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8.6.11

Reforços 2011/12: Nuri Sahin (Real Madrid)

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No inicio da temporada fiz algumas observações no campeonato alemão, sobre as quais, e por não as ter terminado, nada publiquei. Aproveito, no entanto, alguns dados desse trabalho para dar a minha opinião sobre a recente aquisição do Real Madrid, Nuri Sahin.

De facto, não teria dúvidas em elege-lo como o melhor jogador do campeão, Borussia Dortmund, tratando-se de um dos médios que mais garantias dão para o futebol mundial, na próxima década. A sua contratação entende-se facilmente, se juntarmos três vectores: a sua qualidade, a sua juventude e a seu enquadramento táctico.

Em termos de características, trata-se de um médio canhoto, com boa capacidade de trabalho e notável qualidade técnica. Em particular, destaca-se a sua capacidade para verticalizar o jogo, sendo um jogador muitas vezes determinante por essa aptidão. O critério é, um pouco à imagem do futebol alemão, muito sólido e emocionalmente estável, no momento da decisão. Ainda assim, é provável que o critério seja, a par de alguns aspectos de ordem táctica, o principal desafio na adaptação de Sahin ao futebol do Real.

Parece-me importante notar o seu enquadramento táctico, sendo que Sahin vinha jogando numa estrutura de "duplo pivot", idêntica àquela que provavelmente encontrará em Madrid. Este dado retira grande dose de risco à aquisição e é muito provável, na minha leitura, que Sahin ganhe rapidamente o estatuto de titular, ao lado de Xabi Alonso.

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19.9.10

Derbi vermelho e outros jogos (Breves)

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- Ainda irei rever o jogo antes de uma análise mais aprofundada, mas para já fica a certeza de um 'derbi' completamente vermelho. Uma diferença ao nível da qualidade táctica do modelo - como sempre venho referindo, não ao nível técnico-táctico que reside o problema do Benfica - e, muito importante também, da inteligência na estratégia adoptada. No futebol, como em quase tudo, a qualidade sobrepõe-se sempre à quantidade. A partir daqui podemos começar a perceber o paradoxo de o Sporting ter sido a primeira equipa a ter mais posse de bola do que o Benfica esta época e, ao mesmo tempo, ter sido provavelmente aquela que menos problemas causou ao jogo encarnado. Paulo Sérgio - na minha opinião - fez bem em dar continuidade ao onze e ao modelo, o que tem é de ter alguma noção da qualidade que a equipa não tem para assumir um jogo de posse e circulação no meio campo adversário. Por fim, fica a pergunta: porque é que Cardozo, tão limitado fisicamente, faz o seu melhor jogo ao terceiro jogo semanal?

- Em Paços, o Braga quase ganhava. Seria um feito fantástico, dada a sua pouca produtividade e, diga-se, é já fantástico não ter perdido. Enquanto a sua organização e discernimento vão sofrendo com as "dores" deste súbito crescimento, vai valendo mais um episódio de grande eficácia ofensiva. E, mais uma vez digo, não é por acaso.

- Tivemos cá derbi, mas muitos outros clássicos houve pelo mundo. Em Inglaterra, Berbatov foi o protagonista, mas ficou também uma grande exibição de Nani, talvez o mais desequilibrador jogador do campeonato inglês (mais uma vez pergunto-me como é possível alguém subestimar o potencial de uma Selecção que conta com este tipo de talento?!). Em França, Gourcuff voltou a Bordéus e... perdeu! Na Alemanha, o sempre quente duelo entre Dortmund e Schalke foi resolvido por um jovem... japonês: Kagawa. Em Espanha, o Barcelona conseguiu ganhar onde o ano passado perdera. Na Turquia, o primeiro clássico de Quaresma terminou com um empate a 1, em casa do Fenerbahce. Na Holanda e em Roterdão, ganhou o Ajax. Não está muito difícil de ver quem vai ser campeão, quando se juntam Suarez e El Hamdaoui numa mesma equipa. Finalmente, no Brasil joga-se ainda o 'Fla-Flu', mas já dá para dizer que um adolescente tramou Scolari no derbi paulista frente ao São Paulo: Lucas Silva(ex-Marcelinho).

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9.7.10

Diário de 'Soccer City' (#25)

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Como é que se antevê uma final? José Mourinho um dia disse que as finais não são para jogar, que são para ganhar. Mais fácil dito que feito, até porque, como é óbvio, há tantos vencedores de finais como perdedores. Uma coisa é certa, seja épica, banal ou mesmo das piores de sempre, uma final de Mundial será sempre um jogo histórico, visto e revisto por milhares, mesmo décadas após a sua realização. E é essa relevância eterna que penetra no sistema nervoso dos jogadores e que, quem sabe, pode desfazer todas as lógicas. Seja para o bem ou para o mal. Enfim, pior do que prever a final, só mesmo... o jogo do 3º e 4º lugares. Isto para um alguém que não é molusco, claro...

Espanha – Holanda (Previsão: Espanha campeã do mundo)
Na ressaca da meia final com a Espanha, não faltaram especialistas a criticar a atitude alemã. Que foi demasiado defensiva, que não esteve à altura dos jogos anteriores, que isto, que aquilo. Desculpas de quem parece esperar que as equipas joguem sozinhas, ou então que no futebol existam 2 bolas. A Alemanha não foi capaz de se superiorizar frente à Espanha, não porque tenha tido um rendimento inferior aos jogos anteriores, mas porque teve um adversário que condicionou o jogo de forma diferente de todos os anteriores. E esse é o problema com que se deparará agora a Holanda.

É um problema curioso para os holandeses. Nenhum outro país importou com tanto afinco a filosofia do futebol holandês dos anos 70 como a Espanha. Não dá para dizer que a Espanha é uma versão do futebol de Mitchels, mas dá para dizer que é geneticamente descendente desses tempos. Cruyff cresceu com a ideia, desenvolveu-a e transmitiu-a no país que o acolheu. Recentemente, Guardiola, uma espécie de “neto” de Mitchels e “filho” Cruyff, terá dado um novo passo no desenvolvimento do jogo e o que vemos hoje na Espanha não tem nada a ver com Del Bosque, embora seja este quem se prepara para colher alguns louros históricos desta evolução. Del Bosque é uma espécie de barriga de aluguer de toda esta evolução filosófica. Ele, como já fora Aragonês.

Enfim, certo, certo, é que a Holanda tem o inventor da ideia, mas não tem nenhum inventor do antídoto da ideia. Por isso, e porque não tem futebol para contrapor na mesma moeda, Van Marwijk vai ter de fazer como os outros, e passar umas boas noites sem dormir para tentar encontrar solução para aquele que parece o grande enigma do futebol moderno: como tirar a bola a Xavi, Iniesta e companhia?

Lamento desiludir, mas não espero que no Domingo nos caia uma nova solução vestida de laranja. Ou seja, à Holanda restarão as mesmas alternativas dos outros. Esquecer a bola, controlar o espaço e tirar depois partido das suas unidades desequilibradoras para chegar às redes de Casillas. Em tudo isto, porém, há boas notícias para os holandeses. Podem ter um futebol colectivamente medíocre e até cometer vários erros defensivos – como já foi aqui diversas vezes escalpelizado – mas têm, como equipa, sentido de sacrifício e disponibilidade mental para estar bastante tempo sem bola. Mais importante ainda, têm unidades individuais capazes de ganhar um jogo em meia dúzia de jogadas, mais desequilibradoras do que qualquer adversário que a Espanha conheceu, não só nesta prova, mas nos últimos anos.

E é dentro disto que se definirá o jogo. De um lado, a organização espanhola, perante a qual Holanda precisa de se revelar mais capaz do que em outros jogos. Não bastará aglomerar jogadores, é preciso controlar espaços. Espaços como a zona entre linhas que custou o golo de Forlan, ou como as costas da linha defensiva, destroçada por Robinho. Do outro lado, a transição e a inspiração holandesas, depositadas nos ombros de Robben e Sneijder. Se a Espanha voltar a tardar em dar expressão à sua posse, poderá ter de se deparar com problemas como nunca experimentou até aqui. A Holanda não defende tão baixo como Portugal, Paraguai ou Alemanha e, se conseguir situações de transição, lançará o seu quarteto da frente a partir de zonas mais altas, ficando mais curto o caminho para a baliza de Casillas. Outra via para a Espanha poderá ser o pressing, já que, na sua primeira fase de construção, a Holanda será mais vulnerável do que Portugal ou Alemanha, por exemplo.

Enfim, diria que em 10 finais nas mesmas condições, a Espanha ganharia 7. Esta é a boa notícia para os espanhóis. A má, é que só há 1 final...

Uruguai – Alemanha (Palpite: Vence a Alemanha e marca mais do que 1 golo)
Muitos dizem que este jogo não deveria existir. Na realidade, porém, haverá assim tantas más memórias de experiências anteriores?! Os golos são quase sempre presença abundante e não poucas vezes tivemos desfechos inesperados. No que respeita a golos, espero novo festival, já quanto ao desfecho, dependerá muito da atitude das equipas. Como sempre, aliás.

Se o clima é de descompressão, parece-me que a Alemanha é quem tem mais probabilidades de manter a intensidade competitiva em níveis elevados. Somada esta expectativa ao facto dos alemães serem já de si melhores, talvez não seja de excluir a hipótese de uma nova goleada germânica.

Há quem veja o outro lado da moeda, e avance que a motivação alemã será menor pelo facto de serem a formação que mais expectativas tinha para estar na final e aquela que menos valoriza historicamente este jogo. Pessoalmente, creio muito mais na tese do parágrafo anterior, mas veremos.



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7.7.10

Diário de 'Soccer City' (#24)

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Sabe-se agora que não vai ganhar, e também já se sabia que, tudo somado, não era quem melhores probabilidades tinha para o fazer. Ainda assim, no dia em que foi afastada parece-me que é da mais inteira justiça que se comece por fazer uma vénia à Alemanha. Quando se falar de surpresas e sensações desta prova, nomes como Gana, Uruguai ou Holanda virão à baila. Os resultados tornam-no inevitável. Se falarmos de qualidade, porém, ninguém se compara aos alemães. Foram eles a grande lufada de ar fresco desta prova e quem mais se aproximou do seu máximo potencial. Por cá falou-se na importância das 3 semanas de treino antes do Mundial. Para meu desencanto, porém, tanto para Portugal como para a generalidade das formações, esse período serviu para pouco mais do que nada. As desculpas da mediocridade geral sofrem um grande revés quando se olha para o que conseguiu Low nesta Alemanha.

Fica o aviso para Portugal: se o objectivo for mesmo fazer coisas positivas no futuro, é bom que se comece a olhar para o exemplo germânico. Se, pelo contrário, for só para fazer "converseta" como nestes últimos 4 anos, então está tudo bem...


