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14.4.11

(in)Segurança em posse: os destaques da Liga

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O tema não é novo para quem acompanha as análises que venho fazendo aos jogos dos 3 “grandes”, desde o inicio do campeonato: a segurança em posse, ou, talvez mais correctamente, a frequência com que jogadores e equipas cometem erros em posse, que abrem uma oportunidade de desequilíbrio ao adversário. Para que a leitura seja clara, a métrica que usei contempla o número de passes que, em média, cada jogador precisa de fazer para que uma perda comprometedora aconteça. Os dados, dizem respeito a todos os minutos do campeonato até ao momento.
 

Javi, o corredor central e Benfica, os líderes da insegurança
Para quem tanto procurou os motivos das oscilações do Benfica, aqui tem a resposta. Os dados e a preponderância encarnada neles revelada é clara. O problema da transição defensiva não está, nem nunca esteve, na recuperação dos médios ou na incapacidade de controlo dos defensores. Está, e sempre esteve, sim, nos erros que a sua zona de construção repetiu.


O primeiro ponto a perceber nestes dados é que a “mancha” vermelha é de tal forma abrangente que será pouco perspicaz colocar o foco numa incapacidade individual. Ou seja, mesmo se Javi e Airton podem não ser as soluções mais fortes para o momento de construção, a verdade é que parece haver, sobretudo, uma escassez de preocupação e enfoque no critério que a equipa e os jogadores devem dar às suas decisões. Daí, o problema estender-se a um número muito elevado de jogadores.
 

Depois, há claramente uma zona critica para este tipo de erros: o corredor central. A zona do “pivot” é, sem dúvida, a mais afectada pelo risco, dado o elevado envolvimento no jogo e o seu posicionamento, habitualmente bem dentro da zona de pressão do adversário. Mas também a zona mais criativa e os centrais podem ter uma exposição relevante a este tipo de risco, dependendo da envolvência destes jogadores na construção da equipa.

Segurança: os bons exemplos Se análise teve, até aqui, um enfoque no erro e naqueles que mais nele incidem, há também margem para olhar para o outro lado, e para aqueles que se destacam pela positiva neste aspecto. Eis alguns exemplos:


Luisão – Impressionante como, actuando numa equipa com tantas dificuldades a este nível, Luisão consegue fazer uma época fantástica. (1 perda p/280 passes)
Rolando – Maicon e Otamendi não são propriamente exemplos de segurança e se há aspecto onde Rolando justifica a titularidade, é precisamente na sua qualidade e segurança em construção. (1 perda p/170 passes)
Sapunaru – Outro jogador que se destaca pela fiabilidade a este nível. Pode não ser um primor técnico nem uma mais valia na dinâmica que oferece ao corredor, mas ninguém pode acusar Sapunaru de comprometer a segurança da equipa, com bola. (1 perda p/550 passes)
Pedro Mendes – Tem pouco de utilização, a sua fiabilidade vê-se bem para quem joga na posição que normalmente mais problemas sente a este nível. Aliás, é bom que se note que o Sporting tem um excelente registo na segurança dos seus médios defensivos, quando comparando com os rivais. (1 perda p/340 passes)
Carlos Martins – É a excepção do corredor central do Benfica. Se Javi Garcia, Airton e Aimar estão no “top 5” dos mais inseguros, Carlos Martins – o outro elemento habitualmente usado no corredor central encarnado – está a milhas desse nível de rendimento. Aliás, os números indicam quase o dobro da segurança em relação aos registos de Aimar. (1 perda p/107 passes)
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1.3.11

Olhanense - Porto: Análise e números

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E o título ao virar da esquina... Não foram muitas as vezes em que o Porto demorou tanto a ganhar vantagem num jogo, e esse constituiu-se, desde logo, como um ponto de interesse para a reacção da equipa. A resposta foi positiva e, mais importante de tudo, foi suficiente para garantir os 3 pontos e encurtar ainda mais o caminho que falta para fechar o campeonato. E já falta pouco! De resto, talvez a nota mais surpreendente do jogo seja o elevado número de ocasiões permitido pelo Olhanense. É que a equipa de Daúto Faquirá havia sido, até agora, das que menos desequilíbrios havia permitido frente aos “grandes”. Algo que se explica por vários factores...

Notas colectivas
A meu ver, o melhor período portista deu-se nos primeiros minutos. Uma atitude fortíssima, com uma posse dinâmica e com critério e com uma óptima reacção à perda de bola. O Olhanense não pagou, nesse período, a factura em golos, mas mal respirou. De resto, a vulnerabilidade dos algarvios, nessa fase, encontrou-se no espaço entre centrais e laterais e em algumas perdas de bola no inicio de transição que expuseram a equipa.

O facto é que o Porto foi perdendo essa capacidade com o tempo. Menos critério em posse e menos controlo do primeiro passe de transição do Olhanense. O jogo tornou-se mais físico e mais dividido, e Villas Boas resolveu alterar na segunda parte, mexendo e dando-nos uma novidade em termos estruturais: o losango.

A intenção, pareceu-me, passou por tentar ter uma presença mais constante nas costas dos médios do Olhanense, obrigando os centrais a fazer aquilo que a estratégia de Faquirá tanto parece querer evitar: sair da sua zona. Tudo isto pressupõe, igualmente, mobilidade ofensiva e maior largura dada pelos laterais – daí a entrada de Fucile.

O Porto colheu os frutos na etapa complementar do jogo, mas, em boa verdade, não posso dizer que foi aí que esteve globalmente melhor. É que foi nesse período também em que o jogo se esticou mais e em que houve menos controlo por parte do Porto. De todo o modo, será interessante perceber até que ponto esta opção táctica – que gosto, particularmente – será desenvolvida no futuro.

