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2.9.11

Marinho Peres e a influência de Cruyff

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Foi meio por acaso que me cruzei com esta entrevista. Ou "bate papo", para me situar melhor. A minha primeira expectativa de interesse era ver Marinho falar de Portugal, mas não para portugueses. É sempre mais honesto esse contexto. No entanto, fui surpreendido com muito mais do que esperava. A conversa encaminhou-se para o Mundial de 1974, onde esteve Marinho, e daí para a Holanda de Michels, e toda a escola que deu origem ao estilo que mais influencia o futebol no momento presente. Nunca me tinha ocorrido, mas Marinho Peres, que treinou em Portugal durante tanto tempo, foi fortemente influenciado pela doutrina holandesa, já que privou no Barcelona, com Michels e Cruyff.

Deixo o vídeo, destacando a reflexão sobre a linha defensiva, que muita gente desconhece ter sido parte essencial do 'Futebol Total' (escrevi sobre isso, quando revi esse mundial), e, em particular, o facto do objectivo ser pressionar e não aumentar a estatística dos fora de jogo. Daí, a importância de ter centrais que saibam ler e antecipar no espaço, talvez mais do que centrais rápidos. Outro ponto interessante, é a influência do clima, quer na evolução técnica do jogo, nos mais diversos pontos do planeta, quer das implicações desse factor nos comportamentos colectivos.

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4.6.10

2006: A última sinfonia de 'Zizou'

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Todos o davam como acabado. E, afinal, o próprio já havia avisado que iria dar os últimos passos nos relvados do Alemanha-2006. Zidane, porém, era um "vintage", daqueles que se tornam melhores com a idade. A força do seu futebol nunca foi a velocidade ou a explosão e, por isso, foi-se tornando cada vez melhor a decidir, cada vez melhor a executar. Zidane será sempre lembrado por aquela final de 1998 e pelos golos com que vergou o Brasil. A importância histórica não está em causa, mas escolher 2 cabeçadas como ponto alto da carreira de Zidane parece-me um claro contra senso. É por isso que, entre todas as suas exibições em mundiais, não teria dúvidas em destacar uma outra, 8 anos mais tarde contra o mesmo opositor.

Para enquadrar o cenário, importa lembrar que não foi só Zidane a aparecer desvalorizado nesta competição. Toda a equipa francesa foi rotulada de "velha", com nomes como Barthez, Thuram, Makelele ou Vieira a juntarem-se aos 34 anos de "Zizou" para compor um onze base com uma média de idades acima dos 30 anos. "Os Dinossauros", apelidaram os mais críticos.

A suposta incapacidade da equipa francesa pareceu confirmada na fase de grupos, quando num grupo com a Suiça, Togo e Coreia do Sul, os franceses não fizeram melhor do que o 2º lugar. Aqui terá entrado um dos mais comuns erros de apreciação nestas competições - e que provavelmente se repetirá em todos os mundiais. Avaliar uma equipa por jogos de características diferentes daquelas que terão na fase decisiva. E assim foi. A França podia não ter grandes rasgos para bater defesas muito fechadas, mas era uma equipa consistente e com qualidade para se bater com as melhores, em jogos mais divididos. Provou-o, primeiro, afastando uma entusiasmante Espanha. Depois o favorito Brasil e, finalmente, Portugal. Tudo, sempre, em velocidade moderada e com grande classe. O estilo Zidane.

A França esbarrou na final e acabou por não proporcionar o grande final ao seu capitão. Zidane voltou a marcar uma final de um mundial à cabeçada, mas desta vez não na bola, mas sim no peito de Materazzi. Um pecado final cujo preço nunca saberemos qual foi exactamente. O que sabemos, contudo, é que a caminhada para a final justificava outro desfecho em Berlim. Como a bola é redonda, ganhou a Itália que teve a sorte que lhe faltou em 94. Para quem viu aquele mundial com olhos de ver, não hesitará em destacar a França e Zidane como os melhores da prova.

Sobre o 10 francês, não há muito para dizer. Nunca houve. Aliás, o que distinguiu Zidane nunca foram os feitos ou os números. Nem mesmo a eficácia das suas acções. O que o distinguiu foi sempre a sua arte e o seu estilo. E é precisamente por isso que para perceber o impacto de Zidane não chega qualquer descrição, é preciso ver. Um artista na forma de jogador, como poucos o foram. E é por essa especificidade que Zidane merece, a meu ver, um lugar de enorme destaque entre os mais importantes da História do Jogo.



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29.5.10

2002: 57 minutos de Ronaldinho

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Dificilmente um ocidental se sente num ambiente “normal” no extremo oriente (e vice versa). Tempos diferentes, rostos diferentes, culturas diferentes. Realmente, a experiência asiática produziu resultados tão estranhos que talvez uma personificação do Futebol seja uma boa maneira de começar explicar os acontecimentos. Certo, certo é que enquanto outros foram caindo, o Brasil aproveitou para confirmar a sua maior adaptabilidade histórica e, por via disso, concretizar o 5º título mundial. Poucos poderiam prever uma caminhada tão fácil para a final e foi no momento de maior dificuldade que surgiu, também, a mais inspirada das exibições. Um jovem mostrava-se ao mundo, decidindo de forma genial a passagem à meia final. Ronaldinho Gaúcho!

Em 2002, tinha apenas 22 anos e depois do Mundial asiático acabou por confirmar todo o potencial ao serviço do Barcelona. Tornou-se, mesmo, na maior das estrelas do futebol mundial na segunda metade da década. É por tudo isto estranho que, aos 30 anos, seja hoje confortável afirmar que o “clímax” da sua carreira na Selecção do Brasil aconteceu precisamente naqueles 57 minutos que disputou frente à Inglaterra. Ronaldinho voltou como principal figura nas previsões do Alemanha 2006, mas confirmou-se como a maior desilusão da prova, muito pela incapacidade de Parreira para criar um modelo que realmente tirasse o melhor da sua maior estrela.

Quanto ao Mundial, de facto, poucas justificações haverá para o que se passou. O primeiro presságio foi dado no jogo inaugural, com a derrota dos campeões europeus e mundiais, França, perante o Senegal. Na fase de grupos caíram a França, a Argentina – outro dos maiores favoritos – e Portugal. A Selecção portuguesa, de Figo e Rui Costa, foi a primeira vitima do outro “fenómeno estranho” da prova. A Coreia do Sul. A jogar em casa, os coreanos afastaram – sempre com muita polémica – espanhóis e italianos, chegando às meias finais. E assim, sem grande esforço, o Brasil terminava uma das suas piores fases de sempre com um título mundial. É que antes da prova, o Brasil teve a qualificação em risco, partindo para a prova sem grandes expectativas. Quem também aproveitou, claro, foi Ronaldo. Vingou-se de 1998 e de uma fase de lesões que o havia afastado da ribalta. Na Ásia renasceu para uma nova étapa da sua carreira e deu um decisivo passo para se tornar no melhor goleador da História dos Mundiais.



