28.12.11
29.4.11
Porto - Villarreal: Estatística e Análise
2- O jogo começou com intenções claras de parte a parte. O Porto, percebendo a natureza do adversário e a sua disponibilidade para sair em apoio praticamente de qualquer zona do campo, arriscou no potenciamento do erro, subindo linhas e tentando roubar a bola em zona alta. O Villarreal, por seu lado, trouxe um 4-2-3-1 muito assimétrico, disposto a tentar tirar partido da profundidade à direita (Nilmar) e do apoio interior vindo da esquerda (Cani). O momento de transição seria, assumidamente, a sua aposta. O facto é que, perante este balanceamento foram os espanhóis quem conseguiram maior aproveitamento qualitativo das suas intenções, e de longe. Por 4 vezes nos primeiros 50 minutos Helton teve jogadores contrários isolados na sua frente, num registo provavelmente sem paralelo nesta temporada. O Villarreal sai goleado do Dragão, e nada servirá de prémio de consolação perante este desaire, mas fica, para quem viu, o registo da equipa que mais problemas causou ao Porto no seu estádio esta temporada. Mais do que os vencedores Benfica, Sevilha ou Nacional.
4- Da parte do Porto, o seu mérito tem muito a ver com a manutenção da intencionalidade e indiferença à adversidade. O jogo demorou a sair, mas quando saiu teve um impacto tremendo em termos mentais no jogo. Aliás, se houve equipa que mudou o jogo através de alterações próprias foi o Villarreal, retirando três dos seus melhores jogadores no jogo, e desfazendo a estrutura inicial. A reacção táctica ao impacto emocional da momento portista acabou por ser contraproducente, a equipa perdeu ordem, identificação e qualidade, acabando o "submarino" por afundar-se completamente. Foi, usando uma imagem do boxe, uma vitória por KO, e não aos pontos.
5- Nota para o segundo golo, provavelmente o que mais impacto teve no jogo. A jogada, com Hulk a abrir no flanco e Guarin a entrar no espaço entre o central e o lateral, é uma espécie de "clássico" desta época. Na goleada ao Benfica, por exemplo, esteve em foco o mesmo tipo de movimentação, então com Belluschi como protagonista.
6- Algumas notas individuais:
Sapunaru e A.Pereira - estrategicamente pouco participativos numa primeira fase, tentando levar com eles os extremos e deixando as despesas da construção para o corredor central. O costume. No último terço, e também num movimento habitual, Alvaro Pereira foi solução repetida para os cruzamentos, mas foi uma noite pouco inspirada.
Rolando e Otamendi - Um jogo muito difícil para ambos, tendo de jogar alto e assumir o risco de saber que se tem muito espaço atrás de si. Creio que não é por acaso que jogou Otamendi, que tem uma capacidade de reacção e recuperação muito maior do que Maicon. Se assim foi, Villas Boas acertou, porque foram decisivas as intervenções que ambos conseguiram em recuperação. De resto, e como é hábito, Otamendi muito mais interventivo defensivamente, Rolando muito mais certo com bola.
Fernando - Um jogo terrível para ele. Cometeu vários erros em posse, não conseguiu ser influente como é seu hábito e viu vários passes de rotura a serem protagonizados na sua zona.
Moutinho e Guarin - Dentro do melhor que se pode esperar deles. Moutinho, foi o mais influente e certo com bola, a melhor garantia da posse, e destacando-se pela excelente reacção à perda. Guarin foi outra vez o "homem bomba" da equipa, e uma espécie de barómetro da equipa. As suas primeiras tentativas foram um completo falhanço, mas quando acertou, teve um enorme impacto.
Falcao - De novo, a mesma referência. É repetitivo fazer-lhe os mesmos elogios, mas ele não deixa outra hipótese. Ou seja, é um temível finalizador dentro da área e a equipa tem tirado enorme partido dessa sua capacidade.
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14.4.11
(in)Segurança em posse: os destaques da Liga
Javi, o corredor central e Benfica, os líderes da insegurança
Para quem tanto procurou os motivos das oscilações do Benfica, aqui tem a resposta. Os dados e a preponderância encarnada neles revelada é clara. O problema da transição defensiva não está, nem nunca esteve, na recuperação dos médios ou na incapacidade de controlo dos defensores. Está, e sempre esteve, sim, nos erros que a sua zona de construção repetiu.
Depois, há claramente uma zona critica para este tipo de erros: o corredor central. A zona do “pivot” é, sem dúvida, a mais afectada pelo risco, dado o elevado envolvimento no jogo e o seu posicionamento, habitualmente bem dentro da zona de pressão do adversário. Mas também a zona mais criativa e os centrais podem ter uma exposição relevante a este tipo de risco, dependendo da envolvência destes jogadores na construção da equipa.
