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25.4.11

Final da Taça da Liga: Estatística e análise

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- Os primeiros minutos indiciavam um jogo muito mais desnivelado do que aquilo que acabou por acontecer. A tentativa de pressing alto - recorrente na sua proposta de jogo - do Paços foi completamente ultrapassada pela circulação do Benfica, que em ataque posicional conseguia facilmente encontrar espaços para chegar até às proximidades da área de Cássio. O outro problema do Paços - e talvez o maior - teve a ver com o momento de transição. Ou seja, o Benfica conseguia fazer da sua reacção à perda uma parede que impedia o Paços de se desdobrar ofensivamente. É verdade que o conseguiu episodicamente, mas essas foram as excepções daquela que foi a regra dos momentos iniciais.

- O jogo conheceu uma viragem progressiva no seu equilíbrio de forças. Se na primeira parte, o Paços se foi soltando progressivamente da "teia" em que se viu apanhado no inicio, na segunda passou a ser a equipa com maior capacidade dominadora. Um "fenómeno" que, do ponto de vista do Benfica, não tem motivo justificável. Ou seja, pode-se admitir que a equipa tivesse ciclos de maior ou menor capacidade dominadora no jogo, mas também se exigia mais qualidade continuada ao longo do tempo. De repente, a sua posse passou a ser altamente condicionada pelo pressing do Paços (nunca mais usando o lado direito, tão activo na primeira meia hora), o seu momento de transição ataque-defesa deixou de ser autoritário, permitindo alguns desdobramentos ofensivos ameaçadores, e, talvez o ponto mais criticável, o desempenho em ataque rápido foi sempre muito fraco, mesmo em alturas em que havia todas as condições para tirar partido dos espaços. No jogo, voltou a percepcionar-se uma vulnerabilidade emocional às adversidades, especialmente na forma como a equipa vacilou após o golo do Paços.


- Para a inversão desta tendência de supremacia pacense, foram muito importantes as mexidas do banco, em particular a entrada de Airton. A partir dessa alteração, o Paços como que "congelou" a sua reacção. Encontro dois motivos para esta situação. Primeiro, e mais importante, o retomar do controlo total sobre o momento de transição ataque-defesa, com a presença de Airton a complementar a acção de Javi na reacção à perda. Depois, o tipo de circulação, que voltou a ser mais lateralizada numa primeira fase (tal como nos minutos iniciais), envolvendo o "pressing" do Paços antes de tentar entrar no seu bloco. Do outro lado, Rui Vitória também não foi feliz. Tentou colocar Nelson Oliveira como elemento de ligação meio campo-ataque, e libertar Rondon para acções mais exclusivamente de finalização, mas retirou unidades que estavam a ter um bom desempenho e acabou por (mais uma vez) revelar uma equipa menos forte quando sai do seu figurino base. Assim, e depois de uma boa reacção, o Paços limitou-se a esbarrar no "duplo-pivot" que Jesus introduzira, e as suas hipóteses de discutir o troféu goraram-se.

- Como balanço, o Benfica conseguiu o mais importante no momento, mas voltou a deixar indicadores perigosos para uma eliminatória decisiva e em que será importante ter, não só qualidade, mas também estabilidade emocional. A equipa conseguiu o mais difícil no jogo, ganhando uma vantagem segura e encontrando formas de se superiorizar a um adversário que lhe era francamente inferior, mas, mesmo assim, voltou a perder o controlo da situação. Não houve um grande número de erros em posse (problema recorrente), mas houve outro tipo de lapsos que condicionaram a equipa. Como nota positiva, e de novo, as bolas paradas. Continua a ser impressionante o aproveitamento desta equipa neste tipo de situações, sendo que, desta vez, quatro dos seis desequilíbrios surgiram por essa via.