Uruguai – Holanda
Os 5 golos podem dar a sensação de um grande jogo. Mas não foi. O Uruguai pode dar a entender ter sido a revelação da prova. Mas não foi. A Holanda pode parecer ser mais pragmática do que no passado. Mas não é. Fora algumas individualidades – muitas no caso holandês – é tudo bastante medíocre. Isso sim.

O jogo não foi bom, porque nem o Uruguai foi capaz de se organizar suficientemente bem – isso sim, seria uma surpresa! – nem a Holanda teve a audácia para fazer uma exibição que estava perfeitamente ao seu alcance.

O Uruguai não é uma revelação da prova, porque se limitou, simplesmente, a aproveitar a sorte grande que foi o calendário que teve pela frente. Nunca se organizou bem e viveu apenas da qualidade individual de Forlan (que fantástico Mundial!) e Suarez para fazer a diferença em embates medíocres. Chegou à meia final, mas não conseguiu 1 único resultado surpreendente. E isto diz tudo.

A Holanda não é mais pragmática. A Holanda é, antes, mais incapaz. Se fosse pragmática, defendia bem, o que não é o caso. Defende com muitos, é um facto, e respeita equilíbrios tácticos importantes, mas é só. Depois, com as unidades que tem devia fazer muito mais em termos ofensivos, seja em organização, seja em transição. Teve um jogo feliz frente ao Brasil e o resto foi um passeio oferecido pelo calendário. Tudo somado, não vejo crédito suficiente para merecer uma final de campeonato do mundo.

Sobre o jogo, ganhou a Holanda, como se esperava. E ganhou, também como se esperava, apenas e só porque tem melhores jogadores. Mais nada.

Alemanha – Espanha
Sem surpresas, a Espanha confirmou que, por muito bom que fosse o trajecto alemão, o seu favoritismo era intocável. Tal como havia referido na antevisão, foi um jogo dominado pelos momentos de organização, e aí, embora ambos fossem fortes, a Espanha marcou uma esperada diferença. Esperada porque todos conhecemos a unicidade da posse espanhola, mas também porque há uma diferença entre as duas equipas em termos de pressing. E este ponto, embora normalmente desprezado, é fundamental para perceber o jogo.

É que o pressing espanhol é muito mais alto do que o alemão – sempre o foi durante a prova – e isso fez com que o jogo se disputasse muito mais no meio terreno ofensivo espanhol, porque a posse germânica raramente teve capacidade para empurrar as linhas espanholas até à sua área. Foi, portanto, uma parte por diferenças tácticas e outra por diferenças técnicas, que a Espanha se superiorizou. Tudo perfeitamente dentro do previsto, repito.

Para a Alemanha, porém, o facto da Espanha não ter grande capacidade de penetração no último terço poderia ser uma importante oportunidade. Com o passar do tempo, a emoção e ansiedade poderiam tornar o destino mais aleatório do que o jogo indicava em termos de domínio. A Espanha acelerou e em determinados momentos poderia ter conseguido o golo. Acabou por fazê-lo de bola parada, o que não deixa de ser duplamente irónico. Primeiro porque nas bolas paradas estava uma oportunidade mais evidente para os germânicos, e depois porque se a Espanha foi melhor, seguramente que não foi pelas bolas paradas...

Enfim, passou a Espanha, e passou bem. Simplesmente porque é melhor.



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6.7.10

Diário de 'Soccer City' (#23)

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A antevisão dos 2 jogos da meia final. Uma coisa é certa: o que vamos ver, será História...

Uruguai – Holanda (palpite: Vence a Holanda nos 90 minutos)
Não é difícil antever o favoritismo dos holandeses. O Uruguai pode ser a última esperança dos Sul Americanos para contrariar o poderio europeu, mas a sua presença nas meias finais está mais ligada a uma sequência feliz de situações do que a um grande mérito próprio. Basta dizer que em nenhuma ocasião os uruguaios bateram uma equipa que lhes fosse teoricamente superior. Ainda assim – e esta uma ideia que repito – em apenas 2 jogos, qualquer equipa pode sonhar com o título.


Olhando para trás, não espero um jogo muito aberto. O Uruguai jogará desfalcado de algumas unidades bem importantes e essa limitação só deverá servir para acentuar a tendência de Tabarez para optar pelos 3 centrais. O mesmo filme do nulo frente à França, logo no primeiro dia. Se assim for, a Holanda encontrará mais facilidades do que o esperado. O espaço entre linhas poderá ser um dado decisivo, e poderá até catapultar Sneijder para uma candidatura ainda mais séria a melhor jogador do mundial. A ele junta-se obviamente Robben, compondo um duo temível, não só pela qualidade individual como pela vocação que ambos têm para os grandes momentos.

Enfim, se este cenário se confirmar, só um grande Forlan poderá fazer do jogo algo que não seja um contra relógio para os holandeses. Será decisivo o “timing” do seu primeiro golo e se ele realmente surgir do lado laranja, então, aí sim, poderemos ter uma viragem no cariz do jogo. O Uruguai arriscará mais, expor-se-á mais a novo prejuízo mas também poderá ficar mais perto de marcar. É que do lado holandês, como já discuti, a eficácia defensiva não é propriamente um dado adquirido.

Este é o cenário que vejo como mais provável, mas está longe de ser o único possível. Numa meia final com esta importância, o peso emocional poderá provocar reacções tanto inesperadas como decisivas para qualquer dos lados...

Alemanha – Espanha (Palpite: passa a Espanha)
Influenciado pelo inevitável peso dos resultados, o mundo começou por desconfiar desta Alemanha nos 4-0 contra a Austrália. "Desconfiar", apenas, porque houve sempre quem dissesse que fora a Austrália a principal responsável por um resultado tão avolumado. A derrota frente à Sérvia foi gelo suficiente para arrefecer qualquer entusiasmo generalizado sobre a fase de grupos e poucos foram aqueles que apontaram o favoritismo dos alemães em alguma das 2 eliminatórias da fase decisiva. O que se passou, todos o sabemos: qualidade e, outra vez,“chapa 4” (desta vez, sem australianos para responsabilizar). Enfim, a Alemanha não é uma equipa diferente daquela que actuou no primeiro dia, mas apenas agora parece ser um candidato unânime. E logo agora, que defronta a Espanha.

De facto, mesmo com o mais fantástico trabalho colectivo da prova (já o escrevi há uns tempos, mas agora é capaz de ser mais consensual), não me parece que, desta vez, a Alemanha parta como favorita para o embate contra a Espanha. Seguramente será mais do que em 2008, quer porque está mais forte, quer porque a Espanha não entusiasma tanto, mas não ainda suficiente para partir na “pole position”. Os espanhóis – escrevi-o ainda ontem – beneficiam em demasia da qualidade individual e das rotinas do Barcelona e são, desde o inicio, a equipa mais forte.

Quanto ao jogo, juntam-se as duas equipas mais fortes em organização ofensiva. Nenhuma treme de medo ao primeiro esboço de pressing e ambas trabalham muito bem as soluções de passe. Defensivamente, a Espanha arrisca mais subir as linhas e a Alemanha – temendo a pouca presença numérica no miolo – encolhe-se mais. Talvez seja estranho dizê-lo depois da primeira frase deste parágrafo, mas talvez seja em transição que residirão as melhores hipóteses de ambas as equipas. Quem pressionar melhor e provocar mais erros no ponto forte do adversário poderá tirar partido para levar vantagem. Em 2008 não havia dúvidas de que seria a Espanha a fazê-lo, mas desta vez a parada prevê-se mais equilibrada.

Outro aspecto importante – como se viu nos quartos – serão as bolas paradas. Se no jogo corrido, a Espanha tem favoritismo, aqui serão os alemães a merece-lo. Não só porque são naturalmente fortes, mas porque os espanhóis defendem homem-a-homem, ao contrário do que a maioria dos seus jogadores estão habituados. E, já que estamos nos detalhes, junto os guarda redes como figuras igualmente importantes. Numa fase de tanta tensão e com a polémica Jabulani a ajudar, muito se pode decidir nas balizas. É que se um erro pode acontecer a qualquer um, também temos potencial para uma exibição memorável de algum dos lados.

Finalmente, falar da ausência de Muller. Normalmente não gosto muito de sobrevalorizar o peso de individualidades e, como já várias vezes expliquei, os nomes com mais relevância no jogo alemão são os nucleares Schweisteiger e Ozil, “pivots” da acção colectiva em todos os momentos do jogo. No caso, porém, Muller é uma ausência importante e que abre lugar a um potencial dilema para Low. O mesmo se passaria com Podolski, por exemplo, mesmo se os seus movimentos são manifestamente diferentes. É que os alas no modelo alemão são jogadores que na maioria dos modelos e equipas jogarão como avançados, partindo de zonas centrais. O objectivo, precisamente, é tirar partido dos seus movimentos diagonais e competência na zona de finalização. Sem estas características dificilmente teríamos tido tantos golos germânicos na competição. A questão é que não é fácil encontrar uma alternativa com as mesmas características e tentar fazê-lo pode acarretar alguns riscos. Low poderá utilizar um extremo mais clássico, como Marin, mas também poderá ser tentado a optar por um elemento mais vocacionado para apoiar Khedira e Schweinsteiger. A ver vamos...



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5.7.10

Diário de 'Soccer City' (#22)

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Embora tardiamente, não quero passar às meias finais, antes de deixar umas breves notas sobre os quartos de final. Na verdade, não há muito a acrescentar às antevisões que fiz, uma vez que os jogos corresponderam em quase tudo às expectativas que tinha. Antes do comentário jogo-a-jogo, porém, deixo uma nota sobre a actualidade extra-Mundial e o funcionamento do blogue. É certo que acabamos de assistir a uma das mais importantes transferências da história do futebol português e que, entretanto, também já outras definições foram conhecidas e concretizadas no mercado. Ainda assim, manterei o plano de me dedicar exclusivamente ao Mundial, prometendo a partir da próxima semana, aí sim, concentrar atenções no mercado e na preparação para a próxima época de clubes.


Brasil – Holanda
Foi o único jogo em que o palpite que deixei não se concretizou, mas, na verdade, o curso do jogo foi muito próximo do previsto. A única surpresa esteve, primeiro, na entrada algo permissiva dos holandês em termos defensivos e, depois, na eficácia laranja que conduziu à reviravolta.

O primeiro dado a merecer atenção é o que está por trás do golo brasileiro. Já aqui falei várias vezes das fragilidades individuais dos defensores holandeses e esse lance explica bem o que há de problemático no seu comportamento. Tudo está relacionado, parece-me, com uma carência na formação holandesa. A equipa tem preocupações tácticas correctas, mas individualmente os defensores holandeses são displicentes na forma como protegem as zonas mais importantes em termos defensivos e, noutros casos, assumem riscos excessivos em posse. Uma carência que se verifica semana após semana na liga interna e que explica também o evidente contraste entre o sucesso da escola holandesa em posições ofensivas e a modéstia revelada na zona mais recuada do campo. E assim, a Holanda se viu numa desvantagem potencialmente decisiva. Porque não cuidou as prioridades dos espaços, porque ignorou as referências zonais e colectivas e porque se deixou levar por aquilo que cada adversário, individualmente, ia fazendo.

