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21.4.11

Benfica - Porto: Estatística e Análise

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- Surpreendeu-me a abordagem ao jogo de Jesus. Esperava que voltasse às duas linhas de quatro e à colocação de Peixoto junto a Garcia, repetindo a "fórmula" do Dragão. Não sei se não o fez por mera opção estratégica, ou se abdicou dessa opção apenas devido às ausências de Gaitan e Salvio. Seja como for, estou em crer que o treinador estará arrependido de não ter introduzido essa opção no jogo, não digo de inicio, mas no inicio da segunda parte.

- Também estranhei a abordagem do Porto ao jogo. A pressão incidiu mais no bloqueamento da zona média e não esteve especialmente agressiva sobre o tempo de passe na zona de construção. Com bola, o Porto raramente utilizou Fernando na primeira parte e notou-se uma tendência para recorrer mais directamente a Falcao. Talvez Villas Boas também estivesse à espera de outra estratégia do Benfica, mas a verdade é que a equipa teve dificuldades em ser dominadora no jogo, como aconteceu na segunda parte.

- Com a combinação das duas posturas, o jogo na primeira parte foi relativamente fraco. Pouco risco em posse, várias solicitações directas de parte a parte e poucas situações de ataque rápido. Esteve melhor o Benfica durante boa parte do tempo, conseguindo ter mais bola e chegar mais perto da baliza contrária, especialmente através de vários livres nas imediações da área. Apesar disso, foi também sempre o Benfica quem esteve mais propenso ao erro, e acabou por conceder a principal ocasião da primeira parte, precisamente num lapso de Jardel.

- A segunda parte foi realmente diferente, embora se deva dizer que o Porto conseguiu um notável aproveitamento das ocasiões criadas, já que não foram muitas mais do que os golos que marcou. A principal alteração no jogo teve a ver com o domínio, sendo que na segunda parte foi o Porto quem tomou conta do jogo, invertendo a posse de bola e passando a actuar como mais gosta, ou seja, em ataque posicional, dando fluidez à circulação e com uma forte reacção à perda.


- Há dois momentos que me parecem decisivos no jogo. A alteração de Micael por James, e o primeiro golo. O efeito da alteração não teve a ver com a prestação de James, que até foi, a meu ver, bem inferior à de Micael, mas com a alteração táctica e com a presença de mais um elemento na ligação meio campo-ataque, no corredor central. O domínio, aí, acentuou-se de forma clara. Depois, o golo, com o Benfica a acusar claramente o momento, a ter dificuldade em organizar-se defensivamente, em se manter agressivo sobre a posse contrária e em sair do "colete de forças", nessa altura claramente observável. Foi tudo muito rápido, mas provavelmente Jesus poderia e deveria ter sido mais lesto a reagir.

- A reacção do Benfica à súbita inversão de situação foi boa. A entrada de Aimar trouxe mais qualidade e energia e a equipa parecia ser capaz de voltar a crescer no jogo. As substituições posteriores podem retirado organização e quebrado o momento de reacção após o 1-3. Nunca saberemos o que teria acontecido, mas a verdade é que fica a ideia que colocar mais gente na frente apenas partiu a equipa e lhe retirou consistência.

- Em suma, o Porto foi claramente feliz pelo aproveitamento que conseguiu na sua melhor fase, já que o jogo esteve muito tempo longe de parecer fora do controlo para os dois golos de vantagem que o Benfica trazia da primeira mão. Ou seja, o seu mérito é incontornável na forma como impôs o seu domínio durante os primeiros 30 minutos da segunda parte, mas para quem tinha de recuperar dois golos, é também verdade que a primeira parte não foi bem conseguida. Quanto ao Benfica, e como referi ontem, voltou a não conseguir gerir o jogo e a vantagem muito confortável que trazia, sucumbindo claramente assim que o jogo começou a ameaçar escapar-lhe.

Notas individuais (Benfica)
Jardel - Conseguiu algumas intervenções vistosas, mas no geral foi pouco para os erros que cometeu. Ainda assim, este era um jogo de elevado grau de dificuldade e Jardel parece-me uma opção nesta altura claramente mais fiável do que o super instável Sidnei. O que não se pode esperar é que se torne, de repente, numa solução ao nível de Luisão ou David Luiz.

Peixoto - Continua-se a querer ver nele uma solução que não oferece, nem nunca ofereceu durante toda a época. Ou seja, sempre que joga no corredor, Peixoto tem grandes dificuldades em impor-se, quer em termos de agressividade/intensidade, quer em termos de capacidade criativa. As suas melhores exibições foram como médio, em posições interiores, onde parece dar-se bem melhor. Devia ter saído mais cedo no jogo (ou mudado de lugar), porque a jogar onde estava, nunca deu muito à equipa.

Jara - Lutou, é verdade, e até conseguiu alguma consequência em situações pontuais, mas nas intervenções mais importantes, quando era possível acelerar o jogo e tentar situações de ataque rápido, decidiu quase sempre mal. A principal das quais, no lance que terminaria com o golo de Moutinho. Jara tentou forçar sozinho e acabou por retirar à equipa a possibilidade de surpreender o adversário, num lance que ilustra bem as suas dificuldades em lances do género.

Aimar - Obviamente que devia ter entrado mais cedo. Numa situação em que Gaitan e Salvio estão indisponíveis, não parece muito compreensível que se reserve tão pouco tempo para Aimar.

Notas individuais (Porto)
Otamendi - Cometeu em erros em posse - o que lhe é hábito - mas revelou-se fantástico nos momentos de transição. Quer em recuperação, quer em antecipação do primeiro passe de transição, Otamendi sobressaiu claramente dos restantes jogadores.

Fernando - A sua exibição é um pouco a imagem da equipa. Ou seja, na primeira parte esteve ausente do jogo (não por culpa sua), mas na segunda cresceu muito, atingindo os parâmetros habituais do seu rendimento. Com mais presença em posse, ainda que com erros, e sobretudo muito forte no controlo defensivo da sua zona, nomeadamente na reacção à perda.

Micael - Saiu, mas até esse momento tinha sido provavelmente o melhor jogador da equipa. Seguramente, foi aquele que mais participação e influência teve em posse, e também com uma presença importante na recuperação (capítulo onde tem dificuldades).

Moutinho - Tal como contra o Sporting, voltou a ser decisivo ofensivamente, mas menos correcto e influente com bola, em relação àquilo que é o seu traço habitual. Ainda assim, há claramente uma explosão de rendimento com a alteração táctica e com o golo que marcou. A partir daí "encheu" o campo, com a sua presença elástica e extensível a todas as situações do jogo.