- Individualmente, algumas notas. Luisão terá feito o seu pior jogo defensivo da época, compensando em termos ofensivos. Martins revelou-se uma boa alternativa para a ala, sendo um dos principais dinamizadores do melhor período da equipa (Estará apto?). Jara repetiu o grande problema já detectado frente ao Porto. Ou seja, a sua participação nos momentos de transição é constantemente ineficiente, tendo um aproveitamento baixíssimo nesse momento do jogo, e retirando potencial à equipa no aproveitamento dessas situações. Saviola e Cardozo, por outro lado, revelam-se em fases preocupantes. O paraguaio parece desmotivado, não revelando uma intensidade aceitável, como facilmente se constatou. O argentino, embora tenha procurado movimentar-se, teve um desempenho técnico medíocre e muito aquém do que dele se pode esperar. Durante muito tempo, as criticas a Saviola pela sua "seca" de golos eram injustas, pelo que criava e desequilibrava. Neste momento, porém, há poucos argumentos que valham ao 30.

- Sobre o Paços, guardo mais notas para uma análise que farei amanhã...
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21.4.11

Benfica - Porto: Estatística e Análise

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- Surpreendeu-me a abordagem ao jogo de Jesus. Esperava que voltasse às duas linhas de quatro e à colocação de Peixoto junto a Garcia, repetindo a "fórmula" do Dragão. Não sei se não o fez por mera opção estratégica, ou se abdicou dessa opção apenas devido às ausências de Gaitan e Salvio. Seja como for, estou em crer que o treinador estará arrependido de não ter introduzido essa opção no jogo, não digo de inicio, mas no inicio da segunda parte.

- Também estranhei a abordagem do Porto ao jogo. A pressão incidiu mais no bloqueamento da zona média e não esteve especialmente agressiva sobre o tempo de passe na zona de construção. Com bola, o Porto raramente utilizou Fernando na primeira parte e notou-se uma tendência para recorrer mais directamente a Falcao. Talvez Villas Boas também estivesse à espera de outra estratégia do Benfica, mas a verdade é que a equipa teve dificuldades em ser dominadora no jogo, como aconteceu na segunda parte.

- Com a combinação das duas posturas, o jogo na primeira parte foi relativamente fraco. Pouco risco em posse, várias solicitações directas de parte a parte e poucas situações de ataque rápido. Esteve melhor o Benfica durante boa parte do tempo, conseguindo ter mais bola e chegar mais perto da baliza contrária, especialmente através de vários livres nas imediações da área. Apesar disso, foi também sempre o Benfica quem esteve mais propenso ao erro, e acabou por conceder a principal ocasião da primeira parte, precisamente num lapso de Jardel.

- A segunda parte foi realmente diferente, embora se deva dizer que o Porto conseguiu um notável aproveitamento das ocasiões criadas, já que não foram muitas mais do que os golos que marcou. A principal alteração no jogo teve a ver com o domínio, sendo que na segunda parte foi o Porto quem tomou conta do jogo, invertendo a posse de bola e passando a actuar como mais gosta, ou seja, em ataque posicional, dando fluidez à circulação e com uma forte reacção à perda.


- Há dois momentos que me parecem decisivos no jogo. A alteração de Micael por James, e o primeiro golo. O efeito da alteração não teve a ver com a prestação de James, que até foi, a meu ver, bem inferior à de Micael, mas com a alteração táctica e com a presença de mais um elemento na ligação meio campo-ataque, no corredor central. O domínio, aí, acentuou-se de forma clara. Depois, o golo, com o Benfica a acusar claramente o momento, a ter dificuldade em organizar-se defensivamente, em se manter agressivo sobre a posse contrária e em sair do "colete de forças", nessa altura claramente observável. Foi tudo muito rápido, mas provavelmente Jesus poderia e deveria ter sido mais lesto a reagir.

- A reacção do Benfica à súbita inversão de situação foi boa. A entrada de Aimar trouxe mais qualidade e energia e a equipa parecia ser capaz de voltar a crescer no jogo. As substituições posteriores podem retirado organização e quebrado o momento de reacção após o 1-3. Nunca saberemos o que teria acontecido, mas a verdade é que fica a ideia que colocar mais gente na frente apenas partiu a equipa e lhe retirou consistência.

