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28.7.11

Reforços 2011/12: Danilo (Porto)

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Perfil evolutivo - Danilo revelou-se no América Mineiro em 2009, jogando na Série B de 2010, onde deu nas vistas e se transferiu para o Santos. Este, talvez seja o primeiro ponto a reflectir sobre a evolução do jogador: este mesmo jogador (sublinho "mesmo") foi contratado há cerca de 1 ano por um valor cerca de 10x inferior ao que agora ditou a sua viagem para Portugal. A partir da sua chegada ao Santos, nada de estranhar em relação ao estatuto que entretanto assumiu. Não só o Santos é um dos "grandes" do futebol brasileiro, como fez coincidir com a passagem de Danilo uma das mais bem sucedidas páginas da sua História (sobretudo pós-Pelé). Danilo, sendo jovem e assumindo um papel, não só preponderante, mas decisivo, tornou-se num alvo evidente para meio mundo. Sem surpresa, portanto.

Perfil táctico/técnico - Trata-se de um jogador alto e longilíneo, de passada larga, que apenas analisei como médio interior direito, mas que pode também actuar como lateral. Tacticamente, é um jogador que pensa o jogo primariamente pelo lado defensivo. Isto é, no critério em posse privilegia a segurança, e mantém sempre uma grande concentração táctica, quer no que respeita aos equilíbrios, quer no que respeita às compensações. Depois, ofensivamente, a sua maior virtude passa pelos movimentos de rotura, especialmente sem bola, aparecendo bem de trás em zona de finalização. Fez alguns golos decisivos na Libertadores, através de remates exteriores, mas essa não é uma situação que pareça ser-lhe muito habitual.

Em termos de capacidade em posse, já foi feito o destaque em relação ao critério. De resto, e apesar de revelar boa qualidade de definição em diversos detalhes, não pareceu muito vocacionado para uma abordagem criativa ao jogo, nem, tão pouco, pareceu imune ao erro em posse, apesar da tal segurança no critério, já referenciada.

Por fim, sublinhar o potencial que representa um jogador deste tipo para os momentos de transição. Pela velocidade de recuperação e pela facilidade com que integra os movimentos ofensivos, mesmo a partir de posições mais recuadas.

Futuro no Porto - Antes de mais, convém lembrar que estamos a tratar de um jogador de apenas 20 anos. Ou seja, tem muito tempo para evoluir, e Danilo, sendo já um óptimo valor, tem condições para chegar ainda mais longe. O segundo ponto vai para realçar a importância de se clarificar em que posição jogará preferencialmente. Pessoalmente, e olhando para o 4-3-3 actual, parece-me que a posição de "pivot" lhe pode assentar bem. Porque não parece ter vocação criativa para uma posição mais ofensiva, e porque, de facto, tem um perfil de decisão mais próximo do que se espera de um "pivot", quer ao nível do critério, quer ao nível dos comportamentos defensivos. Dentro desta hipótese, Danilo poderá, aliás, garantir uma característica apresentada por Fernando e que não é muito comum nos jogadores desta posição: a reactividade/velocidade de recuperação.

Por outro lado, e olhando para as soluções de hoje no plantel portista (Danilo só deverá chegar em Janeiro, pelo que algo poderá mudar), não parece nada fácil entrar nas contas principais do treinador, sobretudo como médio mais ofensivo. Não está muito claro quando e onde, mas Danilo parece estar destinado a um papel relevante no futuro.

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26.7.11

Reforços 2011/12: Alex Sandro (Porto) (Parte II - Vídeo)

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Como complemento da análise, deixo o vídeo com o detalhe das acções de Alex Sandro no jogo que o Santos venceu o Avai por 2-1, no Brasileirão 2010.

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Reforços 2011/12: Alex Sandro (Porto) (Parte I)

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Perfil evolutivo - Apesar de jovem, Alex Sandro não é originário do clube de onde chega para o Porto. A sua aparição no plano principal aconteceu no Brasileirão de 2009, incluído numa série de jovens que emergiram na equipa principal do Atlético Paranaense, seu clube de formação e uma das mais reputadas escolas do futebol brasileiro (o seu centro de treino foi considerado o melhor do país num estudo recente). A sua transferência para o Santos deu-se em 2010, passando a ser figura presente mas sem conseguir nunca o estatuto de "titular", numa corrida que foi travando com o ex-benfiquista (e muito mais experiente) Léo. Neste sentido, e mesmo reconhecendo-se o potencial do jogador, uma transferência deste nível (e por estes valores) não pode deixar de constituir alguma surpresa. Seja como for, Alex Sandro tem ainda um último palco para se valorizar, antes de encarar o desafio do Dragão: o mundial sub 20.

Perfil táctico/técnico - Começando pelo motivo que justifica tanto interesse pelo jogador: Alex Sandro tem uma notável capacidade para se impor ao longo do seu corredor. Agressividade, potência, velocidade e antecipação. Tudo características que estão pouco na moda na generalidade das prosas sobre o jogo mas que, goste-se ou não, constituem o grande dominador comum dos principais laterais, tanto no futebol português, como no futebol mundial na actualidade. E quem quiser realmente olhar para o que fazem os laterais de hoje perceberá facilmente porquê. Não só estas características ajudam a garantir explosão e profundidade no corredor, como, mais importante ainda, auxiliam num papel decisivo dos laterais modernos: a transição ataque-defesa. Mais do que travar duelos de 1x1 perante os extremos contrários, os laterais de hoje têm, defensivamente, o papel de matar ou congelar a transição adversária, sempre que esta ameaça libertar-se no seu corredor. Coentrão, Fucile, Alvaro Pereira, Maxi e João Pereira foram, no passado recente, os laterais mais fortes do futebol português (alguns deles do mundo), e todos eles partilham de uma grande capacidade interventiva, sobretudo em transição, sobretudo em antecipação. Alex Sandro tem esta facilidade, e é bom que a tenha, porque dificilmente alguma vez poderia sonhar em justificar o dinheiro que nele foi investido, se não a tivesse.

A má notícia sobre Alex Sandro, é que não há muitos mais elogios a fazer-lhe para além da dinâmica e capacidade interventiva que consegue manter no seu corredor. Em posse residirá o seu principal problema, errando demasiado e, sobretudo, denotando pouco rigor no critério que escolhe em muitas intervenções. É um "isco" facilmente identificável para atrair um erro na saída de bola, e isso facilmente se verá se não houver uma evolução clara do jogador neste plano. Depois, em termos posicionais, Alex Sandro tem natural apetência para defender alto e de forma pouco criteriosa ao longo do corredor, procurando sempre a oportunidade de antecipar, e privilegiando em demasia a referência "homem" e muito pouco a manutenção do espaço e equilíbrio posicional com o central mais próximo. Finalmente, dentro da área também não parece ser muito confortável na resposta a cruzamentos, quando se junta aos centrais (este é um dado que, no entanto, não tenho completamente confirmado).