Sobre o Olhanense, também um comentário. Será, provavelmente, a equipa tacticamente mais conservadora do campeonato. Organiza-se bem, mas sempre à custa de um risco mínimo em termos de desposiccionamento táctico. A linha defensiva está quase sempre baixa e os centrais muito protegidos, quase nunca sendo obrigados a sair da sua posição. Daí tornar-se uma equipa difícil de bater, não sendo mais porque acontecem também alguns erros individuais com frequência. De resto, em termos ofensivos tem alguma qualidade individual – nomeadamente a capacidade de retenção de bola de Paulo Sérgio – mas não se viu uma transição muito capaz de fazer a equipa subir no terreno e respirar melhor. Também por mérito do Porto, obviamente.

Notas individuais
Sapunaru – Não me parece que tenha sido pela sua produção que foi substituído, porque creio que estava a fazer um bom jogo. Penso que terá sido mais pelas suas características.

Otamendi e Rolando – De novo espelhadas as diferenças entre os dois. Otamendi muito mais interventivo e dominador nas suas acções. Rolando muito mais seguro e menos exposto ao erro individual.

Belluschi – Marcou um grande e importante golo, mas fez um dos piores jogos em termos de intensidade nos momentos defensivos do jogo. Esteve longe de ser uma das suas melhores exibições em termos globais.

Moutinho – Um pouco ao contrário de Belluschi, não foi decisivo nem desequilibrador (normalmente não é), mas teve um papel importantíssimo no jogo da equipa, quer em termos de posse, quer em termos de equilíbrio e recuperação.

Falcao – Não começou bem, mas acabou por ir crescendo no jogo e acabar por ser o homem do jogo. Trabalhou bem fora da zona de finalização e, dentro desta, fez a diferença.

James Rodriguez – Foi a “chave” do jogo, segundo a generalidade das leituras. Obviamente que discordo do exagero, porque se o Porto materializou a sua vantagem na segunda parte, já o poderia ter feito também antes. Ainda assim, esteve inegavelmente em bom plano, decidindo sempre bem (característica que se mantém), estando disponível no jogo e com participação decisiva. Será que o veremos mais vezes nas costas dos avançados a partir de agora?
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8.2.11

Porto - Rio Ave: Análise e números

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Tenho para mim que estes são os momentos mais difíceis de entender no futebol e, por isso também, os mais interessantes. Momentos de quebra ou superação das equipas. O Porto está a viver um desses momentos, que não é ainda suficiente para que lhe chamemos de “crise”, mas que urge ser invertido sob pena de justificar esse rótulo. A única coisa que podemos garantir é o efeito, já que a causa, essa, é bem mais difícil de identificar. Normalmente assistimos a um desdobramento de explicações que tentam estabelecer uma relação linear entre uma causa e um efeito. Não acredito nesse tipo de visão redutora para um problema que julgo ter na complexidade uma das poucas certezas em relação à sua origem. Ainda assim, acredito na importância de uma palavra em toda esta equação: confiança.


Notas colectivas
Podemos começar pela leitura do que se viu. O Porto foi sempre dominador, sim. Teve até uma % de sequência em posse bastante elevada. Tudo elementos normais e expectáveis num jogo desta natureza, e que normalmente redundam num volume bastante grande de oportunidades. Não foi o caso, e aqui começam os indicadores atípicos em relação ao jogo: poucos desequilíbrios junto da baliza contrária (2, que é um novo mínimo em jogos para o campeonato), e muitas perdas de bola em posse (10, que é um novo máximo da equipa).

Ou seja, o Porto dominou como é costume, apresentou até alguns bons momentos de fluidez na sua posse, mas não teve a mesma capacidade e rendimento em 2 áreas fundamentais do seu jogo. Primeiro, a segurança, com vários erros a serem cometidos em zona de construção, e, depois, no último terço, não encontrando a inspiração e arrojo para ultrapassar a última barreira do adversário, até onde chegou com bastante frequência.

Perante tudo isto, é muito redutor explicar a situação pelas ausências de Álvaro Pereira e Falcao. É verdade que ao Porto faz falta um lateral mais incisivo, que consiga ser uma solução de profundidade no corredor. Também é evidente que a ausência de Falcao, não só retira qualidade, como altera a dinâmica do trio da frente. Também se pode dizer que Belluschi tem uma objectividade no último terço que teria sido uma mais valia neste jogo. Mas, nada disso explica apenas 2 desequilíbrios e 10 perdas de bola num jogo destes.

Importa também falar sobre Hulk. Não é verdade que Hulk jogue estritamente na posição de Falcao. Ou seja, com Hulk nesse papel, há muito mais trocas posicionais com os 2 extremos, pelo que Hulk, e ao contrário do que acontece com Falcao, aparece frequentemente em zonas laterais. O ponto é que, se a sua influência decisiva caiu nos últimos 2 jogos, tal não terá estritamente a ver com o seu posicionamento base, como muitas análises tentam sugerir. Aliás, as primeiras adaptações de Hulk a esta dinâmica não o impediram de continuar a decidir.

Sobre o Rio Ave, também é interessante referir o tema “confiança”. É uma das equipas mais bem organizadas do campeonato e tem bons jogadores em várias posições – lança muitos portugueses! Na minha leitura, muitas das suas dificuldades no campeonato têm a ver com o impacto emocional dos maus resultados iniciais. Ou seja, perdendo a abrir a prova, a equipa teve dificuldade em estabilizar os níveis emocionais e isso ter-lhe-á custado erros e pontos. Caso contrário, não espantaria que esta mesma equipa estivesse no mesmo plano de Leiria ou Olhanense.

Notas individuais
Sapunaru e Sereno – Continuo a pensar que os laterais beneficiam da qualidade do modelo colectivo, que lhes esconde lacunas e potencia virtudes. Mas continuo a pensar, também, que o modelo colectivo beneficiaria com laterais de outra qualidade e características. Tanto vale para um como para outro.

Otamendi – Regressou, mas não teve um jogo ao nível do que se lhe pode exigir. Não tanto defensivamente, mas pelos erros que cometeu com bola.

