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22.5.11

Final da Taça e outras notas (breves)

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- Começar pelo mais incrível: 7 golos na primeira parte! Alguém se lembra de ter visto tal coisa? Vejo vários jogos - muitos mesmo! - não digo que nunca o tenha presenciado, mas confesso que não me recordo. Não admira... alguém suspeita qual a probabilidade teórica de isto se verificar num jogo com estas características?

- Sobre o jogo, voltarei com mais detalhes, mas fica claro que tudo ficou definido no primeiro tempo, que ambos os treinadores se deverão lamentar por tantos e tão frequentes momentos de descontrolo defensivo, e, já agora, que a eficácia foi fundamental na definição da diferença expressiva com que o jogo foi para o intervalo.

- Num exercício de apelo à memória, recordam-se das criticas de pré época a um Porto que marcava pouco? Recordam-se das declarações de André Villas Boas, que não precisava de golear, mas apenas de ganhar? Quem diria...

- Em Espanha, consumou-se o feito histórico de Ronaldo. Na verdade, não é apenas um. Não só se tornou no melhor marcador de sempre numa época em Espanha, como se tornará no primeiro jogador a conseguir o título de melhor marcador europeu em dois campeonatos distintos. Não sei qual o lugar que a História lhes reserva, mas quantos jogadores existiram que, jogando a partir de posições exteriores, marcaram tantos golos como fazem Ronaldo e Messi. Assim de repente, lembro-me apenas de Eusébio e Pelé.

- Em França, o projecto de continuidade do Lille atingiu, finalmente, a consagração. Uma equipa que, tal como muitas outras em França, desprezou a Europa em privilégio das competições internas, e que, por isso, não tem tão boa imagem externa como aquela que merece. Entre todos, claro, Eden Hazard é quem mais atenções justifica. Não é para todos ganhar o prémio de Melhor do Ano numa liga como a francesa, com apenas... 20 anos!

- Uma nota, também, para o inicio do campeonato do brasileiro. Ronaldinho começou com um espectáculo individual e Liedson a decidir de forma espectacular numa das mais difíceis deslocações em toda a prova. Lembrando que continua a ser um jogador disponível para a Selecção, a pergunta que me assalta é: que sentido fará, se Paulo Bento o continuar a deixar de fora depois de o pré convocar?

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28.4.11

R.Madrid - Barcelona: Estatística e algumas notas

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1- Como já referira ontem, este foi, na minha opinião, o pior dos três duelos já disputados entre as equipas. O pior, de parte a parte. Do lado do Barcelona, justifica-se a perda de qualidade pelas ausências de Iniesta e Adriano (ou mesmo Maxwell). Esse, aliás, era um ponto a explorar pelo Real Madrid, que não pode ter nas baixas de Khedira e Carvalho explicação suficiente para o jogo menos conseguido em relação aos anteriores. Particularmente, a primeira parte. Como constatação fundamental fica a convergência do jogo em que o Barcelona menos erros cometeu (ou foi forçado a cometer) em posse, e aquele onde o Real menos perigo criou. Sublinho "convergência", para que não se confunda com "coincidência".

2- Começando por essa "nuance", das ausências de Iniesta e Adriano, e num detalhe que gostaria de aprofundar com imagens (mas não sei se haverá oportunidade), creio que Mourinho terá perdido uma oportunidade de ouro para condicionar, melhor e de outra forma, a posse do Barça. Sobretudo, a presença de Puyol à esquerda, e tendo em conta a qualidade dos restantes pontos de saída de bola, devia ter sido explorada, possivelmente libertando o lateral e forçando deliberadamente que a bola entrasse por esse corredor. A ausência de Iniesta era o complemento ideal, porque Keita não é, nem de perto, uma solução tão ameaçadora como o habitual camisola 8. Nada disto foi feito, porém. Puyol foi aquele que menos jogou dos elementos de construção, e teve uma actuação isenta de erros comprometedores, com uma % de sequência em posse próxima dos 90%. Keita, por seu lado, teve cerca de metade da influência em posse de Iniesta na primeira partida, mas sem que isso representasse um problema de segurança em posse para o Barcelona.


3- Na análise ao último jogo, trouxe aqui a importância do aprisionamento dos laterais aos corredores para o sucesso da posse do Barça. Pois bem, Guardiola terá reparado também nisso e, desta vez, abriu claramente Pedro e Villa, impedindo Arbeloa e Marcelo de auxiliar os médios em zonas mais interiores. Este pormenor é importantíssimo para o desconforto do Real no pressing do primeiro tempo. Sobretudo à esquerda, Ozil revelou-se pouco agressivo e útil (também já tinha escrito sobre esta condicionante na utilização criativo alemão), e Lass andou perdido entre a decisão de pressionar a zona de Busquets ou manter a posição na zona de Keita. O resultado foi um notório desconforto do Real no pressing, e um número muito menor de erros em posse do Barcelona. Uma das soluções poderia passar por aproximar mais claramente um dos centrais no espaço entre linhas, ou, como expliquei, "desprezar" deliberadamente a protecção zonal a Puyol.

4- Estes duelos ficam marcados, em termos tácticos, pela adaptação defensiva de Mourinho à fantástica capacidade de posse e circulação do Barça. O que é igualmente importante notar, é que a adaptação faz-se também em relação à capacidade defensiva do Barça. Ou seja, o Real, quando tem a bola, não joga da mesma forma que faz durante toda a época. Tenta soluções mais directas, e os seus jogadores sentem-se muito pouco confiantes com a bola nos pés, como que aterrorizados com a possibilidade da perda. Pode (e deve, a meu ver) discutir-se até que ponto é justificado tamanho respeito, mas o ponto nesta altura mais importante a relevar (e não me canso de o repetir) é que a "revolução Guardiola" dá-se muito pela qualidade transversal que o treinador introduziu na equipa, e que anteriormente não existia. Isto é, o Barcelona não é a melhor equipa do mundo apenas pela sua capacidade em posse, ou pela genialidade de Messi. É, também (e na minha opinião), a equipa que melhor defende no mundo.

5- Importante notar que, apesar da justiça inequívoca da vitória, pouco indiciava que esta fosse tão fácil para o Barça como acabou por acontecer. Ou seja, até à expulsão o jogo distinguiu-se sobretudo pela ausência de oportunidades, tendo havido apenas uma para o Barça, em 60 minutos. Aliás, o Real teve o seu melhor momento precisamente no primeiro quarto de hora do segundo tempo, com a entrada de Adebayor a produzir notórios efeitos, seja pela maior agressividade do togolês, seja pelo acréscimo de clarividência colectiva do Real com essa alteração. Ninguém sabe o que daria o jogo em igualdade numérica, mas sabe-se que, e ao contrário do que acontecera no jogo para o campeonato, foi apenas perante a situação de superioridade numérica que o Barcelona acabou por justificar verdadeiramente o triunfo.

