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25.10.11

Porto - Nacional: opinião e estatística

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- Começo com uma questão: se o Porto tem basicamente a mesma equipa (saiu apenas Falcao), se tem o mesmo modelo táctico (apenas se introduziram alguns comportamentos ao que já existia), porque é que tem tido mais problemas do que no ano anterior? E, aqui, importa distinguir o que é normal, dentro do expectável, do que será um pouco menos fácil de explicar. Ou seja, era de esperar que a época não fosse tão conseguida como a anterior, mesmo que Villas Boas se tivesse mantido, primeiro porque foi uma época excepcionalmente boa e, depois, porque há alguns factores que costumam contribuir para o acréscimo de dificuldades. Factores como a motivação, própria e dos adversários, a nível interno, que seria este ano sempre menos favorável ao Porto, ou como a presença na Liga dos Campeões, que traz sempre mais desgaste emocional do que a Liga Europa, especialmente nesta fase de grupos. Mas, mesmo descontando tudo isto, há claramente um momento menos conseguido do que aquilo que seria de esperar, como o comprova o jogo com o Apoel, por exemplo. Porquê? Não tenho a resposta exacta, mas uma coisa me parece certa, nem ela estar muito centrada do campo individual, nem do plano táctico. Há aqui algo que acredito possa ter influência, que tem a ver com a rotatividade implementada no inicio deste ano, ao contrário do ano anterior, onde a base da equipa se manteve sempre muito estável. É o meu palpite...

- Noutro âmbito, comento algumas situações individuais. Primeiro, Moutinho. Esta situação do seu menor rendimento faz-me lembrar a radical alteração na reputação do jogador após a sua mudança para o Dragão. De repente, passou de não convocado para a Selecção a grande médio do futebol nacional. Num Verão e pouco mais. Na minha leitura, se há característica que Moutinho possui é a sua consistência. Não é melhor no Porto do que era no Sporting, nem me parece que hoje seja pior do que era no ano anterior. Do mesmo modo, não me parece que se possa passar por cima das suas lacunas, que as tem, ou, num pólo completamente oposto, passar a reparar em tudo o que faz menos bem. Há, claro, uma coincidência em cada um destes pontos altos e baixos: o momento da própria equipa. A pergunta é, será que as equipas mudam tanto só por causa do momento de Moutinho? Ou, por outro lado, será que é a percepção geral sobre o jogador que muda quando a sua equipa não está tão bem? Eu, claramente, sou partidário desta segunda hipótese, e nesse sentido acho todo esta discussão sobre a sua quebra de rendimento (que o próprio alimentou) sem qualquer sentido.

- Depois, e mantendo-me no campo dos médios, falar de Defour, que se tem revelado mais uma excelente opção para aquela posição. Não me parece um jogador tão consistente em posse como Moutinho, por exemplo, mas, e mantendo o paralelismo com o português, tem-se revelado bem mais útil nos movimentos que exigem maior profundidade. Já conhecia o jogador, mas nunca o analisei com grande detalhe, mas fico cada vez mais com a sensação de que pode ser uma das soluções com mais consistência para a posição. Seja como for, tem muita e boa concorrência.

- Finalmente, Walter. Desconheço os motivos da sua repetida ausência dos eleitos, e esta não é uma opção que vem desta época, já que também não foi opção quando Falcao se lesionou no inicio da segunda metade da época anterior. Simplesmente, hoje, e devido ao momento da equipa, o tema ganha outros ecos. Francamente, sempre assumi que os motivos da sua ausência não eram técnicos, porque o seu rendimento, nas poucas oportunidades que teve, nunca justificou essa apreciação negativa. Pelo menos, na minha avaliação. Hoje, porém, tenho mais dúvidas de que não tenha sido esse o motivo. Se assim foi, realmente, foi um desperdício...

- Com tudo isto, não abordei o jogo propriamente dito. Na verdade, não teve muito interesse. Duas notas. Uma para o Porto, que sem James voltou a ter comportamentos mais simétricos entre os extremos. Aliás, a sua assimetria neste inicio de época parece-me o aspecto mais questionável do ponto de vista da intencionalidade táctica, sobretudo quando isso implica que a equipa perca presença à largura na sua última linha ofensiva. Já agora, fica a nota de curiosidade, porque no Chelsea, Villas Boas promove um tipo de acção interior semelhante com Mata. A outra nota, tem a ver com o Nacional e com a exposição da equipa, especialmente na segunda parte. A tentativa de jogar alto parece-me um equívoco tremendo nesta equipa, não pela ideia em si mesmo, mas porque a equipa não revela qualidade suficiente para o fazer de forma consistente. Esse é outro ponto de discussão possível, o que as equipas escolhem fazer deve ser definido em função das suas ideologias ou das suas capacidades reais?
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6.10.11

