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28.7.11

Reforços 2011/12: Danilo (Porto)

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Perfil evolutivo - Danilo revelou-se no América Mineiro em 2009, jogando na Série B de 2010, onde deu nas vistas e se transferiu para o Santos. Este, talvez seja o primeiro ponto a reflectir sobre a evolução do jogador: este mesmo jogador (sublinho "mesmo") foi contratado há cerca de 1 ano por um valor cerca de 10x inferior ao que agora ditou a sua viagem para Portugal. A partir da sua chegada ao Santos, nada de estranhar em relação ao estatuto que entretanto assumiu. Não só o Santos é um dos "grandes" do futebol brasileiro, como fez coincidir com a passagem de Danilo uma das mais bem sucedidas páginas da sua História (sobretudo pós-Pelé). Danilo, sendo jovem e assumindo um papel, não só preponderante, mas decisivo, tornou-se num alvo evidente para meio mundo. Sem surpresa, portanto.

Perfil táctico/técnico - Trata-se de um jogador alto e longilíneo, de passada larga, que apenas analisei como médio interior direito, mas que pode também actuar como lateral. Tacticamente, é um jogador que pensa o jogo primariamente pelo lado defensivo. Isto é, no critério em posse privilegia a segurança, e mantém sempre uma grande concentração táctica, quer no que respeita aos equilíbrios, quer no que respeita às compensações. Depois, ofensivamente, a sua maior virtude passa pelos movimentos de rotura, especialmente sem bola, aparecendo bem de trás em zona de finalização. Fez alguns golos decisivos na Libertadores, através de remates exteriores, mas essa não é uma situação que pareça ser-lhe muito habitual.

Em termos de capacidade em posse, já foi feito o destaque em relação ao critério. De resto, e apesar de revelar boa qualidade de definição em diversos detalhes, não pareceu muito vocacionado para uma abordagem criativa ao jogo, nem, tão pouco, pareceu imune ao erro em posse, apesar da tal segurança no critério, já referenciada.

Por fim, sublinhar o potencial que representa um jogador deste tipo para os momentos de transição. Pela velocidade de recuperação e pela facilidade com que integra os movimentos ofensivos, mesmo a partir de posições mais recuadas.

Futuro no Porto - Antes de mais, convém lembrar que estamos a tratar de um jogador de apenas 20 anos. Ou seja, tem muito tempo para evoluir, e Danilo, sendo já um óptimo valor, tem condições para chegar ainda mais longe. O segundo ponto vai para realçar a importância de se clarificar em que posição jogará preferencialmente. Pessoalmente, e olhando para o 4-3-3 actual, parece-me que a posição de "pivot" lhe pode assentar bem. Porque não parece ter vocação criativa para uma posição mais ofensiva, e porque, de facto, tem um perfil de decisão mais próximo do que se espera de um "pivot", quer ao nível do critério, quer ao nível dos comportamentos defensivos. Dentro desta hipótese, Danilo poderá, aliás, garantir uma característica apresentada por Fernando e que não é muito comum nos jogadores desta posição: a reactividade/velocidade de recuperação.

Por outro lado, e olhando para as soluções de hoje no plantel portista (Danilo só deverá chegar em Janeiro, pelo que algo poderá mudar), não parece nada fácil entrar nas contas principais do treinador, sobretudo como médio mais ofensivo. Não está muito claro quando e onde, mas Danilo parece estar destinado a um papel relevante no futuro.

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26.7.11

Reforços 2011/12: Alex Sandro (Porto) (Parte II - Vídeo)

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Como complemento da análise, deixo o vídeo com o detalhe das acções de Alex Sandro no jogo que o Santos venceu o Avai por 2-1, no Brasileirão 2010.

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Reforços 2011/12: Alex Sandro (Porto) (Parte I)

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Perfil evolutivo - Apesar de jovem, Alex Sandro não é originário do clube de onde chega para o Porto. A sua aparição no plano principal aconteceu no Brasileirão de 2009, incluído numa série de jovens que emergiram na equipa principal do Atlético Paranaense, seu clube de formação e uma das mais reputadas escolas do futebol brasileiro (o seu centro de treino foi considerado o melhor do país num estudo recente). A sua transferência para o Santos deu-se em 2010, passando a ser figura presente mas sem conseguir nunca o estatuto de "titular", numa corrida que foi travando com o ex-benfiquista (e muito mais experiente) Léo. Neste sentido, e mesmo reconhecendo-se o potencial do jogador, uma transferência deste nível (e por estes valores) não pode deixar de constituir alguma surpresa. Seja como for, Alex Sandro tem ainda um último palco para se valorizar, antes de encarar o desafio do Dragão: o mundial sub 20.

Perfil táctico/técnico - Começando pelo motivo que justifica tanto interesse pelo jogador: Alex Sandro tem uma notável capacidade para se impor ao longo do seu corredor. Agressividade, potência, velocidade e antecipação. Tudo características que estão pouco na moda na generalidade das prosas sobre o jogo mas que, goste-se ou não, constituem o grande dominador comum dos principais laterais, tanto no futebol português, como no futebol mundial na actualidade. E quem quiser realmente olhar para o que fazem os laterais de hoje perceberá facilmente porquê. Não só estas características ajudam a garantir explosão e profundidade no corredor, como, mais importante ainda, auxiliam num papel decisivo dos laterais modernos: a transição ataque-defesa. Mais do que travar duelos de 1x1 perante os extremos contrários, os laterais de hoje têm, defensivamente, o papel de matar ou congelar a transição adversária, sempre que esta ameaça libertar-se no seu corredor. Coentrão, Fucile, Alvaro Pereira, Maxi e João Pereira foram, no passado recente, os laterais mais fortes do futebol português (alguns deles do mundo), e todos eles partilham de uma grande capacidade interventiva, sobretudo em transição, sobretudo em antecipação. Alex Sandro tem esta facilidade, e é bom que a tenha, porque dificilmente alguma vez poderia sonhar em justificar o dinheiro que nele foi investido, se não a tivesse.

A má notícia sobre Alex Sandro, é que não há muitos mais elogios a fazer-lhe para além da dinâmica e capacidade interventiva que consegue manter no seu corredor. Em posse residirá o seu principal problema, errando demasiado e, sobretudo, denotando pouco rigor no critério que escolhe em muitas intervenções. É um "isco" facilmente identificável para atrair um erro na saída de bola, e isso facilmente se verá se não houver uma evolução clara do jogador neste plano. Depois, em termos posicionais, Alex Sandro tem natural apetência para defender alto e de forma pouco criteriosa ao longo do corredor, procurando sempre a oportunidade de antecipar, e privilegiando em demasia a referência "homem" e muito pouco a manutenção do espaço e equilíbrio posicional com o central mais próximo. Finalmente, dentro da área também não parece ser muito confortável na resposta a cruzamentos, quando se junta aos centrais (este é um dado que, no entanto, não tenho completamente confirmado).

