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7.2.11

Sporting - Naval: Análise e números

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Era suposto ser apenas o último jogo do goleador, mas o curso da partida teve o condão de transformar um aparentemente natural fim de ciclo, numa sensação de perda irreparável. Não que Liedson – este Liedson – não seja, de facto, uma perda para o Sporting – qualquer Sporting. Mas é também uma evidência que a prestação de Liedson só se tornou heróica porque a mediocridade do futebol da equipa assim o permitiu. Tivesse o Sporting uma equipa mais bem preparada e nenhum heroísmo seria necessário, fosse ele de Liedson ou de outro qualquer. Seja como for, o efeito até acabou por ser positivo para um clube em crise não só desportiva: afinal os clubes vivem da emoção que geram, e se há coisa que se viu no final, foi emoção.

Notas colectivas
O jogo não teve nenhuma abordagem estranha por parte das equipas. O Sporting, repetindo a fórmula que lhe deu a última vitória, na Madeira. A Naval, repetindo a abordagem que já tivera em todas as outras partidas sob o comando de Mozer. O mais curioso desta constatação é assistir ao que aconteceu com pouco menos de 30 minutos de jogo: a substituição de Salomão por Zapater, alterando o figurino táctico do Sporting.

Ora, a minha leitura perante a reacção de Paulo Sérgio é simples: nos primeiros minutos o Sporting protagonizou algumas aberturas largas para o corredor direito, onde conseguiu “quebrar” a ratoeira do fora de jogo e libertar Vukcevic. Paulo Sérgio, numa atitude aparentemente lógica, quis ter a mesma presença à esquerda, colocou Salomão e indicou, ali, que o caminho para a vitória passaria por repetir o mesmo tipo de passes para as costas dos laterais contrários.

O que é que isto tem de errado? Primeiro, e sobretudo, o facto desta reacção acontecer num jogo em que, como referi em cima, a estratégia da Naval – nomeadamente no adiantamento da sua última linha – foi exactamente a mesma de jogos anteriores. Ou seja, se era para explorar um movimento específico, Paulo Sérgio deveria tê-lo preparado antecipadamente. O resultado não foi muito diferente do que se poderia prever. Depois, o Sporting deu todas as indicações de que o que estava a fazer não tinha o mínimo de preparo, tal a forma como a Naval se adaptou e conseguiu responder com sucesso às sucessivas tentativas de exploração do espaço nas suas costas (basta ver o número de foras de jogo). Finalmente, o facto do Sporting tentar sempre esta abordagem, não só tornou o seu jogo mais previsível como foi de encontro à própria estratégia do adversário, que subia a sua linha mais recuada para não ser encurralado na sua área.

Resultado de tudo isto? Não só o Sporting não foi capaz de exercer um domínio continuado, como se sujeitou muito mais às consequências do momento de transição. É que, ganhando a bola na linha média, a Naval estava a 2 passes da área contrária.

É importante notar que nem sempre foi assim a “era Paulo Sérgio”. O treinador começou por ter uma ideia clara do que pretendia fazer em termos de ideia de jogo. Disse-o em várias oportunidades: o “seu” Sporting queria ser dominador e superiorizar-se pela por aquilo que fazia em posse. O facto é que nem as suas ideias para a implementação desse objectivo foram as melhores, nem a equipa foi capaz de evoluir na assimilação das várias rotinas. Problemas que são identificáveis desde a pré temporada, mas que o próprio treinador não parece ser capaz de reconhecer ainda hoje. E esse será o seu maior problema, porque sem consciência dos próprios erros, nunca se pode melhorar.

Sobre a Naval, muito da sua estratégia está descrita acima. Não tem grande qualidade no que faz, mas tem muita determinação e, quando a sua estratégia do fora de jogo resulta, a equipa fica imediatamente mais próxima do golo. É que subindo a linha defensiva, sobe também a sua zona de recuperação, evitando ter de trabalhar muito os seus ataques. Mozer conseguiu inverter o momento psicológico e isso é capaz de ser mesmo o mais importante para qualquer tentativa de salvação.

Notas individuais
Rui Patrício – Há 1 semana escrevia que não eram as grandes exibições que distinguiam os grandes guarda redes. É, antes sim, a regularidade e escassez de erros. Ora, Rui Patrício continua a ser uma aposta ganha do Sporting, mas é também necessário que mantenha os pés na terra.

Abel – A Naval forçou várias vezes o jogo directo para a sua zona e Abel esteve muito bem. Ganhou quase todos os duelos, quer no chão, quer no ar. No entanto, a qualquer avaliação da sua exibição não poderá esquecer os lapsos que teve em alguns momentos. 2 deles na primeira parte e, finalmente, no terceiro golo, foi inadmissível que de uma falta resultasse um cruzamento sem oposição. Embora, aqui, não seja certo que a responsabilidade fosse inteiramente sua.

Evaldo – Até estava a fazer uma das actuações mais participativas da época, mas borrou completamente a pintura no primeiro golo, dando inicio ao descalabro que se seguiu antes do intervalo. Depois, na segunda parte, voltou ao registo habitual. Tudo somado: muito mau!

Carriço – Tal como Abel, teve bastante trabalho pela tendência da Naval em investir pelo seu flanco. Tal como Abel esteve bastante bem na resposta que deu. Tal como Abel, porém, manchou a sua exibição com alguns erros, nomeadamente na forma pouco decidida como abordou uma bola dividida no segundo golo.

Pedro Mendes – Não fez um jogo fantástico – longe disso – mas à semelhança de Maniche sabe bem que terrenos pisa e tem de pisar. Não tem a mesma capacidade de passe e influência ofensiva do outro veterano, mas formaria com ele uma dupla fantástica no meio campo da equipa.

André Santos – Fez um jogo sofrível a confirmar que está em franca perda nesta fase da época. Jogou no meio campo mas, tal como na Madeira, o jogo passou-lhe à frente dos olhos. É preciso perceber que não se pode esperar de André Santos o rendimento de Maniche ou Pedro Mendes. A capacidade posicional e a qualidade de decisão crescem com a experiência e André Santos evoluirá seguramente ao longo do trajecto que tem pela frente. O que não se pode confundir – e repito a ideia – é potencial com rendimento presente.

Vukcevic – A sua reputação entre os adeptos é cada vez menor, mas eu creio que Vukcevic tem mostrado uma disponibilidade muito maior para o jogo do que em fases anteriores. Individualismo? Talvez, mas não se pode queixar de individualismo quem o fomenta, como é o caso de Paulo Sérgio e o seu "modelo de jogo". Admito poder estar errado, mas diria que a resposta de Vukcevic, face às condicionantes, é um bom indício sobre a disponibilidade do jogador para evoluir.

Postiga – Diz-se muito que trabalha bem fora da área, mas essa não é uma verdade indiscutível. Aliás, muitas vezes é mesmo mentira. Neste caso, porém, Postiga fez jus a essa reputação e ao seu potencial técnico: jogou bem e foi influente em termos ofensivos. Um bom jogo, só ofuscado pelo brilho de Liedson.

Liedson – Exceptuando os lances decisivos, não foi sequer um grande jogo para os seus parâmetros. Sem bola, trabalho acima da média, mas normal nele. Com bola, poucas oportunidades para jogar, menos do que o normal. No entanto, esteve em 4 dos 5 desequilíbrios da equipa e isso chegaria para deixar uma óptima última impressão.

João Real – Curioso voltar a acompanhar este jogador depois da exibição do Dragão. Voltou a fazer um jogo na mesma linha, confirmando que tem uma capacidade atlética notável e que, nesse plano, não haverá muitos como ele. Pena o resto.
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Porto, Benfica e a jornada (Breves)

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- No Dragão, não é difícil constatar o que toda a gente viu: o Porto fez uma das mais fracas exibições da temporada e muito se poderá valorizar a eficácia do minuto 7, porque, depois, pouca coisa se viu. Villas Boas valorizou a vitória, mas atirou a responsabilidade da quebra de rendimento para a sobrecarga de jogos. A mim, parece-me que o motivo pelo qual os 3 pontos são importantes é o mesmo pelo qual a sobrecarga de jogos não serve de explicação: a confiança. Enfim, voltarei a este jogo com mais detalhe, mas não quero deixar de comentar que o Rio Ave, e apesar do mau jogo portista, não conseguiu criar ocasiões de golo. Este dado é relevante quando comparamos o mau período portista com a fase menos boa do Benfica, onde as ocasiões dos adversários sucediam-se.

