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16.11.10

Benfica - Naval: Análise e números

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“Foi um bom espectáculo”. A frase é empregue frequentemente mas nem sempre com a justiça com que este jogo a mereceu. Um “bom espectáculo” não quer dizer forçosamente que tenha sido um “bom jogo”, ou que o seu interesse tenha sido por aí além. Enfim, será mais uma questão de gosto do que outra coisa. A mim, pessoalmente, interessa-me mais o critério, a estratégia e racionalidade colectiva. Também gosto mais do espectáculo, claro, mas quando este resulta do mérito e não tanto de algum desleixo na abordagem que é feita ao jogo. E esse foi, a meu ver, um pouco o caso deste Benfica-Naval. Um “bom espectáculo”, muito mais do que um “bom jogo”. No fim, ganhou o Benfica e por larga diferença. Uma diferença que se justifica pelo volume ofensivo, mas que poderia ter sido atenuada com um golo que a Naval também não deixou de justificar.

Notas colectivas
Como se explica então o ritmo de parada e resposta que se viu durante muito tempo, nomeadamente na primeira parte? Sem tirar mérito – que o houve – às acções ofensivas, há que falar daquilo que as defensas não fizeram. Isto porque, se a Naval tem aspirações de retirar pontos a um “grande”, não pode cometer tantos erros na sua linha mais recuada e, por outro lado, o próprio Benfica não pode esperar deixar de passar por sobressaltos se não se acautelar melhor defensivamente.

Em relação ao Benfica, já acontecera a mesma situação com o Paços, que também conseguira um número de finalizações elevadíssimo na Luz. Desta vez a origem não é exactamente a mesma, porque o Paços conseguira impedir o Benfica de sair a jogar através de um pressing mais alto que forçou o Benfica a bater bolas longas e a disputar um jogo mais físico no meio campo. Desta vez, a origem não se repetiu mas o “meio” foi o mesmo.

Ou seja, o Benfica foi, é e continuará a ser uma tacticamente forte. Muito forte, mesmo. Posiciona-se muito bem em todos os momentos e reage rapidamente a todas as mudanças de situação no jogo. O problema é que o modelo de Jesus é bastante exigente porque arrisca sempre muito quando em posse da bola. Opta por uma circulação muito vertical e não hesita em colocar muita gente nos processos ofensivos. Neste sentido, o maior problema desta época – como várias, e várias vezes tentei explicar – está na segurança do passe na zona de construção. Ou seja, perdendo a bola em zona não muito alta, torna-se muito difícil lidar com a transição ataque-defesa, mesmo se a reacção colectiva me parece francamente boa após a perda. Foi isso que custou derrotas como as da Supertaça, de Guimarães, frente a Schalke ou Lyon.

Contra a Naval isso não aconteceu com especial frequência ou gravidade, mas houve alguma displicência na forma como a equipa defendeu, empregando pouca agressividade em duelos individuais que, sendo sucessivamente perdidos, abriram caminho às ocasiões que todos observamos na primeira parte do jogo.

Quanto à Naval, para além de ter permitido muitas ocasiões por parte do Benfica – normalmente uma goleada resulta de uma eficácia assinalável, mas este nem foi um desses casos – permitiu também que essas ocasiões fossem bastante claras. Para comprová-lo basta atentar a este dado: enquanto que no campeonato, o Benfica leva apenas, e média, 40% das suas finalizações à baliza, neste jogo 15 em 20 (75%) tiveram esse desfecho. De assinalar os inúmeros erros que a equipa cometeu no seu último terço, em particular na sua última linha defensiva.

Notas individuais
Coentrão – Não se pode dizer que tenha jogado mal, mas foi uma actuação francamente modesta e discreta para as suas potencialidades, e num jogo que tinha tudo para conseguir outro protagonismo. Pode ser coincidência, mas é impossível deixar de constatar que tal acontece no primeiro jogo após a hecatombe do Dragão.