Futuro no Porto - A minha avaliação vai, claramente, para uma necessidade de evolução e maturação do jogador em diversos aspectos. Mas, como expliquei, Alex Sandro tem as características necessárias para poder partir para uma evolução positiva. Por outro lado, no Porto terá tudo para poder fazer este trajecto, pelo que muito dependerá da capacidade de aprendizagem do próprio jogador. A questão do critério em posse será o aspecto mais difícil de trabalhar e fazer evoluir, já que o posicionamento táctico é menos intrínseco e mais facilmente corrigido através do treino. Uma vantagem que Alex Sandro poderá contar tem a ver com o perfil, já que, mantendo-se Álvaro Pereira, é previsível que o modelo da equipa se prepare para um lateral mais interventivo e dinâmico ao longo do corredor, ajustando-se precisamente ás suas características. Este problema, da discrepância entre os perfis de Alvaro Pereira e as restantes alternativas para o lugar (Rafa e, sobretudo, Sereno) foi notório no ano anterior, aquando da indisponibilidade do uruguaio. Se, pelo contrário, Alvaro sair, então poderá estar colocada maior pressão sobre os ombros do jovem brasileiro, ficando a sua afirmação muito mais dependente de uma adaptação rápida às novas exigências. O ideal seria uma integração progressiva, sem o fardo de ter assumir a titularidade no imediato.

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22.5.11

Final da Taça e outras notas (breves)

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- Começar pelo mais incrível: 7 golos na primeira parte! Alguém se lembra de ter visto tal coisa? Vejo vários jogos - muitos mesmo! - não digo que nunca o tenha presenciado, mas confesso que não me recordo. Não admira... alguém suspeita qual a probabilidade teórica de isto se verificar num jogo com estas características?

- Sobre o jogo, voltarei com mais detalhes, mas fica claro que tudo ficou definido no primeiro tempo, que ambos os treinadores se deverão lamentar por tantos e tão frequentes momentos de descontrolo defensivo, e, já agora, que a eficácia foi fundamental na definição da diferença expressiva com que o jogo foi para o intervalo.

- Num exercício de apelo à memória, recordam-se das criticas de pré época a um Porto que marcava pouco? Recordam-se das declarações de André Villas Boas, que não precisava de golear, mas apenas de ganhar? Quem diria...

- Em Espanha, consumou-se o feito histórico de Ronaldo. Na verdade, não é apenas um. Não só se tornou no melhor marcador de sempre numa época em Espanha, como se tornará no primeiro jogador a conseguir o título de melhor marcador europeu em dois campeonatos distintos. Não sei qual o lugar que a História lhes reserva, mas quantos jogadores existiram que, jogando a partir de posições exteriores, marcaram tantos golos como fazem Ronaldo e Messi. Assim de repente, lembro-me apenas de Eusébio e Pelé.

- Em França, o projecto de continuidade do Lille atingiu, finalmente, a consagração. Uma equipa que, tal como muitas outras em França, desprezou a Europa em privilégio das competições internas, e que, por isso, não tem tão boa imagem externa como aquela que merece. Entre todos, claro, Eden Hazard é quem mais atenções justifica. Não é para todos ganhar o prémio de Melhor do Ano numa liga como a francesa, com apenas... 20 anos!

- Uma nota, também, para o inicio do campeonato do brasileiro. Ronaldinho começou com um espectáculo individual e Liedson a decidir de forma espectacular numa das mais difíceis deslocações em toda a prova. Lembrando que continua a ser um jogador disponível para a Selecção, a pergunta que me assalta é: que sentido fará, se Paulo Bento o continuar a deixar de fora depois de o pré convocar?

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9.12.10

5 Sul Americanos ligados ao Benfica

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Não costumo falar muito de reforços potenciais, daqueles que aparecem e desaparecem nas páginas dos jornais, mas vou abrir aqui um parêntesis sobre alguns nomes sul americanos que apareceram ligados ao Benfica. Entendo que a prospecção internacional dos grandes clubes tem dado sinais de maior arrojo nos últimos anos, mas, ainda assim, há coisas que me continuam a fazer alguma confusão. Alguns perfis e muitos "timings". Ainda assim, volto a fazer notar, que a solução de uma ida brusca mercado dificilmente resolverá verdadeiramente o problema do Benfica 10/11.

Elias - Já está garantido para o Atlético de Madrid. Na verdade, não posso dizer que o conhecia quando era um desconhecido, mas há muito que lhe reconheço qualidades técnicas e tácticas muito acima da média e não era preciso ter esperado pela Selecção para que fosse gerado tanto entusiasmo em seu redor. Em Julho de 2009, referi-me às suas qualidades numa análise que fiz à final da Copa do Brasil desse ano. Não seria, na altura, um alvo fácil, mas estaria, seguramente, muito menos inflacionado do que hoje...

Jucilei - Vi-o num jogo pelo J.Malucelli, pelo campeonato paranaense. Fez um jogo tremendo e marcou um grande golo. Estávamos em Março de 2009, tinha 20 anos, e fiz essa referência aqui. Agora, que joga no Corinthians e até já foi à Selecção, é capaz de ser um pouco difícil fazer um bom negócio...

José L. Fernandez - Este ala do Racing é um bom jogador, não me entendam mal, mas parece-me tão questionável que o seu nível chegue para o Benfica, que até nem acredito muito que estivesse mesmo na agenda dos encarnados. Enfim, tudo é possível, porque também já ouvi/li comentários favoráveis à sua contratação. A gente logo vê...

Enzo Perez - À parte dos brasileiros, é o jogador mais interessante. Não deve ser acessível porque é, há muito, um dos destaques da melhor equipa argentina nos últimos anos. É um ala, que pode jogar em zonas interiores ou mais aberto. É forte tecnicamente, criativo e tem também boa capacidade de trabalho. Não é um talento para ser estrela mundial, mas tem o perfil adequado para jogar como ala no modelo de Jesus.

Funes Mori
- Inclui-o na lista de 20 (na verdade foram 30) talentos do campeonato argentino, faz agora 1 ano - 6 deles vieram para Portugal meio ano depois! Na altura não era óbvio, porque tinha apenas alguns minutos na equipa principal do River. Entretanto, começou a jogar regularmente e hoje é, provavelmente, o jovem mais mediatizado do campeonato. Ou seja, não é fácil contrata-lo. É um jogador realmente interessante, um ponta de lança típico, como normalmente se imagina. Alto, boa presença aérea, bom a jogar de costas e forte nos movimentos em zona frontal. Também não admira que Jesus aprecie este jogador, porque é jovem e tem todas as características a que dá primazia para o seu '9'.

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5.12.10

Vitória do Sporting e Fluminense campeão (breves)

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- Parece-me interessante ver este jogo tendo como foco a situação de ambos os treinadores. Paulo Sérgio, ganhando, ficou com um pouco mais de folga. A expectativa real, parece-me, exige-lhe apenas a posição que atingiu com a obtenção dos 3 pontos. Enquanto mantiver o Sporting na "pole position" para o 3ºlugar e dentro das outras competições, o treinador não deverá ver o seu posto ser muito contestado. Isto até final da época, porque 11/12 será outra história. As coisas, a este respeito, estão mais aliviadas, mas a dupla deslocação a Setúbal terá igualmente um peso importante. Especialmente a primeira, que é a eliminar.

- Litos, que começou a perder este jogo na segunda parte do jogo de 2 dias que teve com o Leiria, pode ter ficado em piores lençóis. O Portimonense precisa de algo que produza um efeito psicologicamente positivo para poder, sequer, sonhar com a manutenção. Aliás, a vulnerabilidade desta equipa explica boa parte da facilidade que o Sporting teve para resolver, de repente, um jogo que acabara de se complicar. Litos agarra-se ao "Pai Natal", que é como quem diz a um regresso a Portimão e a 1 ou 2 reforços que possam dar nova energia à equipa. Para mim, a única via passa por interromper imediatamente o momento actual, e depositar esperanças nessa renovação emocional. Isto é, trocar de treinador. É um tema que conto abordar num futuro próximo: não tem a ver com competências técnicas ou tácticas, mas com a complexidade do futebol.

