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18.11.11

Movimentos dos avançados: Complementaridade?

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Primeiro ponto, para referir que não há nesta análise uma intenção de centrar a critica na componente individual. Ou seja, tenho bastantes criticas e reticências em relação à performance de Postiga em variados items de rendimento, mas neste caso a ideia é discutir a dinâmica colectiva a partir dos movimentos do avançado, não havendo elementos que nos possam dizer que os problemas existentes a esse nível estejam relacionados com a utilização de um jogador em relação a outros.

A segunda nota serve para sublinhar que não é igualmente minha pretensão definir exactamente que movimentos devem ou não ser feitos. Aliás, sou até bastante contrário à ideia de que existe um predefinição do que é "certo" e "errado" na forma de jogar. A constatação que faço, porém, tem a ver com a aparente ausência de complementaridade nos movimentos ofensivos da Selecção, especialmente do avançado, que é o jogador que mais possibilidades tem de se relacionar em termos de dinâmica com os mais variados jogadores. O que vemos, apesar disso, é uma movimentação aparentemente sem qualquer preocupação colectiva no aproveitamento ou criação de espaços gerados por, ou para, outros jogadores. O resultado são movimentações que se tornam várias vezes redundantes ou mesmo prejudiciais à restante dinâmica, e, sobretudo, a constatação de um sub aproveitamento deste elemento em termos ofensivos.

Há vários bons exemplos a reter a este nível. Começando pela recente exibição de Klose frente à Holanda, assistindo por duas vezes companheiros, coisa que na Selecção portuguesa raramente vemos acontecer (em toda a fase de qualificação, não houve uma única assistência dos avançados). Outro exemplo, vem do Real Madrid, de Cristiano Ronaldo, onde a movimentação dos avançados segue sempre um padrão de complementaridade com a dinâmica, quer de Ozil, quer dos extremos. Ou, num exemplo mais recente, vimos também como a própria Bósnia se movimentava na última linha, conseguindo uma boa complementaridade de movimentos entre avançados e médios.

Independentemente da opinião que resulte sobre as causas do problema, o que me parece claro que não pode ser negado é a existência do problema em si mesmo. Ou seja, não me sobram grandes dúvidas quanto ao défice de aproveitamento do papel do avançado na Selecção. Por exemplo, e só tendo em conta os 5 jogos desde o Verão (Chipre, Islândia, Dinamarca e dois frente à Bósnia), Portugal criou 26 desequilíbrios em jogo corrido (exceptuando bolas paradas), dos quais apenas 4 foram finalizados por avançados. Sendo este registo já invulgarmente baixo (cerca de metade do que acontece nos "grandes", por exemplo), o facto é que ele não é compensado por qualquer mais valia criativa, já que apenas 1 destes desequilíbrios teve a participação de um avançado (no caso, Hugo Almeida) para efeitos que não fosse o de finalizar. Ou seja, e tal como escrevi ontem, a utilidade dos avançados tem-se resumido a nada mais do que a finalização, sendo que mesmo a esse nível os resultados não são brilhantes...
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17.11.11

Portugal - Bósnia: opinião e estatística

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- Foi ao último suspiro, mas foi! É justo, nesta altura e depois de confirmado o apuramento, destacar o impacto positivo de Paulo Bento. O apuramento tornou-se especialmente difícil, não só pelos dois jogos iniciais, mas porque Noruega e Dinamarca não voltaram a perder pontos, a não ser entre elas ou frente Portugal. Surpreende-me mais esse dado, da óptima campanha dos adversários, do que o próprio rendimento português, praticamente perfeito à margem do mau jogo de Copenhaga. Aliás, escrevi-o na altura da nomeação de Paulo Bento, que ao contrário do sentimento dominante, não pensava que viesse a ser uma solução transitória e que acabaria por qualificar Portugal. Resta saber se irá mesmo ver renovado o seu contrato e ter a oportunidade de liderar a qualificação para o Mundial 2014. De todo o modo, Portugal é hoje uma selecção mais forte do que foi nos últimos anos e um "osso" muito mais difícil de roer para os candidatos tradicionais. O único condicionalismo que afasta Portugal de um maior favoritismo, na minha opinião, é a dependência que tem na presença de certas unidades preponderantes, um problema sobretudo relacionado com a dimensão da base de jogadores e, obviamente, do próprio país. Mas, se todos estiverem disponíveis...

- Em relação ao jogo, na minha leitura qualquer análise tem de começar pelos minutos 8 e 24, e pelo que fizeram Ronaldo e Nani. O apuramento estaria preso por detalhes, como escrevi na sequência do jogo da primeira mão, mas graças ao extraordinário contributo destes dois jogadores, deixou de estar. Portugal passou a ter uma margem de erro, uma almofada emocional que, em boa verdade, lhe viria a ser muito útil. É que a Bósnia acabou por ser extraordinariamente eficaz e se o jogo teve 8 golos, Portugal só precisou de marcar mais 1 para que a sua vantagem emocional tivesse consequências decisivas no desfecho da eliminatória. Depois do 3-1, explodiu o descontrolo emocional dos bósnios, ditando a inferioridade numérica para quase 40 minutos. Agora, imagine-se o que teria sido o jogo depois do 3-2, se ainda estivessem 11 bósnios em jogo! O mérito, repito, vai para os jogadores. Os grandes jogos ganham-se sobretudo nos detalhes, e, acredito mais do que em qualquer outra coisa, na transcendência. Uma coisa é ser super eficaz na conversão de livres, ou em remates de longa distância, mas em fases em que os jogos já estão decididos. Outra, completamente diferente, é estar num jogo decisivo e ao primeiro livre, ou à primeira oportunidade de finalizar de 25 metros, fazê-lo de forma insuperável, como fizeram Ronaldo e Nani. Numa palavra: Fantástico!

- De resto, os dois golos inaugurais acabaram por aligeirar o peso de um jogo que, a meu ver, mostrou ter tudo para ser muitíssimo complicado. A Bósnia não precisou de sofrer o primeiro golo para se mostrar altamente pressionante sobre a primeira linha portuguesa, fê-lo desde o inicio, dificultando um jogo mais apoiado e forçando uma série de ligações directas mal sucedidas nos primeiros minutos. Do mesmo modo, Portugal também pressionou a primeira linha bósnia, mas a reacção do adversário, de novo, voltou a ser muito boa. Não cedeu à tentação de bater longo, não acumulou muitas perdas de risco (pelo menos na primeira parte), e conseguiu sair várias vezes das zonas de pressão criadas, levando o jogo de forma apoiada até ao meio campo ofensivo português. E aqui, lá está, os dois golos conseguidos neutralizaram qualquer sentimento de ansiedade que se pudesse transmitir para as bancadas, mas este não era o perfil de jogo mais confortável que Portugal poderia esperar...

- Do lado português, é importante assinalar a reactividade da equipa, que foi muito forte. Pressionando a construção contrária, a linha média foi depois muito rápida a ajustar posicionamentos, impedindo a tal exposição da última linha, que havia discutido no rescaldo do primeiro jogo. Há uma série de aspectos que me pareceram intencionais: A assimetria, com Ronaldo mais livre de acções defensivas e preparado para a transição (foi assim que se deu o terceiro golo). Moutinho, com mais preocupações de ajustar à esquerda, e Nani sem a mesma liberdade, auxiliando mais João Pereira ao longo do corredor. Mas, Meireles também pareceu mais alertado para a necessidade de fechar rapidamente o espaço nas suas costas, particularmente quando Veloso se aproximava do corredor esquerdo. Este, recorde-se, foi o espaço exposto pelos bósnios em alguns momentos do primeiro jogo. O aspecto da reactividade parece-me fundamental, porque para quem pretende pressionar a partir de zonas mais altas, é decisivo ser capaz de ajustar rapidamente não dando oportunidade para que o adversário capitalize as situações em que consegue sair das zonas de pressão que são criadas. Quanto mais forte for adversário, obviamente, mais decisivo este aspecto pode ser, e se Portugal já havia feito desta capacidade um alicerce do brilharete frente à Espanha, desta vez voltou a estar muito forte a esse nível. É importante que o continue a repetir no futuro, até porque também é verdade que foi quando não o fez que mais sofreu...

- Individualmente, e para além de Ronaldo e Nani, o principal destaque vai para Moutinho e Veloso. Sobretudo Moutinho, que voltou a estar tremendo, tal como na primeira mão. O caso do sub rendimento de Moutinho no Porto é mais ou menos o mesmo que o sub rendimento de Ronaldo na Selecção. Tem sobretudo a ver com a expectativa ilusória, de comparar a estabilidade de rendimentos individuais em contextos de performance colectiva completamente diferentes. Já Veloso, também muito bem, parece ter ganho definitivamente vantagem para constituir com Moutinho e Meireles o trio de médios.