- Em Setúbal, em primeiro lugar, um elogio ao Vitória. São cada vez menos os clubes verdadeiramente populares em Portugal, mas em Setúbal mora um dos últimos resistentes. Também ao nível do jogo, o Vitória enriqueceu o interesse de que se sentou para ver a partida. Poucas equipas no campeonato serão capazes de dar tamanha réplica ao Benfica, nesta altura. Não que o trajecto do Vitória mereça grandes elogios, mas porque Manuel Fernandes tem essa particularidade de fazer as suas equipas parecem melhores do que são nos jogos "grandes". Estratégia e atitude, são os segredos desta característica. A verdade é que não chegou. Porque o Benfica foi melhor e porque o Vitória não conseguiu um elemento fundamental para o sucesso da sua proposta: a eficácia. De resto, os argentinos insistem em desconstruir muitas análises precipitadas que sobre eles foram feitas.

- No resto da jornada, nota para o super entretido e interessante Marítimo-Braga. Uma chuva de ocasiões e muita felicidade para a equipa de Domingos já na recta final. No outro duelo Minho-Madeira, um cenário bem mais pobre. O Vitória mereceu mais, mas não mereceu muito. Mais divertido é ouvir Jokanovic no final dos jogos: "Se houve equipa que merecia ganhar, foi o Nacional". Repete sempre isto, seja qual for a história do jogo. Nota ainda para o facto de Mozer continuar a ser o único protagonista de uma "chicotada" com algum efeito positivo nos resultados das equipas que trocaram de treinador - e aqui reporto-me apenas aos resultados, e não faço qualquer análise a jogos que não vi. Finalmente, em queda livre está o Leiria, desde a viragem do ano. É impossível para mim não recordar a saída de Carlão: era um jogador determinante para o Leiria, e é um desperdício que não tenha continuado a evoluir cá dentro.

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5.2.11

O invulgar Liedson (Breves)

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- O jogo, enquanto tal, serviu apenas para agudizar o estado doentio do futebol do Sporting. Mas dificilmente algum adepto terá dado por mal empregue o seu tempo. Liedson sempre teve o condão de se superar nos grandes momentos, mas talvez seja difícil encontrar paralelismo para aquilo que conseguiu no seu último jogo. Um estádio em pré-revolta, de repente, inverteu o seu estado emocional e... desatou a chorar! De resto, parece que a margem de manobra de Paulo Sérgio é cada vez menor. O treinador diz que não se demite, e é pouco provável que haja qualquer intenção directiva em forçar a sua saída. Nada disto garante, porém, que não tenha de sair antes do dia das eleições...

- Ainda sobre Liedson, o avançado deixa o Sporting como um jogador histórico. Todos falarão dos golos que marcava e da importância de muitos deles. Mas poucos conseguirão explicar bem porque o fazia tantas vezes e em momentos tão importantes. Não é um jogador forte em nenhum dos parâmetros tradicionalmente considerados e, por isso, enquanto uns se limitavam a aceitar os números sem questionar, outros duvidavam sempre do seu valor e utilidade (acontecia sempre que a eficácia baixava). Acontece que, ao fim de 350 jogos, não se é "bom porque se marca", mas "marca-se porque se é bom". Ou seja, não é por as suas virtudes serem mais invulgares que alguma vez deixaram de lá estar. Sempre estiveram.

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21.1.11

João Real (vs. Porto): o guarda redes de campo

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Já me tinha referido à sua incrível exibição no Dragão, classificando-o como o maior responsável por o jogo não ter conhecido um desnível ainda maior no marcador. Não se faz, com isto, uma avaliação às características e potencial do jogador, mas quaisquer defeitos que possa ter não apagam a extraordinária contribuição defensiva frente ao Porto. Não só pelo número elevado de intervenções defensivas, mas por algumas recuperações verdadeiramente espectaculares e decisivas. Parecia que a Naval estava a jogar com dois guarda redes...

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18.1.11

Porto - Naval: Análise e números

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Talvez não pareça, à partida, mas este não foi um jogo de características normais, tendo em conta aqueles que o Porto habitualmente disputa em sua casa. E não o foi, essencialmente, pela postura da Naval, que se apresentou muito agressiva em termos posicionais, dando menos tempo e espaço para a circulação de bola, tão típica no jogo portista. Na prática, o resultado não foi muito bom para a equipa da Figueira, com a qualidade do Porto a ser suficiente para encontrar várias situações de golo ao longo do jogo. Aliás, talvez a Naval se possa dar por satisfeita porque, dado o espaço que concedeu nas suas costas, o resultado poderia ter sido bem mais pesado do que aquele que se observou.

Notas colectivas
Para sustentar o carácter algo atípico do jogo portista, basta atentar a alguns dados muito claros: o Porto realizou, neste jogo, a sua partida em casa com menos passes completados e menor % de sequência dada a cada posse de bola. O motivo para tal constatação, perante uma equipa, em teoria, das mais incapazes de discutir o domínio do jogo, está, como referi antes, na opção estratégica da Naval. A sua linha defensiva teve um comportamento altamente agressivo, subindo muito, abrindo espaço nas suas costas mas também reduzindo substancialmente a zona onde o Porto faz a construção das suas jogadas. A consequência disto foi um tipo de jogo mais verticalizado e menos trabalhado, onde cada jogada precisava de menos passes até chegar à sua conclusão. Quem experimentou estratégia idêntica no Dragão foi o Leiria, mas desta vez o Porto não esteve tão inspirado no aproveitamento do espaço que havia nas costas da defensiva contrária.
Ainda em relação à Naval, importa dizer que a sua atitude agressiva em termos posicionais não teve sempre a melhor organização. Não só na fundamental sincronia da última linha, mas também na forma como, por diversas vezes, o seu curtíssimo bloco não se conseguiu ajustar ao posicionamento da bola para manter uma presença pressionante sobre o portador da bola. E, como se sabe, só é possível jogar-se com espaço nas costas se a pressão sobre a bola for sempre conseguida. Caso contrário, pode ser suicídio.

De resto, e termino por aqui em relação à Naval, a sua qualidade com bola também não foi muito boa, vivendo sobretudo de alguns rasgos individuais de Fabio Júnior que, porém, lhe chegaram a dar uma soberana oportunidade para complicar as contas portistas. Não que chegasse para a surpresa – isso nunca saberemos – mas porque, dadas as circunstâncias, a eficácia era um elemento obrigatório para quem queria sonhar.

Quanto ao Porto, e apesar do tal bloco curto da Naval, é notável a movimentação que existe em ataque posicional, com a equipa a encontrar situações de liberdade, mesmo dentro das apertadas linhas do seu opositor. Foi, creio, um bom jogo da equipa em vários parâmetros, ficando apenas a dever a si própria alguma qualidade de definição no último terço para atingir uma expressiva goleada. É que as condições estavam criadas.

Uma nota em relação ao meio campo portista. Parece haver uma intenção de usar as características mais ofensivas de Guarin, dando mais liberdade ao “pivot”, e, para isso, mantendo Moutinho numa posição de maior proximidade com essa zona. Quer no equilíbrio posicional, quer mesmo numa fase de construção, onde Moutinho aparece muito mais do que Belluschi junto dos centrais. Por outro lado, Belluschi tem uma presença mais próxima das linhas ofensivas, aparecendo menos numa primeira fase de construção, mas mais no espaço entre linhas e dando largura à direita em situações de variação de flanco. São comportamentos já vistos noutras ocasiões, mas que creio serem mais notórios e conseguidos nos últimos jogos, com Guarin como “pivot”. Resta saber, porém, se esta opção se manterá noutro tipo de jogos onde, claramente, o colombiano não dá tantas garantias como Fernando em termos de segurança e presença posicional.