David Luiz – Ao contrário do que aconteceu no Dragão, creio que a sua actuação deve ser censurada. A forma como abordou os duelos com Fábio Junior foi displicente e custou-lhe a perda de algumas situações proibidas e desnecessárias. Parece desleixo, e parece também estranho porque o aviso sobre a qualidade de Fábio Júnior já vinha do ano anterior.

Airton – Foi o jogador com mais passes completados, com mais intercepções e com maior % de passe da equipa. Um feito que Javi Garcia, nas 10 utilizações como titular nunca havia conseguido. Aliás, Garcia só por 2 vezes fez mais passes do que Airton neste jogo, e em nenhuma ocasião conseguiu tantas intercepções. O espanhol entenderá melhor o modelo e terá uma melhor noção posicional, mas não é, nem tão reactivo, nem tão forte nos duelos individuais, nem tão pouco tão certo no passe como Airton (apesar deste ter cometido 2 erros a este nível). Não digo que Airton só tenha vantagens, ou que o Benfica esteja mal servido com Javi, mas creio – já de há algum tempo, e com sucessivo reforço dessa ideia – que é o brasileiro quem garante melhor rendimento no desempenho do lugar.

Aimar – Fez provavelmente o seu melhor jogo no campeonato. Isto, porque o número de desequilíbrios que criou é incomparável com qualquer outra actuação na prova, ficando a dever a si próprio pelo menos 1 golo, que só por manifesta infelicidade não aconteceu. Ainda assim tenho uma critica a apontar-lhe. 60% de sequência em todas as posses que teve é muito pouco para quem joga ao longo de todo o corredor central. Aimar pode e deve trabalhar melhor o critério quando baixa para zonas onde o risco deve ser menor. E isso, assinale-se, já lhe custou, a ele e à equipa, alguns dissabores esta época.

Gaitan – Tivesse Gaitan outro nome e outra reputação e teria feito todas as manchetes do dia seguinte. Isto porque a sua exibição foi simplesmente estrondosa. Marcou 2 excelentes golos e ainda participou num total de 6(!) desequilíbrios da equipa. Para além disso, evitou erros que vinha comentendo em posse e teve um desempenho defensivo bastante bom, o melhor dos 5 jogadores mais ofensivos. Aliás, sobre isto importa dizer que Gaitan não é um jogador especialmente agressivo e, por exemplo, não consegue ser muito útil num pressing mais alto. Mas, por outro lado, é um jogador que se posiciona bem tacticamente e que tem esse sentido de responsabilidade colectivo. O seu maior problema, a meu ver, é a decisão em posse em zonas mais atrasadas, onde ainda arrisca demasiado e onde já perdeu demasiadas bolas nesta temporada.

Salvio – É mais agressivo do que Gaitan, está a melhorar claramente, mas sente mais dificuldades em termos tácticos. Porquê? Porque Salvio sempre foi um jogador de último terço, mais avançado do que médio, com menos responsabilidades tácticas e sem a necessidade de decidir com frequência a 50 metros da baliza. Nem na Argentina, nem no pouco tempo em que esteve no Atlético. Mas – repito – dê-se-lhe tempo...

Kardec – Marcou um golo e, mesmo se continuou ausente das dinâmicas da equipa, foi muito útil nas primeiras bolas, onde a Naval sentiu dificuldades. Para fazer o que Cardozo fez no campeonato até à lesão (derbi à parte) chega e sobra. Mas isso também não é propriamente um elogio...



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27.10.10

Portimonense - Benfica: Análise e números

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Chegou a dar a ideia de que teríamos um Portimonense capaz de incomodar, mas o curso do jogo depressa se encarregou de mostrar de que essa seria apenas uma ilusão. A questão não passaria, nem nunca passou, do primeiro golo. Isto, mesmo reconhecendo que não foi uma exibição particularmente inspirada do Benfica. O mérito vai apenas para a qualidade natural do futebol encarnado, confundindo-se também com algum demérito algarvio. Não tanto pela forma como não foi capaz de ir além das suas limitações, mas sobretudo pela incapacidade de resistir nos detalhes do jogo. Algo essencial para ambicionar ter sucesso, com o mínimo de realismo.

