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3.3.11

Sporting: notas individuais do derbi

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Postiga – Esteve bastante esforçado, sem dúvida, e igualmente influente nos poucos lances de golo criados pela equipa. Mas há também que realçar alguns aspectos negativos na sua prestação. Ontem, já referi a sua aparente tentativa de ficar sempre com a bola dominada nos duelos aéreos, acabando por perder a maioria deles, fazendo demasiadas vezes falta neste tipo de abordagens. Depois, há sobre Postiga a ideia de que é um jogador “forte” a segurar a bola. Postiga é um jogador dotado tecnicamente e normalmente inteligente nas suas opções. Mas é também um jogador mais vulnerável do que outros no confronto fisico e isso faz com que não tenha um aproveitamento tão bom como muitas vezes é sugerido, na missão de “pivot”.

Matias – Esteve bem. Sem uma influência enorme – que não pode ter – mas sempre com capacidade de trabalho e critério com bola. Era um jogo em que lhe era permitido jogar entre linhas, como gosta, e tivesse a equipa mais capacidade e lucidez para jogar, poderia ter tido um impacto ainda maior.

João Pereira – Missão difícil, travando sucessivos duelos, quer com Gaitan, quer com Coentrão. É um jogador muitas vezes com dificuldades no 1x1, pela abordagem excessivamente agressiva que faz em muitas ocasiões. Desta vez, porém, deu-se bastante bem.

Vukcevic e Djalo – Melhor o montenegrino em todos os aspectos, até porque foi bem mais solicitado. Talvez Couceiro esperasse algo mais de Djalo, mas se Vukcevic foi substituido não foi por estar pior do que Djalo.

Zapater e André Santos – Tinham um papel fundamental, mas, no meu entendimento, não tiveram uma perstação suficiente para o que a equipa precisava deles. Prestáveis, sim, mas tantas vezes com qualidade manifestamente insuficiente. Não dominaram a sua zona, nem pelo posicionamento nas primeiras e segundas bolas (na recta final, foi por este aspecto que o Sporting caiu) e não tiveram também capacidade de dar à equipa, nem grande qualidade e critério à posse (raramente jogaram), nem profundidade pela capacidade de passe (nenhum passe de rotura). Couceiro pode lamentar-se das lesões que o impediram de refrescar o sector, mas não se pode queixar por ter deixado aquele que é – de muito longe! – o seu melhor médio no banco.

Polga e Torsiglieri – Polga errou mais – nomeadamente na forma como abordou a marcação na grande penalidade – mas também foi melhor na leitura e antecipação dos lances – como normalmente é. Mas ambos estiveram regulares em termos defensivos. De assinalar a péssima percentagem de passe, o que indica a pouca disponibilidade para sair a jogar.

Evaldo – A nota estatística é francamente elogiosa. É incrível como está em campo, como a bola passa tantas vezes na sua zona e intervém tão pouco. Não se trata, muitas vezes, de estar mal posicionado, mas de ter uma leitura terrível dos lances, parecendo reagir sempre tarde e sem intensidade para poder ser útil. Foi batido por Cardozo no primeiro golo, por Salvio numa bola que acaba na barra e no segundo golo também estava na zona em que a jogada se definiu.

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17.1.11

Sporting - Paços: Análise e números

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O jogo abriu com uma ocasião, logo na primeira jogada, e esse acabou por revelar-se um pronuncio do entretenimento que a partida viria a oferecer. Os efeitos da estratégia do Paços já haviam sido explicados no jogo que fizera na Luz, onde conseguiu um elevado número de remates. Desta vez, porém, os “castores” foram mais longe e acabaram por juntar a sua própria eficácia com a complacência do adversário. É que se a estratégia do Paços estava anunciada, o Sporting nunca se mostrou preparado para ela, agravando a situação com a péssima reacção que foi tendo ao longo do jogo. Ao intervalo ainda dava para reconhecer que a desvantagem era penalizadora para o Sporting, mas o mesmo não se pode dizer do segundo tempo. Tudo somado: sem desculpas!