Fernando – Foi um dos mais criticados no jogo com o Benfica, e de facto errou nessa partida. Neste jogo, porém, esteve muito mais errático do que a meio da semana. Tem uma capacidade física notável e é uma enorme mais valia em termos de recuperação, mas não pode cometer tantos erros em posse na sua zona.

Ruben Micael – Foi o primeiro a oferecer um ataque rápido ao Rio Ave e voltou a repetir o mesmo tipo de erro mais tarde. No entanto, Micael foi, durante boa parte do jogo, o jogador mais influente do meio campo, notando-se a sua disponibilidade para ter a bola e a sua boa capacidade de decisão. É pena não ter outra agressividade e explosão, porque é um jogador com uma noção excepcional do jogo, notando-se na rapidez com que define o destino que deve dar às bolas que por si passam.

Moutinho – Desta vez foi decisivo. De resto, não fez um jogo excepcional, também errou, mas manteve-se dentro do seu registo altamente fiável de rendimento. Tudo somado, parece-me justo que seja o “melhor em campo”.

Varela – Marcou, é verdade, mas foi pouco o que fez depois.

James – Desta vez não teve a clarividência que o tem caracterizado e não deu a melhor sequência a muito do jogo que por si passou. Por outro lado, continua a perceber-se que ainda não é nele que o Porto pode confiar para ser um “abre latas”.

Hulk – Um dado curioso sobre a sua exibição: muitas vezes Hulk decide mas não dá sequência a muito do jogo que por si passa. Desta vez foi ao contrário. A maioria das bolas que passaram por ele tiveram sequência colectiva, o problema é que não foi decisivo. Há dúvidas sobre o que é mais importante?
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11.1.11

Porto - Marítimo (Análise e números)

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Não se pode dizer que a resposta foi brusca, mas foi seguramente uma boa reacção à primeira derrota da época, numa exibição que foi ganhando qualidade e consistência, acabando por se saldar como muito positiva. Na verdade, jogando em casa, era um cenário que, como já havia escrito, se adivinhava. É que o Marítimo, tendo alguns bons jogadores, não tem andamento para repetir o prato do seu rival insular. Por mérito próprio e falta de competitividade interna, é de facto muito difícil uma equipa com a qualidade do Porto tropeçar 2 vezes seguidas.

Notas colectivas
Começando pelas opções de Villas Boas, houve alguma surpresa na adaptação de Hulk a uma posição central. Uma solução que, creio, tem muito mais a ver com a intenção de dar continuidade à aposta em James, mas que implicava algum risco. Não que Hulk não possa jogar a partir de posições centrais – já o fez no passado e com sucesso – mas porque o seu tipo de movimentação tem de ser muito diferente daquilo que acontece com Falcao, por exemplo. Implica não só maior mobilidade no trio ofensivo, mas sobretudo um relacionamento posicional diferente dos extremos, que habitualmente ligam muito mais os seus movimentos com laterais e médios mais próximos do que com o elemento mais central do ataque.

Não foi apenas por isto que o Porto sentiu algumas dificuldades numa etapa inicial, embora o crescimento da equipa tenha também coincidido com uma melhor relação de movimentos do trio ofensivo. Essencialmente, houve uma fase em que o Porto não conseguiu manter o jogo no meio campo adversário, como tanto gosta. Algo que resultou de uma qualidade e velocidade de circulação menos intensa, mas também de uma intenção do Marítimo de condicionar a saída de bola portista, obrigando a que se jogassem mais segundas bolas e tornando mais físico o jogo. Por incapacidade próprio ou por mérito portista, o facto é que o sucesso dessa intenção durou pouco.

Há um elogio que, não sendo novo, deve ser feito a esta equipa portista: a sua qualidade em organização ofensiva. A maior parte das equipas precisa de situações de ataque rápido e transição para atingir um grande número de jogadas de golo, mas o Porto parece ser capaz de jogar sempre perante adversários posicionados e organizados. O segredo, parece-me, está na combinação de 2 elementos: a qualidade de circulação e a tranquilidade com que aborda esse momento. Qualidade de circulação, pela velocidade e boa movimentação dos jogadores e da bola. Tranquilidade, pela forma como raramente se precipita neste processo, não caindo na tentação de uma verticalização imediata, mas procurando o melhor “timing” de entrada no bloco contrário. Este último aspecto talvez seja o mais raro em equipas que sentem muito a pressão de ter de chegar rapidamente ao golo.

Ainda dentro da qualidade de circulação, uma nota para o peso de Moutinho no inicio da construção. O Porto ganha muito mais quando é ele o protagonista do primeiro passe. Garante mais certeza e segurança do que Guarin, Belluschi ou Fernando, por exemplo.

Notas individuais
 Sapunaru – Normalmente gosto pouco de laterais ditos “defensivos”. Porque esse rótulo geralmente não resulta de um significativo acréscimo de fiabilidade defensiva, mas, antes sim, de uma substancial incapacidade para dar profundidade ao flanco onde jogam. O facto é que Sapunaru, dito “defensivo”, tem-no sido realmente. Muito certo nas suas acções com bola – sem grande capacidade de dar profundidade, é certo – e sobretudo muito forte no domínio que impõe na sua zona. Uma boa surpresa nesta temporada.

Emídio Rafael – Não repetiu, desta vez, a exibição errática frente ao Setúbal. Pode dizer-se que cumpriu, é verdade, mas também é um facto que foi tudo menos deslumbrante num jogo onde tinha boas condições para ser mais protagonista em termos ofensivos. Tem tido a sorte de ter boas oportunidades, mas ainda não se mostrou uma alternativa à altura de Álvaro Pereira.

Guarin – Foi o homem do jogo, conseguindo um protagonismo ofensivo raro para quem joga como “pivot”. Pode ter aumentado a dúvida sobre o titular do lugar nos próximos jogos, mas, se Guarin tem muito maior aptidão ofensiva do que Fernando, é também muito claro que não domina tão bem a posição como o seu rival pelo lugar.