- Na frente será onde, a meu ver, há mais questões a levantar. Já escrevi sobre as limitações de Postiga na resposta que dá em variadíssimas situações especificas, independentemente da questão da finalização. Para além disso, há algo a rever nas movimentações do 9 nas dinâmicas colectivas(não tem necessariamente a ver com Postiga). Tentarei voltar a este tema com imagens, mas para já deixo estes dados de reflexão: Os avançados são quem tem menor participação no jogo colectivo, o que é normal, mas na Selecção a sua acção não tem conduzido, nem a qualquer ocasião criada, nem tão pouco a um acréscimo positivo na fluidez de jogo. Ou seja, o contributo positivo do ponta de lança, na Selecção, tem-se resumido à finalização, e apenas à finalização. Se este marcasse 30% dos golos da equipa, como aconteceu neste jogo, isso seria suficiente, mas essa está muito longe de ser a marca, quer de Postiga, quer de Hugo Almeida. E isto, goste-se ou não, é um problema...
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20.10.11

Selecção: Estatística individual da qualificação

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Deixo os dados dos 8 jogos do apuramento, acrescentando apenas uma nota que tem a ver com o modelo estatístico. Durante a qualificação houve uma actualização do modelo estatístico, pelo que estes dados partem essencialmente da primeira versão, mais simplificada e que não contém, por exemplo, a avaliação dos guarda redes ou uma divisão por momentos tácticos...

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17.10.11

Dinamarca - Portugal: algumas jogadas importantes...

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Conforme planeado, recupero hoje algumas jogadas do Dinamarca-Portugal. Como sempre, o objectivo não é procurar culpabilizações, mas reflectir sobre algumas situações que me parecem justificar correcção. Aqui fica a minha análise:

3' - O ponto sobre este livre lateral tem a ver com o posicionamento da cortina defensiva. Notoriamente, Portugal tenta estabelecer a sua fronteira de posicionamento perto da linha de grande área, mas no momento em que a bola é batida já essa linha está uns bons metros dentro da área (receio?). A consequência é que o objectivo de oferecer ao guarda redes uma margem de protecção não é conseguido e o cruzamento acaba por encontrar o pior dos cenários, com vários jogadores com possibilidade de desviar mesmo à frente da baliza.


6' - Os indícios sobre os problemas de controlo português em organização defensiva, viram-se cedo. Esta fase de circulação de bola da Dinamarca é um excelente exemplo. A bola circula dentro do bloco português, que embora curto não consegue evitar sucessivas mudanças de corredor, obrigando a equipa a constantes ajustamentos laterais. Não adoptando, estrategicamente, uma postura muito agressiva em profundidade, era fundamental que Portugal fosse forte no espaço que definiu para pressionar, sobretudo na pressão lateral. Aqui, destacaria o movimento de ligação entre os centrais através do pivot, que se repetiu algumas vezes, com a presença pressionante a não ser eficaz...

12' - O golo é uma consequência dos problemas do ponto anterior. A bola entra num corredor mas isso não a impede de circular com rapidez e segurança até uma situação de 1x1 no flanco oposto. A imagem parada pretende mostrar o momento em que Moutinho inicia o movimento de pressão sobre Kjaer. Nesse instante, o restante bloco não o acompanha na mudança de atitude, vendo-se bem essa falta de sintonia no posicionamento de Martins, que está ainda a recuar quando Moutinho parte para uma postura mais pressionante. A consequência é a liberdade do pivot (Zimling), que fica com tempo para receber e virar. Mais à frente, o mesmo problema com Bendtner, que oferece o apoio vertical sem pressão. Na minha leitura, estes são os dois apoios fundamentais para o desequilíbrio que é gerado. Aliás, repetiram-se as dificuldades para pressionar, quer o primeiro médio, quer as acções de Bendtner para fora do seu espaço...

24' - Situação estranha, com o movimento de Meireles a ser difícil de compreender, em sentido contrário à subida do bloco e colocando toda a gente em jogo. Já com a Islândia, o segundo golo vem de uma falta de concentração idêntica, no caso de Moutinho...

62' - A nota mais importante vem após a perda, mas não quero deixar de começar pelo bom condicionalismo dos dinamarqueses à posse portuguesa, quer pela neutralização de Meireles, quer, depois, pela boa presença que conseguiam no corredor da bola, durante todo o jogo. De todo o modo, esta transição, na zona em que aconteceu, e com o equilíbrio que Portugal tinha, nunca deveria ter tido tamanha consequência. Para reagir à perda, Portugal fica apenas com Meireles e Ronaldo na zona da bola. Meireles faz, a meu ver correctamente, uma tentativa de manter a bola no mesmo corredor, mas Ronaldo tem uma atitude péssima, não fechando o espaço e permitindo que Eriksen ficasse com tempo e espaço para receber, virar e encarar a linha defensiva portuguesa. Depois, pode-se discutir muita coisa sobre o comportamento da linha defensiva (que teve muitos problemas, diga-se), mas a partir do momento em que o jogador tem o espaço para pensar, de frente, a jogada, tudo fica muito complicado...

84' e 85' - Estas duas jogadas, já no final do jogo, tentam mostrar que o problema português nunca foi a exposição imediata no momento de transição, mas muito mais a qualidade com que (não) se apresentou em todos os momentos defensivos, seja em organização ou transição. Em particular, de novo, a falta de pressão que condicionasse o jogador que recebia a bola (normalmente Bendtner) foi sempre uma grande condicionante. Há também, e reforço outra vez a ideia, um grande mérito dos dinamarqueses, quase sempre lúcidos e inspirados em todas as acções, mas do ponto de vista português, este jogo mostrou vários pontos para Paulo Bento reflectir, e nenhum me parece que tenha ver com a exposição posicional após o 2-0...
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14.10.11

Dinamarca - Portugal: opinião e estatística

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- Os últimos jogos haviam deixado alguns sinais, mas longe de mim supor que os piores indícios se iriam agigantar no momento mais importante. Uma grande surpresa e uma grande desilusão, não tanto pela derrota, mas muito mais pela forma como ela aconteceu. Não esperava uma equipa super organizada, nem tão pouco super inspirada, mas esperava que mantivesse os índices de intensidade, agressividade e atitude que marcaram a mudança de "era", de Queiroz para Bento. Não foi assim, e antes de partir para uma opinião segmentada por momentos tácticos, reforço esta opinião, de que foi na atitude, na agressividade e intensidade que mais se terá ditado o descalabro de Copenhaga...

- Organização defensiva: Muita coisa a dizer sobre este momento, que foi aquele que começou por condicionar as aspirações de Portugal. A equipa não se apresentou muito agressiva em termos de primeira linha, definindo um bloco médio e tentando fazer com Postiga uma pressão lateral sobre o central que saía com bola. Resultou bem com a Islândia, mas não resultou bem com a Dinamarca. Essencialmente, porque os dinamarqueses revelaram grande carácter, não se atemorizaram perante o pressing e fizeram a bola rodar pelo "pivot" (Kvist ou Zimling), alterando o lado de saída e obrigando Portugal a voltar a reorganizar-se defensivamente. Depois, mesmo dentro do bloco, houve vários problemas... A Dinamarca apelava muito à mobilidade das suas unidades, criando muita presença do lado da bola. Portugal nunca lidou bem com isto, houve uma indefinição no papel dos médios (de novo, fico com a sensação de que Martins tem menor familiaridade com os comportamentos defensivos do modelo, relativamente a Micael), houve uma falta de atitude de Ronaldo e uma incapacidade da linha defensiva se manter alta e encurtar os espaços dentro do bloco. O lance do primeiro golo é, de resto, elucidativo de muitos destes problemas, mas possivelmente voltarei a ele no inicio da próxima semana...

