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18.8.11

Que falta fazem os goleadores?

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Na verdade, o título é ambicioso. Assumidamente, esclareço já, para não haver confusões. As razões, deixo-as a seguir...

"Desses, qualquer um marca!", ou, "Não marca, mas contribui para o colectivo". São algumas das expressões ouvidas, nas várias discussões sobre avançados. O tema é actual, porque se fala da eminente saída de Falcao, de Cardozo e, até, de Postiga. Quanto marcam, todos sabem. Mas, quanto marcam as suas equipas quando eles jogam? Ou, quanto marcam quando eles não jogam? Melhor... qual é a diferença entre quando jogam, e não jogam?

E é isso que trago, quanto marcaram as equipas (não eles, mas as equipas, reforço), quando eles estiveram em campo, e quando não estiveram. E a diferença. Para os 3 casos do momento, e para mais 2, os últimos grandes goleadores a sair do campeonato.

E, agora, explico porque o título é ambicioso. Porque a análise precisa de consistência e coerência. Consistência, no número de observações, coerência, no enquadramento das mesmas. Coerência, tento garantir pela observação, apenas, de jogos da Liga Portuguesa, onde a tipologia de jogos é mais estável. Coerência, ainda, porque todos os jogadores analisados foram utilizados com frequência. O problema maior vem da consistência. São precisos muitos jogos para diluir efeitos de casos pontuais. Os 10 jogos que Falcao não jogou, são muito pouco consistentes. Os 38 de Liedson, muito mais conclusivos. Ainda assim, o ponto mais importante é que as regras são simples e iguais para todos, pelo que não há favorecimentos à priori. Quanto ao resto, ajustem, a gosto, as margem de erro.

Conclusões? Cada um tirará as suas. Eu tenho as minhas, mas não faço questão de as partilhar. Apresento apenas os dados, que são factuais, e espero que eles possam contribuir para alguma coisa. Porque deviam. Apenas uma ressalva: o grau de impacto pela ausência dos jogadores tem a ver com a qualidade de quem os substitui. Ou seja, não é por um jogador ter tido um grande impacto, no tempo em que jogou num clube, que fará falta no futuro. Depende de quem o venha a substituir. O caso de Lisandro (substituído por Falcao), é um bom exemplo.

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22.5.11

Final da Taça e outras notas (breves)

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- Começar pelo mais incrível: 7 golos na primeira parte! Alguém se lembra de ter visto tal coisa? Vejo vários jogos - muitos mesmo! - não digo que nunca o tenha presenciado, mas confesso que não me recordo. Não admira... alguém suspeita qual a probabilidade teórica de isto se verificar num jogo com estas características?

- Sobre o jogo, voltarei com mais detalhes, mas fica claro que tudo ficou definido no primeiro tempo, que ambos os treinadores se deverão lamentar por tantos e tão frequentes momentos de descontrolo defensivo, e, já agora, que a eficácia foi fundamental na definição da diferença expressiva com que o jogo foi para o intervalo.

- Num exercício de apelo à memória, recordam-se das criticas de pré época a um Porto que marcava pouco? Recordam-se das declarações de André Villas Boas, que não precisava de golear, mas apenas de ganhar? Quem diria...

- Em Espanha, consumou-se o feito histórico de Ronaldo. Na verdade, não é apenas um. Não só se tornou no melhor marcador de sempre numa época em Espanha, como se tornará no primeiro jogador a conseguir o título de melhor marcador europeu em dois campeonatos distintos. Não sei qual o lugar que a História lhes reserva, mas quantos jogadores existiram que, jogando a partir de posições exteriores, marcaram tantos golos como fazem Ronaldo e Messi. Assim de repente, lembro-me apenas de Eusébio e Pelé.

- Em França, o projecto de continuidade do Lille atingiu, finalmente, a consagração. Uma equipa que, tal como muitas outras em França, desprezou a Europa em privilégio das competições internas, e que, por isso, não tem tão boa imagem externa como aquela que merece. Entre todos, claro, Eden Hazard é quem mais atenções justifica. Não é para todos ganhar o prémio de Melhor do Ano numa liga como a francesa, com apenas... 20 anos!

- Uma nota, também, para o inicio do campeonato do brasileiro. Ronaldinho começou com um espectáculo individual e Liedson a decidir de forma espectacular numa das mais difíceis deslocações em toda a prova. Lembrando que continua a ser um jogador disponível para a Selecção, a pergunta que me assalta é: que sentido fará, se Paulo Bento o continuar a deixar de fora depois de o pré convocar?

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7.2.11

Sporting - Naval: Análise e números

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Era suposto ser apenas o último jogo do goleador, mas o curso da partida teve o condão de transformar um aparentemente natural fim de ciclo, numa sensação de perda irreparável. Não que Liedson – este Liedson – não seja, de facto, uma perda para o Sporting – qualquer Sporting. Mas é também uma evidência que a prestação de Liedson só se tornou heróica porque a mediocridade do futebol da equipa assim o permitiu. Tivesse o Sporting uma equipa mais bem preparada e nenhum heroísmo seria necessário, fosse ele de Liedson ou de outro qualquer. Seja como for, o efeito até acabou por ser positivo para um clube em crise não só desportiva: afinal os clubes vivem da emoção que geram, e se há coisa que se viu no final, foi emoção.

Notas colectivas
O jogo não teve nenhuma abordagem estranha por parte das equipas. O Sporting, repetindo a fórmula que lhe deu a última vitória, na Madeira. A Naval, repetindo a abordagem que já tivera em todas as outras partidas sob o comando de Mozer. O mais curioso desta constatação é assistir ao que aconteceu com pouco menos de 30 minutos de jogo: a substituição de Salomão por Zapater, alterando o figurino táctico do Sporting.

Ora, a minha leitura perante a reacção de Paulo Sérgio é simples: nos primeiros minutos o Sporting protagonizou algumas aberturas largas para o corredor direito, onde conseguiu “quebrar” a ratoeira do fora de jogo e libertar Vukcevic. Paulo Sérgio, numa atitude aparentemente lógica, quis ter a mesma presença à esquerda, colocou Salomão e indicou, ali, que o caminho para a vitória passaria por repetir o mesmo tipo de passes para as costas dos laterais contrários.

O que é que isto tem de errado? Primeiro, e sobretudo, o facto desta reacção acontecer num jogo em que, como referi em cima, a estratégia da Naval – nomeadamente no adiantamento da sua última linha – foi exactamente a mesma de jogos anteriores. Ou seja, se era para explorar um movimento específico, Paulo Sérgio deveria tê-lo preparado antecipadamente. O resultado não foi muito diferente do que se poderia prever. Depois, o Sporting deu todas as indicações de que o que estava a fazer não tinha o mínimo de preparo, tal a forma como a Naval se adaptou e conseguiu responder com sucesso às sucessivas tentativas de exploração do espaço nas suas costas (basta ver o número de foras de jogo). Finalmente, o facto do Sporting tentar sempre esta abordagem, não só tornou o seu jogo mais previsível como foi de encontro à própria estratégia do adversário, que subia a sua linha mais recuada para não ser encurralado na sua área.

Resultado de tudo isto? Não só o Sporting não foi capaz de exercer um domínio continuado, como se sujeitou muito mais às consequências do momento de transição. É que, ganhando a bola na linha média, a Naval estava a 2 passes da área contrária.

É importante notar que nem sempre foi assim a “era Paulo Sérgio”. O treinador começou por ter uma ideia clara do que pretendia fazer em termos de ideia de jogo. Disse-o em várias oportunidades: o “seu” Sporting queria ser dominador e superiorizar-se pela por aquilo que fazia em posse. O facto é que nem as suas ideias para a implementação desse objectivo foram as melhores, nem a equipa foi capaz de evoluir na assimilação das várias rotinas. Problemas que são identificáveis desde a pré temporada, mas que o próprio treinador não parece ser capaz de reconhecer ainda hoje. E esse será o seu maior problema, porque sem consciência dos próprios erros, nunca se pode melhorar.

Sobre a Naval, muito da sua estratégia está descrita acima. Não tem grande qualidade no que faz, mas tem muita determinação e, quando a sua estratégia do fora de jogo resulta, a equipa fica imediatamente mais próxima do golo. É que subindo a linha defensiva, sobe também a sua zona de recuperação, evitando ter de trabalhar muito os seus ataques. Mozer conseguiu inverter o momento psicológico e isso é capaz de ser mesmo o mais importante para qualquer tentativa de salvação.

Notas individuais
Rui Patrício – Há 1 semana escrevia que não eram as grandes exibições que distinguiam os grandes guarda redes. É, antes sim, a regularidade e escassez de erros. Ora, Rui Patrício continua a ser uma aposta ganha do Sporting, mas é também necessário que mantenha os pés na terra.

Abel – A Naval forçou várias vezes o jogo directo para a sua zona e Abel esteve muito bem. Ganhou quase todos os duelos, quer no chão, quer no ar. No entanto, a qualquer avaliação da sua exibição não poderá esquecer os lapsos que teve em alguns momentos. 2 deles na primeira parte e, finalmente, no terceiro golo, foi inadmissível que de uma falta resultasse um cruzamento sem oposição. Embora, aqui, não seja certo que a responsabilidade fosse inteiramente sua.

Evaldo – Até estava a fazer uma das actuações mais participativas da época, mas borrou completamente a pintura no primeiro golo, dando inicio ao descalabro que se seguiu antes do intervalo. Depois, na segunda parte, voltou ao registo habitual. Tudo somado: muito mau!

Carriço – Tal como Abel, teve bastante trabalho pela tendência da Naval em investir pelo seu flanco. Tal como Abel esteve bastante bem na resposta que deu. Tal como Abel, porém, manchou a sua exibição com alguns erros, nomeadamente na forma pouco decidida como abordou uma bola dividida no segundo golo.