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21.5.10

1998: Um fenómeno até Paris

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Para quem não viveu o tempo será sempre estranho combinar os factos. Afinal, ele foi a decepção da final e, ao mesmo tempo, o melhor jogador do torneio. Para quem viu e tem memória, porém, nada disto surpreende. Ronaldo era, na altura, o verdadeiro “fenómeno”. Algo que o futebol nunca vira, mesmo depois de conhecer Pelé ou Maradona. Ronaldo, o “fenómeno”, só jogou um mundial e foi em 1998. Depois, foi o outro Ronaldo, mais eficaz e até mais feliz. Um grande jogador, sem dúvida, mas não o “extraterrestre” que emergiu na segunda metade da última década do milénio. Se o Brasil desiludiu na final com o eclipse da sua estrela, pode dizer-se também que lá chegou sobretudo devido a ele. Se provas faltassem, temos a final frente à Holanda.

De 1994 para 1998, o Brasil pode ter perdido um título mundial, mas ganhou um património infindável de talento. Romário não esteve presente devido a lesão, mas mesmo sem esse relevante “R”, deu-se inicio à geração “R” do futebol canarinho. Ronaldo, Roberto Carlos e Rivaldo. Três fantásticos jogadores que entrarão no “Hall of Fame” do jogo juntaram-se aos campeões, tornando o Brasil numa formação de potencial inesgotável. Do ponto de vista mediático, havia ainda que juntar Denilson, o extremo das “bicicletas”, que havia protagonizado a mais milionária transferência da história, rumo ao Bétis de Sevilha. Um “flop” como se sabe...

Sobre Ronaldo, tinha 21 anos e levava 81 golos nas últimas 2 épocas, ambas como estreante, primeiro em Espanha depois em Itália. No seu currículo tinha já 2 prémios de melhor do mundo da FIFA, precisamente em 1996 e 1997. Ronaldo era um enorme jogador por tudo isto, mas o que o tornava especial era a especificidade do que fazia no campo. Ronaldo fez jogadas e dribles que nunca ninguém tinha visto fazer com tanta facilidade. Ronaldo era um jogador à frente do seu tempo, alguém que inovou o jogo do ponto de vista técnico. As suas lesões não foram suficientes para acabar com uma carreira cheia de feitos e êxitos, mas foram suficientes para não lhe permitir manter-se nesse patamar mais elevado em relação aos demais.

Sobre o Brasil, pode dizer-se que em 1998 assistiu-se a um grande desperdício. Zagallo confrontou-se com um problema que passaria a ser denominador comum de todos os seleccionadores: como fazer uma equipa de tantas estrelas. Em 98 até era fácil, mas Zagallo não foi capaz de tornar o Brasil numa equipa colectivamente consistente e sólida defensivamente. Sofria demasiados golos e vivia dos rasgos das suas individualidades. Por isso foi batida tão facilmente na final. Aliás, já o poderia ter sido frente à Holanda, não fosse o “one man show” de Ronaldo, que protagonizou praticamente todas as ocasiões dos brasileiros nos 120 minutos de jogo.



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14.5.10

1994: Romário espreme a laranja

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Em 94 o mundo era dele. Romário, pois claro. Depois de conquistar o futebol europeu com as suas exibições na época de estreia pelo Barcelona, tornou-se na principal figura do campeonato do mundo desse ano. Um troféu que teve, para o Brasil, o condão especial de terminar com um jejum de 5 edições sem títulos, nem sequer finais. Esse é o primeiro facto que explica a enorme popularidade de Romário no Brasil. O outro tem a ver com aquilo que se passou logo a seguir à conquista de 94.

E assim foi, Romário venceu a Copa, regressou ao Brasil e gostou tanto do que lá encontrou que decidiu não sair. Um passo atrás, dir-se-ia, na carreira do jogador que no contexto europeu simplesmente se eclipsou depois do ponto mais alto da sua carreira. Um passo atrás na Europa, mas um enorme passo para a sua popularidade no Brasil. Os golos, aparentemente, custavam-lhe muito pouco e Romário partilhou essa facilidade com 3 dos 4 grandes clubes do Rio de Janeiro. Simplesmente, virou um fenómeno de popularidade como muito poucos jogadores conseguiram no Brasil. Por isso a sua presença na Selecção foi sempre tão discutida, mesmo em anos de avançada veterania.

Quanto ao Mundial, é verdade que a História consagrou Romário, mas bem vistas as coisas, poderiam ter sido outros. Desde logo, Baggio, protagonista de um verdadeiro “one man show” que carregou a Itália até à final. Baggio e Romário eram, aliás, os mais reputados jogadores naquele Verão e se Romário saiu por cima, muito se deverá à famosa série de grandes penalidades que definiu a final. Mas, para além destes dois, havia ainda Stoichkov, a super-estrela da previsível revelação búlgara e, já agora, companheiro de Romário no "dream team" de Cruyff.

Recordar que a fama de Romário na Selecção começou, em jeito de presságio, um pouco antes desta fase final. O Brasil jogava o jogo decisivo no Maracanã frente ao Uruguai. A relação do “baixinho” com Parreira não era a melhor mas o treinador decidiu confiar no indisciplinado genial. Romário terá feito a sua melhor exibição pelo Brasil, marcou os 2 golos da vitória e deixou Parreira “obrigado” a leva-lo para o Estados Unidos. O resto toda a gente sabe.

Falta, finalmente, falar do jogo. Quartos de final entre Brasil e Holanda, um jogo fechado na primeira parte e que explodiu na segunda. Foi aí, quando os holandeses se alongaram que apareceu Romário. Marcou o primeiro golo e foi também o protagonista invisível do segundo. É que foi graças a ele que a defesa holandesa "bloqueou" na expectativa do fora de jogo. Hoje, ainda muita gente credita a Romário a principal responsabilidade desse golo. Depois do 2-0 deu-se uma improvável recuperação holandesa que seria inutilizada pelo livre de Branco a 9 minutos do fim.

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6.5.10

1990: A "apresentação" de Roberto Baggio

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Talvez seja estranho destacar-se um jogo com uma importância tão residual na prova. A verdade é que foi no último jogo da fase de grupos, entre duas equipas já apuradas – Itália e Checoslováquia – que se terá dado um momento importante, quer para a prova em si, quer para a própria história do futebol italiano. Depois de dois jogos com exibições “abaixo do par”, frente a Austria e Estados Unidos, Vicini resolveu trocar a pouco produtiva dupla Carnevale-Vialli pelo inspirado Schillaci e pelo talentoso Baggio. Ora, se “Toto” viria a ser o goleador máximo da prova, Baggio terá iniciado aí uma carreira lendária com a camisola “azzurra”. E de que forma a começou!

Roberto Baggio tinha apenas 23 anos, ainda não usava o seu famoso rabo de cavalo, e estava às portas de um defeso marcado pela já anunciada troca de emblemas. Da Fiorentina para a Juventus, onde conheceria o seu melhor período ao nível de clubes.

