Mostrar mensagens com a etiqueta Alan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alan. Mostrar todas as mensagens

19.2.12

Fragilidade...

ver comentários...
- A situação do Chelsea de Villas Boas pode ser um bom exemplo da não linearidade das consequências no futebol. Ok, vamos assumir que as circunstâncias não foram favoráveis e que algo (para o efeito, não interessa precisar) correu mal. Que consequências teríamos? Numa hipótese de linearidade, não creio que qualquer circunstância fosse suficiente para vermos um Chelsea tão vulnerável como aquele que temos visto. Não faltam exemplos, semelhantes, ocorrendo-me de forma clara o caso do Feyenoord no ano anterior. Para quem está familiarizado com as reflexões de Nassim Taleb (a figura tem essa proveniência), diria que o futebol é seguramente Frágil.

- Ainda no Chelsea, é curioso como Villas Boas e Domingos, partilharam o climax das suas ainda curtas carreiras na final de Dublin, se encontraram também na queda que inesperadamente se deu a seguir. Vários pontos em comum (e outros, necessariamente, diferentes). O treinador, é factual, não foi solução suficiente, mas daí até ser ele próprio parte dos problemas (ou, de forma mais drástica "o" problema), vai uma grande distância. Será que é? Não interessa muito a opinião de cada um, o futuro falará por si (ainda que possa não dar forçosamente respostas lineares sobre a questão), mas interessa que conclusões serão retiradas por quem tem responsabilidades de as tirar. E este é o ponto central, porque se se confundir problemas com soluções, o que se fará é perpetuar os problemas. Não é uma questão simples, e não tem apenas a ver com a competência (que não está em causa) dos treinadores. No caso do Chelsea, claro, tudo se pode limitar ao número de cheques que Abramovic terá de passar, e se for assim o problema será resumido a uma questão de tempo.

- Quem não usa muito a técnica dos cheques, é o Arsenal. Uma semana negra, concluída com a eliminação da Taça. Pode ser a pior época em muitos anos, o que vendo bem, não constitui grande surpresa. O Arsenal é um caso provavelmente sem par na Premier League, no que respeita à potenciação dos recursos existentes. Isto, no entanto, não faz tanto do Arsenal um caso de sucesso, mas mais um exemplo claro de como no futebol, e para os adeptos, não há prémios de performance relativa. O que interessa é ganhar e de forma absoluta, porque no fim do dia, poucos dão alguma importância ao preço da vitória.

- O Braga. Para quem quer exemplo (mais um) de uma equipa potenciada de forma crescente, tem no Minho, outra vez, uma boa resposta. A equipa não era assim tão forte no inicio, mas foi crescendo de forma progressiva e segura. Não é uma coisa evidente, claro, mas como quase sempre não se trata tanto de fazer coisas deslumbrantes, mas muito mais de ir melhorando progressivamente a qualidade das coisas que se podem fazer. Confiança e especificidade. Confiança, vem com as vitórias. Especificidade, vem com a estabilidade das peças fundamentais. Como o futebol é jogado por homens e não por máquinas, é quase (quase...) sempre assim que acontece, pela confiança e especificidade, e nenhuma fotografia será mais paradigmática do que a do primeiro golo. Jogo longo de Viana, recepção e cruzamento no tempo certo de Alan, e movimento de Lima, em diagonal nas costas do primeiro central. Três acções marcadamente características dos protagonistas (especificidade), executadas com qualidade perfeita (confiança). É claro que os contratempos do Gil também ajudaram, mas não há que retirar mérito, e o segundo lugar está longe de ser impossível.

ler tudo >>

15.4.11

A confirmação das meias finais históricas (Breves)

ver comentários...
- Começo pelo Braga, porque era a grande dúvida para a segunda mão. Incrível o feito desta equipa! Para além de não ter (como é mais do que óbvio!) os recursos individuais das outras equipas, teve, também, uma série de condicionalismos que fragilizariam qualquer equipa e qualquer plantel numa fase destas. Perante tudo isto, e acrescentando uma expulsão com 30', o Braga controlou quase completamente o jogo e ainda teve espaço para criar as suas próprias oportunidades para o vencer. Não foi um jogo de sofrimento, foi um jogo de controlo, onde, sendo justo o nulo, o Braga foi a única equipa que se aproximou verdadeiramente da vitória. Individualmente, nota especial para Alan: aquilo que escrevi sobre os veteranos, há dias, encaixa perfeitamente em Alan. Se tivesse 25 anos teria meio mundo atrás dele, porque - e salvo melhor opinião - entre todos os extremos do futebol português, apenas Hulk tem um rendimento superior ao dele nesta temporada...

