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28.8.10

Breves do mercado e da Supertaça Europeia

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- A última Sexta Feira do mês de Agosto, cumpriu com a expectativa e trouxe várias novidades no mercado. O sinal dominante? A perda de vitalidade do próprio mercado. Tonel na Croácia(!!), depois de há pouco tempo ter sido cobiçado pelo Rangers. Meireles no Liverpool por "apenas" 13 milhões. Entre Porto e Sporting, um dado comum: ambos terão baixado significativamente as fasquias para colocar os jogadores. O Porto, provavelmente, porque este era o momento único para o encaixe. O Sporting porque precisava de "salvar" o orçamento salarial (não se iludam pelo "custo zero", entre Pongolle, Tonel e Stojkovic, o Sporting deixa de pagar alguns milhões de euros este ano).

- Como complemento do que escrevi antes, acrescento que nunca percebi bem - ou melhor, perceber, até percebo - como tantos jogadores valem tanto dinheiro. Numa perspectiva de mercado, de oferta e procura, não faz, nem nunca fez, sentido. Talvez estejamos apenas no inicio de uma mudança significativa. Talvez... mas só se tiver mesmo de ser, porque haverá muitas - mas mesmo muitas! - resistências a uma mudança de cultura de investimento. Já agora, uma pergunta para quem souber encontrar uma boa lógica: que sentido faz um jogador mediano valer mais que um bom treinador?!

- Noutro âmbito, Quique voltou a vencer na Europa. Terá sido mesmo uma surpresa? Se foi, foi muito pequena. Já agora, qual é a diferença significativa, tacticamente, entre Quique e Benitez? Ou Juande Ramos? Ou Valverde? Parecem todos cópias uns dos outros. Espero para ver, mas suspeito que o 4-4-2 clássico de Benitez vai ser muito bem recebido em terras italianas...

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25.6.10

Diário de 'Soccer City' (#14)

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Seria seguramente um daqueles casos em que o futebol dizia uma coisa e as pessoas adivinhavam outra. Ou seja, apesar de todos termos visto o pior possível da Itália nos primeiros dois jogos, duvido que alguém não estivesse convencido da sua qualificação. Eu estava. Acabou por vingar a lógica do jogo, e numa espécie de embate da mediocridade, foi a Itália quem levou a pior. Levou, e justamente. Tal como os franceses – com quem partilharam a final há 4 anos – o seu futebol não deixará qualquer réstia de saudade ao torneio africano. A lamentar, creio, só mesmo o espectáculo deprimente que é ver talento a ser desperdiçado no mais importante dos palcos. Com isso, enfim, conviverá a bem História, e, como tal, também nós deveremos ser capazes de calmamente o fazer. Vale muito mais a pena continuar a olhar para o que ainda aí vem e, claro, para o que de bom se tem visto.

Holanda – Eslováquia
De repente, com tanto pela frente, a Holanda sobe em flecha no ranking de favoritos. E nada tem a ver com as indicações do seu futebol. Coisas do calendário e da, agora mais clara, caminhada par “Soccer City”. O futebol dos holandês, em boa verdade, pouco ou nada iludiu nos primeiros 3 jogos. Tem talento de sobra do meio campo para a frente e algumas reticências na forma como defende. É, digamos, uma versão “soft” do caso argentino. Não tem os desequilibradores de Maradona – embora falte enquadrar Robben – mas também não tem, nem de perto, a inconsistência defensiva dos argentinos. O caminho foi-lhes aberto e eles têm capacidade mais do que suficiente para o percorrer. Veremos se o farão...

Quanto à Eslováquia, confesso, surpreende-me mais a sua qualificação do que a eliminação da Itália. Isto porque a prestação dos eslovacos havia sido – e recuperando o termo – nada mais do que medíocre. Confunde-me, por exemplo, como é que Miroslav Stoch foi suplente desta equipa, mas foi sobretudo a sua limitação ofensiva nos primeiros dois jogos que me desiludiu. Talvez tenham recuperado alguma capacidade depois do “thriller” com Itália. Assim espero, porque senão os oitavos serão apenas uma formalidade para a “laranja”.

Paraguai – Japão
Um cenário idêntico ao do primeiro jogo dos oitavos, entre Uruguai e Coreia. Os sul americanos recolhem favoritismo e terão mais qualidade individual. Resta saber, porém, se isso chegará, ou se serão os asiáticos a fazer valer a sua capacidade de trabalho e organização. Aqui, porém, a recente performance frente à Dinamarca japonesa acabará por equilibrar a balança do favoritismo. E justamente, parece-me.

Para mim, de facto, o Japão é uma das grandes surpresas – agradáveis, isto é – da primeira fase. Uma equipa que em todos os jogos se apresentou com uma organização defensiva inesperadamente boa e que, ao contrário de outras, não se limita a esperar pelo adversário. Os japoneses não fazem apenas um constrangimento zonal sobre o receptor do primeiro passe, mas também um constrangimento temporal sobre o portador da bola. Ver uma equipa subir progressivamente no campo e obrigar o adversário a recuar é algo que aprecio. Mesmo contra a Holanda, em que acabaram por perder, os japoneses não deixaram jogar e forçaram a posse holandesa, repetidamente, a andar para trás.

O problema do Japão está no que acontece a seguir. Ou seja, na transição defesa-ataque. Raramente a equipa consegue soltar-se ofensivamente e ser uma ameaça em jogo corrido. Frente à Dinamarca, por exemplo, foi preciso usufruir de lances de bola parada para ver a equipa subir colectivamente no campo. Isto, claro, será sempre limitativo, e cada vez mais o será com o andar da prova.

Mas não se pode falar do Japão sem falar de Keisuke Honda, uma das revelações do torneio. Um jogador que andou pela segunda divisão da Holanda e que conheci na primeira metade desta época, quando ainda jogava no modesto Venlo. O seu talento – como médio criativo e não referência ofensiva como joga na Selecção – não passava despercebido, apesar da modéstia do seu clube. Tanto, que o CSKA pagou para cima de uma dezena de milhões pelo seu concurso. É assim nos dias de hoje. Honda pode ser uma revelação do mundial, um nome desconhecido para a maioria, mas já ninguém o apanha por meia dúzia de trocos...



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21.6.10

Diário de 'Soccer City' (#11)

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Mais um dia com motivos de sobra para reflectir. O “climax”, claro, teve lugar em Joanesburgo no jogo que culminou numa pequena prenda dos brasileiros para a Selecção portuguesa. No entanto, creio, não menos interessante é olhar para o que aconteceu algumas horas antes, entre Itália e Nova Zelândia. Será difícil alguém ainda se surpreender com o que quer que seja nesta prova, mas será interessante entender o porquê de tantos problemas dos campeões do mundo para bater uma formação tão fraca como os “All Whites”. Nem que seja porque deve servir de exemplo para o que Portugal terá pela frente, é por aí que quero começar.

Se ninguém duvida das diferenças de qualidade entre os jogadores de uns e outros, como se pode então explicar as dificuldades por que passaram os italianos? Bom, seguramente que há vários aspectos a abordar, mas há um que me parece especialmente importante para o sucesso neste tipo de embates: o pressing. Pode parecer estranho escolher concentrar-me no que a equipa faz sem bola, quando não pode haver tipo de jogo mais fácil para se ter a bola. O que acontece, porém, é que perante adversários dispostos a esperar lá atrás, o mero facto de se atacar apenas em organização já é uma importante vitória para quem defende. O caso da Nova Zelândia, aliás, é paradigmático. Uma equipa que defende mal, cometendo vários erros de abordagem individual e colectiva, e que ainda para mais nem tem uma estratégia especialmente conseguida em termos defensivos, “afundando-se” quase que instantaneamente na sua grande área. Ainda assim, atacar sempre contra tanta gente atrás da bola pode ser um sarilho.