- Em suma, o Porto foi claramente feliz pelo aproveitamento que conseguiu na sua melhor fase, já que o jogo esteve muito tempo longe de parecer fora do controlo para os dois golos de vantagem que o Benfica trazia da primeira mão. Ou seja, o seu mérito é incontornável na forma como impôs o seu domínio durante os primeiros 30 minutos da segunda parte, mas para quem tinha de recuperar dois golos, é também verdade que a primeira parte não foi bem conseguida. Quanto ao Benfica, e como referi ontem, voltou a não conseguir gerir o jogo e a vantagem muito confortável que trazia, sucumbindo claramente assim que o jogo começou a ameaçar escapar-lhe.

Notas individuais (Benfica)
Jardel - Conseguiu algumas intervenções vistosas, mas no geral foi pouco para os erros que cometeu. Ainda assim, este era um jogo de elevado grau de dificuldade e Jardel parece-me uma opção nesta altura claramente mais fiável do que o super instável Sidnei. O que não se pode esperar é que se torne, de repente, numa solução ao nível de Luisão ou David Luiz.

Peixoto - Continua-se a querer ver nele uma solução que não oferece, nem nunca ofereceu durante toda a época. Ou seja, sempre que joga no corredor, Peixoto tem grandes dificuldades em impor-se, quer em termos de agressividade/intensidade, quer em termos de capacidade criativa. As suas melhores exibições foram como médio, em posições interiores, onde parece dar-se bem melhor. Devia ter saído mais cedo no jogo (ou mudado de lugar), porque a jogar onde estava, nunca deu muito à equipa.

Jara - Lutou, é verdade, e até conseguiu alguma consequência em situações pontuais, mas nas intervenções mais importantes, quando era possível acelerar o jogo e tentar situações de ataque rápido, decidiu quase sempre mal. A principal das quais, no lance que terminaria com o golo de Moutinho. Jara tentou forçar sozinho e acabou por retirar à equipa a possibilidade de surpreender o adversário, num lance que ilustra bem as suas dificuldades em lances do género.

Aimar - Obviamente que devia ter entrado mais cedo. Numa situação em que Gaitan e Salvio estão indisponíveis, não parece muito compreensível que se reserve tão pouco tempo para Aimar.

Notas individuais (Porto)
Otamendi - Cometeu em erros em posse - o que lhe é hábito - mas revelou-se fantástico nos momentos de transição. Quer em recuperação, quer em antecipação do primeiro passe de transição, Otamendi sobressaiu claramente dos restantes jogadores.

Fernando - A sua exibição é um pouco a imagem da equipa. Ou seja, na primeira parte esteve ausente do jogo (não por culpa sua), mas na segunda cresceu muito, atingindo os parâmetros habituais do seu rendimento. Com mais presença em posse, ainda que com erros, e sobretudo muito forte no controlo defensivo da sua zona, nomeadamente na reacção à perda.

Micael - Saiu, mas até esse momento tinha sido provavelmente o melhor jogador da equipa. Seguramente, foi aquele que mais participação e influência teve em posse, e também com uma presença importante na recuperação (capítulo onde tem dificuldades).

Moutinho - Tal como contra o Sporting, voltou a ser decisivo ofensivamente, mas menos correcto e influente com bola, em relação àquilo que é o seu traço habitual. Ainda assim, há claramente uma explosão de rendimento com a alteração táctica e com o golo que marcou. A partir daí "encheu" o campo, com a sua presença elástica e extensível a todas as situações do jogo.