Notas colectivas
O domínio concedido era algo que já se esperava. Numa fase inicial – 2 ou 3 jogadas – o Portimonense deu a ideia de que poderia ser capaz de explorar a velocidade dos seus extremos e aproveitar o mau momento dos 2 laterais encarnados. O que o jogo revelou, porém, foi uma transição muito pouco consequente, partindo de uma zona de recuperação demasiado baixa e não tendo capacidade para evitar o isolamento repetido das unidades mais adiantadas. Ou seja, após a ilusão inicial, percebeu-se que o domínio não seria apenas concedido, mas total.

Talvez Litos tenha pensado em bloquear Aimar e a saída pelos flancos, como forma de limitar a construção encarnada. Intencional ou não, a verdade é que o Portimonense ofereceu ao Benfica o corredor central na primeira fase de construção, e isso, perante o Benfica de Luisão e David Luiz, não é propriamente aconselhável. É verdade que os corredores e Aimar apareceram pouco, mas os centrais encarregaram-se de arrastar sucessivamente o jogo para zonas já próximas da área contrária, sobretudo pelo recurso aos movimentos de Saviola, sobre a meia-esquerda.

Normalmente este cenário seria suficiente para tornar o golo numa questão de minutos, mas, desta vez, não foi. A inspiração foi, de facto, muito pouca, e raras vezes as jogadas terminaram em situações de finalização. O melhor que foi conseguido foram cantos e livres. Ora, se isso muitas vezes é insuficiente, desta vez depressa se percebeu que só com muita felicidade o Portimonense não pagaria a sua incapacidade de controlar o espaço aéreo neste tipo de lances. E assim foi. O Benfica acabou por marcar e o domínio tornou-se ainda mais intenso. Na parte final do jogo, aliás, o Benfica terá ficado a dever alguns golos para um maior ajuste do marcador à diferença revelada entre as equipas.

Sobre o capítulo essencial na decisão do jogo – as bolas paradas – é de notar que também frente ao Arouca o cenário fora idêntico. Ou seja, vale a pena renovar o elogio à capacidade encarnada, que não é nova, neste plano. Também vale a pena, ainda que possa não ser mais do que mera coincidência, referir que quer Arouca, quer Portimonense optaram pelo método individual de marcações.

Notas individuais
Maxi – Está hoje francamente desvalorizado aos olhos dos adeptos e este jogo pode serve bem para provar o seu momento menos bom. Maxi sempre teve as suas limitações, mas convém não exagerar. Trata-se de um bom jogador e de uma boa solução para o lugar, não vendo, pessoalmente, em Ruben Amorim uma opção necessariamente mais válida. Dependerá sobretudo do momento de ambos.

Centrais – Como expliquei acima - e os números comprovam - passou pelos centrais grande parte da responsabilidade do jogo. Ora bem, a sua qualidade voltou a ser perfeitamente evidenciada. Têm surgido criticas, mas a verdade é que se há coisa que se mantém com enorme qualidade é o papel da zona central mais recuada da equipa. Qualidade excepcional, mesmo. Aqui, e em termos individuais, convém fazer uma separação. Luisão está a fazer uma época irrepreensível, quase perfeita. David Luiz, mantendo-se num nível muito elevado, não está tão bem como o seu companheiro de sector, sendo certo também que assume mais riscos e responsabilidades em construção. Mas, neste jogo, por exemplo, falhou também algumas tentativas de antecipação que só não tiveram consequências pela própria natureza do jogo.

Javi Garcia – Porque foi decisivo e fez um bom jogo, talvez seja a hora ideal para relembrar o que dele foi dito há 1 ano. Foi apontado como um dos responsáveis pela melhoria do Benfica em 09/10, mas, como sempre referi, esses elogios eram exagerados. Javi é um jogador tacticamente inteligente e que compreende muito bem as responsabilidades de uma posição fulcral para o funcionamento do colectivo. Mas não é um jogador que individualmente corrija ou atenue problemas colectivos. Apesar de beneficiar da boa definição táctica da sua posição, não tem nesta liga, por exemplo, um rendimento superior a Fernando no Porto, ou mesmo André Santos no Sporting.

