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16.8.11

Guimarães - Porto: opinião

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- O cenário da primeira jornada assemelha-se de tal forma ao da época passada, que são inevitáveis os paralelismos. Acreditar em profecias, porém, pode ser um tremendo erro. Como já escrevi, é de todo improvável que o cenário da época passada se repita. Não só a nível europeu, mas também a nível interno. E isto não tem, sequer, a ver com mudanças. Tem a ver com a complexidade do jogo, e com a sucessiva adaptação dos protagonistas. Por tudo isto, diria, o melhor é desconfiar. E o jogo mostrou motivos para tal, mesmo se o volume de oportunidades criadas poderia, e deveria, ter conduzido a outro conforto no jogo.

- Tenho de começar pelo inicio do jogo. Pelos primeiros minutos, e pelo condicionamento que o Vitória fez ao jogo do Porto. Machado manteve os protagonistas, mas não a organização perante a construção contrária. Colocou, desta vez, uma linha de 4 no meio campo, e as dificuldades do Porto foram enormes, ausentando-se da área contrária durante quase 30 minutos, apesar de ter tido sempre a bola. A colocação de mais elementos na linha média do Vitória, impediu que o Porto fizesse a ligação que gosta de fazer com os extremos, quer através do mesmo corredor de saída, quer através das ligações entre central/médio e o corredor oposto, que tanto se havia visto no jogo da Supertaça. O Porto não conseguiu introduzir as suas dinâmicas habituais, trazer os médios para a construção, ou usar a atractividade com bola dos centrais. Por mérito do Vitória, e, também, algum demérito próprio.

- Este cenário ditou, em parte, um óptimo posicionamento do Vitória para provocar a surpresa. Porque, se o Porto tinha a bola, isso era concedido, fazia parte da ideia de Machado. O que não fazia parte da ideia de Vitor Pereira era ter bola e não conseguir progredir. Porque, ter bola, estar aberto e sempre na zona de construção, implica prolongar um risco de perda e sucessiva transição. Aqui, tenho de sublinhar o "em parte" do inicio do parágrafo. Porque se o Vitória bloqueou o Porto, em termos de construção, foi absolutamente incapaz de finalizar com qualidade a proposta que trazia para o jogo. A transição, e o primeiro passe após a recuperação, foram quase sempre maus. Algo que espanta, porque as equipas de Machado costumam ter, nesse momento, a sua grande virtude. Mas há, neste Vitória, uma invulgar bipolaridade técnica em muitos jogadores, que torna as acções sempre muito instáveis.

- Neste contexto, que se gerou na primeira parte, reside o alerta para o Porto. A equipa conseguiu as suas oportunidades, até mais do que o Vitória, mas não teve o jogo sob o seu controlo, sendo mesmo o adversário quem usufrui das ocasiões mais soberanas. Um sinal do que pode suceder no futuro, e do tipo de condicionalismo que poderá enfrentar. Ainda sobre o papel do Vitória, uma palavra para Machado, que é uma espécie de vilão do futebol português, pelo menos neste meio "cibernauta". Realmente, discordo de muitas abordagens do treinador, mas não me revejo em alguns tons de agressividade que encontro recorrentemente. Não em relação ele, nem em relação a qualquer profissional. Não sem contraditório, e não perante alguém que tenha um leque de experiências e elementos a que eu não tive acesso.

- Mas o Porto, levou realmente a melhor no jogo, e, até, deveria ter conseguido maior conforto, bem mais cedo. Há uma intenção clara de potenciar o papel dos extremos nesta equipa. Quer pela tentativa de os libertar no 1x1, quer pelas dinâmicas em construção, que os trazem para o corredor central, onde podem aproveitar o facto de jogarem, habitualmente, com o "pé trocado". E foi assim que o Porto criou as suas primeiras ocasiões. Com Varela e Hulk, a partir de lançamentos laterais, a libertarem-se no espaço "entrelinhas". Isto, na primeira parte.

- Na segunda parte, o jogo foi diferente. O Vitória apareceu mais agressivo e mais desorganizado, o que possibilitou, agora sim, um ascendente evidente do Porto. Não tanto pelo domínio territorial, mas pela proximidade que passou a ter com o golo. Como não marcou, o Vitória foi continuando a acreditar, acabando por forçar um final de jogo de maior risco para os portistas. Não se pode elogiar a organização do Vitória, mas pode-se elogiar a sua atitude, que, conseguiu, pelo menos, prolongar alguma dúvida até ao fim.

- No campo individual, o destaque tem de ir para Hulk. É, de resto, a primeira grande exibição da liga, com o jogador a ser a grande fonte de desequilíbrios da equipa. Não é pelo golo, de penalti, mas pelo facto de ter criado 6 oportunidades, nas quais só finalizou 1. Não é para todos. Em sentido oposto, uma estreia pouco auspiciosa de Guarin, algo inconsistente em posse, e ajudando a que a equipa não se encontrasse nos minutos iniciais. Defensivamente, Souza (outra vez) e Otamendi, merecem notas de realce. E Hélton, claro.
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29.4.11

Porto - Villarreal: Estatística e Análise

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1- Tenho de começar por abordar a atipicidade do jogo. É que, sendo objectivo, a goleada encontra a sua principal justificação na enorme diferença de eficácia entre as duas equipas, e não no número de oportunidades que estas construíram, que, tudo somado, foi muito próximo. Não posso, portanto, concluir que o Porto foi substancialmente mais competente do que o seu adversário na interpretação da proposta que trazia para o jogo, e a forma mais correcta que encontro para tentar explicar o sucedido é através do recurso a uma expressão utilizada pelo próprio Villas Boas: "a transcendência dos jogadores". Se, para além da eficácia, constatarmos ainda que a maioria dos lances de perigo eminente do Villarreal foram salvos por jogadores portistas, e não apenas desperdiçados pelos adversários, então fica clara a conclusão de que o resultado, sendo a consequência de um diferencial de aproveitamento, é também o reflexo da diferença da capacidade de superação dos jogadores nos momentos chave do jogo. Mérito para eles, portanto.

2- O jogo começou com intenções claras de parte a parte. O Porto, percebendo a natureza do adversário e a sua disponibilidade para sair em apoio praticamente de qualquer zona do campo, arriscou no potenciamento do erro, subindo linhas e tentando roubar a bola em zona alta. O Villarreal, por seu lado, trouxe um 4-2-3-1 muito assimétrico, disposto a tentar tirar partido da profundidade à direita (Nilmar) e do apoio interior vindo da esquerda (Cani). O momento de transição seria, assumidamente, a sua aposta. O facto é que, perante este balanceamento foram os espanhóis quem conseguiram maior aproveitamento qualitativo das suas intenções, e de longe. Por 4 vezes nos primeiros 50 minutos Helton teve jogadores contrários isolados na sua frente, num registo provavelmente sem paralelo nesta temporada. O Villarreal sai goleado do Dragão, e nada servirá de prémio de consolação perante este desaire, mas fica, para quem viu, o registo da equipa que mais problemas causou ao Porto no seu estádio esta temporada. Mais do que os vencedores Benfica, Sevilha ou Nacional.