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23.3.11

Paços - Benfica (Análise e números)

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- Eficácia, sim, mas não só. O Paços falhou a sua abordagem ao jogo porque falhou completamente no “pressing” alto – o primeiro alicerce da sua proposta. Bem o Benfica a ligar corredores em zona baixa, aumentando os espaços e dificultando a tarefa dos “castores” de chegar a tempo para pressionar. O resultado? Com o Paços a arriscar no “pressing” e a falhar completamente o condicionamento na primeira fase de construção do Benfica, abriram-se os espaços e o Benfica, com a sua qualidade... “cavalgou-os”.

- Rui Vitória deverá retirar as suas conclusões. À primeira vista, parece que as alterações prejudicaram a equipa. Que Rondon foi um fracasso absoluto à direita, que a sua agressividade fez falta na frente, que Manuel José não teve intensidade para ser agressivo na zona da bola (2ºgolo), que Olímpio e Leão terão feito falta... Talvez... mas uma equipa não pode ter uma percepção “cega” do pressing e tem de garantir, primeiro, a coerência espacial e colectiva antes de “atacar” a bola.

- Curioso como o jogo foi mais controlado pelo Paços, com 10. Curioso, mas não estranho, por tudo o que escrevi atrás. Com menos 1 unidade, a atitude posicional do Paços foi mais prudente e criteriosa. Não discutiu o jogo territorialmente, mas capitalizou vários erros em posse dos encarnados. Aliás, sobre o Benfica, importa dizer que, apesar do conforto do resultado, esta não foi uma exibição isenta de erros. Pelo contrário, em posse, foi raro o jogador que não comprometeu pelo menos 1 vez.

- O Benfica é, realmente, fortíssimo nas bolas paradas, e Jardel vem acrescentar ainda mais capacidade nesse particular. O ex-Olhanense não tem, obviamente, o potencial ou as mais valias de David Luiz, mas pode bem ser competição para Sidnei. Ser central é, hoje em dia, muito “fácil” no Benfica!

- Individualmente, e no Benfica, Aimar foi o melhor. O espaço que o Paços abriu foi um regalo para ele. De resto, é ainda cedo para considerações sobre Carole. A Gaitan, valeu o golo (e que golo!), porque confundiu novamente competição com descompressão, assim que o jogo lhe pareceu resolvido. Já Jara, para além de 1 ou 2 verticalizações (2ºgolo), não valeu quase nada.

- Sobre o Paços, o destaque vai, muito claramente, para o seu lado esquerdo. Aliás, a dinâmica dos corredores laterais é um dos segredos do sucesso desta equipa. Maycon joga como lateral, mas não é bem um defesa. Se conseguirem fazer dele um defesa – e vale a pena tentar – pode ser que dê um lateral para voos bem mais altos. À sua frente, Pizzi, pode nunca chegar a um “grande” mas tem tudo para fazer carreira em boas equipas, e com um papel de relevo...

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8.3.11

Braga - Benfica: Análise e números

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Não se previa um embate fácil para nenhum dos lados e, de facto, não foi. Particularmente, no caso do Benfica, foram muitas as condicionantes. Desde aquelas que se conheciam de antemão – desgaste e ausências – às outras que apareceram com o decorrer da partida – inferioridade numérica. Mas nenhuma dessas contingências retira ponta de mérito à réplica do Braga. Não só porque o próprio Braga teve a sua dose de infelicidade no jogo – lesões e ineficácia inicial – mas, sobretudo, porque a sua proposta de discussão do domínio foi implementada com sucesso na totalidade dos 90 minutos. Aliás, se o equilíbrio foi a nota dominante na partida, também não me parece que existam dúvidas de que foi o Braga quem esteve sempre melhor.

Notas colectivas
Começando pelo Braga, importa dizer que aquilo que a equipa fez é raro em Portugal. Tão raro, que o próprio Sporting não o ousou fazer de igual forma nos embates recentes com o Benfica. Ou seja, a proposta de jogo passou sempre por discutir o domínio territorial e não apenas jogar com o espaço, numa postura mais expectante. O elogio não passa, obviamente, pelo arrojo da ideia, mas pela capacidade de implementação da mesma. É que, não apenas o Braga tentou dominar, como que foi, de facto, a equipa que mais o conseguiu fazer em todas fases do jogo.

