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24.6.11

Leitura e consequências da saída de Villas Boas

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1- Noutro contexto, a Europa olharia desconfiada para Villas Boas e não lhe abriria tamanha oportunidade "apenas" com uma Liga Europa. A "febre Villas Boas" teve como catalisador de reacção, a herança de Mourinho. Não apenas por ter saído da sua equipa técnica, mas sobretudo porque a experiência de Mourinho conseguiu resultados extraordinários e que ainda estão bem presentes na memória de todos. Ou seja, não fossem as sucessivas declarações de Villas Boas, despistando o interesse no "salto", e este seria um cenário há muito antecipado por todos, fosse o destino o Chelsea, ou qualquer outro "tubarão".

2- O Chelsea é, a meu ver, uma das equipas que melhores recursos individuais tem na actualidade. Melhores do que os rivais internos, por exemplo. Recursos que, com Villas Boas, têm tudo para reassumir favoritismo principal na Premier League e reentrar na corrida pelo topo europeu, estatuto que, por estes dias, apenas o Real Madrid parece ser capaz de discutir com o Barcelona. Para o interesse do futebol europeu de topo, parece-me uma boa notícia.

3- O primeiro grande interesse sobre Villas Boas, estará na sua opção pelo modelo de jogo. Levará com ele o 4-3-3 do Porto, procurando depois os jogadores ideais? Eu arrisco que não. Arrisco que a sua orientação passará por identificar as mais valias que tem (e poderá ter), e que será a partir delas que definirá o seu modelo. Delas, e do contexto "Premier" do jogo, claro. Essa é orientação metodológica que penso que seguirá na definição do modelo (e que, sem prejuízo deste raciocínio, poderá redundar algo que utilize a mesma estrutura, 4-3-3), mas não me atrevo a projectar qual possa ser a resposta final...


4- Se a orientação metodológica que descrevi no ponto anterior estiver correcta, não fará sentido encarar a postura de Villas Boas no mercado como demasiado centrada no alvo "A" ou "B". Ainda que seja essa a ideia que a comunicação social passou, assim que a sua mudança se tornou eminente. Duvido, neste sentido, que Villas Boas esteja ansioso por trocar Torres. Pelo contrário, acredito que gostasse de ter com ele Falcao, mas não para perder o espanhol.

5- Curiosas, as primeiras declarações de Villas Boas, de novo salientando a importância da "estrutura", do trabalho herdado, e da sua própria modéstia em termos de contributo para o sucesso. Algo que, sucessivamente, se ouviu dele enquanto treinador portista.

6- Discordo da opinião geralmente difundida de que a saída de Villas Boas seja boa para o interesse da Liga. Primeiro, porque acho difícil que se conclua um raciocínio que assenta na tese da perda de qualidade, com o adjectivo "interessante". Não faz sentido. É como achar que a II Liga é mais "interessante" do que a I Liga por ser mais equilibrada, ou que a qualidade não tem "interesse". É o culto da mediocridade.

7- O segundo motivo por que não concordo com o raciocínio de que a perda de Villas Boas deixa a Liga portuguesa mais "interessante", tem a ver a suposição de que o Porto ficará substancialmente mais fraco. Primeiro, não é preciso muita memória para perceber o quão errado pode ser subestimar a capacidade de regeneração dos portistas. Aliás, se há coisa que o tempo prova é que o sucesso continuado do Porto não tem a ver com a unicidade dos seus sucessivos protagonistas. Sem que isto desfaça, realmente, o carácter único de muitos deles. Depois, porque desta vez a alteração nem parece abrir grandes fendas do ponto de vista metodológico/filosófico. Vitor Pereira era o elemento mais próximo de Villas Boas e o seu discurso (mesmo anteriormente à convergência profissional) apontava para ideias muito parecidas. A única hipótese - e excluindo aqui eventuais saídas de jogadores - de haver uma rotura grande será do ponto de vista de liderança, mas esse nunca foi visto como um ponto que distinguisse o agora técnico do Chelsea.

Diria que enquanto os seus rivais continuarem a olhar demasiado para o Porto, seja pela tentativa de cópia, seja pela esperança do eternamente adiado ponto de inflexão negativo, o mais provável é que o pódio do futebol português, mais excepção, menos excepção, permaneça inalterado.

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23.8.10

6 é o número!

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- 6 pontos levam os líderes, Porto e Nacional. 6 de vantagem sobre o campeão e maior candidato no arranque, o Benfica. 6 pode parecer pouco agora, mas 6 serão 6, quer no inicio, quer no fim. Ainda assim, 6 pontos não é o mais importante que o Porto ganhou em relação ao Benfica neste arranque de época. O que é mais importante é a estabilidade para evoluir. O futebol não entusiasma por aí além, mas, enquanto a concorrência procura o melhor ansiolitico, o Porto tem confiança e estabilidade para evoluir e continuar a ganhar. E já deu para ver o que a confiança e estabilidade podem fazer ao talento. Falcao e Belluschi para já, Hulk virá mais tarde...

- Em Alvalade, o atraso ainda não é de 6. Não é, mas podia ser. O Sporting ganhou, podia ter empatado ou até perdido. É a tal volatilidade de que há muito venho falando. O problema deste Sporting de Paulo Sérgio é que todos os sintomas indiciam um estado crónico e só uma combinação muito improvável de factores virarão o seu destino. Enquanto tenta resistir, é curioso ver a ironia do destino. Paulo Bento foi durante muito tempo criticado - erradamente, a meu ver - por jogar sempre com o mesmo sistema. Hoje, a critica que pegou moda para Paulo Sérgio é que... joga sempre com sistema diferente...

- Entretanto, anda tudo deliciado com a moda dos 6 em Inglaterra. É giro elogiar festins de golos, mas, se me perguntarem, é tão problemático para uma liga ter golos a menos como golos a mais. Especialmente se forem todos para o mesmo lado. Mais importante do que o entretenimento é a competitividade.

- No Brasil, acabados de terminar, clássicos do Rio e São Paulo com influência na luta pela liderança. O Corinthians parece querer mostrar que pode sobreviver à baixa de Mano Menezes: 3-0 ao São Paulo e mais perto do líder 'Flu'.

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28.6.10

Diário de 'Soccer City' (#17)

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O dia mais importante do Mundial até ao momento. Teve entretenimento, emoção e grandes estrelas. Todos os condimentos para ser um grande dia para o futebol. O que todos sabemos, porém, é que este dia ficará na História dos mundiais como um dos mais polémicos de sempre. De repente, o mundo deu de caras com as fragilidades do jogo, e com erros humanos que – ao contrário do que muitas vezes se diz – não só não deviam fazer parte do jogo, como seriam facilmente evitáveis. Como sempre, não vou falar de arbitragens, mas, porque não dá para contornar um “monstro” destes, não poderia deixar de começar por este apontamento. Afinal, este até poderá ter sido um excelente dia para o futebol. Assim alguém queira...

Alemanha – Inglaterra
Polémicas à parte, creio que já poderemos anunciar um vencedor: Joachim Low. Ainda vou bem a tempo de ser surpreendido por algum outro concorrente, mas duvido seriamente que tal aconteça. Esta Alemanha não tem nenhuma estrela do futebol mundial, e pode até dizer-se que tem algumas carências em determinadas posições. Pode dizer-se, por isso, que está longe de ser uma potência em termos individuais, mas é-o seguramente em termos colectivos. E isso deve-se àquele que é o treinador com melhor trabalho neste mundial.