6- Em termos individuais, quero acrescentar algumas notas. Para Piqué, porque quando se fala do "melhor central do mundo", não se pode nunca deixá-lo de fora. Para Pepe, porque a sua utilização à frente do "pivot" voltou a não ser tão produtiva como havia sido no primeiro jogo, onde jogou como elemento mais recuado do meio campo. Para Ronaldo, que tendo feito o jogo mais desinspirado da série, deu um exemplo de entrega, sendo o jogador que mais intercepções conseguiu na sua equipa (notável, para um avançado!), e apenas superado por Piqué, no jogo. Para Messi, que não teve, a meu ver, uma exibição tão boa como noutros jogos, mas que acabou por emergir nos momentos certos, ficando na "fotografia" uma exibição histórica. Para Afellay, sobre quem escrevi algum tempo antes de se transferir para a Catalunha. A sua versatilidade e qualidade permite-lhe jogar em várias posições, mas continuo a pensar que é em zonas de construção que está o seu potencial.

7- Duas notas sobre as peripécias destes duelos (e não só, já agora). Primeiro, para realçar que, ao contrário do que em certos momentos se quis fazer passar, não há equipas mais "nobres" do que outras. Ou, pelo menos, não a este nível. O jogo teatral e de pressão sobre os árbitros em contexto de jogo (e estou a referir-me apenas aos jogadores), é uma "arte" de especialidade latina, mas que acontece em todos os lados e em todos os desportos. O motivo resume-se ao simples facto de os jogadores quererem ganhar e estarem dispostos a fazer tudo o que está ao seu alcance para tal. O ponto deste meu comentário, é que o Barcelona, tal como qualquer equipa, joga essencialmente para ganhar. A sua realização/frustração depende do resultado e não de outras métricas. Não perceber isso, é não perceber boa parte da natureza e mentalidade desta fantástica equipa. Segunda nota, para referir que se adeptos e público não se revêem nos jogos de simulações e pressões sucessivas dos jogadores, então devem censurar quem define as regras do jogo, muito mais do que os jogadores. Os jogadores, como qualquer um de nós, só querem o melhor para eles. E o melhor para eles, hipocrisias à parte, resume-se numa simples palavra: ganhar.

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22.4.11

Final da Taça do Rei (II): Estatística e algumas notas de análise

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1- Começando pelo Real Madrid... Antes de mais, a estratégia foi, senão a mesma, extremamente próxima daquela apresentada no jogo para o campeonato. O que variou foi o resultado da sua aplicação, sendo muito mais produtivo na primeira parte do que no restante deste jogo, ou mesmo na totalidade do embate anterior. Não se confunda, por isso, intenção com concretização. Não é por ter conseguido melhores períodos no jogo que o Real foi intencionalmente "mais ofensivo" desta vez. Apenas o conseguiu ser, a intenção a mesma.

2- Importa, porém, notar algumas diferenças (ligeiras) na abordagem de Mourinho, ainda que elas estejam sobretudo relacionadas com aspectos individuais. A principal alteração tem a ver com Ronaldo. No jogo de Madrid, Ronaldo foi ala, teve de baixar no corredor e frequentemente partiu para a transição de posições demasiado baixas. Mourinho terá pretendido potenciar Ronaldo, colocou-o na frente, parecendo-me, inclusive, com menores restrições defensivas do que Benzema no jogo anterior. Depois, sem Ronaldo na ala, houve os únicos ajustamentos posicionais que diferenciaram desde o último jogo. Ou seja, Mourinho baixou mais os alas, para adiantar Pepe e Khedira para uma pressão ligeiramente mais alta no corredor central. A ideia parecia ser forçar a saída pelos corredores, embora isso raramente tenha acontecido.

3- A primeira parte foi, como ficou fácil de ver, controlada pelo Real Madrid. Conseguiu manter o Barcelona sempre longe da sua área (praticamente não lá entrou) e potenciou, depois, erros pontuais que deram origem às transições pretendidas. Os motivos desta situação têm a ver com a convergência repetida da posse do Barça para zonas superpovoadas de jogadores do Real Madrid. Particularmente na meia-esquerda do ataque catalão onde, como já expliquei no post anterior, Arbeloa estava quase sempre livre para fazer a diferença em zonas interiores. O Barça nunca conseguiu ter posse útil no espaço à frente da linha defensiva e, assim, nunca ameaçou o golo.


4- Sobre as alterações radicais na tendência de jogo, já destaquei o efeito Pedro, pelo que não vou abordar esse relevante factor. Depois, e tal como referiu Guardiola, o Barça foi mais lesto nas segundas bolas, mais rápido a reagir e a sua viragem no jogo passou também pela capacidade que teve acrescentar os momentos de transição à sua ameaça, algo que havia sido restrito ao Real Madrid, na primeira parte.

5- Sobra um aspecto que é importante abordar e que ajudará, igualmente, a explicar as oscilações no jogo, nomeadamente o prolongamento, onde, e contra todas as expectativas, foi o Real quem se voltou a superiorizar de forma clara, em termos de proximidade com o golo. Falo do aspecto emocional e dos momentos das equipas. Durante o jogo foi se falando do cansaço e da possibilidade do Barça usufruir do facto de jogar com bola para se desgastar menos e estar melhor com o desenrolar do jogo. A verdade é que muito daquilo que nos parece meramente físico é também psicológico. Se o Real esteve pior na segunda parte e o Barça melhor, foi também porque os níveis de confiança mudaram com as primeiras jogadas após o intervalo. O Barcelona sentiu que poderia conquistar o espaço e o Real sentiu-se ameaçado. Os jogadores do Barça foram crescendo em termos de desempenho e os do Real perdendo lucidez no posicionamento defensivo e na clarividência do primeiro passe de transição - diria, o momento fulcral para a definição de um jogo com estas características. Do mesmo modo, o estado de crença e confiança dos jogadores terá começado a mudar nos instantes finais da segunda parte, quando o Real voltou a aproximar-se do golo, e terá definitivamente mudado no inicio do prolongamento quando, antes do golo, foi o Real que conseguiu primeiro criar perigo, aproveitando uma perda de Xavi.

6- No Barcelona, Guardiola não parece muito interessado em discutir estratégias ou abordagens. O Barça é muito mais forte dentro do seu estilo e acredita que para aumentar as suas possibilidades de vitória, é suficiente que se preocupe consigo próprio. É uma constatação objectiva que o Barça é melhor e que o Real é que tem de se adaptar. Mas é-o também que a vida não tem ficado mais fácil para o Barça. Pelo contrário, tem perdido jogadores (agora Adriano, que pode vir a fazer falta), e visto aumentar o estado de confiança do rival. Mesmo sendo melhor, convém que o Barça vá procurando também as suas formas de crescer em qualidade. Por exemplo, seria uma equipa ainda mais forte se apresentasse outra valia nos lances de bola parada. Dado o volume de jogo que apresenta, seria um complemento importante para a sua proposta de jogo.