É por isso que neste tipo de embates é fundamental forçar outro tipo de jogo e criar desconforto no adversário. Adiantar linhas e pressionar toda e qualquer saída de bola. Afinal, se a diferença está na qualidade técnica, é bom que seja por aí mesmo que se acentue as diferenças. Se o pressing for bem conseguido – como tem a obrigação de ser - provocará um dilema permanente do lado contrário. Ou arriscar pouco, jogando mal e entregando a bola, ou tentar fazê-lo em apoio mas assumindo o risco de uma perda comprometedora. Em qualquer dos casos, o perigo do erro estará sempre presente e o sufoco acontecerá desde o primeiro minuto. Isto foi (entre outras coisas, é certo) o que a Itália não fez frente à Nova Zelândia, e o que Portugal tem de fazer desde a primeira hora frente aos Coreanos. Mesmo que isso implique algum risco posicional. Isto é, também, o que as melhores equipas do mundo fazem perante os adversários mais modestos. Porque esperar para atacar, hoje, já pode não bastar.

Finalmente, o Brasil - Costa do Marfim. Sem surpresas, a Costa do Marfim voltou a repetir a receita e, sem surpresas também, o Brasil sentiu dificuldades idênticas a Portugal até o jogo se abrir. A diferença, é claro, esteve no detalhe e na qualidade com que individualmente os brasileiros se desembaraçaram do problema.

Acho curiosa a forma como Dunga “desenrascou” o seu modelo táctico. Quase que diria que ao não conseguir optimizar a equipa como um só bloco, resolveu decompo-la em 2. Definiu 6 jogadores defensivos e libertou 4 para o ataque. Quando dá para fazer tudo em conjunto, muito bem, mas quando não dá é preferível que a equipa se parta desta forma, do que arrisque tentar fazer tudo num só conjunto. Por um lado, os 6 de trás são suficientes para garantir equilíbrio defensivo em qualquer situação. Por outro, os 4 da frente têm talento de sobra para resolver um jogo em qualquer jogada, sobretudo se for em transição, que é como a equipa mais gosta de jogar. Em termos tácticos, não há nada de brilhante nisto, e só é possível ter sucesso com a qualidade dos recursos em causa e, já agora, com a natureza da própria competição. A verdade, tudo somado, é que não vejo equipa que possa estar tão perto da Espanha na lista de favoritos.

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15.6.10

Diário de 'Soccer City' (#6)

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Ao quarto dia, mais 2 candidatos. Holanda e Itália, cada uma das equipas encontrou a sua própria forma de não entusiasmar. Dos holandeses, espera-se que criem ilusão a abrir mas duvida-se do que possam fazer na hora das decisões. Dos italianos, o contrário. Um arranque aos soluços, mas uma presença temível na fase decisiva. Para já ambos estão a cumprir com o papel que lhes parecia ser destinado, mas duvido que a candidatura de qualquer uma destas selecções tenha saído revista em alta, seja por quem for.

Sobre os holandeses, ninguém duvida da sua potencialidade criativa. Mesmo que neste jogo a dinâmica estivesse abaixo do esperado. Essa é a força da “laranja”. É curioso, porém, verificar como a escola holandesa, que não se cansa de produzir talentos ofensivos, falha em conseguir o mesmo patamar para a metade traseira da sua equipa. A verdade é que o comportamento defensivo dos defesas holandeses não é o melhor. Frequentemente arriscam demais ou têm abordagens erradas. Isso verifica-se a todos os níveis e o jogo frente à Dinamarca acabou por dar alguns exemplos, ainda que escassos, disso mesmo. E é aí que reside o problema desta equipa.

O grupo é tão fácil que só uma Itália muito fraca ficará pelo caminho. Certo. Do que se viu, porém, fica ideia que para chegar a algum lugar perto da final de 2006, a Itália terá de evoluir muito. Frente a um Paraguai que foi um digno opositor durante um bom período de tempo, os “azzurri” mostraram-se incapazes de praticar um futebol fluído e dominador. Pareceram apenas aptos a aproveitar os momentos em que lhes foi permitido verticalizar o jogo. Quando lhes foi criado problemas de pressing, quando foi preciso mostrar qualidade para evitar a perda e empurrar o Paraguai sistematicamente para trás, aí, a Itália já não foi capaz de responder. Acabou por se ver forçada a dividir o jogo e a entrar num jogo mais físico. Pode ser que Pirlo seja a chave para uma boa parte do problema, mas... será suficiente?



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7.5.10

As probabilidades do título...

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Semana decisiva em Portugal e nos vários campeonatos europeus. Campeões em aberto, sim, mas quanto realmente há por jogar? A resposta, objectivamente, só os “especialistas de segunda feira” poderão responder. Acertar sempre foi com eles. Como eles estarão fechados até ao final do fim de semana, resta-nos fazer contas que, tristemente, não podem resultar me mais do que percentagens. Aqui, sigo a doutrina das tão populares agências de rating e distancio-me de opiniões pessoais para confiar apenas naqueles que mais motivos têm para não se deixar levar pelas emoções. As casas de apostas, claro. Toda a fé é legítima e a partir daqui cada um acredita no quiser...

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6.5.10

1990: A "apresentação" de Roberto Baggio

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Talvez seja estranho destacar-se um jogo com uma importância tão residual na prova. A verdade é que foi no último jogo da fase de grupos, entre duas equipas já apuradas – Itália e Checoslováquia – que se terá dado um momento importante, quer para a prova em si, quer para a própria história do futebol italiano. Depois de dois jogos com exibições “abaixo do par”, frente a Austria e Estados Unidos, Vicini resolveu trocar a pouco produtiva dupla Carnevale-Vialli pelo inspirado Schillaci e pelo talentoso Baggio. Ora, se “Toto” viria a ser o goleador máximo da prova, Baggio terá iniciado aí uma carreira lendária com a camisola “azzurra”. E de que forma a começou!

Roberto Baggio tinha apenas 23 anos, ainda não usava o seu famoso rabo de cavalo, e estava às portas de um defeso marcado pela já anunciada troca de emblemas. Da Fiorentina para a Juventus, onde conheceria o seu melhor período ao nível de clubes.

Baggio era um talento enorme, com uma invulgar capacidade para decidir, que jogava como falso avançado centro. Partia dessa posição, mas deambulava depois, à procura dos espaços por onde pudesse desequilibrar. Foi assim que chegou ao prémio de melhor do mundo em 1993 e que apenas não repetiu em 1994 por causa de uma série de grandes penalidades que tão famosamente lhe foi desfavorável nos Estados Unidos.
As grandes penalidades... Baggio terá marcado um número infindável delas na sua carreira, mas seguramente haverá poucos jogadores tão amaldiçoados por esse tipo de decisão. Para além da final de 94, Baggio caiu também desta forma em 90 e 98, mundiais que facilmente poderia ter ganho se esses desempates tivessem conhecido outro destino. E é isso – um título Mundial – que, creio, separa Baggio de uma imortalidade ainda maior, ou mesmo de uma consagração unânime como o melhor jogador italiano de sempre, ou como o melhor jogador europeu da sua geração.