Segurança: os bons exemplos Se análise teve, até aqui, um enfoque no erro e naqueles que mais nele incidem, há também margem para olhar para o outro lado, e para aqueles que se destacam pela positiva neste aspecto. Eis alguns exemplos:
Luisão – Impressionante como, actuando numa equipa com tantas dificuldades a este nível, Luisão consegue fazer uma época fantástica. (1 perda p/280 passes)
Rolando – Maicon e Otamendi não são propriamente exemplos de segurança e se há aspecto onde Rolando justifica a titularidade, é precisamente na sua qualidade e segurança em construção. (1 perda p/170 passes)
Sapunaru – Outro jogador que se destaca pela fiabilidade a este nível. Pode não ser um primor técnico nem uma mais valia na dinâmica que oferece ao corredor, mas ninguém pode acusar Sapunaru de comprometer a segurança da equipa, com bola. (1 perda p/550 passes)
Pedro Mendes – Tem pouco de utilização, a sua fiabilidade vê-se bem para quem joga na posição que normalmente mais problemas sente a este nível. Aliás, é bom que se note que o Sporting tem um excelente registo na segurança dos seus médios defensivos, quando comparando com os rivais. (1 perda p/340 passes)
Carlos Martins – É a excepção do corredor central do Benfica. Se Javi Garcia, Airton e Aimar estão no “top 5” dos mais inseguros, Carlos Martins – o outro elemento habitualmente usado no corredor central encarnado – está a milhas desse nível de rendimento. Aliás, os números indicam quase o dobro da segurança em relação aos registos de Aimar. (1 perda p/107 passes)
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5.4.11
Benfica - Porto: estatística e notas individuais (Porto)
Guarin – Dá para dizer que é um dos melhores do campeonato? Na minha opinião, sem dúvida. Tem tempo e rendimento suficiente para isso. Esta é uma época excepcional, porém, porque não se pode esperar de um jogador da sua posição que desequilibre tanto e com tanta frequência. Ou melhor, eu pelo menos não espero. E é no capítulo ofensivo que Guarin mais destaca. Tem capacidade de trabalho, sim, mas Belluschi e Moutinho também a têm, e em níveis que, na minha opinião, não são menos elevados.
Moutinho – Continuo a pensar que o seu rendimento é crescente ao longo da época. Foi o jogador com maior influência na posse da equipa e esteve até perto de proporcionar o golo a Falcao, após um roubo de bola. Na segunda parte caiu um pouco, perdendo protagonismo com o encolhimento da equipa, após a expulsão. É que, para um jogador com a intensidade de Moutinho, o jogo fica melhor quando o “campo aumenta”.
Rolando – Não sou um "entusiasta" de Rolando. É um jogador seguro e forte tecnicamente, também com bons atributos defensivos que deveriam fazer dele um central de eleição. Mas falta-lhe muitas vezes agressividade e uma atitude mais dominadora na sua zona. Desta vez – e tem melhorado, diga-se – esteve mais próximo da personalidade que se exige a um herdeiro de uma já longa linhagem de centrais marcantes na história do clube e do próprio futebol português.
Otamendi – Um pouco às avessas de Rolando, falta-lhe em sobriedade o que lhe sobra em personalidade e atitude. Cometeu alguns erros, mas teve também várias intervenções importantes no jogo. Apesar de ser por vezes imprudente nas suas acções, desta vez creio que foi mais vitima da má fortuna do que qualquer outra coisa...
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1.3.11
Olhanense - Porto: Análise e números
O facto é que o Porto foi perdendo essa capacidade com o tempo. Menos critério em posse e menos controlo do primeiro passe de transição do Olhanense. O jogo tornou-se mais físico e mais dividido, e Villas Boas resolveu alterar na segunda parte, mexendo e dando-nos uma novidade em termos estruturais: o losango.
A intenção, pareceu-me, passou por tentar ter uma presença mais constante nas costas dos médios do Olhanense, obrigando os centrais a fazer aquilo que a estratégia de Faquirá tanto parece querer evitar: sair da sua zona. Tudo isto pressupõe, igualmente, mobilidade ofensiva e maior largura dada pelos laterais – daí a entrada de Fucile.
O Porto colheu os frutos na etapa complementar do jogo, mas, em boa verdade, não posso dizer que foi aí que esteve globalmente melhor. É que foi nesse período também em que o jogo se esticou mais e em que houve menos controlo por parte do Porto. De todo o modo, será interessante perceber até que ponto esta opção táctica – que gosto, particularmente – será desenvolvida no futuro.
Sobre o Olhanense, também um comentário. Será, provavelmente, a equipa tacticamente mais conservadora do campeonato. Organiza-se bem, mas sempre à custa de um risco mínimo em termos de desposiccionamento táctico. A linha defensiva está quase sempre baixa e os centrais muito protegidos, quase nunca sendo obrigados a sair da sua posição. Daí tornar-se uma equipa difícil de bater, não sendo mais porque acontecem também alguns erros individuais com frequência. De resto, em termos ofensivos tem alguma qualidade individual – nomeadamente a capacidade de retenção de bola de Paulo Sérgio – mas não se viu uma transição muito capaz de fazer a equipa subir no terreno e respirar melhor. Também por mérito do Porto, obviamente.
Otamendi e Rolando – De novo espelhadas as diferenças entre os dois. Otamendi muito mais interventivo e dominador nas suas acções. Rolando muito mais seguro e menos exposto ao erro individual.
Belluschi – Marcou um grande e importante golo, mas fez um dos piores jogos em termos de intensidade nos momentos defensivos do jogo. Esteve longe de ser uma das suas melhores exibições em termos globais.
Moutinho – Um pouco ao contrário de Belluschi, não foi decisivo nem desequilibrador (normalmente não é), mas teve um papel importantíssimo no jogo da equipa, quer em termos de posse, quer em termos de equilíbrio e recuperação.
