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23.5.11

Porto - Guimarães: Estatística e opinião

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1- A eficácia. Foi esse o epicentro das justificações apresentadas por Manuel Machado para tão grande diferença no resultado e, fazendo-se justiça, há que dar razão ao treinador do Vitória. Se o desfecho se definiu na primeira parte, é preciso considerar que nesse período o número de oportunidades que ambos os conjuntos construíram foi muito próximo. O Porto saiu com uma montanha de três golos de diferença, mas não foi pelo volume ofensivo que o justificou. Foi, antes sim, pela diferença de eficácia.

2- Mantendo-me no tema, não quero aqui entrar no complexa discussão sobre o "controlo da eficácia", mas parece-me importante voltar a notar o diferencial de resposta que os jogadores do Porto conseguiram dar nos momentos decisivos e, em especial, na fase em que o jogo se desestabilizou emocionalmente. Não tem só ver com a finalização, como pareceu sugerir Machado, mas também com a resposta defensiva nos momentos chave. É facto que a equipa errou colectiva e individualmente, mas também há que referir que a eficácia ofensiva voltou a estar presente, agora sem Falcao, e que, no outro lado do campo, o guarda redes foi decisivo e marcou a diferença em relação ao seu colega de posto, do outro lado do campo. Desta vez foi Beto, mas se nos lembrarmos de outros jogos decisivos recentes, vemos que não é uma situação nova.


3- Se formos ao jogo e à abordagem das equipas, rapidamente se percebe que o Vitória está longe de se poder apenas lamentar da eficácia. A equipa não conseguiu nunca potenciar o erro do adversário em posse, e foi sempre muito pouco consequente no seu momento de transição, demonstrando pouca qualidade no primeiro passe após a recuperação da bola. A consequência é a estranha constatação de que o Vitória raramente foi capaz de explorar os momentos de transição, relegando as suas possibilidades para as bolas paradas ou para ofensivas em que o adversário já estava organizado. Mas - e noutra constatação inesperada - mesmo relegada para este perfil de jogo de sucesso altamente improvável, o facto é que não foi pela pouca produção ofensiva que a equipa se distanciou tanto de poder erguer o troféu. Erros de abordagem defensiva e uma enorme insegurança em posse foram as verdadeiras condicionantes das aspirações vitorianas.

4- Do lado do Porto, há também que assinalar a surpreendentemente má performance defensiva da equipa. Não foram apenas as bolas paradas, ou a "oferta" de Fernando. O Vitória conseguiu chegar por várias vezes a situações de finalização na "cara" de Beto, valendo, aí, o guarda redes. Se é verdade que grande parte dos desequilíbrios resultaram do trabalho de recuperação que a linha média conseguiu protagonizar, é também um facto que, ultrapassada essa primeira linha, o bloco portista se revelou demasiadas vezes vulnerável. Não é normal...

5- Individualmente, no Vitória, nota para as exibições de Anderson Santana, João Paulo e Edgar. Anderson Santana foi um lateral que tive a oportunidade de comentar na pré época, mas que estranhamente desapareceu com o inicio da competição. Embora tenha sido apenas um jogo, voltou a dar boas indicações, e não me estou a referir apenas aos lances de bola parada. João Paulo, porque conseguiu protagonismo nas várias intervenções decisivas que protagonizou. Se o resultado não foi ainda pior, muito se deve a ele. Edgar, porque, embora seja facilmente criticável, pelas oportunidades que não concretizou (todas elas defendidas, note-se), a verdade é que trabalhou muito e normalmente bem para a equipa, sendo também protagonista de quase todos os lances que a equipa conseguiu construir. De resto, nota francamente negativa para Cleber, não se percebendo, por outro lado, porque saiu Renan, quando estava a ser dos jogadores mais fiáveis da equipa.

6- No Porto, são bem evidentes os destaques, quer pela positiva, quer pela negativa. Beto, James e Hulk, por um lado. Fernando, pelo outro. Mas, acrescento o papel dos médios. Moutinho, pelo acerto e regularidade habituais em todos os momentos do jogo. Belluschi, porque esteve em excelente plano, sendo, no momento da sua saída de campo, o médio com mais intercepções defensivas e mais passes completados, destacando-se pela influência positiva nos momentos de transição. Num meio campo destes, para Villas Boas o difícil deve ser mesmo escolher quem joga.

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19.5.11

Porto - Braga: Estatística e Opinião

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1- Tinha a expectativa sobre a estratégia de Domingos. Iria ser especifica, perante a qualidade do adversário? Se tivesse de apostar, diria que não, mas o facto é que essa especificidade se confirmou. O Braga jogou em 4-1-4-1, e, na minha perspectiva, foi uma boa opção. Porquê? Porque permitiu um controlo permanente do espaço entre linhas (Vandinho) e permitiu também que houvesse uma pressão mais estratégica sobre o meio campo portista, nomeadamente, anulando/limitando a influência de Moutinho em posse, em vez de lançar 2 homens numa pressão mais alta, menos discriminante, e, previsivelmente, sem apoio grandes possibilidades de apoio da linha média (aqui, pelo efeito do tal posicionamento organizacional do Porto, em posse).

2- A alteração organizacional do Braga é importante na definição do balanceamento do jogo (não foi tanto para o resultado), porque, ao alterar, o Braga criou, de facto, problemas de penetração ao Porto, que ainda encontrou alguns espaços em passes largos nos primeiros minutos, mas que foi progressivamente perdendo essa capacidade. É importante, também, porque permite especular - nunca saber exactamente - sobre o peso que terá tido a mudança especifica no rendimento do próprio Braga. É que, se em termos defensivos a equipa conseguiu grande parte do seu objectivo, foi também evidente o seu rendimento abaixo do normal em transição. Muito mérito para a qualidade que o Porto tem na resposta a esse momento táctico (Moutinho, Fernando e Otamendi, em destaque), muito demérito para a desinspiração individual de várias individualidades arsenalistas, mas... até que ponto houve influência de uma menor identificação com o posicionamento base adoptado? Na minha opinião, diria os dois factores que elenquei primeiro serão bem mais decisivos.

3- Mas, se da parte do Braga houve um rendimento abaixo do esperado, também do lado do Porto isso aconteceu, como, aliás, Villas Boas teve a lucidez de reconhecer. O treinador lamentou o facto, deu o mérito ao Braga e mostrou compreensão pelo sucedido, dada a natureza do jogo. De facto, foi um jogo bem abaixo do rendimento habitual da equipa, em vários parâmetros, nomeadamente ao nível da sua ligação ofensiva. É mais normal que tal tenha acontecido na primeira parte, onde, de facto, havia pouco espaço para jogar, mas esperar-se-ia mais, sobretudo quando o Braga arriscou mais em termos de zonas de pressão. Dentro das atenuantes, claramente, a organização do Braga é aquela que me merece mais relevância.

