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9.3.12

A vantagem de não ter que dominar

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- A nível interno, não há muito para escolher em termos de opções estratégicas. Para os "grandes", o empate é uma derrota e por isso nada mais resta do que dominar, ou seja, tomar de assalto a bola e o espaço. Na Europa e nesta fase da competição, não é assim. Sabendo-se que realisticamente não poderia ter os dois, Sá Pinto podia escolher entre a bola e o espaço. É claro, todos estaremos conscientes do que se diria de Sá Pinto se as coisas tivessem corrido mal na sequência de uma estratégia especulativa, como aquela que escolheu (ou das substituições que fez, de resto). Não seria um argumento original. Mas o treinador está onde está para ganhar jogos, e não para preparar desculpas para as derrotas, e por isso a sua opção foi a mais acertada, quer tivesse ganho ou não. No campeonato, voltará a ter de atacar as vitórias pelo domínio total, pela bola e pelo espaço, e aí veremos como a equipa vai evoluir. Terei menosprezado as dificuldades que acabou por encontrar na imposição do futebol que idealiza, mas a atitude do treinador e a sua consciência do que é preciso para ganhar, tem correspondido à minha expectativa.

O City, creio, não esperava o Sporting fechado que lhe apareceu pela frente. Nem foi esse o Porto que teve (aliás, foi o City quem jogou no erro na eliminatória anterior), nem as suas observações do Sporting lhe terão dado essa indicação (a última vez que me lembro de algo semelhante, em Alvalade, foi frente ao Porto na época anterior). Por outro lado, parece-me que foi um cenário que trocou as voltas ao treinador italiano em termos de gestão do actual ciclo de jogos. Havia poupado Silva e Aguero para este jogo, e percebe-se pelo calendário que quereria resolver já a eliminatória, uma vez que a segunda mão está entre uma deslocação a Swansea e a recepção ao Chelsea, e a Premier League será sem dúvida a prioridade. São mais boas notícias para o Sporting!

Finalmente, uma nota para os centrais do Sporting, ultimamente muito em foco pela negativa mas que, de repente, aparecem em bom nível num jogo de maior grau de dificuldade. Parece contraditório, mas quando se joga mais baixo, mais protegido e sem trabalhos forçados em construção, é mais fácil não errar.

- No duelo mais interessante da ronda, logicamente que não se pode dizer que se esperava uma derrota do United, mas também nunca esperaria outra coisa que não fosse uma séria relativização do favoritismo dos ingleses. Há dois pontos que quero focar a este respeito. Uma, para o mérito do Bilbao de Bielsa. Trata-se, provavelmente, da grande novidade em termos tácticos das principais ligas deste ano. Uma equipa que consegue o sucesso através de uma abordagem comportamental profundamente atípica. Uma fuga ao paradigma actual, que mostra que no futebol a qualidade não tem de ser monótona. Entre todos, talvez o comportamento que mais espanto crie seja o uso de referências individuais como ponto de partida para o pressing em zonas mais afastadas da sua baliza.

O outro ponto tem a ver com algo que escrevi há algumas semanas, à cerca da Liga Europa e da forma como várias equipas abordam esta competição. Para o Bilbao será um feito eliminar o United, mas para os ingleses não vem grande mal ao mundo se saírem eliminados da prova. Quem sabe, com a ajuda do Sporting, não ficam já pelo caminho os dois gigantes da cidade?

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31.5.11

Análise Barcelona - Man Utd (II): A estratégia de Ferguson

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Ao recordar a sua primeira vitória europeia ao serviço do United, em 1991 e precisamente sobre o Barcelona de Cruyff, Ferguson não hesita em apontar a importância dos detalhes tácticos. Em particular, da neutralização do papel de Koeman, que normalmente integrava, vindo de trás, as acções ofensivas da equipa, criando uma situação de superioridade no meio campo. Aliás, Ferguson sempre reconheceu a importância destes "jogos tácticos", e frequentemente se usou deles para ganhar vantagem sobre a concorrência interna. Por exemplo, pelo uso de falsos avançados (McClair, Cantona), que baixavam e criavam situações de superioridade no corredor central, dentro de uma realidade britânica onde o 4-4-2 clássico era confundido com uma regra do jogo.

Ora, Ferguson abordou esta final como sempre fez. Verificou a influência de Piqué na construção, e anulou-o com a atenção especial de Hernandez. Constatou a superioridade que o apoio recuado de Busquets poderia criar, e, qual McClair em 1991, baixou Rooney para sua zona. Na sua cabeça, estava anulada a superioridade em construção e a batalha do meio campo reduzida a um 2x2 de Xavi e Iniesta vs Carrick e Giggs. Mas Ferguson foi mais longe. Colocou os alas em posições mais interiores, reconhecendo a qualidade e dinâmica do jogo blaugrana no corredor central e, ainda, deu liberdade a um dos seus centrais para sair bem longe da sua zona e pressionar os movimentos interiores de Messi. O jogo táctico de Ferguson estava montado, mas o seu efeito estava longe de estar bem calculado...

Há vários problemas na aplicação prática das intenções de Ferguson:

1- Primeiro, e mais grave, a presunção de que dinâmica deste Barcelona é igual, ou sequer comparável, com outras equipas (como o Barça de Cruyff, por exemplo).

2- Os papeis de Hernandez e Rooney foram, de facto, suficientes para limitar significativamente a acção de Piqué e Busquets, que tiveram uma influência muito mais reduzida do que é hábito. Mas, foram também uma forma de desfocalizar atenções naquelas que são as zonas essenciais. A dinâmica do Barça foi mais do que suficiente para contornar as "ausências" de Busquets, utilizando Mascherano e Abidal, por exemplo.

3- O papel interior dos alas, foi permanentemente contrariado pelas acções dos laterais, especialmente Alves, que surgiu sempre como ameaça à direita, forçando o ala a abrir.

4- Toda a estratégia foi alicerçada em equilíbrios individuais e não na redução de zonas de jogo. Por exemplo, a profundidade da linha defensiva foi contra producente para que se conseguisse parar o meio campo do Barça, nomeadamente pelo espaço que ofereceu a quem aí pretendia receber a bola.

5- Houve dificuldades óbvias na interpretação da missão por parte de alguns jogadores. Rooney é um caso claro, pela falta de intensidade que teve em vários momentos ("perdeu" Busquets demasiadas e decisivas vezes), mas igualmente Giggs teve vários problemas, quer na primeira parte na zona central, quer na segunda, quando Ferguson o trocou com Park e o colocou na esquerda.

6- O condicionamento de Messi nunca foi feito no momento da recepção, como deveria ter acontecido, mas sempre após esse instante.