3- Ainda sobre os problemas do Porto na primeira parte, é verdade que a maioria dos lances aconteceu sobre a direita, mas mais relevante do que distinguir o lado dominante para o desfecho das acções, parece-me ser identificar a origem das mesmas. E, aí, a meu ver, entram três factores. A zona de perda da bola (muito baixa, com alguns erros na primeira parte), o risco da linha defensiva ("batida" várias vezes na tentativa de jogar alto e encurtar espaços) e o mérito do Villarreal (jogadas simples, por vezes condicionadas, mas que, mesmo assim, encontraram o tempo e definição certas). Sobre este último ponto, volto a lembrar algo que referi há tempos a propósito de um golo sofrido pelo Benfica nesta prova: nota-se uma grande diferença no aproveitamento que fazem jogadores de ligas como a espanhola ou alemã da "armadilha" do fora de jogo. Uma diferença que tem muito a ver com o hábito de jogar contra este recurso defensivo nesses campeonatos.

4- Da parte do Porto, o seu mérito tem muito a ver com a manutenção da intencionalidade e indiferença à adversidade. O jogo demorou a sair, mas quando saiu teve um impacto tremendo em termos mentais no jogo. Aliás, se houve equipa que mudou o jogo através de alterações próprias foi o Villarreal, retirando três dos seus melhores jogadores no jogo, e desfazendo a estrutura inicial. A reacção táctica ao impacto emocional da momento portista acabou por ser contraproducente, a equipa perdeu ordem, identificação e qualidade, acabando o "submarino" por afundar-se completamente. Foi, usando uma imagem do boxe, uma vitória por KO, e não aos pontos.

5- Nota para o segundo golo, provavelmente o que mais impacto teve no jogo. A jogada, com Hulk a abrir no flanco e Guarin a entrar no espaço entre o central e o lateral, é uma espécie de "clássico" desta época. Na goleada ao Benfica, por exemplo, esteve em foco o mesmo tipo de movimentação, então com Belluschi como protagonista.

6- Algumas notas individuais:
Sapunaru e A.Pereira - estrategicamente pouco participativos numa primeira fase, tentando levar com eles os extremos e deixando as despesas da construção para o corredor central. O costume. No último terço, e também num movimento habitual, Alvaro Pereira foi solução repetida para os cruzamentos, mas foi uma noite pouco inspirada.

Rolando e Otamendi - Um jogo muito difícil para ambos, tendo de jogar alto e assumir o risco de saber que se tem muito espaço atrás de si. Creio que não é por acaso que jogou Otamendi, que tem uma capacidade de reacção e recuperação muito maior do que Maicon. Se assim foi, Villas Boas acertou, porque foram decisivas as intervenções que ambos conseguiram em recuperação. De resto, e como é hábito, Otamendi muito mais interventivo defensivamente, Rolando muito mais certo com bola.

Fernando - Um jogo terrível para ele. Cometeu vários erros em posse, não conseguiu ser influente como é seu hábito e viu vários passes de rotura a serem protagonizados na sua zona.

Moutinho e Guarin - Dentro do melhor que se pode esperar deles. Moutinho, foi o mais influente e certo com bola, a melhor garantia da posse, e destacando-se pela excelente reacção à perda. Guarin foi outra vez o "homem bomba" da equipa, e uma espécie de barómetro da equipa. As suas primeiras tentativas foram um completo falhanço, mas quando acertou, teve um enorme impacto.

Falcao - De novo, a mesma referência. É repetitivo fazer-lhe os mesmos elogios, mas ele não deixa outra hipótese. Ou seja, é um temível finalizador dentro da área e a equipa tem tirado enorme partido dessa sua capacidade.

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19.4.11

Porto - Sporting: Estatística e notas do jogo

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- Tinha antecipado a alta probabilidade do Sporting não ser capaz de discutir o jogo em termos territoriais com o Porto. Não se trata de opção estratégica, mas simplesmente de incapacidade para o fazer. Isso, sem qualquer surpresa, verificou-se, ficando depois por perceber até que ponto o preço dessa diferença de supremacia podia ser custosa para o Sporting. Não foi muito, em boa verdade.

- Começando pela incapacidade do Sporting em discutir o jogo, ela explica-se (e recapitulando a ideia já explicada noutros jogos) em dois eixos: 1) pelo contraste entre as soluções que ambas as equipas criam para a sua posse, e 2) pela diferença de capacidade pressionante precisamente sobre a posse contrária.

- Em termos defensivos, o Sporting voltou igualmente a mostrar as suas fragilidades em vários aspectos. Primeiro, o pressing, embora tenha vindo a melhorar, está longe de ser uma barreira difícil de ultrapassar. Depois, quando é obrigado a jogar em zonas mais baixas, a equipa fundamenta a sua capacidade defensiva sobretudo pela presença e equilíbrio numéricos, e isso foi perfeitamente notório na facilidade com que se permitiram cruzamentos e finalizações em zona circundante da área.

- Se houve algo que equilibrou o jogo foi o jogo menos concentrado do Porto em posse, tendo em conta aquilo que lhe é hábito. Cometeram-se vários erros evitáveis e que acabaram por permitir ao Sporting uma proximidade com o golo indesejável do ponto de vista portista. Há também mérito do Sporting, mas, como referi, face ao rendimento que o Porto costuma apresentar, a prestação foi bem abaixo do que se pode exigir.


- Em termos de dados estatísticos, sem surpresa mais e melhor posse por parte do Porto, e maior incidência do Sporting nos momentos de transição. Embora, a equipa portista tenha tirado também partido de alguns ataques rápidos, conseguindo 3 dos seus 8 desequilíbrios por essa via. Já agora, em termos de desequilíbrios, 4 dos 8 desequilíbrios portistas resultaram de cruzamentos, e 3 deles foram “salvos” por Rui Patrício.

- Em relação ao Sporting, Couceiro voltou a registar um novo mínimo de passes completados num jogo, bem como a percentagem de passe. Um “recorde” que havia sido batido em Guimarães, mas que, sem surpresa, volta a ser piorado no Dragão. Como já expliquei, são tendências que têm a ver com a matriz de jogo que o Sporting passou a apresentar desde a entrada de Couceiro.

Notas individuais (Porto)
Álvaro Pereira – Foi, a grande distância, o jogador mais interventivo no jogo. Acabou, também por isso, por ser um dos melhores em campo, sobressaindo pelos cruzamentos que tirou, sobretudo de primeira, num movimento característico da equipa do Porto.

Guarin – Confirma que a sua mais valia é mesmo em termos ofensivos. Como “pivot” fez um jogo regular, mas longe dos níveis que Fernando pode dar à equipa nessa função.

