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15.8.11

Gil Vicente - Benfica: opinião

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- O caminho que o jogo tomou até ao empate final talvez não tenha sido o mais provável, mas, combinadas todas as incidências, o resultado não pode ser considerado uma surpresa. Porque o Benfica começou por tirar partido da eficácia, numa primeira parte onde não conseguiu, em boa verdade, uma superioridade condizente com as expectativas. E porque, depois, acabou por ser traído, precisamente, por um golpe de eficácia, numa segunda parte onde, finalmente, havia sido capaz de garantir, pelo menos, um forte domínio territorial.

- Na revisão que havia feito da pré temporada, destaquei o aspecto emocional e dificuldade que a equipa vem sentindo em ser consistente, mantendo-se à margem de sobressaltos inesperados. Ora, logo na primeira jornada, se constata a perda de 2 pontos quando já poucos esperariam. Talvez seja o lado ofensivo que mais mereça correcção no jogo, mas, se o Benfica sofreu 2 golos, eles surgiram de erros individuais evitáveis (Ruben no primeiro e, menos grave, Javi no segundo). Mais do que jogadores ou investimentos, seria fundamental que o Benfica corrigisse o problema da concentração competitiva e da consistência emocional, porque, sem isso, dificilmente atingirá os objectivos a que se propõe.


- No que respeita à história do jogo, houve, de facto, duas partes de tendências distintas. Na primeira, o jogo foi mais repartido, com o Benfica a ter muitas dificuldades em instalar-se no último terço. Para uma equipa como o Benfica, é fundamental conseguir que o adversário "encoste", porque a equipa pode, depois, exercer um domínio continuado, através da boa reacção à perda, que tem. Quantos golos vimos durante a "era Jesus" a partir de recuperações imediatas, no último terço? Como não conseguiu levar a melhor na luta das primeiras bolas, nem conseguiu uma boa resposta em construção, o Benfica teve de dividir o jogo, na primeira parte. A vantagem ao intervalo, ainda que por 1 golo, era já um excelente resultado face ao que se tinha passado até aí.

- Na segunda parte, foi diferente. Houve a troca de Aimar por Witsel, e a alteração de sistema, mas não creio que tenha sido esse o principal motivo da mudança. Parece-me que o Gil passou a ter mais problemas posicionais, baixando demasiado, ou tornando-se pouco compacto quando tentava subir a sua primeira linha de pressão. Resultado? O Benfica chegou com facilidade ao último terço, passou a dominar o jogo pela resposta em transição ataque-defesa, e o Gil deixou de chegar à frente, durante longos períodos, mesmo do meio campo. Ainda que essa superioridade fosse pouco efectiva em termos ofensivos, deve ser reforçado que, na fase em que aconteceu, o golo do Gil foi um acidente.

- Entrando nos aspectos tácticos, há apenas que realçar os problemas ofensivos, já que o Gil não conseguiu potenciar, de forma continuada, eventuais lacunas na resposta defensiva do Benfica. As suas 3 ocasiões resultam, 2 de erros individuais, e 1 de pontapé longo do guarda redes. No que respeita ao capítulo ofensivo, de facto, a produção do Benfica foi demasiado escassa para o que a equipa se deve exigir. Não em termos de posse e domínio territorial, mas em termos de proximidade real com o golo. Em particular, espanta a incapacidade da equipa no último quarto de hora, já depois do empate. Com pleno domínio, e perante um adversário claramente mais frágil, o Benfica não criou 1 única ocasião para regressar à vantagem. Aqui, nota para o facto de Jesus não ter alterado nada a partir do banco, quando lhe faltava 1 substituição. Irónico, se considerarmos o enfoque dado ao "maior número de soluções", no discurso do treinador.