Notas individuais
Fucile – Regressou à esquerda, mas não teve muita sorte no ‘timing’ deste regresso. É que o jogo foi mais verticalizado do que é hábito, havendo menos apelo à inclusão dos laterais em termos ofensivos. Ainda assim, o grande reparo que lhe tem de ser feito é para a frequência absurda com que fica ligado a erros decisivos ou a grandes penalidades. Uma tendência para o desastre que se lamenta, porque é forte em quase tudo.

Otamendi – Não pode marcar com tanta frequência como vinha fazendo, mas vem-se revelando como a melhor opção para o lugar, e com alguma distância. Tem uma área de intervenção muito alargada e consegue ser dominador em todo esse espaço. Sente-se que gosta disso e que, por isso, também arrisca mais nas suas intervenções. O segredo para a sua evolução é calibrar melhor as bolas a que deve ir e aquelas em que deve ficar, assim como o risco que assume em cada posse de bola. É, a meu ver, o dilema tradicional dos centrais com maior potencial.

Rolando – Ao contrário de Otamendi, tem uma zona de intervenção curtíssima e impõe-se com muita dificuldade em termos defensivos. Mantém um perfil sóbrio, tem boa presença nas bolas paradas e é fiável com a bola nos pés, o que o faz errar menor e o iliba quase sempre de apreciações mais negativas. A meu ver, porém, o Porto deve pedir mais para esta posição.

Guarin – Voltou a fazer um bom jogo, sobretudo porque tem a capacidade de dar profundidade à sua intervenção. Mas não é – de longe – um jogador muito forte na missão posicional e de segurança que normalmente está reservada para a sua posição. Será interessante ver como Villas Boas gerirá a sua utilização ao longo da época.

Moutinho – Começou por ameaçar uma grande exibição, mas foi perdendo presença e acabou por estar menos participativo na segunda parte. A sua fiabilidade, no entanto, faz com que jogue sempre bem e penso que é boa ideia reservar-lhe uma missão mais focada no equilíbrio e na primeira fase de construção do que esperar dele uma grande influência no último terço.

Belluschi – Não começou bem, mas creio que terá feito uma das suas melhores exibições em termos globais. Esteve bem em posse, conseguiu várias recuperações importantes em zona alta e foi influente também no que a equipa conseguiu no último terço.

Hulk – Voltou a jogar a partir da ala, onde claramente rende mais. O ponto, porém, é que o momento de confiança é de tal ordem que não creio que alguma posição no campo o impedisse de marcar e ser influente. Que época!

João Real – Posicionalmente não dá para tecer grandes elogios, mas a sua capacidade interventiva foi absolutamente incrível. Fez um número absurdo de cortes, muitos deles em recuperação e decisivos. Diria que foi um “guarda redes de campo”, e muito graças a ele, não aconteceram mais golos.



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9.1.11

A boa vitória do Benfica e os novos treinadores (Breves)

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- Para ser sincero, não projectava grandes dificuldades para o Benfica na visita a Leiria. A verdade, ainda assim, é que a primeira deslocação de 2011 acabou por ser muito boa para o Benfica. Fora de portas, uma das melhores exibições, desde há muito tempo a esta parte. Um domínio continuado, durante 90 minutos, e com ocasiões mais do que suficientes para ter resolvido bem mais cedo o jogo. Apenas algumas (já recorrentes!) perdas de bola, perfeitamente evitáveis, ameaçaram quebrar esta toada. Guardo a análise mais detalhada para depois, mas volto a alertar para influência do trio Gaitan, Saviola e Salvio nos desequilíbrios mais importantes da equipa. Um denominador comum nesta fase de jogos mais bem conseguidos.

- Mais cedo, e mais a Norte, a surpresa da jornada. 3 treinadores estrearam-se nesta jornada, mas Mozer era o único a destoar no que respeita ao perfil. Para já, foi o pulso cerrado a prevalecer sobre os livros. Um jogo não chega para quaisquer conclusões, mas, pelo menos por agora, o meu prognóstico saiu completamente trocado, o que é... uma excelente notícia! Pode estar a aqui uma boa oportunidade para aprender...

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16.11.10

Benfica - Naval: Análise e números

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“Foi um bom espectáculo”. A frase é empregue frequentemente mas nem sempre com a justiça com que este jogo a mereceu. Um “bom espectáculo” não quer dizer forçosamente que tenha sido um “bom jogo”, ou que o seu interesse tenha sido por aí além. Enfim, será mais uma questão de gosto do que outra coisa. A mim, pessoalmente, interessa-me mais o critério, a estratégia e racionalidade colectiva. Também gosto mais do espectáculo, claro, mas quando este resulta do mérito e não tanto de algum desleixo na abordagem que é feita ao jogo. E esse foi, a meu ver, um pouco o caso deste Benfica-Naval. Um “bom espectáculo”, muito mais do que um “bom jogo”. No fim, ganhou o Benfica e por larga diferença. Uma diferença que se justifica pelo volume ofensivo, mas que poderia ter sido atenuada com um golo que a Naval também não deixou de justificar.

Notas colectivas
Como se explica então o ritmo de parada e resposta que se viu durante muito tempo, nomeadamente na primeira parte? Sem tirar mérito – que o houve – às acções ofensivas, há que falar daquilo que as defensas não fizeram. Isto porque, se a Naval tem aspirações de retirar pontos a um “grande”, não pode cometer tantos erros na sua linha mais recuada e, por outro lado, o próprio Benfica não pode esperar deixar de passar por sobressaltos se não se acautelar melhor defensivamente.

Em relação ao Benfica, já acontecera a mesma situação com o Paços, que também conseguira um número de finalizações elevadíssimo na Luz. Desta vez a origem não é exactamente a mesma, porque o Paços conseguira impedir o Benfica de sair a jogar através de um pressing mais alto que forçou o Benfica a bater bolas longas e a disputar um jogo mais físico no meio campo. Desta vez, a origem não se repetiu mas o “meio” foi o mesmo.

Ou seja, o Benfica foi, é e continuará a ser uma tacticamente forte. Muito forte, mesmo. Posiciona-se muito bem em todos os momentos e reage rapidamente a todas as mudanças de situação no jogo. O problema é que o modelo de Jesus é bastante exigente porque arrisca sempre muito quando em posse da bola. Opta por uma circulação muito vertical e não hesita em colocar muita gente nos processos ofensivos. Neste sentido, o maior problema desta época – como várias, e várias vezes tentei explicar – está na segurança do passe na zona de construção. Ou seja, perdendo a bola em zona não muito alta, torna-se muito difícil lidar com a transição ataque-defesa, mesmo se a reacção colectiva me parece francamente boa após a perda. Foi isso que custou derrotas como as da Supertaça, de Guimarães, frente a Schalke ou Lyon.

Contra a Naval isso não aconteceu com especial frequência ou gravidade, mas houve alguma displicência na forma como a equipa defendeu, empregando pouca agressividade em duelos individuais que, sendo sucessivamente perdidos, abriram caminho às ocasiões que todos observamos na primeira parte do jogo.

Quanto à Naval, para além de ter permitido muitas ocasiões por parte do Benfica – normalmente uma goleada resulta de uma eficácia assinalável, mas este nem foi um desses casos – permitiu também que essas ocasiões fossem bastante claras. Para comprová-lo basta atentar a este dado: enquanto que no campeonato, o Benfica leva apenas, e média, 40% das suas finalizações à baliza, neste jogo 15 em 20 (75%) tiveram esse desfecho. De assinalar os inúmeros erros que a equipa cometeu no seu último terço, em particular na sua última linha defensiva.

Notas individuais
Coentrão – Não se pode dizer que tenha jogado mal, mas foi uma actuação francamente modesta e discreta para as suas potencialidades, e num jogo que tinha tudo para conseguir outro protagonismo. Pode ser coincidência, mas é impossível deixar de constatar que tal acontece no primeiro jogo após a hecatombe do Dragão.

David Luiz – Ao contrário do que aconteceu no Dragão, creio que a sua actuação deve ser censurada. A forma como abordou os duelos com Fábio Junior foi displicente e custou-lhe a perda de algumas situações proibidas e desnecessárias. Parece desleixo, e parece também estranho porque o aviso sobre a qualidade de Fábio Júnior já vinha do ano anterior.

