Mostrar mensagens com a etiqueta Fabio Coentrao. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fabio Coentrao. Mostrar todas as mensagens

14.11.11

Bósnia - Portugal: opinião e estatística

ver comentários...
- 0-0, é um bom ou um mau resultado? A resposta, parece-me, é... não. Este era o desfecho que menos afectava teoricamente o favoritismo atribuído à partida. Portugal continua a ser favorito, mas não é significativamente mais do que era. Se 0-0 é melhor para Portugal ou para a Bósnia? A isso já não sou capaz de responder. A dúvida passa por saber se o peso do misterioso mas irrefutável factor casa é suficiente para desfazer a desvantagem de não se poder empatar para garantir o apuramento. Independentemente da opinião de cada um, o mais interessante seria ter resultados concretos sobre o que o passado nos diz a respeito disto. Infelizmente, para já não os tenho...

- Outra pergunta: Portugal merecia ganhar? O lado português tende a afirmar que sim, que jogou melhor e que merecia algo mais. É verdade que Portugal levou a melhor no domínio de grande parte do jogo, mas também me parece inegável que do ponto de vista ofensivo isso se traduziu em pouco. Ou seja, do mesmo modo que Portugal se pode lamentar de não ter marcado numa ou noutra ocasião, também os bósnios poderão reclamar para si essa possibilidade, porque a tiveram. Copo meio cheio ou meio vazio? Cada um verá como quer. O que me parece claro é que, com o 0-0 e como o próprio jogo da primeira mão bem o demonstra, Portugal está cada vez mais vulnerável do detalhe para definir um apuramento que se devia exigir com muito mais conforto. Agora, tudo pode depender de uma inspiração, de um erro, ou mesmo da sorte.

- Indo mais concretamente ao jogo, convém realçar que o relvado teve mesmo uma importância assinalável no jogo, e mesmo na abordagem das equipas. Pouca capacidade de ligar o jogo, muitas ligações directas e grande importância para os duelos físicos e para o jogo de antecipação. Portugal esteve muito bem durante boa parte do tempo. Pressionou a primeira linha, não facilitou a construção, potenciou o erro, e depois, lá atrás, contou com a presença de Bruno Alves e Pepe, muito fortes no controlo do jogo directo. Menos bem, na ligação do seu jogo ofensivo, porém, e isso terá sido o factor que impediu Portugal de chegar à vitória.

- Defensivamente, Pepe, claro, é o grande destaque. Reconheça-se algumas abordagens menos cuidadas, mas a qualidade de Pepe, a sua capacidade para antecipar dentro ou recuperar nas costas, isso é inquestionável e não tem a ver com estilo ou gostos pessoais. É um fora de série e Portugal, obviamente, ganhou imenso com a sua presença. Ao seu lado, Bruno Alves esteve também muito bem, sobretudo no jogo aéreo, mas Bruno Alves tem limitações que Pepe não tem, quer na recuperação, quer no acompanhamento da marcação até zonas mais interiores. Amanhã tentarei trazer algumas jogadas da Bósnia, que retratam alguns cuidados a ter, mas este é um primeiro ponto de vulnerabilidade que me parece claro: a possibilidade de Bruno Alves ser atraído para fora da sua zona. Nas laterais, ambos tiveram nos momentos de maior dificuldade, mas João Pereira conseguiu ter uma presença muito mais positiva e regular durante o jogo. Coentrão, desta vez, ficou aquém do muito que pode. Quem sabe se venha a refazer no segundo jogo...

- A grande novidade de Paulo Bento, veio da composição do meio campo. Porquê a aposta em Veloso? A meu ver, estará primeiramente relacionada com Meireles e a sua menor disponibilidade para fazer um jogo nos limites da agressividade, devido ao cartão amarelo que não poderia ver. E, de facto, Meireles esteve abaixo do que normalmente rende, parecendo sempre condicionado nas suas abordagens. Mas Veloso tinha também duas outras virtudes. Está habituado a jogar naquela posição, mais defensiva, e gosta da construir de forma mais longa, algo que iria fazer parte da estratégia. Houve algumas dificuldades no ajustamento posicional dos médios (voltarei a este tema...), mas creio que Veloso cumpriu bem o seu papel a esse nível. No entanto, tenho algumas dúvidas sobre a sua resposta em termos de intensidade e agressividade defensivas, algo que me parece ser muito importante para a posição específica. É, ainda assim, um forte candidato como melhor complemento para Moutinho e Meireles...

- Na frente, o talento de Nani e Ronaldo, apesar do esforço, não foi suficiente. Aquilo que me parece mais discutível, porém, é a presença de Postiga. Muito discutível, mesmo. Não por não ter marcado, nem por ter uma capacidade concretizadora baixa (apesar de tudo, parece atravessar um bom momento a esse nível), mas... o que realmente esperava Paulo Bento de Postiga neste jogo?! Iria ser um jogo de grande exigência física, e Postiga tem um registo péssimo a esse nível. O jogo frente à Dinamarca, aliás, deveria ter servido de exemplo conclusivo para esta questão. É impossível saber o que seria o jogo com Hugo Almeida de inicio, mas é também evidente que a presença de Postiga foi tudo menos um valor acrescentado. A principal critica não tem a ver com a baixa utilidade do avançado, mas com a facto de isso ser altamente previsível, à priori...
Ler tudo»

ler tudo >>

10.10.11

Portugal - Islândia: opinião

ver comentários...
- Começo pelo jogo de Terça. Descontando o facto de jogar fora, Portugal parte numa posição muito confortável para o embate final. A vantagem que leva permite-lhe não só ter a seu favor uma combinação muito maior de resultados favoráveis, como ainda distanciar-se da importante questão do segundo lugar. E, aqui, entrarão os dilemas para o seu adversário. É que a Dinamarca joga muito neste jogo. Ao contrário de Portugal, os dinamarqueses não têm valor suficiente para que se justifique um grande favoritismo num eventual playoff e, por isso, a qualificação directa via segundo lugar é uma hipótese demasiado valiosa para ser menosprezada. Para mais, e também ao contrário de Portugal, o empate da Suécia só serve para a Dinamarca se estes não perderem. Neste sentido, a abordagem estratégica dos dinamarqueses terá sempre de ter em conta a situação do jogo em Estocolmo, tanto mais que este começa 15 minutos mais cedo. Teoricamente, para os dinamarqueses, há aliás mais hipóteses de uma qualificação directa via segundo lugar do que pelo primeiro. Para Portugal, estes cenários podem servir de tábua de salvação em caso de deslize, mas de nada interessam para a sua estratégia no jogo. Será uma situação interessante de acompanhar, sobretudo se os jogos se mantiverem com resultados tangenciais...

- Entrando no jogo com a Islândia, assinalar, primeiro, o interesse do jogo em vários aspectos. Começo pelas dificuldades de Portugal, que, a meu ver, estiveram em 2 pontos: bolas paradas e segurança em posse. Relativamente à posse, Portugal assumiu, sem surpresa, um jogo assente na em organização, mas oscilou demasiado nesse plano. Começou por errar, estranhamente, na recepção e definição do segundo passe, após a entrada no bloco. Nessa fase, porém, a sorte foi-nos favorável e o jogo chegou rapidamente a um 3-0 que, em boa verdade, não se justificava. Depois, e na segunda parte, Portugal melhorou ao nível da segurança. Não conseguiu nunca muita profundidade em organização, mas foi pelo menos mais seguro. As desconcentrações a este nível voltariam mais tarde, já depois do 5-2. Algo que não se pode repetir em Copenhaga...

- O que realmente acabou por condicionar o jogo a Portugal, porém, foram as bolas paradas. É compreensível que se sintam algumas dificuldades neste momento, perante uma equipa com a característica dos islandeses, mas não ao ponto de se tremer praticamente a cada lance. O mau controlo da referência estratégica dos nórdicos na primeira bola explica quase tudo, porque foi sempre por aí que o perigo surgiu. Mas, o lance do 3-2 mostra também algumas dificuldades ao nível dos comportamentos colectivos. Uma das vantagens da defesa zona é poder controlar posicionamentos colectivos para usar imediatamente o fora de jogo. Tem de haver mais rigor e concentração (no caso, Moutinho), no movimento de saída, porque o lance teria sido facilmente evitado. Sobre as bolas paradas, Portugal não tem justificação para não ser forte nesse plano: tem centrais altos, Ronaldo e ainda o avançado que tem todas as condições para ser também ele um auxilio. Não há muita margem para desculpas, há, isso sim, uma exigência que se deve assumir.

- De resto, onde me parece que Portugal esteve melhor, mesmo em relação a jogos anteriores, foi em organização defensiva. Fez um bom condicionamento do primeiro passe, utilizando bem o papel de Postiga, que pressionava lateralmente, obrigando o central a acelerar a decisão de verticalizar. Aliás, Portugal conseguiu sempre extrair oportunidades próprias da sua resposta nos momentos defensivos, seja em organização, ou na reacção à perda. Um bom sinal para o futuro...

- Mas, parece-me que Portugal tem realmente motivos para optimismo, e Paulo Bento para exigir muito da sua equipa (e a si próprio, já agora). Tem centrais fortes em construção, capazes de fazer uma boa ligação com os extremos (Bruno Alves), ou criar superioridade com bola (Pepe). Tem uma grande força nas laterais, não só pelos excepcionais extremos, mas também pela boa dinâmica que oferecem os laterais. Com Meirleles e Moutinho, porém, pode exigir-se também aquilo que poucas equipas conseguem com qualidade e segurança: construir pelo corredor central. Tem uma equipa capaz de ser forte em organização, mas também extremamente reactiva em transição. Tanto ofensivamente, como defensivamente. É verdade que não há muitas soluções para além daquelas que vêm sendo utilizadas na primeira linha, mas isso será uma consequência normal da dimensão do país e do desnível no número de praticantes face a outras potências. Há, ainda assim, várias coisas a discutir e a trabalhar, cabendo a Paulo Bento, obviamente, fazer essa reflexão. Por exemplo, parece-me questionável que Patrício use como referência Postiga para as primeiras bolas, sabendo-se a baixíssima % de sequência que tem esta ligação. Ou se usa outro avançado, ou parece-me que Ronaldo deverá passar a ser a referência.