Moutinho – É curioso como fez um jogo em contra-ciclo com o que lhe é hábito. Ou seja, desta vez Moutinho não foi o relógio habitual no meio campo. Falhou vários passes, e ficou intimamente ligado à origem do lance do primeiro golo. Porém, Moutinho compensou com uma participação ofensiva que teve uma importância acima do que lhe é hábito, estando directamente ligado a alguns desequilíbrios, nomeadamente o que resultou na assistência para o segundo golo. Em termos defensivos terá estado ao seu nível e acima dos restantes elementos do meio campo.

R. Micael - Grande jogo do madeirense. Por vezes discreto, mas quase sempre presente. Foi o jogador com mais influência em termos de posse - a grande distância - sobretudo por ter sido aquele que garantiu mais consistência na entrega. Complementou essa presença com aparições importantes em termos ofensivos, sobretudo nas jogadas mais perigosas em ataque rápido.

Falcao - Não há muito a dizer quando um jogador faz uma exibição destas. Sozinho, pulverizou a defensiva do Sporting em situações de finalização. Mesmo se houve lances em que a defesa deixou a desejar, Falcao é um fora de série na resposta a cruzamentos, e é essa característica que o torna verdadeiramente especial.

Walter - Uma nota para ele. Reapareceu muito tempo depois e voltou a mostrar que tem qualidade de sobra para ser uma aposta de futuro. E não apenas pelo golo. Enfim, posso-me enganar, mas acho realmente estranho se Walter tiver sido preterido apenas por critérios técnicos.

Notas individuais (Sporting)
Evaldo - Na realidade, não fez um mau jogo em vários aspectos. Esteve mais interventivo do que é habitual, conseguiu algumas antecipações que lhe são raras e dar alguma dinâmica ao corredor. Só que a sua exibição não pode deixar de considerar (outra vez!) a passividade com que aborda alguns lances. Nomeadamente, no primeiro golo de Falcao, onde pelo menos deveria ter saltado com o atacante, e numa ou outra jogada em que a sua falta de agressividade no espaço condicionou a equipa em termos defensivos.

Polga - Foi batido no terceiro golo e tem responsabilidades na forma como se "perdeu" posicionalmente, mal Moutinho saiu do drible após o canto. Seja como for, está longe de ser o principal responsável no lance. De resto, voltou a revelar-se como o jogador com mais intervenções defensivas (o que é um hábito). Com bola, teve a responsabilidade de tentar sucessivas saídas longas em face da pouca preparação colectiva para a saída em apoio.

André Santos - Fez um bom jogo em quase todos os planos. Apenas "borrou" a pintura já numa fase adiantada do jogo em que perdeu segurança em posse, acabando por estar na origem de alguns ataques rápidos contrários. Confirma-se, porém, que é muito melhor como "pivot" do que como médio.

Matias - Não foi um jogo fácil para quem gosta de ter bola. Matias soube esperar pelos seus momentos para desequilibrar.

Valdes - Jogo muito fraco no Dragão. A nota vai para a sua influência negativa para a equipa no inicio da segunda parte. Não teve a intensidade exigível no lance do segundo golo, e, poucos minutos depois, a frieza suficiente para não se deixar atemorizar pela "locomotiva" Sereno, quando tinha tudo para pelo menos finalizar melhor.

Djalo - Está num bom momento, voltou a ser desequilibrador e útil em termos defensivos. Tem lacunas evidentes e pode não ter o estilo mais simpático para a generalidade dos adeptos, mas é um jogador que o Sporting deve obviamente ter em conta para o futuro.

Izmailov - Uma boa notícia o seu regresso e um bom sinal o seu rendimento, entrando tanto tempo depois e a meio de um jogo tão intenso. Ainda assim, podia e devia ter feito melhor no terceiro golo.

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5.4.11

Benfica - Porto: estatística e notas individuais (Porto)

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Falcao – Foi perdulário, mas decisivo. Ou seja, pode-se criticar Falcao pelos golos que perdeu, mas tem de se lhe dar o mérito de ter chamado a si os principais momentos da equipa. Sou da opinião de que é na área e no ataque às zonas de finalização, que Falcao é mais forte. Este não era um jogo propício para isso, mas, porque Falcao é um jogador completo, isso não impediu que representasse uma mais valia para a equipa.

Guarin – Dá para dizer que é um dos melhores do campeonato? Na minha opinião, sem dúvida. Tem tempo e rendimento suficiente para isso. Esta é uma época excepcional, porém, porque não se pode esperar de um jogador da sua posição que desequilibre tanto e com tanta frequência. Ou melhor, eu pelo menos não espero. E é no capítulo ofensivo que Guarin mais destaca. Tem capacidade de trabalho, sim, mas Belluschi e Moutinho também a têm, e em níveis que, na minha opinião, não são menos elevados.

Moutinho – Continuo a pensar que o seu rendimento é crescente ao longo da época. Foi o jogador com maior influência na posse da equipa e esteve até perto de proporcionar o golo a Falcao, após um roubo de bola. Na segunda parte caiu um pouco, perdendo protagonismo com o encolhimento da equipa, após a expulsão. É que, para um jogador com a intensidade de Moutinho, o jogo fica melhor quando o “campo aumenta”.

Rolando – Não sou um "entusiasta" de Rolando. É um jogador seguro e forte tecnicamente, também com bons atributos defensivos que deveriam fazer dele um central de eleição. Mas falta-lhe muitas vezes agressividade e uma atitude mais dominadora na sua zona. Desta vez – e tem melhorado, diga-se – esteve mais próximo da personalidade que se exige a um herdeiro de uma já longa linhagem de centrais marcantes na história do clube e do próprio futebol português.

Otamendi – Um pouco às avessas de Rolando, falta-lhe em sobriedade o que lhe sobra em personalidade e atitude. Cometeu alguns erros, mas teve também várias intervenções importantes no jogo. Apesar de ser por vezes imprudente nas suas acções, desta vez creio que foi mais vitima da má fortuna do que qualquer outra coisa...

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16.3.11

Meio campo do Porto: o "motor" do campeão

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Dizer-se que o meio campo é o "motor" da equipa é tão vulgar, que se pode considerar um "cliché" do futebol. A verdade, porém, é que poucas equipas e, já agora, poucos campeões terão tido um "motor" tão bem afinado como o do Porto nesta temporada.

O que me leva a ser tão elogioso? Primeiro, a percepção da missão colectiva. Ou seja, há uma óptima sintonia entre os elementos do meio campo no desempenho das suas diversas tarefas. Apesar de haver "especialistas", há também a liberdade para trocas posicionais pontuais, sem que, porém, se perca a ordem colectiva. Algo que se observa sobretudo na dinâmica em posse. Depois, e ainda dentro do campo colectivo, há também uma excelente percepção da importância do que deve ser feito em todos os momentos de jogo. Lucidez de critério em posse, noção da importância da relação tempo-espaço na reactividade à perda.