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19.4.11

Porto - Sporting: Estatística e notas do jogo

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- Tinha antecipado a alta probabilidade do Sporting não ser capaz de discutir o jogo em termos territoriais com o Porto. Não se trata de opção estratégica, mas simplesmente de incapacidade para o fazer. Isso, sem qualquer surpresa, verificou-se, ficando depois por perceber até que ponto o preço dessa diferença de supremacia podia ser custosa para o Sporting. Não foi muito, em boa verdade.

- Começando pela incapacidade do Sporting em discutir o jogo, ela explica-se (e recapitulando a ideia já explicada noutros jogos) em dois eixos: 1) pelo contraste entre as soluções que ambas as equipas criam para a sua posse, e 2) pela diferença de capacidade pressionante precisamente sobre a posse contrária.

- Em termos defensivos, o Sporting voltou igualmente a mostrar as suas fragilidades em vários aspectos. Primeiro, o pressing, embora tenha vindo a melhorar, está longe de ser uma barreira difícil de ultrapassar. Depois, quando é obrigado a jogar em zonas mais baixas, a equipa fundamenta a sua capacidade defensiva sobretudo pela presença e equilíbrio numéricos, e isso foi perfeitamente notório na facilidade com que se permitiram cruzamentos e finalizações em zona circundante da área.

- Se houve algo que equilibrou o jogo foi o jogo menos concentrado do Porto em posse, tendo em conta aquilo que lhe é hábito. Cometeram-se vários erros evitáveis e que acabaram por permitir ao Sporting uma proximidade com o golo indesejável do ponto de vista portista. Há também mérito do Sporting, mas, como referi, face ao rendimento que o Porto costuma apresentar, a prestação foi bem abaixo do que se pode exigir.


- Em termos de dados estatísticos, sem surpresa mais e melhor posse por parte do Porto, e maior incidência do Sporting nos momentos de transição. Embora, a equipa portista tenha tirado também partido de alguns ataques rápidos, conseguindo 3 dos seus 8 desequilíbrios por essa via. Já agora, em termos de desequilíbrios, 4 dos 8 desequilíbrios portistas resultaram de cruzamentos, e 3 deles foram “salvos” por Rui Patrício.

- Em relação ao Sporting, Couceiro voltou a registar um novo mínimo de passes completados num jogo, bem como a percentagem de passe. Um “recorde” que havia sido batido em Guimarães, mas que, sem surpresa, volta a ser piorado no Dragão. Como já expliquei, são tendências que têm a ver com a matriz de jogo que o Sporting passou a apresentar desde a entrada de Couceiro.

Notas individuais (Porto)
Álvaro Pereira – Foi, a grande distância, o jogador mais interventivo no jogo. Acabou, também por isso, por ser um dos melhores em campo, sobressaindo pelos cruzamentos que tirou, sobretudo de primeira, num movimento característico da equipa do Porto.

Guarin – Confirma que a sua mais valia é mesmo em termos ofensivos. Como “pivot” fez um jogo regular, mas longe dos níveis que Fernando pode dar à equipa nessa função.

Moutinho – É curioso como fez um jogo em contra-ciclo com o que lhe é hábito. Ou seja, desta vez Moutinho não foi o relógio habitual no meio campo. Falhou vários passes, e ficou intimamente ligado à origem do lance do primeiro golo. Porém, Moutinho compensou com uma participação ofensiva que teve uma importância acima do que lhe é hábito, estando directamente ligado a alguns desequilíbrios, nomeadamente o que resultou na assistência para o segundo golo. Em termos defensivos terá estado ao seu nível e acima dos restantes elementos do meio campo.

R. Micael - Grande jogo do madeirense. Por vezes discreto, mas quase sempre presente. Foi o jogador com mais influência em termos de posse - a grande distância - sobretudo por ter sido aquele que garantiu mais consistência na entrega. Complementou essa presença com aparições importantes em termos ofensivos, sobretudo nas jogadas mais perigosas em ataque rápido.

Falcao - Não há muito a dizer quando um jogador faz uma exibição destas. Sozinho, pulverizou a defensiva do Sporting em situações de finalização. Mesmo se houve lances em que a defesa deixou a desejar, Falcao é um fora de série na resposta a cruzamentos, e é essa característica que o torna verdadeiramente especial.

Walter - Uma nota para ele. Reapareceu muito tempo depois e voltou a mostrar que tem qualidade de sobra para ser uma aposta de futuro. E não apenas pelo golo. Enfim, posso-me enganar, mas acho realmente estranho se Walter tiver sido preterido apenas por critérios técnicos.

Notas individuais (Sporting)
Evaldo - Na realidade, não fez um mau jogo em vários aspectos. Esteve mais interventivo do que é habitual, conseguiu algumas antecipações que lhe são raras e dar alguma dinâmica ao corredor. Só que a sua exibição não pode deixar de considerar (outra vez!) a passividade com que aborda alguns lances. Nomeadamente, no primeiro golo de Falcao, onde pelo menos deveria ter saltado com o atacante, e numa ou outra jogada em que a sua falta de agressividade no espaço condicionou a equipa em termos defensivos.

Polga - Foi batido no terceiro golo e tem responsabilidades na forma como se "perdeu" posicionalmente, mal Moutinho saiu do drible após o canto. Seja como for, está longe de ser o principal responsável no lance. De resto, voltou a revelar-se como o jogador com mais intervenções defensivas (o que é um hábito). Com bola, teve a responsabilidade de tentar sucessivas saídas longas em face da pouca preparação colectiva para a saída em apoio.

André Santos - Fez um bom jogo em quase todos os planos. Apenas "borrou" a pintura já numa fase adiantada do jogo em que perdeu segurança em posse, acabando por estar na origem de alguns ataques rápidos contrários. Confirma-se, porém, que é muito melhor como "pivot" do que como médio.

Matias - Não foi um jogo fácil para quem gosta de ter bola. Matias soube esperar pelos seus momentos para desequilibrar.

Valdes - Jogo muito fraco no Dragão. A nota vai para a sua influência negativa para a equipa no inicio da segunda parte. Não teve a intensidade exigível no lance do segundo golo, e, poucos minutos depois, a frieza suficiente para não se deixar atemorizar pela "locomotiva" Sereno, quando tinha tudo para pelo menos finalizar melhor.

Djalo - Está num bom momento, voltou a ser desequilibrador e útil em termos defensivos. Tem lacunas evidentes e pode não ter o estilo mais simpático para a generalidade dos adeptos, mas é um jogador que o Sporting deve obviamente ter em conta para o futuro.