No lançamento do jogo tinha falado da maior qualidade colectiva dos alemães, mas não evitei deixar a porta aberta para um brilharete inglês. Pela seu potencial e pela forma como chegou até este mundial. Mais uma vez, porém – e é um dado comum nesta prova – foi a lógica do jogo que vingou. Ou seja, ganhou quem era melhor e não tivemos nenhuma surpresa neste sentido.

Como pode a Inglaterra ser tão vulnerável em posse? Como pode ter tantas dificuldades em encontrar soluções de passe? Como pode um central como Terry ter uma abordagem tão desastrosa a uma primeira bola? Como pode uma defensiva perder-se tão facilmente com as movimentações germânicas? Como pode Johnson não fazer falta sobre Schweinsteiger numa situação de 3x2 e quando ainda não tinha um cartão amarelo? Como pode Barry jogar? Tudo perguntas para Capello. Quanto a mim, para todas elas tenho a mesma resposta: não devia poder.

Sobre a Alemanha, a confirmação de uma qualidade que não enganou desde o primeiro jogo – a Sérvia não foi mais do que um acidente. Os melhores, para mim, voltaram a ser Schweinsteiger e Ozil. A espinha dorsal da equipa, e a grande injecção de qualidade desde o Euro 2008. Desta vez, porém, há também que deixar uma palavra de realce para o notável jogo do tridente ofensivo: Podolski, Klose e Muller. Todos eles tiveram uma movimentação excelente, permutando de forma notável com as movimentações de Ozil, e abrindo crateras numa defesa inglesa que sucumbiu sempre por onde era mais proibido: a zona central.

Argentina – México
E a Argentina passou mais uma barreira. Não começou por ser fácil, mas acabou por sê-lo realmente. O México tinha tudo para fazer um jogo mais inteligente e para explorar melhor as fragilidades defensivas dos argentinos. Até começou por fazê-lo, mas, creio, acabou por pagar a factura de não ter um plano de jogo tão claro como aquele que apresentou frente à França.

Não que esperasse uma grande qualidade táctica dos mexicanos, mas de facto pensei que pudessem fazer melhor. Franco não jogou de inicio e a possibilidade de o utilizar como “pivot” para as primeiras bolas não foi repetida. O facto de Messi jogar demasiado baixo e decidir em zona de construção como se estivesse nas imediações da área, também não fez parte das prioridades no plano estratégico mexicano. Por fim, claro, há que falar de mais um erro próprio de divisões amadoras. Algo que não pode acontecer, mas que se tornou numa espécie de lugar comum neste Mundial.

Tudo isto foi demasiado para que os mexicanos pudessem sobreviver, e assim permanece viva a pergunta: será possível esta Argentina ser campeã Mundial?



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24.6.10

Diário de 'Soccer City' (#13)

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Jogado o segundo dia de decisões na fase de grupos, estão já definidos 4 jogos dos oitavos de final. Apesar de ser a rodada das decisões, a verdade é que poucos motivos há para olhar muito para os derradeiros embates da fase de grupos. As “fotografias” das equipas já estão recolhidas, e a cada um dos apurados abre-se também a luz sobre o caminho que a espera até à desejada final. É por isso que o interesse recai, nesta altura, muito mais em olhar para a frente do que para trás, e é por isso também que aproveito o momento para deixar algumas notas sobre os emparelhamentos já definidos. Antes, porém, fica a nota: entre Uruguai, Coreia, Estados Unidos e Gana sairá um improvável semi finalista. Este cruzamento apetecível está ao alcance do 1º classificado do grupo G – o de Portugal. Juntando este aliciante, à probabilidade da Espanha ser primeira, fica claro que o Brasil-Portugal pode vir a tornar-se num embate bem mais importante do que à partida possa parecer.

Uruguai – Coreia do Sul
Escrevi sobre o Uruguai no primeiro jogo, e dele não disse boa coisa em relação à qualidade colectiva. Talento não falta no Uruguai, e essa capacidade deverá ser suficiente para merecer o favoritismo. Sem lhe retirar esse crédito, porém, volto a realçar as minhas reservas sobre a organização dos sul americanos. A este aspecto junto um outro, o da mentalidade, para concluir que, apesar de favorito, o Uruguai deve manter os pés bem assentes na terra se não quiser estragar uma oportunidade de ouro que tem para regressar aos grandes palcos de uma fase final do campeonato do mundo.

Estados Unidos – Gana
É-me difícil falar deste jogo, porque o acho realmente fraco. Há bons jogadores em ambos lados e no caso dos Estados Unidos há um pouco mais do que isso também. No entanto, não vejo em nenhum dos conjuntos uma grande qualidade. Apesar de haver mais casos de talento no lado africano, parece-me que a organização e experiência dos americanos justifica o favoritismo. Aliás, poderemos vir a assistir a uma histórica caminhada de um destes conjuntos.

Alemanha – Inglaterra
Ora aí está o prato forte. Um jogo destes vale quase por todos os oitavos de final – embora se adivinhem outros embates titânicos. A Alemanha é, a seguir, à Espanha a selecção que mais me agrada do ponto de vista colectivo. Mas pode não bastar. Ozil e Schweinsteiger são as unidades essenciais deste conjunto e perder alguma delas, creio, será um golpe que dificilmente deixará de abalar seriamente as pretensões germânicas. Do outro lado, temos um caso quase oposto. A Inglaterra tem algumas das unidades mais determinantes do futebol actual, mas em falhado colectivamente. As coisas melhoraram frente à Eslovénia. Rooney reapareceu, Defoe ganhou o lugar e Gerrard voltou a provar que a discussão em torno da sua utilidade à esquerda não é mais do que um dos habituais sofismas de quem procura justificações imediatas para problemas mais complexos. Mais, Milner fez lembrar Beckham a cruzar e terá, também ele ganho um lugar. O colectivo de Capello não é brilhante mas pode estar a ganhar uma forma. Acredito que a História nunca se repete sempre e, não sei porquê, parece-me que pode ser desta vez que a sorte da Inglaterra possa mudar. A ver vamos...

Argentina – México
Pode a Argentina ser campeã?! A pergunta pode parecer tonta para a maioria. Afinal, poucas selecções terão entusiasmado tanto o grande público como a ‘albiceleste’. Para mim, porém, esta Argentina não pode logicamente ganhar o mundial. Não pode, porque não percebe o que são equilíbrios tácticos, porque facilmente se alonga no campo e abre o campo de ataque ao adversário, porque decide mal e arrisca excessivamente em zonas onde não o pode fazer. Para mim, esta Argentina pode cair a qualquer momento e parece-me impensável que esse momento não chegue até ao último apito da prova. Seria um grande contra senso, um grande equívoco, diria mesmo. Mas todos sabemos que no futebol a bola é bem redonda, e poucos a tratarão tão bem quanto os argentinos. É por tudo isto que a dúvida permanece viva: será possível?!