4- Há um ponto que importa salientar (não será a primeira vez que o faço) na estratégia do Braga e, em particular, na dificuldade que o Porto sentiu em encontrar espaços. Artur repôs a bola em jogo por 31 vezes, mas apenas por 1 vez não bateu a bola longa para o meio campo contrário. Ora, isto impede o Porto de pressionar e de ganhar a bola mais vezes no meio campo contrário. Obriga a uma primeira "batalha" (que o Porto venceu muitas vezes, diga-se) e nem sempre permite uma saída em boas condições para as acções ofensivas. Se juntarmos a esta preocupação estratégica, a qualidade do Braga em organização defensiva, fica fácil perceber porque é que o Porto teve tantas dificuldades em encontrar os espaços para ser mais perigoso ofensivamente. Mesmo, se poderia ter feito mais.

5- Feito o esboço do que foi o jogo, não admira muito que o jogo tenha sido definido da forma que foi: ou seja, no aproveitamento de um lapso (raro) de uma das equipas. Aliás, também o Braga o poderia ter feito numa situação do mesmo tipo. Perante isto, teria de ser a eficácia a decidir e foi o Porto a levar a melhor, muito porque, realmente, teve do seu lado o único rasgo de alguma inspiração que o jogo conheceu.

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29.4.11

Porto - Villarreal: Estatística e Análise

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1- Tenho de começar por abordar a atipicidade do jogo. É que, sendo objectivo, a goleada encontra a sua principal justificação na enorme diferença de eficácia entre as duas equipas, e não no número de oportunidades que estas construíram, que, tudo somado, foi muito próximo. Não posso, portanto, concluir que o Porto foi substancialmente mais competente do que o seu adversário na interpretação da proposta que trazia para o jogo, e a forma mais correcta que encontro para tentar explicar o sucedido é através do recurso a uma expressão utilizada pelo próprio Villas Boas: "a transcendência dos jogadores". Se, para além da eficácia, constatarmos ainda que a maioria dos lances de perigo eminente do Villarreal foram salvos por jogadores portistas, e não apenas desperdiçados pelos adversários, então fica clara a conclusão de que o resultado, sendo a consequência de um diferencial de aproveitamento, é também o reflexo da diferença da capacidade de superação dos jogadores nos momentos chave do jogo. Mérito para eles, portanto.

2- O jogo começou com intenções claras de parte a parte. O Porto, percebendo a natureza do adversário e a sua disponibilidade para sair em apoio praticamente de qualquer zona do campo, arriscou no potenciamento do erro, subindo linhas e tentando roubar a bola em zona alta. O Villarreal, por seu lado, trouxe um 4-2-3-1 muito assimétrico, disposto a tentar tirar partido da profundidade à direita (Nilmar) e do apoio interior vindo da esquerda (Cani). O momento de transição seria, assumidamente, a sua aposta. O facto é que, perante este balanceamento foram os espanhóis quem conseguiram maior aproveitamento qualitativo das suas intenções, e de longe. Por 4 vezes nos primeiros 50 minutos Helton teve jogadores contrários isolados na sua frente, num registo provavelmente sem paralelo nesta temporada. O Villarreal sai goleado do Dragão, e nada servirá de prémio de consolação perante este desaire, mas fica, para quem viu, o registo da equipa que mais problemas causou ao Porto no seu estádio esta temporada. Mais do que os vencedores Benfica, Sevilha ou Nacional.


3- Ainda sobre os problemas do Porto na primeira parte, é verdade que a maioria dos lances aconteceu sobre a direita, mas mais relevante do que distinguir o lado dominante para o desfecho das acções, parece-me ser identificar a origem das mesmas. E, aí, a meu ver, entram três factores. A zona de perda da bola (muito baixa, com alguns erros na primeira parte), o risco da linha defensiva ("batida" várias vezes na tentativa de jogar alto e encurtar espaços) e o mérito do Villarreal (jogadas simples, por vezes condicionadas, mas que, mesmo assim, encontraram o tempo e definição certas). Sobre este último ponto, volto a lembrar algo que referi há tempos a propósito de um golo sofrido pelo Benfica nesta prova: nota-se uma grande diferença no aproveitamento que fazem jogadores de ligas como a espanhola ou alemã da "armadilha" do fora de jogo. Uma diferença que tem muito a ver com o hábito de jogar contra este recurso defensivo nesses campeonatos.

4- Da parte do Porto, o seu mérito tem muito a ver com a manutenção da intencionalidade e indiferença à adversidade. O jogo demorou a sair, mas quando saiu teve um impacto tremendo em termos mentais no jogo. Aliás, se houve equipa que mudou o jogo através de alterações próprias foi o Villarreal, retirando três dos seus melhores jogadores no jogo, e desfazendo a estrutura inicial. A reacção táctica ao impacto emocional da momento portista acabou por ser contraproducente, a equipa perdeu ordem, identificação e qualidade, acabando o "submarino" por afundar-se completamente. Foi, usando uma imagem do boxe, uma vitória por KO, e não aos pontos.

5- Nota para o segundo golo, provavelmente o que mais impacto teve no jogo. A jogada, com Hulk a abrir no flanco e Guarin a entrar no espaço entre o central e o lateral, é uma espécie de "clássico" desta época. Na goleada ao Benfica, por exemplo, esteve em foco o mesmo tipo de movimentação, então com Belluschi como protagonista.

6- Algumas notas individuais:
Sapunaru e A.Pereira - estrategicamente pouco participativos numa primeira fase, tentando levar com eles os extremos e deixando as despesas da construção para o corredor central. O costume. No último terço, e também num movimento habitual, Alvaro Pereira foi solução repetida para os cruzamentos, mas foi uma noite pouco inspirada.

Rolando e Otamendi - Um jogo muito difícil para ambos, tendo de jogar alto e assumir o risco de saber que se tem muito espaço atrás de si. Creio que não é por acaso que jogou Otamendi, que tem uma capacidade de reacção e recuperação muito maior do que Maicon. Se assim foi, Villas Boas acertou, porque foram decisivas as intervenções que ambos conseguiram em recuperação. De resto, e como é hábito, Otamendi muito mais interventivo defensivamente, Rolando muito mais certo com bola.

Fernando - Um jogo terrível para ele. Cometeu vários erros em posse, não conseguiu ser influente como é seu hábito e viu vários passes de rotura a serem protagonizados na sua zona.

Moutinho e Guarin - Dentro do melhor que se pode esperar deles. Moutinho, foi o mais influente e certo com bola, a melhor garantia da posse, e destacando-se pela excelente reacção à perda. Guarin foi outra vez o "homem bomba" da equipa, e uma espécie de barómetro da equipa. As suas primeiras tentativas foram um completo falhanço, mas quando acertou, teve um enorme impacto.