Domingos introduziu Paulo César no lugar de Mossoró e a equipa jogou em 4-4-2 clássico em praticamente todos os momentos. A ideia passava por ter uma presença forte em termos de pressing sobre a primeira fase de construção encarnada, forçando a verticalização do jogo e tentando rapidamente conquistar a bola. Aqui, o risco da estratégia é o habitual para quem tenta subir o bloco numa estrutura de apenas 3 linhas: o espaço entre sectores. Proximidade de linhas e agressividade táctica eram as respostas ao problema, e o Braga tentou servir-se delas.

O resultado desta estratégia foi uma supremacia mais continuada do Braga, mas, também, um Benfica a encontrar episodicamente os seus momentos de liberdade. Particularmente, sempre que superava a “barreira” dos 2 médios, Custódio e Viana. O que sobra é o aproveitamento e eficácia, e, aqui, há alguma ironia. Primeiro, porque o Benfica marcou na primeira verdadeira oportunidade criada. Segundo, porque o Braga, depois de ter desperdiçado alguns bons lances, acabou por ver o seu golo “oferecido” por um erro de Roberto.

Na segunda parte, e com a desigualdade numérica, o jogo mudou. O Braga deixou de ter de se impor para conseguir um domínio territorial que, agora, lhe era naturalmente cedido pelo adversário. A verdade, porém, é que o Braga esteve menos bem frente a 10 do que frente a 11. A sua posse recorreu demasiadas vezes às aberturas largas de Viana e muito menos a uma circulação mais dinâmica. Para mais, a equipa viu-se forçada, com as lesões, a mudar muitas posições e isso descaracterizou bastante a sua performance. O jogo acabou por lhe sorrir numa inspiração de Mossoró, mas não foi pela segunda parte que o Braga mais mereceu elogios.

Em relação ao Benfica, não dá para dizer que a equipa tenha feito um mau jogo. Nomeadamente, não acumulou um grande número de perdas em posse, apesar da pressão do Braga: um tipo de problema em que foi reincidente na pior fase da época. Mas dá também para assinalar, e de novo, a falta que o critério em posse faz a esta equipa. Especialmente, como foi o caso, em jogos onde a sua primeira fase de construção é condicionada. Algo que pode ser preocupante se tivermos em conta que, na Liga Europa, encontrará seguramente adversários mais dispostos a causar este tipo de problemas.

Notas individuais
Roberto – Salvou a equipa em algumas ocasiões, mas o golo é absolutamente imperdoável – bem mais do que aquele que sofrera frente ao Sporting. Sabe-se que os guarda redes vivem muito de estados de confiança e, por isso, é importante que Roberto recupere rapidamente desta fase, porque avizinham-se jogos decisivos e perante adversários com muitas armas no jogo aéreo.

Coentrão – Grande jogo do lateral. Impressionante a sua presença no jogo, vencendo um número infindável de duelos e ainda estando disponível para dar profundidade ao corredor. Obviamente que ganhou com a entrada de Gaitan, com quem se entende muito melhor.

Luisão – Não é novidade que seja ele o “patrão” do sector, mas, desta vez, esteve mesmo a grande distância daquilo que fez Sidnei.

Javi Garcia – Depois do brilharete frente ao Sporting, estava a fazer um jogo útil para equipa. Ou seja, não estava a ser suficiente para evitar o domínio do Braga, mas estava a manter um bom apoio posicional à zona central e sem erros comprometedores em posse, até à expulsão.

Carlos Martins – Não decidiu sempre bem, mas teve um papel difícil e que exerceu com bastante sucesso no jogo. Ou seja, frequentemente foi forçado a jogar sob grande pressão, à saída da zona de construção, dependendo do sucesso das suas acções, ou a perda de bola em zonas proibitivas, ou a possibilidade de explorar o espaço entre linhas do adversário. A verdade é que Martins não teve qualquer perda comprometedora e esteve na génese da maioria dos ataques rápidos da equipa. A equipa perdeu com a sua saída e não apenas por motivos de ordem táctica.

