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15.3.11

Champions, Sporting e Porto (Breves)

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- Na Baviera, aconteceu seguramente um dos jogos do ano. Surpresa? Não se pode falar de tal coisa a este nível, mas é verdade que o Bayern sempre pareceu mais capaz de levar a melhor. Aliás, o grande ponto de interesse deste jogo é, precisamente, a forma como os alemães deixaram fugir uma eliminatória que tiveram no bolso. Falta de confiança pelo momento interno? É verdade que, noutro contexto emocional, o Bayern teria tudo para “matar” a questão, primeiro, e não tremer tanto, depois. Mas – e não é a primeira vez que noto – há várias equipas de topo no futebol europeu que revelam dificuldades em jogar com situações e resultados favoráveis, por serem incapazes de ajustar ritmos e critérios na sua abordagem. Curioso, porque deveria haver maior capacidade nesse plano...

- Entretanto, não se podia pedir mais animação do que aquela que o processo eleitoral do Sporting nos tem oferecido. É curioso: nem o sucesso continuado do Porto, nem a recente melhoria do Benfica resultam de um “click” de investimento ou capacidade aquisitiva. Qualquer análise lúcida teria de concluir que o orçamento é uma condição necessária, sim, mas que está também muito longe de ser suficiente para ser melhor do que os outros. O que se vê, porém, é uma quase obsessão dos candidatos por milhões e tubarões. E – não me interpretem mal! – eles saberão bem o que lhes valerá mais votos e simpatia. O ponto é que se a democracia é, seguramente, a menos errada das soluções, está também longe de ser um sistema perfeito no que respeita à lucidez das orientações. A pior notícia, claro, é que não são precisas as eleições do Sporting para que tenhamos essa realidade bem presente.

- Por falta de tempo, não deixei aqui a análise ao jogo do Porto em Leiria. Fica prometida uma análise mais abrangente nas próximas horas sobre o trajecto da equipa, mas deixo também alguns pontos sobre o jogo.
  • Lamentável abordagem estratégica do Leiria. Não por ser muito defensiva, mas por revelar uma interpretação demasiado limitada.
  • Grande qualidade – outra vez! – do jogo do Porto em posse. Tanto na circulação, como na reacção à perda.
  • Individualmente, destaques para Belluschi, Moutinho, Guarin, Fucile e James. Por esta ordem.
  • Alguns dados estatísticos, algo diferentes do que é comum, mas que dizem bem da matriz, tanto deste jogo, como daquilo que idealiza a filosofia de jogo deste Porto de Villas Boas: representatividade do ataque posicional – 86% dos passes; 14 das 23 finalizações; 5 dos 6 desequilíbrios ofensivos.

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28.8.10

Breves do mercado e da Supertaça Europeia

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- A última Sexta Feira do mês de Agosto, cumpriu com a expectativa e trouxe várias novidades no mercado. O sinal dominante? A perda de vitalidade do próprio mercado. Tonel na Croácia(!!), depois de há pouco tempo ter sido cobiçado pelo Rangers. Meireles no Liverpool por "apenas" 13 milhões. Entre Porto e Sporting, um dado comum: ambos terão baixado significativamente as fasquias para colocar os jogadores. O Porto, provavelmente, porque este era o momento único para o encaixe. O Sporting porque precisava de "salvar" o orçamento salarial (não se iludam pelo "custo zero", entre Pongolle, Tonel e Stojkovic, o Sporting deixa de pagar alguns milhões de euros este ano).

- Como complemento do que escrevi antes, acrescento que nunca percebi bem - ou melhor, perceber, até percebo - como tantos jogadores valem tanto dinheiro. Numa perspectiva de mercado, de oferta e procura, não faz, nem nunca fez, sentido. Talvez estejamos apenas no inicio de uma mudança significativa. Talvez... mas só se tiver mesmo de ser, porque haverá muitas - mas mesmo muitas! - resistências a uma mudança de cultura de investimento. Já agora, uma pergunta para quem souber encontrar uma boa lógica: que sentido faz um jogador mediano valer mais que um bom treinador?!

- Noutro âmbito, Quique voltou a vencer na Europa. Terá sido mesmo uma surpresa? Se foi, foi muito pequena. Já agora, qual é a diferença significativa, tacticamente, entre Quique e Benitez? Ou Juande Ramos? Ou Valverde? Parecem todos cópias uns dos outros. Espero para ver, mas suspeito que o 4-4-2 clássico de Benitez vai ser muito bem recebido em terras italianas...

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1.6.10

Mourinho: Como ser especial em Madrid?

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Quando há 2 anos foi para o Inter, e mais concretamente para Itália, escrevi que seria um “passo errado”. Não o foi pela forma como acabou e pelo “objectivo Champions”, mas o retrocesso que representa, nos dias de hoje, ir de Inglaterra para Itália foi provado nas declarações do próprio. Segue-se Madrid e, de novo, a opção me parece questionável. Percebe-se dentro das ambições e metas pessoais do próprio, mas também se levantam novos riscos nesta etapa. É difícil dizer que serão maiores do que na etapa anterior, mas este será, seguramente, um enorme desafio para Mourinho.

Como pode ser “especial”?
“Special One” foi o rótulo com que ficou e, pode dizer-se, não poderia ser mais ajustado. Especial no Porto por motivos óbvios. Especial no Chelsea por devolver o domínio interno 50 anos depois. Especial no Inter por devolver o título europeu 45 anos depois. Gerações e gerações de adeptos em todos estes clubes nunca haviam presenciado tamanhos feitos e, por isso, para todos eles, Mourinho é realmente “especial”.

E no Real? Como poderá ser “especial”? 9 Taças Europeias, a última das quais há 10 anos e um número infindável de títulos internos. Vários treinadores foram bem sucedidos em Madrid e nenhum deles ficou como “especial”. Não vejo como Mourinho poderá evocar feitos que o tornem “especial” em Madrid. A sua motivação é agora outra. Mourinho quer ser “especial” para o mundo. O primeiro a vencer as 3 ligas e o primeiro a ser campeão europeu em 3 casas diferentes.

Pressão, pressão, pressão
Pressão é algo a que parece estar imune, mas será capaz de passar no barómetro do Barnabéu? Por motivos conjunturais e estruturais não há lugar mais difícil.

Conjunturais porque no mesmo campeonato mora a melhor equipa do mundo e que dificilmente deixará de ser de um dia para o outro. Para Mourinho vencer internamente será por si só um feito enorme dentro desta conjuntura. O problema é que, em Madrid, isso poderá até nem ser suficiente.

E aqui chegamos aos motivos estruturais. Madrid é, por tradição, um local de pouca paciência para treinadores. Mesmo os que ganham, mesmo os mais consagrados. Ao obstáculo Barcelona, Mourinho terá de acrescentar um cronómetro. Os seus 4 anos de contrato são tudo menos uma garantia. Aliás, ganhando ou não, o prognóstico mais fácil de fazer é que Mourinho não os cumprirá na totalidade.