Académica - Porto: opinião

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- O jogo acabou por não corresponder às expectativas relativamente à pressão e dificuldades que o Porto poderia experimentar, em face quer do momento menos positivo, quer da própria qualidade do adversário. Os 3 pontos ficaram cedo encaminhados, mas nem por isso este deixou de ser um jogo interessante do ponto de vista da análise. O Porto leva o mérito de ter sabido resolver um jogo potencialmente difícil, a Académica fica com o crédito de apresentar uma proposta de jogo com arrojo e qualidade suficientes para justificar uma discussão invulgar no nosso campeonato...

- Abordando o inicio do jogo, o período em que este se viria a definir, a Académica apresentou-se com os seus comportamentos habituais, mas com uma estratégia mais cautelosa nos momentos de organização. No fundo, a ideia foi reduzir o risco: em construção, com bola, saindo longo e evitando a exposição à perda. Sem bola, e perante a construção contrária, uma postura expectante sobre a primeira linha, não adiantando a pressão. A consequência mais visível foi aquela posse baixa e repetitiva do Porto, que todos constatamos, sobretudo após o 0-2. Vitor Pereira respondeu com uma circulação que tinha a intenção de ser paciente e trazer os médios para a construção. Sobre a paciência, ela nem sempre existiu, especialmente enquanto o jogo esteve com o placar equilibrado. Sobre a opção de trazer os médios para a construção, pelo menos de forma tão marcada, tenho as minhas dúvidas que fosse a melhor estratégia para o jogo em causa. Isto, porque frente ao Benfica, a Académica se havia mostrado vulnerável perante uma circulação mais larga na primeira linha, que fizesse a mudar rapidamente de corredor antes de entrar no bloco, pelas laterais. Aliás, nos primeiros minutos, voltou a mostrar essa dificuldade, mas depois o Porto passou a centralizar as suas saídas, a revelar alguma ansiedade e a cair na tentação de forçar a rotura nas costas da linha defensiva contrária. Esse espaço, o das costas da linha defensiva da Académica, era claramente aquele que tinha de ser explorado. A questão era, por onde?

- A resposta à pergunta com que terminei o ponto anterior parece ser, pelo menos na minha leitura, os corredores laterais. Já fora por aí que o Benfica construíra a sua vantagem frente a esta mesma equipa e foi por aí, também, que o Porto viria a abrir o seu caminho para os 3 pontos. Há nos 2 primeiros golos a semelhança de conseguir um primeiro passe na profundidade, no corredor, fazendo depois um passe atrasado que cria dificuldades de comportamento à linha de fora de jogo da Académica. Sobre os problemas da 'briosa' alongar-me-ei mais à frente, para já fica apenas a nota para este movimento normalmente mais detectável noutras ligas.

- A segunda parte seria diferente, com a Académica a inverter a sua estratégia, saindo mais em apoio e pressionando em zonas mais subidas. De novo, porém, a exploração das costas da linha defensiva viria a ser a chave para o terceiro golo, retirando intensidade e interesse conclusivp ao que se viu na última meia hora. Nesse golo, destaque para a abertura de Helton, que teve grande precisão e com o pior pé. Mais uma demonstração da qualidade do guarda redes a jogar com os pés. De resto, no campo individual, duas notas: uma para Walter, para voltar a assinalar a importância de um jogador que seja forte na área e que "tenha golo". Não digo que se tenha de jogar com um jogador de área, mas penso que é preciso medir muito bem quando se decide abdicar de um. Depois, sobre Otamendi, que teve um jogo preocupante. Acumulou erros a defender, más abordagens, e mesmo com bola foi possivelmente o mais ansioso e menos consistente de todos.

