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1.2.11

Liedson e David Luiz

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Liedson
Quando um jogador marca durante tanto tempo um clube, a decisão sobre a sua saída torna-se em algo que vai para além do âmbito desportivo. Liedson é um desses casos.

De facto, não sei qual é a situação financeiras da SAD leonina, mas salvo qualquer urgência desconhecida esta é uma decisão no mínimo discutível. Primeiro, porque no plano desportivo Liedson continua a ser uma mais valia clara para a equipa. Exagerando, é mais fácil uma equipa controlar Saleiro e Postiga, juntos, do que Liedson, sozinho. Ou seja, não faz sentido discutir se Liedson merece o alto salário que o Sporting se comprometeu a pagar-lhe. O ponto é se o Sporting tem ou não capacidade para pagar tal verba a um jogador. Porque, se tiver, Liedson, pelo que garante em termos de rendimento, teria de ser sempre um dos que justificaria estar no topo da pirâmide salarial. De qualquer forma, há sempre uma incongruência em achar-se que Liedson é um jogador caro depois de, 1 ano antes, se ter decidido oferecer valores semelhantes a Sinama Pongolle.

Mais indiscutível, porém, é a falta de sentido da estratégia do Sporting na gestão dos seus direitos desportivos sobre Liedson. Decidir manter o jogador, fazer um esforço financeiro para tal e, dois anos depois, abdicar dele por cerca de 1/4 do valor que então recusara, é um acto de gestão sem qualquer sentido. Indiscutivelmente!

Face a tudo isto, a única boa notícia para o Sporting foi que os responsáveis pelo futebol do Sporting não tenham tido tempo para arranjar um substituto para Liedson. Uma escolha e negociação em contra relógio seriam sempre um pronúncio de asneira.
De resto, Liedson vai para bem melhor. Brasil e Portugal são países irmãos em muitos pontos culturais, mas estão em pólos opostos no que respeita à forma como lidam com craques em final de carreira. No Brasil, há uma valorização várias vezes desmesurada desse tipo de jogadores. Em Portugal, ao contrário, o bilhete de identidade é mesmo sinónimo de preconceito na opinião que é tida sobre o valor desportivo dos jogadores. Liedson, ele próprio, vinha sendo um exemplo disso mesmo. Numa altura em que o futebol do Sporting roça os padrões mínimos de mais de 1 década, era Liedson que estava velho e a equipa que se ressentia disso. Quando, a meu ver, era Liedson quem, muito mais, se ressentia da equipa onde jogava.

Para final, 3 perguntas:
- Será este, também, o final de Liedson na Selecção Nacional? Espero que não...
- Estarão criadas as condições para que Sá Pinto regresse ao Sporting?
- Numa era cada vez mais volátil, quanto tempo demorará o Sporting a ter outro avançado que marque mais de 150 golos com a sua camisola?

David Luiz
Do ponto de vista da gestão dos direitos que tinha sobre o jogador, este era um desfecho inevitável e, mais milhão, menos milhão, seriam sempre estes os valores a definir o negócio. Estamos a falar de um jogador cujo valor ultrapassou muito claramente os limites do futebol português. Ao Benfica mais não restava do que tentar gerir bem a absorção de uma mais valia financeira, mas também de uma perda desportiva.

Já o referi no comentário do jogo com o Nacional: a perda de David Luiz deverá ter consequências a nível desportivo. Se o central chegou onde chegou, não se pode esperar que, de repente, a equipa não sinta a sua ausência. Para já, o candidato é Sidnei, que, para além de não ser menos errático do que David Luiz, é também um jogador com muito menos capacidade em termos defensivos. Quer pelas suas capacidades individuais, quer pelo seu entrosamento no posicionamento colectivo. Sidnei pode melhorar, mas não me parece liquido que tal aconteça. A outra alternativa é Jardel, sobre quem não fiz uma avaliação suficientemente detalhada para emitir uma opinião definitiva.

Mas importa abordar também o jogador, a sua evolução e futuro. David Luiz foi sempre um jogador mal compreendido e muito criticado, mesmo já depois de ter dobrado o cabo das tormentas da sua carreira no Benfica. No entanto, sempre teve um potencial tremendo – recordo o que escrevi aqui depois de um derbi negro para ele. Curiosamente, David Luiz é um bom exemplo daquilo que escrevi aqui ontem sobre o potencial individual de jogadores defensivos que, tantas vezes, é mal avaliado pelos erros que cometem. David Luiz teve a sorte de ter encontrado o treinador certo e o modelo certo e aquilo que aprendeu não só lhe abriu as portas para outra dimensão, como provavelmente será o complemento que faltava para fazer dele um dos melhores centrais da sua geração.

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6.12.10

Benfica - Olhanense: Análise e números

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A pouca exuberância da exibição encarnada é tão indiscutível como a justiça da vitória. Ou seja, se é evidente para todos que furar o bloco algarvio não foi tarefa fácil, também fica bastante claro que foi sempre o Benfica quem teve o domínio do jogo. Aliás, de forma crescente no jogo. Neste contexto, haverá alguns dados quantitativos que deverão surpreender quem viu o jogo. Dados que evidenciam o tal domínio encarnado, mas que, bem vistas as coisas, faziam já parte do “filme” que estava preparado para este jogo.

Notas colectivas
Começando então pelos números: o Benfica conseguiu seu o maior número de passes completados num jogo, nesta liga. Conseguiu também a maior % de sucesso ao nível do passe, aqui com uma distância substancial em relação ao anterior máximo colectivo (76%, frente ao Paços). Tudo isto se torna um pouco mais normal se analisarmos o que o Olhanense havia feito, tanto no Dragão, como em Alvalade. Ou seja, também nesses jogos havia permitido uma enorme quantidade de passes aos adversários (mais de 400), mas havia também limitado a sua capacidade de desequilíbrio no último terço. Aliás, é de assinalar que Porto e Sporting conseguiram menos ocasiões frente à equipa de Olhão do que o Benfica.

Fica fácil de perceber, por estes números, que a proposta de jogo do Olhanense dificilmente causaria problemas à circulação baixa do Benfica – nunca causou. Mas é também fácil perceber que as dificuldades do Benfica no último terço não são apenas consequência de demérito próprio, mas o destino natural de quem defronta uma equipa tão confortável a jogar “em cima” da sua área, como é o caso do Olhanense.

O jogo só não teve uma toada mais monótona, logo desde o inicio, porque na primeira parte o Olhanense permitiu-se dar profundidade a algumas transições, colocando em sentido a defensiva encarnada. Situações que tiveram sempre origem em recuperações baixas, mas que, ou por displicência em posse, ou por desequilíbrio posicional do Benfica, acabaram do outro lado do campo, perto da baliza de Roberto. Algo que o Benfica corrigiu com o tempo, particularmente na segunda parte, controlando melhor o momento de transição do Olhanense e tornando-se mais seguro em construção – aqui, com a contribuição da maior segurança dada por Carlos Martins.