- No que respeita à construção, voltou a notar-se, em especial na primeira parte, uma tendência para baixar Javi e organizar a partir dos centrais. De novo, e tal como venho salientando, a saída pelos corredores, através dos laterais foi a solução dominante, e previsível. Aqui, o principal ponto a notar vai para as características do flanco esquerdo. Emerson é um jogador claramente defensivo (e tem dado boa resposta, aí), havendo, por outro lado, um aproveitamento muito inferior das potencialidades de Nolito quando solicitado a partir do seu flanco, e não em diagonal (quer no espaço, quer no pé). Ora, isto facilita, por exemplo, a estratégia de qualquer equipa, sabendo que se condicionar a saída de jogo pela esquerda, poderá reduzir drasticamente o potencial ofensivo do Benfica. Cabe a Jesus trabalhar as alternativas de saída, através dos movimentos interiores dos alas e dos avançados, e não fazer depender tanto a saída, dos laterais.

- Individualmente, nota positiva para Saviola. Vinha alertando para a sua quebra de rendimento, mas em Barcelos voltou a estar influente ofensivamente, sendo mesmo o protagonista que mais problemas trouxe ao adversário, com a sua movimentação no espaço "entrelinhas". Relativamente ao ponto anterior, Saviola, pela sua qualidade de movimentos, pode ser uma parte importante da solução. Basta que todos queiram. De resto, destacaria aqueles que foram os "vilões" do jogo, Ruben e Javi. Estiveram negativamente ligados aos golos sofridos, mas tiveram um desempenho de muito bom nível, em praticamente todo o jogo.
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19.1.11

Académica - Benfica: Análise e números

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Foi, começo por dizer, um jogo algo atípico em termos de eficácia. Atípico e pela negativa, porque foram criadas muitas oportunidades para o magro golo concretizado. A consequência desta situação é que para ambas as equipas terá ficado a sensação de um jogo mal aproveitado. A verdade, porém, é que a vitória assenta bem ao Benfica, justificando-se, a meu ver, tanto os 3 pontos como a margem mínima. Uma opinião que não invalida uma outra, mais critica em relação a alguns aspectos da exibição benfiquista.

Notas colectivas
Com a expulsão, a coisa acentuou-se ainda mais, mas foi sempre um jogo muito confortável para o Benfica em termos de primeira fase de organização. Isto, porque a Académica teve como estratégia dar alguma liberdade ao papel do trio formado pelos centrais e Airton na saída de bola, mas bloqueando sempre a saída pelos corredores e – mais importante ainda – muito bem os espaços em zonas próximas da área, onde habitualmente surge a solução Saviola. A neutralização do papel do “Conejo”, aliás, parece-me ter sido a grande virtude de uma estratégia estudante, que, parcialmente, obteve bons resultados. Parcialmente, reforço.

Perante isto – e aqui surge a primeira critica ao Benfica – a equipa da Luz não teve grande capacidade de resposta. Não conseguiu encontrar Saviola, não conseguiu descobrir algumas das suas habituais combinações nas alas e faltou-lhe muitas vezes o arrojo para inventar algo de novo, em ataque posicional.

Só que, e apesar disto, o Benfica foi beneficiando do amplo domínio que ia tendo e, em situações circunstanciais mas frequentes, foi-se aproximando de forma assinalável do golo, acabando por justificar a vantagem que conseguiu ao intervalo. Por exemplo, algumas das melhores jogadas encarnadas resultaram de combinações após lançamentos laterais à esquerda, uma situação que normalmente dá vantagem a quem defende e que, como é óbvio, merece revisão por parte da Académica.

A outra critica que há a fazer ao Benfica é mais óbvia e tem a ver com a segunda parte. Jesus falou do desgaste físico provocado pela sobrecarga de jogos, mas acho difícil que a parte física seja realmente o problema de uma equipa que jogou em superioridade numérica e que não teve de travar grandes duelos em termos físicos. Na verdade, acho possível que se recorra ao desgaste como justificação, mas terá sempre de ser um desgaste mental, responsável por uma menor capacidade de decisão e criatividade no último terço, e que explique, assim, tanto domínio e tão poucas situações de finalização. Seja como for, não me parece que se deva aceitar o desgaste como desculpa, seja ele mental ou físico, parecendo-me que houve – isso sim – algum relaxamento imprudente para um jogo que, parecendo resolvido, não o estava.