Falcao - De novo, a mesma referência. É repetitivo fazer-lhe os mesmos elogios, mas ele não deixa outra hipótese. Ou seja, é um temível finalizador dentro da área e a equipa tem tirado enorme partido dessa sua capacidade.

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21.4.11

Benfica - Porto: Estatística e Análise

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- Surpreendeu-me a abordagem ao jogo de Jesus. Esperava que voltasse às duas linhas de quatro e à colocação de Peixoto junto a Garcia, repetindo a "fórmula" do Dragão. Não sei se não o fez por mera opção estratégica, ou se abdicou dessa opção apenas devido às ausências de Gaitan e Salvio. Seja como for, estou em crer que o treinador estará arrependido de não ter introduzido essa opção no jogo, não digo de inicio, mas no inicio da segunda parte.

- Também estranhei a abordagem do Porto ao jogo. A pressão incidiu mais no bloqueamento da zona média e não esteve especialmente agressiva sobre o tempo de passe na zona de construção. Com bola, o Porto raramente utilizou Fernando na primeira parte e notou-se uma tendência para recorrer mais directamente a Falcao. Talvez Villas Boas também estivesse à espera de outra estratégia do Benfica, mas a verdade é que a equipa teve dificuldades em ser dominadora no jogo, como aconteceu na segunda parte.

- Com a combinação das duas posturas, o jogo na primeira parte foi relativamente fraco. Pouco risco em posse, várias solicitações directas de parte a parte e poucas situações de ataque rápido. Esteve melhor o Benfica durante boa parte do tempo, conseguindo ter mais bola e chegar mais perto da baliza contrária, especialmente através de vários livres nas imediações da área. Apesar disso, foi também sempre o Benfica quem esteve mais propenso ao erro, e acabou por conceder a principal ocasião da primeira parte, precisamente num lapso de Jardel.

- A segunda parte foi realmente diferente, embora se deva dizer que o Porto conseguiu um notável aproveitamento das ocasiões criadas, já que não foram muitas mais do que os golos que marcou. A principal alteração no jogo teve a ver com o domínio, sendo que na segunda parte foi o Porto quem tomou conta do jogo, invertendo a posse de bola e passando a actuar como mais gosta, ou seja, em ataque posicional, dando fluidez à circulação e com uma forte reacção à perda.


- Há dois momentos que me parecem decisivos no jogo. A alteração de Micael por James, e o primeiro golo. O efeito da alteração não teve a ver com a prestação de James, que até foi, a meu ver, bem inferior à de Micael, mas com a alteração táctica e com a presença de mais um elemento na ligação meio campo-ataque, no corredor central. O domínio, aí, acentuou-se de forma clara. Depois, o golo, com o Benfica a acusar claramente o momento, a ter dificuldade em organizar-se defensivamente, em se manter agressivo sobre a posse contrária e em sair do "colete de forças", nessa altura claramente observável. Foi tudo muito rápido, mas provavelmente Jesus poderia e deveria ter sido mais lesto a reagir.

- A reacção do Benfica à súbita inversão de situação foi boa. A entrada de Aimar trouxe mais qualidade e energia e a equipa parecia ser capaz de voltar a crescer no jogo. As substituições posteriores podem retirado organização e quebrado o momento de reacção após o 1-3. Nunca saberemos o que teria acontecido, mas a verdade é que fica a ideia que colocar mais gente na frente apenas partiu a equipa e lhe retirou consistência.

- Em suma, o Porto foi claramente feliz pelo aproveitamento que conseguiu na sua melhor fase, já que o jogo esteve muito tempo longe de parecer fora do controlo para os dois golos de vantagem que o Benfica trazia da primeira mão. Ou seja, o seu mérito é incontornável na forma como impôs o seu domínio durante os primeiros 30 minutos da segunda parte, mas para quem tinha de recuperar dois golos, é também verdade que a primeira parte não foi bem conseguida. Quanto ao Benfica, e como referi ontem, voltou a não conseguir gerir o jogo e a vantagem muito confortável que trazia, sucumbindo claramente assim que o jogo começou a ameaçar escapar-lhe.

Notas individuais (Benfica)
Jardel - Conseguiu algumas intervenções vistosas, mas no geral foi pouco para os erros que cometeu. Ainda assim, este era um jogo de elevado grau de dificuldade e Jardel parece-me uma opção nesta altura claramente mais fiável do que o super instável Sidnei. O que não se pode esperar é que se torne, de repente, numa solução ao nível de Luisão ou David Luiz.

Peixoto - Continua-se a querer ver nele uma solução que não oferece, nem nunca ofereceu durante toda a época. Ou seja, sempre que joga no corredor, Peixoto tem grandes dificuldades em impor-se, quer em termos de agressividade/intensidade, quer em termos de capacidade criativa. As suas melhores exibições foram como médio, em posições interiores, onde parece dar-se bem melhor. Devia ter saído mais cedo no jogo (ou mudado de lugar), porque a jogar onde estava, nunca deu muito à equipa.

Jara - Lutou, é verdade, e até conseguiu alguma consequência em situações pontuais, mas nas intervenções mais importantes, quando era possível acelerar o jogo e tentar situações de ataque rápido, decidiu quase sempre mal. A principal das quais, no lance que terminaria com o golo de Moutinho. Jara tentou forçar sozinho e acabou por retirar à equipa a possibilidade de surpreender o adversário, num lance que ilustra bem as suas dificuldades em lances do género.

Aimar - Obviamente que devia ter entrado mais cedo. Numa situação em que Gaitan e Salvio estão indisponíveis, não parece muito compreensível que se reserve tão pouco tempo para Aimar.

Notas individuais (Porto)
Otamendi - Cometeu em erros em posse - o que lhe é hábito - mas revelou-se fantástico nos momentos de transição. Quer em recuperação, quer em antecipação do primeiro passe de transição, Otamendi sobressaiu claramente dos restantes jogadores.

Fernando - A sua exibição é um pouco a imagem da equipa. Ou seja, na primeira parte esteve ausente do jogo (não por culpa sua), mas na segunda cresceu muito, atingindo os parâmetros habituais do seu rendimento. Com mais presença em posse, ainda que com erros, e sobretudo muito forte no controlo defensivo da sua zona, nomeadamente na reacção à perda.

Micael - Saiu, mas até esse momento tinha sido provavelmente o melhor jogador da equipa. Seguramente, foi aquele que mais participação e influência teve em posse, e também com uma presença importante na recuperação (capítulo onde tem dificuldades).

Moutinho - Tal como contra o Sporting, voltou a ser decisivo ofensivamente, mas menos correcto e influente com bola, em relação àquilo que é o seu traço habitual. Ainda assim, há claramente uma explosão de rendimento com a alteração táctica e com o golo que marcou. A partir daí "encheu" o campo, com a sua presença elástica e extensível a todas as situações do jogo.

