29.8.07

Globalização, tambén nas Selecções?

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A notícia da agora divulgada convocatória de Pepe para a Selecção Nacional encerra uma questão sensível e que, julgo eu, inevitavelmente acabará por merecer uma tomada de posição por parte da FIFA, até porque uma “não posição” depressa se tornará numa posição bastante clara.

Sobre este tipo de integrações tenho muitas reservas. Não se trata de uma questão de qualidade do jogador – disse-o há poucas semanas e mantenho-o, Pepe é o central com mais potencial que vi actuar em Portugal – nem (muito menos!) tem a ver com qualquer posição discriminatória. Tem, isso sim, que ver com a natureza do futebol de Selecções e o que isso hoje representa.

Com os efeitos da “lei Bosman” no seu pleno, o futebol de clubes tornou-se num negócio onde tudo é temporário e onde facilmente um emblema é representado por um conjunto de jogadores que, de facto, nada têm que os ligue ao clube para além do mero acordo contratual (nem é preciso dizer que, muito naturalmente, estes jogadores depressa trocariam de emblema, fosse qual ele fosse, por um punhado de euros). Com tudo isto restam as Selecções, onde os jogadores – sei que nem todos – encontram razões e motivos para jogar “pela camisola”, pelo que ela representa e porque nunca poderão vestir outra.

O caso da Selecção das Quinas não é, neste contexto, o maior dos problemas. Portugal tem uma identidade futebolística extremamente forte e, tanto Deco como Pepe, passaram grande parte da sua carreira em Portugal (provavelmente os anos mais importantes das suas vidas), fizeram uma opção por vontade própria, sem – pelo menos que eu saiba – a influência de uma oferta choruda por trás, e abdicando da possibilidade real de um dia envergarem a “canarinha”. Mas há um conjunto crescente de situações não tão “puras” – permitam-me o termo – quanto as de Pepe e Deco. Imaginemos o que seria, por exemplo, uma selecção “das Arábias” chegar a um mundial com um conjunto de jogadores Brasileiros e Argentinos, simplesmente “pagos” para representar aquele país, sem qualquer ligação biológica, afectiva ou cultural às cores que defendiam... Esse é o risco em causa, e se não tenho nada contra a globalização do futebol de clubes, espero que nunca inunde as Selecções.

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