- Entretanto, no Brasil, terminou aquele que já apelidei de "melhor campeonato do Mundo". Uma ideia que mantenho. Há um ano o "time de guerreiros" do Fluminense, comandado por Cuca sobrevivia à despromoção na última jornada. Hoje, muitos desses jogadores festejaram o título, batendo Cuca, que terminou a época levando o Cruzeiro ao segundo lugar. É apenas uma das ironias do passado recente de um competição marcada pela supremacia da emoção sobre a razão. Ainda no âmbito dos cânticos mais popularizados no Brasil, "O campeão voltou!" é uma moda recente. Pena que Muricy Ramalho não tenha a sua própria torcida, porque ele é, nos tempos que correm, o maior "campeão" do futebol brasileiro...

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19.9.10

Derbi vermelho e outros jogos (Breves)

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- Ainda irei rever o jogo antes de uma análise mais aprofundada, mas para já fica a certeza de um 'derbi' completamente vermelho. Uma diferença ao nível da qualidade táctica do modelo - como sempre venho referindo, não ao nível técnico-táctico que reside o problema do Benfica - e, muito importante também, da inteligência na estratégia adoptada. No futebol, como em quase tudo, a qualidade sobrepõe-se sempre à quantidade. A partir daqui podemos começar a perceber o paradoxo de o Sporting ter sido a primeira equipa a ter mais posse de bola do que o Benfica esta época e, ao mesmo tempo, ter sido provavelmente aquela que menos problemas causou ao jogo encarnado. Paulo Sérgio - na minha opinião - fez bem em dar continuidade ao onze e ao modelo, o que tem é de ter alguma noção da qualidade que a equipa não tem para assumir um jogo de posse e circulação no meio campo adversário. Por fim, fica a pergunta: porque é que Cardozo, tão limitado fisicamente, faz o seu melhor jogo ao terceiro jogo semanal?

- Em Paços, o Braga quase ganhava. Seria um feito fantástico, dada a sua pouca produtividade e, diga-se, é já fantástico não ter perdido. Enquanto a sua organização e discernimento vão sofrendo com as "dores" deste súbito crescimento, vai valendo mais um episódio de grande eficácia ofensiva. E, mais uma vez digo, não é por acaso.

- Tivemos cá derbi, mas muitos outros clássicos houve pelo mundo. Em Inglaterra, Berbatov foi o protagonista, mas ficou também uma grande exibição de Nani, talvez o mais desequilibrador jogador do campeonato inglês (mais uma vez pergunto-me como é possível alguém subestimar o potencial de uma Selecção que conta com este tipo de talento?!). Em França, Gourcuff voltou a Bordéus e... perdeu! Na Alemanha, o sempre quente duelo entre Dortmund e Schalke foi resolvido por um jovem... japonês: Kagawa. Em Espanha, o Barcelona conseguiu ganhar onde o ano passado perdera. Na Turquia, o primeiro clássico de Quaresma terminou com um empate a 1, em casa do Fenerbahce. Na Holanda e em Roterdão, ganhou o Ajax. Não está muito difícil de ver quem vai ser campeão, quando se juntam Suarez e El Hamdaoui numa mesma equipa. Finalmente, no Brasil joga-se ainda o 'Fla-Flu', mas já dá para dizer que um adolescente tramou Scolari no derbi paulista frente ao São Paulo: Lucas Silva(ex-Marcelinho).

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5.9.10

alguns vídeos do fim de semana...

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- Poucas Selecções têm tantos motivos para acreditar na sua juventude como a Bélgica. Enquanto me questiono se algum dia verei uma grande equipa nos ombros de Hazard, Lukaku e companhia, peço que se olhe para uma jogada no meio do resumo da recepção à Alemanha. O movimento de Muller, do inicio ao fim. Estaremos outra vez na África do Sul?

- Estava a ver o resumo da derrota francesa e estranhei o nome, Kislyak, o "carrasco" gaulês. Depois de confirmar, de facto, era aquele médio que me havia impressionado no Euro sub 21. Pelos golos, mas mais do que isso. Parece que continua em Minsk, mas não deve ser por falta de talento para bater na bola. Só lhe vi um jogo, não posso jurar que valha a pena, mas não deixo de estranhar que, 1 ano depois, ainda não tenha saído do seu modesto campeonato.

- Marcelo Toscano? O Paraná está a tentar encontrar substituto para o nome que entusiasma Guimarães. Anderson Aquino, um dos candidatos, apareceu e fez isto.

- Finalmente, e sem mais comentários, o susto de Mehmet Scholl!.

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2.9.10

O epílogo do mercado e... afinal o que é um "pinheiro"?

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- Quem diria, o mercado tem um epílogo! Os desempregados, pois claro. O Sporting dá o mote com Hildebrand e, diz-se agora, poderá dar continuidade com Franco. Num tempo de vacas tão magras, quem sabe não pega moda?

- Guillermo Franco. É, de facto, um jogador forte no jogo aéreo. Mas para quem quer jogar com uma referência para um jogo de construção mais directa. É que Franco não é mais alto do que Saleiro, por exemplo, e Saleiro não é um "pinheiro". Mas... o que é então exactamente um "pinheiro"?

- Entretanto, no Brasil, Deco defrontou Scolari. Ao ver o risonho abraço dos dois antes do jogo, e de repente, parecia que estava a ver o final apoteótico de um filme. E bem que o trajecto dos dois dava um filme...

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23.8.10

6 é o número!

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- 6 pontos levam os líderes, Porto e Nacional. 6 de vantagem sobre o campeão e maior candidato no arranque, o Benfica. 6 pode parecer pouco agora, mas 6 serão 6, quer no inicio, quer no fim. Ainda assim, 6 pontos não é o mais importante que o Porto ganhou em relação ao Benfica neste arranque de época. O que é mais importante é a estabilidade para evoluir. O futebol não entusiasma por aí além, mas, enquanto a concorrência procura o melhor ansiolitico, o Porto tem confiança e estabilidade para evoluir e continuar a ganhar. E já deu para ver o que a confiança e estabilidade podem fazer ao talento. Falcao e Belluschi para já, Hulk virá mais tarde...

- Em Alvalade, o atraso ainda não é de 6. Não é, mas podia ser. O Sporting ganhou, podia ter empatado ou até perdido. É a tal volatilidade de que há muito venho falando. O problema deste Sporting de Paulo Sérgio é que todos os sintomas indiciam um estado crónico e só uma combinação muito improvável de factores virarão o seu destino. Enquanto tenta resistir, é curioso ver a ironia do destino. Paulo Bento foi durante muito tempo criticado - erradamente, a meu ver - por jogar sempre com o mesmo sistema. Hoje, a critica que pegou moda para Paulo Sérgio é que... joga sempre com sistema diferente...

- Entretanto, anda tudo deliciado com a moda dos 6 em Inglaterra. É giro elogiar festins de golos, mas, se me perguntarem, é tão problemático para uma liga ter golos a menos como golos a mais. Especialmente se forem todos para o mesmo lado. Mais importante do que o entretenimento é a competitividade.

- No Brasil, acabados de terminar, clássicos do Rio e São Paulo com influência na luta pela liderança. O Corinthians parece querer mostrar que pode sobreviver à baixa de Mano Menezes: 3-0 ao São Paulo e mais perto do líder 'Flu'.

