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26.5.11
14.3.11
Rio Ave - Sporting: Análise e números
Os indícios negativos que, ainda que brevemente, comentara a propósito da exibição frente ao Beira Mar, confirmaram-se em Vila do Conde. Juntou-se-lhes a maior qualidade do adversário e o Sporting deve ter feito, muito provavelmente, a exibição mais incapaz deste campeonato. Será discutível, mas considerando todos os elementos de análise, eu arriscaria o "prémio": a pior exibição! Há que considerar, obviamente, o bom jogo do Rio Ave – uma das melhores equipas da liga, neste momento. Mas nem isso, nem a situação presente do Sporting, são suficientes para que se perca alcance critico ao que vai sendo feito com esta equipa do Sporting. E, nesse plano, há alguns pontos merecedores de atenção...
A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.
Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.
Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.
Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa
André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.
Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.
Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.
Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.
Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.
Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.
Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.
Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).
Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.
Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.
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Notas colectivas
Começando por um aspecto que me parece importante: o discurso e atitude de Couceiro. As “chicotadas psicológicas”, como já tentei demonstrar no passado, podem ter um efeito prático útil. A explicação não está num “milagre táctico”, mas numa inversão do estado de espírito de equipas emocionalmente arrasadas. Ora, no caso do Sporting, esse efeito arrisca-se a ser particularmente reduzido. É que para que o “chicote” seja útil convém que a nova liderança tenha, pelo menos (já nem falo da capacidade!), determinação e energia para renovar esperanças e atitudes. Couceiro parece não ver nesta sua tarefa uma oportunidade, mas uma espécie de obrigação que cumprirá apenas por não lhe restar alternativa. Talvez Couceiro se ache com muita falta de sorte, mas, vistas bem as coisas, fica a pergunta: quantos serão os treinadores portugueses que não trocariam épocas inteiras por este final de época no Sporting?A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.
Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.
Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.
Notas individuais
Evaldo – De novo, incrível a forma como está na zona dos lances mas não tem capacidade para se impor.Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa
André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.
Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.
Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.
Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.
Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.
Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.
Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.
Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).
Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.
Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.
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17.1.11
Sporting - Paços: Análise e números
O jogo abriu com uma ocasião, logo na primeira jogada, e esse acabou por revelar-se um pronuncio do entretenimento que a partida viria a oferecer. Os efeitos da estratégia do Paços já haviam sido explicados no jogo que fizera na Luz, onde conseguiu um elevado número de remates. Desta vez, porém, os “castores” foram mais longe e acabaram por juntar a sua própria eficácia com a complacência do adversário. É que se a estratégia do Paços estava anunciada, o Sporting nunca se mostrou preparado para ela, agravando a situação com a péssima reacção que foi tendo ao longo do jogo. Ao intervalo ainda dava para reconhecer que a desvantagem era penalizadora para o Sporting, mas o mesmo não se pode dizer do segundo tempo. Tudo somado: sem desculpas!
Perante este cenário, o Sporting tinha um papel muito fácil de entender. O segredo estaria na qualidade em organização e em ataque posicional. Ter a inteligência para perceber o perigo de errar em zonas baixas, e a audácia para ultrapassar, com bola, a primeira linha de pressing do Paços. Se isso fosse conseguido, o Sporting poderia aproveitar o maior espaço dentro do bloco pacense e empurrar o adversário para um posicionamento mais baixo, que não lhe permitiria impor as características do seu jogo.
O problema é que, não só o Sporting fez um dos jogos mais erráticos da temporada (também por mérito do Paços), como a sua circulação nunca foi capaz de fazer a bola chegar com eficácia à zona de criação. O problema, aqui, está nas dinâmicas que a equipa não tem para o que sobra da primeira fase de construção. Com Maniche (e Pedro Mendes, quando está disponível), a bola circula sempre bem, com segurança e velocidade, mas o que vem depois é um enorme deserto de ideias. Os extremos não fazem movimentos interiores, e quando aparecem é sempre para resolver individualmente nos corredores. Os laterais, só aparecem ofensivamente em situações pontuais e circunstanciais do jogo. O avançado parece ter como única função esperar por uma situação de finalização na área. Sobra o improviso do 10, e – repito a ideia – Paulo Sérgio bem pode agradecer à sorte a lesão de Matías Fernandez.
Com todos estes problemas, o Sporting não estava a fazer um bom jogo, mas também é facto que foi criando oportunidades em bom número através das inspirações de Valdés. A agravante surge depois, ironicamente entre os 2 golos da segunda parte. Aos 61’ o Sporting empatou, mas essa foi a sua derradeira ocasião clara no jogo. Culpa principal do seu treinador que forçou uma alteração, de todo, absurda. Não só alterou a estrutura, perdendo presença num meio campo já de si mal ligado, como retirou a sua unidade de maior influência no jogo. É óbvio que existe um preconceito geral em relação a Maniche e que isso impede adeptos e muita comunicação social de lhe fazer uma análise justa do seu óptimo rendimento. O que não é aceitável é que o próprio treinador não seja capaz de ir além deste registo. Não é aceitável, e isso paga-se.
Por fim, nota sobre o Paços. Já elogiei a prestação dos “castores”, pelo arrojo da sua estratégia que dá aos jogos uma característica pouco comum neste tipo de confrontos. Se é a melhor maneira? Parece-me discutível, mas o Paços tem-se dado bem. Há também alguns jogadores interessantes nesta equipa. Os laterais, digo eu, merecem uma revisão por parte de clubes de maior dimensão. São ofensivos e agressivos, ficando por averiguar a sua consistência e fiabilidade defensiva (coisa que ainda não fiz). Numa altura em que se procuram tantos laterais, se calhar vale a pena dar uma olhada. Depois, destaque para os centrais e para a dinâmica do meio campo ofensivo, com Pizzi e David Simão em destaque também pela sua juventude.
Polga – Erra com alguma – por vezes demasiada! – frequência, mas volto a fazer um elogio à sua capacidade de ler o jogo e de antecipação. Por isso, e mesmo não sendo forte fisicamente, é o jogador que mais intercepções faz entre os 3 “grandes". É uma característica que não lhe é muito reconhecida, mas com a qual a equipa ganha muito. Não foi por ele que o Sporting perdeu, seguramente.
Carriço – Carriço distingue-se, entre os subaproveitados centrais do Sporting, por ser aquele que menos erros comete. Desta vez foi mais humano e esteve, por culpa própria, bem na origem da derrota.
André Santos – Continuo a fazer notar que, sendo um bom jogador, se está a exagerar sobre as suas capacidades actuais e que isso pode não ser benéfico na sua evolução. Em relação a Zapater, ainda é discutível a sua mais valia, mas com o regresso de Maniche voltou a ser apenas uma sombra do seu parceiro de sector. Claro, quando lhe tiraram Maniche, a coisa complicou-se.
Maniche – É espantoso o que joga e o que dele se diz. Grande primeira parte, sendo, outra vez, a unidade mais influente, quer em termos de circulação, quer em termos de trabalho defensivo. É certo que estava a aparecer menos na segunda parte, mas nada justifica a sua saída, quando, por exemplo, o seu rendimento era, a anos luz, superior ao de André Santos. A incompetência da decisão pagou-se com aquilo que se viu depois do 2-2.
Salomão – É curioso porque apareceu melhor na pior fase da equipa. É possível que seja um jogador mais forte se não estiver tão isolado na linha. Tem boa capacidade de decisão, mas muitas vezes faltam-lhe apoios. Tem boa capacidade de trabalho, mas está muitas vezes muito longe das jogadas. Tudo somado, fez um bom jogo, mas esse é o principal destaque que lhe vi nesta partida, quando jogou mais por dentro: talvez ainda exista um melhor Salomão do que aquele que já vimos. Mas, para ter a certeza, teremos de esperar por outro Sporting.
Vukcevic – Voltou a ser pouco produtivo em termos de trabalho e uma espécie de ilha amarrada à direita. É claro que pode sempre decidir com o seu talento, mas quando, como foi o caso, isso não acontece, fica difícil de perceber para serviu no jogo...
Valdes – Voltou a fazer um jogo espantoso em termos de proximidade com o golo. A sua liberdade em zona criativa é uma enorme fonte de problemas para os adversários, mas convém não confundir as zonas em que deve ser potenciado. Se o objectivo é potenciar Valdes, é preciso dar-lhe mais jogo na zona criativa e não fazer baixar o jogador para a construção, onde o seu perfil de decisão é inadequado. A sua não planeada adaptação a 10 tornou-o num dos melhores reforços do Sporting nos últimos anos. Isto, ao mesmo tempo que se continua a dizer que a equipa não luta pelo título porque não tem jogadores para isso.
David Simão – Já observara este médio emprestado pelo Benfica na Selecção de esperanças e fiquei com melhor impressão do que o crédito que lhe foi dado na altura. É um jogador com grande qualidade técnica, que dá boa sequência a grande parte das bolas que por si passam e que tem, também, uma boa capacidade de trabalho. No entanto, não lhe vejo, para já, nenhuma característica extraordinária, sendo que joga numa posição muito exigente e de difícil afirmação. Fez um grande jogo, mas preciso de ver mais...