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19.6.10

Diário de 'Soccer City' (#10)

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E o Mundial que não pára de surpreender! Depois da Espanha, depois da França, e no mesmo dia, Alemanha e Inglaterra dão passos atrás numa qualificação que à partida parecia adquirida. Dois casos distintos, é certo, mas em qualquer dos cenários estamos perante candidatos reais a disputar a fase terminal da competição. De qualquer forma, não deixa de ser interessante equacionar o que poderá ser desta competição se todos estes "pesos pesados" fossem já eliminados...

Difícil dizer quem está em piores condições, mas no que respeita ao futebol propriamente dito, parece-me evidente ser menos preocupante o caso alemão. A derrota foi altamente condicionada por uma série de factores e dá até para dizer que a Alemanha teve uma boa reacção a todas as adversidades. Apesar disso de nada lhe ter valido. De novo em destaque a boa movimentação com bola e a segurança da posse. De novo, também, a importância de 2 elementos centrais no jogo da equipa. Schweinsteiger e Ozil. O primeiro claramente como “pivot” de todo o jogo da equipa, oferecendo permanentes apoios à posse e jogando sempre seguro. Importante – muito importante! – também o seu papel na transição ataque-defesa. O segundo, Ozil, é de facto a fonte de criatividade e imprevisibilidade do jogo alemão. Não apenas pelo que faz com bola, mas pela movimentação que assume ao longo dos espaços. Não espanta que sem ele em campo a Alemanha não tenha marcado um único golo nos 2 jogos e, aliás, parece-me que as suas substituições coincidem com uma quebra na produtividade ofensiva da equipa.

Mas se a Alemanha perdeu, perdeu também porque jogou frente a uma das mais homogéneas selecções do torneio. Em termos individuais, isto é. Não consigo dar grande mérito colectivo à Sérvia. Pressionou alto, mas normalmente mal e com bola pouco mais fez do que recorrer a Zigic como plano concreto para chegar à frente. O que acontece é que a densidade da equipa na linha média e sua qualidade individual fazem da Sérvia uma equipa, primeiro difícil de bater pela capacidade de sofrimento que tem no último terço e, depois, capaz de criar desequilíbrios através das boas individualidades que tem em todos os sectores.

Finalmente, a Inglaterra. Uma desilusão a sua qualidade. Demasiados erros individuais, exibições desinspiradas e colectivamente um futebol pouco ligado, com muito espaço entre jogadores e sectores, que impede uma fluidez mais constante. Há ainda, para além de tudo isto, alguns aspectos tácticos que julgo merecer revisão. A ideia de Gerrard partir da esquerda não é má. É, aliás, na movimentação interior do 4 inglês que reside a maior fonte de desequilíbrios da equipa. Aí e no pressing que Capello fez questão em implementar à sua equipa. Mas, depois, há alguma distância entre sectores, com a equipa a preferir baixar a sua linha recuada a mantê-la alta para aproximar o conjunto. Não se vê a razão de ter de actuar com 2 avançados quando, claramente, Heskey não tem andamento para os objectivos que estão propostos ao colectivo. Mais, parece muito mais útil um modelo com um avançado e que potencie os movimentos de Lampard e Gerrard na zona de finalização do que este, que distancia sectores e não tira qualquer partido das duas unidades da frente.

Dizia-me alguém que com Capello eles vão fazer um mundial “the italian way”. Não convencer no inicio, sofrer, e depois embalar para uma prestação em crescendo. Bom, as duas primeiras partes deste “plano” estão confirmadas...



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7.5.10

As probabilidades do título...

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Semana decisiva em Portugal e nos vários campeonatos europeus. Campeões em aberto, sim, mas quanto realmente há por jogar? A resposta, objectivamente, só os “especialistas de segunda feira” poderão responder. Acertar sempre foi com eles. Como eles estarão fechados até ao final do fim de semana, resta-nos fazer contas que, tristemente, não podem resultar me mais do que percentagens. Aqui, sigo a doutrina das tão populares agências de rating e distancio-me de opiniões pessoais para confiar apenas naqueles que mais motivos têm para não se deixar levar pelas emoções. As casas de apostas, claro. Toda a fé é legítima e a partir daqui cada um acredita no quiser...

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1.5.10

1986: Nem Deus, nem diabo... Maradona!

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É até escusado introduzir. O México 86 não será nunca um mundial igual aos outros devido a ele. Maradona. A História do futebol diz-nos que não chega o talento. São precisos momentos especiais nos grandes palcos para que os maiores craques virem lendas. E, neste contexto, ninguém terá tido um processo de imortalização como Maradona naquele Mundial. Para a posteridade, como se não bastasse um título praticamente “a solo”, fica um jogo em que teve o condão de protagonizar, em menos de 5 minutos, aqueles que foram, provavelmente, os 2 momentos mais memoráveis na História do Jogo. Dir-se-ia que se, naquela tarde de 22 de Junho, Deus e o diabo desceram ao estádio Azteca, então certamente que se cruzaram!

Na verdade, fazendo uma contextualização cronológica do Jogo, o Mundial de 86 representa uma espécie de retrocesso brusco na evolução da importância do colectivo sobre o individual. De repente, parecia que tudo se definia pela qualidade de 1 só jogador. Maradona era o centro do jogo argentino de uma forma que mais nenhum jogador conseguia ser, e – espante-se! – isso parecia fazer dos argentinos imbatíveis. Digamos que no alinhamento do 11 argentino importava Maradona e tudo o resto era excesso de informação.

No que respeita ao jogo, ele foi, como não podia deixar de ser, ditado pela evolução do próprio 10 argentino na partida. Os ingleses entraram visivelmente temerosos e encolhidos. A tal ponto que se pode dizer que a Argentina dominava territorialmente quase sem fazer nada por isso. O que se passou depois foi um processo de descompressão táctica inglesa, com a equipa a alongar-se progressivamente no campo. À medida que o foi fazendo, porém, foi também criando mais e mais espaços entre linhas, mais e mais oportunidades de transição. E, assim, foi-se criando o "ambiente" para Maradona, até à dupla inspiração do capitão argentino. Depois do 2-0, o jogo mudou radicalmente. A Argentina baixou e os ingleses passaram a dedicar-se a um assalto à área contrário, muitas vezes através do seu célebre pontapé longo. Barnes, uma espécie de “Maradona inglês”, criou de forma soberba o 2-1 que Lineker encostou. A mesma jogada, aliás, voltou a ser protagonizada pelos mesmos pouco depois e quase forçou um empate, na sequência de uma perda de bola de... Maradona.

Sobre Maradona, há algo que queria acrescentar. Desde muito cedo na sua carreira se percebeu que estava ali um talento raro. Aliás, a grande diferença entre a Argentina de 82 e 86 era precisamente a percepção de quem era a sua grande referência. Provavelmente o título de 78 e o protagonismo dos seus heróis terá dificultado esta compreensão e isso impediu outro trajecto no mundial de Espanha. Mas o que quero realçar sobre Maradona, individualmente, é algo que raramente é referenciado. Obviamente que a sua visão e técnica foram os ingredientes que o tornaram especial, mas também no aspecto físico Maradona era excepcional. As suas progressões em posse, as suas mudanças de direcção só foram possíveis pela agilidade e capacidade de equilíbrio que possuía. Algo que se foi tornando menos evidente com o evoluir da carreira, mas que fica muito claro quando se vê Maradona nos seus primeiros anos.