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16.8.10

Domingo de complexidades

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- Ora aí está mais um exemplo da enorme complexidade que o futebol pode assumir. A súbita "crise" do Benfica. A sequência de jogos sem ganhar na jornada inaugural. A terceira vitória da Académica em 4 anos de visitas à Luz. Podemos debruçar-nos o tempo que quisermos, com o detalhe que desejarmos, mas, não se deixem enganar, a nossa compreensão real sobre tudo isto será sempre muito reduzida.

Enfim, pode dizer-se que, em apenas 2 jogos oficiais, a pré época do Benfica parece ter sido reduzida a um redondo zero.

- Em França anda tudo louco. O recém promovido Caen, depois de ter ganho em Marselha, bateu agora o Lyon. Fica a nota para análises futuras.

- No Brasil, Muricy volta a ameaçar aniquilar o tradicional equilíbrio no topo da tabela. Depois do São Paulo, agora no Fluminense. Não sei se vai ser assim, mas é o que parece.

- Na Premier League, vi Koscielny e Chamakh estrearem-se num clássico. Dois jogadores que observei no ano passado e que me despertaram interesse. Maior surpresa pela aposta no central, que tem potencial mas um longo caminho ainda à sua frente. Mais claro é o caso de Chamakh. Um jogador super completo, forte tecnicamente e fortíssimo no espaço aéreo, quer na área, quer fora dela. Esteve ligado ao "blooper" de Reina, mas espero mais dele.

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13.8.10

Paraíso para Deco

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Cada um terá o seu sonho, mas poucos conseguem tornar real a imagem que os acompanha durante toda a carreira. A imagem de um final ideal aos olhos dos próprios. Deco, sabe-se agora, será um desses raros privilegiados. Escolheu o regresso ao futebol quente e escolheu bem. Não só porque nenhum outro destino valorizará tanto as suas características como, mais ainda, nenhum outro clube poderá dar tanta côr ao futebol de Deco como o Fluminense actual.

Para um veterano criativo, não há melhor do que o futebol brasileiro. Aliás, estou por conhecer uma cultura que valorize tanto o pormenor técnico num jogo de futebol. Um passe ou um drible podem ser suficientes para esquecer tudo o resto, tanto para comentadores como para adeptos. Não é incomum, aliás, vermos veteranos esgotados a pedir substituição, enquanto o treinador é vaiado por aceder ao pedido do craque. Foi assim com muitos e é-o ainda com Ronaldo ou Petkovic, entre muitos outros. Esse é o ambiente que Deco encontrará. Um ambiente profundamente exigente - desengane-se quem achar que a pressão é menor - mas com uma tolerância infinita para a criatividade. Estão a ver Deco neste contexto, não estão?

Mas, se o Brasil pode ser o paraíso para o futebol de Deco, o Fluminense será, provavelmente, a melhor garantia de que não será já que o “mágico” deixará de ganhar. Depois de um longo período de crise, o “Flu” emergiu no momento mais inesperado, recuperando espectacularmente no final do Brasileirão 2009 e virando a página para se tornar num dos mais sérios candidatos ao título de 2010. Muricy Ramalho é o treinador de maior sucesso no presente do futebol brasileiro, e Fred um dos mais consagrados atacantes do campeonato. Mas é mesmo no meio campo criativo que este “Flu” mais promete entusiasmar. Deco vai formar uma dupla de “baixinhos” com Dario Conca, um dos mais interessantes criativos do futebol sul americano da actualidade. O Maracanã vai escaldar!



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29.7.10

O calor do futebol

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Diz a definição que Calor é a energia transferida entre 2 sistemas. Não sei exactamente o que se passa quando estas transferências se dão em pleno relvado, mas há indícios claros de que a temperatura mexe, e bem, com o calor do jogo. Pelo menos, deve ser por isso que os nórdicos jogam aquele futebol frenético e os sul americanos se parecem arrastar nos “gramados”. Mas não é só no ritmo que o calor influi. Porquê isto agora? O Celtic, primeiro, e, mais tarde (bem mais tarde!), a final da Copa do Brasil.

Não me entendam mal, o Celtic não é nenhuma potência, mas espera-se sempre dos escoceses outra intensidade num jogo de futebol. Lembro-me sempre daquele mundial de clubes no Brasil: e se os pusessem a jogar num clima tórrido, será que mantinham a atitude? Pois parece que não. Parece que as transferências de energia não são mais as mesmas. Dá que pensar.

Noutro país, outras transferências de energia, que é como quem diz: outro calor! A final da Copa do Brasil. Na apertada Vila Belmiro, casa do Santos, jogou-se a primeira mão e o Vitória teve o pesadelo de tentar sobreviver ao “caldeirão” do adversário (não sei porquê, é sempre um pesadelo para quem joga fora). É um mistério para mim, como o futebol pode ser tão diferente na América do Sul em relação à Europa. Deste lado do Atlântico, a pressão torna os embates decisivos numa espécie de “jogo do sério”, em que quem ri, perde. Grande concentração, poucos erros e poucas oportunidades. Do lado de lá, é o contrário. Explosões emocionais, capazes de extrair o melhor e o pior dos protagonistas, e uma chuva de desequilíbrios tácticos. Já aqui falei várias vezes das lacunas tácticas do futebol sul americano, mas a verdade é que isso não explica tudo. Aliás, explica mesmo muito pouco.

Não sei bem o que concluir sobre esta coisa do “calor do futebol”, mas uma coisa tenho como certa. Do ponto de vista do entretenimento e da emoção, não há futebol como o brasileiro.

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5.7.10

Diário de 'Soccer City' (#22)

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Embora tardiamente, não quero passar às meias finais, antes de deixar umas breves notas sobre os quartos de final. Na verdade, não há muito a acrescentar às antevisões que fiz, uma vez que os jogos corresponderam em quase tudo às expectativas que tinha. Antes do comentário jogo-a-jogo, porém, deixo uma nota sobre a actualidade extra-Mundial e o funcionamento do blogue. É certo que acabamos de assistir a uma das mais importantes transferências da história do futebol português e que, entretanto, também já outras definições foram conhecidas e concretizadas no mercado. Ainda assim, manterei o plano de me dedicar exclusivamente ao Mundial, prometendo a partir da próxima semana, aí sim, concentrar atenções no mercado e na preparação para a próxima época de clubes.


Brasil – Holanda
Foi o único jogo em que o palpite que deixei não se concretizou, mas, na verdade, o curso do jogo foi muito próximo do previsto. A única surpresa esteve, primeiro, na entrada algo permissiva dos holandês em termos defensivos e, depois, na eficácia laranja que conduziu à reviravolta.

O primeiro dado a merecer atenção é o que está por trás do golo brasileiro. Já aqui falei várias vezes das fragilidades individuais dos defensores holandeses e esse lance explica bem o que há de problemático no seu comportamento. Tudo está relacionado, parece-me, com uma carência na formação holandesa. A equipa tem preocupações tácticas correctas, mas individualmente os defensores holandeses são displicentes na forma como protegem as zonas mais importantes em termos defensivos e, noutros casos, assumem riscos excessivos em posse. Uma carência que se verifica semana após semana na liga interna e que explica também o evidente contraste entre o sucesso da escola holandesa em posições ofensivas e a modéstia revelada na zona mais recuada do campo. E assim, a Holanda se viu numa desvantagem potencialmente decisiva. Porque não cuidou as prioridades dos espaços, porque ignorou as referências zonais e colectivas e porque se deixou levar por aquilo que cada adversário, individualmente, ia fazendo.