- A grande novidade do jogo foi, sem dúvida, Eliseu. Não apenas pelo golo e as assistências, embora sejam uma excelente evidência do que pode acrescentar. É que Eliseu foi também o jogador com mais passes completados no jogo (51, falhando apenas 3), chamando a si grande parte das iniciativas, e estando também muito bem na reacção à perda. É certo que foi apenas 1 jogo e, para mais, sem um grande grau de dificuldade, mas os indícios são suficientes para serem considerados relevantes e abrir uma outra hipótese, que passa pela utilização de Coentrão como médio. Essa dinâmica está criada com Ronaldo no Real Madrid, e pode ser aproveitada por Paulo Bento. Portugal pode não ganhar muito na posse interior, mas tendo Meireles e Moutinho isso não tem de ser um problema, ganhando-se tremendamente em termos de reactividade do corredor central. Uma hipótese que, a meu ver, Paulo Bento deve considerar, assim que garanta o lugar na fase final...
Ler tudo»

ler tudo >>

6.7.11

Para haver um Coentrão, é preciso um Shaffer (e outras notas...)

ver comentários...
1- Há ano e meio, ainda a realidade de Coentrão como lateral era uma mera hipótese. Na altura, e quando se projectava a possibilidade de se dar uma aposta mais continuada na sua adaptação como defesa, escrevi aqui que a transição poderia ser a melhor notícia na carreira do jogador. O mundial teve um impacto mediático tão forte, que poucos se recordarão, hoje, da rapidez deste processo de ascensão meteórica, ou das enormes dúvidas que na altura se colocavam sobre esta adaptação.

O ponto que em que quero nesta altura tocar, é o mesmo que já realçara no texto acima referido. Ou seja, a constatação inequívoca do enorme sucesso que têm tido as adaptações nas posições de defesas laterais. Adaptar um lateral deve ser, nos últimos anos, o tipo de acto de gestão que mais rentabilidade trouxe ao futebol português e, no entanto, continua a não ser detectada qualquer intencionalidade estratégica neste processo. Para haver um Coentrão, continua a ter de haver um Shaffer.

2- Do ponto de vista desportivo, a saída de Coentrão terá um peso significativo no Benfica. É inevitável, estamos a falar de um jogador de grande capacidade interventiva e com enorme influência positiva no jogo da equipa. Estatisticamente, por exemplo, foi só o segundo jogador da Liga que mais contributo ofereceu à sua equipa, apenas superado por Hulk. O problema agrava-se quando se percebe que a descoberta de Coentrão foi mais um acidente (apesar do mérito de Jesus no processo), do que algo que se possa repetir facilmente.

3- Importa também abordar a importância financeira do negócio. O mercado (não só em Portugal) tem dado sinais de uma atrofia com repercussões difíceis de prever - escrevi algo sobre isso, aqui. Por muito que o negue, é bem provável que o Benfica sinta algum alívio por este encaixe.

4- Finalmente, do lado do Real Madrid, e apesar do valor de Coentrão, esta aquisição soa a luxo. Marcelo vinha sendo uma aposta com resultados (também uma adaptação), mas que deverá ver a sua afirmação descontinuada com a chegada de Coentrão. Sendo uma solução do mesmo tipo, dificilmente alguém adivinharia que este fosse um investimento prioritário para o Real Madrid.

ler tudo >>

5.4.11

Benfica - Porto: estatística e notas individuais (Benfica)

ver comentários...
Luisão – Voltou a ser o melhor e mais consistente jogador da sua equipa. Numa defesa que erra com uma frequência tão vertiginosa como a velocidade que tenta imprimir, é tão somente brilhante que Luisão consiga os níveis de consistência que tem revelado ao longo de toda a época.

Coentrão – Voltou a mostrar porque é um dos melhores laterais esquerdos da actualidade. A sua intensidade é o reflexo da própria filosofia da equipa. Aliás, nessa personificação de uma identidade colectiva, Coentrão partilhou também os defeitos da equipa. Faltou-lhe critério em certas situações e isso valeu-lhe alguns erros que poderia evitar.

Saviola – Não foi uma exibição soberba, mas voltou a ser um elemento influente nos desequilíbrios da equipa e também com uma participação mais inspirada do que em jogos recentes.

Peixoto – Entrou bem no jogo, com grande atitude e intensidade. Tem-se revelado bem mais consistente em posições interiores, embora a sua irregularidade não dê para que se retirem grandes conclusões de tão curta amostra.

Sidnei – Quase se tornou o salvador, já no final do jogo. Aliás, quer como lateral, quer em situações ofensivas, foi quando a sua produtividade subiu. Sidnei pode ter ganho pontos em relação a Airton como alternativa aos laterais, mas, realmente, tem de se questionar o seu rendimento na posição em que se pretende afirmar. Como sempre alertei, não é um jogador que erre ou arrisque menos do que David Luiz, mas não tem comparação com o actual central do Chelsea em muitas características. Enfim, nesta altura, e embora Jardel tenha pouco tempo de utilização, não se veem grandes motivos para que possa ser considerado como o “dono” do lugar.

Airton – Muito fraca a sua prestação como lateral. Pareceu particularmente nervoso sempre que a bola passou por ele, dando pouca sequência aos lances que por si passaram. De facto, apenas no choque e jogo aéreo se conseguiu impor. Provavelmente, uma experiência para não repetir...

Javi Garcia – Venho alertando para a sua vulnerabilidade em posse desde os primórdios da temporada. Nem sempre o preço foi tão elevado, mas a frequência dos seus erros é enorme, sendo que provavelmente não teria aguentado o lugar se tivesse este tipo de rendimento com bola numa liga mais competitiva. Javi tem aspectos onde é uma mais valia, sem dúvida, mas as suas vulnerabilidades são também incontornáveis...

ler tudo >>

8.3.11

Braga - Benfica: Análise e números

ver comentários...
Não se previa um embate fácil para nenhum dos lados e, de facto, não foi. Particularmente, no caso do Benfica, foram muitas as condicionantes. Desde aquelas que se conheciam de antemão – desgaste e ausências – às outras que apareceram com o decorrer da partida – inferioridade numérica. Mas nenhuma dessas contingências retira ponta de mérito à réplica do Braga. Não só porque o próprio Braga teve a sua dose de infelicidade no jogo – lesões e ineficácia inicial – mas, sobretudo, porque a sua proposta de discussão do domínio foi implementada com sucesso na totalidade dos 90 minutos. Aliás, se o equilíbrio foi a nota dominante na partida, também não me parece que existam dúvidas de que foi o Braga quem esteve sempre melhor.

Notas colectivas
Começando pelo Braga, importa dizer que aquilo que a equipa fez é raro em Portugal. Tão raro, que o próprio Sporting não o ousou fazer de igual forma nos embates recentes com o Benfica. Ou seja, a proposta de jogo passou sempre por discutir o domínio territorial e não apenas jogar com o espaço, numa postura mais expectante. O elogio não passa, obviamente, pelo arrojo da ideia, mas pela capacidade de implementação da mesma. É que, não apenas o Braga tentou dominar, como que foi, de facto, a equipa que mais o conseguiu fazer em todas fases do jogo.

Domingos introduziu Paulo César no lugar de Mossoró e a equipa jogou em 4-4-2 clássico em praticamente todos os momentos. A ideia passava por ter uma presença forte em termos de pressing sobre a primeira fase de construção encarnada, forçando a verticalização do jogo e tentando rapidamente conquistar a bola. Aqui, o risco da estratégia é o habitual para quem tenta subir o bloco numa estrutura de apenas 3 linhas: o espaço entre sectores. Proximidade de linhas e agressividade táctica eram as respostas ao problema, e o Braga tentou servir-se delas.

O resultado desta estratégia foi uma supremacia mais continuada do Braga, mas, também, um Benfica a encontrar episodicamente os seus momentos de liberdade. Particularmente, sempre que superava a “barreira” dos 2 médios, Custódio e Viana. O que sobra é o aproveitamento e eficácia, e, aqui, há alguma ironia. Primeiro, porque o Benfica marcou na primeira verdadeira oportunidade criada. Segundo, porque o Braga, depois de ter desperdiçado alguns bons lances, acabou por ver o seu golo “oferecido” por um erro de Roberto.

Na segunda parte, e com a desigualdade numérica, o jogo mudou. O Braga deixou de ter de se impor para conseguir um domínio territorial que, agora, lhe era naturalmente cedido pelo adversário. A verdade, porém, é que o Braga esteve menos bem frente a 10 do que frente a 11. A sua posse recorreu demasiadas vezes às aberturas largas de Viana e muito menos a uma circulação mais dinâmica. Para mais, a equipa viu-se forçada, com as lesões, a mudar muitas posições e isso descaracterizou bastante a sua performance. O jogo acabou por lhe sorrir numa inspiração de Mossoró, mas não foi pela segunda parte que o Braga mais mereceu elogios.

Em relação ao Benfica, não dá para dizer que a equipa tenha feito um mau jogo. Nomeadamente, não acumulou um grande número de perdas em posse, apesar da pressão do Braga: um tipo de problema em que foi reincidente na pior fase da época. Mas dá também para assinalar, e de novo, a falta que o critério em posse faz a esta equipa. Especialmente, como foi o caso, em jogos onde a sua primeira fase de construção é condicionada. Algo que pode ser preocupante se tivermos em conta que, na Liga Europa, encontrará seguramente adversários mais dispostos a causar este tipo de problemas.

Notas individuais
Roberto – Salvou a equipa em algumas ocasiões, mas o golo é absolutamente imperdoável – bem mais do que aquele que sofrera frente ao Sporting. Sabe-se que os guarda redes vivem muito de estados de confiança e, por isso, é importante que Roberto recupere rapidamente desta fase, porque avizinham-se jogos decisivos e perante adversários com muitas armas no jogo aéreo.

Coentrão – Grande jogo do lateral. Impressionante a sua presença no jogo, vencendo um número infindável de duelos e ainda estando disponível para dar profundidade ao corredor. Obviamente que ganhou com a entrada de Gaitan, com quem se entende muito melhor.

Luisão – Não é novidade que seja ele o “patrão” do sector, mas, desta vez, esteve mesmo a grande distância daquilo que fez Sidnei.

Javi Garcia – Depois do brilharete frente ao Sporting, estava a fazer um jogo útil para equipa. Ou seja, não estava a ser suficiente para evitar o domínio do Braga, mas estava a manter um bom apoio posicional à zona central e sem erros comprometedores em posse, até à expulsão.

Carlos Martins – Não decidiu sempre bem, mas teve um papel difícil e que exerceu com bastante sucesso no jogo. Ou seja, frequentemente foi forçado a jogar sob grande pressão, à saída da zona de construção, dependendo do sucesso das suas acções, ou a perda de bola em zonas proibitivas, ou a possibilidade de explorar o espaço entre linhas do adversário. A verdade é que Martins não teve qualquer perda comprometedora e esteve na génese da maioria dos ataques rápidos da equipa. A equipa perdeu com a sua saída e não apenas por motivos de ordem táctica.