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Notas colectivas
A intenção do Paços era óbvia: quando o Sporting tinha a bola, provocar o erro e, se possível, impedir a saída em futebol apoiado, através de uma primeira linha de pressão mais alta. Quando conseguia ganhar a bola, utilizar sempre um futebol rectilíneo, seja através de saídas verticais em ataque rápido ou, caso tal não fosse possível, uma abordagem mais directa em ataque posicional.Perante este cenário, o Sporting tinha um papel muito fácil de entender. O segredo estaria na qualidade em organização e em ataque posicional. Ter a inteligência para perceber o perigo de errar em zonas baixas, e a audácia para ultrapassar, com bola, a primeira linha de pressing do Paços. Se isso fosse conseguido, o Sporting poderia aproveitar o maior espaço dentro do bloco pacense e empurrar o adversário para um posicionamento mais baixo, que não lhe permitiria impor as características do seu jogo.
O problema é que, não só o Sporting fez um dos jogos mais erráticos da temporada (também por mérito do Paços), como a sua circulação nunca foi capaz de fazer a bola chegar com eficácia à zona de criação. O problema, aqui, está nas dinâmicas que a equipa não tem para o que sobra da primeira fase de construção. Com Maniche (e Pedro Mendes, quando está disponível), a bola circula sempre bem, com segurança e velocidade, mas o que vem depois é um enorme deserto de ideias. Os extremos não fazem movimentos interiores, e quando aparecem é sempre para resolver individualmente nos corredores. Os laterais, só aparecem ofensivamente em situações pontuais e circunstanciais do jogo. O avançado parece ter como única função esperar por uma situação de finalização na área. Sobra o improviso do 10, e – repito a ideia – Paulo Sérgio bem pode agradecer à sorte a lesão de Matías Fernandez.
Com todos estes problemas, o Sporting não estava a fazer um bom jogo, mas também é facto que foi criando oportunidades em bom número através das inspirações de Valdés. A agravante surge depois, ironicamente entre os 2 golos da segunda parte. Aos 61’ o Sporting empatou, mas essa foi a sua derradeira ocasião clara no jogo. Culpa principal do seu treinador que forçou uma alteração, de todo, absurda. Não só alterou a estrutura, perdendo presença num meio campo já de si mal ligado, como retirou a sua unidade de maior influência no jogo. É óbvio que existe um preconceito geral em relação a Maniche e que isso impede adeptos e muita comunicação social de lhe fazer uma análise justa do seu óptimo rendimento. O que não é aceitável é que o próprio treinador não seja capaz de ir além deste registo. Não é aceitável, e isso paga-se.
Por fim, nota sobre o Paços. Já elogiei a prestação dos “castores”, pelo arrojo da sua estratégia que dá aos jogos uma característica pouco comum neste tipo de confrontos. Se é a melhor maneira? Parece-me discutível, mas o Paços tem-se dado bem. Há também alguns jogadores interessantes nesta equipa. Os laterais, digo eu, merecem uma revisão por parte de clubes de maior dimensão. São ofensivos e agressivos, ficando por averiguar a sua consistência e fiabilidade defensiva (coisa que ainda não fiz). Numa altura em que se procuram tantos laterais, se calhar vale a pena dar uma olhada. Depois, destaque para os centrais e para a dinâmica do meio campo ofensivo, com Pizzi e David Simão em destaque também pela sua juventude.
Notas individuais
Evaldo – O mesmo problema já realçado noutras ocasiões. Está lá sempre, mas sempre em níveis mínimos. Raramente compromete, mas não tem capacidade interventiva que se permita afirmar ser uma mais valia, ou sequer que lá chegue perto. Obviamente que esta constatação não justifica a sua troca por Grimi na altura em que aconteceu...Polga – Erra com alguma – por vezes demasiada! – frequência, mas volto a fazer um elogio à sua capacidade de ler o jogo e de antecipação. Por isso, e mesmo não sendo forte fisicamente, é o jogador que mais intercepções faz entre os 3 “grandes". É uma característica que não lhe é muito reconhecida, mas com a qual a equipa ganha muito. Não foi por ele que o Sporting perdeu, seguramente.
Carriço – Carriço distingue-se, entre os subaproveitados centrais do Sporting, por ser aquele que menos erros comete. Desta vez foi mais humano e esteve, por culpa própria, bem na origem da derrota.
André Santos – Continuo a fazer notar que, sendo um bom jogador, se está a exagerar sobre as suas capacidades actuais e que isso pode não ser benéfico na sua evolução. Em relação a Zapater, ainda é discutível a sua mais valia, mas com o regresso de Maniche voltou a ser apenas uma sombra do seu parceiro de sector. Claro, quando lhe tiraram Maniche, a coisa complicou-se.
Maniche – É espantoso o que joga e o que dele se diz. Grande primeira parte, sendo, outra vez, a unidade mais influente, quer em termos de circulação, quer em termos de trabalho defensivo. É certo que estava a aparecer menos na segunda parte, mas nada justifica a sua saída, quando, por exemplo, o seu rendimento era, a anos luz, superior ao de André Santos. A incompetência da decisão pagou-se com aquilo que se viu depois do 2-2.
Salomão – É curioso porque apareceu melhor na pior fase da equipa. É possível que seja um jogador mais forte se não estiver tão isolado na linha. Tem boa capacidade de decisão, mas muitas vezes faltam-lhe apoios. Tem boa capacidade de trabalho, mas está muitas vezes muito longe das jogadas. Tudo somado, fez um bom jogo, mas esse é o principal destaque que lhe vi nesta partida, quando jogou mais por dentro: talvez ainda exista um melhor Salomão do que aquele que já vimos. Mas, para ter a certeza, teremos de esperar por outro Sporting.
Vukcevic – Voltou a ser pouco produtivo em termos de trabalho e uma espécie de ilha amarrada à direita. É claro que pode sempre decidir com o seu talento, mas quando, como foi o caso, isso não acontece, fica difícil de perceber para serviu no jogo...
Valdes – Voltou a fazer um jogo espantoso em termos de proximidade com o golo. A sua liberdade em zona criativa é uma enorme fonte de problemas para os adversários, mas convém não confundir as zonas em que deve ser potenciado. Se o objectivo é potenciar Valdes, é preciso dar-lhe mais jogo na zona criativa e não fazer baixar o jogador para a construção, onde o seu perfil de decisão é inadequado. A sua não planeada adaptação a 10 tornou-o num dos melhores reforços do Sporting nos últimos anos. Isto, ao mesmo tempo que se continua a dizer que a equipa não luta pelo título porque não tem jogadores para isso.
David Simão – Já observara este médio emprestado pelo Benfica na Selecção de esperanças e fiquei com melhor impressão do que o crédito que lhe foi dado na altura. É um jogador com grande qualidade técnica, que dá boa sequência a grande parte das bolas que por si passam e que tem, também, uma boa capacidade de trabalho. No entanto, não lhe vejo, para já, nenhuma característica extraordinária, sendo que joga numa posição muito exigente e de difícil afirmação. Fez um grande jogo, mas preciso de ver mais...
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10.1.11
Sporting - Braga: Análise e números
Esperava um bom jogo, muito melhor do que aquilo que foi. Houve emoção numa parte inicial e a margem tangencial do marcador fez com que a incerteza durasse até ao fim. Durou a incerteza, mas não a qualidade. Aliás, acho que a qualidade nem chegou a aparecer em Alvalade para este jogo. Em relação ao resultado, enfim, como sempre vale mais a pena compreende-lo do que averiguar da sua justiça. Neste caso, o Sporting ganhou por se ter superiorizado em 2 aspectos: eficácia e concentração.
O facto é que, se o Sporting teve menos qualidade na sequência que deu à sua posse, também acabou por experimentar muito menos erros do que noutros jogos. Ou seja, a equipa procurou – tal como o Braga, aliás – iniciar as suas jogadas sem forçar a saída em apoio, mas com solicitações mais directas, feitas pelos centrais, Carriço e Polga. Não é um costume da “era Paulo Sérgio”, mas aconteceu. Ofensivamente, não colheu grandes frutos, mas como o Braga se encarregou de “entregar o ouro” no seu próprio período negro, isso acabou por interessar pouco. Defensivamente, sim, a opção acabou por beneficiar a equipa, já que as perdas de bola aconteceram quase sempre em zonas seguras, impossibilitando o Braga de actuar em ataque rápido a partir dos momentos de transição.
Relativamente às opções, Paulo Sérgio teve bastantes contra tempos e penso que boa parte da baixa qualidade em circulação deriva do facto de Maniche e Pedro Mendes estarem ausentes neste jogo. Raramente vemos, quer um quer outro, errar o número de entregas de Zapater ou André Santos. Não sendo isto, note-se, uma critica aos 2 médios, mas muito mais um elogio – que repito – à capacidade invulgar de Maniche e Pedro Mendes. De resto, a ironia talvez esteja no facto de ter sido na última baixa, a de Postiga, que Paulo Sérgio terá começado a ganhar o jogo. De facto, parece-me um equívoco tremendo optar por Postiga para jogar como 10 nesta estrutura. Como 10 ou como ala, de resto. Há soluções que garantem muito mais rendimento e uma delas – Valdés – já fez mais do que suficiente para que se questionasse a sua utilização na posição em que mais rende.