Menezes – O pensamento indutivo, tem-no sob mira. Far-se-á, sempre, uma relação directa entre a derrota e a sua utilização. A verdade é que Menezes, longe de ter feito um jogo fantástico, cumpriu perfeitamente o que dele se exigia, trabalhando bem defensivamente e participando também com correcção em termos ofensivos.

Jara – Esforçado, sim, mas com pouca utilidade para a equipa. Especialmente na segunda parte, onde a possibilidade de dar profundidade foi menor. Não dá para fazer grande critica, dada a sua utilização fora de posição. Não me espanta que Fernandez fique na bancada – referi-o antecipadamente – mas continua-me a espantar como é que o Benfica o foi buscar no mercado de Inverno!

Hugo Viana e Mossoró – Não apenas pelos golos, os melhores em campo. Viana exagerou demasiado no passe longo, na segunda parte. Uma opção que, prevista ou não, acabou por impedir que os movimentos envolventes de Mossoró dessem sequência ao que prometeram, logo após a sua entrada.

Silvio – Fala-se na sua transferência para o Porto. É jogador útil, pela sua versatilidade e, sobretudo, pela sua capacidade de antecipação e leitura defensiva (ainda que tenha de corrigir alguns aspectos posicionais). Não tem, porém, capacidade ofensiva para poder ser uma mais valia numa equipa como o Porto.

Lima – Outro que se fala poder mudar-se para o Dragão. Lima é um jogador muito difícil de neutralizar, porque tem uma boa capacidade de movimentação – joga muito bem com a última linha – e, sobretudo, porque é um temível finalizador. O seu lado menos forte é o jogo interior, onde não é um jogador muito consistente. Mas pode encontrar o seu espaço numa equipa como o Porto, mesmo que não seja como primeira opção.

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21.7.10

Guimarães - Benfica: notas colectivas e individuais

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Os últimos anos fizeram deste um clássico de pré época. A versão 2010 terá sido provavelmente a menos interessante de todas. Culpa do Vitória, claro, que só não evitou um enorme embaraço graças à gentileza de Roberto. Antes dos detalhes, porém, quero deixar uma nota introdutória sobre os dados estatísticos que apresento. Há algum tempo que venho acompanhando as minhas análises e observações com a recolha destes números. Não se trata de um mero capricho meu, mas antes de uma tentativa de obter, através de um tratamento coerente desta informação, uma importante ferramenta de análise qualitativa de equipas e jogadores. Para tal, criei uma pontuação ponderada e que apresento pela primeira vez. A ideia será fazer deste um indicador com presença constante, já durante a próxima época...

Benfica (colectivo)
Como se esperava, as férias não serão mais do que uma pausa no Benfica de Jesus. Retomados os trabalhos, e mantida a qualidade do plantel, voltou a qualidade. Para o Benfica, este Vitória foi pouco mais do que manteiga. O seu futebol está, nesta altura, noutra galáxia e nem sequer precisa de despir o pijama. Basta-lhe manter a organização e forçar alguns momentos de intensidade e logo aparecem as transições demolidoras, frutos de um pressing colectivo que é um dos principais alicerces do modelo. E já está. Mesmo com Roberto a complicar.

No Benfica, apenas uma reserva. Não é Roberto, porque mesmo que se confirme um fiasco, há sempre Julio César para garantir que não será na baliza que a equipa vai perder qualidade em relação ao passado. É sobre Aimar. No ano passado falei repetidamente do tema. Aimar ocupa a posição mais importante do modelo e ninguém garante a sua qualidade em todos os momentos do jogo. Se o argentino fosse fiável fisicamente, não haveria motivos para urgências, mas no meio de tantos milhões continua a fazer-me confusão como não se procura mais afincadamente uma alternativa para um jogador tão importante e que promete progressivamente perder minutos de utilização.