Airton – Foi o jogador com mais passes completados, com mais intercepções e com maior % de passe da equipa. Um feito que Javi Garcia, nas 10 utilizações como titular nunca havia conseguido. Aliás, Garcia só por 2 vezes fez mais passes do que Airton neste jogo, e em nenhuma ocasião conseguiu tantas intercepções. O espanhol entenderá melhor o modelo e terá uma melhor noção posicional, mas não é, nem tão reactivo, nem tão forte nos duelos individuais, nem tão pouco tão certo no passe como Airton (apesar deste ter cometido 2 erros a este nível). Não digo que Airton só tenha vantagens, ou que o Benfica esteja mal servido com Javi, mas creio – já de há algum tempo, e com sucessivo reforço dessa ideia – que é o brasileiro quem garante melhor rendimento no desempenho do lugar.

Aimar – Fez provavelmente o seu melhor jogo no campeonato. Isto, porque o número de desequilíbrios que criou é incomparável com qualquer outra actuação na prova, ficando a dever a si próprio pelo menos 1 golo, que só por manifesta infelicidade não aconteceu. Ainda assim tenho uma critica a apontar-lhe. 60% de sequência em todas as posses que teve é muito pouco para quem joga ao longo de todo o corredor central. Aimar pode e deve trabalhar melhor o critério quando baixa para zonas onde o risco deve ser menor. E isso, assinale-se, já lhe custou, a ele e à equipa, alguns dissabores esta época.

Gaitan – Tivesse Gaitan outro nome e outra reputação e teria feito todas as manchetes do dia seguinte. Isto porque a sua exibição foi simplesmente estrondosa. Marcou 2 excelentes golos e ainda participou num total de 6(!) desequilíbrios da equipa. Para além disso, evitou erros que vinha comentendo em posse e teve um desempenho defensivo bastante bom, o melhor dos 5 jogadores mais ofensivos. Aliás, sobre isto importa dizer que Gaitan não é um jogador especialmente agressivo e, por exemplo, não consegue ser muito útil num pressing mais alto. Mas, por outro lado, é um jogador que se posiciona bem tacticamente e que tem esse sentido de responsabilidade colectivo. O seu maior problema, a meu ver, é a decisão em posse em zonas mais atrasadas, onde ainda arrisca demasiado e onde já perdeu demasiadas bolas nesta temporada.

Salvio – É mais agressivo do que Gaitan, está a melhorar claramente, mas sente mais dificuldades em termos tácticos. Porquê? Porque Salvio sempre foi um jogador de último terço, mais avançado do que médio, com menos responsabilidades tácticas e sem a necessidade de decidir com frequência a 50 metros da baliza. Nem na Argentina, nem no pouco tempo em que esteve no Atlético. Mas – repito – dê-se-lhe tempo...

Kardec – Marcou um golo e, mesmo se continuou ausente das dinâmicas da equipa, foi muito útil nas primeiras bolas, onde a Naval sentiu dificuldades. Para fazer o que Cardozo fez no campeonato até à lesão (derbi à parte) chega e sobra. Mas isso também não é propriamente um elogio...



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15.11.10

As esperadas vitórias de Porto e Benfica (Breves)

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- Na Luz, o risco era a hipótese de uma contrariedade no jogo. A Naval conseguir um golo antes do Benfica, por exemplo. Não aconteceu e, sendo assim, nem o Benfica teve de superar essa prova mental, nem o jogo teve alguma surpresa no seu desfecho. Em relação ao jogo, é de destacar, sem dúvida, o elevado número de remates, sendo, ainda para mais, que as 36 finalizações ao longo dos 90 minutos tiveram uma divisão perfeitamente repartida. Divertido bem mais para quem viu do que para quem viveu o jogo por dentro. Ou seja, os treinadores. Porquê? Porque nem a Naval pode pensar em levar pontos da Luz defendendo como defendeu, nem o Benfica pode pensar em deixar de perder pontos se não conseguir controlar melhor o jogo e o adversário - lembro que não é situação nova, já com o Paços de Ferreira foram permitidas inúmeras finalizações. Finalmente, nota para Gaitan e Salvio. Vou aproveitar o momento para reafirmar algo que venho dizendo: são 2 jogadores de talento raro para a sua idade. Queira e saiba o Benfica dar-lhes tempo (no caso de Salvio, implica investimento) e terá, mais tarde ou mais cedo, uma dupla de desequilibradores de respeito.

- No Dragão, ainda deu para saltar da cadeira no inicio da segunda parte, quando o Portimonense ameaçou o empate. É claro que os níveis de motivação não podem ser os mesmos perante todos os adversários e, se é óbvio que ninguém relaxa voluntariamente com um resultado tangencial, não menos óbvio será que o subconsciente se encarregará de boa parte desse trabalho. No fundo, é o desafio que tinha antecipado depois do clássico: a necessidade de manter níveis de intensidade sem a ajuda preciosa que traz a pressão, dita, positiva.

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15.9.10

O momento do Benfica, Van der Gaag e Tino Costa (Breves)

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- O Benfica ganhou, mas não fica claro se o impacto emocional do jogo foi positivo ou negativo para a recuperação emocional que a equipa precisa. Não pela exibição, que foi suficiente (apenas isso, no entanto), mas pelo episódio de Óscar Cardozo. Pessoalmente, custa-me perceber a tolerância de Jesus com este inicio de época de Cardozo. Para além de jogar sempre os 90 minutos e quase sempre com um rendimento ridículo, temos agora a justificação da sua limitação física. Para mim, simplesmente não se justifica, mas também é só a minha opinião.

- Ainda no Benfica, questiono-me sobre a utilidade prática - para equipa - desta rábula do protesto. Não é uma iniciativa nova no futebol português, mas parece-me servir mais para entreter os adeptos do que para corrigir o que quer que seja. Talvez venha a falar um pouco mais disso brevemente, mas para já fica a pergunta: quantas tomadas de posição contra arbitragens tiveram um efeito prático útil no rendimento da equipa?

- Van der Gaag já foi despedido. A "chicotada" deve ser um objectivo de temporada no Marítimo e esta até deve ter sido das que mais custou ao orgulho do Presidente. Talvez seja o clube português com menor aproveitamento relativo nos últimos 10 anos. O meu palpite para o seguimento vai para a Naval. Uma equipa que comete tantos erros não pode durar muito tempo...

- Na Champions, nota para o golo de 'Tino' Costa, uma revelação que acompanhei no ano passado no Montpellier. Há 2 anos jogava na segunda divisão francesa e ninguém o resgatou. A outra nota vai para o Barcelona, mas apenas pelo regresso da normalidade...

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1.9.10

Naval - Sporting: Análise e números

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A confirmar-se a sua volatilidade recente, não é provável que Paulo Sérgio se agarre muito àquilo que aconteceu na Figueira. A verdade é que provavelmente devia. É utópico pensar que alguns dos problemas da equipa se terão evaporado subitamente e muito do seu eclipse episódico se explica naquilo que a Naval não foi capaz de fazer. Ainda assim, o losango trouxe a exibição mais consistente da temporada, alicerçada num crescimento significativo do rendimento individual de muitos jogadores.

Notas colectivas
Há dias confessei acreditar que esta era uma equipa individualmente superior àquela que o Sporting tinha há 1 ano e que se Paulo Bento a tivesse tido nessa altura dificilmente teria deixado Alvalade da forma que deixou. Ora, na Figueira tivemos um bom teste prático para essa hipótese teórica, com muito do que a equipa fez a aproximar-se da filosofia implementada por Bento. E a verdade é que se deu muito bem.