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14.4.11

(in)Segurança em posse: os destaques da Liga

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O tema não é novo para quem acompanha as análises que venho fazendo aos jogos dos 3 “grandes”, desde o inicio do campeonato: a segurança em posse, ou, talvez mais correctamente, a frequência com que jogadores e equipas cometem erros em posse, que abrem uma oportunidade de desequilíbrio ao adversário. Para que a leitura seja clara, a métrica que usei contempla o número de passes que, em média, cada jogador precisa de fazer para que uma perda comprometedora aconteça. Os dados, dizem respeito a todos os minutos do campeonato até ao momento.
 

Javi, o corredor central e Benfica, os líderes da insegurança
Para quem tanto procurou os motivos das oscilações do Benfica, aqui tem a resposta. Os dados e a preponderância encarnada neles revelada é clara. O problema da transição defensiva não está, nem nunca esteve, na recuperação dos médios ou na incapacidade de controlo dos defensores. Está, e sempre esteve, sim, nos erros que a sua zona de construção repetiu.


O primeiro ponto a perceber nestes dados é que a “mancha” vermelha é de tal forma abrangente que será pouco perspicaz colocar o foco numa incapacidade individual. Ou seja, mesmo se Javi e Airton podem não ser as soluções mais fortes para o momento de construção, a verdade é que parece haver, sobretudo, uma escassez de preocupação e enfoque no critério que a equipa e os jogadores devem dar às suas decisões. Daí, o problema estender-se a um número muito elevado de jogadores.
 

Depois, há claramente uma zona critica para este tipo de erros: o corredor central. A zona do “pivot” é, sem dúvida, a mais afectada pelo risco, dado o elevado envolvimento no jogo e o seu posicionamento, habitualmente bem dentro da zona de pressão do adversário. Mas também a zona mais criativa e os centrais podem ter uma exposição relevante a este tipo de risco, dependendo da envolvência destes jogadores na construção da equipa.

Segurança: os bons exemplos Se análise teve, até aqui, um enfoque no erro e naqueles que mais nele incidem, há também margem para olhar para o outro lado, e para aqueles que se destacam pela positiva neste aspecto. Eis alguns exemplos:


Luisão – Impressionante como, actuando numa equipa com tantas dificuldades a este nível, Luisão consegue fazer uma época fantástica. (1 perda p/280 passes)
Rolando – Maicon e Otamendi não são propriamente exemplos de segurança e se há aspecto onde Rolando justifica a titularidade, é precisamente na sua qualidade e segurança em construção. (1 perda p/170 passes)
Sapunaru – Outro jogador que se destaca pela fiabilidade a este nível. Pode não ser um primor técnico nem uma mais valia na dinâmica que oferece ao corredor, mas ninguém pode acusar Sapunaru de comprometer a segurança da equipa, com bola. (1 perda p/550 passes)
Pedro Mendes – Tem pouco de utilização, a sua fiabilidade vê-se bem para quem joga na posição que normalmente mais problemas sente a este nível. Aliás, é bom que se note que o Sporting tem um excelente registo na segurança dos seus médios defensivos, quando comparando com os rivais. (1 perda p/340 passes)
Carlos Martins – É a excepção do corredor central do Benfica. Se Javi Garcia, Airton e Aimar estão no “top 5” dos mais inseguros, Carlos Martins – o outro elemento habitualmente usado no corredor central encarnado – está a milhas desse nível de rendimento. Aliás, os números indicam quase o dobro da segurança em relação aos registos de Aimar. (1 perda p/107 passes)
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16.3.11

Meio campo do Porto: o "motor" do campeão

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Dizer-se que o meio campo é o "motor" da equipa é tão vulgar, que se pode considerar um "cliché" do futebol. A verdade, porém, é que poucas equipas e, já agora, poucos campeões terão tido um "motor" tão bem afinado como o do Porto nesta temporada.

O que me leva a ser tão elogioso? Primeiro, a percepção da missão colectiva. Ou seja, há uma óptima sintonia entre os elementos do meio campo no desempenho das suas diversas tarefas. Apesar de haver "especialistas", há também a liberdade para trocas posicionais pontuais, sem que, porém, se perca a ordem colectiva. Algo que se observa sobretudo na dinâmica em posse. Depois, e ainda dentro do campo colectivo, há também uma excelente percepção da importância do que deve ser feito em todos os momentos de jogo. Lucidez de critério em posse, noção da importância da relação tempo-espaço na reactividade à perda.

Depois, os méritos individuais. Porque o colectivo, afinal, faz-se de várias missões individuais. Aqui, há várias especificidades, pontos fortes e fracos entre todos os intervenientes. São conhecidos, óbvios, e dispensam grandes comentários. Mas há um ponto comum (especialmente quando jogam Fernando, Belluschi e Moutinho) que tenho realçado e que volto a fazê-lo, por ser realmente raro e importante: a intensidade e reactividade.

Uma explicação sobre os gráficos que usam dados estatísticos recolhidos ao longo de toda a Liga. O rendimento acumulado apresentado tem em conta todos os minutos de utilização e não faz a "normalização" que habitualmente utilizo para comparar rendimentos relativos. De resto, em relação à comparação entre os "motores" dos 3 "grandes", o Porto destaca-se sobretudo pela sua competência e consistência em todos os eixos de análise. Daí ser, com alguma distância, o que melhor rendimento garantiu.

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3.2.11

Porto - Benfica: Análise e números (Porto)

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Notas colectivas
Não é apenas pela derrota que o Porto se deve preocupar com o que se viu. É certo que tudo começou com uma entrada pouco concentrada, fértil em erros perfeitamente evitáveis e que acabou por ser severamente punida pela eficácia do adversário. A este nível, é sempre um destino a esperar para quem não aborda o jogo sem a atitude indicada. Esse é o primeiro ponto a rever, mas há mais.

O que talvez mais espante na exibição portista é a incapacidade que a equipa revelou para criar oportunidades de golo. Recordando o inicio de temporada, realçava a capacidade mental desta equipa, a sua concentração e a forma como parecia perceber a importância da componente emocional no desempenho da sua proposta de jogo. Frente ao Benfica, porém, o lado emocional portista foi do pior que se poderia esperar. Primeiro, pela tal abordagem sem intensidade ao jogo. Depois, porque, em desvantagem, jogou sempre sob o efeito intenso de uma ansiedade que lhe condicionou amplamente a habitual qualidade do seu jogo em posse. Isso notou-se, quer ao nível do critério – verticalizando precipitadamente – quer ao nível do próprio desempenho individual em várias situações.


Outro ponto em que também importa reflectir e onde há algum espaço para discussão é relativamente às opções de Villas Boas. A grande novidade foi Sereno, que talvez tenha sido escolhido por alguma desconfiança em relação à fiabilidade de Fucile, demasiado ligado a erros decisivos nos jogos em que tem participado. A verdade é que o desempenho do ex-Vitória correspondeu à aposta. Não é, de resto, pelas opções individuais iniciais que o Porto terá perdido o jogo ou, sequer, deixado de o conseguir recuperar.