Baggio era um talento enorme, com uma invulgar capacidade para decidir, que jogava como falso avançado centro. Partia dessa posição, mas deambulava depois, à procura dos espaços por onde pudesse desequilibrar. Foi assim que chegou ao prémio de melhor do mundo em 1993 e que apenas não repetiu em 1994 por causa de uma série de grandes penalidades que tão famosamente lhe foi desfavorável nos Estados Unidos.
As grandes penalidades... Baggio terá marcado um número infindável delas na sua carreira, mas seguramente haverá poucos jogadores tão amaldiçoados por esse tipo de decisão. Para além da final de 94, Baggio caiu também desta forma em 90 e 98, mundiais que facilmente poderia ter ganho se esses desempates tivessem conhecido outro destino. E é isso – um título Mundial – que, creio, separa Baggio de uma imortalidade ainda maior, ou mesmo de uma consagração unânime como o melhor jogador italiano de sempre, ou como o melhor jogador europeu da sua geração.

Sobre o mundial de 90, resta acrescentar que depois desta fabulosa exibição, coroada com um dos melhores golos da História dos Mundiais, Baggio agarrou a titularidade... Ou melhor, agarrou até à meia final, quando Vicini resolveu devolver a Vialli a titularidade. Curiosamente, ou não, esta é outra marca da carreira de Baggio. Mais tarde, em 1998, Cesare Maldini haveria de repetir a opção de deixar o jogador de fora, desta vez em favor de Del Piero. Tal como na meia final de 1990, a Itália foi eliminada por penaltis e, tal como nesse jogo, ficou a sensação de que com Baggio desde o inicio, a história poderia ter sido outra.



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1.5.10

1986: Nem Deus, nem diabo... Maradona!

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É até escusado introduzir. O México 86 não será nunca um mundial igual aos outros devido a ele. Maradona. A História do futebol diz-nos que não chega o talento. São precisos momentos especiais nos grandes palcos para que os maiores craques virem lendas. E, neste contexto, ninguém terá tido um processo de imortalização como Maradona naquele Mundial. Para a posteridade, como se não bastasse um título praticamente “a solo”, fica um jogo em que teve o condão de protagonizar, em menos de 5 minutos, aqueles que foram, provavelmente, os 2 momentos mais memoráveis na História do Jogo. Dir-se-ia que se, naquela tarde de 22 de Junho, Deus e o diabo desceram ao estádio Azteca, então certamente que se cruzaram!

Na verdade, fazendo uma contextualização cronológica do Jogo, o Mundial de 86 representa uma espécie de retrocesso brusco na evolução da importância do colectivo sobre o individual. De repente, parecia que tudo se definia pela qualidade de 1 só jogador. Maradona era o centro do jogo argentino de uma forma que mais nenhum jogador conseguia ser, e – espante-se! – isso parecia fazer dos argentinos imbatíveis. Digamos que no alinhamento do 11 argentino importava Maradona e tudo o resto era excesso de informação.

No que respeita ao jogo, ele foi, como não podia deixar de ser, ditado pela evolução do próprio 10 argentino na partida. Os ingleses entraram visivelmente temerosos e encolhidos. A tal ponto que se pode dizer que a Argentina dominava territorialmente quase sem fazer nada por isso. O que se passou depois foi um processo de descompressão táctica inglesa, com a equipa a alongar-se progressivamente no campo. À medida que o foi fazendo, porém, foi também criando mais e mais espaços entre linhas, mais e mais oportunidades de transição. E, assim, foi-se criando o "ambiente" para Maradona, até à dupla inspiração do capitão argentino. Depois do 2-0, o jogo mudou radicalmente. A Argentina baixou e os ingleses passaram a dedicar-se a um assalto à área contrário, muitas vezes através do seu célebre pontapé longo. Barnes, uma espécie de “Maradona inglês”, criou de forma soberba o 2-1 que Lineker encostou. A mesma jogada, aliás, voltou a ser protagonizada pelos mesmos pouco depois e quase forçou um empate, na sequência de uma perda de bola de... Maradona.

Sobre Maradona, há algo que queria acrescentar. Desde muito cedo na sua carreira se percebeu que estava ali um talento raro. Aliás, a grande diferença entre a Argentina de 82 e 86 era precisamente a percepção de quem era a sua grande referência. Provavelmente o título de 78 e o protagonismo dos seus heróis terá dificultado esta compreensão e isso impediu outro trajecto no mundial de Espanha. Mas o que quero realçar sobre Maradona, individualmente, é algo que raramente é referenciado. Obviamente que a sua visão e técnica foram os ingredientes que o tornaram especial, mas também no aspecto físico Maradona era excepcional. As suas progressões em posse, as suas mudanças de direcção só foram possíveis pela agilidade e capacidade de equilíbrio que possuía. Algo que se foi tornando menos evidente com o evoluir da carreira, mas que fica muito claro quando se vê Maradona nos seus primeiros anos.



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23.4.10

1982: Paolo Rossi e o "desastre de Sarriá"!

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O desaparecido estádio de Sarriá já não vive para contar a história. Explicar o imprevisível emparelhamento de um “super-grupo” em tão modesto palco seria já de si difícil, mas tudo isso se tornou secundário depois do que aconteceu naquele relvado catalão. Argentina, campeã do mundo. Brasil, unânime favorito. Passarella, Kempes e Maradona. Falcão, Sócrates e Zico. Quem sai por cima? A decepcionante Itália e o improvável Paolo Rossi. O “desastre de Sarriá”, como ficou conhecido um dos mais míticos jogos da História, não tem nada de desastroso. Foi apenas futebol, goste-se ou não.

Ambos haviam batido a Argentina, mas o Brasil por mais um golo, o que lhe garantia vantagem em termos de igualdade. Mas que hipótese teria uma Itália decepcionante contra uma das cativantes equipas da História? As contas pareciam feitas.

O jogo, na verdade, não andou longe das projecções. À excepção dos primeiros minutos, em que a Itália se apresentou bastante bem, foi sempre o Brasil a mandar no jogo. A magia estava alicerçada no corredor central e no tridente formado por Falcão, Sócrates e Zico. A ele se juntavam, sempre sobre o corredor central, o lateral Júnior e o outro médio, Toninho Cerezo. Tudo o resto, ou não interessava, ou interessava pouco. O "truque" do corredor central era tão bom, que o Brasil acreditou que chegaria para vencer tudo e todos. O Brasil, e o resto do mundo.

A derrota brasileira tem motivos e responsabilidades próprias. Certo. Mas tem sobretudo o carimbo de um capricho do destino. Um destino que resolveu trocar o charmoso Brasil por uma Itália eficaz, que se catapultou definitivamente para o título sobre os ombros de um goleador imortalizado pelo que fez naquela tarde. Paolo Rossi.