- Transição defensiva: Paulo Bento justificou os problemas de controlo das acções a partir deste momento pelo risco que a equipa assumiu depois do 2-0. Pessoalmente, entendo que não é justificação suficiente para o tipo de problemas que se viram. Grande parte das acções desencadeadas a partir do momento de transição não tiveram na verticalização uma iniciativa imediata. Ou seja, na maioria dos casos, houve tempo para uma reorganização e melhor controlo, o que não aconteceu. Aqui, há dois aspectos a salientar. Tacticamente, o papel da última linha, que teve pouca capacidade para ser agressiva na resposta, não fechando os espaços à sua frente e permitindo que o destinatário do primeiro passe se virasse e encarasse de frente a linha defensiva. Muito claramente, Pepe faz muita falta, pela sua capacidade de pressionar dentro do bloco, seja em organização, seja neste tipo de movimentos, em transição. Depois, em termos de atitude, não houve também a entrega que se justificava a este nível. De novo, o lance do 2-0 é sintomático da incapacidade de resposta e falta de atitude que houve (Ronaldo, no caso). Porque nem tudo é mau, destacar o papel de 2 jogadores na resposta que deram neste momento, Moutinho e Meireles, se Portugal não caiu mais cedo e de forma mais acentuada foi muito pela sua reactividade.

- Organização ofensiva: Com bola, em organização, Portugal já havia demonstrado algumas dificuldades frente à Islândia, onde acumulou vários erros. Não errou tanto desta vez, mas nunca teve, nem a fluidez, nem a inspiração para retirar algo das suas iniciativas ofensivas. Paulo Bento corrigiu a tal questão das primeiras bolas, que eram inconsequentes para Postiga, fazendo Patrício bater a bola preferencialmente para a direita (será por isso que Ronaldo começou por aí o jogo?), mas não foi na construção longa que houve mais dificuldades. Em posse, os dinamarqueses bloquearam completamente as iniciativas lusas, sendo-lhes devido grande mérito, mesmo reconhecendo um jogo aquém das expectativas por parte de Portugal. Meireles, nunca entrou na construção, bloqueado pela acção de Eriksen. A acção dos laterais, por onde Portugal tentou sair várias vezes, foi sempre condicionada e a progressão pelos corredores raramente conseguida. Finalmente, o papel da última linha dinamarquesa, muito mais agressiva em altura do que a portuguesa, fechando os espaços dentro do bloco e como que convidando Portugal a explorar o espaço nas costas. Poderia até ser uma alternativa, mas nem Portugal mostrou engenho para o fazer, utilizando o papel dos laterais na profundidade, por exemplo, nem tão pouco era provável que, com Postiga, Portugal conseguisse muito mais do que aumentar a sua estatística de fora de jogo, sempre que tentasse fazer do seu avançado uma solução para estes movimentos de rotura. De resto, continua a ser muito difícil vislumbrar qualquer mais valia consistente do avançado que justifique a sua escolha durante tanto tempo. Mas há outras dúvidas mais interessantes e difíceis de responder, que me sobram da última fase do jogo: Vemos invariavelmente os treinadores a mexer estruturalmente e a esgotar substituições, sempre que o resultado lhes é desfavorável. É ideia generalizada, que o deve fazer, que deve introduzir mais gente na frente, e "refrescar" as suas primeiras escolhas. Talvez por ser ideia generalizada, e por gerar critica pela certa, os treinadores fazem-no também sem grandes hesitações. A questão é que não creio que ninguém tenha alguma vez estudado realmente, e de forma objectiva esta questão, se mudar estrutura e jogadores acrescenta ou não possibilidades de rectificar coisas? Pessoalmente, tenho dúvidas que normalmente seja útil (talvez um dia procure uma resposta mais fundamentada...), e, neste caso, mais ainda porque não me parece que trazer Ronaldo para o meio seja uma boa ideia. Ou seja, parece-me que se deve conseguir que "apareça" no meio, mas não tanto que "esteja" no meio. A diferença pode ser, tão simplesmente, ter Ronaldo de frente ou de costas para a baliza...

- Transição ofensiva: Portugal tinha tudo para fazer deste momento a génese dos seus desequilíbrios. Não foi assim. Primeiro, porque a vantagem dos dinamarqueses implicou sempre um extremo equilíbrio no momento da perda, depois porque Portugal conseguiu potenciar poucos erros que fizessem deste momento uma oportunidade real e, depois, porque quando os conseguiu "arrancar" (fundamentalmente depois do 1-0), nunca teve engenho nem inspiração (outra vez!) para lhes dar a melhor consequência.

- Bolas Paradas: Era o capítulo mais temido, mas não foi por aí que Portugal caiu. Podia ter sido, porque cometeu vários erros, mas podia ter sido também por aí o seu relançamento no jogo, já que Portugal não foi menos perigoso do que a Dinamarca em matéria de bolas paradas...

- Por fim, duas notas. Uma para Rui Patrício, que tem tido um mau inicio de época, mas que fez uma excelente exibição, poupando a Selecção do embaraço a que se sujeitou. Depois, para o embate com a Bósnia, onde Portugal parte como favorito claro mas onde terá de ter outra abordagem, começando pela atitude já que os aspectos de ordem táctica e organizacional continuarão a não ter tempo suficiente para ser muito desenvolvidos.

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18.8.11

Os imbatíveis sub 20 e o privilégio da 'SuperCopa' (breves)

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Em primeiro lugar, claro, a Final inesperada!

Grande resultado para o futebol português! Enfim, talvez ajudasse alguma identificação maior dos adeptos com os jogadores, e com a equipa. Não é possível comparar o sentimento com o de 89 ou 91. Mas, nem eles têm culpa, nem estão menos de parabéns por isso. É confuso, ainda assim, este resultado não combinar com a perspectiva clara de um "craque" a emergir. Um único, que fosse, por exemplo, aposta forte de um dos principais clubes nacionais (e, nem me restrinjo aos 3 "grandes"...). Como eram João Vieira Pinto, Peixe, Figo, Rui Costa, ou outros, que não singraram, mas, pelo menos, iludiram.

Mas, para chegarem até aqui, tem de haver algum mérito, quer individual, quer colectivo. Pelo menos, à escala de nível onde jogam. É quase impossível que não haja...

Por fim, fica a minha nota sobre este exercício de projectar jovens. Não domino, claramente, essa "arte". Nunca me dediquei afincadamente, mas já percebi que há algo que me escapa para poder ser consistente. O ponto é que esse "algo" parece escapar também à maioria das pessoas. É a minha percepção. Nunca dei com alguém que denotasse grande acerto nos seus prognósticos a este nível. E não são poucos os que tentam. Tanto dá certo, como dá um espectacular fiasco. Ou seja, tem pouco valor. Talvez um dia perca mais tempo com este desafio, porque parece ser interessante...


Um pouco antes, um grande aperitivo, para a época. O Barça mereceu, foi melhor, mas não tanto se tivermos em conta as duas mãos. Enfim... que interessa quem mereceu? O que interessa é que foi mais um espectáculo fantástico, recheado de tudo (mas tudo!) o que um grande jogo precisa de ter. Como adeptos, somos uns privilegiados!

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6.6.11

Análise Portugal Noruega: Estatística e opinião

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1- Há que o reconhecer de forma clara: não foi o bom jogo da Selecção. Portugal foi dominador, chegando até a patamares raramente elevados, em termos de volume e certeza em posse. Para além disso, foi também uma equipa que conseguiu asfixiar o adversário, através de uma forte presença na reacção à perda (Meireles, em enorme destaque neste plano!). Porque é que, então, não fez um "bom jogo"? Convém, antes de mais, ressalvar que a classificação de "bom" ou "mau" vem sobretudo das expectativas e, neste caso, da constatação de que, face ao volume e domínio de jogo que a equipa conseguiu, seria desejável que conseguisse, também, um muito maior desnível no que respeita à proximidade real com o golo. Mas, não foi isso que aconteceu. Para explicar os detalhes da análise que faço, seria ideal recorrer a imagens. Por uma questão de gestão de tempo, porém, os próximos pontos vão ser tudo o que vou deixar sobre o assunto.

2- Com Paulo Bento, e em termos de qualidade táctica, Portugal ganhou sobretudo capacidade pressionante. Ou seja, é uma equipa mais autoritária, pela capacidade que tem na reacção à perda, e mais preparada para potenciar o erro adversário, pelo que faz perante a construção contrária. Isto chega para fazer de Portugal, hoje, uma Selecção muito mais forte do que era no passado. Mas, há vários aspectos a melhorar noutros patamares de organização.

3- Começando por aquilo que fez em ataque posicional, já que, neste caso, foi praticamente impossível atacar de outra forma. A meu ver, o grande problema da Selecção esteve na dinâmica colectiva nas zonas próximas da área. Pedir-se-ia maior capacidade de envolvência nas zonas laterais, mas frequentemente houve poucos apoios formados nessas zonas. Isto acontece, porque não há uma orientação clara em termos de dinâmica de relacionamento entre extremos, laterais, mas, sobretudo, médios, nos corredores laterais. As situações de cruzamento foram, sem grande surpresa, aquelas que mais problemas causaram, e que, de resto, valeram o golo decisivo, mas apenas quando Ronaldo fazia movimentos (que lhe são característicos) de integração na zona de finalização, Portugal pareceu, realmente, conseguir criar problemas de controlo à defensiva norueguesa. O que Portugal conseguiu foi, sobretudo, potenciar finalizações de fora da área e situações de bola parada, o que parece francamente pouco.