- Finalmente, então, a Académica. O primeiro elogio vai para o que a equipa faz com bola. Em transição é muito lúcida e capaz, usa Eder como referência para primeiro apoio frontal, mas a intenção é sempre tirar a bola da zona de pressão, se possível progredindo em largura e não imediatamente de forma vertical. Em Portugal, não vejo muitas equipas "pequenas" fazer isto. Vejo a tentativa de potenciação das características individuais e do espaço, mas poucas vezes com este critério e intencionalidade. Em organização, igualmente muitas coisas positivas. Intenção de dar amplitude ao jogo num segundo momento ofensivo, de abrir lateralmente o adversário antes do cruzamento, de abrir os médios, de potenciar o 1x1 dos extremos (Sissoko, sobretudo). Os problemas (e as minhas dúvidas) vêm dos momentos defensivos. Primeiro, e como já escrevi, creio que não há um bom condicionamento do ponto de saída, na primeira linha, e que isso cria dificuldades de controlo na fase subsequente. Depois, a última linha. O posicionamento base é muito agressivo, e como se viu frente ao Porto os jogadores nem sempre parecem confortáveis com ele. Dou o exemplo do segundo golo (no momento antecedente à combinação já abordada): o passe largo de Otamendi em direcção à ala (James) tem como resposta um recuo instintivo de alguns jogadores. Ora, sendo o passe tão largo e para uma zona lateral, estariam criadas todas as condições para que se tentasse o fora de jogo. Porquê que isso não acontece? Não posso responder, mas parece-me claro que esta forma tão agressiva de defender na última linha não tem ainda consistência suficiente para ser uma opção de sucesso frente a equipas tão fortes. Veremos como Pedro Emanuel faz evoluir este aspecto do jogo, porque me parece ser a questão mais urgente que tem em mãos...
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20.1.11

Jogos da Taça da Liga (Breves)

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- Na Luz, o jogo pareceu mais um regresso à pré temporada. A verdade é que, depois de parecer estar decidido, o jogo complicou-se mesmo para o Benfica. O mais curioso deste jogo veio depois. Jesus quis ganhar o jogo e ninguém estranhou que, para isso, tivesse a 2 mais valias como Gaitan e Salvio. Gaitan e Salvio, os mesmos que durante tanto tempo foram catalogados como "o problema" do Benfica. Bem... não foi assim tanto tempo, afinal ainda estamos em Janeiro. A memória é que é curta.

- Também no Dragão o jogo soube pouco a competição. A culpa, neste caso, será bem mais do Beira Mar que terá, na primeira parte, rivalizado com os mais frágeis visitantes que o Dragão viu este ano. Nomeadamente, surpreendeu a frequência com que o Porto conseguiu actuar em ataque rápido. A frequência e o espaço, claro. Nota para Walter que voltou, não só a marcar, como a ser decisivo. Continuo a estranhar a pouca utilização deste jogador, nomeadamente, por exemplo, quando se compara a aposta diferente que tem tido James. São 2 jogadores de potencial, sim, mas que precisam de evoluir antes de serem valores seguros. No entanto, a minha estranheza vem do facto de, conhecendo os 2 jogadores, ser da opinião de que é Walter quem tem virtudes mais raras para ser potenciadas. Falta-me saber como treina e a atitude que tem, mas, ainda assim, estranho.

- Uma nota também sobre a espectacular exibição do Paços no dia anterior. Notável a reacção, a lembrar muito a segunda parte de Alvalade. Uma forte machadada na época do Braga que, depois das compreensíveis dificuldades no campeonato e natural afastamento da Taça, tinha outras responsabilidades nesta competição. Talvez seja mesmo a derrota mais censurável da época para o Braga.

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13.1.11

Vitórias de Benfica e Porto na taça (Breves)

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- Na Luz, o Benfica até falhou antes de marcar, mas, depois, conseguiu uma eficácia enorme nos 5 golos obtidos. Um domínio completo, jogo resolvido, e, sem necessidade de acelerar muito, a goleada foi sendo naturalmente concretizada. O Benfica confirmou e reforçou a confiança e, até, errou bem menos do que em jogos anteriores. O resultado foi uma goleada que denuncia também uma enorme impotência de uma das equipas mais fortes no plano interno actual. Mas esse é outro problema...

- No Dragão, um atraso inesperado na resolução de uma eliminatória que parecia completamente resolvida logo no sorteio. É verdade que o Porto foi uma equipa absolutamente dominadora, que rematou muito e que poderia, facilmente, ter encontrado o caminho do golo bem mais cedo. O facto, também, é que não fez uma grande exibição dentro das expectativas que se poderiam ter, que não conseguiu grandes situações de finalização dentro da área e que deixou perigosamente o jogo arrastar-se para uma fase em que tudo já era possível. No Porto, já comentei que me parece clara a aposta em James, mas também me parece estranho a súbito esquecimento de Walter. Afinal, estamos a falar de um jogador jovem, recentemente contratado e com uma notável relação golos/minutos nas oportunidades que lhe foram dadas.