Saviola – Voltou a ser importante na criação de apoios e, face ao “eclipse” de Aimar em relação ao ano anterior, é a grande solução para a equipa em termos ofensivos. Frente ao Portimonense, porém, as coisas não lhe saíram bem e não foi capaz de dar boa sequência à maioria das jogadas que passaram pelos seus pés. Terá feito, provavelmente e em termos técnicos, o seu pior jogo na liga, mas é curioso como as criticas são bem mais duras quando, apesar de criar muito mais, falha alguns golos.

Kardec – Demorou 20 minutos a tocar na bola! Critiquei muitas vezes a pouca participação de Cardozo e, mesmo se não esteve nem perto das piores exibições do paraguaio nesta liga, Kardec começa a ilibar o seu concorrente pelo tempo que também passa fora do jogo. Kardec esforça-se mais, mas também dificilmente será capaz de protagonizar exibições ao nível do melhor Cardozo. Ou seja, se quiser complicar as contas a Jesus, o melhor mesmo será manter-se mais tempo dentro do jogo.



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4.10.10

Benfica - Braga: Análise e números

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Os dois escolheram o exagero para enfatizar o mérito das respectivas equipas. A verdade, como quase sempre, está algures no meio. Nem o Benfica criou muitas oportunidades de golo, nem o Braga foi capaz de ter uma grande reacção depois do 1-0. O Benfica foi quem teve domínio por mais tempo, mas não se pode dizer que tenha estado mais perto do golo do que o Braga. Com uma coisa concordo com Domingos: a eficácia e o primeiro golo seriam determinantes e, num jogo de poucas oportunidades, ambas as equipas poderiam ter conseguido essa vantagem. Outra coisa que as equipas partilham é o escasso número de erros durante o jogo. Um dado que, afinal, nem pode ser considerado muito normal, se tivermos o momento que ambos atravessam.

Notas colectivas: Benfica
O arranque do jogo foi muito bom. Boa atitude, pressionante e autoritária, impediu o Braga de jogar e manteve o jogo no meio campo contrário durante largos minutos. Para isso, contribuiu a boa postura e competência em ambos os momentos defensivos da equipa – organização e transição. Também a organização ofensiva merece nota. Coentrão recuou para lateral e mereceu uma estratégia especial de Domingos, com Salino a descair para a direita. O Benfica começou por se dar bem com o plano adversário. Circulou com fluidez em zonas baixas, obrigando o Braga a ajustar constantemente o posicionamento do seu bloco ao longo da largura do campo. Depois, o lado esquerdo – e apesar da tal colocação de Salino – foi quase sempre o flanco escolhido para o primeiro passe vertical. Primeiro, porque Lima tinha uma espécie de dupla missão no pressing mais alto e sentia dificuldades no tal ajustamento lateral à circulação que o Benfica fazia na sua linha mais recuada. Depois, porque Gaitan foi um elemento importante na criação de linhas de passe, acrescentando um problema ao Braga que esperaria apenas ter de controlar Aimar e Saviola no primeiro passe interior.

Mas o Benfica não foi, apesar dessa boa entrada, perigoso. Não foi porque, se na construção – com Gaitan, Martins e Coentrão em destaque – a equipa estava bem, mais à frente houve alguma desinspiração de Saviola e Kardec nos minutos iniciais. Com isto, perdeu-se o momento e abriu-se uma oportunidade para que fosse o Braga a crescer e a ameaçar. O jogo tornou-se mais dividido, menos dominado e, sobretudo, menos controlado por parte do Benfica. Nunca por causa de erros individuais, e mais pelo mérito que o Braga também teve em fazer valer os seus pontos fortes.