Moutinho – Ao contrário do que muitas vezes se diz, não é sempre o jogador mais influente em termos quantitativos do meio campo portista. Mantém sempre uma bitola elevada e uma grande importância, mas não é sempre o mais influente. Desta vez, porém, foi-o claramente, protagonizando provavelmente a sua melhor exibição no campeonato. A única que rivalizará com esta será a que conseguiu na Madeira, frente ao Nacional. Foi o verdadeiro “dono do jogo” portista, batendo o seu recorde de passes e intercepções, e sendo ainda determinante em alguns lances ofensivos. Não marcou, nem assistiu, mas com este rendimento também não é preciso...

James – Percebe-se, pela idade e rendimento, tão declarada aposta. James correspondeu, aproveitando sobretudo bem a fase de maior exposição do Marítimo e acabou como um dos destaques do jogo. O seu rendimento, porém, não me parece ainda suficiente para que se possa esperar dele uma presença determinante sobretudo nas fases de definição do jogo. Veremos que tipo de confiança lhe trará o golo que marcou...

Hulk – Jogou a partir de posições mais centrais e teve dificuldade em ser tão influente como é hábito. Apareceu menos e com mais dificuldade de dar sequência às suas acções. Hulk, porém, está mesmo imparável e, mesmo assim, marcou um grande golo e fez uma assistência. Entre golos marcados e assistências, valeu 1,7 golos por jogo, em metade do campeonato. A equipa inteira do Sporting, por exemplo, só conseguiu 1,5!

Djalma – É um jogador a quem se projecta capacidade para mais altos voos. Correu muito e foi muitas vezes útil, mas foi, também, demasiadas vezes inconsequente com a bola nos pés. Para jogar a um nível mais elevado não são só precisas explosões, é preciso também critério nas decisões.



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21.12.10

Paços - Porto: Análise e números

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Tinha tudo para ser um teste difícil, e acabou por sê-lo, mesmo se começou por não parecer. A Mata Real é um marco especial do trajecto das equipas, especialmente das “grandes”. Porque na Mata Real há menos espaço e porque, na Mata Real, mora habitualmente uma equipa que sabe transportar o jogo para uma dimensão mais mais física e menos técnica do que habitualmente acontece. A Mata Real é um campo de futebol directo, e esse é um estilo pouco do agrado de quem tem na técnica uma vantagem competitiva. O problema é que, na Mata Real, quem não se adapta ao estilo, normalmente dá-se mal. Foi isso que quase aconteceu ao Porto. Não porque não se tenha tentado adaptar ao estilo, combatendo-o, mas porque, mesmo assim, teve dificuldades. Valeu-lhe, sobretudo, a madrugada do jogo.

Notas colectivas
Começo pela pergunta que provavelmente mais intrigará quem viu o jogo: porquê que as 2 partes foram tão diferentes? Como sempre, entendo que a complexidade do jogo relega a resposta para uma combinação de vários factores e não para o isolamento de alguns. Ou seja, a atitude do Paços foi diferente, com Rondon mais isolado na primeira parte, e a equipa menos bem posicionada para abordar as segundas bolas. Depois, porque a sua própria pressão foi mais baixa e menos agressiva sobre a primeira fase de construção portista. Ou seja, o Porto, com a sua qualidade em posse, fazia o jogo instalar-se no meio campo adversário e, mesmo quando perdia a bola, podia pressionar imediatamente, impedindo o Paços de subir no terreno – destaco aqui a diferença no primeiro passe de transição do Paços, na primeira parte sempre para trás, na segunda, muitas vezes para a frente.

A estes aspectos, mais de ordem táctica, há que juntar outros, de ordem emocional. Ou seja, o Porto abriu o jogo com uma ocasião a partir de uma bola parada. Isso pode ter condicionado a atitude dos pacenses, encolhendo-se mais perante as dificuldades. O mesmo se pode dizer do Porto da segunda parte. Ou seja, perante os primeiros sinais de reacção do Paços, a equipa não terá tido a resposta mais autoritária, encolhendo-se mais para proteger a zona à frente da sua defesa e sendo cada vez menos capaz de fazer subir o epicentro do jogo.

Talvez esse seja o aspecto que mais mereça reflexão por parte dos portistas: porquê tanto encolhimento? Gostaria de falar de 2 pontos a este respeito: o primeiro tem a ver com a entrada de Souza. A estratégia foi proteger a zona à frente dos centrais, particularmente à esquerda. Compreende-se, dados os primeiros sinais do Paços, com o posicionamento de Di Paula mais próximo de Rondon, mas terá também sido um sinal de recuo lançado à própria equipa, a colocação de um jogador com uma missão estritamente posicional, e com tanto tempo por jogar. O Porto tem jogadores cultos tacticamente e poderia ter mantido a estrutura, pedindo apenas um posicionamento mais prudente à sua linha de 3 médios. Por exemplo, fazendo Moutinho – que tem melhor sentido posicional – jogar pela esquerda e mais próximo de Guarin. Isto leva-me ao segundo ponto, que tem a ver com a saída em transição e com a profundidade da mesma. Ou seja, perdendo um extremo – e contando também com algumas más decisões individuais – o Porto esteve demasiado tempo sem capacidade de se fazer sentir junto da baliza contrária. Isto, aparentemente, pouco terá a ver com as dificuldades de controlo continuado, mas a verdade é que, regra geral, quando uma equipa se sente ameaçada também tem menos confiança nas acções ofensivas posteriores. Era importante que o Porto tivesse conseguido de forma mais regular o aproveitamento do espaço em transição, e isso não aconteceu.

Uma nota sobre o Paços que teve, de facto, muito mérito naquilo que aconteceu na segunda parte. Atitude, agressividade e, em alguns momentos, qualidade. Destaco o trabalho de Rondon, que não sendo um jogador alto, conseguiu servir de referência às primeiras bolas, e também Leonel Olímpio, que é um jogador forte, tanto tecnicamente como em agressividade: um jogador, talvez, a merecer uma análise de clubes de outra dimensão, mesmo tendo em conta a idade.