7- No Real, a evolução desta série de jogos é mais interessante de seguir. Mourinho tem de fugir do seu estilo e encontrar um "contra-estilo" para vencer o Barça. Para já, está a correr-lhe de feição. Já tinha abordado o lado positivo do empate anterior e, em termos mentais, esta vitória pode ainda catapultar mais a equipa. Mas, Mourinho ganha também em soluções individuais. Ronaldo representou uma mais valia em transição, Arbeloa-Ramos um duo muito mais forte do que Ramos-Albiol anteriormente. A dúvida pode passar por Ozil, que é um jogador fantástico em termos criativos, mas que tem muito que crescer em termos de agressividade defensiva (a meu ver, um dos motivos principais pelo descalabro dos 5-0, sendo utilizado numa posição central e sem qualquer capacidade de pressão). Finalmente Pepe, utilizado desta vez mais à frente, talvez para ter um médio de maior capacidade de desdobramento em transição, e relegar em Xabi Alonso a qualidade do primeiro passe. É certo que na primeira parte o controlo da zona entre linhas foi completo, mas na segunda parte isso não aconteceu, sendo, talvez, de reflectir os prós e contras de ter um jogador com uma reactividade e agressividade no espaço que, nem Xabi Alonso, nem (sobretudo!) Khedira podem dar.

8- Venha o próximo!
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Final da Taça do Rei (I): Pedro, Arbeloa e a diferença entre as 2 partes do jogo

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Voltarei ao jogo com outras notas, mas quero começar com este destaque...

De forma quase unânime, reconheceu-se que o chavão "jogo de duas partes distintas" servia na plenitude para retratar a partida. Ou melhor, os primeiros 90 minutos da partida. É sobre essa diferença que quero falar, abordando um pormenor táctico que, não sendo a obviamente a única explicação (raramente há apenas "uma" explicação), parece-me que é aquela que mais contribuiu para o súbito acréscimo de dificuldades do Real Madrid, na segunda parte...


Convém, primeiro, constatar que o jogo do Barcelona não é simétrico. Aliás, é deliberadamente assimétrico. Nesta assimetria, o lado esquerdo é aquele que mais qualidade atrai, quer a bola saia pela direita, quer pela esquerda. Porque é o lado para onde cai o médio que maior profundidade oferece, Iniesta, porque é o lado por onde entra Piqué, sempre que tenta criar superioridade com bola, e porque é esse o destino dos movimentos mais fortes de Messi, vindo da direita, em diagonal, e escondendo a bola com o seu pé esquerdo das sucessivas tentativas de desarme.

Perante esta situação, revelou-se completamente diferente a utilidade do posicionamento de Pedro. Na primeira parte, colando-se à esquerda, raramente jogou ou criou algum tipo de problemas ao Real Madrid. Pelo contrário, com Villa permanentemente a cair no espaço dos centrais e Messi a baixar para dar apoio à construção, Arbeloa tornou-se um elemento preponderante no encurtamento dos espaços interiores, posicionando-se muito perto de Ramos e mesmo dos próprios médios.

Na segunda parte, Pedro apareceu do outro lado, precisamente nas costas de Arbeloa. A diferença foi enorme, como se pode constatar nas imagens. Quando o jogo entrava directamente na esquerda, Arbeloa era "arrastado" para a ala, abrindo espaços de penetração de que Iniesta não tinha usufruído na primeira parte. Quando, por outro lado, a bola entrava na direita e se protagonizavam as habituais diagonais em direcção ao corredor contrário, Pedro surgia como uma alternativa extra para o passe. Algo que, mais uma vez, na primeira parte não tinha acontecido.

Foi um pormenor que, como é fácil perceber, terá sido determinante, mas que não vi abordado nas análises dos treinadores. Será, por isso, um dado interessante de acompanhar nos próximos capítulos desta empolgante série de duelos.

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18.4.11

Real Madrid - Barcelona: Estatística e algumas notas

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Real Madrid: A “ceder da posse” ou “racionalizar a recuperação”
Na realidade, creio que a “cedência da posse” nunca é uma boa estratégia. O que pode acontecer é um reconhecimento das dificuldades de recuperação da bola e, por consequência, uma racionalização da acção defensiva. Quando se confunde “ceder a posse” com “racionalizar a recuperação”, e mesmo se os dois conceitos possam muitas vezes parecer a mesma coisa, está-se normalmente a dar um passo gigante na direcção da derrota. O que o Real fez foi, precisamente, racionalizar a sua recuperação de bola, assumindo e reconhecendo a força extraordinária que tem a posse e circulação do Barça, mas não abdicando de a tentar condicionar. Sobre as diferenças entre estes dois conceitos, “ceder a posse” e “racionalizar a recuperação”, importa notar que o objectivo do Real não era, nem nunca foi (mesmo com 10), jogar num bloco baixo ou aglomerar-se junto da sua área. Era, isso sim, tentar condicionar a circulação contrária e, se possível, provocar a perda em zona de construção. O ponto é este: perante equipas fortes na posse e reacção à perda, recuperar em cima da área torna praticamente impossível a transição.


Barcelona: o dilema do efeito Messi
Há, a meu ver, um acréscimo de qualidade e dificuldade para os adversários no Barcelona “pós-Ibrahimovic”. Com a passagem de Messi para a zona central, a equipa torna-se ainda mais forte na construção, criando uma dilema terrível para as defensivas contrárias. Ou seja, por um lado, o avançado (Messi) baixa criando superioridade numérica na zona de construção/criação. Por outro, a zona central da linha defensiva é sempre aquela que é mais importante proteger, pelo que retirar-lhe presença em qualquer instante é assumir uma vulnerabilidade extrema em termos de segurança defensiva. Isto, claro, para além da qualidade absurda do próprio Messi.

A grande dificuldade de controlo do bloco do Real teve a ver com esta particularidade. Normalmente, haveria uma situação de 3x3 no corredor central, mas com o efeito Messi, o Barça tinha sempre uma unidade a mais. O Real estava obviamente preparado e manteve Benzema mais contido e próximo de Busquets, para que nenhum dos outros médios tivesse de sair ao primeiro apoio e fragilizasse, depois, o controlo no espaço entre linhas. Nem sempre foi conseguido, muito pela acção de Piquet, mas foi pelo menos relativizado.