Falcao – Não começou bem, mas acabou por ir crescendo no jogo e acabar por ser o homem do jogo. Trabalhou bem fora da zona de finalização e, dentro desta, fez a diferença.
James Rodriguez – Foi a “chave” do jogo, segundo a generalidade das leituras. Obviamente que discordo do exagero, porque se o Porto materializou a sua vantagem na segunda parte, já o poderia ter feito também antes. Ainda assim, esteve inegavelmente em bom plano, decidindo sempre bem (característica que se mantém), estando disponível no jogo e com participação decisiva. Será que o veremos mais vezes nas costas dos avançados a partir de agora?
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3.2.11
Porto - Benfica: Análise e números (Porto)
O que talvez mais espante na exibição portista é a incapacidade que a equipa revelou para criar oportunidades de golo. Recordando o inicio de temporada, realçava a capacidade mental desta equipa, a sua concentração e a forma como parecia perceber a importância da componente emocional no desempenho da sua proposta de jogo. Frente ao Benfica, porém, o lado emocional portista foi do pior que se poderia esperar. Primeiro, pela tal abordagem sem intensidade ao jogo. Depois, porque, em desvantagem, jogou sempre sob o efeito intenso de uma ansiedade que lhe condicionou amplamente a habitual qualidade do seu jogo em posse. Isso notou-se, quer ao nível do critério – verticalizando precipitadamente – quer ao nível do próprio desempenho individual em várias situações.
A verdade é que na primeira parte o Porto ainda conseguiu algum esboço da sua qualidade habitual. Não de forma continuada, é certo, mas conseguiu alguns bons movimentos de envolvimento, com jogadores a conseguirem liberdade, quer no corredor central, quer sobre os corredores. O problema da primeira parte teve muito mais a ver com a abordagem ao jogo do que com opções tácticas. Já na segunda parte, o falhanço das opções tomadas foi bastante mais flagrante.
Villas Boas trocou James por Cristian, parece-me, para tentar libertar Hulk mais vezes nos corredores – não dá para dizer que Hulk jogou numa posição central na segunda parte. Muitas vezes o Porto não criava referências de marcação ao centro, tentando, talvez, atrair os centrais contrários fora da sua zona. A verdade é que essa intenção, quer pela desinspiração de Hulk nas situações de 1x1 no flanco, quer pela incapacidade da equipa de promover maior qualidade à sua posse, nunca resultou. Nem primeiro, com Bellsuchi, nem depois com Guarin, nem sequer com a entrada de Ruben Micael. Mérito do Benfica, é certo, mas foi relamente muito pouco para não se ver uma grande dose de culpa própria no sucedido.
Finalmente, nota para as opções individuais na segunda parte. Estando em desvantagem e com mais 1 jogador, pedia-se outra característica em algumas posições. Alguma capacidade para intervir de fora. O Porto tem essa capacidade no plantel, mas abdicou dela. Como opinião pessoal, creio que se utilizou demasiado tempo laterais mais fortes posicionalmente, como Sapunaru e Sereno, e que a saída de Belluschi é altamente questionável pela intensidade que estava a colocar no jogo e pela característica que tem. Isto, claro, para além de Walter.
Rolando – Esteve bastante bem em quase todo o jogo, só que também não deixou de ter uma entrada errática em posse. Não dá para dizer que foi o responsável pelo primeiro golo, mas dá para identificar que foi ele o autor do passe que ditou a perda de bola.
Maicon – Ligado ao primeiro golo pela forma como não protegeu correctamente a sua posição. Para além disso, contribui com alguns lapsos na tal fase errática da equipa, logo a abrir o jogo. Depois acertou, mas o mal já estava feito.
Fernando – Outro que acertou, mas só depois de ter pactuado com os erros que afundaram a equipa. Também não se pode dizer que tenha sido 100% responsável por um golo que aconteceu de tão longe, mas nunca se roda, como rodou, dentro da própria área. Depois, fez um grande jogo, com muita presença em apoio e na recuperação.
Moutinho – Não cometeu os erros de outros, como é hábito, mas também não seria provável que fosse ele a dar o rasgo ofensivo de que a equipa precisava. E não foi. Cresceu muito na segunda parte quando assumiu um papel mais posicional e de apoio. Acabou com uma enorme participação nas acções da equipa o que lhe dá uma avaliação estatística elevada, mas exagerada para o rendimento que teve.
Belluschi – Grande intensidade na abordagem ao jogo, ao contrário dos companheiros. Pareceu poder ser ele o impulsionador da “revolta”, mas não o conseguiu, primeiro, e saiu, depois. Não percebi porquê.
James – Não é ainda um jogador capaz de ganhar um jogo e, desta vez, até nem o conseguiu quando tinha tudo para se tornar protagonista. Não conseguiu ter impacto, mas manteve a sua eficácia com bola e isso deve-se assinalar. Saiu, mas isso não trouxe nada de novo.
Varela – Não esteve sempre bem, mas teve o mérito de ser o protagonista dos 2 lances mais incómodos para a defesa contrária. Faltou a eficácia.
Hulk – Não é por ter jogado no centro que falhou. Até porque Hulk não jogou no centro durante grande parte do jogo. Esteve desinspirado e ansioso como ainda não tinha estado este ano. Como é um jogador que vai sempre para cima e que procura tirar partido das suas qualidades individuais, acabou por perder um número infindável de bolas.