Se a Holanda falhou no seu ponto fraco, deve à eficácia e a um capricho do destino o facto de não ter pago com a eliminação. Isto porque, e apesar de ter conseguido alguns períodos de domínio territorial, nunca foi capaz de por em perigo a baliza de Julio César. Aliás, até à reviravolta ter sido consumada, não se contabilizaram quaisquer oportunidades significativas de golo dos holandeses e, pode dizer-se, foi sempre o Brasil quem mais ameaçou.

Mas este foi um jogo de topo, decidido no pormenor. Pormenor das bolas paradas e pormenor da capacidade de reacção emocional às incidências do jogo. A Holanda foi eficaz e o Brasil perdeu a cabeça.

Uruguai – Gana
O jogo louco confirmou-se. De parte a parte, a qualidade individual dos atacantes superou em muito o rigor táctico de ambos lados. Erros em posse, espaço entre linhas e alguns desequilíbrios. O resultado, claro, foi um jogo entretido, bem ao gosto de quem tem no entretenimento o condimento favorito num jogo de futebol.

Do ponto de vista da análise, não há muito a dizer de um jogo destes. Porém, não quero deixar de comentar 2 detalhes em relação às grandes penalidades. Primeiro, sobre Gyan. Entre coragem e imprudência, não sei o que haverá mais naquele primeiro penalti da série decisiva que saiu ao ângulo. Depois, sobre Mensah. Para mim, é incompreensível como um profissional aponta um penalti com tão pouco balanço.

Alemanha – Argentina
E, de novo, o futebol foi respeitado. A qualidade colectiva superou o talento individual. Não tinha de ser assim, o jogo poderia ter conhecido outro caminho se fosse conhecendo outras condicionantes, mas, creio, seria difícil à Argentina durar muito mais tempo com tantas insuficiências.

Do lado argentino, confirmou-se o equívoco do posicionamento de Messi, demasiado longe da zona onde o seu futebol faz mais sentido. Confirmaram-se também todas as insuficiências tácticas, ao nível do equilíbrio e da preocupação com a transição ataque-defesa, bem como a exposição que havia alertado para o lado direito argentino, que acabou por ser o caminho para o sucesso na estratégia alemã.

Do lado alemão, confesso, a exibição nem sequer superou as minhas expectativas. Como esperava, teve repetidas oportunidades para actuar em transição e, também sem surpresas, fê-lo sempre com um entrosamento colectivo bastante elevado. No jogo alemão, porém, nem todas as fases foram óptimas e a equipa acabou por passar alguns períodos em que falhou demasiado no primeiro passe de transição e permitiu um domínio continuado dos argentinos que, se tivesse tido um momento de inspiração, poderia ter virado a face do jogo. O tempo, porém, acabou por tornar a vitória alemã num desfecho inevitável.

Individualmente, é difícil fazer destaques numa exibição que, como sempre, foi conseguida pelos méritos do colectivos. Ozil não esteve tão influente como nos últimos jogos mas Schweinsteiger confirmou novamente ser um dos grandes destaques deste mundial. Mais influentes estiveram Khedira e, sobretudo, Muller que, com Podolski, beneficiou muito do espaço em transição. Se colectivamente a Alemanha foi sempre melhor, fica-me a sensação que com uma definição individual mais constante, o jogo poderia ter sido decidido bem mais cedo.

Espanha – Paraguai
A Espanha acabou por vencer sem sofrer, como havia sugerido, mas este foi o jogo que menos se ajustou às projecções que fizera. Sobretudo pelo lado espanhol. O domínio e a qualidade da posse existiu, e a qualidade defensiva dos paraguaios também não foi melhor do que se pensava. O que aconteceu foi que a Espanha raramente deu nota de ter um plano para entrar na área paraguaia e, por isso, não só teve um número inesperadamente reduzido de oportunidades como deu oportunidades para que os paraguaios fossem crescendo em termos emotivos.

Os espanhóis, tudo somado, serão a melhor equipa entre os 4 semi finalistas, mas não me parece que seja uma equipa optimizada. Longe disso. Valem sobretudo pelas características das suas individualidades e pela importação de algumas rotinas do fantástico Barcelona. De resto, faz sentido ter Villa a descair sobre a esquerda e não há nada de errado com a mobilidade de Torres. O que não pode acontecer é a equipa utilizar os corredores para penetrar e depois não ter soluções de passe na zona interior. O trabalho de Del Bosque não podia ser mais fácil, mas ele parece querer complicá-lo. Se o Barcelona tem rotinado um modelo fantástico em 4-3-3, se Xavi, Iniesta e Busquets são tantas vezes os 3 do meio campo, para que é que é preciso mais um jogador?! Tudo seria bem mais fácil se estes 3 jogassem no meio e se a eles se juntasse um extremo direito (Navas ou Pedro), com Villa à esquerda e Torres ao meio. A Espanha não deixa de ser favorita para todos os jogos que fizer, mas não escolheu o caminho mais curto...



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2.7.10

Diário de 'Soccer City' (#21)

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Sexta Feira marca o inicio da recta final. 8 equipas discutem o lugar entre a elite, entre aqueles que jogam o número máximo de partidas no Mundial, e entre aqueles que ficam, pelo menos, a um pequeno passo do sonho. Sim, porque a partir das meias finais qualquer equipa pode sonhar com o lugar mais alto. Antes dos jogos, deixo uma pequena antevisão pessoal e, para apimentar a coisa, também um pequeno prognóstico sobre cada um dos jogos. Apenas uma brincadeira, não se trata de qualquer candidatura a “mestre Alves da blogosfera”...

Brasil – Holanda (Palpite: empate ao intervalo)
Conjuntamente com o Alemanha – Argentina, é o prato forte da ronda. Tudo somado, creio que o Brasil merece nesta altura honras de principal candidato ao título e, logo, também de favorito a seguir em frente. É-me mais fácil perceber o que vale o Brasil do que a Holanda, porque os brasileiros já vêm jogando da mesma forma há vários anos e porque a Holanda ainda não foi testada seriamente nesta prova. De qualquer modo, estas são duas das equipas que mais consistência revelaram na preparação para a prova. Se mais provas faltassem, bastaria evocar o tal pormenor discutido aqui há uns dias, da utilização de um 11 base, já previsto na própria numeração das camisolas.

Por tudo isto, não espero qualquer surpresa táctica por parte dos treinadores, mas antes um reforço de confiança nos respectivos modelos. Se tal acontecer, vamos ter um jogo fechado, focado nos equilíbrios tácticos e no controlo do espaço. Mas vamos ter, também, qualidade técnica de sobra, e possibilidade de desequilíbrios individuais. Especialmente em transição, ou na sequência de bolas paradas – cada vez mais um aspecto importante nesta fase decisiva. O primeiro golo valerá ouro, porque obrigará quem o sofrer a correr mais riscos e dar ao adversário a possibilidade de jogar como mais gosta. Ambos o sabem.

Uma palavra para dois “espalha brasas”. Dois jogadores que desprezam tudo isto, que não pesam duas vezes quando podem arriscar o desequilíbrio e que não têm qualquer receio da perda ou da consequente transição: Robben de um lado, Robinho do outro. Quem sabe um momento de magia de um dos 2?

