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6.1.11

O exemplo de Shinji Kagawa

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Este pequeno nipónico leva já 8 golos na Bundesliga deste ano. Mas porque me merece destaque? Bom, é um jogador interessante e também posso falar disso, mas o que torna, nesta altura, Shinji Kagawa num caso praticamente único à escala mundial é a sua valorização em apenas 6 meses. É que se meio mundo começa a colocar os olhos neste asiático de 21 anos, ele chegou para o Dortmund por apenas... 350 mil €. Um caso que dá – e deve dar – que pensar.

Quem é Shinji Kagawa?
Começando por enquadrá-lo tacticamente: o Dortmund – que dominou por completo a primeira metade da principal competição alemã – joga num 4-2-3-1, em tudo semelhante àquele que viramos da Alemanha, no Mundial. Ora, Kagawa está para o Dortmund, um pouco como Ozil estava para essa equipa. Tacticamente, isto é, porque a sua natureza é um pouco diferente. Jogador ligeiro e inteligente na forma como se movimenta no último terço, parece conseguir passar pelos intervalos da chuva e com poucos mais importantes toques, acaba por ser um elemento muito presente nos desequilíbrios que a equipa cria. Defensivamente também é importante porque, ao contrário de muitos jogadores que actuam naquele espaço, percebe bem a relevância da capacidade de trabalho, acabando por ser um fonte de intercepções e recuperações em zonas bastante perigosas.

O exemplo dos 350 mil €.
O caso de Kagawa é claro porque nem sequer houve tempo para evoluções ou afirmações. Kagawa é um jogador promissor e que tem, já, futebol suficiente para jogar na maioria das equipas do futebol mundial. Para mais, é uma lança fundamental no merchandising asiático.

O ponto nisto tudo é que, em tempo de vacas cada vez mais magras, há margem para os mais audazes. Ou seja, para aqueles que mais capacidade de antecipação têm na observação de jogadores.

Ter “olho” também é uma parte do “core business” das equipas profissionais. Se calhar, até a mais importante.

O sofisma
Para terminar, um alerta. É frequente – especialmente no futebol – transformar-se a lógica em sofismas. Má formação ou má compreensão, seja lá pelo que for.

O ponto aqui é que não é por um jogador ser novo e barato que vale a pena. Pelo contrário, se for novo e barato, o mais provável é que não valha. Pode parecer confuso, mas é simples: é preciso ver o que os outros não viram e isso não é nada fácil.



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19.9.10

Derbi vermelho e outros jogos (Breves)

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- Ainda irei rever o jogo antes de uma análise mais aprofundada, mas para já fica a certeza de um 'derbi' completamente vermelho. Uma diferença ao nível da qualidade táctica do modelo - como sempre venho referindo, não ao nível técnico-táctico que reside o problema do Benfica - e, muito importante também, da inteligência na estratégia adoptada. No futebol, como em quase tudo, a qualidade sobrepõe-se sempre à quantidade. A partir daqui podemos começar a perceber o paradoxo de o Sporting ter sido a primeira equipa a ter mais posse de bola do que o Benfica esta época e, ao mesmo tempo, ter sido provavelmente aquela que menos problemas causou ao jogo encarnado. Paulo Sérgio - na minha opinião - fez bem em dar continuidade ao onze e ao modelo, o que tem é de ter alguma noção da qualidade que a equipa não tem para assumir um jogo de posse e circulação no meio campo adversário. Por fim, fica a pergunta: porque é que Cardozo, tão limitado fisicamente, faz o seu melhor jogo ao terceiro jogo semanal?

- Em Paços, o Braga quase ganhava. Seria um feito fantástico, dada a sua pouca produtividade e, diga-se, é já fantástico não ter perdido. Enquanto a sua organização e discernimento vão sofrendo com as "dores" deste súbito crescimento, vai valendo mais um episódio de grande eficácia ofensiva. E, mais uma vez digo, não é por acaso.

- Tivemos cá derbi, mas muitos outros clássicos houve pelo mundo. Em Inglaterra, Berbatov foi o protagonista, mas ficou também uma grande exibição de Nani, talvez o mais desequilibrador jogador do campeonato inglês (mais uma vez pergunto-me como é possível alguém subestimar o potencial de uma Selecção que conta com este tipo de talento?!). Em França, Gourcuff voltou a Bordéus e... perdeu! Na Alemanha, o sempre quente duelo entre Dortmund e Schalke foi resolvido por um jovem... japonês: Kagawa. Em Espanha, o Barcelona conseguiu ganhar onde o ano passado perdera. Na Turquia, o primeiro clássico de Quaresma terminou com um empate a 1, em casa do Fenerbahce. Na Holanda e em Roterdão, ganhou o Ajax. Não está muito difícil de ver quem vai ser campeão, quando se juntam Suarez e El Hamdaoui numa mesma equipa. Finalmente, no Brasil joga-se ainda o 'Fla-Flu', mas já dá para dizer que um adolescente tramou Scolari no derbi paulista frente ao São Paulo: Lucas Silva(ex-Marcelinho).

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