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18.8.11

Que falta fazem os goleadores?

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Na verdade, o título é ambicioso. Assumidamente, esclareço já, para não haver confusões. As razões, deixo-as a seguir...

"Desses, qualquer um marca!", ou, "Não marca, mas contribui para o colectivo". São algumas das expressões ouvidas, nas várias discussões sobre avançados. O tema é actual, porque se fala da eminente saída de Falcao, de Cardozo e, até, de Postiga. Quanto marcam, todos sabem. Mas, quanto marcam as suas equipas quando eles jogam? Ou, quanto marcam quando eles não jogam? Melhor... qual é a diferença entre quando jogam, e não jogam?

E é isso que trago, quanto marcaram as equipas (não eles, mas as equipas, reforço), quando eles estiveram em campo, e quando não estiveram. E a diferença. Para os 3 casos do momento, e para mais 2, os últimos grandes goleadores a sair do campeonato.

E, agora, explico porque o título é ambicioso. Porque a análise precisa de consistência e coerência. Consistência, no número de observações, coerência, no enquadramento das mesmas. Coerência, tento garantir pela observação, apenas, de jogos da Liga Portuguesa, onde a tipologia de jogos é mais estável. Coerência, ainda, porque todos os jogadores analisados foram utilizados com frequência. O problema maior vem da consistência. São precisos muitos jogos para diluir efeitos de casos pontuais. Os 10 jogos que Falcao não jogou, são muito pouco consistentes. Os 38 de Liedson, muito mais conclusivos. Ainda assim, o ponto mais importante é que as regras são simples e iguais para todos, pelo que não há favorecimentos à priori. Quanto ao resto, ajustem, a gosto, as margem de erro.

Conclusões? Cada um tirará as suas. Eu tenho as minhas, mas não faço questão de as partilhar. Apresento apenas os dados, que são factuais, e espero que eles possam contribuir para alguma coisa. Porque deviam. Apenas uma ressalva: o grau de impacto pela ausência dos jogadores tem a ver com a qualidade de quem os substitui. Ou seja, não é por um jogador ter tido um grande impacto, no tempo em que jogou num clube, que fará falta no futuro. Depende de quem o venha a substituir. O caso de Lisandro (substituído por Falcao), é um bom exemplo.

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3.8.11

Lançamentos laterais...

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Não é normal. Em 2 jogos, 5 golos com origem em lançamentos laterais. Aconteceu, e como tal, é também uma boa oportunidade para rever este tipo de situação, nomeadamente no que respeita a Sporting e Porto. O meu destaque mais geral vai para o posicionamento base de ambas as equipas, mas há pormenores que dão um interesse especial a cada uma das situações.

Sporting - Valência (golo 1) - Não é claro que seja intencional, mas é provável que o seja. O Valência atrai 3 jogadores para a zona lateral à área e depois opta por um lançamento longo, onde, obviamente, há mais espaço e, particularmente, um 2x2 na frente de Patrício. O pormenor que define o lance, a meu ver, tem a ver com a abordagem de Carriço. Consegue controlar o adversário, mas perde noção da trajectória da bola, fazendo-se a ela, ainda assim. É perfeitamente notório o movimento de João Pereira, que inicialmente tenta controlar o espaço entre ele e o central, mas, de repente, abre deliberadamente, como que antevendo a acção deste. O mesmo se passa com Patrício, que demora a sair, precisamente porque espera pela acção de Carriço. Ainda que se possa considerar um excesso de confiança (nomeadamente de João Pereira), tem lógica o comportamento destes jogadores, porque, antevendo a iniciativa do colega, o ressalto seguinte nunca cairia imediatamente nas suas costas, mas em zonas mais afastadas. Neste cenário, definido em fracções de segundo, houve apenas um jogador que apostou no falhanço de Carriço. O problema, para o Sporting, é que não vestia de verde e branco.