Relativamente ao Braga, e depois de alguns bons jogos, tinha tudo para dar sequência ao seu crescimento em Alvalade. Infelizmente para Domingos, a equipa voltou a denotar tendências suicidas e pagou caro por isso. Arrisco-me a dizer que teve mais qualidade de circulação e, até, não menos oportunidades de golo do que o Sporting. Mas, claro, não pode errar como errou em alguns momentos.
André Santos – É sempre o mais elogiado e é inegável que tem qualidade. Muitos desses elogios resultam da sua disponibilidade física, que lhe permite dar mais nas vistas em determinados lances. Em certos casos, mesmo, isso pode ser muito útil, como no corte que fez à beira do intervalo, depois de uma grande recuperação. O facto é que André Santos raramente é o jogador mais eficaz do meio campo do Sporting, jogue com quem jogue. Ou seja, deve aprender, especialmente olhando para Maniche e Pedro Mendes o valor do posicionamento e da antecipação do primeiro passe de transição. Se o fizer, sim, tornar-se-á num grande médio.
Zapater – Tudo somado, parece-me justo cataloga-lo de melhor em campo. Foi o jogador mais interventivo no jogo, tendo-se destacado mais pela sua capacidade posicional do que pela qualidade na entrega. A assistência acaba por ser outro dado relevante a favor da sua exibição.
Vukcevic – Começou por se manter longe do jogo, mas acabou por fazer uma partida muito válida e atípica. Vukcevic é normalmente um jogador pouco trabalhador e muito desequilibrador. Desta vez foi o contrário. Juntou-se aos companheiros na luta de meio campo e desequilibrou pouco.
Valdes – Foi o jogador com maior percentagem de sequência em posse, o que, para um jogador de último terço, é notável. Aliás, a sua qualidade técnica é mesmo extraordinária, sendo muito difícil de ser desarmado, seja onde for. Não esteve sempre dentro do jogo, mas foi um elemento muito presente nos momentos de transição e na leitura das segundas bolas, ganhando muitas. A jogar solto, é um craque!
Liedson – Não fez um bom jogo em termos técnicos, mas foi decisivo e, como sempre, trabalhou muito bem sem bola. Aliás, sendo óbvio que o seu rendimento ofensivo não tem sido o mesmo de outras épocas, já a sua capacidade trabalho continua em níveis verdadeiramente extraordinários para um avançado e isso, a meu ver, tem muito valor em termos colectivos.
Salomão – Marcou e foi um destaque óbvio no final pelo impacto que teve. Mesmo tendo feito quase tudo bem, porém, não fez uma grande exibição. Porquê? Porque esteve demasiado ausente do jogo, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Ainda assim, creio que merece uma aposta mais contínua.
Alan – Foi, com Paulo César, o melhor do Braga. Tem uma qualidade em posse como poucos jogadores nesta Liga e movimenta-se muito bem sem bola, também. Quase dá vontade de recuperar os seus jogos no Porto para perceber porque falhou num “grande”. Tem 31 anos, mas o seu futebol ainda deve durar. É que Alan não alicerça as suas virtudes na potência física, mas na técnica e inteligência com que aborda cada posse. Espero que não abandone o futebol português nos próximos anos, porque seria uma perda.
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Notas colectivas
Paulo Sérgio seguramente que não se importará com a tendência, porque dela resultaram 2 importantes vitórias. O facto é que, frente ao Braga, o Sporting voltou a atingir alguns mínimos de campeonato. Mínimo em passes completados e mínimo na % de sequência dada à posse de bola. Mínimos, que já haviam sido renovados precisamente na última jornada, em Setúbal.O facto é que, se o Sporting teve menos qualidade na sequência que deu à sua posse, também acabou por experimentar muito menos erros do que noutros jogos. Ou seja, a equipa procurou – tal como o Braga, aliás – iniciar as suas jogadas sem forçar a saída em apoio, mas com solicitações mais directas, feitas pelos centrais, Carriço e Polga. Não é um costume da “era Paulo Sérgio”, mas aconteceu. Ofensivamente, não colheu grandes frutos, mas como o Braga se encarregou de “entregar o ouro” no seu próprio período negro, isso acabou por interessar pouco. Defensivamente, sim, a opção acabou por beneficiar a equipa, já que as perdas de bola aconteceram quase sempre em zonas seguras, impossibilitando o Braga de actuar em ataque rápido a partir dos momentos de transição.
Relativamente às opções, Paulo Sérgio teve bastantes contra tempos e penso que boa parte da baixa qualidade em circulação deriva do facto de Maniche e Pedro Mendes estarem ausentes neste jogo. Raramente vemos, quer um quer outro, errar o número de entregas de Zapater ou André Santos. Não sendo isto, note-se, uma critica aos 2 médios, mas muito mais um elogio – que repito – à capacidade invulgar de Maniche e Pedro Mendes. De resto, a ironia talvez esteja no facto de ter sido na última baixa, a de Postiga, que Paulo Sérgio terá começado a ganhar o jogo. De facto, parece-me um equívoco tremendo optar por Postiga para jogar como 10 nesta estrutura. Como 10 ou como ala, de resto. Há soluções que garantem muito mais rendimento e uma delas – Valdés – já fez mais do que suficiente para que se questionasse a sua utilização na posição em que mais rende.
Relativamente ao Braga, e depois de alguns bons jogos, tinha tudo para dar sequência ao seu crescimento em Alvalade. Infelizmente para Domingos, a equipa voltou a denotar tendências suicidas e pagou caro por isso. Arrisco-me a dizer que teve mais qualidade de circulação e, até, não menos oportunidades de golo do que o Sporting. Mas, claro, não pode errar como errou em alguns momentos.
Notas individuais
Evaldo – Joga 90 sobre 90 minutos e para o Sporting já é uma boa notícia ter um jogador fiável e regular nessa posição. O seu rendimento, porém, roça os mínimos. É forte fisicamente, mas não lê bem o jogo e por isso consegue poucas antecipações e intercepções. Com bola, falhou demasiados passes. André Santos – É sempre o mais elogiado e é inegável que tem qualidade. Muitos desses elogios resultam da sua disponibilidade física, que lhe permite dar mais nas vistas em determinados lances. Em certos casos, mesmo, isso pode ser muito útil, como no corte que fez à beira do intervalo, depois de uma grande recuperação. O facto é que André Santos raramente é o jogador mais eficaz do meio campo do Sporting, jogue com quem jogue. Ou seja, deve aprender, especialmente olhando para Maniche e Pedro Mendes o valor do posicionamento e da antecipação do primeiro passe de transição. Se o fizer, sim, tornar-se-á num grande médio.
Zapater – Tudo somado, parece-me justo cataloga-lo de melhor em campo. Foi o jogador mais interventivo no jogo, tendo-se destacado mais pela sua capacidade posicional do que pela qualidade na entrega. A assistência acaba por ser outro dado relevante a favor da sua exibição.
Vukcevic – Começou por se manter longe do jogo, mas acabou por fazer uma partida muito válida e atípica. Vukcevic é normalmente um jogador pouco trabalhador e muito desequilibrador. Desta vez foi o contrário. Juntou-se aos companheiros na luta de meio campo e desequilibrou pouco.
Valdes – Foi o jogador com maior percentagem de sequência em posse, o que, para um jogador de último terço, é notável. Aliás, a sua qualidade técnica é mesmo extraordinária, sendo muito difícil de ser desarmado, seja onde for. Não esteve sempre dentro do jogo, mas foi um elemento muito presente nos momentos de transição e na leitura das segundas bolas, ganhando muitas. A jogar solto, é um craque!
Liedson – Não fez um bom jogo em termos técnicos, mas foi decisivo e, como sempre, trabalhou muito bem sem bola. Aliás, sendo óbvio que o seu rendimento ofensivo não tem sido o mesmo de outras épocas, já a sua capacidade trabalho continua em níveis verdadeiramente extraordinários para um avançado e isso, a meu ver, tem muito valor em termos colectivos.
Salomão – Marcou e foi um destaque óbvio no final pelo impacto que teve. Mesmo tendo feito quase tudo bem, porém, não fez uma grande exibição. Porquê? Porque esteve demasiado ausente do jogo, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Ainda assim, creio que merece uma aposta mais contínua.
Alan – Foi, com Paulo César, o melhor do Braga. Tem uma qualidade em posse como poucos jogadores nesta Liga e movimenta-se muito bem sem bola, também. Quase dá vontade de recuperar os seus jogos no Porto para perceber porque falhou num “grande”. Tem 31 anos, mas o seu futebol ainda deve durar. É que Alan não alicerça as suas virtudes na potência física, mas na técnica e inteligência com que aborda cada posse. Espero que não abandone o futebol português nos próximos anos, porque seria uma perda.