Futuro no Porto - A minha avaliação vai, claramente, para uma necessidade de evolução e maturação do jogador em diversos aspectos. Mas, como expliquei, Alex Sandro tem as características necessárias para poder partir para uma evolução positiva. Por outro lado, no Porto terá tudo para poder fazer este trajecto, pelo que muito dependerá da capacidade de aprendizagem do próprio jogador. A questão do critério em posse será o aspecto mais difícil de trabalhar e fazer evoluir, já que o posicionamento táctico é menos intrínseco e mais facilmente corrigido através do treino. Uma vantagem que Alex Sandro poderá contar tem a ver com o perfil, já que, mantendo-se Álvaro Pereira, é previsível que o modelo da equipa se prepare para um lateral mais interventivo e dinâmico ao longo do corredor, ajustando-se precisamente ás suas características. Este problema, da discrepância entre os perfis de Alvaro Pereira e as restantes alternativas para o lugar (Rafa e, sobretudo, Sereno) foi notório no ano anterior, aquando da indisponibilidade do uruguaio. Se, pelo contrário, Alvaro sair, então poderá estar colocada maior pressão sobre os ombros do jovem brasileiro, ficando a sua afirmação muito mais dependente de uma adaptação rápida às novas exigências. O ideal seria uma integração progressiva, sem o fardo de ter assumir a titularidade no imediato.

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25.7.11

Reforços 2011/12: Iturbe (Porto)

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Iturbe acusa o habitual conflito da euforia anónima, e prudência assumida. Ou seja, um dia alguém, não se sabe nunca exactamente "quem", lhe colocou o pesado fardo de "novo Messi". Todos o comparam com Messi, mas sempre que alguém com mais responsabilidade é confrontado publicamente com a comparação, rejeita-a imediatamente. Um contra senso ou, simplesmente, o receio público de alguém se "atravessar" com certo tipo de considerações.

Não há que ter medo de o dizer: o rótulo "novo Messi" cabe-lhe, e cabe-lhe muito bem. Não quer isto dizer que Iturbe vá contar com duas bolas de ouro aos 23 anos, mas quer dizer que tem, realmente, um perfil semelhante ao astro do Barcelona. Repare-se: é baixo, mesmo pequeno, e tem na condução em velocidade a sua principal arma, progredindo com rápidos e sucessivos toques curtos, quase sempre com o seu pé esquerdo, que tornam a sua direcção continuamente imprevisível para quem defende. A esta capacidade de drible, junta uma boa definição, sempre com o pé esquerdo, seja para finalizar ou cruzar.

Ora digam, se este não pode ser apelidado de "novo Messi", quem poderá?


Se, em termos morfológicos, Iturbe "é" Messi, arriscaria que, em termos de desenvolvimento, Iturbe seria mais fielmente catalogado de "Neymar argentino". Porque partilha com o prodígio brasileiro o estatuto de maior promessa do seu país e porque, tal como Neymar, tem ainda um percurso a percorrer. Neymar talvez tenha algumas vantagens sobre Iturbe, mas o paraguaio-argentino tem, pelo menos, duas mais valias para quem o acabou de contratar: não lhe puseram o "rei na barriga", fazendo-o crer que é, já, um dos melhores do mundo, e não custou a exorbitância que custará Neymar a quem o conseguir levar.

Realmente, Iturbe tem mais valias raras que poderão ser transformadas em vantagens enormes para a equipa que o incluir. Para já, e assim que chegar ao Porto, é fundamental que percorra um caminho de adaptação futebolística que tem sobretudo a ver com a forma deve encarar o jogo e o seu papel no mesmo. Fundamentalmente, um novo paradigma. Até aqui, a poesia do futebol sul americano tinha como única expectativa os seus desequilíbrios, exigindo-os a cada posse de bola. Agora, na Europa, os desequilíbrios serão apenas uma parte do todo, um truque que todos sabem que tem na manga, mas que lhe passam a exigir que o saiba utilizar apenas nos momentos certos e não a toda a hora.

Iturbe, tudo indica, passará por um processo de integração semelhante ao de James na última época. Porém, e mesmo se a velocidade de afirmação de James será difícil de repetir, o potencial de Iturbe é, se considerarmos os cenários mais optimistas, substancialmente superior. A concorrência dificilmente poderia ser mais apertada e há alguns riscos neste processo, mas não é de todo improvável que Iturbe possa começar a deixar a sua marca já este ano. É essa a minha aposta...

(Destoando das análises que anteriormente elaborei, não posso sustentar a minha opinião sobre Iturbe numa base que considere minimamente sólida para avançar com projecções muito exactas. Seja como for, foi-me possível observar Iturbe em mais de uma centena de minutos, que serviram de base para estas projecções e considerações pessoais...)
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6.1.11

O exemplo de Shinji Kagawa

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Este pequeno nipónico leva já 8 golos na Bundesliga deste ano. Mas porque me merece destaque? Bom, é um jogador interessante e também posso falar disso, mas o que torna, nesta altura, Shinji Kagawa num caso praticamente único à escala mundial é a sua valorização em apenas 6 meses. É que se meio mundo começa a colocar os olhos neste asiático de 21 anos, ele chegou para o Dortmund por apenas... 350 mil €. Um caso que dá – e deve dar – que pensar.

Quem é Shinji Kagawa?
Começando por enquadrá-lo tacticamente: o Dortmund – que dominou por completo a primeira metade da principal competição alemã – joga num 4-2-3-1, em tudo semelhante àquele que viramos da Alemanha, no Mundial. Ora, Kagawa está para o Dortmund, um pouco como Ozil estava para essa equipa. Tacticamente, isto é, porque a sua natureza é um pouco diferente. Jogador ligeiro e inteligente na forma como se movimenta no último terço, parece conseguir passar pelos intervalos da chuva e com poucos mais importantes toques, acaba por ser um elemento muito presente nos desequilíbrios que a equipa cria. Defensivamente também é importante porque, ao contrário de muitos jogadores que actuam naquele espaço, percebe bem a relevância da capacidade de trabalho, acabando por ser um fonte de intercepções e recuperações em zonas bastante perigosas.