Depois, os méritos individuais. Porque o colectivo, afinal, faz-se de várias missões individuais. Aqui, há várias especificidades, pontos fortes e fracos entre todos os intervenientes. São conhecidos, óbvios, e dispensam grandes comentários. Mas há um ponto comum (especialmente quando jogam Fernando, Belluschi e Moutinho) que tenho realçado e que volto a fazê-lo, por ser realmente raro e importante: a intensidade e reactividade.

Uma explicação sobre os gráficos que usam dados estatísticos recolhidos ao longo de toda a Liga. O rendimento acumulado apresentado tem em conta todos os minutos de utilização e não faz a "normalização" que habitualmente utilizo para comparar rendimentos relativos. De resto, em relação à comparação entre os "motores" dos 3 "grandes", o Porto destaca-se sobretudo pela sua competência e consistência em todos os eixos de análise. Daí ser, com alguma distância, o que melhor rendimento garantiu.

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18.1.11

Porto - Naval: Análise e números

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Talvez não pareça, à partida, mas este não foi um jogo de características normais, tendo em conta aqueles que o Porto habitualmente disputa em sua casa. E não o foi, essencialmente, pela postura da Naval, que se apresentou muito agressiva em termos posicionais, dando menos tempo e espaço para a circulação de bola, tão típica no jogo portista. Na prática, o resultado não foi muito bom para a equipa da Figueira, com a qualidade do Porto a ser suficiente para encontrar várias situações de golo ao longo do jogo. Aliás, talvez a Naval se possa dar por satisfeita porque, dado o espaço que concedeu nas suas costas, o resultado poderia ter sido bem mais pesado do que aquele que se observou.

Notas colectivas
Para sustentar o carácter algo atípico do jogo portista, basta atentar a alguns dados muito claros: o Porto realizou, neste jogo, a sua partida em casa com menos passes completados e menor % de sequência dada a cada posse de bola. O motivo para tal constatação, perante uma equipa, em teoria, das mais incapazes de discutir o domínio do jogo, está, como referi antes, na opção estratégica da Naval. A sua linha defensiva teve um comportamento altamente agressivo, subindo muito, abrindo espaço nas suas costas mas também reduzindo substancialmente a zona onde o Porto faz a construção das suas jogadas. A consequência disto foi um tipo de jogo mais verticalizado e menos trabalhado, onde cada jogada precisava de menos passes até chegar à sua conclusão. Quem experimentou estratégia idêntica no Dragão foi o Leiria, mas desta vez o Porto não esteve tão inspirado no aproveitamento do espaço que havia nas costas da defensiva contrária.
Ainda em relação à Naval, importa dizer que a sua atitude agressiva em termos posicionais não teve sempre a melhor organização. Não só na fundamental sincronia da última linha, mas também na forma como, por diversas vezes, o seu curtíssimo bloco não se conseguiu ajustar ao posicionamento da bola para manter uma presença pressionante sobre o portador da bola. E, como se sabe, só é possível jogar-se com espaço nas costas se a pressão sobre a bola for sempre conseguida. Caso contrário, pode ser suicídio.

De resto, e termino por aqui em relação à Naval, a sua qualidade com bola também não foi muito boa, vivendo sobretudo de alguns rasgos individuais de Fabio Júnior que, porém, lhe chegaram a dar uma soberana oportunidade para complicar as contas portistas. Não que chegasse para a surpresa – isso nunca saberemos – mas porque, dadas as circunstâncias, a eficácia era um elemento obrigatório para quem queria sonhar.

Quanto ao Porto, e apesar do tal bloco curto da Naval, é notável a movimentação que existe em ataque posicional, com a equipa a encontrar situações de liberdade, mesmo dentro das apertadas linhas do seu opositor. Foi, creio, um bom jogo da equipa em vários parâmetros, ficando apenas a dever a si própria alguma qualidade de definição no último terço para atingir uma expressiva goleada. É que as condições estavam criadas.

Uma nota em relação ao meio campo portista. Parece haver uma intenção de usar as características mais ofensivas de Guarin, dando mais liberdade ao “pivot”, e, para isso, mantendo Moutinho numa posição de maior proximidade com essa zona. Quer no equilíbrio posicional, quer mesmo numa fase de construção, onde Moutinho aparece muito mais do que Belluschi junto dos centrais. Por outro lado, Belluschi tem uma presença mais próxima das linhas ofensivas, aparecendo menos numa primeira fase de construção, mas mais no espaço entre linhas e dando largura à direita em situações de variação de flanco. São comportamentos já vistos noutras ocasiões, mas que creio serem mais notórios e conseguidos nos últimos jogos, com Guarin como “pivot”. Resta saber, porém, se esta opção se manterá noutro tipo de jogos onde, claramente, o colombiano não dá tantas garantias como Fernando em termos de segurança e presença posicional.

Notas individuais
Fucile – Regressou à esquerda, mas não teve muita sorte no ‘timing’ deste regresso. É que o jogo foi mais verticalizado do que é hábito, havendo menos apelo à inclusão dos laterais em termos ofensivos. Ainda assim, o grande reparo que lhe tem de ser feito é para a frequência absurda com que fica ligado a erros decisivos ou a grandes penalidades. Uma tendência para o desastre que se lamenta, porque é forte em quase tudo.

Otamendi – Não pode marcar com tanta frequência como vinha fazendo, mas vem-se revelando como a melhor opção para o lugar, e com alguma distância. Tem uma área de intervenção muito alargada e consegue ser dominador em todo esse espaço. Sente-se que gosta disso e que, por isso, também arrisca mais nas suas intervenções. O segredo para a sua evolução é calibrar melhor as bolas a que deve ir e aquelas em que deve ficar, assim como o risco que assume em cada posse de bola. É, a meu ver, o dilema tradicional dos centrais com maior potencial.

Rolando – Ao contrário de Otamendi, tem uma zona de intervenção curtíssima e impõe-se com muita dificuldade em termos defensivos. Mantém um perfil sóbrio, tem boa presença nas bolas paradas e é fiável com a bola nos pés, o que o faz errar menor e o iliba quase sempre de apreciações mais negativas. A meu ver, porém, o Porto deve pedir mais para esta posição.

Guarin – Voltou a fazer um bom jogo, sobretudo porque tem a capacidade de dar profundidade à sua intervenção. Mas não é – de longe – um jogador muito forte na missão posicional e de segurança que normalmente está reservada para a sua posição. Será interessante ver como Villas Boas gerirá a sua utilização ao longo da época.

Moutinho – Começou por ameaçar uma grande exibição, mas foi perdendo presença e acabou por estar menos participativo na segunda parte. A sua fiabilidade, no entanto, faz com que jogue sempre bem e penso que é boa ideia reservar-lhe uma missão mais focada no equilíbrio e na primeira fase de construção do que esperar dele uma grande influência no último terço.

Belluschi – Não começou bem, mas creio que terá feito uma das suas melhores exibições em termos globais. Esteve bem em posse, conseguiu várias recuperações importantes em zona alta e foi influente também no que a equipa conseguiu no último terço.

Hulk – Voltou a jogar a partir da ala, onde claramente rende mais. O ponto, porém, é que o momento de confiança é de tal ordem que não creio que alguma posição no campo o impedisse de marcar e ser influente. Que época!