Menezes – O pensamento indutivo, tem-no sob mira. Far-se-á, sempre, uma relação directa entre a derrota e a sua utilização. A verdade é que Menezes, longe de ter feito um jogo fantástico, cumpriu perfeitamente o que dele se exigia, trabalhando bem defensivamente e participando também com correcção em termos ofensivos.

Jara – Esforçado, sim, mas com pouca utilidade para a equipa. Especialmente na segunda parte, onde a possibilidade de dar profundidade foi menor. Não dá para fazer grande critica, dada a sua utilização fora de posição. Não me espanta que Fernandez fique na bancada – referi-o antecipadamente – mas continua-me a espantar como é que o Benfica o foi buscar no mercado de Inverno!

Hugo Viana e Mossoró – Não apenas pelos golos, os melhores em campo. Viana exagerou demasiado no passe longo, na segunda parte. Uma opção que, prevista ou não, acabou por impedir que os movimentos envolventes de Mossoró dessem sequência ao que prometeram, logo após a sua entrada.

Silvio – Fala-se na sua transferência para o Porto. É jogador útil, pela sua versatilidade e, sobretudo, pela sua capacidade de antecipação e leitura defensiva (ainda que tenha de corrigir alguns aspectos posicionais). Não tem, porém, capacidade ofensiva para poder ser uma mais valia numa equipa como o Porto.

Lima – Outro que se fala poder mudar-se para o Dragão. Lima é um jogador muito difícil de neutralizar, porque tem uma boa capacidade de movimentação – joga muito bem com a última linha – e, sobretudo, porque é um temível finalizador. O seu lado menos forte é o jogo interior, onde não é um jogador muito consistente. Mas pode encontrar o seu espaço numa equipa como o Porto, mesmo que não seja como primeira opção.

Ler tudo»

ler tudo >>

3.3.11

Benfica: notas individuais do derbi

ver comentários...
Javi Garcia – Claramente a “chave” do jogo, em termos individuais. Não só pelo golo – que não é de bola parada, note-se – mas sobretudo pelo domínio avassalador que exerceu no jogo aéreo na sua zona. Foi o jogador que mais lances ganhou e foi o mais importante no jogo de primeiras e segundas bolas que, como ontem escrevi, foi absolutamente crucial no jogo.

Cardozo – Elogiei o seu momento frente ao Marítimo, apesar de não ter marcado. Desta vez, de novo, destacou-se por ter falhado uma penalidade. Mas voltou a ter uma grande presença e influência, quer fora da área, quer fora dela. Repito, que nem sempre foi assim ao longo da época.

Luisão – Foi mais exposto do que Sidnei e respondeu quase sempre bem. “Quase”, note-se, porque não foi um jogo imaculado. Mas, sem dúvida, foi com Javi uma das grandes forças da equipa.

Coentrão – Voltou a estar eléctrico. Não foi soberbo, mas foi muito bom. Dentro do seu nível, que é elevadíssimo.

Salvio e Gaitan – Trabalharam bem, mas estiveram pouco inspirados ofensivamente, tanto um como outro, mas sobretudo Salvio.

Saviola – Havia referido que está longe da influência de alguns meses e voltou a demonstrar isso mesmo. A constante procura dos corredores laterais limita as suas acções, mas também é verdade que pode ter maior influência.

ler tudo >>

10.2.11

Argentina - Portugal: Análise e números

ver comentários...
Tal como escrevi ontem, estes jogos, apesar de amigáveis, ficam bem vincados no registo histórico. É aí que começa o sentimento de alguma frustração pela derrota averbada. Uma frustração que se justifica também pelas outras conclusões do jogo. Ou seja, Portugal pode ter defrontado uma das potências do futebol mundial, mas não se mostrou inferior ou com menos possibilidades de poder sair vencedor. Pelo contrário, aliás, creio que mostrou mais qualidades do que o seu adversário. Mais consistência colectiva e menos dependência da sua “estrela”. Messi, de resto, é um personagem fundamental na história do jogo, e não pela penalidade decisiva.

Notas colectivas
A “nuance Messi” começou por marcar o jogo e definiu, também, o único período em que Portugal não foi melhor no jogo: a primeira meia hora.

Messi apareceu a jogar como falso “9”, partindo do meio dos centrais, mas raramente jogando perto destes. Ou seja, ao baixar, Messi criou um problema zonal ao bloco português. Os centrais ficavam sem referência de marcação e o meio campo com uma constante desvantagem numérica, um problema agravado pela qualidade de Messi sempre que tinha a bola. O que fazer?

A resposta é simples. Encurtar os espaços entre sectores, particularmente entre a linha média e a mais recuada. Portugal não o fez imediatamente e, por isso, sentiu algumas dificuldades em controlar os espaços dentro do seu bloco nos primeiros 30 minutos. Quando juntou mais as linhas, Messi teve de baixar progressivamente no campo, recuando para zonas onde o seu protagonismo não tem a mesma consequência.

Aqui, há outro aspecto a abordar, e onde creio que Portugal não esteve tão bem: o pressing. Não era muito fácil, perante o “problema Messi”, subir a linha média para pressionar, mas era importante definir uma zona pressing agressiva e organizada, que diminuísse o tempo de decisão à primeira fase de construção contrária, até pela características incisiva dos extremos – Di Maria e Lavezzi – fortes no aproveitamento das costas. Portugal melhorou na segunda parte, onde subiu linhas com mais critério e menos compromisso dos espaços interiores, mas não teve a agressividade do jogo com a Espanha, por exemplo.

Tudo somado, Portugal perdeu o jogo por algum défice de concentração na recta final, mas foi na parte inicial que menos conseguiu controlar a estratégia argentina. Assim que corrigiu comportamentos e retirou espaço a Messi, Portugal foi claramente a melhor equipa, mais organizada e clarividente em termos tácticos e, também, mais próxima do golo.

Perdemos mas, em definitivo, esta parece-me uma equipa com sérias possibilidades de discutir o título europeu.

Notas individuais
João Pereira – As atenções mediáticas estavam centradas do outro lado do campo, em Coentrão, mas foi João Pereira quem arrancou mais uma excelente exbição. É um grande lateral, com algumas lacunas, é certo, mas não me parece que haja muitas Selecções com alguém melhor do que ele na sua posição.

Coentrão – Não foi, de facto, o melhor jogo para demonstrar o seu valor. Di Maria e Zanetti são um corredor duro de enfrentar. Coentrão bateu-se bem, mas não conseguiu o protagonismo habitual. A pintura, porém, só ficou mesmo borrada no último minuto.

Meireles – Tinha feito um grande jogo com a Espanha e neste não se pode apontar-lhe nada em termos de atitude e entrega. Acontece que foi uma das grandes vitimas da tal liberdade de Messi. Teve sempre mais do que um jogador a cair na sua zona e isso condicionou-lhe a acção de forma determinante. Para mais, acabou por cometer alguns erros invulgares em posse na segunda parte. Note-se, porém, que é um médio de grande qualidade e um indiscutível da Selecção, seja em que posição for do meio campo. A sua valia, aliás, fica bem clara na rapidez com que se impôs no Liverpool.

Hugo Almeida – Todos lhe apontarão o dedo pelos 2 golos que falhou – particularmente o segundo. No entanto, Hugo Almeida teve uma acção preponderante em termos ofensivos. Teve em todos os desequilíbrios da equipa, fez 1 assistência e ainda enviou 2 bolas à barra. Outro aspecto onde esteve bem foi no domínio das primeiras bolas. É importante, porém, que haja um melhor aproveitamento da equipa no posicionamento das segundas bolas, porque poucas foram as vezes em que as suas acções, nesse capítulo do jogo, tiveram consequência.

Messi vs Ronaldo – Aparentemente será um disparate valorizar este duelo. Em termos práticos, porém, a história diz-nos que não é assim. Um particular entre Argentina e Brasil dos anos 80 tem interesse por causa de Zico e Maradona. Nos anos 60, Brasil e Portugal poderiam jogar “a feijões”, que Pelé e Eusébio seriam sempre um ponto de interesse. Se há motivo pelo qual este jogo pode ser relembrado no tempo, é por este duelo e nada mais.
Messi terá levado a melhor, sobretudo pela vitória argentina e pela sua influência directa na mesma. Mas é uma vantagem que se torna irrelevante porque ambos estiveram em grande nível e, claro, porque Ronaldo jogou apenas 2/3 do jogo.



Ler tudo»

ler tudo >>

3.2.11

Porto - Benfica: Análise e números (Benfica)

ver comentários...
Notas colectivas
É mais engraçado falar-se de “vitórias tácticas” e outras coisas que tal. O facto é que os alicerces da vitória encarnada são, a meu ver, três: atitude, eficácia e qualidade. Sendo que a qualidade sempre esteve lá, só que quase sempre, e quase todos, só a vêm depois de saberem o resultado.

Quanto ao lado táctico, na verdade, não há assim tanta novidade. A equipa jogou em 4-4-2 clássico como já fizera em tantas outras ocasiões, nomeadamente nos jogos da Liga dos campeões. Mesmo frente ao Porto, no “pesadelo” do Dragão, havia apresentado uma linha de 4 no meio campo. Mas houve uma diferença, de facto.


No jogo para o campeonato, e apesar da tal aproximação de Martins a Garcia, não existiu qualquer preocupação em relação aos movimentos de Belluschi em largura. O argentino libertou-se algumas vezes e nessas ocasiões teve um impacto decisivo. Desta vez, Jesus foi precavido como já devia ter ido para o primeiro jogo. É que esse tipo de movimentos são comuns no Porto. Muito mais do que o nome do jogador, houve a preocupação de o alertar para o que teria de ser feito. O facto de ter jogado Peixoto, o que não é normal, ajuda a realçar a preocupação do treinador, mas ela podia ter existido mesmo mantendo Aimar ou Martins no meio campo.

De resto, e aproveitando a vantagem que conseguiu, o Benfica esteve sempre muito bem e ao seu nível. Conseguiu potenciar o erro do adversário e levar a melhor através da pressão e agressividade que introduziu. Depois, e com o passar do tempo, acabou por ter de assumir uma postura mais posicional, sobretudo após a expulsão. Durante muito tempo conseguiu evitar uma exposição dos centrais e quando o Porto os forçou a abrir mais pelos movimentos de Hulk, eles responderam bem, contando também com uma cobertura solidária da equipa.

É importante, finalmente, destacar o papel fundamental de Sálvio e Gaitan no desempenho táctico da equipa. Há algum tempo que venho escrevendo que os argentinos estão perfeitamente ao nível das exigências defensivas do modelo e que há uma visão tão generalizada como mal fundamentada sobre a sua utilidade táctica. Isso foi mais claro neste jogo, mas não foi novidade nenhuma.