Se a Holanda falhou no seu ponto fraco, deve à eficácia e a um capricho do destino o facto de não ter pago com a eliminação. Isto porque, e apesar de ter conseguido alguns períodos de domínio territorial, nunca foi capaz de por em perigo a baliza de Julio César. Aliás, até à reviravolta ter sido consumada, não se contabilizaram quaisquer oportunidades significativas de golo dos holandeses e, pode dizer-se, foi sempre o Brasil quem mais ameaçou.

Mas este foi um jogo de topo, decidido no pormenor. Pormenor das bolas paradas e pormenor da capacidade de reacção emocional às incidências do jogo. A Holanda foi eficaz e o Brasil perdeu a cabeça.

Uruguai – Gana
O jogo louco confirmou-se. De parte a parte, a qualidade individual dos atacantes superou em muito o rigor táctico de ambos lados. Erros em posse, espaço entre linhas e alguns desequilíbrios. O resultado, claro, foi um jogo entretido, bem ao gosto de quem tem no entretenimento o condimento favorito num jogo de futebol.

Do ponto de vista da análise, não há muito a dizer de um jogo destes. Porém, não quero deixar de comentar 2 detalhes em relação às grandes penalidades. Primeiro, sobre Gyan. Entre coragem e imprudência, não sei o que haverá mais naquele primeiro penalti da série decisiva que saiu ao ângulo. Depois, sobre Mensah. Para mim, é incompreensível como um profissional aponta um penalti com tão pouco balanço.

Alemanha – Argentina
E, de novo, o futebol foi respeitado. A qualidade colectiva superou o talento individual. Não tinha de ser assim, o jogo poderia ter conhecido outro caminho se fosse conhecendo outras condicionantes, mas, creio, seria difícil à Argentina durar muito mais tempo com tantas insuficiências.

Do lado argentino, confirmou-se o equívoco do posicionamento de Messi, demasiado longe da zona onde o seu futebol faz mais sentido. Confirmaram-se também todas as insuficiências tácticas, ao nível do equilíbrio e da preocupação com a transição ataque-defesa, bem como a exposição que havia alertado para o lado direito argentino, que acabou por ser o caminho para o sucesso na estratégia alemã.

Do lado alemão, confesso, a exibição nem sequer superou as minhas expectativas. Como esperava, teve repetidas oportunidades para actuar em transição e, também sem surpresas, fê-lo sempre com um entrosamento colectivo bastante elevado. No jogo alemão, porém, nem todas as fases foram óptimas e a equipa acabou por passar alguns períodos em que falhou demasiado no primeiro passe de transição e permitiu um domínio continuado dos argentinos que, se tivesse tido um momento de inspiração, poderia ter virado a face do jogo. O tempo, porém, acabou por tornar a vitória alemã num desfecho inevitável.

Individualmente, é difícil fazer destaques numa exibição que, como sempre, foi conseguida pelos méritos do colectivos. Ozil não esteve tão influente como nos últimos jogos mas Schweinsteiger confirmou novamente ser um dos grandes destaques deste mundial. Mais influentes estiveram Khedira e, sobretudo, Muller que, com Podolski, beneficiou muito do espaço em transição. Se colectivamente a Alemanha foi sempre melhor, fica-me a sensação que com uma definição individual mais constante, o jogo poderia ter sido decidido bem mais cedo.

Espanha – Paraguai
A Espanha acabou por vencer sem sofrer, como havia sugerido, mas este foi o jogo que menos se ajustou às projecções que fizera. Sobretudo pelo lado espanhol. O domínio e a qualidade da posse existiu, e a qualidade defensiva dos paraguaios também não foi melhor do que se pensava. O que aconteceu foi que a Espanha raramente deu nota de ter um plano para entrar na área paraguaia e, por isso, não só teve um número inesperadamente reduzido de oportunidades como deu oportunidades para que os paraguaios fossem crescendo em termos emotivos.

Os espanhóis, tudo somado, serão a melhor equipa entre os 4 semi finalistas, mas não me parece que seja uma equipa optimizada. Longe disso. Valem sobretudo pelas características das suas individualidades e pela importação de algumas rotinas do fantástico Barcelona. De resto, faz sentido ter Villa a descair sobre a esquerda e não há nada de errado com a mobilidade de Torres. O que não pode acontecer é a equipa utilizar os corredores para penetrar e depois não ter soluções de passe na zona interior. O trabalho de Del Bosque não podia ser mais fácil, mas ele parece querer complicá-lo. Se o Barcelona tem rotinado um modelo fantástico em 4-3-3, se Xavi, Iniesta e Busquets são tantas vezes os 3 do meio campo, para que é que é preciso mais um jogador?! Tudo seria bem mais fácil se estes 3 jogassem no meio e se a eles se juntasse um extremo direito (Navas ou Pedro), com Villa à esquerda e Torres ao meio. A Espanha não deixa de ser favorita para todos os jogos que fizer, mas não escolheu o caminho mais curto...



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2.7.10

Diário de 'Soccer City' (#21)

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Sexta Feira marca o inicio da recta final. 8 equipas discutem o lugar entre a elite, entre aqueles que jogam o número máximo de partidas no Mundial, e entre aqueles que ficam, pelo menos, a um pequeno passo do sonho. Sim, porque a partir das meias finais qualquer equipa pode sonhar com o lugar mais alto. Antes dos jogos, deixo uma pequena antevisão pessoal e, para apimentar a coisa, também um pequeno prognóstico sobre cada um dos jogos. Apenas uma brincadeira, não se trata de qualquer candidatura a “mestre Alves da blogosfera”...

Brasil – Holanda (Palpite: empate ao intervalo)
Conjuntamente com o Alemanha – Argentina, é o prato forte da ronda. Tudo somado, creio que o Brasil merece nesta altura honras de principal candidato ao título e, logo, também de favorito a seguir em frente. É-me mais fácil perceber o que vale o Brasil do que a Holanda, porque os brasileiros já vêm jogando da mesma forma há vários anos e porque a Holanda ainda não foi testada seriamente nesta prova. De qualquer modo, estas são duas das equipas que mais consistência revelaram na preparação para a prova. Se mais provas faltassem, bastaria evocar o tal pormenor discutido aqui há uns dias, da utilização de um 11 base, já previsto na própria numeração das camisolas.

Por tudo isto, não espero qualquer surpresa táctica por parte dos treinadores, mas antes um reforço de confiança nos respectivos modelos. Se tal acontecer, vamos ter um jogo fechado, focado nos equilíbrios tácticos e no controlo do espaço. Mas vamos ter, também, qualidade técnica de sobra, e possibilidade de desequilíbrios individuais. Especialmente em transição, ou na sequência de bolas paradas – cada vez mais um aspecto importante nesta fase decisiva. O primeiro golo valerá ouro, porque obrigará quem o sofrer a correr mais riscos e dar ao adversário a possibilidade de jogar como mais gosta. Ambos o sabem.

Uma palavra para dois “espalha brasas”. Dois jogadores que desprezam tudo isto, que não pesam duas vezes quando podem arriscar o desequilíbrio e que não têm qualquer receio da perda ou da consequente transição: Robben de um lado, Robinho do outro. Quem sabe um momento de magia de um dos 2?

Uruguai – Gana (Palpite: ambas as equipas marcarão no jogo)
É verdade que, um pouco na norma de todo o torneio, nenhuma das equipas participou num festival de golos. Desta vez, porém, acredito que possa acontecer um jogo com golos em ambas as balizas, e talvez mais do que um. É que – e também dentro daquilo que foi norma – Uruguai e Gana não são propriamente equipas fortes em termos de organização defensiva. Mesmo se ambas não hesitam em sobrepovoar-se no centro da defesa. Menos quantidade mas mais qualidade, têm as duas na frente. Asamoah, Boateng, Ayew e Gyan de um lado. O tridente Cavani, Suarez e Forlan do outro. No caso de Gyan e Forlan, uma grande exibição poderá lançar qualquer um dos casos para os destaques de qualquer livro de memórias deste Mundial.

Somadas todas as expectativas, torna-se difícil antever um vencedor, ou mesmo um claro favoritismo. Ambas as equipas darão oportunidades ao adversário e o aproveitamento das mesmas dependerá muito da inspiração dos intérpretes. Talvez os amantes da astrologia nos possam elucidar melhor quem estará mais favorecido pelo alinhamento das estrelas na noite de Sexta...

Argentina – Alemanha (Palpite: passa a Alemanha)
Nem sempre confiei nesse princípio – que não é, nem de perto, 100% seguro no futebol – mas o Mundial tem-lhe sido fiel. Falo do princípio de que quem é melhor ganha, e quem é pior paga a factura. Foi assim com os horríveis casos de França e Itália, eliminados mais pela lógica do jogo do que pelas projecções iniciais. Foi assim, também, em todos os duelos decisivos. Não houve surpresas, e quem foi melhor ganhou sempre. Se a tendência se repetir, seguirá em frente a Alemanha.

Já falei bastante das 2 equipas e perceber-se-á, no somatório dessas análises, que vejo este duelo como o confronto entre os dois candidatos que menos semelhanças em termos de virtudes. A Argentina é o talento puro, tão puro que a sua valia quase se resume à soma das suas individualidades. A Alemanha, pelo contrário, não deslumbra individualmente, mas consegue formar um colectivo muito competente em todos os momentos do jogo.

Dentro das 'nuances' que poderão definir a partida, começo por Messi. Maradona resolveu dar-lhe liberdade, diz-se, mas na verdade Messi joga longe da zona onde as suas decisões fazem mais sentido. Messi pensa no desequilíbrio porque é essa a sua vocação, e embora tenha capacidade para desequilibrar a partir de qualquer zona, não é na construção que se aconselha o risco. Por isso é que o papel de Messi pode ser um pau de dois bicos e um dilema para o próprio Low. É que a dupla de médios da Alemanha poderá ter alguma dificuldade em controlar o espaço entre linhas, e o corredor central, com Messi nesta posição, é aquele onde a Argentina consegue ser mais perigosa. Se Low encontrar forma de bloquear Messi, terá o jogo na mão. Não só porque bloqueará o jogo ofensivo do adversário, como porque usufruirá de várias transições perigosíssimas. Caso contrário, Messi, Tevez e o corredor central poderão ser um sarilho para a Alemanha que, neste cenário, só ganhará o jogo se tiver um dia francamente inspirado na frente.