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26.5.10

As jogadas que definiram o campeão

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Se o jogo se define nos pormenores, bem se pode dizer que foi nestas jogadas que o Inter se fez campeão. Nem todas resultaram em golo - aqui é que entra a tão famosa eficácia - mas nelas se criaram as melhores oportunidades para chegar ao golo. O ponto da análise, porém, está em perceber os detalhes tácticos que podem ter ajudado a marcar a diferença. Ao pormenor fica fácil perceber que se o Bayern perdeu o título muito se deve a algumas insuficiências defensivas que Milito acabou por penalizar. Porque o vídeo pretende ser auto-explicativo, fico-me por aqui...

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25.5.10

Inter - Bayern: A final em números

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A bola ou o espaço? Talvez este seja o grande dilema de uma qualquer estratégia. Ter a bola implica poder atacar mais, mas ter mais espaço implica atacar melhor. Da final não esperava outra coisa que não fosse a importância do detalhe sobre o domínio. Assim foi. Mais surpreendente, porém, terá sido a forma clara como as estratégias se radicalizaram. Bola para o Bayern, espaço para o Inter. A vitória do Inter não era – de forma nenhuma – inevitável, mas terá ficado mais próxima pela forma algo “naive” como o Bayern se expôs no campo. Foi isso que vimos e é isso que encontramos, também, nos números. É claro que para explicar a história do jogo não se pode evitar um nome: Diego Milito!

“Domínio consentido”, por José Mourinho
É uma expressão vulgarmente repetida no futebol, mas nem sempre com a mais correcta das aplicabilidades. Realmente, não será muito fácil encontrar um exemplo tão claro do que é “domínio consentido” como aquele que tivemos na final de Madrid. E não foi preciso esperar pelo primeiro golo. O Inter consentiu, de facto, o domínio ao Bayern e os alemães tiveram uma enorme superioridade ao nível do passe e da respectiva percentagem. O que se observa, porém, é que essa superioridade apenas acontece nos jogadores que participam na primeira fase ofensiva. Mais à frente, os avançados participaram mesmo menos do que os do Inter e tiveram percentagens de passe igualmente inferiores. Se juntarmos a isto, o maior número de desequilíbrios ofensivos, então temos verdadeiramente um exemplo de “domínio consentido”.

Milito: O “Príncipe” foi Rei absolutista
Nem era preciso recorrer aos golos. Milito foi peça fundamental da estratégia do Inter, o porquê de ser mais importante ter o espaço do que a bola. De facto, embora isolado na frente, Milito teve uma participação muito considerável e bem superior a qualquer avançado do Bayern. Isto, apesar da diferença de participação colectiva ser quase escandalosamente favorável aos bávaros. Mas mais do que a participação, Milito tem a seu favor a qualidade incrível das suas intervenções. Participou em todos os desequilíbrios ofensivos da sua equipa, não acumulou qualquer perda de bola e teve uma eficácia de passe superior à média da equipa. Isto – e reforço a ideia – apesar de jogar sozinho na frente.



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24.5.10

Mourinho: Ficção em carne e osso

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Não gera simpatia, nem se pode dizer que faça muitos amigos por onde passa. Serve-se simplesmente da sua competência para, caso após caso, conquistar o respeito e admiração de todos. Poderia estar a falar de Sherlock Holmes ou Dr.House, mas este é um caso bem real. A carreira de Mourinho volta a confundir-se com uma obra de ficção, numa sucessão de exemplos suficientes para espantar o acaso e tornar o treinador numa espécie de herói de carne e osso. E esse é o seu maior feito... pelo menos para já.

Os seus rasgos de heroísmo deixaram marcas em todos os países por onde passou e, por via disso, Mourinho será já um caso sem paralelo de misticismo e popularidade na História dos treinadores do jogo. Resta-lhe agora olhar para os factos e provar que é também capaz de se tornar o mais vencedor de todos. Afinal, já não falta tanto quanto isso...

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18.5.10

O fantasma no caminho de Mourinho

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Um milionário que procura o líder que lhe possa dar, finalmente, o retorno desportivo que o seu investimento ambicionava. A escolha recai sobre um treinador conhecido pelo seu carácter desafiante e métodos revolucionários. Tanto um como outro são protagonistas possíveis desta história, mas a verdade é que este pode ser apenas o inicio dos vários paralelismos entre Herrera e Mourinho. Helénio Herrera, um treinador mítico para o futebol mundial e um autêntico “fantasma” para todos os seus sucessores nos “nerazzurri”. É por isso que para muitos, mais do que Van Gaal e o Bayern, Inter e Mourinho terão pela frente o “fantasma” de Herrera.

Geralmente é retratado simplesmente como o percursor do “Catenaccio”. Na verdade, porém, esse será o crédito menos merecido pelo misterioso argentino. Herrera não inventou o “Catenaccio”, nem sequer terá sido o seu mais fiél intérprete. Terá, isso sim, adoptado algumas filosofias dessa escola que nasceu em Itália uns bons anos, sequer, da chegada do técnico ao Inter.

Mas, se o “Catenaccio” não é uma criação sua, Herrera tem uma número espantoso de especificidades que são, de facto, a justificação de todo o misticismo em relação à sua figura. Conjuntamente com os títulos, claro. Aqui fica uma lista de curiosidades que ajudam a distinguir Herrera como um dos maiores treinadores de sempre.

O aspecto mental: “pensa rápido, age rápido, joga rápido”. A frase é do próprio, e se nos podemos focar na repetida palavra “rápido”, também devemos ter em conta que tudo começa no “pensa”. De facto, muito à frente do tempo, Herrera deu uma importância elevada à componente mental como factor essencial no desempenho das suas equipas e jogadores.

Os espaços: “criar espaços. No futebol como na vida, na pintura ou na música. Espaços livres e silêncios são tão importantes como aqueles que estão preenchidos.” Sinteticamente, a evolução táctica do jogo pode ser resumida a uma compreensão evolutiva da forma de lidar com os espaços. É neste contexto que Herrera é, também ele, uma parte desse trajecto. Antes do ‘Futebol total’ ou da ‘Zona pressionante’, Herrera já antecipava, também ele, a importância de uma nova maneira de pensar os espaços.

Atitude: “Ataca a bola” ou “Lutar ou jogar? Lutar e jogar!”. A atitude sempre foi e sempre será um condimento fundamental para o sucesso. A necessidade de incentivar e motivar constantemente os seus jogadores para uma atitude de grande intensidade nos jogos, foi também uma das traves mestras da filosofia de Herrera.

Treino: Estávamos ainda longe dos tempos da periodização táctica, mas, espantosamente, os relatos da filosofia de treino de Herrera, em plena década de 60, apontam já para a importância de ter a bola sempre presente.

Preparação: Viagens loucas para ver adversários e informadores espalhados por toda a Europa. A obsessão do conhecimento dos adversários num tempo em que as distâncias eram, na prática, muito maiores do que as de hoje, necessitava de métodos arrojados. Muitas vezes eles implicavam sacrifícios, mas nada que parecesse tirar o entusiasmo a Herrera. Também no campo da preparação física e dieta dos jogadores, o argentino era implacável. Bem à frente do seu tempo.

