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14.3.12

Contrastes...

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- Quando o sorteio ditou o confronto entre Bayern e Basel (curiosamente, partilham a abreviatura FCB), imediatamente imaginei um passeio para os alemães. É que, para além da diferença evidente de valores, não havia qualquer contraste de estilos ou choque de culturas. Houve, no entanto, da minha parte uma subvalorização do Basileia actual. O seu momento é tremendo, pulverizando a liga interna e atingindo patamares de confiança que permitem a exacerbação do potencial colectivo, reflectido em feitos como foram, por exemplo, as vitórias caseiras frente a United e a este mesmo Bayern. O mais curioso é verificar o que pode acontecer quando o escudo da confiança é repentinamente retirado por um gigante insaciável como é, culturalmente, o Bayern. Não pode deixar de vir à memória o caso do Sporting em 2009 que, num episódio muito semelhante ao do Basileia (mas ainda mais penoso, porque teve direito a repetição), foi devorado por este mesmo adversário sem que houvesse qualquer relação com a consistência da equipa, quer no seu percurso europeu até aí, quer no próprio momento interno (as goleadas sofridas pelo Sporting coincidiram, paradoxalmente, com o arranque para um excelente ciclo de resultados internos). Não há grande lógica nisto, apenas Fragilidade.

- Do outro apurado do dia, não se pode traçar perfil mais contrastante com o do Bayern. Não tem grande explicação esta modéstia dos clubes franceses. São uma das potências económicas da Europa ocidental, têm dimensão, condições e formação para serem uma potência também ao nível de clubes. Mas não são, e vivem um bastante traumatizados por isso. Talvez a próxima década lhes seja mais favorável e Paris veja, finalmente, uma equipa corresponder à sua importância em todas as restantes áreas sociais e económicas. Refiro-me ao PSG, é claro. Para já, fica apenas o alerta para algo que venho repetindo: os franceses podem não ser uma potência, mas têm o seu valor também algo menosprezado. Porque desprezam a Liga Europa e não têm unhas para a Champions, acabam sempre longe das finais, parecendo por isso mais fracos do que realmente são. Mas, há muita qualidade e, atenção, porque ao contrário da Liga Europa, eles darão tudo por um brilharete na Champions.

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26.2.12

Eficácia e não só

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- Não há muita volta a dar... quem falha tantas ocasiões, tem sempre de olhar para a eficácia quando perde pontos e, ainda por cima, num empate a zero. Agora, será apenas da eficácia? Talvez não. Primeiro, o lado emocional. Já escrevi algumas vezes sobre a invulgar volatilidade das equipas de Jesus, algo que se constata em praticamente todas as épocas do treinador, e que vinha tendo esta temporada como principal excepção. Até agora. Depois das 2 derrotas, o terceiro jogo sem ganhar trouxe também a segunda vez em que Jesus regista dois jogos sem marcar. Tudo de repente, e de seguida. Essa inconstância pareceu ser o principal foco de Jesus para a nova época, quer pela forma como procurou encontrar uma solução mais equilibradora (Witsel), quer por algumas alterações nos comportamentos da equipa ao nível da gestão da posse. É claro que é impossível identificar com exactidão os motivos, e há que contar ainda com a importante contribuição da ausência de algumas unidades que vinham sendo nucleares na equipa. Ainda assim, é impossível dissociar esta quebra da tendência comportamental que anteriormente fora identificada. Seja como for, vêm aí jogos decisivos e mesmo se o Benfica permanece em boa posição, Jesus reaparece subitamente numa posição de exposição perante a critica... ou não fosse ele um treinador de futebol!

Já agora, sobre eficácia, fica o ranking segundo dados da liga (%Golos marcados por oportunidades criadas):

Marítimo 37%
Braga 36%
Guimarães 36%
Benfica 31%
Porto 30%
Gil Vicente 27%
Nacional 24%
Rio Ave 23%
Beira Mar 22%
Sporting 21%
Academica 20%
Olhanense 19%
Feirense 18%
Leiria 18%
Setúbal 16%


- Um caso interessante, é o da Académica. Há poucas equipas que tenha um modelo de jogo tão arrojado como a equipa de Pedro Emanuel. Aliás, parece-me discutível dizer que haja alguma. Risco em posse e risco na exposição pelo posicionamento defensivo. Ao mesmo tempo, porém, há muitas coisas que faz bem, como muito poucas equipas da Liga fazem. O resultado é uma época de grandes oscilações, com períodos de grande euforia e qualidade (fundamentalmente, quando se juntam confiança e especificidade), e outros bem difíceis, como o que atravessa desde o inicio do ano. Quem não parece estar a gostar do outro lado da moeda é Pedro Emanuel, e talvez por isso tenha adoptado uma postura mais conservadora para este jogo. É, mais uma vez, motivo de reflexão sobre a importância de dosear risco e segurança na definição das ideias de jogo que se querem para as equipas. Até porque, como defendi há dias, o futebol parece frágil.

- Uma nota para outro caso estranho, o 4-4 entre PSG e Lyon. Numa liga conhecida pelos poucos golos marcados, parece que os grandes jogos estão talhados para resultados volumosos e sempre muito equilibrados. Mais um fenómeno do futebol para o qual só os deuses deverão ter resposta.

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22.5.11

Final da Taça e outras notas (breves)

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- Começar pelo mais incrível: 7 golos na primeira parte! Alguém se lembra de ter visto tal coisa? Vejo vários jogos - muitos mesmo! - não digo que nunca o tenha presenciado, mas confesso que não me recordo. Não admira... alguém suspeita qual a probabilidade teórica de isto se verificar num jogo com estas características?