O exemplo dos 350 mil €.
O caso de Kagawa é claro porque nem sequer houve tempo para evoluções ou afirmações. Kagawa é um jogador promissor e que tem, já, futebol suficiente para jogar na maioria das equipas do futebol mundial. Para mais, é uma lança fundamental no merchandising asiático.

O ponto nisto tudo é que, em tempo de vacas cada vez mais magras, há margem para os mais audazes. Ou seja, para aqueles que mais capacidade de antecipação têm na observação de jogadores.

Ter “olho” também é uma parte do “core business” das equipas profissionais. Se calhar, até a mais importante.

O sofisma
Para terminar, um alerta. É frequente – especialmente no futebol – transformar-se a lógica em sofismas. Má formação ou má compreensão, seja lá pelo que for.

O ponto aqui é que não é por um jogador ser novo e barato que vale a pena. Pelo contrário, se for novo e barato, o mais provável é que não valha. Pode parecer confuso, mas é simples: é preciso ver o que os outros não viram e isso não é nada fácil.



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4.1.11

Sálvio & Gaitan: 2 casos

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Dois casos semelhantes em muitas coisas, mas também distintos noutras. Dois casos que, para o Benfica, devem representar muita esperança para o futuro, porque, tanto ao nível da qualidade como da velocidade de afirmação, os indícios são bastante bons. Dois casos que conheço bem, mesmo antes de Portugal ser, sequer, um destino provável, e que, por isso, tenho especial interesse em acompanhar. Dois casos de que discordo de muitas opiniões, entretanto generalizadas. Aqui fica a minha opinião sobre alguns pontos...

Posição: Extremos, ou não?
Sálvio – Na Argentina jogava, ora como ala direito, ora como avançado, sempre (ou quase) em 4-4-2 clássico. No Benfica, o papel prevê-lhe a missão de ala interior, mas Sálvio será sempre menos interior e mais ala. Na verdade, creio que a sua posição ideal é de falso extremo, jogando por fora, na linha, quando a bola está do seu lado, mas aparecendo como segundo avançado quando a bola está no outro flanco. É que a área é também um “habitat” onde se dá muito bem. Ou seja, Sálvio pode jogar como ala no modelo de Jesus, mas será sempre um ala muito mais próximo dos avançados do que aquilo que está previsto no papel, e isso tem de ser considerado.

Gaitan – Vou-me repetir, mas a coisa mais fantástica nas apreciações feitas a Gaitan é a conclusão sobre a sua “posição ideal”. Nomeadamente, porque 90% das pessoas que afirmam ser um jogador de posições interiores só o viram jogar no Benfica, onde, por sinal, só jogou nas alas. A verdade é que é mesmo um ala, e até quando, na Argentina, jogava como avançado móvel, era sempre nas alas que aparecia. De qualquer modo, Gaitan está bem onde está, especialmente forte na esquerda por causa do seu cruzamento, e sem a necessidade de jogar demasiado perto dos avançados, onde não tem espaço para o seu futebol de transporte de bola e drible largo. Tem que evoluir em alguns pontos, mas está bem onde está.

Defender: problema ou mito?
Sálvio – O jogador argentino tem uma vantagem: a capacidade de trabalho. Não é uma regra de ouro, aplicável a todos, mas é uma característica do futebolista das “Pampas”, que lhe confere uma vantagem em relação a outras escolas. Sálvio não é excepção. A sua capacidade de trabalho é inatacável: é agressivo, disciplinado e culto o suficiente para defender correctamente ao longo do corredor. O número de intercepções que consegue por jogo é bastante elevado para a posição que ocupa e isso confirma precisamente a ideia da sua utilidade nos momentos sem bola.

Gaitan – Não é tão agressivo como Sálvio, nem tem a mesma potência física, mas partilha com o seu compatriota da sua capacidade de trabalho e da disciplina táctica. Aliás, os números de Gaitan são, tal como os de Sálvio, inequívocos: as intercepções que consegue são superiores a jogadores como César Peixoto, Aimar ou Carlos Martins. Bastante superiores. A realidade, ao contrário do que tantas vezes é dito e escrito, é que Gaitan tem uma capacidade de trabalho boa e bem acima de outros casos análogos, tanto no Benfica, como noutros clubes. A ideia que "não defende" ou que "defende mal"? Um mito!

Decisões: o fosso cultural
Sálvio – Não será um caso especialmente problemático, até porque Sálvio não se aventura muito em zonas de construção. Ainda assim, a sua vida foi passada com mais espaços, com mais momentos de transição, com mais liberdade para definir e desequilibrar em ataque rápido. No Benfica – e no futebol europeu – as coisas são diferentes: é preciso mais razão na decisão sobre o que fazer a cada posse e não há apenas que pensar na baliza mas também no que pode acontecer em caso de perda. Como disse, não é um caso problemático, porque Sálvio sabe bem onde gosta de jogar. Aliás, o principal problema de Sálvio é precisamente o facto de se envolver pouco nos momentos de construção, criando poucas soluções à dinâmica na primeira fase de circulação. Algo que normalmente é mais exigido à sua posição, dentro do modelo de Jesus.

Gaitan – Aqui sim, está o problema de Gaitan. Ou seja, apesar de, ao contrário de Sálvio, ser um jogador que gosta de vir à fase de construção dar o seu cunho pessoal, a verdade é que o seu jogo se torna muitas vezes demasiado arriscado para zonas tão baixas. Um drible ou uma combinação mais rápida em certas zonas podem tornar-se, de repente, numa ameaça para a própria equipa e isso, esta época, já aconteceu muitas – demasiadas! – vezes. Perceber o “onde” e o “quando” deve ser a sua principal preocupação em termos de evolução nos próximos tempos.

Potencial: inegável
Sálvio – Há ainda quem pense que há por aí muitos “Sálvios” de 20 anos e desate a criticar jogador e quem o contratou. O desencanto, é que não há. Não há em Portugal, na Argentina ou em praticamente lado nenhum. Ou melhor, haver, há, mas os que há são quase todos incomportáveis para o futebol português – tal como era o próprio Sálvio quando veio para a Europa. Os outros, os que são mais acessíveis, são muito mais raros e estão ainda incógnitos. É possível, mas é preciso muito “olho”. Ou seja, Sálvio é, nesta altura da sua carreira, um jogador de qualidades raras, ficando agora por definir até que ponto poderá evoluir. Uma coisa me parece clara: a experiência no Benfica está a ser muito positiva e com os níveis de confiança que actualmente demonstra, o melhor é que dele se espere continuidade ao que tem feito, com muitos golos à mistura - porque tem apetência para os marcar. Isto, claro, se a aposta se mantiver.

