja, não é pela exibição mas pela carreira que faço esta referência. Faço-o para dizer, fundamentalmente, que o Sporting fez uma aposta continuada e sólida num jovem e que tem hoje tudo para dar certo. Não há muitos guarda redes no mundo que na sua geração sejam melhores do que ele e se o Sporting o souber valorizar, poderá tirar frutos durante vários anos desta aposta.

Polga – É um aspecto que se tornou claro quando comecei a fazer estatísticas individuais. Polga ganha mais bolas pelo seu posicionamento do que qualquer outro central no futebol português. De cabeça ou pelo ar. Importa também dizer que era ele quem marcava Miguel Fidalgo no lance do golo (ainda que não tenha sido o único a sentir dificuldades nesse lance).

Zapater – Fez provavelmente o melhor jogo desde que chegou ao Sporting. Não combina a qualidade e a intensidade de Maniche – mas isso, em Portugal, ninguém faz – mas apresentou um rendimento excelente, sendo o jogador da equipa que mais passes completou e o médio que mais recuperações conseguiu. O seu maior problema, a meu ver, é alguma vulnerabilidade em construção, o que o leva a ter perdas de bola perigosas com demasiada frequência. Mas, neste jogo, isso também não foi um problema.

Valdés – É impressionante a viragem deste jogador desde que começou a jogar no meio. Não é uma questão estética, mas objectiva. De rendimento. Valdés agradava mas em desequilíbrios concretos tinha uma participação quase nula. Agora, mais solto, desequilibra (esteve nos 4 da equipa!), assiste e marca. A lesão de Matias pode até ter sido a melhor coisa que lhe aconteceu na carreira...



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18.8.10

Paços - Sporting: Análise, números e vídeo (II)

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Vídeo: os 3 cruzamentos
Para quem viu o jogo, não passou em claro o carácter repetitivo da jogada. Cruzamento tenso e rasteiro de Manuel José, a pedir um desvio entre o guarda redes e os centrais. Nos 2 primeiros falhou, mas à terceira foi de vez. Na verdade, e apesar da repetição, os casos não são exactamente idênticos. Dois aconteceram em transição e o terceiro em ataque posicional. Na soma, porém, vislumbram-se bem os problemas do funcionamento da linha defensiva do Sporting. Problemas que, diga-se, são sobretudo colectivos. Outro dado importante é o mérito do cruzamento e de quem o faz: Manuel José.


No primeiro lance, existe uma perda evitável após uma variação de flanco não muito aconselhável. Ainda assim, é neste lance que mais se percebe como a defensiva leonina está pouco vocacionada para assumir riscos na linha do fora de jogo. O baixar imediato do trio defensivo pode parecer prudente, mas acaba por trazer mais risco do que segurança. Isto porque, ao recuar, a linha defensiva abdica de tentar controlar a jogada em termos de espaço e tempo. Ou seja, o ataque tem mais espaço para definir o passe e pode escolher a velocidade que quer dar ao lance, não sendo obrigado a decidir rapidamente. Nestas condições, é mais difícil, quer para o meio campo recuperar o posicionamento defensivo, quer para os próprios centrais controlar uma jogada que acontece em velocidade e numa área enorme de campo.

No segundo lance, grande parte do mal acontece na atitude de Evaldo. A forma como aborda a dividida só é possível caso tenha a certeza de que a vai ganhar. Caso contrário, e como aconteceu, perde não só a bola mas, mais ainda, a sua capacidade de recuperação. Depois, o único comentário que há a fazer vai para o posicionamento no centro do terreno. Embora defenda que a defesa se deva manter em linha dentro da área, não concordo que esta seja definida pelo posicionamento da bola em cruzamentos que não sejam já próximos da linha lateral. Uma margem de 1-2 metros será o ideal neste caso. O que é mais preocupante, porém, é que este comportamento parece apenas ocasional, já que não foi repetido noutras ocasiões.

Finalmente, no lance do golo, a origem deve ser muito mais centralizada na zona do cruzamento. Aí é que o Sporting tinha superioridade numérica, sendo proibido que, nessas condições, seja permitido tanto espaço para cruzar. Postiga, como mostra o vídeo, terá sido o mais displicente de todos.