Nota sobre a Académica para assinalar que a equipa deve estar contente com muito do que fez. Não discutiu nunca o jogo em termos de domínio, mas também nunca o pareceu querer fazer. Tinha, isso sim, uma estratégia centrada no controlo dos espaços considerados mais importantes e numa transição que conseguisse aproveitar a característica e largura do seu trio ofensivo. Isso foi, em alguns casos, muito bem conseguido, mas faltaram detalhes que acabaram por dar ao Benfica as brechas que precisava. Seja como for, a expulsão penalizou muito a equipa e é possível pensar que em igualdade numérica pudesse ter causado mais dificuldades na segunda parte.

Notas individuais
Ruben Amorim – A lateral era outra alternativa para ele, conseguindo um nível idêntico – em alguns aspectos superior – ao de Maxi. É pena, para ele e para o Benfica, que se tenha lesionado.

Coentrão – Grande jogo, outra vez. Está de volta às grandes exibições, recuperando do mau período iniciado na traumática derrocada do Dragão. Agora, ainda por cima, parece ter um entendimento muito maior com Gaitan, o que ainda o beneficia mais. Apenas realçar que Coentrão não é um dos melhores do mundo apenas pelo que faz ofensivamente. Defensivamente também é, invariavelmente, o dono do seu corredor.

Airton – Tinha falado, durante a semana, da falta de presença de Javi Garcia em posse. Pois bem, Airton fez 77 passes completados no jogo! É certo que o jogo permitiu-lhe aparecer mais, é certo, também, que não é um jogador forte na capacidade de passe, mas é também um dado adquirido que é um jogador que privilegia a segurança e que tem muito mais presença do que Javi Garcia nessa função (Javi nunca chegou sequer perto destes números em qualquer jogo). Em termos de domínio da sua zona também ganha em relação ao espanhol, ficando apenas a dúvida em alguns pormenores posicionais que podem ser importantes e onde Garcia é mais forte. Aspectos que podem ser corrigidos e que não impedem que se justifique uma aposta mais séria neste brasileiro.

Gaitan – Posicionalmente voltou a cumprir o seu papel, talvez até melhor do que noutras ocasiões, sendo um jogador útil nos momentos defensivos e entendendo-se cada vez melhor em termos posicionais com Coentrão. O problema foi no capítulo técnico. Vários pormenores que revelam o seu enorme talento, várias aparições, mas poucas consequências práticas. Denota sempre alguma displicência quando os jogos estão resolvidos e este pareceu-lhe resolvido cedo de mais.

Carlos Martins – Em parte foi um dos responsáveis pelas dificuldades da equipa em ataque posicional. Mas, por outro lado, foi dos elementos mais presentes nas principais jogadas da equipa, o que compensa claramente a primeira critica. Compensa, mas não a apaga.

Saviola – Foi a grande vitima do bom jogo posicional da Académica e, já agora, da incapacidade da própria equipa em alguns aspectos. A sua preponderância não foi a habitual e, por isso, não tenho desta vez quaisquer elogios a fazer-lhe. Aliás, reavivo uma critica: Saviola, com Cardozo, produz muito pouco para uma pressão defensiva que se pretende agressiva e potenciadora de erros na posse adversária.



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12.1.11

Leiria - Benfica: Análise e números

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Dizer que foi um jogo muito confortável é sempre um exagero para uma partida que passou a maior parte do seu tempo num resultado tangencial. A verdade, porém, é que entre Benfica e Leiria houve sempre um grande diferença no que respeita à proximidade com o golo. E esse, a meu ver, é sempre o indicador mais importante em qualquer jogo de futebol: a proximidade com o golo. Tudo somado, é Jesus quem tem motivos para sorrir.

Notas colectivas
Na verdade, a superioridade do Benfica, facilmente observável, não resultou de um domínio territorial avassalador, nem, tão pouco, de uma exibição soberba em termos técnicos. Resultou, isso sim, de uma mais competente ocupação dos espaços, para além, claro, das evidentes mais valias individuais que a equipa possui. Ou seja, a União conseguiu dividir o jogo territorialmente em diversos momentos, mas teve muita dificuldade em controlar todos os espaços do campo, especialmente quando a bola viajava rapidamente de uma zona para a outra.