Pepe: a arma defensiva de Mourinho
A resposta de Mourinho ao efeito Messi passou muito pela utilização das características extraordinárias de Pepe. Ou seja, a sua reactividade no espaço é enorme e, prevendo a tal dificuldade do Real em manter equilíbrios numéricos no corredor central, Pepe garantia maior capacidade de reagir e recuperar rapidamente. Assim foi. O outro lado da sua utilização teve a ver com as primeiras bolas aéreas. Ou seja, em situações de falta em zona recuada, Pepe subia para próximo de Benzema, para disputar a primeira bola e dar, nesse particular, boas possibilidades ao Real para sair a jogar a partir da segunda bola. Tanto num como noutro plano, Pepe correspondeu.

É habitual ouvir-se e ler-se criticas a Pepe. Haverá várias criticas justificadas, sem dúvida, mas a generalidade resulta de uma repetitiva dificuldade em perceber que no futebol não existem decisões ou abordagens certas ou erradas, por definição ou convenção. Que a complexidade (termo muito em voga, mas raramente percebido) do jogador implica precisamente que qualquer componente é relevante e influencia todas as outras, inclusive a decisional. Ou seja, que se Pepe tem mais valias extraordinárias em termos físicos, isso lhe permite ter formas de jogar diferentes de jogadores mais limitados em certas características e que isso não representa um defeito, mas, no mínimo, uma mais valia potencial.

Há que constatar, já agora, que durante épocas o Real investiu sucessivamente em centrais de potencial, mas que o único que se afirmou nessa condição foi precisamente Pepe, e não apenas com um treinador. Mais inteligente do que negar a realidade, é tentar percebe-la. Para já, e não tendo dois Pepe disponíveis, é mais do que provável que Mourinho continue a fazer do central uma opção estratégica no controlo de meio campo.

Balanço do jogo
Começando pelos aspectos estatísticos, de notar alguns dados absolutamente invulgares, para além da já esperada avalanche de posse de bola e passes do Barcelona. Esta característica do jogo do Barça quase que absorve tudo o resto. Ou seja, houve muito menos intercepções, finalizações ou passes da outra equipa do que é habitual. Jogadores como Carvalho e Albiol (enquanto esteve em campo) raramente tocaram na bola, fosse para defender ou atacar.

De resto, o resultado parece-me justo, embora não se estranhasse se qualquer das equipas pudesse ter vencido o jogo, com o Barcelona ligeiramente mais próximo desse objectivo. O Barcelona, como é seu hábito, focalizou-se em absoluto nas situações de organização, chegando através dessa via a todos os seus desequilíbrios, destacando-se a forma como conseguiu, nesses momentos, chegar a situações de finalização através do corredor central. Já o Real, embora tivesse apostado tudo no momento de transição, conseguiu aproximar-se do golo sobretudo de bola parada, com Ronaldo, Di Maria e Sérgio Ramos em destaque.

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10.2.11

Argentina - Portugal: Análise e números

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Tal como escrevi ontem, estes jogos, apesar de amigáveis, ficam bem vincados no registo histórico. É aí que começa o sentimento de alguma frustração pela derrota averbada. Uma frustração que se justifica também pelas outras conclusões do jogo. Ou seja, Portugal pode ter defrontado uma das potências do futebol mundial, mas não se mostrou inferior ou com menos possibilidades de poder sair vencedor. Pelo contrário, aliás, creio que mostrou mais qualidades do que o seu adversário. Mais consistência colectiva e menos dependência da sua “estrela”. Messi, de resto, é um personagem fundamental na história do jogo, e não pela penalidade decisiva.

Notas colectivas
A “nuance Messi” começou por marcar o jogo e definiu, também, o único período em que Portugal não foi melhor no jogo: a primeira meia hora.

Messi apareceu a jogar como falso “9”, partindo do meio dos centrais, mas raramente jogando perto destes. Ou seja, ao baixar, Messi criou um problema zonal ao bloco português. Os centrais ficavam sem referência de marcação e o meio campo com uma constante desvantagem numérica, um problema agravado pela qualidade de Messi sempre que tinha a bola. O que fazer?

A resposta é simples. Encurtar os espaços entre sectores, particularmente entre a linha média e a mais recuada. Portugal não o fez imediatamente e, por isso, sentiu algumas dificuldades em controlar os espaços dentro do seu bloco nos primeiros 30 minutos. Quando juntou mais as linhas, Messi teve de baixar progressivamente no campo, recuando para zonas onde o seu protagonismo não tem a mesma consequência.

Aqui, há outro aspecto a abordar, e onde creio que Portugal não esteve tão bem: o pressing. Não era muito fácil, perante o “problema Messi”, subir a linha média para pressionar, mas era importante definir uma zona pressing agressiva e organizada, que diminuísse o tempo de decisão à primeira fase de construção contrária, até pela características incisiva dos extremos – Di Maria e Lavezzi – fortes no aproveitamento das costas. Portugal melhorou na segunda parte, onde subiu linhas com mais critério e menos compromisso dos espaços interiores, mas não teve a agressividade do jogo com a Espanha, por exemplo.

Tudo somado, Portugal perdeu o jogo por algum défice de concentração na recta final, mas foi na parte inicial que menos conseguiu controlar a estratégia argentina. Assim que corrigiu comportamentos e retirou espaço a Messi, Portugal foi claramente a melhor equipa, mais organizada e clarividente em termos tácticos e, também, mais próxima do golo.

Perdemos mas, em definitivo, esta parece-me uma equipa com sérias possibilidades de discutir o título europeu.

Notas individuais
João Pereira – As atenções mediáticas estavam centradas do outro lado do campo, em Coentrão, mas foi João Pereira quem arrancou mais uma excelente exbição. É um grande lateral, com algumas lacunas, é certo, mas não me parece que haja muitas Selecções com alguém melhor do que ele na sua posição.

Coentrão – Não foi, de facto, o melhor jogo para demonstrar o seu valor. Di Maria e Zanetti são um corredor duro de enfrentar. Coentrão bateu-se bem, mas não conseguiu o protagonismo habitual. A pintura, porém, só ficou mesmo borrada no último minuto.

Meireles – Tinha feito um grande jogo com a Espanha e neste não se pode apontar-lhe nada em termos de atitude e entrega. Acontece que foi uma das grandes vitimas da tal liberdade de Messi. Teve sempre mais do que um jogador a cair na sua zona e isso condicionou-lhe a acção de forma determinante. Para mais, acabou por cometer alguns erros invulgares em posse na segunda parte. Note-se, porém, que é um médio de grande qualidade e um indiscutível da Selecção, seja em que posição for do meio campo. A sua valia, aliás, fica bem clara na rapidez com que se impôs no Liverpool.