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21.12.10

Paços - Porto: Análise e números

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Tinha tudo para ser um teste difícil, e acabou por sê-lo, mesmo se começou por não parecer. A Mata Real é um marco especial do trajecto das equipas, especialmente das “grandes”. Porque na Mata Real há menos espaço e porque, na Mata Real, mora habitualmente uma equipa que sabe transportar o jogo para uma dimensão mais mais física e menos técnica do que habitualmente acontece. A Mata Real é um campo de futebol directo, e esse é um estilo pouco do agrado de quem tem na técnica uma vantagem competitiva. O problema é que, na Mata Real, quem não se adapta ao estilo, normalmente dá-se mal. Foi isso que quase aconteceu ao Porto. Não porque não se tenha tentado adaptar ao estilo, combatendo-o, mas porque, mesmo assim, teve dificuldades. Valeu-lhe, sobretudo, a madrugada do jogo.

Notas colectivas
Começo pela pergunta que provavelmente mais intrigará quem viu o jogo: porquê que as 2 partes foram tão diferentes? Como sempre, entendo que a complexidade do jogo relega a resposta para uma combinação de vários factores e não para o isolamento de alguns. Ou seja, a atitude do Paços foi diferente, com Rondon mais isolado na primeira parte, e a equipa menos bem posicionada para abordar as segundas bolas. Depois, porque a sua própria pressão foi mais baixa e menos agressiva sobre a primeira fase de construção portista. Ou seja, o Porto, com a sua qualidade em posse, fazia o jogo instalar-se no meio campo adversário e, mesmo quando perdia a bola, podia pressionar imediatamente, impedindo o Paços de subir no terreno – destaco aqui a diferença no primeiro passe de transição do Paços, na primeira parte sempre para trás, na segunda, muitas vezes para a frente.

A estes aspectos, mais de ordem táctica, há que juntar outros, de ordem emocional. Ou seja, o Porto abriu o jogo com uma ocasião a partir de uma bola parada. Isso pode ter condicionado a atitude dos pacenses, encolhendo-se mais perante as dificuldades. O mesmo se pode dizer do Porto da segunda parte. Ou seja, perante os primeiros sinais de reacção do Paços, a equipa não terá tido a resposta mais autoritária, encolhendo-se mais para proteger a zona à frente da sua defesa e sendo cada vez menos capaz de fazer subir o epicentro do jogo.

Talvez esse seja o aspecto que mais mereça reflexão por parte dos portistas: porquê tanto encolhimento? Gostaria de falar de 2 pontos a este respeito: o primeiro tem a ver com a entrada de Souza. A estratégia foi proteger a zona à frente dos centrais, particularmente à esquerda. Compreende-se, dados os primeiros sinais do Paços, com o posicionamento de Di Paula mais próximo de Rondon, mas terá também sido um sinal de recuo lançado à própria equipa, a colocação de um jogador com uma missão estritamente posicional, e com tanto tempo por jogar. O Porto tem jogadores cultos tacticamente e poderia ter mantido a estrutura, pedindo apenas um posicionamento mais prudente à sua linha de 3 médios. Por exemplo, fazendo Moutinho – que tem melhor sentido posicional – jogar pela esquerda e mais próximo de Guarin. Isto leva-me ao segundo ponto, que tem a ver com a saída em transição e com a profundidade da mesma. Ou seja, perdendo um extremo – e contando também com algumas más decisões individuais – o Porto esteve demasiado tempo sem capacidade de se fazer sentir junto da baliza contrária. Isto, aparentemente, pouco terá a ver com as dificuldades de controlo continuado, mas a verdade é que, regra geral, quando uma equipa se sente ameaçada também tem menos confiança nas acções ofensivas posteriores. Era importante que o Porto tivesse conseguido de forma mais regular o aproveitamento do espaço em transição, e isso não aconteceu.

Uma nota sobre o Paços que teve, de facto, muito mérito naquilo que aconteceu na segunda parte. Atitude, agressividade e, em alguns momentos, qualidade. Destaco o trabalho de Rondon, que não sendo um jogador alto, conseguiu servir de referência às primeiras bolas, e também Leonel Olímpio, que é um jogador forte, tanto tecnicamente como em agressividade: um jogador, talvez, a merecer uma análise de clubes de outra dimensão, mesmo tendo em conta a idade.