Ainda assim, Nuno André Coelho não deixa de merecer responsabilização. Primeiro, o tal pormenor de ter tido uma opção diferente daquela que havia escolhido apenas há minutos atrás. Mas isso demonstra mais anarquia do comportamento colectivo, do que responsabilidade individual. A nota de culpa para o central vai para a forma como abordou o lance. Teria de controlar o espaço entre si e o atacante, mas, ao mesmo tempo, garantir que não perderia a frente do lance. Entre as referências zona e homem, N.A. Coelho não podia ignorar qualquer uma que fosse, tendo ainda de manter os olhos sobre a bola. Não era fácil, é certo, mas também se pode facilmente perceber que deveria e poderia ter feito bem melhor. Já agora, e para terminar, uma nota sobre a especificidade do avançado. Rondon não é um jogador muito alto, daí que o risco da antecipação talvez fosse maior do que perder o controlo sobre as costas. Simples agora, bem mais do que quando se tem de avaliar e decidir em segundos...

Estatística individual
A primeira nota vai para a novidade do site da Liga, com estatísticas em tempo real. É uma novidade muito interessante, embora para mim não possa substituir o que venho fazendo. O motivo é simples, não sei o que realmente medem os indicadores apresentados. É por isso que ler estatísticas em futebol se torna complicado, porque o critério não fica explicado apenas pela nomenclatura e, salvo melhor explicação, só quem faz a estatística percebe realmente o que está a medir. Outra nota para algumas divergências em alguns números. É normal que existam, mas há também discrepâncias que não se justificam (individualmente, porque colectivamente, os números são muito semelhantes). Acredito muito na tecnologia e não tenho dúvidas que tem mais potencial para não errar, mas posso garantir, por exemplo, que João Pereira não fez 63 passes certos, nem Liedson 23.

Em relação aos números, começo por destacar a elevadíssima participação dos centrais leoninos. Mostra, por um lado, que o recurso ao jogo directo foi recorrente por parte do Paços e, por outro, que os centrais tiveram uma grande capacidade para dominar a sua zona perante esse recurso. Ou seja, os erros que venho apontando não parecem ser o espelho de uma limitação individual, mas sim de um défice de coordenação e orientação colectiva.

Há, aqui, um caso que merece nota: Polga. É um jogador vulgarmente criticado – eu me incluo aqui – e que muitas vezes não se compreende o porquê da insistência na sua utilização. Aqui entramos na virtude e limitação deste método. Ou seja, o método mostra-nos a influência positiva de Polga no jogo, o que oferece a sua capacidade de leitura, posicionamento e antecipação. Não dá, no entanto, para enquadrar Polga no problema táctico da última linha da equipa, sabendo-se da sua dificuldade em jogar alto e com o fora de jogo. É um bom exemplo da utilidade e enquadramento do método na análise. E não, como tristemente foi confundido por alguns, como um juízo absoluto do rendimento individual.

Outro caso a abordar é Carriço. A sua presença no meio campo entende-se na perspectiva de que o Paços jogaria – como jogou – de forma directa. Retira qualidade em algumas vertentes à equipa, mas parece-me acertada a opção de Paulo Sérgio em termos de opção individual. Aliás, muito desse acerto vem da própria qualidade do jogador que, apesar de jogar “fora de água”, manteve um rendimento e eficácia extremamente elevados.

Sobre Valdes, reforçar que deve ser entendido à luz das suas características. Tal como referi aqui aquando da sua contratação, é um jogador muito forte em termos técnicos, sobretudo no 1x1, mas que tem dificuldade em termos de intensidade, quer nos momentos defensivos, quer quando se lhe pede para encontrar espaços para aparecer. Talvez tenha sido forçada a mudança táctica ao intervalo, mas a introdução do chileno no 11, e neste jogo, parece-me um erro evitável à partida.

Finalmente, Postiga. Talvez esteja aqui a grande oportunidade para se relançar. Tem um problema óbvio com a pressão de finalizar (não por este jogo), e acaba por falhar bem mais do que seria expectável. Não é um problema mecânico, é um problema mental, que tem a ver com a envolvente e a especificidade da pressão em ambiente de jogo. Ou seja, não se corrige com o treino. Por outro lado, tem uma grande capacidade para jogar em zonas mais interiores, onde se movimenta bem e decide melhor. Não tem a criatividade de uns, mas pode dar, por exemplo, uma vantagem importante nas primeiras bolas na zona à frente dos centrais. O que eu estou a sugerir – outra vez! – é que seja testado mais vezes e mais tempo nas costas do ponta de lança, que sirva de referência para o apoio frontal e que lhe seja retirado o peso da camisola 9. Até agora, e nesta época, respondeu sempre bem à chamada nestas circunstâncias.