- Sobre o jogo, voltarei com mais detalhes, mas fica claro que tudo ficou definido no primeiro tempo, que ambos os treinadores se deverão lamentar por tantos e tão frequentes momentos de descontrolo defensivo, e, já agora, que a eficácia foi fundamental na definição da diferença expressiva com que o jogo foi para o intervalo.

- Num exercício de apelo à memória, recordam-se das criticas de pré época a um Porto que marcava pouco? Recordam-se das declarações de André Villas Boas, que não precisava de golear, mas apenas de ganhar? Quem diria...

- Em Espanha, consumou-se o feito histórico de Ronaldo. Na verdade, não é apenas um. Não só se tornou no melhor marcador de sempre numa época em Espanha, como se tornará no primeiro jogador a conseguir o título de melhor marcador europeu em dois campeonatos distintos. Não sei qual o lugar que a História lhes reserva, mas quantos jogadores existiram que, jogando a partir de posições exteriores, marcaram tantos golos como fazem Ronaldo e Messi. Assim de repente, lembro-me apenas de Eusébio e Pelé.

- Em França, o projecto de continuidade do Lille atingiu, finalmente, a consagração. Uma equipa que, tal como muitas outras em França, desprezou a Europa em privilégio das competições internas, e que, por isso, não tem tão boa imagem externa como aquela que merece. Entre todos, claro, Eden Hazard é quem mais atenções justifica. Não é para todos ganhar o prémio de Melhor do Ano numa liga como a francesa, com apenas... 20 anos!

- Uma nota, também, para o inicio do campeonato do brasileiro. Ronaldinho começou com um espectáculo individual e Liedson a decidir de forma espectacular numa das mais difíceis deslocações em toda a prova. Lembrando que continua a ser um jogador disponível para a Selecção, a pergunta que me assalta é: que sentido fará, se Paulo Bento o continuar a deixar de fora depois de o pré convocar?

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19.9.10

Derbi vermelho e outros jogos (Breves)

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- Ainda irei rever o jogo antes de uma análise mais aprofundada, mas para já fica a certeza de um 'derbi' completamente vermelho. Uma diferença ao nível da qualidade táctica do modelo - como sempre venho referindo, não ao nível técnico-táctico que reside o problema do Benfica - e, muito importante também, da inteligência na estratégia adoptada. No futebol, como em quase tudo, a qualidade sobrepõe-se sempre à quantidade. A partir daqui podemos começar a perceber o paradoxo de o Sporting ter sido a primeira equipa a ter mais posse de bola do que o Benfica esta época e, ao mesmo tempo, ter sido provavelmente aquela que menos problemas causou ao jogo encarnado. Paulo Sérgio - na minha opinião - fez bem em dar continuidade ao onze e ao modelo, o que tem é de ter alguma noção da qualidade que a equipa não tem para assumir um jogo de posse e circulação no meio campo adversário. Por fim, fica a pergunta: porque é que Cardozo, tão limitado fisicamente, faz o seu melhor jogo ao terceiro jogo semanal?

- Em Paços, o Braga quase ganhava. Seria um feito fantástico, dada a sua pouca produtividade e, diga-se, é já fantástico não ter perdido. Enquanto a sua organização e discernimento vão sofrendo com as "dores" deste súbito crescimento, vai valendo mais um episódio de grande eficácia ofensiva. E, mais uma vez digo, não é por acaso.

- Tivemos cá derbi, mas muitos outros clássicos houve pelo mundo. Em Inglaterra, Berbatov foi o protagonista, mas ficou também uma grande exibição de Nani, talvez o mais desequilibrador jogador do campeonato inglês (mais uma vez pergunto-me como é possível alguém subestimar o potencial de uma Selecção que conta com este tipo de talento?!). Em França, Gourcuff voltou a Bordéus e... perdeu! Na Alemanha, o sempre quente duelo entre Dortmund e Schalke foi resolvido por um jovem... japonês: Kagawa. Em Espanha, o Barcelona conseguiu ganhar onde o ano passado perdera. Na Turquia, o primeiro clássico de Quaresma terminou com um empate a 1, em casa do Fenerbahce. Na Holanda e em Roterdão, ganhou o Ajax. Não está muito difícil de ver quem vai ser campeão, quando se juntam Suarez e El Hamdaoui numa mesma equipa. Finalmente, no Brasil joga-se ainda o 'Fla-Flu', mas já dá para dizer que um adolescente tramou Scolari no derbi paulista frente ao São Paulo: Lucas Silva(ex-Marcelinho).

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24.8.10

Otamendi, Gourcuff e... mais um nulo

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- O Porto confirmou Otamendi. Otamendi? Não seria a minha escolha. Não podia ser mais diferente de Bruno Alves: baixo e rápido. É forte com bola, tem carácter, confiança, agressividade e agilidade. Porque não o escolhia? Porque é um risco. Otamendi é uma espécie de cavalo selvagem que precisa de ser "domado". Tem atributos fantásticos, mas falta-lhe pensar como um central e entender algumas prioridades da posição. Um risco, repito. Se for "domado", tornar-se-á rapidamente num dos ídolos das bancadas. Mas pode tornar-se também num problema, caso surjam os erros ou a questão da estatura. Esse dado - o da estatura - é, aliás, o grande factor limitador para o seu potencial de valorização a prazo. Entusiasma-me poder vê-lo, mas não o escolhia...