De notar, por exemplo, que várias das mais perigosas jogadas encarnadas resultam do mesmo tipo de lance. Com a bola a ser colocada rapidamente nas costas do meio campo leiriense e a causar muitos problemas de equilíbrio no extremo reduto contrário. Isto, porque o Leiria ficava com pouca gente atrás da linha da bola e incapaz de controlar a largura do campo. Por isso vimos tantas vezes Gaitan aparecer solto na esquerda a partir de jogadas deste tipo.

Ainda assim, nem sempre o jogo foi igual. Na segunda parte, por exemplo, observou-se uma reacção positiva do Leiria, com maior agressividade e maior proximidade entre os jogadores nas zonas de pressão. O Benfica teve mais dificuldades em dominar o jogo – essencialmente porque foi ineficaz no momento em que ganhava a bola – mas é curioso observar-se que não foi nesse período que o Leiria foi mais perigoso. Aliás, à parte de um pontapé de canto, não teve qualquer chegada sequer ameaçadora à área encarnada, ao contrário do primeiro tempo.
Porquê, então, ter o Leiria chegado com mais condições à área contrária no período em que menos conseguiu dividir o jogo? A resposta é óbvia e recorrente no Benfica 10/11: porque na primeira parte o Benfica perdeu 6 bolas em zonas recuadas e na segunda não perdeu nenhuma. O problema da transição defensiva do Benfica não é, nem nunca foi, a recuperação em si mesmo. Foi, isso sim, a zona de perda de bola. Foi, e é.

Outra constatação que foi tirada no final do jogo teve a ver com associação da entrada de Ruben Amorim com um melhor período do Benfica. É verdade que coincidiram, é verdade que Ruben entrou bem e que era uma aposta que se justificava, mas, até pelo que escrevi antes, não entendo que o problema do Benfica na segunda parte tivesse a ver com o que fazia sem bola. Aliás, se o Leiria nunca se aproximou com perigo da área do Benfica, acho difícil sustentar essa tese. Teve, isso sim, muito mais a ver com aquilo que o Benfica não conseguira fazer com bola depois do intervalo. E, aí, não se pode dissociar as oportunidades na recta final do jogo com o risco táctico assumido por Caixinha. Tal como a entrada de Amorim, coincide com o melhor período do Benfica no final do jogo, só que, parece-me, tem um correlação muito maior com a alteração de tendência observada.

Em relação ao Leiria, é uma equipa que vejo cometer muitos erros posicionais nos jogos com os grandes. Está a fazer um excelente campeonato e continua a ter bons jogadores, mesmo depois da saída de Carlão e Silas, mas não tenho a certeza de que terá o mesmo andamento depois destas perdas. Falando de Carlão, aliás, é uma perda importante para o futebol português. Estava a ser um dos melhores avançados do campeonato e, não tenho grandes dúvidas, tinha condições para merecer a aposta de um “grande”. Apesar de ter ido para muito longe, tem ainda tempo para que possamos ouvir falar dele...

Notas individuais
Coentrão – Voltou a fazer um grande jogo, sendo apenas de se lamentar 2 más entregas no primeiro tempo que colocaram em risco a equipa. De resto, muito bom, quer a defender quer a atacar. É um dos melhores defesas esquerdos do mundo.

Javi Garcia – É como um relógio, tanto em relação à sua compreensão dos equilíbrios tácticos, como em relação às perdas de bola que acumula em todos os jogos. Francamente, custa-me a entender como continua a ser dono inquestionável do lugar quando revela tantas dificuldades com bola.

Carlos Martins – Não conseguiu ser um jogador determinante em termos ofensivos – frequentemente é – mas foi, com alguma distância, o mais participativo em termos de posse. Fez, em termos de eficácia em posse, um jogo ao nível da equipa, perdendo 1 bola comprometedora na primeira parte. Defensivamente, é o habitual: não tem grande capacidade de trabalho mas mantém, tal como todos, um posicionamento base correcto.