Carácter: “O que seria do futebol sem mim?” Podem ser muitos os pontos onde Herrera se distinguiu do ponto de vista técnico, mas dificilmente algo superará a especificidade do seu carácter. As suas intervenções públicas sempre provocaram reacções e muitos foram os conflitos que manteve com outros protagonistas. Entre todas as características, poucas superarão a arrogância que tantas vezes evidenciou. Para além de se auto afirmar como um “guru” do futebol moderno, Herrera acreditava mesmo ter uma falange de adeptos que lhe eram exclusivamente fieis. Essa foi uma teoria que defendeu aquando da sua passagem pela Roma, onde afirmou que muitos dos que outrora eram adeptos do Inter, torciam agora, e por sua causa, pela equipa da capital.

As restantes partes do documentário:
- Parte 2
- Parte 3
- Parte 4
- Parte 5
- Parte 6



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7.5.10

As probabilidades do título...

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Semana decisiva em Portugal e nos vários campeonatos europeus. Campeões em aberto, sim, mas quanto realmente há por jogar? A resposta, objectivamente, só os “especialistas de segunda feira” poderão responder. Acertar sempre foi com eles. Como eles estarão fechados até ao final do fim de semana, resta-nos fazer contas que, tristemente, não podem resultar me mais do que percentagens. Aqui, sigo a doutrina das tão populares agências de rating e distancio-me de opiniões pessoais para confiar apenas naqueles que mais motivos têm para não se deixar levar pelas emoções. As casas de apostas, claro. Toda a fé é legítima e a partir daqui cada um acredita no quiser...

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29.4.10

Barcelona - Inter: Tudo isto é futebol

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O interesse do jogo do ponto de vista técnico-táctico ficou reduzido praticamente à nulidade. O mesmo que tem um treino exaustivo de organização ofensiva. Mas terá esse facto feito alguém mudar de canal? Provavelmente não. Este é o primeiro dos outros pontos de interesse deste jogo, e aquele que quero começar por destacar. Pode-se falar de muitas coisas para explicar o fenómeno do futebol, mas o principal, a meu ver, está espelhado neste jogo. Apesar do desinteresse técnico do jogo, a ansiedade e incerteza estiveram sempre presentes. Pode-se apreciar muito o futebol pela sua componente estética, mas quando se diz que o que as pessoas querem é espectáculo, está-se a cometer um grave erro. O que as pessoas querem é emoção, o espectáculo é só a sobremesa.

Em Barcelona a confirmação, em Milão a definição
Guardiola avisou, mas o Barcelona não evitou a armadilha. A dificuldade factual dos campeões europeus se repetirem terá muito a ver com a perda de intensidade destes na edição seguinte. Pois bem, se o Barça não foi capaz de virar a desvantagem no Camp Nou, não é para esse jogo que tem de olhar na hora de avaliar o porquê da eliminação. O Barça teve tudo para bater o Inter. Conseguiu o golo que lhe dava vantagem e com um nível de concentração idêntico ao do seu adversário nunca teria entrado com uma desvantagem de 2 golos na segunda mão. Não foi assim e o crédito deve ser dado ao Inter pelo feito fantástico de eliminar a melhor equipa do nosso tempo.

Filosofia extrema: da coerência à utilidade
O Barça venceu o jogo, mas se o dominou em absoluto também é verdade que mais facilmente este tinha acabado com um nulo do que com 2-0. Pelo menos a avaliar pelo número reduzidíssimo de oportunidades que os catalães tiveram no jogo e, em particular, na segunda parte. Aqui creio que se justifica a discussão. Não a discussão sobre a coerência da opção de Guardiola, de jogar sempre, de nunca forçar um jogo físico na área. Mas a discussão sobre se essa é realmente a melhor solução em situações como a que foi criada. Que outra equipa no mundo teria abdicado de um jogador como Ibrahimovic a meio de um jogo destes? Nenhuma. Qualquer outra teria utilizado o poderio do sueco no jogo aéreo para forçar o Inter a defender dentro da sua área, para criar uma sequência de segundas bolas que inevitavelmente teria resultado em muito mais finalizações do que aquelas que o Barça conseguiu. Concordo com a coerência de Guardiola, mas tenho dúvidas sobre se um filosofia tão extrema será a melhor solução, numa equipa com potencial para variar os recursos.

Futebol não é estética
Sobre o feito de Mourinho – de novo histórico – importa realçar a dimensão que lhe dá a chegada à final “via Barcelona”. É, em si mesmo, tão significativo como o feito da própria final. Haverá quem retire mérito ao Inter pelo jogo que assumiu. Pela sua falta de estética. Mas futebol não é estética. O próprio Guardiola o percebe quando afirma que a sua equipa só será a “melhor de sempre” quando superar os registos de vitórias dos melhores do passado. Futebol é um jogo e tem um objectivo: ganhar. O mérito do Barcelona é a qualidade absurda do estilo que assume e não a estética do mesmo. O mérito do Inter foi, também, a qualidade que apresentou dentro do estilo que escolheu. Com mais de 100 anos de jogo, era tempo de nos deixarmos de sofismas...



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22.4.10

Inter – Barcelona: Qualidade, estilo e identidade

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A noite não serviu para por em causa a excelência do futebol ‘blaugrana’. Um jogo pode ser suficiente para definir títulos e campeões, mas nem de perto chega para beliscar o estatuto que este Barça fez por merecer. Mas a noite trouxe-nos, sim senhor, alguns ensinamentos. Um balde de água fria na confusão entre estilo e qualidade. Porque a qualidade não se garante pela estética do estilo, por muito apelativa que ela seja. E porque é possível ter qualidade sob diferentes estilos. Talvez mais importante ainda, porém, seja a conclusão que o próprio Inter poderá retirar das duas recepções aos campeões europeus. Na primeira, desafiou o Barça no seu próprio estilo, numa altura em que o Inter tentava a sua própria mutação estética. Mas a superação e a excelência qualitativa apenas chegaram quando, em vez da estética, o Inter privilegiou a sua própria identidade na busca de um estilo. E esse é o ensinamento maior deste jogo: o melhor estilo define-se pela identidade e não pela estética.

Os números não mentem. O Barcelona foi, em San Siro, a equipa de sempre. Muito mais bola, muito mais passes, num registo de grande qualidade que normalmente chega para levar a melhor sobre os adversários. A verdade é que não chegou para ser melhor. E não chegou porque o Inter percebeu sempre que, não podendo discutir o jogo pela posse, era importante não dar ao Barça os argumentos que normalmente utiliza. Ou seja, a posse é apenas um meio para a equipa conseguir aplicar as armas que realmente ditam o fim dos adversários. A capacidade de desequilíbrio e o pressing asfixiante em zonas altas. Assim, o Inter percebeu que o importante não era discutir o indiscutível, mas sim garantir o essencial. Ou seja, privilegiar a protecção dos espaços importantes, não permitir transições e actuar, ele próprio, no erro do adversário. Na profundidade e na característica dos seus avançados.

E, de novo, os números não mentem. O sucesso do Inter não se mede na posse de bola nem nos passes que realizou. Não era essa a sua causa. Mede-se, isso sim, nas perdas e nos desequilíbrios. Foi isso que distinguiu as duas equipas e foi isso que, realmente, definiu a maior qualidade do Inter no jogo. Não estética, qualidade.