Notas colectivas
A intenção do Paços era óbvia: quando o Sporting tinha a bola, provocar o erro e, se possível, impedir a saída em futebol apoiado, através de uma primeira linha de pressão mais alta. Quando conseguia ganhar a bola, utilizar sempre um futebol rectilíneo, seja através de saídas verticais em ataque rápido ou, caso tal não fosse possível, uma abordagem mais directa em ataque posicional.

Perante este cenário, o Sporting tinha um papel muito fácil de entender. O segredo estaria na qualidade em organização e em ataque posicional. Ter a inteligência para perceber o perigo de errar em zonas baixas, e a audácia para ultrapassar, com bola, a primeira linha de pressing do Paços. Se isso fosse conseguido, o Sporting poderia aproveitar o maior espaço dentro do bloco pacense e empurrar o adversário para um posicionamento mais baixo, que não lhe permitiria impor as características do seu jogo.

O problema é que, não só o Sporting fez um dos jogos mais erráticos da temporada (também por mérito do Paços), como a sua circulação nunca foi capaz de fazer a bola chegar com eficácia à zona de criação. O problema, aqui, está nas dinâmicas que a equipa não tem para o que sobra da primeira fase de construção. Com Maniche (e Pedro Mendes, quando está disponível), a bola circula sempre bem, com segurança e velocidade, mas o que vem depois é um enorme deserto de ideias. Os extremos não fazem movimentos interiores, e quando aparecem é sempre para resolver individualmente nos corredores. Os laterais, só aparecem ofensivamente em situações pontuais e circunstanciais do jogo. O avançado parece ter como única função esperar por uma situação de finalização na área. Sobra o improviso do 10, e – repito a ideia – Paulo Sérgio bem pode agradecer à sorte a lesão de Matías Fernandez.

Com todos estes problemas, o Sporting não estava a fazer um bom jogo, mas também é facto que foi criando oportunidades em bom número através das inspirações de Valdés. A agravante surge depois, ironicamente entre os 2 golos da segunda parte. Aos 61’ o Sporting empatou, mas essa foi a sua derradeira ocasião clara no jogo. Culpa principal do seu treinador que forçou uma alteração, de todo, absurda. Não só alterou a estrutura, perdendo presença num meio campo já de si mal ligado, como retirou a sua unidade de maior influência no jogo. É óbvio que existe um preconceito geral em relação a Maniche e que isso impede adeptos e muita comunicação social de lhe fazer uma análise justa do seu óptimo rendimento. O que não é aceitável é que o próprio treinador não seja capaz de ir além deste registo. Não é aceitável, e isso paga-se.

Por fim, nota sobre o Paços. Já elogiei a prestação dos “castores”, pelo arrojo da sua estratégia que dá aos jogos uma característica pouco comum neste tipo de confrontos. Se é a melhor maneira? Parece-me discutível, mas o Paços tem-se dado bem. Há também alguns jogadores interessantes nesta equipa. Os laterais, digo eu, merecem uma revisão por parte de clubes de maior dimensão. São ofensivos e agressivos, ficando por averiguar a sua consistência e fiabilidade defensiva (coisa que ainda não fiz). Numa altura em que se procuram tantos laterais, se calhar vale a pena dar uma olhada. Depois, destaque para os centrais e para a dinâmica do meio campo ofensivo, com Pizzi e David Simão em destaque também pela sua juventude.

Notas individuais
Evaldo – O mesmo problema já realçado noutras ocasiões. Está lá sempre, mas sempre em níveis mínimos. Raramente compromete, mas não tem capacidade interventiva que se permita afirmar ser uma mais valia, ou sequer que lá chegue perto. Obviamente que esta constatação não justifica a sua troca por Grimi na altura em que aconteceu...