Outras 'nuances' há, mas do lado Argentino. Como o risco em posse, como o desequilíbrio táctico – atenção ao lado direito! – ou como a forma como a sua defesa "afunda", abrindo o campo de ataque aos adversários. Estas 'nuances', porém, não levantam qualquer duvida porque Maradona nunca se importou minimamente com elas, e não é agora que o vai fazer. Ficará apenas por saber até que ponto os alemães as saberão aproveitar.

Paraguai – Espanha (Palpite: Espanha vence sem sofrer)
Depois do tropeção inicial e de algumas dificuldades na primeira hora frente a Portugal, parece-me agora muito complicado que a Espanha fique fora das meias finais. Salvo qualquer condicionante ou surpresa no jogo, creio, isso não acontecerá.

O Paraguai foi das selecções que menos fez para estar onde está. Ganhou apenas 1 jogo em todo o Mundial, empatou mesmo com a Nova Zelândia e precisou de ser feliz nos penaltis para ultrapassar o Japão. Frente à Espanha não veremos uma equipa tão inocente como foi o Chile, mas também não veremos grandes méritos defensivos. Mais quantidade do que qualidade é o que espero dos paraguaios em termos defensivos. Um jogo de sentido único e que não me parece que chegue, sequer, ao intervalo sem termos a Espanha em vantagem. Se assim for, dos paraguaios dependerá apenas a definição do “score” final, porque a Espanha irá dar prioridade ao controlo do jogo e da bola, muito mais do que arriscar o segundo golo.



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28.6.10

Diário de 'Soccer City' (#17)

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O dia mais importante do Mundial até ao momento. Teve entretenimento, emoção e grandes estrelas. Todos os condimentos para ser um grande dia para o futebol. O que todos sabemos, porém, é que este dia ficará na História dos mundiais como um dos mais polémicos de sempre. De repente, o mundo deu de caras com as fragilidades do jogo, e com erros humanos que – ao contrário do que muitas vezes se diz – não só não deviam fazer parte do jogo, como seriam facilmente evitáveis. Como sempre, não vou falar de arbitragens, mas, porque não dá para contornar um “monstro” destes, não poderia deixar de começar por este apontamento. Afinal, este até poderá ter sido um excelente dia para o futebol. Assim alguém queira...

Alemanha – Inglaterra
Polémicas à parte, creio que já poderemos anunciar um vencedor: Joachim Low. Ainda vou bem a tempo de ser surpreendido por algum outro concorrente, mas duvido seriamente que tal aconteça. Esta Alemanha não tem nenhuma estrela do futebol mundial, e pode até dizer-se que tem algumas carências em determinadas posições. Pode dizer-se, por isso, que está longe de ser uma potência em termos individuais, mas é-o seguramente em termos colectivos. E isso deve-se àquele que é o treinador com melhor trabalho neste mundial.

No lançamento do jogo tinha falado da maior qualidade colectiva dos alemães, mas não evitei deixar a porta aberta para um brilharete inglês. Pela seu potencial e pela forma como chegou até este mundial. Mais uma vez, porém – e é um dado comum nesta prova – foi a lógica do jogo que vingou. Ou seja, ganhou quem era melhor e não tivemos nenhuma surpresa neste sentido.

Como pode a Inglaterra ser tão vulnerável em posse? Como pode ter tantas dificuldades em encontrar soluções de passe? Como pode um central como Terry ter uma abordagem tão desastrosa a uma primeira bola? Como pode uma defensiva perder-se tão facilmente com as movimentações germânicas? Como pode Johnson não fazer falta sobre Schweinsteiger numa situação de 3x2 e quando ainda não tinha um cartão amarelo? Como pode Barry jogar? Tudo perguntas para Capello. Quanto a mim, para todas elas tenho a mesma resposta: não devia poder.

Sobre a Alemanha, a confirmação de uma qualidade que não enganou desde o primeiro jogo – a Sérvia não foi mais do que um acidente. Os melhores, para mim, voltaram a ser Schweinsteiger e Ozil. A espinha dorsal da equipa, e a grande injecção de qualidade desde o Euro 2008. Desta vez, porém, há também que deixar uma palavra de realce para o notável jogo do tridente ofensivo: Podolski, Klose e Muller. Todos eles tiveram uma movimentação excelente, permutando de forma notável com as movimentações de Ozil, e abrindo crateras numa defesa inglesa que sucumbiu sempre por onde era mais proibido: a zona central.

Argentina – México
E a Argentina passou mais uma barreira. Não começou por ser fácil, mas acabou por sê-lo realmente. O México tinha tudo para fazer um jogo mais inteligente e para explorar melhor as fragilidades defensivas dos argentinos. Até começou por fazê-lo, mas, creio, acabou por pagar a factura de não ter um plano de jogo tão claro como aquele que apresentou frente à França.

Não que esperasse uma grande qualidade táctica dos mexicanos, mas de facto pensei que pudessem fazer melhor. Franco não jogou de inicio e a possibilidade de o utilizar como “pivot” para as primeiras bolas não foi repetida. O facto de Messi jogar demasiado baixo e decidir em zona de construção como se estivesse nas imediações da área, também não fez parte das prioridades no plano estratégico mexicano. Por fim, claro, há que falar de mais um erro próprio de divisões amadoras. Algo que não pode acontecer, mas que se tornou numa espécie de lugar comum neste Mundial.

Tudo isto foi demasiado para que os mexicanos pudessem sobreviver, e assim permanece viva a pergunta: será possível esta Argentina ser campeã Mundial?



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24.6.10

Diário de 'Soccer City' (#13)

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Jogado o segundo dia de decisões na fase de grupos, estão já definidos 4 jogos dos oitavos de final. Apesar de ser a rodada das decisões, a verdade é que poucos motivos há para olhar muito para os derradeiros embates da fase de grupos. As “fotografias” das equipas já estão recolhidas, e a cada um dos apurados abre-se também a luz sobre o caminho que a espera até à desejada final. É por isso que o interesse recai, nesta altura, muito mais em olhar para a frente do que para trás, e é por isso também que aproveito o momento para deixar algumas notas sobre os emparelhamentos já definidos. Antes, porém, fica a nota: entre Uruguai, Coreia, Estados Unidos e Gana sairá um improvável semi finalista. Este cruzamento apetecível está ao alcance do 1º classificado do grupo G – o de Portugal. Juntando este aliciante, à probabilidade da Espanha ser primeira, fica claro que o Brasil-Portugal pode vir a tornar-se num embate bem mais importante do que à partida possa parecer.

Uruguai – Coreia do Sul
Escrevi sobre o Uruguai no primeiro jogo, e dele não disse boa coisa em relação à qualidade colectiva. Talento não falta no Uruguai, e essa capacidade deverá ser suficiente para merecer o favoritismo. Sem lhe retirar esse crédito, porém, volto a realçar as minhas reservas sobre a organização dos sul americanos. A este aspecto junto um outro, o da mentalidade, para concluir que, apesar de favorito, o Uruguai deve manter os pés bem assentes na terra se não quiser estragar uma oportunidade de ouro que tem para regressar aos grandes palcos de uma fase final do campeonato do mundo.

Estados Unidos – Gana
É-me difícil falar deste jogo, porque o acho realmente fraco. Há bons jogadores em ambos lados e no caso dos Estados Unidos há um pouco mais do que isso também. No entanto, não vejo em nenhum dos conjuntos uma grande qualidade. Apesar de haver mais casos de talento no lado africano, parece-me que a organização e experiência dos americanos justifica o favoritismo. Aliás, poderemos vir a assistir a uma histórica caminhada de um destes conjuntos.

Alemanha – Inglaterra
Ora aí está o prato forte. Um jogo destes vale quase por todos os oitavos de final – embora se adivinhem outros embates titânicos. A Alemanha é, a seguir, à Espanha a selecção que mais me agrada do ponto de vista colectivo. Mas pode não bastar. Ozil e Schweinsteiger são as unidades essenciais deste conjunto e perder alguma delas, creio, será um golpe que dificilmente deixará de abalar seriamente as pretensões germânicas. Do outro lado, temos um caso quase oposto. A Inglaterra tem algumas das unidades mais determinantes do futebol actual, mas em falhado colectivamente. As coisas melhoraram frente à Eslovénia. Rooney reapareceu, Defoe ganhou o lugar e Gerrard voltou a provar que a discussão em torno da sua utilidade à esquerda não é mais do que um dos habituais sofismas de quem procura justificações imediatas para problemas mais complexos. Mais, Milner fez lembrar Beckham a cruzar e terá, também ele ganho um lugar. O colectivo de Capello não é brilhante mas pode estar a ganhar uma forma. Acredito que a História nunca se repete sempre e, não sei porquê, parece-me que pode ser desta vez que a sorte da Inglaterra possa mudar. A ver vamos...

Argentina – México
Pode a Argentina ser campeã?! A pergunta pode parecer tonta para a maioria. Afinal, poucas selecções terão entusiasmado tanto o grande público como a ‘albiceleste’. Para mim, porém, esta Argentina não pode logicamente ganhar o mundial. Não pode, porque não percebe o que são equilíbrios tácticos, porque facilmente se alonga no campo e abre o campo de ataque ao adversário, porque decide mal e arrisca excessivamente em zonas onde não o pode fazer. Para mim, esta Argentina pode cair a qualquer momento e parece-me impensável que esse momento não chegue até ao último apito da prova. Seria um grande contra senso, um grande equívoco, diria mesmo. Mas todos sabemos que no futebol a bola é bem redonda, e poucos a tratarão tão bem quanto os argentinos. É por tudo isto que a dúvida permanece viva: será possível?!



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19.6.10

Diário de 'Soccer City' (#10)

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E o Mundial que não pára de surpreender! Depois da Espanha, depois da França, e no mesmo dia, Alemanha e Inglaterra dão passos atrás numa qualificação que à partida parecia adquirida. Dois casos distintos, é certo, mas em qualquer dos cenários estamos perante candidatos reais a disputar a fase terminal da competição. De qualquer forma, não deixa de ser interessante equacionar o que poderá ser desta competição se todos estes "pesos pesados" fossem já eliminados...

Difícil dizer quem está em piores condições, mas no que respeita ao futebol propriamente dito, parece-me evidente ser menos preocupante o caso alemão. A derrota foi altamente condicionada por uma série de factores e dá até para dizer que a Alemanha teve uma boa reacção a todas as adversidades. Apesar disso de nada lhe ter valido. De novo em destaque a boa movimentação com bola e a segurança da posse. De novo, também, a importância de 2 elementos centrais no jogo da equipa. Schweinsteiger e Ozil. O primeiro claramente como “pivot” de todo o jogo da equipa, oferecendo permanentes apoios à posse e jogando sempre seguro. Importante – muito importante! – também o seu papel na transição ataque-defesa. O segundo, Ozil, é de facto a fonte de criatividade e imprevisibilidade do jogo alemão. Não apenas pelo que faz com bola, mas pela movimentação que assume ao longo dos espaços. Não espanta que sem ele em campo a Alemanha não tenha marcado um único golo nos 2 jogos e, aliás, parece-me que as suas substituições coincidem com uma quebra na produtividade ofensiva da equipa.