- Gourcuff no Lyon! Por esta não esperava. Esperava que saísse para fora do futebol francês, não que mudasse de ares internamente. Há dois indicadores importantes nesta transferência. O primeiro é o crescimento relativo dos franceses ao nível da capacidade de investimento - com o Lyon à cabeça. O segundo é que o mercado parece estar mesmo a quebrar. Será que a "bolha" vai mesmo rebentar? Para já, e porque acredito que Gourcuff é já um dos melhores criativos do futebol actual, ficarei à espera de o ver ao lado de Pjanic, outro dos meus favoritos para os anos vindouros. Que dupla!

- Por cá, outro nulo. Mais importante que a ausência de golos, é pobreza qualitativa de alguns jogos que assistimos. Este foi um deles. Aliás, bem podia ter acabado ao intervalo, porque 2ª parte foi mesmo muito má. No Guimarães já havia denunciado as dificuldades eminentes de Manuel Machado e confirma-se como o pior Vitória desde o regresso ao primeiro escalão. Como se não bastasse a ausência de soluções colectivas, há também um mar de equívocos e desperdícios individuais. Pelo menos é o que me parece. Para a semana, na Choupana, se perder, Machado já passa a ter o nó bem apertadinho na garganta. É que isto, quando é para baixo, vai mesmo muito rápido.

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17.6.10

Diário de 'Soccer City' (#9)

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Chocante! Não pelo resultado, porque se um dia antes havíamos visto a Espanha cair perante a Suíça, não poderia ser agora a derrota de uma França moribunda a fazer-nos abrir a boca de espanto. O que realmente choca é a forma como tudo aconteceu. Os méritos do México, ninguém os tira, e já irei a eles, mas o que se viu do lado francês superou todas as marcas. A substituição de Anelka ao intervalo, a exibição em perda progressiva, a ausência de Henry e Gourcuff e, sobretudo, a enorme passividade de todos perante um cenário de tamanho descalabro. Não vou mais além do que isto, porque seria entrar num campo meramente especulativo, mas diria que há algo de muito estranho por trás desta tremenda hecatombe gaulesa.

Tacticamente, diria que a exibição francesa prova, de novo, como o futebol vai muito para além de sistemas e opções individuais. Não houve nada de errado com o 4-2-3-1 de Domenech, e as suas escolhas, embora discutíveis, não chegam, nem um pouco, para explicar a pobreza a que se assistiu. O que faltou – e de novo – à França foi qualidade em tudo aquilo que tentou fazer. Com bola, jogava no improviso individual e não tinha, nem qualidade de movimentos, nem sequer um plano para chegar ao seu destino. Sem bola, tentou pressionar alto, mas não conseguia parar o primeiro passe. Abriu um espaço entre linhas gritante e nem sequer a sua linha mais recuada se salvou minimamente, mantendo um espaço enorme entre os seus elementos e falhando frequentemente no aproveitamento do fora do jogo. É para mim um tremendo enigma como uma equipa – com tanto potencial – se pode apresentar desta forma depois de 1 mês de preparação...

Mais interessante, e seguramente mais animador, é falar do México. Defensivamente é uma equipa que não merece grandes elogios. Não tão má quanto o Uruguai frente aos mesmos gauleses, mas mesmo assim sem uma grande qualidade naquilo que fez sem bola. Mais, o México foi até mais inocente na forma como consentiu algumas perdas de bola que resultaram em transições de perigo potencial (raramente concretizado, diga-se).

Outra coisa é falar da grande nuance táctica do jogo: a forma como o México estrategicamente preparou as suas ofensivas. Em vez de utilizar Franco como unidade mais avançada, e Vela e Giovani nas alas, Aguirre optou por baixar o ponta de lança e torná-lo num “pivot” para todas as situações ofensivas. Quer em construção, quer em transição. E funcionou em pleno porque, primeiro, a França abriu um espaço gigantesco entre a linha defensiva e o primeiro médio e, depois, porque Domenech devia estar a pensar na sua longa viagem de regresso e não foi capaz de corrigir uma situação tão flagrante e repetido ao longo do jogo. Com isto, não só a França passou por dissabores para controlar os movimentos diagonais de Vela e Giovani nas costas do “pivot”, como ficou impedida de se manter alta no campo e pressionar. Sempre que a bola entrava em Franco, era ver os franceses correr para trás, tentando remendar algo que normalmente devia ser prevenido.

O debate sobre a paupérrima selecção gaulesa – em termos relativos, a pior do Mundial – deverá ficar por aqui, e aproveito o último parágrafo para um pequeno apontamento sobre um tema paralelo nesta competição: as transmissões televisivas. Por estar ausente de Portugal, tenho acompanhado as transmissões noutros canais, entre os quais a BBC. É a esta estação britânica que quero prestar a minha homenagem. A ausência de anúncios é aproveitada de uma forma fantástica para os espectadores. Ao intervalo, por exemplo, figuras como Seedorf ou Shearer estão a fazer a sua análise do jogo, umas escassas de dezenas de segundos após o apito do árbitro. O mais interessante, porém, é o facto de o poderem fazer já com o apoio de imagens recolhidas e tratadas sobre um jogo que apenas acabara de terminar. É caso para dizer que na BBC cada jogo vale bem mais do que os 90 minutos.