João Real – Posicionalmente não dá para tecer grandes elogios, mas a sua capacidade interventiva foi absolutamente incrível. Fez um número absurdo de cortes, muitos deles em recuperação e decisivos. Diria que foi um “guarda redes de campo”, e muito graças a ele, não aconteceram mais golos.



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11.1.11

Porto - Marítimo (Análise e números)

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Não se pode dizer que a resposta foi brusca, mas foi seguramente uma boa reacção à primeira derrota da época, numa exibição que foi ganhando qualidade e consistência, acabando por se saldar como muito positiva. Na verdade, jogando em casa, era um cenário que, como já havia escrito, se adivinhava. É que o Marítimo, tendo alguns bons jogadores, não tem andamento para repetir o prato do seu rival insular. Por mérito próprio e falta de competitividade interna, é de facto muito difícil uma equipa com a qualidade do Porto tropeçar 2 vezes seguidas.

Notas colectivas
Começando pelas opções de Villas Boas, houve alguma surpresa na adaptação de Hulk a uma posição central. Uma solução que, creio, tem muito mais a ver com a intenção de dar continuidade à aposta em James, mas que implicava algum risco. Não que Hulk não possa jogar a partir de posições centrais – já o fez no passado e com sucesso – mas porque o seu tipo de movimentação tem de ser muito diferente daquilo que acontece com Falcao, por exemplo. Implica não só maior mobilidade no trio ofensivo, mas sobretudo um relacionamento posicional diferente dos extremos, que habitualmente ligam muito mais os seus movimentos com laterais e médios mais próximos do que com o elemento mais central do ataque.

Não foi apenas por isto que o Porto sentiu algumas dificuldades numa etapa inicial, embora o crescimento da equipa tenha também coincidido com uma melhor relação de movimentos do trio ofensivo. Essencialmente, houve uma fase em que o Porto não conseguiu manter o jogo no meio campo adversário, como tanto gosta. Algo que resultou de uma qualidade e velocidade de circulação menos intensa, mas também de uma intenção do Marítimo de condicionar a saída de bola portista, obrigando a que se jogassem mais segundas bolas e tornando mais físico o jogo. Por incapacidade próprio ou por mérito portista, o facto é que o sucesso dessa intenção durou pouco.

Há um elogio que, não sendo novo, deve ser feito a esta equipa portista: a sua qualidade em organização ofensiva. A maior parte das equipas precisa de situações de ataque rápido e transição para atingir um grande número de jogadas de golo, mas o Porto parece ser capaz de jogar sempre perante adversários posicionados e organizados. O segredo, parece-me, está na combinação de 2 elementos: a qualidade de circulação e a tranquilidade com que aborda esse momento. Qualidade de circulação, pela velocidade e boa movimentação dos jogadores e da bola. Tranquilidade, pela forma como raramente se precipita neste processo, não caindo na tentação de uma verticalização imediata, mas procurando o melhor “timing” de entrada no bloco contrário. Este último aspecto talvez seja o mais raro em equipas que sentem muito a pressão de ter de chegar rapidamente ao golo.

Ainda dentro da qualidade de circulação, uma nota para o peso de Moutinho no inicio da construção. O Porto ganha muito mais quando é ele o protagonista do primeiro passe. Garante mais certeza e segurança do que Guarin, Belluschi ou Fernando, por exemplo.

Notas individuais
 Sapunaru – Normalmente gosto pouco de laterais ditos “defensivos”. Porque esse rótulo geralmente não resulta de um significativo acréscimo de fiabilidade defensiva, mas, antes sim, de uma substancial incapacidade para dar profundidade ao flanco onde jogam. O facto é que Sapunaru, dito “defensivo”, tem-no sido realmente. Muito certo nas suas acções com bola – sem grande capacidade de dar profundidade, é certo – e sobretudo muito forte no domínio que impõe na sua zona. Uma boa surpresa nesta temporada.

Emídio Rafael – Não repetiu, desta vez, a exibição errática frente ao Setúbal. Pode dizer-se que cumpriu, é verdade, mas também é um facto que foi tudo menos deslumbrante num jogo onde tinha boas condições para ser mais protagonista em termos ofensivos. Tem tido a sorte de ter boas oportunidades, mas ainda não se mostrou uma alternativa à altura de Álvaro Pereira.

Guarin – Foi o homem do jogo, conseguindo um protagonismo ofensivo raro para quem joga como “pivot”. Pode ter aumentado a dúvida sobre o titular do lugar nos próximos jogos, mas, se Guarin tem muito maior aptidão ofensiva do que Fernando, é também muito claro que não domina tão bem a posição como o seu rival pelo lugar.

Moutinho – Ao contrário do que muitas vezes se diz, não é sempre o jogador mais influente em termos quantitativos do meio campo portista. Mantém sempre uma bitola elevada e uma grande importância, mas não é sempre o mais influente. Desta vez, porém, foi-o claramente, protagonizando provavelmente a sua melhor exibição no campeonato. A única que rivalizará com esta será a que conseguiu na Madeira, frente ao Nacional. Foi o verdadeiro “dono do jogo” portista, batendo o seu recorde de passes e intercepções, e sendo ainda determinante em alguns lances ofensivos. Não marcou, nem assistiu, mas com este rendimento também não é preciso...

James – Percebe-se, pela idade e rendimento, tão declarada aposta. James correspondeu, aproveitando sobretudo bem a fase de maior exposição do Marítimo e acabou como um dos destaques do jogo. O seu rendimento, porém, não me parece ainda suficiente para que se possa esperar dele uma presença determinante sobretudo nas fases de definição do jogo. Veremos que tipo de confiança lhe trará o golo que marcou...

Hulk – Jogou a partir de posições mais centrais e teve dificuldade em ser tão influente como é hábito. Apareceu menos e com mais dificuldade de dar sequência às suas acções. Hulk, porém, está mesmo imparável e, mesmo assim, marcou um grande golo e fez uma assistência. Entre golos marcados e assistências, valeu 1,7 golos por jogo, em metade do campeonato. A equipa inteira do Sporting, por exemplo, só conseguiu 1,5!

Djalma – É um jogador a quem se projecta capacidade para mais altos voos. Correu muito e foi muitas vezes útil, mas foi, também, demasiadas vezes inconsequente com a bola nos pés. Para jogar a um nível mais elevado não são só precisas explosões, é preciso também critério nas decisões.



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21.12.10

Paços - Porto: Análise e números

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Tinha tudo para ser um teste difícil, e acabou por sê-lo, mesmo se começou por não parecer. A Mata Real é um marco especial do trajecto das equipas, especialmente das “grandes”. Porque na Mata Real há menos espaço e porque, na Mata Real, mora habitualmente uma equipa que sabe transportar o jogo para uma dimensão mais mais física e menos técnica do que habitualmente acontece. A Mata Real é um campo de futebol directo, e esse é um estilo pouco do agrado de quem tem na técnica uma vantagem competitiva. O problema é que, na Mata Real, quem não se adapta ao estilo, normalmente dá-se mal. Foi isso que quase aconteceu ao Porto. Não porque não se tenha tentado adaptar ao estilo, combatendo-o, mas porque, mesmo assim, teve dificuldades. Valeu-lhe, sobretudo, a madrugada do jogo.