Gaitan – Foi fácil este jogo. Devagar, sem grande agressividade nem grande inspiração e, mesmo assim, cumpriu posicionalmente e foi determinante ofensivamente. Porquê? Porque Gaitan compreende bem onde tem de estar, quer com bola, quer sem ela, e porque tem um pé esquerdo que cruza como poucos (provavelmente o melhor da liga como já venho alertando há algum tempo). Apareceu no espaço certo, a bola ia-lhe sendo colocada e ele cruzava. O resto, todos viram...

Salvio – Não foi uma exibição eufórica como frente ao Rio Ave, mas Salvio vem confirmando a característica que lhe venho descrevendo: ou seja que é um extremo forte em zonas de finalização e que por isso se encontra facilmente com o golo. Fez uma assistência, criou a jogada do segundo golo e ainda perdeu mais 2. Não dá para pedir mais...

Saviola – Começou por ser o grande destaque do jogo pela frequência com que apareceu a desequilibrar. A sua invulgar qualidade de movimentos sem bola continua a fazer mossa com uma regularidade incrível e se Saviola tivesse outro nível de aproveitamento seria um destaque ainda maior. Na segunda parte não apareceu tanto e decidiu pior, com a equipa a ressentir-se. Nota para a pouca eficiência em termos defensivos.

Cardozo – Foi, durante muito tempo, muito discreto e, pessoalmente, gosto pouco de ver jogadores a passar tanto tempo longe do jogo. No entanto, e ao contrário do que muitas vezes acontece, manteve sempre uma participação positiva a cada intervenção, acabando por emergir em grande plano na recta final do jogo.

Ruben Amorim – Como escrevi atrás, a sua entrada justificava-se e justificou-se. Ruben é um jogador muito completo e que dava, em relação a Gaitan, maior agressividade e presença ao jogo. Mesmo, se não tem o mesmo talento. Numa altura em que se aguarda para ver José Luis Fernandez, arrisco que Ruben será o único jogador com capacidade para discutir, realmente, um lugar no meio campo com Gaitan, Salvio e Martins, até porque tem mais valias diferentes.



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6.12.10

Benfica - Olhanense: Análise e números

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A pouca exuberância da exibição encarnada é tão indiscutível como a justiça da vitória. Ou seja, se é evidente para todos que furar o bloco algarvio não foi tarefa fácil, também fica bastante claro que foi sempre o Benfica quem teve o domínio do jogo. Aliás, de forma crescente no jogo. Neste contexto, haverá alguns dados quantitativos que deverão surpreender quem viu o jogo. Dados que evidenciam o tal domínio encarnado, mas que, bem vistas as coisas, faziam já parte do “filme” que estava preparado para este jogo.

Notas colectivas
Começando então pelos números: o Benfica conseguiu seu o maior número de passes completados num jogo, nesta liga. Conseguiu também a maior % de sucesso ao nível do passe, aqui com uma distância substancial em relação ao anterior máximo colectivo (76%, frente ao Paços). Tudo isto se torna um pouco mais normal se analisarmos o que o Olhanense havia feito, tanto no Dragão, como em Alvalade. Ou seja, também nesses jogos havia permitido uma enorme quantidade de passes aos adversários (mais de 400), mas havia também limitado a sua capacidade de desequilíbrio no último terço. Aliás, é de assinalar que Porto e Sporting conseguiram menos ocasiões frente à equipa de Olhão do que o Benfica.

Fica fácil de perceber, por estes números, que a proposta de jogo do Olhanense dificilmente causaria problemas à circulação baixa do Benfica – nunca causou. Mas é também fácil perceber que as dificuldades do Benfica no último terço não são apenas consequência de demérito próprio, mas o destino natural de quem defronta uma equipa tão confortável a jogar “em cima” da sua área, como é o caso do Olhanense.

O jogo só não teve uma toada mais monótona, logo desde o inicio, porque na primeira parte o Olhanense permitiu-se dar profundidade a algumas transições, colocando em sentido a defensiva encarnada. Situações que tiveram sempre origem em recuperações baixas, mas que, ou por displicência em posse, ou por desequilíbrio posicional do Benfica, acabaram do outro lado do campo, perto da baliza de Roberto. Algo que o Benfica corrigiu com o tempo, particularmente na segunda parte, controlando melhor o momento de transição do Olhanense e tornando-se mais seguro em construção – aqui, com a contribuição da maior segurança dada por Carlos Martins.