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29.12.10
As 2 faces de Jaime Valdés

Porquê da diferença?Como explicar a diferença de rendimento? Bom, terá a ver com o enquadramento colectivo, mas sobretudo com as características do próprio jogador. Quando chegou, classifiquei Valdés de "driblador nato", pela sua facilidade de sair da marcação em drible curto. O problema de Valdés é que este recurso não é um fim em si mesmo. Ou seja, dá-lhe tempo e espaço para criar uma situação de passe ou de cruzamento, mas essa vantagem de pouco lhe servia na ala. Porquê? Porque, primeiro, Valdés não tem uma grande capacidade de cruzamento ou de remate e, depois, porque a própria equipa cria poucos apoios no corredor para poder retirar proveitos colectivos desta característica individual.
Ao aparecer no meio, Valdés passou a poder aplicar a sua capacidade técnica em zonas muito mais próximas da baliza, tornando cada drible curto num acontecimento muito mais gravoso para a defensiva contrária. Mas não é só. Para se jogar em posições centrais, não basta habilidade: é preciso cultura de movimentos. E é aqui que surge a aptidão escondida de Valdés. O seu critério de movimentação tem sido muito bom, oscilando a sua presença no centro, na ala ou em profundidade. Valdés não é um 10 de construção - como Matías, por exemplo - mas tem-se revelado um jogador muito mais determinante no último terço.
Mais uma solução de qualidade
O rendimento de Valdés nesta posição tem sido de tal forma elevado que é até irrealista esperar a manutenção dos mesmos níveis de desempenho. Ainda assim, diria que dificilmente Valdés deixará de ser - com alguma distância - a melhor solução para o lugar e, igualmente, uma mais valia para a equipa. Valdés aparece nesta fase como mais uma solução individual de elevado rendimento, numa equipa de quem, muito se diz e escreve, não ter qualidade individual para lutar pelo título. Esta é uma ideia que não partilho, em absoluto. Não digo que o Sporting tenha melhores recursos individuais do que Benfica e Porto, mas tem-nos suficientes para exigir bem mais do seu rendimento colectivo. Tem, por exemplo, um plantel muito melhor do que anos anteriores. É só uma opinião...
Ao aparecer no meio, Valdés passou a poder aplicar a sua capacidade técnica em zonas muito mais próximas da baliza, tornando cada drible curto num acontecimento muito mais gravoso para a defensiva contrária. Mas não é só. Para se jogar em posições centrais, não basta habilidade: é preciso cultura de movimentos. E é aqui que surge a aptidão escondida de Valdés. O seu critério de movimentação tem sido muito bom, oscilando a sua presença no centro, na ala ou em profundidade. Valdés não é um 10 de construção - como Matías, por exemplo - mas tem-se revelado um jogador muito mais determinante no último terço.
Mais uma solução de qualidade
O rendimento de Valdés nesta posição tem sido de tal forma elevado que é até irrealista esperar a manutenção dos mesmos níveis de desempenho. Ainda assim, diria que dificilmente Valdés deixará de ser - com alguma distância - a melhor solução para o lugar e, igualmente, uma mais valia para a equipa. Valdés aparece nesta fase como mais uma solução individual de elevado rendimento, numa equipa de quem, muito se diz e escreve, não ter qualidade individual para lutar pelo título. Esta é uma ideia que não partilho, em absoluto. Não digo que o Sporting tenha melhores recursos individuais do que Benfica e Porto, mas tem-nos suficientes para exigir bem mais do seu rendimento colectivo. Tem, por exemplo, um plantel muito melhor do que anos anteriores. É só uma opinião...
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29.11.10
Porto - Sporting (Análise e números)
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Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.
Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.
Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.
Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.
Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.
Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.
O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.
Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.
Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.
André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.
Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.
Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.
Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.
Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.
Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.
Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...
Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.
Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...
Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.
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11.11.10
Sporting - Guimarães: Análise e números

Notas colectivas
De facto, e como referi no comentário “breve” que deixei depois do jogo, o curso da partida surpreendeu-me. Esperava um Vitória muito melhor e capaz de potenciar muito mais problemas. Esperava um bloco defensivo mais fechado e difícil de ultrapassar e uma transição defesa-ataque pronta a soltar muita gente em ataque rápido. O jogo típico das equipas de Machado neste tipo de embates.Mas não aconteceu. O Sporting esteve bem, embora não começando de forma esplêndida. Teve Vukcevic e Valdés muito inspirados e um João Pereira eléctrico, acabando por conseguir um golo que começou a inclinar muito a balança do jogo. O Vitória sentiu o golpe, começou a decidir mal com bola e, sem ela, tornou-se estranhamente permeável às cavalgadas dos jogadores do Sporting que iam furando o bloco defensivo contrário. Com o 2-0 a coisa ainda se agravou mais e entendo que o pior momento do Vitória terá sido mesmo no quarto de hora final da primeira parte. A equipa ficou à deriva perante um Sporting muito confiante, mas que acabou por, também ele, ser benévolo. Isto é, não é que o Sporting tenha criado muitas oportunidades claras nesse período, mas teve um volume de jogo enorme, encontrando permanentes facilidades em chegar ao último terço. Justificava-se um pouco mais de acutilância para chegar a um golo que não aconteceu.
Depois, a segunda parte. Não era preciso muito para o Sporting confirmar os 3 pontos. Obviamente. Mas foi também nesse momento que se viu a pouca lucidez e capacidade da equipa para reagir de acordo com as diferentes situações com o jogo lhe oferece. Não que tivesse havido uma grande reacção do Vitória. A equipa de Machado apenas se recompôs emocionalmente ao intervalo, corrigindo o desnorte com que havia finalizado a primeira parte. O golo nunca esteve especialmente eminente por parte do Vitória, mas o Sporting permitiu sempre um jogo esticado e a um ritmo que só interessaria a quem precisava de ver mais golos no jogo. Isto, até ao tal quarto de hora final.
A expulsão de Maniche é apenas um dado a acrescentar àquele que considero ter sido verdadeiramente o catalisador do deslize leonino: o primeiro golo. Foi realmente a partir daí que o Sporting se perdeu por completo como equipa, permitindo logo de seguida o empate e ainda o impensável terceiro golo, numa transição, essa sim característica das equipas de Machado.
Sobre o Sporting, há 2 coisas a concluir da segunda parte. A primeira, em termos tácticos, é que esta equipa parece apenas preparada para jogar quando precisa de golos. Quando está numa situação favorável, não sabe gerir o jogo, não sabe utilizar o espaço em transição ou uma posse mais especulativa, baixando ritmos e tempos de jogo. A segunda conclusão é mais grave. Qualquer equipa precisa de ser forte psicologicamente, de ter confiança na sua proposta e nas suas potencialidades. É isso – não canso de repetir – que distingue as equipas de grande sucesso, das outras. O que aconteceu nos últimos 15 minutos foi a evidência de que a confiança desta equipa é tão sólida como qualquer castelo de cartas.
Sobre o Vitória, importa dizer que, embora continue sem deslumbrar ninguém, Machado está a fazer um excelente campeonato em termos pontuais e prepara-se realmente para discutir um lugar com o Sporting, possivelmente mesmo até ao fim da prova. O jogo com o Braga será mais uma etapa importante na afirmação do estatuto da equipa na tabela. Importa dizer que, se o Vitória não teve um grande desempenho na primeira parte e contou também com grande eficácia na parte final, também não lhe pode ser retirado qualquer mérito na reviravolta. É que, ao contrário do Sporting, o Vitória – por mérito de Machado – sabe bem interpretar as diferentes fases do jogo e reagir de acordo com aquilo que elas pedem à equipa. E isso é meio caminho andado.
Notas individuais
Centrais – A nota que quero deixar não tanto a ver com o rendimento dos 2 jogadores neste jogo, mas com a gestão que entendo dever ser feita. Ou seja, nesta altura já devia estar claro que os problemas do Sporting não passam por questões individuais. Mais importante do que descobrir quem é melhor do que quem, é potenciar o rendimento colectivo dos jogadores e para isso é preciso dar-lhes confiança. Paulo Sérgio, em minha opinião, ganharia em eleger 1 dupla de centrais e dar-lhe tempo. Tem um bom exemplo no Porto, onde a qualidade individual nesta posição não é, em meu entender, superior à do Sporting.André Santos – Também não vou comentar especificamente este jogo, que não foi um dos seus melhores – embora tenha sido vitima do jogo pouco pensado da equipa, sendo que o Sporting fez muito menos passes do que normalmente faz. O ponto serve apenas para referir que André Santos, embora com alguns pontos onde pode e deve melhorar, é já uma aposta ganha do Sporting. Um jogador que garante melhor rendimento do que Zapater, por exemplo.
Maniche – Para além da expulsão estava a fazer um jogo abaixo do que lhe é habitual – com as mesmas atenuantes que André Santos. Ainda assim estava tudo menos a jogar mal. Maniche é agora o novo responsável pelos problemas do Sporting. O seu excesso de agressividade não é de hoje e não será no Sporting que ele se vai corrigir. Queira o Sporting que esse seja o seu único mal e que o seu rendimento se mantenha como até aqui. Queira, já agora, também que não se cometa o erro de agravar ainda mais o mal que está feito. Ou seja, se o Sporting decidir penalizar desportivamente Maniche poderá pagar caro por isso. Repito que Maniche é o melhor jogador do Sporting nesta época e com alguma distância e não tenho a certeza até que ponto a sua ausência pode mesmo ser decisiva. Vamos ver já em Coimbra.