Rossi terá sido dos jogadores menos participativos no jogo, com a bola sempre longe do seu habitat. A verdade é que mesmo assim teve tempo para marcar 3 golos, falhar outro e ainda participar num quarto, incrivelmente invalidado. Tudo isto nos intervalos do festival ofensivo dos brasileiros. A história do jogo terá sido, no seu todo, uma crueldade para os brasileiros, mas o terceiro golo merece particular destaque. É que o Brasil, depois de longos minutos a tentar, havia finalmente empatado e nos minutos que se seguiram não se vislumbrou qualquer capacidade de reacção dos ‘azzurri’. Pareciam até conformados. A história não é sequer inédita. Canto vindo do nada e... golo.

Não se sabe o que aconteceria ao Brasil de 82 se aquele dia tivesse sido outro, mas também acredito que hoje, num contexto mais exigente, o destino seria analisado de outra forma. A superioridade dos brasileiros não foi posta em causa, mas é inadmissível que se cometam os erros que se cometeram num jogo em que se tem tudo para ganhar.



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16.4.10

1978: A inspiração de Kempes

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O retrospecto não poderia antecipar o cenário, mas ele era possível. Para que a Taça ficasse em casa, contra o favoritismo de outras cores de maior tradição e potencial, era preciso um rasgo de inspiração. Algo que elevasse a ‘Albiceleste’ a um patamar inédito no seu historial. E assim aconteceu. Em 1978, na fase final da prova, emergiu uma figura que haveria de arrastar consigo a Argentina até à vitória. Uma bênção divina de um número 10 argentino que inclui mãos e tudo. Cada um no seu tempo!... é de Kempes que estamos a falar.

À partida para a competição, Kempes era a excepção na equipa argentina. Excepção no anonimato geral. É que se nenhum dos seus companheiros havia feito o suficiente para atrair o interesse europeu, Kempes era já uma figura do futebol espanhol. A enxurrada de golos que marcou no Rosário Central motivou o interesse do Valência em 76. Kempes, pode dizer-se, foi bem para além das melhores expectativas e nos primeiros dois anos no futebol espanhol consagrou-se como o “Pichichi” da liga. Este foi o estatuto com que Kempes entrou, aos 24 anos, no Mundial de 1978. Curioso que a prova que o consagrou individualmente parece ter marcado um ponto de viragem na carreira de Kempes. Não que tivesse deixado de ser um jogador importante, conquistando títulos com o Valência nos anos seguintes. Na verdade, porém, nunca mais a sua contabilidade individual foi tão impressionante como nos anos que antecederam a competição.

Embora um goleador, Kempes estava longe de ser um jogador de área. A sua actuação começava normalmente na linha média, para onde baixava à procura de jogo. Daí, Kempes partia em poderosas arrancadas que, juntamente com o seu poderoso pontapé canhoto, eram uma imagem de marca do goleador. E assim foi também no Mundial de 1978. A inspiração de Kempes parecia não ter regressado com ele do Espanha quando, no final da primeira fase, não havia sequer marcado 1 golo. Ora bem, tudo isso mudou nos 4 jogos finais. E de que forma! Kempes saltou do zero para o topo da lista dos marcadores, bisando em 3 dos 4 jogos finais.

A inspiração foi tanta que Kempes até golos defendeu! No importantíssimo jogo frente à competente Polónia, Kempes praticamente decidiu sozinho um jogo que, facilmente, teria tido outro destino. Não só marcou os 2 golos da partida como ainda teve tempo para fazer de guarda redes e protagonizar uma das melhores defesas da prova. Insólito? É verdade, mas o facto é que Fillol defendeu o penalti subsequente e, como na altura as leis eram diferentes, Kempes não sofreu qualquer penalização disciplinar, seguindo em jogo. Bem vistas as coisas, a sua defesa contou mesmo.

A Polónia – que eliminara Portugal na qualificação – foi ineficaz e incapaz de parar a onda argentina, que crescia de jogo para jogo. O grupo foi decidido pelos golos do mais controverso jogo de sempre, entre os anfitriões e o Peru, e que tirou o Brasil da final.

A fotografia é de um Mundial de mangas compridas, de grande luta e sem grandes exibições ou estrelas. As “ganas” da Argentina e a inspiração de Kempes retiveram o título e proporcionaram uma chuva de contratos europeus para os seus incógnitos jogadores. A Argentina passou a entrar na primeira linha do futebol mundial, de onde nunca mais saiu.



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7.4.10

1974: A revolução Cruyff

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A força da Laranja era como o seu futebol: Total. Uma mecânica colectiva, é certo, mas que não deixava de contemplar diferenças claras entre os protagonistas. Tão claras, que nem as camisolas eram iguais. Isso mesmo! A estrela, Johan Cruyff, tinha menos uma risca preta na camisola laranja. Ele era Puma, os outros Adidas. Foi assim em 1974, com o mundo de olhos postos nesse futebol revolucionário, dividido entre as proezas de um colectivo e a mestria de uma individualidade.

Quem saiu do Parkstadion de Gelsenkirchen, naquele inicio de noite chuvoso, nunca imaginaria o destino da final que 4 anos mais tarde haveria de ter lugar em Buenos Aires. A verdade é que o que acabara de ver era, precisamente, a antecipação dessa final de 78. As semelhanças acabam aí, no nome das equipas, porque o destino do jogo não poderia ser mais diferente.

Numa demonstração de força impressionante, a Holanda atropelou uma Argentina impotente desde o primeiro minuto. Muito se fala da totalidade do futebol laranja, explicando-se o termo pela liberdade funcional dos jogadores, autorizados a trocar frequentemente de papeis durante os jogos. Sem dúvida uma marca inédita e, provavelmente, jamais repetida. A verdade é que essa não era a única inovação da máquina holandesa. O futebol que então apresentou é um esboço daquilo que fazem hoje as muitas das grandes equipas, e representou um salto de gigante em relação a tudo o que antes se havia visto. Não menos importante do que a mobilidade com bola, eram aspectos como a pressão e a linha defensiva, que permitiam à equipa jogar alto e conseguir um número absurdo de recuperações no meio campo contrário. Aliás, esta é a base de uma filosofia que hoje encanta em Barcelona, onde jogou e treinou Cruyff e onde treinava, também, nesta altura o próprio Rinus Mitchels.

A equipa holandesa era formada por um misto das escolas do Ajax, sobretudo, e Feyenoord. Cruyff era a grande estrela, recentemente emigrado para o Barcelona. No papel, Cruyff aparecia como o jogador mais adiantado, o 9, mas na prática não era isso que acontecia. Na realidade, a liberdade de Cruyff fazia dele um jogador diferente em cada momento do jogo. Se a equipa partia em transição, ele era, aí sim, a referência mais adiantada. Se, pelo contrário, a equipa estivesse em organização, ele tornava-se num organizador de jogo. Caprichos tácticos para o jogador mais evoluído entre todos. Cruyff era o que trabalhava menos, mas era aquele que mais rendimento garantia quando a equipa ganhava a posse. Executava com os dois pés, era capaz de acelerar e temporizar, de driblar ou passar. Tudo com uma elegância difícil de igualar num jogo centenário.