Sobre o mundial de 90, resta acrescentar que depois desta fabulosa exibição, coroada com um dos melhores golos da História dos Mundiais, Baggio agarrou a titularidade... Ou melhor, agarrou até à meia final, quando Vicini resolveu devolver a Vialli a titularidade. Curiosamente, ou não, esta é outra marca da carreira de Baggio. Mais tarde, em 1998, Cesare Maldini haveria de repetir a opção de deixar o jogador de fora, desta vez em favor de Del Piero. Tal como na meia final de 1990, a Itália foi eliminada por penaltis e, tal como nesse jogo, ficou a sensação de que com Baggio desde o inicio, a história poderia ter sido outra.



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23.4.10

1982: Paolo Rossi e o "desastre de Sarriá"!

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O desaparecido estádio de Sarriá já não vive para contar a história. Explicar o imprevisível emparelhamento de um “super-grupo” em tão modesto palco seria já de si difícil, mas tudo isso se tornou secundário depois do que aconteceu naquele relvado catalão. Argentina, campeã do mundo. Brasil, unânime favorito. Passarella, Kempes e Maradona. Falcão, Sócrates e Zico. Quem sai por cima? A decepcionante Itália e o improvável Paolo Rossi. O “desastre de Sarriá”, como ficou conhecido um dos mais míticos jogos da História, não tem nada de desastroso. Foi apenas futebol, goste-se ou não.

Ambos haviam batido a Argentina, mas o Brasil por mais um golo, o que lhe garantia vantagem em termos de igualdade. Mas que hipótese teria uma Itália decepcionante contra uma das cativantes equipas da História? As contas pareciam feitas.

O jogo, na verdade, não andou longe das projecções. À excepção dos primeiros minutos, em que a Itália se apresentou bastante bem, foi sempre o Brasil a mandar no jogo. A magia estava alicerçada no corredor central e no tridente formado por Falcão, Sócrates e Zico. A ele se juntavam, sempre sobre o corredor central, o lateral Júnior e o outro médio, Toninho Cerezo. Tudo o resto, ou não interessava, ou interessava pouco. O "truque" do corredor central era tão bom, que o Brasil acreditou que chegaria para vencer tudo e todos. O Brasil, e o resto do mundo.

A derrota brasileira tem motivos e responsabilidades próprias. Certo. Mas tem sobretudo o carimbo de um capricho do destino. Um destino que resolveu trocar o charmoso Brasil por uma Itália eficaz, que se catapultou definitivamente para o título sobre os ombros de um goleador imortalizado pelo que fez naquela tarde. Paolo Rossi.

Rossi terá sido dos jogadores menos participativos no jogo, com a bola sempre longe do seu habitat. A verdade é que mesmo assim teve tempo para marcar 3 golos, falhar outro e ainda participar num quarto, incrivelmente invalidado. Tudo isto nos intervalos do festival ofensivo dos brasileiros. A história do jogo terá sido, no seu todo, uma crueldade para os brasileiros, mas o terceiro golo merece particular destaque. É que o Brasil, depois de longos minutos a tentar, havia finalmente empatado e nos minutos que se seguiram não se vislumbrou qualquer capacidade de reacção dos ‘azzurri’. Pareciam até conformados. A história não é sequer inédita. Canto vindo do nada e... golo.

Não se sabe o que aconteceria ao Brasil de 82 se aquele dia tivesse sido outro, mas também acredito que hoje, num contexto mais exigente, o destino seria analisado de outra forma. A superioridade dos brasileiros não foi posta em causa, mas é inadmissível que se cometam os erros que se cometeram num jogo em que se tem tudo para ganhar.



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27.1.10

Pormenores tácticos de mais uma vitória "à Mourinho"

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Jogo enorme em Itália. O “Derby della Madonnina” com a intensidade de sempre, acrescida pelo interesse que tinha para o próprio campeonato. A história do jogo? Bem, podia ter sido diferente depois da estranha expulsão de Sneijder, tal o domínio que o Milan conseguiu em certos momentos, mas acabou por ter o desfecho que desde cedo se esperava. Isto, porque o Inter cedo tirou enorme partido dos momentos de transição e das fragilidades posicionais de um trio de médios mal posicionado do outro lado. Particularmente o duo Gattuso-Ambrosini. Tudo pareceu estudado, tudo pareceu previsto para tirar partido das fragilidades tácticas do Milan. "À Mourinho", portanto...

Jogada 1 (8’) – Um dos grandes problemas do Milan está patente nesta jogada. Sempre que Gattuso é obrigado a bascular à direita e a jogada não morre aí, abre-se um buraco enorme na zona central. Algo que o Inter aproveitou muito bem e que só não teve mais efeito pela expulsão prematura de Sneijder. O motivo tem a ver com o distanciamento permanente de Ambrosini da zona central, compondo um “duplo-pivot” ineficiente. No caso, Pandev não é devidamente pressionado por faltar ali um jogador e Sneijder, embora não beneficie directamente da situação, acaba por estar perto do golo. Nota para a importância do holandês acreditar sempre na jogada, o que lhe valeu a oportunidade.

Jogada 2 (9’) – O golo do Inter, embora simples, tem algumas particularidades que não podem ser ignoradas. Resulta de uma bola dividida, como tantas outras, batida por Dida. Primeira nota de destaque, de novo, o espaço entre linhas que se cria para Sneijder. Depois, o ponto mais importante da jogada, a decisão instintiva de Pandev de optar pela profundidade de Milito. Estava de costas e ao seu lado estava, livre, Sneijder. Pandev optou assim porque foi assim que foi “programado”. Treinado, isto é. Do lado do Milan, o pormenor de Thiago Silva não tentar colocar Milito em fora de jogo. Aliás, o próprio argentino hesita no avanço e só lhe dá continuidade porque Thiago o permite, ao recuar. Finalmente, e apesar do erro de Abate, destaque para a qualidade de Milito, na cultura de movimentos, na velocidade e, claro, na precisão final. É muito difícil controlar um avançado que aborda tão bem a profundidade.

Jogada 3 (14’) – Ainda antes da expulsão de Sneijder, este era o caminho do jogo. Expectativa do Inter e grande descontrolo no momento da transição defensiva por parte do Milan. Em particular, pelo mau posicionamento dos médios na hora da perda de bola. Pandev, Milito e Sneijder perceberam-no (ou já o saberiam) desde a primeira hora e recorrentemente estavam a criar o pânico. A importância que alguns treinadores dão ao “pivot” defensivo, fixo e disciplinado, encontra aqui a sua explicação.

Jogada 4 (16’) – Mais do mesmo. Transição e Gattuso a bascular à direita. Resultado? Buraco no meio. Sneijder não conseguiu dar o melhor seguimento, mas o desequilíbrio foi, mais uma vez, evidente.

Jogada 5 (54’) – Um momento brilhante de Pandev, fundamental para colocar em sentido o Milan, numa altura em que o domínio territorial era enorme por parte dos 'rossoneri'. Já várias vezes me referi à importância destes lances para a parte psicológica do jogo, mesmo não dando golo. Aqui está mais um exemplo. Para além da proeza de Pandev, duas notas. A primeira para a passividade gritante de Ronaldinho, abdicando de recuperar a bola numa zona em que tinha tudo para o conseguir. A segunda, de novo, para a linha do fora de jogo e para o mau posicionamento de Abate, longe de Milito, mas a deixa-lo em jogo. Quem quer jogar alto tem de ter muito maior concentração neste plano. Como Milito, então, muito mais!

Jogada 6 (60’) – Transição a partir de um canto, só por milagre não dá golo. Mais uma vez, destaco, para além da qualidade dos intérpretes, a falta de concentração num posicionamento colectivo que tire proveito do fora de jogo. No caso, Favalli. Esquece-se totalmente do posicionamento colectivo e, quando finalmente percebe, já é tarde demais. Se tivesse avançado uns segundos antes, Pandev teria de ter recuado e Milito ficaria mais vulnerável ao pressing por não ter soluções de passe.