Hugo Almeida – Todos lhe apontarão o dedo pelos 2 golos que falhou – particularmente o segundo. No entanto, Hugo Almeida teve uma acção preponderante em termos ofensivos. Teve em todos os desequilíbrios da equipa, fez 1 assistência e ainda enviou 2 bolas à barra. Outro aspecto onde esteve bem foi no domínio das primeiras bolas. É importante, porém, que haja um melhor aproveitamento da equipa no posicionamento das segundas bolas, porque poucas foram as vezes em que as suas acções, nesse capítulo do jogo, tiveram consequência.

Messi vs Ronaldo – Aparentemente será um disparate valorizar este duelo. Em termos práticos, porém, a história diz-nos que não é assim. Um particular entre Argentina e Brasil dos anos 80 tem interesse por causa de Zico e Maradona. Nos anos 60, Brasil e Portugal poderiam jogar “a feijões”, que Pelé e Eusébio seriam sempre um ponto de interesse. Se há motivo pelo qual este jogo pode ser relembrado no tempo, é por este duelo e nada mais.
Messi terá levado a melhor, sobretudo pela vitória argentina e pela sua influência directa na mesma. Mas é uma vantagem que se torna irrelevante porque ambos estiveram em grande nível e, claro, porque Ronaldo jogou apenas 2/3 do jogo.



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15.12.10

O melhor do mundo, "ceteris paribus"

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- A discussão é subjectiva e as opiniões várias. “Quem é o melhor do mundo?” Se calhar a pergunta é mais fácil de responder se for feita na forma colectiva: “Qual é a melhor equipa do mundo?” Aí o consenso, não digo que seja total, mas será seguramente muito maior. O problema é que não é essa a pergunta inicial, a pergunta inicial é: “Quem é o melhor do mundo?”

- Não fica difícil de perceber em que bases estou a situar a problemática. Separar o efeito colectivo do individual. Será possível fazê-lo? Talvez não em absoluto, mas creio que é isso que está subentendido na pergunta “Quem é o melhor do mundo?”. Um foco individual, distanciado dos efeitos que o colectivo pode trazer. O melhor do mundo, “ceteris paribus”.

- Messi é o jogador mais encantador do planeta e não tenho dúvidas que poucos discordarão desta avaliação. O problema é isolá-lo. Será que isolado da “máquina Barcelona”, Messi é Messi? Não sabemos. Sabemos que Messi não é tão Messi na Argentina, mas não sabemos se Messi seria igualmente Messi no Real Madrid, Inter ou Manchester United. Fica-me tanto a dúvida, como a suspeita.

- Temos Ronaldo. Jogou em Inglaterra e agora em Madrid. Ronaldo não é Messi, com a bola colada ao pé. Mas, é bom que se diga porque também conta, Messi nem sequer rima com Ronaldo quando a bola está parada ou vem pelo ar. A grande vantagem de Ronaldo, porém, é que é mais fácil de isolar. Jogou em Manchester e Madrid e não é por isso que Ronaldo deixou de ser Ronaldo. Pelo contrário, Ronaldo está cada vez mais Ronaldo. Ou seja, Messi do Barcelona parece-me melhor do que Ronaldo do Real Madrid. Mas não aposto as minhas fichas que Messi seja melhor do que Ronaldo. “ceteris paribus”, isto é.

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22.4.10

Inter – Barcelona: Qualidade, estilo e identidade

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A noite não serviu para por em causa a excelência do futebol ‘blaugrana’. Um jogo pode ser suficiente para definir títulos e campeões, mas nem de perto chega para beliscar o estatuto que este Barça fez por merecer. Mas a noite trouxe-nos, sim senhor, alguns ensinamentos. Um balde de água fria na confusão entre estilo e qualidade. Porque a qualidade não se garante pela estética do estilo, por muito apelativa que ela seja. E porque é possível ter qualidade sob diferentes estilos. Talvez mais importante ainda, porém, seja a conclusão que o próprio Inter poderá retirar das duas recepções aos campeões europeus. Na primeira, desafiou o Barça no seu próprio estilo, numa altura em que o Inter tentava a sua própria mutação estética. Mas a superação e a excelência qualitativa apenas chegaram quando, em vez da estética, o Inter privilegiou a sua própria identidade na busca de um estilo. E esse é o ensinamento maior deste jogo: o melhor estilo define-se pela identidade e não pela estética.

Os números não mentem. O Barcelona foi, em San Siro, a equipa de sempre. Muito mais bola, muito mais passes, num registo de grande qualidade que normalmente chega para levar a melhor sobre os adversários. A verdade é que não chegou para ser melhor. E não chegou porque o Inter percebeu sempre que, não podendo discutir o jogo pela posse, era importante não dar ao Barça os argumentos que normalmente utiliza. Ou seja, a posse é apenas um meio para a equipa conseguir aplicar as armas que realmente ditam o fim dos adversários. A capacidade de desequilíbrio e o pressing asfixiante em zonas altas. Assim, o Inter percebeu que o importante não era discutir o indiscutível, mas sim garantir o essencial. Ou seja, privilegiar a protecção dos espaços importantes, não permitir transições e actuar, ele próprio, no erro do adversário. Na profundidade e na característica dos seus avançados.

E, de novo, os números não mentem. O sucesso do Inter não se mede na posse de bola nem nos passes que realizou. Não era essa a sua causa. Mede-se, isso sim, nas perdas e nos desequilíbrios. Foi isso que distinguiu as duas equipas e foi isso que, realmente, definiu a maior qualidade do Inter no jogo. Não estética, qualidade.

Intensidade: o segredo dos campeões
Para explicar o sucesso falta falar de um último, mas essencial, ponto. A intensidade. Em todo o jogo houve uma diferença de concentração e reactividade que se provou decisiva. Vista e provada na forma como Sneijder cobrou rapidamente o livre que iniciou a jogada do primeiro golo, e atacou a área sem acompanhamento. Na forma como Pandev aproveitou a perda de Messi para explodir em transição. Na forma como Maicon chegou primeiro à zona de finalização nesse segundo golo. Na forma como Motta antecipou o passe de Messi (outra vez ele!) e transformou uma transição contrária no desequilíbrio do terceiro golo.

Uma atitude que resulta da preparação mental, da concentração e da motivação. Dela normalmente se servem os campeões, num tempo em que mais dificilmente a qualidade, “tout court”, chega para ganhar.

Messi, de herói a vilão
Messi, o herói antecipado, foi desta vez o maior vilão. Não tanto por não ter decidido, mas pela forma como as suas perdas ficaram ligadas à decisão do jogo. Também um balde de água fria em tanta euforia. Sobre Messi, é inegável a sua qualidade e capacidade de desequilíbrio, e não questiono a justiça do estatuto de “melhor do mundo” que carrega actualmente. Mas há algo que acredito sobre Messi. Acredito que Messi é também um produto do colectivo do Barça. Sem ele, sem os apoios constantes, as suas decisões tornam-se menos óbvias e os erros bem mais comuns. Em ano de mundial, faço já a minha antevisão: Creio muito pouco no sucesso da Argentina e penso que Messi, pelas expectativas que gera, pode mais facilmente ser a maior desilusão de prova do que a sua maior estrela.