Acabou por ser feliz o Benfica, num lance que realça o mérito e capacidade dos seus elementos. Primeiro, a velocidade de transporte de Coentrão, a tirar tempo de organização à defesa do Braga. Depois, o papel vital desempenhado por Saviola, criando uma linha de passe que desfaz o 3x3 que o Braga criara no flanco. Finalmente, e já com o desequilíbrio numérico criado, Martins na inspiração final.

Um lance que decidiu o jogo, numa altura em que o seu destino era tudo menos óbvio.

Notas colectivas: Braga
Domingos arriscou uma estratégia compreensível, mas que não lhe saiu muito bem. Fechar a direita, abdicando de um extremo e introduzindo um ala interior – Salino – e “abrir” a esquerda, com o principal desequilibrador – Alan – e um lateral ofensivo – Elderson. Uma das virtudes desta opção seria não sobrecarregar demasiado o duplo pivot com necessidades de basculação, retirando-lhe a responsabilidade de vir à direita. E todos sabemos os problemas que o duplo pivot tem sentido em controlar o espaço entre linhas.

É sempre arriscado, e normalmente corre mal, mexer na estrutura de um momento para o outro. O problema que Domingos provavelmente não considerou foi a dificuldade de Lima “filtrar” a entrada de jogo pelo flanco direito, e foi por aí que o Braga começou por sentir dificuldades.

Outro problema evidente de Domingos, são as soluções para o meio campo. Percebe-se a preocupação do treinador em ter ao lado de Vandinho um jogador forte no passe, que possa dar qualidade, quer à construção, quer à saída em transição. Por isso opta, ora por Viana, ora por Aguiar ao lado de Vandinho, em vez do eléctrico Salino. Aguiar, e à parte do seu pontapé, é uma opção muito difícil de justificar em qualquer das posições onde vem jogando. Viana, e apesar de ter um sentido posicional muito mais apurado do que o uruguaio, também não tem a intensidade que muitas vezes se pede para a posição. Um problema, e isso viu-se pela paupérrima primeira parte que fez Aguiar, muito raramente em jogo. Melhorou com a troca com Viana, mostrando-se mais útil em zonas mais baixas, mas é para mim um mistério o porquê de sair Viana (a condição fisica não me parece suficiente) quando tinha um rendimento muito superior a Aguiar. Para este Braga, a perda de Mossoró criou um problema irreparável na dinâmica ofensiva.

Ainda assim, e apesar destes problemas, é importante notar a forma como o Braga sobreviveu à má entrada, evitando maiores situações de perigo junto da sua baliza. Aliás, e repito a ideia de ontem, num outro momento de confiança seria provável que o Braga conseguisse outro aproveitamento das oportunidades que criou e, nessa hipótese, dificilmente teria perdido este jogo.

Notas individuais: Benfica
Carlos Martins: não fez um jogo excepcional, mas apenas normal dentro daquele que vem sendo o seu rendimento. Realmente, só espanta o porquê de não ter tido mais minutos nos primeiros jogos. Martins não é hoje um jogador diferente do passado. Tem características excepcionais – como se viu no golo – mas faltam-lhe também outras. Está num bom momento e o seu desafio, como sempre, será a reacção mental a um momento mais adverso.

Gaitan: Foi um jogador muito importante na primeira parte, espalhando algum do seu "perfume" e protagonizando jogadas que, se fossem de outros mais consagrados, teriam sido fortemente empoladas. O problema é que Gaitan continua a arricar demasiado em zonas que podem ser muito perigosas num dia de menor inspiração, e isso, embora não tenha sido o caso, poderá custar caro. Ainda assim, a sua confiança está claramente a crescer e com ela fica bem mais claro o potencial que obviamente tem.

Saviola: A sua entrada no jogo foi, de facto, muito desastrada, perdendo quase todas as bolas que passaram pelos seus pés. Mas o acerto no passe não é a mais valia de Saviola. O que o distingue é a movimentação e foi isso que, de novo, fez a diferença. Esteve em todos os 3 desequilíbrios que a equipa conseguiu enquanto esteve em campo e fica-me a dúvida se o último e decisivo não terá vindo “just in time”. É que se preparava uma dupla substituição e se calhar Saviola iria sair. O seu momento técnico pode não deslumbrar, mas continua a ser a grande fonte de desequilíbrios da equipa.