Izmailov - Uma boa notícia o seu regresso e um bom sinal o seu rendimento, entrando tanto tempo depois e a meio de um jogo tão intenso. Ainda assim, podia e devia ter feito melhor no terceiro golo.

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16.3.11

Meio campo do Porto: o "motor" do campeão

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Dizer-se que o meio campo é o "motor" da equipa é tão vulgar, que se pode considerar um "cliché" do futebol. A verdade, porém, é que poucas equipas e, já agora, poucos campeões terão tido um "motor" tão bem afinado como o do Porto nesta temporada.

O que me leva a ser tão elogioso? Primeiro, a percepção da missão colectiva. Ou seja, há uma óptima sintonia entre os elementos do meio campo no desempenho das suas diversas tarefas. Apesar de haver "especialistas", há também a liberdade para trocas posicionais pontuais, sem que, porém, se perca a ordem colectiva. Algo que se observa sobretudo na dinâmica em posse. Depois, e ainda dentro do campo colectivo, há também uma excelente percepção da importância do que deve ser feito em todos os momentos de jogo. Lucidez de critério em posse, noção da importância da relação tempo-espaço na reactividade à perda.

Depois, os méritos individuais. Porque o colectivo, afinal, faz-se de várias missões individuais. Aqui, há várias especificidades, pontos fortes e fracos entre todos os intervenientes. São conhecidos, óbvios, e dispensam grandes comentários. Mas há um ponto comum (especialmente quando jogam Fernando, Belluschi e Moutinho) que tenho realçado e que volto a fazê-lo, por ser realmente raro e importante: a intensidade e reactividade.

Uma explicação sobre os gráficos que usam dados estatísticos recolhidos ao longo de toda a Liga. O rendimento acumulado apresentado tem em conta todos os minutos de utilização e não faz a "normalização" que habitualmente utilizo para comparar rendimentos relativos. De resto, em relação à comparação entre os "motores" dos 3 "grandes", o Porto destaca-se sobretudo pela sua competência e consistência em todos os eixos de análise. Daí ser, com alguma distância, o que melhor rendimento garantiu.

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8.2.11

Porto - Rio Ave: Análise e números

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Tenho para mim que estes são os momentos mais difíceis de entender no futebol e, por isso também, os mais interessantes. Momentos de quebra ou superação das equipas. O Porto está a viver um desses momentos, que não é ainda suficiente para que lhe chamemos de “crise”, mas que urge ser invertido sob pena de justificar esse rótulo. A única coisa que podemos garantir é o efeito, já que a causa, essa, é bem mais difícil de identificar. Normalmente assistimos a um desdobramento de explicações que tentam estabelecer uma relação linear entre uma causa e um efeito. Não acredito nesse tipo de visão redutora para um problema que julgo ter na complexidade uma das poucas certezas em relação à sua origem. Ainda assim, acredito na importância de uma palavra em toda esta equação: confiança.


Notas colectivas
Podemos começar pela leitura do que se viu. O Porto foi sempre dominador, sim. Teve até uma % de sequência em posse bastante elevada. Tudo elementos normais e expectáveis num jogo desta natureza, e que normalmente redundam num volume bastante grande de oportunidades. Não foi o caso, e aqui começam os indicadores atípicos em relação ao jogo: poucos desequilíbrios junto da baliza contrária (2, que é um novo mínimo em jogos para o campeonato), e muitas perdas de bola em posse (10, que é um novo máximo da equipa).

Ou seja, o Porto dominou como é costume, apresentou até alguns bons momentos de fluidez na sua posse, mas não teve a mesma capacidade e rendimento em 2 áreas fundamentais do seu jogo. Primeiro, a segurança, com vários erros a serem cometidos em zona de construção, e, depois, no último terço, não encontrando a inspiração e arrojo para ultrapassar a última barreira do adversário, até onde chegou com bastante frequência.

Perante tudo isto, é muito redutor explicar a situação pelas ausências de Álvaro Pereira e Falcao. É verdade que ao Porto faz falta um lateral mais incisivo, que consiga ser uma solução de profundidade no corredor. Também é evidente que a ausência de Falcao, não só retira qualidade, como altera a dinâmica do trio da frente. Também se pode dizer que Belluschi tem uma objectividade no último terço que teria sido uma mais valia neste jogo. Mas, nada disso explica apenas 2 desequilíbrios e 10 perdas de bola num jogo destes.

Importa também falar sobre Hulk. Não é verdade que Hulk jogue estritamente na posição de Falcao. Ou seja, com Hulk nesse papel, há muito mais trocas posicionais com os 2 extremos, pelo que Hulk, e ao contrário do que acontece com Falcao, aparece frequentemente em zonas laterais. O ponto é que, se a sua influência decisiva caiu nos últimos 2 jogos, tal não terá estritamente a ver com o seu posicionamento base, como muitas análises tentam sugerir. Aliás, as primeiras adaptações de Hulk a esta dinâmica não o impediram de continuar a decidir.

Sobre o Rio Ave, também é interessante referir o tema “confiança”. É uma das equipas mais bem organizadas do campeonato e tem bons jogadores em várias posições – lança muitos portugueses! Na minha leitura, muitas das suas dificuldades no campeonato têm a ver com o impacto emocional dos maus resultados iniciais. Ou seja, perdendo a abrir a prova, a equipa teve dificuldade em estabilizar os níveis emocionais e isso ter-lhe-á custado erros e pontos. Caso contrário, não espantaria que esta mesma equipa estivesse no mesmo plano de Leiria ou Olhanense.

Notas individuais
Sapunaru e Sereno – Continuo a pensar que os laterais beneficiam da qualidade do modelo colectivo, que lhes esconde lacunas e potencia virtudes. Mas continuo a pensar, também, que o modelo colectivo beneficiaria com laterais de outra qualidade e características. Tanto vale para um como para outro.

Otamendi – Regressou, mas não teve um jogo ao nível do que se lhe pode exigir. Não tanto defensivamente, mas pelos erros que cometeu com bola.

Fernando – Foi um dos mais criticados no jogo com o Benfica, e de facto errou nessa partida. Neste jogo, porém, esteve muito mais errático do que a meio da semana. Tem uma capacidade física notável e é uma enorme mais valia em termos de recuperação, mas não pode cometer tantos erros em posse na sua zona.

Ruben Micael – Foi o primeiro a oferecer um ataque rápido ao Rio Ave e voltou a repetir o mesmo tipo de erro mais tarde. No entanto, Micael foi, durante boa parte do jogo, o jogador mais influente do meio campo, notando-se a sua disponibilidade para ter a bola e a sua boa capacidade de decisão. É pena não ter outra agressividade e explosão, porque é um jogador com uma noção excepcional do jogo, notando-se na rapidez com que define o destino que deve dar às bolas que por si passam.