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2.12.09

Messi, o "Ballon d'or"

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23.9.09

Análise vídeo: lances da jornada

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Foi um jogo marcado pelo equilíbrio, é certo, mas isso não significa que não tivessem acontecido oportunidades dignas de destaque. E, no caso dos portistas, com alguns denominadores comuns. Na primeira parte, em organização ofensiva, pelo lado direito e aproveitando o espaço entre linhas e alguma falta de capacidade defensiva do lado esquerdo do meio campo contrário. Isto, claro, só possível porque existe do lado portista uma saída a jogar organizada sobre as alas, com qualidade e rotina. Tudo isto, claro, não chegou para ganhar nem mesmo para evitar a derrota. É que para além disto, houve pouco mais e, para além disto ainda, sobrou uma exibição essencialmente desinspirada e com pouco intensidade. Em especial no inicio do segundo tempo.


Hulk & Guarin – A primeira nota vai para o papel de Meyong, quem melhor pressiona no Braga. A sua acção obriga o Porto a organizar pela direita, dando uma vantagem ao Braga que deveria ter encurralado os portistas. Não foi isso que aconteceu. Não houve agressividade dos restantes jogadores e abriu-se uma linha de passe para Hulk, a quem também foi permitido rodar e sair da zona de pressão. Depois percebe-se a pouca reactividade de Viana que perde totalmente o controlo sobre o espaço nas suas costas, explorado por Guarin. Como o Braga joga com 2 linhas de 4 e não tem nenhum jogador posicional entre elas, o colombiano ficou completamente livre para atacar a zona mais recuada dos minhotos.

Meireles & Hulk – De novo a distância entre linhas. Desta vez, notória entre os avançados e a linha média. Este factor aliado à pouca agressividade de Mossoró sobre Meireles permitiu que o médio azul ganhasse tempo e espaço para libertar Hulk no flanco oposto. Um 1x1 muito perigoso e que apenas não teve outras consequências porque Evaldo conseguiu evitar o pé esquerdo de Hulk.

Guarin & Varela – De novo o lado direito portista. O primeiro ponto a realçar é a boa dinâmica entre o extremo e o médio, com troca de posições entre eles. Um rotina bem assimilada e que é solução comum na saída de bola portista, seja à esquerda, seja à direita. O ponto aqui tem a ver com a forma como Varela consegue rodar, não havendo a pressão exigível para a situação em que se encontrava. Aliás, este lance tinha tudo para dar uma recuperação e originar transição do Braga. Mas não deu. E tudo por Viana e Paulo César voltaram a denotar grande insuficiência defensiva e porque, claro, houve qualidade do lado contrário. Aliás, esta dupla não só permite que Varela rode como depois perde controlo sobre o extremo portista, não compensando, nenhum deles, o espaço de Evaldo que vem pressionar Guarin. Só por muito pouco este lance não termina em golo.

Desacerto azul – Se há lance que espelha a desinspiração portista é aquele que culmina numa finalização de Vandinho. Uma das mais perigosas do Braga. É que a jogada só acontece porque há uma série de deslizes individuais na sua origem. Primeiro o mau pontapé de Hélton, depois o não domínio de Guarin e, finalmente, uma trapalhada de Fernando finalizada com uma "assistência" em zona central. Ainda assim, saiu barato...

Pateiro – O Benfica ganhou em Leiria, mas muito facilmente poderia ter... perdido. Tudo isto por causa de um lance de inspiração de Pateiro que só não terminou em golo porque dos pés de Kalaba não houve a qualidade correspondente. Muito mérito, obviamente, para a acção de Pateiro, mas é também curioso analisar porque é que tudo foi possível. A última arma da transição defensiva encarnada é o fora de jogo, executado ao limite e, diga-se, com excelentes resultados até ao momento. Ora, quando todos esperavam o passe de Pateiro, este bateu, ele próprio, o fora de jogo. Ainda assim não parece uma fórmula copiável para casos futuros.

Rabiola – O primeiro golo do Olhanense em Alvalade tem os holofotes sobre Carriço e Abel. Podemos começar por aí e por dizer que, na minha opinião, não há nada de errado com o comportamento dos 2 defesas. Existe um 2x2 nessa zona, o que torna tudo muito complicado caso, como aconteceu, o cruzamento saia bem. Aliás, Carriço está bem posicionado e reage bem à trajectória da bola. Simplesmente não chegou e fica muito claro que o principal motivo é a falta de... centímetros. O grande erro está, por isso, na origem do lance. Ou seja, do lado esquerdo e na falta de agressividade sobre a posse de Ukra. Quando se cria uma zona de 1x3 tem de haver maior agressividade e aqui é Vukcevic quem deveria ter impedido o jovem extremo de ter uma solução de recuo. Isso não aconteceu, Ukra teve muito mérito e Miguel Garcia apareceu para dar a solução que o Sporting permitiu.

Edgar – O Marítimo começa a ameaçar ser uma desilusão séria desta liga. Pela segunda semana consecutiva com tudo para vencer e, de novo, incapaz de o fazer. Desta vez 1 lance compôs o cenário improvável no derby madeirense e perante um Nacional com 10 jogadores. Edgar foi o protagonista e trabalhou muito bem a jogada, mas... o que dizer de Olberdam?! Permitir que o avançado cortasse para dentro quando tinha já um ângulo tão fechado... e tão facilmente ele o fez! Assim, torna-se difícil...

Xavi & Messi – Há alguém que não conheça esta jogada? Há alguém que nunca tenha visto Xavi a receber da esquerda, virar-se e solicitar a diagonal de Messi nas costas do lateral?! Não me parece. Jogadores e treinadores sabem todos disto e, no entanto, tudo se repete com sucesso. E pensar que tantas vezes ouvimos gente a falar de previsibilidade pelo conhecimento que se tem das equipas. Hoje em dia nada é imprevisível, tudo é conhecido, tudo é previsível. A diferença está na qualidade. É por isso que Messi há-de marcar mais golos tão “previsíveis” quanto este...

Eto’o & Milito – Eto’o não marcou, não assistiu, mas que impacto teve! O Inter perdia e foi muito pelo camaronês que a situação se inverteu. Sempre ligado, sempre reactivo, pressionou e provocou a perda que isolou o mortal Milito. É uma característica que não dá nas vistas, mas vale muito mais do que se pensa.

Foster & Ferdinand – Um derby que ganhou outra dimensão e que teve uma emoção invulgar. O United ganhou, mas bem se esforçou para que isso não tivesse acontecido. O erro de Foster é primário, mas o que faz Ferdinand no último minuto é difícil de classificar. Valeu-lhes o “Mickey”.