Jogada 7 (64’) – O golo que sentenciou a partida teve “pontaria” do banco. Muitas vezes utiliza-se o termo para as alterações feitas, mas, desta vez, ele aplica-se de forma contrária. Ou seja, a uma alteração que foi, antes sim, evitada. Motta estava pronto para render Pandev, mas Mourinho retardou a substituição para que fosse o seu recente reforço a bater o livre. Pandev acabou por sair, sim, mas 1 minuto e... 1 golo mais tarde.

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2.9.09

Aimar e mais 4 lances em análise

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Aimar – Escolher entre 8 golos pode não ser nada fácil. Neste caso, porém, parece evidente a opcção pelo trabalho individual – mais um – de Pablo Aimar. O motivo pelo qual escolhi este lance, no entanto, não tem apenas a ver com a habilidade do argentino. Uns instantes antes do chapéu que permitiu que se isolasse, Aimar teve outra acção menos brilhante mas, talvez, mais importante num contexto táctico. A pressão imediata após a perda de bola, quando eficazmente aplicada claro, inverte a transição adversária e torna-se num lance potencialmente bem mais perigoso do que o ataque original. Apesar de ser uma reacção defensiva é, mais do que tudo, uma poderosa arma ofensiva. Jogadores criativos e dotados, como é o caso de Aimar, encontram nestes momentos a ocasião perfeita para soltar o seu talento, aproveitando os momentos de desorganização momentânea dos defesas contrários e este é apenas um exemplo disso mesmo. Para terminar, sobre Aimar, dizer (ou relembrar) que o seu crescimento vai muito além das aparições ofensivas que protagoniza. A sua capacidade e utilidade defensiva é hoje muito maior, sendo protagonista muito importante no ‘pressing’ da equipa.


Varela – No golo do Porto, o segundo, importa destacar alguns pontos. Primeiro, a qualidade de Meireles, inteligentemente criando um desequilíbrio individual no meio campo. Depois, o papel de Falcao. Não apenas a assistência, mas o facto de baixar para zonas interiores, atraindo os centrais para dentro e criando condições para haver mais espaço nas costas e na zona central da defesa. O espaço que Varela aproveitou. Mas há, também, alguns pormenores negativos, do lado da Naval, a salientar. Primeiro, a saída à queima de Gomis (um jogador a rever apesar de tudo) que, perdendo completamente o lance, deixa Diego Angelo completamente só no centro e ainda com Falcao pela frente. Outro aspecto evidente é a abertura da defesa. Um erro recorrente sempre que um central sai da sua posição. Os laterais devem fechar junto da zona central e não permanecer abertos. As referências individuais falaram, de novo, mais alto e tudo ficou mais fácil para o ataque portista.

Rolando – Na análise ao jogo falei dos problemas do pressing do Porto e da excessiva facilidade que a Naval teve para jogar. Não é, nem de perto, caso único, mas o lance do golo é, também, um exemplo disso mesmo. Em organização ofensiva, a Naval aproveita os problemas portistas e facilmente consegue abrir um espaço para que a sua primeira fase de construção possa, não só pensar o primeiro passe, mas mesmo entrar com bola pelo bloco portista. A bola entra facilmente na ala e o cruzamento muito provável, acabando o lance a ser decidido no coração da área. O que não convém. Foram vários, e demasiados, os cruzamentos da Naval e isso tem de ser corrigido. Uma nota sobre um aspecto também visivel no lance: a distância de Falcao para a linha média que permanece passiva, baixando a equipa no terreno.

Yontcha – O Belenenses tem algumas características interessantes, como a preferência que dá à posse de bola, mesmo em zonas baixas. Há ainda vários problemas que distanciam esta equipa de um rendimento ideal, destacando eu a dificuldade com que a equipa tem em subir o seu bloco, jogando demasiado baixo, demasiado tempo. Mas o ponto que pretendo focar tem a ver com o canto que resultou no golo do empate parcial. Uma solução inteligente e simples para ultrapassar uma defesa que, como a maioria, defende zonalmente estes lances. Com apenas 4 homens na área, o Belenenses consegue isolar... 2! O canto curto é solução recorrente neste tipo de situações, mas, neste caso, o objectivo desta opção foi diferente do habitual...

Thiago Motta – Um espectáculo o primeiro golo do Inter! Para quem não percebe o que podem dar Milito e Eto’o em vez de Ibrahimovic, tem aqui um bom exemplo. Mobilidade, repentismo e imprevisibilidade. Tudo isto, claro, numa óptica colectiva e, por isso, a importância de ter também seguimento dado pelos jogadores que partem de posições exteriores. O desequilíbrio, neste caso, é criado do lado esquerdo da defesa do Milan, entre o central e o lateral. A causa é simples. A bola entra na direita do ataque do Inter e, por isso, o lateral vem para uma zona exterior. O problema é que muito rapidamente a bola parte para uma zona central, acabando por não haver um ajustamento posicional adequado ao caminho que a jogada levou. O erro é fácil de identificar mas, na verdade, a qualidade da jogada é enorme, sendo muito difícil que uma defesa consiga reagir tão rapidamente em termos posicionais. O melhor mesmo é desfrutar...


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13.8.09

Inter 09/10: Uma derrota também faz sonhar...

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Segue o interesse sobre a evolução do Inter em 09/10. O primeiro teste oficial, a primeira vez de Lucio, Milito e Eto’o correu mal... ou talvez não. O resultado é sempre o objectivo último de cada jogo. É indiscutível. Mas para Mourinho essa evidência não parece ter retirado valor às indicações sobre a evolução de um modelo de jogo que quer diferente do que aconteceu no passado. Na Supertaça a vitória era o objectivo e isso é incontornável, mas, de facto, para primeiro jogo da época, o resultado não é o mais importante.

De facto, viu-se um Inter alto, pressionante e dominador. Colectivamente os pressupostos pretendidos por Mourinho para o novo Inter foram cumpridos. Individualmente, sentiu-se o peso que poderão ter unidades como Lucio, Milito e Eto’o e dificilmente alguém poderá afirmar que fez falta Ibrahimovic. Nem tudo foi perfeito, claro. Para além da fundamental e decisiva eficácia, falta ainda alguma intensidade à posse deste Inter. Menos tempo nos pés das individualidades e soluções de passe mais rápidas que permitissem uma melhor circulação. Há tempo para fazer chegar tudo isso e muito mais, especialmente se chegar ainda talento individual que se enquadre com os princípios pretendidos para esta nova etapa.

Para os resultadistas isto será um paradoxo, mas o primeiros sinais do Inter 09/10 abrem mesmo margem a um nova era, de um futebol mais entusiasmante e raro em solo transalpino. Tudo depende agora da capacidade de Mourinho acrescentarem qualidade a estes primeiros passos. Quanto à derrota, esqueçam. Ou melhor, lembrem-se, por exemplo, do que se disse dos primeiros jogos do Barça 08/09.


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31.7.09

Mourinho: a felicidade de perder Ibrahimovic

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Será que perder um dos melhores jogadores do mundo pode ser uma boa notícia? Para Mourinho, claramente, a resposta é sim. Ibrahimovic é um desses jogadores, provavelmente mesmo o que mais impressiona na sua posição no futebol actual. Para o “Special One”, no entanto, a perda dessa inegável mais valia individual representa uma improvável esperança de que as coisas finalmente mudem em termos colectivos. Terá razões para sorrir, o “Special One”?