7- O corolário de tudo isto foi que a construção baixa do Barça ficou realmente condicionada, mas o seu condicionamento teve como implicação maior liberdade para o trio mais importante de anular no jogo do Barça: Xavi-Iniesta-Messi. Este foi o efeito secundário que Ferguson não antecipou.
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30.5.11

Análise Barcelona - Man Utd (I): Estatística e opinião

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1- Na antevisão, havia confessado a minha dificuldade em antecipar qual a solução de Ferguson para conseguir conciliar 1)a necessidade de manter o jogo longe da sua área e 2) a sua aversão a correr riscos no posicionamento da última linha. A resposta não foi a que esperava, mas, devo dizer, foi ao encontro das minhas piores expectativas. A estratégia de Ferguson para o condicionamento da posse do Barça foi, a meu ver, e com larga distância, o factor que mais condicionou as possibilidades do United.

2- Voltarei ao tema com imagens, mas, para já, digo apenas que, apesar de Piqué e Busquets serem elementos importantes na construção blaugrana, estão longe de poder ser considerados "prioritários", face a outras unidades. Creio que a origem do pensamento de Ferguson e tentarei enquadrar a solução com um episódio passado, mas, para já, fica apenas a opinião de que ao tentar "prender" Piqué e Busquets, Ferguson deu também mais liberdade ao trio Xavi, Iniesta e Messi, e complicou ainda mais as possibilidades da sua equipa controlar o espaço entre linhas. O aproveitamento que o Barcelona fez desse espaço - de onde resultou a maioria das suas ocasiões, note-se - foi, e repito a opinião, o que mais desequilibrou a balança do jogo.


3- Para além do descontrolo no espaço entre linhas, o United denotou também grande incapacidade em provocar o erro e, como consequência, aproveitar o momento de transição para ser perigoso. É curioso, aliás, verificar que o United teve até uma quantidade razoável de posse de bola, com boa percentagem de sequência em posse e sem grandes problemas em termos de perdas de risco. Não são dados que se esperem frente ao Barcelona, mas esta constatação serve também para verificar como estes indicadores podem ser absolutamente irrelevantes num jogo de futebol. E são-no porque, por si só, não garantem, nem controlo defensivo, nem capacidade de desequilíbrio ofensiva. Em suma, o United comprometeu todas as suas possibilidades por aquilo que aconteceu no seu momento de organização defensiva.

4- Não é a primeira vez que o escrevo, mas parece-me que o Barça de hoje é o mais difícil de neutralizar. Mesmo, considerando a qualidade que Eto'o lhe trazia antes do erro que foi a sua troca por Ibrahimovic. E tudo tem a ver com o papel de Messi. A sua posição como falso avançado cria um dilema táctico, até agora sem resolução: nenhuma equipa arrisca perder presença na última linha defensiva, mas, ao manter essa prioridade, os adversários do Barça estão também a tornar impossível garantir superioridade nas zonas mais interiores, onde o Barcelona é mais forte. O ideal seria poder jogar com 12!

5- Volto, de novo ao tema dos 4 duelos com o Real Madrid. Não há paralelo possível entre aquilo que fez Mourinho nos primeiros 3 jogos - onde dividiu por completo as possibilidades de vitória - e aquilo que o United fez nesta final. A diferença, basicamente, está na noção de quais os espaços que são importantes condicionar. Mas há uma coincidência entre ambos os casos: depois da derrota, os dois treinadores serão acusados de terem sido demasiado "defensivos". O ponto, e outra vez, é que ninguém escolhe "atacar" ou "defender". Ataca-se quando se consegue e, para o conseguir, é preciso ser-se bom a defender. Essa foi a diferença entre Real e United: ambos jogaram "pouco" (até menos o Real) mas, ao contrário de Ferguson, Mourinho foi capaz de colocar a sua equipa a jogar "pouco", mas "bem". E, se o objectivo do futebol ainda é marcar mais e sofrer menos, então... é só isso que é preciso.

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28.5.11

Mais um título para o Super Barcelona (breves)

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- Os primeiros minutos ainda deram outra ideia: muita vontade do United de pressionar alto e retirar proveitos das recuperações que pudesse na zona de construção do adversário. Sem pressa, no seu ritmo, porém, o Barça foi-se impondo, acabando depressa por revelar o problema que abordara na antevisão. Ou seja, pressionar alto sem subir a linha defensiva, mais do que provavelmente, iria implicar a abertura espaços no bloco defensivo. Um regalo para o futebol de Xavi, Iniesta e Messi, que mais não parecem procurar do que os espaços entre linhas. Apenas o golo do empate adiou o inevitável, e a segunda parte foi de domínio avassalador. Domínio e descontrolo do United, é preciso notar. O Barça parou no 3-1, quando quis.

- O triunfo blaugrana faz justiça ao futebol que a equipa pratica. Não se pode querer ficar na História sem vitórias, mas, com elas, este Barça terá certamente um lugar bem vincado na memória de todos. Quanto tempo durará? Têm a palavra, parece-me, dois homens: Guardiola e Mourinho. Guardiola, porque quando decidir abandonar Camp Nou, nada garante que não teremos um retrocesso ao tempo de Rijkaard. Mourinho, porque, goste-se ou não, é o único que consegue tornar incerta uma série de duelos com esta fenomenal equipa. Guardiola perdeu três títulos, dois pelas mãos de Mourinho e, como hoje se viu, o que fez o Real não está ao alcance de qualquer um...

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27.5.11

Final da Champions: O derradeiro(?) desafio de Ferguson

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É curiosa a relação de Alex Ferguson com Barcelona. Não foram muitos os duelos - aliás, foram estranhamente poucos nos últimos anos, dada a performance europeia dos dois emblemas - nem, tão pouco, o treinador escocês se pode gabar de não ter passado por dissabores (as dores de cabeça que Romário deu em 1994!). Mas, sem dúvida, poucas palavras terão suscitado tão boas memórias como "Barcelona", durante muito tempo. Foi frente aos catalães que Ferguson conquistou o seu primeiro troféu europeu pelo United (1991), e foi em Camp Nau que ganhou a sensacional final de 1999. Mas "Barcelona" deve, hoje, soar de forma diferente nos ouvidos de Ferguson...

Tudo parecia correr de feição em 2008. Antes de vencer o Chelsea em Moscovo, teve de se deparar com o Barcelona de Xavi, Messi e Henry. Era uma equipa difícil de conter pela qualidade e capacidade que tinha para se impor pela posse, mas Ferguson passou bem pelo teste. Controlou sempre o adversário, quer em Camp Nau, quer em Manchester, manteve, sem grande surpresa, as suas redes invioláveis e esperou pelo momento certo para capitalizar um erro que o adversário haveria de cometer em posse. Foi Scholes, em Manchester, mas até já podia ter sido Ronaldo em Barcelona. O que ficou, para lá do bilhete para a final, foi a sensação de que o Barcelona, sendo difícil, estava longe de ser insuperável ou, sequer, merecedor de figurar entre os desafios mais complicados da carreira do escocês.