Intensidade: o segredo dos campeões
Para explicar o sucesso falta falar de um último, mas essencial, ponto. A intensidade. Em todo o jogo houve uma diferença de concentração e reactividade que se provou decisiva. Vista e provada na forma como Sneijder cobrou rapidamente o livre que iniciou a jogada do primeiro golo, e atacou a área sem acompanhamento. Na forma como Pandev aproveitou a perda de Messi para explodir em transição. Na forma como Maicon chegou primeiro à zona de finalização nesse segundo golo. Na forma como Motta antecipou o passe de Messi (outra vez ele!) e transformou uma transição contrária no desequilíbrio do terceiro golo.

Uma atitude que resulta da preparação mental, da concentração e da motivação. Dela normalmente se servem os campeões, num tempo em que mais dificilmente a qualidade, “tout court”, chega para ganhar.

Messi, de herói a vilão
Messi, o herói antecipado, foi desta vez o maior vilão. Não tanto por não ter decidido, mas pela forma como as suas perdas ficaram ligadas à decisão do jogo. Também um balde de água fria em tanta euforia. Sobre Messi, é inegável a sua qualidade e capacidade de desequilíbrio, e não questiono a justiça do estatuto de “melhor do mundo” que carrega actualmente. Mas há algo que acredito sobre Messi. Acredito que Messi é também um produto do colectivo do Barça. Sem ele, sem os apoios constantes, as suas decisões tornam-se menos óbvias e os erros bem mais comuns. Em ano de mundial, faço já a minha antevisão: Creio muito pouco no sucesso da Argentina e penso que Messi, pelas expectativas que gera, pode mais facilmente ser a maior desilusão de prova do que a sua maior estrela.



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17.3.10

O "golpe" de Mourinho e... a exibição de Sneijder!

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Ora aí está! Quando tudo apontava para uma segunda mão de grande dificuldade para o Inter, eis que Mourinho consegue fazer a sua equipa corresponder, finalmente, às expectativas que pessoalmente tinha no arranque da eliminatória. Não que a exibição tenha sido fantástica em todos os pontos, mas porque teve, sobretudo, grande parte dos ingredientes que fazem do treinador português um caso raro no futebol mundial. Maturidade, carácter e astúcia. Preparando-se melhor: foi assim que o Inter surpreendeu Stamford Bridge. Tudo somado, não fica consumado nenhum feito histórico, naturalmente, mas face ao contexto actual do futebol italiano, esta é mesmo uma vitória de grande importância. Um marco de credibilidade na passagem do “Special One” por terras transalpinas.

Eto’o e o sistema
Começando pela disposição posicional, revelou-se bastante acertada a utilização de Pandev e Eto’o como extremos. Sobretudo o camaronês. Na primeira mão havia referido que Eto’o parecia entristecido pela ausência de jogo durante grande parte do tempo. Ora, a sua colocação à direita devolveu-lhe presença, intensidade e... a alegria. Teve de jogar e trabalhar em todos os momentos, como tanto gosta. Apesar de alguma ineficácia, terá feito em Londres um dos melhores jogos desde um inicio da época onde o Inter era diferente. Na ala direita, aliás, esteve grande parte da chave do jogo, com Eto’o, Maicon e Cambiasso a formarem um triângulo muito dinâmico e importantíssimo em termos estratégicos.

Ditar o ritmo
Mas, como sempre, não foi o sistema o mais importante, antes sim a qualidade da interpretação do que devia ser feito. A solidariedade defensiva e o risco mínimo em termos posicionais eram óbvios com a vantagem na eliminatória. A isto, o Inter acrescentou uma capacidade de gerir os ritmos do jogo que, realmente, me parece ter sido o grande segredo do sucesso. Esta gestão foi conseguida, primeiro, pela forma como o Inter não permitiu momentos de transição ao seu adversário, impedindo-o de acelerações que pudessem agitar o jogo e as bancadas. Depois, e igualmente decisivo, foi comportamento no momento em que ganhou a bola, não tendo pressa de procurar a profundidade, valorizando a posse e, inteligentemente, adormecendo obrigando o adversário a ver jogar. Neste particular, há que destacar a boa utilização da largura do campo para fugir ao pressing "blue", tendo na tal dinâmica à direita uma chave importante, com Maicon (fantástico!) a ser repetidamente libertado para receber.

Chelsea: uma desilusão... ou talvez não
De facto, apesar de reconhecer enorme potencial e qualidade ao plantel, desde cedo nesta época que me pareceu claro que este Chelsea teria poucas possibilidades de triunfar ao mais alto nível. Pelo menos seria mais improvável do que em anos anteriores. Desta vez, o destino ficou traçado por uma enorme incapacidade de, no seu próprio estádio, impor o ritmo mais conveniente. O Chelsea pareceu sempre hipnotizado pelo jogo do Inter, tendo apenas um período, antes do intervalo, em que pareceu poder mudar o seu destino. Na segunda parte, no entanto, rapidamente o jogo parasse voltou às mesmas coordenadas, de ritmo baixo e com muitas paragens, num enquadramento que favorecia totalmente as intenções do Inter. E assim ficou por terra mais um grande candidato.

Sneijder e os “mapas mentais”
O vídeo é sobre ele e, na realidade, fala por si. Já várias vezes referi que um jogador não se faz apenas pelo que consegue quando tem a bola, que a sua utilidade deve ser medida nos 4 momentos do jogo. Sneijder, no entanto, foi de uma influência enorme com a bola nos pés, estando na origem de praticamente todas as jogadas de perigo dos italianos. Duas notas sobre o jogador. Primeiro para a qualidade com que executa com os 2 pés. Uma raridade. Depois para aquilo que é referido no vídeo. Um jogador como que faz "mapas mentais" sucessivos e é através deles que orienta as suas acções. Os melhores distinguem-se pelo acerto com que fazem este mapeamento e, depois, pela capacidade para executar de acordo com ele. Sneijder mostrou que é, no presente, um dos mais competentes cartógrafos do futebol mundial. Um festival!



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25.2.10

Inter - Chelsea: Da vitória à... frustração de Mourinho

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O favoritismo do Chelsea era, à partida, incontornável. Ainda assim, por ver nos actuais “Blues” uma equipa algo sobrevalorizada em termos colectivos, sempre me pareceu possível um golpe de asa de Mourinho. O Inter pode ter confirmado este prognóstico pelo resultado, mas saio, ainda assim, menos crente na passagem dos italianos depois da primeira mão. Mesmo considerando que o poder mental das equipas de Mourinho torna a eficácia em tudo menos um acaso, parece-me extremamente feliz o resultado dos ‘nerazzurri’ e fica-me também a dúvida sobre a sua capacidade para sustentar o conseguido, em Stamford Bridge.

O que dirá Mourinho aos seus botões?
Quem viu as primeiras equipas de Mourinho, quem leu ou ouviu o que então defendeu, ou mesmo quem acompanhou o processo de intenções deste Inter no inicio de época, só pode estranhar ao que hoje assiste. A intenção de pressionar alto já não existe e a posse de bola não parece mais fazer parte do plano. Hoje, perante os grandes jogos, o Inter sucumbiu ao recurso de se afundar no campo, de remeter a sua recuperação para zonas baixas e de jogar tudo na profundidade em transição. É neste registo que deposita as suas esperanças de chegar longe na Champions e bater o pé aos favoritos. Porquê? A resposta não pode ser mais frustrante: porque depois de ter tentado outra via, percebeu não conseguir e procura agora um outro refúgio. Mourinho, publicamente, afirma que este é o “seu” Inter, mas ao mesmo tempo que as suas entre linhas deixam antever a ânsia por um fim de ciclo, eu pergunto-me se, aos seus botões, não confessará antes a sua frustração.

