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16.3.10

Saleiro: entre a afirmação e a elite

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Foi inserido no plantel quase a medo, como que se duvidando da sua capacidade para estar à altura do desafio. A verdade é que Saleiro, passado este tempo, conseguiu aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas, subindo alguns degraus na lista de soluções prioritárias para a frente de ataque. Hoje, é já muito improvável que o avançado não faça parte dos planos leoninos para as próximas épocas, ficando apenas por saber até que nível poderá Saleiro ir. Não é a primeira vez que falo sobre ele, e, mais uma vez, fica aqui um balanço das qualidades e defeitos que julgo definirem o novo 9 do Sporting.

Forte psicologicamente
Talvez seja o aspecto que mais deva ser destacado, até porque as suas outras virtudes já eram conhecidas. Saleiro iniciou a sua ascensão numa fase de confiança quase nula em termos colectivos e onde pouca gente, mesmo com mais experiência e menos pressão, conseguia estar bem. Este facto aliado ao “nervo” que revela na hora de concluir dá a certeza de que estamos na presença de um avançado de "sangue frio", algo que é absolutamente fundamental para manter uma relação estável com o golo. E sabe-se como isso é importante para quem joga perto das balizas...

Bom tecnicamente
Este era o lado mais fácil de prever. Quem vira Saleiro antes de chegar ao Sporting, particularmente no Fátima e na Académica, sabia que este era um avançado inteligente e hábil no trato da bola. Capaz de baixar e combinar bem, longe das zonas de finalização. Este é outro traço positivo do seu perfil. Uma nota, ainda no capítulo técnico, para o seu pé direito. É fantástico saber passar, cruzar e rematar com a qualidade com que o faz. O senão é que faz tudo, ou quase, com o pé direito.

Reacção e explosão, o grande obstáculo
O físico não aparenta ser um entrave para Saleiro. Afinal, a sua estatura é bastante boa para um jogador que tem de aparecer tantas vezes a discutir lances aéreos. Por outro lado, Saleiro é também um avançado culto em termos de movimentação, sabendo que movimentos fazer e quando os fazer. Qual é o problema, então?

O problema está em alguns pormenores que são normalmente fundamentais para um avançado de elite e nos quais Saleiro revela dificuldades. Primeiro, falar do pique, da explosão. Não me estou a referir a situações de 1x1, mas na exploração da profundidade. Para um avançado, muito mais do que para um médio ou mesmo um extremo, é fundamental ser capaz de receber no espaço e, para isso, é preciso ter assinalável capacidade de aceleração. Saleiro não é um jogador lento, mas é não tem uma grande capacidade de aceleração um avançado e isso torna-se visível com alguma frequência.

O outro aspecto que quero assinalar neste ponto, e que é decisivo para um avançado, como já várias vezes tenho assinalado aqui, é a capacidade de reacção. Não é exactamente o mesmo que aceleração. Tem a ver com a velocidade com que se reage à trajectória da bola e se é capaz de ajustar o corpo em antecipação. Por isso, por exemplo, não o vemos frequentemente finalizar de cabeça em boas condições, apesar da sua estatura.

Ou seja, se Saleiro é, pela boa capacidade técnica e mental, um avançado com elevado aproveitamento em termos de finalização, não é um avançado que usufrua de muitas situações de finalização em zona privilegiada. E, se estamos a falar de elite, isso seria fundamental.

Competição: a condição fundamental para evoluir
Visto o perfil do jogador, sublinho a opinião de que se trata, e se tratará sempre, de um bom jogador, de utilidade colectiva. Sublinho também, no entanto, que está ainda longe de poder aspirar a um nível de elite. Aliás, isso não lhe será fácil dado o tipo de carências que tem. O mais difícil está conseguido, e agora Saleiro tem de saber, ele próprio, corrigir os aspectos onde não é tão forte. Para isso, a competição é a única via. É através da competição que poderá desenvolver as suas capacidades e é através da experiência que poderá evoluir. Não que a experiência por si só garanta seja o que for, devendo ser devidamente avaliada e corrigida, mas... só com jogando será possível.



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17.2.10

Everton - Sporting: Cambaleou... mas não caiu!

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O golo, resgatado já perto do final, não faz do desfecho, um bom resultado. Ainda assim, e isso é claro, deixa tudo em aberto para mais 90 minutos de futebol. Para o caso em questão, no entanto, o 2-1 sabe quase a vitória tal o cenário que chegou a pairar sobre Goodison Park. Terá sido o Sporting assim tão inferior? A resposta não pode ser tão linear. É que se em ¾ do campo se revelou mais do que suficiente para a “encomenda”, lá atrás confirmou ser uma equipa totalmente à deriva. Foi isso que custou o jogo ao Sporting e é isso que coloca grandes reticências sobre a capacidade de suster o Everton no segundo jogo. Para já, e de novo muito graças a Liedson, dá para acreditar...