Gaitan – Ao contrário de Sálvio, nunca foi uma estrela de selecção nacional como “teenager”, nem tão pouco foi fácil a sua afirmação no Boca. A sua “gambeta” e qualidade de definição eram óbvias, mas o estatuto nunca foi tanto que fizesse supor os 8 milhões que o Benfica por ele pagou. Ainda assim, creio que acabará por render mais do que suficiente em termos desportivos, correspondendo quase em absoluto às expectativas que dele tinha. Faz-se a comparação com Di Maria e diz-se que com o seu tempo em Portugal Di Maria não rendia tanto. Inquestionável. Porém, há algo em Gaitan que pode limitar-lhe a ascensão a patamares ainda mais elevados: o carácter. Não é um jogador muito confiante e parece encolher-se em alguns momentos. Ou seja, tem uma qualidade óbvia, mas precisa de ser constantemente “empurrado” por quem o dirige.



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16.12.10

Suave final para a fase de grupos portista (Breves)

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- Villas Boas aproveitou a natureza do jogo para fazer algumas alterações, e não só em termos individuais. Na verdade, o CSKA é um adversário demasiado fraco para colocar à prova seja o que for. A única coisa que há para dizer é que era dispensável que o jogo se tivesse arrastado com a diferença mínima até tão perto do fim. Há uma nota que quero deixar ficar: os níveis de intensidade competitiva baixaram como ainda não havia acontecido até aqui e, para mais, Villas Boas também promoveu um nível de rotatividade inédito na temporada. Será curioso ver até que ponto a equipa recuperará a intensidade no jogo em Paços...

- Aproveito para falar de 2 jovens lançados e que, sem surpresa, mostraram potencial. Walter tem uma estrutura física que normalmente cria anticorpos entre os adeptos, mas o seu potencial é mesmo muito grande. O que o torna excepcional é a capacidade de finalização, mesmo a partir de zonas mais afastadas. Neste sentido, parece-me que se torna fundamental melhorar o seu jogo externo, porque se tiver mais jogo nas imediações da área pode tornar-se um perigo permanente. É muito diferente de Falcao, mas contem com ele. Sobre James o meu prognóstico é mais reservado, apesar do entusiasmo que tem gerado. Tem o "handicap" de ter crescido numa estrutura diferente, como ala de 4-4-2 clássico. Acho difícil que se torne num jogador de corredor central e creio que a forma melhor de o potenciar será através de posicionamentos mais abertos, que potenciem a boa definição do seu pé esquerdo - o golo que marcou, aliás, é característico. Tem tempo...

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12.12.10

Benfica em frente, Domingos e a Argentina (Breves)

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- Ganhou o Benfica, e a surpresa é apenas a facilidade com que o conseguiu. O Braga foi aquilo que não era há muito: vulgar. Não teve qualidade, não teve intensidade, nem confiança. O Benfica, dentro daquilo que chamo "qualidade natural", foi mais do que suficiente e o 2ºgolo apenas tardou tanto porque a equipa, de facto, não vive um bom momento de confiança.

- Sinais distintos, novos e distintos estavam reservados para a conferência de imprensa dos treinadores. No Benfica, e pela primeira vez, Jesus colocou o foco na confiança como problema fundamental da equipa e aspecto condicionante das vertentes técnico-tácticas. Cá estaremos para ver se o diagnóstico terá consequências, mas este não pode deixar de ser um ponto positivo na análise do treinador.

- No Braga, Domingos, tal como Jesus, vem de encontro a uma ideia que venho defendendo desde o inicio de época. O Braga não é, não pode ser e, sobretudo, não se pode assumir como um "grande", como um candidato. O momento é mau. Desportivamente, perderam-se demasiados jogadores e, sobretudo, estes perderam confiança nas suas próprias capacidades e na força da sua proposta. Nenhum jogo terá sido tão claro como este. A outro nível, as posições de treinador e presidente dão sinais de uma divergência preocupante. Será que a candidatura ao título foi uma estratégia da direcção? Será que a não renovação de Domingos, por opção, está a ser equacionada como o melhor caminho? Numa coisa continuo acreditar: Domingos é o melhor e mais valioso activo do Braga, merece um "grande", maior do que o Braga, e duvido que falhe uma vez lhe seja concedida essa oportunidade, seja lá onde for. Veremos...

- Na Argentina: "Estudiantes Campeón!" Sem surpresa, venceu na linha de meta o Velez. Os de La Plata são mais consistentes e isso foi decisivo. Desabato, o comandante. Rojo, a revelação. Braña, o trabalhador. Verón, o carimbo. Gaston Fernandez, o talento. Perez, a ligação. No Velez, porém, mora a melhor linha da frente. "Tanque" Silva (ex-Beira Mar) é um guerreiro e finalizador notável. Cristaldo, um jovem que já destaquei. A revelação, porém, está-me a encantar aos 25 anos (por onde andou?!): Juan Manuel Martinez, um avançado móvel, de estilo pouco apelativo ("burrito") mas que tem uma capacidade técnica rara, pela forma como domina e foge à marcação. Raro, muito raro. É um exagero, obviamente, mas vejam só o golo que marcou esta noite:


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9.12.10

5 Sul Americanos ligados ao Benfica

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Não costumo falar muito de reforços potenciais, daqueles que aparecem e desaparecem nas páginas dos jornais, mas vou abrir aqui um parêntesis sobre alguns nomes sul americanos que apareceram ligados ao Benfica. Entendo que a prospecção internacional dos grandes clubes tem dado sinais de maior arrojo nos últimos anos, mas, ainda assim, há coisas que me continuam a fazer alguma confusão. Alguns perfis e muitos "timings". Ainda assim, volto a fazer notar, que a solução de uma ida brusca mercado dificilmente resolverá verdadeiramente o problema do Benfica 10/11.

Elias - Já está garantido para o Atlético de Madrid. Na verdade, não posso dizer que o conhecia quando era um desconhecido, mas há muito que lhe reconheço qualidades técnicas e tácticas muito acima da média e não era preciso ter esperado pela Selecção para que fosse gerado tanto entusiasmo em seu redor. Em Julho de 2009, referi-me às suas qualidades numa análise que fiz à final da Copa do Brasil desse ano. Não seria, na altura, um alvo fácil, mas estaria, seguramente, muito menos inflacionado do que hoje...