A frustração de Mourinho
O objectivo era ter já conseguido isso no primeiro ano e esse falhanço terá sido, muito mais do que a impotência europeia, a grande frustração de Mourinho no futebol italiano. O treinador queria jogar alto, pressionar e ter a bola. Tal qual fizera nos primeiros anos, quer no Porto, quer no Chelsea. A realidade, no entanto, confrontou Mourinho com a evidência de que essa filosofia só poderia ter sucesso com intérpretes que com ela se sentissem confortáveis. Não foi o caso e não havia outro caminho que não fosse readaptar a filosofia para algo que realmente conseguisse retirar o melhor dos intérpretes. O resto é conhecido. Futebol directo e de transições mortíferas, a retirar o melhor de Ibra, mas incapaz de entusiasmar o próprio Mourinho, resignado ao destino de poder lutar apenas pelo domínio interno.

Revolução táctica
Saiu Ibra e tudo mudou. É o próprio Mourinho que o diz. Na verdade, a perda do sueco significa o abandono do último motivo que poderia existir para continuar a jogar dentro do mesmo perfil. A revolução é agora inevitável, e mesmo que isso represente algum risco, para Mourinho parece ser um alívio. Chegou Lucio, que fará a defesa subir. Na frente, Eto’o e Milito darão mobilidade e, talvez mais importante, eficácia ao pressing. Resta o meio, onde se procura dar mais vocação à posse. Para isso chegaram já Motta e Hleb, mas parece certo que haverá mais novidades com os milhões que restam do negócio Ibra. O sistema deve manter-se (4-4-2 em losango), mas revolução táctica sentir-se-á seguramente pelos comportamentos.




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24.6.09

A visão de Cigarini, um raro ponto positivo do Euro sub 21

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O Euro sub 21 prossegue sem grandes motivos de interesse. A excepção parece ser a Suécia, talvez por jogar em casa, mas a motivação não parece ser a maior por parte dos intervenientes e têm sido bem mais as desilusões do que as exibições a motivar grande entusiasmo. Numa Itália onde todos esperam muito do génio de nomes como Balotelli ou Giovinco, há um nome que me tem agradado por demais. Luca Gigarini.

Acabado de completar 23 anos, Cigarini é visto por muitos como o “novo Pirlo”. De facto, e sem querer entrar em paralelismos, o aspecto que julgo poder tornar Cigarini num médio de eleição é o passe, quer pela precisão, quer pela notável rapidez com que lê os movimentos dos jogadores mais avançados. No imediato fica a sugestão para acompanhar de perto o número 21 nas meias finais do Euro, mas na próxima época poderá, ao que tudo indica, ser seguido no Nápoles, destino mais do que provável, depois de ter representado a Atalanta em 2008.


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18.2.09

Mourinho, Ronaldinho e o derbi

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Mourinho, o objectivo é um fim e não um meio
O Inter venceu o derbi, o que só por si seria já relevante dada a rivalidade existente entre Milan e Inter. Para muitos terá, também, garantido o ‘scudetto’ com o triunfo. A forma como Mourinho venceu o jogo é, em si mesmo, um enorme elogio à capacidade do técnico português, já que a diferença esteve sobretudo nos estragos que o Inter provocou ao identificar estrategicamente a forma como deveria surpreender o seu adversário.
Para justificar o porquê de Mourinho ser o treinador que é podem encontrar-se vários motivos. Há um, no entanto, que não posso deixar de realçar após este jogo. O seu respeito pela essencia do que é o jogo e o seu objectivo essencial. Como jogo que é, o objectivo do futebol é vencer, e o trabalho dos treinadores é tornarem as suas equipas mais aptas para o conseguir. Tudo o resto são, perdoem-me, floridos e demagogias de quem falha naquilo que é a compreensão do que é realmente o jogo. Jogar bem não obedece a preconceitos mas a objectivos, e é isso que faz o treinador português quando trabalha as suas equipas para serem fortes em qualquer circunstância de jogo. Tal como acontecera com o Chelsea, o Inter está trabalhado para poder surpreender o adversário através de um jogo mais elaborado e apoiado, mas não tem qualquer problema em recorrer a uma abordagem mais directa, se o adversário for mais vulnerável na profundidade. Foi isso que sucedeu no derbi. Um jogo aparentemente equilibrado, por momentos, até, indiciando uma superioridade do Milan, mas escondendo essa ameaça permanente que foi o recurso à profundidade através de verdadeiros “esticões” no jogo. Para muitos, Mourinho abusa do musculo e esquece a técnica mas, se a equipa perde no brilhantismo que poderia dar a certos jogos, ganha na versatilidade com que se pode preparar para cada um dos diferentes adversários que se lhe colocam pela frente. Sempre com o verdadeiro objectivo do jogo em mente. Vencer.
O Inter não tem tido uma época fácil e sente-se que este é um trabalho ainda em desenvolvimento. Os resultados começam agora a parecer mais próximos do que se pretendia inicialmente, mas o caminho não tem sido exactamente o que se pensou inicialmente. Mais uma vez elogio o treinador. Da ideia do 4-3-3 de pressing alto, Mourinho passou a um 4-4-2 de pressing médio. Um erro comum nos treinadores é quererem impor o seu modelo, ignorando as características dos jogadores que têm. O modelo de jogo deve ser uma “obra” de todos e não apenas de quem a dirige. A capacidade de adaptação às novas circunstâncias é, em todas as áreas, uma forma de distinguir os mais inteligentes.

Ronaldinho sempre genial
Já várias vezes escrevi que tenho em Ronaldinho, ainda, um dos melhores jogadores do mundo da actualidade. A sua técnica é quase única, quer na forma como explode no 1x1, quer na visão e precisão do seu pé direito. Para tirar o melhor de Ronaldinho, no entanto, é preciso dar-lhe espaço, e trabalhar estrategicamente para ele. Como é um fora de série quase único ainda hoje, quando isso acontece normalmente quem mais ganha é a equipa – basta recordar o fantástico Barça de 2006.
Sem Kaká, no derbi, o Milan priveligiou Ronaldinho como poucas vezes o fará e o brasileiro respondeu como uma exibição pouco menos do que fantástica, criando inúmeros problemas ao Inter. A estratégia foi correctissima e quase deu ao Milan um resultado de todo improvável face à incapacidade que revelou noutras áreas (sobretudo na sua eficácia defensiva). Terá faltado durante muito tempo mais do que apenas Pato como solução vertical e, também, alguma eficácia no aproveitamento dos muitos lances criados pelo gaúcho.
Kaká é fantástico e merece toda a importância que o Milan lhe dá mas, quanto a mim, tenho ainda esperança de ver uma equipa que saiba tirar melhor partido de um Ronaldinho ainda na plenitude das suas capacidades. Exibições como aquela que protagonizou (apesar da derrota) foram o motivo de ter sido visto, justamente, como o melhor do mundo durante algum tempo. Acredito que ainda tem o que é preciso para atingir esse nível.


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2.1.09

Não entra!

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14.11.08

Os dias dificeis de Mourinho

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Não foi só em Portugal que houve rescaldos quentes do fim de semana. Em Itália, Mourinho continua um inicio de época difícil, conseguindo melhores resultados do que exibições e apresentando algumas variantes tácticas que se constituem como uma novidade na sua carreira. Mas, para Mourinho, se os jogos têm sido maratonas de sofrimento para chegar aos 3 pontos, não menos complicada tem sido a relação com os media e, porque não, mesmo com os adeptos.