O domínio leonino foi alicerçado numa boa intensidade de todos os jogadores, valendo uma rápida presença nas zonas da bola e também representando uma mais valia na disputa de lances divididos. As dimensões do campo não são, aliás, um pormenor a menosprezar na análise do jogo. Nestas condições é sempre importante ser mais forte nas bolas divididas e na resposta a iniciativas mais directas, que acabam sempre por acontecer. Depois – e também tem a ver com a dimensão – é importante saber distinguir bem os momentos em que dá para circular e aqueles em que o risco não deve ser assumido. Em todos estes patamares o Sporting esteve bem e, sobretudo, sempre muito melhor do que a Naval. Aliás, uma das dúvidas que me fica é que resposta dará a equipa neste modelo, mas num campo maior. Sobretudo em termos defensivos, creio que há problemas que poderão ser mais vezes expostos. Mas isso só poderemos confirmar, se a fórmula for repetida noutras condições.

Importa também falar de outro aspecto que tem a ver com a dinâmica das alas. O Sporting tem tido alguns problemas na protecção dos flancos. Jogando em 4-4-2 ou 4-2-3-1, como vem sendo hábito, a equipa tem sempre 2 alas muito ofensivos e o meio campo, com apenas 2 jogadores, tem dificuldade para auxiliar a tempo a cobertura dos flancos. Este problema foi muito visível na Mata Real, mas tem sido um denominador comum na temporada e um dos problemas da equipa. Ora, este losango apresentou maior consistência nesse âmbito porque, apesar dos laterais serem muito ofensivos, havia 3 médios com responsabilidades mais posicionais, o que facilitava a compensação nos flancos. Mais uma vez, um jogo não chega para tirar conclusões, mas esta dinâmica foi bastante interessante, e mais interessante poderá ser com João Pereira, por exemplo.

Se tudo isto funcionou em termos colectivos, muita da explicação da subida de rendimento tem de vir da componente individual...

Notas individuais
De facto, num só jogo houve vários jogadores a conseguir os níveis exibicionais mais elevados da temporada, e isso não pode ser dissociado da estrutura e do modelo adoptados.

Primeiro, Liedson. De facto, foi outro jogador com alguém ao lado. Tem andado distante do seu nível de rendimento noutras temporadas, mas com o losango voltou o melhor Liedson. Muito participativo, conseguindo estar presente em todos os momentos da equipa e sendo uma mais valia para o colectivo pela abrangência das suas acções. Foi decisivo, e isso é obviamente importante, mas não é esse dado que deve ser mais relevado na sua exibição. Fica claro, nesta estrutura Paulo Sérgio ganha outro jogador na frente.

Depois Maniche. Passou mais ou menos em claro aquilo que fez no jogo, mas Maniche fez um jogo enorme na Figueira. É impressionante a sua capacidade de presença, a leitura rápida que faz do jogo e a capacidade de execução que tem ao nível do passe. Ter este Maniche é ter um jogador ao mais alto nível mundial. E ainda faltam os desequilíbrios que sabemos que é capaz de criar! Não sei se o critério da sua não convocação foi técnico, mas se foi, alguém anda a fazer mal o seu trabalho...

De resto, quase toda a equipa, do meio campo para a frente, esteve em níveis máximos de temporada. Um destaque particular para os efeitos que a estrutura teve em Yannick e Valdes. Yannick, porque, um pouco como Liedson, é neste figurino que se sente melhor e que as suas qualidades são melhor potenciadas. Quanto a Valdes fez o jogo mais completo desde que chegou. Finalmente foi um jogador total, para todos os momentos e não apenas um ala à espera que a bola lhe chegasse ao pé. Assim sim, pode ser uma mais valia.

Como nota negativa, e um dia após ter atingido o ponto máximo da sua carreira, Nuno André Coelho. Talvez a convocatória o tenha afectado, mas esteve algo displicente no passe, acumulando 3 perdas evitáveis. Ao seu lado, Carriço esteve bem melhor.



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14.4.10

Ao Jamor não se vai de... bicicleta!

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6.4.10

Naval - Benfica: Valha-nos a emoção...

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Não há melhor motivação para a memória. A emoção. É por isso que esta, entre todas, será das vitórias mais fáceis de recordar pelos adeptos encarnados quando tiverem de olhar para trás, para a liga 09/10. Não pelo elevado número de golos e muito menos por um brilhantismo que, do ponto de vista técnico, não existiu. Será sempre pela sensação vivida e pela libertação de um receio que subitamente se agigantou com aquela entrada alucinante e inesperada. A emoção é o que marcará a lembrança deste jogo. Ainda bem, porque pouco mais trouxe de recomendável...

Os deuses devem estar loucos!
A primeira parte é digna de um filme. Um Benfica a entrar mal em todos os momentos do jogo, punido severamente por um inspiradíssimo avançado peitudo. Fábio Júnior. Mais um pára-quedista que nos vem provar a infinidade do potencial do futebol brasileiro. Não foi só pelos lances dos golos, mas bater David Luiz em potência e fazer Maxi parecer um veterano a pedir a reforma, no mesmo jogo... não é para todos.

Naval: O “autocarro”... afinal o que é isso?
A película não acaba aqui. É fácil elogiar a reacção encarnada, mas, do meu ponto de vista, há bem mais demérito da Naval no que se assistiu. Inácio deixou transparecer alguma satisfação por não se poder identificar na Naval a famosa estratégia do “autocarro”. Eu pergunto, o que é afinal isso do “autocarro”?! Será que uma equipa que encaixa 4 ou 5 golos deve ser elogiada em relação a uma outra bem mais eficaz defensivamente?! É de mim, ou isto não faz sentido nenhum?!

A Naval baixou, encostou-se à sua área e não pressionou a primeira fase de construção do Benfica. Utilizando um verbo que se adequa e, no caso, encaixa especialmente com o nome: a Naval afundou. Tacticamente, isto é. Mas esse não foi o problema. O problema é que, mesmo perante um Benfica bem mais errático que o costume, a defesa figueirense foi um autêntico passador. Quando tinha tudo para conseguir um resultado épico, a equipa errou de forma sucessiva e primária, abrindo o caminho à reviravolta.

Em suma, não há nada de errado em perder com uma equipa amplamente superior. Muito menos, em escolher-se o caminho que se acha mais adequado para levar os seus objectivos a bom fim. O mesmo já não se pode dizer, porém, da forma quase amadora como se deitou fora uma vantagem tão preciosa como improvável. Quanto à reacção de satisfação posterior pela suposta ausência de “autocarro”, errado é uma classificação que me parece simpática. E prefiro não me alongar na escolha de um melhor adjectivo...

Benfica: A reviravolta e... quase nada
Os elogios ao futebol do Benfica, da minha parte, começaram cedo e foram-se alongando pela época fora. A qualidade não se perdeu, ainda que tenha caído com mais frequência nos últimos tempos. Neste jogo, no entanto, encontro mesmo poucos motivos para elogios. Talvez mesmo, o pior da época. O modelo táctico é excelente, claro, e não mudou. A qualidade individual existe, mas, salvo raras excepções, não se sentiu. De resto... quase nada.

A entrada foi horrível. Quase todos os jogadores falharam passes, muitos deles na primeira fase de construção e nem a defender estiveram dentro dos parâmetros normais. Mesmo depois do empate, a Naval voltou a conseguir ter lances de enorme perigo. Na altura do 2-3, aliás, era a Naval quem parecia mais perto. Valeu um momento de inspiração (notável!) de David Luiz e a intervenção do melhor do Benfica, Di Maria, para um golo muito importante . Foi a partir daí, e em particular na segunda parte, que o Benfica, conseguiu, finalmente, controlar o destino do jogo. Isto, apesar das facilidades que, como já referi, lhe foram concedidas.

Parece preocupante...
Para o jogo de Liverpool: Parece preocupante alguma sobranceria da equipa nas entradas dos jogos, levando a um número atípico de erros. Parece preocupante não ter Saviola. Parece preocupante ter um Aimar num momento de forma muitíssimo distante do que se lhe viu fazer em grande parte da época. Parece (sobretudo!) preocupante que Jesus tenha utilizado o final do jogo para antecipar uma desculpabilização de um mau jogo que, afinal, ainda nem sequer aconteceu.



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9.2.10

Análise vídeo: Tonel, Rolando, Orlando e Moreno

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O comportamento da linha defensiva tem sido, provavelmente, o aspecto táctico que mais tenho focado nos últimos tempos. Ora bem, para não fugir a essa regra, esse é o também o tema das jogadas do fim de semana que resolvi trazer. 4 lances diferentes, mas com esse importante pormenor em comum...