Notas individuais
Coentrão – Espectacular actuação! De tal modo que, mesmo expulso, acho que merece o estatuto de melhor em campo. Discute-se se deve ser defesa ou médio, mas há jogos onde Coentrão parece ser defesa e médio ao mesmo tempo, tal a intensidade que coloca nas suas acções.

Luisão e Sidnei – Estiveram ambos bem. Melhor Luisão, sobretudo porque não cometeu alguns erros do seu parceiro, mas ambos estiveram bem. É certo que protegidos pela equipa, mas corresponderam bem quando foram forçados a sair da sua zona.

Javi Garcia – Marcou um golo importante e esteve bem na sua missão posicional. O facto da equipa não ter assumido um jogo com mais posse, ajuda-o porque claramente não se sente muito confortável nesse momento. Tudo somado, esteve praticamente perfeito em tudo o que fez.

Peixoto – Fez de facto um bom jogo. Cumpriu a missão específica sobre a esquerda e com bola também esteve bem.

Gaitan – As estatísticas indicam-no há muito e aquilo que aqui venho escrevendo deve começar a ser mais evidente com o passar do tempo. Mantém-se sem a intensidade (com e sem bola) que o poderia catapultar para outro rendimento, mas é um jogador de grande qualidade técnica e muito útil tacticamente, porque, simplesmente, se posiciona bem, no local certo e no tempo certo. Recuperou um número muito elevado de bolas apenas e só porque entende a sua missão táctica.

Salvio – Não teve o protagonismo de Gaitan no trabalho defensivo, mas é bom notar que também Salvio se relaciona muito bem com Maxi no corredor. Muito rápido a compensar o lateral e, mesmo que não tenha tido grande impacto no jogo, esteve bem na generalidade das oportunidades que teve para jogar.

Cardozo – A meu ver, não se justificava a sua permanência em campo depois da expulsão de Coentrão. Ainda assim, é de notar o esforço que fez na sua missão, conseguindo muitas vezes ser útil em situações muito complicadas, e quase construindo um golo praticamente sozinho. O ponto sobre Cardozo é que a sua capacidade de trabalho parece aumentar em jogos de maior grau de dificuldade. O que indicia que se lhe pode exigir noutras ocasiões onde até lhe é mais fácil fazer mais.



Ler tudo»

ler tudo >>

19.1.11

Académica - Benfica: Análise e números

ver comentários...
Foi, começo por dizer, um jogo algo atípico em termos de eficácia. Atípico e pela negativa, porque foram criadas muitas oportunidades para o magro golo concretizado. A consequência desta situação é que para ambas as equipas terá ficado a sensação de um jogo mal aproveitado. A verdade, porém, é que a vitória assenta bem ao Benfica, justificando-se, a meu ver, tanto os 3 pontos como a margem mínima. Uma opinião que não invalida uma outra, mais critica em relação a alguns aspectos da exibição benfiquista.

Notas colectivas
Com a expulsão, a coisa acentuou-se ainda mais, mas foi sempre um jogo muito confortável para o Benfica em termos de primeira fase de organização. Isto, porque a Académica teve como estratégia dar alguma liberdade ao papel do trio formado pelos centrais e Airton na saída de bola, mas bloqueando sempre a saída pelos corredores e – mais importante ainda – muito bem os espaços em zonas próximas da área, onde habitualmente surge a solução Saviola. A neutralização do papel do “Conejo”, aliás, parece-me ter sido a grande virtude de uma estratégia estudante, que, parcialmente, obteve bons resultados. Parcialmente, reforço.

Perante isto – e aqui surge a primeira critica ao Benfica – a equipa da Luz não teve grande capacidade de resposta. Não conseguiu encontrar Saviola, não conseguiu descobrir algumas das suas habituais combinações nas alas e faltou-lhe muitas vezes o arrojo para inventar algo de novo, em ataque posicional.

Só que, e apesar disto, o Benfica foi beneficiando do amplo domínio que ia tendo e, em situações circunstanciais mas frequentes, foi-se aproximando de forma assinalável do golo, acabando por justificar a vantagem que conseguiu ao intervalo. Por exemplo, algumas das melhores jogadas encarnadas resultaram de combinações após lançamentos laterais à esquerda, uma situação que normalmente dá vantagem a quem defende e que, como é óbvio, merece revisão por parte da Académica.

A outra critica que há a fazer ao Benfica é mais óbvia e tem a ver com a segunda parte. Jesus falou do desgaste físico provocado pela sobrecarga de jogos, mas acho difícil que a parte física seja realmente o problema de uma equipa que jogou em superioridade numérica e que não teve de travar grandes duelos em termos físicos. Na verdade, acho possível que se recorra ao desgaste como justificação, mas terá sempre de ser um desgaste mental, responsável por uma menor capacidade de decisão e criatividade no último terço, e que explique, assim, tanto domínio e tão poucas situações de finalização. Seja como for, não me parece que se deva aceitar o desgaste como desculpa, seja ele mental ou físico, parecendo-me que houve – isso sim – algum relaxamento imprudente para um jogo que, parecendo resolvido, não o estava.

Nota sobre a Académica para assinalar que a equipa deve estar contente com muito do que fez. Não discutiu nunca o jogo em termos de domínio, mas também nunca o pareceu querer fazer. Tinha, isso sim, uma estratégia centrada no controlo dos espaços considerados mais importantes e numa transição que conseguisse aproveitar a característica e largura do seu trio ofensivo. Isso foi, em alguns casos, muito bem conseguido, mas faltaram detalhes que acabaram por dar ao Benfica as brechas que precisava. Seja como for, a expulsão penalizou muito a equipa e é possível pensar que em igualdade numérica pudesse ter causado mais dificuldades na segunda parte.

Notas individuais
Ruben Amorim – A lateral era outra alternativa para ele, conseguindo um nível idêntico – em alguns aspectos superior – ao de Maxi. É pena, para ele e para o Benfica, que se tenha lesionado.

Coentrão – Grande jogo, outra vez. Está de volta às grandes exibições, recuperando do mau período iniciado na traumática derrocada do Dragão. Agora, ainda por cima, parece ter um entendimento muito maior com Gaitan, o que ainda o beneficia mais. Apenas realçar que Coentrão não é um dos melhores do mundo apenas pelo que faz ofensivamente. Defensivamente também é, invariavelmente, o dono do seu corredor.

Airton – Tinha falado, durante a semana, da falta de presença de Javi Garcia em posse. Pois bem, Airton fez 77 passes completados no jogo! É certo que o jogo permitiu-lhe aparecer mais, é certo, também, que não é um jogador forte na capacidade de passe, mas é também um dado adquirido que é um jogador que privilegia a segurança e que tem muito mais presença do que Javi Garcia nessa função (Javi nunca chegou sequer perto destes números em qualquer jogo). Em termos de domínio da sua zona também ganha em relação ao espanhol, ficando apenas a dúvida em alguns pormenores posicionais que podem ser importantes e onde Garcia é mais forte. Aspectos que podem ser corrigidos e que não impedem que se justifique uma aposta mais séria neste brasileiro.

Gaitan – Posicionalmente voltou a cumprir o seu papel, talvez até melhor do que noutras ocasiões, sendo um jogador útil nos momentos defensivos e entendendo-se cada vez melhor em termos posicionais com Coentrão. O problema foi no capítulo técnico. Vários pormenores que revelam o seu enorme talento, várias aparições, mas poucas consequências práticas. Denota sempre alguma displicência quando os jogos estão resolvidos e este pareceu-lhe resolvido cedo de mais.

Carlos Martins – Em parte foi um dos responsáveis pelas dificuldades da equipa em ataque posicional. Mas, por outro lado, foi dos elementos mais presentes nas principais jogadas da equipa, o que compensa claramente a primeira critica. Compensa, mas não a apaga.

Saviola – Foi a grande vitima do bom jogo posicional da Académica e, já agora, da incapacidade da própria equipa em alguns aspectos. A sua preponderância não foi a habitual e, por isso, não tenho desta vez quaisquer elogios a fazer-lhe. Aliás, reavivo uma critica: Saviola, com Cardozo, produz muito pouco para uma pressão defensiva que se pretende agressiva e potenciadora de erros na posse adversária.



Ler tudo»

ler tudo >>

12.1.11

Leiria - Benfica: Análise e números

ver comentários...
Dizer que foi um jogo muito confortável é sempre um exagero para uma partida que passou a maior parte do seu tempo num resultado tangencial. A verdade, porém, é que entre Benfica e Leiria houve sempre um grande diferença no que respeita à proximidade com o golo. E esse, a meu ver, é sempre o indicador mais importante em qualquer jogo de futebol: a proximidade com o golo. Tudo somado, é Jesus quem tem motivos para sorrir.

Notas colectivas
Na verdade, a superioridade do Benfica, facilmente observável, não resultou de um domínio territorial avassalador, nem, tão pouco, de uma exibição soberba em termos técnicos. Resultou, isso sim, de uma mais competente ocupação dos espaços, para além, claro, das evidentes mais valias individuais que a equipa possui. Ou seja, a União conseguiu dividir o jogo territorialmente em diversos momentos, mas teve muita dificuldade em controlar todos os espaços do campo, especialmente quando a bola viajava rapidamente de uma zona para a outra.

De notar, por exemplo, que várias das mais perigosas jogadas encarnadas resultam do mesmo tipo de lance. Com a bola a ser colocada rapidamente nas costas do meio campo leiriense e a causar muitos problemas de equilíbrio no extremo reduto contrário. Isto, porque o Leiria ficava com pouca gente atrás da linha da bola e incapaz de controlar a largura do campo. Por isso vimos tantas vezes Gaitan aparecer solto na esquerda a partir de jogadas deste tipo.

Ainda assim, nem sempre o jogo foi igual. Na segunda parte, por exemplo, observou-se uma reacção positiva do Leiria, com maior agressividade e maior proximidade entre os jogadores nas zonas de pressão. O Benfica teve mais dificuldades em dominar o jogo – essencialmente porque foi ineficaz no momento em que ganhava a bola – mas é curioso observar-se que não foi nesse período que o Leiria foi mais perigoso. Aliás, à parte de um pontapé de canto, não teve qualquer chegada sequer ameaçadora à área encarnada, ao contrário do primeiro tempo.
Porquê, então, ter o Leiria chegado com mais condições à área contrária no período em que menos conseguiu dividir o jogo? A resposta é óbvia e recorrente no Benfica 10/11: porque na primeira parte o Benfica perdeu 6 bolas em zonas recuadas e na segunda não perdeu nenhuma. O problema da transição defensiva do Benfica não é, nem nunca foi, a recuperação em si mesmo. Foi, isso sim, a zona de perda de bola. Foi, e é.