Benfica (individual)
O primeiro destaque individual vai para Kardec. Não pelos golos, embora eles sejam de importância óbvia. O detalhe é que o nível de participação e de qualidade no jogo foi bastante elevado e, sobretudo, bem melhor do que aquilo que Cardozo costuma apresentar. O paraguaio que se cuide.

Sobre Gaitan, nenhuma surpresa. Escrevi-o ainda antes de sequer se sonhar que seria reforço do Benfica. Tem semelhanças com Di Maria, sem lhe ficar em nada a dever na maioria dos aspectos. Pode ainda não ter revelado a mesma explosão, mas decide melhor, joga melhor em espaços interiores, é melhor na zona de finalização e nada inferior tecnicamente. Dificilmente Di Maria será um fantasma na Luz.

Também um jogador que não surpreende é Airton. Não fez uma exibição isenta de erros, mas voltou a confirmar a sua fiabilidade. Já agora, fica a informação porque não está no quadro: Javi Garcia foi o pior do Benfica, pontuando 4,8, consequência de 4 perdas de bola em apenas 45 minutos. Outro titular a precisar de se cuidar...

Menos fulgurantes estiveram Jara e Menezes. O primeiro marcou um grande golo, mas não conseguiu a presença que dele se pode exigir. O segundo jogou simples, mas nem acrescentou nada em termos criativos, nem ficou isento de erros. Assim será difícil...

Guimarães (colectivo)
Que mau! Primeiro fiquei com a sensação de que o Vitória teria recuado para os tempos de Vingada. Isto, pelas semelhanças em termos de elasticidade táctica e ausência de um modelo mais rotinado. Mas não. Com Vingada, nunca foi tão mau. Pela sua filosofia, nunca poderia esperar um crescimento com a chegada de Manuel Machado, e seguramente que só pode melhorar, mas, para já, os indícios não são nada bons para o futuro próximo do “professor”. Há que contar com a qualidade do adversário e considerar ainda que o trabalho está apenas no inicio, é certo, mas parece-me que o melhor é mesmo que o Vitória comece a arrepiar caminho na construção de um verdadeira equipa. Manuel Machado está como a sua filosofia: preso às referências individuais. Parece preocupado em encontrar a qualidade ideal para cada lugar, mas enquanto não o consegue a equipa demonstra um nível raramente baixo de qualidade organizacional, que combinou igualmente com uma boa dose de imprudência decisional. Como disse atrás, valeu Roberto.

Guimarães (individual)
O “caso” chama-se Faouzi. Impressionante qualidade técnica e impressionante eficácia de passe para quem joga na sua posição. O problema, porém, é que Faouzi não parece perceber a importância das zonas para a posse. As poucas bolas que não endossou correctamente resultaram em transições e uma delas esteve na origem de um golo. Alguém queira explicar-lhe melhor estes detalhes e podemos estar perante uma estrela emergente.

À margem de Faouzi – um caso especial – os reforços do Vitória não parecem ser o problema de tantos problemas colectivos. Pereirinha promete afirmar-se finalmente na posição onde tem mais probabilidades de sucesso. Ainda na defesa, mas do outro lado, Anderson Santana esteve bem melhor do que Bruno Teles. Na frente, e já conhecido, Edgar foi presença útil, embora não se perceba que possa ser uma grande mais valia em relação ao que foi Roberto, por exemplo. Nota, finalmente, para Bebe e Maranhão entre os reforços analisados. A confusão em relação a comum e onde devem ser utilizados diz muito sobre o estado de coisas no momento. Bebé parece ter caído nas graças dos adeptos, mas é Maranhão quem merece esperanças mais legítimas de qualidade.