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24.1.11
Beira Mar - Porto: Análise e números
Perante tudo isto, o Porto respondeu muito bem. Manteve-se concentrado, organizado e agressivo. Não foi fácil encontrar, depois, os tais espaços para chegar próximo do golo, mas o Porto lá os foi conseguindo, através do seu óptimo jogo em posse. Quer por aquilo que o maior ascendente lhe oferecia – mais bolas paradas – quer pela exploração de algumas lacunas posicionais no bloco contrário. A saber, o espaço entre os centrais e laterais aveirenses, nem sempre bem mantido por estes últimos, e o desposicionamento de Djamal, “pivot” defensivo, que sempre que saía da sua zona para pressionar, abria um buraco nas suas costas.
Há que notar, neste jogo, a importância do posicionamento base dos jogadores, quase sempre bem respeitado de parte a parte. Para o Porto, foi um jogo disputado em espaços mais curtos do que é costume. Os jogadores puderam manter distâncias mais próximas entre si e fizeram-no bem. É curioso como esta característica condicionou o tipo de exibição característica de alguns jogadores mais defensivos. No Beira Mar, já destaquei algumas lacunas que foram aparecendo também por mérito do Porto e da sua posse, mas há que realçar a boa organização da equipa, em particular da coerência posicional da sua linha defensiva e da importância dada pelos centrais à conservação de um espaço sempre curto entre eles.
Rolando e Otamendi – Invariavelmente, Otamendi é o mais interventivo em termos defensivos, mas desta vez foi ao contrário. Na minha leitura, tem a ver com a característica mais fechada do jogo, sendo que Otamendi é um jogador que sobressai mais quando o jogo é mais esticado e há mais espaço para controlar. Seja como for, e sem terem feito um jogo perfeito, estiveram ambos bem, com Rolando em melhor plano também no capítulo técnico.
Fernando – Villas Boas fez bem em fazer regressar o “polvo” neste jogo. Não teve um jogo de domínio excepcional da sua zona, mas cumpriu perfeitamente a sua missão, quer em termos defensivos, quer em termos de segurança em posse. E isso, raramente Guarin consegue com tanta eficácia.
Belluschi – Não foi influente no último terço, mas, mais uma vez se prova, Belluschi é tudo menos um jogador apenas criativo. É um jogador de grande capacidade defensiva: rápido e reactivo a encurtar espaços e muito agressivo a pressionar. Por isso ganha tantas bolas e por isso é tão útil, mesmo em jogos mais fechados. Creio que é uma característica que continua pouco percepcionada em geral, mas que não escapa à equipa técnica, que, por isso, o mantém quase 90 minutos num jogo destes (Jesualdo, por exemplo, nem o colocava a jogar em jogos mais exigentes em termos defensivos).
James – Há um aspecto que se repete nele, e em jogos bem difíceis para o fazer: a certeza em posse. A sequência que dá às posses que passam por ele é muito acima do que é esperado para um jogador da sua posição e idade, e isso indica uma boa capacidade de decisão que, efectivamente tem. James, porém, precisa ainda de encontrar a sua forma de ser decisivo, porque só assim poderá ser o jogador de excepção que o Porto tanto espera dele. Curiosamente, pareceu melhor quando jogou na direita, intervindo mais em zonas interiores.
Hulk – Há 1 semana escrevia que o momento de Hulk é de tal forma positivo que desequilibraria em qualquer circunstância. Mais um exemplo. Jogo fechado, actuando numa posição onde não se sente tão confortável e, mesmo assim, presente em 2 dos principais desequilíbrios da equipa. A curiosidade de nenhum ter sido pela sua habitual capacidade de desequilíbrio no 1x1, mas em movimentos característicos de um 9.
Cristian Rodriguez – Entrou bem e penso que pode dar muito à equipa se tiver disponibilidade física e oportunidades para tal. A confirmar.
Kanu – Desde a II Liga – e já há alguns anos – que se percebe que tem características para muito mais. É um jogador muito forte em termos físicos, pela velocidade e agilidade invulgares que possui. Por isso, ganha tantas bolas e é tão difícil de bater no 1x1. No capítulo técnico não tenho tanta certeza sobre a sua real valia, mas não será esse o seu principal desafio. Com Leonardo Jardim, já tem tido essa possibilidade de evoluir, mas precisa de ser “formatado” em termos de rigor posicional e risco de decisão. Se o conseguir, será um central muito bom, porque potencial, tem.
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18.1.11
Porto - Naval: Análise e números
Ainda em relação à Naval, importa dizer que a sua atitude agressiva em termos posicionais não teve sempre a melhor organização. Não só na fundamental sincronia da última linha, mas também na forma como, por diversas vezes, o seu curtíssimo bloco não se conseguiu ajustar ao posicionamento da bola para manter uma presença pressionante sobre o portador da bola. E, como se sabe, só é possível jogar-se com espaço nas costas se a pressão sobre a bola for sempre conseguida. Caso contrário, pode ser suicídio.
De resto, e termino por aqui em relação à Naval, a sua qualidade com bola também não foi muito boa, vivendo sobretudo de alguns rasgos individuais de Fabio Júnior que, porém, lhe chegaram a dar uma soberana oportunidade para complicar as contas portistas. Não que chegasse para a surpresa – isso nunca saberemos – mas porque, dadas as circunstâncias, a eficácia era um elemento obrigatório para quem queria sonhar.