Sporting - Valência (golo 2) - Diria, o golo mais interessante de todos. Desde logo, distingue-se pela zona onde nasce, completamente diferente dos outros casos. Se alguém duvidava da preparação do Valência para o aproveitamento do espaço nas costas, está aqui um belo exemplo. Delicioso o pormenor do jogador do Valência antes do lançamento, como que anunciando de forma não verbal o que se iria passar. Mais à frente, quem percebeu tudo muito bem e de forma telepática, foi Soldado. Repare-se como parte muito antes de um passe que não era evidente. Evidentemente preparado, foi o que foi. É natural que o Sporting não tenha feito um estudo muito especifico do jogo, dada a sua natureza pré competitiva. Ainda assim, ficam 2 notas gerais sobre aspectos importantes para quem quer defender com tanto espaço nas costas. Na frente, e embora os jogadores avançados estejam habitados a "folgas" no que respeita a defender, não há margem para perdas de intensidade. O lance devia, fundamentalmente, ter sido controlado na pressão sobre o jogador que recebe o lançamento. Não foi, porque Postiga não teve intensidade suficiente no lance. Depois, a colocação dos apoios de Onyewu. Nota-se que há um antecipação do passe nas costas, brevíssimos instantes antes dele sair. No entanto, a forma como o central americano parte para o lance compromete qualquer possibilidade de reacção face a Soldado. É muito importante que os jogadores ajustem correctamente o ângulo dos pés, precavendo uma eventual necessidade de corrigir rapidamente o espaço nas costas. Se Onyewu ficou a milhas de Soldado, foi porque partiu tarde, e não por questões de velocidade. Bem melhor esteve Carriço, que conseguiu, pelo menos, importunar Soldado. Como o mérito do avançado prevaleceu, e foi Carriço a ficar no "foto-finish", é provável que, para muitos, tenha sido ele o culpado...

Sporting - Valência (golo 3) - A nota principal do lance vai para a falta de preparação dos jogadores para o detalhe do fora de jogo. O posicionamento defensivo é estabelecido como se a lei do fora de jogo vigorasse neste tipo de situações, o que é normal, dado que a equipa quer estar assim posicionada no momento seguinte ao lançamento. Mas, porque, de facto, não há fora de jogo no acto do lançamento, é preciso uma atenção extra, porém, completamente ausente do lance. Sobretudo de João Pereira, que é quem está mais próximo do lançamento, não pode "apertar" a marcação quando tem espaço nas costas. Esse é o lapso mais importante para o desenvolvimento do lance, mas não se pode dizer que o lateral fique herdeiro solitário de toda a responsabilidade. Há uma perda de intensidade geral, que continua em Rinaudo, visivelmente pouco prevenido para a possibilidade de ter de dobrar junto à linha, e se estende até à área, onde Onyewu volta a perder o controlo de uma marcação, que devia ser facilmente anulável, dada a escassa presença de jogadores espanhóis na área.

Porto - Lyon (golo 1) - Tal como na generalidade dos lances do Valência, nada parece ser um acaso no golo do Lyon. Foco em Gomis, bola em Lisandro. O Porto é notoriamente surpreendido, notando-se a proximidade de Souza ao avançado francês. No entanto, há aqui um pormenor, que me parece fundamental no desenvolvimento do lance. Há alguma diferença entre o posicionamento base da equipa, em jogo corrido, e neste tipo de situações. Em particular, no posicionamento estratégico dos médios e na "folga" que é dada no espaço à frente dos centrais. Por ser concedido esse espaço, é importante que exista um encurtamento rápido da linha defensiva, assim a bola comece a progredir paralelamente à linha frontal da área. O problema, diria decisivo, é que Otamendi fica preso com Gomis, impedindo-o de recuperar a sua posição, para pressionar na frente de área. Isso e, claro, a qualidade de Lisandro.

Porto - Lyon (golo 2) - Tudo muito semelhante ao primeiro golo, mas com desenvolvimento completamente oposto. Aqui, fica mais claro o posicionamento dos médios, e o porquê do mesmo. Em situações de jogo corrido, é, muitas vezes, o médio que fecha na ala, ficando o extremo mais livre para a transição. Aqui, ficam os 2 médios preparados para o momento de transição, como que tendo a certeza do mesmo. E assim foi, golo em transição com os médios como protagonistas. Tudo previsto, portanto.
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26.8.09

1, 2, 3... Lisandro

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7.7.09

Lisandro no Lyon: Mais um desafio para Jesualdo

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Era uma saída praticamente anunciada. Lisandro queria sair e estava a um ano de findar o seu vínculo contratual, pelo que este era o timing que fazia sentido para esta venda. O cenário da saída de Lisandro era, por isso, previsível e se é verdade que o jogador seria sempre uma perda muito relevante para a equipa portista, parece-me que a sua perda se torna ainda mais alarmante depois da saída de Lucho. Ainda assim, esta é uma operação que deverá obviamente ser analisada em 2 partes.