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14.7.10

Reforços 10/11: Franco Jara

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Gaitan e Jara são, em termos de novidades, os nomes que mais expectativa estão a criar na Luz. Os dois já haviam sido anunciados com alguma antecedência, mas não antes de eu os ter observado no campeonato argentino. Sobre Gaitan já falei aqui e por isso não me vou repetir, mas também Jara merecera destaque há meio ano no talented football. Aqui fica uma antevisão pessoal do jogador, que não tem em conta os jogos já realizados de águia ao peito (até porque não os vi), mas sim a observação que fiz ainda no Arsenal de Sarandi.

Pontos fortes: Intensidade, o traço genético das Pampas
As virtudes de Jara não se esgotam aí, mas é na imagem de marca do típico avançado argentino que está a sua grande mais valia: a intensidade.

E qual a consequência dessa característica? Bom, o mais fácil de prever é que Jara seja um jogador muito mais útil nos momentos defensivos. Quer em organização, quer em transição. Esta pode parecer uma mais valia estranha para um avançado, mas quem visita este espaço já várias vezes se confrontou com a argumentação de que nenhum jogador está dispensado de ser competente apenas pelo facto da sua equipa não ter a bola. Bem pelo contrário. No caso do Benfica, aliás, o pressing é uma arma de elevada relevância ofensiva, e neste campo Jara leva milhas de avançado sobre Kardec e, sobretudo, Cardozo.

Mas a intensidade de Jara não se reflecte apenas no pressing. Jara é um jogador que gosta de procurar a bola, mesmo que isso implique baixar relativamente no campo. Aliás, ter a bola perante a pressão de contrários não é problema para Jara, que se sente bastante confortável nos duelos físicos.

Pontos fracos: Critério e o pé esquerdo, aos cuidados de Jesus
Jara é jovem e gosta de jogar. Tem “ganas” como se diz na sua terra. O problema é essa ânsia é-lhe várias vezes prejudicial. É ágil e tecnicamente dotado, mas nem sempre escolhe o melhor critério sobre onde deve ter a bola e, mais importante ainda, o que deve fazer quando a tem. Não é um caso perdido – longe disso – mas tem de ser trabalhado.

Outro aspecto facilmente identificável em Jara, é a sua dependência do pé direito. É certo que não faltam exemplos de avançados que jogam praticamente só com 1 pé, mas dá sempre jeito a quem joga perto das balizas saber resolver com qualquer dos 2.

Antevisão: Dependente da aposta e... do critério
Não é difícil perceber que Jara parte com algum atraso em relação à dupla Cardozo-Saviola, e que terá ainda de competir com Kardec e Weldon por uma presença de destaque entre as alternativas. Nesta luta, também me parece, Cardozo e Kardec tenderão a disputar um lugar, devido à sua estatura e à importância das primeiras bolas. Aqui, no entanto, estará o caminho para a possível intromissão de Jara. A estatura, sendo importante, não deve ser absolutamente determinante, especialmente quando, como no caso de Jara, a abordagem aos despiques físicos é tão agressiva e intensa. Jara tem, na minha opinião, mais características do que Cardozo ou Kardec para o modelo de Jesus, numa posição onde, creio, à excepção do seu bombástico pé esquerdo, Cardozo oferece pouco ao colectivo.

Jara é jovem e tem futuro, mas acredito pouco que o Benfica faça dele uma aposta de longo prazo. Mesmo que tenha sido essa a intenção inicial. Se conseguir adaptar-se rápido, se utilizar os méritos do modelo de Jesus para decidir melhor, e, claro, se o treinador apostar nele, Jara pode ter um lugar mais importante do que era previsto neste Benfica. Caso contrário, a sua vida na Luz não será fácil, tal como não foram para casos como Keirrison, Menezes ou Eder Luiz.

Com o risco de não ter visto os seus primeiros jogos de águia ao peito, e mesmo sabendo das dificuldades que encontrará, mesmo assim, arriscaria dar-lhe boas hipóteses de afirmação...



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