A verdade é que na primeira parte o Porto ainda conseguiu algum esboço da sua qualidade habitual. Não de forma continuada, é certo, mas conseguiu alguns bons movimentos de envolvimento, com jogadores a conseguirem liberdade, quer no corredor central, quer sobre os corredores. O problema da primeira parte teve muito mais a ver com a abordagem ao jogo do que com opções tácticas. Já na segunda parte, o falhanço das opções tomadas foi bastante mais flagrante.

Villas Boas trocou James por Cristian, parece-me, para tentar libertar Hulk mais vezes nos corredores – não dá para dizer que Hulk jogou numa posição central na segunda parte. Muitas vezes o Porto não criava referências de marcação ao centro, tentando, talvez, atrair os centrais contrários fora da sua zona. A verdade é que essa intenção, quer pela desinspiração de Hulk nas situações de 1x1 no flanco, quer pela incapacidade da equipa de promover maior qualidade à sua posse, nunca resultou. Nem primeiro, com Bellsuchi, nem depois com Guarin, nem sequer com a entrada de Ruben Micael. Mérito do Benfica, é certo, mas foi relamente muito pouco para não se ver uma grande dose de culpa própria no sucedido.

Finalmente, nota para as opções individuais na segunda parte. Estando em desvantagem e com mais 1 jogador, pedia-se outra característica em algumas posições. Alguma capacidade para intervir de fora. O Porto tem essa capacidade no plantel, mas abdicou dela. Como opinião pessoal, creio que se utilizou demasiado tempo laterais mais fortes posicionalmente, como Sapunaru e Sereno, e que a saída de Belluschi é altamente questionável pela intensidade que estava a colocar no jogo e pela característica que tem. Isto, claro, para além de Walter.

Notas individuais
Helton – Para perceber a forma como o Porto entrou, basta ver a exibição de Helton. Pouco decidido e aparentemente pouco concentrado. Não é novidade este tipo de situação num guarda redes que tem características fantásticas.

Rolando – Esteve bastante bem em quase todo o jogo, só que também não deixou de ter uma entrada errática em posse. Não dá para dizer que foi o responsável pelo primeiro golo, mas dá para identificar que foi ele o autor do passe que ditou a perda de bola.

Maicon – Ligado ao primeiro golo pela forma como não protegeu correctamente a sua posição. Para além disso, contribui com alguns lapsos na tal fase errática da equipa, logo a abrir o jogo. Depois acertou, mas o mal já estava feito.

Fernando – Outro que acertou, mas só depois de ter pactuado com os erros que afundaram a equipa. Também não se pode dizer que tenha sido 100% responsável por um golo que aconteceu de tão longe, mas nunca se roda, como rodou, dentro da própria área. Depois, fez um grande jogo, com muita presença em apoio e na recuperação.

Moutinho – Não cometeu os erros de outros, como é hábito, mas também não seria provável que fosse ele a dar o rasgo ofensivo de que a equipa precisava. E não foi. Cresceu muito na segunda parte quando assumiu um papel mais posicional e de apoio. Acabou com uma enorme participação nas acções da equipa o que lhe dá uma avaliação estatística elevada, mas exagerada para o rendimento que teve.

Belluschi – Grande intensidade na abordagem ao jogo, ao contrário dos companheiros. Pareceu poder ser ele o impulsionador da “revolta”, mas não o conseguiu, primeiro, e saiu, depois. Não percebi porquê.

James – Não é ainda um jogador capaz de ganhar um jogo e, desta vez, até nem o conseguiu quando tinha tudo para se tornar protagonista. Não conseguiu ter impacto, mas manteve a sua eficácia com bola e isso deve-se assinalar. Saiu, mas isso não trouxe nada de novo.

Varela – Não esteve sempre bem, mas teve o mérito de ser o protagonista dos 2 lances mais incómodos para a defesa contrária. Faltou a eficácia.

Hulk – Não é por ter jogado no centro que falhou. Até porque Hulk não jogou no centro durante grande parte do jogo. Esteve desinspirado e ansioso como ainda não tinha estado este ano. Como é um jogador que vai sempre para cima e que procura tirar partido das suas qualidades individuais, acabou por perder um número infindável de bolas.



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29.11.10

Porto - Sporting (Análise e números)

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Como balanço, dá para dizer que foi um jogo deveras interessante. Teve uma envolvente própria destes jogos, teve fases distintas que pareceram fazer o jogo pender para ambos os lados, e teve, também, variantes que obrigaram os dois treinadores a reagir. Não teve espectacularidade, muitas ocasiões de golo, nem, tão pouco, a carga de um jogo decisivo em termos pontuais. Mas teve, parece-me, o bastante para estar à altura de um jogo com estatuto de “clássico”. No final, quer Sporting, quer Porto, ficarão a pensar que poderiam ter ganho o jogo, mas também não vejo que algum dos lados guarde a sensação de que o empate foi curto ou imerecido para o balanceamento do jogo. E não foi, foi justo.

Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.

Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.

Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.

Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.

Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.

Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.

Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.

Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.

O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.

Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.

Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.

Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.

André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.

Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.

Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.

Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.

Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.

Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.

Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.

Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...

Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.

Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...

Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.



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28.9.10

Porto - Olhanense: análise e números

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Foi, realmente, um jogo pouco interessante. De facto, e tendo em conta os indícios deixados pelas duas equipas, este era um cenário bem provável à partida. Tivesse o Porto a eficácia suficiente para abrir o marcador na primeira parte e dificilmente este seria um jogo de grande intensidade emocional. E assim foi. Golo marcado, jogo resolvido. Ganhar, com os mesmo a fazer a mesma coisa. Mais do que “solidificar processos”, o Porto está a “solidificar a confiança nos processos”. Não é a mesma coisa...

Notas colectivas
Não é de hoje, mas fica muito claro especialmente neste tipo de jogos. A preocupação de ter segurança em organização ofensiva e no inicio do ataque posicional. A circulação ocorre sempre em zonas baixas de forma fluída mas paciente, esperando o momento certo para fazer o primeiro passe vertical. E este passe é muito importante. É-o porque é nele que se define muito do lance. Se vai acabar com o adversário a defender dentro da sua área, ou numa transição no outro sentido. A segurança neste passe é determinante para que a equipa não perca o seu posicionamento ofensivo, por isso mais vale esperar pelo momento certo do que impulsivamente procurar furar o bloco contrário. Parece, pelo menos, ser esta a ideia de Villas Boas.