Moutinho – Desta vez foi decisivo. De resto, não fez um jogo excepcional, também errou, mas manteve-se dentro do seu registo altamente fiável de rendimento. Tudo somado, parece-me justo que seja o “melhor em campo”.

Varela – Marcou, é verdade, mas foi pouco o que fez depois.

James – Desta vez não teve a clarividência que o tem caracterizado e não deu a melhor sequência a muito do jogo que por si passou. Por outro lado, continua a perceber-se que ainda não é nele que o Porto pode confiar para ser um “abre latas”.

Hulk – Um dado curioso sobre a sua exibição: muitas vezes Hulk decide mas não dá sequência a muito do jogo que por si passa. Desta vez foi ao contrário. A maioria das bolas que passaram por ele tiveram sequência colectiva, o problema é que não foi decisivo. Há dúvidas sobre o que é mais importante?
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14.12.10

O meio campo portista (Moutinho, Belluschi e Micael)

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Há algum tempo que me venho referindo às qualidades e especificidades dos médios portistas – sobretudo Moutinho e Belluschi – e creio que, de facto, há lugar para uma análise comparativa mais alargada. Não só ao perfil destes 2, mas também ao do outro concorrente: Ruben Micael. São, antes de mais, 3 opções de qualidade, sendo até de lamentar que só 2 dos 3 possam jogar com mais regularidade. Mais curioso, porém, é verificar que Villas Boas tem, para além de qualidade, alguma diversidade nas soluções que lhe são oferecidas por estes 3 elementos.

Belluschi – Conheço-o desde os tempos do River, mas só há pouco tempo me apercebi de algumas das suas qualidades. Belluschi, está fácil de ver, é um jogador fortíssimo na definição no último terço. Mesmo genial, em vários momentos. O que Belluschi tem escondido é uma capacidade de trabalho fora do vulgar. Agressividade e reactividade fantásticas que fazem dele um elemento valioso no “pressing” e um improvável recuperador de bolas. Aliás, não tendo o mesmo sentido táctico no que respeita aos equilíbrios posicionais, Belluschi é mesmo substancialmente mais eficiente no trabalho sem bola do que o próprio Moutinho. O que não diz mal do português, mas bem do argentino.

O ponto fraco de Belluschi está no critério com bola em zona de construção. Nem sempre revela a concentração devida e muitas vezes força em demasia a jogada vertical, acabando por retirar segurança e continuidade à posse. É um problema que tem sido atenuado pelo trabalho colectivo, mas que emerge sobretudo nos jogos de maior carga emocional, onde a displicência também aumenta.

Moutinho – Já tenho falado muito do que entendo ser o seu perfil e os dados estatísticos ajudam, a meu ver, a explicar essa opinião. Ou seja, Moutinho é um jogador de consistência absoluta, de grande qualidade técnica, com grande atitude e lucidez táctica, mas também sem uma característica que o torne um notável desequilibrador ou um feroz recuperador. A virtude mais excepcional de Moutinho, porém, será mesmo a fiabilidade que oferece à equipa e a quem a comanda. É que quando Moutinho entra em campo, seja com o melhor ou pior dos adversários, o seu rendimento é garantido. Com rendimento elevado e sem oscilações só espantaria se abdicassem dele.

Ruben Micael – Micael será aquele que em condições menos favoráveis parte para esta análise porque, obviamente, o tempo de observação é muito menor. Ainda assim, há dados que não enganam. A virtude de Micael é a visão. Raramente lhe vemos uma opção errada e frequentemente parece antecipar o melhor destino que deve dar à jogada, seja coma bola nos pés ou em movimentos sem bola. Por isso tem uma sequência de posse tão elevada e por isso, creio, seria também um jogador mais desequilibrador caso tivesse jogado mais tempo.

O outro lado de Micael, aquele onde inegavelmente perde para Moutinho e Belluschi, está na capacidade de trabalho. A sua agressividade não é minimamente semelhante à dos seus 2 companheiros e Ruben não consegue, nem de perto, os mesmos níveis de eficiência de Moutinho e Belluschi em termos de trabalho defensivo.



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25.8.10

Porto - Beira Mar: Análise e números

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O resultado e o momento convidam a outro estado de espírito, mas julgo que não há ainda grandes motivos para euforias no Dragão. Isto porque, apesar das vitórias e da vantagem comparativa em relação aos adversários, o futebol do Porto está ainda longe de dar sinais de grande fulgor. Escrevi-o no fim de semana: mais do que tudo, o que existe são boas condições para evoluir e chegar a um patamar qualitativo mais elevado. Mas esse patamar ainda não foi atingido. De resto, um olhar mais frio para a recepção ao Beira Mar indica precisamente isso. Houve prudência, maturidade e inteligência. Mas ajuda muito marcar 2 golos nas únicas oportunidades que se constrói em 45 minutos.

Notas colectivas
Realmente, acabou por ser um jogo desinteressante do ponto de vista da análise. O Porto não teve uma grande entrada, não conseguiu desmontar facilmente a estratégia aveirense, mas teve a eficácia para chegar à vantagem nas raras oportunidades que teve. Depois, o próprio Beira Mar arriscou sempre pouco, permitiu uma circulação baixa e paciente antes de, nos últimos 15 minutos, perder níveis de organização e concentração que culminaram, aí sim, num grande número de desequilíbrios no seu último terço. Ou seja, não deu para ver um grande Porto em termos ofensivos, mas também não deu para testar a sua capacidade de o ter de ser sobre pressão.

O que dá para ver – e isto marca um pouco a diferença para os outros 2 grandes nesta altura – é que o Porto é uma equipa sóbria, que sabe bem o que não deve fazer e os riscos que não deve correr. Ora isto pode não garantir grande coisa em termos de arrojo ofensivo, mas garante, pelo menos, que a equipa sabe bem o que quer de cada jogo: ganhar, isto é.

A organização continua a centrar-se num 4-3-3 que é bem mais um 4-1-4-1 quando a equipa não tem a bola. Falcao é o leme do pressing que espera densamente na linha média por uma oportunidade para atacar. Não se viram muitas transições resultantes de recuperações altas, é certo, mas o Beira Mar também nunca facilitou. Depois, com bola, paciência, certeza e busca pelas combinações nos flancos.