As coordenadas para Stamford Bridge
E agora, o que esperar da segunda mão? Mourinho saberá melhor do que ninguém a dura batalha que tem pela frente. É muito difícil sobreviver em Stamford Bridge. O ambiente ajuda a motivar uma equipa que, não só tem confiança e qualidade, como ainda conta com um capital de experiência acumulada que a torna também forte perante a pressão. Para o Inter será importante – senão vital – andar próximo da baliza contrária. Que é como quem diz, conseguir dar sequência e objectividade às suas transições. De resto, não haverá muitas dúvidas sobre o que se vai ver. Um domínio estrategicamente consentido pelo Inter, dificultando toda e qualquer tentativa de penetração através de um bloco baixo e denso, na expectativa de, a qualquer momento, ver Milito ou Eto’, em transição, a fazer um aproveitamento eficaz da exposição espacial. Da parte do Chelsea, a importância do poder de Drogba no jogo interior e a relevância da inspiração dos atiradores de meia distância. Afinal, o cenário será diferente, mas muito deste filme já se viu em San Siro...

Individualidades: De Lucio a... Balotelli
Antes de passar ao capítulo individual, uma nota para sublinhar a opinião de que, se Mourinho tem encontrado dificuldades em se aproximar das suas intenções iniciais, muito se deve a uma ineficiente abordagem do mercado. Algo que, aliás, se arrasta praticamente desde a sua primeira época em Inglaterra. Ainda assim, há casos de sucesso recentes e que merecem referência positiva.

Começando pelo melhor em campo, Lucio. É ágil, rápido, tem uma grande atitude e capacidade técnica. Lúcio pode ter os seus deslizes, que os tem, mas é um dos melhores do mundo, na minha opinião. A sua exibição, aliás, não está ao alcance de muitos. Difícil é perceber como o Bayern o libertou...

Eto’o, a grande atracção do Verão, não deixou de ser um grande jogador, mas, para além de passar por uma espécie de ressaca da CAN, é também um dos que sente mais o recuo da equipa em campo. Não que deixe de ser fortíssimo também em transição, mas Eto’o habituou-se a um jogo centrado na posse, e é nesse registo que se torna mais forte, seja pela intensidade com que pressiona, seja pela mobilidade que gosta de interpretar. Hoje, parece frustrado por ter de passar tanto tempo impotente no jogo.

Ao lado do camaronês, e em sentido oposto, Milito. Não é tão forte como Eto’o, nem a pressionar, nem a trabalhar como apoio à circulação, mas... que capacidade tem na profundidade! É um jogador que, embora diferente em vários aspectos, me faz lembrar Inzaghi. Um terror para os defesas, com as suas diagonais permanentes. Talvez o melhor do mundo nesta altura e neste particular. Para já, arrastou Terry para dentro da área, alongou a defesa e “ganhou” um golo. Em Stamford Bridge, grande parte das esperanças de Mourinho estão nas suas roturas.

Finalmente, Balotelli. É um prodígio e não é preciso ter-se olho de lince para o perceber. Entrou bem em vários aspectos e a equipa subiu com a alteração. Mas, ao mesmo tempo que consegue desequilibrar com uma facilidade admirável, é escandalosamente displicente para com um jogo que, claramente, não compreende. Não pressionar um adversário que vem a passo na sua zona e amuar em acções ofensivas só porque não têm o destino por si pretendido são exemplos de atitudes que, por si só, justificam fortes tomadas de posição. Pode ter o talento que tiver, mas, se não mudar, nunca chegará sequer perto do seu real potencial...



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27.1.10

Pormenores tácticos de mais uma vitória "à Mourinho"

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Jogo enorme em Itália. O “Derby della Madonnina” com a intensidade de sempre, acrescida pelo interesse que tinha para o próprio campeonato. A história do jogo? Bem, podia ter sido diferente depois da estranha expulsão de Sneijder, tal o domínio que o Milan conseguiu em certos momentos, mas acabou por ter o desfecho que desde cedo se esperava. Isto, porque o Inter cedo tirou enorme partido dos momentos de transição e das fragilidades posicionais de um trio de médios mal posicionado do outro lado. Particularmente o duo Gattuso-Ambrosini. Tudo pareceu estudado, tudo pareceu previsto para tirar partido das fragilidades tácticas do Milan. "À Mourinho", portanto...

Jogada 1 (8’) – Um dos grandes problemas do Milan está patente nesta jogada. Sempre que Gattuso é obrigado a bascular à direita e a jogada não morre aí, abre-se um buraco enorme na zona central. Algo que o Inter aproveitou muito bem e que só não teve mais efeito pela expulsão prematura de Sneijder. O motivo tem a ver com o distanciamento permanente de Ambrosini da zona central, compondo um “duplo-pivot” ineficiente. No caso, Pandev não é devidamente pressionado por faltar ali um jogador e Sneijder, embora não beneficie directamente da situação, acaba por estar perto do golo. Nota para a importância do holandês acreditar sempre na jogada, o que lhe valeu a oportunidade.

Jogada 2 (9’) – O golo do Inter, embora simples, tem algumas particularidades que não podem ser ignoradas. Resulta de uma bola dividida, como tantas outras, batida por Dida. Primeira nota de destaque, de novo, o espaço entre linhas que se cria para Sneijder. Depois, o ponto mais importante da jogada, a decisão instintiva de Pandev de optar pela profundidade de Milito. Estava de costas e ao seu lado estava, livre, Sneijder. Pandev optou assim porque foi assim que foi “programado”. Treinado, isto é. Do lado do Milan, o pormenor de Thiago Silva não tentar colocar Milito em fora de jogo. Aliás, o próprio argentino hesita no avanço e só lhe dá continuidade porque Thiago o permite, ao recuar. Finalmente, e apesar do erro de Abate, destaque para a qualidade de Milito, na cultura de movimentos, na velocidade e, claro, na precisão final. É muito difícil controlar um avançado que aborda tão bem a profundidade.

Jogada 3 (14’) – Ainda antes da expulsão de Sneijder, este era o caminho do jogo. Expectativa do Inter e grande descontrolo no momento da transição defensiva por parte do Milan. Em particular, pelo mau posicionamento dos médios na hora da perda de bola. Pandev, Milito e Sneijder perceberam-no (ou já o saberiam) desde a primeira hora e recorrentemente estavam a criar o pânico. A importância que alguns treinadores dão ao “pivot” defensivo, fixo e disciplinado, encontra aqui a sua explicação.

Jogada 4 (16’) – Mais do mesmo. Transição e Gattuso a bascular à direita. Resultado? Buraco no meio. Sneijder não conseguiu dar o melhor seguimento, mas o desequilíbrio foi, mais uma vez, evidente.