Um ano mais tarde, porém, tudo mudou. Em Maio de 2009, já ninguém se surpreendia com o poderio do novo Barça de Guardiola. Porém, uma coisa é ver, outra coisa será sentir. Poderia ser tão diferente, de um ano para o outro, e sem grandes novidades no elenco, aquela equipa que havia sido tão seguramente controlada apenas 1 ano antes? A resposta dada pela final de Roma foi um gigantesco "sim". O Barcelona não ganhou apenas a final, mas dominou-a por completo. O United começou por não conseguir defender, e, quando tentou reagir tacticamente, não só se viu neutralizado ofensivamente, como exposto na rectaguarda. A boa notícia para Ferguson, no final desse embate, foi que aquele Barcelona seria apenas um problema hipotético no futuro. Pois bem, dois anos volvidos, ele aí está de novo...

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Ter bola ou atacar, não é uma mera questão de vontade. É preciso conseguir fazê-lo e isso, frente ao Barcelona, será para além de difícil. Ou seja, e voltando a discordar por completo de algumas teorias avançadas aquando dos duelos entre Barça e Real, não há outra alternativa, para quem quer vencer o Barça, se não começar a pensar a estratégia pelo que se vai fazer sem bola. Afinal, é sem bola que se vai passar a maior parte do tempo, quer se queira, ou não.

Não é a primeira vez que o escrevo e, como continuo a acreditar na ideia, volto a repeti-la. É fundamental - senão decisivo - ter a capacidade para manter a posse do Barça longe da sua área. Se o Barça for capaz de ter bola junto da área contrária, torna-se uma tarefa hérculea sobreviver a 90 minutos de jogo. Não só pela qualidade que tem nas suas soluções e movimentações no último terço, mas, talvez até mais, por aquilo que o Barça faz depois de perder a bola. A sua reacção, sendo no meio campo contrário, é de tal forma forte que normalmente o momento de transição do adversário se torna numa ameaça maior para o próprio (pelo o instinto de "abrir" posições), do que para o Barcelona. Foi assim, por exemplo, no "massacre" frente ao Arsenal.

Um dos grandes problemas de Ferguson para este duelo pode ter a ver com a sua pouca propensão para subir a linha defensiva. Ou seja, se quiser defender alto e não arriscar na exposição que oferece nas costas, abrirá a zona entre linhas, onde cada palmo de terreno é capitalizado por Messi, Xavi e Iniesta. Se, por outro lado, se quiser manter compacto, poderá ter de fazê-lo em zonas demasiado baixas, submetendo-se à situação que especifiquei anteriormente.

O que vai fazer Ferguson? Honestamente, não sei, nem tão pouco desejo adivinhar. Mas há duas notas que quero deixar no final desta antevisão:

1) Não há treinador no mundo, e provavelmente na História do jogo, que mereça mais crédito do que Ferguson. Nascer na Escócia no inicio dos anos 40 e ser hoje um treinador no topo da pirâmide do futebol europeu é um feito absolutamente impensável. Para chegar onde chegou, Ferguson teve de se "dobrar" muitas vezes. Teve de superar o problema interno do United, ainda nos anos 80. Teve de superar a cratera filosófica e qualitativa que se abriu entre o "kick 'n rush" britânico e o "Continenental football", nos anos 90. Teve de superar a ascensão do meteórico Chelsea de Mourinho, ou mesmo o "fancy football" de Wenger, na primeira década deste milénio. Todos estes foram desafios dados antecipadamente como perdidos, que todos perderam, mas que ele venceu. Ele e só ele. Ninguém é eterno, nem infalível, mas há que ter respeito por quem, ao longo destes anos, foi sempre capaz de ter a humildade e inteligência para não ficar preso a dogmas, reconhecer as suas limitações e, assim, superá-las. Como a História testemunha... é perigoso substimá-lo.

2) O Barcelona é, a meu ver, amplamente favorito. A verdade, porém, é que o futebol não se compadece com quem facilita. Não há lugar a notas artísticas ou a aplausos antecipados. Ganha-se apenas no final dos jogos e a vitória mede-se por critérios absolutamente objectivos. O principal trabalho de Guardiola, agora e no futuro, passa pela sua capacidade de gerir a "temperatura" motivacional dos seus jogadores, porque não basta ser-se bom e ter-se um grande modelo, é preciso interpretá-lo nos limites, outra e outra vez. Guardiola tem-no feito muito bem e é pouco provável que o problema surja agora, mas é também bom de lembrar que a natureza humana aponta precisamente para que a percepção de sucesso redunde em facilitismo na etapa imediatamente seguinte. Ou seja, esta é uma ameaça está e estará sempre presente...

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27.4.11

Uma meia final dispensável (breves)

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- A boa notícia é que se tornou altamente improvável termos o Schalke na final. A má notícia são os desinteressantes 90 minutos que ainda restam. Realmente, foi um jogo penoso e, sobretudo, impróprio do nível que uma meia final de Champions exigia. O United encarou o jogo, como tantas outras vezes, com uma postura prudente e própria da fase em que se encontra: não assumindo qualquer risco em posse e tentando manter como prioridade o equilíbrio posicional sobre um comportamento mais pressionante. Ou seja, pareceu querer manter sempre duas linhas atrás da bola, ser paciente e delegar no momento de transição a sua fonte desequilíbrios. "Pareceu", porque o Schalke não deu tempo para que se percebesse muito do que Ferguson pensava do jogo. Subitamente, e sem nunca ter de elevar minimamente o ritmo, o United encontrou sucessivas hipóteses de chegar ao golo. O demérito vai todo para os alemães que foram inexplicavelmente incapazes em quase todos os momentos do jogo. A ideia era pressionar a primeira fase de construção dos ingleses, utilizar os laterais para dar profundidade nos corredores e reservar ao trio ofensivo a liberdade suficiente para garantir dinâmica no último terço do campo. Mais atrás, Papadopoulos seria o elemento de equilíbrio, mantendo-se próximo da linha defensiva. Intenções, porque na prática foi um desastre. Um desempenho fracassado em todos os momentos, defensivos e ofensivos, em organização e transição. O Schalke acabou encostado atrás, tentando fazer passar o tempo e esperar que Neuer continuasse a resolver os seus problemas. Não deu...

- Neuer será uma das grandes referências das balizas mundiais na próxima década? Assim que dê o "salto", parece-me provável...