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12.6.10

Diário de 'Soccer City' (#3)

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Desilusão anunciada. No caso da França nem é preciso explicar porquê. Aliás, tão baixo desceram as expectativas em relação aos gauleses que quase se chegou ao exagero de desvalorizar o seu favoritismo. Um exagero, de facto. Não porque Domenech não o merecesse, mas porque do outro lado mora também outra desilusão anunciada. Não apenas o Uruguai, mas a generalidade dos conjuntos Sul Americanos, que julgo terem boas condições para deixar muito boa gente desiludida.

O Atlântico separa os dois Continentes, mas há bem mais do que um Oceano entre o nível táctico dos Sul Americanos e aquele que se pratica na Europa. Tabarez deu o mote com o disparate dos 3 centrais. Perdeu presença numérica no centro e nem sequer se deu ao trabalho de juntar linhas para aproximar a equipa. Não só tornou impossível criar problemas no pressing como ainda contraiu, ela própria, uma incapacidade gritante para fazer sair o primeiro passe. De repente, o trapalhão Domenech parecia um sábio da táctica.

E era tão fácil à França ter feito melhor! Sem apoios para a saída de bola, e com 3 jogadores na mesma linha recuada, o destino da posse uruguaia tinha de ser pela ala, pelo lateral. Era posicionar, pressionar e recuperar. Depois, com bola e sempre mais um apoio na zona central, bastava abrir no extremo, puxar o médio uruguaio para a ala e de novo procurar o interior, abandonado por uma presença excessiva de defensores na zona mais recuada. A França nunca o percebeu e foi aqui que começou a perder as suas hipóteses de vencer. Jogada após jogada, forçou a entrada pelas alas, onde facilmente os uruguaios garantiam boa presença com a ajuda do central mais próximo. Nunca quis, nem soube ver onde estava o “ouro” do jogo e por isso acabou com o justo prejuizo do nulo.

No meio disto tudo, há que realçar uma exibição: Forlan. Se o Uruguai sentiu dificuldades em jogar, só não mais as sentiu por causa do seu Diego. Veio atrás, buscou jogo e criou soluções de passe onde elas nunca existiriam por si só. Forlan foi a excepção de um jogo onde abundava potencial para muito mais.

E assim será, entre o talento individual e a mediocridade táctica se definirá o destino da generalidade dos sul americanos no Mundial 2010.



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4.6.10

2006: A última sinfonia de 'Zizou'

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Todos o davam como acabado. E, afinal, o próprio já havia avisado que iria dar os últimos passos nos relvados do Alemanha-2006. Zidane, porém, era um "vintage", daqueles que se tornam melhores com a idade. A força do seu futebol nunca foi a velocidade ou a explosão e, por isso, foi-se tornando cada vez melhor a decidir, cada vez melhor a executar. Zidane será sempre lembrado por aquela final de 1998 e pelos golos com que vergou o Brasil. A importância histórica não está em causa, mas escolher 2 cabeçadas como ponto alto da carreira de Zidane parece-me um claro contra senso. É por isso que, entre todas as suas exibições em mundiais, não teria dúvidas em destacar uma outra, 8 anos mais tarde contra o mesmo opositor.

Para enquadrar o cenário, importa lembrar que não foi só Zidane a aparecer desvalorizado nesta competição. Toda a equipa francesa foi rotulada de "velha", com nomes como Barthez, Thuram, Makelele ou Vieira a juntarem-se aos 34 anos de "Zizou" para compor um onze base com uma média de idades acima dos 30 anos. "Os Dinossauros", apelidaram os mais críticos.

A suposta incapacidade da equipa francesa pareceu confirmada na fase de grupos, quando num grupo com a Suiça, Togo e Coreia do Sul, os franceses não fizeram melhor do que o 2º lugar. Aqui terá entrado um dos mais comuns erros de apreciação nestas competições - e que provavelmente se repetirá em todos os mundiais. Avaliar uma equipa por jogos de características diferentes daquelas que terão na fase decisiva. E assim foi. A França podia não ter grandes rasgos para bater defesas muito fechadas, mas era uma equipa consistente e com qualidade para se bater com as melhores, em jogos mais divididos. Provou-o, primeiro, afastando uma entusiasmante Espanha. Depois o favorito Brasil e, finalmente, Portugal. Tudo, sempre, em velocidade moderada e com grande classe. O estilo Zidane.

A França esbarrou na final e acabou por não proporcionar o grande final ao seu capitão. Zidane voltou a marcar uma final de um mundial à cabeçada, mas desta vez não na bola, mas sim no peito de Materazzi. Um pecado final cujo preço nunca saberemos qual foi exactamente. O que sabemos, contudo, é que a caminhada para a final justificava outro desfecho em Berlim. Como a bola é redonda, ganhou a Itália que teve a sorte que lhe faltou em 94. Para quem viu aquele mundial com olhos de ver, não hesitará em destacar a França e Zidane como os melhores da prova.

Sobre o 10 francês, não há muito para dizer. Nunca houve. Aliás, o que distinguiu Zidane nunca foram os feitos ou os números. Nem mesmo a eficácia das suas acções. O que o distinguiu foi sempre a sua arte e o seu estilo. E é precisamente por isso que para perceber o impacto de Zidane não chega qualquer descrição, é preciso ver. Um artista na forma de jogador, como poucos o foram. E é por essa especificidade que Zidane merece, a meu ver, um lugar de enorme destaque entre os mais importantes da História do Jogo.



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9.3.10

1958: O meu nome é... Pelé!