4- Para além do capítulo ofensivo, é importante também notar que, para o volume de jogo que teve, Portugal se expôs em demasia. Isto é, garantindo uma presença forte na reacção à perda, seria de evitar as duas situações claras que se permitiram à selecção norueguesa. Isto aconteceu, primeiro, porque não houve a concentração ideal em certos momentos e, depois, porque se notaram igualmente algumas dificuldades no ajuste posicional. O primeiro lance de golo norueguês, nasce de uma acção de ataque rápido após um pontapé de canto favorável a Portugal. Os jogadores foram rápidos a recuperar, mas devia ter havido outra prudência, dado que Meireles estava fora e, ainda assim, foram colocados os mesmos cinco jogadores em situação de finalização, limitando a presença posicional fora da área. O segundo lance, vem de uma situação que os noruegueses exploraram várias vezes e à qual Portugal respondeu quase sempre mal. Ou seja, uma variação de flanco em zona baixa, que não só libertava a possibilidade de cruzamento largo para a área, como desorganizava o bloco português, que denotava, aí, dificuldades em fazer, rápida e eficazmente, os ajustes posicionais que se exigiam...

5- Duas notas no capítulo individual. A primeira para o papel do avançado. Discute-se sempre muito antes dos jogos da Selecção sobre o perfil do jogador escolhido para este papel. A discussão, em teoria, faz sentido, mas eu continuo a ter dificuldades em observar, na prática, os motivos para tanto debate. Neste caso, a utilidade de Postiga fez-se sobretudo pela resposta ao cruzamento que deu o golo, e pela presença em algumas situações de transição (sobretudo na parte final do jogo). De resto, a sua presença em apoio foi escassa e, objectivamente, sem grande capacidade de consequência. A outra nota é sobre o papel de Carlos Martins/Ruben Micael. Foi curto o tempo, mas em várias jogadas deu a ideia do médio do Porto estar muito mais preparado para jogar neste sistema, nomeadamente em termos de posicionamento defensivo. Não é surpresa, já que Micael treina e joga num modelo que usa a mesma estrutura. Para mim, seria um dado decisivo na escolha entre os dois...
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3.6.11

Antevisão (pouco especifica) do Portugal - Noruega

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1- Quero começar por fazer eco das palavras de Egil Olsen, na sua antevisão ao jogo:

"Portugal é a melhor selecção do mundo"

Não tenho dúvidas que será uma expressão de circunstância, uma tentativa de exacerbar publicamente o desafio dos seus jogadores, como forma de potenciar a sua motivação. Uma frase que, provavelmente, teria sido repetida se o obstáculo fosse o Brasil, a Argentina, Alemanha ou a Espanha.

Ainda assim, é bom que alguém o diga, já que cá dentro temos tanto receio de assumir as nossas responsabilidades. Portugal não é a "melhor selecção do mundo", mas integra, seguramente, um leque restrito de equipas nacionais com as melhores unidades individuais para potenciar o rendimento colectivo. Isso é o presente, uma realidade actual, que não vejo forma de poder ser atenuada por aspectos históricos. Os 4-0 à Espanha foram claros do potencial que existe e do salto gigantesco que representou a chegada de Paulo Bento, em termos de aproveitamento colectivo. Olsen viu-o, porque, vendo de fora, é demasiado claro. Em Portugal, porém, ainda há demasiada gente a não querer ver. Seja por preconceito, por negação, ou falta de visão. A verdade é que para que se aproveite este potencial que, podemos estar certos, não durará para sempre num país de 10 milhões de habitantes, é preciso, primeiro de uma vez por todas, que se assuma a responsabilidade daquilo a que nos devemos propor. Hoje, talvez, mais do que nunca!

2- Na verdade, não tenho grandes especificidades para acrescentar à antevisão do jogo. Porque não conheço pormenorizadamente a equipa norueguesa (para além do recente embate com Portugal), e porque não tive tempo de a estudar. Ainda assim, não é difícil antecipar o que teremos pela frente: segurança em posse (com prejuizo do arrojo e qualidade), equilíbrio táctico rígido e omnipresente em todos os momentos, e, por fim, crença em Carew. Não apenas para criar algo a partir do nada, mas também para ajudar a equipa a subir e "respirar" ao longo do jogo.

Portugal terá de ser profissional na atenção aos pormenores, mas terá sobretudo de ser humilde ao ponto de não desrespeitar o jogo. Intensidade é a palavra chave. Intensidade, pela concentração e velocidade de raciocínio que será preciso ter, e, intensidade, pela dificuldade que tantas vezes existe em conseguir tê-la em jogos que, como este, à partida são encarados como desnivelados. Se Portugal tiver intensidade, se conseguir, não só jogar, mas não deixar jogar e provocar o erro, como fez contra a Dinamarca, por exemplo, então as suas hipóteses de estar fora do Euro 2012 serão, no final do jogo, muito pequenas. É nessa hipótese que quero acreditar...

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31.3.11

Selecção: notas individuais da preparação

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Laterais - Provavelmente como nunca, a Selecção está carregada de boas soluções para as laterais. A situação tem, na minha opinião, muito que ver com uma aposta em características de maior agressividade, maior reactividade e profundidade. Características que dão outra vida ao corredor. O que ganha a equipa com este perfil? Qualidade técnica, profundidade e presença em transição. O que perde? Essencialmente, alguma dificuldade posicional de jogadores normalmente adaptados à função. Isso, porém, não chega para que se peça outro perfil, especialmente num modelo que faz do pressing e da reactividade as suas traves mestras no capítulo defensivo. E as soluções, como referi, são óptimas e em quantidade: Coentrão, Duda, João Pereira, Bosingwa, Sílvio, Nelson, etc...

Centrais - Outro sector que, com laterais e extremos, poucas Selecções no mundo conseguem rivalizar. São tantas as escolhas, que o mais importante é haver algum cuidado com os ajustes individuais de cada solução. Isto porque, se é possível jogar com várias duplas de enorme qualidade, é preciso ter em atenção às diferenças de características de alguns jogadores. Por exemplo, entre Pepe e Bruno Alves - duas excelentes opções - há algumas diferenças na forma de abordar o posicionamento e o jogo em antecipação. O mais importante, por isso, é garantir a coerência colectiva, independentemente das opções escolhidas em cada momento.

Médios - Aqui surge o primeiro problema, mas talvez seja melhor começar por abordar a característica colectiva desta "era Paulo Bento". Como sempre, pede-se qualidade técnica, quer na circulação, quer na ligação com a zona de finalização. A grande característica, porém, é (e de novo!) a reactividade, a intensidade e lucidez posicional. Para interpretar este modelo, é preciso reagir rápido, agressivo e bem, em cada momento. Aí, há dois jogadores que estão a dar muito a esta equipa: Meireles e Moutinho. Meireles, porque tem uma excelente noção posicional e uma orientação decisional muito vertical. É uma espécie de libero da linha média e da primeira zona de pressão e a equipa ganha imenso com a sua presença nesse papel, porque invariavelmente lê e decide bem onde tem de estar, quando tem de estar. Depois Moutinho, com algumas diferenças em relação a Meireles: mais seguro em posse e menos vertical. Mas, com idêntica intensidade, reactividade e cultura posicional. Sobra um jogador, e Paulo Bento tem tentado introduzir uma característica mais criativa e mais virada para o último passe. Martins ou, agora, Micael. O problema destas soluções é a tal intensidade sem bola de que a equipa tanto depende. Não há muito melhores alternativas. Ou se opta por este perfil, ou se tenta algo diferente, com opções de menor orientação criativa, mas mais "nervo" e intensidade. Entre todas, há um nome que entendo ter enorme potencial, mas que precisa de ser testado em relação à sua evolução no capítulo da segurança em posse: Manuel Fernandes.

Extremos - O problema existe sempre que faltar Ronaldo ou Nani. Não é um problema de falta de qualidade, mas, antes de desnível. Um problema que vem da qualidade excepcional de Ronaldo e Nani. É que Danny, Varela ou Quaresma são óptimas opções, apenas não atingem o patamar dos outros dois. Entre as opções, a que mais me agrada é Danny. Ainda que tenha um perfil diferente dos outros, mais móvel e menos forte em situações de corredor. Ainda nestas opções, um caso interessante é Quaresma. Um talento puro e facilmente detectável, mas cujo rendimento frequentemente é confundido com a exuberância estética do seu jogo.