Corrigido esse problema, controlado o Olhanense e encontrado o caminho do golo – desvendado por Moretto – o jogo ficou realmente monótono. O Benfica continuou a tentar, Jesus experimentou algumas variantes ofensivas, mas a toada nunca fugiu da repetição de ataques posicionais perante um bloco baixo mas pouco permeável. Perante este cenário, o segundo golo explica-se pela aplicação do ditado da “água mole em pedra dura”, terminando assim com o jogo e com quase todo o interesse que o mesmo poderia ter.

Notas individuais
Maxi – Chegou tarde e não começou bem. Mas Maxi é um bom lateral, capaz de valer muito mais do que tem valido. Frente ao Olhanense fez, finalmente, um grande jogo. Estatisticamente foi o jogador mais participativo e teve, na segunda parte, um papel importante no controlo do primeiro passe de transição do Olhanense.

Coentrão – Continua a ser um excelente lateral, mas perdeu grande parte da sua confiança no jogo do Dragão. De lá para cá – e já vamos com 3 jogos – não foi protagonista de 1 só desequilíbrio ofensivo. Desta vez, Jesus até tentou abrir-lhe caminho, colocando Amorim muito tempo do seu lado, mas não foi desta que Coentrão voltou a explodir. Tem tempo...

David Luiz – Outro que, como Maxi, fez a sua melhor exibição em termos globais, na liga. Tem sido muito criticado e, de facto, não tem sido uma época condizente com o seu potencial. Estou de acordo até certo ponto, mas há muito exagero nas apreciações que lhe têm sido feitas. Muito, mesmo!

Javi Garcia – Continuo a pensar que não dá as melhores garantias para o lugar. É culto em termos posicionais e forte nas primeiras bolas. Mas não é, nem dominador na sua zona, nem seguro em posse – todos os jogos acumula perdas de bola em zona de construção. Numa equipa que procura tantas vezes verticalizar e que perde, por isso, noção da segurança em zona de construção, não era mal pensado se Jesus procurasse uma solução que oferecesse à equipa mais segurança e presença na construção.

Aimar – Permanece longe do rendimento da época passada e parece-me discutível se deve ser titular, tendo em conta o rendimento que vem apresentando. Fala-se muito nas alas do Benfica, mas parece-me que é no eixo Garcia-Aimar que o Benfica mais tem a perder em relação ao ano passado. Muito mais, aliás!

Gaitan – O mito de que é um jogador de corredor central, desfaz-se em 2 constatações. A primeira é que um jogador de corredor central não pode construir em transporte de bola, como faz Gaitan. As suas investidas em zona central podem desequilibrar, mas têm de ser controladas porque continua a perder algumas bolas de forma proibitiva quando aparece em construção (creio que foi por isso que saiu). A segunda constatação tem a ver com a sua capacidade de cruzamento: é o jogador que, para mim, melhor cruza no futebol português e isso é suficiente para lhe valer uma capacidade de desequilíbrio acima da média.

Ruben Amorim – Diz-se que a equipa ganha equilibro com a sua chegada. Concordo, sim, mas faço uma nota idêntica à que utilizo sempre com Moutinho. Ou seja, Amorim não é um jogador excepcional em nenhum aspecto específico. É, isso sim, um jogador útil em tudo. Tem uma óptima percepção táctica e posicional, quer ofensivamente, quer defensivamente, é seguro em posse e tem boa capacidade de trabalho. Neste momento, ninguém combina tudo isto no meio campo do Benfica.

Cardozo – Duvido que haja algum avançado no mundo que não jogue melhor quando marca golos. Desde que regressou, Cardozo está mais participativo (embora ainda não muito) e, sobretudo, bem mais inspirado e eficaz (não falo de golos, mas de todas as acções).