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6.4.11

O duelo inglês e a definição da Champions League 2011 (Breves)

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- Do duelo sairá um provável finalista da prova. Ou seja, um deles poderá discutir o título até ao último jogo, talvez mesmo aos últimos minutos. O facto, porém, é que a primeira parte do embate apenas confirmou que nenhuma destas equipas tem o nível de um campeão europeu. Porque, havendo qualidade individual (sobretudo no Chelsea), não há um nível colectivo de excelência dentro de qualquer um dos momentos do jogo. Ganhou o United, mas a eliminatória está longe de estar fechada. Aliás, parece-me que Ferguson beneficiou do incómodo que o Chelsea sentiu em gerir o peso da responsabilidade de jogar em casa. Seja como for, o desnível explica-se sobretudo pela eficácia e, já agora, pelo confronto entre a experiência de Giggs e a inocência (imperdoável!) de Bosingwa, no lance decisivo.

- Parece claro que teremos uma verdadeira final antecipada nas meias finais. Muito mais do que no anterior, quando o Inter bateu o Barcelona. Real e Barça (sobretudo o Barça, é verdade) estão a grande distância das restantes equipas, mas é importante não confundir esta dupla de "gigantes" com o futebol espanhol em geral. É que a tendência do futebol europeu, parece-me, não converge para a afirmação de qualquer liga como um campeonato superior. Mesmo a Premier League, que continua a ser o mais bem organizado de todos. A tendência passa, isso sim, pela aproximação competitiva do "G5", no seu nível médio. Aqui, já agora, continuo a acreditar na ascensão alemã.

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30.12.09

2010: ano "Gunner"?

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Quem tem um modelo de menor investimento está, no longo prazo, condenado a isto. Esperar. Tem sido assim a vida do fantástico Arsenal de Wenger. Fascinante futebol colectivo mas incapacidade de se impor quando, noutras paragens, os milhões são bem aplicados. A boa notícia é que em Londres tem havido essa paciência, própria de quem acredita no que faz. O rumo não se desviou e, na viragem para 2010, parece possível pensar num regresso ao topo da Premier League.

É sempre demasiado cedo em Dezembro. Ainda assim, o Chelsea de Ancelotti está longe de ter um rendimento óptimo, parecendo apenas alicerçado na inegável qualidade do seu plantel. Normalmente isto significaria título garantido lá mais para norte, mas o United está também em tempo de reestruturação e tem pago algumas facturas que lhe são atípicas. Juntando isto ao fracasso (mais um) de Benitez e do Liverpool e às dores de crescimento do outro vizinho de Manchester, pode estar aberta uma via de acesso para Wenger juntar o entretenimento ao sucesso.

Por tudo isto, mais do que nunca, fazem sentido as apostas (que, já agora, mantêm os “Blues” como grande favorito). Se me perguntarem, digo que sem laterais ofensivos a vida de Ancelotti vai ser muito complicada. Que a “velha raposa” escocesa dificilmente não aparecerá mais forte na segunda metade. Mas, também, que estão criadas as condições para que 2010 seja um ano “Gunner”.


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8.10.09

Os antecessores de Berbatov

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23.9.09

Análise vídeo: lances da jornada

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Foi um jogo marcado pelo equilíbrio, é certo, mas isso não significa que não tivessem acontecido oportunidades dignas de destaque. E, no caso dos portistas, com alguns denominadores comuns. Na primeira parte, em organização ofensiva, pelo lado direito e aproveitando o espaço entre linhas e alguma falta de capacidade defensiva do lado esquerdo do meio campo contrário. Isto, claro, só possível porque existe do lado portista uma saída a jogar organizada sobre as alas, com qualidade e rotina. Tudo isto, claro, não chegou para ganhar nem mesmo para evitar a derrota. É que para além disto, houve pouco mais e, para além disto ainda, sobrou uma exibição essencialmente desinspirada e com pouco intensidade. Em especial no inicio do segundo tempo.


Hulk & Guarin – A primeira nota vai para o papel de Meyong, quem melhor pressiona no Braga. A sua acção obriga o Porto a organizar pela direita, dando uma vantagem ao Braga que deveria ter encurralado os portistas. Não foi isso que aconteceu. Não houve agressividade dos restantes jogadores e abriu-se uma linha de passe para Hulk, a quem também foi permitido rodar e sair da zona de pressão. Depois percebe-se a pouca reactividade de Viana que perde totalmente o controlo sobre o espaço nas suas costas, explorado por Guarin. Como o Braga joga com 2 linhas de 4 e não tem nenhum jogador posicional entre elas, o colombiano ficou completamente livre para atacar a zona mais recuada dos minhotos.

Meireles & Hulk – De novo a distância entre linhas. Desta vez, notória entre os avançados e a linha média. Este factor aliado à pouca agressividade de Mossoró sobre Meireles permitiu que o médio azul ganhasse tempo e espaço para libertar Hulk no flanco oposto. Um 1x1 muito perigoso e que apenas não teve outras consequências porque Evaldo conseguiu evitar o pé esquerdo de Hulk.

Guarin & Varela – De novo o lado direito portista. O primeiro ponto a realçar é a boa dinâmica entre o extremo e o médio, com troca de posições entre eles. Um rotina bem assimilada e que é solução comum na saída de bola portista, seja à esquerda, seja à direita. O ponto aqui tem a ver com a forma como Varela consegue rodar, não havendo a pressão exigível para a situação em que se encontrava. Aliás, este lance tinha tudo para dar uma recuperação e originar transição do Braga. Mas não deu. E tudo por Viana e Paulo César voltaram a denotar grande insuficiência defensiva e porque, claro, houve qualidade do lado contrário. Aliás, esta dupla não só permite que Varela rode como depois perde controlo sobre o extremo portista, não compensando, nenhum deles, o espaço de Evaldo que vem pressionar Guarin. Só por muito pouco este lance não termina em golo.

Desacerto azul – Se há lance que espelha a desinspiração portista é aquele que culmina numa finalização de Vandinho. Uma das mais perigosas do Braga. É que a jogada só acontece porque há uma série de deslizes individuais na sua origem. Primeiro o mau pontapé de Hélton, depois o não domínio de Guarin e, finalmente, uma trapalhada de Fernando finalizada com uma "assistência" em zona central. Ainda assim, saiu barato...

Pateiro – O Benfica ganhou em Leiria, mas muito facilmente poderia ter... perdido. Tudo isto por causa de um lance de inspiração de Pateiro que só não terminou em golo porque dos pés de Kalaba não houve a qualidade correspondente. Muito mérito, obviamente, para a acção de Pateiro, mas é também curioso analisar porque é que tudo foi possível. A última arma da transição defensiva encarnada é o fora de jogo, executado ao limite e, diga-se, com excelentes resultados até ao momento. Ora, quando todos esperavam o passe de Pateiro, este bateu, ele próprio, o fora de jogo. Ainda assim não parece uma fórmula copiável para casos futuros.