Quanto ao Porto, e apesar do tal bloco curto da Naval, é notável a movimentação que existe em ataque posicional, com a equipa a encontrar situações de liberdade, mesmo dentro das apertadas linhas do seu opositor. Foi, creio, um bom jogo da equipa em vários parâmetros, ficando apenas a dever a si própria alguma qualidade de definição no último terço para atingir uma expressiva goleada. É que as condições estavam criadas.
Uma nota em relação ao meio campo portista. Parece haver uma intenção de usar as características mais ofensivas de Guarin, dando mais liberdade ao “pivot”, e, para isso, mantendo Moutinho numa posição de maior proximidade com essa zona. Quer no equilíbrio posicional, quer mesmo numa fase de construção, onde Moutinho aparece muito mais do que Belluschi junto dos centrais. Por outro lado, Belluschi tem uma presença mais próxima das linhas ofensivas, aparecendo menos numa primeira fase de construção, mas mais no espaço entre linhas e dando largura à direita em situações de variação de flanco. São comportamentos já vistos noutras ocasiões, mas que creio serem mais notórios e conseguidos nos últimos jogos, com Guarin como “pivot”. Resta saber, porém, se esta opção se manterá noutro tipo de jogos onde, claramente, o colombiano não dá tantas garantias como Fernando em termos de segurança e presença posicional.
Otamendi – Não pode marcar com tanta frequência como vinha fazendo, mas vem-se revelando como a melhor opção para o lugar, e com alguma distância. Tem uma área de intervenção muito alargada e consegue ser dominador em todo esse espaço. Sente-se que gosta disso e que, por isso, também arrisca mais nas suas intervenções. O segredo para a sua evolução é calibrar melhor as bolas a que deve ir e aquelas em que deve ficar, assim como o risco que assume em cada posse de bola. É, a meu ver, o dilema tradicional dos centrais com maior potencial.
Rolando – Ao contrário de Otamendi, tem uma zona de intervenção curtíssima e impõe-se com muita dificuldade em termos defensivos. Mantém um perfil sóbrio, tem boa presença nas bolas paradas e é fiável com a bola nos pés, o que o faz errar menor e o iliba quase sempre de apreciações mais negativas. A meu ver, porém, o Porto deve pedir mais para esta posição.
Guarin – Voltou a fazer um bom jogo, sobretudo porque tem a capacidade de dar profundidade à sua intervenção. Mas não é – de longe – um jogador muito forte na missão posicional e de segurança que normalmente está reservada para a sua posição. Será interessante ver como Villas Boas gerirá a sua utilização ao longo da época.
Moutinho – Começou por ameaçar uma grande exibição, mas foi perdendo presença e acabou por estar menos participativo na segunda parte. A sua fiabilidade, no entanto, faz com que jogue sempre bem e penso que é boa ideia reservar-lhe uma missão mais focada no equilíbrio e na primeira fase de construção do que esperar dele uma grande influência no último terço.
Belluschi – Não começou bem, mas creio que terá feito uma das suas melhores exibições em termos globais. Esteve bem em posse, conseguiu várias recuperações importantes em zona alta e foi influente também no que a equipa conseguiu no último terço.
Hulk – Voltou a jogar a partir da ala, onde claramente rende mais. O ponto, porém, é que o momento de confiança é de tal ordem que não creio que alguma posição no campo o impedisse de marcar e ser influente. Que época!
João Real – Posicionalmente não dá para tecer grandes elogios, mas a sua capacidade interventiva foi absolutamente incrível. Fez um número absurdo de cortes, muitos deles em recuperação e decisivos. Diria que foi um “guarda redes de campo”, e muito graças a ele, não aconteceram mais golos.
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8.12.10
Porto - Setúbal (Análise e números)

É verdade que a primeira parte mostrou um Porto muito dominador e que criou, até, boas oportunidades para o golo. Mas nunca mostrou um “bom Porto”, dentro dos parâmetros de outros jogos. Beneficiou de uma postura mais expectante do Vitória para exercer domínio e acabou por, naturalmente, encontrar o caminho do golo, mesmo que as situações não tenham sido muitas. Mas, os erros técnicos foram sempre uma constante e isso acabou por ser determinante na forma como o Vitória cresceu emocionalmente no jogo.
Se a primeira parte não foi boa, a segunda foi mesmo má. O Vitória tentou outra abordagem e aquilo que mais caracteriza a má resposta portista é o facto da equipa não ter conseguido aproveitar o maior espaço que lhe passou a ser concedido para criar 1 ocasião clara de golo que fosse. O Vitória acreditou, cresceu e aproveitou também erros pontuais para se aproximar do golo, chegando bem próximo de o conseguir. Um castigo que, diga-se, o Porto fez por merecer.
A intensidade e desgaste do jogo de Viena serve de atenuante, sim, mas não de desculpa. Ou seja, é normal que a equipa não conseguisse uma exibição extremamente conseguida, mas não é de todo suficiente para justificar a falta de intensidade que a equipa demonstrou.