- Na antevisão das meias finais, entusiasma-me o embate entre Porto e Villareal. Será um adversário mais difícil do que todos os outros que o Porto teve até aqui (já o tinha antecipado, há algumas semanas...). É uma equipa que consegue ter períodos de enorme intensidade, com uma circulação objectiva e intensa e, sobretudo, uma fortíssima reacção à perda, que possibilita à equipa períodos de grande domínio nos jogos. Individualmente, sem dúvida, o destaque vai para Rossi. É, só, um dos mais fortes finalizadores do futebol mundial na actualidade e penso que poderia ter sucesso em qualquer equipa. O Porto é, ainda assim, favorito, porque é uma equipa mais forte em termos globais (ou seja, tendo em conta todos os momentos do jogo), e porque tem uma noção mais lúcida e racional da gestão das partidas.

- Quanto ao Braga-Benfica, sendo uma eliminatória histórica, é também bem menos interessante para o público português. O Benfica é naturalmente favorito, mas o registo entre os 2 clubes nos últimos anos mostra que o Braga é um adversário perfeitamente capaz de superar o Benfica. Há 2 aspectos que, a meu ver, definirão a eliminatória. Do lado do Benfica, o estado emocional da equipa no momento dos jogos. No Braga, a disponibilidade das principais soluções que ainda restam a Domingos...

- Para finalizar, nota sobre o primeiro golo do Porto, em Moscovo. É uma transição cuja simplicidade de resolução parece impossível à partida, dado que Hulk parte para o ataque rápido com 6 jogadores atrás da linha da bola e apenas Falcao à sua frente. Se o vídeo for parado no 0:06, vê-se uma linha de 4 jogadores que são totalmente ultrapassados com o passe vertical de Hulk. Não só o posicionamento é ineficiente, como a falta de reacção dos jogadores é inexplicável, perante a situação em causa. Seja como for, é absolutamente notável a explosão de Hulk. No final de 80 metros, e depois de ter batido mais de meia equipa, ainda tem o desplante de olhar para trás, para ver se pode oferecer o golo a Falcao. Não há muitos jogadores no mundo capazes de algo idêntico...
(vídeo aqui)

ler tudo >>

14.2.11

Braga - Porto: Análise e números

ver comentários...
À campeão! Pode ainda ser cedo para o encomendar das faixas, mas a expressão encaixa bem na exibição portista.. O momento não dava boas indicações e o grau de dificuldade da deslocação, muito menos. O carácter dos campeões vê-se, porém, na capacidade que têm para responder na medida certa, nos momentos certos. Foi isso que aconteceu. Ou seja, quando mais se exigia, o Porto, respondeu e regressou subitamente aos melhores níveis de performance da temporada. Por tudo isto, perceber-se-á, concordo mais com Villas Boas no puxar do mérito para o lado azul e branco. Não posso, porém, deixar de dar também razão a Domingos: o Braga não esteve como tinha de estar para poder discutir o jogo. O problema deste Braga, porém, é que é complicado pedir-se muito mais quando se é, tão claramente, o campeão... dos contratempos.

Notas colectivas
O jogo começou com uma visível intenção de ambas as equipas fazerem da organização e agressividade os instrumentos para conseguir ascendente no jogo. Neste particular, a zona central ganhava uma importância grande, com o “encaixe” entre os 2 triângulos de meio campo. O Porto no seu típico 1-2, com Fernando mais recuado, o Braga no 2-1, com Mossoró mais próximo de Lima.

Porque ganhou tão claramente o Porto este duelo? Em termos muito simples: porque foi substancialmente melhor. Melhor na resposta que deu em situações de pressão, contrastando com um mau desempenho técnico do Braga, e melhor na organização e critério que teve com bola. É um facto que raramente encontrou situações de liberdade em zonas privilegiadas, mas é também um facto que esteve praticamente imaculado ao nível da segurança em posse e que, combinando esse dado com uma óptima pressão sem bola, isso lhe valeu um domínio asfixiante na primeira parte. No Porto, há 2 aspectos que quero abordar (embora perceba que teriam mais utilidade com imagens)...