Outra constatação que foi tirada no final do jogo teve a ver com associação da entrada de Ruben Amorim com um melhor período do Benfica. É verdade que coincidiram, é verdade que Ruben entrou bem e que era uma aposta que se justificava, mas, até pelo que escrevi antes, não entendo que o problema do Benfica na segunda parte tivesse a ver com o que fazia sem bola. Aliás, se o Leiria nunca se aproximou com perigo da área do Benfica, acho difícil sustentar essa tese. Teve, isso sim, muito mais a ver com aquilo que o Benfica não conseguira fazer com bola depois do intervalo. E, aí, não se pode dissociar as oportunidades na recta final do jogo com o risco táctico assumido por Caixinha. Tal como a entrada de Amorim, coincide com o melhor período do Benfica no final do jogo, só que, parece-me, tem um correlação muito maior com a alteração de tendência observada.

Em relação ao Leiria, é uma equipa que vejo cometer muitos erros posicionais nos jogos com os grandes. Está a fazer um excelente campeonato e continua a ter bons jogadores, mesmo depois da saída de Carlão e Silas, mas não tenho a certeza de que terá o mesmo andamento depois destas perdas. Falando de Carlão, aliás, é uma perda importante para o futebol português. Estava a ser um dos melhores avançados do campeonato e, não tenho grandes dúvidas, tinha condições para merecer a aposta de um “grande”. Apesar de ter ido para muito longe, tem ainda tempo para que possamos ouvir falar dele...

Notas individuais
Coentrão – Voltou a fazer um grande jogo, sendo apenas de se lamentar 2 más entregas no primeiro tempo que colocaram em risco a equipa. De resto, muito bom, quer a defender quer a atacar. É um dos melhores defesas esquerdos do mundo.

Javi Garcia – É como um relógio, tanto em relação à sua compreensão dos equilíbrios tácticos, como em relação às perdas de bola que acumula em todos os jogos. Francamente, custa-me a entender como continua a ser dono inquestionável do lugar quando revela tantas dificuldades com bola.

Carlos Martins – Não conseguiu ser um jogador determinante em termos ofensivos – frequentemente é – mas foi, com alguma distância, o mais participativo em termos de posse. Fez, em termos de eficácia em posse, um jogo ao nível da equipa, perdendo 1 bola comprometedora na primeira parte. Defensivamente, é o habitual: não tem grande capacidade de trabalho mas mantém, tal como todos, um posicionamento base correcto.

Gaitan – Foi fácil este jogo. Devagar, sem grande agressividade nem grande inspiração e, mesmo assim, cumpriu posicionalmente e foi determinante ofensivamente. Porquê? Porque Gaitan compreende bem onde tem de estar, quer com bola, quer sem ela, e porque tem um pé esquerdo que cruza como poucos (provavelmente o melhor da liga como já venho alertando há algum tempo). Apareceu no espaço certo, a bola ia-lhe sendo colocada e ele cruzava. O resto, todos viram...

Salvio – Não foi uma exibição eufórica como frente ao Rio Ave, mas Salvio vem confirmando a característica que lhe venho descrevendo: ou seja que é um extremo forte em zonas de finalização e que por isso se encontra facilmente com o golo. Fez uma assistência, criou a jogada do segundo golo e ainda perdeu mais 2. Não dá para pedir mais...

Saviola – Começou por ser o grande destaque do jogo pela frequência com que apareceu a desequilibrar. A sua invulgar qualidade de movimentos sem bola continua a fazer mossa com uma regularidade incrível e se Saviola tivesse outro nível de aproveitamento seria um destaque ainda maior. Na segunda parte não apareceu tanto e decidiu pior, com a equipa a ressentir-se. Nota para a pouca eficiência em termos defensivos.

Cardozo – Foi, durante muito tempo, muito discreto e, pessoalmente, gosto pouco de ver jogadores a passar tanto tempo longe do jogo. No entanto, e ao contrário do que muitas vezes acontece, manteve sempre uma participação positiva a cada intervenção, acabando por emergir em grande plano na recta final do jogo.

Ruben Amorim – Como escrevi atrás, a sua entrada justificava-se e justificou-se. Ruben é um jogador muito completo e que dava, em relação a Gaitan, maior agressividade e presença ao jogo. Mesmo, se não tem o mesmo talento. Numa altura em que se aguarda para ver José Luis Fernandez, arrisco que Ruben será o único jogador com capacidade para discutir, realmente, um lugar no meio campo com Gaitan, Salvio e Martins, até porque tem mais valias diferentes.



Ler tudo»

ler tudo >>

6.12.10

Benfica - Olhanense: Análise e números

ver comentários...
A pouca exuberância da exibição encarnada é tão indiscutível como a justiça da vitória. Ou seja, se é evidente para todos que furar o bloco algarvio não foi tarefa fácil, também fica bastante claro que foi sempre o Benfica quem teve o domínio do jogo. Aliás, de forma crescente no jogo. Neste contexto, haverá alguns dados quantitativos que deverão surpreender quem viu o jogo. Dados que evidenciam o tal domínio encarnado, mas que, bem vistas as coisas, faziam já parte do “filme” que estava preparado para este jogo.

Notas colectivas
Começando então pelos números: o Benfica conseguiu seu o maior número de passes completados num jogo, nesta liga. Conseguiu também a maior % de sucesso ao nível do passe, aqui com uma distância substancial em relação ao anterior máximo colectivo (76%, frente ao Paços). Tudo isto se torna um pouco mais normal se analisarmos o que o Olhanense havia feito, tanto no Dragão, como em Alvalade. Ou seja, também nesses jogos havia permitido uma enorme quantidade de passes aos adversários (mais de 400), mas havia também limitado a sua capacidade de desequilíbrio no último terço. Aliás, é de assinalar que Porto e Sporting conseguiram menos ocasiões frente à equipa de Olhão do que o Benfica.

Fica fácil de perceber, por estes números, que a proposta de jogo do Olhanense dificilmente causaria problemas à circulação baixa do Benfica – nunca causou. Mas é também fácil perceber que as dificuldades do Benfica no último terço não são apenas consequência de demérito próprio, mas o destino natural de quem defronta uma equipa tão confortável a jogar “em cima” da sua área, como é o caso do Olhanense.

O jogo só não teve uma toada mais monótona, logo desde o inicio, porque na primeira parte o Olhanense permitiu-se dar profundidade a algumas transições, colocando em sentido a defensiva encarnada. Situações que tiveram sempre origem em recuperações baixas, mas que, ou por displicência em posse, ou por desequilíbrio posicional do Benfica, acabaram do outro lado do campo, perto da baliza de Roberto. Algo que o Benfica corrigiu com o tempo, particularmente na segunda parte, controlando melhor o momento de transição do Olhanense e tornando-se mais seguro em construção – aqui, com a contribuição da maior segurança dada por Carlos Martins.

Corrigido esse problema, controlado o Olhanense e encontrado o caminho do golo – desvendado por Moretto – o jogo ficou realmente monótono. O Benfica continuou a tentar, Jesus experimentou algumas variantes ofensivas, mas a toada nunca fugiu da repetição de ataques posicionais perante um bloco baixo mas pouco permeável. Perante este cenário, o segundo golo explica-se pela aplicação do ditado da “água mole em pedra dura”, terminando assim com o jogo e com quase todo o interesse que o mesmo poderia ter.

Notas individuais
Maxi – Chegou tarde e não começou bem. Mas Maxi é um bom lateral, capaz de valer muito mais do que tem valido. Frente ao Olhanense fez, finalmente, um grande jogo. Estatisticamente foi o jogador mais participativo e teve, na segunda parte, um papel importante no controlo do primeiro passe de transição do Olhanense.

Coentrão – Continua a ser um excelente lateral, mas perdeu grande parte da sua confiança no jogo do Dragão. De lá para cá – e já vamos com 3 jogos – não foi protagonista de 1 só desequilíbrio ofensivo. Desta vez, Jesus até tentou abrir-lhe caminho, colocando Amorim muito tempo do seu lado, mas não foi desta que Coentrão voltou a explodir. Tem tempo...

David Luiz – Outro que, como Maxi, fez a sua melhor exibição em termos globais, na liga. Tem sido muito criticado e, de facto, não tem sido uma época condizente com o seu potencial. Estou de acordo até certo ponto, mas há muito exagero nas apreciações que lhe têm sido feitas. Muito, mesmo!

Javi Garcia – Continuo a pensar que não dá as melhores garantias para o lugar. É culto em termos posicionais e forte nas primeiras bolas. Mas não é, nem dominador na sua zona, nem seguro em posse – todos os jogos acumula perdas de bola em zona de construção. Numa equipa que procura tantas vezes verticalizar e que perde, por isso, noção da segurança em zona de construção, não era mal pensado se Jesus procurasse uma solução que oferecesse à equipa mais segurança e presença na construção.

Aimar – Permanece longe do rendimento da época passada e parece-me discutível se deve ser titular, tendo em conta o rendimento que vem apresentando. Fala-se muito nas alas do Benfica, mas parece-me que é no eixo Garcia-Aimar que o Benfica mais tem a perder em relação ao ano passado. Muito mais, aliás!

Gaitan – O mito de que é um jogador de corredor central, desfaz-se em 2 constatações. A primeira é que um jogador de corredor central não pode construir em transporte de bola, como faz Gaitan. As suas investidas em zona central podem desequilibrar, mas têm de ser controladas porque continua a perder algumas bolas de forma proibitiva quando aparece em construção (creio que foi por isso que saiu). A segunda constatação tem a ver com a sua capacidade de cruzamento: é o jogador que, para mim, melhor cruza no futebol português e isso é suficiente para lhe valer uma capacidade de desequilíbrio acima da média.

Ruben Amorim – Diz-se que a equipa ganha equilibro com a sua chegada. Concordo, sim, mas faço uma nota idêntica à que utilizo sempre com Moutinho. Ou seja, Amorim não é um jogador excepcional em nenhum aspecto específico. É, isso sim, um jogador útil em tudo. Tem uma óptima percepção táctica e posicional, quer ofensivamente, quer defensivamente, é seguro em posse e tem boa capacidade de trabalho. Neste momento, ninguém combina tudo isto no meio campo do Benfica.

Cardozo – Duvido que haja algum avançado no mundo que não jogue melhor quando marca golos. Desde que regressou, Cardozo está mais participativo (embora ainda não muito) e, sobretudo, bem mais inspirado e eficaz (não falo de golos, mas de todas as acções).