Notas individuais
Sapunaru – Está, de facto, a fazer uma boa época. Surpreendentemente. Não creio que mereça o estatuto de “titular”, como Álvaro Pereira merece à esquerda, por exemplo, já que Fucile, apesar de alguns erros que recorrentemente repete, é muito mais forte em vários aspectos. Ainda assim, num jogo destas características, não havia dúvidas quanto à maior adequação do perfil de Sapunaru.

Otamendi – Não esteve isento de erros, mas estes foram apenas sombras na exibição que conseguiu. Jogos de luta, a pedir intervenções constantes, são o que mais gosta. Ganhou um número imenso de bolas e deu boa sequência a grande parte do jogo que por si passou - muitas vezes, diga-se, em situações nada fáceis. É curioso comparar-se o nível de intervenção dos 2 centrais. Parece que jogaram jogos distintos, mas não, é sobretudo uma questão de perfil. Algo que, de resto, já venho alertando há bastante tempo.

Guarin – Esteve sempre na “luta” do meio campo, com entrega e carácter. Ganhou muitos duelos, mas teve também alguns erros – demasiados – com potencial prejuízo para a equipa. Não aconteceu, mas quem joga na sua posição tem de garantir mais segurança.

Belluschi – Não fez um jogo extraordinário, sobretudo porque não desequilibrou. Mas, no que respeita à capacidade de trabalho e qualidade, foi mais uma prova de que é muito mais do que um simples criativo. Voltou a não ser tão certo no passe como Moutinho, mas voltou também a mostrar a sua maior capacidade interventiva. Algo que já não pode surpreender quem anda minimamente atento...

Hulk – Voltou a ser o elemento mais determinante nos desequilíbrios ofensivos. A sua capacidade individual é enorme, como facilmente se percebe, e tem também uma boa atitude defensiva. O problema dele continua a ser algum deslumbramento em certas fases do jogo. Por vezes pede-se mais lucidez e objectividade na entrega e se Hulk tivesse sido mais capaz nesse aspecto em algumas transições da segunda parte, talvez o jogo não tivesse sido tão difícil.

James Rodriguez – Teve um enorme aproveitamento do jogo que por si passou e até colocou uma bola soberba, que isolou Falcao – mais uma vez, o seu pé esquerdo é a sua arma. Mas passou demasiado tempo longe do jogo, não sendo muito prestável sem bola, nem muito presente com ela. Este era um jogo em que era preciso mais luta e ele até tem essa capacidade de trabalho. Tem tempo, repito...

Walter – Apenas uma nota para referir que me parece totalmente errado fazer uma associação linear entre a sua presença em campo na segunda parte e as maiores dificuldades sentidas pela equipa. Não que tivesse feito um grande jogo, ou que Falcao não pudesse ter dado mais à equipa. Não é isso. Simplesmente, não foi por ele. Marcou, é verdade, mas continuo à espera das suas “bombas”. Parece retraído, demasiado preocupado em ser generoso, mas quando se tem o seu poder de remate, a meu ver, há que incentivar um pouco mais a sua utilização...



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9.11.10

Porto - Benfica: Análise e números

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A emotividade que o próprio jogo acarreta conduz sempre a uma exacerbação da análise que é feita à posteriori. Tudo em função daquilo que, afinal, é o que mais importa para todos: o resultado. Neste caso, “baile”, “banho”, “vergonha” ou “incompetência”, são palavras que, ora pela positiva, ora pela negativa, surgem com frequência no léxico do pós-jogo, mas que são muito mais o reflexo de um sentimento final do que da síntese objectiva do jogo em si. Quero eu com isto dizer que a goleada portista surge como consequência de um jogo excepecionalmente perfeito de uma das equipas, perante a impotência da outra. “Perfeito”, não por um eventual massacre, mas, “perfeito”, pela ausência quase total de erros e pela eficácia plena no aproveitamento ofensivo. “Impotência”, não por um demérito extremo, mas, “impotência”, por uma incapacidade, até certo ponto normal, de contrariar a força do adversário. Porque, se foi seguramente o pior resultado da equipa, este está longe de ter sido jogo menos conseguido que o Benfica fez.


Notas colectivas: Porto
A palavra “perfeição” ajusta-se na plenitude à exibição. O plano de jogo foi cumprido à risca, como muito raramente acontece. O objectivo, claro, nunca é golear, mas ganhar de forma controlada. O Porto goleou porque foi excepcionalmente eficaz, mas nunca perdeu o controlo do jogo e do adversário. Nem no inicio, quando as coisas ainda estavam iguais. Nem no meio, quando o Benfica ainda pensava reagir. Nem, tão pouco, no segundo tempo, quando, com o jogo “no bolso”, poderia haver alguma tendência para o facilitismo. Por tudo isto, digo que foi perfeito.

Podemos falar dos aspectos tácticos, e eu já várias vezes o fiz. Na forma como a
equipa procurou neutralizar o adversário com uma zona de pressão concentrada, agressiva e densa, que partia da linha média, mas que crescia no campo. Com uma primeira fase do pressing que tentava orientar e facilitar o trabalho dos recuperadores. Com uma transição preparada a partir dessa zona de recuperação e que potenciava os desequilibradores da equipa. Com Sapunaru mais prudente, mantendo equilíbrios no corredor quando em posse. Com Belluschi a colmatar a prudência do lateral e a ser o elemento de desequilíbrio junto de Hulk. Com uma posse paciente e confiante, capaz de decidir bem e envolver com segurança a primeira linha de pressão do Benfica.