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8.9.09

Análise vídeo: Dinamarca-Portugal, Messi, Kaka e Piqué

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Simão – Provavelmente a mais clamorosa de todas as perdidas portuguesas. Um desequilíbrio aparentemente simples, mas que tem na mobilidade o ponto em destaque. Mais uma vez!
A jogada ocorre de forma rápida e usa o lateral, não para dar profundidade, mas para dar largura em apoio, obrigando o bloco dinamarquês a bascular para a sua direita. Um aspecto essencial é o facto do lateral dinamarquês ser quem sai sobre Duda. Isto expõe o central que, perante o movimento diagonal de Meireles se aproxima da ala, abrindo um buraco entre si e o seu companheiro de centro de defesa. A diagonal de Simão complementa o desequilíbrio que só não tem o desfecho desejado pela fragilidade no momento da finalização.
Uma nota sobre Meireles, para reforçar a ideia da sua total compreensão das exigências tácticas desta função específica. Ora baixa para dar apoio à posse, ora abre na ala para criar desequilíbrios. É um excelente executante, mas, mais do que tudo, distingue-se pela inteligência como que se move. Com e sem bola. Aqui, mais uma vez, nem precisa de tocar nela para ser fundamental.



Bendtner – O golo da Dinamarca. Contextualizando, a bola sobra para a esquerda do ataque dinamarquês depois de uma tentativa sobre o flanco oposto, que Portugal contraria. Isto explica o porquê do estranho posicionamento na altura do cruzamento. Portugal adopta uma postura sobretudo zonal, tendo superioridade numérica. A excepção é Duda, que encaixa em Bendtner. Mesmo assumindo que a distribuição de jogadores não está perfeita, e que existe uma desprotecção da zona mais à esquerda, torna-se impensável que Bendtner faça o que faz, se pararmos a imagem no momento do cruzamento. Não só por que está marcado por Duda, mas porque tem demasiada gente próxima para poder, como pode, receber, deixar bater e rematar.
As responsabilidades são partilhadas. Duda aborda o lance de uma forma inocente, frágil e, sobretudo, incompetente. Mas a sua queda talvez tenha provocado uma paralisia em quem o rodeava. Pepe e Bruno Alves, sabe-se lá porquê, não têm nem a agressividade, nem a reactividade possível e desejável. E como os problemas de finalização não se pegam por contágio...


Liedson – O golo de Liedson não tem nada de mais. Fácil, mesmo. Cabecear, a 3 metros da baliza, de pés no chão. Não dá para falhar, certo? Errado! O segredo de um grande cabeceador, e não é a primeira vez que o refiro aqui, não está no gesto técnico. Está na forma como se consegue posicionar para o executar. Ninguém consegue finalizar bem de cabeça se não abordar o lance de uma posição que o permita. E é aí que Liedson se distingue como um predestinado. Simplesmente lê e reage mais rapidamente às trajetórias e isso permite-lhe ganhar lances impensáveis entre os centrais. Desta vez, viu o que ninguém mais conseguiu ver. A bola não iria ser ganha por nenhum dos aventureiros que a disputavam à sua frente. Enquanto estes saltavam loucamente, ele permaneceu fixo no chão, convicto de que ganharia no chão o lance... aéreo. E assim foi. A prova da sua total percepção do lance está na forma como, de facto, cabeceia a bola. Não a desvia, cabeceia.


Messi & Kaká – O sempre emotivo Argentina – Brasil. O desfecho pode ser resumido ao duelo entre Messi e Kaká. Ou, mais precisamente, à forma como cada um é enquadrado pelo colectivo. O terceiro e último golo brasileiro resume isso muito bem. Na Argentina, o desenquadramento colectivo do talento individual. Messi é o mesmo, mas não tem o mesmo apoio sempre que a bola lhe chega. Decidir torna-se mais difícil e o drible, um recurso mais comum e menos eficaz. No Brasil, o culto da transição, com Kaká como elemento central. A bola é ganha pelo laborioso meio campo e, mais à frente, na zona central, lá está Kaká. Depois é simples. A bola é-lhe rapidamente entregue e o craque faz o que melhor sabe. Condução em velocidade e leitura perfeita da transição. O espaço é, aqui, o ponto fundamental. Quando o tem, o Brasil torna-se mortífero. Quando a oposição se fecha, e apesar de todo o talento individual, os problemas aparecem. Um dado que seguramente se irá confirmar na África do Sul.


Piqué – Um entre muitos grandes lances da “máquina espanhola”. Os golos de centrais são comuns, mas não como este. Da “aventura” de Piqué, destaque, primeiro, para a rapidez com que encara o jogo mal a ganha. Mas o ponto fundamental deste destaque tem a ver com a sua decisão em avançar em posse em vez de entregar aos muitos colegas que tinha à sua frente. A sua opção foi correcta, apesar de não a ser aquela que se convenciona como mais simples e correcta para um central. Precisamente, decidir bem não é fazer o que é convencionado como mais correcto. É fazer o que é, de facto, mais correcto, e em cada situação específica. Por isso, Piqué se afirmou tão facilmente nas equipas que, ao nível de clubes e selecções, melhor jogam com bola. Porque sabe decidir, situação a situação, e porque tem qualidade técnica para aumentar o leque de possibilidades que se lhe deparam sempre que a bola lhe chega aos pés. E isso é um dos aspectos que mais importa num central de equipas que fazem o culto da posse.


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28.5.09

O bom futebol na lista dos vencedores

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A História diz-nos que o futebol nem sempre é justo com quem o trata da melhor forma. O Brasil de 1950, a Hungria de 1954, ou a Holanda de 1974 são exemplos de grandes equipas que ficaram cruelmente separadas da glória por um jogo, por uma final. Esse era o risco que corria este Barça, cujo brilho fora incomparavelmente superior aos demais durante toda a época. Em Roma, no entanto, os deuses do futebol facilitaram a tarefa a quem tão bem o tratou durante todo o ano. Talvez tenha sido mesmo uma benesse divina ter chegado à vantagem após aqueles 10 minutos tão atípicos, mas a partir daí o Barça impôs-se por completo no jogo e confirmou no palco em que mais importava tudo aquilo que de bom se havia dito sobre esta equipa. Não terá sido uma final perfeita, sobretudo porque tanto domínio mereceria outra expressão no marcador, mas foi seguramente a final suficiente para consagrar este Barça como um dos mais brilhantes campeões europeus.