O primeiro tem a ver com a organização com bola. A opção – que me parece mais pronunciada nos últimos jogos – de colocar os laterais num posicionamento mais profundo e aberto teve como consequência um delegar de responsabilidades de construção para o corredor central, mas com a vantagem de afastar os extremos do Braga dessa zona (na primeira parte Alan e Hélder Barbosa pareciam defesas), aumento assim o espaço para construir. Não dá para dizer que o Braga tivesse estado “mal” na resposta que deu, ao nível do pressing, mas acabou por ser impotente perante a dinâmica dos médios (excelente!) e o critério dos centrais (Otamendi!). Acabou, também – e tal como referiu Domingos – por cair na ratoeira do "campo grande" portista, afastando muito as suas linhas entre si. Particularmente, e para além do tal arrastamento dos alas, as linhas mais recuadas não se aproximaram suficientemente da zona de Mossoró, acabando por pagar o preço dessa distância com chegadas fora do tempo ao portador da bola.

O segundo aspecto tem a ver com resposta da equipa sem bola. É frequente ler e ouvir longas dissertações sobre o que os jogadores fazem ou deviam fazer com bola. Pessoalmente, e não é a primeira vez que o refiro, não consigo desligar as 2 situações – com e sem bola – e discordo de tal focalização no que se faz “com bola” como factor determinante de sucesso. Um exemplo é o Porto (todas as boas equipas o são) e o seu meio campo. Fernando, Belluschi e Moutinho são jogadores de uma agressividade e reactividade excepcional, um trio como há poucos no mundo, nesse plano. Isto, em combinação com uma boa compreensão posicional, permite à equipa ter uma presença muito forte em termos de pressão e reacção. Este factor foi determinante no condicionamento dos bracarenses sempre que estes ganhavam a bola. Daí a asfixia territorial no primeiro tempo.

Por fim, nota para o Braga. Há aspectos em que a equipa poderia denotar mais qualidade colectiva, mas é impossível exigir mais a Domingos com as adversidades que teve ao longo da época – aliás, neste jogo também. Há outra coisa que importa referir sobre o Braga: é absurdo comparar-se a qualidade dos seus recursos com as dos “grandes” – qualquer deles. Isso foi perceptível, por exemplo, no desempenho técnico dos seus jogadores na primeira parte. Alan merece, de novo, uma menção positiva, estando acima dos demais.

Notas individuais
Fucile – Regressou e, não comprometendo com os seus erros frequentes, justifica a milhas a titularidade em relação a Sereno, Emídio Rafael ou mesmo Sapunaru. Tem níveis de participação muito mais elevados do que estes jogadores, sendo muito mais útil quer ofensivamente, quer defensivamente. Não fossem os tais erros...

Otamendi – Um jogo praticamente perfeito. Quando foi contratado alertei para a sua má gestão do risco, e, mesmo se isso já se notou várias vezes, dá para dizer que está bem “domesticado”. É mais um exemplo de como um grande central se faz pelas qualidades “brutas” que tem e pela “afinação” que lhe é dada. Por isso, ganha muito mais bolas do que Rolando, por exemplo, e por isso é o melhor central da equipa. Para mais... marcou 2 golos!

Fernando – Os jogadores não recuperam mais ou menos bolas por acaso. Fernando é um bom exemplo disso. Tem uma boa compreensão do jogo posicional, mas complementa isso com uma excepcional agilidade e capacidade de recuperação, que faz dele um “pivot” anormalmente útil em missões de equilíbrio e recuperação. Vinha denotando alguns problemas em termos de concentração e critério com bola, mas corrigiu, fazendo um jogo muito bom.

Belluschi – Na primeira parte foi dos melhores. Reactivo e agressivo – quase eléctrico – sem bola e muito prestável ao jogo quando a equipa a ganhava. Na segunda parte caiu muito e acabou por fazer um jogo que, para os seus níveis, foi “abaixo do par”.

James e Varela – São jogadores diferentes e tiveram exibições diferentes também. A nota sobre eles vai para o facto da equipa precisar de mais arrojo e capacidade de desequilíbrio das suas intervenções, sob pena de ficar demasiado dependente do que Hulk consegue arrancar. Têm qualidade e essa capacidade, mas precisam de encontrar a forma de conseguirem aproximar a equipa do golo com mais regularidade.