O elo mais fraco
Abordar o jogo com apenas um avançado como Liedson e 5 médios como os que alinharam, implicava uma postura diferente daquela que é tipica nestes confrontos. Ou seja, seria impossível ser forte na profundidade e o objectivo teria sempre de passar por um domínio da bola. Não se pode dizer que a intenção tenha sido absolutamente conseguida, mas não foi esse o grande problema do Sporting, e aquele que quase deitou tudo a perder. A questão – que é também aquela que faz baixar o patamar de rendimento deste Sporting – tem a ver com a sua fiabilidade no último terço. Ou falta dela. Talvez volte a este aspecto fulcral da “era” Carvalhal com mais pormenor, mas para já basta dizer que o Sporting começa a cair pela rectaguarda e que é essa fragilidade que impede a equipa de, noutros planos, traduzir a boa evolução que foi conseguida. Foi assim, de novo. Repetidamente incapaz de jogar com o fora de jogo e, depois, abanando em tudo o que é bola aérea, o Sporting sofreu os seus golos e mergulhou em novo período de depressão antes de resgatar o tal golo da esperança, quando até já nada o fazia esperar.

As substituições
Tenho abordado bastante este tema nos últimos tempos. Já referi que não concordo com a forma como são vulgarmente encaradas as substituições e que as vejo sobretudo como ferramentas emocionais. Outra opinião que também já reforcei é que se a intenção for mudar tacticamente, penso que o melhor é fazê-lo de uma só vez. Dito isto, tenho de concordar com o que fez Carvalhal. O único reparo, e começo por aqui, é o “timing”. Creio que se justificava a alteração uns bons minutos antes. E por 2 motivos. Primeiro, e talvez mais importante, pelo aspecto emocional. A equipa entrara sem reacção no segundo tempo, atravessando o seu pior período no jogo. Alterar seria uma forma de tentar passar uma mensagem diferente para dentro do campo, como, aliás, acabaria por acontecer. Depois, tacticamente, também não tinha sido preciso esperar pelo minuto 66 para perceber que o Sporting precisava de mais profundidade e presença no último terço. De resto, concordo com a dupla alteração e com o facto de, depois disso, não ter caído na tentação de mudar só por mudar. Se a equipa estava a reagir bem, não havia motivo para alterar e foi isso que Carvalhal, bem, não fez.

Liedson e Saleiro
Começo pelo primeiro. Esteve sempre móvel, incansável na criação de soluções de passe, e bastante bem no de apoio à construção. Sem bola, trabalhou sempre, como poucos. No entanto, praticamente não teve ocasiões, jogando sem par na frente, como já assumiu não gostar. A determinado ponto parecia estar frustrado, reclamando e gesticulando com algumas decisões dos colegas. Podia pensar-se que tinha desistido... não! A verdade é que nunca desiste, está sempre dentro do jogo, pleno de reactividade e intensidade, do primeiro ao último minuto. E isso, mais uma vez, valeu enormidades. Não sei como será no balneário ou no banco de suplentes. Dentro do campo, que é o que realmente interessa, Liedson é um dos melhores exemplos que se pode encontrar no futebol.

Sobre Saleiro, importa reforçar a boa forma como se tem afirmado, jogando muitas vezes longe da zona central, mas fazendo valer, com personalidade, as suas melhores características. Boa movimentação, recepção e passe. O problema é o resto, e sem o resto nunca Saleiro se afirmará ao nível que seguramente pretende. Um pormenor que já ficara claro é a incapacidade de ser solução na profundidade, sobretudo devido à sua falta de aceleração e velocidade. Em Goodison Park, no entanto, foi outro aspecto que veio ao de cima. Um avançado, que quer jogar em zonas de finalização, tem de se saber movimentar por antecipação. É isso que define os grandes jogadores de área, muito mais do que a capacidade física ou mesmo o primor de execução. Não é nada abonatório para um 9 perder lances – mais do que um, por sinal – em que, tendo a posição ganha, vê os defensores a antecipar, eles próprios, o destino das jogadas.



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5.1.10

Saleiro, Postiga e a importância de "ter golo"

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Tem boa presença física, boa técnica e decide geralmente bem. É verdade. Mas isso não faz de Saleiro uma certeza ao mais alto nível. Muito pelo contrário. Como Saleiro, há muitos por esse mundo fora e um bom exemplo de como estas características não são suficientes para se impor está na carreira daquele que foi o seu mais recente companheiro de ataque, Hélder Postiga. Um jogador também dotado com uma série de atributos apreciáveis mas que vem sucessivamente falhando no objectivo de se afirmar com um rendimento superior. Falta aqui um dado, aquele que definirá realmente até que altura poderá, ou não, Saleiro voar: “ter golo”.

A veia goleadora é sujeita a análises radicalmente opostas. Para alguns, parece ser a única métrica, para outros, a mais irrelevante. A verdade é que, para um avançado em particular, a capacidade goleadora não pode ser dissociada dos outros aspectos. A explicação é simples e qualquer avançado o pode confirmar. Para quem joga perto das balizas a relação com o golo é um dado absolutamente fundamental em termos psicológicos. Se um golo pode mudar a história de um jogo, pode também fazer milagres para a exibição individual do avançado que o marca. A explicação está no enorme impacto que tem o golo na confiança de um avançado. Um jogador que marca com frequência facilmente adquire confiança para evoluir noutros aspectos do jogo. Aquele que “esbarra” sistematicamente à frente da baliza, inevitavelmente ficará também afectado noutros capítulos do jogo, perdendo aí também confiança e rendimento. E não é difícil encontrar exemplos práticos deste fenómeno.

É por isso que a grande notícia para Saleiro poderá estar naqueles 2 simples pontapés que definiram os golos que marcou. É por eles que está mais confiante, é por eles que tem hoje condições para render globalmente mais, mas é também por esses 2 golos que se abre a única via de acesso para a ascensão de Saleiro ao mais alto nível: “ter golo”.
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