Notas individuais
Sapunaru – Está, de facto, a fazer uma boa época. Surpreendentemente. Não creio que mereça o estatuto de “titular”, como Álvaro Pereira merece à esquerda, por exemplo, já que Fucile, apesar de alguns erros que recorrentemente repete, é muito mais forte em vários aspectos. Ainda assim, num jogo destas características, não havia dúvidas quanto à maior adequação do perfil de Sapunaru.

Otamendi – Não esteve isento de erros, mas estes foram apenas sombras na exibição que conseguiu. Jogos de luta, a pedir intervenções constantes, são o que mais gosta. Ganhou um número imenso de bolas e deu boa sequência a grande parte do jogo que por si passou - muitas vezes, diga-se, em situações nada fáceis. É curioso comparar-se o nível de intervenção dos 2 centrais. Parece que jogaram jogos distintos, mas não, é sobretudo uma questão de perfil. Algo que, de resto, já venho alertando há bastante tempo.

Guarin – Esteve sempre na “luta” do meio campo, com entrega e carácter. Ganhou muitos duelos, mas teve também alguns erros – demasiados – com potencial prejuízo para a equipa. Não aconteceu, mas quem joga na sua posição tem de garantir mais segurança.

Belluschi – Não fez um jogo extraordinário, sobretudo porque não desequilibrou. Mas, no que respeita à capacidade de trabalho e qualidade, foi mais uma prova de que é muito mais do que um simples criativo. Voltou a não ser tão certo no passe como Moutinho, mas voltou também a mostrar a sua maior capacidade interventiva. Algo que já não pode surpreender quem anda minimamente atento...

Hulk – Voltou a ser o elemento mais determinante nos desequilíbrios ofensivos. A sua capacidade individual é enorme, como facilmente se percebe, e tem também uma boa atitude defensiva. O problema dele continua a ser algum deslumbramento em certas fases do jogo. Por vezes pede-se mais lucidez e objectividade na entrega e se Hulk tivesse sido mais capaz nesse aspecto em algumas transições da segunda parte, talvez o jogo não tivesse sido tão difícil.

James Rodriguez – Teve um enorme aproveitamento do jogo que por si passou e até colocou uma bola soberba, que isolou Falcao – mais uma vez, o seu pé esquerdo é a sua arma. Mas passou demasiado tempo longe do jogo, não sendo muito prestável sem bola, nem muito presente com ela. Este era um jogo em que era preciso mais luta e ele até tem essa capacidade de trabalho. Tem tempo, repito...

Walter – Apenas uma nota para referir que me parece totalmente errado fazer uma associação linear entre a sua presença em campo na segunda parte e as maiores dificuldades sentidas pela equipa. Não que tivesse feito um grande jogo, ou que Falcao não pudesse ter dado mais à equipa. Não é isso. Simplesmente, não foi por ele. Marcou, é verdade, mas continuo à espera das suas “bombas”. Parece retraído, demasiado preocupado em ser generoso, mas quando se tem o seu poder de remate, a meu ver, há que incentivar um pouco mais a sua utilização...



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16.12.10

Suave final para a fase de grupos portista (Breves)

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- Villas Boas aproveitou a natureza do jogo para fazer algumas alterações, e não só em termos individuais. Na verdade, o CSKA é um adversário demasiado fraco para colocar à prova seja o que for. A única coisa que há para dizer é que era dispensável que o jogo se tivesse arrastado com a diferença mínima até tão perto do fim. Há uma nota que quero deixar ficar: os níveis de intensidade competitiva baixaram como ainda não havia acontecido até aqui e, para mais, Villas Boas também promoveu um nível de rotatividade inédito na temporada. Será curioso ver até que ponto a equipa recuperará a intensidade no jogo em Paços...

- Aproveito para falar de 2 jovens lançados e que, sem surpresa, mostraram potencial. Walter tem uma estrutura física que normalmente cria anticorpos entre os adeptos, mas o seu potencial é mesmo muito grande. O que o torna excepcional é a capacidade de finalização, mesmo a partir de zonas mais afastadas. Neste sentido, parece-me que se torna fundamental melhorar o seu jogo externo, porque se tiver mais jogo nas imediações da área pode tornar-se um perigo permanente. É muito diferente de Falcao, mas contem com ele. Sobre James o meu prognóstico é mais reservado, apesar do entusiasmo que tem gerado. Tem o "handicap" de ter crescido numa estrutura diferente, como ala de 4-4-2 clássico. Acho difícil que se torne num jogador de corredor central e creio que a forma melhor de o potenciar será através de posicionamentos mais abertos, que potenciem a boa definição do seu pé esquerdo - o golo que marcou, aliás, é característico. Tem tempo...