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8.4.10

Os golos e... os árbitros

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Sendo um tema que procuro evitar, há certas coisas que me merecem alguma reflexão. Esta é uma delas. O número de golos por jogo. Será normal que haja tão grande discrepância entre esta estatística de árbitro para árbitro? A mim parece-me que não. Parece-me que as diferenças verificadas vão bem para além do que seria expectável.

Passo então a explicar a tabela que suporta a discussão. Nela estão os jogos disputados nas ligas profissionais (Vitalis e Sagres) desde o inicio da época anterior. Para além disto, na tabela estão apenas os árbitros com mais de 25 jogos neste período.

É normal que os números não sejam todos idênticos. É normal que haja a influência do factor aleatório num número total de jogos que não vai muito além das duas dezenas. O que não me parece normal – e repetindo-me – é a dimensão das discrepâncias.


Repare-se, entre as actuais equipas nestas 2 provas, o Benfica é a equipa que mais golos tem em cada um dos seus jogos (3,2), estando a Naval no extremo oposto (1,8). Ora, porque cada equipa tem as suas forças, fraquezas e especificidades, é natural esta diferença. Não tendo, supostamente, uma influência no número de golos, os árbitros deveriam ter uma variabilidade muito mais suave do que a das próprias equipas. Deviam... mas, espantosamente, não é isso que acontece.

Para que haja um referencial comparativo, numa análise semelhante à Premier League, vemos que as discrepâncias não são minimamente comparáveis. Se em Portugal, entre os 3,2 de João Capela e os 1,7 de Luis Reforço, chegamos a uma variabilidade de 63% em relação à média. Na Premier League, esta variabilidade é de... 23%!

A não ser que os avançados se inspirem com uns e os guarda redes com outros, o que estes dados apontam é para uma grave diferença de critérios entre os árbitros em causa. Não sei se alguém já o fez, mas... alguém devia olhar para isto.



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18.3.10

1962: O dia em que Garrincha deu show e... adoptou um cão!

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4 anos volvidos, e a quase meio mundo de distância... o mesmo resultado. O Brasil confirmava no Chile ser a força dominadora do futebol mundial, repetindo, em 1962, o título conquistado na Suécia. O poderio “canarinho” foi de tal forma evidente que ninguém pareceu dar conta da perda do “Rei”, logo ao 2º jogo, frente à Checoslováquia. Sem Pelé o espaço mediático estava aberto para outra figura: Garrincha. De todas as suas exibições, provavelmente a mais memorável terá sido esta, frente à Inglaterra, nos quartos de final.

A equipa brasileira era basicamente a mesma da Suécia. Sem Pelé, abriu-se espaço para que o também jovem e talentoso Amarildo se juntasse à frente de ataque, dando mais peso à representatividade do Botafogo. Nos 4 da frente, para além de Amarildo, também os extremos Garrincha e Zagallo faziam parte da equipa carioca, assim como os experientes Nilton Santos e Didi, que alinhavam mais atrás. Sobre Didi, aliás, vale a pena falar um pouco mais. Depois de ter sido a força da equipa em 1958, apareceu igualmente importante no Chile, enchendo o campo a partir da zona central. Didi estava agora com 32 anos e a seguir à prova iria deixar a Selecção.

O jogo não começou fácil para o Brasil. A Inglaterra tinha algumas figuras emergentes como Bobby Charlton, Bobby Moore ou Jimmy Greaves, e deu boa réplica aos campeões mundiais. A força das individualidades brasileiras viria, no entanto, a provar-se demasiado forte para os ingleses e uma figura em particular deu nas vistas: Garrincha.

Se havia jogador que o mundo inteiro conhecia, era ele. As suas fintas eram temidas e, por isso, as equipas preparavam-se para elas. Garrincha, por seu lado, parecia obcecado pelo seu próprio potencial. Invariavelmente optava pela iniciativa individual e pelo seu arranque estonteante. A verdade, porém, é que várias vezes se tornava inconsequente. Garrincha podia ter um drible fabuloso mas, digo eu, a sua fama só pode ficar para a eternidade devido a outros predicados. De facto, o extremo do Botafogo apareceu em 1962 bem mais versátil do que 4 anos antes. A sua capacidade goleadora veio ao de cima e, para além dos dribles, Garrincha fez golos de cabeça e de fora da área. Frente à Inglaterra abriu o activo de canto e, depois, fechou-o com um espantoso remate ao ângulo. Pelo meio, claro, muitos dribles...

Depois do 3-1 à Inglaterra, o Brasil seguiu para o palco principal. Santiago e o estádio Nacional. O adversário foi o Chile e no estádio não cabia, seguramente, mais 1 pessoa que fosse. Garrincha, para a desgraça local, aplicou a mesma fórmula. 1 golo de canto e outro, fantástico, de fora da área. O resultado, desta vez, foi de 4-2 e importa dizer que o 7 foi expulso já na etapa final. Os tempos eram outros e o vermelho não o impediu de alinhar na final frente à Checoslováquia.

Para terminar, uma referência a um acontecimento destes quartos de final. Ainda na primeira parte, um pequeno cão invadiu o terreno e ninguém o conseguia agarrar. Garricha tentou primeiro, mas foi Greaves que, de joelhos, conseguiu parar o pequeno animal. Acontece que o sucesso do jogador inglês teve "recompensa". O cão urinou em cima de Greaves e, segundo consta, caiu nas graças do próprio Garrincha que o terá adoptado no final do jogo.




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30.12.09

2010: ano "Gunner"?

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Quem tem um modelo de menor investimento está, no longo prazo, condenado a isto. Esperar. Tem sido assim a vida do fantástico Arsenal de Wenger. Fascinante futebol colectivo mas incapacidade de se impor quando, noutras paragens, os milhões são bem aplicados. A boa notícia é que em Londres tem havido essa paciência, própria de quem acredita no que faz. O rumo não se desviou e, na viragem para 2010, parece possível pensar num regresso ao topo da Premier League.

É sempre demasiado cedo em Dezembro. Ainda assim, o Chelsea de Ancelotti está longe de ter um rendimento óptimo, parecendo apenas alicerçado na inegável qualidade do seu plantel. Normalmente isto significaria título garantido lá mais para norte, mas o United está também em tempo de reestruturação e tem pago algumas facturas que lhe são atípicas. Juntando isto ao fracasso (mais um) de Benitez e do Liverpool e às dores de crescimento do outro vizinho de Manchester, pode estar aberta uma via de acesso para Wenger juntar o entretenimento ao sucesso.

Por tudo isto, mais do que nunca, fazem sentido as apostas (que, já agora, mantêm os “Blues” como grande favorito). Se me perguntarem, digo que sem laterais ofensivos a vida de Ancelotti vai ser muito complicada. Que a “velha raposa” escocesa dificilmente não aparecerá mais forte na segunda metade. Mas, também, que estão criadas as condições para que 2010 seja um ano “Gunner”.


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16.12.09

James Milner...

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11.9.09

Análise vídeo: Meireles, Lampard, Gerrard e o ataque italiano

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Meireles, “programado” – 2 lances que são excepção num jogo sem espaços. Ambos finalizados por Ronaldo, mas ambos com outro ponto em comum, mais atrás, na origem do lance. Raúl Meireles. O médio português trouxe para o jogo da Selecção uma característica do jogo... portista. E não podia ser de outra forma. É que se o principio de procurar instintivamente um companheiro no flanco oposto faz parte da “programação” incutida por Jesualdo Ferreira, pode dizer-se que Meireles já tem tempo suficiente para estar completamente “programado”. E está.
 