Mais um grande negócio!
Volto a repetir que já nada me surpreende nos negócios portista. Tinha-o referido antes do mercado se agitar e agora essas ideias confirmam-se. A verdade é que este é mais um incrível negócio para o Porto. Um jogador de 26 anos a um ano de findar o seu contrato, sinceramente, não estou a ver muitos casos em que se conseguisse 24 milhões. Basta pensar que o Lyon acabou de vender Benzema, com menos idade e muito mais mercado, por apenas mais 9 milhões. O Porto consegue, por isso, sair da melhor maneira possível de uma situação incómoda em termos de mercado, não deixando que isso afectasse minimamente a rentabilidade do negócio.

Desafio para Jesualdo
Dos milhões encaixados, estou certo, uma parte significativa (parece-me que poderá ir até metade) serão para reinvestir. Não sei quem será o eleito, mas seguramente não será fácil de substituir Lisandro. Não o será porque o argentino era talvez o jogador que melhor servisse o modelo de Jesualdo. Porque tinha a inteligência para jogar em espaços mais fechados e a potência para jogar no espaço. Porque podia jogar aberto ou como elemento mais central do ataque. Porque era capaz de finalizar de quase qualquer posição, fosse dentro ou fora da área. Porque, talvez mais do que tudo, era um jogador que, sendo avançado, tinha uma fantástica capacidade para interpretar o pressing, uma das principais armas do modelo.

Tudo isto se torna mais relevante se juntarmos a esta baixa a perda também de Lucho. Um jogador que, como Lisandro, era mais do que uma grande individualidade, um elemento fundamental em termos colectivos. Ao nível destes 2, em termos de qualidade de interpretação colectiva do modelo, apenas vejo Raúl Meireles, sendo que jogadores com peso ofensivo como Rodriguez e sobretudo Hulk, sendo unidades de grande qualidade, não têm o mesmo peso em termos colectivos.

Sobra, por tudo isto, daqui mais um relevante desafio para Jesualdo Ferreira. Integrar 2 elementos de peso no modelo terá previsivelmente de passar por algum tempo de adaptação colectiva e da duração desse tempo poderá depender, e muito, o sucesso portista em 09/10. Não vale a pena especular muito numa fase ainda muito precoce desse processo, mas não posso deixar de notar, também, o peso que Lisandro e Lucho tinham nos jogos Europeus. Este pode ser, aliás, o maior dos riscos no inicio de época.



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28.4.09

8 lances do fim de semana...

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Benfica – Marítimo (Cardozo) – O lance do segundo golo na Luz é muito interessante e diz muito sobre a forma como o Benfica alterou a sua forma de abordar o momento ofensivo. Em organização ofensiva, o Benfica, não só tem os 2 laterais abertos, como inclui ainda 1 central em acção ofensiva (já acontecera no primeiro golo no Bonfim). Juntando ao número elevado de jogadores, a qualidade de muitos deles (no caso destaco o trabalho de “pivot” de Nuno Gomes), torna-se fácil perceber que estão criadas as condições para a criação de mais desequilíbrios ofensivos. O problema da questão está na forma como a equipa se adianta em demasia, correndo sérios riscos de ser apanhada em contrapé em caso de perda de bola.


Porto – Setúbal (Lisandro I) – O primeiro golo com que o Porto bateu o Setúbal é um exemplo da grande qualidade de Lisandro. Primeiro, na forma como dá apoio à construção, atraindo a marcação para fora da sua zona e, depois, na forma como define o lance dentro da área, tirando também partido das dificuldades que gera a sua movimentação. No entanto, é importante notar a forma deficiente como o Setúbal defende. A zona central é desprotegida de forma quase primária, quer na forma como Farias, estando parado (devia ter sido colocado em fora de jogo), consegue receber e ter tempo para ler o jogo, quer depois como Lisandro consegue ganhar vantagem perante uma marcação que demora muito a reagir à sua movimentação (note-se ainda a forma como Mariano aparece também solto numa zona central).