Pedro Mendes – Não fez um jogo fantástico – longe disso – mas à semelhança de Maniche sabe bem que terrenos pisa e tem de pisar. Não tem a mesma capacidade de passe e influência ofensiva do outro veterano, mas formaria com ele uma dupla fantástica no meio campo da equipa.

André Santos – Fez um jogo sofrível a confirmar que está em franca perda nesta fase da época. Jogou no meio campo mas, tal como na Madeira, o jogo passou-lhe à frente dos olhos. É preciso perceber que não se pode esperar de André Santos o rendimento de Maniche ou Pedro Mendes. A capacidade posicional e a qualidade de decisão crescem com a experiência e André Santos evoluirá seguramente ao longo do trajecto que tem pela frente. O que não se pode confundir – e repito a ideia – é potencial com rendimento presente.

Vukcevic – A sua reputação entre os adeptos é cada vez menor, mas eu creio que Vukcevic tem mostrado uma disponibilidade muito maior para o jogo do que em fases anteriores. Individualismo? Talvez, mas não se pode queixar de individualismo quem o fomenta, como é o caso de Paulo Sérgio e o seu "modelo de jogo". Admito poder estar errado, mas diria que a resposta de Vukcevic, face às condicionantes, é um bom indício sobre a disponibilidade do jogador para evoluir.

Postiga – Diz-se muito que trabalha bem fora da área, mas essa não é uma verdade indiscutível. Aliás, muitas vezes é mesmo mentira. Neste caso, porém, Postiga fez jus a essa reputação e ao seu potencial técnico: jogou bem e foi influente em termos ofensivos. Um bom jogo, só ofuscado pelo brilho de Liedson.

Liedson – Exceptuando os lances decisivos, não foi sequer um grande jogo para os seus parâmetros. Sem bola, trabalho acima da média, mas normal nele. Com bola, poucas oportunidades para jogar, menos do que o normal. No entanto, esteve em 4 dos 5 desequilíbrios da equipa e isso chegaria para deixar uma óptima última impressão.

João Real – Curioso voltar a acompanhar este jogador depois da exibição do Dragão. Voltou a fazer um jogo na mesma linha, confirmando que tem uma capacidade atlética notável e que, nesse plano, não haverá muitos como ele. Pena o resto.
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5.2.11

O invulgar Liedson (Breves)

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- O jogo, enquanto tal, serviu apenas para agudizar o estado doentio do futebol do Sporting. Mas dificilmente algum adepto terá dado por mal empregue o seu tempo. Liedson sempre teve o condão de se superar nos grandes momentos, mas talvez seja difícil encontrar paralelismo para aquilo que conseguiu no seu último jogo. Um estádio em pré-revolta, de repente, inverteu o seu estado emocional e... desatou a chorar! De resto, parece que a margem de manobra de Paulo Sérgio é cada vez menor. O treinador diz que não se demite, e é pouco provável que haja qualquer intenção directiva em forçar a sua saída. Nada disto garante, porém, que não tenha de sair antes do dia das eleições...

- Ainda sobre Liedson, o avançado deixa o Sporting como um jogador histórico. Todos falarão dos golos que marcava e da importância de muitos deles. Mas poucos conseguirão explicar bem porque o fazia tantas vezes e em momentos tão importantes. Não é um jogador forte em nenhum dos parâmetros tradicionalmente considerados e, por isso, enquanto uns se limitavam a aceitar os números sem questionar, outros duvidavam sempre do seu valor e utilidade (acontecia sempre que a eficácia baixava). Acontece que, ao fim de 350 jogos, não se é "bom porque se marca", mas "marca-se porque se é bom". Ou seja, não é por as suas virtudes serem mais invulgares que alguma vez deixaram de lá estar. Sempre estiveram.

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1.2.11

Liedson e David Luiz

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Liedson
Quando um jogador marca durante tanto tempo um clube, a decisão sobre a sua saída torna-se em algo que vai para além do âmbito desportivo. Liedson é um desses casos.

De facto, não sei qual é a situação financeiras da SAD leonina, mas salvo qualquer urgência desconhecida esta é uma decisão no mínimo discutível. Primeiro, porque no plano desportivo Liedson continua a ser uma mais valia clara para a equipa. Exagerando, é mais fácil uma equipa controlar Saleiro e Postiga, juntos, do que Liedson, sozinho. Ou seja, não faz sentido discutir se Liedson merece o alto salário que o Sporting se comprometeu a pagar-lhe. O ponto é se o Sporting tem ou não capacidade para pagar tal verba a um jogador. Porque, se tiver, Liedson, pelo que garante em termos de rendimento, teria de ser sempre um dos que justificaria estar no topo da pirâmide salarial. De qualquer forma, há sempre uma incongruência em achar-se que Liedson é um jogador caro depois de, 1 ano antes, se ter decidido oferecer valores semelhantes a Sinama Pongolle.

Mais indiscutível, porém, é a falta de sentido da estratégia do Sporting na gestão dos seus direitos desportivos sobre Liedson. Decidir manter o jogador, fazer um esforço financeiro para tal e, dois anos depois, abdicar dele por cerca de 1/4 do valor que então recusara, é um acto de gestão sem qualquer sentido. Indiscutivelmente!

Face a tudo isto, a única boa notícia para o Sporting foi que os responsáveis pelo futebol do Sporting não tenham tido tempo para arranjar um substituto para Liedson. Uma escolha e negociação em contra relógio seriam sempre um pronúncio de asneira.
De resto, Liedson vai para bem melhor. Brasil e Portugal são países irmãos em muitos pontos culturais, mas estão em pólos opostos no que respeita à forma como lidam com craques em final de carreira. No Brasil, há uma valorização várias vezes desmesurada desse tipo de jogadores. Em Portugal, ao contrário, o bilhete de identidade é mesmo sinónimo de preconceito na opinião que é tida sobre o valor desportivo dos jogadores. Liedson, ele próprio, vinha sendo um exemplo disso mesmo. Numa altura em que o futebol do Sporting roça os padrões mínimos de mais de 1 década, era Liedson que estava velho e a equipa que se ressentia disso. Quando, a meu ver, era Liedson quem, muito mais, se ressentia da equipa onde jogava.

Para final, 3 perguntas:
- Será este, também, o final de Liedson na Selecção Nacional? Espero que não...
- Estarão criadas as condições para que Sá Pinto regresse ao Sporting?
- Numa era cada vez mais volátil, quanto tempo demorará o Sporting a ter outro avançado que marque mais de 150 golos com a sua camisola?

David Luiz
Do ponto de vista da gestão dos direitos que tinha sobre o jogador, este era um desfecho inevitável e, mais milhão, menos milhão, seriam sempre estes os valores a definir o negócio. Estamos a falar de um jogador cujo valor ultrapassou muito claramente os limites do futebol português. Ao Benfica mais não restava do que tentar gerir bem a absorção de uma mais valia financeira, mas também de uma perda desportiva.

Já o referi no comentário do jogo com o Nacional: a perda de David Luiz deverá ter consequências a nível desportivo. Se o central chegou onde chegou, não se pode esperar que, de repente, a equipa não sinta a sua ausência. Para já, o candidato é Sidnei, que, para além de não ser menos errático do que David Luiz, é também um jogador com muito menos capacidade em termos defensivos. Quer pelas suas capacidades individuais, quer pelo seu entrosamento no posicionamento colectivo. Sidnei pode melhorar, mas não me parece liquido que tal aconteça. A outra alternativa é Jardel, sobre quem não fiz uma avaliação suficientemente detalhada para emitir uma opinião definitiva.

Mas importa abordar também o jogador, a sua evolução e futuro. David Luiz foi sempre um jogador mal compreendido e muito criticado, mesmo já depois de ter dobrado o cabo das tormentas da sua carreira no Benfica. No entanto, sempre teve um potencial tremendo – recordo o que escrevi aqui depois de um derbi negro para ele. Curiosamente, David Luiz é um bom exemplo daquilo que escrevi aqui ontem sobre o potencial individual de jogadores defensivos que, tantas vezes, é mal avaliado pelos erros que cometem. David Luiz teve a sorte de ter encontrado o treinador certo e o modelo certo e aquilo que aprendeu não só lhe abriu as portas para outra dimensão, como provavelmente será o complemento que faltava para fazer dele um dos melhores centrais da sua geração.

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26.1.11

Marítimo - Sporting: Análise e números

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Haverá, na minha perspectiva, poucos jogos tão fracos como este em termos de dinâmica e estratégia colectiva. Acabou por levar a melhor o Sporting, graças a uma assinalável diferença de eficácia, mas também porque durante toda a primeira parte, e apesar de tudo, acabou por ser a única equipa com algum esboço de intenção de perturbar o jogo do seu adversário. Tem, por isso, muita culpa própria o Marítimo no destino que lhe calhou. O facto é que jogavam duas das equipas tecnicamente mais fortes do campeonato e o que se viu foi um desperdício mútuo, onde, no final, sorriu o Sporting.

Notas colectivas
Não quero escrever muito sobre o jogo, porque me parece desinteressante e pouco merecedor de grande atenção. Ainda assim, destacar a opção estratégica do Sporting em jogar numa estrutura mais densa em termos de presença de meio campo, mas onde a dinâmica com bola era tão escassa que a equipa parecia estar sempre em organização defensiva, mesmo quando tinha a bola. Isso não impediu, porém, que fosse o Sporting quem mais tentasse pressionar e condicionar o jogo do adversário. Quanto ao Marítimo, de facto, fica difícil perceber o que quis fazer. Manteve um jogo demasiado posicional e pouco agressivo sem bola, permitindo que o Sporting jogasse facilmente em zonas baixas e não potenciando os problemas da má dinâmica da equipa de Paulo Sérgio, com bola. Quando tinha a oportunidade de jogar, não demonstrou qualquer arrojo na circulação, acabando por ser condicionada por uma pressão do Sporting, que nem sequer era muito agressiva. Exigia-se mais também do Marítimo, que teve a infelicidade de sofrer um golo numa primeira parte nula de ambas as partes, é verdade, mas que – e como se viu na segunda parte – se tivesse mais agressividade e arrojo, poderia facilmente ter submetido o Sporting a vários problemas.