Corrigido esse problema, controlado o Olhanense e encontrado o caminho do golo – desvendado por Moretto – o jogo ficou realmente monótono. O Benfica continuou a tentar, Jesus experimentou algumas variantes ofensivas, mas a toada nunca fugiu da repetição de ataques posicionais perante um bloco baixo mas pouco permeável. Perante este cenário, o segundo golo explica-se pela aplicação do ditado da “água mole em pedra dura”, terminando assim com o jogo e com quase todo o interesse que o mesmo poderia ter.

Notas individuais
Maxi – Chegou tarde e não começou bem. Mas Maxi é um bom lateral, capaz de valer muito mais do que tem valido. Frente ao Olhanense fez, finalmente, um grande jogo. Estatisticamente foi o jogador mais participativo e teve, na segunda parte, um papel importante no controlo do primeiro passe de transição do Olhanense.

Coentrão – Continua a ser um excelente lateral, mas perdeu grande parte da sua confiança no jogo do Dragão. De lá para cá – e já vamos com 3 jogos – não foi protagonista de 1 só desequilíbrio ofensivo. Desta vez, Jesus até tentou abrir-lhe caminho, colocando Amorim muito tempo do seu lado, mas não foi desta que Coentrão voltou a explodir. Tem tempo...

David Luiz – Outro que, como Maxi, fez a sua melhor exibição em termos globais, na liga. Tem sido muito criticado e, de facto, não tem sido uma época condizente com o seu potencial. Estou de acordo até certo ponto, mas há muito exagero nas apreciações que lhe têm sido feitas. Muito, mesmo!

Javi Garcia – Continuo a pensar que não dá as melhores garantias para o lugar. É culto em termos posicionais e forte nas primeiras bolas. Mas não é, nem dominador na sua zona, nem seguro em posse – todos os jogos acumula perdas de bola em zona de construção. Numa equipa que procura tantas vezes verticalizar e que perde, por isso, noção da segurança em zona de construção, não era mal pensado se Jesus procurasse uma solução que oferecesse à equipa mais segurança e presença na construção.

Aimar – Permanece longe do rendimento da época passada e parece-me discutível se deve ser titular, tendo em conta o rendimento que vem apresentando. Fala-se muito nas alas do Benfica, mas parece-me que é no eixo Garcia-Aimar que o Benfica mais tem a perder em relação ao ano passado. Muito mais, aliás!

Gaitan – O mito de que é um jogador de corredor central, desfaz-se em 2 constatações. A primeira é que um jogador de corredor central não pode construir em transporte de bola, como faz Gaitan. As suas investidas em zona central podem desequilibrar, mas têm de ser controladas porque continua a perder algumas bolas de forma proibitiva quando aparece em construção (creio que foi por isso que saiu). A segunda constatação tem a ver com a sua capacidade de cruzamento: é o jogador que, para mim, melhor cruza no futebol português e isso é suficiente para lhe valer uma capacidade de desequilíbrio acima da média.

Ruben Amorim – Diz-se que a equipa ganha equilibro com a sua chegada. Concordo, sim, mas faço uma nota idêntica à que utilizo sempre com Moutinho. Ou seja, Amorim não é um jogador excepcional em nenhum aspecto específico. É, isso sim, um jogador útil em tudo. Tem uma óptima percepção táctica e posicional, quer ofensivamente, quer defensivamente, é seguro em posse e tem boa capacidade de trabalho. Neste momento, ninguém combina tudo isto no meio campo do Benfica.

Cardozo – Duvido que haja algum avançado no mundo que não jogue melhor quando marca golos. Desde que regressou, Cardozo está mais participativo (embora ainda não muito) e, sobretudo, bem mais inspirado e eficaz (não falo de golos, mas de todas as acções).

Paulo Sérgio – O Olhanense tem outros jogadores a observar, mas este mereceu-me especial atenção. Foi muito importante na melhor fase colectiva, aparecendo bem em transição e transportando a equipa para alguns ataques rápidos. Jogou muitas vezes solto e revelou boa capacidade de movimentação, boa intensidade sem bola e um notável critério com ela. Não lhe faço com isto uma avaliação definitiva, mas creio que nesta altura da sua carreira merece uma análise cuidada de clubes maiores...



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16.11.10

Benfica - Naval: Análise e números

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“Foi um bom espectáculo”. A frase é empregue frequentemente mas nem sempre com a justiça com que este jogo a mereceu. Um “bom espectáculo” não quer dizer forçosamente que tenha sido um “bom jogo”, ou que o seu interesse tenha sido por aí além. Enfim, será mais uma questão de gosto do que outra coisa. A mim, pessoalmente, interessa-me mais o critério, a estratégia e racionalidade colectiva. Também gosto mais do espectáculo, claro, mas quando este resulta do mérito e não tanto de algum desleixo na abordagem que é feita ao jogo. E esse foi, a meu ver, um pouco o caso deste Benfica-Naval. Um “bom espectáculo”, muito mais do que um “bom jogo”. No fim, ganhou o Benfica e por larga diferença. Uma diferença que se justifica pelo volume ofensivo, mas que poderia ter sido atenuada com um golo que a Naval também não deixou de justificar.

Notas colectivas
Como se explica então o ritmo de parada e resposta que se viu durante muito tempo, nomeadamente na primeira parte? Sem tirar mérito – que o houve – às acções ofensivas, há que falar daquilo que as defensas não fizeram. Isto porque, se a Naval tem aspirações de retirar pontos a um “grande”, não pode cometer tantos erros na sua linha mais recuada e, por outro lado, o próprio Benfica não pode esperar deixar de passar por sobressaltos se não se acautelar melhor defensivamente.

Em relação ao Benfica, já acontecera a mesma situação com o Paços, que também conseguira um número de finalizações elevadíssimo na Luz. Desta vez a origem não é exactamente a mesma, porque o Paços conseguira impedir o Benfica de sair a jogar através de um pressing mais alto que forçou o Benfica a bater bolas longas e a disputar um jogo mais físico no meio campo. Desta vez, a origem não se repetiu mas o “meio” foi o mesmo.

Ou seja, o Benfica foi, é e continuará a ser uma tacticamente forte. Muito forte, mesmo. Posiciona-se muito bem em todos os momentos e reage rapidamente a todas as mudanças de situação no jogo. O problema é que o modelo de Jesus é bastante exigente porque arrisca sempre muito quando em posse da bola. Opta por uma circulação muito vertical e não hesita em colocar muita gente nos processos ofensivos. Neste sentido, o maior problema desta época – como várias, e várias vezes tentei explicar – está na segurança do passe na zona de construção. Ou seja, perdendo a bola em zona não muito alta, torna-se muito difícil lidar com a transição ataque-defesa, mesmo se a reacção colectiva me parece francamente boa após a perda. Foi isso que custou derrotas como as da Supertaça, de Guimarães, frente a Schalke ou Lyon.