Golo da Académica – Começando pelo mérito da Académica. O ponto mais importante do sucesso da transição, do ponto de vista dos estudantes, é o facto da Académica ter conseguido colocar 4 jogadores em situação ofensiva, forçando a uma situação de 4x4.

É claro, no entanto, que há muito para corrigir da parte do Sporting. Primeiro, uma transição, idealmente, deve ser parada o mais rapidamente possível para dar tempo à equipa de se reorganizar defensivamente. Neste sentido, o ideal é que os jogadores em equilíbrio se coloquem para poder pressionar a referência para a saída em transição. Isso, claramente, não acontece e, ao contrário, o quarteto defensivo (com Pedro Mendes a cobrir o adiantamento de Grimi) afunda-se no campo. O único que parece querer fazer o contrário é João Pereira, mas nem a acção do ex-Braga acaba por ter utilidade. Como se não bastasse, ao chegar às imediações da área, dá-se o erro que abre a clareira por onde entra João Ribeiro. Em vez de manter referência colectivas, Tonel fixa-se no seu marcador e, não só não faz uso do fora de jogo, como abre um buraco na zona central, por onde entra o extremo da

Académica. Em vez de se focalizar a 100% no seu adversário, Tonel deveria ter lido a jogada e mantido a posição, tendo Polga como referência de posicionamento. Este, no entanto, é um mal da defesa leonina que vem repetidamente sendo penalizada por não dominar este recurso. Fica fácil de perceber, tal como referi na altura, que o erro de Grimi no Dragão não se tratou de um lapso individual mas sim de uma falta de preparação colectiva para este tipo de lances.

Oportunidade de Pongolle – O fora de jogo tem sido um dos recursos claramente usados por André Villas Boas desde a sua chegada a Coimbra. Várias vezes lhe tem sido útil, é verdade, mas também é fácil encontrar exemplos de má interpretação do recurso. No caso, Orlando habilita Pongolle desnecessariamente, numa jogada que poderia ter ditado um rumo completamente diferente para o jogo.

Sobre a jogada, e não tendo a ver com a temática, nota para 2 aspectos. Primeiro, o excelente trabalho de Liedson, num jogo em que o 31, mesmo não marcando, esteve em óptimo plano. O segundo tem a ver com a finalização de Pongolle... Ou melhor, com a defesa de Ricardo. É que não há nada de errado com a conclusão do francês, merecendo todo o mérito a grande intervenção do guarda redes.

Oportunidade Naval – Na grande oportunidade da Naval para trazer do Dragão um outro desfecho, encontro um lance em que tenho leitura diferente dos anteriores. Ou seja, a opção do defesa, no caso Rolando, foi a mais correcta. É que, ao contrário de outros lances, Rolando, que tem a leitura total do lance, não pode garantir que colocará o avançado em fora de jogo, já que este se encontra atrás da linha de Bruno Alves. O outro pormenor que faz da opção de Rolando em baixar, uma opção correcta, é o facto do portador da bola não estar a ser pressionado e ter a oportunidade de ler e definir o timing da jogada.

Ainda assim, e apesar da decisão de Rolando me parecer inevitável, a jogada acaba na cara de Hélton. Muito mérito para a Naval, em especial para o passe de Fábio Júnior, mas também alguma dificuldade de Bruno Alves em recuperar mais rapidamente de modo a fechar a linha de passe. Provavelmente, e visto depois, tinha-se justificado a falta de Ruben Micael no inicio da jogada.

Golo do Paços – jogo de grande domínio do Vitória e... derrota. Dois lances definiram o desfecho cruel. O primeiro, um pontapé fantástico, o segundo, uma transição que apanha a defesa em desequilíbrio após uma bola parada ofensiva. A grande curiosidade do lance está na acção de Moreno. Quando a defesa, ainda que algo atabalhoadamente, tentava parar o avanço adversário recorrendo ao fora de jogo, eis que aparece o capitão vimaranense em recuperação. O incrivel da acção de Moreno está na forma como, ao longo da jogada, despreza por completo o posicionamento dos colegas, acabando por ser o responsável pelo posicionamento legal de Maycon na altura do remate.


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8.2.10

Porto - Naval: Renovar da esperança

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O ar é outro no Dragão. As melhorias no jogo portista – tal como fui reforçando – já vinham sendo visíveis, mas havia uma ansiedade que parecia asfixiar a equipa em momentos chave. Não se pode dizer que a confiança seja já total, e para isso basta lembrar que a Naval teve o empate na cara de Hélton, a 15 minutos do fim. É inegável, porém, que, frente à Naval, os renovados ventos de esperança contagiaram também os jogadores.

O Porto fez uma primeira parte muito positiva. Enorme mobilidade, grande velocidade de circulação e boa reactividade dos jogadores às variações tácticas do jogo. O resultado foi um domínio absoluto do Porto que não teve, no entanto, uma grande correspondência em termos de oportunidades. Ainda assim, claramente, o golo de Tomás Costa não foi menos do que justo para a diferença de qualidade das equipas.

Na segunda parte, e conseguida a vantagem, estavam reunidas as condições para que o jogo fosse resolvido bem mais cedo. A Naval tornou-se mais afoita mas também mais vulnerável e só por um comportamento mais errático é que o Porto não chegou ao segundo golo mais cedo. O resultado foi uma ansiedade crescente mas que, ainda assim, nunca chegou aos níveis dos jogos com Leiria e Paços. Tudo, claro, libertado na etapa final, assim que Falcao fez o 2-0.

Em termos individuais, creio que é justo falar de Belluschi. Pelo menos pela primeira parte, já que caiu muito na segunda. Já havia referenciado a sua progressão em termos de familiaridade com o modelo portista, mesmo nos jogos com Leiria e Paços, e o argentino parece mesmo estar a ficar mais entrosado com a sua função. Com a boa entrada de Micael, fica a dúvida sobre quem irá compor o meio campo quando Fernando e Meireles estiverem de volta. Outra nota vai para Varela que, ao contrário do que previ inicialmente, se adaptou muito bem às exigências de jogar no Porto. O seu rendimento tem sido fantástico.



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10.11.09

Benfica - Naval: O monólogo que terminou à cabeçada

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Um jogo é suposto ser um diálogo e quando, como aconteceu neste caso, se aproxima tanto de um monólogo torna-se naturalmente menos interessante. Isto, apesar da incerteza provocada pelo arrastar do nulo até ao final. A responsabilidade é, claro, em primeiro lugar da qualidade do Benfica, mas deve também ser dividida com a atitude da Naval, que muito facilmente se submeteu a um jogo muito baixo e sem arriscar minimamente em termos de zona de pressão. Foi, na sequência de outros casos aqui referidos recentemente, mais um exemplo das dificuldades que se sente quando se enfrenta um adversário tão fechado como aconteceu.

Para se chegar ao objectivo, o golo, pode-se utilizar 3 vias que decorrem da própria natureza do jogo. Em organização, em transição ou de bola parada. Quando uma equipa não arrisca minimamente em termos ofensivos retira, desde logo, uma das vias. A da transição. Esse foi o primeiro obstáculo do Benfica. Sem possibilidade de usufruir de transições é muito mais complicado apanhar o adversário em momentos de desorganização e torna tudo muito mais dependente de rasgos de criatividade e inspiração que possam contornar a inferioridade numérica no último terço. O problema é que isso não aconteceu com abundância e apenas Di Maria se mostrou capaz de “abrir a lata” figueirense (aqui entra o tal factor de desgaste mental dos jogadores, invocado por Jesus). Deste modo, restavam as bolas paradas. E assim, mesmo tardando, aconteceu. Fica, mais uma vez, saliente o mérito encarnado para este tipo de situações que, diga-se, não podem ser vistas como uma espécie de recurso menos digno. E muitas vezes são.