Paulo Sérgio – O Olhanense tem outros jogadores a observar, mas este mereceu-me especial atenção. Foi muito importante na melhor fase colectiva, aparecendo bem em transição e transportando a equipa para alguns ataques rápidos. Jogou muitas vezes solto e revelou boa capacidade de movimentação, boa intensidade sem bola e um notável critério com ela. Não lhe faço com isto uma avaliação definitiva, mas creio que nesta altura da sua carreira merece uma análise cuidada de clubes maiores...



Ler tudo»

ler tudo >>

16.11.10

Benfica - Naval: Análise e números

ver comentários...
“Foi um bom espectáculo”. A frase é empregue frequentemente mas nem sempre com a justiça com que este jogo a mereceu. Um “bom espectáculo” não quer dizer forçosamente que tenha sido um “bom jogo”, ou que o seu interesse tenha sido por aí além. Enfim, será mais uma questão de gosto do que outra coisa. A mim, pessoalmente, interessa-me mais o critério, a estratégia e racionalidade colectiva. Também gosto mais do espectáculo, claro, mas quando este resulta do mérito e não tanto de algum desleixo na abordagem que é feita ao jogo. E esse foi, a meu ver, um pouco o caso deste Benfica-Naval. Um “bom espectáculo”, muito mais do que um “bom jogo”. No fim, ganhou o Benfica e por larga diferença. Uma diferença que se justifica pelo volume ofensivo, mas que poderia ter sido atenuada com um golo que a Naval também não deixou de justificar.

Notas colectivas
Como se explica então o ritmo de parada e resposta que se viu durante muito tempo, nomeadamente na primeira parte? Sem tirar mérito – que o houve – às acções ofensivas, há que falar daquilo que as defensas não fizeram. Isto porque, se a Naval tem aspirações de retirar pontos a um “grande”, não pode cometer tantos erros na sua linha mais recuada e, por outro lado, o próprio Benfica não pode esperar deixar de passar por sobressaltos se não se acautelar melhor defensivamente.

Em relação ao Benfica, já acontecera a mesma situação com o Paços, que também conseguira um número de finalizações elevadíssimo na Luz. Desta vez a origem não é exactamente a mesma, porque o Paços conseguira impedir o Benfica de sair a jogar através de um pressing mais alto que forçou o Benfica a bater bolas longas e a disputar um jogo mais físico no meio campo. Desta vez, a origem não se repetiu mas o “meio” foi o mesmo.

Ou seja, o Benfica foi, é e continuará a ser uma tacticamente forte. Muito forte, mesmo. Posiciona-se muito bem em todos os momentos e reage rapidamente a todas as mudanças de situação no jogo. O problema é que o modelo de Jesus é bastante exigente porque arrisca sempre muito quando em posse da bola. Opta por uma circulação muito vertical e não hesita em colocar muita gente nos processos ofensivos. Neste sentido, o maior problema desta época – como várias, e várias vezes tentei explicar – está na segurança do passe na zona de construção. Ou seja, perdendo a bola em zona não muito alta, torna-se muito difícil lidar com a transição ataque-defesa, mesmo se a reacção colectiva me parece francamente boa após a perda. Foi isso que custou derrotas como as da Supertaça, de Guimarães, frente a Schalke ou Lyon.

Contra a Naval isso não aconteceu com especial frequência ou gravidade, mas houve alguma displicência na forma como a equipa defendeu, empregando pouca agressividade em duelos individuais que, sendo sucessivamente perdidos, abriram caminho às ocasiões que todos observamos na primeira parte do jogo.

Quanto à Naval, para além de ter permitido muitas ocasiões por parte do Benfica – normalmente uma goleada resulta de uma eficácia assinalável, mas este nem foi um desses casos – permitiu também que essas ocasiões fossem bastante claras. Para comprová-lo basta atentar a este dado: enquanto que no campeonato, o Benfica leva apenas, e média, 40% das suas finalizações à baliza, neste jogo 15 em 20 (75%) tiveram esse desfecho. De assinalar os inúmeros erros que a equipa cometeu no seu último terço, em particular na sua última linha defensiva.

Notas individuais
Coentrão – Não se pode dizer que tenha jogado mal, mas foi uma actuação francamente modesta e discreta para as suas potencialidades, e num jogo que tinha tudo para conseguir outro protagonismo. Pode ser coincidência, mas é impossível deixar de constatar que tal acontece no primeiro jogo após a hecatombe do Dragão.

David Luiz – Ao contrário do que aconteceu no Dragão, creio que a sua actuação deve ser censurada. A forma como abordou os duelos com Fábio Junior foi displicente e custou-lhe a perda de algumas situações proibidas e desnecessárias. Parece desleixo, e parece também estranho porque o aviso sobre a qualidade de Fábio Júnior já vinha do ano anterior.

Airton – Foi o jogador com mais passes completados, com mais intercepções e com maior % de passe da equipa. Um feito que Javi Garcia, nas 10 utilizações como titular nunca havia conseguido. Aliás, Garcia só por 2 vezes fez mais passes do que Airton neste jogo, e em nenhuma ocasião conseguiu tantas intercepções. O espanhol entenderá melhor o modelo e terá uma melhor noção posicional, mas não é, nem tão reactivo, nem tão forte nos duelos individuais, nem tão pouco tão certo no passe como Airton (apesar deste ter cometido 2 erros a este nível). Não digo que Airton só tenha vantagens, ou que o Benfica esteja mal servido com Javi, mas creio – já de há algum tempo, e com sucessivo reforço dessa ideia – que é o brasileiro quem garante melhor rendimento no desempenho do lugar.

Aimar – Fez provavelmente o seu melhor jogo no campeonato. Isto, porque o número de desequilíbrios que criou é incomparável com qualquer outra actuação na prova, ficando a dever a si próprio pelo menos 1 golo, que só por manifesta infelicidade não aconteceu. Ainda assim tenho uma critica a apontar-lhe. 60% de sequência em todas as posses que teve é muito pouco para quem joga ao longo de todo o corredor central. Aimar pode e deve trabalhar melhor o critério quando baixa para zonas onde o risco deve ser menor. E isso, assinale-se, já lhe custou, a ele e à equipa, alguns dissabores esta época.

Gaitan – Tivesse Gaitan outro nome e outra reputação e teria feito todas as manchetes do dia seguinte. Isto porque a sua exibição foi simplesmente estrondosa. Marcou 2 excelentes golos e ainda participou num total de 6(!) desequilíbrios da equipa. Para além disso, evitou erros que vinha comentendo em posse e teve um desempenho defensivo bastante bom, o melhor dos 5 jogadores mais ofensivos. Aliás, sobre isto importa dizer que Gaitan não é um jogador especialmente agressivo e, por exemplo, não consegue ser muito útil num pressing mais alto. Mas, por outro lado, é um jogador que se posiciona bem tacticamente e que tem esse sentido de responsabilidade colectivo. O seu maior problema, a meu ver, é a decisão em posse em zonas mais atrasadas, onde ainda arrisca demasiado e onde já perdeu demasiadas bolas nesta temporada.

Salvio – É mais agressivo do que Gaitan, está a melhorar claramente, mas sente mais dificuldades em termos tácticos. Porquê? Porque Salvio sempre foi um jogador de último terço, mais avançado do que médio, com menos responsabilidades tácticas e sem a necessidade de decidir com frequência a 50 metros da baliza. Nem na Argentina, nem no pouco tempo em que esteve no Atlético. Mas – repito – dê-se-lhe tempo...

Kardec – Marcou um golo e, mesmo se continuou ausente das dinâmicas da equipa, foi muito útil nas primeiras bolas, onde a Naval sentiu dificuldades. Para fazer o que Cardozo fez no campeonato até à lesão (derbi à parte) chega e sobra. Mas isso também não é propriamente um elogio...



Ler tudo»

ler tudo >>

9.11.10

Porto - Benfica: Análise e números

ver comentários...
(carregar na imagem para ver separadamente)
A emotividade que o próprio jogo acarreta conduz sempre a uma exacerbação da análise que é feita à posteriori. Tudo em função daquilo que, afinal, é o que mais importa para todos: o resultado. Neste caso, “baile”, “banho”, “vergonha” ou “incompetência”, são palavras que, ora pela positiva, ora pela negativa, surgem com frequência no léxico do pós-jogo, mas que são muito mais o reflexo de um sentimento final do que da síntese objectiva do jogo em si. Quero eu com isto dizer que a goleada portista surge como consequência de um jogo excepecionalmente perfeito de uma das equipas, perante a impotência da outra. “Perfeito”, não por um eventual massacre, mas, “perfeito”, pela ausência quase total de erros e pela eficácia plena no aproveitamento ofensivo. “Impotência”, não por um demérito extremo, mas, “impotência”, por uma incapacidade, até certo ponto normal, de contrariar a força do adversário. Porque, se foi seguramente o pior resultado da equipa, este está longe de ter sido jogo menos conseguido que o Benfica fez.


Notas colectivas: Porto
A palavra “perfeição” ajusta-se na plenitude à exibição. O plano de jogo foi cumprido à risca, como muito raramente acontece. O objectivo, claro, nunca é golear, mas ganhar de forma controlada. O Porto goleou porque foi excepcionalmente eficaz, mas nunca perdeu o controlo do jogo e do adversário. Nem no inicio, quando as coisas ainda estavam iguais. Nem no meio, quando o Benfica ainda pensava reagir. Nem, tão pouco, no segundo tempo, quando, com o jogo “no bolso”, poderia haver alguma tendência para o facilitismo. Por tudo isto, digo que foi perfeito.

Podemos falar dos aspectos tácticos, e eu já várias vezes o fiz. Na forma como a
equipa procurou neutralizar o adversário com uma zona de pressão concentrada, agressiva e densa, que partia da linha média, mas que crescia no campo. Com uma primeira fase do pressing que tentava orientar e facilitar o trabalho dos recuperadores. Com uma transição preparada a partir dessa zona de recuperação e que potenciava os desequilibradores da equipa. Com Sapunaru mais prudente, mantendo equilíbrios no corredor quando em posse. Com Belluschi a colmatar a prudência do lateral e a ser o elemento de desequilíbrio junto de Hulk. Com uma posse paciente e confiante, capaz de decidir bem e envolver com segurança a primeira linha de pressão do Benfica.

Podemos falar de tudo isto, mas o aspecto que mais quero destacar é o aspecto emocional. A equipa vem sendo consecutivamente trabalhada neste aspecto por Villas Boas, desde o inicio de época. Mais do que aspectos físicos ou delírios tácticos, Villas Boas tem gerido meticulosamente os índices mentais dos jogadores e da equipa. O reforço consecutivo da equipa e dos protagonistas na sua proposta de jogo conduziu a um crescendo de confiança que, em combinação com a qualidade e o talento, fazem desta uma equipa altamente lúcida e capaz de interpretar com grande segurança todos os momentos de jogo. Uma equipa, também, e por consequência, anormalmente eficaz no aproveitamento das situações que cria no jogo.