Paulo Sérgio – O Olhanense tem outros jogadores a observar, mas este mereceu-me especial atenção. Foi muito importante na melhor fase colectiva, aparecendo bem em transição e transportando a equipa para alguns ataques rápidos. Jogou muitas vezes solto e revelou boa capacidade de movimentação, boa intensidade sem bola e um notável critério com ela. Não lhe faço com isto uma avaliação definitiva, mas creio que nesta altura da sua carreira merece uma análise cuidada de clubes maiores...



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15.4.10

Lances do dérbi em análise

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Oportunidade João Pereira
Foi a principal ocasião do Sporting e, mais do que isso, a jogada que simboliza a primeira parte. A intenção do Benfica forçar a saída em posse mesmo com o Sporting preparado para a pressão não mudou na segunda parte. O que mudou foi, como expliquei ontem, a qualidade com que cada equipa interpretou as suas intenções.

Mas, se esta jogada serve para perceber o que não esteve bem no Benfica na primeira parte, também servirá para perceber o que melhorou. A primeira fase de construção. E é precisamente por residir aqui, tão baixo, o problema, que o impacto de Aimar não pode servir de explicação fundamental para a diferença após intervalo. É que o 10 entrou para o lado de Cardozo e não tinha – nem teve – como missão baixar tanto no campo. Aimar contribui, naturalmente, pela sua qualidade mas não foi a resposta ao problema que a equipa vinha sentindo. Mas vamos ao resto...


Sobre a jogada, gostaria de destacar 3 pontos:

- Importância de Moutinho. O seu papel é especialmente exigente porque Moutinho tem de decidir entre a pressão sobre o central e proximidade do “pivot”. Nem sempre funcionou bem e se funcionou com alguma frequência é pela qualidade e intensidade do capitão do Sporting. Já várias vezes me referi à importância do 10 moderno ser extensível a todos os momentos do jogo. A sua posição, central no campo, implica que seja forte com e sem bola, em organização e transição. Aqui está um exemplo da importância de Moutinho e, talvez, do porquê da não utilização de Matias Fernandez – goste-se ou não da opção.

- Insistência em Javi. Foi um ponto já sublinhei ontem. Não que queira fazer de Javi a fonte dos problemas do Benfica – que não foi – mas porque a sua posição previsível aliada à falta de alternativas de passe, fizeram de Javi um ponto de referência para o pressing do Sporting na primeira parte. Após o intervalo, Javi foi menos solicitado, com David Luiz a assumir também mais riscos.

- Efeito psicológico. Não derivou apenas desta jogada mas ela também contribuiu. É que o Benfica não começou a partida a acumular erros e estes só se tornaram mais frequentes quando o Sporting ameaçou a baliza de Quim. O efeito da confiança no desempenho técnico é evidente e a importância dos estados emocionais encontra aqui mais um exemplo elucidativo.

1º golo
Há bastante por dizer sobre o golo e, por isso, vamos por partes:

- Djaló e Amorim. Ruben Amorim é figura principal no desequilíbrio fundamental do jogo. O Benfica começa por sentir dificuldades e recorre a um passe longo e de sucesso improvável. É na segunda bola que as coisas se começam a decidir. Não se pode responsabilizar Djaló por um não acompanhamento individual, numa óptica zonal de defesa. Mas pode-se, isso sim, responsabiliza-lo por não ter estado devidamente reactivo na jogada. Se partiu da mesma posição do que Amorim, deveria ter também ter conseguido estar mais próximo do lateral do Benfica na abordagem à segunda bola. Se o tivesse feito, poderia ter pressionado de imediato. É nestes pormenores que se mede a intensidade dos jogadores nos jogos e é neles que, tantas vezes, estes se decidem.

- 2 x 2 mal resolvido – Se Djaló não pressionou, o Sporting posicionou-se bem no flanco, com o ajustamento de Pedro Mendes. O que falhou? Principalmente Grimi. Grimi deveria ter pressionado Amorim e hesitou com o movimento de Ramires. Uma troca defensiva que não se justificava e que não foi percebida por Pedro Mendes. O resultado foi uma passividade da dupla e um excelente aproveitamento de Ruben Amorim.