Jucilei - Vi-o num jogo pelo J.Malucelli, pelo campeonato paranaense. Fez um jogo tremendo e marcou um grande golo. Estávamos em Março de 2009, tinha 20 anos, e fiz essa referência aqui. Agora, que joga no Corinthians e até já foi à Selecção, é capaz de ser um pouco difícil fazer um bom negócio...

José L. Fernandez - Este ala do Racing é um bom jogador, não me entendam mal, mas parece-me tão questionável que o seu nível chegue para o Benfica, que até nem acredito muito que estivesse mesmo na agenda dos encarnados. Enfim, tudo é possível, porque também já ouvi/li comentários favoráveis à sua contratação. A gente logo vê...

Enzo Perez - À parte dos brasileiros, é o jogador mais interessante. Não deve ser acessível porque é, há muito, um dos destaques da melhor equipa argentina nos últimos anos. É um ala, que pode jogar em zonas interiores ou mais aberto. É forte tecnicamente, criativo e tem também boa capacidade de trabalho. Não é um talento para ser estrela mundial, mas tem o perfil adequado para jogar como ala no modelo de Jesus.

Funes Mori
- Inclui-o na lista de 20 (na verdade foram 30) talentos do campeonato argentino, faz agora 1 ano - 6 deles vieram para Portugal meio ano depois! Na altura não era óbvio, porque tinha apenas alguns minutos na equipa principal do River. Entretanto, começou a jogar regularmente e hoje é, provavelmente, o jovem mais mediatizado do campeonato. Ou seja, não é fácil contrata-lo. É um jogador realmente interessante, um ponta de lança típico, como normalmente se imagina. Alto, boa presença aérea, bom a jogar de costas e forte nos movimentos em zona frontal. Também não admira que Jesus aprecie este jogador, porque é jovem e tem todas as características a que dá primazia para o seu '9'.

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13.11.10

O "Rivaldo colombiano" (Giovanni Moreno)

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Não é a primeira vez que o referencio, mas agora dou-lhe outro destaque, depois de o ter observado mais cautelosamente. É um talento raro pelas suas características. Fisicamente tem todas as semelhanças com Oscar Cardozo, mas, na realidade, é um criativo, canhoto e muito forte tecnicamente. Fala-se muito de jovens revelações do futebol argentino, mas o mais entusiasmante jogador do Torneo Apertura, tem 24 anos, é colombiano e, segundo consta, foi oferecido aos "grandes" portugueses no Verão (já deve custar o dobro). Chama-se Giovanni Moreno.

Já agora, nos 3 jogos que observei, destacou-se pela invulgar criatividade e capacidade de desequilíbrio, mas também pela boa % posse que teve, numa liga onde é raro vermos jogadas com mais de 5 passes. O problema de Moreno é que para vingar na Europa precisa de alguma adaptação táctica e, estranhamente, só saiu da Colombia com 24 anos. Se vai triunfar ao mais alto nível, não é certo, mas... que é "craque", isso não há dúvidas.


Jogos observados: 3
Minutos: 258
Passes Completados p/jogo: 29
% posse: 70%
Intercepções p/jogo: 10
Perdas p/jogo: 0,7
Desequilíbrios ofensivos p/jogo: 2,4
Remates p/jogo: 5,6
Assistências p/jogo: -
Golos p/jogo: 1,0
Classificação média: 7,3

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18.10.10

Notas de outras paragens (Breves)

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- Até onde pode chegar a Lazio? É uma pergunta que se coloca em Itália, face ao grande arranque da formação romana. Bom, não sei onde pode chegar a Lazio, mas sei que o seu patrão pode chegar muito longe. Falo de Hernanes. No Verão fiz uma observação que não conclui ao campeonato brasileiro e alguns jogadores. Houve 2 que se destacaram e que não tenho dúvidas têm tudo para conseguir grandes carreiras. Um é precisamente Hernanes, o outro é Sandro , entretanto transferido para o Tottenham. O problema de Sandro é que se trata sobretudo de um "pivot" e essa é uma posição pouco conhecida em Inglaterra.

- Já agora, outro talentoso médio que se eclipsou em Inglaterra é Aquilani. Parece estar de volta com o regresso a Itália. Pelo menos é o que indica o golo que marcou.

- Não é a primeira vez que o refiro, mas em Amsterdam mora uma das mais requintadas duplas de atacantes da Europa. Suarez é mais conhecido, mas no pé direito de El Hamdaoui mora mais classe que em muitas equipas inteiras. O chapéu que marcou é a imagem disso mesmo.

- Apenas o observei num jogo, pelo que não posso avançar com grandes garantias. No mínimo, porém, aconselharia a vê-lo com muita atenção e rápido. É uma espécie de Rivaldo colombiano que apareceu aos 24 anos na Argentina. Se o talento se confirmar, há muitos gabinetes de 'scouting' que se deverão perguntar porque não o trouxeram mais cedo e directamente da Colombia. Chama-se Giovanni Moreno e já joga ao lado de Falcao na sua Selecção. Ontem marcou 2 golos.

- Ronaldo foi elogiado por Paulo Bento que destacou, para além do talento, a sua capacidade de liderança. Talvez seja um pormenor sem tanta importância, e talvez esteja a retirar conclusões precipitadas. Ainda assim, é vulgar vê-lo chamar a equipa toda para celebrar os seus golos, e isso não me parece estar descontextualizado da ideia passada pelo actual seleccionador.

- De Ronaldo para Ronaldo. No Brasil, o "fenómeno" teve mais um regresso que pude acompanhar na integra. Incrível como está gordo (ainda por cima dizem que perdeu 7 quilos!!). Incrível como, ainda assim, consegue ser tão perigoso antes e depois da bola lhe chegar aos pés. Incrível como não marcou neste jogo.

- Ainda no Brasil, provavelmente o jogo da semana. Falo do clássico entre São Paulo e Santos.

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9.9.10

Sub 21: do fiasco à vigarice...

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Quando, em Novembro de 2008, esta geração se estreava no escalão sub 21 goleando a Espanha, ficou a dúvida: seria uma nova regra ou apenas a velha excepção? O valor individual, já sabia, não era o mesmo de anos anteriores, mas havia a promessa de uma “nova era”, com uma nova filosofia colectiva, e o 4-4-2 testado parecia ser um indicio disso mesmo. Não se podia esperar milagres, mas havia a ilusão de uma outra espinha dorsal para a toda a formação. Ilusão!