Sobre o Sporting, e numa observação menos centrada neste jogo, é curioso observar como a equipa se desvia, hoje, tanto das ideias que o seu treinador pareceu querer implementar no inicio de época. Começou por tentar uma linha defensiva agressiva, mas não conseguiu, acabando por apelar de novo à dupla Carriço-Polga e a um comportamento menos agressivo da sua linha mais recuada. Em termos defensivos, aliás, não é difícil perceber o porquê de tanta dificuldade de potenciar os centrais que tem ao seu dispor. Basta ver a facilidade com que são atraídos para fora da sua zona.

Mas também em termos de ideia ofensiva, a equipa é cada vez mais um improviso. No inicio de época, havia a intenção clara de fixar o ponta de lança em zonas centrais e fazer uma circulação à largura, que ligasse corredores à procura de cruzamentos. Hoje, a circulação depende de quem está e da estrutura, que também oscila. Liedson voltou a ser móvel e os rasgos não vêm dos cruzamentos, mas daquilo que a mobilidade e qualidade de Valdés vai conseguindo.

A coisa menos inteligente que Paulo Sérgio tem para fazer em relação à sua carreira é achar que esta oportunidade falhou por culpa de factores que não têm a ver com ele. Essa é a via certa de quem não quer evoluir.

Notas individuais
Rui Patrício – Foi, talvez até mais do que Zapatar, o herói do jogo. Patrício é já um bom valor e uma aposta que merece continuidade. Como já referi noutras ocasiões, seria um disparate, depois de todo este esforço, não dar seguimento ao seu desenvolvimento. Não me tenho procurado especializar muito na avaliação de guarda redes, mas sei que há sempre um exagero nas apreciações que lhes são feitas. Um grande guarda redes vê-se mais na ausência de erros do que em exibições brilhantes. O mesmo é dizer que Patrício precisa de continuar a evoluir.

João Pereira – Mesmo jogando à direita, tem uma enorme influência no jogo da equipa, pela facilidade com que se integra com bola nas acções ofensivas. Não está bem aproveitado – basta contar as poucas vezes em que a equipa o utiliza no último terço – e tem algumas debilidades em termos defensivos. Mas é o melhor lateral direito deste campeonato e uma mais valia clara para a equipa.

Evaldo – Dado o histórico de laterais esquerdos nos últimos anos, Evaldo e a sua regularidade são até uma boa novidade para o Sporting. Mas, de facto, continua a ser quase ridícula a forma como não se consegue impor nas suas acções. Não compromete, mas, para se ter uma ideia, Torsiglieri jogou cerca de 1/3 do tempo e conseguiu praticamente o mesmo número de intercepções.

Polga – O Marítimo facilitou-lhe a vida porque permitiu jogar facilmente em várias ocasiões. Mas sempre que tentou o passe longo, foi um desastre. É um jogador experiente e tem, como já realcei, qualidades raras, mas precisa de ter um jogo, quer ofensivamente, quer defensivamente, mais calibrado. Algo que, como já se percebeu, não acontecerá com Paulo Sérgio.

Pedro Mendes – Regressou e, jogando na posição em que jogou, foi de novo a placa giratória do meio campo. Isso, e a falta de pressão dos madeirenses, explica o elevado número de passes que conseguiu. Mas Mendes não está ainda no nível que dele se espera. Falhou demasiadas vezes quando tentou passes mais difíceis e também não teve uma presença muito dominadora em termos de recuperação. Seria bom que jogasse com mais regularidade.

André Santos – Não está, de facto, numa boa fase e a aposta nele só se explica pela juventude e necessidade de o fazer jogar. Comparativamente com Zapater, teve uma utilidade muito baixa, notando-se muito a diferença de percepção posicional em relação ao espanhol (não tem a ver com os golos). Para evoluir é importante jogar, mas não menos importante é ganhar cultura posicional e capacidade de integração ofensiva sem bola.

Zapater – Não é apenas a eficácia ofensiva que faz dele o melhor em campo. Bem posicionalmente e beneficiando do ritmo lento do jogo, antecipou sempre correctamente onde devia estar – o que lhe valeu, também, os golos conseguidos – e o tempo das suas acções. Não merecia ter sido ele a sair do onze depois do jogo frente ao Braga, e confirma agora o seu bom momento.

Liedson – No inicio de época aparecia preso na área, o que o impedia de ser ele próprio. Jogando mais livre, torna-se um jogador verdadeiramente difícil de parar. Quer sem bola, onde mantém uma utilidade invulgar para um avançado, quer com ela. É certo que não é jogador forte e constante em termos de decisão em zonas mais longe da baliza - muitas vezes parece mesmo contra producente. Mas é um jogador sempre muito imprevisível e que ganha muito por abordar as zonas de finalização vindo de fora, não dando possibilidade aos defensores de definir a marcação. O rendimento de Liedson depois da saída de Paulo Bento caiu, não porque estivesse "acabado", mas porque a exploração das suas características deixou de ser a mesma.

Djalma – Pode ter explosão e qualidade de definição. Pode até ser um jogador com capacidade de trabalho. Com o tipo de decisões que tem em espaços mais densos, porém, dificilmente triunfará numa patamar mais elevado.
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10.1.11

Sporting - Braga: Análise e números

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Esperava um bom jogo, muito melhor do que aquilo que foi. Houve emoção numa parte inicial e a margem tangencial do marcador fez com que a incerteza durasse até ao fim. Durou a incerteza, mas não a qualidade. Aliás, acho que a qualidade nem chegou a aparecer em Alvalade para este jogo. Em relação ao resultado, enfim, como sempre vale mais a pena compreende-lo do que averiguar da sua justiça. Neste caso, o Sporting ganhou por se ter superiorizado em 2 aspectos: eficácia e concentração.

Notas colectivas
Paulo Sérgio seguramente que não se importará com a tendência, porque dela resultaram 2 importantes vitórias. O facto é que, frente ao Braga, o Sporting voltou a atingir alguns mínimos de campeonato. Mínimo em passes completados e mínimo na % de sequência dada à posse de bola. Mínimos, que já haviam sido renovados precisamente na última jornada, em Setúbal.

O facto é que, se o Sporting teve menos qualidade na sequência que deu à sua posse, também acabou por experimentar muito menos erros do que noutros jogos. Ou seja, a equipa procurou – tal como o Braga, aliás – iniciar as suas jogadas sem forçar a saída em apoio, mas com solicitações mais directas, feitas pelos centrais, Carriço e Polga. Não é um costume da “era Paulo Sérgio”, mas aconteceu. Ofensivamente, não colheu grandes frutos, mas como o Braga se encarregou de “entregar o ouro” no seu próprio período negro, isso acabou por interessar pouco. Defensivamente, sim, a opção acabou por beneficiar a equipa, já que as perdas de bola aconteceram quase sempre em zonas seguras, impossibilitando o Braga de actuar em ataque rápido a partir dos momentos de transição.

Relativamente às opções, Paulo Sérgio teve bastantes contra tempos e penso que boa parte da baixa qualidade em circulação deriva do facto de Maniche e Pedro Mendes estarem ausentes neste jogo. Raramente vemos, quer um quer outro, errar o número de entregas de Zapater ou André Santos. Não sendo isto, note-se, uma critica aos 2 médios, mas muito mais um elogio – que repito – à capacidade invulgar de Maniche e Pedro Mendes. De resto, a ironia talvez esteja no facto de ter sido na última baixa, a de Postiga, que Paulo Sérgio terá começado a ganhar o jogo. De facto, parece-me um equívoco tremendo optar por Postiga para jogar como 10 nesta estrutura. Como 10 ou como ala, de resto. Há soluções que garantem muito mais rendimento e uma delas – Valdés – já fez mais do que suficiente para que se questionasse a sua utilização na posição em que mais rende.

Relativamente ao Braga, e depois de alguns bons jogos, tinha tudo para dar sequência ao seu crescimento em Alvalade. Infelizmente para Domingos, a equipa voltou a denotar tendências suicidas e pagou caro por isso. Arrisco-me a dizer que teve mais qualidade de circulação e, até, não menos oportunidades de golo do que o Sporting. Mas, claro, não pode errar como errou em alguns momentos.

Notas individuais
Evaldo – Joga 90 sobre 90 minutos e para o Sporting já é uma boa notícia ter um jogador fiável e regular nessa posição. O seu rendimento, porém, roça os mínimos. É forte fisicamente, mas não lê bem o jogo e por isso consegue poucas antecipações e intercepções. Com bola, falhou demasiados passes.

André Santos – É sempre o mais elogiado e é inegável que tem qualidade. Muitos desses elogios resultam da sua disponibilidade física, que lhe permite dar mais nas vistas em determinados lances. Em certos casos, mesmo, isso pode ser muito útil, como no corte que fez à beira do intervalo, depois de uma grande recuperação. O facto é que André Santos raramente é o jogador mais eficaz do meio campo do Sporting, jogue com quem jogue. Ou seja, deve aprender, especialmente olhando para Maniche e Pedro Mendes o valor do posicionamento e da antecipação do primeiro passe de transição. Se o fizer, sim, tornar-se-á num grande médio.

Zapater – Tudo somado, parece-me justo cataloga-lo de melhor em campo. Foi o jogador mais interventivo no jogo, tendo-se destacado mais pela sua capacidade posicional do que pela qualidade na entrega. A assistência acaba por ser outro dado relevante a favor da sua exibição.