Rabiola – O primeiro golo do Olhanense em Alvalade tem os holofotes sobre Carriço e Abel. Podemos começar por aí e por dizer que, na minha opinião, não há nada de errado com o comportamento dos 2 defesas. Existe um 2x2 nessa zona, o que torna tudo muito complicado caso, como aconteceu, o cruzamento saia bem. Aliás, Carriço está bem posicionado e reage bem à trajectória da bola. Simplesmente não chegou e fica muito claro que o principal motivo é a falta de... centímetros. O grande erro está, por isso, na origem do lance. Ou seja, do lado esquerdo e na falta de agressividade sobre a posse de Ukra. Quando se cria uma zona de 1x3 tem de haver maior agressividade e aqui é Vukcevic quem deveria ter impedido o jovem extremo de ter uma solução de recuo. Isso não aconteceu, Ukra teve muito mérito e Miguel Garcia apareceu para dar a solução que o Sporting permitiu.

Edgar – O Marítimo começa a ameaçar ser uma desilusão séria desta liga. Pela segunda semana consecutiva com tudo para vencer e, de novo, incapaz de o fazer. Desta vez 1 lance compôs o cenário improvável no derby madeirense e perante um Nacional com 10 jogadores. Edgar foi o protagonista e trabalhou muito bem a jogada, mas... o que dizer de Olberdam?! Permitir que o avançado cortasse para dentro quando tinha já um ângulo tão fechado... e tão facilmente ele o fez! Assim, torna-se difícil...

Xavi & Messi – Há alguém que não conheça esta jogada? Há alguém que nunca tenha visto Xavi a receber da esquerda, virar-se e solicitar a diagonal de Messi nas costas do lateral?! Não me parece. Jogadores e treinadores sabem todos disto e, no entanto, tudo se repete com sucesso. E pensar que tantas vezes ouvimos gente a falar de previsibilidade pelo conhecimento que se tem das equipas. Hoje em dia nada é imprevisível, tudo é conhecido, tudo é previsível. A diferença está na qualidade. É por isso que Messi há-de marcar mais golos tão “previsíveis” quanto este...

Eto’o & Milito – Eto’o não marcou, não assistiu, mas que impacto teve! O Inter perdia e foi muito pelo camaronês que a situação se inverteu. Sempre ligado, sempre reactivo, pressionou e provocou a perda que isolou o mortal Milito. É uma característica que não dá nas vistas, mas vale muito mais do que se pensa.

Foster & Ferdinand – Um derby que ganhou outra dimensão e que teve uma emoção invulgar. O United ganhou, mas bem se esforçou para que isso não tivesse acontecido. O erro de Foster é primário, mas o que faz Ferdinand no último minuto é difícil de classificar. Valeu-lhes o “Mickey”.

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7.8.09

Antonio Valencia: as indicações do substituto

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Fica o meu "bitaite": Se a velocidade é a sua principal característica, vai ter de correr mesmo muito...

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30.7.09

Quem disse que ele não sabia marcar?

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3.7.09

Rodrigo Possebon, o 'Devil' de Braga

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28.5.09

O bom futebol na lista dos vencedores

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A História diz-nos que o futebol nem sempre é justo com quem o trata da melhor forma. O Brasil de 1950, a Hungria de 1954, ou a Holanda de 1974 são exemplos de grandes equipas que ficaram cruelmente separadas da glória por um jogo, por uma final. Esse era o risco que corria este Barça, cujo brilho fora incomparavelmente superior aos demais durante toda a época. Em Roma, no entanto, os deuses do futebol facilitaram a tarefa a quem tão bem o tratou durante todo o ano. Talvez tenha sido mesmo uma benesse divina ter chegado à vantagem após aqueles 10 minutos tão atípicos, mas a partir daí o Barça impôs-se por completo no jogo e confirmou no palco em que mais importava tudo aquilo que de bom se havia dito sobre esta equipa. Não terá sido uma final perfeita, sobretudo porque tanto domínio mereceria outra expressão no marcador, mas foi seguramente a final suficiente para consagrar este Barça como um dos mais brilhantes campeões europeus.


A importância dos 10 minutos iniciais
Na projecção da final todos previram um United cauteloso e alertado para os perigos de tentar discutir o domínio do jogo com este Barça. Os primeiros 10 minutos foram, dentro desta perspectiva, uma surpresa total. Guardiola referiu que a equipa foi surpreendida pela entrada forte do United, mas creio que houve sobretudo um período menos feliz da equipa catalã. As suas linhas permaneceram baixas, não dando profundidade ao pressing e permitindo que o United tivesse mais bola e maior domínio territorial. Talvez mais estranho ainda foi ver a posse de bola blaugrana perder passes e ser incapaz de empurrar o adversário para trás.
O futebol é de facto um jogo particularmente interessante e o resultado deste momento negativo do Barça acabou por ser o mais positivo possível para a equipa catalã. Como que iludido pelo que estava a acontecer, o United pareceu esquecer tudo aquilo que à partida se sabia ser prioritário para se poder superiorizar a uma equipa como o Barça. À primeira vez que foi pressionado, cedeu a posse de bola, permitiu que Iniesta furasse a linha média e depois libertasse Eto’o no 1x1 com Vidic. Pior do que o golo, para o United, só mesmo o seu efeito. O Barça rapidamente se reencontrou e, ao contrário, o United tornou-se numa equipa instável individualmente e sem soluções colectivas para fazer face à qualidade que lhe apareceu pela frente.

80 minutos quase perfeitos
No que se seguiu ao golo, o Barça foi absolutamente irrepreensível. Com bola, fez valer a característica que mais a distingue das demais equipas do futebol actual. A qualidade da posse, com Xavi e Iniesta sempre em destaque, neutralizou por completo o pressing do United, obrigando os ingleses a baixar a sua equipa no campo. Aqui, alerto para uma decisão que me parece relevante de Guardiola, ao manter Iniesta na linha média ao invés de o distanciar do epicentro do jogo, lançando-o como extremo.
Se com bola não faltam elogios a esta equipa, há muito que falta dizer sobre a qualidade com que defende. A reacção à perda de bola é fantástica, rápida e organizada, e impede o primeiro passe de ser pensado, condicionando desde logo a transição adversária. Depois, a linha defensiva, sendo alta, conseguiu quase sempre ser eficaz, controlando as tentativas (algo repetitivas, diga-se) de colocar as bolas nas costas dos laterais. Nota, neste aspecto defensivo, para a intensidade de Pujol e, sobretudo, para a soberba leitura de Piqué na abordagem aos lances.
O “quase” que associo ao “perfeito” surge apenas por um motivo. O Barça teve sobretudo no segundo tempo vários momentos em que conseguiu desorganizar completamente o adversário, fazendo-o perder a lucidez táctica e afastando-o como equipa. A prioridade, estando em vantagem, foi claramente dar segurança e tempo à posse de bola, mas com um pouco mais de arrojo estou em crer que o Barça podia ter conseguido mais golos, mais cedo.