Hulk – Voltou às exibições habituais, sendo o mais desequilibrador da equipa. A nota sobre Hulk vai para um pormenor raramente realçado: Hulk tem uma capacidade de trabalho sem bola muito boa e muito acima de outros casos de posições semelhantes. Uma comparação que faço quer com os elementos do próprio plantel, quer com os dos rivais.

Alan e Mossoró – São 2 jogadores habitualmente elogiados pela sua capacidade técnica, mas o seu desempenho, neste jogo, foi absolutamente díspar. Alan quase sempre com boa qualidade e critério, Mossoró um dos responsáveis pela “prisão” da equipa no seu meio campo, durante a primeira parte.



Ler tudo»

ler tudo >>

10.1.11

Sporting - Braga: Análise e números

ver comentários...
Esperava um bom jogo, muito melhor do que aquilo que foi. Houve emoção numa parte inicial e a margem tangencial do marcador fez com que a incerteza durasse até ao fim. Durou a incerteza, mas não a qualidade. Aliás, acho que a qualidade nem chegou a aparecer em Alvalade para este jogo. Em relação ao resultado, enfim, como sempre vale mais a pena compreende-lo do que averiguar da sua justiça. Neste caso, o Sporting ganhou por se ter superiorizado em 2 aspectos: eficácia e concentração.

Notas colectivas
Paulo Sérgio seguramente que não se importará com a tendência, porque dela resultaram 2 importantes vitórias. O facto é que, frente ao Braga, o Sporting voltou a atingir alguns mínimos de campeonato. Mínimo em passes completados e mínimo na % de sequência dada à posse de bola. Mínimos, que já haviam sido renovados precisamente na última jornada, em Setúbal.

O facto é que, se o Sporting teve menos qualidade na sequência que deu à sua posse, também acabou por experimentar muito menos erros do que noutros jogos. Ou seja, a equipa procurou – tal como o Braga, aliás – iniciar as suas jogadas sem forçar a saída em apoio, mas com solicitações mais directas, feitas pelos centrais, Carriço e Polga. Não é um costume da “era Paulo Sérgio”, mas aconteceu. Ofensivamente, não colheu grandes frutos, mas como o Braga se encarregou de “entregar o ouro” no seu próprio período negro, isso acabou por interessar pouco. Defensivamente, sim, a opção acabou por beneficiar a equipa, já que as perdas de bola aconteceram quase sempre em zonas seguras, impossibilitando o Braga de actuar em ataque rápido a partir dos momentos de transição.

Relativamente às opções, Paulo Sérgio teve bastantes contra tempos e penso que boa parte da baixa qualidade em circulação deriva do facto de Maniche e Pedro Mendes estarem ausentes neste jogo. Raramente vemos, quer um quer outro, errar o número de entregas de Zapater ou André Santos. Não sendo isto, note-se, uma critica aos 2 médios, mas muito mais um elogio – que repito – à capacidade invulgar de Maniche e Pedro Mendes. De resto, a ironia talvez esteja no facto de ter sido na última baixa, a de Postiga, que Paulo Sérgio terá começado a ganhar o jogo. De facto, parece-me um equívoco tremendo optar por Postiga para jogar como 10 nesta estrutura. Como 10 ou como ala, de resto. Há soluções que garantem muito mais rendimento e uma delas – Valdés – já fez mais do que suficiente para que se questionasse a sua utilização na posição em que mais rende.

Relativamente ao Braga, e depois de alguns bons jogos, tinha tudo para dar sequência ao seu crescimento em Alvalade. Infelizmente para Domingos, a equipa voltou a denotar tendências suicidas e pagou caro por isso. Arrisco-me a dizer que teve mais qualidade de circulação e, até, não menos oportunidades de golo do que o Sporting. Mas, claro, não pode errar como errou em alguns momentos.

Notas individuais
Evaldo – Joga 90 sobre 90 minutos e para o Sporting já é uma boa notícia ter um jogador fiável e regular nessa posição. O seu rendimento, porém, roça os mínimos. É forte fisicamente, mas não lê bem o jogo e por isso consegue poucas antecipações e intercepções. Com bola, falhou demasiados passes.

André Santos – É sempre o mais elogiado e é inegável que tem qualidade. Muitos desses elogios resultam da sua disponibilidade física, que lhe permite dar mais nas vistas em determinados lances. Em certos casos, mesmo, isso pode ser muito útil, como no corte que fez à beira do intervalo, depois de uma grande recuperação. O facto é que André Santos raramente é o jogador mais eficaz do meio campo do Sporting, jogue com quem jogue. Ou seja, deve aprender, especialmente olhando para Maniche e Pedro Mendes o valor do posicionamento e da antecipação do primeiro passe de transição. Se o fizer, sim, tornar-se-á num grande médio.