Jogada 5 (54’) – Um momento brilhante de Pandev, fundamental para colocar em sentido o Milan, numa altura em que o domínio territorial era enorme por parte dos 'rossoneri'. Já várias vezes me referi à importância destes lances para a parte psicológica do jogo, mesmo não dando golo. Aqui está mais um exemplo. Para além da proeza de Pandev, duas notas. A primeira para a passividade gritante de Ronaldinho, abdicando de recuperar a bola numa zona em que tinha tudo para o conseguir. A segunda, de novo, para a linha do fora de jogo e para o mau posicionamento de Abate, longe de Milito, mas a deixa-lo em jogo. Quem quer jogar alto tem de ter muito maior concentração neste plano. Como Milito, então, muito mais!

Jogada 6 (60’) – Transição a partir de um canto, só por milagre não dá golo. Mais uma vez, destaco, para além da qualidade dos intérpretes, a falta de concentração num posicionamento colectivo que tire proveito do fora de jogo. No caso, Favalli. Esquece-se totalmente do posicionamento colectivo e, quando finalmente percebe, já é tarde demais. Se tivesse avançado uns segundos antes, Pandev teria de ter recuado e Milito ficaria mais vulnerável ao pressing por não ter soluções de passe.

Jogada 7 (64’) – O golo que sentenciou a partida teve “pontaria” do banco. Muitas vezes utiliza-se o termo para as alterações feitas, mas, desta vez, ele aplica-se de forma contrária. Ou seja, a uma alteração que foi, antes sim, evitada. Motta estava pronto para render Pandev, mas Mourinho retardou a substituição para que fosse o seu recente reforço a bater o livre. Pandev acabou por sair, sim, mas 1 minuto e... 1 golo mais tarde.

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25.11.09

Barcelona-Inter: Numa palavra... qualidade!

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Talvez iludido pelas mediáticas ausências de Messi e Ibrahimovic, o Inter pareceu esquecer com quem ia jogar no Camp Nau. Como o Barça é, antes de mais, uma força colectiva, deu-se mal. Muito mal, mesmo. Aliás, se houvesse um KO técnico no futebol, este jogo não teria durado nem metade, tal a forma como o Barça vergou progressivamente o Inter durante a primeira parte. Não porque tenha tido uma avalancha de oportunidades, que não teve, mas porque, não precisando de as ter, soube gerir o jogo e o adversário de uma forma notável. Uma evidência, para quem às vezes se parece esquecer, que esta é uma equipa de outra galáxia no futebol mundial.

Ousar bater o Barça no seu próprio estilo não tem de ser forçosamente um erro. O próprio o Inter conseguiu alguns resultados positivos na sua primeira tentativa, em San Siro. 2 meses volvidos, os ‘nerazzurri’ tinham tudo para fazer melhor. Mas não fizeram, e não fizeram porque, estranhamente, cometeram mais erros e pareceram menos preparados para a qualidade que existia do outro lado. Com bola, tentou sair sempre a jogar, mas acumulou demasiados erros técnicos, demasiadas perdas e tornou-se uma presa fácil para o ‘pressing’ catalão. Sem bola, deixou-se tourear pela posse especulativa do Barça, basicamente por não interpretar verdadeiramente o sentido colectivo do pressing. Isto é, pressionar colectivamente não se aplica apenas aos jogadores mais próximos da bola, é preciso que também a linha defensiva suba no momento certo, para que possa reduzir espaços entre linhas. Caso contrário, e com a qualidade que o Barça tem, a bola vem para trás mas depois encontra mais espaços entre linhas. Isto repetiu-se inúmeras vezes no jogo, e um dos exemplos esteve na origem da brilhante jogada do segundo golo.

Ao contrário do Inter, o Barça esteve perfeito. Todos os jogadores sabem o que querem fazer com a bola, como envolver o pressing adversário para encontrar os espaços por onde entrar. Todos os jogadores sabem quando devem subir para pressionar ou recuperar para equilibrar. Os golos foram igualmente importantes porque tornaram tudo mais desequilibrado também no plano psicológico, uns crescendo em confiança, e outros errando ainda mais, embebidos pela frustração que acumulavam. Individualmente – porque são as individualidades que interpretam as ideias colectivas – é impossível não ficar rendido a Xavi. Parece que goza com o pressing contrário. Outro destaque incontornável é Iniesta, extremo no papel, mas quase sempre vindo para o meio, criando superioridade nos espaços interiores e deixando perdida a dupla Chivu-Motta, muitas vezes demasiado presa a referências individuais de marcação.
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23.9.09

Análise vídeo: lances da jornada

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Foi um jogo marcado pelo equilíbrio, é certo, mas isso não significa que não tivessem acontecido oportunidades dignas de destaque. E, no caso dos portistas, com alguns denominadores comuns. Na primeira parte, em organização ofensiva, pelo lado direito e aproveitando o espaço entre linhas e alguma falta de capacidade defensiva do lado esquerdo do meio campo contrário. Isto, claro, só possível porque existe do lado portista uma saída a jogar organizada sobre as alas, com qualidade e rotina. Tudo isto, claro, não chegou para ganhar nem mesmo para evitar a derrota. É que para além disto, houve pouco mais e, para além disto ainda, sobrou uma exibição essencialmente desinspirada e com pouco intensidade. Em especial no inicio do segundo tempo.


Hulk & Guarin – A primeira nota vai para o papel de Meyong, quem melhor pressiona no Braga. A sua acção obriga o Porto a organizar pela direita, dando uma vantagem ao Braga que deveria ter encurralado os portistas. Não foi isso que aconteceu. Não houve agressividade dos restantes jogadores e abriu-se uma linha de passe para Hulk, a quem também foi permitido rodar e sair da zona de pressão. Depois percebe-se a pouca reactividade de Viana que perde totalmente o controlo sobre o espaço nas suas costas, explorado por Guarin. Como o Braga joga com 2 linhas de 4 e não tem nenhum jogador posicional entre elas, o colombiano ficou completamente livre para atacar a zona mais recuada dos minhotos.

Meireles & Hulk – De novo a distância entre linhas. Desta vez, notória entre os avançados e a linha média. Este factor aliado à pouca agressividade de Mossoró sobre Meireles permitiu que o médio azul ganhasse tempo e espaço para libertar Hulk no flanco oposto. Um 1x1 muito perigoso e que apenas não teve outras consequências porque Evaldo conseguiu evitar o pé esquerdo de Hulk.

Guarin & Varela – De novo o lado direito portista. O primeiro ponto a realçar é a boa dinâmica entre o extremo e o médio, com troca de posições entre eles. Um rotina bem assimilada e que é solução comum na saída de bola portista, seja à esquerda, seja à direita. O ponto aqui tem a ver com a forma como Varela consegue rodar, não havendo a pressão exigível para a situação em que se encontrava. Aliás, este lance tinha tudo para dar uma recuperação e originar transição do Braga. Mas não deu. E tudo por Viana e Paulo César voltaram a denotar grande insuficiência defensiva e porque, claro, houve qualidade do lado contrário. Aliás, esta dupla não só permite que Varela rode como depois perde controlo sobre o extremo portista, não compensando, nenhum deles, o espaço de Evaldo que vem pressionar Guarin. Só por muito pouco este lance não termina em golo.