Sobre a Naval, começo por dizer que, para mim, não há estratégias mais ou menos positivas. Cada um traça o plano que entende e tem toda a legitimidade para isso, mesmo não agradando a terceiros. Dito isto, elogio a atitude e o espírito de sacrifício dos jogadores da Naval, mas também realço que, para além desses factores, há pouco mérito naquilo que fez.
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2.9.09

Aimar e mais 4 lances em análise

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Aimar – Escolher entre 8 golos pode não ser nada fácil. Neste caso, porém, parece evidente a opcção pelo trabalho individual – mais um – de Pablo Aimar. O motivo pelo qual escolhi este lance, no entanto, não tem apenas a ver com a habilidade do argentino. Uns instantes antes do chapéu que permitiu que se isolasse, Aimar teve outra acção menos brilhante mas, talvez, mais importante num contexto táctico. A pressão imediata após a perda de bola, quando eficazmente aplicada claro, inverte a transição adversária e torna-se num lance potencialmente bem mais perigoso do que o ataque original. Apesar de ser uma reacção defensiva é, mais do que tudo, uma poderosa arma ofensiva. Jogadores criativos e dotados, como é o caso de Aimar, encontram nestes momentos a ocasião perfeita para soltar o seu talento, aproveitando os momentos de desorganização momentânea dos defesas contrários e este é apenas um exemplo disso mesmo. Para terminar, sobre Aimar, dizer (ou relembrar) que o seu crescimento vai muito além das aparições ofensivas que protagoniza. A sua capacidade e utilidade defensiva é hoje muito maior, sendo protagonista muito importante no ‘pressing’ da equipa.


Varela – No golo do Porto, o segundo, importa destacar alguns pontos. Primeiro, a qualidade de Meireles, inteligentemente criando um desequilíbrio individual no meio campo. Depois, o papel de Falcao. Não apenas a assistência, mas o facto de baixar para zonas interiores, atraindo os centrais para dentro e criando condições para haver mais espaço nas costas e na zona central da defesa. O espaço que Varela aproveitou. Mas há, também, alguns pormenores negativos, do lado da Naval, a salientar. Primeiro, a saída à queima de Gomis (um jogador a rever apesar de tudo) que, perdendo completamente o lance, deixa Diego Angelo completamente só no centro e ainda com Falcao pela frente. Outro aspecto evidente é a abertura da defesa. Um erro recorrente sempre que um central sai da sua posição. Os laterais devem fechar junto da zona central e não permanecer abertos. As referências individuais falaram, de novo, mais alto e tudo ficou mais fácil para o ataque portista.

Rolando – Na análise ao jogo falei dos problemas do pressing do Porto e da excessiva facilidade que a Naval teve para jogar. Não é, nem de perto, caso único, mas o lance do golo é, também, um exemplo disso mesmo. Em organização ofensiva, a Naval aproveita os problemas portistas e facilmente consegue abrir um espaço para que a sua primeira fase de construção possa, não só pensar o primeiro passe, mas mesmo entrar com bola pelo bloco portista. A bola entra facilmente na ala e o cruzamento muito provável, acabando o lance a ser decidido no coração da área. O que não convém. Foram vários, e demasiados, os cruzamentos da Naval e isso tem de ser corrigido. Uma nota sobre um aspecto também visivel no lance: a distância de Falcao para a linha média que permanece passiva, baixando a equipa no terreno.

Yontcha – O Belenenses tem algumas características interessantes, como a preferência que dá à posse de bola, mesmo em zonas baixas. Há ainda vários problemas que distanciam esta equipa de um rendimento ideal, destacando eu a dificuldade com que a equipa tem em subir o seu bloco, jogando demasiado baixo, demasiado tempo. Mas o ponto que pretendo focar tem a ver com o canto que resultou no golo do empate parcial. Uma solução inteligente e simples para ultrapassar uma defesa que, como a maioria, defende zonalmente estes lances. Com apenas 4 homens na área, o Belenenses consegue isolar... 2! O canto curto é solução recorrente neste tipo de situações, mas, neste caso, o objectivo desta opção foi diferente do habitual...

Thiago Motta – Um espectáculo o primeiro golo do Inter! Para quem não percebe o que podem dar Milito e Eto’o em vez de Ibrahimovic, tem aqui um bom exemplo. Mobilidade, repentismo e imprevisibilidade. Tudo isto, claro, numa óptica colectiva e, por isso, a importância de ter também seguimento dado pelos jogadores que partem de posições exteriores. O desequilíbrio, neste caso, é criado do lado esquerdo da defesa do Milan, entre o central e o lateral. A causa é simples. A bola entra na direita do ataque do Inter e, por isso, o lateral vem para uma zona exterior. O problema é que muito rapidamente a bola parte para uma zona central, acabando por não haver um ajustamento posicional adequado ao caminho que a jogada levou. O erro é fácil de identificar mas, na verdade, a qualidade da jogada é enorme, sendo muito difícil que uma defesa consiga reagir tão rapidamente em termos posicionais. O melhor mesmo é desfrutar...


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31.8.09

Naval - Porto: Na Figueira, agora com eficácia

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Recordando o que aconteceu há pouco menos de 1 ano, na última derrota portista, precisamente na Figueira, há uma palavra que marca, claramente, a diferença. Eficácia. Ao contrário dessa ocasião, o Porto foi, desta vez, um visitante muito objectivo e, por isso, ganhou de forma algo fácil. Talvez demasiadamente para aquilo que foi, realmente, o jogo. Por trás do resultado ficam alguns bons indicadores mas também a persistência em alguns problemas que terão de ser resolvidos.


Lado esquerdo
O triângulo Varela-Meireles-Alvaro Pereira foi o canalizador de grande parte dos ataques portistas. E, seguramente, dos melhores. De facto, o Porto teve muito mais preferência por este flanco numa fase inicial, onde encontrou um entrosamento assinalável entre os movimentos de Meireles e Varela, com grande qualidade técnica a complementar. Varela, aliás, parece ser o primeiro trabalho de Jesualdo em 09/10. Foi, de novo, dos melhores em campo e mais do que a capacidade no 1x1 ou do golo que marcou, há que assinalar a forma inteligente como entrou no jogo, criando linhas de passe e dando depois boa sequência às jogadas. Do outro lado, porém, as notícias não são tão boas. Particularmente no que respeita aos movimentos de Belluschi.

Pressing
A Naval pode ter estado praticamente sempre em desvantagem, mas o domínio portista não aconteceu com a facilidade que o decurso do marcador sugere. A Naval conseguiu com muita regularidade levar o seu jogo até perto da área portista e, muitas vezes, em organização ofensiva. Chegamos ao tema do pressing. O Porto da Figueira fez-me lembrar alguns jogos dos primeiros tempos de Jesualdo. Ou seja, uma equipa com qualidade, sim, mas com um bloco algo passivo e baixo, sem capacidade de pressionar e impedir o adversário de sair a jogar. Aliás, se há coisa que caracteriza a versão “crescida” das equipas de Jesualdo é o pressing e, nesse aspecto, esta equipa não está nada “crescida”. Falcao esteve muito distante dos restantes jogadores que não sobiam quando identificavam o momento de pressão. Uma acção várias vezes comandada por Lucho e que, até agora, ninguém parece ter herdado. Aguardemos...


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17.3.09

Aimar, o golo de Roberto e o Porto-Naval

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Um raro Aimar
Desde o inicio da temporada que se falado muito do posicionamento de Aimar. De facto, quem pensa nos pontos fortes do argentino, dificilmente poderá imaginar que o seu rendimento possa ser potenciado a jogar de costas para a baliza, apertado por jogadores fisicamente muito mais poderosos e que facilmente condicionam as suas aparições no jogo.
Frente ao Guimarães houve uma jogada que, aparecendo totalmente descontextualizada daquilo que é norma nas rotinas ofensivas do Benfica, teve o condão de dar uma breve ideia de como poderia Aimar ser bem mais útil. Participando na primeira fase de construção e actuando de frente para os adversários e com a bola controlada, Aimar conseguiu rapidamente fazer levar a bola até à área contrária, numa jogada simples mas bem mais eficaz do ponto de vista da construção do que a maioria das jogadas que vemos no Benfica. Ao Aimar actual pode ainda apontar-se o aspecto de limitar a sua acção ao corredor central, oferecendo pouco auxilio à saída de bola pelos corredores. Mais uma vez, claro, fica a dúvida se tal tem a ver apenas com o comportamento do argentino, ou se há indicações para que tal aconteça.