Polga – Erra com alguma – por vezes demasiada! – frequência, mas volto a fazer um elogio à sua capacidade de ler o jogo e de antecipação. Por isso, e mesmo não sendo forte fisicamente, é o jogador que mais intercepções faz entre os 3 “grandes". É uma característica que não lhe é muito reconhecida, mas com a qual a equipa ganha muito. Não foi por ele que o Sporting perdeu, seguramente.

Carriço – Carriço distingue-se, entre os subaproveitados centrais do Sporting, por ser aquele que menos erros comete. Desta vez foi mais humano e esteve, por culpa própria, bem na origem da derrota.

André Santos – Continuo a fazer notar que, sendo um bom jogador, se está a exagerar sobre as suas capacidades actuais e que isso pode não ser benéfico na sua evolução. Em relação a Zapater, ainda é discutível a sua mais valia, mas com o regresso de Maniche voltou a ser apenas uma sombra do seu parceiro de sector. Claro, quando lhe tiraram Maniche, a coisa complicou-se.

Maniche – É espantoso o que joga e o que dele se diz. Grande primeira parte, sendo, outra vez, a unidade mais influente, quer em termos de circulação, quer em termos de trabalho defensivo. É certo que estava a aparecer menos na segunda parte, mas nada justifica a sua saída, quando, por exemplo, o seu rendimento era, a anos luz, superior ao de André Santos. A incompetência da decisão pagou-se com aquilo que se viu depois do 2-2.

Salomão – É curioso porque apareceu melhor na pior fase da equipa. É possível que seja um jogador mais forte se não estiver tão isolado na linha. Tem boa capacidade de decisão, mas muitas vezes faltam-lhe apoios. Tem boa capacidade de trabalho, mas está muitas vezes muito longe das jogadas. Tudo somado, fez um bom jogo, mas esse é o principal destaque que lhe vi nesta partida, quando jogou mais por dentro: talvez ainda exista um melhor Salomão do que aquele que já vimos. Mas, para ter a certeza, teremos de esperar por outro Sporting.

Vukcevic – Voltou a ser pouco produtivo em termos de trabalho e uma espécie de ilha amarrada à direita. É claro que pode sempre decidir com o seu talento, mas quando, como foi o caso, isso não acontece, fica difícil de perceber para serviu no jogo...

Valdes – Voltou a fazer um jogo espantoso em termos de proximidade com o golo. A sua liberdade em zona criativa é uma enorme fonte de problemas para os adversários, mas convém não confundir as zonas em que deve ser potenciado. Se o objectivo é potenciar Valdes, é preciso dar-lhe mais jogo na zona criativa e não fazer baixar o jogador para a construção, onde o seu perfil de decisão é inadequado. A sua não planeada adaptação a 10 tornou-o num dos melhores reforços do Sporting nos últimos anos. Isto, ao mesmo tempo que se continua a dizer que a equipa não luta pelo título porque não tem jogadores para isso.

David Simão – Já observara este médio emprestado pelo Benfica na Selecção de esperanças e fiquei com melhor impressão do que o crédito que lhe foi dado na altura. É um jogador com grande qualidade técnica, que dá boa sequência a grande parte das bolas que por si passam e que tem, também, uma boa capacidade de trabalho. No entanto, não lhe vejo, para já, nenhuma característica extraordinária, sendo que joga numa posição muito exigente e de difícil afirmação. Fez um grande jogo, mas preciso de ver mais...



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30.9.10

Sporting e Porto na Liga Europa (Breves)

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- Primeiro o Porto. É sempre de desconfiar quando se joga tão longe de casa. Mesmo depois de uma primeira parte em que, a passo, deu para ver uma enorme disparidade de valias. Correu bem, mas dá para dizer que o Porto se colocou um pouco a jeito de perder 2 pontos sem necessidade. "No limiar do controlo", disse Villas Boas sobre a segunda parte. E foi mesmo. Dava para ter forçado e resolvido antes e não se pode dizer que o CSKA se tenha alguma vez aproximado continuamente do empate. Ainda assim, os búlgaros perceberam a 30 minutos do fim que poderiam empatar. E poderiam.