João Pereira – Fez um jogo pleno de intensidade, correu quilómetros a uma intensidade tremenda, criou lances de golo, recuperou e deu quase sempre boa sequência às jogadas que passaram por ele. O problema é o “quase”. É que as (poucas) bolas que perdeu tiveram consequências...
Valdés – Paulo Sérgio pode ter aberto uma nova era na carreira de Valdés. E não me refiro apenas à sua passagem no Sporting. A sua capacidade técnica é invulgar, como é fácil de ver. O que aconteceu tantas vezes foi que o chileno, jogando na ala, pouca ou nenhuma consequência dava ao seu futebol. Jogando mais perto da baliza parece tornar-se muito mais perigoso. Primeiro, porque sendo difícil de lhe tirar a bola, quando a tem perto da baliza, o problema torna-se muito maior para quem defende. Depois, porque ao contrário do que acontece com a maioria dos extremos, Valdés revela uma notável capacidade para se mover ao longo de toda a largura do campo.
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2.11.10
Leiria - Sporting: Análise e números

Notas Colectivas
Começo por alguns dados estatísticos que ajudam a explicar o jogo. Os centrais fizeram 43 passes, quando, em média fazem 80 por jogo. O jogador mais accionado, entre todos, foi Hélder Postiga, ou seja o ponta de lança, o que é completamente incomum. Com tudo isto, o Sporting fez o jogo com menor número de passes completados na Liga, mas sem que isso resultasse de uma perda de qualidade ou eficácia ao nível do passe. O que se passou? O Leiria apostou numa postura mais alta, mas não se soube proteger devidamente no espaço entre linhas, permitindo que as jogadas do Sporting fossem mais verticais do que normalmente são e, por isso, tivessem necessidade de menor circulação. Ora, perante este cenário, claramente o Sporting deu-se melhor. Porque tem uma óptima qualidade de passe na sua fase de organização e facilmente “saltou” o pressing. Depois, o Leiria abria demasiado espaço no seu bloco para impedir chegadas em boas condições à sua área. Da parte dos leões, a única critica a fazer em relação ao jogo é algum controlo que não conseguiu no espaço entre linhas. A postura do Leiria potenciava um jogo esticado e com grande presença ofensiva em ambos os extremos do campo. Cabia ao Sporting evitar que o jogo caísse no descontrolo da loucura da parada e respost. Por vezes fê-lo bem, noutras, nem tanto.
No fim de tudo isto, há que falar da dinâmica, numa estrutura que não é nova. Tudo resulta sobretudo das características individuais e não de novas ideias ou rotinas colectivas. Claramente o resultado neste primeiro jogo foi bastante bom, mas é preciso ter prudência antes de retirar grandes conclusões na base de um só jogo – sobretudo este.
Nota final para o Leiria. Assumiu um jogo em que ofereceu óptimas condições ao Sporting para atacar, mas o seu erro não é apenas estratégico. Há diversos erros organizacionais, quer na compacidade do bloco (daí o espaço entre linhas), quer na reacção da sua última linha a um posicionamento mais alto e agressivo (no Dragão isto foi catastrófico). Tem alguns bons jogadores, mas parece-me que Caixinha tem um futuro de grandes dificuldades.
Notas individuais
Abel e João Pereira – Juntos, formam uma ala direita com mais capacidade de recuperação e equilíbrio defensivo. Abel é um bom lateral e fez, na minha opinião, um bom jogo, sobretudo defensivamente. João Pereira, como diz Paulo Sérgio, joga bem em todo o lado, porque tem qualidade, agressividade e atitude. Ainda assim, acredito que João Pereira é uma mais valia como lateral e não como extremo e, por isso, continuo a ser da opinião que esta não é a melhor dupla para o flanco.Centrais – Torsiglieri deveria ter resolvido o lance do golo, mesmo se não teve a sorte do seu lado. Ainda assim, no restante do jogo, esteve bastante bem. Carriço, por exemplo, teve muito mais dificuldades, quer no espaço aéreo, quer em alguns duelos individuais onde foi batido de uma forma demasiado fácil. Referi-o no último jogo e voltei a ficar com a ideia de que o capitão do Sporting não está num momento muito bom. As soluções são todas de qualidade (repito-o!), mas eu apostaria nesta altura numa dupla N.A.Coelho-Torsiglieri.
Valdes – Como ala, e entre os 3 grandes, era aquele que tinha, em simultâneo, mais % de posse e menos desequilíbrios. Ou seja, joga bem e é tecnicamente dos mais fortes do campeonato, mas sempre foi muito pouco consequente. O seu melhor jogo, na minha opinião, tinha sido na Figueira da Foz, onde jogou também numa posição mais interior. Agora apareceu como 10 e “explodiu” ao primeiro jogo. O exemplo, embora bom, não é suficiente para ser conclusivo. Não só por ser apenas 1 jogo, mas porque este jogo especifico deu mais espaço do que é hábito naquela zona. A questão, pois, é saber se perante um espaço mais apertado, Valdes vai ter uma decisão e movimentação adequada às exigências da posição...
Postiga – Voltou a estar bem, muito determinado e participativo em várias situações de golo. Hoje, tem menos receio em procurar a baliza e creio que isso lhe faz bem. Apesar da sua boa fase, tenho uma critica a fazer-lhe. É certo que muitas vezes não são situações fáceis, dado o isolamento e aperto com que tem de executar, mas ontem, e perante tantas solicitações, nem sempre deu a melhor sequência às bolas que por si passaram. Creio que pode fazer melhor.
Carlão – Uma nota para este jogador. Se me perguntassem qual é, em Portugal, o jogador mais difícil de parar, jogando de costas para a baliza, responderia com o seu nome. É fortíssimo fisicamente, o que torna muito difícil a tarefa dos centrais no habitual “encosto”, e, depois, é também tecnicamente muito forte dando quase sempre boa sequência às jogadas que por si passam. Tem ainda velocidade e profundidade. Tudo combinado, e mesmo considerando os pontos fracos, parece-me claro ter qualidade a mais para o clube onde joga.
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31.10.10
Sporting ganha em Leiria (Breves)
- Era importante dar sequência ao momento vitorioso, especialmente sendo o jogo fora de casa, e o Sporting terá feito até por merecer uma vitória mais dilatada na segunda parte. Há, porém, 2 motivos pelos quais esta vitória pode não ter tanta relevância quanto poderia. A primeira tem a ver com o próprio jogo e com alguma falta de controlo num jogo em que ele tinha tudo para ser total. Não falo dos golos perdidos, mas das ocasiões permitidas. A segunda, surge porque a confiança só pode ser devidamente capitalizada se houver uma continuidade da proposta de jogo e dos protagonistas, e isso, no caso do Sporting não tem acontecido. Entretanto, o herói foi Valdés. O mesmo que tantas vezes critiquei pelas dificuldades que demonstrou em dar sequência prática à sua óbvia qualidade técnica. Uma nota para o Leiria. Não me quero alongar muito porque ainda tenho de rever o jogo, mas parece-me que voltou a dar uma imagem muito fraca da sua qualidade organizacional, não tendo, desta vez, sido tão severamente punida. Não antecipo uma sequência fácil para Caixinha que tem, já agora, um avançado realmente interessante: Carlão. Em Portugal, provavelmente o mais difícil de contrariar no jogo exterior.
- Entretanto, ontem houve quem achasse que não havia condições para jogar. Eu discordo e apresento uma testemunha... Belluschi!
- Entretanto, ontem houve quem achasse que não havia condições para jogar. Eu discordo e apresento uma testemunha... Belluschi!
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29.10.10
Melhores e piores na Liga (até à 8ª jornada)

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20.9.10
Benfica - Sporting: análise e números

Notas Colectivas: Benfica
Qualidade táctica. Se há coisa em que o Benfica de Jesus foi, é e sempre será, é na sua qualidade táctica. Não é a primeira vez que o defino, mas vou repeti-lo porque quando se fala neste termo, raramente se percebe exactamente o que se quer dizer: qualidade táctica – para mim – é eficácia com que a equipa reage colectivamente à dinâmica do jogo. E, aqui, não muitas equipas no mundo tão fortes como o Benfica. Seguramente, não há nenhuma em Portugal.Ora bem, se o Sporting foi o adversário ideal, quer pela estimulo motivacional, quer pela postura “naive” que assumiu, só o foi porque o Benfica tem de facto muita qualidade no seu jogo. Não fez um jogo brilhante – diria que apenas “bom” para as suas possibilidades – e demorou algum tempo a conseguir também dificultar um pouco mais o domínio territorial que o Sporting tentou exercer, mas manteve sempre uma óptima organização defensiva e conseguiu com bastante frequência aproveitar erros alheios para potenciar o espaço que era concedido. E isso foi mais do que suficiente para meter o jogo e o adversário “no bolso”.