Quase dois anos depois, a campanha é terminada com uma dupla jornada sombria e que espelha bem o que entretanto se passou depois dessa vitória frente aos espanhóis. De todas as perspectivas desse primeiro jogo, só a ideia de um menor talento se confirmou nos 2 anos seguintes. Tudo o resto, todas as esperanças de uma “nova era”, foram reduzidas a um redondo zero. Zero! Portugal está, 2 anos depois, na mesma. Com outras caras, com menos talento, mas com a mesma mediocridade filosófica ao nível do seu conceito de jogo.

Aqui, na evidência dada ao nível dos sub-21 – abaixo disto já confessei que desconheço – completa-se o absoluto fiasco que foi o “novo projecto Queiroz”. Talvez o problema tenha sido meu, talvez tenha percebido mal no que consistia a “transversalidade” da sua influência. Aos que ainda vejo arredondar o tema só posso pedir tolerância para a minha simplicidade: talvez por perder muito tempo com isso, para mim o que conta mesmo é o que vejo no campo e, aí, o balanço é – repito, só para o caso de ainda haver dúvidas – Zero!. Nas 2 horas desse jogo com a Espanha vi mais “revolução” do que nos 2 anos seguintes, e isso faz com que hoje me sinta enganado com tudo isto. Enganado e, pior do que isso, vigarizado!


Notas individuais
De facto, estes dois jogos foram de uma pobreza enorme ao nível da qualidade colectiva. A maior curiosidade, em termos individuais, seria a de ver Bebé, mas Oceano não facilitou muito as coisas quando o utilizou como 9 durante 1 hora de jogo. Mesmo assim, deu para reforçar a ideia que já tinha. Trata-se de um jogador acima da média em termos técnicos e físicos. Acima da média, mas não excepcional. Isso faz com que só uma grande evolução ao nível da decisão o possa catapultar para níveis próximos daquilo que se exige para jogar no clube onde está. Há um longo caminho a percorrer.

O outro destaque que gostaria de fazer é João Silva. Jogou na partida mais fácil e não dá para tirar grandes conclusões ao fim de tão pouco tempo. No entanto, deixou muito boas indicações ao nível da sua capacidade de participação no jogo. Bom nos duelos físicos e com boa capacidade de antecipação e decisão. Merece revisão.

De resto, não há grandes novidades. Na leitura dos números, e para além dos aspectos com grande impacto pontual (o caso mais evidente é o golo de Bura), é importante notar que quem jogou contra a Macedónia tem a vantagem de ter jogado num jogo com menor grau de dificuldade. Isto para dizer que é perigoso fazer comparações muito lineares dos números.

No que respeita aos laterais, ambos estiveram regulares, mas nenhum me parece ter aquilo que é necessário para um grande carreira. No centro, Carriço mostrou, pela regularidade e influência, ser o elemento mais adiantado em termos de maturidade e qualidade. E não estou a falar só em relação aos centrais. De resto, gostei bem mais de André Pinto do que de Bura. No meio, André Santos cometeu erros inesperados e importantes, tornando-o numa decepção deste duplo teste. Castro foi o melhor dos médios ofensivos, embora tivesse estado longe de impressionar. Tive pena de não ver mais tempo de David Simão, que não estava a ser pior do que Castro quando saiu. Mais à frente, resta falar de Ukra. É um jogador forte tecnicamente, mas quem joga na sua posição precisa, ou de maior intensidade, ou de maior capacidade de desequilíbrio. Ukra dificilmente terá o que é preciso para ter sucesso num clube como o Porto.

Para finalizar, um comentário que mais uma vez não abona nada a favor do trabalho que vem sendo desempenhado. Há inúmeros casos de jogadores que passam a merecer maior ou menor destaque em função da importância que lhes é dada pelos clubes. O caso de Bebé é o exemplo crónico desta situação. Jogou a época toda nos campeonatos nacionais e nunca foi convocado. Foi contratado pelo United e passou a ser um indiscutível. Das duas, uma: ou o jogador era desconhecido, o que diz muito mal da prospecção que é feita. Ou, se era conhecido, o grau de confiança nas avaliações que são feitas é, no mínimo, pouco consistente.



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5.9.10

alguns vídeos do fim de semana...

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- Poucas Selecções têm tantos motivos para acreditar na sua juventude como a Bélgica. Enquanto me questiono se algum dia verei uma grande equipa nos ombros de Hazard, Lukaku e companhia, peço que se olhe para uma jogada no meio do resumo da recepção à Alemanha. O movimento de Muller, do inicio ao fim. Estaremos outra vez na África do Sul?

- Estava a ver o resumo da derrota francesa e estranhei o nome, Kislyak, o "carrasco" gaulês. Depois de confirmar, de facto, era aquele médio que me havia impressionado no Euro sub 21. Pelos golos, mas mais do que isso. Parece que continua em Minsk, mas não deve ser por falta de talento para bater na bola. Só lhe vi um jogo, não posso jurar que valha a pena, mas não deixo de estranhar que, 1 ano depois, ainda não tenha saído do seu modesto campeonato.

- Marcelo Toscano? O Paraná está a tentar encontrar substituto para o nome que entusiasma Guimarães. Anderson Aquino, um dos candidatos, apareceu e fez isto.

- Finalmente, e sem mais comentários, o susto de Mehmet Scholl!.

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30.7.10

Reforços 10/11: Walter

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Foi uma novela que durou algum tempo e que, a acreditar nas palavras do presidente do Internacional, terá envolvido algumas peripécias pelo meio, mas, finalmente, Walter, é mesmo reforço portista. A primeira vez que vi o jogador foi no 'Sudamericano' sub 20, em Janeiro de 2009 e de lá para cá tenho acompanhado com algum rigor a carreira do jogador. É um caso especialmente interessante de seguir...


Pontos fortes: remate
Para ser muito concreto, Walter é o jogador mais forte que conheço na sua idade em capacidade de remate. Tenta-o frequentemente e com os 2 pés, embora seja o direito aquele que justifica tanta tinta sobre o “bigorna”. Walter é tecnicamente dotado, que sabe movimentar-se na frente e jogar como apoio à criação, mas não é um jogador especialmente forte em termos de explosão ou velocidade, nem mesmo um temível jogador de área. Pelo menos para já. A sua virtude, e que o poderá catapultar para altos voos, é mesmo o remate. Assim que se vira para a baliza, e mesmo fora da área, é um perigo.


Pontos fracos: Intensidade
É típico nos jogadores brasileiros. A intensidade nem sempre é a mais adequada ao patamar do futebol europeu. No Porto, Walter vai ter de aprender a jogar no resto do tempo, em que a bola não está nos seus pés. As movimentações colectivas e a intensidade no pressing serão requisitos para triunfar no Dragão. Walter é jovem e se quiser aprender, seguramente que não lhe faltarão oportunidades para evoluir.