E.Rafael – Não se pode queixar da sorte. O Vitória forçou o jogo pelo seu flanco e permitiu-lhe sempre que tivesse uma presença constante no jogo, e em boas condições para ser bem sucedido. E Rafa foi-o em termos defensivos. Depois, nenhum jogador teve tantas vezes a bola como ele enquanto esteve em campo, e quase sempre com boas condições para decidir bem. Rafa não o fez. Errou demasiados passes e não aproveitou nenhuma das várias situações de cruzamento que lhe foram proporcionadas. Na segunda parte a coisa piorou. Acumulou 2 perdas perfeitamente evitáveis e a segunda acabou com Zeca na frente Hélton. Foi a gota de água para Villas Boas que o retirou do campo e, provavelmente, terá sido também um sério passo atrás nas suas possibilidades de afirmação a curto prazo.
Rolando – A equipa sofreu, mas não foi por ele (nem por Otamendi). O lance em que recupera perante Zeca mostra bem o potencial que tem em todos os aspectos. Pena não ser mais arrojado em termos de antecipação.
Guarin – Foi outro dos jogadores que menos bem esteve e que melhor podia ter estado.
Moutinho – Aqui está um exemplo do que é a grande mais valia de Moutinho, a regularidade. Ao contrário da generalidade, manteve a intensidade e fez até uma das suas melhores exibições em termos estatísticos. Com ele todos os jogos são iguais, sempre numa intensidade elevada, e sempre dando garantias totais à equipa, e em todos os momentos do jogo.
Belluschi – Ao contrário de Moutinho, Belluschi mostrou a sua outra face. Foi dos jogadores que mais abaixo esteve das suas potencialidades. Decidiu muitas vezes mal e não foi, sequer, eficiente ao nível do trabalho sem bola, como costuma ser. Melhorou na segunda parte e mandou uma bola ao ferro, mas, para o que pode fazer, foi pouco...
Rodriguez – Foi o único que se pode queixar da sorte. Teve uma atitude boa no jogo, ainda que nem sempre bem sucedido e tinha, até, tudo para ter marcado, não fosse a inspiração de Diego. Manteve-se sempre num nível de intensidade acima da média, mas... saiu lesionado.
Hulk – Talvez seja o melhor espelho da exibição colectiva. A nota sobre Hulk vai para o penalti. No seguimento de algo que escrevi depois do jogo da Académica, parece-me importante que, mesmo jogando mal, seja Hulk a marcar. Se há jogador em que é importante manter os níveis de confiança, é ele.
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29.11.10
Porto - Sporting (Análise e números)
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Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.
Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.
Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.
Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.
Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.
Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.
O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.
Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.
Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.
André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.
Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.
Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.
Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.
Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.
Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.
Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...
Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.
Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...
Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.
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28.11.10
Sporting - Porto: análise de jogadas (Vídeo)
- O primeiro lance de perigo do jogo acontece quase por acaso. Ou seja, num lance em que o Porto começa por ter as linhas de passe cortadas e com a perda eminente. Ao contrário do que acontece mais tarde, no golo, não creio haver particular demérito de Polga na forma como é batido por Belluschi. A sua saída para fazer contenção justifica-se, não tendo conseguido ganhar o lance, apesar de ter pressionado correctamente.
- No lance do golo do Sporting, o descrédito foi atribuído a Maicon, mas julgo não lhe ser devida uma responsabilidade única. A primeira bola, entrando na zona dos centrais, não pode nunca bater e cabe à dupla resolver o lance. Rolando é cai sai para abordar o lance e cabia a Maicon ajustar o posicionamento nas suas costas. Maicon é surpreendido porque tarda em perceber que a bola vai passar sem ser abordada e porque, parece-me, não se apercebe da presença de Valdés. No entanto, Rolando tem de atacar a bola e não encostar-se a Liedson. Se fosse ao contrário - Maicon a atacar a bola, duvido que o lance tivesse tido a mesma sequência.
- O lance do golo do Porto surge após uma longa sequência de bolas disputadas na zona central. O Sporting tem responsabilidade colectiva porque, por várias vezes, deveria ter sido capaz de tirar a bola da zona de pressão e dar sequência à transição (falarei mais disso). Ainda assim, nada faria antecipar o que sucedeu depois. A equipa está equilibrada, com a linha de 4 e ainda André Santos em zona central. Não se percebe a decisão de Polga sair da sua zona nesta situação. Não era o jogador mais próximo da bola, não era possivel pressionar imediatamente a decisão de Moutinho, dada a distância e, talvez mais importante, a sua posição é fulcral em termos de controlo zonal, merecendo muito maior cautela numa decisão deste tipo. Ficam 3 jogadores na frente de Moutinho, mas sem capacidade para cortar a linha de passe para Hulk que, depois, tem várias opções na área.
- Finalmente, nota para mais um exemplo da excepcional capacidade de trabalho de Liedson. O demérito de Maicon é óbvio e nenhuma circunstância ou perante algum jogador se justifica perder a bola, mas, ainda assim é recorrente vermos Liedson conseguir lances destes (a última terá sido em Goodison Park), pelo que é inegável o seu mérito, quer na atitude, quer na forma como aborda o desarme. Desta vez, para mais, o seu isolamento é total. Não vale tanto, mas é mais difícil de conseguir do que um golo.
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9.2.10
Análise vídeo: Tonel, Rolando, Orlando e Moreno
Golo da Académica – Começando pelo mérito da Académica. O ponto mais importante do sucesso da transição, do ponto de vista dos estudantes, é o facto da Académica ter conseguido colocar 4 jogadores em situação ofensiva, forçando a uma situação de 4x4.