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28.8.09

Sporting, Polga e a arma do fora de jogo

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Foi o lance referenciado por Paulo Bento para explicar o crescimento italiano na abertura do segundo tempo. A leitura é correctissima. Trata-se de um dos tais momentos de impacto emocional no jogo de que tantas vezes falo e, mesmo não tendo terminado em golo, poderá ter sido mesmo decisivo na definição do jogo e da eliminatória. O lance, que surgiu logo no primeiro minuto da segunda parte, tem a sua génese num pontapé longo, com a segunda bola a ser ganha pelos “Viola”. Podia falar do mau posicionamento leonino para a abordagem à segunda bola ou do mau ajuste posicional de Pedro Silva (um hábito) à saída de um central, mas o ponto que quero aproveitar tem a ver com o fora de jogo e a forma como o Sporting ignora esse recurso táctico. E de que forma o fez neste lance!


Pressionar alto, com ou sem o “recurso táctico”
Recurso táctico. Pode parecer estranho esta designação mas é essa a potencialidade real da regra do fora de jogo no futebol moderno. É graças a ela que as equipas podem ter como estratégia jogar com a sua última linha defensiva subida, aproximando sectores e defendendo mais longe da sua baliza. Um exemplo evidente da utilização deste recurso é o modelo de jogo de Jorge Jesus. Nesse caso, a equipa sobe em bloco e pode fazê-lo sem esticar a equipa, mantendo a largura. A vulnerabilidade está, como é óbvio, na profundidade, nas costas da defesa.

Apesar de tentar fazer um pressing alto em muitos jogos, o Sporting utiliza muito pouco o recurso do fora de jogo. A solução passa por tornar a equipa mais estreita, não tendo vulnerabilidade na profundidade (ou seja nas costas dos defesas), mas sim em largura, tornando-se complicado sempre que o adversário muda de flanco. Na minha opinião esta é uma solução mais exigente em termos tácticos, embora o Sporting seja um caso de sucesso evidente pela competência com que a interpretou ao longo da era Paulo Bento.

Polga, o "anti fora de jogo"
O lance é muito claro sobre a pouca focalização do Sporting em relação à arma do fora de jogo. Em particular, Polga. Bastaria o central ter evitado recuperar e a jogada ficaria imediatamente inviabilizada. Pelo menos o passe para Jovetic. Polga, pouco inteligentemente, fez exactamente o que convinha à Fiorentina. Tentou recuperar posição, não foi a tempo e, pior do que isso, reabilitou Jovetic. Este não é um lance virgem em Polga, que, claramente, não tem o fora de jogo como solução interiorizada para dela se poder servir quando necessário.

Porque é que o Sporting não utiliza o fora de jogo como arma táctica? A resposta pode estar precisamente em Anderson Polga. É um jogador nuclear para o modelo do Sporting. A sua importância tem a ver, sobretudo, com a qualidade que tem com bola, sendo a referência para o primeiro passe em organização. Ora, para além desta característica, Polga tem outras. Por exemplo, a dificuldade em recuperar defensivamente, sentindo-se altamente desconfortável a jogar com espaço nas suas costas (não é por acaso que o seu pior momento foi com Peseiro). Por isso, para ter Polga nas contas, Paulo Bento teria sempre de ter um modelo que não recorresse à arma do fora de jogo. Compreende-se perfeitamente a opção, bem como a obrigatoriedade de a manter perante as características dos jogadores. Com Carriço, no entanto, começa a sentir-se que Polga poderá deixar de ser tão fundamental, que o “patrão” poderá mudar, e que o espaço nas costas não terá de ser tanto um problema. Não é uma transição simples de fazer e não sei se alguma vez acontecerá ainda com Paulo Bento, mas confesso a curiosidade para ver o que traria...


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28.4.09

8 lances do fim de semana...