- Mais tarde, a goleada. Não há fome que não dê em fartura. O ditado aplica-se também no futebol e esta não foi a primeira vez em que tal se viu. Convém, porém, não confundir muito as coisas e não ver nesta exibição sinais que não são válidos para o que vem a seguir. Por exemplo, convém não tirar conclusões abusivas da correlação entre o resultado e o sistema, que é muito limitada. Aliás, o melhor mesmo é ver a segunda parte como um mero treino, porque os búlgaros quebraram vertiginosamente em termos de confiança após o segundo golo, e a réplica que deram não pode ser considerada "normal". A grande novidade, mesmo, e que já vem de outros jogos, chama-se Vukcevic. A jogar sobre a direita - lembram-se do debate no tempo de Paulo Bento? - tem condições para ser muito mais desequilibrador, algo que tem, em termos individuais, faltado a Paulo Sérgio. Outra nota importante vai logicamente para Salomão. Não é surpresa também, embora esteja ainda numa fase de arranque de carreira. Aliás, e embora os dados dessa altura fossem ainda muito escassos e não dessem para conclusões muito significativas, já davam para alguns indicadores. Lembram-se dos dados estatísticos que apresentem sobre a pré época? Há outro caso individual de que falarei amanhã...

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8.2.10

Sporting - Académica: A recaída do leão

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A recuperação parecia real, motivada pela esperança de, afinal, ainda conseguir algo de bom nesta temporada. Duas derrotas depois, o Sporting aparece, de novo, mergulhado num profundo problema anímico, regressando, neste aspecto, ao ponto de partida da “era” Carvalhal. Esta é a conclusão mais óbvia do que se passou em Alvalade. Mas a derrota, essa, não encontra explicação apenas no aspecto mental.

Para começar a perceber o porquê do fiasco leonino na recepção à Académica, não há como assistir aos primeiros 3 minutos da partida. Ocasião flagrante desperdiçada de um lado, golo oferecido do outro. E muito passa por aqui, porque se a Académica é, realmente, uma das equipas mais fortes em termos colectivos desta liga, terá feito em Alvalade, até, uma exibição aquém das expectativas. Sobretudo na primeira parte, onde, normalmente, o Sporting teria saído na frente.

Mas, se a derrota é punição manifestamente exagerada, o Sporting não pode deixar de olhar para os vários erros que cometeu. Antes de ir aos aspectos individuais, que no caso são fundamentais, passo por algumas questões colectivas. Começando por uma evidente perda de capacidade com bola. A mobilidade da linha média foi consideravelmente inferior e isso fragilizou a qualidade do jogo, sobretudo numa fase em que os índices emocionais ainda permitiam retirar alguma coisa dos jogadores. Depois, o aspecto defensivo. A linha defensiva continua a ser uma espécie de terror para este modelo, impedindo a equipa de jogar mais compacta e de, por outro lado, resolver situações como a que aconteceu no segundo golo. A tudo isto se junta o tal problema mental, compondo um cenário terrível para Carvalhal que tem o grande problema de não ter tempo de treino para o poder tratar convenientemente. Melhorias pela certa, prevejo-as só dentro de algumas semanas, quando não houver jogos a meio da semana. Para já, tudo pode acontecer...

Para terminar, então, os aspectos individuais. Os estreantes, Pedro Mendes e Pongolle não estiveram exuberantes, como é óbvio, mas estiveram bastante bem. Mendes menos, ainda que não se lhe possa apontar grandes problemas num jogo em que evidenciou clara falta de ritmo. Quanto a Pongolle, reforçando a pouca exuberância, moveu-se muito bem com grande dinâmica e qualidade. Parece-me um erro a sua saída.