Uruguai – Gana (Palpite: ambas as equipas marcarão no jogo)
É verdade que, um pouco na norma de todo o torneio, nenhuma das equipas participou num festival de golos. Desta vez, porém, acredito que possa acontecer um jogo com golos em ambas as balizas, e talvez mais do que um. É que – e também dentro daquilo que foi norma – Uruguai e Gana não são propriamente equipas fortes em termos de organização defensiva. Mesmo se ambas não hesitam em sobrepovoar-se no centro da defesa. Menos quantidade mas mais qualidade, têm as duas na frente. Asamoah, Boateng, Ayew e Gyan de um lado. O tridente Cavani, Suarez e Forlan do outro. No caso de Gyan e Forlan, uma grande exibição poderá lançar qualquer um dos casos para os destaques de qualquer livro de memórias deste Mundial.

Somadas todas as expectativas, torna-se difícil antever um vencedor, ou mesmo um claro favoritismo. Ambas as equipas darão oportunidades ao adversário e o aproveitamento das mesmas dependerá muito da inspiração dos intérpretes. Talvez os amantes da astrologia nos possam elucidar melhor quem estará mais favorecido pelo alinhamento das estrelas na noite de Sexta...

Argentina – Alemanha (Palpite: passa a Alemanha)
Nem sempre confiei nesse princípio – que não é, nem de perto, 100% seguro no futebol – mas o Mundial tem-lhe sido fiel. Falo do princípio de que quem é melhor ganha, e quem é pior paga a factura. Foi assim com os horríveis casos de França e Itália, eliminados mais pela lógica do jogo do que pelas projecções iniciais. Foi assim, também, em todos os duelos decisivos. Não houve surpresas, e quem foi melhor ganhou sempre. Se a tendência se repetir, seguirá em frente a Alemanha.

Já falei bastante das 2 equipas e perceber-se-á, no somatório dessas análises, que vejo este duelo como o confronto entre os dois candidatos que menos semelhanças em termos de virtudes. A Argentina é o talento puro, tão puro que a sua valia quase se resume à soma das suas individualidades. A Alemanha, pelo contrário, não deslumbra individualmente, mas consegue formar um colectivo muito competente em todos os momentos do jogo.

Dentro das 'nuances' que poderão definir a partida, começo por Messi. Maradona resolveu dar-lhe liberdade, diz-se, mas na verdade Messi joga longe da zona onde as suas decisões fazem mais sentido. Messi pensa no desequilíbrio porque é essa a sua vocação, e embora tenha capacidade para desequilibrar a partir de qualquer zona, não é na construção que se aconselha o risco. Por isso é que o papel de Messi pode ser um pau de dois bicos e um dilema para o próprio Low. É que a dupla de médios da Alemanha poderá ter alguma dificuldade em controlar o espaço entre linhas, e o corredor central, com Messi nesta posição, é aquele onde a Argentina consegue ser mais perigosa. Se Low encontrar forma de bloquear Messi, terá o jogo na mão. Não só porque bloqueará o jogo ofensivo do adversário, como porque usufruirá de várias transições perigosíssimas. Caso contrário, Messi, Tevez e o corredor central poderão ser um sarilho para a Alemanha que, neste cenário, só ganhará o jogo se tiver um dia francamente inspirado na frente.

Outras 'nuances' há, mas do lado Argentino. Como o risco em posse, como o desequilíbrio táctico – atenção ao lado direito! – ou como a forma como a sua defesa "afunda", abrindo o campo de ataque aos adversários. Estas 'nuances', porém, não levantam qualquer duvida porque Maradona nunca se importou minimamente com elas, e não é agora que o vai fazer. Ficará apenas por saber até que ponto os alemães as saberão aproveitar.

Paraguai – Espanha (Palpite: Espanha vence sem sofrer)
Depois do tropeção inicial e de algumas dificuldades na primeira hora frente a Portugal, parece-me agora muito complicado que a Espanha fique fora das meias finais. Salvo qualquer condicionante ou surpresa no jogo, creio, isso não acontecerá.

O Paraguai foi das selecções que menos fez para estar onde está. Ganhou apenas 1 jogo em todo o Mundial, empatou mesmo com a Nova Zelândia e precisou de ser feliz nos penaltis para ultrapassar o Japão. Frente à Espanha não veremos uma equipa tão inocente como foi o Chile, mas também não veremos grandes méritos defensivos. Mais quantidade do que qualidade é o que espero dos paraguaios em termos defensivos. Um jogo de sentido único e que não me parece que chegue, sequer, ao intervalo sem termos a Espanha em vantagem. Se assim for, dos paraguaios dependerá apenas a definição do “score” final, porque a Espanha irá dar prioridade ao controlo do jogo e da bola, muito mais do que arriscar o segundo golo.



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29.6.10

Diário de 'Soccer City' (#18)

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Já se desconfiava, e o caminho começa confirmar isso mesmo: entre Brasil e Holanda, sairá um finalista do Mundial 2010. Os dois defrontam-se agora num dos mais interessantes embates dos quartos de final, e seja quem for o vencedor recolherá sempre amplo favoritismo na passagem à final. Principalmente se for o Brasil. Enfim, antes disso tudo vale a pena olhar um pouco para os jogos do dia. Mas vale apenas por razões de reflexão sobre o que se viu, porque quanto a emoção, confesso, não poderia ter havido dia mais previsível do que o terceiro dos oitavos de final...

Holanda – Eslováquia
Sobre o primeiro jogo, de facto, não tenho muito a dizer. A Eslováquia foi dos que menos fez para chegar aos oitavos e se há alguma coisa que este Mundial nos tem ensinado é que é mesmo preciso jogar para ganhar, poque milagres não tem havido. E assim foi, novamente.

Mas quero deixar algumas notas sobre o candidato, a Holanda: (1) Primeiro, para reforçar a ideia de que é uma equipa que, tendo as suas principais debilidades na cultura defensiva – colectiva e individual – das suas unidades mais recuadas, não me parece das piores deste Mundial. Nem de perto, nem de longe. À beira de formações como o Gana, o Uruguai ou a Argentina, a Holanda é uma perfeição defensiva. (2) Segundo, para destacar o regresso de Robben. Apesar da qualidade individual das suas unidades ofensivas, a verdade é que o futebol holandês raramente tem merecido grandes elogios pelo que faz quando tem a bola. Robben é um dos jogadores mais desequilibrantes do futebol actual. Adora o risco, e dos seus pés saem várias perdas e transições. O que sai também são lances decisivos com uma frequência assustadora. Será o “abre latas” da laranja. (3) Finalmente, referir uma curiosidade. A Holanda jogou numerada de 1 a 11. Não sei se mais alguma equipa o fará neste mundial (duvido!), mas este dado não é uma mera curiosidade. Basta recordar a passagem de Adriaanse pelo Porto, para perceber que os números são mais do que um capricho. São também uma indicação do posicionamento táctico de quem os traz nas costas. É uma curiosidade que vale o que vale, mas que indica, pelo menos, que as coisas não são feitas por acaso na equipa holandesa.

Brasil – Chile
O Chile até poderia ser das formações mais interessantes em alguns aspectos deste Mundial, mas se me perguntassem qual o embate mais previsível dos oitavos, não hesitaria em apontar para este.