Esta será uma vitória naturalmente importante para o Benfica. Importante para o restabelecimento dos níveis de confiança colectivos, que a grande missão que Jesus tem pela frente no futuro imediato. Mas, naturalmente, está também longe de ser suficiente para corrigir todo o mal que foi feito. O Benfica terá novamente desafios complicados, perante outro tipo de adversários, menos estimulantes e mais fechados, e onde, novamente, o erro não poderá ser banalizado. Entre tudo o que de bom houve para o Benfica no jogo podemos lembrar dois aspectos que deverão manter o alerta bem presente nas hostes encarnadas: o facto da única jogada de golo do Sporting ter vindo de um erro individual e as defesas para a frente de Roberto.
Notas colectivas: Sporting
Quem acompanha o que escrevo neste blogue deve perceber que se torna algo cansativo escrever tantas vezes a mesma coisa. De facto, desde os primeiros jogos que analisei na pré época que venho alertando para aqueles que são os reais problemas do modelo de Paulo Sérgio. Debateram-se sistemas, se deveria ou não jogar um “10”, se deveria ou não jogar um “pivot”, e fizeram-se longas dissertações sobre essas matérias. Compreendo que talvez sejam mais interessantes e intuitivos esse tipo de debates, mas raramente os problemas crónicos de uma equipa passam por aí e o Sporting não é excepção. A definição de “qualidade táctica” que relembrei atrás serve também para este caso, mas num sentido inverso. O Sporting não tem “qualidade táctica” suficiente para assumir estratégias mais altas e dominadoras frente a equipas com a qualidade do Benfica. Isso vê-se em vários aspectos aqui já denunciados. Aspectos com e sem bola, mas nenhum se compara à forma como o seu sector recuado está (mal) operacionalizado. Foi por aí – sobretudo – que o Sporting perdeu, e reforço, para ser claro, outro ponto de opinião que também não é novo: isto nada tem a ver com a qualidade individual dos seus defensores que, assinale-se, é muito elevada. É importante não confundir o que é colectivo com o que é individual.
Dito o mais importante, quero também realçar alguns pontos. O primeiro é que, apesar de insuficiente, o Sporting hoje é bem melhor do que há 3 ou 4 semanas. O segundo é que me parece correcto que Paulo Sérgio tente estabilizar um onze base, só discordando da sua flutuação em termos de variações no modelo. Neste caso, o principal problema terá sido o lado estratégico da proposta de jogo, assumindo uma postura que, como já longamente defendi, não tinha capacidade para sustentar, mas há também em algumas opções tácticas alguma discordância da minha parte. A fixação de Liedson numa zona central parece-me um lapso e não é por acaso que o seu melhor jogo foi na Figueira, onde esteve mais móvel. O mesmo vale para Yannick, que claramente não é um ala para ser fixado à direita. Com este “aprisionamento” dos avançados, o Sporting perde mobilidade e soluções de passe no último terço e isso foi relevante, não só neste jogo, mas também frente ao Olhanense. Com tudo isto, ficou fácil para Jesus realçar a sua mestria táctica para “parar” João Pereira. Na realidade, não vejo grande genialidade na opção, já que Valdés foi uma surpresa sobre a esquerda e o flanco do Benfica também foi suficiente para tapar as investidas do Sporting.
Notas individuais: Benfica
Indo directo ao assunto, o nome do jogo é Cardozo. O mesmo Cardozo que havia sido uma nulidade em 3 dos 4 jogos anteriores e que ainda a meio da semana tinha problemas fisicos que o impediam de ser mais participativo. Ora, parece estranho que o desgaste de uma semana de 3 jogos termine com a melhor exibição até agora registada na Liga, entre todos os jogos dos 3 “grandes”. Um feito que não se justifica apenas pelos golos, mas também por uma muito relevante participação colectiva – algo que tinha sido assumido como um problema crónico. Para mim, esta exibição só vem confirmar uma coisa: o problema de Cardozo não tem nada a ver com debilidades fisicas. Tem, isso sim, a ver com um problema de atitude e motivação em jogos mais e menos importantes. E está bom de ver a diferença que isso pode fazer!Ainda no Benfica, mais uma prova de capacidade da sua dupla mais recuada, que tem uma enorme qualidade. Sempre reforcei que esse nunca foi um problema, mas é nestes jogos que isso talvez fique mais claro. Outro nome a ter em conta é Coentrão. Acredito que só poderá ser um jogador para outros patamares se for lateral, mas mesmo mais à frente voltou a mostrar a sua capacidade participativa. É uma característica importante e que lhe está no ADN.
Notas individuais: Sporting
Posso começar pelo melhor: Maniche. Foi o jogador que conseguiu mais passes, mais % de passe e mais intercepções. Foi e não é surpresa. Maniche tem um rendimento extraordinário no Sporting e é, a par de Belluschi, o melhor médio da competição até ao momento. Aliás, o que Maniche faz é raro mesmo em termos internacionais e, na minha opinião, merece regressar rapidamente à Selecção. A questão sobre Maniche é se a frustração de ter uma equipa que não acompanha a sua qualidade e intensidade, não acabará por fazer regressar o pior da sua personalidade, mas isso é algo que só o tempo irá responder.De resto, gostaria também de falar de Nuno André Coelho, que cometeu alguns erros e acaba como o “vilão” no lance do segundo golo. Importa sublinhar, à imagem do que escrevi atrás, que Nuno André Coelho ganhou muitos lances como aquele que perdeu nessa jogada e que o seu erro não explica o golo sofrido nem o espaço criado. Mal está uma equipa se a distância entre um pontapé longo e uma ocasião de golo está dependente do central ganhar a primeira bola.
Finalmente, nota para a pouca intensidade de Valdés e Matias. São jogadores tecnicamente evoluídos, mas a quem falta muito em termos de presença sem bola. Particularmente, Matias, a jogar numa posição nuclear, precisa de estar muito mais próximo dos lances em todos os momentos. Algo que o separa e separará sempre de um rendimento superior e que tem de lhe ser passado por quem lidera o processo de treino.
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1.9.10
Naval - Sporting: Análise e números

Notas colectivas
Há dias confessei acreditar que esta era uma equipa individualmente superior àquela que o Sporting tinha há 1 ano e que se Paulo Bento a tivesse tido nessa altura dificilmente teria deixado Alvalade da forma que deixou. Ora, na Figueira tivemos um bom teste prático para essa hipótese teórica, com muito do que a equipa fez a aproximar-se da filosofia implementada por Bento. E a verdade é que se deu muito bem.O domínio leonino foi alicerçado numa boa intensidade de todos os jogadores, valendo uma rápida presença nas zonas da bola e também representando uma mais valia na disputa de lances divididos. As dimensões do campo não são, aliás, um pormenor a menosprezar na análise do jogo. Nestas condições é sempre importante ser mais forte nas bolas divididas e na resposta a iniciativas mais directas, que acabam sempre por acontecer. Depois – e também tem a ver com a dimensão – é importante saber distinguir bem os momentos em que dá para circular e aqueles em que o risco não deve ser assumido. Em todos estes patamares o Sporting esteve bem e, sobretudo, sempre muito melhor do que a Naval. Aliás, uma das dúvidas que me fica é que resposta dará a equipa neste modelo, mas num campo maior. Sobretudo em termos defensivos, creio que há problemas que poderão ser mais vezes expostos. Mas isso só poderemos confirmar, se a fórmula for repetida noutras condições.
Importa também falar de outro aspecto que tem a ver com a dinâmica das alas. O Sporting tem tido alguns problemas na protecção dos flancos. Jogando em 4-4-2 ou 4-2-3-1, como vem sendo hábito, a equipa tem sempre 2 alas muito ofensivos e o meio campo, com apenas 2 jogadores, tem dificuldade para auxiliar a tempo a cobertura dos flancos. Este problema foi muito visível na Mata Real, mas tem sido um denominador comum na temporada e um dos problemas da equipa. Ora, este losango apresentou maior consistência nesse âmbito porque, apesar dos laterais serem muito ofensivos, havia 3 médios com responsabilidades mais posicionais, o que facilitava a compensação nos flancos. Mais uma vez, um jogo não chega para tirar conclusões, mas esta dinâmica foi bastante interessante, e mais interessante poderá ser com João Pereira, por exemplo.
Se tudo isto funcionou em termos colectivos, muita da explicação da subida de rendimento tem de vir da componente individual...
Notas individuais
De facto, num só jogo houve vários jogadores a conseguir os níveis exibicionais mais elevados da temporada, e isso não pode ser dissociado da estrutura e do modelo adoptados.Primeiro, Liedson. De facto, foi outro jogador com alguém ao lado. Tem andado distante do seu nível de rendimento noutras temporadas, mas com o losango voltou o melhor Liedson. Muito participativo, conseguindo estar presente em todos os momentos da equipa e sendo uma mais valia para o colectivo pela abrangência das suas acções. Foi decisivo, e isso é obviamente importante, mas não é esse dado que deve ser mais relevado na sua exibição. Fica claro, nesta estrutura Paulo Sérgio ganha outro jogador na frente.