O réu principal é Patrício. O ressalto da bola era imprevisível, é verdade, mas um guarda redes não se pode deitar numa bola destas. Faz-me lembrar o que acontece no futebol de praia onde este tipo de situações são comuns e os guarda redes têm de se colocar prudentemente atrás da bola e nunca mergulhar. Mas se Patrício é quem mais fica ligado ao resultado e ao próprio jogo, pelo menos em termos mediáticos, há um jogador que merece uma censura incomparavelmente superior: Vukcevic.

A exibição do montenegrino é inqualificável e imprópria de um profissional. Não defende, não se movimenta sem bola, não faz os ajustamentos posicionais e permanece agarrado à linha, como que à margem do jogo e da equipa. Já não é a primeira vez que chamo a atenção para a sua displicência táctica mas, desta vez, foi bem para além do que é minimamente razoável. O castigo que Paulo Bento lhe aplicou, parece provar-se, foi pouco para um jogador que, se não mudar de atitude profissional, não tenho dúvidas, sairá da esfera do futebol de alto nível bem antes de chegar à casa dos 30. E capacidade é coisa que nunca lhe faltou...



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25.8.09

Vukcevic e a falta de consistência do losango

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O golo que começou a definir a derrota leonina como ponto de partida para uma questão mais abrangente. A consistência do losango leonino e, mais particularmente, as lacunas posicionais de Vukcevic.

O lance é perfeitamente claro sobre a falta de cultura táctica do montenegrino quando sem bola.
Para uma equipa que defende com base em referências zonais é fundamental que os jogadores mantenham um posicionamento que não tem a ver com o que fazem adversários directos. Essa, no entanto, parece ser a única referência defensiva de Vuk, que se mantém aberto sempre que o lateral do seu lado não participa ofensivamente. Aliás, nesta jogada em concreto ele permanece permanentemente à margem do colectivo. O problema disto é que a estrutura em losango, e em particular a do Sporting, prevê que os médios interiores fechem sem bola, aproximando-se do elemento mais recuado. Quando isso não acontece, obviamente, cria-se um “buraco táctico” que pode, como aconteceu frente ao Braga, ter consequências directas no marcador. Mesmo não as tendo, este tipo de comportamento leva sempre a problemas de consistência colectiva, dificultando a tarefa de recuperar a bola o mais rapidamente possível.

Embora tenha efeitos colectivos, este é um problema individual, já que nenhum dos outros médios do plantel revela este tipo de lacuna. O caminho passa, sempre, por fazer com que Vuk possa evoluir neste aspecto, até porque a cultura táctica é fundamental, seja qual for a equipa ou posição que ocupa.

A posição 10 e o pressing...
Correndo o risco de ser repetitivo, volto a bater numa tecla que ainda não vi testada. A posição 10. Creio que com Moutinho numa zona central, tudo seria mais fácil. Mesmo com jogadores de maior vocação ofensiva, o 10 estaria sempre mais próximo do 6, fazendo com que o losango, mesmo mais largo fosse consistente. Tudo tem a ver com a notável característica defensiva do 28. Moutinho é o jogador mais forte sem bola do meio campo leonino (e provavelmente no futebol português). Não só pela capacidade posicional, mas também pela reactividade e agressividade que é capaz de oferecer. Acredito numa importância decisiva do pressing para o sucesso de qualquer equipa. Por isso insisto tanto neste ponto nas análises que faço, de todas as equipas. A posição 10 tem, neste particular, um papel fundamental, embora desprezada por uma visão do jogo normalmente demasiado centrada nos momentos com bola. Sendo uma posição central e entre linhas, a posição 10 é muitíssimo importante para os momentos de transição e precisa de ter aí jogadores altamente competentes e inteligentes nos mais variados momentos do jogo. Porque o jogo, joga-se em todos eles.



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28.1.09

Hulk: com mais potencial...