Vukcevic – Começou por se manter longe do jogo, mas acabou por fazer uma partida muito válida e atípica. Vukcevic é normalmente um jogador pouco trabalhador e muito desequilibrador. Desta vez foi o contrário. Juntou-se aos companheiros na luta de meio campo e desequilibrou pouco.

Valdes – Foi o jogador com maior percentagem de sequência em posse, o que, para um jogador de último terço, é notável. Aliás, a sua qualidade técnica é mesmo extraordinária, sendo muito difícil de ser desarmado, seja onde for. Não esteve sempre dentro do jogo, mas foi um elemento muito presente nos momentos de transição e na leitura das segundas bolas, ganhando muitas. A jogar solto, é um craque!

Liedson – Não fez um bom jogo em termos técnicos, mas foi decisivo e, como sempre, trabalhou muito bem sem bola. Aliás, sendo óbvio que o seu rendimento ofensivo não tem sido o mesmo de outras épocas, já a sua capacidade trabalho continua em níveis verdadeiramente extraordinários para um avançado e isso, a meu ver, tem muito valor em termos colectivos.

Salomão – Marcou e foi um destaque óbvio no final pelo impacto que teve. Mesmo tendo feito quase tudo bem, porém, não fez uma grande exibição. Porquê? Porque esteve demasiado ausente do jogo, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Ainda assim, creio que merece uma aposta mais contínua.

Alan – Foi, com Paulo César, o melhor do Braga. Tem uma qualidade em posse como poucos jogadores nesta Liga e movimenta-se muito bem sem bola, também. Quase dá vontade de recuperar os seus jogos no Porto para perceber porque falhou num “grande”. Tem 31 anos, mas o seu futebol ainda deve durar. É que Alan não alicerça as suas virtudes na potência física, mas na técnica e inteligência com que aborda cada posse. Espero que não abandone o futebol português nos próximos anos, porque seria uma perda.



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23.12.10

Setúbal - Sporting: Análise e números

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O rebentar de uma “bolha”. Ao analisar este jogo não pude deixar de me lembrar da filosofia de Georges Soros sobre a reflexividade nos mercados financeiros. É que se, à partida, o valor das equipas em nada ficaria influenciado pelo resultado do último jogo, a verdade é que o seu desempenho foi claramente condicionado pelo efeito que esse acontecimento teve nos jogadores de ambas as equipas. De um lado, um Vitória iludido e com uma imagem sobrevalorizada de si próprio. Do outro, um Sporting consciente de que só com esforço máximo poderia sair vencedor. Como o valor potencial – e ao contrário do que até chegou a ser sugerido – não é comparável, o resultado foi um desnível acentuado e uma das mais fáceis vitórias do Sporting na temporada.

Notas colectivas
Um dado que mais do que provavelmente terá escapado à maioria é que este foi o jogo da Liga em que o Sporting completou menos passes e aquele em que menor sequência percentual deu às suas posses de bola. Como se explica? Na verdade, parece-me muito simples. Tendo mais capacidade de recuperação (muito por culpa do Vitória) e possibilidade de sair em ataque rápido, o Sporting ganhou verticalidade e objectividade, algo que lhe faltou na maioria dos jogos. A gestão da posse e da bola é um meio e não um fim do jogo. Ou seja, a sua qualidade mede-se não por uma comparação quantitativa mas pela utilidade da sua consequência.

No Sporting, há que falar do regresso a uma estrutura já utilizada numa fase anterior. Como sempre, far-se-á uma ligação umbilical entre a mudança de sistema e o sucesso, mas, como sempre também, sou completamente contrário a essa ideia. Primeiro, porque não é um sistema ou uma estrutura que, por si só, define qualidade. Depois, porque o próprio Sporting não tem especial qualidade colectiva dentro desta versão.

Dito isto, importa também referir que, sem grande qualidade colectiva, talvez seja esta uma das fórmulas que mais ajuda a atenuar as dificuldades colectivas da equipa. Não tanto pelo sistema, mas mais pelas unidades que foram escolhidas. Liedson e João Pereira dão uma capacidade de trabalho incomparavelmente maior à equipa, garantindo muito mais recuperação e intensidade em todos os momentos (ajudando a disfarçar o problema do "pressing"). Valdes tem um nível de rendimento radicalmente díspar jogando a ala ou numa posição mais livre. A qualidade e intensidade dos médios não obriga à utilização de 3 jogadores nessa zona. Seja como for, o ideal seria, e continua a ser, que Paulo Sérgio estabilize numa estrutura e que a tente fazer evoluir, corrigindo defeitos e potenciando virtudes. Enquanto isso não acontecer, não haverá qualquer hipótese de melhorias significativas. Digo eu...

Notas individuais
Abel – É pena não ser um jogador com mais capacidade no plano físico e técnico, porque, de resto, entende muito bem o jogo. Tanto a nível ofensivo como defensivo, interpreta e antecipa muito bem o seu tempo de abordagem nas acções e isso valeu-lhe, por exemplo, um jogo muito interventivo ao longo do corredor.

Evaldo – É um pouco a antítese de Abel. Tem aptidões físicas e técnicas muito mais fortes, mas não consegue ser um jogador dominador na sua zona porque não antecipa devidamente os lances. É uma tendência que se repete há muito: Evaldo é um jogador válido porque é regular e consistente (algo que o Sporting não tinha há muito nesta posição), mas está muito longe de ser uma mais valia.

Carriço – Voltou a fazer um jogo excelente, provando que está numa fase ascendente de forma. Apesar de nunca ter cometido os mesmos erros que os seus companheiros de sector, digo para ele o mesmo que para os outros: numa equipa melhor organizada defensivamente, o seu valor seria muito mais reconhecido.

Maniche – A renovação, o bilhete de identidade e, até, a aparência física, trazem-lhe muitas antipatias. O facto é que Maniche continua a ter um rendimento excepcional no Sporting. Por exemplo, André Santos, que tem merecido muito mais elogios não tem, nem de perto, um rendimento semelhante. E isto não é nenhuma critica a André Santos.

Valdes – Não fez um jogo tão bom como noutras ocasiões em que jogou na mesma posição, mas voltou a estar muito melhor do que quando joga na ala. Isto, ainda que tenha perdido muito fulgor na segunda parte. Neste momento, e a jogar nesta posição, é uma mais valia incontornável para Paulo Sérgio.

Djalo – É um jogador estranho, Yannick. Tantas vezes aparenta fragilidades técnicas e, de repente, consegue golos de notável execução. Foi o caso do primeiro que marcou, e está longe de ser exemplo raro. Não consigo explicar o fenómeno, mas sei que fora os golos o seu rendimento não foi dos melhores.

Liedson – Volto a reforçar a importância que tem no jogo da equipa, sobretudo quando não o prendem à frente. Em Setúbal não fez golos e nem sequer andou lá muito perto, mas foi um elemento altamente relevante pelo trabalho que desempenhou em todas as zonas do campo. Quem joga na sua posição está, normalmente, dependente do jogo que a si chega e pouca produtividade consegue para além do que se passa na sua zona. Liedson não é assim e seria útil para Paulo Sérgio perceber a mais valia que isso representa.

Zeca – Voltei a acompanhá-lo de forma detalhada, tal como na segunda parte no Dragão. Não percebo como não é titular indiscutível desta equipa. São poucos minutos de análise, mas julgo não me vir a enganar se disser que tem qualidade mais do que suficiente para jogar no top 5 do futebol português. Nível de “grande”? Não posso jurar com tão pouco tempo, mas é bem capaz...



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7.12.10

Portimonense - Sporting: Análise e números

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Não foi – em nenhum momento – um grande jogo por parte do Sporting. Não foi, nem teve de ser, porque o que estava em disputa ficou decidido algo repentinamente, curiosamente num período em que as coisas pareciam começar a complicar-se. Como explicar isso? Bem, abusando da simplificação, diria que boa parte se explica pelo momento de confiança que o Portimonense atravessa. Isto, claro, sem colocar em causa a enorme superioridade do Sporting em termos técnicos. Superioridade que, aliás, foi perfeitamente reconhecida por Litos na abordagem que escolheu para o jogo.

Notas colectivas
À semelhança do que aconteceu frente ao Benfica, o Portimonense escolheu oferecer a bola ao Sporting. Manteve um bloco baixo e sem pressão sobre a zona de construção. O resultado? Uma primeira parte avassaladora em termos de posse por parte do Sporting. Uma posse que, no entanto, nem sempre foi bem conseguida em termos de consequência ofensiva. Se olharmos para os números e para a baixa participação dos laterais, poderemos começar a perceber porquê...

O Sporting usou Pedro Mendes como referência de apoio à circulação, juntando-lhe os 2 médios como principais dinamizadores da fase de construção. Depois, retirou Postiga e Vukcevic das alas, utilizando repetidamente o apoio frontal que ofereciam. Na prática, a equipa concentrou-se apenas no corredor central e acabou por conseguir as suas acções mais perigosas através de solicitações mais largas para a zona dos centrais algarvios. Uma coisa é certa: na primeira parte, bola não faltou ao Sporting!

O jogo conheceu 4 golos na primeira parte. Um exagero para o que as equipas fizeram. Os 2 primeiros de bola parada, os 2 últimos no aproveitamento que o Sporting, com mérito, tirou de um período de pouca lucidez do adversário. O destino do jogo ficou aí sentenciado, mas não sem que o Portimonense alterasse a sua postura na segunda parte. Mais agressivo, menos permissivo em termos de concepção do domínio, mas também incapaz de mudar o rumo das coisas. Não que o Sporting tivesse feito muito por isso, já que a prestação na segunda parte foi meramente reactiva, mas porque, ainda assim, esta estrutura – e estes jogadores – garante outro equilíbrio posicional.