No último fim de semana, o golo de Cruz salvou a equipa de um empate caseiro no último minuto mas esse momento esteve longe de se constituir como o final de uma tarde difícil. Reproduzindo uma imagem já antes vista, o treinador festejou de dedo na boca, mandando calar não se sabe quem, mas desconfia-se que... todos! Seguiram-se longas entrevistas sucessivas em que teve de explicar o dedo, o resultado, a exibição, as opções tácticas, o mau momento de Quaresma, as comparações com Mancini, a relação com imprensa, os assobios do público e, para que não faltasse nada, as diferenças e semelhanças culturais entre Itália, Inglaterra e Portugal.

Sem querer entrar no detalhe de tudo o que se disse (deixo os links para os longos minutos de declarações), não posso deixar de destacar duas afirmações de Mourinho. A primeira é que, em Itália como em Portugal, há um treinador de bancada em cada adepto e jornalista, com a vantagem de que estes nunca falham. A segunda, bem mais divertida, vai para a indicação de Costinha como suposto destinatário do tal dedo que mandava calar alguém!

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4.9.08

O saldo "import-export" das 3 grandes ligas.

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Parece claro que quem ficou a perder foi a Liga Espanhola, talvez fruto da menor actividade de Real e Barça. Para Itália rumaram muitos nomes sonantes mas todos para os grandes clubes. Neste balanço a Inglaterra volta a ter saldo positivo. Entre saídas e entradas, a Premier League fica claramente a ganhar, com essa particularidade de ter reforçado um número mais significativo de equipas.


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27.8.08

Shevchenko confirma o "Campeão do defeso"

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Ao inicio já se suspeitava que este “título” fosse para San Siro, mas a ideia era que as cores fossem azuis e negras. Drogba, Deco, Lampard, Quaresma e outros foram falados como hipótese para o Inter desde o momento em que se começou a perceber quem seria o novo comandante do emblema de Milão. Mourinho disse e cumpriu. Reforços foram poucos e, até ver, nenhum dos nomes inicialmente falados (sobra Quaresma cujo destino se conhecerá, finalmente, esta semana). Na mesma cidade e no mesmo estádio foi apresentado, como uma verdadeira super-estrela, Ronaldinho. Os “rossoneri” juntaram Flamini do Arsenal, Zambrotta do Barcelona, para além dos regressos de Marco Borriello, Antonini e Christian Abbiati ou dos menos mediáticos casos dos jovens uruguaios Mathias Cardacio e Tabaré Viudez. Como se não bastasse, na recta final do defeso juntaram-se Philippe Senderos do Arsenal e o ambicionado regresso de Andiy Shevchenko. O Milan é, com a dupla Shevchenko-Ronaldinho à cabeça, claramente, o vencedor do virtual título de campeão do defeso!

O “bom problema” de Ancelotti
“Bom problema” é a designação que vulgarmente vemos repetida para classificar a redundância de qualidade nos planteis, ainda que não faltem exemplos de problemas do mesmo género que não resultaram em nada de “bom” (lembram-se de Henry há um ano?). No caso concreto, a abundância é grande para quase todas as posições. Vejamos alguns nomes (mais sonantes) à disposição de Ancelotti tendo em conta as posições no habitual 4-3-2-1 de Ancelotti:

Guarda Redes(1 lugar): Dida, Abbiati e Kalac
Laterais(2 lugares): Zambrotta, Jankulovski, Oddo, Kaladze
Centrais(2 lugares): Nesta, Maldini, Kaladze, Bonera, Senderos
Médios defesivos(3 lugares): Pirlo, Emerson, Ambrosini, Flamini, Brochi, Gattuso
Médios ofensivos (2 lugares): Kaka, Ronaldinho, Seedorf
Avançado (1 lugar): Pato, Inzaghi, Shevchenko, Borrielo

Se as soluções de qualidade estão presentes em todas as posições do sistema, a chegada de Shevchenko abre a possibilidade de haver alguma revisão no sistema base de Ancelotti. Para já, com a presença de Ronaldinho na China e o ingresso tardio de Shevchenko as pistas sobre como será este “novo” Milan são ainda poucas, mas não há dúvida que em Milão reside grande parte do interesse deste inicio de época...


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1.7.08

Notas finais do Euro

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Aspectos Colectivos

Clubes vs. Selecções
Começo por voltar àquela previsão, feita no lançamento da prova, de que este seria, sem dúvida, um torneio de jogos não tão minuciosamente preparados como aqueles que assistimos ao nível de clubes, mas seguramente não menos interessantes. Menos treino e mais jogo é sinónimo de mais erros e menos perfeição, mas também de maior improvisação e maior imprevisibilidade. Comparativamente com o futebol de clubes ao mais alto nível, o Euro foi tudo isto e, na verdade, quem poderá falar de desinteresse?

Tendências Tácticas
Estas são competições que marcam muito os tempos, já que é elas que a história do futebol recorre para, anos mais tarde, analisar tendências. Tacticamente destaque para a abundância do 4-4-2 clássico como sistema de referência deste Europeu. Suíça, Croácia, Alemanha, Suécia, Espanha e França iniciaram o Euro com este sistema e outras selecções recorreram a esta disposição de jogadores durante os jogos (até Portugal, sem qualquer tradição nesta opção, actuou numa versão próxima deste sistema durante grande parte do jogo frente à Alemanha). Ainda assim, não se pode deixar de referir o recurso a variantes do 4-5-1 (4-1-4-1 ou 4-2-3-1) na fase decisiva da competição, o que não deixa de ser sintomático quanto à importância da zona central. Nota, finalmente, para duas opções em vias de extinção ao nível dos sistemas: os 3 defesas (ou 3 centrais), apenas utilizada pela Áustria e Grécia e o 4-4-2 em losango. Aqui 2 comentários em sentidos diferentes. Enquanto que os 3 defesas é uma opção abandonada pela Europa (recorre-se ainda muito na América do Sul), por se considerar menos sólida, o losango nunca foi devidamente absorvido pela maioria dos países europeus talvez, digo eu, por ser mais exigente ao nível das dinâmicas de jogo. Esta ideia – e é apenas uma ideia – é um elogio para o futebol português, onde vários treinadores conseguiram nos últimos anos sistematizar processos com bons resultados, tendo o 4-4-2 losango como sistema.
Dito tudo isto sobre sistemas tácticos, acrescento que se os modelos de jogo estão longe de se esgotar na geometria do esqueleto, ao nível de selecções, onde há menos tempo de treino, esta questão torna-se mais importante e, por isso, assistimos a algumas mudanças de sistema dentro da própria competição, algo que a nível de clubes raramente acontece por ser muito pouco aconselhável.

Selecções
A história do Euro é marcada, naturalmente, pela vitória da Espanha (sobre quem já escrevi ontem), mas, para quem viu, há mais equipas para destacar:

Croácia: Nota positiva para uma equipa com muitos nomes promissores e uma grande lição estratégica (Bilic foi o primeiro a desfazer o seu 4-4-2 inicial para ganhar superioridade a meio campo) que provocou um sinal de alerta na Alemanha, talvez decisivo para a caminhada para a final. Os croatas foram, no entanto, pouco emocionais e deixaram-se cair quando tinham tudo para discutir um lugar na final.

Turquia: A sensação do Euro. O que a Turquia fez foi algo próximo de um milagre. Terim foi sempre pouco inteligente estrategicamente e a equipa, apesar de competitiva, foi vivendo dos sucessivos “milagres” no final dos jogos. Na meia final frente à Alemanha foi mais determinada, até melhor, mas sempre, sempre inocente na forma como se expôs ao erro.