Na verdade, é neste momento – de organização ofensiva – onde a equipa está mais fraca em relação ao passado. As combinações não são tão fluídas, o que pode ser normal em Agosto, e continuo a achar que há um défice de aproveitamento de Falcao e do apoio frontal. Voltou a ser pouco participativo na criação e penso que tem potencial para uma utilidade bem maior.

Enfim, enquanto se esperam mais entusiasmos dá pelo menos para dizer que todos gostariam de trocar de papel com os adeptos portistas neste momento. E esse é sempre o melhor indicador.

Notas individuais
Em termos de destaques, as conclusões são bastante triviais. Falcao não esteve muito participativo, mas esteve em 5 dos 7 desequilíbrios da equipa, marcando 2 golos. Álvaro Pereira teve uma participação enorme (que contraste com o lateral direito!) e acrescentou a isso uma influência positiva em termos ofensivos. Depois, Belluschi que foi decisivo, voltou a mostrar a sua apetência para recuperar e ser participativo mas voltou também a ser displicente em muitas ocasiões. Um aspecto que já abordei no passado e que tem a ver com a forma como foi “educado” a decidir.

Mas a nota que talvez mais interesse, é Souza. Entrou cedo e entrou muito bem. Um jogador discreto mas bastante participativo e útil. Não me parece que garanta ainda o mesmo nível de rendimento de Fernando na posição 6, especialmente na recuperação, mas talvez o possa vir a conseguir com o tempo. Vi-o jogar poucas vezes no Brasil, mas nunca nessa posição, por isso talvez seja preciso dar-lhe tempo de adaptação. Para já, porém, revela uma performance muito superior a muitos casos falhados no passado recente e no mesmo sector.

Outro apontamento para Ruben Micael. Obviamente que a altura em que entrou o beneficiou, mas voltou a mostrar como pode ser um jogador fantástico em determinados aspectos. Sempre com uma visão muito objectiva e abrangente do jogo, reflectida nos seus movimentos sem bola e na facilidade com que encontra a melhor opção. Esperemos que possa evoluir também fisicamente ao longo da época.



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23.2.10

As movimentações do meio campo portista

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Ontem sublinhei a importância dos movimentos sem bola do meio campo portista no crescimento da qualidade colectiva. Hoje, trago os casos práticos do exuberante jogo com o Braga. Este pormenor, da boa movimentação na zona intermédia, foi aquele que mais contribuiu para a vulgarização da organização defensiva bracarense. Quer por ter permitido mais e melhores soluções para o portador da bola, quer porque, por outro lado, expôs zonas que eram estrategicamente importantes para o plano de Domingos (o espaço entre linhas, sobretudo). Muito mérito do Porto, portanto.

Não é necessário uma grande explicação das jogadas em causa para que sejam compreendidas. A ideia é, basicamente, seguir o movimento dos médios identificados e desfrutar da eficácia com que antecipam os espaços e trabalham por dar soluções ao portador da bola. Neste plano, claramente, a jogada do primeiro golo merece nota especial, com Ruben Micael e Raul Meireles (não “Meirelses”!) como protagonistas.

Mas há um derradeiro aspecto para que quero chamar a atenção. Se aqui podemos – e é fácil faze-lo – centrar atenções no individual, falando da importância da chegada de Micael ou do regresso de Meireles, há que contextualizar esta característica dos médios com o ciclo de Jesualdo. Lucho, que também se diferenciava pela inteligência dos seus movimentos sem bola, cresceu desde a chegada do “professor”, tendo atingido a sua maior produtividade apenas em 07/08, na segunda época com Jesualdo. O mesmo se pode dizer de Lisandro, assim como de Meireles, outro caso evidente. Agora, noutro exemplo mais recente, temos Belluschi, que mesmo não tendo sido titular, havia denotado já um crescimento também neste plano, confirmando-o no curto espaço de tempo que esteve em campo.

Ou seja, se é óbvio que a qualidade desta característica é vital para o sucesso do modelo portista, também parece claro que ela está muito mais dependente daquilo que se faz nos treinos no Olival do que do perfil dos intérpretes quando chegam ao Dragão. Ou seja, o crédito deve ser dirigido, mais uma vez, para o notável trabalho que Jesualdo Ferreira vem desempenhando no clube.



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22.2.10

Porto - Braga: A fúria do campeão

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Se este era um jogo em que a pressão se vestia de azul, ela demorou apenas 35 minutos a evaporar-se por completo das bancadas do Dragão. De facto, embora fosse previsível maior domínio e iniciativa portista, dificilmente alguém projectaria tamanha diferença no marcador e, mais ainda, tão célere definição do destino dos 3 pontos. Mérito, como tanto se esforçou por vincar Jesualdo, para a frescura de um Porto renovado e que, agora, ganha novo ânimo para um final de época onde, apesar de tudo, a margem de erro continua muito perto do zero. Do outro lado, do bracarense, resta saber qual o efeito desta abrupta descida à terra. Será que se viu no Dragão um momento de viragem?

Diferença... avassaladora
Afinal, o que explica tão radical diferença num jogo supostamente equilibrado? A eficácia é uma resposta tão óbvia como incontornável, mas há naturalmente bem mais para dizer. Se o Braga vinha com a missão de previligiar, sobretudo, o controlo do jogo, fundamentalmente pelo equilíbrio táctico em todos os momentos, bem como por um constrangimento dos espaços, a verdade é que... falhou rotundamente. E falhou porque do outro lado esteve uma equipa que, fazendo lembrar o jogo com o Sporting, esteve avassaladora. Avassaladora na velocidade com que pensou e reagiu a cada momento do jogo, e avassaladora, também, em termos de inspiração. Tudo isto aconteceu muito rápido, sem tempo para uma chuva de oportunidades, mas perfeitamente suficiente para o KO bracarense.

Os destaques de um Porto renovado
Os destaques individuais mais evidentes da partida serão, provavelmente, Varela e Falcao. O primeiro foi o epicentro dos desequilíbrios que definiram o jogo. Em particular, 2 assistências notáveis e plenas de intenção, com o pormenor de terem sido protagonizadas com o pior pé. Algo que, afinal, não é novidade. O segundo, não só pelos golos e pela já mais do que destacada apetência para se movimentar na área, mas também pela utilidade que tem noutros momentos. Em particular, a sua incansável entrega, quer em termos de mobilidade, com bola, quer no trabalho defensivo, sem ela.