No Sporting, importa dizer que a equipa, apesar de pouco dinâmica em termos ofensivos, manteve sempre uma grande segurança em posse e cometeu poucos erros. O alicerce qualitativo desta equipa está, claramente, no tridente de meio campo, que oferece qualidade posicional, mas sobretudo uma enorme segurança em posse. Basta olhar para as percentagens de passe dos 3 médios. Falta-lhe, porém, tudo o resto. Ou seja, trabalhar melhor todos os momentos tácticos e fazer os jogadores evoluírem em termos de confiança nesses processos. Algo que não está feito, e nem podia estar, dada a volatilidade táctica desta equipa ao longo da época.

Já agora, depois de Abel nos cantos e livres indirectos, já vimos Carriço, Postiga e Polga marcar livres. Seguramente que Paulo Sérgio recolherá outras indicações dos treinos,mas a resposta prática destas apostas é... muito fraca.

Notas individuais
João Pereira – Apenas para salientar que a sua baixa produção não tem a ver com uma noite desinspirada, mas com o tal “afunilamento” do jogo, que fez com que participasse pouco.

Carriço – Teve uma fase em que não creio que tenha estado ao seu melhor, mas parece-me regressado a um melhor momento. No Algarve fez um jogo bastante bom.

Pedro Mendes – A “placa giratória” do meio campo. Segurança e equilíbrio são as palavras chave. Fez uma excelente exibição – a que mais gostei – e é, com Maniche, outro médio de eleição que o Sporting tem ao seu dispor. Pena é que se lesione tanto.

Maniche – O meio campo a 3 faz com que seja Pedro Mendes a referência para os apoios em construção e retira-lhe presença nessa fase. Maniche não deverá ser tantas vezes o médio com mais passes e mais intercepções, como foi até aqui. O que é notável é que a sua utilidade não se esgota aí, e tem a capacidade de ser também um médio de maior presença ofensiva, fruto da inteligência e antecipação com que lê todos os lances. Disso e da capacidade de finalização, claro. Marcou e é provável que repita. Ainda assim, devo dizer, não creio que esteja numa grande fase ou que tenha feito um grande jogo. Isto, comparando com o que já fez...

Postiga – Voltou a jogar como ala, mas vindo muito para posições interiores. Torna-se um destaque óbvio pela influência que teve no resultado, e isso justificará até o estatuto de melhor em campo. Ainda assim, continuo a registar que Postiga, ao contrário do que indica a sua elegância e qualidade técnica, não é um jogador muito eficaz em posse. Pelo 2º jogo consecutivo foi, entre todos os que começaram o jogo, aquele que menor % deu às jogadas que por si passaram.

Liedson – Esteve longe da excelência da sua exibição frente ao Porto. Ainda assim, tendo em conta que foi o elemento mais adiantado e menos solicitado, apresenta números muito bons. Liedson, a meu ver, está tudo menos acabado ou velho. O que vejo em Liedson é um momento de alguma desmotivação individual e uma fase em que, como nunca, a equipa deixou de perceber a forma de potenciar algumas das qualidades raras que tem e que, ao longo dos anos, tantos frutos deram.



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29.11.10

Porto - Sporting (Análise e números)

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Como balanço, dá para dizer que foi um jogo deveras interessante. Teve uma envolvente própria destes jogos, teve fases distintas que pareceram fazer o jogo pender para ambos os lados, e teve, também, variantes que obrigaram os dois treinadores a reagir. Não teve espectacularidade, muitas ocasiões de golo, nem, tão pouco, a carga de um jogo decisivo em termos pontuais. Mas teve, parece-me, o bastante para estar à altura de um jogo com estatuto de “clássico”. No final, quer Sporting, quer Porto, ficarão a pensar que poderiam ter ganho o jogo, mas também não vejo que algum dos lados guarde a sensação de que o empate foi curto ou imerecido para o balanceamento do jogo. E não foi, foi justo.

Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.

Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.

Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.

Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.

Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.

Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.

Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.

Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.

O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.

Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.

Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.

Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.

André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.

Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.

Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.

Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.

Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.

Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.

Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.

Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...

Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.

Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...

Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.



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28.11.10

Sporting - Porto: análise de jogadas (Vídeo)

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Começo por um vídeo com as principais jogadas, um pouco ao contrário do que é norma. Mais tarde trarei a análise e a estatística, assim como, possivelmente um outro vídeo sobre um aspecto táctico que julgo interessante.

- O primeiro lance de perigo do jogo acontece quase por acaso. Ou seja, num lance em que o Porto começa por ter as linhas de passe cortadas e com a perda eminente. Ao contrário do que acontece mais tarde, no golo, não creio haver particular demérito de Polga na forma como é batido por Belluschi. A sua saída para fazer contenção justifica-se, não tendo conseguido ganhar o lance, apesar de ter pressionado correctamente.

- No lance do golo do Sporting, o descrédito foi atribuído a Maicon, mas julgo não lhe ser devida uma responsabilidade única. A primeira bola, entrando na zona dos centrais, não pode nunca bater e cabe à dupla resolver o lance. Rolando é cai sai para abordar o lance e cabia a Maicon ajustar o posicionamento nas suas costas. Maicon é surpreendido porque tarda em perceber que a bola vai passar sem ser abordada e porque, parece-me, não se apercebe da presença de Valdés. No entanto, Rolando tem de atacar a bola e não encostar-se a Liedson. Se fosse ao contrário - Maicon a atacar a bola, duvido que o lance tivesse tido a mesma sequência.

- O lance do golo do Porto surge após uma longa sequência de bolas disputadas na zona central. O Sporting tem responsabilidade colectiva porque, por várias vezes, deveria ter sido capaz de tirar a bola da zona de pressão e dar sequência à transição (falarei mais disso). Ainda assim, nada faria antecipar o que sucedeu depois. A equipa está equilibrada, com a linha de 4 e ainda André Santos em zona central. Não se percebe a decisão de Polga sair da sua zona nesta situação. Não era o jogador mais próximo da bola, não era possivel pressionar imediatamente a decisão de Moutinho, dada a distância e, talvez mais importante, a sua posição é fulcral em termos de controlo zonal, merecendo muito maior cautela numa decisão deste tipo. Ficam 3 jogadores na frente de Moutinho, mas sem capacidade para cortar a linha de passe para Hulk que, depois, tem várias opções na área.

- Finalmente, nota para mais um exemplo da excepcional capacidade de trabalho de Liedson. O demérito de Maicon é óbvio e nenhuma circunstância ou perante algum jogador se justifica perder a bola, mas, ainda assim é recorrente vermos Liedson conseguir lances destes (a última terá sido em Goodison Park), pelo que é inegável o seu mérito, quer na atitude, quer na forma como aborda o desarme. Desta vez, para mais, o seu isolamento é total. Não vale tanto, mas é mais difícil de conseguir do que um golo.

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28.10.10

Falcao, o primeiro poste, e a agilidade do goleador

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Estou certo que, como em quase tudo, existirão excepções à regra, mas permitam-me a generalização: qualquer grande goleador de área tem uma movimentação característica.

Ora, reflectindo um pouco talvez se chegue a um paradoxo conceptual. Ou seja, se a movimentação é característica, não será mais facilmente anulável? A resposta é um pouco a mesma que encontramos para o modelo de jogo do Barcelona ou para o famoso drible de Garrincha. Isto é, na prática a qualidade prova-se muito mais importante do que o factor surpresa.


E daqui parto para Falcao. Repare-se no golo que marcou de cabeça frente ao Leiria. Quando Varela faz o movimento de aproximação à linha, Falcao ataca o primeiro poste. Mas Varela não cruza e recua. Falcao, quase como que em exercício de treino, volta para trás, para a posição inicial, para repetir o movimento. O cruzamento aparece finalmente e Falcao ganha a frente do lance, fazendo o golo. No meio de tudo isto há um defensor – Zé António. Pode pensar-se que ele foi inocente e que deveria ter previsto o movimento do avançado, mas Zé António, como todos os defesas que marcam Falcao, sabem exactamente o que vai fazer, só não conseguem pará-lo.

A agilidade e o primeiro poste
Se cada goleador tem o seu movimento preferido, o caso de Falcao não é o mais comum.

Normalmente, o que é mais fácil é explorar as costas do defensor e o motivo é simples. O defensor tem de dividir a atenção entre a bola e o atacante, pelo que terá sempre dificuldade em controlar visualmente o atacante se o tiver nas suas costas. É isso que é normalmente explorado. Ou seja, os avançados procuram o “lado cego” porque é este que lhes permite maior afastamento do marcador directo, e, consequentemente, uma finalização em melhores condições.

Falcao também marcou golos neste registo, mas não é o que o caracteriza. Muito mais difícil é jogar de igual para igual com o central e batê-lo à frente dos seus olhos. Não se trata apenas de reagir mais rápido e chegar primeiro. O problema é que, ao contrário das finalizações nas costas, o avançado tem invariavelmente de finalizar apertado, requerendo da sua parte uma grande agilidade para poder finalizar tecnicamente bem. Não é para todos.

Repare-se no dado comum de todas as finalizações de Falcao apresentadas no vídeo. São feitas em queda.

Outros casos
Certamente que será fácil encontrar especificidades noutros goleadores conhecidos. Jardel, provavelmente o mais eficaz que o futebol português conheceu, era fortíssimo ao segundo poste. Toda a gente sabia o que fazia, mas ninguém o parava. Actualmente, e ainda em Portugal, Cardozo também prefere esse destino. Já Liedson é um caso algo semelhante a Falcao, sendo capaz de finalizar de várias maneiras devido à sua agilidade e velocidade de reacção. Ainda assim, Liedson é mais conhecido pelas suas reacções de fuga ao segundo poste do que por jogadas de antecipação.