É claro que para isto é necessário muita lucidez e controlo emocional. É precisamente por isso que as vitórias são importantes. Porque retiram a ansiedade dos jogadores e do público, dando-lhes mais margem para não serem impulsivos na escolha das suas acções. Neste momento o Porto não impressiona nem entusiasma pelo jogo que realiza, mas apresenta um dado que pode ser bem mais importante do que qualquer espectacularidade: A eficácia. O seu aproveitamento face às oportunidades que cria é bem maior do que a média das equipas (dados que obviamente tenho). Há 2 hipóteses: ou estamos perante um fenómeno pontual que se dissipará com o tempo, ou é uma consequência dessa lucidez emocional que Villas Boas se tem esforçado por incutir. A minha convicção aponta para a segunda e, se estiver certa, a eficácia apenas abandonará a equipa quando esta perder a lucidez.

Por fim, talvez mereça salientar a perda de qualidade da equipa na segunda parte em termos ofensivos. Sobretudo ao nível da decisão, e também pelas mexidas a que a equipa foi submetida, o Porto perdeu alguma fluidez, num período em que poderia ter entretido um pouco mais as bancadas. Como isso nunca colocou em causa o controlo do jogo e como não se perdeu mais do que isso – o entretenimento das bancadas – não é um facto que mereça muito realce.

Notas individuais
Se do ponto de vista colectivo, este foi um jogo que representou pouco em termos de novidades, em termos individuais, há a introdução de Fucile e Otamendi. Uma introdução que, creio, terá sido planeada em função da própria calendarização e que possivelmente terá continuidade para o futuro.

A primeira coisa que há para dizer é que esta alteração retira centímetros à equipa portista. Um aspecto que poderá ter mais importância nas bolas paradas defensivas, onde Sapunaru e Maicon eram 2 jogadores com muita importância. De resto, sobre Fucile não há muito a dizer porque todos o conhecemos e fica fácil de perceber o que pode acrescentar em relação ao romeno.

Otamendi teve a estreia ideal e revelou um pouco do seu ADN. Muito interventivo e confortável a sair da sua zona. A sua natureza, porém, contrasta um pouco com a mentalidade de Villas Boas e o teste ao central precisa de ser prolongado no tempo. O jogo aéreo – sobretudo quando cair na sua zona um avançado com mais 10 ou 15 centímetros – é uma interrogação, mas o risco principal está na mentalidade. Na forma como gosta de arriscar a antecipação e na forma como assume riscos em posse. O choque de mentalidades é grande e é preciso que o irreverente Otamendi seja “domesticado” para que o seu potencial se ajuste à cultura do colectivo. Para mim, que já o conhecia do Velez, é um caso que acompanharei com especial curiosidade.

Em relação às restantes exibições, nada fora do normal. A regularidade de Moutinho, mais critério e menos inspiração de Belluschi, o desequilibrador do costume, ainda que em dose reduzida, e o regresso às exibições menos conseguidas por parte de Varela. Os números sugerem o destaque de Fernando e eu acho que é justo.

Finalmente, falar do caso do momento de Falcao. Claramente o seu rendimento e confiança estão afectados e isso sente-se quase todas as vezes que toca na bola. É um caso que pode ter algumas semelhanças com o de Liedson. Talvez Falcao precise de estar mais em jogo para se encontrar e talvez tanto tempo de “isolamento táctico” lhe tenha feito mal em termos de confiança. Talvez...



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24.9.10

Os melhores da liga até agora (3 "grandes") - 5ª jornada

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Deixo nova actualização das estatísticas individuais, agora acumuladas até à 5ªjornada. Já várias vezes expliquei o elevado interesse que entendo ter este complemento de análise e, de facto, essa é uma realidade que confirmo com enorme regularidade. Frequentemente ouvimos e lemos análises que colocam o ónus do rendimento colectivo, seja ele bom ou mau, no desempenho individual de um ou outro jogador. O mais curioso é que, seja durante o próprio jogo ou à posteriori, não raras são as vezes em que essas opiniões não têm qualquer sustento factual. O futebol não é uma ciência exacta, já sabemos, mas a sua subjectividade por vezes é levada ao extremo da gratuitidade de opinião. Enfim, não é nada que me surpreenda. Afinal, este exercício tem precisamente o objectivo de fundamentar, ou não, percepções - sobretudo as minhas.

Aqui ficam alguns apontamentos específicos:


Sapunaru – O seu rendimento não é fantástico, mas é talvez o jogador que melhor espelha o rigor de Villas Boas. Tem uma % de passe elevada e não acumulou nenhuma perda, apesar de não ser um jogador tecnicamente forte. Porquê? O enfoque na lucidez de decisão.

Nuno André Coelho
– É o jogador, entre todos, que mais intercepções faz por jogo - aqui vemos o seu potencial. É o defesa com mais perdas de bola por jogo - aqui vemos como precisa de ser “calibrado”.

Fernando – Confesso que me surpreende um pouco o seu número de intercepções, que esperava ser mais alto. Veremos se se torna mais influente com o tempo.


Maniche – Será, seguramente, o caso mais claro da falta de rigor nas análises que são feitas. É o jogador com mais passes completados e o médio ofensivo com mais intercepções e melhor % de passe. Não se pode pedir que seja mais influente, intenso ou regular. E, no entanto, não faltam opiniões de que “está velho” e que não "dá intensidade" ao meio campo. Não sei se terá motivação para durar toda a época, mas, para já, Maniche é o melhor jogador do Sporting e um dos “craques” do campeonato.

Aimar – Os problemas do Benfica reflectem-se no seu desempenho. Ser, entre todos, o jogador que mais perdas de bola, é uma constatação chocante para a qualidade que se lhe reconhece. Mas esse dado – as perdas de bola – é precisamente aquele que mais contribuiu para o atraso pontual do Benfica na Liga.

Saviola – Apesar de não marcar, é o melhor dos avançados. Não espanta. É aquele que se envolve mais e que mais cria. Não está a fazer uma época excepcional, mas continua a ser um elemento fundamental e preponderante.

Pontas-de-lança – Há um dado comum entre Liedson, Falcao e Cardozo. A pouca participação. Quem julgo ter mais responsabilidade própria – como já várias vezes referi – é Cardozo. No caso de Falcao, há um aumento de participação, mas o jogador continua sem conseguir vincar em campo a qualidade que obviamente tem. No caso de Liedson, há também o erro de o prender em demasia ao centro, quando sempre foi determinante como avançado móvel. Um contra senso. Ainda assim, Liedson é exageradamente criticado. Primeiro, por esse erro na sua utilização, depois porque, mesmo assim, comparativamente com os rivais (Falcao e Cardozo), não deixou a equipa a perder nestes primeiros 5 jogos.



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2.9.10

Os melhores da Liga até agora (3 "grandes")

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A tabela é - ou pretende ser - auto explicativa. No fundo, trata-se apenas de uma média dos números que aqui tenho apresentado como complemento às análises dos jogos. Nesta lista incluí apenas 10 jogadores de campo de cada 1 dos 3 clubes analisados, como que sugerindo um 11 base para cada equipa. Os dados são obtidos pela média em 90 minutos de jogo de cada jogador.