Avançados - O outro problema. Nenhuma das soluções para já testadas (Almeida e Postiga) está ao nível da restante equipa. São boas soluções, sim, mas não do nível da restante equipa, na minha opinião. Entre os dois, em termos defensivos não há grandes diferenças (fora o jogo aéreo nas bolas paradas, evidentemente). Em termos ofensivos, há, a meu ver, algum exagero em algumas avaliações e comparações entre os dois. Nem Hugo Almeida é um jogador muito mais forte do que Postiga na finalização, nem Postiga faz tanta diferença no jogo exterior, como se diz. Almeida é sobretudo uma mais valia nas primeiras bolas, onde é muito forte como "pivot" (desde logo, uma vantagem pouco contemplada, mas importante, no jogo exterior). De resto, na área, tira, evidentemente, partido da sua estatura, mas não tem movimentos muito fortes na resposta a cruzamentos. Falta-lhe, até, alguma cultura nesse aspecto, porque um jogador com a sua capacidade física deveria ser mais fortes a fugir nas costas dos centrais e em movimentos ao segundo poste, coisa que não se vê muito em Hugo Almeida. Quanto a Postiga, é, de facto, um jogador bastante forte tecnicamente, mas tem algumas dificuldades no choque e perante marcações mais físicas, o que lhe faz perder capacidade em muitas situações de jogo exterior. A zona onde é mais forte, a meu ver, é nos movimentos sobre os corredores, situação que Portugal pode tirar partido pela complementaridade que Ronaldo oferece na zona de finalização. Nesta equação, é claro, falta Liedson. Para já fora das contas de Paulo Bento, não me são sugeridas grandes dúvidas de que seria a mais valia que poderia representar. Não no jogo em apoio, mas na capacidade de pressão e na dificuldade acrescida que oferece à marcação, quer fora, quer dentro da área. Seria interessante que fosse experimentado antes do Europeu...
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30.3.11

Selecção: notas colectivas da preparação

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Deixo alguns comentários sobre as indicações colectivas deixadas por Portugal neste duplo confronto. São ideias que confirmam a filosofia do próprio Paulo Bento e que já haviam sido vistas nos jogos anteriores. Foram 2 jogos diferentes da Selecção. O Chile é muito melhor equipa que e a Finlândia e daí as dificuldades maiores nesse primeiro jogo. De destacar, porém, que em ambos os casos foram bem potenciados os erros dos adversários, sendo que, quer num caso, quer noutro o aproveitamento desse tipo de situações (em ataque rápido) não foi tão bom como pode e deve ser. Deixo, para já os dados do jogo com o Chile, reservando os do jogo com a Finlândia para quando fizer uma apreciação às exibições individuais nestes 2 jogos.

Ataque posicional: o ponto fraco
Nunca foi a “arte” de Paulo Bento, e não o é de novo na Selecção. Sobretudo em termos de construção, a equipa não há grandes elogios a fazer do ponto de vista da movimentação e trabalho de posse. A prioridade, porém, está bem definida. É fundamental não cometer erros comprometedores. Nem que, para isso, seja preciso um recurso mais directo para dar inicio às jogadas.

Pressing: o grande pilar
Não é novidade e viu-se logo nos primeiros minutos da “era Bento”. O “pressing” e a busca do erro é o grande enfoque colectivo. Quer em situação de organização, quer em situação de transição, a equipa procura rapidamente organizar-se de forma agressiva perante a zona da bola e retirar tempo e espaço de decisão. Com elementos fortes no 1x1 como Nani e Ronaldo, recuperar alto pode ser absolutamente “mortal”, e é muito por esta capacidade de pressionar que Portugal será um dos mais fortes candidatos à conquista do próximo Euro. Pelo menos, na minha visão.

Momentos de transição: foco na reactividade
Falando do pressing em organização, e da importância que lhe é atribuída, diz tudo da noção que Paulo Bento tem de como os momentos de transição podem ser decisivos. Em fase defesa-ataque, não é difícil perceber a ordem: tirar a bola da zona de pressão e soltar o extremo em situações em que o espaço é um aliado. No momento inverso (ataque-defesa), importância para a reactividade e organização. De preferência pressionar e tentar imediatamente a recuperação, mas percebe-se que o equilíbrio é uma prioridade que precede esse objectivo. Importante a característica individual dos jogadores, sobretudo dos médios, mas disso falarei mais tarde...

Bolas paradas: a potenciar...
É uma área onde Portugal está bem servido, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Marcou um golo frente ao Chile, mas percebe-se que poderá fazer mais do que o que actualmente apresenta.

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A preparação de Portugal (breves)

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Está algo atrasada a análise dos jogos da Selecção. É um assunto que fica prometido para os próximos dias. Ainda assim, e em jeito de comentário breve, após o último dos 2 jogos agendados para esta etapa, começo por reafirmar o óbvio, ou seja, que não foram jogos especialmente empolgantes. Não foram, mas o que se viu é suficiente para perceber que há um mundo a separar "esta" Selecção das suas versões anteriores. Hoje, uma equipa não é um "onze e uma táctica" (entenda-se, um sistema). Hoje, há uma ideia colectiva clara, bem visível no campo e capaz de garantir uma grande consistência de resultados. Por isso, e mesmo sabendo que no futebol a bola é por vezes demasiado redonda para estas projecções, arrisco que muito tem de acontecer para que a Noruega não seja atropelada quando nos visitar em Junho. Esperemos para ver...

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10.2.11

Selecções e Costinha (Breves)

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- Para as ilações a tirar, estou de acordo que o resultado interessa pouco. Mas, para a História - e estes jogos têm um lugar nada irrelevante na História - o resultado é tudo menos irrelevante. Serve esta constatação para lamentar uma derrota que classificaria como desnecessária. Não injusta, mas desnecessária. É verdade que o empate seria mais fiel ao equilíbrio do jogo, mas também é um facto que a Argentina se manteve mais forte na recta final, depois de um inicio de segunda parte onde Portugal esteve melhor e falhou 3 golos "feitos". Analisarei melhor o jogo, mas, num primeiro balanço fica a ideia de que Portugal, e apesar da derrota, confirma a recuperação de um nível mais de acordo com o seu potencial. Ou seja, capaz de jogar de igual para igual com qualquer selecção do mundo, e com idênticas possibilidades de sair vencedor. Isto, apesar das dificuldades que o meio campo luso sentiu, em especial na primeira parte, para controlar a mobilidade e qualidade de Messi.

- Também jogaram os sub 21. O resultado foi melhor, mas a exibição foi bem menos promissora. Não é sobre o jogo que quero falar mas, antes sim, de um tipo de postura que se começa a impor em relação aos naturalizados. Sempre que se pensa em integrar um cidadão português de origem estrangeira, com 1/3 do seu tempo de vida vivido em Portugal, levantam-se uma série de vozes discordantes. O que me parece difícil de perceber é que, depois de todas essas discussões, os mesmos contestatários aceitem, com a maior naturalidade, que se recuperem cidadãos estrangeiros, e que têm como única ligação ao país a sua ascendência. Aos meus olhos, todos os cidadãos portugueses devem ter os mesmos direitos e é perigoso fazer qualquer tipo de distinção entre eles. Pior, neste caso está-se a aceitar que se use o "sangue" como critério primordial de exclusão. Estou certo que não o fazem com essa intenção, mas quem defende este tipo de exclusões não está a promover outra coisa que não seja a xenofobia.

- Entretanto, e noutras "novelas", chegou ao fim a "era Costinha", no Sporting. Sempre disse que "saber escolher" é a mais importante virtude de qualquer Presidente. Tão importante que me arriscaria - com algum exagero à mistura - a considerar que é a única virtude que realmente interessa. Pois bem, se Bettencourt falhou foi porque não soube escolher, e nenhuma das suas escolhas foi tão obviamente equivocada como a de Costinha. E esta não é uma análise que faço à posteriori, posso garantir. O que me leva a comentar Costinha neste momento, porém, não é o seu trajecto, mas antes a forma como resolveu sair. Podemos chamar-lhe o "método da entrevista kamikaze", ou "método queiroziano". Pessoalmente, considero que o carácter é a última coisa que devemos hipotecar...