No primeiro lance, uma transição iniciada pela recuperação do próprio. E é assim, em transição, que este instinto se torna mais temível no Porto. Normalmente há sempre um extremo no flanco oposto, disponível para aproveitar o espaço existente. Neste caso, e embora num sistema diferente, havia Ronaldo. Talvez, ou mesmo provavelmente, fosse circunstancial, mas a verdade é que resultou na mesma medida. Ainda sobre o lance, nota para o pânico do defensor que recua e é incapaz de controlar o lance, acabando Ronaldo por finalizar em zona central e com o melhor pé. Faltou a eficácia apenas, e... outra vez.

No segundo, aquilo que Portugal deveria ter conseguido muito mais vezes na fase final do jogo. Ou seja, com a subida da pressão húngara, aproveitar os espaços. E de novo, Meireles na origem. Simula tentar a profunidade e assim ganha espaço para receber em apoio. Espaço e tempo para fazer o “programado”. Receber de forma orientada para procurar, rapidamente alguém do outro lado, onde está o espaço. Se não houvesse movimento, a jogada perderia o seu tempo e, forçosamente, muito do seu potencial. Como Tiago percebeu rapidamente a situação, o desequilíbrio tornou-se fácil. Pena que seja tão raro.
 

Lampard & Gerrard, médios de campo inteiro – Na goleada da Inglaterra, 3 golos semelhantes. De cabeça, na grande área, marcados por médios. Gerrard e Lampard. Há médios muito mais criativos e tecnicamente dotados no mundo. Mas, normalmente, esses jogadores encontram também na linha de grande área um limite para o seu jogo. Para Gerrard e Lampard, o campo é maior do que o espaço entre as duas áreas e estas não são um obstáculo mas sim uma oportunidade. Uma questão de cultura.

Entre os lances dos 3 golos, repare-se no pormenor de que, em todos eles, a acção começa na zona frontal à frente da área. Na eminência do cruzamento, o ataque à zona de finalização é feito mas de forma tardia, esperando pela definição do posicionamento dos defensores para, depois, ocupar os espaços complementares. Ajuda também ter gente que cruza de forma inteligente e que não se limita a bombear a bola para a área. É o que acontece com Lennon e Glen Johnson.
 

Iaquinta & Gilardino, o perfil transalpino – Não é a primeira vez que elogio o perfil dos avançados italianos. Pode não haver uma referência de elite no futebol actual, mas continuo a ser um admirador da forma inteligente e agressiva como este tipo de jogadores se move no último terço. A abrangência das suas virtudes não se esgota no que está retratado no lance em causa, mas este é simplesmente irresistível. Criar apoios frontais mas com uma total noção do que se vai fazer a seguir. Inteligência e repentismo. Fantástico!

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22.5.09

Newcastle, no topo dos 'gigantes' sob ameaça

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O fim de semana futebolístico definirá muitas questões que certamente marcarão o final e o começo de trajectos relevantes em equipas dos mais variados países. Entre possíveis campeões e eventuais despromovidos, há um caso que merece particular destaque. Pela importância do clube e pelo carácter estranho de um trajecto que não se resume a esta temporada desportiva. Refiro-me ao Newcastle United. Os ‘Magpies’ têm a esperança depositada na veia goleadora de Cristiano Ronaldo e Anelka para que Manchester e Chelsea possam dar uma ajuda, batendo Hull e Sunderland. Na verdade, bastará um, já que o Newcastle é a primeira equipa abaixo da linha de água. O problema, arrisco eu, é que a deslocação a Villa Park poderá não ser o mais fácil dos desafios para pontuar. Caso o pior cenário se confirme, o futebol inglês verá tombar um 'gigante' que há muito anda a cambalear...


O estranho trajecto dos ‘Magpies’ na Premier League
Quando chegou à Premier League, em 1993 o Newcastle pareceu tornar-se num caso de ascensão meteórica, tornando-se rapidamente numa das equipas de topo da Premier League. Assim foi nos primeiros anos, sob o comando do mítico Kevin Keegan. Contrataram-se estrelas como Ginola, Les Ferdinand, Asprilla, Shearer ou o defesa Phillipe Albert e os ‘Gagpies’ chegaram mesmo a parecer campeões anunciados em 1995 quando lideraram a Premier League até perto da fase final. Essa temporada acabaria em grande frustração mas a verdade é que, olhando para trás esses só podem ser vistos como tempos dourados. No final da década de 90 o Newcastle começou a transformar-se num e estranho caso de aversão ao sucesso. O investimento nunca faltou. Contrataram-se múltiplos jogadores e treinadores mas a tendência foi sempre de queda, podendo, 16 anos depois, regressar ao segundo escalão do futebol inglês.


Outros casos sob ameaça
Noutros campeonatos também há históricos ameaçados. Em Portugal, claro, o Belenenses pode regressar a um segundo escalão que não se adequa, nem ao seu historial, nem à qualidade do seu plantel. Em Itália, o outrora gigante Torino pode regressar a um escalão por onde andou durante muito tempo. Para já, a equipa está fora da zona de despromoção, mas restam 2 jornadas e apenas 1 ponto de vantagem. Em Espanha, o cenário já esteve pior para o Bétis que será, provavelmente, o caso mais parecido com o do Newcastle, dada a capacidade de investimento e a incapacidade de obter resultados em consonância com a qualidade dos seus jogadores. Finalmente, em França outro caso estranho. O Saint-Etienne, histórico campeão francês, parecia ter reencontrado o caminho correcto, chegando longe na Uefa e compondo uma equipa com inegáveis talentos, onde se destaca o ponta de lança Gomis. A verdade é que a 2 jornadas do fim, a ex-equipa de Platini está apenas 1 ponto acima da linha de água.


Os bons tempos do Newcastle de Keegan. 5-0 ao Man Utd



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22.4.09

Eis que o impensável se repete, 8 dias depois!

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De tão invulgar que é, parecia inigualável, irrepetível. 8 dias depois, porém, o impensável aconteceu e voltamos a ser brindados com um incrível 4-4. Desta vez a competição era diferente, por pontos e sem decisões imediatas. Este deveria ser um dado suficiente para que os jogadores não perdessem tão rapidamente o controlo emocional, mas tal não aconteceu... definitivamente!

Muita entrega, excelentes executantes, mas sobretudo uma série de erros imperdoáveis a este nível estão na base de um resultado que faz as delicias dos adeptos mas que, seguramente, trará mais reparos do que elogios dos treinadores às suas equipas.

Para a história, e isso é o que mais conta, fica um fantástico espectáculo de emoção e incerteza no resultado, com um protagonista especial: Arshavin. Um “póquer” não é para todos, muito menos numa visita a Anfield. Os adeptos dos “Gunners” deverão lamentar-se de não poder contar com esta arma na recta final da Champions, enquanto que para o Liverpool, o 4-4 ameaça tornar-se numa maldição espectacular. É que depois de ter sido eliminado da Champions com esse resultado, poderá muito bem ter perdido a Liga com o mesmo resultado, 8 dias depois.


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29.10.08

Jesus disse...