Mas se a Alemanha perdeu, perdeu também porque jogou frente a uma das mais homogéneas selecções do torneio. Em termos individuais, isto é. Não consigo dar grande mérito colectivo à Sérvia. Pressionou alto, mas normalmente mal e com bola pouco mais fez do que recorrer a Zigic como plano concreto para chegar à frente. O que acontece é que a densidade da equipa na linha média e sua qualidade individual fazem da Sérvia uma equipa, primeiro difícil de bater pela capacidade de sofrimento que tem no último terço e, depois, capaz de criar desequilíbrios através das boas individualidades que tem em todos os sectores.

Finalmente, a Inglaterra. Uma desilusão a sua qualidade. Demasiados erros individuais, exibições desinspiradas e colectivamente um futebol pouco ligado, com muito espaço entre jogadores e sectores, que impede uma fluidez mais constante. Há ainda, para além de tudo isto, alguns aspectos tácticos que julgo merecer revisão. A ideia de Gerrard partir da esquerda não é má. É, aliás, na movimentação interior do 4 inglês que reside a maior fonte de desequilíbrios da equipa. Aí e no pressing que Capello fez questão em implementar à sua equipa. Mas, depois, há alguma distância entre sectores, com a equipa a preferir baixar a sua linha recuada a mantê-la alta para aproximar o conjunto. Não se vê a razão de ter de actuar com 2 avançados quando, claramente, Heskey não tem andamento para os objectivos que estão propostos ao colectivo. Mais, parece muito mais útil um modelo com um avançado e que potencie os movimentos de Lampard e Gerrard na zona de finalização do que este, que distancia sectores e não tira qualquer partido das duas unidades da frente.

Dizia-me alguém que com Capello eles vão fazer um mundial “the italian way”. Não convencer no inicio, sofrer, e depois embalar para uma prestação em crescendo. Bom, as duas primeiras partes deste “plano” estão confirmadas...



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14.6.10

Diário de 'Soccer City' (#5)

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E ao terceiro dia, qualidade. Não qualidade individual, porque essa já tivéramos em vários momentos do Mundial. Qualidade colectiva. A Alemanha aproveitou a estreia para marcar terreno, para dizer que embora não seja a potência de outros tempos e embora não tenha a qualidade individual de alguns, está em África para defender a sua História. Não foi só a primeira goleada da prova, foi também a primeira exibição verdadeiramente consistente e digna de um sério candidato.

Não há muito de errado no que fez a Austrália se tivermos em conta o que já foi visto nesta prova. Não pressionou alto, é certo, mas definiu uma zona densa com o adiantamento da linha defensiva e reduziu muitíssimo os espaços entre linhas. O pior, claro, foi o comportamento da linha defensiva no controlo do espaço que havia nas costas. Mais um exemplo de quão importante pode ser a movimentação colectiva da linha mais recuada.

A verdade, porém, é que há mais mérito germânico do que demérito dos “Aussies”. Uma equipa organizada, paciente em posse, sempre procurando o momento e a movimentação certa para penetrar. Depois – e isto é importante – esteve também preparada para pressionar no momento da perda de bola, impedindo a Austrália de sair em transição e encurralando o jogo no meio campo contrário. Tudo coisas boas. Para futuro, porém, fica a reserva do uso de apenas 2 médios na zona central. Será difícil controlar o espaço entre linhas e manter pleno controlo do corredor central com apenas 2 jogadores. Uma opção de longo prazo, mas que, com algumas fragilidades individuais, será o calcanhar de Aquiles da equipa.

Individualmente, há 2 notas que não podem ser evitadas. Primeiro Ozil, para mim o melhor em campo. Fantástica exibição a jogar como falso avançado. Grande capacidade de movimentação, quer na profundidade, quer entre linhas e óptima qualidade, quer na execução quer na decisão. Aos 21 anos, podemos estar perante a grande revelação do Mundial. Depois Schweinsteiger. Ainda é jovem mas durante algum tempo pareceu perdido no que respeita ao seu papel no campo. O facto é que Schweinsteiger tem tudo para ser um jogador de construção, um médio que executa bem e seguro e que tem capacidade para crescer na leitura do jogo. É aí que se tem afirmado e é aí que poderá rapidamente tornar-se no sucessor de Ballack como líder da “Mannschaft”.

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30.6.09

Será o inicio da "era germânica" no futebol europeu?

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Sendo a maior potência europeia em termos de títulos a nível sénior, sempre foi de estranhar o pobre registo germânico em termos de camadas jovens. Sem um título internacional em termos de camadas jovens desde 1992, de repente, a Alemanha é, em simultâneo, campeã europeia de sub 17, sub 19 e, agora, sub 21. Uma evolução espantosa e que indica que pode estar a emergir uma capacidade individual muito forte, podendo ser esta uma combinação explosiva com a força competitiva que se reconhece às selecções germânicas e que nos últimos tempos tem sido responsável por importantes resultados colectivos, por ventura bem acima do potencial individual.


Um outro aspecto que creio ser importante referir tem a ver com o campeonato interno. A Bundesliga é um campeonato fantástico mas demasiado virado para dentro. A dimensão do país permite que isso seja suficiente para, por exemplo, ser a Liga com melhor média de assistências, apesar de ter vários jogos jogados ao mesmo tempo. Um dos problemas dos clubes alemães em termos de competitividade externa tem sido, na minha opinião, a menor qualidade da sua formação. Se estes resultados ao nível de formação indicarem também uma melhoria generalizada das futuras gerações, então podemos vir a assistir ao ressurgimento dos alemães, também ao nível de clubes.

Aqui ficam alguns 10 nomes entre as 3 selecções campeãs europeias:
Manuel Neuer (Guarda Redes, Shalke, 23 anos, Sub 21)
Jerome Boateng (Defesa Central, Hamburgo, 20 anos, Sub 21)
Gonzalo Castro (ala esquerdo, Leverkusen, 22 anos, Sub 21)
Mezut Ozil (Médio ofensivo, Werder Bremen, 20 anos, Sub 21)
Timo Gebhart (Médio ofensivo, Estugarda, 20 anos, Sub 19)
Richard Sukuta-Pasu (Avançado, Leverkusen, 18 anos, Sub 19)
Savio Nsereko (Extremo, West Ham, 19 anos, Sub 19)
Christopher Butchmann (Extremo, Liverpool, 17 anos, Sub 17)
Mario Gotze (Médio ofensivo, Dortmund, 16 anos, Sub 17)
Lennart Thy (Avançado, Bremen, 17 anos, Sub 17)



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24.6.09

Entre Langkamp e Grafite, o melhor do ano na Bundesliga

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13.5.09

Bundesliga: decidido golo a golo!

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Na Alemanha jogou-se mais uma jornada da recta final da Bundesliga. Ninguém tropeçou e, a 2 jogos do fim, começa a fazer sentido contar golos. É que por este andar Bayern e Wolfsburgo vão disputar o título no “Goal difference” (não confundir com “Goal average”!!). Para já, os bávaros levam 2 golos a menos e ontem ganharam ambos por 3-0. Nota ainda para o Hertha que também se manteve na luta ao ganhar ao colônia. No caso dos de Berlim, o cenário de vitória passa mesmo pela recuperação de pontos...

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30.7.08

Alemanha Sub 19 - O campeão europeu inesperado

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Associar a Alemanha a um titulo europeu de futebol pode nem ser, à primeira vista, uma ideia surpreendente. A verdade é que, no que respeita a escalões mais jovens, os germânicos têm uma tradição muito modesta e é por isso que este título de campeão europeu de sub 19 conseguido no passado Sábado frente à Itália (3-1) deve ser visto como um acontecimento menos comum do que seria de esperar. Na verdade, e pondo de lado este pequeno detalhe histórico, a Alemanha fez bem por merecer o triunfo, dominando o seu grupo (onde bateu a favorita Espanha) e eliminando a Rep.Checa – equipa organizadora – nas meias finais antes de conseguir esse notável triunfo por 3-1 frente à Itália numa final em que ficou muito cedo reduzida a 10 unidades.

Sistema táctico e opções
A disposição táctica coincide com aquela com que a Mannschaft começou por utilizar no Euro 2008, o 4-4-2 clássico. Aqui apenas uma pequena nuance dependente das opções do técnico, Hrubesch. Caso jogasse o mais poderoso avançado Richard Sukuta-Pasu este adoptava uma posição mais fixa, com Timo Gebhart a jogar mais vezes solto a partir do espaço entre linhas. A outra hipótese, apresentada por exemplo na meia final, passava por jogar com uma dupla móvel composta por Timo Gebhart e Dennis Naki, sendo, nesta opção, o 4-4-2 mais claro, com os avançados a jogarem lado a lado. As 2 linhas de 4, essas, foram sempre inalteráveis.
De resto, as opções iniciais também não variaram muito. De salientar apenas a possibilidade de Danny Latza (Schalke) poder ser uma opção frequente para o meio campo e para o papel polivalente de Deniz Naki (Leverkusen), que pode jogar como extremo ou avançado móvel, tendo desempenhado ambos os papeis como titular durante a prova.

Como defende?
Um sistema que utiliza duas linhas 4 aconselha sempre a apresentar um bloco defensivo especialmente compacto, aproximando as linhas para não permitir um aproveitamento das poucas linhas defensivas criadas. Esta ideia foi sempre respeitada pelos alemães e aqui reside um dos segredos do sucesso. Num bloco sempre baixo, a Alemanha permitiu muito poucos espaços para os adversários jogarem e conseguiu com isso filtrar grande parte das iniciativas ofensivas.
Em transição defensiva nem sempre estiveram tão bem, com alguns desequilíbrios a acontecer ocasionalmente, mas também não se pode dizer que fosse uma equipa exposta nesse sentido. A sua reacção à perda de bola tinha como principal objectivo garantir uma reorganização defensiva eficaz.

Como ataca?
A criatividade não um dos maiores atributos ofensivos desta jovem equipa. Organizando sempre a partir dos centrais, tem no capitão Florian Jungwirth (1860 Munique) um papel relevante. A troca de bola entre os centrais terminava quase sempre com uma subida com bola deste jogador, ou com o mesmo a protagonizar passes que solicitassem os movimentos dos 2 avançados. O meio campo tinha, por isso, um papel pouco relevante nesta primeira fase de construção, aparecendo numa fase seguinte. Destaque para as diferenças entre os extremos. Mais forte e insistente no 1x1, Savio Nsereko (Brescia) e mais posicional e inteligente sem bola Marcel Risse (Leverkusen).

Treinador
Horst Hrubesch – Poderoso avançado do Hamburgo está ligado à história do futebol europeu pelo seu papel no Euro80, sobretudo pelos 2 golos com que decidiu a final contra a Bélgica. Como treinador o seu percurso não foi tão positivo, passando por diversos clubes de segunda nomeada do futebol alemão. Chegou à Federação em 2000 e, aí, também não foi feliz, já que foi adjunto de Ribbeck no Euro 2000. Aos 57 anos consegue, claramente, o seu maior feito como técnico.