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19.11.10

Portugal - Espanha: Análise e números

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Um pouco às avessas com aquilo que é normal, a análise do jogo ficou relegada para o fecho do “capítulo Selecção”. Já fui amplamente elogioso em relação à exibição e, por isso, talvez seja melhor começar por salientar outro aspecto. É que, se o jogo descambou para um goleada, nada o fazia supor nos primeiros 35 minutos. Ao contrário do que é muitas vezes sugerido, não me parece que tivesse havido especial demérito da Espanha na primeira parte. A equipa foi igual a si própria, lidando bem com uma pressão fortíssima do meio campo português, quer em termos de circulação, quer em termos de reacção à perda da bola. Na segunda parte, sim, a história é um pouco diferente. Quanto à primeira, o mérito vai 100% para Portugal que acabou por vencer um autêntico duelo de nervos entre a posse espanhola e o pressing português. Aliás, sendo um exercício obviamente especulativo, parece-me improvável que, em Lisboa ou na África do Sul, a resposta dos espanhóis pudesse ser muito diferente daquela que foi dada na primeira parte.

Notas colectivas
A estratégia portuguesa foi completamente diferente daquela que a maioria das equipas optam por escolher frente ao “tiki taka” e, seguramente, muito diferente daquela utilizada por Queiroz no mundial. Um "pressing" colectivo muito forte e feito em toda a área do campo – comprimento e largura. O segredo, e única via para o sucesso, estava em estar sempre junto e em ter uma grande capacidade de reacção ao movimento da bola. Sim, porque a Espanha não iria perder a bola facilmente. Um desafio enorme em termos de concentração e união colectiva e que, repetindo a ideia, forçou um jogo de nervos entre a posse espanhola e o "pressing" luso. Quem iria fraquejar primeiro? A qualidade de circulação espanhola, perante o pressing permanente? Ou a qualidade de ajuste posicional do pressing, perante a óptima e constante circulação?

Não há suspense, todos sabemos qual o resultado, mas importa também dizer que não foi a pouco custo que Portugal o conseguiu. Os espanhóis tentaram de tudo, circulação apoiada, bolas na profundidade (ainda que poucas) e variações de flanco. Portugal foi notável na reacção, conseguindo manter quase sempre uma grande concentração na zona da bola, mesmo quando esta mudava rapidamente a sua posição. “Quase”! É que a Espanha também encontrou os seus buracos, especialmente quando conseguiu levar o jogo até às alas, com a subida dos laterais, encontrou espaços e por pouco não chegou ao golo.

Entendo, por tudo isto, que o demérito espanhol é muito pouco e seguramente muito menor do que aquilo que agora se quer fazer crer. Pelo menos na definição do jogo. A Espanha jogou com o seu melhor 11 e as suas individualidades não estão propriamente num momento de descompressão ou precoce em termos de preparação. É uma equipa que joga junta há anos, muitos deles todos os dias, e que está numa altura de alto rendimento em termos de temporada. A sua resposta, aliás, foi boa, e duvido que qualquer outra equipa tivesse durado tanto tempo perante a qualidade do "pressing" da Selecção portuguesa. A critica que pode ser feita é em termos de reacção à adversidade, quando esta apareceu. Na segunda parte, de facto, houve uma perda de qualidade no jogo colectivo espanhol, sobretudo na qualidade de circulação e reacção à perda, a que não são alheias as substituições. Uma coisa é ter Xavi e Iniesta, outra é não ter. Mas também do lado português houve uma perda de qualidade. Perda de qualidade pelas alterações individuais, e também porque seria impossível manter a intensidade que a equipa revelou nos primeiros 45 minutos.

Como balanço, importa voltar a sublinhar o impacto da entrada de Paulo Bento. Impacto nos níveis de confiança da equipa, que são explicados pelo habitual efeito da “chicotada”, e que foram depois catapultados pelos primeiros resultados positivos. Porque uma coisa é os jogadores acreditarem nas ideias de uma nova liderança, outra é sentirem realmente que essas ideias têm reflexo prático nos seus resultados. E impacto, também, ao nível da qualidade táctica da equipa, porque aquilo que se vê hoje a Selecção fazer está bem a cima do nível geral das Selecções mundiais, não tem nada a ver com a banalidade das estratégias (muitas vezes auto destrutivas) de Queiroz, ou sequer com a “era Scolari”, onde simplesmente não existia estratégia a este nível. O que não dá para afirmar é que Portugal está hoje mais motivado do que no mundial, ou que são os jogadores que estão a marcar a diferença entre Queiroz e Bento. É simplesmente absurdo supor que um jogador se sente mais motivado num particular do que numa fase final de uma campeonato do mundo, apenas por questões de simpatia com o seleccionador. Pelos para mim, é absurdo.

Um potencial problema que pode emergir reside no facto de Portugal ter atingido um pico demasiado cedo. Isto é, o nível que Portugal atingiu frente à Espanha não é superável. Não há adversários mais fortes do que a Espanha e não é possível realisticamente obter melhores resultados do que aquele que tivemos. Ou seja, com tudo ainda por jogar, convém não deixar que este resultado sirva para desactivar níveis de intensidade e ambição.

Notas individuais
João Pereira – Fez um jogo fantástico em termos de intensidade e qualidade. Seria, à partida um dos casos que mais problemáticos, dada a movimentação típica de Villa, mas a forma como a equipa jogou e a sua própria concentração e intensidade fizeram dele um dos jogadores mais assertivos no terreno. Só lhe faltou a parte ofensiva.

Bosingwa – Jogou adaptado e não se pode dizer que se tenha dado mal. Afinal, a Bosingwa não lhe falta experiência no que respeita a adaptações. Ainda assim, é um jogador que oscila entre uma excepcional capacidade física e técnica, com alguns momentos menos prudentes em termos de opção. Nesse aspecto, jogando com o pé direito, à esquerda, pode potenciar alguns passes interiores menos aconselháveis. E isso chegou a acontecer. É uma nota a tirar.

Centrais – O destaque vai para os números de Bruno Alves. Jogou os 90 minutos mas teve um nível de participação baixíssimo. Neste caso, porém, não lhe é devida uma critica especial. Em relação a Pepe e, sobretudo, Carvalho, foi um jogador mais posicional e menos agressivo a jogar em antecipação. Essa característica, combinada com o mérito colectivo que impediu a Espanha de accionar muito poucas vezes a zona dos centrais, fez com que estivesse muito tempo fora do jogo. De resto, cada um ao seu estilo e cada um no seu tempo, Carvalho e Pepe, estiveram esplêndidos (destacando ainda assim o papel de Carvalho na primeira parte, importante no papel táctico de cortar o espaço entre linhas).

Meireles – Um jogo fantástico do “pivot”. Teve uma missão especialmente próxima dos médios, formando um bloco intermédio que bloqueava a zona central. Muitas vezes formou mesmo uma linha com Moutinho e Martins, mas pôde também ler o jogo de trás, ajustar posicionamentos, antecipar, preparar o momento da perda... Enfim, um jogo tacticamente excelente, com a particularidade de ter dado, com bola, uma certeza fundamental na sua zona.

Moutinho – Será um dos maiores destaques do jogo, pelo papel táctico que teve, e por ter sido, desta vez, determinante ofensivamente. Já muito se falou dele e da sua cultura táctica e, de facto, não há muito a acrescentar a cada exbição que faz. O rigor é sempre o mesmo, a fiabilidade também, o que varia é a inspiração - e a oportunidade para tal - ofensiva.

Martins – Este era um bom teste para ele. Isto porque é um jogador que tem alguma dificuldade em termos defensivos. Não parece gostar muito de defender e, sobretudo, não tem uma grande percepção táctica em termos defensivos, o que faz com que a sua reacção posicional nem sempre seja tão rápida como devia. Neste desafio, de correr mais sem bola do que com ela, esteve muito bem e acabou por ser o protagonista de algumas intercepções decisivas.

Nani – Fica marcado pelo lance de Ronaldo e é óbvio que deve ser censurado pela opção que tomou. A questão é que a reacção não é tão anormal quanto isso em ambiente de jogo, e talvez o próprio Ronaldo fizesse o mesmo. De resto, e à parte de outro chapéu displicente que tentou, fez um grande jogo, provando de novo que é um dos melhores extremos do futebol mundial.

Ronaldo – A sua utilidade táctica e técnica combinam agora para que seja, quase sempre e enquanto está em campo, o maior dos destaques. Porque é que Ronaldo não chuta agora de 40 metros? Porque é que parece um jogador muito mais útil em todos os momentos? Porque é que não está tão ansioso em fazer tudo sozinho? O que mudou não foi Ronaldo, o que mudou foi a Selecção. Afinal, aquilo que sempre foi óbvio e que sempre fui escrevendo. O problema nunca foi Ronaldo, mas sim a envolvente...