É bonito entretermo-nos com um futebol técnico e com boa qualidade colectiva quando em posse, mas torna-se para mim difícil perceber o que espera Bielsa de um jogo contra o Brasil, mantendo certas debilidades crónicas na sua equipa. Será que ele acreditava ter alguma hipótese de ganhar? Francamente, não entendo...
O Brasil é uma equipa obcecada com o equilíbrio táctico, que adora jogar em transição e que procura aproveitar a eficácia das suas investidas ofensivas para ganhar vantagem. O Chile, para os brasileiros, era o adversário perfeito e não é por acaso que quase sempre sai goleado. Sai e sairá de novo, se voltar a repetir a receita...

Comecemos pelo primeiro golo. Já o tinha escrito há muito e era improvável que a factura não acabasse por ser paga. Como é que é possível pensar em fazer carreira num Mundial com uma equipa que não tem um único jogador utilizado acima do 1,85m, e onde apenas 5 dos 14 que jogaram ultrapassam, ainda que marginalmente, o 1,80m?! Não admira que sofressem um golo pelo ar, e não admiraria que fosse também essa uma via privilegiada para o Brasil marcar a diferença caso o nulo se tivesse mantido por mais tempo.

Mas há mais... Se o Brasil gosta da transição, nada como uma equipa que, apesar de boa em posse, não percebe a importância dos equilíbrios tácticos e que assume um risco absurdo para a natureza do jogo que está a jogar. Perfeito para Dunga. Foram 3, e foram apenas porque os brasileiros resolveram trocar a eficácia pelo brilhantismo individual na conclusão de algumas transições quando jogo já estava mais do que sentenciado.

Diria que o Chile esteve algures entre o sofisma e o conto de fadas, mas inclino-me bem mais para a segunda hipótese. Mostrou-nos uma ideia bonita e coerente, sem dúvida, mas nunca com potencial para enganar alguém. Todos sabíamos que, por mais bonita que fosse a princesa, nenhum sapo viraria príncipe...



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26.6.10

Diário de 'Soccer City' (#15)

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Talvez seja por tanto terem escutado as profecias da desgraça dos velhos do Restelo. Ou, então, talvez seja apenas do fado que nos está no sangue. A verdade é que este empate frente ao Brasil, serve para a maioria como uma vitória. Um alívio. Tanto, que até o próprio seleccionador afirma ter visto a sua equipa jogar de “smoking”. É verdade que o Brasil é uma equipa de potencial superior, e que um empate frente à “canarinha” nunca será um mau resultado. É verdade, também, que o jogo foi dividido e que não estivemos mais longe de o ganhar do que o Brasil. Para mim, porém, custou-me ver o jogo português, especialmente na primeira parte. Venho dizendo que Portugal não pode esperar que o nível dos seus últimos 15 anos se eternize no tempo, e que o mais normal é que voltemos a um patamar mediano, mais tarde ou mais cedo. Ainda não lá chegamos, mas, confesso, frente ao Brasil dei por mim a concluir que já recuamos uns bons degraus em relação a anos anteriores. E falo principalmente da mentalidade.

Começo por clarificar a minha posição. Não há nada de errado em definir como prioridade o equilíbrio táctico ou em adoptar uma estratégia de transição frente a um adversário com o potencial técnico dos brasileiros. Creio, até, que é o caminho mais curto para a vitória. O problema, porém, é que Portugal tem nível suficiente para ser mais ambicioso na qualidade que tenta empregar em cada momento do jogo. Não era preciso ter medo de jogar quando ganhamos a bola, ter medo de trabalhar a posse com critério e qualidade, ou pedir a Ronaldo que tente rematar de 40 metros de cada vez que tivesse oportunidade para tal. Não era preciso, porque Portugal ainda vale bem mais do que isso e porque pode e deve ter mais ambição e exigir mais do seu jogo. O que vi naquela primeira parte foi um “flashback” dos tempos em que éramos Futre e mais dez – para não invocar outros tempos ainda piores – e em que coleccionávamos os cromos dos outros nas grandes competições. Felizmente que as coisas mudaram alguma coisa na segunda parte...

Enfim, não quero ser ingrato e exigir o impossível da Selecção, mas continuo a não encontrar um leque substancial de equipas que nos sejam claramente superiores. Uma ideia que trouxe comigo para o Mundial e que não foi entretanto desfeita. Espero agora que a má fortuna do sorteio – já sabíamos que teríamos de contar com ela – não sirva de desculpa para não sermos ambiciosos. Espero que Portugal seja inteligente e não utópico na forma como escolhe a sua estratégia, e posso facilmente prever que será muito semelhante àquilo que fez frente ao Brasil. Em traços gerais, parece-me bem. O que desejo, porém, é que não regrida demasiado depressa no tempo. Que se valorize e que valorize o seu jogo. Que apresente um futebol confiante e não aquele complexado da primeira parte frente ao Brasil. Se assim for, não tenho duvidas, o favoritismo espanhol depressa deixará de ser uma certeza.



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21.6.10

Diário de 'Soccer City' (#11)

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Mais um dia com motivos de sobra para reflectir. O “climax”, claro, teve lugar em Joanesburgo no jogo que culminou numa pequena prenda dos brasileiros para a Selecção portuguesa. No entanto, creio, não menos interessante é olhar para o que aconteceu algumas horas antes, entre Itália e Nova Zelândia. Será difícil alguém ainda se surpreender com o que quer que seja nesta prova, mas será interessante entender o porquê de tantos problemas dos campeões do mundo para bater uma formação tão fraca como os “All Whites”. Nem que seja porque deve servir de exemplo para o que Portugal terá pela frente, é por aí que quero começar.

Se ninguém duvida das diferenças de qualidade entre os jogadores de uns e outros, como se pode então explicar as dificuldades por que passaram os italianos? Bom, seguramente que há vários aspectos a abordar, mas há um que me parece especialmente importante para o sucesso neste tipo de embates: o pressing. Pode parecer estranho escolher concentrar-me no que a equipa faz sem bola, quando não pode haver tipo de jogo mais fácil para se ter a bola. O que acontece, porém, é que perante adversários dispostos a esperar lá atrás, o mero facto de se atacar apenas em organização já é uma importante vitória para quem defende. O caso da Nova Zelândia, aliás, é paradigmático. Uma equipa que defende mal, cometendo vários erros de abordagem individual e colectiva, e que ainda para mais nem tem uma estratégia especialmente conseguida em termos defensivos, “afundando-se” quase que instantaneamente na sua grande área. Ainda assim, atacar sempre contra tanta gente atrás da bola pode ser um sarilho.

É por isso que neste tipo de embates é fundamental forçar outro tipo de jogo e criar desconforto no adversário. Adiantar linhas e pressionar toda e qualquer saída de bola. Afinal, se a diferença está na qualidade técnica, é bom que seja por aí mesmo que se acentue as diferenças. Se o pressing for bem conseguido – como tem a obrigação de ser - provocará um dilema permanente do lado contrário. Ou arriscar pouco, jogando mal e entregando a bola, ou tentar fazê-lo em apoio mas assumindo o risco de uma perda comprometedora. Em qualquer dos casos, o perigo do erro estará sempre presente e o sufoco acontecerá desde o primeiro minuto. Isto foi (entre outras coisas, é certo) o que a Itália não fez frente à Nova Zelândia, e o que Portugal tem de fazer desde a primeira hora frente aos Coreanos. Mesmo que isso implique algum risco posicional. Isto é, também, o que as melhores equipas do mundo fazem perante os adversários mais modestos. Porque esperar para atacar, hoje, já pode não bastar.