Contra a Naval isso não aconteceu com especial frequência ou gravidade, mas houve alguma displicência na forma como a equipa defendeu, empregando pouca agressividade em duelos individuais que, sendo sucessivamente perdidos, abriram caminho às ocasiões que todos observamos na primeira parte do jogo.

Quanto à Naval, para além de ter permitido muitas ocasiões por parte do Benfica – normalmente uma goleada resulta de uma eficácia assinalável, mas este nem foi um desses casos – permitiu também que essas ocasiões fossem bastante claras. Para comprová-lo basta atentar a este dado: enquanto que no campeonato, o Benfica leva apenas, e média, 40% das suas finalizações à baliza, neste jogo 15 em 20 (75%) tiveram esse desfecho. De assinalar os inúmeros erros que a equipa cometeu no seu último terço, em particular na sua última linha defensiva.

Notas individuais
Coentrão – Não se pode dizer que tenha jogado mal, mas foi uma actuação francamente modesta e discreta para as suas potencialidades, e num jogo que tinha tudo para conseguir outro protagonismo. Pode ser coincidência, mas é impossível deixar de constatar que tal acontece no primeiro jogo após a hecatombe do Dragão.

David Luiz – Ao contrário do que aconteceu no Dragão, creio que a sua actuação deve ser censurada. A forma como abordou os duelos com Fábio Junior foi displicente e custou-lhe a perda de algumas situações proibidas e desnecessárias. Parece desleixo, e parece também estranho porque o aviso sobre a qualidade de Fábio Júnior já vinha do ano anterior.

Airton – Foi o jogador com mais passes completados, com mais intercepções e com maior % de passe da equipa. Um feito que Javi Garcia, nas 10 utilizações como titular nunca havia conseguido. Aliás, Garcia só por 2 vezes fez mais passes do que Airton neste jogo, e em nenhuma ocasião conseguiu tantas intercepções. O espanhol entenderá melhor o modelo e terá uma melhor noção posicional, mas não é, nem tão reactivo, nem tão forte nos duelos individuais, nem tão pouco tão certo no passe como Airton (apesar deste ter cometido 2 erros a este nível). Não digo que Airton só tenha vantagens, ou que o Benfica esteja mal servido com Javi, mas creio – já de há algum tempo, e com sucessivo reforço dessa ideia – que é o brasileiro quem garante melhor rendimento no desempenho do lugar.

Aimar – Fez provavelmente o seu melhor jogo no campeonato. Isto, porque o número de desequilíbrios que criou é incomparável com qualquer outra actuação na prova, ficando a dever a si próprio pelo menos 1 golo, que só por manifesta infelicidade não aconteceu. Ainda assim tenho uma critica a apontar-lhe. 60% de sequência em todas as posses que teve é muito pouco para quem joga ao longo de todo o corredor central. Aimar pode e deve trabalhar melhor o critério quando baixa para zonas onde o risco deve ser menor. E isso, assinale-se, já lhe custou, a ele e à equipa, alguns dissabores esta época.

Gaitan – Tivesse Gaitan outro nome e outra reputação e teria feito todas as manchetes do dia seguinte. Isto porque a sua exibição foi simplesmente estrondosa. Marcou 2 excelentes golos e ainda participou num total de 6(!) desequilíbrios da equipa. Para além disso, evitou erros que vinha comentendo em posse e teve um desempenho defensivo bastante bom, o melhor dos 5 jogadores mais ofensivos. Aliás, sobre isto importa dizer que Gaitan não é um jogador especialmente agressivo e, por exemplo, não consegue ser muito útil num pressing mais alto. Mas, por outro lado, é um jogador que se posiciona bem tacticamente e que tem esse sentido de responsabilidade colectivo. O seu maior problema, a meu ver, é a decisão em posse em zonas mais atrasadas, onde ainda arrisca demasiado e onde já perdeu demasiadas bolas nesta temporada.

Salvio – É mais agressivo do que Gaitan, está a melhorar claramente, mas sente mais dificuldades em termos tácticos. Porquê? Porque Salvio sempre foi um jogador de último terço, mais avançado do que médio, com menos responsabilidades tácticas e sem a necessidade de decidir com frequência a 50 metros da baliza. Nem na Argentina, nem no pouco tempo em que esteve no Atlético. Mas – repito – dê-se-lhe tempo...

Kardec – Marcou um golo e, mesmo se continuou ausente das dinâmicas da equipa, foi muito útil nas primeiras bolas, onde a Naval sentiu dificuldades. Para fazer o que Cardozo fez no campeonato até à lesão (derbi à parte) chega e sobra. Mas isso também não é propriamente um elogio...



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9.11.10

Porto - Benfica: Análise e números

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A emotividade que o próprio jogo acarreta conduz sempre a uma exacerbação da análise que é feita à posteriori. Tudo em função daquilo que, afinal, é o que mais importa para todos: o resultado. Neste caso, “baile”, “banho”, “vergonha” ou “incompetência”, são palavras que, ora pela positiva, ora pela negativa, surgem com frequência no léxico do pós-jogo, mas que são muito mais o reflexo de um sentimento final do que da síntese objectiva do jogo em si. Quero eu com isto dizer que a goleada portista surge como consequência de um jogo excepecionalmente perfeito de uma das equipas, perante a impotência da outra. “Perfeito”, não por um eventual massacre, mas, “perfeito”, pela ausência quase total de erros e pela eficácia plena no aproveitamento ofensivo. “Impotência”, não por um demérito extremo, mas, “impotência”, por uma incapacidade, até certo ponto normal, de contrariar a força do adversário. Porque, se foi seguramente o pior resultado da equipa, este está longe de ter sido jogo menos conseguido que o Benfica fez.


Notas colectivas: Porto
A palavra “perfeição” ajusta-se na plenitude à exibição. O plano de jogo foi cumprido à risca, como muito raramente acontece. O objectivo, claro, nunca é golear, mas ganhar de forma controlada. O Porto goleou porque foi excepcionalmente eficaz, mas nunca perdeu o controlo do jogo e do adversário. Nem no inicio, quando as coisas ainda estavam iguais. Nem no meio, quando o Benfica ainda pensava reagir. Nem, tão pouco, no segundo tempo, quando, com o jogo “no bolso”, poderia haver alguma tendência para o facilitismo. Por tudo isto, digo que foi perfeito.

Podemos falar dos aspectos tácticos, e eu já várias vezes o fiz. Na forma como a
equipa procurou neutralizar o adversário com uma zona de pressão concentrada, agressiva e densa, que partia da linha média, mas que crescia no campo. Com uma primeira fase do pressing que tentava orientar e facilitar o trabalho dos recuperadores. Com uma transição preparada a partir dessa zona de recuperação e que potenciava os desequilibradores da equipa. Com Sapunaru mais prudente, mantendo equilíbrios no corredor quando em posse. Com Belluschi a colmatar a prudência do lateral e a ser o elemento de desequilíbrio junto de Hulk. Com uma posse paciente e confiante, capaz de decidir bem e envolver com segurança a primeira linha de pressão do Benfica.