Podemos falar de tudo isto, mas o aspecto que mais quero destacar é o aspecto emocional. A equipa vem sendo consecutivamente trabalhada neste aspecto por Villas Boas, desde o inicio de época. Mais do que aspectos físicos ou delírios tácticos, Villas Boas tem gerido meticulosamente os índices mentais dos jogadores e da equipa. O reforço consecutivo da equipa e dos protagonistas na sua proposta de jogo conduziu a um crescendo de confiança que, em combinação com a qualidade e o talento, fazem desta uma equipa altamente lúcida e capaz de interpretar com grande segurança todos os momentos de jogo. Uma equipa, também, e por consequência, anormalmente eficaz no aproveitamento das situações que cria no jogo.

O Porto goleou e transformou-se rapidamente na melhor equipa do país, muito pela confiança que soube adquirir e cultivar. Hoje tira partido disso e, se a souber continuar a trabalhar e valorizar, não é de excluir a hipótese de uma “limpeza” de títulos esta temporada.

Notas colectivas: Benfica
Tal como havia antevisto, Jesus mexeu, como gosta de mexer nestes jogos. Manteve o 4-4-2 clássico com que vencera o Lyon e, também algo previsivelmente, recompôs a ala esquerda e escolheu 1, entre Saviola e Aimar. Seria uma “vitória táctica”, se tivesse corrido bem, ninguém duvide. Assim, como aconteceu tudo ao contrário, Jesus é, por estes dias, uma das pessoas que menos percebe de futebol em Portugal.

Vamos por partes. Começando pelo flanco esquerdo, creio que se justificava uma óbvia preocupação com Hulk e, noutras circunstâncias, não seria descabido utilizar David Luiz à esquerda. O ponto é que, por um lado, era preciso ter cautelas na exposição em transição e, por outro, era óbvio que a capacidade individual de Hulk mereceria cautelas especiais, mesmo em ataque organizado. O erro está muito mais na forma como se tentou parar Hulk do que na escolha dos protagonistas. Ou seja, Hulk teria de ser parado zonalmente e não individualmente. Com situações de cobertura defensiva e não pela crença numa performance heróica no duelo individual.

O grande problema da utilização de David Luiz não está em alguma perda de capacidade de resposta defensiva em relação a Coentrão. Está, isso sim, naquilo que implicaria por arrasto. Ou seja, mexer de mais, noutra zona da defesa, e mexer num jogador que tem um peso relevante na forma de jogar da equipa, em todos os seus momentos. Porque, de resto, percebe-se a preocupação de Jesus em termos individuais. Ou seja, “prender” Coentrão seria perder uma mais valia ofensiva. O facto – e isto é muito mais fácil de ver depois – é que perdeu David Luiz e acabou por perder também o próprio Coentrão, que fez um jogo péssimo.

Quanto ao resto, ao 4-4-2 clássico e à opção de deixar Saviola de fora, sou critico sobretudo em relação à opção individual. Saviola é o jogador que mais problemas cria em termos de movimentação e, mesmo se vem caindo em termos de confiança e rendimento técnico, está longe de ser um elemento discutível no onze. Manter um elemento com as características de Kardec/Cardozo e retirar um elemento mais criativo é uma opção que acho discutível mas que há muito faz parte da filosofia de Jesus. O Benfica já se deu muito bem com isso e não acho intelectualmente honesto que seja agora crucificado por isso.

Importa dizer, com tudo isto, que o Benfica fez um jogo bem menos errático do que na Supertaça, em Guimarães ou em Lyon. Foi goleado porque, simplesmente, encontrou do outro lado uma equipa inabalável mentalmente e que puniu todos os erros que provocou. Como disse no inicio, este esteve longe de ser o jogo menos conseguido da equipa.

Por fim, discordar de uma ideia que agora vem sendo muito passada, com o habitual exagero destas alturas. Diz-se que o Benfica jogou em função do Porto, mas essa critica tem de definir melhor os seus limites. Todas as equipas se adaptam perante adversários mais fortes e o próprio Porto o fez, estrategicamente. Uma coisa, porém, é alterar a estratégia e ajustar comportamentos, outra é mexer estruturalmente, passando por cima da própria identidade da equipa. Concordo que Jesus terá roçado esse limite, mas nunca que o tenha ultrapassado de forma clara.

Notas individuais: Porto
Sapunaru – Se alguém tem dúvidas sobre o que pode fazer a confiança, repare-se no rendimento de Sapunaru. Ganhou mais bolas do que qualquer outro jogador na partida e não teve 1 erro que se identifique.

Moutinho – Ser o “relógio” em alguns jogos de menor grau de dificuldade é uma coisa, nestes é outra. Não esteve nos desequilíbrios, mas foi, de longe, o jogador mais influente no meio campo. Isto é um grande elogio, por ser frente ao Benfica, mas também porque, ao contrário do que muitas vezes se diz, nem sempre é assim.

Belluschi – Um pouco em contra-ciclo com Moutinho. Ou seja, foi um jogador importantíssimo na definição do jogo e nos desequilíbrios, mas no resto esteve um pouco abaixo do que lhe é possível e habitual. Mas aqui, e também em contra-ciclo com Moutinho, o crédito que lhe é normalmente dado também é bastante inferior àquele que merece.

Hulk – Foi o herói do jogo e será seguramente o herói deste campeonato. Mais palavras para quê? Está à vista de todos...

Notas individuais: Benfica
David Luiz – Foi o vilão do jogo, mas injustamente. Não que tivesse estado bem, mas porque esteve longe de ter sido por sua causa que o jogo se decidiu. Ou seja, parar Hulk com 15 metros nas costas é algo que não se pode pedir a ninguém. Seria ele ou outro qualquer. No segundo golo tem responsabilidade na origem do lance, mas a sequência, mais uma vez, transforma-o mais em vitima do que réu, pela forma pouco solidária como a equipa respondeu.

Sidnei – A contabilidade estatística não lhe faz justiça. Esteve envolvido nos 3 primeiros golos com comportamentos colectivos errados – se é responsabilidade individual ou colectiva, já não posso afirmar – e não justificou minimamente a confiança. É muito jovem e tem evidente potencial, mas desfazer a dupla Luisão-David Luiz custou caro.