- Coentrão – Djaló não pressionou, Grimi facilitou, mas, mesmo assim, o desequilíbrio de Amorim não foi suficiente perante uma defensiva bem posicionada. A diferença foi feita do outro lado, no acompanhamento de Coentrão. A importância do papel dos laterais no modelo de Jesus é algo que já venho sublinhando e não é pelo que fazem com bola, mas, antes sim, pela postura agressiva que adoptam em todos os momentos do jogo. Aqui fica mais um exemplo. Há muitas equipas e treinadores que não permitem a subida dos laterais em simultâneo. Este Benfica é um exemplo de que essa não é uma regra sagrada para o equilíbrio táctico.

2ª golo
Vou-me repetir... Concentração, intensidade e, já agora, Grimi. Este é um lance que, embora rápido, é bastante simples... Primeira bola disputada por um dos centrais. O que deve acontecer é a protecção do espaço nas suas costas, com os laterais a fecharem por dentro. A chave do lance está na reacção de Grimi no momento da primeira bola.

Em vez de fechar o espaço, o lateral – tal como João Pereira – fica a pedir um fora de jogo de Kardec. Na realidade este foi um pormenor que passou despercebido à própria realização e não se chega a perceber se o argentino tinha ou não razão. O que importa, porém, é que Grimi sobrepõe o protesto à sua própria responsabilidade e perde por completo o controlo posicional da sua zona. Se Aimar se isola é porque Carriço teve também de sair da sua zona para pressionar Ramires. O que deveria ter acontecido era o brasileiro ser pressionado por Grimi e Carriço mantido o controlo da sua zona.

Outra nota poderia ter a ver com o fora de jogo no momento do passe de Ramires. Nem João Pereira, nem o próprio Grimi tiveram o instinto de subir a linha defensiva. Neste sentido, pode admitir-se uma critica colectiva por não o terem feito – embora seja discutível dada a rapidez do lance – mas não se pode nunca falar de erro individual a este respeito.



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25.11.08

O bom aproveitamento da passividade

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O filme da primeira parte
De Coimbra não sobraram grandes jogadas que tivessem a baliza como destino final. Sobraram, no entanto, vários exemplos de como a posse de bola deve ser conduzida, com grande mobilidade dos jogadores e utilizando toda a largura do campo. Ao Benfica terá faltado, como retrata a primeira jogada do vídeo (14 passes em 1 minuto de posse de bola), uma melhor definição na abordagem ao derradeiro quarto de campo, mas isso acabou por não ser, afinal, um grande problema.
Para que se perceba a superioridade e conforto encarnado em grande parte do jogo é preciso, no entanto, salientar um aspecto essencial. A atitude demasiado expectante da Académica. Repetidamente o bloco ‘estudante’ foi demasiado posicional, pouco agressivo e, sobretudo, pouco pressionante. Um pormenor que, em particular, condenou em grande medida as possibilidades de sucesso defensivo da Académica foi o tempo e espaço que concedeu à primeira fase de construção do Benfica. Repetidamente Luisão e Sidnei escolheram sem qualquer problema quando e por onde cada jogada deveria começar. Felizmente, consegui encontrar no jogo uma excepção a esta regra comportamental, que confirma também a utilidade que poderia ter uma atitude mais perturbadora para a primeira fase de construção encarnada.

O golo
O Benfica conseguiu reforçar-se com elementos que têm o condão de desequilibrar qualquer partida. Entre todos esses nomes que já tantas capas de jornais fizeram não consta Ruben Amorim, mas, para mim, o ex-Belenenses tem uma importância bem superior a muitos das mais sonantes aquisições encarnadas. A sua regularidade e inteligência fazem dele um jogador muito útil e, frente à Académica, provou-o mais uma vez.
No golo que abriu caminho à vitória, Amorim começou por decidir bem e rápido, abrindo em Nuno Gomes, antes de completar o movimento com a diagonal que lhe permitiu finalizar. Muito destacada foi a acção de Nuno Gomes. Sem lhe retirar qualquer mérito numa abordagem que o define como jogador, não posso deixar de considerar que na jogada há, em primeiro lugar, uma atitude muito comprometedora de uma defesa que, tal como em todo o jogo, foi pouco pressionante e pouco agressiva.


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