Porto – Setúbal (Lisandro II) – No segundo golo, tal como no primeiro, um misto de mérito da dinâmica e mobilidade do ataque portista e de um enorme demérito na forma como o Setúbal defende. Farias é pressionado pelo lateral, abrindo um buraco no seu flanco e, depois, é visível a distância entre sectores, com o meio campo a não auxiliar a linha mais recuada. Este aspecto é muito perceptível no facto do Porto conseguir meter tantos jogadores como o Setúbal para a resposta ao cruzamento.

Sporting – Estrela (Postiga) – Um dado curioso do jogo com o Estrela foi o facto do Sporting ter feito muito pouco recurso às bolas longas de Polga, isto apesar da forma compacta como defendeu o Estrela. O central, aliás, tornou-se protagonista de um dos melhores lances do primeiro tempo, ao iludir o pressing e inciar um desequilíbrio pela zona central. Na jogada, para além da habilidade de Liedson (pouco pressionado), é visível a tal característica de uma linha defensiva algo subida por parte do Estrela. Postiga por muito pouco não consegue fazer o golo.

Sporting – Estrela (Liedson) – Uma curiosidade deste lance tem a ver com a colocação dos médios interiores (Pereirinha e Veloso) no mesmo flanco. É uma situação totalmente episódica e que em Guimarães esteve na origem do golo sofrido. Desta vez, é o Sporting quem tira partido, virando o jogo para o flanco menos povoado. Mas o aspecto que quero destacar é outro que tem a ver com a forma como a defesa tem dificuldades em responder ao cruzamento pelo facto de jogar algo adiantada. Quando o cruzamento se torna eminente, os centrais são obrigados a recuperar ao mesmo tempo que se tentam colocar para responder ao lance. Naturalmente, torna-se uma tarefa muito complicada e, por isso, Liedson fez um golo semelhante ao que havia feito na primeira volta.

Naval – Rio Ave (Yazalde) – Uma nota para o golo de um jogador que se tem destacado neste final de época e que poderá ser decisivo na luta pela manutenção. Não me fica claro se o primeiro toque de Yazalde é propositado, mas se o é, é um grande pormenor do jogador emprestado pelo Braga (já aqui destaquei a importância do primeiro toque e forma como ele define um jogador).

Man Utd – Tottenham (Modric) – Finalmente, volto ao golo de Mariano em Old Trafford e à importância de Lucho. Este fim de semana o mesmo erro do United, com Bent a fazer de Lucho e a atrair o lateral para a abordagem ao lance, deixando espaço para Modric (qual Mariano) ficar livre para a finalização. Aqui volto à importância das referências individuais na área. O United tem superioridade numérica e não se pode falar de um mau posicionamento base. O que acontece é que na área é impossível fazer uma marcação eficaz com poucos jogadores tendo apenas por base referências zonais. Este, aliás, é um erro clássico.


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17.3.09

Aimar, o golo de Roberto e o Porto-Naval

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Um raro Aimar
Desde o inicio da temporada que se falado muito do posicionamento de Aimar. De facto, quem pensa nos pontos fortes do argentino, dificilmente poderá imaginar que o seu rendimento possa ser potenciado a jogar de costas para a baliza, apertado por jogadores fisicamente muito mais poderosos e que facilmente condicionam as suas aparições no jogo.
Frente ao Guimarães houve uma jogada que, aparecendo totalmente descontextualizada daquilo que é norma nas rotinas ofensivas do Benfica, teve o condão de dar uma breve ideia de como poderia Aimar ser bem mais útil. Participando na primeira fase de construção e actuando de frente para os adversários e com a bola controlada, Aimar conseguiu rapidamente fazer levar a bola até à área contrária, numa jogada simples mas bem mais eficaz do ponto de vista da construção do que a maioria das jogadas que vemos no Benfica. Ao Aimar actual pode ainda apontar-se o aspecto de limitar a sua acção ao corredor central, oferecendo pouco auxilio à saída de bola pelos corredores. Mais uma vez, claro, fica a dúvida se tal tem a ver apenas com o comportamento do argentino, ou se há indicações para que tal aconteça.