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30.7.10

Reforços 10/11: Walter

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Foi uma novela que durou algum tempo e que, a acreditar nas palavras do presidente do Internacional, terá envolvido algumas peripécias pelo meio, mas, finalmente, Walter, é mesmo reforço portista. A primeira vez que vi o jogador foi no 'Sudamericano' sub 20, em Janeiro de 2009 e de lá para cá tenho acompanhado com algum rigor a carreira do jogador. É um caso especialmente interessante de seguir...


Pontos fortes: remate
Para ser muito concreto, Walter é o jogador mais forte que conheço na sua idade em capacidade de remate. Tenta-o frequentemente e com os 2 pés, embora seja o direito aquele que justifica tanta tinta sobre o “bigorna”. Walter é tecnicamente dotado, que sabe movimentar-se na frente e jogar como apoio à criação, mas não é um jogador especialmente forte em termos de explosão ou velocidade, nem mesmo um temível jogador de área. Pelo menos para já. A sua virtude, e que o poderá catapultar para altos voos, é mesmo o remate. Assim que se vira para a baliza, e mesmo fora da área, é um perigo.


Pontos fracos: Intensidade
É típico nos jogadores brasileiros. A intensidade nem sempre é a mais adequada ao patamar do futebol europeu. No Porto, Walter vai ter de aprender a jogar no resto do tempo, em que a bola não está nos seus pés. As movimentações colectivas e a intensidade no pressing serão requisitos para triunfar no Dragão. Walter é jovem e se quiser aprender, seguramente que não lhe faltarão oportunidades para evoluir.

Antevisão: 8 ou 80
Não há 2 oportunidades para um primeira impressão. Diz-se e é verdade. Muitos jogadores, especialmente aqueles que precisam de evoluir, dependem muito da forma como são recebidos e da tolerância que lhes é transmitida no seu processo de afirmação. No caso de Walter, creio, será especialmente importante essa primeira impressão. Porque tem potencial, mas precisa de evoluir em vários capítulos, mas também porque Walter pode também cair na situação comum de ser mal visto pelos adeptos, muito devido à sua fisionomia “arredondada”, o que leva sempre ao aparecimento de preconceitos. Lembro-me de um caso diferente, de Pena. Marcou 2 golos na estreia e esse momento foi tão importante que o catapultou para uma época bem acima das suas modestas potencialidades. Com Walter, se o primeiro “míssil” sair bem, terá tudo para poder evoluir, caso contrário a pressão do Dragão poderá ser um obstáculo.

Por fim, convém dizer que Walter é um dos mais promissores avançados da sua geração e que provavelmente só não saiu mais cedo do Brasil porque uma lesão o afastou do último mundial sub20. Se a sua evolução for positiva e se souber moldar o seu jogo às exigências que se lhe deparam, Walter pode bem sair a curto prazo e pela porta grande do Dragão, porque, como já disse, tem alguns recursos raríssimos. O caminho é ainda longo, porém.



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11.2.09

20 nomes do 'Sudamericano' Sub20

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Terminou o Sudamericano com um vencedor óbvio, mas com algumas grandes surpresas. Neste particular, a Argentina foi o destaque, pela negativa, do torneio. Ficando em 6º e último lugar na fase final do torneio, a Argentina não só averba uma das piores prestações da sua história na competição como, ainda, fica de fora do Mundial de Sub20 no próximo ano. Para um país repleto de talentos, o Mundial de sub20, mais do que uma montra, é um instrumento que inflaciona o preço dos jogadores que nele participam. Esta será, por isso, uma boa oportunidade para quem quer andar realmente atento a bons investimentos no país das Pampas. Pela positiva, destaco claramente o Uruguai. Uma equipa fantástica, cheia de jogadores de qualidade que só terminou em terceiro por alguma displicência no último dia da competição, quando o Brasil já tinha o título assegurado. De resto os outros apurados para o Mundial são o Paraguai (2º) e a Venezuela que tirou partido do factor casa para garantir a presença no Egipto no próximo Verão. A Selecção venezuelana, no entanto, não promete muito...

Deixo, finalmente, uma lista de 20 jogadores que destaco dos jogos que vi. Não tive a oportunidade de ver todos os jogos, nem de os ver com total atenção, havendo equipas que pude analisar com muito maior detalhe do que outras. Nesta lista não estão nem guarda redes, nem defensores centrais porque o seu potencial mede-se muito pela consistência com que actuam, sendo necessário mais tempo para confirmar essas características. Há também nomes óbvios que escapam a estas, como Zucullini ou Renan Oliveira, mas julgo ser mais interessante destacar figuras menos conhecidas. Destes 20 nomes alguns não confirmarão certamente o destaque, mas também estou seguro que outros haverá que, em breve, poderão ser vistos nos principais palcos do futebol europeu...