O jogo frente à Argentina foi o primeiro da segunda fase de grupos. Uma inovação da época, entretanto abandonada. Quem vencesse o grupo, entre Holanda, Brasil, Argentina e Alemanha Oriental, chegaria à final. Os 4-0 desta partida acabaram por ser importantes na caminhada até à final. No último jogo do grupo, a Holanda defrontaria o Brasil, numa partida célebre, e graças à diferença de golos, sabia que o empate lhe bastaria. Na realidade, os holandeses bateram os campeões do mundo, novamente com Cruyff em principal destaque, carimbando assim a presença na final. A sua derrota no derradeiro jogo é a evidência de que nem sempre são os melhores a vencer, mas também que nem só os vencedores são recordados como os melhores.



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31.3.10

1970: Franz Beckenbauer, o ponto de inflexão

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Ponto de inflexão. Seguramente que ninguém deu por isso na altura, mas é essa a importância histórica daqueles quartos de final do mundial de 70. Algo estava a mudar na rivalidade anglo-germânica e, mais importante ainda, na própria tendência do futebol mundial.Não se tratou, nem de um máximo alemão, nem de um mínimo inglês. Apenas um suave indicador de inversão de tendências. Algo que a maturidade dos anos 70 iria confirmar de forma mais sólida. Quanto ao jogo em si, foi ele próprio uma viragem surpreendente. Fruto de vários factores, é certo, mas com especial influência de um nome prestes a imortalizar-se na história do jogo: Franz Beckenbauer.

A rivalidade entre alemães e ingleses já havia sofrido um marco histórico 2 anos antes. Pela primeira vez na história, em 1968 a Alemanha vencera os então campeões do mundo. 1 golo de Beckenbauer bastou, então, para fazer história. O que os ingleses não sonhavam era que a partir daí a tendência destes confrontos se virasse claramente para o lado do inimigo. Muito menos, claro, quando Peters fez o 2-0 aos 49’.

Entre todos os duelos em jogo, havia um especial. Beckenbauer – Bobby Charlton. O tempo era dominado por marcações estritamente individuais e o planeamento dos jogos era, em grande parte, centrado nelas. Neste particular, Beckenbauer vigiava Charlton e esta era, como defensor, a sua principal missão. No entanto, claro, o “Kaiser” era bem mais do que isso. Depressa foi aparecendo no jogo, partindo de trás mas não deixando de ser, sempre, a principal ameaça de um ataque desinspirado. A Ingleterra tomou a dianteira no jogo, e duplicou-a mesmo na segunda parte, mas nunca Charlton, o herói de 66, fez muito mais do que a sua sombra. Ou seja, quase nada.

Quando Beckenbauer marcou aos 69’, tirando partido da inexperiência de Bonetti, o substituto do indisposto Gordon Banks, Charlton foi imediatamente substituído. O mal estava feito. A atitude de Beckenbauer havia conseguido o ponto de viragem no jogo e, embora a sua influência ofensiva fosse decrescendo com o tempo, o seu impacto teria efeito decisivo no que se seguiria.

O mérito da exibição de Beckenbauer, porém, não se fica pelo grito de revolta. A partida jogava-se em condições impróprias para tanto esforço. Junho, altitude, no México... ao meio dia! Pior, não podia ser. A influência do desgaste era tanto que o papel dos substitutos, mais “frescos”, parecia ser o mais importante no decurso do jogo. Em particular, Grabowski foi decisivo nos desequilíbrios do lado alemão, enquanto que Colin Bell se tornou no agitador sobre a direita do ataque inglês. Ora, Bell foi quem substituiu Charlton aos 70’. Quem é que Schoen, o seleccionador alemão, escolheu para parar este rápido e enérgico jogador? Franz Beckenbauer. Uma decisão que só o próprio poderá compreender e que teve o condão, não só de destinar Beckenbauer para um confronto desigual, como ainda de limitar a acção do seu principal jogador em campo.

Beckenbauer manteve-se influente, mas sempre em perda e com cada vez mais dificuldade para sair da esquerda, para onde vinha com Bell. Acabou completamente esgotado, numa altura em que a Alemanha já havia virado por completo o marcador e procurava resistir ao desespero inglês.

A felicidade pela vitória sobre o campeão mundial não afastou o peso do desgaste e talvez isso tenha pesado na meia final, 3 dias depois. A Itália levou a melhor num prolongamento épico, que culminou num 4-3 final. Talvez os próprios italianos tenham sido vítimas do mesmo mal, já que o seu rendimento na segunda parte da final foi claramente inferior ao da primeira, ditando a sua derrota aos pés do Brasil.

Beckenbauer tinha nesta altura 24 anos e comandava uma geração ascendente de jogadores como Muller, Maier, Netzer ou Vogts, e que conheceria a glória total nos anos seguintes. Quanto à Inglaterra, o fim de ciclo de uma geração campeã do mundo culminou numa queda vertiginosa. Os esforços de recuperação, pode dizer-se, duram até hoje...



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24.3.10

1966: Eusébio afunda Pelé!

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Chegados a 66, é impossível evitá-lo. Eusébio, pois claro. O seu impacto em terras britânicas foi tal que é difícil escolher um jogo. Ainda assim, e apesar dos 4 golos à Coreia, é o embate com o Brasil que me merece a escolha. Portugal e Eusébio defrontavam o bi-campeão mundial e a sua mais mediática estrela: Pelé. Muito se disse e escreveu sobre este jogo, ao ponto de ser já comum confundir-se factos com meros mitos. Aqui fica a minha leitura do que aconteceu.

Para enquadrar, Portugal e Brasil defrontavam-se em Liverpool, no Goodison Park, no terceiro jogo do grupo 3. No dia seguinte jogar-se-ia o Hungria-Bulgária que fecharia o grupo e essa incerteza afastava Portugal de um apuramento 100% seguro, apesar das 2 vitórias nos 2 primeiros jogos. Já o Brasil estava numa situação bem mais complicada, por ter perdido com os húngaros. Para os campeões mundiais, nem 1 vitória assegurava completamente o apuramento.

Esta improvável situação brasileira leva-me ao primeiro facto: a fragilidade do Brasil. Houve alguma polémica sobre os métodos do seleccionador, Vicente Feola, e a verdade é que a presença em Inglaterra foi um mar de equívocos. O Brasil começou por vencer a Bulgária, mas depois perderia o segundo jogo com a Bulgária, com Pelé de fora. A derrota pareceu enlouquecer Feola que, frente a Portugal, manteve apenas 2 jogadores! Perdeu Garrincha, recuperou Pelé e abdicou de figuras miticas como Gilmar, Djalma Santos, Zito ou Bellini. O pior é que a equipa que escolheu foi composta por uma série de erros de casting, poucos deles merecedores de mais de 10 internacionalizações ao longo da carreira.