Podemos falar de tudo isto, mas o aspecto que mais quero destacar é o aspecto emocional. A equipa vem sendo consecutivamente trabalhada neste aspecto por Villas Boas, desde o inicio de época. Mais do que aspectos físicos ou delírios tácticos, Villas Boas tem gerido meticulosamente os índices mentais dos jogadores e da equipa. O reforço consecutivo da equipa e dos protagonistas na sua proposta de jogo conduziu a um crescendo de confiança que, em combinação com a qualidade e o talento, fazem desta uma equipa altamente lúcida e capaz de interpretar com grande segurança todos os momentos de jogo. Uma equipa, também, e por consequência, anormalmente eficaz no aproveitamento das situações que cria no jogo.

O Porto goleou e transformou-se rapidamente na melhor equipa do país, muito pela confiança que soube adquirir e cultivar. Hoje tira partido disso e, se a souber continuar a trabalhar e valorizar, não é de excluir a hipótese de uma “limpeza” de títulos esta temporada.

Notas colectivas: Benfica
Tal como havia antevisto, Jesus mexeu, como gosta de mexer nestes jogos. Manteve o 4-4-2 clássico com que vencera o Lyon e, também algo previsivelmente, recompôs a ala esquerda e escolheu 1, entre Saviola e Aimar. Seria uma “vitória táctica”, se tivesse corrido bem, ninguém duvide. Assim, como aconteceu tudo ao contrário, Jesus é, por estes dias, uma das pessoas que menos percebe de futebol em Portugal.

Vamos por partes. Começando pelo flanco esquerdo, creio que se justificava uma óbvia preocupação com Hulk e, noutras circunstâncias, não seria descabido utilizar David Luiz à esquerda. O ponto é que, por um lado, era preciso ter cautelas na exposição em transição e, por outro, era óbvio que a capacidade individual de Hulk mereceria cautelas especiais, mesmo em ataque organizado. O erro está muito mais na forma como se tentou parar Hulk do que na escolha dos protagonistas. Ou seja, Hulk teria de ser parado zonalmente e não individualmente. Com situações de cobertura defensiva e não pela crença numa performance heróica no duelo individual.

O grande problema da utilização de David Luiz não está em alguma perda de capacidade de resposta defensiva em relação a Coentrão. Está, isso sim, naquilo que implicaria por arrasto. Ou seja, mexer de mais, noutra zona da defesa, e mexer num jogador que tem um peso relevante na forma de jogar da equipa, em todos os seus momentos. Porque, de resto, percebe-se a preocupação de Jesus em termos individuais. Ou seja, “prender” Coentrão seria perder uma mais valia ofensiva. O facto – e isto é muito mais fácil de ver depois – é que perdeu David Luiz e acabou por perder também o próprio Coentrão, que fez um jogo péssimo.

Quanto ao resto, ao 4-4-2 clássico e à opção de deixar Saviola de fora, sou critico sobretudo em relação à opção individual. Saviola é o jogador que mais problemas cria em termos de movimentação e, mesmo se vem caindo em termos de confiança e rendimento técnico, está longe de ser um elemento discutível no onze. Manter um elemento com as características de Kardec/Cardozo e retirar um elemento mais criativo é uma opção que acho discutível mas que há muito faz parte da filosofia de Jesus. O Benfica já se deu muito bem com isso e não acho intelectualmente honesto que seja agora crucificado por isso.

Importa dizer, com tudo isto, que o Benfica fez um jogo bem menos errático do que na Supertaça, em Guimarães ou em Lyon. Foi goleado porque, simplesmente, encontrou do outro lado uma equipa inabalável mentalmente e que puniu todos os erros que provocou. Como disse no inicio, este esteve longe de ser o jogo menos conseguido da equipa.

Por fim, discordar de uma ideia que agora vem sendo muito passada, com o habitual exagero destas alturas. Diz-se que o Benfica jogou em função do Porto, mas essa critica tem de definir melhor os seus limites. Todas as equipas se adaptam perante adversários mais fortes e o próprio Porto o fez, estrategicamente. Uma coisa, porém, é alterar a estratégia e ajustar comportamentos, outra é mexer estruturalmente, passando por cima da própria identidade da equipa. Concordo que Jesus terá roçado esse limite, mas nunca que o tenha ultrapassado de forma clara.

Notas individuais: Porto
Sapunaru – Se alguém tem dúvidas sobre o que pode fazer a confiança, repare-se no rendimento de Sapunaru. Ganhou mais bolas do que qualquer outro jogador na partida e não teve 1 erro que se identifique.

Moutinho – Ser o “relógio” em alguns jogos de menor grau de dificuldade é uma coisa, nestes é outra. Não esteve nos desequilíbrios, mas foi, de longe, o jogador mais influente no meio campo. Isto é um grande elogio, por ser frente ao Benfica, mas também porque, ao contrário do que muitas vezes se diz, nem sempre é assim.

Belluschi – Um pouco em contra-ciclo com Moutinho. Ou seja, foi um jogador importantíssimo na definição do jogo e nos desequilíbrios, mas no resto esteve um pouco abaixo do que lhe é possível e habitual. Mas aqui, e também em contra-ciclo com Moutinho, o crédito que lhe é normalmente dado também é bastante inferior àquele que merece.

Hulk – Foi o herói do jogo e será seguramente o herói deste campeonato. Mais palavras para quê? Está à vista de todos...

Notas individuais: Benfica
David Luiz – Foi o vilão do jogo, mas injustamente. Não que tivesse estado bem, mas porque esteve longe de ter sido por sua causa que o jogo se decidiu. Ou seja, parar Hulk com 15 metros nas costas é algo que não se pode pedir a ninguém. Seria ele ou outro qualquer. No segundo golo tem responsabilidade na origem do lance, mas a sequência, mais uma vez, transforma-o mais em vitima do que réu, pela forma pouco solidária como a equipa respondeu.

Sidnei – A contabilidade estatística não lhe faz justiça. Esteve envolvido nos 3 primeiros golos com comportamentos colectivos errados – se é responsabilidade individual ou colectiva, já não posso afirmar – e não justificou minimamente a confiança. É muito jovem e tem evidente potencial, mas desfazer a dupla Luisão-David Luiz custou caro.

Luisão – Prejudicou gravemente a equipa com a sua expulsão, tendo, provavelmente desencadeado a goleada. Foi notório, pela linguagem gestual ao longo do jogo, que a frustração o estava a afectar. É pena, porque sabe mais, e porque estava a ser o melhor da equipa até à expulsão.