Luisão – Prejudicou gravemente a equipa com a sua expulsão, tendo, provavelmente desencadeado a goleada. Foi notório, pela linguagem gestual ao longo do jogo, que a frustração o estava a afectar. É pena, porque sabe mais, e porque estava a ser o melhor da equipa até à expulsão.

Carlos Martins – A sua presença foi importante. A equipa criou mais opções na saída de jogo e o Porto não provocou tantas perdas de bola nessa situação como na Supertaça, por exemplo. Depois, esteve também combativo e útil no trabalho de meio campo – o que nem sempre acontece. Só o medo de uma expulsão justifica a sua substituição.

Salvio – Para mim – e apesar de não ter feito um grande jogo – é mais um bom sinal que dá. Esteve bem tecnicamente num jogo muito difícil e, para além disso, demonstrou também óptima atitude e intensidade sem bola. Justifica uma continuidade na aposta.

Coentrão – Em absoluto, um jogo para esquecer. Primeiro como médio, forçou demasiado e perdeu sempre perante a maior solidariedade portista. Depois, como lateral, teve um erro decisivo ao entregar a bola a Hulk, possibilitando 1x1 que resultou no penalti. Acontece, e não é por isso que tem de deixar de ser um dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial.



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24.9.10

Os melhores da liga até agora (3 "grandes") - 5ª jornada

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Deixo nova actualização das estatísticas individuais, agora acumuladas até à 5ªjornada. Já várias vezes expliquei o elevado interesse que entendo ter este complemento de análise e, de facto, essa é uma realidade que confirmo com enorme regularidade. Frequentemente ouvimos e lemos análises que colocam o ónus do rendimento colectivo, seja ele bom ou mau, no desempenho individual de um ou outro jogador. O mais curioso é que, seja durante o próprio jogo ou à posteriori, não raras são as vezes em que essas opiniões não têm qualquer sustento factual. O futebol não é uma ciência exacta, já sabemos, mas a sua subjectividade por vezes é levada ao extremo da gratuitidade de opinião. Enfim, não é nada que me surpreenda. Afinal, este exercício tem precisamente o objectivo de fundamentar, ou não, percepções - sobretudo as minhas.

Aqui ficam alguns apontamentos específicos:


Sapunaru – O seu rendimento não é fantástico, mas é talvez o jogador que melhor espelha o rigor de Villas Boas. Tem uma % de passe elevada e não acumulou nenhuma perda, apesar de não ser um jogador tecnicamente forte. Porquê? O enfoque na lucidez de decisão.

Nuno André Coelho
– É o jogador, entre todos, que mais intercepções faz por jogo - aqui vemos o seu potencial. É o defesa com mais perdas de bola por jogo - aqui vemos como precisa de ser “calibrado”.

Fernando – Confesso que me surpreende um pouco o seu número de intercepções, que esperava ser mais alto. Veremos se se torna mais influente com o tempo.


Maniche – Será, seguramente, o caso mais claro da falta de rigor nas análises que são feitas. É o jogador com mais passes completados e o médio ofensivo com mais intercepções e melhor % de passe. Não se pode pedir que seja mais influente, intenso ou regular. E, no entanto, não faltam opiniões de que “está velho” e que não "dá intensidade" ao meio campo. Não sei se terá motivação para durar toda a época, mas, para já, Maniche é o melhor jogador do Sporting e um dos “craques” do campeonato.

Aimar – Os problemas do Benfica reflectem-se no seu desempenho. Ser, entre todos, o jogador que mais perdas de bola, é uma constatação chocante para a qualidade que se lhe reconhece. Mas esse dado – as perdas de bola – é precisamente aquele que mais contribuiu para o atraso pontual do Benfica na Liga.

Saviola – Apesar de não marcar, é o melhor dos avançados. Não espanta. É aquele que se envolve mais e que mais cria. Não está a fazer uma época excepcional, mas continua a ser um elemento fundamental e preponderante.

Pontas-de-lança – Há um dado comum entre Liedson, Falcao e Cardozo. A pouca participação. Quem julgo ter mais responsabilidade própria – como já várias vezes referi – é Cardozo. No caso de Falcao, há um aumento de participação, mas o jogador continua sem conseguir vincar em campo a qualidade que obviamente tem. No caso de Liedson, há também o erro de o prender em demasia ao centro, quando sempre foi determinante como avançado móvel. Um contra senso. Ainda assim, Liedson é exageradamente criticado. Primeiro, por esse erro na sua utilização, depois porque, mesmo assim, comparativamente com os rivais (Falcao e Cardozo), não deixou a equipa a perder nestes primeiros 5 jogos.



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8.11.08

Jogadas da Champions

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Sapunaru esqueceu-se...
O golo do Dínamo, que deu, na altura, ao jogo um sabor de injustiça após uma boa entrada portista resulta de um posicionamento deficiente na zona mais recuada portista. Rolando começa por sair da sua zona para disputar um lance aéreo com Milevsky, mantendo-se adiantado em relação à linha mais recuada. Neste tipo de situações são os laterais que têm responsabilidade de se juntar ao central que sobra para fechar a zona central. Foi o que fez, inicialmente, Sapunaru.
O problema surge depois. Se é verdade que Rolando perde o controlo da zona (e de Milevky), o erro maior é de Sapunaru que, incompreensivelmente abriu o seu posicionamento sobre a direita. A perda de controlo desse espaço e de Milevsky acaba por deixar Bruno Alves entre dois jogadores, mal a bola é passada verticalmente. A combinação e definição são obviamente excelentes não dando tempo para que o erro fosse corrigido, mas tal só foi possível pelo lapso posicional que se verificou momentaneamente.