- Eduardo Salvio (extremo/avançado, 18 anos, Argentina, Lanús) – Foi o primeiro destaque que fiz da competição e, por isso, não há muito a acrescentar sobre esta estrela emergente. Falta saber o destino e quanto tempo demorará até que o ‘salto’ se concretize.
- Ivan Bella (extremo, 19 anos, Argentina, Velez) – Extremo rápido e forte tecnicamente. Parece ter todas as características técnicas e físicas para se tornar num excelente jogador. Se a sua evolução for positiva na forma como entende o jogo, tornar-se-á seguramente num bom valor do futebol argentino.
- Samuel Galindo (médio centro, 16 anos, Bolívia, Real América) – Um caso estranho. Tem 16 anos, mas era o capitão da Selecção sub20, sendo-lhe entregue a camisola 10. Muito alto e esguio, tem uma fisionomia estranha para um jogador que ocupa posições centrais do meio campo. Ainda assim bom pé esquerdo e uma notável personalidade que lhe permite competir sem problemas perante jogadores bem mais velhos.
- Sandro (médio defensivo, 19 anos, Brasil, Internacional) – Médio defensivo que se destacou numa equipa cheia de talentos e sobretudo ofensiva. Bem posicionado e muito assertivo nas suas acções, Sandro merece acompanhamento no futuro próximo.
- Giuliano (médio ofensivo, 18 anos, Brasil, Internacional) – Uma das grandes revelações da competição e um dos seus melhores jogadores. Médio criativo de grande técnica e visão, promete poder explodir num futuro próximo no Internacional. Dizer, finalmente, que este jogador foi contratado recentemente pelo Internacional, já que jogava no Paraná, na Série B do Brasil.
- Douglas Costa (médio ofensivo, 18 anos, Brasil, Grémio) – Um dos grandes nomes da prova, não desiludiu. Numa equipa em que é difícil brilhar, Douglas deixou clara a diferença que é fazer a bola chegar aos seus pés. Vamos ver como evolui, mas aqui pode estar mesmo um grande craque.
- Walter (avançado, 19 anos, Brasil, Internacional) – Já o destaquei pela forma como se afirmou na competição. Finalizador excepcional, é algo estático nas suas movimentações, mas tem tudo para se tornar num dos melhores 9 do futebol mundial.
- Dentinho (extremo/avançado, 20 anos, Brasil, Corinthians) – Tecnicamente é um jogador fantástico, tendo sido já uma das afirmações do “Timão” em 2008. Dentinho tem tudo para se tornar num jogador altamente desequilibrador e decisivo.
- Cristian Mejia (extremo, 18 anos, Colômbia, Deportes Tolima) – Jogador de centro de gravidade baixo e com uma capacidade de explosão extraordinária. Estas características são o seu ponto forte, mas para se tornar realmente um caso sério precisa de trabalhar mais a sua utilidade em situações de jogo onde há menos espaço. É novo e tem tempo, mas esse será um aspecto decisivo.
- Javier Reina (médio ofensivo, 20 anos, Colômbia, Vitória Bahia) – Numa selecção que se destacou pela capacidade física, Reina foi o jogador cerebral. Forte tecnicamente e com grande dinâmica, foi o jogador que deu maior rasgo de qualidade à Colômbia. O seu destaque era já esperado uma vez que está já ligado a um clube brasileiro.
- Jefferson Montero (médio ofensivo/extremo, 19 anos, Equador, Indep. José Teran) – O Equador não passou à fase final mas deixou clara a sua qualidade. Montero foi um dos jogadores que mais se destacaram, aparecendo sempre rápido e muito difícil de parar. Tecnicamente evoluído, revelou-se na principal fonte criativa da equipa.
- Joao Rojas (extremo/avançado, 19 anos, Equador, Tecnico Universitário) – Marcou 2 golos de cabeça na abertura, mas o seu destaque deve-se sobretudo à forma enérgica e à qualidade com que se mostrou quando a bola lhe chegou. É, sem dúvida, um jogador a ter em conta.
- Rodrigo Burgos (médio defensivo, 19 anos, Paraguai, Cerro Porteño) – Pivot defensivo por natureza, esteve bastante bem nos primeiros jogos, quer pelo posicionamento, quer pela certeza no passe. É difícil tirar grandes conclusões sobre um jogador de características tão tácticas, num torneio de jogos marcadamente anárquicos, mas Burgos merece, pelo que vi, nova avaliação.
- Hernan Perez (médio ofensivo/extremo, 19 anos, Paraguai, Libertad) – Uma das revelações do torneio e a principal figura do segundo classificado. Hernan Perez marcou muitos e bons golos. Sempre a partir da direita, no seu estilo esguio e desconcertante, Perez foi um elemento desequilibrador e de grande qualidade. Se não for antes, merecerá grande atenção por parte dos olheiros no Mundial do Egipto.
- Robin Ramirez (avançado, 19 anos, Paraguai, Libertad) – Avançado móvel, baixo e forte tecnicamente, destacou-se sobretudo pela facilidade com que fez golos. É verdade que muitos desses tentos foram conseguidos em fases em que os jogos ofereciam já grandes condições aos avançados, mas Ramirez deixou sempre a ideia de ter uma relação de grande proximidade com a bola e a baliza.
- Reimond Manco (médio ofensivo/extremo, 18 anos, Peru, PSV) – Uma das grandes promessas da sua geração não conseguiu evitar a grande desilusão do Peru. A selecção tinha sido campeã continental nos sub17, mas desta vez nem 1 ponto fez. Manco pode ser acusado pelo excesso de individualismo, mas a sua qualidade não deixou de sobressair.
- Adrian Gunino (lateral direito, 20 anos, Uruguai, Danubio) – Deixou excelentes indicações nas partidas que realizou. Apesar dos jogos terem sido muito partidos, Gunino não deixou de se revelar muito dinâmico e objectivo nas suas acções ofensivas, criando vários desequilíbrios.
- Matías Aguirregaray (médio polivalente, 19 anos, Uruguai, Peñarol) – No Uruguai há excelentes jogadores e um deles é certamente Aguirregaray. Médio de grande entrega, agressividade e força física, tem também uma boa qualidade técnica. Jogou normalmente como interior direito, mas poderá fazer várias posições. Pode ser um jogador de adaptação muito rápida a um futebol mais exigente tacticamente.
- Nicolás Lodeiro (médio ofensivo, 19 anos, Uruguai, Nacional) – Para mim será provavelmente a maior revelação do torneio. Baixo e de grande qualidade técnica, joga preferencialmente com o pé esquerdo, mas isso não o impediu de marcar um excelente golo com o direito. Actuou como interior esquerdo num meio campo fantástico do Uruguai, fartando-se de criar jogo ofensivo.
- Tabaré Viúdez (médio ofensivo, 19 anos, Uruguai, Milan) – O facto de jogar no Milan dava-lhe o destaque entre os jogadores uruguaios. Viúdez confirmou o talento e a qualidade técnica, jogando numa posição central do meio campo, coordenando (muitas vezes com Lodeiro) o jogo ofensivo daquela que foi, para mim, a segunda melhor equipa da prova.