A importância dos 10 minutos iniciais
Na projecção da final todos previram um United cauteloso e alertado para os perigos de tentar discutir o domínio do jogo com este Barça. Os primeiros 10 minutos foram, dentro desta perspectiva, uma surpresa total. Guardiola referiu que a equipa foi surpreendida pela entrada forte do United, mas creio que houve sobretudo um período menos feliz da equipa catalã. As suas linhas permaneceram baixas, não dando profundidade ao pressing e permitindo que o United tivesse mais bola e maior domínio territorial. Talvez mais estranho ainda foi ver a posse de bola blaugrana perder passes e ser incapaz de empurrar o adversário para trás.
O futebol é de facto um jogo particularmente interessante e o resultado deste momento negativo do Barça acabou por ser o mais positivo possível para a equipa catalã. Como que iludido pelo que estava a acontecer, o United pareceu esquecer tudo aquilo que à partida se sabia ser prioritário para se poder superiorizar a uma equipa como o Barça. À primeira vez que foi pressionado, cedeu a posse de bola, permitiu que Iniesta furasse a linha média e depois libertasse Eto’o no 1x1 com Vidic. Pior do que o golo, para o United, só mesmo o seu efeito. O Barça rapidamente se reencontrou e, ao contrário, o United tornou-se numa equipa instável individualmente e sem soluções colectivas para fazer face à qualidade que lhe apareceu pela frente.

80 minutos quase perfeitos
No que se seguiu ao golo, o Barça foi absolutamente irrepreensível. Com bola, fez valer a característica que mais a distingue das demais equipas do futebol actual. A qualidade da posse, com Xavi e Iniesta sempre em destaque, neutralizou por completo o pressing do United, obrigando os ingleses a baixar a sua equipa no campo. Aqui, alerto para uma decisão que me parece relevante de Guardiola, ao manter Iniesta na linha média ao invés de o distanciar do epicentro do jogo, lançando-o como extremo.
Se com bola não faltam elogios a esta equipa, há muito que falta dizer sobre a qualidade com que defende. A reacção à perda de bola é fantástica, rápida e organizada, e impede o primeiro passe de ser pensado, condicionando desde logo a transição adversária. Depois, a linha defensiva, sendo alta, conseguiu quase sempre ser eficaz, controlando as tentativas (algo repetitivas, diga-se) de colocar as bolas nas costas dos laterais. Nota, neste aspecto defensivo, para a intensidade de Pujol e, sobretudo, para a soberba leitura de Piqué na abordagem aos lances.
O “quase” que associo ao “perfeito” surge apenas por um motivo. O Barça teve sobretudo no segundo tempo vários momentos em que conseguiu desorganizar completamente o adversário, fazendo-o perder a lucidez táctica e afastando-o como equipa. A prioridade, estando em vantagem, foi claramente dar segurança e tempo à posse de bola, mas com um pouco mais de arrojo estou em crer que o Barça podia ter conseguido mais golos, mais cedo.


O duelo Messi – Ronaldo
A importância desta nota individual tem a ver com o peso deste jogo para a bola de ouro do próximo ano. A vantagem para quem venceu será enorme, ainda mais, tendo sido Messi um dos assinantes da ficha de goleadores. Não concordo com esta orientação colectiva para a escolha de um prémio individual mas a história recente diz-nos que o herói da equipa que ganha a Champions tem fortes hipóteses de ganhar a eleição de melhor do mundo e este caso não deverá ser excepção. Messi merecerá muito mais o prémio pela fantástica época que vem realizando do que por este duelo em particular, onde Ronaldo, apesar de ter perdido, foi claramente quem mais fez para poder dar ao troféu um outro destino.




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27.5.09

Os dilemas da final que não deixará nada como dantes...

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É o pouco mais do que o jogo do ano. É o desafio do Barça ao domínio inglês, mas é também o desafio do United a um Barça aparentemente imparável. Depois, e porque é também incontornável, há o confronto entre as 2 individualidades mais importantes do futebol actual. A “máquina” Ronaldo ou o imparável Messi? Diga-se o que se disser, é impossível estabelecer favoritismos claros e tudo se jogará num só jogo, com toda a sua imprevisibilidade e aleatoriedade. Pode não ser o desfecho mais justo mas será, seguramente, o mais empolgante. O jogo, esse, até poderá nem ser o mais interessante, mas o futebol é o que é pela ansiedade que é capaz de criar e, nesse sentido, esta é já uma grande final, mesmo antes de ter começado.


Dilemas para as 19:45
O ponto que se deve lamentar, em primeiro lugar, são as ausências. Mais carente o Barça e, por isso também, mais enigmático. Da resposta a alguns dilemas que se levantam à partida para esta final, poderá resultar muito do que definirá realmente o destino de um jogo que tem, creio eu, coordenadas gerais mais do que previsíveis:

A defesa do Barça: Voltará Guardiola a recuar Touré para central, depois do jogo menos conseguido em Londres? Ou apostará na inexperiência de Cáceres?

Sem Daniel Alves: Uma das diferenças tácticas introduzidas por Guardiola foi a introdução de uma assimetria entre os laterais, transformando o 4-3-3 muitas vezes num autêntico 3-4-3. A importância de Daniel Alves foi enorme nesse papel de falso lateral. Sem ele, jogará Sylvinho, mas sobre a esquerda? Que impactos poderá ter essa alteração, não só relativamente à resposta do experiente brasileiro, mas também em relação à inversão do flanco e ao efeito que isso terá na ligação com os atacantes?

Keita ou Henry? De novo a pergunta sobre se Guardiola optará por repetir a estratégia de um jogo menos conseguido como o de Londres? Poderá Iniesta ser de novo extremo e Keita jogar no meio campo? Não será esse mais um factor que contribuirá para o afastamento do conjunto das suas rotinas habituais?

Com ou sem Tevez? Do lado do United, Tevez tem sido uma peça fundamental em vários momentos. Guardará Ferguson o argentino para períodos mais tardios no jogo? Não seria melhor iniciar com o argentino?
Por onde quebrará? Projecta-se sempre um herói para estas finais, mas muitas vezes elas acabam por ser decididas por um vilão. O’Shea será o principal candidato a falhar do lado do United, tanto mais que defronta Messi. Mas também há que contar com o mau momento de Vidic e com a pouca competição de Ferdinand. Do lado do Barça há Valdés e também a maior fragilidade nas bolas paradas. Tudo isto pode parecer evidente antes do jogo mas no final até é bem provável que o quebrar acabe por não surgir pelo elo mais fraco. Basta recordar a assistência de Xavi para Scholes, há 1 ano...


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12.3.09

Messi, pois claro!

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12.1.09

Coisas de "melhor do mundo"...

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- num outro jogo, num outro país, um outro "melhor do mundo", assistiu 2 vezes e ainda deixou isto!

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10.1.09

7.1.09

Fenómeno Messi!!

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Vale a pena ver a jogada anterior ao terceiro golo!

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6.10.08

Às vezes nem é preciso que ela entre!

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