Alemanha: Low terá, talvez, o maior mérito entre os treinadores do Euro. Levar a Alemanha à final com as debilidades individuais da sua equipa foi um feito e isso foi reconhecido pela forma como este histórico foi recebido no seu país. Estrategicamente, e tirando a não decisiva partida contra a Croácia, esteve sempre bem. Não deu para mais e, diga-se, já foi bem bom!

Holanda: A sensação da primeira fase, dominando o grupo da morte e sendo a primeira selecção a impressionar meio mundo. Talvez o problema da Holanda terá sido não ter levado mais cedo um susto que a despertasse para as suas debilidades, nunca expostas durante uma fase de grupos em que esteve sempre a ganhar. Van Basten surpreendeu as poderosas Itália e França com aquela contenção do duplo pivot pouco ofensivo, mas quando foi preciso dar qualidade à posse de bola... a Holanda caiu.

França: A desilusão da prova. Não pela eliminação, mas pela paupérrima prestação. O 4-4-2 de Domenech foi totalmente despropositado e sem qualquer dinâmica rotinada. Ainda deu um ar de poder recuperar no jogo contra a Holanda mas, aí, também não teve a sorte do seu lado.

Itália: A obcessão pelo sistema do Milan e pelo recurso a Toni foi a perdição de Donadoni. A equipa nunca se apresentou ao nível que se esperava, sendo muito vertical mas pouco imaginativa ofensivamente e longe da eficácia histórica em termos defensivos. Ainda assim, a qualidade não esteve totalmente ausente e apenas caíram nos penaltis frente à campeã Espanha.

Rússia: Primeiro demasiado ofensiva, expondo-se defensivamente às transições adversárias. Depois, mais controlada e a apresentar uma qualidade de movimentos colectivos sem par neste Euro. Este é o grande mérito de Hiddink, porque defensivamente exigia-se bem mais. A culpa não será só do seleccionador mas também da cultura do próprio futebol russo, algo distante das exigências tácticas do centro da Europa. Depois do brilharete frente à Holanda veio o falhanço estratégico no posicionamento do pressing para fazer frente à qualidade do meio campo Espanhol.


Individualidades

Guarda Redes
Foi um Euro difícil para os guarda redes. Buffon e Cech, dois dos melhores do mundo estiveram abaixo do que deles se exige. Lehmann, o finalista, teve vários erros e, na verdade poucos terão escapado à critica. A excepção, claro, Casillas. O Espanhol foi de longe o melhor de um Euro que teve também, por exemplo, Van der Sar em bom plano.

Defesas
Laterais direitos é dificil de destacar. Ainda assim, destacaria Corluka da Croácia, Sabri da Turquia (sobretudo ofensivamente) e, quase inevitavelmente, Sérgio Ramos.

Na lateral esquerda, mais hipóteses. Zhirkov, pela capacidade ofensiva, Grosso também me agradou e Van Bronckhorst merece igualmente referência. Quem não consigo destacar é Lahm.

Como centrais, Pepe, mantenho-o, foi o melhor que vi (atenção à evolução notável de Pepe nos últimos anos, afirmando-se no Porto, fazendo parte do melhor onze da Liga no ano de afirmação em Espanha e, agora, integrando a selecção ideal da Uefa). Marchena e Pujol foram sempre bem protegidos mas têm de ser destacados por raramente terem errado. Kolodin deu nas vistas na Rússia e, na Itália, apareceu um tal de Chielini que já se conhecia dos sub 21 e que pode ter tido aqui o seu inicio como referência da Selecção transalpina. Outro central que jogou a médio foi fundamental no duplo empate da Roménia: Chivu.


Médios
São tantos que é difícil escolher. Na Espanha todo o meio campo: Senna foi um esteio, quase perfeito (ainda assim, e apesar da importância da função acho uma afronta considerar-se um jogador de funções essencialmente tácticas o melhor de uma competição, como alguns fizeram), Xavi, para mim e para a maioria, o melhor do Euro, Fabregas apenas foi ofuscado pelo pouco tempo que jogou e Iniesta e David Silva (principalmente o primeiro) dois complementos fundamentais para dar à Espanha a tal qualidade de posse de bola que fez a diferença. Mas houve mais. Gelson Fernandes da Suíça teve pouco tempo, mas mostrou qualidades, Hamit Altintop foi um dos melhores do Euro pela qualidade e dinâmica emprestadas, Modric a revelação e um adocicar de boca para o seu futuro na Premier League, Sneijder o melhor até aos quartos de final, De Rossi, para mim, o melhor da Itália, Ballack intermitente mas decisivo na caminhada da Alemanha, tal como o fulgurante Schweinsteiger, Zyrianov o mais consistente de uma Rússia que teve em Semak outra boa revelação. Mas uma das performances mais perfeitas que vi foi a de Deco. É pena...

Avançados
Vou incluir aqui Arshavin que, não sendo uma revelação para quem anda atento, teve um enorme impacto... tão grande como o seu desaparecimento na meia final. De resto, é fácil escolher... Torres e Villa na Espanha, Podolski e Klose na Alemanha, Pavlyuchenko, outra revelação, na Rússia, Van Nistelrooy na Holanda e Ibrahimovic na Suécia, apesar do pouco tempo. Nota ainda para um jogador que não esteve em foco mas que creio poder tornar-se brevemente uma das referências do futebol mundial: Benzema.


Portugal
Ao contrário do que se disse, nas habituais visões fatalistas na hora da derrota, não creio que Portugal tenha desiludido em termos de qualidade de futebol. Ou, pelo menos, nos 4 momentos do jogo “corrido”. O que se viu de Portugal nos primeiros jogos foi tão bom como qualquer outra Selecção e é por isso que a frustração desta eliminação ainda é maior, porque, de facto, poderíamos ter disputado a vitória.
A conclusão que me fica é que o próximo passo tem de ser dado no sentido de querer chegar mais próximo da vitória final. É preciso mais visão estratégica e mais preocupação com os detalhes do jogo – não podemos perder um jogo com erros colectivos tão gritantes ao nível das bolas paradas! Vencer (entenda-se, melhorar as condições para) deve ser o objectivo de curto prazo do próximo seleccionador até porque ninguém nos garante que esta qualidade dure muito tempo numa selecção de um país de apenas 10 milhões. Uma nota final para Cristiano Ronaldo. Talvez seria melhor alguém explicar ao rapaz que o que fez Torres no dia 29 de Junho de 2008 vai ter muito mais importância na história do futebol do que qualquer dos golos que Ronaldo possa marcar pelo Manchester, Real Madrid ou outro clube... É que ao afirmar “não tenho nada a provar” antes da competição mais importante da época não parece evidenciar grande consciência para esse facto!


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23.6.08

Espanha: Superada a barreira dos Quartos!

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Ao quarto semi finalista surge uma Espanha que se torna na única Selecção com um percurso imaculado a chegar a esta fase da prova. Num registo de aposta na continuidade, Aragonês tem uma ideia de jogo consolidada que, como referi após o primeiro jogo, não me parece nada brilhante, mas que é sustentada por um leque de individualidades fortíssimo. Este é, aliás, o grande ponto forte espanhol quando comparado com os restantes semi finalistas. Não encantou colectivamente como a exibição russa frente à Holanda, mas, como se sabe, o peso das individualidades pode mesmo ser o mais relevante para definir o campeão...