Zapater – Tudo somado, parece-me justo cataloga-lo de melhor em campo. Foi o jogador mais interventivo no jogo, tendo-se destacado mais pela sua capacidade posicional do que pela qualidade na entrega. A assistência acaba por ser outro dado relevante a favor da sua exibição.

Vukcevic – Começou por se manter longe do jogo, mas acabou por fazer uma partida muito válida e atípica. Vukcevic é normalmente um jogador pouco trabalhador e muito desequilibrador. Desta vez foi o contrário. Juntou-se aos companheiros na luta de meio campo e desequilibrou pouco.

Valdes – Foi o jogador com maior percentagem de sequência em posse, o que, para um jogador de último terço, é notável. Aliás, a sua qualidade técnica é mesmo extraordinária, sendo muito difícil de ser desarmado, seja onde for. Não esteve sempre dentro do jogo, mas foi um elemento muito presente nos momentos de transição e na leitura das segundas bolas, ganhando muitas. A jogar solto, é um craque!

Liedson – Não fez um bom jogo em termos técnicos, mas foi decisivo e, como sempre, trabalhou muito bem sem bola. Aliás, sendo óbvio que o seu rendimento ofensivo não tem sido o mesmo de outras épocas, já a sua capacidade trabalho continua em níveis verdadeiramente extraordinários para um avançado e isso, a meu ver, tem muito valor em termos colectivos.

Salomão – Marcou e foi um destaque óbvio no final pelo impacto que teve. Mesmo tendo feito quase tudo bem, porém, não fez uma grande exibição. Porquê? Porque esteve demasiado ausente do jogo, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Ainda assim, creio que merece uma aposta mais contínua.

Alan – Foi, com Paulo César, o melhor do Braga. Tem uma qualidade em posse como poucos jogadores nesta Liga e movimenta-se muito bem sem bola, também. Quase dá vontade de recuperar os seus jogos no Porto para perceber porque falhou num “grande”. Tem 31 anos, mas o seu futebol ainda deve durar. É que Alan não alicerça as suas virtudes na potência física, mas na técnica e inteligência com que aborda cada posse. Espero que não abandone o futebol português nos próximos anos, porque seria uma perda.



Ler tudo»

ler tudo >>

13.4.09

Alan & Macheda: Um toque que diz muito

ver comentários...

Haverá poucos pormenores no futebol que definem tanto a qualidade de um jogador com o seu primeiro toque. Se um jogador for capaz de não só receber bem, mas sobretudo transformar a recepção numa preparação do seguimento que quer dar à jogada, dificilmente será um mau jogador e se não for capaz de o fazer será igualmente complicado tornar-se num fora de série, sobretudo, claro, se jogar em posições mais avançadas.

Vem tudo isto a propósito de 2 golos decisivos de 2 jovens desconhecidos em 2 partes distintas do planeta. Primeiro Alan, um franzino avançado do Fluminense que entrou no clássico frente ao Botafogo, quando a situação estava muito complicada para as suas cores. O ‘Flu’ perdia por 1-0 e jogava com 10. Eis que num lance aparentemente vulgar, Alan recebe um passe com um defensor pelas costas e numa zona lateral da área. Havia muito para fazer, dir-se-ia, mas Alan resolveu com pouco. Um toque inteligente e calibrado tornou repentinamente a situação numa ocasião flagrante e a bola entrou mesmo. Empate feito, dado o mote para a improvável reviravolta que aconteceria pouco depois. Alguns dias mais tarde, noutro grande palco, Macheda entra para tentar o impossível. Saltar do anonimato quase completo para o papel de herói do clube mais popular do mundo. Mais uma vez, havia muito para fazer quando aquele passe lhe foi feito, mas 1 toque tornou tudo muito mais simples e sonho foi real. Não sei o que será dos 2, mas aquele toque diz muito e a verdade é que já voltaram a marcar.