O número de minutos é ainda curto e pode ter o forte efeito de uma boa ou má exibição no peso global da estatística. É seguro que com o passar do tempo algumas das tendências apresentadas se alterarão, mas, ainda assim, há já tempo suficiente para algumas conclusões interessantes sobre o rendimento de vários jogadores. Deixo alguns comentários pessoais sobre alguns casos:


Álvaro Pereira: A sua exibição frente ao Beira Mar tem um peso grande nesta estatística. É, entre todos, o jogador mais participativo, mas é no capítulo da eficácia que provavelmente mais virá a quebrar com o tempo. Isto porque o tal jogo com Beira Mar representou um nível de exigência muito baixo em termos de posse, permitindo-lhe acumular imensos passes completados, sem que essa seja uma tendência que se confirme noutros jogos.

Carriço: É o mais bem cotado dos centrais, mas os seus números têm de ser vistos com cuidado. Não porque não sejam fieis ao seu potencial, mas porque jogou muito tempo noutras posições.

Fernando: Tem potencial para ser ainda mais interventivo. É um jogador nuclear no Porto muitas vezes a sua exibição serve de barómetro para a própria equipa. Por exemplo, no jogo com a Naval teve a sua pior prestação e frente ao Rio Ave foi, no melhor período da equipa, o jogador mais influente.

Belluschi: Um dos casos em que os números revelam uma aptidão escondida. Belluschi é um dos jogadores mais úteis nos momentos defensivos e, embora isso nunca lhe tenha sido reconhecido, repete-o praticamente todos os jogos. O critério do passe em determinadas situações é a única coisa que o separa de um nível ainda mais elevado.

Maniche: Já o elogiei e, assim a equipa o permita, pode tornar-se ainda mais importante. A sua capacidade de passe não tem paralelo na Liga, pela rapidez, amplitude e eficácia com que o faz. Por isso é o jogador com maior número de passes completados por jogo, sendo que muitos deles são tudo menos triviais. Conhecendo-se a sua capacidade para ser também decisivo - ainda não o foi na Liga - é provável que se torne um jogador ainda mais determinante.

Gaitan: Os seus números estão muito influenciados por 1 jogo particularmente feliz. Mesmo reconhecendo-lhe potencial para evoluir, não é provável que mantenha tanta influencia decisiva.

Saviola: Tem potencial para ser muito mais determinante. É um avançado muito desestabilizador e que conseguiu já um jogo bastante bom na Madeira. Dele, porém, espera-se mais e não tenho dúvidas que acabará por vincar maior importância com o passar do tempo.

Falcao: É o caso mais enganador de todos. Não que os números mintam, obviamente, mas porque é fácil reconhecer-lhe capacidade para ser muito mais influente. Conseguiu a exibição mais marcante dos 9 jogos analisados (frente ao Beira Mar), mas acabou esquecido pela equipa nos outros jogos, com um nível de participação reduzidíssimo. Um desperdício, na minha opinião, mas disso também já tenho falado.



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19.8.10

Naval - Porto: Análise e números

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Se o mais importante é ganhar, pode dizer-se que o Porto se restringiu ao essencial. De facto, a produção azul e branca na Figueira não foi a melhor, e o empate não seria, de forma nenhuma, uma surpresa para aquilo que foi o jogo. Pode parecer um paradoxo para quem vê estas coisas de uma perspectiva mais distante e simplista, mas as boas indicações frente ao Benfica pouco ou nada relevavam sobre a capacidade de resposta da equipa neste e noutros jogos. Mais do que o grau de dificuldade, é preciso olhar para a especificidade do desafio e, aí, Benfica e Naval nada têm em comum para que se possa projectar um jogo a partir do outro. Para este Porto, e nesta altura, a má notícia é que terá muito mais “Navais” do que “Benficas” na caminhada que tem pela frente.

Notas colectivas
Frente ao Benfica, o Porto dominou pelo pressing estratégico que impôs à construção encarnada. Agora, o que fazer se o adversário não quiser construir? Esse foi o problema portista. Sem surpresa, a Naval começou por recorrer a uma abordagem directa para evitar enfrentar o pressing azul. Para levar a melhor, o Porto teria de ganhar a segunda bola no seu meio campo defensivo e, depois sim, fazer o seu jogo. Não foi fácil, e por diversos motivos. Primeiro, e na origem, a recuperação, na resposta ao jogo directo da Naval nem sempre funcionou. Depois, mesmo quando recuperava, nem sempre o primeiro passe saiu, o que poderia até ter custado outro preço, se algumas perdas tivessem tido outro aproveitamento. Finalmente, quando saiu desse primeiro passe, foi sempre difícil ligar o meio campo com o trio da frente.

Face a estas dificuldades, tivemos um deserto de oportunidades durante praticamente 1 hora de jogo. Depois, o Porto entrou no seu melhor período. Por desgaste da Naval, que começava a perder mais duelos no “miolo”, porque Hulk se tornou mais difícil de controlar e, sobretudo, porque a alteração de estrutura para o 4-4-2 facilitou a criação de apoios e aumentou os elos de ligação entre o meio e a frente. Ainda assim, diga-se, poucos foram os lances verdadeiramente perigosos junto da baliza da Naval e é muito duvidoso que a vitória sorrisse sem o lance da grande penalidade.

Enfim, para já temos uma vantagem prematura que oferece também a primeira liderança em termos de níveis de confiança. Porém, as reticências daquilo que se vira em Paris mantêm-se. Ou seja, este não é ainda um Porto que garanta um melhor rendimento em relação ao passado. Há aspectos que precisam de ser trabalhados: a sua ligação precisa de ser melhor, o seu pressing precisa de produzir mais perante equipas que não assumam tanto a construção e há também a questão dos centrais, onde me parece que seria benéfica a introdução de um elemento com mais qualidade.

Notas individuais
Há dois casos que ajudam a perceber o jogo e as dificuldades portistas: Fernando e Falcao. Em ambos os casos, estamos perante jogadores muito participativos, com Fernando a ser regularmente o mais interventivo do colectivo, e Falcao a ter um peso grande no jogo, para além da finalização. Ora, isso não se passou neste caso, podendo ser feita uma ponte entre este dado estatístico e o rendimento colectivo.

No caso de Fernando, podemos ligar essa dificuldade de se impor no jogo com a dificuldade que o Porto teve em dominar o jogo de primeiras e segundas bolas à frente da sua área. É verdade que foi melhorando – e a equipa com ele – ao longo do jogo, mas demorou mais de 20 minutos para que Fernando tivesse a sua primeira intercepção na partida, o que é sintomático.

O caso de Falcao leva-nos à ligação entre meio campo e ataque. Poucas vezes foi solicitado o seu apoio frontal e esse será um aspecto a melhorar no futuro, porque o colombiano é normalmente garantia de uma boa ligação quando a bola passa por ele. Desta vez, para além de não ameaçar junto da baliza, esteve também muito ausente dessa ligação. Tal como no caso de Fernando, a equipa sentiu-o.