Desacerto azul – Se há lance que espelha a desinspiração portista é aquele que culmina numa finalização de Vandinho. Uma das mais perigosas do Braga. É que a jogada só acontece porque há uma série de deslizes individuais na sua origem. Primeiro o mau pontapé de Hélton, depois o não domínio de Guarin e, finalmente, uma trapalhada de Fernando finalizada com uma "assistência" em zona central. Ainda assim, saiu barato...

Pateiro – O Benfica ganhou em Leiria, mas muito facilmente poderia ter... perdido. Tudo isto por causa de um lance de inspiração de Pateiro que só não terminou em golo porque dos pés de Kalaba não houve a qualidade correspondente. Muito mérito, obviamente, para a acção de Pateiro, mas é também curioso analisar porque é que tudo foi possível. A última arma da transição defensiva encarnada é o fora de jogo, executado ao limite e, diga-se, com excelentes resultados até ao momento. Ora, quando todos esperavam o passe de Pateiro, este bateu, ele próprio, o fora de jogo. Ainda assim não parece uma fórmula copiável para casos futuros.

Rabiola – O primeiro golo do Olhanense em Alvalade tem os holofotes sobre Carriço e Abel. Podemos começar por aí e por dizer que, na minha opinião, não há nada de errado com o comportamento dos 2 defesas. Existe um 2x2 nessa zona, o que torna tudo muito complicado caso, como aconteceu, o cruzamento saia bem. Aliás, Carriço está bem posicionado e reage bem à trajectória da bola. Simplesmente não chegou e fica muito claro que o principal motivo é a falta de... centímetros. O grande erro está, por isso, na origem do lance. Ou seja, do lado esquerdo e na falta de agressividade sobre a posse de Ukra. Quando se cria uma zona de 1x3 tem de haver maior agressividade e aqui é Vukcevic quem deveria ter impedido o jovem extremo de ter uma solução de recuo. Isso não aconteceu, Ukra teve muito mérito e Miguel Garcia apareceu para dar a solução que o Sporting permitiu.

Edgar – O Marítimo começa a ameaçar ser uma desilusão séria desta liga. Pela segunda semana consecutiva com tudo para vencer e, de novo, incapaz de o fazer. Desta vez 1 lance compôs o cenário improvável no derby madeirense e perante um Nacional com 10 jogadores. Edgar foi o protagonista e trabalhou muito bem a jogada, mas... o que dizer de Olberdam?! Permitir que o avançado cortasse para dentro quando tinha já um ângulo tão fechado... e tão facilmente ele o fez! Assim, torna-se difícil...

Xavi & Messi – Há alguém que não conheça esta jogada? Há alguém que nunca tenha visto Xavi a receber da esquerda, virar-se e solicitar a diagonal de Messi nas costas do lateral?! Não me parece. Jogadores e treinadores sabem todos disto e, no entanto, tudo se repete com sucesso. E pensar que tantas vezes ouvimos gente a falar de previsibilidade pelo conhecimento que se tem das equipas. Hoje em dia nada é imprevisível, tudo é conhecido, tudo é previsível. A diferença está na qualidade. É por isso que Messi há-de marcar mais golos tão “previsíveis” quanto este...

Eto’o & Milito – Eto’o não marcou, não assistiu, mas que impacto teve! O Inter perdia e foi muito pelo camaronês que a situação se inverteu. Sempre ligado, sempre reactivo, pressionou e provocou a perda que isolou o mortal Milito. É uma característica que não dá nas vistas, mas vale muito mais do que se pensa.

Foster & Ferdinand – Um derby que ganhou outra dimensão e que teve uma emoção invulgar. O United ganhou, mas bem se esforçou para que isso não tivesse acontecido. O erro de Foster é primário, mas o que faz Ferdinand no último minuto é difícil de classificar. Valeu-lhes o “Mickey”.

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17.9.09

Inter - Barcelona: A afronta de Mourinho

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Será possível? Bater o Barça dentro do seu próprio estilo, será possível? Mourinho tentou-o, não conseguiu, mas teve o mérito de avivar a dúvida. A primeira parte chegou mesmo a ser uma verdadeira afronta à intocável posse de bola ‘blaugrana’. E a verdade é que a ousadia teve, em vários momentos, resultados bem positivos. Pressing alto, a tentar orientar o jogo especialmente para o flanco esquerdo e a obrigar alguns pontapés longos na primeira fase de construção catalã. Algo que, definitivamente, não estava no plano de Guardiola. 

O Barça, apesar disso, foi sempre mais perigoso e, na segunda parte, recuperou o seu estatuto de equipa avassaladora. O Inter não aguentou, perdeu concentração e capacidade para se manter compacto e alto, acabando por ceder à tentação de “acampar” à frente da sua área. Teve de recorrer, portanto, à fórmula comum dos adversários do Barcelona. Bloco baixo e muito numeroso, com a esperança de um rasgo de um dos avançados para fazer golo. Só que o Inter, e apesar desse constrangimento, manteve-se competente e solidário junto da sua área. E daí o nulo.

O desafio permanece e a dúvida fica reavivada. Veremos agora como evolui o novo Inter e, já em breve, como se apresentará em Camp Nou. O desafio não é fácil. O Barcelona é uma equipa praticamente perfeita dentro dos seus princípios. Tem melhores jogadores para os interpretar e é francamente competente em tudo o que faz colectivamente. Acabando na posse de bola, mas começando na forma notável como defende, pressionando e utilizando cirurgicamente a “arma” do fora de jogo. Não admira que Guardiola aparente tanta tranquilidade mesmo quando não ganha, quem tem uma equipa assim pode dormir sempre descançado.

Por fim, sobre a troca Ibra-Eto’o, para já só vejo o Inter a ganhar com o negócio.



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2.9.09

Aimar e mais 4 lances em análise

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Aimar – Escolher entre 8 golos pode não ser nada fácil. Neste caso, porém, parece evidente a opcção pelo trabalho individual – mais um – de Pablo Aimar. O motivo pelo qual escolhi este lance, no entanto, não tem apenas a ver com a habilidade do argentino. Uns instantes antes do chapéu que permitiu que se isolasse, Aimar teve outra acção menos brilhante mas, talvez, mais importante num contexto táctico. A pressão imediata após a perda de bola, quando eficazmente aplicada claro, inverte a transição adversária e torna-se num lance potencialmente bem mais perigoso do que o ataque original. Apesar de ser uma reacção defensiva é, mais do que tudo, uma poderosa arma ofensiva. Jogadores criativos e dotados, como é o caso de Aimar, encontram nestes momentos a ocasião perfeita para soltar o seu talento, aproveitando os momentos de desorganização momentânea dos defesas contrários e este é apenas um exemplo disso mesmo. Para terminar, sobre Aimar, dizer (ou relembrar) que o seu crescimento vai muito além das aparições ofensivas que protagoniza. A sua capacidade e utilidade defensiva é hoje muito maior, sendo protagonista muito importante no ‘pressing’ da equipa.