Postiga – Fez um jogo importante em termos tácticos, orientando o “pressing”. Não é um jogador muito agressivo nessa tarefa, mas quando a equipa tem um propósito colectivo, torna-se também ele um jogador integrado e útil sem bola. De resto, os golos fazem-lhe bem. A ele, como a qualquer avançado, mas ele especialmente.

Manuel Fernandes – Acho-o um jogador de tremendo potencial e havia feito bons jogos no ciclo terrível que terminou com a saída de Queiroz. O problema de Manuel Fernandes é o risco que assume no meio campo e alguma displicência em que cai com facilidade. Sempre foi e provavelmente sempre será o seu pecado. Por alguma coisa perdeu um passe que deu transição para ataque rápido, na fase dos “olés”. Gostaria de o ver numa fase de outra organização e intensidade colectiva como aquela a que assistimos na primeira parte.



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18.11.10

Portugal - Espanha: O mérito devido de uma lição táctica

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Irei regressar com outros pontos de análise, inclusive a componente individual, mas julgo ser de inteira justiça começar por aqui, porque é aqui que reside a enorme e súbita diferença entre o passado e o presente da Selecção.

Nos primeiros triunfos da “era Bento”, o diagnóstico foi consensual. Salientou-se o demérito do seu antecessor, porque Paulo Bento apenas simplificara as coisas, criou empatia com os jogadores e escolheu os melhores. Simples, não é? Pois é, mas ninguém dá um “correctivo” destes numa equipa com a qualidade da Selecção espanhola, apenas por “dar moral” e “escolher os melhores”. Lamento.

O outro motivo a que ninguém – por ignorância ou negação – parece querer dar crédito a esta equipa é de ordem táctica, e vem na sequência daquilo que já se vira logo no jogo com a Dinamarca – e como me esforcei para o salientar! Ontem, de novo, uma lição táctica perante aquele que era, provavelmente o mais difícil dos adversários para o fazer. O resultado foi quase perfeito, soberbo!

Será interessante, para quem queira perceber, ver a forma como Portugal pressionou em todo o campo, como desafiou colectivamente o “tiki-taka” e, com organização, atitude e perseverança, acabou por aniquila-lo em 45 minutos. Será interessante comparar isso com o banal “ferrolho” do Mundial, ou mesmo com qualquer uma das “eras” anteriores.

Ontem, foi provavelmente a melhor exibição que vi a Selecção fazer. Porque teve a inspiração de grandes jogadores, mas porque teve também teve uma enorme liderança por trás. No plano motivacional e táctico. Foi a Selecção com que há muito sonhava e só espero que não acabe aqui. "Don't stop", portanto.

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17.11.10

Portugal de brilho e história (Breves)

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Pensava - e escrevi-o antes - que éramos favoritos para este jogo. Agora, nunca esperava 4-0 e, obviamente, será muito difícil alguma vez tal resultado se repetir. Mas não foi só o resultado. Esta foi uma das melhores exibições da história da Selecção, havendo muito bem mais do que os 4 golos marcados. Voltarei ao tema com uma análise mais detalhada, mas não quero deixar de expressar a minha enorme satisfação por aquilo a que assistimos. Porque acredito - e sempre o afirmei - que Portugal tem um potencial extraordinário e ao nível das melhores selecções do mundo, e porque acreditei - afirmando-o também - que o impacto de Paulo Bento iria servir para aproximar, talvez como nunca, a equipa desse valor. Pena é que esta vitória histórica não dê pontos, porque o apuramento está tudo menos garantido.

já agora, relembro este vídeo:

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15.10.10

Selecção: ranking de jogadores

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Para fechar o "capítulo Selecção", deixo uma lista de jogadores por ordem de avaliação estatística. Os números referem-se aos 4 jogos do apuramento já disputados e têm em conta apenas os jogadores com mais de 150 minutos. Convém referir que estes números têm de ser vistos mais como curiosidade já que é impossível assumir grandes conclusões de um número tão reduzido de jogos e, sobretudo, com alguma disparidade entre o tipo de jogos que alguns jogadores disputaram. Será uma tabela que ganhará mais significado com o tempo mas que, ainda assim, já dá para constatar alguns indicadores característicos de alguns jogadores. Fica a curiosidade...

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14.10.10

Islândia - Portugal: Análise e números

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O jogo era de vitória obrigatória. Quer pelo momento, quer pela diferença de potencial. Confesso que não conheço a equipa islandesa nem a forma como se costuma apresentar, mas a verdade é que fiquei muito bem impressionado com o que fez. Dentro das suas óbvias limitações individuais, teve uma prestação que conseguiu criar muitas dificuldades a Portugal. Quer pela intensidade que colocou em cada lance, quer pela lucidez da sua estratégia. Face a isto, Portugal deu uma resposta que, sendo suficiente para valer e justificar os 3 pontos, não o foi para que ficasse a salvo de algum aperto. Em suma, não foi tão positivo como frente à Dinamarca, mas foi suficiente para manter o optimismo e reforçar a confiança que claramente tem vindo a ser recuperada.

Notas colectivas
Ter mais bola e dominar territorialmente não era um problema. A estratégia islandesa praticamente “ofereceu” esse privilégio a Portugal. O problema seguinte era clássico. Para que este não fosse um presente envenenado, Portugal teria de garantir 2 coisas. A primeira era a consequência da sua posse, já que em transição tornava-se praticamente impossível atacar. A segunda era o controlo sobre o outro lado da estratégia islandesa, as transições e bolas paradas. Portugal, pode dizer-se, não foi sempre muito competente nesse desafio.

Convém separar as 2 partes. Na primeira, e especialmente após o golo, houve alguma dificuldade em lidar com as primeiras bolas islandesas e concederam-se demasiadas situações de bola parada, quer em cantos, quer livres. Outro dado sintomático, são as perdas de bola, muito mais do que no seguríssimo jogo frente à Dinamarca. A boa notícia, porém, foi que, apesar destes problemas, Portugal conseguiu sair ao intervalo em vantagem, graças à sua mais valia individual.

Uma estatística importante para perceber a diferença no controlo que Portugal conseguiu ter entre a primeira e a segunda parte são os cantos. A Islândia teve 6 em todo o jogo, mas apenas 2 na segunda parte e ambos nos primeiros 20 minutos. Ou seja, depois de uma primeira parte algo intranquila, Portugal voltou bem mais lúcido, jogando com o resultado a favor e esperando pacientemente pela oportunidade de selar a vitória. E assim foi. Os islandeses ficaram progressivamente mais longe da baliza de Eduardo e os espaços foram aumentando com a fadiga. As transições passaram a ser possíveis, Portugal marcou mais uma vez e até podia tê-lo feito de novo. Algo que os islandeses, pelo que fizeram na primeira parte, também não mereciam.

Notas individuais Meireles – Já o havia elogiado no jogo frente à Dinamarca, pela cultura posicional que revelou. Desta vez, teve um jogo mais difícil, com mais situações de segundas bolas para disputar. Ainda assim voltou a ser muito importante do ponto de vista defensivo, aliando a este aspecto a não menos importante presença decisiva no jogo. É que, se a sua função passa sobretudo pelo trabalho de coordenação e equilíbrio, dá muito jeito ter alguém tão inspirado...

Carlos Martins – Julgo que o facto de ter sido o jogador com mais passes acertados, mesmo jogando menos tempo, será uma surpresa para a generalidade das pessoas. De facto, Martins teve uma influência assinalável e positiva em posse. O problema é que esse não é o único momento do jogo e para um médio da sua posição é preciso também ter mais utilidade nos momentos defensivos. Não é uma questão de atitude ou entrega, mas de cultura posicional. Continuo a achar Tiago um médio mais completo para a função.

Ronaldo – É sem dúvida a primeira grande conquista de Paulo Bento. Ronaldo fez mais um enorme jogo, útil em todos os momentos e apresentando-se como uma ameaça constante. No Mundial, lembro-me de referir que era impossível alguém rematar repetidamente de 35 metros sem ter instruções claras para isso e que era absurdo atribuir responsabilidades individuais a um jogador que tem o rendimento de Ronaldo em equipas diferentes e épocas sucessivas. Ora bem, a resposta começa a ser dada. Ronaldo voltou a ser um jogador - um grande jogador - e não uma tentativa frustrada de super-homem.