Depois Maniche. Passou mais ou menos em claro aquilo que fez no jogo, mas Maniche fez um jogo enorme na Figueira. É impressionante a sua capacidade de presença, a leitura rápida que faz do jogo e a capacidade de execução que tem ao nível do passe. Ter este Maniche é ter um jogador ao mais alto nível mundial. E ainda faltam os desequilíbrios que sabemos que é capaz de criar! Não sei se o critério da sua não convocação foi técnico, mas se foi, alguém anda a fazer mal o seu trabalho...
De resto, quase toda a equipa, do meio campo para a frente, esteve em níveis máximos de temporada. Um destaque particular para os efeitos que a estrutura teve em Yannick e Valdes. Yannick, porque, um pouco como Liedson, é neste figurino que se sente melhor e que as suas qualidades são melhor potenciadas. Quanto a Valdes fez o jogo mais completo desde que chegou. Finalmente foi um jogador total, para todos os momentos e não apenas um ala à espera que a bola lhe chegasse ao pé. Assim sim, pode ser uma mais valia.
Como nota negativa, e um dia após ter atingido o ponto máximo da sua carreira, Nuno André Coelho. Talvez a convocatória o tenha afectado, mas esteve algo displicente no passe, acumulando 3 perdas evitáveis. Ao seu lado, Carriço esteve bem melhor.
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18.8.10
Paços - Sporting: Análise, números e vídeo (II)
Vídeo: os 3 cruzamentos
Para quem viu o jogo, não passou em claro o carácter repetitivo da jogada. Cruzamento tenso e rasteiro de Manuel José, a pedir um desvio entre o guarda redes e os centrais. Nos 2 primeiros falhou, mas à terceira foi de vez. Na verdade, e apesar da repetição, os casos não são exactamente idênticos. Dois aconteceram em transição e o terceiro em ataque posicional. Na soma, porém, vislumbram-se bem os problemas do funcionamento da linha defensiva do Sporting. Problemas que, diga-se, são sobretudo colectivos. Outro dado importante é o mérito do cruzamento e de quem o faz: Manuel José.
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Para quem viu o jogo, não passou em claro o carácter repetitivo da jogada. Cruzamento tenso e rasteiro de Manuel José, a pedir um desvio entre o guarda redes e os centrais. Nos 2 primeiros falhou, mas à terceira foi de vez. Na verdade, e apesar da repetição, os casos não são exactamente idênticos. Dois aconteceram em transição e o terceiro em ataque posicional. Na soma, porém, vislumbram-se bem os problemas do funcionamento da linha defensiva do Sporting. Problemas que, diga-se, são sobretudo colectivos. Outro dado importante é o mérito do cruzamento e de quem o faz: Manuel José.
No primeiro lance, existe uma perda evitável após uma variação de flanco não muito aconselhável. Ainda assim, é neste lance que mais se percebe como a defensiva leonina está pouco vocacionada para assumir riscos na linha do fora de jogo. O baixar imediato do trio defensivo pode parecer prudente, mas acaba por trazer mais risco do que segurança. Isto porque, ao recuar, a linha defensiva abdica de tentar controlar a jogada em termos de espaço e tempo. Ou seja, o ataque tem mais espaço para definir o passe e pode escolher a velocidade que quer dar ao lance, não sendo obrigado a decidir rapidamente. Nestas condições, é mais difícil, quer para o meio campo recuperar o posicionamento defensivo, quer para os próprios centrais controlar uma jogada que acontece em velocidade e numa área enorme de campo.
No segundo lance, grande parte do mal acontece na atitude de Evaldo. A forma como aborda a dividida só é possível caso tenha a certeza de que a vai ganhar. Caso contrário, e como aconteceu, perde não só a bola mas, mais ainda, a sua capacidade de recuperação. Depois, o único comentário que há a fazer vai para o posicionamento no centro do terreno. Embora defenda que a defesa se deva manter em linha dentro da área, não concordo que esta seja definida pelo posicionamento da bola em cruzamentos que não sejam já próximos da linha lateral. Uma margem de 1-2 metros será o ideal neste caso. O que é mais preocupante, porém, é que este comportamento parece apenas ocasional, já que não foi repetido noutras ocasiões.
Finalmente, no lance do golo, a origem deve ser muito mais centralizada na zona do cruzamento. Aí é que o Sporting tinha superioridade numérica, sendo proibido que, nessas condições, seja permitido tanto espaço para cruzar. Postiga, como mostra o vídeo, terá sido o mais displicente de todos.
Ainda assim, Nuno André Coelho não deixa de merecer responsabilização. Primeiro, o tal pormenor de ter tido uma opção diferente daquela que havia escolhido apenas há minutos atrás. Mas isso demonstra mais anarquia do comportamento colectivo, do que responsabilidade individual. A nota de culpa para o central vai para a forma como abordou o lance. Teria de controlar o espaço entre si e o atacante, mas, ao mesmo tempo, garantir que não perderia a frente do lance. Entre as referências zona e homem, N.A. Coelho não podia ignorar qualquer uma que fosse, tendo ainda de manter os olhos sobre a bola. Não era fácil, é certo, mas também se pode facilmente perceber que deveria e poderia ter feito bem melhor. Já agora, e para terminar, uma nota sobre a especificidade do avançado. Rondon não é um jogador muito alto, daí que o risco da antecipação talvez fosse maior do que perder o controlo sobre as costas. Simples agora, bem mais do que quando se tem de avaliar e decidir em segundos...
Estatística individual
A primeira nota vai para a novidade do site da Liga, com estatísticas em tempo real. É uma novidade muito interessante, embora para mim não possa substituir o que venho fazendo. O motivo é simples, não sei o que realmente medem os indicadores apresentados. É por isso que ler estatísticas em futebol se torna complicado, porque o critério não fica explicado apenas pela nomenclatura e, salvo melhor explicação, só quem faz a estatística percebe realmente o que está a medir. Outra nota para algumas divergências em alguns números. É normal que existam, mas há também discrepâncias que não se justificam (individualmente, porque colectivamente, os números são muito semelhantes). Acredito muito na tecnologia e não tenho dúvidas que tem mais potencial para não errar, mas posso garantir, por exemplo, que João Pereira não fez 63 passes certos, nem Liedson 23.
Em relação aos números, começo por destacar a elevadíssima participação dos centrais leoninos. Mostra, por um lado, que o recurso ao jogo directo foi recorrente por parte do Paços e, por outro, que os centrais tiveram uma grande capacidade para dominar a sua zona perante esse recurso. Ou seja, os erros que venho apontando não parecem ser o espelho de uma limitação individual, mas sim de um défice de coordenação e orientação colectiva.
Há, aqui, um caso que merece nota: Polga. É um jogador vulgarmente criticado – eu me incluo aqui – e que muitas vezes não se compreende o porquê da insistência na sua utilização. Aqui entramos na virtude e limitação deste método. Ou seja, o método mostra-nos a influência positiva de Polga no jogo, o que oferece a sua capacidade de leitura, posicionamento e antecipação. Não dá, no entanto, para enquadrar Polga no problema táctico da última linha da equipa, sabendo-se da sua dificuldade em jogar alto e com o fora de jogo. É um bom exemplo da utilidade e enquadramento do método na análise. E não, como tristemente foi confundido por alguns, como um juízo absoluto do rendimento individual.
Outro caso a abordar é Carriço. A sua presença no meio campo entende-se na perspectiva de que o Paços jogaria – como jogou – de forma directa. Retira qualidade em algumas vertentes à equipa, mas parece-me acertada a opção de Paulo Sérgio em termos de opção individual. Aliás, muito desse acerto vem da própria qualidade do jogador que, apesar de jogar “fora de água”, manteve um rendimento e eficácia extremamente elevados.
Sobre Valdes, reforçar que deve ser entendido à luz das suas características. Tal como referi aqui aquando da sua contratação, é um jogador muito forte em termos técnicos, sobretudo no 1x1, mas que tem dificuldade em termos de intensidade, quer nos momentos defensivos, quer quando se lhe pede para encontrar espaços para aparecer. Talvez tenha sido forçada a mudança táctica ao intervalo, mas a introdução do chileno no 11, e neste jogo, parece-me um erro evitável à partida.
Finalmente, Postiga. Talvez esteja aqui a grande oportunidade para se relançar. Tem um problema óbvio com a pressão de finalizar (não por este jogo), e acaba por falhar bem mais do que seria expectável. Não é um problema mecânico, é um problema mental, que tem a ver com a envolvente e a especificidade da pressão em ambiente de jogo. Ou seja, não se corrige com o treino. Por outro lado, tem uma grande capacidade para jogar em zonas mais interiores, onde se movimenta bem e decide melhor. Não tem a criatividade de uns, mas pode dar, por exemplo, uma vantagem importante nas primeiras bolas na zona à frente dos centrais. O que eu estou a sugerir – outra vez! – é que seja testado mais vezes e mais tempo nas costas do ponta de lança, que sirva de referência para o apoio frontal e que lhe seja retirado o peso da camisola 9. Até agora, e nesta época, respondeu sempre bem à chamada nestas circunstâncias.