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Se os jogadores “partiram a loiça” nos 90 minutos frente ao Portsmouth, Jorge Jesus não fez por menos no final. Dirão que é fácil revelar tanta confiança após um resultado tão conseguido. É verdade, mas também o são as afirmações do treinador, independentemente do jogo e do seu resultado. Aqui ficam algumas notas sobre o que disse Jesus:

Problemas estruturais? - Não posso, em primeiro lugar, fazer um retrocesso de algumas semanas, quando o Braga atravessou um mau momento no campeonato. Na altura houve algumas considerações à qualidade colectiva do Braga, pondo em causa aspectos estruturais e não circunstanciais do jogo da equipa. Se eram estruturais onde estão eles agora? (mais uma vez, é o resultadismo de que falei na altura...)

O efeito da sobrecarga de jogos – Partindo do ponto anterior, vou para a questão da repetição de jogos. Há quem não compreenda ou não queira compreender a questão, mas para mim é muito evidente. Uma equipa que joga sucessivamente à Quarta e ao Sábado tem muito menos capacidade de conseguir ser constante, sobretudo se jogar contra equipas que não o fazem. Porquê? O principal motivo é o tempo que existe para recuperar e preparar o jogo seguinte. Em 2 ou 3 dias é difícil trabalhar e corrigir aspectos colectivos e isso nota-se muitas vezes, particularmente no nosso campeonato onde há uma grande disparidade de sobrecarga de jogos entre algumas equipas. Neste aspecto o Braga partiu em desvantagem e esse é o grande motivo das suas dificuldades em alguns jogos do campeonato. Noto a clarividência do treinador para perceber essa limitação que, na minha perspectiva, será o grande obstáculo do Braga na Liga.´

Treinadores ingleses e o futebol português – Mas o ponto mais importante tem que ver com a forma como Jesus se refere a alguns aspectos do futebol inglês, em comparação com o nosso. Ao contrário de muitos que passam a vida a criticar a mentalidade e a qualidade dos profissionais portugueses, com comparações absurdas com campeonatos de realidades e condições completamente diferentes, Jesus não se poupou às criticas. Sobre as limitações tácticas dos treinadores ingleses, já aqui escrevi uma vez, percebendo-se que não posso estar mais de acordo com o que disse o treinador do Braga que, ao contrário dos ditos opinadores, fala do que sabe.
O problema do futebol português não são, como se gosta tanto de vender, os treinadores (nem a sua filosofia), que em alguns casos não ficam a dever em nada ao que há no estrangeiro. O problema é de quem dirige o futebol, de quem o vem arrastando para uma situação de deprimência financeira e lhe retira possibilidade de ter melhores jogadores. Mas a esta responsabilidade não posso deixar de acrescentar uma outra. A de quem tem tido uma voz presente na construção da opinião ao longo dos anos e tem sucessivamente falhado nessa confortável tarefa que é comentar.


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8.9.08

Sub 21 - A derrota esperada

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A derrota em Wembley era o resultado mais esperado. Quem viu os jogos recentes desta selecção e tem consciência do valor da Inglaterra teria de prever forçosamente, não só a forte possibilidade de um resultado negativo, como todas as dificuldades sentidas durante o jogo.

A partida mostrou as diferenças entre o que é uma equipa com uma estratégia de jogo, que sabe como quer chegar à vitória, e outra que se caracteriza, simplesmente, por 11 jogadores e 1 sistema (4-3-3). O resultado foi uma enorme diferença de comportamentos colectivos. A Inglaterra focou sempre a sua estratégia na pressão forte sobre a construção portuguesa, tirando partido da ausência de qualquer rotina colectiva lusa que pudesse, realmente, “saltar” esta adversidade. Com isto, os ingleses garantiam não só a manutenção do jogo longe da sua baliza, como uma forma ideal de poder atacar: em transição. Ou seja, a partir das recuperações de bola provocadas pelo seu pressing, era lançada a velocidade dos homens dianteiros que beneficiavam depois do espaço que beneficiava as suas características. Apesar de existirem momentos diversos, em função das próprias fases da partida, este jogo de pressão e transição foi sempre dominador durante os 90 minutos, mesmo no segundo tempo onde o bloco inglês baixou mas sem que o pressing perdesse agressividade, permitindo maior exploração da profundidade.

Do lado português um jogo de improvisação, em função do que fazia o adversário. A bola entrava sempre em Veloso mas raramente havia linhas de passe que pudessem fazer a bola fugir à pressão inglesa. Gritante a dificuldade para fazer a bola entrar nas alas e, mesmo quando isso aconteceu, os ingleses criaram zonas de superioridade numérica encurralando o jogo português junto à linha. Para além desta incapacidade de explorar os espaços libertados pela subida dos ingleses para pressionar, outra “faceta” desta selecção foi a quase inexistência de pressão sobre os adversários que puderam sempre dar inicio às suas jogadas com tempo para decidir.

Mas o principal problema desta Selecção, para mim, vem depois dos jogos, no rescaldo. É que pior que perder é não perceber porque é que se perde. Caçador afirmou, espantosamente, que “caiu de pé” (numa visão paradoxal à de Stuart Pearce que falava na possibilidade de terem sido “4 ou 5”) e entre adeptos e imprensa opta-se pelo “massacre” às individualidades, colocando até em causa o valor que me parece inquestionável dos nossos melhores valores. O problema colectivo não resulta de insuficiências individuais. É, antes sim, o contrário. É tempo de uma reflexão profunda, mas sobre isso falarei em breve...


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4.9.08

O saldo "import-export" das 3 grandes ligas.

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Parece claro que quem ficou a perder foi a Liga Espanhola, talvez fruto da menor actividade de Real e Barça. Para Itália rumaram muitos nomes sonantes mas todos para os grandes clubes. Neste balanço a Inglaterra volta a ter saldo positivo. Entre saídas e entradas, a Premier League fica claramente a ganhar, com essa particularidade de ter reforçado um número mais significativo de equipas.


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4.7.08

Jô: Mais um resgate brasileiro feito a leste

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Tal como acontecera com Elano há um ano atrás, o Man City confirmou a contratação de um brasileiro vindo do leste. O seu nome é Jô e, se a operação Elano custou cerca de 12 milhões de Euros, a de Jô representou um novo recorde do clube azul de Manchester, ultrapassando a verba paga pelo jogador então contratado ao Shakhtar.

Este sinal de disponibilidade financeira do City pode deixar a entender uma tentativa de assalto às primeiras posições da Liga nos próximos tempos, sendo que, claro, para lá chegar é preciso um pouco mais do que o simples investimento. Por exemplo, pode questionar-se como é que no meio de tantos investimentos (e numa altura em que se fala em Ronaldinho) em busca de mais valias, se opta por contratar Mark Hughes, um treinador que é “mais do mesmo” na Premier League...

Quanto a Jô, é mais uma das curiosidades que a liga inglesa nos reserva. Há muito nas bocas do mundo pela sua aparição precoce, Jô só espanta por ter ainda 21 anos. Trata-se de um jogador que no CSKA de Moscovo confirmou os predicados que se lhe apontavam quando despontou no Corinthians, parado apenas por algumas lesões, que apareceram com maior regularidade do que era desejável. A Premier League pode ser agora o palco certo para Jô se afirmar como um dos candidatos ao 9 da canarinha, uma camisola aparentemente sem dono após o eclipse de Ronaldo. Quanto às suas características, dir-se-ia que o 1,89m de altura não impede que o pé esquerdo e mobilidade sejam os maiores atributos de um jogador que, um pouco à imagem de Kanu ou Adebayor, se encaixa no “estilo Saci Perere”!