Kardec: Importa falar dele porque, afinal, foi o substituto da grande ausência: Cardozo. É difícil dizer se o Benfica ficou a ganhar ou a perder, porque, face à sua irregularidade, não se sabe que Cardozo teríamos. Começou por ter muitas dificuldades em entrar no jogo, mas foi ganhando espaço e confiança e acabou por se fazer sentir no jogo aéreo. Seria bom para ele ter outra oportunidade...

Notas individuais: Braga
Paulão: Para mim foi a surpresa positiva do jogo. Dominou completamente a sua zona e não confirmou dúvidas que sobre ele se levantaram nos últimos jogos.

Silvio: Percebe-se bem que é o lateral mais fiável do Braga, quer à direita, quer à esquerda. De longe! A Selecção é outra conversa...

Luis Aguiar: Já falei dele atrás e também no Dragão havia tido uma prestação muito negativa, para além do golo. O seu pontapé é uma arma rara, mas tem de estar muito inspirado para compensar a nulidade de rendimento que teve. Domingos estará melhor quanto mais depressa encontrar alternativas para o uruguaio no modelo base. Pela amostra que tenho, é a única opinião que posso ter.

Salino: A sua energia dá nas vistas e muitas vezes acaba por parecer fazer mais do que aquilo que realmente faz. Ainda assim, é um jogador interessantíssimo, com grande intensidade e boa qualidade técnica. Só falta perceber qual é, realmente, a sua posição no modelo. Os elogios são, por isso, justificados (ainda que sem exageros), mas há que notar também que Salino representa um pouco da quebra de confiança e eficácia do Braga pós-Emirates. Frente ao Shakhtar teve 2 clamorosas ocasiões e, agora, mais um “penalti em movimento”. Como seria diferente a história - sua e da equipa - se tivesse tido um bom aproveitamento destas ocasiões...



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21.7.10

Guimarães - Benfica: notas colectivas e individuais

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Os últimos anos fizeram deste um clássico de pré época. A versão 2010 terá sido provavelmente a menos interessante de todas. Culpa do Vitória, claro, que só não evitou um enorme embaraço graças à gentileza de Roberto. Antes dos detalhes, porém, quero deixar uma nota introdutória sobre os dados estatísticos que apresento. Há algum tempo que venho acompanhando as minhas análises e observações com a recolha destes números. Não se trata de um mero capricho meu, mas antes de uma tentativa de obter, através de um tratamento coerente desta informação, uma importante ferramenta de análise qualitativa de equipas e jogadores. Para tal, criei uma pontuação ponderada e que apresento pela primeira vez. A ideia será fazer deste um indicador com presença constante, já durante a próxima época...

Benfica (colectivo)
Como se esperava, as férias não serão mais do que uma pausa no Benfica de Jesus. Retomados os trabalhos, e mantida a qualidade do plantel, voltou a qualidade. Para o Benfica, este Vitória foi pouco mais do que manteiga. O seu futebol está, nesta altura, noutra galáxia e nem sequer precisa de despir o pijama. Basta-lhe manter a organização e forçar alguns momentos de intensidade e logo aparecem as transições demolidoras, frutos de um pressing colectivo que é um dos principais alicerces do modelo. E já está. Mesmo com Roberto a complicar.

No Benfica, apenas uma reserva. Não é Roberto, porque mesmo que se confirme um fiasco, há sempre Julio César para garantir que não será na baliza que a equipa vai perder qualidade em relação ao passado. É sobre Aimar. No ano passado falei repetidamente do tema. Aimar ocupa a posição mais importante do modelo e ninguém garante a sua qualidade em todos os momentos do jogo. Se o argentino fosse fiável fisicamente, não haveria motivos para urgências, mas no meio de tantos milhões continua a fazer-me confusão como não se procura mais afincadamente uma alternativa para um jogador tão importante e que promete progressivamente perder minutos de utilização.