Notas colectivas
Começo pela pergunta que provavelmente mais intrigará quem viu o jogo: porquê que as 2 partes foram tão diferentes? Como sempre, entendo que a complexidade do jogo relega a resposta para uma combinação de vários factores e não para o isolamento de alguns. Ou seja, a atitude do Paços foi diferente, com Rondon mais isolado na primeira parte, e a equipa menos bem posicionada para abordar as segundas bolas. Depois, porque a sua própria pressão foi mais baixa e menos agressiva sobre a primeira fase de construção portista. Ou seja, o Porto, com a sua qualidade em posse, fazia o jogo instalar-se no meio campo adversário e, mesmo quando perdia a bola, podia pressionar imediatamente, impedindo o Paços de subir no terreno – destaco aqui a diferença no primeiro passe de transição do Paços, na primeira parte sempre para trás, na segunda, muitas vezes para a frente.

A estes aspectos, mais de ordem táctica, há que juntar outros, de ordem emocional. Ou seja, o Porto abriu o jogo com uma ocasião a partir de uma bola parada. Isso pode ter condicionado a atitude dos pacenses, encolhendo-se mais perante as dificuldades. O mesmo se pode dizer do Porto da segunda parte. Ou seja, perante os primeiros sinais de reacção do Paços, a equipa não terá tido a resposta mais autoritária, encolhendo-se mais para proteger a zona à frente da sua defesa e sendo cada vez menos capaz de fazer subir o epicentro do jogo.

Talvez esse seja o aspecto que mais mereça reflexão por parte dos portistas: porquê tanto encolhimento? Gostaria de falar de 2 pontos a este respeito: o primeiro tem a ver com a entrada de Souza. A estratégia foi proteger a zona à frente dos centrais, particularmente à esquerda. Compreende-se, dados os primeiros sinais do Paços, com o posicionamento de Di Paula mais próximo de Rondon, mas terá também sido um sinal de recuo lançado à própria equipa, a colocação de um jogador com uma missão estritamente posicional, e com tanto tempo por jogar. O Porto tem jogadores cultos tacticamente e poderia ter mantido a estrutura, pedindo apenas um posicionamento mais prudente à sua linha de 3 médios. Por exemplo, fazendo Moutinho – que tem melhor sentido posicional – jogar pela esquerda e mais próximo de Guarin. Isto leva-me ao segundo ponto, que tem a ver com a saída em transição e com a profundidade da mesma. Ou seja, perdendo um extremo – e contando também com algumas más decisões individuais – o Porto esteve demasiado tempo sem capacidade de se fazer sentir junto da baliza contrária. Isto, aparentemente, pouco terá a ver com as dificuldades de controlo continuado, mas a verdade é que, regra geral, quando uma equipa se sente ameaçada também tem menos confiança nas acções ofensivas posteriores. Era importante que o Porto tivesse conseguido de forma mais regular o aproveitamento do espaço em transição, e isso não aconteceu.

Uma nota sobre o Paços que teve, de facto, muito mérito naquilo que aconteceu na segunda parte. Atitude, agressividade e, em alguns momentos, qualidade. Destaco o trabalho de Rondon, que não sendo um jogador alto, conseguiu servir de referência às primeiras bolas, e também Leonel Olímpio, que é um jogador forte, tanto tecnicamente como em agressividade: um jogador, talvez, a merecer uma análise de clubes de outra dimensão, mesmo tendo em conta a idade.

Notas individuais
Sapunaru – Está, de facto, a fazer uma boa época. Surpreendentemente. Não creio que mereça o estatuto de “titular”, como Álvaro Pereira merece à esquerda, por exemplo, já que Fucile, apesar de alguns erros que recorrentemente repete, é muito mais forte em vários aspectos. Ainda assim, num jogo destas características, não havia dúvidas quanto à maior adequação do perfil de Sapunaru.

Otamendi – Não esteve isento de erros, mas estes foram apenas sombras na exibição que conseguiu. Jogos de luta, a pedir intervenções constantes, são o que mais gosta. Ganhou um número imenso de bolas e deu boa sequência a grande parte do jogo que por si passou - muitas vezes, diga-se, em situações nada fáceis. É curioso comparar-se o nível de intervenção dos 2 centrais. Parece que jogaram jogos distintos, mas não, é sobretudo uma questão de perfil. Algo que, de resto, já venho alertando há bastante tempo.

Guarin – Esteve sempre na “luta” do meio campo, com entrega e carácter. Ganhou muitos duelos, mas teve também alguns erros – demasiados – com potencial prejuízo para a equipa. Não aconteceu, mas quem joga na sua posição tem de garantir mais segurança.

Belluschi – Não fez um jogo extraordinário, sobretudo porque não desequilibrou. Mas, no que respeita à capacidade de trabalho e qualidade, foi mais uma prova de que é muito mais do que um simples criativo. Voltou a não ser tão certo no passe como Moutinho, mas voltou também a mostrar a sua maior capacidade interventiva. Algo que já não pode surpreender quem anda minimamente atento...

Hulk – Voltou a ser o elemento mais determinante nos desequilíbrios ofensivos. A sua capacidade individual é enorme, como facilmente se percebe, e tem também uma boa atitude defensiva. O problema dele continua a ser algum deslumbramento em certas fases do jogo. Por vezes pede-se mais lucidez e objectividade na entrega e se Hulk tivesse sido mais capaz nesse aspecto em algumas transições da segunda parte, talvez o jogo não tivesse sido tão difícil.

James Rodriguez – Teve um enorme aproveitamento do jogo que por si passou e até colocou uma bola soberba, que isolou Falcao – mais uma vez, o seu pé esquerdo é a sua arma. Mas passou demasiado tempo longe do jogo, não sendo muito prestável sem bola, nem muito presente com ela. Este era um jogo em que era preciso mais luta e ele até tem essa capacidade de trabalho. Tem tempo, repito...

Walter – Apenas uma nota para referir que me parece totalmente errado fazer uma associação linear entre a sua presença em campo na segunda parte e as maiores dificuldades sentidas pela equipa. Não que tivesse feito um grande jogo, ou que Falcao não pudesse ter dado mais à equipa. Não é isso. Simplesmente, não foi por ele. Marcou, é verdade, mas continuo à espera das suas “bombas”. Parece retraído, demasiado preocupado em ser generoso, mas quando se tem o seu poder de remate, a meu ver, há que incentivar um pouco mais a sua utilização...