É claro, no entanto, que há muito para corrigir da parte do Sporting. Primeiro, uma transição, idealmente, deve ser parada o mais rapidamente possível para dar tempo à equipa de se reorganizar defensivamente. Neste sentido, o ideal é que os jogadores em equilíbrio se coloquem para poder pressionar a referência para a saída em transição. Isso, claramente, não acontece e, ao contrário, o quarteto defensivo (com Pedro Mendes a cobrir o adiantamento de Grimi) afunda-se no campo. O único que parece querer fazer o contrário é João Pereira, mas nem a acção do ex-Braga acaba por ter utilidade. Como se não bastasse, ao chegar às imediações da área, dá-se o erro que abre a clareira por onde entra João Ribeiro. Em vez de manter referência colectivas, Tonel fixa-se no seu marcador e, não só não faz uso do fora de jogo, como abre um buraco na zona central, por onde entra o extremo da
Académica. Em vez de se focalizar a 100% no seu adversário, Tonel deveria ter lido a jogada e mantido a posição, tendo Polga como referência de posicionamento. Este, no entanto, é um mal da defesa leonina que vem repetidamente sendo penalizada por não dominar este recurso. Fica fácil de perceber, tal como referi na altura, que o erro de Grimi no Dragão não se tratou de um lapso individual mas sim de uma falta de preparação colectiva para este tipo de lances.
Oportunidade de Pongolle – O fora de jogo tem sido um dos recursos claramente usados por André Villas Boas desde a sua chegada a Coimbra. Várias vezes lhe tem sido útil, é verdade, mas também é fácil encontrar exemplos de má interpretação do recurso. No caso, Orlando habilita Pongolle desnecessariamente, numa jogada que poderia ter ditado um rumo completamente diferente para o jogo.
Sobre a jogada, e não tendo a ver com a temática, nota para 2 aspectos. Primeiro, o excelente trabalho de Liedson, num jogo em que o 31, mesmo não marcando, esteve em óptimo plano. O segundo tem a ver com a finalização de Pongolle... Ou melhor, com a defesa de Ricardo. É que não há nada de errado com a conclusão do francês, merecendo todo o mérito a grande intervenção do guarda redes.
Oportunidade Naval – Na grande oportunidade da Naval para trazer do Dragão um outro desfecho, encontro um lance em que tenho leitura diferente dos anteriores. Ou seja, a opção do defesa, no caso Rolando, foi a mais correcta. É que, ao contrário de outros lances, Rolando, que tem a leitura total do lance, não pode garantir que colocará o avançado em fora de jogo, já que este se encontra atrás da linha de Bruno Alves. O outro pormenor que faz da opção de Rolando em baixar, uma opção correcta, é o facto do portador da bola não estar a ser pressionado e ter a oportunidade de ler e definir o timing da jogada.
Ainda assim, e apesar da decisão de Rolando me parecer inevitável, a jogada acaba na cara de Hélton. Muito mérito para a Naval, em especial para o passe de Fábio Júnior, mas também alguma dificuldade de Bruno Alves em recuperar mais rapidamente de modo a fechar a linha de passe. Provavelmente, e visto depois, tinha-se justificado a falta de Ruben Micael no inicio da jogada.
Golo do Paços – jogo de grande domínio do Vitória e... derrota. Dois lances definiram o desfecho cruel. O primeiro, um pontapé fantástico, o segundo, uma transição que apanha a defesa em desequilíbrio após uma bola parada ofensiva. A grande curiosidade do lance está na acção de Moreno. Quando a defesa, ainda que algo atabalhoadamente, tentava parar o avanço adversário recorrendo ao fora de jogo, eis que aparece o capitão vimaranense em recuperação. O incrivel da acção de Moreno está na forma como, ao longo da jogada, despreza por completo o posicionamento dos colegas, acabando por ser o responsável pelo posicionamento legal de Maycon na altura do remate.
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19.7.08
Porto: As notas do empate em Hannover
Descontando este aspecto do ritmo de jogo, havia dois aspectos que poderiam trazer algum interesse para se desvendar em que ponto estará o caminho das opções de Jesualdo até ao inicio oficial da época. O sistema de jogo e as novas individualidades.
Sistema: 4-3-3, com 1 ou 2 pivots
No Porto tem-se falado, desde há algum tempo, na possibilidade de Jesulado mudar para o 4-4-2. Pessoalmente, creio muito pouco nessa opção porque essa mudança poderia afectar alguns fundamentos do jogo portista actual, obrigando a equipa a voltar em alguns aspectos a uma espécie de “estaca 0” ao nível da sistematização de processos, um esforço talvez exagerado para quem vem evoluindo positivamente no modelo que utiliza o 4-3-3 como sistema.
Por isso, creio que o Porto se apresentará em 08/09, de novo, em 4-3-3, com 1 pivot defensivo no meio campo, e tendo como alternativa o duplo-pivot que, embora aparentemente possa parecer um contrasenso, é uma opção mais ofensiva, partindo mais o jogo. Estas foram as opções já apresentadas em 07/08 e, frente ao Hannover, Jesualdo apresentou-as, uma na primeira parte e outra na segunda. Com princípios já bem definidos e que vêm de trás importa sobretudo testar o “encaixe” das novas individualidades nos perfis em aberto e esse será nesta altura o grande objectivo de Jesualdo antes de tomar opções, quer no que respeita às individualidades, quer no ajustamento de alguns processos que possam tirar melhor partido das características dos jogadores.