Benfica (individual)
O primeiro destaque individual vai para Kardec. Não pelos golos, embora eles sejam de importância óbvia. O detalhe é que o nível de participação e de qualidade no jogo foi bastante elevado e, sobretudo, bem melhor do que aquilo que Cardozo costuma apresentar. O paraguaio que se cuide.

Sobre Gaitan, nenhuma surpresa. Escrevi-o ainda antes de sequer se sonhar que seria reforço do Benfica. Tem semelhanças com Di Maria, sem lhe ficar em nada a dever na maioria dos aspectos. Pode ainda não ter revelado a mesma explosão, mas decide melhor, joga melhor em espaços interiores, é melhor na zona de finalização e nada inferior tecnicamente. Dificilmente Di Maria será um fantasma na Luz.

Também um jogador que não surpreende é Airton. Não fez uma exibição isenta de erros, mas voltou a confirmar a sua fiabilidade. Já agora, fica a informação porque não está no quadro: Javi Garcia foi o pior do Benfica, pontuando 4,8, consequência de 4 perdas de bola em apenas 45 minutos. Outro titular a precisar de se cuidar...

Menos fulgurantes estiveram Jara e Menezes. O primeiro marcou um grande golo, mas não conseguiu a presença que dele se pode exigir. O segundo jogou simples, mas nem acrescentou nada em termos criativos, nem ficou isento de erros. Assim será difícil...

Guimarães (colectivo)
Que mau! Primeiro fiquei com a sensação de que o Vitória teria recuado para os tempos de Vingada. Isto, pelas semelhanças em termos de elasticidade táctica e ausência de um modelo mais rotinado. Mas não. Com Vingada, nunca foi tão mau. Pela sua filosofia, nunca poderia esperar um crescimento com a chegada de Manuel Machado, e seguramente que só pode melhorar, mas, para já, os indícios não são nada bons para o futuro próximo do “professor”. Há que contar com a qualidade do adversário e considerar ainda que o trabalho está apenas no inicio, é certo, mas parece-me que o melhor é mesmo que o Vitória comece a arrepiar caminho na construção de um verdadeira equipa. Manuel Machado está como a sua filosofia: preso às referências individuais. Parece preocupado em encontrar a qualidade ideal para cada lugar, mas enquanto não o consegue a equipa demonstra um nível raramente baixo de qualidade organizacional, que combinou igualmente com uma boa dose de imprudência decisional. Como disse atrás, valeu Roberto.

Guimarães (individual)
O “caso” chama-se Faouzi. Impressionante qualidade técnica e impressionante eficácia de passe para quem joga na sua posição. O problema, porém, é que Faouzi não parece perceber a importância das zonas para a posse. As poucas bolas que não endossou correctamente resultaram em transições e uma delas esteve na origem de um golo. Alguém queira explicar-lhe melhor estes detalhes e podemos estar perante uma estrela emergente.

À margem de Faouzi – um caso especial – os reforços do Vitória não parecem ser o problema de tantos problemas colectivos. Pereirinha promete afirmar-se finalmente na posição onde tem mais probabilidades de sucesso. Ainda na defesa, mas do outro lado, Anderson Santana esteve bem melhor do que Bruno Teles. Na frente, e já conhecido, Edgar foi presença útil, embora não se perceba que possa ser uma grande mais valia em relação ao que foi Roberto, por exemplo. Nota, finalmente, para Bebe e Maranhão entre os reforços analisados. A confusão em relação a comum e onde devem ser utilizados diz muito sobre o estado de coisas no momento. Bebé parece ter caído nas graças dos adeptos, mas é Maranhão quem merece esperanças mais legítimas de qualidade.