Carlos Martins – A sua presença foi importante. A equipa criou mais opções na saída de jogo e o Porto não provocou tantas perdas de bola nessa situação como na Supertaça, por exemplo. Depois, esteve também combativo e útil no trabalho de meio campo – o que nem sempre acontece. Só o medo de uma expulsão justifica a sua substituição.

Salvio – Para mim – e apesar de não ter feito um grande jogo – é mais um bom sinal que dá. Esteve bem tecnicamente num jogo muito difícil e, para além disso, demonstrou também óptima atitude e intensidade sem bola. Justifica uma continuidade na aposta.

Coentrão – Em absoluto, um jogo para esquecer. Primeiro como médio, forçou demasiado e perdeu sempre perante a maior solidariedade portista. Depois, como lateral, teve um erro decisivo ao entregar a bola a Hulk, possibilitando 1x1 que resultou no penalti. Acontece, e não é por isso que tem de deixar de ser um dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial.



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27.10.10

Portimonense - Benfica: Análise e números

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Chegou a dar a ideia de que teríamos um Portimonense capaz de incomodar, mas o curso do jogo depressa se encarregou de mostrar de que essa seria apenas uma ilusão. A questão não passaria, nem nunca passou, do primeiro golo. Isto, mesmo reconhecendo que não foi uma exibição particularmente inspirada do Benfica. O mérito vai apenas para a qualidade natural do futebol encarnado, confundindo-se também com algum demérito algarvio. Não tanto pela forma como não foi capaz de ir além das suas limitações, mas sobretudo pela incapacidade de resistir nos detalhes do jogo. Algo essencial para ambicionar ter sucesso, com o mínimo de realismo.

Notas colectivas
O domínio concedido era algo que já se esperava. Numa fase inicial – 2 ou 3 jogadas – o Portimonense deu a ideia de que poderia ser capaz de explorar a velocidade dos seus extremos e aproveitar o mau momento dos 2 laterais encarnados. O que o jogo revelou, porém, foi uma transição muito pouco consequente, partindo de uma zona de recuperação demasiado baixa e não tendo capacidade para evitar o isolamento repetido das unidades mais adiantadas. Ou seja, após a ilusão inicial, percebeu-se que o domínio não seria apenas concedido, mas total.

Talvez Litos tenha pensado em bloquear Aimar e a saída pelos flancos, como forma de limitar a construção encarnada. Intencional ou não, a verdade é que o Portimonense ofereceu ao Benfica o corredor central na primeira fase de construção, e isso, perante o Benfica de Luisão e David Luiz, não é propriamente aconselhável. É verdade que os corredores e Aimar apareceram pouco, mas os centrais encarregaram-se de arrastar sucessivamente o jogo para zonas já próximas da área contrária, sobretudo pelo recurso aos movimentos de Saviola, sobre a meia-esquerda.

Normalmente este cenário seria suficiente para tornar o golo numa questão de minutos, mas, desta vez, não foi. A inspiração foi, de facto, muito pouca, e raras vezes as jogadas terminaram em situações de finalização. O melhor que foi conseguido foram cantos e livres. Ora, se isso muitas vezes é insuficiente, desta vez depressa se percebeu que só com muita felicidade o Portimonense não pagaria a sua incapacidade de controlar o espaço aéreo neste tipo de lances. E assim foi. O Benfica acabou por marcar e o domínio tornou-se ainda mais intenso. Na parte final do jogo, aliás, o Benfica terá ficado a dever alguns golos para um maior ajuste do marcador à diferença revelada entre as equipas.

Sobre o capítulo essencial na decisão do jogo – as bolas paradas – é de notar que também frente ao Arouca o cenário fora idêntico. Ou seja, vale a pena renovar o elogio à capacidade encarnada, que não é nova, neste plano. Também vale a pena, ainda que possa não ser mais do que mera coincidência, referir que quer Arouca, quer Portimonense optaram pelo método individual de marcações.

Notas individuais
Maxi – Está hoje francamente desvalorizado aos olhos dos adeptos e este jogo pode serve bem para provar o seu momento menos bom. Maxi sempre teve as suas limitações, mas convém não exagerar. Trata-se de um bom jogador e de uma boa solução para o lugar, não vendo, pessoalmente, em Ruben Amorim uma opção necessariamente mais válida. Dependerá sobretudo do momento de ambos.

Centrais – Como expliquei acima - e os números comprovam - passou pelos centrais grande parte da responsabilidade do jogo. Ora bem, a sua qualidade voltou a ser perfeitamente evidenciada. Têm surgido criticas, mas a verdade é que se há coisa que se mantém com enorme qualidade é o papel da zona central mais recuada da equipa. Qualidade excepcional, mesmo. Aqui, e em termos individuais, convém fazer uma separação. Luisão está a fazer uma época irrepreensível, quase perfeita. David Luiz, mantendo-se num nível muito elevado, não está tão bem como o seu companheiro de sector, sendo certo também que assume mais riscos e responsabilidades em construção. Mas, neste jogo, por exemplo, falhou também algumas tentativas de antecipação que só não tiveram consequências pela própria natureza do jogo.

Javi Garcia – Porque foi decisivo e fez um bom jogo, talvez seja a hora ideal para relembrar o que dele foi dito há 1 ano. Foi apontado como um dos responsáveis pela melhoria do Benfica em 09/10, mas, como sempre referi, esses elogios eram exagerados. Javi é um jogador tacticamente inteligente e que compreende muito bem as responsabilidades de uma posição fulcral para o funcionamento do colectivo. Mas não é um jogador que individualmente corrija ou atenue problemas colectivos. Apesar de beneficiar da boa definição táctica da sua posição, não tem nesta liga, por exemplo, um rendimento superior a Fernando no Porto, ou mesmo André Santos no Sporting.

Saviola – Voltou a ser importante na criação de apoios e, face ao “eclipse” de Aimar em relação ao ano anterior, é a grande solução para a equipa em termos ofensivos. Frente ao Portimonense, porém, as coisas não lhe saíram bem e não foi capaz de dar boa sequência à maioria das jogadas que passaram pelos seus pés. Terá feito, provavelmente e em termos técnicos, o seu pior jogo na liga, mas é curioso como as criticas são bem mais duras quando, apesar de criar muito mais, falha alguns golos.

Kardec – Demorou 20 minutos a tocar na bola! Critiquei muitas vezes a pouca participação de Cardozo e, mesmo se não esteve nem perto das piores exibições do paraguaio nesta liga, Kardec começa a ilibar o seu concorrente pelo tempo que também passa fora do jogo. Kardec esforça-se mais, mas também dificilmente será capaz de protagonizar exibições ao nível do melhor Cardozo. Ou seja, se quiser complicar as contas a Jesus, o melhor mesmo será manter-se mais tempo dentro do jogo.



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20.4.10

Académica - Benfica: estatística individual

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O exercicio – laborioso – a que me propus foi fazer um levantamento estatistico individual do jogo de Coimbra. Os resultados são interessantes e, sobretudo, elucidativos em vários aspectos.