Compreender o crescimento do Porto, porém, passa sobretudo por compreender o crescimento da sua inteligência nos movimentos do meio campo. Micael tinha trazido essa qualidade de movimento sem bola, Belluschi vinha acompanhando com um crescimento individual nessa matéria, mas, com Meireles, tudo se faz com muito maior naturalidade e velocidade. É normal destacar-se a inteligência dos jogadores quando em posse da bola, mas eu pergunto: se um jogador passa muito mais tempo sem bola do que com ela, não será mais importante ainda a inteligência sem bola? Para já, o Porto, como colectivo, parece concordar com a ideia...

A impotência do Braga
Domingos quis, muito claramente, controlar. Privilegiou o equilíbrio táctico em todos os momentos e a proximidade das suas linhas para manter o Porto sem espaço. Se esta fórmula já lhe rendeu resultados no passado, desta vez foi completamente insuficiente. Primeiro, em termos defensivos, o facto de defender em 4-4-2, com 3 linhas defensivas, permite-lhe preencher bem toda a largura do campo, mas impede uma boa pressão em profundidade. Domingos, face a isto, abdicou de subir o bloco, mantendo-o próximo e relativamente baixo, na tentativa de encurtar o espaço entre linhas. O problema foi a tal velocidade de pensamento e movimento do meio campo portista que, juntamente com Falcao, fizeram parecer o comportamento táctico do Braga muito pior do que realmente foi.

Depois, com bola, outro problema. Era importante ser capaz de ter bola, e, talvez mais importante ainda, manter o Porto desconfortável na sua retaguarda. Isso nunca foi conseguido, primeiro por alguma incapacidade da equipa em termos de decisão com bola, e, depois, por um excesso de conservadorismo no desdobramento ofensivo. Preocupou-se demasiado com os equilíbrios tácticos e, quando deu por isso, já era tarde de mais.

Ainda assim, e apesar de tudo, não posso deixar de destacar Mossoró. Será um jogador fundamental para o Braga neste final de época e é aquele que maior qualidade dá à equipa em termos de dinâmica ofensiva. Quer pela mobilidade com que actua, quer pela qualidade que empresta em cada participação.



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18.2.10

Porto - Arsenal: Para sorrir e... rever

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Do jogo resulta uma primeira e óbvia conclusão. A qualificação é uma possibilidade real. Acreditar justifica-se, mais não fosse, pelo resultado conseguido. Se não é difícil retirar o que há de bom de uma vitória tão importante como esta, mais complicado será para o Porto abstrair-se de todo o entusiasmo para fazer um diagnóstico fiel do que se passou. É que, se a equipa tem a sua quota parte de mérito, também é um facto que o desfecho resulta em grande medida da infelicidade inglesa nos momentos dos golos. Perceber a necessidade de fazer melhor será fundamental porque, não tenho dúvidas, dentro do mesmo registo as dificuldades serão imensas em Londres. Para já, e mesmo sem muito tempo para isso, vale a pena saborear o que foi conseguido.

Vitória e... lições para a segunda mão
Apesar de nunca ter tido reflexo no marcador, a verdade é que o Porto teve manifestas dificuldades em se impor no jogo. Sobretudo na primeira parte, onde, apesar do golo e de mais um ou outro desequilíbrio, o Arsenal foi sempre quem mandou no jogo. O motivo desta incapacidade tem sobretudo a ver com a força e qualidade dos “Gunners”, mas requererá do Porto uma outra reacção para se manter por cima na segunda mão. Não tendo feito um mau jogo, o Porto precisava de ter tido mais solidariedade e reactividade nos diversos momentos do jogo. Algo que acabou por ser, pelo menos parcialmente, corrigido no segundo tempo onde houve mais gente no processo defensivo e mais solidariedade para parar uma das equipas mais competentes do mundo em termos de movimentação colectiva. Esse será o registo a reter para a segunda mão, onde irá também ser necessário, para além de uma boa dose de capacidade de sofrimento, mais qualidade na saída em transição. Para isso terá de haver, também, mais inspiração de quem joga na frente.

Arsenal: qualidade... global
Uma coisa que vulgarmente é repetida nas apreciações ao Arsenal é que é uma equipa “boa a atacar mas má a defender”. Ora, isto não faz qualquer sentido. O Arsenal, ou qualquer equipa, para fazer valer a sua posse de bola tem de ser altamente competente em todos os momentos do jogo, com bola e sem ela. E isso é o que é o Arsenal: uma grande equipa em termos globais. Excepcional em posse e circulação, mas também muitíssimo forte na forma como se prepara para ganhar a bola. Seja através de segundas bolas, seja através de um pressing alto sobre a construção do adversário. Por isso é que o Arsenal criou dificuldades ao Porto. Não apenas porque foi competente com bola, mas porque, também, não deixou que o Porto tivesse facilidade em ter a bola.
Uma coisa completamente diferente é falar do valor individual de alguns jogadores do Arsenal. Aí, claramente, começamos a perceber o porquê desta equipa, não só ter perdido este jogo, mas também acumular tantas dificuldades em se impor ao mais alto nível, apesar da qualidade com que enche os relvados por onde passa.

A personalidade de Micael
Ontem falei de Liedson, hoje de Micael. Esbraceja, protesta e parece estar a perder o foco no que é essencial. Mas não está. Está, isso sim, com uma intensidade enorme no jogo, sempre atento a todos os pormenores e com uma personalidade que não o deixa ser discreto em termos de comunicação. Terá sido, a par de Fernando, o melhor do Porto, mas teve o condão de ser especialmente decisivo pela intensidade com que vive o jogo. E foi essa intensidade que lhe valeu ter pensado o que nenhum adversário pensou naquela altura. Não é, ainda, um médio de eleição, mas dificilmente deixará de ter uma evolução enorme pela personalidade que tem. Está a corresponder em pleno a todas as expectativas que tinha sobre ele.

O atrofiar de Hulk
Sobre ele incidiam grande parte dos holofotes, devido à longa ausência a que vem sendo sujeito. Não duvido da sua vontade, mas realizou uma das piores exibições ao serviço do Porto. Salvou-se um lance em que podia ter feito o 3-1 e muito pouco mais. Para além de não decidir bem – o que não é surpresa – apareceu também muito àquém do que é normal em termos físicos. Está tudo ligado e tem tudo a ver com a falta de jogos. Prova-se que esta situação pode ser um grande entrave para um jogador que precisa de competição para evoluir e para se aproximar do raro potencial que possui.