Mas é sobre Pelé e o impacto da sua lesão que mais rumores se levantam. A primeira coisa que há para dizer é que a lesão de Pelé foi contraída frente à Bulgária e que apenas foi agravada frente a Portugal. A segunda, e mais importante, é que não foi pela limitação de Pelé que o Brasil perdeu. De facto, o que aconteceu foi uma entrada absolutamente demolidora de Portugal e quando Pelé sofreu a famosa entrada de Morais, já o marcador estava em 2-0. Pelé regressou e acabou por jogar os 90 minutos, embora notoriamente limitado e numa posição lateral.

Portugal, tal como o Brasil aliás, jogou em 4-2-4. A frente de ataque era composta por 4 dos 5 jogadores do Benfica presentes no 11. Simões à esquerda, Torres e Eusébio ao centro e José Augusto à direita. Sistemas à parte, Eusébio era claramente o centro dos desequilíbrios da equipa. A sua influência era enorme e o 13 era capaz de percorrer várias zonas. Em especial, Eusébio gostava de aparecer junto das laterais, onde havia mais espaço para as suas explosões. A facilidade e potência de remate eram, como é sabido, a sua outra qualidade de realce. Neste jogo em particular, Simões foi o grande parceiro de Eusébio para destruir a equipa brasileira. Quase sempre pela esquerda, Portugal serviu-se desta dupla para protagonizar 30 minutos avassaladores, construindo nesse período uma decisiva vantagem de 2 golos. Daí para a frente, as coisas equilibraram-se mais com a reacção do Brasil que chegou mesmo a acreditar no empate. As duvidas, claro, terminariam com o memorável segundo golo de Eusébio.

Como nota final, e sobre Eusébio, fica uma reflexão. Em 66 tinha 24 anos. Não venceria mais nenhum título europeu (jogaria mais uma final em 68), não participaria em mais nenhuma fase final de grandes competições e, talvez por isso, não mais esteve entre os 3 melhores da Europa para a France Football.



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18.3.10

1962: O dia em que Garrincha deu show e... adoptou um cão!

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4 anos volvidos, e a quase meio mundo de distância... o mesmo resultado. O Brasil confirmava no Chile ser a força dominadora do futebol mundial, repetindo, em 1962, o título conquistado na Suécia. O poderio “canarinho” foi de tal forma evidente que ninguém pareceu dar conta da perda do “Rei”, logo ao 2º jogo, frente à Checoslováquia. Sem Pelé o espaço mediático estava aberto para outra figura: Garrincha. De todas as suas exibições, provavelmente a mais memorável terá sido esta, frente à Inglaterra, nos quartos de final.

A equipa brasileira era basicamente a mesma da Suécia. Sem Pelé, abriu-se espaço para que o também jovem e talentoso Amarildo se juntasse à frente de ataque, dando mais peso à representatividade do Botafogo. Nos 4 da frente, para além de Amarildo, também os extremos Garrincha e Zagallo faziam parte da equipa carioca, assim como os experientes Nilton Santos e Didi, que alinhavam mais atrás. Sobre Didi, aliás, vale a pena falar um pouco mais. Depois de ter sido a força da equipa em 1958, apareceu igualmente importante no Chile, enchendo o campo a partir da zona central. Didi estava agora com 32 anos e a seguir à prova iria deixar a Selecção.

O jogo não começou fácil para o Brasil. A Inglaterra tinha algumas figuras emergentes como Bobby Charlton, Bobby Moore ou Jimmy Greaves, e deu boa réplica aos campeões mundiais. A força das individualidades brasileiras viria, no entanto, a provar-se demasiado forte para os ingleses e uma figura em particular deu nas vistas: Garrincha.

Se havia jogador que o mundo inteiro conhecia, era ele. As suas fintas eram temidas e, por isso, as equipas preparavam-se para elas. Garrincha, por seu lado, parecia obcecado pelo seu próprio potencial. Invariavelmente optava pela iniciativa individual e pelo seu arranque estonteante. A verdade, porém, é que várias vezes se tornava inconsequente. Garrincha podia ter um drible fabuloso mas, digo eu, a sua fama só pode ficar para a eternidade devido a outros predicados. De facto, o extremo do Botafogo apareceu em 1962 bem mais versátil do que 4 anos antes. A sua capacidade goleadora veio ao de cima e, para além dos dribles, Garrincha fez golos de cabeça e de fora da área. Frente à Inglaterra abriu o activo de canto e, depois, fechou-o com um espantoso remate ao ângulo. Pelo meio, claro, muitos dribles...

Depois do 3-1 à Inglaterra, o Brasil seguiu para o palco principal. Santiago e o estádio Nacional. O adversário foi o Chile e no estádio não cabia, seguramente, mais 1 pessoa que fosse. Garrincha, para a desgraça local, aplicou a mesma fórmula. 1 golo de canto e outro, fantástico, de fora da área. O resultado, desta vez, foi de 4-2 e importa dizer que o 7 foi expulso já na etapa final. Os tempos eram outros e o vermelho não o impediu de alinhar na final frente à Checoslováquia.

Para terminar, uma referência a um acontecimento destes quartos de final. Ainda na primeira parte, um pequeno cão invadiu o terreno e ninguém o conseguia agarrar. Garricha tentou primeiro, mas foi Greaves que, de joelhos, conseguiu parar o pequeno animal. Acontece que o sucesso do jogador inglês teve "recompensa". O cão urinou em cima de Greaves e, segundo consta, caiu nas graças do próprio Garrincha que o terá adoptado no final do jogo.




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9.3.10

1958: O meu nome é... Pelé!

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Entre a ressaca doméstica e o inicio da jornada europeia, tempo para uma pequena intromissão histórica. Na realidade, trata-se da introdução de uma nova rubrica, especial e motivada pelo Mundial que se aproxima. A ideia é, até ao inicio da competição, trazer aqui uma série de exibições históricas dos grandes nomes do futebol mundial em jogos de campeonato do mundo. Um exercício que permitirá fazer o contraste entre as diferentes “eras” do jogo e, também, o nível dos diversos craques que encantaram gerações. Para começar: Pelé frente à França, na meia final de 1958.

Não é exagerado dizer que, depois deste jogo, disputado a 24 de Junho de 1958 em Solna, o mundo do futebol nunca mais foi o mesmo. Não que algo tenha mudado no jogo em si, mas porque, depois deste jogo, o mundo não poderia mais ficar indiferente a um nome que, hoje em dia, não conseguimos dissociar do jogo: Pelé.

O jovem Pelé tinha apenas 17 anos e já havia garantido o feito de se ter tornado no mais jovem jogador da história dos mundiais. Um prodígio que o Santos mostrara à Brasil e que, agora, era também revelado ao mundo. Pelé estreou-se no terceiro jogo da fase de grupos frente à URSS de Lev Yashin e nos quartos de final havia sido já protagonista, marcando o golo da vitória frente ao País de Gales. Agora era a vez da França, comandada pela dupla Kopa-Fontaine, numa meia final entusiasmante.