Estatísticas colectivas
Para começar, em termos colectivos, fica clara a qualidade invulgar do futebol da Académica. Sem ter tido o domínio territorial durante grande parte do jogo, mesmo assim, é assinalável que tenham sido os ‘estudantes’ quem mais passes realizou (340 contra 311) e, mais ainda, quem melhor % de sucesso conseguiu (76% contra 72%). Isto, contra uma equipa altamente pressionante e bem mais dotada tecnicamente, como é o caso do Benfica. Esta é uma marca clara do invulgar trabalho de André Villas Boas na Briosa.

Se o jogo não parece ter sido resolvido pela qualidade da posse, parece claro que foi resolvido pela capacidade de desequilíbrio. Entre os desequilíbrios ofensivos, contam-se 7 do lado encarnado para apenas 1 da Académica. Isto, apesar das tentativas de remate terem sido idênticas de ambos os lados (11). Fica claro, portanto, o impacto da componente individual na definição do jogo.


O radical Di Maria
Em vários aspectos foi o pior do jogo. Incomparável nas perdas e nos passes errados. Pouquissimas intercepções (4). O outro lado da moeda foi, claramente, a sua capacidade de decisão. 2 desequilíbrios ofensivos que resultaram em 2 assistências para golo. Não fora este pequeno pormenor, teria sido o pior estatisticamente. Sendo assim... foi um dos melhores. É assim o futebol.


Aimar vs Martins
Curioso o impacto do número 10 que, julgo, foi determinante no balanceamento do jogo, antes e depois do minuto 56, em que entrou Carlos Martins. Até aí, Aimar era o jogador mais influente do jogo, com 31 passes completados, apenas 4 errados e ainda 13 intercepções. A partir daí, Martins baixou enormemente a percentagem de passe (16 em 25 tentados), mas destaca-se também a sua muito menor participação em termos de trabalho, com 1 só intercepção. Para além disto, acumulou ainda 2 perdas, enquanto que Aimar não havia concedido nenhuma nos 56 minutos a 10. Em cima de tudo

isto, e a favor de Martins, está o seu pontapé ao poste, constituindo um desequilíbrio ofensivo que Aimar não conseguiu no tempo que esteve na posição. Ainda assim, fica claro em termos estatísticos como é diferente ter Aimar ou Martins na posição mais influente do modelo.


David Luiz vs Sidnei
Outra diferença muito grande entre as estatísticas individuais por posição é na zona central da defesa encarnada. David Luiz foi avassalador em termos de intercepções, mas se é normal ver um central liderar esta estatística, mais estranho é a diferença que consegue em relação a Sidnei. Mais do dobro (28 contra 13). O único ponto onde David Luiz ficou a perder em relação a Sidnei foi nas perdas de bola, acumulando 3 contra 1 do seu parceiro. No que respeita à percentagem de passe, a diferença é também sintomática e que reveladora das discrepâncias entre os dois jogadores neste plano. 75% para David Luiz e 59% para Sidnei.

Nuno Coelho, o relógio
A eficácia é o que se pede a um “pivot” defensivo e, nesse aspecto, Villas Boas não pode estar mais satisfeito com Nuno Coelho. 97% de aproveitamento no passe (apenas 1 perdido em 35), 20 intercepções e nenhuma perda de bola. Do outro lado, já agora, referência para Javi Garcia. Beneficiou de alguma dificuldade da Académica em pressionar a sua zona e conseguiu também números muito interessantes, com 89% de sucesso no passe, 21 recuperações e 2 perdas. Ainda assim, não deixa de ser notável que Nuno Coelho tenha tido melhor aproveitamento do que Javi.


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14.4.10

Benfica - Sporting: Um jogo de 2 andamentos

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A diferença entre as 2 metades. Talvez seja este o dilema do jogo. Aimar? É a explicação mais fácil e, como não podia deixar de ser, aquela que mais adeptos colheu. Mas alguém contou o número de vezes que o argentino tocou na bola até ao primeiro golo? Provavelmente não. Jesus retirou importância ao impacto da substituição. Eu concordo. Aliás, como concordo com Carvalhal quando focou a eficácia como elemento chave. Certo. Tudo somado, porém, ganhou quem mereceu, porque se o Sporting mostrou qualidades, também ficou claro que continua a léguas do Benfica. Vamos ao resto...

A minha explicação
Então o que explicou a óbvia diferença de rendimento entre as duas partes? Na minha opinião, apenas uma diferença de rendimento naquilo que cada equipa se propôs fazer. Tão simples quanto isto. Enquanto que na primeira parte, o Benfica quis jogar mas acumulou erros técnicos e perdas, na segunda, esteve mais confiante e certo na primeira fase de construção. O mesmo se pode dizer do Sporting. Ou seja, a intensidade com que pressionou na primeira parte não apareceu no período em que mais precisava. Confiança, concentração e inspiração. Pode-se falar de táctica, estratégia ou opções, mas sem estes ingredientes... nada feito. Quanto a Aimar, a sua entrada representou um acréscimo de qualidade. Óbvio. Mas Aimar entrou para jogar ao lado de Cardozo e não teve uma participação muito intensa até ao primeiro golo, pelo que me parece francamente exagerado apontar a sua entrada como a chave da diferença entre as duas metades.

O pressing e o risco: semelhanças e diferenças
Uma semelhança no jogo: ambas as equipas alicerçaram grande parte da sua estratégia num pressing que impossibilitasse o adversário de jogar. E ambas o fizeram bem.

Uma diferença no jogo: enquanto que o Sporting lidou com o pressing, evitando o risco da perda e jogando longo, o Benfica tentou forçar a saída. E neste risco se definiu o tal balanceamento do jogo, tão diferente de uma parte para a outra. Quando o Benfica tremeu, não conseguiu jogar e permitiu que o Sporting actuasse repetidamente em transição. Quando se saiu bem, conseguiu o domínio territorial que tanto ambiciona, asfixiando o Sporting. Há um pormenor que não evito focar. Na primeira parte, o Benfica recorreu diversas vezes a Javi e o Sporting encontrou nesse ponto uma referência para o pressing. Na segunda, abusou de David Luiz e este abusou do risco. Abusou, podia ter-lhe saído mal... mas não saiu. Não saiu porque é um jogador absolutamente fantástico, que assume por vezes riscos exagerados – é verdade – mas que também tem capacidade para assumir mais riscos do que os outros. E, provavelmente, se não os tivesse assumido, se os tivesse delegado de novo em Javi, o domínio não tinha sido tanto e a segunda parte tinha sido menos diferente da primeira.

A justiça e a eficácia
O Benfica ganhou bem. Pelo domínio que conseguiu na segunda parte e pela diferença que mostrou em termos qualitativos. Particularmente com bola, é uma equipa com outras rotinas e outra confiança para jogar. O Sporting, tendo crescido de forma assinalável em várias vertentes, não tem ainda a capacidade do seu rival para rapidamente criar soluções de passe e desafiar as zonas de pressão que lhe são colocadas. E isto fez toda a diferença no jogo.