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25.1.10

Belluschi vs Micael: "duelo" por um lugar

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O lance que desencadeou a vitória portista teve a participação de ambos. Talvez se possa até dizer que teve um pouco do melhor que cada um pode oferecer. O livre que a técnica de Belluschi se encarregou de colocar no ângulo da baliza estorilista fora ganho pelo bom posicionamento de Ruben Micael na cabeça da área. Se é óbvio que não são inconciliáveis, é também bastante claro que algo de improvável terá de acontecer para que, de facto, joguem os dois no mesmo onze. O jogo, de resto, teve este como o seu verdadeiro tempero. Ver a estreia de Ruben, lado a lado com Belluschi. Porque, de resto, quer de um lado, quer do outro, as ausências retiraram boa parte do interesse à partida...

Belluschi – Se fosse sempre em transição...
Não deixa de ser curioso, no mínimo, que tenha esperado pela estreia de um possível substituto para marcar. Como havia referido, apesar dos resultados recentes e apesar da contratação de Ruben Micael, Belluschi tem-se encontrado mais nos últimos jogos. É forçado e, talvez mesmo, errado falar-se em melhoria porque o que tem acontecido é uma adaptação do jogador e uma tentativa do próprio de encontrar formas de se fazer mais útil e presente para a equipa.

Há tempos referi que a sua vocação é jogar próximo da área e que é aí que se torna realmente perigoso. É verdade, mas também o é, tal como também expliquei então, que no modelo portista não há espaço para uma função desse tipo. O resultado era um eclipse de Belluschi nos jogos de menor espaço, encurralado entre as linhas do adversário e sem mobilidade para criar soluções de passe. A solução do argentino tem sido recuar. Se não gosta e não tem queda para trabalhar pelos espaços, Belluschi baixa, muitas vezes até onde for preciso, para receber no pé e dar ele próprio inicio às jogadas. Quando encontra soluções de combinação – Varela tem sido o melhor parceiro – consegue aproximar-se da área, caso contrário fica longe. E esse é o problema. Ficar longe da área implica, e reforço a ideia, abdicar do melhor que Belluschi tem, trocando-o por algo que não representa tão grande mais valia. Um problema difícil de resolver e que só se eclipsa num momento: a transição.

Ruben Micael – Sem brilho, mas com vantagem
Não se pode dizer que tenha sido uma grande estreia. Brilhante, isto é. Não foi, e Ruben confirmou que, por exemplo, em relação a Belluschi não representa uma mais valia em termos técnicos. Daí a necessidade que apontei de continuar a evoluir nesse campo.

Apesar disso, foi uma boa estreia. Conseguiu influência no jogo ofensivo e ser, sobretudo na primeira parte, uma das principais fontes de desequilíbrio da equipa. Fruto, claro, da sua já mais do que referenciada cultura de movimentos, permitindo-lhe ser apoio para a circulação e, de um momento para o outro, aparecer nas costas dos médios, pronto a finalizar.

É curioso como, neste aspecto particular da comparação com Belluschi, contrasta tanto com o seu novo companheiro e potencial rival para a titularidade. Pode dizer-se que o ponto forte de um é o fraco do outro, e vice versa. Um, Belluschi, é um notável executante, o outro, Micael, um jogador de enorme inteligência e cultura de movimentação. Ainda assim, tudo somado, parece-me claro que, mesmo em inicio de adaptação, é já o madeirense quem leva vantagem. Mais testes serão, porém, necessários...

Uma nota final. Na segunda parte jogou sobre a direita, num 4-1-3-2. Apesar de ter estado muito na zona central e de aí ter caído com grande frequência, parece-me que não é um posicionamento que se lhe adeqúe. Ruben, e também já o defendi no passado, é um jogador de corredor central e é por aí que poderá, realmente, crescer...

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20.1.10

O próximo nível de Ruben Micael

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Não é uma surpresa e até me parece tardia a aposta no jogador, cujas qualidades já haviam ficado bem claras durante a época anterior. Havia a dúvida sobre o seu destino mas, também aqui, o desfecho acabou por ser o mais previsível. Pelo tradicional domínio portista no mercado interno e, também, por ser, entre os grandes, aquele que mais pode ganhar com a introdução de Micael. Tudo pelo trauma em que se transformou a saída de Lucho. Se vai ser a solução? A minha opinião não difere muito daquela que aqui deixei há uns meses...

Inteligência...
Afinal em que é que Micael pode ser uma melhor opção do que Belluschi ou Valeri? Tecnicamente, com a bola nos pés, não representa forçosamente uma mais valia em relação a algum dos 2. Há quem fale, também, da sua capacidade defensiva, mas esse é precisamente um dos pontos em que entendo ter mais a provar. A mais valia e o porquê do maior ajuste da aposta em relação a outras mais recentes, tem a ver com aquele que é o seu maior atributo, aquele que lhe permitiu uma afirmação ao longo do corredor central, de área a área. A inteligência e percepção dos espaços. Ruben é muito mais forte do que qualquer dos actuais médios do plantel portista (Meireles à parte) na criação de linhas de passe e nos movimentos verticais, denotando uma aptidão rara para antecipar o destino das jogadas e se mover ao longo dos sucessivos espaços que se vão criando ao longo das mesmas. O que mais pode entusiasmar a plateia portista é que esta era, também, a principal qualidade de Lucho Gonzalez.

Carácter...
Fugindo um pouco da vertente técnico-táctica, não posso deixar de referir outro aspecto fundamental: o carácter. Pode parecer estranho, mas a verdade é que Micael apenas chegou ao primeiro escalão do futebol nacional há ano e meio. Quem o vê hoje em campo, no entanto, percebe a importância que tem como líder. Não é apenas um miúdo com talento, é um jogador que não receia o jogo, que o assume com grande, e mesmo espantosa, naturalidade. Numa viragem radical de contexto, este pode ser um ponto essencial.

O caminho até ao topo...
O meu entusiasmo pela evolução de Micael justifica-se por ver nele competências que, quando combinadas, raramente deixam de garantir um grande rendimento. São, aliás, os mesmo alicerces de médios como Fabregas ou Lampard, ainda que, obviamente, o madeirense esteja ainda longe desses patamares. Facilmente arriscaria na sua afirmação, sendo uma surpresa para mim se tal não vier a acontecer. O seu limite, porém, é-me mais difícil de definir, estando dependente da evolução e resposta a alguns níveis. Primeiro, em termos físicos. Convém que possa crescer neste aspecto que foi, diga-se, a principal fragilidade na Choupana e que é, também, a grande ameaça nesta sua caminhada. Depois, outro aspecto que importa quantificar melhor é a sua capacidade defensiva. Seguramente que terá maior intensidade de trabalho do que Belluschi ou Valeri, mas a inteligência que manifesta ofensivamente não foi ainda provada em termos defensivos. Algo que decorre das diferenças entre os modelos de Nacional e Porto e que definirá, também, o seu verdadeiro impacto na equipa. Basta recordar a falta que vem fazendo Lucho neste plano. Finalmente, para atingir outro patamar terá de continuar a evoluir também em termos técnicos.