No segundo lance, grande parte do mal acontece na atitude de Evaldo. A forma como aborda a dividida só é possível caso tenha a certeza de que a vai ganhar. Caso contrário, e como aconteceu, perde não só a bola mas, mais ainda, a sua capacidade de recuperação. Depois, o único comentário que há a fazer vai para o posicionamento no centro do terreno. Embora defenda que a defesa se deva manter em linha dentro da área, não concordo que esta seja definida pelo posicionamento da bola em cruzamentos que não sejam já próximos da linha lateral. Uma margem de 1-2 metros será o ideal neste caso. O que é mais preocupante, porém, é que este comportamento parece apenas ocasional, já que não foi repetido noutras ocasiões.
Finalmente, no lance do golo, a origem deve ser muito mais centralizada na zona do cruzamento. Aí é que o Sporting tinha superioridade numérica, sendo proibido que, nessas condições, seja permitido tanto espaço para cruzar. Postiga, como mostra o vídeo, terá sido o mais displicente de todos.
Ainda assim, Nuno André Coelho não deixa de merecer responsabilização. Primeiro, o tal pormenor de ter tido uma opção diferente daquela que havia escolhido apenas há minutos atrás. Mas isso demonstra mais anarquia do comportamento colectivo, do que responsabilidade individual. A nota de culpa para o central vai para a forma como abordou o lance. Teria de controlar o espaço entre si e o atacante, mas, ao mesmo tempo, garantir que não perderia a frente do lance. Entre as referências zona e homem, N.A. Coelho não podia ignorar qualquer uma que fosse, tendo ainda de manter os olhos sobre a bola. Não era fácil, é certo, mas também se pode facilmente perceber que deveria e poderia ter feito bem melhor. Já agora, e para terminar, uma nota sobre a especificidade do avançado. Rondon não é um jogador muito alto, daí que o risco da antecipação talvez fosse maior do que perder o controlo sobre as costas. Simples agora, bem mais do que quando se tem de avaliar e decidir em segundos...
Estatística individual
A primeira nota vai para a novidade do site da Liga, com estatísticas em tempo real. É uma novidade muito interessante, embora para mim não possa substituir o que venho fazendo. O motivo é simples, não sei o que realmente medem os indicadores apresentados. É por isso que ler estatísticas em futebol se torna complicado, porque o critério não fica explicado apenas pela nomenclatura e, salvo melhor explicação, só quem faz a estatística percebe realmente o que está a medir. Outra nota para algumas divergências em alguns números. É normal que existam, mas há também discrepâncias que não se justificam (individualmente, porque colectivamente, os números são muito semelhantes). Acredito muito na tecnologia e não tenho dúvidas que tem mais potencial para não errar, mas posso garantir, por exemplo, que João Pereira não fez 63 passes certos, nem Liedson 23.
Em relação aos números, começo por destacar a elevadíssima participação dos centrais leoninos. Mostra, por um lado, que o recurso ao jogo directo foi recorrente por parte do Paços e, por outro, que os centrais tiveram uma grande capacidade para dominar a sua zona perante esse recurso. Ou seja, os erros que venho apontando não parecem ser o espelho de uma limitação individual, mas sim de um défice de coordenação e orientação colectiva.
Há, aqui, um caso que merece nota: Polga. É um jogador vulgarmente criticado – eu me incluo aqui – e que muitas vezes não se compreende o porquê da insistência na sua utilização. Aqui entramos na virtude e limitação deste método. Ou seja, o método mostra-nos a influência positiva de Polga no jogo, o que oferece a sua capacidade de leitura, posicionamento e antecipação. Não dá, no entanto, para enquadrar Polga no problema táctico da última linha da equipa, sabendo-se da sua dificuldade em jogar alto e com o fora de jogo. É um bom exemplo da utilidade e enquadramento do método na análise. E não, como tristemente foi confundido por alguns, como um juízo absoluto do rendimento individual.
Outro caso a abordar é Carriço. A sua presença no meio campo entende-se na perspectiva de que o Paços jogaria – como jogou – de forma directa. Retira qualidade em algumas vertentes à equipa, mas parece-me acertada a opção de Paulo Sérgio em termos de opção individual. Aliás, muito desse acerto vem da própria qualidade do jogador que, apesar de jogar “fora de água”, manteve um rendimento e eficácia extremamente elevados.
Sobre Valdes, reforçar que deve ser entendido à luz das suas características. Tal como referi aqui aquando da sua contratação, é um jogador muito forte em termos técnicos, sobretudo no 1x1, mas que tem dificuldade em termos de intensidade, quer nos momentos defensivos, quer quando se lhe pede para encontrar espaços para aparecer. Talvez tenha sido forçada a mudança táctica ao intervalo, mas a introdução do chileno no 11, e neste jogo, parece-me um erro evitável à partida.
Finalmente, Postiga. Talvez esteja aqui a grande oportunidade para se relançar. Tem um problema óbvio com a pressão de finalizar (não por este jogo), e acaba por falhar bem mais do que seria expectável. Não é um problema mecânico, é um problema mental, que tem a ver com a envolvente e a especificidade da pressão em ambiente de jogo. Ou seja, não se corrige com o treino. Por outro lado, tem uma grande capacidade para jogar em zonas mais interiores, onde se movimenta bem e decide melhor. Não tem a criatividade de uns, mas pode dar, por exemplo, uma vantagem importante nas primeiras bolas na zona à frente dos centrais. O que eu estou a sugerir – outra vez! – é que seja testado mais vezes e mais tempo nas costas do ponta de lança, que sirva de referência para o apoio frontal e que lhe seja retirado o peso da camisola 9. Até agora, e nesta época, respondeu sempre bem à chamada nestas circunstâncias.

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16.7.10
Reforços 10/11: Jaime Valdés
Confesso que não o conhecia muito bem antes da chegada a Alvalade mas, como quase sempre, tive a curiosidade de o observar nas suas passagens anteriores. Jaime Valdés surpreendeu-me em alguns aspectos, onde creio ter uma qualidade inequívoca. Noutros, porém, não sou tão optimista, mas vamos a eles...
Na Atalanta, percebia-se, Valdés estava para fazer a diferença. Toda a equipa defendia e batalhava pela bola, mas ele podia confortavelmente aldrabar no pressing. No Sporting não será assim. Valdés necessitar de outra intensidade nos tais 85 minutos. Vai ter de pressionar a sério, porque o Sporting fará desse um dos seus mais importantes alicerces com Paulo Sérgio, e, também, vai ter de correr mais para encontrar espaço e tempo para receber a bola. Não lhe bastará esperar por ela no seu flanco, como até aqui. Resta saber, enfim, se perto da casa dos 30 este driblador nato está também pronto para essa mudança de exigência.
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Pontos fortes: driblador nato
Paulo Sérgio retratou-o como um desequilibrador e, realmente, o chileno é exactamente isso. Normalmente joga a partir da esquerda e sempre que a bola lhe cola no pé direito, é o cabo dos trabalhos. Valdés é um driblador nato. Não é um artista, ou um velocista, é um driblador. Porque o digo desta forma? Porque a arte do drible, mais do que no espectáculo da gesto ou na velocidade do executante, está na capacidade de acelerar e mudar de ritmo no tempo certo. Messi é, nos tempos que correm, o grande exemplo disto mesmo, e Valdés, à sua escala evidentemente, é também um bom exemplo desta ideia. Não espanta, portanto, que não seja difícil encontrar montagens vistosas do jogador.Pontos fracos: a intensidade
Fosse a bola um dado adquirido no futebol, e Valdés tinha sucesso garantido. Mas não é. Digo sempre que se contarmos o tempo que a maioria dos jogadores têm a bola num jogo inteiro, não encontrar muitos com mais do que 5 minutos em 90 jogados. Por isso é que insisto tanto naquilo que os jogadores fazem nos outros 85 minutos do seu tempo em jogo. Ora, é precisamente sobre o seu rendimentos nesse período que surgem as reticências sobre Valdés.Na Atalanta, percebia-se, Valdés estava para fazer a diferença. Toda a equipa defendia e batalhava pela bola, mas ele podia confortavelmente aldrabar no pressing. No Sporting não será assim. Valdés necessitar de outra intensidade nos tais 85 minutos. Vai ter de pressionar a sério, porque o Sporting fará desse um dos seus mais importantes alicerces com Paulo Sérgio, e, também, vai ter de correr mais para encontrar espaço e tempo para receber a bola. Não lhe bastará esperar por ela no seu flanco, como até aqui. Resta saber, enfim, se perto da casa dos 30 este driblador nato está também pronto para essa mudança de exigência.
Antevisão: entre o drible e a intensidade
A explicação do que penso se poder esperar vem decalcada do que escrevi atrás. Entre o drible e a intensidade. Resta acrescentar que, se tudo irá passar muito pelo próprio Valdés, passará igualmente pelo modelo que o vai acolher e por quem o vai tentar passar para os jogadores. De novo o colectivo, portanto...ler tudo >>
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