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9.11.10

Porto - Benfica: Análise e números

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A emotividade que o próprio jogo acarreta conduz sempre a uma exacerbação da análise que é feita à posteriori. Tudo em função daquilo que, afinal, é o que mais importa para todos: o resultado. Neste caso, “baile”, “banho”, “vergonha” ou “incompetência”, são palavras que, ora pela positiva, ora pela negativa, surgem com frequência no léxico do pós-jogo, mas que são muito mais o reflexo de um sentimento final do que da síntese objectiva do jogo em si. Quero eu com isto dizer que a goleada portista surge como consequência de um jogo excepecionalmente perfeito de uma das equipas, perante a impotência da outra. “Perfeito”, não por um eventual massacre, mas, “perfeito”, pela ausência quase total de erros e pela eficácia plena no aproveitamento ofensivo. “Impotência”, não por um demérito extremo, mas, “impotência”, por uma incapacidade, até certo ponto normal, de contrariar a força do adversário. Porque, se foi seguramente o pior resultado da equipa, este está longe de ter sido jogo menos conseguido que o Benfica fez.


Notas colectivas: Porto
A palavra “perfeição” ajusta-se na plenitude à exibição. O plano de jogo foi cumprido à risca, como muito raramente acontece. O objectivo, claro, nunca é golear, mas ganhar de forma controlada. O Porto goleou porque foi excepcionalmente eficaz, mas nunca perdeu o controlo do jogo e do adversário. Nem no inicio, quando as coisas ainda estavam iguais. Nem no meio, quando o Benfica ainda pensava reagir. Nem, tão pouco, no segundo tempo, quando, com o jogo “no bolso”, poderia haver alguma tendência para o facilitismo. Por tudo isto, digo que foi perfeito.

Podemos falar dos aspectos tácticos, e eu já várias vezes o fiz. Na forma como a
equipa procurou neutralizar o adversário com uma zona de pressão concentrada, agressiva e densa, que partia da linha média, mas que crescia no campo. Com uma primeira fase do pressing que tentava orientar e facilitar o trabalho dos recuperadores. Com uma transição preparada a partir dessa zona de recuperação e que potenciava os desequilibradores da equipa. Com Sapunaru mais prudente, mantendo equilíbrios no corredor quando em posse. Com Belluschi a colmatar a prudência do lateral e a ser o elemento de desequilíbrio junto de Hulk. Com uma posse paciente e confiante, capaz de decidir bem e envolver com segurança a primeira linha de pressão do Benfica.

Podemos falar de tudo isto, mas o aspecto que mais quero destacar é o aspecto emocional. A equipa vem sendo consecutivamente trabalhada neste aspecto por Villas Boas, desde o inicio de época. Mais do que aspectos físicos ou delírios tácticos, Villas Boas tem gerido meticulosamente os índices mentais dos jogadores e da equipa. O reforço consecutivo da equipa e dos protagonistas na sua proposta de jogo conduziu a um crescendo de confiança que, em combinação com a qualidade e o talento, fazem desta uma equipa altamente lúcida e capaz de interpretar com grande segurança todos os momentos de jogo. Uma equipa, também, e por consequência, anormalmente eficaz no aproveitamento das situações que cria no jogo.

O Porto goleou e transformou-se rapidamente na melhor equipa do país, muito pela confiança que soube adquirir e cultivar. Hoje tira partido disso e, se a souber continuar a trabalhar e valorizar, não é de excluir a hipótese de uma “limpeza” de títulos esta temporada.

Notas colectivas: Benfica
Tal como havia antevisto, Jesus mexeu, como gosta de mexer nestes jogos. Manteve o 4-4-2 clássico com que vencera o Lyon e, também algo previsivelmente, recompôs a ala esquerda e escolheu 1, entre Saviola e Aimar. Seria uma “vitória táctica”, se tivesse corrido bem, ninguém duvide. Assim, como aconteceu tudo ao contrário, Jesus é, por estes dias, uma das pessoas que menos percebe de futebol em Portugal.

Vamos por partes. Começando pelo flanco esquerdo, creio que se justificava uma óbvia preocupação com Hulk e, noutras circunstâncias, não seria descabido utilizar David Luiz à esquerda. O ponto é que, por um lado, era preciso ter cautelas na exposição em transição e, por outro, era óbvio que a capacidade individual de Hulk mereceria cautelas especiais, mesmo em ataque organizado. O erro está muito mais na forma como se tentou parar Hulk do que na escolha dos protagonistas. Ou seja, Hulk teria de ser parado zonalmente e não individualmente. Com situações de cobertura defensiva e não pela crença numa performance heróica no duelo individual.

O grande problema da utilização de David Luiz não está em alguma perda de capacidade de resposta defensiva em relação a Coentrão. Está, isso sim, naquilo que implicaria por arrasto. Ou seja, mexer de mais, noutra zona da defesa, e mexer num jogador que tem um peso relevante na forma de jogar da equipa, em todos os seus momentos. Porque, de resto, percebe-se a preocupação de Jesus em termos individuais. Ou seja, “prender” Coentrão seria perder uma mais valia ofensiva. O facto – e isto é muito mais fácil de ver depois – é que perdeu David Luiz e acabou por perder também o próprio Coentrão, que fez um jogo péssimo.

Quanto ao resto, ao 4-4-2 clássico e à opção de deixar Saviola de fora, sou critico sobretudo em relação à opção individual. Saviola é o jogador que mais problemas cria em termos de movimentação e, mesmo se vem caindo em termos de confiança e rendimento técnico, está longe de ser um elemento discutível no onze. Manter um elemento com as características de Kardec/Cardozo e retirar um elemento mais criativo é uma opção que acho discutível mas que há muito faz parte da filosofia de Jesus. O Benfica já se deu muito bem com isso e não acho intelectualmente honesto que seja agora crucificado por isso.

Importa dizer, com tudo isto, que o Benfica fez um jogo bem menos errático do que na Supertaça, em Guimarães ou em Lyon. Foi goleado porque, simplesmente, encontrou do outro lado uma equipa inabalável mentalmente e que puniu todos os erros que provocou. Como disse no inicio, este esteve longe de ser o jogo menos conseguido da equipa.

Por fim, discordar de uma ideia que agora vem sendo muito passada, com o habitual exagero destas alturas. Diz-se que o Benfica jogou em função do Porto, mas essa critica tem de definir melhor os seus limites. Todas as equipas se adaptam perante adversários mais fortes e o próprio Porto o fez, estrategicamente. Uma coisa, porém, é alterar a estratégia e ajustar comportamentos, outra é mexer estruturalmente, passando por cima da própria identidade da equipa. Concordo que Jesus terá roçado esse limite, mas nunca que o tenha ultrapassado de forma clara.

Notas individuais: Porto
Sapunaru – Se alguém tem dúvidas sobre o que pode fazer a confiança, repare-se no rendimento de Sapunaru. Ganhou mais bolas do que qualquer outro jogador na partida e não teve 1 erro que se identifique.

Moutinho – Ser o “relógio” em alguns jogos de menor grau de dificuldade é uma coisa, nestes é outra. Não esteve nos desequilíbrios, mas foi, de longe, o jogador mais influente no meio campo. Isto é um grande elogio, por ser frente ao Benfica, mas também porque, ao contrário do que muitas vezes se diz, nem sempre é assim.