As opções de Hulk
Num curto espaço de tempo, duas transições semelhantes, dois destinos diferentes. O deslumbramento ucraniano levou a uma postura kamikaze no final do jogo e o Porto tirou frutos, explorando o espaço em transição. Primeiro em mais uma prova que a utilidade de Lucho não se resumo aos momentos com bola – inteligentíssimo a pressionar no momento certo e a lançar Hulk em transição. Com a defesa do Dínamo em recuperação, Hulk tinha várias opções mas, como noutros casos, optou pela que menos se aconselharia, forçando um despique individual pelo centro e afunilando a jogada, em vez de a abrir rapidamente em Lisandro. O resultado foi, obviamente, a perda de bola.
2 minutos depois tudo começa num alivio que cai nos pés de Lisandro. De novo a defesa do Dínamo em recuperação do espaço que deixou de controlar, de novo a bola é colocada em Hulk. Agora, no entanto, a opção foi outra. 1 toque, bola no espaço para Lisandro e... golo de Lucho!

De novo o pressing
Depois do Rio Ave, o Sporting esteve perto de matar o jogo em mais um roubo de bola frente ao Shakhtar. Mais uma vez, há o demérito de um jogador adversário mas, mais uma vez também, tal só sucede porque o pressing do Sporting potenciou a situação.
O mérito do pressing começa num alívio do Shakhtar. A segunda bola não é ganha, mas nem por isso totalmente perdida. Uma pressão imediata retira possibilidade a Willian de progredir e obriga a um passe para o seu guarda redes, permitindo ao Sporting subir de novo as suas linhas e iniciar o pressing mais à frente. Foi isso que aconteceu. Fernandinho – talvez pela urgência provoca pelo tempo e resultado – procurou a todo custo um passe em progressão, mas a linha de passe não surgiu porque o Sporting cortou todas. O jogador hesitou, perdeu o tempo de decisão e também a bola, roubada por Izmailov. Do lance só não surgiu o segundo golo porque a definição de Moutinho não foi a mais adequada para a superioridade numérica existente.

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19.7.08

Porto: As notas do empate em Hannover

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Tanto do ponto de vista do entretenimento como do ponto de vista do rendimento colectivo portista, este foi um jogo que ficou aquém das expectativas. O ritmo baixo, mais próprio de um treino de conjunto, foi sempre o padrão do jogo, independentemente das suas diversas e muito diferentes fases. Este facto não deve, de forma nenhuma, preocupar os adeptos portistas que encontrarão, por exemplo, na temporada passada um inicio de época muito semelhante nesse aspecto, e que não impediu a equipa de entrar bem no campeonato.
Descontando este aspecto do ritmo de jogo, havia dois aspectos que poderiam trazer algum interesse para se desvendar em que ponto estará o caminho das opções de Jesualdo até ao inicio oficial da época. O sistema de jogo e as novas individualidades.

Sistema: 4-3-3, com 1 ou 2 pivots
No Porto tem-se falado, desde há algum tempo, na possibilidade de Jesulado mudar para o 4-4-2. Pessoalmente, creio muito pouco nessa opção porque essa mudança poderia afectar alguns fundamentos do jogo portista actual, obrigando a equipa a voltar em alguns aspectos a uma espécie de “estaca 0” ao nível da sistematização de processos, um esforço talvez exagerado para quem vem evoluindo positivamente no modelo que utiliza o 4-3-3 como sistema.
Por isso, creio que o Porto se apresentará em 08/09, de novo, em 4-3-3, com 1 pivot defensivo no meio campo, e tendo como alternativa o duplo-pivot que, embora aparentemente possa parecer um contrasenso, é uma opção mais ofensiva, partindo mais o jogo. Estas foram as opções já apresentadas em 07/08 e, frente ao Hannover, Jesualdo apresentou-as, uma na primeira parte e outra na segunda. Com princípios já bem definidos e que vêm de trás importa sobretudo testar o “encaixe” das novas individualidades nos perfis em aberto e esse será nesta altura o grande objectivo de Jesualdo antes de tomar opções, quer no que respeita às individualidades, quer no ajustamento de alguns processos que possam tirar melhor partido das características dos jogadores.
Reforços
Sapunaru – É cedo ainda para tirar ilações sobre a qualidade deste lateral. Uma coisa, no entanto, parece evidente. O seu perfil será forçosamente diferente do de Bosingwa e o Porto não contará com o efeito ofensivo do actual jogador do Chelsea. Esta é uma alteração que pesará nos processos colectivos, já que a equipa vinha estrategicamente assumindo comportamentos para libertar o corredor para as descidas de Bosingwa.

Rolando – Parece-me igualmente precoce fazer uma análise profunda à qualidade e integração de Rolando. A sua presença parece ser uma aposta a ter em conta para o inicio de temporada, rendendo Pedro Emanuel e dando à defensiva uma característica que vem perdendo desde a saída de Pepe: capacidade de recuperação.
Guarin – Foi curioso ver a diferença de comportamentos num meio campo com 1 pivot e com 2. Claramente Guarin não parece habituado a jogar numa função tão posicional, preferindo ter mais liberdade. Claramente, também, Jesualdo quer para ali um jogador que tenha uma amplitude de acção reduzida para manter protegida aquela zona fundamental e fazer a ligação entre a defesa e a linha média. As instruções para Guarin devem, neste sentido, ter sido claras, tão claras que o colombiano se revelou tão preso de movimentos que se tornou facilmente neutralizado pelo adversário, não criando linhas de passe na construção durante o primeiro tempo. É, obviamente, importante que Guarin evolua no desempenho desta função, já que é nele que se depositam esperanças para substituir Assunção.
Tomas Costa – Aparenta ter qualidade mas, tal como se previa, as diferenças entre o modelo portista e o do Rosário Central estão a ser o principal entrave a um maior impacto na equipa portista. Como ala, apareceu mais vezes a oferecer soluções em posse e muito pouco a dar profundidade. Por isso, no primeiro tempo, o Porto atacou sobretudo sobre a esquerda. O tempo encarregar-se-á de lhe mostrar onde e como caberá neste Porto.
Benitez – Também pouco a dizer sobre uma exibição com pouca exigência. Não pareceu ser uma solução para acrescentar muito ao plantel, mas é cedo para conclusões.

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