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Entre a ressaca doméstica e o inicio da jornada europeia, tempo para uma pequena intromissão histórica. Na realidade, trata-se da introdução de uma nova rubrica, especial e motivada pelo Mundial que se aproxima. A ideia é, até ao inicio da competição, trazer aqui uma série de exibições históricas dos grandes nomes do futebol mundial em jogos de campeonato do mundo. Um exercício que permitirá fazer o contraste entre as diferentes “eras” do jogo e, também, o nível dos diversos craques que encantaram gerações. Para começar: Pelé frente à França, na meia final de 1958.

Não é exagerado dizer que, depois deste jogo, disputado a 24 de Junho de 1958 em Solna, o mundo do futebol nunca mais foi o mesmo. Não que algo tenha mudado no jogo em si, mas porque, depois deste jogo, o mundo não poderia mais ficar indiferente a um nome que, hoje em dia, não conseguimos dissociar do jogo: Pelé.

O jovem Pelé tinha apenas 17 anos e já havia garantido o feito de se ter tornado no mais jovem jogador da história dos mundiais. Um prodígio que o Santos mostrara à Brasil e que, agora, era também revelado ao mundo. Pelé estreou-se no terceiro jogo da fase de grupos frente à URSS de Lev Yashin e nos quartos de final havia sido já protagonista, marcando o golo da vitória frente ao País de Gales. Agora era a vez da França, comandada pela dupla Kopa-Fontaine, numa meia final entusiasmante.

Na verdade, o Brasil dominou completamente o jogo, mostrando-se sempre francamente superior a uma França com a qualidade demasiado isolada na figura das suas 2 estrelas. Aos 2 minutos o Brasil já ganhava depois de uma infantilidade de Jonquet que terminou no golo de Vavá. Fontaine empatou pouco depois, a passe de Kopa, pois claro, mas isso não parou a avalancha brasileira. Didi era, apesar do mediatismo hoje reconhecido a Pelé ou mesmo Garrincha, o jogador mais influente. O motor da equipa. No meio campo parecia ser o dono do jogo, impressionante fisicamente e com uma capacidade técnica bem acima da média. Na frente, Pelé jogava ao lado de Vavá, com Zagallo à esquerda e o desequilibrador Garrincha à direita. Ao intervalo o 2-1 não surpreendia, mas foi depois do intervalo que algo mágico sucedeu.

Em vantagem e perante uma França em notória dificuldade física, Pelé apareceu transformado na segunda parte. Baixando mais para se aproximar do jogo, o prodígio passou a ser um elemento muito mais desequilibrador. O seu primeiro golo, marcado aos 52 minutos, foi o rastilho que faltava. Pelé ganhou confiança na mesma medida que as forças se foram dissipando dos músculos franceses. Com mais espaço, Pelé partiu para um hat-trick histórico que definiu por completo o destino da partida e presença canarinha numa final que também venceria, também com Pelé com protagonista. Provavelmente os suecos – que vibraram mais com os golos da Suécia que jogava à mesma hora do que com as jogadas daquele miúdo – não sonharam com o que estava a acontecer, mas, à frente dos seus olhos, estava a ser coroado... o “Rei”.



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12.1.10

Gomis & Bastos

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9.11.09

2x5 !!

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10.8.09

Wendel no regresso...

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6.7.09

Revisão 08/09: Yoann Gourcuff

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Lucho pode ser uma grande aquisição para a Liga Francesa que, por outro lado, viu partir Juninho depois de tantos anos com a batuta do Lyon. A verdade é que, apesar de toda a qualidade que se reconhece a “El Comandante”, a luta pelo trono de melhor dos melhores, mesmo no que diz respeito à sua posição especifica não será fácil. É que em França não há só um novo campeão. Há um novo “Rei”!


Depois de não conseguir confirmar o seu estatuto de promessa emergente no Milan, Yoann Gourcuff regressou a França e provou que se havia alguém errado, não era seguramente ele. Aos 22 anos foi o melhor da Ligue 1, mostrando enorme qualidade e voltando a fazer lembrar Zidane em alguns pormenores verdadeiramente mágicos, como a forma como controla a bola em determinadas situações. Gourcuff, no entanto, será apenas Gourcuff e sê-lo-á, para já, no Bordeaux. O ‘Girondinos’ pagaram 15 milhões para ficar com o talento. Uma verdadeira pechincha tendo em conta a qualidade do jogador e uma operação algo incompreensível da parte do Milan (o estranho foi ter cedido ao Bordeaux uma clausula de opção no empréstimo), não sendo fácil de ver por esse mundo fora e com esta idade um valor tão talentoso e já tão influente a este nível...


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1.7.08

Notas finais do Euro

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Aspectos Colectivos

Clubes vs. Selecções
Começo por voltar àquela previsão, feita no lançamento da prova, de que este seria, sem dúvida, um torneio de jogos não tão minuciosamente preparados como aqueles que assistimos ao nível de clubes, mas seguramente não menos interessantes. Menos treino e mais jogo é sinónimo de mais erros e menos perfeição, mas também de maior improvisação e maior imprevisibilidade. Comparativamente com o futebol de clubes ao mais alto nível, o Euro foi tudo isto e, na verdade, quem poderá falar de desinteresse?