O golo do Vitória
No golo que fez a diferença na Luz houve, mais uma vez, várias criticas feitas a David Luiz. Francamente, não consigo partilhar dessa responsabilização do jovem jogador encarnado. O motivo é simples. A razão pela qual David Luiz não impede Roberto de marcar tem a ver com o ponto de partida dos 2 jogadores na jogada. Enquanto que Roberto está ao lado de Luisão, David Luiz está uns bons metros à frente. A questão é que este adiantamento é correcto. Num lance que é disputado do seu flanco, o lateral deve aproximar-se da zona da bola, sendo o lateral oposto o responsável por fechar na zona central. Só se pode responsabilizar David Luiz se se discordar do seu posicionamento inicial no lance, já que não é possível pedir-se que o lateral recuperasse de forma tão rápida ao ponto de conseguir “apanhar” Roberto.
O problema do golo surge, por isso e na minha opinião, de 2 aspectos. O primeiro tem a ver com o erro de abordagem de Miguel Vitor que tenta erradamente jogar em antecipação, arriscando, e comprometendo o equilíbrio defensivo que existia. O outro aspecto tem a ver com a distância da linha média. Desmarrets é fundamental no lance, apesar de não participar. Isto porque cria uma linha de passe que impede Maxi de abordar mais directamente Marquinhos e obrigando Luisão a dividir as suas atenções entre o extremo e Roberto. Aqui, a distância da linha média dos defesas e a não existência de um jogador mais posicional, tem toda a importância. Primeiro porque não permite a existência de um 2x1 sobre Marquinhos no momento em que este roda sobre Miguel Vitor, depois porque não tem capacidade para acompanhar Desmarrets no tempo de chegada à zona ofensiva.

A má Naval e o bom Porto
Frente à Naval repetiram-se as jogadas elaboradas, com várias trocas de passe a servir de preparação para tantas ocasiões portistas no jogo. Como já havia referido no rescaldo do jogo, há 2 aspectos que contribuem para este tipo de jogo e que ficam bem evidentes nas 2 jogadas que recuperei sobre este jogo. A primeira é a inspiração e mobilidade dos jogadores portistas. A segunda é a fraca oposição que a Naval protagonizou no Dragão.
Em relação ao segundo aspecto, destaco vários erros de posicionamento, quer na linha média (no vídeo, realço a saída de 2 jogadores a pressionar Raul Meireles no lance do segundo golo), quer na zona mais recuada (as chegadas tardias de jogadores portistas às zonas de finalização nunca tiveram o acompanhamento devido e as saídas dos centrais não foram devidamente compensadas pelos laterais, como se vê no segundo golo). No Porto, pego no lance do segundo golo para chamar atenção para 2 jogadores. Lisandro, cuja movimentação foi uma fonte de desequilíbrios, arrastando os centrais para fora da zona central que ficava livre para as diagonais de Mariano para os movimentos verticais de Lucho. Depois, um “filme” muito visto mas que nunca é demais rever. A inteligência de Lucho. “El Comandante” tem essa particularidade em que parece esperar que toda a gente ponha os olhos na bola para atacar um espaço livre no último terço. Como os defesas continuam (e continuarão!) a fixar-se exclusivamente na bola e a esquecer-se dele, ele continua (e continuará!) a marcar golos.


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12.12.08

Os novos homens-golo

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Se fizermos uma sondagem entre os adeptos é provável que o tipo de jogador mais pedido para cada uma das suas equipas seja um ponta de lança, daqueles altos e fortes, que possam ganhar duelos na área perante os centrais e, como que por magia, façam aparecer os golos que todos querem ver. É uma ideia associada a futebol de outros tempos que terá tido, em Portugal, novo reforço pelo fenómeno Jardel na viragem de milénio. Não vou fazer desta uma opinião absolutista porque, como já defendi tantas vezes, no futebol cada caso é um caso, mas diria seguramente que hoje e cada vez mais os casos em que este tipo de jogadores são utilizados são essencialmente prejudiciais a uma dinâmica ofensiva mais eficiente.