O duelo Messi – Ronaldo
A importância desta nota individual tem a ver com o peso deste jogo para a bola de ouro do próximo ano. A vantagem para quem venceu será enorme, ainda mais, tendo sido Messi um dos assinantes da ficha de goleadores. Não concordo com esta orientação colectiva para a escolha de um prémio individual mas a história recente diz-nos que o herói da equipa que ganha a Champions tem fortes hipóteses de ganhar a eleição de melhor do mundo e este caso não deverá ser excepção. Messi merecerá muito mais o prémio pela fantástica época que vem realizando do que por este duelo em particular, onde Ronaldo, apesar de ter perdido, foi claramente quem mais fez para poder dar ao troféu um outro destino.




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27.5.09

Os dilemas da final que não deixará nada como dantes...

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É o pouco mais do que o jogo do ano. É o desafio do Barça ao domínio inglês, mas é também o desafio do United a um Barça aparentemente imparável. Depois, e porque é também incontornável, há o confronto entre as 2 individualidades mais importantes do futebol actual. A “máquina” Ronaldo ou o imparável Messi? Diga-se o que se disser, é impossível estabelecer favoritismos claros e tudo se jogará num só jogo, com toda a sua imprevisibilidade e aleatoriedade. Pode não ser o desfecho mais justo mas será, seguramente, o mais empolgante. O jogo, esse, até poderá nem ser o mais interessante, mas o futebol é o que é pela ansiedade que é capaz de criar e, nesse sentido, esta é já uma grande final, mesmo antes de ter começado.


Dilemas para as 19:45
O ponto que se deve lamentar, em primeiro lugar, são as ausências. Mais carente o Barça e, por isso também, mais enigmático. Da resposta a alguns dilemas que se levantam à partida para esta final, poderá resultar muito do que definirá realmente o destino de um jogo que tem, creio eu, coordenadas gerais mais do que previsíveis:

A defesa do Barça: Voltará Guardiola a recuar Touré para central, depois do jogo menos conseguido em Londres? Ou apostará na inexperiência de Cáceres?

Sem Daniel Alves: Uma das diferenças tácticas introduzidas por Guardiola foi a introdução de uma assimetria entre os laterais, transformando o 4-3-3 muitas vezes num autêntico 3-4-3. A importância de Daniel Alves foi enorme nesse papel de falso lateral. Sem ele, jogará Sylvinho, mas sobre a esquerda? Que impactos poderá ter essa alteração, não só relativamente à resposta do experiente brasileiro, mas também em relação à inversão do flanco e ao efeito que isso terá na ligação com os atacantes?

Keita ou Henry? De novo a pergunta sobre se Guardiola optará por repetir a estratégia de um jogo menos conseguido como o de Londres? Poderá Iniesta ser de novo extremo e Keita jogar no meio campo? Não será esse mais um factor que contribuirá para o afastamento do conjunto das suas rotinas habituais?

Com ou sem Tevez? Do lado do United, Tevez tem sido uma peça fundamental em vários momentos. Guardará Ferguson o argentino para períodos mais tardios no jogo? Não seria melhor iniciar com o argentino?
Por onde quebrará? Projecta-se sempre um herói para estas finais, mas muitas vezes elas acabam por ser decididas por um vilão. O’Shea será o principal candidato a falhar do lado do United, tanto mais que defronta Messi. Mas também há que contar com o mau momento de Vidic e com a pouca competição de Ferdinand. Do lado do Barça há Valdés e também a maior fragilidade nas bolas paradas. Tudo isto pode parecer evidente antes do jogo mas no final até é bem provável que o quebrar acabe por não surgir pelo elo mais fraco. Basta recordar a assistência de Xavi para Scholes, há 1 ano...


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E que tal um 3-3... de novo?

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Parece incrível, mas já lá vão mais de 11 anos. Recordar a época de 98/99 não nos leva apenas à mitica final de Camp Nau, ganha pelo United. Leva-nos também, se recuarmos um pouco na competição, a um dos mais fantásticos grupos da história da competição, incluindo os Barcelona, Man Utd e Bayern Munique. Foi de tal forma competitivo que os dois apurados viriam a ser também os finalistas de uma final que, por ironia, se jogava no estádio do emblema eliminado, o Barcelona. Tudo isto a propósito do embate de hoje. É que nessa fase de grupos tivemos 2 jogos absolutamente sensacionais entre Barcelona e United. Ambos com grandes golos, grande emoção e... um 3-3 final.
Vale a pena recordar esse Barça de Van Gaal, com Figo e Rivaldo no seu melhor ou, do outro lado, a ascensão de Beckham, a imponência de Schmeichel ou a extraordinária empatia de uma dupla que hoje ainda surpreende mais, tendo em conta quem foram individualmente Cole e Yorke. Fica a sugestão, porque não um 3-3? (e já que peço, pode ser uma bicicleta “à Rivaldo”!)

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12.5.09

O ataque do Benfica e outros detalhes do fim de semana

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A época não teve sempre estes intervenientes como principais protagonistas, mas o jogo com o Trofense, podendo não ter sido o mais bem conseguido noutras vertentes, mostrou um pouco da forma como algumas unidades ofensivas do Benfica podem ter maior rendimento. Cardozo é um ponta de lança de área e mais útil como referência única na frente de ataque. Foi nesse papel e ganhando directamente os duelos com os centrais que o paraguaio não só marcou os seus 2 golos, mas também apareceu a responder a outros lances. O carácter mais fixo de Cardozo pode libertar Aimar para um papel de maior mobilidade, nomeadamente para aparecer como elemento de desequilíbrio junto às alas. O argentino apareceu muito pouco nestas posições mais laterais durante a época mas neste jogo, mostrou como pode ser útil nessa rotina, fugindo também de zonas mais centrais onde recebe invulgarmente mais apertado. Às características destes 2 jogadores acresce a importância do papel dos extremos, responsáveis por criar situações de cruzamento que têm normalmente Cardozo como destino. Estas poderão, desde já, ser as coordenadas ofensivas do Benfica 09/10, dependendo, claro, de quem estiver na liderança da equipa...

outros lances:
Finalização Cardozo (25min)

Golo Cardozo (38 min)
Finalização Di Maria (45 min)

Golo de Bruno Alves – O golo da festa, surge de um lance de bola parada em que Bruno Alves surge solto para finalizar. Normalmente este tipo de cobranças a solicitar um cabeceamento em devolução ao segundo poste acontece mais como forma de desfazer a zona de marcação. Não é o caso porque o Nacional defende homem-a-homem, havendo por isso um erro individual. No caso o jogador que ignora Bruno Alves de uma forma proibitiva é Luis Alberto. Um erro óbvio e evidente, mas o ponto que me faz destacar este lance é a displicência do Nacional em relação a Bruno Alves, o jogador mais temível entre os portistas neste tipo de lances. Para além da forma desleixada como o médio do Nacional encarou a sua tarefa, há ainda o pormenor de Luiz Alberto ser um jogador quase 10 cm mais baixo, sendo muito duvidoso que pudesse discutir lances aéreos com o central portista, para mais sem qualquer tipo de agressividade na marcação.