Sem prejuízo do que afirmo no parágrafo anterior, há que dar também razão a Carvalhal e à sua valorização da eficácia. A verdade é que, sendo melhor, o Benfica não usufruiu de grandes oportunidades, construindo a sua vantagem nas suas primeiras ocasiões da segunda parte. No futebol, como em quase tudo, o factor sorte é decisivo para o sucesso, e, neste caso, o Sporting poderia ter tido sucesso com um pouco de sorte. Bastaria, por exemplo, um pouco – pouquinho – da sorte que o mesmo Carvalhal teve com o Marítimo neste mesmo estádio...



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12.3.10

Benfica - Marselha: É melhor repensar...

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Dificilmente alguém esperaria tantas dificuldades. Eu próprio, confesso, saio algo surpreendido com os problemas que o Benfica teve para se impor. Uma prova de qualidade do Marselha, é certo, mas também a evidência de um jogo pouco conseguido por parte do Benfica e, parece-me também, mal preparado. É a conclusão que retiro de alguns pormenores do jogo. Uma coisa é certa, no entanto: com o desfecho – cruel mas absolutamente justo – da primeira mão, só um Benfica para melhor resgatará do Velodrome a qualificação. Tem a palavra Jesus no planeamento da próxima semana, ficando para mim muito claro que seria um desperdício que este Benfica, com tanta qualidade, saísse tão cedo desta competição.

O pormenor de Brandão
Provavelmente não será referido nas crónicas da partida, mas foi um detalhe importante e que marcou, pelo menos, o inicio do jogo. Os pontapés longos do Marselha, com que se iniciaram várias jogadas do jogo, tiveram sistematicamente como destino o versátil avançado brasileiro, que invariavelmente ganhava o duelo aéreo com Maxi. O resultado foi que o Marselha conseguiu sair a jogar repetidamente destas situações, já no meio campo encarnado, dificultando assim o trabalho do pressing do Benfica. Jesus corrigiu este detalhe com cerca de 25 minutos de jogo, encostando Ramires a Brandão nestas situações, mas foi um detalhe que ajudou a encaminhar o Marselha para o bom jogo que fez.

Por outro lado, claro, sendo esta uma rotina da equipa do Marselha (como era do Shakhtar, aliás), denota também uma má preparação do Benfica para a especificidade do adversário.

O mérito do Marselha e o mau jogo encarnado
O pormenor da utilização de Brandão para as primeiras bolas, ajudou a pintar o jogo de azul celeste. Mas não é apenas por aí que se explicam as dificuldades encarnadas em ser tão autoritário como é hábito. Primeiro, há que referenciar a qualidade do Marselha. Boa equipa colectivamente e com óptimas individualidades, competentes a executar e com personalidade e confiança suficiente para não serem facilmente condicionados pelo pressing. E sabe-se como o pressing é importante para o jogo do Benfica.

Mas, se o Marselha esteve bem, o Benfica podia ter feito muito melhor. Não teve capacidade no pressing, errou bastante mais do que é hábito em termos técnicos e, com isto, foi perdendo também confiança táctica. Ou seja, deixou de se posicionar tão alto, de tentar ser autoritário tacticamente, resguardando-se mais e, consequentemente, dando espaço ao Marselha para ter bola.

Isto não quer dizer que o Benfica tenha estado por baixo no jogo. Ou, pelo menos, não sempre. Teve períodos bons, mais coincidentes com o seu potencial, mas foram escassos para aquilo que se exigia.

Individualidades: de David Luiz a Aimar...
Começando pelo 10. Já várias vezes me referi à sua importância no jogo do Benfica. De facto, o Benfica precisava de um Aimar em pleno, presente e competente em todos os momentos do jogo. Provavelmente pelas limitações físicas, isso não foi possível e, claro, o jogo do Benfica ressentiu-se... em todos os momentos.

Do outro lado, em termos de qualidade exibicional, 2 nomes. Saviola, que não fez uma exibição especialmente exuberante, mas que esteve em muito bom plano, dentro da valia que se lhe reconhece. E, claro, David Luiz. Não vale a pena falar muito, porque a sua qualidade já dispensa elogios. Basta ver...

França
Uma nota final para o futebol francês. É comum desvalorizar-se o futebol que se pratica naquele país, o que é chocante vindo de Portugal. O futebol francês é um mar de talentos e joga-se sob uma grande intensidade física e técnica, num nível absolutamente incomparável com aquele que se pratica em Portugal. Em breve falarei de algumas individualidades desse interessante campeonato...



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22.12.09

A importância de David Luiz

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O talento individual, físico e técnico já se conhecia. Tão evidente, aliás, que nem era preciso estar a jogar a central para se ver nele um caso sério em potência. Faltava o outro lado, o táctico, e o modelo de Jesus não podia ser melhor para testar o jogador. Jogar alto e longe da sua baliza é um pavor para muitos dos mais conceituados centrais do mundo. David Luiz, pelo contrário, parece não querer outra coisa. Não só o faz sem problemas, como é dentro dessa exigência que se torna especialmente útil. Pode ainda não ser um jogador “acabado”, mas que se pode tornar num dos melhores do mundo a muito breve prazo, não há dúvidas... pelo menos para mim.

A capacidade técnica, absolutamente invulgar para um central, será o aspecto que mais atenções desperta em David Luiz. Esse, no entanto, será o ponto onde mais precisa de melhorar. Não desfazendo o potencial, assume ainda pontualmente riscos exagerados em posse. É, antes sim, em 2 acções importantíssimas para o modelo de jogo encarnado que o central se destaca. Ambas têm a ver com o risco que a equipa assume em termos de adiantamento posicional.

Primeiro, a reacção à perda de bola. O exemplo é o que aconteceu no golo de Saviola. Não a assistência, obviamente acidental, mas a capacidade de antecipação. Dir-se-á que David Luiz vai longe demais neste plano. Eu digo que é um risco que vale a pena e que decorre da própria postura da equipa. Ou seja, jogando alto é fundamental ter uma fortíssima reacção à perda e a extraordinária capacidade de antecipação do central brasileiro deve ser explorada até ao limite.

Porque a recuperação imediata nem sempre é possível, surge também a necessidade de saber recuar eficazmente no terreno. Aqui é que vem o terror de muitos defesas. Não só a velocidade é frequentemente um problema, como ainda há a enorme dificuldade de manter controlo sobre as referências posicionais. Aqui, o Benfica tem sido também um caso de sucesso e David Luiz será, com Luisão, o seu maior responsável. A sua velocidade em recuperação é conhecida e tem valido em muitos momentos, mas o que mais surpreenderá é a forma como o central rapidamente apreendeu a qualidade posicional, especificamente em relação à utilização da linha de fora de jogo. Aqui o segredo é dar prioridade absoluta a 2 referências, os companheiros e a bola, “desligando” do homem. É isso que toda a defesa encarnada tem conseguido fazer com grande qualidade ao longo da época.