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4.2.09

Walter, o novo bombardeiro

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Quem tem visto os resumos do ‘Sudamericano’ Sub 20 já percebeu que este é um dos nomes da prova. Walter Silva, ou simplesmente Walter, começou por se fazer notar logo no primeiro jogo do torneio com aquele que será muito provavelmente o melhor golo da competição. Desde então marcou mais 3 golos, ajudando o Brasil a colocar-se numa posição agora muito favorável para vencer o torneio.

Walter foi descoberto pelo Internacional de Porto Alegre aos 17 anos e já havia sido uma das revelações da Copa São Paulo de juniores em 2008 (ver este jogo em que marcou 2 grandes golos frente ao Santos). De lá para cá não teve grande destaque, sem grandes oportunidades na equipa principal do Inter. Agora revela-se essencialmente como um finalizador de excelência, tal a força e precisão do seu pé direito. Para além desta característica tem um poderio físico assinalável para a idade, sendo ainda pouco perceptível até que ponto poderá fazer desse aspecto uma vantagem, nomeadamente em termos de capacidade de explosão. Se evoluir positivamente nestas características, então poderá tornar-se muito rapidamente num dos mais temíveis avançados do futebol mundial.

Aos 19 anos, passa agora a ser uma das grandes promessas do futebol mundial. Se estiver presente no próximo Mundial sub 20 e se, nesse palco mais mediático, confirmar as potencialidades, então poderemos assistir ao inicio de uma autentica febre pelo jogador.


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