O negócio...
Para finalizar o balanço desta mudança que considero justificar o entusiasmo, falta falar do negócio em si. Primeiro, notar que o “timing” desportivo – depois de uma visita a Alvalade e de uma recepção ao próprio Porto – não deverá ter nada de inocente e que esse deve ter sido o verdadeiro motivo do arrastar da “novela”. Depois, referir que o Porto terá investido com 6 meses de atraso e que isso poderá ter significado uma inflacção considerável no preço da operação. Estimo que o dobro. Ainda assim, o valor parece-me justo e apenas me admira não haver, pelo menos aparentemente, maior concorrência externa (diz muito, também do que “vale” a nossa liga). Para o Porto, note-se, este é um negócio com muito melhor relação preço/risco do que a generalidade dos que tem feito no Continente Sul Americano (e note-se que considero ser esta o melhor destino para procurar reforços).


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6.11.09

Ruben Micael: valerá a pena?

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De revelação a confirmação. Assim vai a carreira de Ruben Micael. Começou por se destacar pela utilidade, depois, e assim terminou a época passada, passou a ser um jogador perigoso, pela regularidade com que assistia ou marcava. Mas Ruben não pára. A sua progressão tem sido notória e contínua e hoje é o líder natural de todo o jogo do Nacional. Percebe-se que está na eminência do salto, que é uma questão de tempo e a pergunta de muitos emblemas mais poderosos será: terá Ruben o que é preciso para vingar num patamar acima?

A minha resposta, antes de mais e de forma muito clara, é “sim”. O que é diferente de afirmar com certeza que tal vai acontecer. Isso, como sempre, dependerá de vários factores. Mas passo a explicar o meu “sim” à primeira pergunta...

Ruben é um bom executante. Não soberbo, mas bom. Não é por aí. O seu destaque vem de 2 aspectos altamente invulgares que Ruben possui, que mostra de jogo para jogo, e que, confesso, nesta altura me deslumbram. Primeiro, e mais importante, a capacidade de se mover no corredor central, de antecipar os espaços, de ser capaz de oferecer linhas de passe constantes, seja em apoio, seja em profundidade. Não é normal. O segundo aspecto tem a ver com a personalidade. Convém recordar que estamos a falar de um jogador de 23 anos e, sobretudo, que tem apenas 1 ano na principal liga do nosso campeonato. A sua preponderância tem, no entanto, crescido enormemente e Ruben é hoje um líder, mas um líder do jogo. Ou seja, procura sempre e permanentemente oferecer linhas de passe e ser útil à equipa. A isto, no entanto, não corresponde uma orientação para decisões mais centradas na sua capacidade de desequilíbrio. Raramente decide mal, raramente perde um passe e os que faz, frequentemente acrescentam valor à equipa.

O potencial é, por isso, muito grande. Para que seja atingido, falta que seja integrado convenientemente. Ruben é um jogador de corredor central e é aí que deve ser inserido. Depois há o aspecto defensivo que precisa claramente de outra equipa, de outras ideias para melhorar. No Nacional, e com Manuel Machado, Ruben não encontra um enquadramento que o faça evoluir em termos de posicionamento defensivo e pressing colectivo. O que é pena porque quem antecipa de forma tão sapiente os espaços tem tudo para conseguir muito mais recuperações do que o madeirense protagoniza. E como isso é hoje importante num médio!
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5.5.09

Mais Barça, Ruben Micael e um raro inteligente ataque encarnado

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Real Madrid – Barcelona (28 min) – Começo com um vídeo que dispensa grandes comentários. É apenas mais um exemplo da fantástica qualidade do Barça, num lance que começa na sua pequena área e vai, de pé para pé, até à baliza de Casillas. É evidente que existe uma grande qualidade colectiva em tudo isto, mas não posso deixar de referenciar que tal só é possível pela excelência individual que serve esse mesmo colectivo. Na jogada, destaco a confiança de Xavi no início da jogada, a qualidade de Eto’o num espaço bem mais recuado do que lhe é hábito e, finalmente, a enorme qualidade técnica de Iniesta e Messi, na forma como combinam e progridem sempre em posse, parecendo inalcançáveis apesar dos esforços dos adversários.


Nacional – Benfica (David Luiz, 32 min) – Ontem falei na necessidade do Benfica ter feito mais movimentos inesperados por parte dos médios centro e laterais. Este é um exemplo do que devia ter acontecido mais vezes. Repare-se no desespero de Patacas quando se apercebe do aparecimento de David Luiz. O lateral benfiquista torna-se um elemento a mais para as referências individuais do Nacional e vai facilmente conseguir uma situação de finalização, com Maicon também a ser “arrastado” por Nuno Gomes. Na primeira parte foi um exemplo raro de um ataque inteligente, apesar do elevado tempo de posse de bola que teve o Benfica.

Ruben Micael #1 (52 min) – Não toca na bola em toda a jogada, mas é um dos principais protagonistas do movimento de transição. Procura sempre o espaço livre e cria várias linhas de passe que, no entanto, não são correspondidas. Termina completamente livre sobre a esquerda, apesar de Nené ter optado pelo remate de longa distância.

Ruben Micael #2 (56 min) – No primeiro golo do Nacional ficou evidente o enorme espaço entre os centrais, aproveitado por Nené. Um dos motivos pelo alargamento desse espaço é precisamente Ruben Micael. Depois de dar seguimento à transição para Alonso, ataca de imediato o espaço livre nas costas do meio campo. A sua liberdade é de tal forma evidente que Sidnei acaba por se aproximar dessa zona, ficando mais longe de Miguel Vitor e mal posicionado para abordar o cruzamento. O efeito de Micael no movimento de Sidnei fica mais claro na repetição do lance.

Ruben Micael #3 (64 min) – No golo que marcou, foi muito destacada a precisão da finalização. O mérito de Micael vai, no entanto, bem para além desse pontapé. A variação de flanco, permite ao Nacional encontrar espaço para subir, mas o Benfica mantém a sua equipa equilibrada e, portanto, com todas as possibilidades de fechar bem os espaços. Se se reparar no decurso da jogada, Ruben Micael nunca aparece na imagem, parecendo arredado desta. A virtude está não só no espaço que ataca (o já muito falado espaço entre linhas), mas também no timing em que o faz. É isso que permite que a sua aparição seja totalmente surpreendente, dando-lhe o espaço e o tempo para pensar e executar a finalização.


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