Antevisão: 8 ou 80
Não há 2 oportunidades para um primeira impressão. Diz-se e é verdade. Muitos jogadores, especialmente aqueles que precisam de evoluir, dependem muito da forma como são recebidos e da tolerância que lhes é transmitida no seu processo de afirmação. No caso de Walter, creio, será especialmente importante essa primeira impressão. Porque tem potencial, mas precisa de evoluir em vários capítulos, mas também porque Walter pode também cair na situação comum de ser mal visto pelos adeptos, muito devido à sua fisionomia “arredondada”, o que leva sempre ao aparecimento de preconceitos. Lembro-me de um caso diferente, de Pena. Marcou 2 golos na estreia e esse momento foi tão importante que o catapultou para uma época bem acima das suas modestas potencialidades. Com Walter, se o primeiro “míssil” sair bem, terá tudo para poder evoluir, caso contrário a pressão do Dragão poderá ser um obstáculo.

Por fim, convém dizer que Walter é um dos mais promissores avançados da sua geração e que provavelmente só não saiu mais cedo do Brasil porque uma lesão o afastou do último mundial sub20. Se a sua evolução for positiva e se souber moldar o seu jogo às exigências que se lhe deparam, Walter pode bem sair a curto prazo e pela porta grande do Dragão, porque, como já disse, tem alguns recursos raríssimos. O caminho é ainda longo, porém.



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27.7.10

Reforços 10/11: James Rodriguez

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Não é propriamente uma novidade, tal o tempo que já lá vai desde o seu anuncio como reforço portista. Numa sequência que estranho e lamento, porém, ainda poucos puderam ver este “puto” de dragão ao peito. James Rodriguez já fora aqui referenciado, quer na sequência da revisão que fiz do campeonato argentino, quer no destaque feito ao Banfield. O destaque colectivo da sua equipa, aliás, tornou impossível que não se olhasse para ele. Dizer que James era o melhor do Banfield é no mínimo discutível, mas era, seguramente, o único jovem a brilhar naquela equipa que dominou o futebol argentino na última metade de 2009. Aqui ficam algumas notas sobre o jogador.

Pontos fortes: pé esquerdo e capacidade de trabalho
Se procurarem por James Rodriguez no youtube seguramente que vão encontrar a essência do seu ponto forte. O pé esquerdo. James é um jogador ainda em fase de crescimento e se foi projectado como um prodígio, muito se deve a alguns momentos que o seu pé esquerdo proporcionou. Em particular, a sua finalização é notável, quer dentro, quer fora da área, e isso faz dele um provável marcador de golos, mesmo não sendo dos mais jogava perto do golo.

Outro atributo do jovem é a sua capacidade de trabalho. Normalmente espera-se de um jovem talentoso, que seja também algo displicente na forma como encara o resto do jogo. Ou seja, o tempo em que não tem a bola. No Banfield, porém, James jogava como ala esquerda num 4-4-2 clássico e muito trabalho lhe era exigido no seu flanco. Não tem uma capacidade fisíca que lhe permita ganhar muitos duelos, mas tem uma atitude perante o jogo muito positiva para a sua idade.

Pontos fracos: Craque? Ainda não...
James pode ter um perfil promissor e até ter boas condições para vir, de facto, a ser um nome forte do futebol mundial, mas, para já, ainda está longe de o ser. Para além do capítulo decisional – normal na sua idade – James não é também um jogador invulgarmente criativo. O tempo e a sua evolução ditarão o patamar que poderá atingir, mas, para já, James é apenas um miúdo que o Banfield revelou como parte de uma equipa. Um jogador capaz de momentos de inspiração que valem jogos, mas sem verdadeiro o peso de um grande craque.

Antevisão: É importante saber esperar
O risco de James está na forma como foi contratado. Investimento elevado, equipa principal e grandes expectativas. James, no entanto, dificilmente conseguirá ganhar o lugar numa equipa que tem Hulk, Rodriguez, Varela, Mariano ou mesmo Ukra. Não é isso que se lhe deve pedir, e se for isso que dele se espera, então o mais provável é que acabe mal a sua experiência no Dragão.

James tem de ter um plano de evolução, uma estratégia para o fazer compreender melhor as alterações tácticas que irá experimentar e, ao mesmo tempo, evoluir nos outros capítulos do jogo. Para isso o melhor era jogar. Ou, pelo menos, também jogar. Mas não é liquido que aconteça.

Enfim, quando olho para o perfil de James, não é difícil classifica-lo como “interessante”. O que o torna invulgar, porém, é o bilhete de identidade: apenas 19 anos! E o melhor mesmo é que não se confundam as coisas...



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20.5.10

Radosav Petrovic: o perfil do alvo do Sporting

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Radoslav Petrovic é o jogador do momento na imprensa portuguesa. Um médio de 21 anos que explodiu este ano na liga Sérvia. Para conhecer melhor de que jogador estamos a falar, proponho uma detalhada observação a 2 jogos. Precisamente os fervorosos “derbis” frente ao Estrela Vermelha. Partidas em que Petrovic saiu como herói, marcando e desequilibrando, mas que, também deixaram bem patente o tipo de jogador que é. Aqui fica o meu balanço...

O crescimento do mediatismo de Petrovic, não tenho dúvidas, tem a ver com o considerável número de golos que marcou. Petrovic tem um bom pontapé – que raramente utiliza – e uma estatura (mais de 1,90m) que lhe permite ser uma ameaça nas bolas paradas. A verdade, porém, é que Petrovic não é um provável marcador de golos. É, isso sim, um jogador posicional, inteligente e seguro nas suas abordagens (aliás como o provam os números de % de passe). Mas é também um jogador de pouca vocação criativa e com pouca velocidade de deslocamento, o que o torna pouco confortável numa função de “box-to-box”, como tem sido definido nas recentes descrições feitas na imprensa.


Em suma, as indicações de Petrovic deixam pouca margem para responsabilidades mais ofensivas. Pela sua idade, simplicidade e cultura posicional poderá evoluir positivamente como médio defensivo, mas, na hipótese do seu futuro passar pelo Sporting, terá de concorrer com Pedro Mendes e André Santos, o que não se adivinha fácil.

É por tudo isto que não se percebe totalmente qual o alcance desta aquisição. Ou seja, qual o seu enquadramento nas necessidades do plantel. Algo que teremos de aguardar para perceber. Isso e o preço, claro...