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28.12.09

Mercado: As aquisições de Benfica e Sporting

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Quem olha para as contas não consegue perceber, e, por isso, há algo para explicar na origem de toda esta agitação do mercado. O fenómeno que já não é novo na Luz parece agora ter contagiado o outro lado da circular e a crise, subitamente, também acabou em Alvalade. Perceber a parte financeira ou, mais importante ainda, discutir modelos de gestão é algo que justifica um lugar de destaque na agenda, mas, por agora, falemos apenas da parte desportiva...

Benfica – Airton, Kardec, Eder Luis
Sobre Airton já aqui deixei uma opinião mais detalhada. Trata-se de um jogador com todas as características para substituir Javi Garcia e que poderá ser também alternativa para a posição de central.

Mas o Benfica foi também à procura de uma outra solução para a frente de ataque. Alan Kardec foi o escolhido e estou em crer que há da parte do Benfica uma crença de que este jogador possa render mais do que a sua trajectória indica. Isto porque, depois de um inicio promissor em 2007, Kardec ofuscou-se dentro do panorama futebolístico brasileiro, aparecendo apenas no Mundial de sub 20 onde beneficiou das inúmeras ausências no ‘escrete’ para ser titular. Não é um jogador de estatura invulgar, mas tem no jogo aéreo a sua imagem de marca, conseguindo ser muito dominador nesse plano. Será a sombra de Cardozo e é provável que substitua um infeliz Keirrison. A troca percebe-se à luz das dificuldades que o ex-Coritiba vinha revelando, mas há também que dizer que será muito difícil alguém perceber uma troca deste tipo, olhando apenas o rendimento de cada um dos jogadores dentro do futebol brasileiro.

Entretanto, nas últimas horas, vem ganhando força a hipótese de Éder Luis. É um jogador que, tal como Tardelli, teve um crescimento considerável no último ano ao serviço do Atlético Mineiro. Éder Luis é um bom executante, mas é sobretudo pela velocidade que se destaca, ganhando especial protagonismo em situações de transição. Embora esteja a ser encarado como reforço para a linha da frente, estou certo que a sua aquisição, a confirmar-se, terá muito a ver com a sua polivalência. É que se Éder Luis vinha jogando como avançado no Atlético, no São Paulo experimentou muitas outras posições, especialmente junto das laterais.

Sporting – João Pereira e Pongolle
Terá sido a primeira surpresa do mercado. João Pereira foi aposta forte para a direita. Quanto à necessidade de reforçar a posição, há muito que ela é clara. Mesmo urgente, tendo em conta a falta de rendimento das soluções que aí vêm actuando. João Pereira tem tudo para triunfar. Apesar da sua postura por vezes demasiado temperamental, combina todas as qualidades que são necessárias a um bom lateral e muito dificilmente deixará de ser o dono da posição nos próximos anos em Alvalade. É, por isso, uma aposta segura. Há 2 pontos que quero ainda focar neste aspecto. Primeiro o custo. Tem sido algo comentado, mas creio que, atendendo ao contexto da transferência e ao que se pode esperar do jogador, o preço é apenas o justo. Não foi seguramente uma opção visionária do Sporting, mas também não me parece um negócio extraordinário para o Braga. Finalmente, referir que ficou por testar mais declaradamente Pereirinha na posição. É uma pena para o jogador, até porque, muito provavelmente a defesa será, mais tarde ou mais cedo, o seu destino no campo de jogo.

O outro nome, Sinama Pongolle, também representa uma aposta importante. O perfil percebe-se perfeitamente. Pongolle oferece a Carvalhal a possibilidade de utilização, quer como extremo num 4-3-3, quer como avançado em 4-4-2, numa polivalência apenas apresentada por Vukcevic no plantel. Aliás, o montenegrino é quem tem o lugar mais ameaçado com este reforço. Pongolle terá seguramente qualidade suficiente para actuar de leão ao peito, a questão, no entanto, por saber até que ponto será mesmo uma mais valia. Algo que dependerá muito da atitude do francês. O que é certo, por agora, é que o Sporting precisa de mais capacidade no último terço para dar seguimento ao crescimento observado na fase de construção do seu jogo.
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