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Hulk: 62 votos (41%)
Vukcevic: 48 votos (31%)
Di Maria: 41 votos (27%)


Por coincidência apresento este resultado depois de ter sido uma figura muito abordada aqui nos últimos dias. Sem grandes surpresas, Hulk foi o mais votado entre as 3 opções para jogador com mais potencial. É, no fundo, o resultado do impacto que o brasileiro teve desde a sua chegada a Portugal. É fácil reconhecer-lhe pontos fracos, mas será ainda mais evidente perceber que as suas características físicas e técnicas são susceptíveis de ser trabalhadas ao ponto de fazer de Hulk, globalmente, num jogador extraordinário.
Pelo que escrevi anteriormente percebe-se que concordo genericamente com os resultados da votação. Hulk, parece-me, é mesmo aquele que tem mais potencial. Mesmo se está longe de ser, actualmente, um jogador maduro e de haver alguma incerteza sobre a forma como vai evoluir, essencialmente, em situações em que lhe é concedido menos espaço, onde tem hoje muitas dificuldades em se tornar verdadeiramente útil. Vukcevic será, provavelmente, o valor mais seguro dos 3. Tem ainda muito potencial, mas é o jogador mais maduro do ponto de vista da decisão e, também, o mais forte do ponto de vista táctico. Di Maria será aquele que mais risco apresenta em relação ao futuro. É fácil encontrar o potencial num jogador explosivo e muito difícil de segurar em velocidade. A verdade, porém, é que Di Maria tem revelado pouca evolução desde que chegou ao Benfica e permanece num jogador sem a frequência dos rasgos de Hulk ou a maior regularidade exibicional de Vukcevic. O tempo, no entanto, é ainda muito para o argentino que pode perfeitamente dar a volta a esta situação.

Ficha (quase) técnica
Tal como na votação anterior, deixo as conclusões que se poderiam tirar caso tivessemos a certeza que esta amostra era representativa dos adeptos em geral. Assim, se esse fosse o caso, e dado o tamanho da amostra (151), poder-se-ia concluir com uma probabilidade de 95% que a escolha dos adeptos se distribuiria pelos seguintes intervalos percentuais:

Hulk: 34% - 49%
Vukcevic: 24% - 38%
Di Maria: 20% - 34%




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13.1.09

Lucho, Vukcevic e Rochemback

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Lucho, o regresso do ilusionismo de espaços
Não tem sido uma época ao melhor nível, refém da sua própria desispiração mas sobretudo da alteração dos espaços que lhe são destinados pela táctica portista. Já várias vezes o abordei aqui e o próprio Jesualdo o reconheceu recentemente. O treinador, aliás, parece agora consciente da importância de reabilitar o melhor Lucho, tem-lhe devolvido a liberdade e ele tem reaparecido progressivamente.

Neste lance surge um lance tipico de Lucho, Lisandro e do Porto 07/08. Como se fosse um ilusionista, Lucho utiliza um foco de distração, a bola. Quando todos estão a olhar para ela, ele faz o seu truque, tão simples como brilhante. Três passos em frente, uma linha de passe, leitura perfeita da situação, um toque e Lisandro (que também lê muito bem a jogada) na cara do guarda redes.

Do ponto de vista do Trofense, há obviamente uma abordagem errada ao lance. A distância entre o lateral esquerdo e o central é muito grande, permitindo uma abertura onde Lucho podia ter entrado. Por se aperceber dessa hipótese é que o lateral não sobe com o resto da defesa, controlando o espaço onde Lucho poderia entrar, mas colocando também Lisandro em jogo. O destaque, esse, vai todo para Tiago Pinto. Médio esquerdo mas nunca perde a concentração defensiva no lance, acreditando sempre na sua utilidade, mesmo com a jogada aparentemente fora do seu raio de acção. Um pequeno milagre!