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24.3.08

História do Europeu - Itália 1968

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Enquadramento Futebol Português
Em Portugal, como se sabe, os anos 60 foram marcados por um domínio claro do Benfica que conseguia em 68 o segundo título do seu terceiro tricampeonato (o Benfica conseguiria uma série de 4 tricampeonatos intervalados por vitórias do Sporting). No Benfica, Mário Coluna contava já 33 anos e na equipa Eusébio marcava a diferença aparecia agora um jovem de 18 anos, Humberto Coelho. O Sporting foi segundo em 68, perdendo sobretudo pela prestação caseira e na sua, sobretudo por uma derrota caseira frente ao Setúbal e outro empate a zero frente ao modesto Tirsense. Nos leões despontava um talentoso guarda redes de 21 anos, Vítor Damas. Também para o FC Porto, 68 foi um ano importante. Os Dragões atravessavam o maior jejum da sua História e, 9 anos depois, voltavam a conquistar um título, vencendo a Taça de Portugal depois de derrotar o Benfica nas meias finais e o Setúbal na final, por 2-1. Nota ainda para os gloriosos tempos da Briosa de um jovem Artur Jorge que em 68 foi quarto classificado, depois de na época transacta ter conseguido um notável 2º lugar no campeonato.
A nível de performance Europeia, 68 marca o fim de uma época de protagonismo do futebol português a nível de clubes na Europa. Entre 61 e 68, Portugal conseguiu estar presente em 6 finais Europeias mas só repetiria nova presença nos anos 80.

Enquadramento Futebol Europeu
A nível de clubes, o final da década de 60 foi marcado pela confirmação da perda do poderio Espanhol que marcou o inicio das competições Europeias. De facto, depois de terem conquistado 13 Taças Europeias até 1966, os Espanhóis só voltariam às conquistas Europeias em 1979, com a Vitória do Barcelona na Taça das Taças. O futebol passava a contar com um domínio menos concentrado, mas onde se destacava o aparecimento britânico e germânico, bem como a ascendencia do futebol Holandês. No que respeita à Taça dos Campeões Europeus em particular assistia-se ao primeiro período de domínio do futebol Italiano, marcado por uma geração de grandes talentos. Os Italianos conquistaram 4 Taças dos Campeões em 7 anos, estando presentes em 5 finais.
Mas é sobre duas equipas muito particulares que vale mesmo a pena falar. O Celtic de 67 e o Manchester United de 68.
Em 67, na única final disputada em Portugal, o Celtic comandado por Jock Stein surpreendeu a Europa do futebol ao derrotar o poderoso Inter de Milão de Herrera. A estrela, Sandro Mazzola, abriu o marcador mas a equipa que ficaria conhecida como “Lisbon Lions” daria a volta, vencendo por 2-1. 12.000 adeptos deslocaram-se para assistir a uma vitória única pelo facto de ter sido conseguida com uma equipa em que apenas 1 jogador não era nascido em Glasgow. Algo impensável até naquele tempo.
Um ano mais tarde outra mítica equipa britânica haveria de fazer história. Desta vez, era o Mancheter United de Matt Busby que se tornava campeão europeu à custa de um desafortunado Benfica – que pela segunda vez jogava uma final em solo adversário, no caso em Wembley. O United conseguia um triunfo isolado precisamente 10 anos depois da tragédia de Munique que desfez o sonho de uma equipa de quem se dizia ser capaz de ombrear com o poderoso Real Madrid da altura. Na final, o United marcou primeiro pelo experiente Bobby Charlton, antes de Jaime Graça empatar e levar o jogo para prolongamento. Aí os ingleses mostraram-se mais fortes, concluindo com uma vitória por 4-1, num jogo em que se destacou um jovem talento de 22 anos chamado George Best e que lhe valeria o título de melhor futebolista Europeu nesse mesmo ano.

Qualificação
Pela primeira vez a qualificação para o Euro foi disputada com uma fase de grupos que antecedeu os quartos de final. Nos grupos o destaque vai para o afastamento da Checoslováquia (consequência de uma surpreendente derrota caseira frente à Irlanda, que qualificou a Espanha) e da Alemanha (que entregou a passagem à Jugoslávia após um escandaloso empate frente à Albania). Nos quartos de final, 4 embates muito interessantes disputados a duas mãos. A Inglaterra (campeã mundial) eliminou a detentora do título, Espanha, depois de ter vencido em casa, deu a volta ao marcador no Barnabéu, vencendo os Espanhóis por 1-2. A União Soviética virou a desvantagem que trouxera da Hungria (0-2), qualificando-se com um 3-0 em Moscovo. A Jugoslávia teve o apuramento mais fácil, ao golear a França por 5-1 em casa, após um empate em solo gaulês. Finalmente, a Itália bateu a Bulgária, invertendo em Nápoles o 2-3 que trazia da primeira mão, com um 2-0 final.
Quanto a Portugal – na altura terceiro classificado no Campeonato do Mundo – ficou-se pela fase de grupos, com uma prestação abaixo das expectativas, sendo 2º num grupo com a Bulgária, Noruega e Suécia. Os Portugueses não ganharam qualquer jogo com a Suécia e Bulgária, destacando-se a derrota em casa frente aos Suecos e o empate a 1, concedido no último minuto em Estocolmo.
Fase Final
À fase final chegaram quatro fortes Selecções do futebol Europeu, tendo os derradeiros jogos sido disputados em solo transalpino e com o factor casa, de novo, a ter efeito. Os Italianos venceram a muito custo, batendo a URSS apenas por sorteio, após 0-0, e qualificando-se para a final. A Jugoslávia, que vencera a Inglaterra com um golo muito perto do fim, foi o adversário, tendo estado a vencer desde o minuto 39, com um golo de Dzajic. Os Italianos empataram a 10 minutos do final, forçando a uma repetição da final, no mesmo Olímpico de Roma, dois dias depois. Aí, a história foi diferente e os Italianos resolveram cedo, com golos de Riva e Anastasi, garantindo uma vitória por 2-0.

Meias finais
Jugoslávia 1-0 Inglaterra
Itália *0-0 URSS
3º/4º Lugar
Inglaterra 2-0 URSS
Final
Itália 1-1 Jugoslávia
Itália 2-0 Jugoslávia (Repetição)
Equipas
Itália (Campeã)
Convém contextualizar. Olhando para a performance de Inter e Milan nos anos 60, podia perguntar-se: que é feito da Itália no Mundial de 66? A resposta tem um nome surpreendente mas que a nós até nos soa bastante bem: Coreia do Norte. Os Coreanos provocado o “choque” do Mundial ao bater os Italianos por 1-0 num jogo em que os “azzurri” só precisavam de um empate e a Nação regressou a casa num momento de profunda depressão. Feruccio Valcareggio é o nome que importa reter para explicar a reviravolta de acontecimentos. Como Seleccionador, Valcareggi manteve-se de 66 até 74, perdendo apenas... 6 jogos (onde se inclui a final do México 70). Valcareggi comandou uma equipa dominada por jogadores das duas potencias de Milão até à vitória em 68. Duas notas importantes para a Itália de Valcareggi: a adopção do libero (após essa opção praticada no Inter ter sido abandonada em 1966) e o dilema que gerou muita polémica em 1970 entre utilizar um dos “fantasisti”, partindo do princípio que as duas estrelas não podiam alinhar ao mesmo tempo. A escolha era entre Sandro Mazzola do Inter e Gianni Rivera do Milan.