Falar, para terminar, de Belluschi. Voltou a evidenciar uma capacidade interventiva elevada, mesmo não estando especialmente inspirado. É um dado importante – muito! – para quem joga naquela zona. Acredito que a sua substituição não foi benéfica em termos de opção individual, mas tenho-lhe um reparo a fazer. Mais do que a inspiração na criação, é importante que Belluschi reveja a certeza no passe. É que não está a jogar tão perto da área contrária como foi habituado durante tanto tempo na sua carreira. Se melhorar nisto, e mantendo outras indicações, pode ser um dos craques do campeonato.



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11.11.09

Javi Garcia e o outro lado do "pivot" defensivo

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Nem todos os modelos o adoptam, nem todos os treinadores fazem questão de o ter. Quando o “pivot” existe, no entanto, a sua missão é inevitavelmente de uma relevância capital para a respectiva equipa. Essa importância táctica é, na minha opinião, frequentemente confundida com brilhantismo de desempenho. Isto é, a missão é fundamental tacticamente, mas não tem o grau de exigência técnica de outros papeis, pelo que é mais simples aproximar-se da perfeição. Tudo isto tem a ver com a limitação ofensiva que é dada ao “pivot” em vários modelos actuais. É o caso do Benfica. A utilidade ofensiva deste elemento para a criação de desequilíbrios não tem de ser forçosamente nula. A evidência esteve no protagonismo de Javi Garcia, bem perto do minuto 90.

3 exemplos. Fernando no Porto, Javi Garcia no Benfica e Yaya Touré no Barcelona. 3 características comuns. Forte limitação táctica, exigindo-se enorme concentração posicional e grande segurança em posse. Passes de rotura e jogadas de desequilíbrio ofensivo são, em qualquer dos casos, de frequência praticamente nula. Mas há uma coisa que separa Fernando dos outros 2. É que, enquanto Touré e Garcia são armas nas situações de bola parada, Fernando não o é.

Não é por acaso. Nem no caso da escolha de Touré por Guardiola, nem no caso de Garcia por Jesus. A capacidade aérea, fortemente condicionada pela estatura, é um ponto fundamental para a escolha do eleito. Aliás, Benfica e Barcelona partilham no aspecto da estatura uma disposição francamente útil e inteligente. Na zona criativa, a capacidade aérea é perfeitamente secundária, com ambas as equipas a contar com vários elementos de muito baixa estatura (a excepção é mesmo a referência ofensiva). Mas, mais atrás, a capacidade aérea é enorme, sendo não só útil em termos defensivos como também para fazer proveito das situações de bola parada que os “baixotes” conseguem arrancar.
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3.12.08

Erros defensivos e um grande golo

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Defender mal em espaços curtos
De que serve uma pensar uma estratégia se não a conseguimos interpretar? De nada, pois claro. Não sei se foi isso que Cajuda pensou quando viu Postiga isolar-se para o primeiro golo, tão cedo em Alvalade, mas, seguramente, foi isso o que o lance demonstrou. Encurtar o espaço de ataque a uma equipa que está disponível (não tem outro remédio) a assumir o jogo é um caminho possível para se aumentar as probabilidades de sucesso defensivo. Resta, claro, saber defender nesse curto espaço, o que, também, não deveria ser complicado, dado o aglomerado de jogadores numa área tão curta. O Vitória, porém, encarregou-se de demonstrar como tal é bem possível. Jogadores distantes uns dos outros e uma excessiva referência individual possibilitaram a Moutinho, com um drible, abrir a defesa e tirar partido do adiantamento da linha defensiva minhota.
Resta, claro, falar do mérito do passe de Moutinho e, talvez mais importante, da diagonal feita por Postiga.

Referências e Fernando
Do lance do golo da Académica, sobram-me 2 reflexões. A primeira, mais evidente, é o erro de Fucile. A opção do uruguaio em esquecer o seu marcador directo é o exemplo de como as referências individuais são fundamentais quando o jogo se aproxima das balizas. Para marcações à zona na área só mesmo com uma grande densidade de jogadores (como acontece nas bolas paradas). De resto, em jogo corrido, a referência homem é sempre a mais relevante. Alguém deveria ter explicado isso a Fucile...
A outra tem a ver com Fernando. É um jogador que desempenha uma função fundamental no modelo de Jesualdo. Fundamental, mas simples. O seu grande mérito é perceber essa simplicidade e não, como se confunde, uma grande qualidade no seu desempenho. Fernando é a solução possível, mas em todos os jogos se percebem as suas limitações. No lance em questão começa por dominar mal a bola, transformando uma recuperação em nova perda. Este será o seu maior pecado já que tenho dificuldades em condená-lo pelo estranho comportamento defensivo que adoptou depois. É que só posso entender a sua permanência fora da área (onde não surgia ninguém) como o cumprimento de uma indicação pré estabelecida para este tipo de lances. Seja como for, para o caso, foi completamente inútil.

O tal problema
Para quem lê este blogue e, em particular, as análises ao Benfica 08/09, este é um tema recorrente. O problema do espaço entre linhas. Pois bem, se no caso do jogo com o Vitória esse problema nem foi muitas vezes evidenciado, foi-o, pelo menos, no lance que começou a dificultar a vida ao Benfica na Luz. Por 2 vezes na mesma jogada fica evidente a forma como é simples ultrapassar a linha média encarnada em posse. Um passe é suficiente para ultrapassar esse sector e chegar com a bola dominada à frente da defesa.
Aqui, realço de novo o que referi após o jogo com o Olimpiacos. É fácil apontar-se o dedo aos erros dos defesas, mas a verdade é que eles são mais vitimas do que réus. É que é muito difícil decidir bem quando se tem de controlar tanto espaço e um ataque adversário que surge de frente e com a bola controlada. Geralmente a opção é pressionar rapidamente e tentar o desarme na hora da recepção. O problema, claro, é que isso nem sempre funciona, tal como se vê na abordagem de Jorge Ribeiro.

A grande jogada
Para que não sejam só erros defensivos, fica aqui a grande jogada do fim de semana e, para mim, do campeonato até agora. Como é indicado no vídeo, tudo começa no inicio rápido da jogada o que permite ao Benfica evitar um primeiro pressing que normalmente lhe cria muitas dificuldades. Depois, é tudo qualidade e inspiração (algo que abundou naquela fase de jogo).
Primeiro o timing de Ruben Amorim para libertar Jorge Ribeiro, depois o cruzamento de primeira que retira tempo para que se definissem marcações na área, em seguida o toque sublime (na leitura e execução) de Cardozo, de primeira a deixar para a entrada de Suazo que tinha baixado para oferecer apoio a Amorim. Para que tudo não fosse estragado, o pontapé do Hondurenho foi forte e preciso. Era o que se pedia depois de tão bela construção.


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