Vukcevic, como se faz um extremo goleador
Todo o enfoque da jogada foi obviamente para o trabalho de Liedson, que cria um golo fácil, demasiado fácil, para Vukcevic. Eu marcaria aquele golo e, seguramente, qualquer um o faria também. Tecnicamente, isto é, porque algo me diz que poucos seriam os extremos do nosso futebol que o fariam. Não porque não fossem capazes de encostar a bola, mas porque, simplesmente, nunca lá apareceriam.

É a característica do extremo “à antiga”, tão apreciado no futebol português, mas, arrisco eu, cada vez mais isso mesmo, uma “antiguidade” sem grande utilidade num jogo que hoje é bem mais exigente. O seu papel é driblar, cruzar, assistir e o seu habitat são os terrenos laterais, preferencialmente exteriores à própria área. Os seus golos são, por isso, normalmente belos mas sobretudo raros.

Vukcevic, como Rodriguez por exemplo, tem outro instinto que o faz acreditar que poderá ser útil na zona de finalização e, por isso, faz mais golos do que é habitual num jogador que joga por fora. Quando parte, desde a linha lateral, em direcção à área, Vukcevic não sabe o que Liedson vai fazer, nem para onde vai a bola. É um pouco o mesmo principio que levou Tiago Pinto a salvar o golo na jogada anterior. Concentração e a noção de que se pode ter utilidade na jogada, mesmo quando tal parece improvável.

Rochemback, é cultura táctica não velocidade
Um exemplo está nesta transição ofensiva protagonizada em velocidade pelo Marítimo e que chega a ter boas condições de sucesso, sendo no entanto anulada pela cultura posicional de Rochemback. Primeiro, dobra Grimi, tapando o corredor esquerdo. A jogada ganha nova dificuldade quando Polga é ultrapassado por Marcinho no corredor central, criando-se um 3 para 3 momentâneo. Rochemback percebe rapidamente a importância de fechar a zona central, deixada livre por Polga e, com isso, força a jogada a rumar para o flanco contrário onde Djalma poderia arriscar um 1 x 1. Rochemback prossegue a sua acção e cria vantagem numérica sobre o angolano, sendo ele próprio a neutralizar uma jogada que tinha tudo para ser muito mais perigosa.

Já o disse, 6 não é a posição em que mais gosto de ver Rochemback, sobretudo porque lhe retira grande parte do potencial que tem para cruzamentos e remates. No entanto, e ainda que tenha momentos de alguma displicência em certos jogos, é um jogador que vai muito para além da capacidade técnica que inegavelmente possui. Depois de tudo o que já se ouviu, chegamos agora ao absurdo (perdoem-me a rudeza, mas é o que é) de ouvir que o Sporting tem uma lacuna na posição (6) em que, provavelmente, está melhor servido. Tudo isto, alegadamente, por causa da velocidade. Aliás, o que é difícil é encontrar um bom pivot defensivo que seja rápido...


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22.9.08

Sporting - Belenenses: Regresso à normalidade... ou quase!

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Superioridade natural – Não foi brilhante mas também não tinha de ser. Frente ao Belenenses, e particularmente após uma semana com jogo a meio, exigia-se que o Sporting vencesse com a naturalidade e pela superioridade. Foi isso que aconteceu. Desde o primeiro minuto que se sentiu essa maior qualidade do Sporting em termos colectivos e individuais, com o seu habitual futebol marcado pela qualidade de posse de bola e ataque organizado a ser suficiente para, mesmo sem impor grande ritmo, ultrapassar continuamente a oposição do Belém. O período mais negativo terá sido mesmo depois do 2-0 numa fase em que o Belenenses se alongava no campo e permitia muitos espaços, o Sporting poderia e deveria ter aumentado o ‘score’ em vez de, tal como aconteceu, quebrar em termos de intensidade de jogo, permitindo apenas que este se arrastasse e concedendo mesmo algumas jogadas de perigo ao Belenenses.
Nesta apreciação qualitativa feita ao Sporting é impossível não fazer a ponte com o rescaldo de Camp Nou. Como referi, o que se passou em Barcelona foi em grande parte condicionado pela exibição do próprio Barça e esta naturalidade com que o Sporting, sem grande esforço, se impôs perante o Belenenses confirma o exagero de algumas conclusões tiradas a partir desse jogo de Barcelona. Mesmo tendo em conta o mau momento da oposição em causa.