Na verdade, o Brasil dominou completamente o jogo, mostrando-se sempre francamente superior a uma França com a qualidade demasiado isolada na figura das suas 2 estrelas. Aos 2 minutos o Brasil já ganhava depois de uma infantilidade de Jonquet que terminou no golo de Vavá. Fontaine empatou pouco depois, a passe de Kopa, pois claro, mas isso não parou a avalancha brasileira. Didi era, apesar do mediatismo hoje reconhecido a Pelé ou mesmo Garrincha, o jogador mais influente. O motor da equipa. No meio campo parecia ser o dono do jogo, impressionante fisicamente e com uma capacidade técnica bem acima da média. Na frente, Pelé jogava ao lado de Vavá, com Zagallo à esquerda e o desequilibrador Garrincha à direita. Ao intervalo o 2-1 não surpreendia, mas foi depois do intervalo que algo mágico sucedeu.

Em vantagem e perante uma França em notória dificuldade física, Pelé apareceu transformado na segunda parte. Baixando mais para se aproximar do jogo, o prodígio passou a ser um elemento muito mais desequilibrador. O seu primeiro golo, marcado aos 52 minutos, foi o rastilho que faltava. Pelé ganhou confiança na mesma medida que as forças se foram dissipando dos músculos franceses. Com mais espaço, Pelé partiu para um hat-trick histórico que definiu por completo o destino da partida e presença canarinha numa final que também venceria, também com Pelé com protagonista. Provavelmente os suecos – que vibraram mais com os golos da Suécia que jogava à mesma hora do que com as jogadas daquele miúdo – não sonharam com o que estava a acontecer, mas, à frente dos seus olhos, estava a ser coroado... o “Rei”.



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30.10.09

Dominguez: e se o futebol fosse mesmo um espectáculo?

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Há poucas coisas tão objectivas como a memória. Nela não ficam todos, apenas aqueles que têm o dom de o merecer. Seja por que motivo for. No caso dos jogadores de futebol, seguramente, os excepcionais ficarão sempre gravados na elite das nossas recordações. Mas não são os melhores, por ventura, os mais interessantes. Há outros, que não tendo sido excepcionais, conseguiram essa proeza talvez ainda mais refinada de impressionar por um aspecto particular. Algo que não lhes vale o sucesso mas vale esse meritório prémio de ficar na memória de quem os vê. É o caso, seguramente, de José Dominguez...

Formado no Benfica, e recrutado no Birmingham, chegou ao Sporting como um jogador da moda. Impressionava pelo drible praticamente imparável, tal facilidade com que mudava de direcção com a bola colada ao pé. Para quem não o conhecia era o cabo dos trabalhos, mas o passar do tempo confirmou que, afinal, o espectáculo do drible era tudo o que Dominguez tinha para dar. Aos seus raides seguiam-se, normalmente, cruzamentos ou remates inconsequentes. Se o futebol fosse, como muitas vezes erradamente se diz, um espectáculo, Dominguez nunca seria dispensado por nenhum espectador, tal o entretenimento que gerava. Mas não é, e como tal nunca Dominguez conseguiu verdadeiramente convencer alguma platéia, tornou-se num saltimbanco, pleno de espectáculo, mas com pouca objectividade.

Bem... Nem sempre era assim...
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23.7.09

Recordar Batigol...

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27.5.09

E que tal um 3-3... de novo?

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Parece incrível, mas já lá vão mais de 11 anos. Recordar a época de 98/99 não nos leva apenas à mitica final de Camp Nau, ganha pelo United. Leva-nos também, se recuarmos um pouco na competição, a um dos mais fantásticos grupos da história da competição, incluindo os Barcelona, Man Utd e Bayern Munique. Foi de tal forma competitivo que os dois apurados viriam a ser também os finalistas de uma final que, por ironia, se jogava no estádio do emblema eliminado, o Barcelona. Tudo isto a propósito do embate de hoje. É que nessa fase de grupos tivemos 2 jogos absolutamente sensacionais entre Barcelona e United. Ambos com grandes golos, grande emoção e... um 3-3 final.
Vale a pena recordar esse Barça de Van Gaal, com Figo e Rivaldo no seu melhor ou, do outro lado, a ascensão de Beckham, a imponência de Schmeichel ou a extraordinária empatia de uma dupla que hoje ainda surpreende mais, tendo em conta quem foram individualmente Cole e Yorke. Fica a sugestão, porque não um 3-3? (e já que peço, pode ser uma bicicleta “à Rivaldo”!)

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24.4.09

Rashidi Yekini

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Neste momento o Vitória bate-se com sérios problemas e poderá mesmo desaparecer (apenas temporariamente, acredito) do principal mapa futebolístico nacional. As memórias do clube vão bem longe e serão precisos muitos cabelos brancos para poder recordar os seus primeiros feitos a nível nacional. Um pouco mais fácil será encontrar quem reconheça um nome que, em boa verdade, não é apenas um símbolo entre os adeptos sadinos, mas seguramente uma figura com um espaço importante na história do futebol mundial. Rashidi Yekini.


Yekini foi um portento da natureza que hoje nunca poderia passar tanto tempo incógnito. Aliás, creio que a forma como se afirmou num contexto futebolístico tão diferente daquele onde não só nasceu como cresceu e amadureceu, é a prova da capacidade invulgar deste jogador. Yekini chegou a Portugal e à Europa apenas com 26 anos, em 1990. A sua afirmação não tardou mas apesar dos golos marcados não foi nunca “pescado” por nenhum dos grandes, mesmo depois de se ter consagrado como melhor marcador da Taça das Nações por 2 vezes consecutivas e melhor jogador Africano do ano em 1993. Yekini acabaria a sua primeira passagem em Portugal depois de um Mundial onde brilhou à frente da surprente Nigéria e depois de ter sido, também, melhor marcador do campeonato em 93/94.

O Olimpiacos foi um destino errado para o jogador que não se adaptou e acabou por deitar por terra a oportunidade que havia tido aos 31 anos. A partir daí a recta descendente era previsível dada a idade, acabando por passar de novo por Setúbal já com 34 anos. Yekini só deixou de jogar aos 41 anos, tendo passado por diversos clubes africanos e é ainda hoje, por larga distância, o melhor marcador de sempre da Nigéria.


Terá sido, com Jimmy, um
dos casos de pior aproveitamento dos grandes de um avançado que tão claramente brilhou internamente. Apesar disso, o Setúbal não deixou de gravar na memória uma equipa fantástica em 94, com Yekini e Chiquinho Conde como figuras principais, mas também com Chiquinho Carlos, Sérgio Araújo, Hélio ou Rui Esteves como figuras. Em particular ficará para recordação de todos um famoso 5-2 ao Benfica no Bonfim e uma espantosa recuperação de 0-3 para 3-3 frente ao Porto de Bobby Robson.