Sapunaru – É cedo ainda para tirar ilações sobre a qualidade deste lateral. Uma coisa, no entanto, parece evidente. O seu perfil será forçosamente diferente do de Bosingwa e o Porto não contará com o efeito ofensivo do actual jogador do Chelsea. Esta é uma alteração que pesará nos processos colectivos, já que a equipa vinha estrategicamente assumindo comportamentos para libertar o corredor para as descidas de Bosingwa.
Rolando – Parece-me igualmente precoce fazer uma análise profunda à qualidade e integração de Rolando. A sua presença parece ser uma aposta a ter em conta para o inicio de temporada, rendendo Pedro Emanuel e dando à defensiva uma característica que vem perdendo desde a saída de Pepe: capacidade de recuperação.
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30.5.08
Porto: Recuperação defensiva
É quase um ponto comum – tão comum que chega a ser por vezes um exagero – explicar-se o sucesso portista a nível interno com a estabilidade do plantel e a preparação atempada das épocas. Pois bem, tendo em conta esta imagem, não parecem restar dúvidas que este será um defeso atípico para os lados das Antas. Se a saída de Bosingwa, ainda que se pudesse considerar como “dentro do programa”, trazia um lugar importante para colmatar, já a decisão unilateral de Paulo Assunção em abandonar o clube, abre um claro imprevisto no planeamento portista. Para a tornar a coisa verdadeiramente cinzenta, há ainda a manutenção da nuvem “Apito Final”, um fantasma que ameaça tornar-se na assombração do reinado de Pinto da Costa.
Paulo Assunção e Bosingwa partilham entre si, não só, o facto de serem figuras essenciais da era Jesualdo (Assunção fora-o já com Adriaanse), mas ainda a particularidade de se constituírem como figuras chave da estrutura defensiva dos últimos dois anos. Um olhar um pouco mais atrás poder-nos-á fazer recuar até ao defeso anterior e à perda de Pepe, também um elemento dessa mesma estrutura defensiva. Se é verdade que a equipa não se ressentiu no campo da saída daquele que era o seu principal esteio defensivo, também se pode concluir que tal feito foi apenas possível por um crescimento da eficácia do pressing, que fez com que a falta de velocidade dos centrais não fosse quase nunca posta à prova, e não por via da introdução de uma nova mais valia para o sector. Neste aspecto, saliência evidente para o pouco impacto da aposta em Stepanov.
Assim, um ano depois, o Porto não só não conseguiu colmatar devidamente a saída de Pepe – Pedro Emanuel é um jogador competente, mas que está longe da capacidade de recuperação do agora central merengue – como perde ainda o elemento que mais capacidade de recuperação dava ao sector, Bosingwa, e ainda um elemento preponderante no capitulo posicional, particularmente na ocupação do espaço entre a linha média e a defesa na altura do tal pressing que escondeu em 07/08 os efeitos da perda de Pepe. Como ponto positivo para toda esta evolução fica apenas o crescimento de Bruno Alves, já que Fucile interrompeu as boas indicações iniciais com algumas más exibições em períodos decisivos e que o tornam num recurso não totalmente fiável.
O Porto tem, por isso, para este defeso a tripla tarefa de encontrar 3 substitutos credíveis para outras tantas perdas, sob pena de pagar em 08/09, o preço defensivo destas saídas. Aqui fica um pequeno olhar para as alternativas internas, antecipando a conclusão de que a SAD precisará de encontrar no mercado 2 jogadores para entrar no onze base, esperando ainda por uma revelação no centro da defesa em 07/08 (entre Rolando ou Stepanov).
Stepanov – A história do próprio Pepe serve de atenuante para a má época deste ex-Trabzonspor. Stepanov é jovem, tem atributos físicos e técnicos que também o favorecem, mas para se jogar a este nível numa posição defensiva é preciso ter melhores decisões e errar muito menos. Esse é o desafio de Stepanov para uma época que pode ditar a sua derradeira oportunidade de dragão ao peito.
Rolando – Perante a não afirmação de Stepanov, o Porto reforçou-se em Portugal com Rolando. Não estranha o reforço se atentarmos, precisamente aquela que foi a principal característica perdida pela defesa portista com a saída de Pepe: a velocidade. Esse é um dos maiores atributos de Rolando mas que não me faz deixar de pensar que, apesar de lhe reconhecer potencial (que depende da evolução do próprio), dificilmente poderá ter, já em 08/09, uma época de afirmação total. O jogo aéreo – onde o Belenenses falhava muitas vezes colectivamente – e alguma maturidade decisional serão os pontos em que precisa de progredir.
Bolatti – Entrando no “campo” de Paulo Assunção esta será a única opção interna. Uma aposta em 07/08 que, arrisco, terá mesmo sido a pior da temporada. É verdade que Bolatti é jovem e está ainda em adaptação mas o que se lhe viu foi, mais do que mau, recorrentemente mau. Será uma enorme imprudência não recrutar alguém de “peso” para esta posição.
Benitez – Já aqui escrevi sobre ele e não vou acrescentar muito ao que então referi, esperando para ver. De todo modo, reforço o que apontei então: parece-me que a sua contratação dificilmente se enquadrará numa substituição directa de Bosingwa, antes sim em mais uma alternativa a preparar uma provável saída de Cech.
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