A táctica é cada vez mais uma jogo de zonas. Neste jogo complexo e dinâmico há uma característica que se revela cada vez mais relevante para o sucesso ofensivo: a mobilidade. Ora, se a zona central da defesa é fundamental ao ponto de manter fixos os centrais, será tanto melhor para uma defesa se lá estiver também um avançado. Será menos um jogador para criar superioridade noutras zonas e mais um para vigiar de perto ao longo de toda a jogada. Por contra ponto, os ataques que conseguem ter mobilidade suficiente para retirar essa referência de marcação aos centrais e atacar as zonas de finalização apenas no tempo certo, esses terão, à partida, mais hipóteses de criar dificuldades a quem defende.

Esta mobilidade é hoje a arma de muitos jogadores e equipas de sucesso. Cristiano Ronaldo e o Manchester United (na Selecção a situação é outra) será o caso mais fácil de indicar. Um ataque sem uma referência fixa na frente, que promove uma grande mobilidade nos seus atacantes e acaba por fazer de um extremo o melhor marcador da Europa. Mas também em Portugal temos exemplos de goleadores que se destacam por esta característica. Liedson é o goleador mais temível dos últimos anos em Portugal, mas o seu perfil não é o de um 9 clássico. Antes sim um jogador muito móvel que procura em permanência fugir dos centrais antes de atacar a zona de finalização no momento certo. Mais recentemente apareceu Lisandro em grande destaque. A veia goleadora do argentino surgiu, precisamente, quando Jesualdo o colocou no centro e retirou um avançado mais fixo daquela posição. Para Lisandro (e também Lucho) essa liberdade de movimentos foi o catalizador para obter golos em catadupa. Não porque ficasse mais perto da baliza, mas porque podia escolher melhor quando a atacar. Muitas vezes ouço que estes jogadores não devem sair muito da sua zona, mas penso que o contrário é que é prejudicial. Prende-los na frente ou colocar-lhes uma “moleta” ao lado é o mesmo que lhes retirar, a eles e à equipa, uns bons metros quadrados de relvado para jogar.

Abaixo deixo 2 jogadas, precisamente de Liedson e Lisandro que servem de exemplo sobre o tema.