5 estrelas
Ron-Robert Zieler (Guarda redes, 19 anos) – O facto de ter sido detectado como potencial figura do futuro pelo Manchester United diz tudo. É um guarda redes invulgarmente seguro numa idade em que os erros são ainda muito frequentes. Tem grandes possibilidades de aparecer nos principais palcos dentro de alguns anos.

Florian Jungwirth (Defesa Central 19 anos) – Se o futebol alemão ainda privilegiasse nas suas formações a posição de libero, dir-se-ia que o capitão da selecção seria um “pequeno Beckenbauer”. Assim, reconhece-se todo o seu potencial pela qualidade e carácter que revela, mas, ao mesmo tempo, pode questionar-se se a sua estatura não poderá ser um handicap na hora de afirmação num futebol tão físico quanto o alemão. Quem sabe não poderá adaptar-se a médio defensiva na viragem para profissional?

Lars Bender (Médio centro 19 anos) – Forma com o seu irmão gêmeo, Sven (ambos jogam no Munique 1860), a zona central do meio campo. Apesar das semelhanças genéticas, Lars conseguiu outro destaque, mostrando-se mais participativo nas chegadas à área contrária e revelando boa capacidade de meia distância (fantástico golo na final). A sua cultura posicional fez com que fosse o escolhido para jogar como central quando Jungwirth foi expulso ainda na primeira parte da final.

Timo Gebhart (médio ofensivo 19 anos) – Mais um do 1860 Munique – atenção são 4 entre os titulares. Camisola 10, alia uma capacidade física acima da média a um nível técnico muito bom. É, pela amostra, uma grande promessa do futebol germânico, actuando muito bem nas costas do ponta de lança, embora também tenha jogado compondo a dupla da frente.

Richard Sukuta-Pasu (avançado 18 anos) – Mais jovem do que a maioria, este poderoso avançado do Leverkusen foi muitas vezes titular sendo o melhor marcador da equipa com 3 golos. Possante, rápido e bom tecnicamente é claramente um nome a ter em conta no futuro. Marcou o golo que deu a qualificação para a final, já sobre o minuto 120 e, quando a Alemanha jogava com 10 fez o 2-0 na final, ajudando a sentenciar o jogo.


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1.7.08

Notas finais do Euro

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Aspectos Colectivos

Clubes vs. Selecções
Começo por voltar àquela previsão, feita no lançamento da prova, de que este seria, sem dúvida, um torneio de jogos não tão minuciosamente preparados como aqueles que assistimos ao nível de clubes, mas seguramente não menos interessantes. Menos treino e mais jogo é sinónimo de mais erros e menos perfeição, mas também de maior improvisação e maior imprevisibilidade. Comparativamente com o futebol de clubes ao mais alto nível, o Euro foi tudo isto e, na verdade, quem poderá falar de desinteresse?

Tendências Tácticas
Estas são competições que marcam muito os tempos, já que é elas que a história do futebol recorre para, anos mais tarde, analisar tendências. Tacticamente destaque para a abundância do 4-4-2 clássico como sistema de referência deste Europeu. Suíça, Croácia, Alemanha, Suécia, Espanha e França iniciaram o Euro com este sistema e outras selecções recorreram a esta disposição de jogadores durante os jogos (até Portugal, sem qualquer tradição nesta opção, actuou numa versão próxima deste sistema durante grande parte do jogo frente à Alemanha). Ainda assim, não se pode deixar de referir o recurso a variantes do 4-5-1 (4-1-4-1 ou 4-2-3-1) na fase decisiva da competição, o que não deixa de ser sintomático quanto à importância da zona central. Nota, finalmente, para duas opções em vias de extinção ao nível dos sistemas: os 3 defesas (ou 3 centrais), apenas utilizada pela Áustria e Grécia e o 4-4-2 em losango. Aqui 2 comentários em sentidos diferentes. Enquanto que os 3 defesas é uma opção abandonada pela Europa (recorre-se ainda muito na América do Sul), por se considerar menos sólida, o losango nunca foi devidamente absorvido pela maioria dos países europeus talvez, digo eu, por ser mais exigente ao nível das dinâmicas de jogo. Esta ideia – e é apenas uma ideia – é um elogio para o futebol português, onde vários treinadores conseguiram nos últimos anos sistematizar processos com bons resultados, tendo o 4-4-2 losango como sistema.
Dito tudo isto sobre sistemas tácticos, acrescento que se os modelos de jogo estão longe de se esgotar na geometria do esqueleto, ao nível de selecções, onde há menos tempo de treino, esta questão torna-se mais importante e, por isso, assistimos a algumas mudanças de sistema dentro da própria competição, algo que a nível de clubes raramente acontece por ser muito pouco aconselhável.

Selecções
A história do Euro é marcada, naturalmente, pela vitória da Espanha (sobre quem já escrevi ontem), mas, para quem viu, há mais equipas para destacar:

Croácia: Nota positiva para uma equipa com muitos nomes promissores e uma grande lição estratégica (Bilic foi o primeiro a desfazer o seu 4-4-2 inicial para ganhar superioridade a meio campo) que provocou um sinal de alerta na Alemanha, talvez decisivo para a caminhada para a final. Os croatas foram, no entanto, pouco emocionais e deixaram-se cair quando tinham tudo para discutir um lugar na final.

Turquia: A sensação do Euro. O que a Turquia fez foi algo próximo de um milagre. Terim foi sempre pouco inteligente estrategicamente e a equipa, apesar de competitiva, foi vivendo dos sucessivos “milagres” no final dos jogos. Na meia final frente à Alemanha foi mais determinada, até melhor, mas sempre, sempre inocente na forma como se expôs ao erro.

Alemanha: Low terá, talvez, o maior mérito entre os treinadores do Euro. Levar a Alemanha à final com as debilidades individuais da sua equipa foi um feito e isso foi reconhecido pela forma como este histórico foi recebido no seu país. Estrategicamente, e tirando a não decisiva partida contra a Croácia, esteve sempre bem. Não deu para mais e, diga-se, já foi bem bom!

Holanda: A sensação da primeira fase, dominando o grupo da morte e sendo a primeira selecção a impressionar meio mundo. Talvez o problema da Holanda terá sido não ter levado mais cedo um susto que a despertasse para as suas debilidades, nunca expostas durante uma fase de grupos em que esteve sempre a ganhar. Van Basten surpreendeu as poderosas Itália e França com aquela contenção do duplo pivot pouco ofensivo, mas quando foi preciso dar qualidade à posse de bola... a Holanda caiu.

França: A desilusão da prova. Não pela eliminação, mas pela paupérrima prestação. O 4-4-2 de Domenech foi totalmente despropositado e sem qualquer dinâmica rotinada. Ainda deu um ar de poder recuperar no jogo contra a Holanda mas, aí, também não teve a sorte do seu lado.

Itália: A obcessão pelo sistema do Milan e pelo recurso a Toni foi a perdição de Donadoni. A equipa nunca se apresentou ao nível que se esperava, sendo muito vertical mas pouco imaginativa ofensivamente e longe da eficácia histórica em termos defensivos. Ainda assim, a qualidade não esteve totalmente ausente e apenas caíram nos penaltis frente à campeã Espanha.

Rússia: Primeiro demasiado ofensiva, expondo-se defensivamente às transições adversárias. Depois, mais controlada e a apresentar uma qualidade de movimentos colectivos sem par neste Euro. Este é o grande mérito de Hiddink, porque defensivamente exigia-se bem mais. A culpa não será só do seleccionador mas também da cultura do próprio futebol russo, algo distante das exigências tácticas do centro da Europa. Depois do brilharete frente à Holanda veio o falhanço estratégico no posicionamento do pressing para fazer frente à qualidade do meio campo Espanhol.


Individualidades

Guarda Redes
Foi um Euro difícil para os guarda redes. Buffon e Cech, dois dos melhores do mundo estiveram abaixo do que deles se exige. Lehmann, o finalista, teve vários erros e, na verdade poucos terão escapado à critica. A excepção, claro, Casillas. O Espanhol foi de longe o melhor de um Euro que teve também, por exemplo, Van der Sar em bom plano.

Defesas
Laterais direitos é dificil de destacar. Ainda assim, destacaria Corluka da Croácia, Sabri da Turquia (sobretudo ofensivamente) e, quase inevitavelmente, Sérgio Ramos.

Na lateral esquerda, mais hipóteses. Zhirkov, pela capacidade ofensiva, Grosso também me agradou e Van Bronckhorst merece igualmente referência. Quem não consigo destacar é Lahm.

Como centrais, Pepe, mantenho-o, foi o melhor que vi (atenção à evolução notável de Pepe nos últimos anos, afirmando-se no Porto, fazendo parte do melhor onze da Liga no ano de afirmação em Espanha e, agora, integrando a selecção ideal da Uefa). Marchena e Pujol foram sempre bem protegidos mas têm de ser destacados por raramente terem errado. Kolodin deu nas vistas na Rússia e, na Itália, apareceu um tal de Chielini que já se conhecia dos sub 21 e que pode ter tido aqui o seu inicio como referência da Selecção transalpina. Outro central que jogou a médio foi fundamental no duplo empate da Roménia: Chivu.


Médios
São tantos que é difícil escolher. Na Espanha todo o meio campo: Senna foi um esteio, quase perfeito (ainda assim, e apesar da importância da função acho uma afronta considerar-se um jogador de funções essencialmente tácticas o melhor de uma competição, como alguns fizeram), Xavi, para mim e para a maioria, o melhor do Euro, Fabregas apenas foi ofuscado pelo pouco tempo que jogou e Iniesta e David Silva (principalmente o primeiro) dois complementos fundamentais para dar à Espanha a tal qualidade de posse de bola que fez a diferença. Mas houve mais. Gelson Fernandes da Suíça teve pouco tempo, mas mostrou qualidades, Hamit Altintop foi um dos melhores do Euro pela qualidade e dinâmica emprestadas, Modric a revelação e um adocicar de boca para o seu futuro na Premier League, Sneijder o melhor até aos quartos de final, De Rossi, para mim, o melhor da Itália, Ballack intermitente mas decisivo na caminhada da Alemanha, tal como o fulgurante Schweinsteiger, Zyrianov o mais consistente de uma Rússia que teve em Semak outra boa revelação. Mas uma das performances mais perfeitas que vi foi a de Deco. É pena...

Avançados
Vou incluir aqui Arshavin que, não sendo uma revelação para quem anda atento, teve um enorme impacto... tão grande como o seu desaparecimento na meia final. De resto, é fácil escolher... Torres e Villa na Espanha, Podolski e Klose na Alemanha, Pavlyuchenko, outra revelação, na Rússia, Van Nistelrooy na Holanda e Ibrahimovic na Suécia, apesar do pouco tempo. Nota ainda para um jogador que não esteve em foco mas que creio poder tornar-se brevemente uma das referências do futebol mundial: Benzema.