Finalmente, o Brasil - Costa do Marfim. Sem surpresas, a Costa do Marfim voltou a repetir a receita e, sem surpresas também, o Brasil sentiu dificuldades idênticas a Portugal até o jogo se abrir. A diferença, é claro, esteve no detalhe e na qualidade com que individualmente os brasileiros se desembaraçaram do problema.

Acho curiosa a forma como Dunga “desenrascou” o seu modelo táctico. Quase que diria que ao não conseguir optimizar a equipa como um só bloco, resolveu decompo-la em 2. Definiu 6 jogadores defensivos e libertou 4 para o ataque. Quando dá para fazer tudo em conjunto, muito bem, mas quando não dá é preferível que a equipa se parta desta forma, do que arrisque tentar fazer tudo num só conjunto. Por um lado, os 6 de trás são suficientes para garantir equilíbrio defensivo em qualquer situação. Por outro, os 4 da frente têm talento de sobra para resolver um jogo em qualquer jogada, sobretudo se for em transição, que é como a equipa mais gosta de jogar. Em termos tácticos, não há nada de brilhante nisto, e só é possível ter sucesso com a qualidade dos recursos em causa e, já agora, com a natureza da própria competição. A verdade, tudo somado, é que não vejo equipa que possa estar tão perto da Espanha na lista de favoritos.

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15.6.10

Diário de 'Soccer City' (#7)

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Não foram precisos muitos minutos para perceber o que seria do jogo. A Costa do Marfim, grande esperança africana no Mundial daquele Continente, resolveu jogar “à europeia”. E fez bem. A partir do momento em que a estratégia “gélida” dos marfinenses entrou em campo, seria sempre o primeiro golo o ditador do jogo. Pode dizer-se que Eriksson fez emergir o pior do jogo da Selecção, o maior dos seus receios. Portugal, perante este cenário, não foi nem melhor nem pior do que as expectativas que já se poderiam ter. Uma pena. Duas coisas me parecem mais claras, depois dos 90 minutos: (1) Está tudo em aberto ; (2) Prevê-se um grupo muito difícil para todos.

Baixar a primeira a linha e subir a última, para assim criar uma zona de grande densidade, onde Portugal tivesse pouco espaço para jogar. Duas coisas seriam preciso para que Portugal contornasse o obstáculo. Ou pelo menos uma delas. Uma, seria ser capaz de ter uma posse dinâmica e segura, que evitasse as perigosíssimas perdas em construção e que fosse capaz de, lentamente, ir esburacando o “muro” marfinense. Mas esse era o principal problema da Selecção: jogar contra equipas fechadas, que dessem pouco espaço para a explosão. Sempre foi, e não foi – para novo desapontamento – neste jogo que ele deu sinais de desaparecer.

A segunda possibilidade passava por explorar o outro lado do jogo, aquele que começou a ter lugar com mais frequência após a metade da primeira parte. Porque os marfinenses também jogaram, também eles assumiram boa parte do jogo. Restava a Portugal ser capaz de fazer a Costa do Marfim de provar do seu próprio veneno. Ser capaz de pressionar, provocar perdas nos primeiros passes da construção e sair depois em transição. No fundo, ser capaz de jogar com o espaço quando ele existiu. Mas também não foi capaz de o fazer, e é por isso que o nulo, bem vistas as coisas não foi assim tão mau. Portugal não fez por merecer mais e não fica propriamente em pior condição do que quando entrou para o jogo.

Convém situar as coisas. Portugal não fez um grande jogo, e mesmo tendo-se deparado com o seu grande problema colectivo, creio que há exibições individuais às quais se exige mais. Mais qualidade e mais simplicidade, sobretudo. No entanto, a Costa do Marfim que tivemos pela frente será tão forte quanto a maioria dos adversários que poderemos encontrar. O problema de muitas Selecções, especialmente fora da Europa, é não terem um nível de organização que lhes possibilite potenciar melhor as suas hipóteses em cada jogo. Porque o nível técnico, esse, está ao nível dos melhores. E esse vinha sendo o problema, por exemplo, da Costa do Marfim. O facto é que dentro desta proposta de jogo, qualquer Selecção encontraria e encontrará grandes problemas. Isto faz, na minha opinião da Costa do Marfim um candidato para levar a sério, assim consiga chegar aos oitavos.

Enfim, um boa notícia, para já, é que o segundo jogo de Portugal se joga uma noite depois do Brasil-Costa do Marfim. Dará para perceber a importância real do jogo com a Coreia. Por exemplo, se tivermos um empate na noite de Joanesburgo, Portugal saberá que precisará de vencer os Coreanos por 2 golos para entrar em vantagem no último jogo. Para já, o que parece claro é que teremos um apuramento disputado até à última e que, depois da magra vitória canarinha frente aos coreanos, ninguém sai a rir da primeira jornada deste verdadeiro “grupo da morte”.

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29.5.10

2002: 57 minutos de Ronaldinho

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Dificilmente um ocidental se sente num ambiente “normal” no extremo oriente (e vice versa). Tempos diferentes, rostos diferentes, culturas diferentes. Realmente, a experiência asiática produziu resultados tão estranhos que talvez uma personificação do Futebol seja uma boa maneira de começar explicar os acontecimentos. Certo, certo é que enquanto outros foram caindo, o Brasil aproveitou para confirmar a sua maior adaptabilidade histórica e, por via disso, concretizar o 5º título mundial. Poucos poderiam prever uma caminhada tão fácil para a final e foi no momento de maior dificuldade que surgiu, também, a mais inspirada das exibições. Um jovem mostrava-se ao mundo, decidindo de forma genial a passagem à meia final. Ronaldinho Gaúcho!

Em 2002, tinha apenas 22 anos e depois do Mundial asiático acabou por confirmar todo o potencial ao serviço do Barcelona. Tornou-se, mesmo, na maior das estrelas do futebol mundial na segunda metade da década. É por tudo isto estranho que, aos 30 anos, seja hoje confortável afirmar que o “clímax” da sua carreira na Selecção do Brasil aconteceu precisamente naqueles 57 minutos que disputou frente à Inglaterra. Ronaldinho voltou como principal figura nas previsões do Alemanha 2006, mas confirmou-se como a maior desilusão da prova, muito pela incapacidade de Parreira para criar um modelo que realmente tirasse o melhor da sua maior estrela.

Quanto ao Mundial, de facto, poucas justificações haverá para o que se passou. O primeiro presságio foi dado no jogo inaugural, com a derrota dos campeões europeus e mundiais, França, perante o Senegal. Na fase de grupos caíram a França, a Argentina – outro dos maiores favoritos – e Portugal. A Selecção portuguesa, de Figo e Rui Costa, foi a primeira vitima do outro “fenómeno estranho” da prova. A Coreia do Sul. A jogar em casa, os coreanos afastaram – sempre com muita polémica – espanhóis e italianos, chegando às meias finais. E assim, sem grande esforço, o Brasil terminava uma das suas piores fases de sempre com um título mundial. É que antes da prova, o Brasil teve a qualificação em risco, partindo para a prova sem grandes expectativas. Quem também aproveitou, claro, foi Ronaldo. Vingou-se de 1998 e de uma fase de lesões que o havia afastado da ribalta. Na Ásia renasceu para uma nova étapa da sua carreira e deu um decisivo passo para se tornar no melhor goleador da História dos Mundiais.



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