No caso de jogadores hábeis a finalizar ao primeiro poste, um dos jogadores actualmente mais fortes a fazê-lo é Gilardino. Aliás, há na escola transalpina alguma tradição neste particular, com Inzaghi e Pazzini a serem outros casos que identifico.

Para finalizar, e voltando ao futebol português, talvez o jogador que mais se distinguiu pela sua agilidade e técnica de finalização de cabeça não tenha sido um homem de área. Falo de João Vieira Pinto.

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26.10.10

Sporting - Rio Ave: Análise e números

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É curioso como as dificuldades de vitória acabaram por se tornar gratificantes para a plateia leonina. Primeiro, claro, porque uma vitória conseguida no limite sabe sempre melhor. Mas também porque o drama dos últimos 10 minutos serviu para reforçar a reconfortante ideia de que o problema do futebol do Sporting está centrado numa estranha empatia com os postes. O tema dos indicadores estatísticos tem sido muito abordado neste blogue, e quem o lê com atenção deverá ser capaz de desmontar rapidamente o sofisma da maior % de posse de bola ou quantidade de remates. É que nenhum destes indicadores é realmente representativo da qualidade de jogo da equipa. Aquilo que noutras área se chama de “Key Performance Indicator” (KPI). O facto é que o Sporting cria, estatisticamente, menos oportunidades que os rivais e, esse sim, será o KPI que os sportinguistas deverão olhar. Mas vamos ao jogo...

Notas colectivas
A dança de cadeiras continua. Paulo Sérgio continua à procura das melhores soluções individuais para os seus problemas colectivos e é por essa via que agora se regressou a uma dupla de ataque. Ou seja, pelo rendimento recente de Liedson e Postiga e não por uma opção sustentada num modelo colectivo.

Ora, dentro desta filosofia, jogar torna-se um pouco como a aprendizagem confessada pelo próprio Presidente sportinguista. Ou seja, faz-se “on the job”. É por isso normal que o Sporting tenha sentido mais dificuldades do que é costume em circular e ter posse na primeira parte. Porque o Rio Ave cria uma zona de pressão um pouco mais alta do que adversários como Olhanense, Nacional ou Marítimo, e porque o próprio Sporting falhou na missão de criar apoios em zona de construção na primeira parte. Um problema ultrapassado com o evoluir do jogo, quando Maniche se aproximou mais de André Santos e tomou finalmente as rédeas do jogo.

Tudo isto se passou, diga-se, sem grandes problemas para o Rio Ave que foi fazendo correr o cronómetro com algum à vontade. É que o Sporting voltou a revelar os mesmos problemas em termos ofensivos. Por um lado, não existiu novamente em transição. Por outro, em construção, voltou a revelar as mesmas dificuldades. Quer pelos poucos apoios criados nos corredores, quer pela inutilidade da generalidade das jogadas que recorreram ao apoio frontal solicitado por Postiga.

Continuando a recorrer a expressões do Universo leonino, o “clique” ter-se-á dado numa jogada muito atabalhoada mas que acabou com um belo pontapé de João Pereira ao poste. Foi a metáfora do caminho para a vitória. Com mais crença e insistência, o Sporting lá chegaria, e assim foi. Acreditou, forçou e em 10 minutos criou tanto como nos restantes 80, acabando, por essa via, a justificar o destino do pontapé de Abel.

Nota final para o Rio Ave. A disposição e organização da equipa foi boa e deve recolher o mérito das dificuldades que o Sporting sentiu na primeira parte. Mas, como já tinha antecipado, o momento negativo teve as suas consequências. Não há ainda confiança para levar o jogo mais longe e manter o Sporting sob ameaça através da saída em transição. O que não houve também foi capacidade mental para reagir melhor no momento da decisão. Se o Sporting acreditou nos últimos 10 minutos, também é verdade que o Rio Ave desconfiou totalmente das suas capacidades. E isso foi decisivo.

Notas individuais
Abel – Foi o herói do jogo, mas devo dizer que a sua utilização suscita muitas reticências. O problema ofensivo do Sporting é essencialmente colectivo, mas não tem nesta opção uma boa forma de individualmente o conseguir contornar. É que, não só o Sporting perde um lateral direito mais desequilibrador, como deixa de contar com um extremo que o aproxime mais facilmente do golo. Pelo rendimento recente, por exemplo Vukcevic. Outro dado a salientar é o facto de, de repente, aparecer a marcar tudo o que é bola parada indirecta. Não sendo especialmente criticável, é especialmente estranho.

Centrais – Nuno André Coelho estava muito bem no jogo, mas Torsiglieri merece também grande destaque. É um jogador mais sóbrio do que Coelho ou Carriço, mas a sua eficácia é enorme. Notável o facto de ter jogado apenas 49 minutos e ter sido um dos jogadores com mais intercepções no jogo. Não me espanta, porque já o conhecia, mas talvez agora se perceba melhor porque digo que o Sporting tem 4 centrais de rara qualidade. Há ainda que falar de Carriço. É indiscutivelmente um excelente jogador, mas não me parece num grande momento. Perdeu alguns duelos individuais, especialmente em jogadas de confronto físico, e isso justifica um nível de eficiência muito mais baixo do que Torsiglieri. Tem um estatuto importante, mas o facto é que não tem sido mais competente do que os seus parceiros de lugar e, por isso, não me parece que nesta altura mereça ser intocável na luta por 1 dos 2 lugares no centro da defesa.

Maniche – Volto a dizer, porque ele volta a merecer: É o melhor jogador do Sporting e provavelmente o melhor médio do campeonato. Impressionante como, jogo após jogo, se impõe no meio campo. Quer ao nível da frequência e qualidade do passe, quer ao nível do trabalho defensivo. Joga sempre a 1-2 toques, e antecipa sempre o destino do primeiro passe de transição. Talvez seja essa velocidade de pensamento e execução que faça com que as pessoas não o notem tanto como mereceria. É que vem sendo assim todos os jogos! Desta vez, e em cima desta capacidade de trabalho, ainda teve tempo para meter 2 bolas fantásticas, colocando Liedson e Postiga na cara do golo.

Salomão – Não é, pelo menos ainda, um jogador capaz de ser determinante no 1x1. Mas Salomão promete mesmo, porque tem noutros aspectos níveis de rendimento muito elevados e que não escapam desde a pré época. Tem uma boa capacidade de decisão, não comprometendo a posse, tem boa atitude defensiva, e – muito importante – uma boa noção do tempo de abordagem à zona de finalização. Pelo que lhe vi, parece-me que se poderá tornar também num jogador muito forte ao nível do cruzamento. O seu futuro está nas suas mãos.

Avançados – O nível de participação de Liedson e Postiga, somados, é elucidativo da forma como o Sporting não sabe, colectivamente, usar os seus avançados. E, diga-se, quer um quer outro estiveram inspirados ao ponto de terem criado várias situações de golo. Liedson dentro de área e Postiga fora dela. O ponto é que o tipo de futebol do Sporting pede aos avançados que sejam pouco móveis e, sobretudo, que esperem na zona central por aquilo que a equipa possa produzir. Daí o tema do “pinheiro”. É pena, porque com um futebol que apelasse mais e melhor à mobilidade dos seus avançados, o Sporting poderia ter outra capacidade...


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17.10.10

Jogos da Taça (Breves)

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- Não se pode dizer que seja uma surpresa, mas não é por isso que a primeira parte do Sporting deva ser menos preocupante (talvez tenha sido a pior da época). Não se sabe o que daria o jogo noutras circunstâncias, mas fica a ideia que dificilmente a história teria sido a mesma sem as alterações ao intervalo. Muito particularmente, Liedson. O problema do Sporting está longe de ser centrado em questões individuais - não me entendam mal! - mas custa-me entender o lapso que foi cometido com Liedson. Que alguns adeptos sobrevalorizem e interpretem mal um momento de menor eficácia, parece-me normal. O mesmo já não posso dizer - a não ser que o critério não seja técnico - quando é o treinador abdica do jogador que, de longe, mais oportunidades consegue provocar de forma consistente (e fê-lo de novo ao tirar Vukcevic para manter Valdés em campo). Há 2 coisas que fazem sentido na sequência de todo este diagnóstico. A recorrente falta de oportunidades da equipa e... a conversa do "pinheiro".

- Sobre o jogo do Dragão, e para além dos dados de assistência (mais de 40 mil!), não há muito a dizer. O jogo serviu, mais do que para qualquer outra coisa, para motivar Walter. É sempre importante um avançado marcar porque é com golos que os índices emocionais normalmente mais crescem. Talvez Villas Boas não se importasse de canalizar um pouco dessa energia positiva para Falcao. Afinal, é ele que deve continuar a jogar.

- Na Luz houve um bom aproveitamento do "brinde" da Taça. Não pela exibição, mas pelas doses de confiança injectadas em algumas individualidades em fase de afirmação. Em particular, Kardec e Gaitan. O primeiro descobriu que o adversário não tinha "segundo andar" e transformou um jogo insosso numa goleada fácil. O segundo, sem deslumbrar, foi muito influente, assistiu, marcou e poderá ter reforçado os seus índices de confiança. Sobre os efeitos práticos, temos de esperar pelos próximos jogos...

- Sei que não é uma opinião popular, mas é a minha e de há muito tempo. O futebol português precisa urgentemente de maximizar a sua competitividade. Mais do que futebol, é uma questão de marketing, valorização do "produto" e geração de receitas. Os adeptos dos 3 grandes gostam sempre de ver os jogos dos seus clubes, mas pergunto-me quem mais - para além dos próprios adeptos - terá tido interesse em ver os jogos que foram televisionados? Então lá fora, estamos conversados. Tudo isto para concluir que a ocupação de 1 fim de semana com esta eliminatória da Taça serve muito pouco os interesses do nosso futebol. Digo eu...