Golo do Setúbal – Não é a primeira vez que tal acontece, mas desta vez acabou mesmo por ter consequências. O golo do Setúbal nasce de um contra ataque, não imediatamente, mas pouco depois de um canto favorável aos leões. Foi muito elogiado o desenho ofensivo dos sadinos, mas a verdade é que há um grande demérito leonino na jogada, que vai para além do erro inicial de Romagnoli. É que quando Polga sai para pressionar Regula, a zona central deveria ter sido fechada por Tonel, havendo uma aproximação dos defesas para colmatar o espaço liberto pelo seu colega. Isso não acontece porque Tonel não recuperou devidamente a posição depois do canto. Repare-se como é Abel que está por dentro, com Tonel mais à direita. Uma lentidão de reorganização defensiva que não é nova e que colocou em causa um jogo aparentemente controlado.

O golo de Liedson – 2 pormenores que destaco no segundo e decisivo golo de Liedson. Primeiro a sua característica de mobilidade, partindo de trás para abordar a zona de finalização. Esta característica impede que haja uma referência de marcação na jogada e faz com que o brasileiro não esteja pressionado quando recebe. Depois, o outro pormenor que tantas vezes destaco. O primeiro toque. Um toque rápido e orientado serve para dificultar a tarefa a quem tenta estabelecer posição para impedir o remate. 2 pormenores que condicionam a oposição a Liedson que, no final, acaba até por ajudar o “levezinho”, fazendo a bola ressaltar para fora do alcance de Pawel.

Golo de Tevez – Não há muito a dizer. Apenas um destaque para realçar a diferença que pode fazer a qualidade individual dos jogadores. Uma transição que é quase um alívio em condições difíceis de recepção é transformada de forma aparentemente simples em golo. Notável a recepção de Berbatov (sobretudo por virar as costas à bola, esperando que ela caia por cima de si) e, depois, o repentismo e precisão de Tevez.


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6.5.09

Ronaldo: Talvez fosse melhor ver os jogos do Manchester...

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Se a primeira mão desiludira pelo desnível entre os 2, a segunda nem sequer chegou a ter uma história à altura da importância do jogo. O United teve a eficácia que não havia conseguido em Old Trafford e depressa marcou a sua passagem para Roma. Para além da confirmar um Manchester altamente preparado para estes vôos, o jogo mostrou novamente a dimensão invulgar do futebol de Cristiano Ronaldo. A facilidade com que se torna uma ameaça permanente, em toda e qualquer situação de jogo, leva, de novo e definitivamente, à conclusão de que há algo de errado no aproveitamento do jogador ao serviço da Selecção.

Não é um tema novo neste espaço e há muito que venho alertando para a necessidade de Portugal readaptar o seu modelo às características deste fantástico extremo que tem ao seu dispor. Ronaldo terá sido um caso de metamorfose invulgar, emergindo como “extremo nato”, mas ganhando nova dimensão como “extremo falso”. A diferença, e sem entrar em pormenores que já desenvolvi noutros textos, é que Portugal não se adaptou à transformação, continuando a servi-lo como se de um “extremo nato” se tratasse. Obviamente que o rendimento não pode ser o mesmo.

Problema individual?
Não podia ser mais irónico... Em 3 jogos das meias finais da Champions, jogaram 2 portugueses. 1 actuou como defesa esquerdo e outro, na maior parte do tempo, como avançado. Esta constatação não implica que o problema de recursos na Selecção tenha uma solução directa e simples, mas indica claramente que o problema da Selecção não pode nunca ser visto de uma perspectiva individualizada, tal como vem sendo encarado. O problema está, isso sim, na ausência de um modelo colectivo que retire realmente o melhor dos jogadores.
Chega a ser absurdo dado o passado do Seleccionador, mas dá quase para dizer que em vez de ver jogos do Siena, Queiroz ganharia mais em rever com maior detalhe aquilo que se passa, por exemplo, nos jogos do Manchester United...



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30.4.09

Man Utd - Arsenal: Dominador, mas misericordioso!

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Não é suposto ser tão fácil. As meias finais da Champions são jogos tipicamente de detalhe e sem uma superioridade clara. Os nomes dos emblemas faziam supor isso mesmo, mas se vista a ficha de jogo logo se desconfiou de alguma superioridade caseira, com os primeiros minutos esse sentimento ganhou outra expressão, ficando desde aí evidente uma enorme diferença de potencial entre as equipas. A este nível, a concentração é máxima e são raros os erros colectivos, especialmente em equipas com modelos tão rotinados. Se até aqui as equipas se equivalem genericamente, muito claramente tal não acontece ao nível da capacidade individual. Havia na realidade uma grande diferença individual entre os 2 conjuntos e a sensação de um Arsenal impotente a consequência inevitável. Para o interesse da eliminatória valeu a misericórdia do United que se limitou a vergar o seu adversário, deixando-lhe no entanto alguma margem para se reerguer na segunda mão.


Man Utd: simplesmente superior
Se o Arsenal apareceu fragilizado, o United não deu hipóteses e fez um excelente jogo, dominando nas várias fases da partida. A entrada foi imperial. Quer pela forma como dominou o adversário e o impediu de sair a jogar, quer como, com bola, não manifestou ansiedade, preferindo períodos de mais segurança e menos verticalidade, e esperando pelo melhor momento para entrar num bloco que, naquela altura, nada arriscava na concepção de espaços. A qualidade do seu futebol não lhe tardou a dar um golo mais do que esperado. Às mudanças no cariz do jogo e postura do adversário, o United respondeu sempre com grande maturidade, mantendo um domínio quase absoluto em todos os momentos. O senão de tudo isto vai, claro, para a finalização que terá ficado a dever pelo menos 2 golos àquele que O’Shea tão prematuramente conseguiu.
Individualmente, não posso evitar alguns destaques. Anderson foi um dos melhores em campo. Não que tivesse sido perfeito nas suas acções e decisões, mas o seu papel foi fundamental no domínio da zona central, parecendo ser quase sempre o elemento diferenciador na batalha desse sector. Tevez só me surpreende por ser tão pouco utilizado. Com ele o United ganha quase sempre outra vivacidade e outra qualidade, pela forma inteligente e activa como se movimenta e pela qualidade com que procura combinações quase sempre curtas e rapidíssimas que quase sempre desequilibram – foi assim que nasceu a jogada que antecedeu o canto do golo. Ronaldo mostra, para quem quer ver, o porquê de ser provavelmente o jogador mais valioso do futebol actual. Jogando a partir da direita, ganha muito quando a equipa opta pelo corredor oposto para atacar. É assim que ele aparece em melhores circunstâncias, ora no espaço a responder a variações de flanco, ora em combinações na zona central (como ganha com a presença de Tevez!), ora em abordagem a cruzamentos onde é dos mais temíveis finalizadores na actualidade. Compare-se a forma como é servido no clube e na Selecção e talvez se entenda melhor as reais razões para a diferença de rendimento...