Belluschi – Um pouco em contra-ciclo com Moutinho. Ou seja, foi um jogador importantíssimo na definição do jogo e nos desequilíbrios, mas no resto esteve um pouco abaixo do que lhe é possível e habitual. Mas aqui, e também em contra-ciclo com Moutinho, o crédito que lhe é normalmente dado também é bastante inferior àquele que merece.

Hulk – Foi o herói do jogo e será seguramente o herói deste campeonato. Mais palavras para quê? Está à vista de todos...

Notas individuais: Benfica
David Luiz – Foi o vilão do jogo, mas injustamente. Não que tivesse estado bem, mas porque esteve longe de ter sido por sua causa que o jogo se decidiu. Ou seja, parar Hulk com 15 metros nas costas é algo que não se pode pedir a ninguém. Seria ele ou outro qualquer. No segundo golo tem responsabilidade na origem do lance, mas a sequência, mais uma vez, transforma-o mais em vitima do que réu, pela forma pouco solidária como a equipa respondeu.

Sidnei – A contabilidade estatística não lhe faz justiça. Esteve envolvido nos 3 primeiros golos com comportamentos colectivos errados – se é responsabilidade individual ou colectiva, já não posso afirmar – e não justificou minimamente a confiança. É muito jovem e tem evidente potencial, mas desfazer a dupla Luisão-David Luiz custou caro.

Luisão – Prejudicou gravemente a equipa com a sua expulsão, tendo, provavelmente desencadeado a goleada. Foi notório, pela linguagem gestual ao longo do jogo, que a frustração o estava a afectar. É pena, porque sabe mais, e porque estava a ser o melhor da equipa até à expulsão.

Carlos Martins – A sua presença foi importante. A equipa criou mais opções na saída de jogo e o Porto não provocou tantas perdas de bola nessa situação como na Supertaça, por exemplo. Depois, esteve também combativo e útil no trabalho de meio campo – o que nem sempre acontece. Só o medo de uma expulsão justifica a sua substituição.

Salvio – Para mim – e apesar de não ter feito um grande jogo – é mais um bom sinal que dá. Esteve bem tecnicamente num jogo muito difícil e, para além disso, demonstrou também óptima atitude e intensidade sem bola. Justifica uma continuidade na aposta.

Coentrão – Em absoluto, um jogo para esquecer. Primeiro como médio, forçou demasiado e perdeu sempre perante a maior solidariedade portista. Depois, como lateral, teve um erro decisivo ao entregar a bola a Hulk, possibilitando 1x1 que resultou no penalti. Acontece, e não é por isso que tem de deixar de ser um dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial.



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19.7.08

Porto: As notas do empate em Hannover

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Tanto do ponto de vista do entretenimento como do ponto de vista do rendimento colectivo portista, este foi um jogo que ficou aquém das expectativas. O ritmo baixo, mais próprio de um treino de conjunto, foi sempre o padrão do jogo, independentemente das suas diversas e muito diferentes fases. Este facto não deve, de forma nenhuma, preocupar os adeptos portistas que encontrarão, por exemplo, na temporada passada um inicio de época muito semelhante nesse aspecto, e que não impediu a equipa de entrar bem no campeonato.
Descontando este aspecto do ritmo de jogo, havia dois aspectos que poderiam trazer algum interesse para se desvendar em que ponto estará o caminho das opções de Jesualdo até ao inicio oficial da época. O sistema de jogo e as novas individualidades.

Sistema: 4-3-3, com 1 ou 2 pivots
No Porto tem-se falado, desde há algum tempo, na possibilidade de Jesulado mudar para o 4-4-2. Pessoalmente, creio muito pouco nessa opção porque essa mudança poderia afectar alguns fundamentos do jogo portista actual, obrigando a equipa a voltar em alguns aspectos a uma espécie de “estaca 0” ao nível da sistematização de processos, um esforço talvez exagerado para quem vem evoluindo positivamente no modelo que utiliza o 4-3-3 como sistema.
Por isso, creio que o Porto se apresentará em 08/09, de novo, em 4-3-3, com 1 pivot defensivo no meio campo, e tendo como alternativa o duplo-pivot que, embora aparentemente possa parecer um contrasenso, é uma opção mais ofensiva, partindo mais o jogo. Estas foram as opções já apresentadas em 07/08 e, frente ao Hannover, Jesualdo apresentou-as, uma na primeira parte e outra na segunda. Com princípios já bem definidos e que vêm de trás importa sobretudo testar o “encaixe” das novas individualidades nos perfis em aberto e esse será nesta altura o grande objectivo de Jesualdo antes de tomar opções, quer no que respeita às individualidades, quer no ajustamento de alguns processos que possam tirar melhor partido das características dos jogadores.
Reforços
Sapunaru – É cedo ainda para tirar ilações sobre a qualidade deste lateral. Uma coisa, no entanto, parece evidente. O seu perfil será forçosamente diferente do de Bosingwa e o Porto não contará com o efeito ofensivo do actual jogador do Chelsea. Esta é uma alteração que pesará nos processos colectivos, já que a equipa vinha estrategicamente assumindo comportamentos para libertar o corredor para as descidas de Bosingwa.

Rolando – Parece-me igualmente precoce fazer uma análise profunda à qualidade e integração de Rolando. A sua presença parece ser uma aposta a ter em conta para o inicio de temporada, rendendo Pedro Emanuel e dando à defensiva uma característica que vem perdendo desde a saída de Pepe: capacidade de recuperação.
Guarin – Foi curioso ver a diferença de comportamentos num meio campo com 1 pivot e com 2. Claramente Guarin não parece habituado a jogar numa função tão posicional, preferindo ter mais liberdade. Claramente, também, Jesualdo quer para ali um jogador que tenha uma amplitude de acção reduzida para manter protegida aquela zona fundamental e fazer a ligação entre a defesa e a linha média. As instruções para Guarin devem, neste sentido, ter sido claras, tão claras que o colombiano se revelou tão preso de movimentos que se tornou facilmente neutralizado pelo adversário, não criando linhas de passe na construção durante o primeiro tempo. É, obviamente, importante que Guarin evolua no desempenho desta função, já que é nele que se depositam esperanças para substituir Assunção.
Tomas Costa – Aparenta ter qualidade mas, tal como se previa, as diferenças entre o modelo portista e o do Rosário Central estão a ser o principal entrave a um maior impacto na equipa portista. Como ala, apareceu mais vezes a oferecer soluções em posse e muito pouco a dar profundidade. Por isso, no primeiro tempo, o Porto atacou sobretudo sobre a esquerda. O tempo encarregar-se-á de lhe mostrar onde e como caberá neste Porto.
Benitez – Também pouco a dizer sobre uma exibição com pouca exigência. Não pareceu ser uma solução para acrescentar muito ao plantel, mas é cedo para conclusões.

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