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5.4.08

FC Porto 07/08, o Campeão Inteligente

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4-3-3 o sistema manteve-se no papel mas houve algumas dinâmicas que se alteraram, sobretudo no que respeita à mobilidade do trio ofensivo.
Princípios de jogo Também sem alteração em relação a 06/07, com Jesualdo a reproduzir o essencial do modelo. Uma equipa que faz dos momentos de transição o seu ponto forte. Na transição defensiva, um notável sentido posicional colectivo que permite à equipa encurtar progressivamente as linhas de passe, forçando os adversários ao erro. Na transição ofensiva a ordem é tirar a bola da zona de pressão, normalmente com uma mudança de flanco que proporciona a um dos elementos da frente condições para criar desequilíbrios. Ainda neste momento, destaca-se a preparação da equipa para surpreender no momento da conquista da bola, mantendo um dos extremos aberto sobre a ala.
A novidade táctica – Colectivamente a novidade face a 06/07 esteve na introdução de uma frente mais móvel. Foi a forma de Jesualdo responder à dificuldade de encontrar um 9 que se enquadrasse no perfil desejado e os benefícios foram enormes. À excepção de Quaresma todos os elementos se deram bem com esta maior mobilidade do trio ofensivo, destacando-se, claro, a integração de Tarik e ainda a maior possibilidade oferecida para as integrações ofensivas de Bosingwa sobre a direita.
A equipa inteligente – Quem acompanhou o campeonato perguntar-se-á por que motivo as equipas erram mais passes contra o FC Porto? A explicação está na forma inteligente como a equipa ocupa os espaços, reduzindo as linhas passe até ao erro do adversário. Esta notável capacidade explica, entre outras coisas, o porquê de não se ter sentido a ausência de Pepe. Se outras equipas portistas tinham na raça e na entrega pontos determinantes para a conquista de campeonatos, o Porto 07/08 quase não precisou de sujar os calções para levar a melhor sobre os adversários.
O treinador Este título não
pode ser descontextualizado da figura do seu treinador. O futebol do Porto é o futebol idealizado por Jesualdo Ferreira e ele é o principal responsável pelos méritos colectivos que se verificaram a cada jogo.
A figura (Lucho) Se o Porto foi elegância, inteligência e classe, Lucho é a personificação dessas características. Fantástica a forma como antecipa os destinos da bola no meio campo, percebendo depois, mais rápido do que ninguém, para onde ela deve seguir. Não gosta do contacto (nem precisa, na maioria das vezes), mas deve ser dos jogadores mais inteligentes do futebol moderno.
O goleador (Lisandro) Tirou enorme partido das funções a que foi destinado em 07/08 e tornou-se num goleador temível. Lisandro gosta de ataques rápidos e posicionamentos pouco fixos, seja como extremo ou ponta de lança e isso foi-lhe dado, mais do que nunca, em 07/08. Outro aspecto muitas vezes destacado em Lisandro e bastante determinante no processo defensivo é a forma agressiva e incansável com que exerce a pressão sobre o portador da bola. Fundamental para que o tal jogo posicional possa depois definir-se melhor.
O homem invisível (Paulo Assunção) Não é novidade, até porque já foi referido por vários elementos, Paulo Assunção é um dos elementos mais importantes no equilíbrio táctico da equipa. A sua função dentro do modelo de Jesualdo é definir o ponto de união entre a o meio campo e a linha mais recuada, ora acrescentando um homem à zona de pressão, ora mantendo o equilíbrio numérico na zona mais recuada.
As reticências (Quaresma) Se os anos anteriores mostraram um Porto quase “Quaresmodependente”, o 07/08 viu o Harry Potter perder peso no colectivo. O Porto de extremos bem abertos recorria-se em especial da inspiração individual de Quaresma, mas com a maior mobilidade introduzida pedia-se ao 7 mais capacidade para se envolver nos movimentos colectivos e, também, mais maturidade na gestão da sua posse de bola. Quaresma não deixou de ser um elemento altamente desequilibrador mas o seu jogo falhou na resposta a esta adaptação, mantendo-se fiel a um perfil mais individualista e, por consequência, mais errático. Um aspecto que definirá a que nível futebolístico poderá chegar a carreira de Quaresma.
A falsa questão Paralelamente à época brilhante no plano interno, 07/08 fica marcado pela desilusão que representou a eliminação na Champions. Os Dragões foram primeiros do grupo (é verdade, muito à custa dos deslizes do Liverpool) mas esse feito não teve seguimento nos oitavos de final. A frieza do desfecho frente ao Schalke precipitou uma série de conclusões fatalistas sobre uma suposta falta de estaleca europeia do FC Porto. Chamo-lhe “falsa questão” por considerar que essas conclusões não podem ser tiradas de 210 minutos em que ficou patente uma evidente superioridade do futebol portista. Para ombrear de igual para igual com os “tubarões” do futebol europeu, ao FC Porto falta ainda um patamar que se compreende pela disparidade de condições e que, em boa verdade, dificilmente poderá ser atingido de forma sustentada (o exemplo foi o que aconteceu à equipa portista na sequência da conquista de 2004). Se é verdade que a equipa tem denotado incapacidade para lidar com os momentos em que a força dos adversários obriga a baixar o seu bloco, também me parece evidente que o caminho passará sempre por uma evolução dentro do modelo já existente e não por uma obrigatória alteração táctica que, aliás, já foi tentada sem sucesso em jogos de maior importância.

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15.1.08

Parabólica!

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É uma das rubricas que prefiro entre os programas que conheço e por isso a trago sempre que posso. Esta semana, para além da habitual qualidade dos lances apresentados, há um destaque um pouco mais alargado do que é costume à liga portuguesa. Primeiro Lisandro, uma das figuras do campeonato e que começa a tornar-se num dos “pontos de mira” das grandes ligas europeias (Será o próximo grande negócio de Pinto da Costa?). Depois a obra prima de Wesley. O golo do jogador do Paços foi já na Sexta Feira, mas é curioso como por cá poucas vezes o vimos e, sobretudo, creio que nenhuma vez teve o merecido destaque em qualquer programa desportivo do fim de semana. Imaginemos o que já não se teria feito se a camisola fosse uma das 3 que sabemos!


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