Jugoslávia
Fazer uma ligação entre a Selecção quarta classificada no Mundial de 1962 e esta é um puro engano. Rajko Mitic comandou em 68 uma Selecção de jogadores muito jovens, onde o jogador mais velho tinha 27 anos. De resto esta era uma Selecção dominada por jogadores das equipas de Bélgrado – o Partizan (finalista da Taça dos Campeões em 66) e o Estrela Vermelha. Apesar da boa prestação desta Selecção, no Itália 68, a verdade é que nas décadas seguintes a Jugoslávia não repetiria os feitos dos anos 50 e 60.

Inglaterra
Campeão do mundo em título, Alf Ramsey, qualificou-se em grande estilo para o Euro 68 ao bater por duas vezes a Espanha. O treinador escolheu um elenco baseado naquele que dera a grande alegria à Nação 2 anos antes. Ramsey ficou conhecido na sua carreira por dar mais utilidade defensiva aos extremos, optando por um estilo menos lateralizado de jogar. A formação em 4-3-3 com que venceu o Mundial de 66 aproximava-se já muito do 4-4-2 que iria marcar o futebol inglês até aos dias que correm.

União Soviética
A primeira nota a salientar é a ausência de Lev Yashin. Este facto marca por si uma diferença em relação ao passado, mas não foi por isso que o perfil Soviético se alterou. A solidez defensiva voltou a ser a imagem de uma equipa que não conseguiu marcar 1 só golo nesta fase final, mas que, ainda assim, fica com a infelicidade de não ter passado à final, apenas, por sorteio. A má prestação da Selecção Soviética, no entanto, não significou a perda de preponderância de uma nação que, 4 anos mais tarde repetiria uma presença entre finalistas.

Estrelas
Dino Zoff
– Se 68 foi o ano da ausência de Yashin, foi também a estreia de Dino Zoff. Ainda no Nápoles, aos 26 anos Zoff foi o titular da primeira e única conquista Europeia dos Italianos.

Giacinto Facchetti
– Símbolo do Inter (onde foi Presidente) foi um jogador à frente do seu tempo. Adaptado por Herrera de central a lateral esquerdo, Facchetti ficou conhecido por um estilo ofensivo que apenas se repete com frequencia nos laterais do futebol moderno.

Sandro Mazzola – Filho de Valentino Mazzola, outro craque do futebol Italiano que morreu na catástrofe de Superga (desastre de avião que vitimou grande parte de uma famosa equipa do Torino), Sandro não ficou atrás do seu pai, sendo a grande referência ofensiva do Grande Inter e da Selecção. Mazzola era um veloz e talentoso jogador que podia jogar em várias posições do ataque.
Gianni Rivera – Não foi uma figura da competição por ter falhado a final por lesão, mas merece uma referência pela genialidade do seu futebol. Era um daqueles jogadores criativos que viviam apenas do talento, o que proporcionava algumas criticas em relação às atitudes defensivas. Estrela do Milan, o “Golden Boy” foi melhor jogador Europeu do ano em 1969.

Gigi Riva – Estranha a carreira, fiel ao Cagliari, de um dos maiores goleadores de sempre do Calcio. Riva era conhecido pelas suas capacidades físicas, bem como a mentalidade que fazia dele um goleador temível.

Gordon Banks – Outro grande guarda redes a desfilar entre os 4 finalistas. Na altura, com 30 anos, actuava no Stoke City e 2 anos mais tarde protagonizaria no México a famosa defesa que evitou o golo de Pelé.

Bobby Charlton – Jogador Europeu do ano em 66, Charlton entrava já na sua fase de veterania. Aos 30 anos comandou a Selecção após a conquista Europeia do Manchester United. Apontou o primeiro golo frente à URSS.

Alan Ball – Médio do Everton, era o mais jovem em 66 e o MVP da final. Em 68 era uma figura influente que, com 23 anos, permanecia como um dos mais jovens entre os eleitos de Ramsey.

Dragan Dzajic – Um dos melhores jogadores da história do futebol Sérvio, era um extremo driblador e rápido mas também um goleador ao ponto de ter sido quem mais marcou nesta fase final do Europeu (2 golos).

Vahidin Musemic – Tinha apenas 21 anos em 68 e viria a ser um dos melhores avançados da Selecção Jugoslava e do seu clube – o Sarajevo. Tinha no jogo de cabeça uma imagem de marca.

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19.3.08

A evolução no Ranking

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Na última jornada europeia confirmou-se a perda do tão ambicionado 6º lugar no Ranking da Uefa. Um facto que poderia indiciar algum abaixamento da performance portuguesa na Europa mas que, na realidade, mais não é do que uma consequência quase inevitável do aumento do número de clubes nacionais a participar nas provas da Uefa, precisamente pela subida de Portugal no ranking. Mas vamos à análise do gráfico, por partes, e com a nota prévia de que não se pretende fazer a comparação entre Portugal e os restantes 3 países, o que seria no minímo ingrato para os clubes lusos face à disparidade de condições.



Performance Portuguesa
Quando Portugal atingiu no inicio da década pontuações elevadíssimas percebeu-se que muito dificilmente se poderiam repetir aqueles valores com a integração de mais equipas. O que se passou a seguir não envergonha em nada as essas prestações positivas. É certo que não se repetiram individualmente os triunfos do FC Porto mas desde 2003 que Portugal tem pelo menos 1 equipa entre as últimas 16 presentes nas competições da Uefa. O problema naturalmente é que esta competitividade é quase que exclusivamente oferecida pelos 3 grandes, sendo que com algumas excepções (particularmente Boavista e Braga) as restantes equipas parecem sempre impotentes logo em fases precoces da sua participação. O que tem acontecido confirma uma performance acima das potencialidades (leia-se condições financeiras) do futebol português, mas igualmente uma incapacidade gritante para realisticamente se poder exigir mais.



Performance das 3 melhores ligas
O primeiro aspecto a realçar prende-se com o poderio crescente dos clubes Espanhoi e Ingleses nos últimos anos, atingindo de forma consistente valores que não se verificavam anteriormente – aqui é importante ter em conta o aumento de número de clubes e o modelo de grupos, quer da Champions, quer mais recentemente da Taça Uefa. A segunda nota vai para a subida progressiva da Inglaterra que, há 10 anos não se distanciava muito dos valores do futebol e Português e hoje ameaça superar o poderio assumido pela Espanha desde o inicio da década. Aqui é fundamental a importação de qualidade conseguida pelas receitas astronómicas da Premier League. Nota, em sentido contrário, para a Itália que não conseguiu o aumento sustentado das outras grandes ligas no inicio desta década. Com o regresso da Juventus e o estabilizar do Calcio depois dos escandalos recentes, será curioso perceber que caminho leva este que já foi o futebol dominador da Europa.

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