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5.5.10

Nicolas Gaitan

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Na observação que fiz no último semestre de 2009, não tive dúvidas em destacá-lo como um dos nomes mais interessantes do futebol argentino. Por isso recomendei-o aqui em Dezembro (comparando-o precisamente a Di Maria), depois de o ter retratado no Talented Football. Se me pedissem um jogador para poder substituir Di Maria, não tenho dúvidas, era ele que apontaria. É por tudo isto que a chegada de Nicolás Gaitan a Portugal desperta em mim uma satisfação e curiosidade especial.

A perfeita alternativa a Di Maria
Não foi ainda dado como adquirida a saída de Di Maria, mas é normal que o clube tente capitalizar o momento do jogador através de uma transferência milionária. Normal e, na minha opinião, recomendável.

Facilmente se percebe que este é o contexto da aquisição de Nicolás Gaitan. O agora reforço encarnado tem de facto várias semelhanças com o seu compatriota. Canhoto, destaca-se sobretudo pela velocidade com que serpenteia com a bola colada ao pé. Um desequilibrador nato.

Arriscando, diria mesmo que Gaitan terá um requinte superior ao próprio Di Maria e que, neste sentido, pode superar a não muito longo prazo aquilo que faz o camisola 20. Talvez Di Maria seja mais forte no 1x1, mas Gaitan parece-me mais adaptável a zonas interiores. Ainda assim, Gaitan tem um caminho a percorrer. No Boca joga frequentemente como avançado móvel, solto de grandes responsabilidades tácticas e com pouca pressão para não errar. Em Portugal e na Europa, no entanto, Gaitan só pode ser extremo, e no modelo encarnado deverá jogar mais atrás, com mais responsabilidade na certeza de decisão e com uma missão mais global do ponto de vista táctico. Vai ter de jogar sem bola, de defender e de pressionar. O meu optimismo em relação à sua adaptação reside muito no mesmo motivo que explica a “explosão” de Di Maria em 09/10: o modelo táctico de Jesus. Gaitan terá a sua função definida e as suas decisões facilitadas pela qualidade do modelo. Cabe-lhe a ele, agora, a palavra final. Aquela que poderá fazer dele, ou não, uma estrela do futebol português no curto prazo.

O preço
O único “senão” da operação. 8,4 milhões é um valor muito elevado para o futebol português e para o futebol argentino onde, goste-se ou não, Gaitan não tem ainda um rótulo de “super estrela”, como tinham, por exemplo, Lucho ou Belluschi quando de lá saíram. Aqui, acredito em 2 coisas. A primeira é que há 6 meses, quando o referenciei, Gaitan seria bem mais acessível. A segunda é que o Benfica terá pago para não entrar em leilões de Verão e terá também sido vitima do conhecimento que o Boca tinha sobre a eminência de mais valias com Di Maria. Seja como for, o valor pago pode tornar-se insignificante se Gaitan conseguir a evolução que dele se espera.

O vídeo
A acompanhar o texto coloquei um vídeo com a mais recente exibição de Gaitan. Foi frente ao Independiente, numa vitória rara do Boca fora da Bombonera. Gaitan actuou 71 minutos e acabou por não ser um elemento decisivo, apesar de ter tido oportunidades para tal. Ainda assim, creio que foi uma actuação positiva do jogador que, de novo, actuou como avançado ao lado de Palermo.



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29.4.10

Domagoj Vida: analisado... do sofá!

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Depois de grandes manchetes, acabou por ser confirmado na Alemanha. Normal. O que talvez não seja tão “normal” é a badalada viagem de Costinha à Croácia. Pelo menos não parece, porque nestas coisas há sempre margem para os dados desconhecidos. Sem entrar pela linha especulativa, fica aqui uma amostra do jogador. Uma amostra de um jogo em que jogou... a central. Tudo isto em Portugal e sem sair do sofá.

A amostra é curta, mas pelo que deu para ver, o Leverkusen leva um central com boas características físicas e que se mostrou certo em muitos aspectos, ainda que com reservas noutros. Foi um dos melhores em campo, conseguiu um número assinalável de intercepções e um excelente acerto no passe. Aqui, importa referir a ausência de algumas condicionantes que ajudariam a testar o jogador com maior amplitude. Não foi testado em primeiras bolas aéreas e jogou quase sempre sem grande pressão, o que lhe permitiu decidir quase sempre correctamente. A grande dúvida, porém, é dada pela fraca prestação em dois lances em que foi confrontado com bolas na profundidade. Uma coisa me parece claro, porém: Vida era um jogador interessante, mas o nível a que joga e de onde vem não justificam 4 milhões de euros de investimento. Pelo menos na minha avaliação...
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30.3.10

Hulk: Um regresso... incrível!

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Incrível! Se o adjectivo é óbvio, também o é porque ser aquele que melhor serve a exibição de Hulk, no regresso à Liga. De facto, a prolongada ausência, conjugada com as últimas e erráticas exibições pareciam ter relegado a parte positiva do seu futebol para um lugar bem pequeno e longínquo na memória de todos. Pois bem, para que não fiquem dúvidas, aqui está Hulk! Muito se pode dizer sobre a oposição do Belenenses, é claro, mas isso não chega para eclipsar tudo o que há de extraordinário na performance do brasileiro. Afinal, mesmo perante tanto espaço, quantos conseguiriam protagonizar uma exibição deste calibre?

O potencial e... o lado lunar
Talento em estado bruto. É uma expressão muitas vezes usada, mas raramente com tanto propósito como no caso de Hulk. Aquilo que se vê, no lado positivo do jogador, a explosão, potência e qualidade técnica, é raro. Muito raro, mesmo. Por outro lado, porém, tão óbvio como o talento, são as dificuldades que sente em condições menos propícias ao seu futebol. É, digamos, o lado lunar de Givanildo.

A solução? Só há uma: trabalho. Hulk precisa de treinar, jogar e evoluir. Para isso, como sempre, é fundamental o papel de quem o orienta e, mais ainda, a capacidade do próprio para perceber os caminhos que deve percorrer. Para já, o que se pode dizer é que a paragem nada teve de bom para este processo. Basicamente, estagnou durante a sua polémica suspensão.

De volta aos relvados, veremos como serão os próximos passos. Não tenho como certo um salto qualitativo que o catapulte para o mais alto nível do futebol mundial, até porque, para além do mais, não parece ser particularmente forte na resposta mental nos grandes momentos. Uma opinião posso partilhar, no entanto: Hulk é, a par de David Luiz, o jogador com mais potencial da Liga Portuguesa.



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17.3.10

Necid, aos 20 anos... um caso sério!

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