São indicações que podem ser pouco valorizadas, mas contam enormemente. Basta recordar as repetidas referências que Mourinho tem feito a este aspecto como barreira principal para o crescimento do seu Inter...
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23.2.09

Sporting - Benfica: A atitude na origem de tanto desequilíbrio

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A produção das duas equipas foi tão dispar no segundo tempo que se torna quase dispensável referir a justiça do vencedor. De facto, é uma situação algo rara nestes jogos, normalmente pautados por grande equilíbrio e onde os lances decisivos são normalmente o tónico que marca a maior diferença entre os conjuntos. Neste campo, o dos lances decisivos, até se pode dizer que o Sporting foi mais feliz, ganhando vantagem na abertura das duas partes, mas a forma como reagiu a essa vantagem no segundo tempo (e ao contrário do primeiro) foi de tal forma avassaladora que torna, até, a vantagem minima uma penalização escassa para todas as dificuldades que o Benfica sentiu durante esse período. Uma das maiores curiosidades deste jogo foi, aliás, a forma tão diferente como as equipas reagiram em dois momentos diferentes à vantagem do Sporting.

O jogo directo e o resultadismo – Antes de mais volto ao jogo da primeira volta para referir um aspecto que, sendo previsivel, não deixa de ser curioso. É que na altura criticou-se muito o recurso a um jogo mais directo por parte do Sporting nessa partida. Pois bem, a abordagem directa foi desta vez, e de forma muito mais clara, uma estratégia deliberada do Sporting para contornar o pressing encarnado. Desta vez, no entanto, o resultado foi diferente e, como é hábito, as criticas também. Sobre esta estratégia do Sporting, referir que foi uma opção que Paulo Bento terá encontrado para correr menos riscos no jogo e, sobretudo, evitar a forma como o Benfica poderia aproveitar a sua posição no jogo para se fechar num bloco denso onde a posse de bola do Sporting fosse facilmente transformada em transições perigosas a partir de perdas. O objectivo era evitar os centrais e, por isso, explorar passes largos para as laterais do campo. Na primeira parte, mais por deficiência na interpretação do que por erro estratégico, não resultou bem, na segunda foi uma fonte de problemas para o Benfica, potenciando muitissimo o aproveitamento do espaço entre linhas em que o Benfica tem tantas dificuldades.

Sporting – Se me perguntarem qual terá sido a mais valia do Sporting no jogo, respondo, em primeiro lugar com as palavras determinação e agressividade. Essa foi sempre a grande vantagem do Sporting durante o jogo, a atitude. Começou por ser no inicio, valendo-lhe alguma superioridade mesmo no período pouco lúcido que antecedeu o 1-0 e voltou a se-lo, mas com muito maior qualidade de jogo a acompanhar na segunda parte e, mesmo, no final da primeira, depois do 1-1.
A primeira nota sobre o Sporting é negativa e vai para a forma como a equipa não soube gerir a vantagem que tão cedo conseguiu. O Benfica não teve, sequer, de sair muito do seu registo inicial para se superiorizar no jogo. Isto porque o Sporting foi sempre precipitado e algumas vezes despropositado na forma como geriu a posse de bola. A punição aconteceu, no entanto, por erro de avaliação de Polga que arriscou não resolver rapidamente uma segunda bola resultante de um pontapé de Moreira. O empate era, no entanto, uma penalização merecida.
O Sporting do segundo tempo foi outro. Novamente uma fortissima atitude inicial e, novamente, a recompensa com um golo. Desta vez, porém, outra lucidez, outra capacidade e, também, outro adversário para gerir. À atitude já elogiada, juntaram-se um pressing que impediu o Benfica de jogar e uma muito maior sapiência na gestão da bola, nunca abdicando, no entanto, de abordagens mais directas como recurso estratégico. À medida que o Benfica foi querendo subir no campo, o domínio acentuou-se porque o meio campo tornava-se cada vez mais distante da linha defensiva, aumentando o espaço entre linhas que os médios do Sporting transformaram numa autêntica via verde para o assalto ao cada vez mais impotente quarteto defensivo encarnado. O resultado foi apenas 1 golo mais, mas a superioridade conseguida justificava bem mais...

Benfica – Antes do jogo referi a pouca apetência de Quique para estratégias tácticas especificas e a previsibilidade da abordagem que faria o treinador espanhol. Tudo isso se confirmou e, em Alvalade, o Benfica tentou repetir exactamente o que fizera no Dragão. É verdade que o Benfica não teve a felicidade no timing em que sofreu os golos, mas é também evidente que a sua boa reacção no primeiro tempo teve mais a ver com uma menor inspiração do adversário do que num grande mérito dos encarnados. Como assim aconteceu, o Benfica terá ido para o intervalo provavelmente iludido sobre o seu conforto no jogo e isso terá, ainda mais, reforçado a diferença de atitude com que se reiniciou o jogo. Mais ainda, condicionaria depois uma resposta ao 2-1, com o Sporting, agora sim, a juntar qualidade à estratégia que tinha montado para a partida. De repente, o Benfica viu-se impotente para sair do colete de forças leonino, impedido de sair a jogar pelo pressing contrário e sendo recorrentemente penalizado pelo espaço que passava a conceder nas costas da sua linha média, sempre que esta tentava adiantar-se.

Liedson e David Luiz – Podia falar de vários nomes, mas vou apenas abordar os dois mais incontornáveis. Liedson, primeiro. O seu registo comprova-o, este foi apenas um clássico normal para Liedson e isso é uma evidencia só por si fantástica. Liedson consegue ser perturbador, ameaçador, incomodativo e, depois, altamente decisivo. A capacidade de aparecer nos grandes jogos é um atributo raro e que Liedson possui inegavelmente. Não precisava dele para ser um grande jogador, mas isto torna-o particularmente especial e garante ao seu nome uma lugar na memória bem para além da sua própria longividade futebolísitca.
É normal arranjar-se réus tal como heróis e, desta vez, coube a David Luiz a "fava". Da mesma forma que o referi, por exemplo, na derrocada frente ao Olimpiacos, parece-me um equívoco individualizar um problema que é claramente colectivo. Digo que o jogador não tem responsabilidade única em nenhum dos golos ( por exemplo, Polga teve um erro muito mais censurável) e aproveito para reafirmar aquilo que referiu Quique sobre as qualidades fantásticas deste jogador. David Luiz tem um potencial enorme pelas invulgares capacidades físicas e técnicas que possui e, mesmo não sendo a posição de lateral uma vocação, David Luiz tem sido bastante competente nessa função revelando também pela versatilidade a qualidade que tem. É sem dúvida o defesa com mais potencial do Benfica e não é por uma noite menos má que isso muda.


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