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Benfica – Marítimo (Cardozo) – O lance do segundo golo na Luz é muito interessante e diz muito sobre a forma como o Benfica alterou a sua forma de abordar o momento ofensivo. Em organização ofensiva, o Benfica, não só tem os 2 laterais abertos, como inclui ainda 1 central em acção ofensiva (já acontecera no primeiro golo no Bonfim). Juntando ao número elevado de jogadores, a qualidade de muitos deles (no caso destaco o trabalho de “pivot” de Nuno Gomes), torna-se fácil perceber que estão criadas as condições para a criação de mais desequilíbrios ofensivos. O problema da questão está na forma como a equipa se adianta em demasia, correndo sérios riscos de ser apanhada em contrapé em caso de perda de bola.


Porto – Setúbal (Lisandro I) – O primeiro golo com que o Porto bateu o Setúbal é um exemplo da grande qualidade de Lisandro. Primeiro, na forma como dá apoio à construção, atraindo a marcação para fora da sua zona e, depois, na forma como define o lance dentro da área, tirando também partido das dificuldades que gera a sua movimentação. No entanto, é importante notar a forma deficiente como o Setúbal defende. A zona central é desprotegida de forma quase primária, quer na forma como Farias, estando parado (devia ter sido colocado em fora de jogo), consegue receber e ter tempo para ler o jogo, quer depois como Lisandro consegue ganhar vantagem perante uma marcação que demora muito a reagir à sua movimentação (note-se ainda a forma como Mariano aparece também solto numa zona central).

Porto – Setúbal (Lisandro II) – No segundo golo, tal como no primeiro, um misto de mérito da dinâmica e mobilidade do ataque portista e de um enorme demérito na forma como o Setúbal defende. Farias é pressionado pelo lateral, abrindo um buraco no seu flanco e, depois, é visível a distância entre sectores, com o meio campo a não auxiliar a linha mais recuada. Este aspecto é muito perceptível no facto do Porto conseguir meter tantos jogadores como o Setúbal para a resposta ao cruzamento.

Sporting – Estrela (Postiga) – Um dado curioso do jogo com o Estrela foi o facto do Sporting ter feito muito pouco recurso às bolas longas de Polga, isto apesar da forma compacta como defendeu o Estrela. O central, aliás, tornou-se protagonista de um dos melhores lances do primeiro tempo, ao iludir o pressing e inciar um desequilíbrio pela zona central. Na jogada, para além da habilidade de Liedson (pouco pressionado), é visível a tal característica de uma linha defensiva algo subida por parte do Estrela. Postiga por muito pouco não consegue fazer o golo.

Sporting – Estrela (Liedson) – Uma curiosidade deste lance tem a ver com a colocação dos médios interiores (Pereirinha e Veloso) no mesmo flanco. É uma situação totalmente episódica e que em Guimarães esteve na origem do golo sofrido. Desta vez, é o Sporting quem tira partido, virando o jogo para o flanco menos povoado. Mas o aspecto que quero destacar é outro que tem a ver com a forma como a defesa tem dificuldades em responder ao cruzamento pelo facto de jogar algo adiantada. Quando o cruzamento se torna eminente, os centrais são obrigados a recuperar ao mesmo tempo que se tentam colocar para responder ao lance. Naturalmente, torna-se uma tarefa muito complicada e, por isso, Liedson fez um golo semelhante ao que havia feito na primeira volta.

Naval – Rio Ave (Yazalde) – Uma nota para o golo de um jogador que se tem destacado neste final de época e que poderá ser decisivo na luta pela manutenção. Não me fica claro se o primeiro toque de Yazalde é propositado, mas se o é, é um grande pormenor do jogador emprestado pelo Braga (já aqui destaquei a importância do primeiro toque e forma como ele define um jogador).

Man Utd – Tottenham (Modric) – Finalmente, volto ao golo de Mariano em Old Trafford e à importância de Lucho. Este fim de semana o mesmo erro do United, com Bent a fazer de Lucho e a atrair o lateral para a abordagem ao lance, deixando espaço para Modric (qual Mariano) ficar livre para a finalização. Aqui volto à importância das referências individuais na área. O United tem superioridade numérica e não se pode falar de um mau posicionamento base. O que acontece é que na área é impossível fazer uma marcação eficaz com poucos jogadores tendo apenas por base referências zonais. Este, aliás, é um erro clássico.


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