Tendências Tácticas
Estas são competições que marcam muito os tempos, já que é elas que a história do futebol recorre para, anos mais tarde, analisar tendências. Tacticamente destaque para a abundância do 4-4-2 clássico como sistema de referência deste Europeu. Suíça, Croácia, Alemanha, Suécia, Espanha e França iniciaram o Euro com este sistema e outras selecções recorreram a esta disposição de jogadores durante os jogos (até Portugal, sem qualquer tradição nesta opção, actuou numa versão próxima deste sistema durante grande parte do jogo frente à Alemanha). Ainda assim, não se pode deixar de referir o recurso a variantes do 4-5-1 (4-1-4-1 ou 4-2-3-1) na fase decisiva da competição, o que não deixa de ser sintomático quanto à importância da zona central. Nota, finalmente, para duas opções em vias de extinção ao nível dos sistemas: os 3 defesas (ou 3 centrais), apenas utilizada pela Áustria e Grécia e o 4-4-2 em losango. Aqui 2 comentários em sentidos diferentes. Enquanto que os 3 defesas é uma opção abandonada pela Europa (recorre-se ainda muito na América do Sul), por se considerar menos sólida, o losango nunca foi devidamente absorvido pela maioria dos países europeus talvez, digo eu, por ser mais exigente ao nível das dinâmicas de jogo. Esta ideia – e é apenas uma ideia – é um elogio para o futebol português, onde vários treinadores conseguiram nos últimos anos sistematizar processos com bons resultados, tendo o 4-4-2 losango como sistema.
Dito tudo isto sobre sistemas tácticos, acrescento que se os modelos de jogo estão longe de se esgotar na geometria do esqueleto, ao nível de selecções, onde há menos tempo de treino, esta questão torna-se mais importante e, por isso, assistimos a algumas mudanças de sistema dentro da própria competição, algo que a nível de clubes raramente acontece por ser muito pouco aconselhável.

Selecções
A história do Euro é marcada, naturalmente, pela vitória da Espanha (sobre quem já escrevi ontem), mas, para quem viu, há mais equipas para destacar:

Croácia: Nota positiva para uma equipa com muitos nomes promissores e uma grande lição estratégica (Bilic foi o primeiro a desfazer o seu 4-4-2 inicial para ganhar superioridade a meio campo) que provocou um sinal de alerta na Alemanha, talvez decisivo para a caminhada para a final. Os croatas foram, no entanto, pouco emocionais e deixaram-se cair quando tinham tudo para discutir um lugar na final.

Turquia: A sensação do Euro. O que a Turquia fez foi algo próximo de um milagre. Terim foi sempre pouco inteligente estrategicamente e a equipa, apesar de competitiva, foi vivendo dos sucessivos “milagres” no final dos jogos. Na meia final frente à Alemanha foi mais determinada, até melhor, mas sempre, sempre inocente na forma como se expôs ao erro.

Alemanha: Low terá, talvez, o maior mérito entre os treinadores do Euro. Levar a Alemanha à final com as debilidades individuais da sua equipa foi um feito e isso foi reconhecido pela forma como este histórico foi recebido no seu país. Estrategicamente, e tirando a não decisiva partida contra a Croácia, esteve sempre bem. Não deu para mais e, diga-se, já foi bem bom!

Holanda: A sensação da primeira fase, dominando o grupo da morte e sendo a primeira selecção a impressionar meio mundo. Talvez o problema da Holanda terá sido não ter levado mais cedo um susto que a despertasse para as suas debilidades, nunca expostas durante uma fase de grupos em que esteve sempre a ganhar. Van Basten surpreendeu as poderosas Itália e França com aquela contenção do duplo pivot pouco ofensivo, mas quando foi preciso dar qualidade à posse de bola... a Holanda caiu.

França: A desilusão da prova. Não pela eliminação, mas pela paupérrima prestação. O 4-4-2 de Domenech foi totalmente despropositado e sem qualquer dinâmica rotinada. Ainda deu um ar de poder recuperar no jogo contra a Holanda mas, aí, também não teve a sorte do seu lado.

Itália: A obcessão pelo sistema do Milan e pelo recurso a Toni foi a perdição de Donadoni. A equipa nunca se apresentou ao nível que se esperava, sendo muito vertical mas pouco imaginativa ofensivamente e longe da eficácia histórica em termos defensivos. Ainda assim, a qualidade não esteve totalmente ausente e apenas caíram nos penaltis frente à campeã Espanha.

Rússia: Primeiro demasiado ofensiva, expondo-se defensivamente às transições adversárias. Depois, mais controlada e a apresentar uma qualidade de movimentos colectivos sem par neste Euro. Este é o grande mérito de Hiddink, porque defensivamente exigia-se bem mais. A culpa não será só do seleccionador mas também da cultura do próprio futebol russo, algo distante das exigências tácticas do centro da Europa. Depois do brilharete frente à Holanda veio o falhanço estratégico no posicionamento do pressing para fazer frente à qualidade do meio campo Espanhol.


Individualidades

Guarda Redes
Foi um Euro difícil para os guarda redes. Buffon e Cech, dois dos melhores do mundo estiveram abaixo do que deles se exige. Lehmann, o finalista, teve vários erros e, na verdade poucos terão escapado à critica. A excepção, claro, Casillas. O Espanhol foi de longe o melhor de um Euro que teve também, por exemplo, Van der Sar em bom plano.

Defesas
Laterais direitos é dificil de destacar. Ainda assim, destacaria Corluka da Croácia, Sabri da Turquia (sobretudo ofensivamente) e, quase inevitavelmente, Sérgio Ramos.

Na lateral esquerda, mais hipóteses. Zhirkov, pela capacidade ofensiva, Grosso também me agradou e Van Bronckhorst merece igualmente referência. Quem não consigo destacar é Lahm.