Varela – No golo do Porto, o segundo, importa destacar alguns pontos. Primeiro, a qualidade de Meireles, inteligentemente criando um desequilíbrio individual no meio campo. Depois, o papel de Falcao. Não apenas a assistência, mas o facto de baixar para zonas interiores, atraindo os centrais para dentro e criando condições para haver mais espaço nas costas e na zona central da defesa. O espaço que Varela aproveitou. Mas há, também, alguns pormenores negativos, do lado da Naval, a salientar. Primeiro, a saída à queima de Gomis (um jogador a rever apesar de tudo) que, perdendo completamente o lance, deixa Diego Angelo completamente só no centro e ainda com Falcao pela frente. Outro aspecto evidente é a abertura da defesa. Um erro recorrente sempre que um central sai da sua posição. Os laterais devem fechar junto da zona central e não permanecer abertos. As referências individuais falaram, de novo, mais alto e tudo ficou mais fácil para o ataque portista.

Rolando – Na análise ao jogo falei dos problemas do pressing do Porto e da excessiva facilidade que a Naval teve para jogar. Não é, nem de perto, caso único, mas o lance do golo é, também, um exemplo disso mesmo. Em organização ofensiva, a Naval aproveita os problemas portistas e facilmente consegue abrir um espaço para que a sua primeira fase de construção possa, não só pensar o primeiro passe, mas mesmo entrar com bola pelo bloco portista. A bola entra facilmente na ala e o cruzamento muito provável, acabando o lance a ser decidido no coração da área. O que não convém. Foram vários, e demasiados, os cruzamentos da Naval e isso tem de ser corrigido. Uma nota sobre um aspecto também visivel no lance: a distância de Falcao para a linha média que permanece passiva, baixando a equipa no terreno.

Yontcha – O Belenenses tem algumas características interessantes, como a preferência que dá à posse de bola, mesmo em zonas baixas. Há ainda vários problemas que distanciam esta equipa de um rendimento ideal, destacando eu a dificuldade com que a equipa tem em subir o seu bloco, jogando demasiado baixo, demasiado tempo. Mas o ponto que pretendo focar tem a ver com o canto que resultou no golo do empate parcial. Uma solução inteligente e simples para ultrapassar uma defesa que, como a maioria, defende zonalmente estes lances. Com apenas 4 homens na área, o Belenenses consegue isolar... 2! O canto curto é solução recorrente neste tipo de situações, mas, neste caso, o objectivo desta opção foi diferente do habitual...

Thiago Motta – Um espectáculo o primeiro golo do Inter! Para quem não percebe o que podem dar Milito e Eto’o em vez de Ibrahimovic, tem aqui um bom exemplo. Mobilidade, repentismo e imprevisibilidade. Tudo isto, claro, numa óptica colectiva e, por isso, a importância de ter também seguimento dado pelos jogadores que partem de posições exteriores. O desequilíbrio, neste caso, é criado do lado esquerdo da defesa do Milan, entre o central e o lateral. A causa é simples. A bola entra na direita do ataque do Inter e, por isso, o lateral vem para uma zona exterior. O problema é que muito rapidamente a bola parte para uma zona central, acabando por não haver um ajustamento posicional adequado ao caminho que a jogada levou. O erro é fácil de identificar mas, na verdade, a qualidade da jogada é enorme, sendo muito difícil que uma defesa consiga reagir tão rapidamente em termos posicionais. O melhor mesmo é desfrutar...


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13.8.09

Inter 09/10: Uma derrota também faz sonhar...

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Segue o interesse sobre a evolução do Inter em 09/10. O primeiro teste oficial, a primeira vez de Lucio, Milito e Eto’o correu mal... ou talvez não. O resultado é sempre o objectivo último de cada jogo. É indiscutível. Mas para Mourinho essa evidência não parece ter retirado valor às indicações sobre a evolução de um modelo de jogo que quer diferente do que aconteceu no passado. Na Supertaça a vitória era o objectivo e isso é incontornável, mas, de facto, para primeiro jogo da época, o resultado não é o mais importante.

De facto, viu-se um Inter alto, pressionante e dominador. Colectivamente os pressupostos pretendidos por Mourinho para o novo Inter foram cumpridos. Individualmente, sentiu-se o peso que poderão ter unidades como Lucio, Milito e Eto’o e dificilmente alguém poderá afirmar que fez falta Ibrahimovic. Nem tudo foi perfeito, claro. Para além da fundamental e decisiva eficácia, falta ainda alguma intensidade à posse deste Inter. Menos tempo nos pés das individualidades e soluções de passe mais rápidas que permitissem uma melhor circulação. Há tempo para fazer chegar tudo isso e muito mais, especialmente se chegar ainda talento individual que se enquadre com os princípios pretendidos para esta nova etapa.

Para os resultadistas isto será um paradoxo, mas o primeiros sinais do Inter 09/10 abrem mesmo margem a um nova era, de um futebol mais entusiasmante e raro em solo transalpino. Tudo depende agora da capacidade de Mourinho acrescentarem qualidade a estes primeiros passos. Quanto à derrota, esqueçam. Ou melhor, lembrem-se, por exemplo, do que se disse dos primeiros jogos do Barça 08/09.


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31.7.09

Mourinho: a felicidade de perder Ibrahimovic

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Será que perder um dos melhores jogadores do mundo pode ser uma boa notícia? Para Mourinho, claramente, a resposta é sim. Ibrahimovic é um desses jogadores, provavelmente mesmo o que mais impressiona na sua posição no futebol actual. Para o “Special One”, no entanto, a perda dessa inegável mais valia individual representa uma improvável esperança de que as coisas finalmente mudem em termos colectivos. Terá razões para sorrir, o “Special One”?


A frustração de Mourinho
O objectivo era ter já conseguido isso no primeiro ano e esse falhanço terá sido, muito mais do que a impotência europeia, a grande frustração de Mourinho no futebol italiano. O treinador queria jogar alto, pressionar e ter a bola. Tal qual fizera nos primeiros anos, quer no Porto, quer no Chelsea. A realidade, no entanto, confrontou Mourinho com a evidência de que essa filosofia só poderia ter sucesso com intérpretes que com ela se sentissem confortáveis. Não foi o caso e não havia outro caminho que não fosse readaptar a filosofia para algo que realmente conseguisse retirar o melhor dos intérpretes. O resto é conhecido. Futebol directo e de transições mortíferas, a retirar o melhor de Ibra, mas incapaz de entusiasmar o próprio Mourinho, resignado ao destino de poder lutar apenas pelo domínio interno.

Revolução táctica
Saiu Ibra e tudo mudou. É o próprio Mourinho que o diz. Na verdade, a perda do sueco significa o abandono do último motivo que poderia existir para continuar a jogar dentro do mesmo perfil. A revolução é agora inevitável, e mesmo que isso represente algum risco, para Mourinho parece ser um alívio. Chegou Lucio, que fará a defesa subir. Na frente, Eto’o e Milito darão mobilidade e, talvez mais importante, eficácia ao pressing. Resta o meio, onde se procura dar mais vocação à posse. Para isso chegaram já Motta e Hleb, mas parece certo que haverá mais novidades com os milhões que restam do negócio Ibra. O sistema deve manter-se (4-4-2 em losango), mas revolução táctica sentir-se-á seguramente pelos comportamentos.




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