O golo do Vitória
No golo que fez a diferença na Luz houve, mais uma vez, várias criticas feitas a David Luiz. Francamente, não consigo partilhar dessa responsabilização do jovem jogador encarnado. O motivo é simples. A razão pela qual David Luiz não impede Roberto de marcar tem a ver com o ponto de partida dos 2 jogadores na jogada. Enquanto que Roberto está ao lado de Luisão, David Luiz está uns bons metros à frente. A questão é que este adiantamento é correcto. Num lance que é disputado do seu flanco, o lateral deve aproximar-se da zona da bola, sendo o lateral oposto o responsável por fechar na zona central. Só se pode responsabilizar David Luiz se se discordar do seu posicionamento inicial no lance, já que não é possível pedir-se que o lateral recuperasse de forma tão rápida ao ponto de conseguir “apanhar” Roberto.
O problema do golo surge, por isso e na minha opinião, de 2 aspectos. O primeiro tem a ver com o erro de abordagem de Miguel Vitor que tenta erradamente jogar em antecipação, arriscando, e comprometendo o equilíbrio defensivo que existia. O outro aspecto tem a ver com a distância da linha média. Desmarrets é fundamental no lance, apesar de não participar. Isto porque cria uma linha de passe que impede Maxi de abordar mais directamente Marquinhos e obrigando Luisão a dividir as suas atenções entre o extremo e Roberto. Aqui, a distância da linha média dos defesas e a não existência de um jogador mais posicional, tem toda a importância. Primeiro porque não permite a existência de um 2x1 sobre Marquinhos no momento em que este roda sobre Miguel Vitor, depois porque não tem capacidade para acompanhar Desmarrets no tempo de chegada à zona ofensiva.

A má Naval e o bom Porto
Frente à Naval repetiram-se as jogadas elaboradas, com várias trocas de passe a servir de preparação para tantas ocasiões portistas no jogo. Como já havia referido no rescaldo do jogo, há 2 aspectos que contribuem para este tipo de jogo e que ficam bem evidentes nas 2 jogadas que recuperei sobre este jogo. A primeira é a inspiração e mobilidade dos jogadores portistas. A segunda é a fraca oposição que a Naval protagonizou no Dragão.
Em relação ao segundo aspecto, destaco vários erros de posicionamento, quer na linha média (no vídeo, realço a saída de 2 jogadores a pressionar Raul Meireles no lance do segundo golo), quer na zona mais recuada (as chegadas tardias de jogadores portistas às zonas de finalização nunca tiveram o acompanhamento devido e as saídas dos centrais não foram devidamente compensadas pelos laterais, como se vê no segundo golo). No Porto, pego no lance do segundo golo para chamar atenção para 2 jogadores. Lisandro, cuja movimentação foi uma fonte de desequilíbrios, arrastando os centrais para fora da zona central que ficava livre para as diagonais de Mariano para os movimentos verticais de Lucho. Depois, um “filme” muito visto mas que nunca é demais rever. A inteligência de Lucho. “El Comandante” tem essa particularidade em que parece esperar que toda a gente ponha os olhos na bola para atacar um espaço livre no último terço. Como os defesas continuam (e continuarão!) a fixar-se exclusivamente na bola e a esquecer-se dele, ele continua (e continuará!) a marcar golos.


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16.3.09

Porto – Naval: Poupada a goleada

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Superioridade – A ideia que fica depois deste jogo é que havia no Porto uma grande vontade de colocar finalmente um ponto final na malapata do Dragão. O resultado foi uma exibição muito bem conseguida, revelando uma superioridade tão evidente como natural, e que só não teve mais expressividade no marcador por alguns casos de ineficácia quase gritante na finalização.
Na minha apreciação, a superioridade do Porto tem de ser partilhada com um jogo menos conseguido por parte da Naval. A mobilidade dos jogadores portistas foi excelente e a reacção à perda de bola condicionou muito a capacidade figueirense para dar alguma expressão à sua posse de bola. A verdade, no entanto, é que o Porto contou com uma oposição muito “mole” em termos de agressividade e com manifestas dificuldades em controlar as chegadas portistas às zonas de finalização. Por isso se viram tantas jogadas vistosas, com 10 e mais passes consecutivos e com jogadores a sair facilmente de situações em que tinham inferioridade numérica. Com esta atitude perante um adversário como o Porto, pode dizer-se que a Naval se pode dar por muito satisfeita de não ter saído do Dragão com uma das mais pesadas derrotas da temporada.

Sem Hulk – Um dos aspectos mais curiosos da exibição do Porto foram os efeitos da ausência de Hulk. Lisandro (apesar de não ter marcado), Mariano e Lucho tiveram mais margem para a fazer da mobilidade uma fonte de problemas para os adversários e cada um destes argentinos terá realizado mesmo uma das melhores exibições da época a título individual, recuperando muitas das características que se viram no Porto em 07/08. Não quer isto dizer, obviamente, que um elemento com a capacidade individual de Hulk retire qualidade ao Porto, mas serve de exemplo para o brasileiro sobre o caminho que deve dar à sua evolução como jogador.


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9.3.09

Naval - Benfica: Bolas paradas e pouco mais

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Não se pode dissociar o decurso do jogo do timing dos golos. Se o Benfica não tivesse marcado tão cedo, teria havido seguramente outra postura e o mesmo se pode dizer dos outros 2 golos. Serve esta introdução como atenuante para a exibição francamente modesta dos encarnados na Figueira da Foz, apesar da vitória. O golo madrugador ditou uma postura de expectativa que seria até inteligente não fosse a incapacidade para dar alguma sequência às transições. É certo que a Naval não conseguiu ser ameaçadora perante o bloco encarnado, mas quem permite tanto volume de jogo dificilmente pode pensar que não irá sofrer algum golo, por muito boa que seja a sua organização defensiva. É tudo uma questão de probabilidade. Mas a minha má apreciação ao jogo do Benfica estende-se também à reacção ao empate. É verdade que o Benfica subiu no terreno – como não? – e que criou 2 excelentes ocasiões, mas a sua organização ofensiva foi sempre um deserto de ideias, mantendo-se pouco ligada. Ao Benfica valeu o aspecto em que realmente é forte, as bolas paradas.

Bloco baixo – Percebe-se porque é que Quique gosta tanto de Suazo. Sem a sua profundidade, a estratégia que o espanhol prefere adoptar fora de casa ameaça tornar-se numa espécie de exercício de treino defensivo contínuo. A Naval teve o mérito de ter bastante certeza na sua construção ofensiva, evitando que o pressing do Benfica funcionasse na sua primeira fase e garantindo que o jogo se estabeleceria no meio campo contrário porque, depois, o Benfica mais não fazia do que tentar lançar Cardozo em condições muito difíceis para dar sequência às jogadas. O resultado foi o domínio territorial que se assistiu e, porque nem tudo é negativo, importa elogiar a forma como o bloco defensivo encarnado conseguiu poupar Moreira de qualquer situação de perigo.

Organização quase nula – Com o golo madrugador, a estratégia conservadora condicionou as possibilidades de assistirmos a um Benfica com maior responsabilidade de assumir o jogo. O golo de Marcelinho trouxe esse novo dado e o Benfica, de facto, subiu no terreno. A verdade, porém, é que a qualidade foi muito baixa. Raras foram as jogadas que tiveram sequência e se o Benfica teve 2 excelentes ocasiões antes do 1-2, importa dizer que uma foi na sequência de uma iniciativa individual de Cardozo e outra na única solução que parece funcionar no Benfica em organização ofensiva: Reyes. O espanhol andou por terrenos bem mais recuados do que é hábito mas foi a mesma garantia para a posse de bola, ora na forma como a segurava, ora na forma como lançou Di Maria em profundidade. Repetindo-me, exceptuando algumas soluções individuais com Reyes em evidente destaque, este Benfica tem o seu verdadeiro ponto forte em termos ofensivos nas bolas paradas.


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