Hugo Almeida – Assinalável o esforço que fez para se manter dentro do jogo. Não é fácil dentro deste sistema e, como já tantas vezes escrevi, o problema da pouca participação está bem mais aí do que numa falta de rendimento individual.

Postiga – A ocasião que falhou, e ao contrário daquela que teve frente à Dinamarca, teve muito mérito do guarda redes. Postiga teve um impacto positivo no jogo, ainda que tivesse alinhado no período em que havia mais espaço para atacar, mas arriscou sair desta dupla experiência com o trauma da finalização de novo reforçado. É por isso que o golo que lhe foi oferecido tem uma importância especial. Se bem o percebo, quem mais poderá agradecer o brinde é mesmo Paulo Sérgio...



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13.10.10

Impressões da Islândia (Breves)

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Mais tarde deixarei a análise mais detalhada, depois de rever o jogo. Para já, porém, fica a nota de uma vitória que não é nada mais do que normal e, especialmente nestas condições, obrigatória. A generosidade dos guarda redes foi o denominador comum, mas houve também da parte portuguesa uma exibição menos positiva e mais errática do que aquela que viram no Dragão. Mas isso, como disse, fica para mais tarde. Para já, e como nota de encerramento da o primeiro capítulo da "era Bento", quero dizer que não estou especialmente surpreendido. Em boa hora confessei o grau elevado das minhas expectativas e, agora, não espero outra coisa que não seja a confirmação da tendência actual. Entristece-me que o mérito de Paulo Bento - e que tentei explicar nos últimos dias - seja ainda muito pouco percebido pela generalidade dos adeptos. Mas sobre isso não há mais nada que possa fazer...

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11.10.10

O que já mudou com Paulo Bento (vídeo)

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Não foi o único indicio que se viu, nem o único aspecto que seguramente mudará, mas terá sido aquele que, do ponto de vista táctico, mais relevo teve. Diz-se, e é verdade, que com tão poucos treinos não é possível fazer muito. Nesse aspecto, o mérito da qualidade da interpretação das ideias tem de ir muito mais para os jogadores - mais uma prova da sua qualidade - do que para quem os treinou. Mas o mérito da ideia, da mudança de filosofia, essa é toda de Paulo Bento. É que Paulo Bento - e permitam-me a sinceridade - percebe muito mais do jogo do que qualquer dos seus antecessores. Tal como uma andorinha não faz a Primavera, o ciclo de Bento não está feito neste jogo. Mas acho que já perceberam de onde vem o meu optimismo...

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10.10.10

Portugal - Dinamarca: Análise e números

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Já tinha manifestado o meu optimismo, mas não deixa de me espantar como tanto pode mudar em tão pouco tempo. Ontem já deixei aqui a opinião sobre a importância da lucidez colectiva e táctica, para o sucesso da estratégia da equipa. Muito passa por aí, de facto, mas há também do ponto de vista táctico alterações no comportamento colectivo que deverão marcar uma nova “era” da Selecção. Planeio trazer algumas imagens que deixarão claro o que Paulo Bento já mudou no comportamento colectivo, mas, para já, reforço apenas o meu optimismo inicial. Tanto quanto à possibilidade de estarmos no inicio de um “upgrade” qualitativo do jogo da Selecção, como em relação ao potencial excepcional deste conjunto de jogadores.

Notas colectivas
Em primeiro lugar, o grande elogio que tenho para fazer vai para a sobriedade da exibição. Não se trata de querer fazer muito ou tentar elevar os ritmos para patamares difíceis de sustentar. Trata-se, isso sim, de ter uma ideia clara do que se quer fazer, e de o fazer bem. Um plano colectivo para ganhar, onde mais do que “muito”, importa fazer “bem”. Portugal esteve sempre equilibrado em campo, nunca assumiu riscos em posse e teve apenas 1 perda a possibilitar transição, sendo que mesmo nesse caso o lance nunca esteve fora do controlo em termos de equilíbrio numérico. E se estes dados são já de si raros, mais crédito ganham quando se constata que a ausência de risco não comprometeu a qualidade da posse. É que 80% de aproveitamento em posse é igualmente um dado difícil de encontrar num jogo de futebol.

Se deste pragmatismo estratégico já tinha falado, convém também referenciar aquele que é o elemento colectivo mais significativo no jogo: o pressing. Lembro-me de várias vezes ter questionado o desempenho da Selecção neste que considero ser um pilar fundamental de qualquer equipa ambiciosa, e sempre me fez confusão a falta de resultados e qualidade que vislumbrava. Ora bem, desta vez – e com apenas algumas sessões de treino – Portugal teve no pressing um alicerce fundamental para o seu sucesso no jogo. Foram inúmeras as recuperações altas e... contaram as vezes que os dinamarqueses tiveram tempo e espaço para recorrer a futebol directo que no passado tantas vezes tememos frente a nórdicos?

Outro dado que teve também um acréscimo de qualidade neste jogo foi a circulação e posse. Portugal não começou por encontrar facilidade em “furar” por esta via, mas com os golos, surgiram as condições – emocionais e tácticas – para protagonizar alguns momentos já bastante bons. Sem pressa nem urgência de progredir, mas esperando pelo tempo certo para o fazer e apelando também a alguns triângulos sobre as alas. Uma dinâmica fundamental no 4-3-3, mas que tantas vezes faltou à Selecção no passado. Contaram o número de vezes que os extremos ficaram reduzidos à solução do drible, como tantas outras vezes aconteceu em anos anteriores?

É claro que para este rápido “upgrade” conta muito a qualidade individual. No futebol, como na vida, não há milagres. Em particular, é muito mais fácil jogar bem quando se junta aos nossos extremos laterais como Coentrão e João Pereira. É muito mais fácil manter equilíbrios e evitar perdas comprometedoras quando se tem Moutinho como médio de transição. É muito mais fácil cortar o primeiro passe de transição, quando se tem um jogador com a cultura posicional de Meireles. É muito mais fácil desequilibrar quando se tem, só... Nani e Ronaldo.

Notas individuais
Ricardo Carvalho – Foi pena o auto-golo, onde tem muito azar mas também alguma responsabilidade (repararam que mudamos para defesa-zona?). De resto, fez um grande jogo, sempre com uma intensidade enorme no jogo e uma presença impossível de ignorar.

Meireles – Moutinho foi quem mais deu nas vistas no meio campo, mas Meireles não teve menor importância. Aliás, merecia uma análise individual para salientar o tempo de pressing sobre o primeiro passe e o número de vezes que cortou a transição contrária pela raiz (às vezes em falta). Pensar que vem jogando nas costas de Torres no Liverpool e que, de repente, faz um jogo posicional com esta qualidade, só eleva ainda mais o seu mérito.

Moutinho – A confiança nota-se. Continua a ser um jogador intenso e tacticamente irrepreensível, mas agora o seu primeiro toque é melhor e a facilidade com que “salta” o pressing directo faz com que dê um perfume acrescido ao jogo. Falta-lhe o último terço. Só lhe falta isso, mas... ainda lhe falta isso.

Carlos Martins – Não fez um mau jogo, mas foi o elo mais fraco do meio campo. É uma solução, mas creio que lhe falta alguma cultura táctica para ter a utilidade dos outros 2 elementos que com ele jogaram no meio campo. Pela qualidade de Tiago, pessoalmente, acredito que o médio do Atlético seria uma solução melhor. Talvez não tão explosiva, mas globalmente melhor.

Ronaldo – Grande notícia o seu golo. Claramente procurava esse momento e perdia-se algumas vezes por isso. Talvez o golo lhe dê tranquilidade para engrenar de vez. De resto, é um jogador obviamente fantástico e que desequilibra tantas vezes que às vezes nos esquecemos. Vi o jogo uma primeira vez – no estádio – mas só depois de analisar melhor é que me apercebi concretamente do número de situações de golo em que esteve directamente envolvido.

Nani – Quando vejo os jogos do Man Utd, pergunto-me como é possível não ter melhor aproveitamento ofensivo na Selecção, tendo Nani. Ou melhor... também Nani. Está em grande forma e é um dos melhores extremos do futebol actual, como facilmente o mostrou.

Hugo Almeida – Não são exactamente iguais, mas quase que poderia recuperar alguns comentários que fiz a Falcao. É por isso que normalmente (nem todos os casos são assim) prefiro o losango. O triângulo recuado é análogo ao do 4-3-3, mas o triângulo ofensivo, no losango, não ignora tanto um recurso como tantas vezes vemos acontecer no 4-3-3. Hugo Almeida não jogou mal, mas jogou pouco.

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