Como centrais, Pepe, mantenho-o, foi o melhor que vi (atenção à evolução notável de Pepe nos últimos anos, afirmando-se no Porto, fazendo parte do melhor onze da Liga no ano de afirmação em Espanha e, agora, integrando a selecção ideal da Uefa). Marchena e Pujol foram sempre bem protegidos mas têm de ser destacados por raramente terem errado. Kolodin deu nas vistas na Rússia e, na Itália, apareceu um tal de Chielini que já se conhecia dos sub 21 e que pode ter tido aqui o seu inicio como referência da Selecção transalpina. Outro central que jogou a médio foi fundamental no duplo empate da Roménia: Chivu.


Médios
São tantos que é difícil escolher. Na Espanha todo o meio campo: Senna foi um esteio, quase perfeito (ainda assim, e apesar da importância da função acho uma afronta considerar-se um jogador de funções essencialmente tácticas o melhor de uma competição, como alguns fizeram), Xavi, para mim e para a maioria, o melhor do Euro, Fabregas apenas foi ofuscado pelo pouco tempo que jogou e Iniesta e David Silva (principalmente o primeiro) dois complementos fundamentais para dar à Espanha a tal qualidade de posse de bola que fez a diferença. Mas houve mais. Gelson Fernandes da Suíça teve pouco tempo, mas mostrou qualidades, Hamit Altintop foi um dos melhores do Euro pela qualidade e dinâmica emprestadas, Modric a revelação e um adocicar de boca para o seu futuro na Premier League, Sneijder o melhor até aos quartos de final, De Rossi, para mim, o melhor da Itália, Ballack intermitente mas decisivo na caminhada da Alemanha, tal como o fulgurante Schweinsteiger, Zyrianov o mais consistente de uma Rússia que teve em Semak outra boa revelação. Mas uma das performances mais perfeitas que vi foi a de Deco. É pena...

Avançados
Vou incluir aqui Arshavin que, não sendo uma revelação para quem anda atento, teve um enorme impacto... tão grande como o seu desaparecimento na meia final. De resto, é fácil escolher... Torres e Villa na Espanha, Podolski e Klose na Alemanha, Pavlyuchenko, outra revelação, na Rússia, Van Nistelrooy na Holanda e Ibrahimovic na Suécia, apesar do pouco tempo. Nota ainda para um jogador que não esteve em foco mas que creio poder tornar-se brevemente uma das referências do futebol mundial: Benzema.


Portugal
Ao contrário do que se disse, nas habituais visões fatalistas na hora da derrota, não creio que Portugal tenha desiludido em termos de qualidade de futebol. Ou, pelo menos, nos 4 momentos do jogo “corrido”. O que se viu de Portugal nos primeiros jogos foi tão bom como qualquer outra Selecção e é por isso que a frustração desta eliminação ainda é maior, porque, de facto, poderíamos ter disputado a vitória.
A conclusão que me fica é que o próximo passo tem de ser dado no sentido de querer chegar mais próximo da vitória final. É preciso mais visão estratégica e mais preocupação com os detalhes do jogo – não podemos perder um jogo com erros colectivos tão gritantes ao nível das bolas paradas! Vencer (entenda-se, melhorar as condições para) deve ser o objectivo de curto prazo do próximo seleccionador até porque ninguém nos garante que esta qualidade dure muito tempo numa selecção de um país de apenas 10 milhões. Uma nota final para Cristiano Ronaldo. Talvez seria melhor alguém explicar ao rapaz que o que fez Torres no dia 29 de Junho de 2008 vai ter muito mais importância na história do futebol do que qualquer dos golos que Ronaldo possa marcar pelo Manchester, Real Madrid ou outro clube... É que ao afirmar “não tenho nada a provar” antes da competição mais importante da época não parece evidenciar grande consciência para esse facto!


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18.6.08

França - Itália: Quem desilude mais?

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Era um dos jogos mais aguardados mal foi conhecido o sorteio inicial. A verdade, porém, é que França e Itália protagonizaram um duelo que pareceu sempre um concurso para ver quem mais merecia perder do que uma normal disputa positiva pela vitória. Nesse aspecto, foi evidente, os franceses superiorizaram-se, tornando quase inevitável uma eliminação que foi aproveitada pela Itália para seguir em frente, também, graças à prestação holandesa. Mais vamos por partes:

França
Se me perguntassem que selecções me desiludiram neste Euro, poderia falar da Polónia, não pelas prestações individuais, que já se sabia não serem grande coisa, mas pela estratégia definida por Leo Beenhakker, contrastante com aquilo que se viu na qualificação. No entanto, a um nível muito mais evidente em matéria de decepções vem, sem dúvida, a selecção francesa.

De facto, julgo ser difícil fazer um trabalho pior do que aquele que Domenech realizou. No primeiro jogo, frente à Roménia, um deserto de ideias com um 4-4-2 clássico completamente despropositado, sem ligação ofensiva e sem qualquer princípio de jogo que fosse interpretado com uma qualidade colectiva suficiente para que se dissesse que aquilo que viamos era uma equipa e não um simples conjunto de jogadores.

Frente à Holanda mudanças positivas, retirando um avançado e colocando Ribery mais solto. Aqui a fortuna não foi muita, é certo, mas nessa partida veio ao de cima outro aspecto que marcaria esta prestação francesa: uma gritante falta de concentração individual. Assim, a Holanda cumpriu o plano, chegou à vantagem (tirando partido da lacuna que referi) e, depois de sofrer e sobreviver ao melhor período gaulês na competição, transformou a vitória numa expressiva goleada.