- Golo de Alan vs. Botafogo
- Golo de Macheda vs. Aston Villa


No que respeita jogadores célebres, há vários que ficaram conhecidos por momentos em que o seu primeiro toque foi deslumbrante. À memória virão seguramente os golos de Bergkamp, particularmente aquele frente à Argentina, mas em matéria de primeiro toque não haverá jogador como Zidane. É curioso ver a noção que o próprio tem da importância daquele primeiro toque que dominava tão bem. Receber bem, ou mesmo na perfeição, muitos são capazes, mas poucos são capazes de acrescentar a essa habilidade tanta inteligência.

Nota: ao contrário do que é hábito hoje não faço qualquer análise aos jogos do fim de semana. Por estar de férias, acompanhei os jogos mas não com o detalhe habitual e por isso não vou avançar com análises aos mesmos. Fica o controlo...


ler tudo >>

27.1.09

Hulk & Alan

ver comentários...


Uma exibição a roçar o incrível
Em termos globais terá realizado, em Braga, a sua melhor exibição desde que chegou ao Porto. Antes do jogo, o próprio Jesus antecipou a possibilidade de vir das acções do brasileiro a principal ameaça para o Braga. Não é difícil de perceber porquê. Ao assumir um jogo de posse e domínio territorial, o Braga estava também a incorrer no risco de oferecer a Hulk o elemento fundamental para a explosão do seu futebol: o espaço. Jesualdo também antecipou a situação e deu-lhe o centro como ponto de partida para as suas acções, tornando-o implicitamente na prioridade ofensiva da equipa. Hulk correspondeu às expectativas dos que pensavam poder ver em Braga desequilíbrios a partir dos seus ‘raides’. E foi mais além... É que também ao nível da decisão, Hulk esteve muito bem, num registo contrastante com o que se havia visto no passado.
O seu impacto é, primeiro, fundamental pelos ‘safanões’ que deu no jogo. Em termos psicológicos foi fundamental para quebrar o fortíssimo ímpeto inicial dos arsenalistas. Passado esse período que definiu igualmente a vantagem portista, Hulk passou a aparecer mais como condutor de transições e foi nesse papel que surpreendeu verdadeiramente. Ao invés de insistir nas iniciativas individuais, o brasileiro procurou sempre soluções mais colectivas e correctas. Não foi um jogo de muitas intervenções e, obviamente, não evitou algumas perdas naturais. Entre todas as suas participações, no entanto, conto-lhe apenas 1 má decisão, já no final do jogo quando forçou uma finalização e tinha Lisandro em melhor posição. Para quem o viu nas primeiras exibições em Portugal, é simplesmente notável.
Para Hulk a margem de evolução é enorme, dado o potencial, a idade e o tempo que tem em Portugal. Jesualdo parece ser um bom “professor” para este percurso que tem ainda uma etapa muito relevante por vencer. É que jogar com espaço e em transição é muito mais fácil. Para Hulk fica o desafio de conseguir enquadrar melhor as suas características e decisões perante adversários mais fechados e que oferecem menos espaço. Da sua resposta dependerá a possibilidade de se tornar num jogador verdadeiramente incrível!


Alan vs. Cissokho
Em termos mentais e psicológicos, falhar num “grande” pode ser devastador. A queda pode não ser um simples passo atrás e muitos são os exemplos de jogadores que vêm a sua carreira cair a pique depois de falhar esse tão desejado desafio. Felizmente, há outros casos. Um deles é Alan, que encontrou em Braga o local ideal para dar seguimento à boa reacção já revelada em Guimarães.
Uma das questões que se colocou aquando da sua chegada a Braga era como seria enquadrado num modelo de médios interiores? A resposta foi dada pela natureza das dinâmicas do próprio Braga. É que a largura ofensiva é uma das grandes prioridades da equipa quando tem a bola e, aí, Alan consegue aparecer muitas vezes naquele que é reconhecidamente o seu ‘habitat’ natural.
Frente ao seu antigo clube, Alan foi um dos elementos mais em foco de uma equipa toda ela muito participativa em termos ofensivos. Esteve em destaque particularmente nas acções de 1x1 que lhe foram proporcionadas, encontrando quase sempre soluções para conseguir um cruzamento.
Neste aspecto, há o outro lado da questão: Cissokho. O mais recente reforço portista saiu muito bem visto pela sua fantástica jogada do segundo tempo, mas a verdade é que defensivamente deixou muito a desejar. A frequência com que Alan o bateu deve servir de alerta para o treinador e próprio jogador. O futuro ajudará a perceber se se tratou, ou não, apenas de uma noite inspirada de Alan...

ler tudo >>

AddThis