- Entretanto, este ainda deve estar a pensar o que se passou ali!

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24.9.10

Os melhores da liga até agora (3 "grandes") - 5ª jornada

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Deixo nova actualização das estatísticas individuais, agora acumuladas até à 5ªjornada. Já várias vezes expliquei o elevado interesse que entendo ter este complemento de análise e, de facto, essa é uma realidade que confirmo com enorme regularidade. Frequentemente ouvimos e lemos análises que colocam o ónus do rendimento colectivo, seja ele bom ou mau, no desempenho individual de um ou outro jogador. O mais curioso é que, seja durante o próprio jogo ou à posteriori, não raras são as vezes em que essas opiniões não têm qualquer sustento factual. O futebol não é uma ciência exacta, já sabemos, mas a sua subjectividade por vezes é levada ao extremo da gratuitidade de opinião. Enfim, não é nada que me surpreenda. Afinal, este exercício tem precisamente o objectivo de fundamentar, ou não, percepções - sobretudo as minhas.

Aqui ficam alguns apontamentos específicos:


Sapunaru – O seu rendimento não é fantástico, mas é talvez o jogador que melhor espelha o rigor de Villas Boas. Tem uma % de passe elevada e não acumulou nenhuma perda, apesar de não ser um jogador tecnicamente forte. Porquê? O enfoque na lucidez de decisão.

Nuno André Coelho
– É o jogador, entre todos, que mais intercepções faz por jogo - aqui vemos o seu potencial. É o defesa com mais perdas de bola por jogo - aqui vemos como precisa de ser “calibrado”.

Fernando – Confesso que me surpreende um pouco o seu número de intercepções, que esperava ser mais alto. Veremos se se torna mais influente com o tempo.


Maniche – Será, seguramente, o caso mais claro da falta de rigor nas análises que são feitas. É o jogador com mais passes completados e o médio ofensivo com mais intercepções e melhor % de passe. Não se pode pedir que seja mais influente, intenso ou regular. E, no entanto, não faltam opiniões de que “está velho” e que não "dá intensidade" ao meio campo. Não sei se terá motivação para durar toda a época, mas, para já, Maniche é o melhor jogador do Sporting e um dos “craques” do campeonato.

Aimar – Os problemas do Benfica reflectem-se no seu desempenho. Ser, entre todos, o jogador que mais perdas de bola, é uma constatação chocante para a qualidade que se lhe reconhece. Mas esse dado – as perdas de bola – é precisamente aquele que mais contribuiu para o atraso pontual do Benfica na Liga.

Saviola – Apesar de não marcar, é o melhor dos avançados. Não espanta. É aquele que se envolve mais e que mais cria. Não está a fazer uma época excepcional, mas continua a ser um elemento fundamental e preponderante.

Pontas-de-lança – Há um dado comum entre Liedson, Falcao e Cardozo. A pouca participação. Quem julgo ter mais responsabilidade própria – como já várias vezes referi – é Cardozo. No caso de Falcao, há um aumento de participação, mas o jogador continua sem conseguir vincar em campo a qualidade que obviamente tem. No caso de Liedson, há também o erro de o prender em demasia ao centro, quando sempre foi determinante como avançado móvel. Um contra senso. Ainda assim, Liedson é exageradamente criticado. Primeiro, por esse erro na sua utilização, depois porque, mesmo assim, comparativamente com os rivais (Falcao e Cardozo), não deixou a equipa a perder nestes primeiros 5 jogos.



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1.9.10

Naval - Sporting: Análise e números

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A confirmar-se a sua volatilidade recente, não é provável que Paulo Sérgio se agarre muito àquilo que aconteceu na Figueira. A verdade é que provavelmente devia. É utópico pensar que alguns dos problemas da equipa se terão evaporado subitamente e muito do seu eclipse episódico se explica naquilo que a Naval não foi capaz de fazer. Ainda assim, o losango trouxe a exibição mais consistente da temporada, alicerçada num crescimento significativo do rendimento individual de muitos jogadores.

Notas colectivas
Há dias confessei acreditar que esta era uma equipa individualmente superior àquela que o Sporting tinha há 1 ano e que se Paulo Bento a tivesse tido nessa altura dificilmente teria deixado Alvalade da forma que deixou. Ora, na Figueira tivemos um bom teste prático para essa hipótese teórica, com muito do que a equipa fez a aproximar-se da filosofia implementada por Bento. E a verdade é que se deu muito bem.

O domínio leonino foi alicerçado numa boa intensidade de todos os jogadores, valendo uma rápida presença nas zonas da bola e também representando uma mais valia na disputa de lances divididos. As dimensões do campo não são, aliás, um pormenor a menosprezar na análise do jogo. Nestas condições é sempre importante ser mais forte nas bolas divididas e na resposta a iniciativas mais directas, que acabam sempre por acontecer. Depois – e também tem a ver com a dimensão – é importante saber distinguir bem os momentos em que dá para circular e aqueles em que o risco não deve ser assumido. Em todos estes patamares o Sporting esteve bem e, sobretudo, sempre muito melhor do que a Naval. Aliás, uma das dúvidas que me fica é que resposta dará a equipa neste modelo, mas num campo maior. Sobretudo em termos defensivos, creio que há problemas que poderão ser mais vezes expostos. Mas isso só poderemos confirmar, se a fórmula for repetida noutras condições.

Importa também falar de outro aspecto que tem a ver com a dinâmica das alas. O Sporting tem tido alguns problemas na protecção dos flancos. Jogando em 4-4-2 ou 4-2-3-1, como vem sendo hábito, a equipa tem sempre 2 alas muito ofensivos e o meio campo, com apenas 2 jogadores, tem dificuldade para auxiliar a tempo a cobertura dos flancos. Este problema foi muito visível na Mata Real, mas tem sido um denominador comum na temporada e um dos problemas da equipa. Ora, este losango apresentou maior consistência nesse âmbito porque, apesar dos laterais serem muito ofensivos, havia 3 médios com responsabilidades mais posicionais, o que facilitava a compensação nos flancos. Mais uma vez, um jogo não chega para tirar conclusões, mas esta dinâmica foi bastante interessante, e mais interessante poderá ser com João Pereira, por exemplo.

Se tudo isto funcionou em termos colectivos, muita da explicação da subida de rendimento tem de vir da componente individual...

Notas individuais
De facto, num só jogo houve vários jogadores a conseguir os níveis exibicionais mais elevados da temporada, e isso não pode ser dissociado da estrutura e do modelo adoptados.

Primeiro, Liedson. De facto, foi outro jogador com alguém ao lado. Tem andado distante do seu nível de rendimento noutras temporadas, mas com o losango voltou o melhor Liedson. Muito participativo, conseguindo estar presente em todos os momentos da equipa e sendo uma mais valia para o colectivo pela abrangência das suas acções. Foi decisivo, e isso é obviamente importante, mas não é esse dado que deve ser mais relevado na sua exibição. Fica claro, nesta estrutura Paulo Sérgio ganha outro jogador na frente.

Depois Maniche. Passou mais ou menos em claro aquilo que fez no jogo, mas Maniche fez um jogo enorme na Figueira. É impressionante a sua capacidade de presença, a leitura rápida que faz do jogo e a capacidade de execução que tem ao nível do passe. Ter este Maniche é ter um jogador ao mais alto nível mundial. E ainda faltam os desequilíbrios que sabemos que é capaz de criar! Não sei se o critério da sua não convocação foi técnico, mas se foi, alguém anda a fazer mal o seu trabalho...

De resto, quase toda a equipa, do meio campo para a frente, esteve em níveis máximos de temporada. Um destaque particular para os efeitos que a estrutura teve em Yannick e Valdes. Yannick, porque, um pouco como Liedson, é neste figurino que se sente melhor e que as suas qualidades são melhor potenciadas. Quanto a Valdes fez o jogo mais completo desde que chegou. Finalmente foi um jogador total, para todos os momentos e não apenas um ala à espera que a bola lhe chegasse ao pé. Assim sim, pode ser uma mais valia.

Como nota negativa, e um dia após ter atingido o ponto máximo da sua carreira, Nuno André Coelho. Talvez a convocatória o tenha afectado, mas esteve algo displicente no passe, acumulando 3 perdas evitáveis. Ao seu lado, Carriço esteve bem melhor.



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27.4.10

Cardozo, Falcao e Liedson: a jornada dos goleadores

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A julgar pela necessidade de emparelhar todos os jogos da penúltima jornada num mesmo espaço temporal, dir-se-ia que este é um campeonato completamente em aberto. Puro engano. De tal forma as decisões estão por um fio, que o mais provável é nada estar por decidir na última ronda. Nada, excepto o pouco relevante duelo sobre o título de melhor marcador. Não é sobre a contabilidade de golos que quero falar, já que essa fala por si mesma, mas sobre os 3 melhores marcadores da prova, utilizando como ponto de partida os seus dados individuais da jornada.

Seguramente com algum exagero, os números da jornada dizem muito do que tem sido a prova dos próprios goleadores. Em particular, creio que mostram que o número de golos está longe de dizer tudo e que por vezes ele pode ser muito mais o produto de circunstâncias colectivas do que de um grande mérito individual. É o caso de Cardozo. O paraguaio é o mais provável vencedor do título de melhor marcador, mas, um pouco como na jornada 28 (onde actuou fisicamente limitado), o número de golos de Cardozo está longe de fazer dele o melhor 9 da liga. Pelo menos na minha leitura.

Entre os 3, claramente Falcao é aquele que mais se tem destacado e aquele que melhor avaliação merece. Ganhe ou não a competição de golos. O colombiano partilha com Liedson algumas características que os distinguem de Cardozo em termos de perfil. Em particular, a intensidade com que se apresentam constantemente ao jogo. Este aspecto, e apesar da finura técnica do paraguaio, torna-os menos dependentes dos golos para que o seu contríbuto seja, ainda assim, apreciável.