Arsenal: daria para pedir mais?
Antes do jogo, vale a pena perguntar como é que chega a este nível uma equipa com tão humildes recursos. Naturalmente que as lesões são a principal justificação mas não posso esconder a admiração por se conseguir, ano após ano, estar entre os melhores com um nível de investimento incomparavelmente inferior. Não me canso de repetir, o modelo do Arsenal deve ser um modelo para os clubes de menores recursos.
Com uma equipa manifestamente abaixo da qualidade exigível para este nível, Wenger tentou uma pequena manobra táctica, já vista na primeira mão frente ao Villareal. A ideia passou por reforçar a zona central, utilizando Fabregas como uma espécie de “joker”, que se juntava a Adebayor para pressionar, mas que baixava para construir em posse. A verdade é que essa variante táctica nunca produziu efeitos práticos desejados, apesar de Wenger nunca a ter alterado (inclusivamente, lançando Bendtner para jogar sobre a direita!). A equipa teve dificuldades em segurar o móvel e dinâmico ataque do United, mas foi com bola que mais falhou. Primeiro, ao não conseguir fazer um primeiro passe útil que permitisse sair do pressing do United, em transição. Foi devido a esta lacuna que a equipa foi tão massacrada no primeiro tempo. Depois, quando o United lhe permitiu ter mais bola, nunca conseguiu criar linhas de passe verticais que permitissem à equipa evoluir para zonas mais próximas da baliza, faltando-lhe sempre um elemento que ajudasse Adebayor nessa tarefa. Ficará para sempre por saber o que aconteceria se Wenger tivesse em algum momento arriscado por aquele que é, afinal, o seu modelo base, mas a verdade é que o que se viu não foi uma resposta minimamente à altura das dificuldades que lhes foram colocadas.

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28.4.09

8 lances do fim de semana...

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Benfica – Marítimo (Cardozo) – O lance do segundo golo na Luz é muito interessante e diz muito sobre a forma como o Benfica alterou a sua forma de abordar o momento ofensivo. Em organização ofensiva, o Benfica, não só tem os 2 laterais abertos, como inclui ainda 1 central em acção ofensiva (já acontecera no primeiro golo no Bonfim). Juntando ao número elevado de jogadores, a qualidade de muitos deles (no caso destaco o trabalho de “pivot” de Nuno Gomes), torna-se fácil perceber que estão criadas as condições para a criação de mais desequilíbrios ofensivos. O problema da questão está na forma como a equipa se adianta em demasia, correndo sérios riscos de ser apanhada em contrapé em caso de perda de bola.


Porto – Setúbal (Lisandro I) – O primeiro golo com que o Porto bateu o Setúbal é um exemplo da grande qualidade de Lisandro. Primeiro, na forma como dá apoio à construção, atraindo a marcação para fora da sua zona e, depois, na forma como define o lance dentro da área, tirando também partido das dificuldades que gera a sua movimentação. No entanto, é importante notar a forma deficiente como o Setúbal defende. A zona central é desprotegida de forma quase primária, quer na forma como Farias, estando parado (devia ter sido colocado em fora de jogo), consegue receber e ter tempo para ler o jogo, quer depois como Lisandro consegue ganhar vantagem perante uma marcação que demora muito a reagir à sua movimentação (note-se ainda a forma como Mariano aparece também solto numa zona central).

Porto – Setúbal (Lisandro II) – No segundo golo, tal como no primeiro, um misto de mérito da dinâmica e mobilidade do ataque portista e de um enorme demérito na forma como o Setúbal defende. Farias é pressionado pelo lateral, abrindo um buraco no seu flanco e, depois, é visível a distância entre sectores, com o meio campo a não auxiliar a linha mais recuada. Este aspecto é muito perceptível no facto do Porto conseguir meter tantos jogadores como o Setúbal para a resposta ao cruzamento.

Sporting – Estrela (Postiga) – Um dado curioso do jogo com o Estrela foi o facto do Sporting ter feito muito pouco recurso às bolas longas de Polga, isto apesar da forma compacta como defendeu o Estrela. O central, aliás, tornou-se protagonista de um dos melhores lances do primeiro tempo, ao iludir o pressing e inciar um desequilíbrio pela zona central. Na jogada, para além da habilidade de Liedson (pouco pressionado), é visível a tal característica de uma linha defensiva algo subida por parte do Estrela. Postiga por muito pouco não consegue fazer o golo.

Sporting – Estrela (Liedson) – Uma curiosidade deste lance tem a ver com a colocação dos médios interiores (Pereirinha e Veloso) no mesmo flanco. É uma situação totalmente episódica e que em Guimarães esteve na origem do golo sofrido. Desta vez, é o Sporting quem tira partido, virando o jogo para o flanco menos povoado. Mas o aspecto que quero destacar é outro que tem a ver com a forma como a defesa tem dificuldades em responder ao cruzamento pelo facto de jogar algo adiantada. Quando o cruzamento se torna eminente, os centrais são obrigados a recuperar ao mesmo tempo que se tentam colocar para responder ao lance. Naturalmente, torna-se uma tarefa muito complicada e, por isso, Liedson fez um golo semelhante ao que havia feito na primeira volta.

Naval – Rio Ave (Yazalde) – Uma nota para o golo de um jogador que se tem destacado neste final de época e que poderá ser decisivo na luta pela manutenção. Não me fica claro se o primeiro toque de Yazalde é propositado, mas se o é, é um grande pormenor do jogador emprestado pelo Braga (já aqui destaquei a importância do primeiro toque e forma como ele define um jogador).

Man Utd – Tottenham (Modric) – Finalmente, volto ao golo de Mariano em Old Trafford e à importância de Lucho. Este fim de semana o mesmo erro do United, com Bent a fazer de Lucho e a atrair o lateral para a abordagem ao lance, deixando espaço para Modric (qual Mariano) ficar livre para a finalização. Aqui volto à importância das referências individuais na área. O United tem superioridade numérica e não se pode falar de um mau posicionamento base. O que acontece é que na área é impossível fazer uma marcação eficaz com poucos jogadores tendo apenas por base referências zonais. Este, aliás, é um erro clássico.


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