Frente à Itália, a Espanha apareceu com Senna numa posição mais fixa como médio mais recuado atrás de uma linha de 3 (tendência natural já revelada durante os primeiros jogos), fazendo sempre o seu jogo assentar na qualidade que os seus jogadores oferecem à posse de bola. Esta é a característica da selecção espanhola que rivalizou, neste jogo dos quartos de final, com uma Itália disposta a não discutir tanto a posse de bola, e optar, antes sim, por um jogo de processos mais simples que tem sempre em Luca Toni uma referência prioritária. O que se viu foi um jogo prudente de parte a parte, sem desequilíbrios posicionais em posse de bola e uma preocupação permanente evitar as tão temidas transições do “inimigo”. Houve oportunidades, é certo, mas o 0-0 não é um resultado nada estranho.

Apesar de entender que o jogo foi bastante equilibrado, tendo em conta as características e objectivos no jogo de cada uma das equipas, parece-me que a Espanha acaba, de facto, por ser o mais justo dos vencedores. A selecção espanhola tem dificuldades evidentes em apresentar movimentos rotinados, tirando, ao invés, partido da já falada qualidade dos seus jogadores, que acabam, umas vezes melhor, outras pior, por compor as jogadas ofensivas. Há ainda uma notória dificuldade em dar largura ao seu jogo ofensivo, com os médios ala a jogarem muito mais no espaço interior e os laterais a aventurarem-se muito pouco ofensivamente. Ainda assim, maiores terão sido as limitações da selecção italiana. É certo que, ao contrário da Espanha, sabe sempre a forma como vai fazer a bola chegar às zonas de finalização, tendo um jogo mais vertical e objectivo, mas o recurso a Luca Toni tornou-se obsessivo e acabou por absorver em demasia as acções ofensivas dos transalpinos. Ora com passes verticais para as costas da defesa (na ausência de Pirlo este recurso foi claramente menos eficaz), ora com cruzamentos largos, sempre à procura de Toni (muitas vezes feitos com a participação ofensiva dos laterais), as jogadas italianas acabavam sempre por morrer na incapacidade que Toni revelou para vencer os seus duelos ofensivos. Com Donadoni a não apresentar qualquer alternativa ao avançado do Bayern, foi a Espanha quem acabou por dar melhor sequência às suas acções.

Vencendo nos penaltis e num dia traumático, a Espanha acredita agora que, quebrada barreira psicológica dos quartos de final, esta poderá, mais do que nunca, ser a equipa vencedora do Euro. Será muito curioso a repetição do embate com os russos, mas não creio que, em caso de derrota, esta seja uma experiência com menos sabor a frustração para os espanhóis...

Breves notas individuais para Fabregas e Aquilani. O primeiro mexeu com o jogo com a sua entrada e será, assim à moda da basquete, o melhor 12º jogador desta prova. O segundo era uma curiosidade que tinha de ver jogar nesta prova. Infelizmente o posicionamento de Aquilani, descaído sobre a direita, acabou por tornar o jogo deste entusiasmante jovem da Roma numa exibição muito discreta... é que nem um rematezinho!

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18.6.08

França - Itália: Quem desilude mais?

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Era um dos jogos mais aguardados mal foi conhecido o sorteio inicial. A verdade, porém, é que França e Itália protagonizaram um duelo que pareceu sempre um concurso para ver quem mais merecia perder do que uma normal disputa positiva pela vitória. Nesse aspecto, foi evidente, os franceses superiorizaram-se, tornando quase inevitável uma eliminação que foi aproveitada pela Itália para seguir em frente, também, graças à prestação holandesa. Mais vamos por partes:

França
Se me perguntassem que selecções me desiludiram neste Euro, poderia falar da Polónia, não pelas prestações individuais, que já se sabia não serem grande coisa, mas pela estratégia definida por Leo Beenhakker, contrastante com aquilo que se viu na qualificação. No entanto, a um nível muito mais evidente em matéria de decepções vem, sem dúvida, a selecção francesa.

De facto, julgo ser difícil fazer um trabalho pior do que aquele que Domenech realizou. No primeiro jogo, frente à Roménia, um deserto de ideias com um 4-4-2 clássico completamente despropositado, sem ligação ofensiva e sem qualquer princípio de jogo que fosse interpretado com uma qualidade colectiva suficiente para que se dissesse que aquilo que viamos era uma equipa e não um simples conjunto de jogadores.

Frente à Holanda mudanças positivas, retirando um avançado e colocando Ribery mais solto. Aqui a fortuna não foi muita, é certo, mas nessa partida veio ao de cima outro aspecto que marcaria esta prestação francesa: uma gritante falta de concentração individual. Assim, a Holanda cumpriu o plano, chegou à vantagem (tirando partido da lacuna que referi) e, depois de sofrer e sobreviver ao melhor período gaulês na competição, transformou a vitória numa expressiva goleada.

Finalmente, o teste definitivo: a Itália. Regresso ao 4-4-2 sem ideias e mais mexidas, incluindo uma adaptação de Abidal a central, como se a França tivesse poucas soluções de raiz para essa posição. Assim, no terceiro jogo, juntou-se tudo o que de mal se havia visto nas primeiras 2 partidas: limitações colectivas e lapsos de concentração individuais. O resultado foi, inevitalmente, a derrota.
Sinceramente tenho dificuldades em perceber que tipo de preparação fez a França. O que é que Domenech pensou sobre a sua estratégia e que tipo de treinos fez? É que não pareceu mesmo nada que alguém tivesse preparado fosse o que fosse...

Itália
Qualificou-se e, pode dizer-se, que até não desmereceu a chegada aos quartos. A verdade, porém, é que nunca mostrou futebol ao nível de um candidato.

Esta equipa Italiana será, daquelas que vão chegar aos quartos de final, aquela que menos recorre a um jogo apoiado. Donadoni optou por apresentar uma réplica (com diferenças óbvias em relação ao original) do 4-3-2-1 do Milan, tentando tirar partido da força dos 3 homens de meio campo para as recuperações e da sua qualidade de passe para os repetidos passes de rotura que têm como objectivo tirar o melhor partido do poderio físico de Luca Toni e da capacidade de movimentação dos 2 homens que mais perto dele jogam.

Ainda assim, pode dizer-se, que a melhor qualidade desta Itália esteve no seu processo ofensivo, conseguindo criar situações de golo suficientes em todos os jogos para ter marcado mais golos do que aquilo que realmente fizeram. Já defensivamente as coisas foram francamente negativas. Perante ataque organizado, o seu pressing nunca foi verdadeiramente eficiente (contra a Holanda esse foi um aspecto decisivo), e em transição sofreu igualmente alguns dissabores (o que costumava ser raro em selecções italianas do passado). Para completar o cenário, falta falar da concentração individual, também abaixo do nível que se espera numa formação como a Italiana.

Já aqui referi que as equipas que normalmente ganham estas provas são aquelas que melhor evoluem durante a competição, mais do que as que melhor se preparam. Neste aspecto, a Itália tem todas as hipóteses de recuperar o terreno perdido, sendo, não pelo que demonstrou mas pelo potencial que se lhe reconhece, uma candidata ao triunfo final. O que não posso aceitar são os comentários assentes em preconceitos, que, previsivelmente, agora dizem que esta é uma equipa forte defensivamente, calculista, cínica, etc. etc... É que não creio mesmo nada que Donadoni tivesse este sofrimento nos seus cálculos ou que a selecção italiana tenha controlado fosse o que fosse. A coisa saiu bem, muito por culpa da desastrosa prestação francesa, mas o calculismo e cinismo foi o mesmo daquela equipa que, com Trappatoni, foi eliminada do Euro 2004 por depender de terceiros para se qualificar...

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