Diferença no meio campo – O sistema é o mesmo e os grandes princípios também mas neste Sporting há algumas diferenças que se podem estabelecer em relação às dinâmicas apresentadas no passado. Aqui assume um papel fundamental o trio de meio campo que Paulo Bento tem apresentado neste inicio de temporada. Ofensivamente, com Moutinho a 6 e Rochemback como interior o jogo do Sporting deixa de ter no 6 o ponto de apoio de referência. Rochemback assume, na maior parte das jogadas esse papel, num jogo de compensações permanente com Moutinho que ganha mais liberdade em relação ao papel que, anteriormente era desempenhado por Veloso. Em termos defensivos também há alterações. Moutinho, Izmailov e Rochemback são um trio de grande cultura posicional e têm, neste inicio de temporada marcado alguma diferença na ocupação de espaços em organização defensiva. É verdade que o bloco parece jogar um pouco mais baixo (no caso de Camp Nou, exageradamente) mas tem ganho outra solidez, particularmente a defender em largura. Para já, a equipa parece ganhar, mas o futuro ditará uma sentença mais justa sobre os efeitos desta pequena alteração defensiva.
No plano individual, destaque para Postiga e não só pelos lances decisivos. Por esta exibição merece claramente o lugar na Luz. Rochemback não parece ser uma figura consensual mas a mim parece-me um acréscimo de enorme qualidade ao jogo do Sporting. Destaque para a forma fácil como muda rapidamente o centro do jogo. Ter um jogador com essa capacidade é um luxo para uma equipa que faz do jogo em posse a sua arma. Romagnoli será hoje o jogador mais prejudicado com este epicentro em Rochemback, aparecendo muito menos vezes nas suas movimentações características. No segundo tempo, com Vukcevic a ser muito mais um jogador próximo do argentino do que da dupla Moutinho-Rochemback, Romagnoli apareceu mais.

Belenenses – Fala-se muito da revolução no plantel do Belém. É verdade que sairam muitos jogadores mas o problema não são as individualidades, antes sim o colectivo. Enquanto teve o resultado a favor o Belenenses revelou-se uma equipa de foco defensivo mas sem qualidade de organização. A saída de bola não revelou ideias rotinadas, um defeito já notado no Dragão onde a maior incidência do pressing portista potenciou mais esta debilidade. Em transição também saiam normalmente poucos jogadores e normalmente não se complementando nos movimentos. No segundo tempo a equipa tentou alongar-se no campo e até usufrui de 2 boas ocasiões para marcar, mas o Sporting, nesse período, gozou de uma facilidade enorme para progredir e apenas por algum desleixo leonino se pode explicar o facto do Belém não ter sofrido mais golos. Claramente, Jesus foi um acaso e não a consequência de uma boa visão de quem gere o futebol.

Vukcevic – Ainda não tinha comentado aquele que se tornou no caso do momento, essencialmente por se tratar de um assunto interno, não havendo por isso, certezas quanto a factos. Mas agora há. As declarações do jogador no final confirmam o desnorte que se suspeitava pela actuação do empresário. O timing da declaração de Vukcevic é um verdadeiro tiro de caçadeira no próprio pé. A 3 meses da abertura do mercado, Vukcevic pode apenas esperar pela paciência e tolerância dos responsáveis leoninos porque, se o Sporting pode perder um bom jogador, Vukcevic não pode, simplesmente ter uma segunda nódoa (depois do Saturn) seguida no seu currículo sob pena de manchar definitivamente uma carreira que poderia ser muito promissora. Até me parece normal que um jogador tão jovem não tenha sempre a mais sábia das posições mas, supostamente, é para isso que é pago o empresário.
Golos

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