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2.3.10

O impacto de Liedson!

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Não marcou, mas isso é apenas um pormenor. O porquê de ser um jogador invulgarmente decisivo nos clássicos ficou, de novo, patente no relvado de Alvalade. Um jogo territorialmente equilibrado, disputado sobretudo nas zonas centrais do terreno, mas Liedson, foi, para além do mais rematador, quem mais faltas fez e sofreu. Porquê isto num avançado? Porque Liedson não é um avançado vulgar. É um agitador nato, que não precisa que o jogo vá ter com ele, mas que o chama e arrasta para si. Por isso, e pela espantosa capacidade para manter uma intensidade altíssima em cada uma das jogadas, torna-se num terror para qualquer defensor. E não é difícil lembrar quantos já sofreram com ele! Arrasta-os para zonas desconfortáveis e obriga-os a estar sistematicamente em jogo. Não ganha todos os duelos, e seguramente perde muitos, mas, sabe-se, basta-lhe ganhar alguns para ter um impacto enorme no jogo. E que impacto tem ele!

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17.2.10

Everton - Sporting: Cambaleou... mas não caiu!

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O golo, resgatado já perto do final, não faz do desfecho, um bom resultado. Ainda assim, e isso é claro, deixa tudo em aberto para mais 90 minutos de futebol. Para o caso em questão, no entanto, o 2-1 sabe quase a vitória tal o cenário que chegou a pairar sobre Goodison Park. Terá sido o Sporting assim tão inferior? A resposta não pode ser tão linear. É que se em ¾ do campo se revelou mais do que suficiente para a “encomenda”, lá atrás confirmou ser uma equipa totalmente à deriva. Foi isso que custou o jogo ao Sporting e é isso que coloca grandes reticências sobre a capacidade de suster o Everton no segundo jogo. Para já, e de novo muito graças a Liedson, dá para acreditar...

O elo mais fraco
Abordar o jogo com apenas um avançado como Liedson e 5 médios como os que alinharam, implicava uma postura diferente daquela que é tipica nestes confrontos. Ou seja, seria impossível ser forte na profundidade e o objectivo teria sempre de passar por um domínio da bola. Não se pode dizer que a intenção tenha sido absolutamente conseguida, mas não foi esse o grande problema do Sporting, e aquele que quase deitou tudo a perder. A questão – que é também aquela que faz baixar o patamar de rendimento deste Sporting – tem a ver com a sua fiabilidade no último terço. Ou falta dela. Talvez volte a este aspecto fulcral da “era” Carvalhal com mais pormenor, mas para já basta dizer que o Sporting começa a cair pela rectaguarda e que é essa fragilidade que impede a equipa de, noutros planos, traduzir a boa evolução que foi conseguida. Foi assim, de novo. Repetidamente incapaz de jogar com o fora de jogo e, depois, abanando em tudo o que é bola aérea, o Sporting sofreu os seus golos e mergulhou em novo período de depressão antes de resgatar o tal golo da esperança, quando até já nada o fazia esperar.

As substituições
Tenho abordado bastante este tema nos últimos tempos. Já referi que não concordo com a forma como são vulgarmente encaradas as substituições e que as vejo sobretudo como ferramentas emocionais. Outra opinião que também já reforcei é que se a intenção for mudar tacticamente, penso que o melhor é fazê-lo de uma só vez. Dito isto, tenho de concordar com o que fez Carvalhal. O único reparo, e começo por aqui, é o “timing”. Creio que se justificava a alteração uns bons minutos antes. E por 2 motivos. Primeiro, e talvez mais importante, pelo aspecto emocional. A equipa entrara sem reacção no segundo tempo, atravessando o seu pior período no jogo. Alterar seria uma forma de tentar passar uma mensagem diferente para dentro do campo, como, aliás, acabaria por acontecer. Depois, tacticamente, também não tinha sido preciso esperar pelo minuto 66 para perceber que o Sporting precisava de mais profundidade e presença no último terço. De resto, concordo com a dupla alteração e com o facto de, depois disso, não ter caído na tentação de mudar só por mudar. Se a equipa estava a reagir bem, não havia motivo para alterar e foi isso que Carvalhal, bem, não fez.

Liedson e Saleiro
Começo pelo primeiro. Esteve sempre móvel, incansável na criação de soluções de passe, e bastante bem no de apoio à construção. Sem bola, trabalhou sempre, como poucos. No entanto, praticamente não teve ocasiões, jogando sem par na frente, como já assumiu não gostar. A determinado ponto parecia estar frustrado, reclamando e gesticulando com algumas decisões dos colegas. Podia pensar-se que tinha desistido... não! A verdade é que nunca desiste, está sempre dentro do jogo, pleno de reactividade e intensidade, do primeiro ao último minuto. E isso, mais uma vez, valeu enormidades. Não sei como será no balneário ou no banco de suplentes. Dentro do campo, que é o que realmente interessa, Liedson é um dos melhores exemplos que se pode encontrar no futebol.

Sobre Saleiro, importa reforçar a boa forma como se tem afirmado, jogando muitas vezes longe da zona central, mas fazendo valer, com personalidade, as suas melhores características. Boa movimentação, recepção e passe. O problema é o resto, e sem o resto nunca Saleiro se afirmará ao nível que seguramente pretende. Um pormenor que já ficara claro é a incapacidade de ser solução na profundidade, sobretudo devido à sua falta de aceleração e velocidade. Em Goodison Park, no entanto, foi outro aspecto que veio ao de cima. Um avançado, que quer jogar em zonas de finalização, tem de se saber movimentar por antecipação. É isso que define os grandes jogadores de área, muito mais do que a capacidade física ou mesmo o primor de execução. Não é nada abonatório para um 9 perder lances – mais do que um, por sinal – em que, tendo a posição ganha, vê os defensores a antecipar, eles próprios, o destino das jogadas.



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19.1.10

Avançados na jornada: Falcao, Liedson, Roberto e Cardozo

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Falcao – Na primeira jornada, referi que o golo de cabeça que marcara seria o primeiro de muitos. Talvez fosse uma afirmação estranha para um ponta de lança de pouca estatura, mas, conhecendo-o, não poderia duvidar do impacto que teria nesse particular. A verdade é que, apesar de nem sempre revelar uma eficácia ideal, Falcao vem-se afirmando como um verdadeiro terror de área. Um jogador combativo e ágil, mas que se destaca sobretudo pela capacidade e qualidade com que se movimenta na zona de finalização e, em especial, como se antecipa aos defensores.
Frente ao Paços foi impressionante o número de lances que ganhou na área e, num deles, marcou mesmo. Destaque, mais uma vez, para a leitura que faz dos espaços, antecipando a possibilidade de atacar o primeiro poste, aproveitando a má colocação do defensor. Por tudo isto, Falcao é e continuará a ser um goleador furtivo.

Liedson – Ele está de volta e, como escrevi ontem, penso poder estar no inicio de uma óptima fase a nível pessoal. O segundo golo que marcou é sintomático, não só do porquê deste meu palpite, como também do porquê do próprio jogador se sentir melhor em sistemas de 2 avançados. É que se Liedson é reconhecidamente um jogador forte na área, é-o especialmente quando pode, primeiro, sair fora dela e só depois atacar a zona de finalização. O motivo é simples. O “levezinho” não é um jogador que facilmente consiga ganhar vantagem se estiver parado entre os “gigantes”. Por outro lado, se retirar a referência de marcação e puder obrigar os defesas a reagir em movimento, aí, raramente levará a pior. Sobre o golo, talvez não seja a finalização mais admirável do ponto de vista estético, mas reagir a um lance em movimento e finalizar (não desviar!) de primeira, estando a meio da trajectória entre o cruzamento e a baliza... não é para todos!

Roberto – A sua carreira não lhe permitirá outros voos, mas Roberto estará seguramente entre os avançados mais completos em termos aéreos dentro do futebol nacional e só se estranha que tenha chagado a este nível tão tardiamente. Utilizo o termo “completo” porque combina 2 virtudes que poucos conseguem combinar. Ou seja, a elevada estatura (1,88m) e uma movimentação sagaz dentro da área. O lance que trago não tem o melhor desfecho e talvez reflicta o aspecto onde o jogador é menos forte em termos aéreos – o gesto técnico – mas o quero destacar é o movimento do jogador. O seu posicionamento nas costas dos defesas é fundamental, permitindo-lhe ter uma perspectiva completa do lance. Ou seja, pode ver não só o momento em que a bola vai partir como também controlar o limite do fora de jogo. Ou seja, em vez de engolir o “veneno” da defesa (o fora de jogo), é ele quem o dá a provar.
Nota, no lance, para o facto decisivo do cruzamento surgir sem pressão. Uma defesa em linha só pode funcionar quando o portador da bola é permanentemente pressionado e, caso isso não aconteça, a única solução é a defesa antecipar, ela própria, o passe e avançar. Caso contrário, abre-se a oportunidade para que seja o avançado a fazê-lo.

Cardozo – Ao contrário dos casos anteriores, o destaque para Cardozo não tem a ver com movimentos de finalização, antes sim com a curiosidade do lance que deu inicio à goleada no Funchal. 3 toques do paraguaio. O primeiro, uma conclusão fácil, roça o péssimo e o segundo, com o guarda redes praticamente imóvel, não é melhor. No final de tanta mediocridade, eis que surge um passe preciso e a denotar grande visão num momento de óbvia pressão. É claro que não é difícil perceber este contraste em Óscar Cardozo. O seu sublime pé esquerdo contrasta quase em absoluto com a vulgaridade do outro que o acompanha. Por isso, o rendimento do “Tacuara” também pode variar enormemente de lance para lance.


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