O Porto goleou e transformou-se rapidamente na melhor equipa do país, muito pela confiança que soube adquirir e cultivar. Hoje tira partido disso e, se a souber continuar a trabalhar e valorizar, não é de excluir a hipótese de uma “limpeza” de títulos esta temporada.

Notas colectivas: Benfica
Tal como havia antevisto, Jesus mexeu, como gosta de mexer nestes jogos. Manteve o 4-4-2 clássico com que vencera o Lyon e, também algo previsivelmente, recompôs a ala esquerda e escolheu 1, entre Saviola e Aimar. Seria uma “vitória táctica”, se tivesse corrido bem, ninguém duvide. Assim, como aconteceu tudo ao contrário, Jesus é, por estes dias, uma das pessoas que menos percebe de futebol em Portugal.

Vamos por partes. Começando pelo flanco esquerdo, creio que se justificava uma óbvia preocupação com Hulk e, noutras circunstâncias, não seria descabido utilizar David Luiz à esquerda. O ponto é que, por um lado, era preciso ter cautelas na exposição em transição e, por outro, era óbvio que a capacidade individual de Hulk mereceria cautelas especiais, mesmo em ataque organizado. O erro está muito mais na forma como se tentou parar Hulk do que na escolha dos protagonistas. Ou seja, Hulk teria de ser parado zonalmente e não individualmente. Com situações de cobertura defensiva e não pela crença numa performance heróica no duelo individual.

O grande problema da utilização de David Luiz não está em alguma perda de capacidade de resposta defensiva em relação a Coentrão. Está, isso sim, naquilo que implicaria por arrasto. Ou seja, mexer de mais, noutra zona da defesa, e mexer num jogador que tem um peso relevante na forma de jogar da equipa, em todos os seus momentos. Porque, de resto, percebe-se a preocupação de Jesus em termos individuais. Ou seja, “prender” Coentrão seria perder uma mais valia ofensiva. O facto – e isto é muito mais fácil de ver depois – é que perdeu David Luiz e acabou por perder também o próprio Coentrão, que fez um jogo péssimo.

Quanto ao resto, ao 4-4-2 clássico e à opção de deixar Saviola de fora, sou critico sobretudo em relação à opção individual. Saviola é o jogador que mais problemas cria em termos de movimentação e, mesmo se vem caindo em termos de confiança e rendimento técnico, está longe de ser um elemento discutível no onze. Manter um elemento com as características de Kardec/Cardozo e retirar um elemento mais criativo é uma opção que acho discutível mas que há muito faz parte da filosofia de Jesus. O Benfica já se deu muito bem com isso e não acho intelectualmente honesto que seja agora crucificado por isso.

Importa dizer, com tudo isto, que o Benfica fez um jogo bem menos errático do que na Supertaça, em Guimarães ou em Lyon. Foi goleado porque, simplesmente, encontrou do outro lado uma equipa inabalável mentalmente e que puniu todos os erros que provocou. Como disse no inicio, este esteve longe de ser o jogo menos conseguido da equipa.

Por fim, discordar de uma ideia que agora vem sendo muito passada, com o habitual exagero destas alturas. Diz-se que o Benfica jogou em função do Porto, mas essa critica tem de definir melhor os seus limites. Todas as equipas se adaptam perante adversários mais fortes e o próprio Porto o fez, estrategicamente. Uma coisa, porém, é alterar a estratégia e ajustar comportamentos, outra é mexer estruturalmente, passando por cima da própria identidade da equipa. Concordo que Jesus terá roçado esse limite, mas nunca que o tenha ultrapassado de forma clara.

Notas individuais: Porto
Sapunaru – Se alguém tem dúvidas sobre o que pode fazer a confiança, repare-se no rendimento de Sapunaru. Ganhou mais bolas do que qualquer outro jogador na partida e não teve 1 erro que se identifique.

Moutinho – Ser o “relógio” em alguns jogos de menor grau de dificuldade é uma coisa, nestes é outra. Não esteve nos desequilíbrios, mas foi, de longe, o jogador mais influente no meio campo. Isto é um grande elogio, por ser frente ao Benfica, mas também porque, ao contrário do que muitas vezes se diz, nem sempre é assim.

Belluschi – Um pouco em contra-ciclo com Moutinho. Ou seja, foi um jogador importantíssimo na definição do jogo e nos desequilíbrios, mas no resto esteve um pouco abaixo do que lhe é possível e habitual. Mas aqui, e também em contra-ciclo com Moutinho, o crédito que lhe é normalmente dado também é bastante inferior àquele que merece.

Hulk – Foi o herói do jogo e será seguramente o herói deste campeonato. Mais palavras para quê? Está à vista de todos...

Notas individuais: Benfica
David Luiz – Foi o vilão do jogo, mas injustamente. Não que tivesse estado bem, mas porque esteve longe de ter sido por sua causa que o jogo se decidiu. Ou seja, parar Hulk com 15 metros nas costas é algo que não se pode pedir a ninguém. Seria ele ou outro qualquer. No segundo golo tem responsabilidade na origem do lance, mas a sequência, mais uma vez, transforma-o mais em vitima do que réu, pela forma pouco solidária como a equipa respondeu.

Sidnei – A contabilidade estatística não lhe faz justiça. Esteve envolvido nos 3 primeiros golos com comportamentos colectivos errados – se é responsabilidade individual ou colectiva, já não posso afirmar – e não justificou minimamente a confiança. É muito jovem e tem evidente potencial, mas desfazer a dupla Luisão-David Luiz custou caro.

Luisão – Prejudicou gravemente a equipa com a sua expulsão, tendo, provavelmente desencadeado a goleada. Foi notório, pela linguagem gestual ao longo do jogo, que a frustração o estava a afectar. É pena, porque sabe mais, e porque estava a ser o melhor da equipa até à expulsão.

Carlos Martins – A sua presença foi importante. A equipa criou mais opções na saída de jogo e o Porto não provocou tantas perdas de bola nessa situação como na Supertaça, por exemplo. Depois, esteve também combativo e útil no trabalho de meio campo – o que nem sempre acontece. Só o medo de uma expulsão justifica a sua substituição.

Salvio – Para mim – e apesar de não ter feito um grande jogo – é mais um bom sinal que dá. Esteve bem tecnicamente num jogo muito difícil e, para além disso, demonstrou também óptima atitude e intensidade sem bola. Justifica uma continuidade na aposta.

Coentrão – Em absoluto, um jogo para esquecer. Primeiro como médio, forçou demasiado e perdeu sempre perante a maior solidariedade portista. Depois, como lateral, teve um erro decisivo ao entregar a bola a Hulk, possibilitando 1x1 que resultou no penalti. Acontece, e não é por isso que tem de deixar de ser um dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial.



Ler tudo»

ler tudo >>

5.11.10

Hulk vs. Coentrão: quem vai decidir o clássico?

ver comentários...
Não é certo que passará por algum dos dois a decisão do clássico, mas se há candidatos a heróis, quer de um lado, quer de outro, são eles. A avaliação estatística que venho fazendo indica-os como os 2 melhores da liga até ao momento e, mesmo considerando a variabilidade das opiniões, será difícil encontrar argumentos para discordar desta conclusão.

Jogam em posições diferentes, e é até possível que venham a disputar um duelo individual directo, caso Coentrão seja utilizado como lateral – hipótese em que acredito pouco. Hulk é quem mais desequilibra e mais peso tem naquilo que define o resultado de cada jogo: os golos. Mas Coentrão, sendo também um jogador com grande peso ofensivo, consegue um rendimento globalmente mais influente, sendo um jogador determinante em todos os momentos do jogo.

Será um deles a decidir o clássico?

ler tudo >>

1.11.10

Benfica - Paços: Análise e números

ver comentários...
Jesus salientou-o, e os factos confirmam. Num jogo que tinha a relevância de anteceder um ciclo importante e, até, potencialmente decisivo, tudo correu bem. Correu, mas podia não ter corrido. O Benfica justificou o triunfo pelas ocasiões que conseguiu na primeira meia hora de jogo, mas também é um facto que se viu perante dificuldades que a maioria dos encontros não lhe trazem. Mérito para o Paços que, pela qualidade organizacional e estratégica, mereceria a diferença mínima.

Notas colectivas
Posso começar por aquilo que pretendeu – e em muitos períodos conseguiu – fazer o Paços. Porquê? Porque certamente será com este tipo de dificuldades que o Benfica contará nos próximos jogos. Falo do objectivo de não deixar os encarnados sair em construção. Ao contrário do que, por exemplo, aconteceu com o Portimonense, o Paços subiu linhas e dificultou muito a saída em posse pelos centrais. Várias vezes as jogadas tiveram de ser iniciadas com pontapés longos, forçando um jogo de primeiras e segundas bolas onde, obviamente, os pacences tinham muito mais possibilidades de discutir o jogo. Ora, é precisamente por isso que o Benfica teve tantas dificuldades em garantir um maior, e mais expectável, domínio territorial no jogo, acabando por ver o Paços jogar muitas vezes no seu próprio meio campo. E é, já agora, com este tipo de adversidade que o Benfica terá, de novo, de contar nos desafios mais importantes que tem pela frente. Uma dificuldade a que sempre respondeu de forma pouco avisada, pagando fortemente por isso.

Se o jogo correu bem ao Benfica, a muito se deverá o período que conseguiu na primeira parte, mais particularmente entre os 10 e os 30 minutos. Foi essa a única altura – à excepção do que aconteceu depois da expulsão – que o Paços esteve verdadeiramente por baixo no jogo. A qualidade individual, que não esteve globalmente inspirada ao longo dos 90 minutos, emergiu nessa altura, encontrando soluções que durante muito tempo faltaram. Não me refiro apenas ao lance de Aimar, mas a outras iniciativas que ultrapassaram a pressão pacense e puderam, finalmente, explorar os espaços inerentes ao comprimento do bloco defensivo.

Como nota final, e também muito evidente nesse período de maior domínio, alerto de novo para a especificidade das bolas paradas. Há vários lances trabalhados e todos eles com grande qualidade. Quer para em lançamentos, quer em livres ou cantos. Para ultrapassar, quer métodos zonais, quer individuais. É mais um aspecto do modelo de Jesus onde a qualidade apresentada encontra muito poucos casos paralelos no futebol mundial.