Portugal
Ao contrário do que se disse, nas habituais visões fatalistas na hora da derrota, não creio que Portugal tenha desiludido em termos de qualidade de futebol. Ou, pelo menos, nos 4 momentos do jogo “corrido”. O que se viu de Portugal nos primeiros jogos foi tão bom como qualquer outra Selecção e é por isso que a frustração desta eliminação ainda é maior, porque, de facto, poderíamos ter disputado a vitória.
A conclusão que me fica é que o próximo passo tem de ser dado no sentido de querer chegar mais próximo da vitória final. É preciso mais visão estratégica e mais preocupação com os detalhes do jogo – não podemos perder um jogo com erros colectivos tão gritantes ao nível das bolas paradas! Vencer (entenda-se, melhorar as condições para) deve ser o objectivo de curto prazo do próximo seleccionador até porque ninguém nos garante que esta qualidade dure muito tempo numa selecção de um país de apenas 10 milhões. Uma nota final para Cristiano Ronaldo. Talvez seria melhor alguém explicar ao rapaz que o que fez Torres no dia 29 de Junho de 2008 vai ter muito mais importância na história do futebol do que qualquer dos golos que Ronaldo possa marcar pelo Manchester, Real Madrid ou outro clube... É que ao afirmar “não tenho nada a provar” antes da competição mais importante da época não parece evidenciar grande consciência para esse facto!


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30.6.08

Espanha: Indiscutível!

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O Campeão
Primeiro a nota para o Campeão. A Espanha foi de facto, e indiscutivelmente, a melhor equipa do Euro. As individualidades, já se sabia, eram óptimas e se é verdade que não partilho do exagero (previsível e habitual nestas alturas) de fazer desta uma equipa perfeita do ponto de vista colectivo, creio que teve alguns méritos importantes, também nesse plano. A saber:

- Primeiro, foi uma equipa que assumiu sempre a sua característica, a qualidade da posse de bola. Aqui o destaque vai para a opção por Iniesta e David Silva. Aragonês poderia ter ido buscar 2 extremos de faixa que “encaixassem melhor” no seu 4-4-2 clássico. Assim perdeu largura, mas reforçou uma qualidade genuína da sua equipa que ninguém conseguiu parar.

- Igualmente importante foi a segurança e pragmatismo espanhol no plano defensivo. A transição defensiva é fundamental neste tipo de provas onde um golo faz toda a diferença. Senna e os laterais, pouco aventureiros, garantiram um equilíbrio permanente. Por aqui se começa a explicar o notável registo defensivo.

Creio, no entanto, e esta foi uma critica que fiz no inicio, que o 4-4-2 clássico não era o esqueleto ideal para esta Espanha. Aliás, penso que a lesão de Villa acabou por ser positiva em termos tácticos para a selecção espanhola. Dito isto, não espanta a minha conclusão de que Aragonês, apesar dos méritos que referi (e há ainda um outro que tem a ver com a liderança, mas que não vou abordar aqui), não foi um treinador particularmente brilhante ao nível da visão que demonstrou na estratégia antes e durante os jogos (particularmente pelas suas substituições quase mecânicas).

A Final

O inicio
Confirmado o confronto de 4-5-1 e a ausência de novidades ao nível de individualidades, restava confirmar a postura estratégica, particularmente da Alemanha, já que a superioridade do jogo espanhol e a própria falta de apetência de Aragonês para estas adaptações estratégicas colocavam praticamente de parte alguma coisa específica da Espanha para a final. Os primeiros minutos – e este período durou 15 minutos – mostraram uma Alemanha muito consciente daquilo que tinha de fazer no jogo. Particularmente no que respeita ao posicionamento em relação à primeira fase de pressão espanhola (onde os russos haviam falhado). Com Klose muito próximo da linha média, a Alemanha impediu dificultou muito a vida ao primeiro passe espanhol, forçando muitas vezes a serem os centrais os protagonistas desse momento (outra evidência desta preocupação alemã com a primeira fase de construção espanhola, foi o facto de terem obrigado Casillas a bater bolas longas). Neste período chegou mesmo a dar a ideia de que poderíamos assistir a uma surpresa, com a Alemanha a montar uma teia ao jogo espanhol, mas a verdade é que os alemães acabariam por, rapidamente, evidenciar as suas limitações. A falta de qualidade técnica alemã começou a vir ao de cima e as perdas em posse foram transformadas em oportunidades para o meio campo espanhol pegar, finalmente, no jogo em posições mais adiantadas no terreno. A partir daqui, a Espanha conseguiu o domínio definitivo do jogo e, pode dizer-se, terá colocado a sua primeira mão na ambicionada Taça.

O golo
A vantagem chegaria, curiosamente, numa jogada em construção numa das primeiras vezes em que a Alemanha perdeu controlo sobre Senna e, seguramente, na primeira vez em que o seu meio campo permitiu a invasão do seu espaço entre linhas. Um erro posicional que é recorrente nos alemães e que tinha identificado no jogo com a Turquia, a definição de uma só linha de médios, possibilitou que um só passe retirasse todo o meio campo germânico da jogada. A bola chegou a Xavi que fez mais um passe de rotura. Metzelder colocou-se mal, Torres teve mérito, mas o que fez Lahm é imperdoável, perdeu um lance depois de ter ganho a posição. Depois das debilidades técnicas terem entregue o domínio do jogo aos espanhóis, outra reconhecida debilidade alemã deu-lhes vantagem no jogo: as fragilidades defensivas (neste caso, primeiro em termos colectivos, depois em termos individuais).

O resto do jogo
Francamente, da maneira como vejo a história do jogo muito do que há para dizer termina no golo de Torres. A partir desse momento a Espanha passou a ter todas as vantagens na partida, jogando com os erros de um adversário que era obrigado a arriscar e tendo o acréscimo de confiança fundamental num jogo de tanta pressão. Esta ideia está reflectida na forma como a sua superioridade ficou mais patente a partir do 1-0. Convém, no entanto, mencionar aquele pequeno período de algum fulgor germânico após a entrada de Kuranyi e o restabelecimento do 4-4-2 com que a Alemanha havia debutado o Euro. Na minha perspectiva, esse período deveu-se mais a um crescendo emocional, sustentado por alguns desequilíbrios que partiram sempre de bolas divididas ganhas a meio campo, do que a um desequilíbrio táctico provocado pela alteração de Low – aliás, pelo contrário, o 4-4-2 dava mais poder ao meio campo espanhol. Neste aspecto, discordo ainda com a ideia do brilhantismo atribuído à visão de Aragonês nas substituições. De facto, justificava-se a entrada de Xabi Alonso, mas tendo visto os jogos anteriores da Espanha, diria que as substituições ter-se-iam feito mesmo que Low não tivesse mudado nada.

Desinspiração alemã
Nesta vitória de superioridade espanhola, há que referir um pormenor importante. É que ninguém esperaria que os alemães se destacassem pelo domínio do jogo. Antes pelo contrário, exigia-se que a Alemanha tirasse de novo partido da sua eficácia ofensiva e, em particular, dos lances de bola parada. A verdade, no entanto, é que ao contrário do que aconteceu em praticamente toda a competição, Ballack, Klose, Podolski e Schweinsteiger revelaram-se desastrados nos momentos decisivos. Na área nunca foram incisivos como é costume e, nas bolas paradas, assistimos a uma sucessão de livres e cantos todos apontados de forma deficiente. É impossível deixar de lembrar o contraste com a inspiração revelada frente a Portugal... Assim teria sido bem mais fácil!

Individualidades
Individualmente, podia destacar praticamente toda a equipa espanhola (pelo menos pelo que aconteceu a partir do tal quarto de hora inicial). Casillas imaculado, a defesa sempre concentrada – nota para a coordenação no fora de jogo – e o meio campo à altura da qualidade que se reconhece. O meu destaque vai, ainda assim, para Torres. Sozinho na frente foi decisivo e incansável. Xavi também poderia ser a escolha, mas esta será para sempre a final de Fernando Torres.

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28.6.08

5 questões para a final:

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Sistema táctico: Confronto de 4-5-1?
Depois de um Euro iniciado em 4-4-2 pelas 2 formações, tudo aponta para que possamos ter um confronto de 4-5-1. No caso da Alemanha a alteração surgiu por motivos estratégicos frente a Portugal, tendo-se mantido frente à Turquia. Como a Espanha também deverá jogar com 5 homens no meio campo, prevê-se que Low não altere esta opção. Ainda assim, diria que, entre Aragonês e o seleccionador alemão é mais provável assistirmos a uma surpresa no esquema germânico, sendo Aragonês mais conhecido pela continuidade nas suas opções (aliás, isso tem-se visto até na forma “mecânica” como faz as substituições). Nota, no entanto, para realçar as diferenças entre os dois esquemas: (1) 4-1-4-1 pela Espanha e 4-2-3-1 na Alemanha. (2) a dinâmica dos extremos torna bem diferentes os esquemas quando em acção. Na Alemanha 2 jogadores abertos nas alas (Podolski e Schweinsteiger). Na Espanha, Iniesta e David Silva não escondem a tendência para oferecer apoios na zona central, tornando o jogo espanhol muito menos lateralizado.

Pontos fortes: Organização ou Transição?
Se olharmos aos pontos fortes das equipas nos 4 momentos de jogo (excluindo, portanto, as bolas paradas), dir-se-ia, sem qualquer dúvida, que há um contraste entre as duas equipas. Na Espanha, a força está na qualidade da organização ofensiva, particularmente no seu primeiro momento. Na Alemanha, a velocidade e clarividência com que sai em transição ofensiva é a principal arma. A primeira conclusão é que este confronto de características deverão resultar num jogo de maior domínio espanhol, mas com a Alemanha declaradamente a procurar ser mais perigosa, mesmo com menos ataques. Se me perguntassem quem leva vantagem, teoricamente diria que quem joga em transição, sabendo fazê-lo, pode tirar mais dividendos porque usufrui de mais espaço. Mas, neste caso, a questão não é tão simples... Para poder ser forte na exploração numa estratégia de transição, a Alemanha tem necessariamente de conseguir, primeiro, ser eficaz em organização defensiva e é aqui reside o problema. As debilidades dos alemães são evidentes em termos defensivos e essa tendência poderá ser potenciada pela grande qualidade da posse de bola espanhola. Aqui será fundamental a adaptação ao jogo de apoios espanhol na zona central. Se os alemães adiantarem a sua linha média na ansia de pressionar, se voltarem a cometer o erro de não criar várias linhas com o posicionamento dos seus médios, então, os espanhóis podem mesmo começar a preparar-se para a festa.