Finalmente, o teste definitivo: a Itália. Regresso ao 4-4-2 sem ideias e mais mexidas, incluindo uma adaptação de Abidal a central, como se a França tivesse poucas soluções de raiz para essa posição. Assim, no terceiro jogo, juntou-se tudo o que de mal se havia visto nas primeiras 2 partidas: limitações colectivas e lapsos de concentração individuais. O resultado foi, inevitalmente, a derrota.
Sinceramente tenho dificuldades em perceber que tipo de preparação fez a França. O que é que Domenech pensou sobre a sua estratégia e que tipo de treinos fez? É que não pareceu mesmo nada que alguém tivesse preparado fosse o que fosse...

Itália
Qualificou-se e, pode dizer-se, que até não desmereceu a chegada aos quartos. A verdade, porém, é que nunca mostrou futebol ao nível de um candidato.

Esta equipa Italiana será, daquelas que vão chegar aos quartos de final, aquela que menos recorre a um jogo apoiado. Donadoni optou por apresentar uma réplica (com diferenças óbvias em relação ao original) do 4-3-2-1 do Milan, tentando tirar partido da força dos 3 homens de meio campo para as recuperações e da sua qualidade de passe para os repetidos passes de rotura que têm como objectivo tirar o melhor partido do poderio físico de Luca Toni e da capacidade de movimentação dos 2 homens que mais perto dele jogam.

Ainda assim, pode dizer-se, que a melhor qualidade desta Itália esteve no seu processo ofensivo, conseguindo criar situações de golo suficientes em todos os jogos para ter marcado mais golos do que aquilo que realmente fizeram. Já defensivamente as coisas foram francamente negativas. Perante ataque organizado, o seu pressing nunca foi verdadeiramente eficiente (contra a Holanda esse foi um aspecto decisivo), e em transição sofreu igualmente alguns dissabores (o que costumava ser raro em selecções italianas do passado). Para completar o cenário, falta falar da concentração individual, também abaixo do nível que se espera numa formação como a Italiana.

Já aqui referi que as equipas que normalmente ganham estas provas são aquelas que melhor evoluem durante a competição, mais do que as que melhor se preparam. Neste aspecto, a Itália tem todas as hipóteses de recuperar o terreno perdido, sendo, não pelo que demonstrou mas pelo potencial que se lhe reconhece, uma candidata ao triunfo final. O que não posso aceitar são os comentários assentes em preconceitos, que, previsivelmente, agora dizem que esta é uma equipa forte defensivamente, calculista, cínica, etc. etc... É que não creio mesmo nada que Donadoni tivesse este sofrimento nos seus cálculos ou que a selecção italiana tenha controlado fosse o que fosse. A coisa saiu bem, muito por culpa da desastrosa prestação francesa, mas o calculismo e cinismo foi o mesmo daquela equipa que, com Trappatoni, foi eliminada do Euro 2004 por depender de terceiros para se qualificar...

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14.6.08

Holanda: a astúcia da segunda face da "laranja"

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Depois de 3-0 à Itália um 4-1 à França. Por muito que a Holanda seja uma candidata crónica é difícil dizer-se que esta não é a mais surpreendente das performances do Euro. Em relação ao jogo com a Itália, não houve alterações na estratégia e disposição inicial dos holandeses mas, independentemente da expressividade dos números e ao contrário do que acontecera com a Itália, penso que a vitória holandesa se começou a desenhar com uma boa dose de felicidade. De facto, uma França bem melhor do que aquela que havia empatado frente à Roménia começou por sofrer um golo “a frio” e, depois de um período traumático após o golo, soltou-se para uma série de oportunidades que mereciam melhor sorte do que aquela que tiveram.
A forma como a Holanda e Van Basten responderam à adversidade criada pelos franceses é o ponto que me merece maior destaque na partida. É que, ao contrário do que é habitual, as opções de Van Basten aparentaram ser mais ofensivas do que defensivas. Com 1-0 no marcador e ao trocar Engelaar (por muito que se elogie este estático médio com os resultados colectivos, não me custa nada perceber como não passou até agora do Twente!) por Robben e Kuyt por Van Persie, Van Basten parecia estar a cometer o contra-senso de retirar capacidade defensiva à equipa, mas a sua visão foi altamente astuta para o momento do jogo. É que, ao contrário do que acontecera na fase inicial, a melhor forma de surpreender o adversário não estava no aproveitamento do espaço entre linhas mas sim na verticalidade e profundidade que se conseguisse dar às transições. Van Basten percebeu que para ganhar dificilmente bastaria defender o 1-0 e que o adiantamento da França lhe dava uma óptima oportunidade para matar o jogo em transição. Assim, mudou o perfil do seu meio campo, garantindo maior qualidade a um primeiro passe que entrava frequentemente no apoio recuado oferecido por Van Nistelrooy antes deste lançar a velocidade e imprevisibilidade de Robben ou Van Persie. Se é verdade que houve algum sofrimento defensivo causado pela dimensão da ofensiva francesa, depressa ficou claro que o tempo apenas poderia trazer mais golos à Holanda, tais eram as condições de que usufruia o seu contra golpe.
A Holanda não é uma equipa ofensiva – como se tem tendência a dizer – é, antes sim, uma formação muito pragmática e inteligente na forma como aborda os momentos do jogo e, se é ainda uma incógnita o seu destino na competição, pode dizer-se que as “lições tácticas” de Van Basten no dito grupo da morte entram já de forma bem vincada para a história do Euro 2008.

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3.6.08

Gomis deixa o aviso...

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23.5.08

A época de Benzema

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25.3.08

Leroy como... Poborsky!

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10.3.08

Finalmente Bodmer!

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