Notas individuais
Aimar – Foi uma das principais figuras, muito pela excelência do golo que marcou. Aimar tem estado a léguas do rendimento que exibiu no ano anterior, sendo por vezes mesmo difícil pensar que estamos a falar do mesmo jogador. Desta vez esteve mais próximo, não apenas pelo golo, mas pela influência que teve no jogo. Mais próximo, mas ainda não ao nível do que melhor se lhe viu e dele se deve esperar.

Coentrão – Mais uma exibição monumental. Quer como extremo, quer como lateral, foi o melhor em campo. Com uma atitude, influência e qualidade sem paralelo. Não é nenhum desdenho dizer-se que Coentrão é o melhor jogador do Benfica porque, como ele, não há muitos. Fala-se muito de Di Maria e Ramires, mas pouca gente se lembra que nesta altura, há um ano, Coentrão ainda não jogava no Benfica. Ou seja, se o Benfica perdeu 2 unidades importantes, ganhou também aquele que é hoje o seu melhor jogador. O problema é que a questão da diferença de rendimento colectivo não tem o seu epicentro em unidades individuais.

Gaitan e Salvio – São ambos talentos com tudo para jogar com grande sucesso num clube com a dimensão do Benfica. Gaitan vai num processo mais adiantado de adaptação do que Salvio, mas neste jogo a atitude de ambos teve contraste precisamente oposto. Gaitan teve uma atitude muito pouco intensa no jogo, quase displicente e nada consentânea com a evolução que ainda precisa de fazer. Salvio jogou muito menos minutos e nem sempre decidiu bem – aliás, não tem características muito formatáveis a este modelo – mas teve uma atitude muito boa perante a oportunidade.

Saviola – A sua movimentação continua a fazer dele o elemento mais desequilibrador do jogo encarnado e é, para mim, até difícil de prever os efeitos que poderia ter uma ausência sua nesta fase. Mas também é um facto que vive um período mau em termos de confiança. Os golos que falha não são normais, mas acabarão por reaparecer, tal a frequência com que “atrai” situações para concretizar. O problema é que o momento negativo parece estar a afectar Saviola também noutros capítulos, e a sua qualidade no desempenho técnico desceu a pique nos últimos 2 jogos, onde deu sequência a menos de 50% das posses de bola que passaram por ele...



Ler tudo»

ler tudo >>

29.10.10

Melhores e piores na Liga (até à 8ª jornada)

ver comentários...
Antes do inicio da jornada, deixo uma pequena curiosidade. Reforçar a ideia de que a análise refere-se apenas a jogadores dos 3 grandes utilizados mais de 350 minutos na Liga. Relembro também que, podendo-se concordar ou discordar dos resultados, a análise tem por base apenas e só dados estatísticos recolhidos em todos os jogos da Liga já disputados, sendo estes classificados da mesma forma para todos os jogadores.

ler tudo >>

20.9.10

Benfica - Sporting: análise e números

ver comentários...
4 minutos não chegaram para dar vantagem ao Benfica, mas foram mais do que suficientes para que se percebesse que seria muito difícil não serem os encarnados a vencer. De facto, uma boa análise desses escassos momentos seria provavelmente mais útil do que muitas que vi feitas à totalidade da partida. É que esse período de tempo, que terminou com a bola ao poste de Cardozo, foi o que bastou para perceber que o domínio a que o Sporting se propunha não passava de um mero “bluff” impossível de sustentar. Impossível pela incapacidade – que é tudo menos nova – de controlar espaços defensivos, sobretudo em transição. Que mais poderia pedir o Benfica? Finalmente poderia jogar em transição, manter equilíbrios posicionais e numéricos e não se expor tanto ao trauma das perdas de bola. Ficou-se pelos 2, mas este era daqueles jogos com condições para um saldo dilatado.

Notas Colectivas: Benfica
Qualidade táctica. Se há coisa em que o Benfica de Jesus foi, é e sempre será, é na sua qualidade táctica. Não é a primeira vez que o defino, mas vou repeti-lo porque quando se fala neste termo, raramente se percebe exactamente o que se quer dizer: qualidade táctica – para mim – é eficácia com que a equipa reage colectivamente à dinâmica do jogo. E, aqui, não muitas equipas no mundo tão fortes como o Benfica. Seguramente, não há nenhuma em Portugal.

Ora bem, se o Sporting foi o adversário ideal, quer pela estimulo motivacional, quer pela postura “naive” que assumiu, só o foi porque o Benfica tem de facto muita qualidade no seu jogo. Não fez um jogo brilhante – diria que apenas “bom” para as suas possibilidades – e demorou algum tempo a conseguir também dificultar um pouco mais o domínio territorial que o Sporting tentou exercer, mas manteve sempre uma óptima organização defensiva e conseguiu com bastante frequência aproveitar erros alheios para potenciar o espaço que era concedido. E isso foi mais do que suficiente para meter o jogo e o adversário “no bolso”.

Esta será uma vitória naturalmente importante para o Benfica. Importante para o restabelecimento dos níveis de confiança colectivos, que a grande missão que Jesus tem pela frente no futuro imediato. Mas, naturalmente, está também longe de ser suficiente para corrigir todo o mal que foi feito. O Benfica terá novamente desafios complicados, perante outro tipo de adversários, menos estimulantes e mais fechados, e onde, novamente, o erro não poderá ser banalizado. Entre tudo o que de bom houve para o Benfica no jogo podemos lembrar dois aspectos que deverão manter o alerta bem presente nas hostes encarnadas: o facto da única jogada de golo do Sporting ter vindo de um erro individual e as defesas para a frente de Roberto.

Notas colectivas: Sporting
Quem acompanha o que escrevo neste blogue deve perceber que se torna algo cansativo escrever tantas vezes a mesma coisa. De facto, desde os primeiros jogos que analisei na pré época que venho alertando para aqueles que são os reais problemas do modelo de Paulo Sérgio. Debateram-se sistemas, se deveria ou não jogar um “10”, se deveria ou não jogar um “pivot”, e fizeram-se longas dissertações sobre essas matérias. Compreendo que talvez sejam mais interessantes e intuitivos esse tipo de debates, mas raramente os problemas crónicos de uma equipa passam por aí e o Sporting não é excepção.

A definição de “qualidade táctica” que relembrei atrás serve também para este caso, mas num sentido inverso. O Sporting não tem “qualidade táctica” suficiente para assumir estratégias mais altas e dominadoras frente a equipas com a qualidade do Benfica. Isso vê-se em vários aspectos aqui já denunciados. Aspectos com e sem bola, mas nenhum se compara à forma como o seu sector recuado está (mal) operacionalizado. Foi por aí – sobretudo – que o Sporting perdeu, e reforço, para ser claro, outro ponto de opinião que também não é novo: isto nada tem a ver com a qualidade individual dos seus defensores que, assinale-se, é muito elevada. É importante não confundir o que é colectivo com o que é individual.

Dito o mais importante, quero também realçar alguns pontos. O primeiro é que, apesar de insuficiente, o Sporting hoje é bem melhor do que há 3 ou 4 semanas. O segundo é que me parece correcto que Paulo Sérgio tente estabilizar um onze base, só discordando da sua flutuação em termos de variações no modelo. Neste caso, o principal problema terá sido o lado estratégico da proposta de jogo, assumindo uma postura que, como já longamente defendi, não tinha capacidade para sustentar, mas há também em algumas opções tácticas alguma discordância da minha parte. A fixação de Liedson numa zona central parece-me um lapso e não é por acaso que o seu melhor jogo foi na Figueira, onde esteve mais móvel. O mesmo vale para Yannick, que claramente não é um ala para ser fixado à direita. Com este “aprisionamento” dos avançados, o Sporting perde mobilidade e soluções de passe no último terço e isso foi relevante, não só neste jogo, mas também frente ao Olhanense. Com tudo isto, ficou fácil para Jesus realçar a sua mestria táctica para “parar” João Pereira. Na realidade, não vejo grande genialidade na opção, já que Valdés foi uma surpresa sobre a esquerda e o flanco do Benfica também foi suficiente para tapar as investidas do Sporting.

Notas individuais: Benfica
Indo directo ao assunto, o nome do jogo é Cardozo. O mesmo Cardozo que havia sido uma nulidade em 3 dos 4 jogos anteriores e que ainda a meio da semana tinha problemas fisicos que o impediam de ser mais participativo. Ora, parece estranho que o desgaste de uma semana de 3 jogos termine com a melhor exibição até agora registada na Liga, entre todos os jogos dos 3 “grandes”. Um feito que não se justifica apenas pelos golos, mas também por uma muito relevante participação colectiva – algo que tinha sido assumido como um problema crónico. Para mim, esta exibição só vem confirmar uma coisa: o problema de Cardozo não tem nada a ver com debilidades fisicas. Tem, isso sim, a ver com um problema de atitude e motivação em jogos mais e menos importantes. E está bom de ver a diferença que isso pode fazer!

Ainda no Benfica, mais uma prova de capacidade da sua dupla mais recuada, que tem uma enorme qualidade. Sempre reforcei que esse nunca foi um problema, mas é nestes jogos que isso talvez fique mais claro. Outro nome a ter em conta é Coentrão. Acredito que só poderá ser um jogador para outros patamares se for lateral, mas mesmo mais à frente voltou a mostrar a sua capacidade participativa. É uma característica importante e que lhe está no ADN.

Notas individuais: Sporting
Posso começar pelo melhor: Maniche. Foi o jogador que conseguiu mais passes, mais % de passe e mais intercepções. Foi e não é surpresa. Maniche tem um rendimento extraordinário no Sporting e é, a par de Belluschi, o melhor médio da competição até ao momento. Aliás, o que Maniche faz é raro mesmo em termos internacionais e, na minha opinião, merece regressar rapidamente à Selecção. A questão sobre Maniche é se a frustração de ter uma equipa que não acompanha a sua qualidade e intensidade, não acabará por fazer regressar o pior da sua personalidade, mas isso é algo que só o tempo irá responder.

De resto, gostaria também de falar de Nuno André Coelho, que cometeu alguns erros e acaba como o “vilão” no lance do segundo golo. Importa sublinhar, à imagem do que escrevi atrás, que Nuno André Coelho ganhou muitos lances como aquele que perdeu nessa jogada e que o seu erro não explica o golo sofrido nem o espaço criado. Mal está uma equipa se a distância entre um pontapé longo e uma ocasião de golo está dependente do central ganhar a primeira bola.

Finalmente, nota para a pouca intensidade de Valdés e Matias. São jogadores tecnicamente evoluídos, mas a quem falta muito em termos de presença sem bola. Particularmente, Matias, a jogar numa posição nuclear, precisa de estar muito mais próximo dos lances em todos os momentos. Algo que o separa e separará sempre de um rendimento superior e que tem de lhe ser passado por quem lidera o processo de treino.



Ler tudo»

ler tudo >>

AddThis