Opção: Com ou sem Frings?
Claramente é o melhor médio defensivo dos alemães. Pela qualidade de passe e pela capacidade de luta que oferece ao meio campo. Low abdicou dele nos 2 últimos jogos por motivos não muito claros, mas na final duvido que o volte a fazer – até porque jogou 45 minutos contra a Turquia. Esta é, de resto, a grande dúvida para os onzes, caso, naturalmente, não haja uma surpresa estratégica de um dos treinadores.

Estratégia: Como defender Lahm?
É um jogador que, invariavelmente, tem merecido motivos de preocupação pelos treinadores adversários. Por exemplo, Portugal colocou Simão declaradamente sobre a direita, para tapar as suas subidas. De facto, a Alemanha tem uma forma bastante assimétrica de atacar, quer pela características dos laterais, quer dos próprios extremos – a bola entra quase sempre na esquerda na construção. Se é certo que vamos ver Sérgio Ramos regressar às exibições mais discretas do ponto de vista ofensivo, com a presença de Podolski no seu flanco, será que vamos também ter um ala mais fixo do que é habitual na Selecção espanhola? Parece-me que Aragonês não o fará, mas essa pode ser uma vantagem no momento da transição alemã, com os movimentos interiores dos alas a impossibilitarem um apoio imediato a Ramos. Uma nota, muitas vezes a tendência ofensiva dos laterais é aproveitada para fixar um extremo sobre esse flanco que não defende, podendo depois aproveitar o espaço em transição. No caso da Espanha essa opção não se põe, claramente.

Bolas Paradas: Quem vai ser vigiado individualmente?
Não é surpresa se disser que da eficácia defensiva neste tipo de lances depende muito do sucesso espanhol. A vantagem de alturas deverá ser ainda maior do que no confronto contra Portugal, mas duvido que os espanhóis (ou qualquer equipa) se revelem tão desconcentrados neste particular quanto os portugueses naquele jogo de Basiléia. Outra curiosidade desta final é o facto de Espanha e Alemanha serem das 4 equipas que neste Europeu defendem zonalmente nos cantos. Mas há aqui uma nota... A Espanha vem acrescentando a essa organização zonal uma marcação individual a 2 jogadores específicos do adversário, normalmente por Sérgio Ramos e Fernando Torres. Esta é uma opção, na minha opinião, inteligente dada a baixa estatura dos espanhóis (ao contrário do que tem sido dito esta característica é desfavorável à aplicação do método zona por poder ser potenciado um confronto directo entre jogadores de estaturas excessivamente dispares). Frente à Itália foram Toni e Panucci os elementos vigiados individualmente e frente aos russos, Pavlyuchenko e Ignashevich. O problema é que, no caso da Alemanha, torna-se difícil escolher 2 entre tantas “torres”...

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27.6.08

Espanha: A confirmação do favoritismo!

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O mediatismo da evolução russa no Euro quase fez esquecer que há apenas 2 semanas estas mesmas equipas haviam protagonizado um dos resultados mais desequilibrados da competição. Esta foi por isso uma segunda oportunidade que a Rússia não soube superar frente ao mesmo adversário. Na verdade, os lapsos russos não foram bem os mesmos mas, no final, veio ao de cima, tal como nesse primeiro encontro, a maior qualidade das individualidades espanholas, particularmente numa primeira fase de construção que, pode dizer-se, foi a besta negra das aspirações russas no Euro 2008.

No primeiro jogo da fase de grupos, a Rússia lançou-se de forma tão determinada como descompensada nas suas acções ofensivas. O resultado, foi a exposição dos seus elementos mais recuados que, com erros individuais, não conseguiram remediar (e digo remediar porque não houve nesse jogo uma prevenção colectiva para o equilíbrio no momento da transição defensiva) as transições espanholas. Desta vez, e tal como contra a Holanda, houve uma postura mais comedida no adiantamento das unidades russas quando em posse de bola. O jogo ficou por isso menos propenso a transições, quer de um lado quer do outro (os espanhóis deixam sempre 4 a 5 jogadores atrás da linha da bola no momento da perda) e, consequentemente, definido pelos momentos de organização ofensiva e defensiva. Foi precisamente aqui que os espanhóis ganharam, desde cedo, ascendente no jogo.

O pressing russo: O erro de Hiddink
Não há dúvida dos méritos de Hiddink na composição desta formação russa, mas não me parece que tenha sido uma formação isenta de erros estratégicos esta Rússia. Contra a Espanha, houve uma reprodução da postura posicional do bloco russo, em organização defensiva, em relação ao jogo com a Holanda. Ou seja, o pressing era sobretudo feito pelo quarteto de meio campo. Arshavin e, sobretudo, Pavlyuchenko permaneceram com uma atitude muito passiva e nada perturbadora para a saída de bola adversária. Se perante a Holanda, devido à pouca mobilidade do seu duplo pivot e incapacidade ofensiva de Boulahrouz, a acção dos 4 de meio campo foi mais do que suficiente, frente à incomparável maior qualidade espanhola nesse momento do jogo deveria ter havido outra precaução. Sem Pavlyuchenko e com muito pouco Arshavin a pressionar, facilmente a construção espanhola fazia da posse de bola um engodo para o pressing russo que subia as suas linhas, sendo incapaz de cortar as linhas de passe e abrindo espaços na sua zona entre linhas. Esta tendência ainda foi suavizada enquanto se manteve o 4-4-2 espanhol, mas com a saída de Villa e entrada de Fabregas, tornou-se depressa evidente que o desnorte do pressing russo – sempre em inferioridade numérica na zona intermediária – acabaria por ter consequências drásticas para a formação russa. Hiddink não rectificou, o duo da frente não alterou o seu comportamento e a Espanha chegou a uma vantagem que conduziu o jogo para uma espécie de reedição da segunda parte do primeiro confronto. O resultado foi o mesmo, um passeio espanhol, desta vez com a final como destino.

Coincidências tácticas para a final
Para a final a Espanha parte como favorita, mas deverá ter na Alemanha uma oposição bem diferente desta Rússia. Curioso que chegam à final duas formações que foram trabalhadas no 4-4-2 clássico (o sistema, claramente, da moda neste Euro), mas que provavelmente se apresentarão em 4-5-1 nesse embate final. Outra curiosidade, particularmente debatida em Portugal (e com pouco rigor, em minha opinião), é o facto de 2 das 4 equipas que marcam zonalmente nas bolas paradas atingirem a final. Aqui, mais um detalhe: A Espanha, uma equipa baixa tal como Portugal, marca à zona mas tem definido acompanhamentos individuais aos jogadores mais perigosos do adversário (normalmente 2). Não será por acaso...

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26.6.08

Alemanha: o finalista do costume

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Aí está, sem surpresas, o primeiro finalista do Euro. Olhando para o sorteio e para a sequência de jogos, era previsível que entre Alemanha, Portugal e Croácia saísse 1 finalista. A primeira fase confirmou esta ideia e se não era a equipa mais forte do ponto de vista na maioria dos aspectos do jogo, a Alemanha fez valer a competência com que joga nas zonas decisivas do campo para garantir o passaporte para mais uma final da sua história – mais uma vez fica a sensação de este ser já um feito além das potencialidades da equipa germânica, mas essa é, como já aqui recordei, a história do futebol alemão.

No que respeita ao jogo, tendo em conta que os jogadores eram quase na sua totalidade originários dos campeonatos turco e alemão, não surpreendeu. Muito ritmo, golos, mas muitos erros quer individuais, quer colectivos. De resto, a única surpresa deste jogo esteve na postura da Alemanha. A forma desconcentrada e pouco reactiva como os seus jogadores entraram no jogo são, na minha opinião, a principal justificação para as dificuldades que a Mannschaft teve para confirmar a sua presença na final. Do lado turco, as limitações que Terim tinha para constituir a equipa não afectaram em nada a estratégia. Ou seja, a Turquia voltou a ser uma equipa montada em 4-1-4-1, que pressionou a partir de onde os alemães permitiam, sem definir uma zona de pressão mais “calculista” mesmo quando se apanhou a ganhar. Outro aspecto importante para o domínio turco nos primeiros minutos foi o aproveitamento do mau posicionamento do meio campo alemão. Claramente pouco habituados a jogar com 3 homens na zona central, os alemães cometeram frequentemente o erro de alinhar posicionalmente os seus jogadores do “miolo”, o que facilitava a tarefa turca, podendo com um só passe vertical ultrapassar todo o meio campo adversário, o que aconteceu por algumas vezes nos primeiros minutos.

Ainda assim, e apesar de toda esta sobranceria alemã, foi desde cedo notório que do lado turco existia uma espécie de inconsciência para o perigo que representava a exposição às transições germânicas. Foi assim, em transição, que os alemães empataram e também assim que poderiam ter marcado de novo, com a Turquia não só a acumular alguns erros proibitivos em posse de bola, como a expor-se em demasia quando tinha a bola. Esta tendência turca para o descalabro defensivo pareceu-me sempre mais relevante do que a exibição desinspirada dos alemães, mesmo quando o jogo baixou o seu ritmo no segundo tempo. Foram precisamente estas fragilidades turcas que ditaram lei na etapa decisiva da partida. Os alemães podem ser frágeis defensivamente, mas na hora de aproveitar o erro do adversário, tal como contra Portugal, são mortais e isso, goste-se ou não, vale uma presença na final, mesmo não havendo superioridade noutros capítulos do jogo.

Com um sistema e protagonistas diferentes, é curioso verificar que as qualidades e defeitos desta equipa alemã se mantêm as mesmas desde o primeiro jogo. Grande capacidade para sair em transição, com notáveis e rapidíssimas trocas de passe sempre em progressão e uma enorme força na zona de finalização onde muito facilmente tira partido de qualquer erro que possa existir. Por outro lado, dificuldades defensivas, não só pela debilidade individual de alguns dos seus jogadores como por algumas deficiências na forma como se organiza defensivamente. Ainda assim, deixo a nota: será considerada teoricamente mais fraca à partida para final (seja contra a Rússia ou Espanha), mas não se enganem, o nível de concentração vai ser muito maior do que o que se viu com a Turquia e, mais uma vez, se o adversário facilitar no que quer que seja, eles lá estarão para aproveitar!

Quanto às individualidades, destaco do lado turco e mais uma vez Hamit Altintop. Foi um dos melhores médios do Euro, sempre com dinâmica e qualidade nas suas acções desde o inicio da competição. Do lado alemão, Frings é claramente melhor do que Rolfes ou Hitzlsperger e dúvido que seja suplente na final. Podolski voltou a ser determinante, tal como Schweinsteiger (nota para a semelhança entre os movimentos que antecederam os seus golos frente à Turquia e Portugal), mas há um nome que quero destacar em especial: Miroslav Klose. É um avançado que aprecio particularmente pela forma inteligente como joga. A única coisa que me espanta é como é que não marcou mais golos na fase inicial da competição...

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