Outros vídeos:
-
Yekini em Africa
-
Yekini no Olimpiacos
-
Nigeria no EUA94


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3.4.09

Argentina: recordar a outra humilhação (1993)

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A semana ficou e ficará marcada pela escandalosa e totalmente e inesperada derrocada argentina na Bolívia. 6-1 é um resultado histórico e é preciso regressar até ao Mundial de 1958, quando o futebol argentino tinha um poder completamente diferente, para encontrar um registo exactamente igual (derrota 6-1 frente à Checoslovaquia). Não quero discutir sobre o que é pior ou menos mau, mas não posso deixar de aproveitar este momento para recordar uma outra derrota histórica, bem mais recente. 0-5, no Monumental de Buenos Aires, na recepção à Colombia em 1993.

Começando por contextualizar, jogava-se o último jogo da fase de apuramento para o Mundial de 94. Num formato diferente do actual, Colombia e Argentina lideravam o seu grupo e a Argentina tinha 1 ponto de atraso, fruto da derrota averbada na Colombia por 2-1. O primeiro lugar dava acesso direito aos Estados Unidos, mas o segundo obrigava a um desconfortável playoff com a Australia. A Argentina era bi campeã Sul Americana e vice-campeã do mundo e por isso era natural o seu favoritismo para a vitória que lhe garantiria o apuramento imediato.


Na Argentina jogavam entre outros Goycochea, Redondo, Simeone, Batistuta e ainda o substituto Beto Acosta. Maradona estava de fora, prestes a regressar depois da sua longa ausência devido à utilização de Cocaina. Na Colombia havia aquela que terá sido a sua mais fantástica geração de futebolistas. Valderrama era o “mago” incompreendido pelos europeus, mas idolatrado na América do Sul. Rincon o poderoso médio ofensivo que alinhava no Palmeiras. Asprilla uma estrela emergente do também emergente Parma e Adolfo Valencia o mais desconhecido do quarteto, mas prestes a despertar euforia no mercado europeu. A exibição foi, como se percebe, estonteante, com o quarteto em destaque e Asprilla em particular evidência.

O que se seguiu foi desapontante mas, também, em muitos aspectos previsível. A Colombia foi intitulada como uma das mais sérias candidatas ao título mundial, com Pelé a ser o principal entusiasta da ideia. Nos Estados Unidos, porém, a história não podia ser mais trágica. Um fiasco desportivo, com uma eliminação sem honra nem glória na primeira fase e com esse dado repugnante do assassinato do defesa Pablo Escobar, na sequência de um auto golo durante a competição. A nível individual, Rincon foi rumou do Palmeiras para o Parma, via Parmalat (que tinha parcerias estratégicas com vários clubes importantes como Parma, Palmeiras e Benfica, investindo estranhamente em jogadores), passaria depois pelo Real Madrid, mas a sua carreira foi uma decepção. Adolfo “El Tren” Valencia fez as delicias dos jornais portugueses com uma longa novela que o aproximou do Benfica, antes de rumar, enfim, ao Bayern. Seria também de curta duração a sua fama e depressa foi esquecido. Valderrama já não era propriamente novo e, por isso, sobrou Asprilla. “Tino” era seguramente quem tinha mais potencial e confirmou-o com passagens de sucesso no poderoso Parma e, posteriormente, com grande impacto num Newcastle que fez história com Kevin Keegan. Eu diria, no entanto, que para o seu talento verdadeiramente fora de série, Asprilla ficou aquém do que poderia ter feito.

Quanto à Argentina, seguiu-se então o tal playoff e, depois de um empate a 1 na Australia, um auto golo e uma exibição sofrível valeram, finalmente, o lugar nos Estados Unidos, com Maradona de regresso. O resto é conhecido, entusiasmo inicial, novo escândalo de doping de Maradona em pleno Mundial e eliminação por 3-2 nos oitavos de final frente à Roménia, naquele que foi considerado por muitos o melhor jogo da prova.


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6.3.09

Viagem a 1977

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Aproveito os vídeos do fantástico programa espanhol “Fiebre Maldini” para fazer uma pequena viagem no tempo até à temporada 76-77 e, mais precisamente, até à Taça dos Campeões Europeus (como este nome soa a velho hoje em dia!), a primeira de 5 conquistadas pelo Liverpool.
O futebol europeu vivia uma fase que, a esta distância, me atrevo a classificar de transição. Transição entre uma era revolucionária, dominada pelo futebol total, pela duelo entre as irreverências holandesa e germânica, com destaque para Ajax e Bayern e, claro, para as figuras mais importantes de cada uma dessas escolas tão marcantes, Cruyff e Beckenbauer. 1977 foi, aliás, o primeiro ano em que esta Taça não ficou nas mãos de uma equipa destes dois países, dando inicio a uma outra era, dominada pelos ingleses, com o Liverpool em particular destaque, já que venceria 4 Taças em 8 anos. Este foi o tempo de Keegan, Souness e Dalglish (apenas Keegan jogava em 77 no Liverpool), excelentes jogadores, sem dúvida, mas, arrisco eu, longe do impacto que tinham tido Beckenbauer e Cruyff ou que viriam a ter Platini ou Maradona nos anos 80.
Esta equipa do Liverpool era comandada por Bob Paisley e havia conquistado a Taça Uefa no anterior. Importa referir que a ascensão do Liverpool tem contornos surpreendentes, tendo começado nos anos 60, quando Bill Shankly conseguiu trazer uma equipa da segunda divisão inglesa até à elite da Europa. Esse é o motivo pelo qual Shankly é por muitos visto como o mais importante treinador do clube, apesar de não ter ganho nenhuma das Taças dos Campeões (ganhou uma Taça Uefa). Note-se, no vídeo do jogo contra o Saint Etienne a loucura da famosa “The Kop”, a bancada superior que, dizem, era um dos segredos do sucesso do Liverpool, particularmente quando os “Reds” atacavam para aquela baliza.
Já agora, uma nota para as outras 2 equipas presentes neste vídeo. O Monchengladbach era orientado por Udo Lattek, primeiro treinador campeão europeu pelo Bayern e de forma algo polémica dispensado, acabando por provar a sua competência no grande rival da altura. O Monchengladbach era um gigante do futebol germânico e, por consequência, europeu. Nesta altura já não figurava Gunther Netzer, provavelmente a maior figura de sempre do clube, mas havia nomes como Berti Vogts, Bonhof, Wimmer, Heynckes e o dinamarquês Simonsen, que marcou o golo do Borussia nesta final e seria nomeado como melhor jogador europeu desse ano. No Saint Etienne não há figuras que mereçam relevo a esta distância, mas não deixo de notar que esta equipa havia sido finalista vencida da edição de 76 e que, ao contrário da ideia que se tem, os grandes tempos do clube (ou seja, estes) não aconteceram sob a “batuta” de Platini, que apareceria mais tarde, conquistando apenas 1 campeonato em 81 antes de sair para a Juventus.
Nota, finalmente, para o futebol português. Embora seja realmente raro ouvirmos alguma referência negativa sobre tempos passados, importa dizer que estes não eram tempos famosos no que aos resultados do futebol português diz respeito. Para ser preciso, em 76-77, apenas o Boavista passou uma eliminatória nas competições européias.

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